O conceito de currículo apresentado no material didático transcende a simples lista de disciplinas ou conteúdos programáticos. Baseando-se em autores como Libâneo, Oliveira, Toschi e na legislação vigente (LDB e BNCC), o currículo é entendido como uma seleção da cultura produzida pela sociedade e um campo de disputas. Considerando as implicações dessa concepção para a organização do trabalho pedagógico e as recentes alterações legislativas no Ensino Médio (Lei nº 13.415/2017), analise as alternativas abaixo e assinale aquela que expressa corretamente a relação entre currículo, legislação e prática inclusiva: A LDB determina que os currículos da educação básica devem ter uma Base Nacional Comum, a ser complementada por uma parte diversificada exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos. Essa estrutura permite a contextualização do currículo, que deve partir da realidade dos estudantes para ser significativo. A Lei nº 13.415/2017 ampliou a carga horária e definiu um currículo com maior flexibilidade, contemplando a BNCC e a oferta de itinerários formativos optativos, possibilitando o aprofundamento em áreas de conhecimento ou formação técnica, o que dialoga com a necessidade de atender às diversidades e aptidões dos estudantes. A autonomia concedida pela LDB aos sistemas de ensino permite que cada escola crie seu próprio currículo do zero, sem a necessidade de seguir a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O texto defende que, para ser inclusiva, a escola deve rejeitar as diretrizes nacionais e focar apenas nos saberes populares da comunidade local. A transversalidade e a interdisciplinaridade são conceitos ultrapassados que devem ser substituídos pela fragmentação radical do conhecimento em micro-disciplinas especializadas, garantindo que o professor detenha o monopólio do saber e o transmita hierarquicamente aos estudantes, sem considerar suas experiências prévias. A Lei nº 13.415/2017, que instituiu o "Novo Ensino Médio", eliminou a flexibilidade curricular e a autonomia das escolas, impondo uma carga horária única de 3.000 horas dedicada exclusivamente aos componentes curriculares tradicionais, sem qualquer conexão com a BNCC. O texto afirma que essa mudança reforça o conteudismo e impede a contextualização do ensino, proibindo a oferta de itinerários formativos ou formação técnica, o que contradiz os princípios da educação inclusiva e da adaptação curricular, visto que obriga todos os estudantes a seguirem exatamente o mesmo percurso formativo, independentemente de suas aptidões ou projetos de vida. O currículo oculto refere-se aos conhecimentos sistematizados que não estão explícitos no PPP, mas que são cobrados nas avaliações externas como o ENEM. Segundo o material, a escola inclusiva deve eliminar o currículo oculto e focar estritamente no currículo formal e prescrito, pois as aprendizagens vivenciadas nas relações sociais e nos corredores da escola não possuem valor pedagógico. A legislação determina que apenas os conteúdos mensuráveis e técnicos sejam considerados na formação do estudante, desconsiderando valores, atitudes e a cultura escolar como elementos constituintes do processo de ensino-aprendizagem.