É interessante observar que o conceito de quilombo sofre uma reconfiguração significativa no período pós-libertação dos escravos, pois: Os laudos antropológicos atuais baseados nas etnografias deveriam explicitar as diferentes dinâmicas de relações sociais e os correspondentes modos de uso e ocupação da terra, uma vez que eles poderiam nos fornecer as chaves de leitura para a continuidade cultural e sócio histórica das comunidades de quilombos contemporâneas. Se até então ele era utilizado para demarcar um processo de luta e defesa de território de negros fugidos, a partir da libertação dos escravos, ele se apresenta como um modelo de organização social e coletiva alternativa capaz de enfrentar um processo de libertação de escravos que não pressupôs qualquer forma de indenização. O quilombo de Palmares tenha essa origem, outros quilombos resultaram da compra das terras por negros libertos, da posse pacífica por ex-escravos de terras abandonadas pelos proprietários em épocas de crise econômica, da ocupação e administração das terras. Nenhuma das alternativas.