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Arte e intervenção urbana: pixo e pichação.

Leia os textos 1 e 2, a seguir:

Texto 1

Entre a transgressão e a arte

Christina Queiroz

Representação gráfica entre a letra e o símbolo, o “pixo” é um elemento visual que permeia a paisagem paulistana. Pode ser visto em marquises, muros, casas e edifícios, comerciais e residenciais. Em um projeto de pesquisa recém-concluído, o antropólogo Alexandre Barbosa Pereira analisou “pixações” feitas em diversas regiões da cidade, desde os anos 1980. Nesse percurso, constatou como os jovens de periferia envolvidos com a atividade, caracterizada como gênero de arte urbana cuja essência está em ir além das regras do espaço público, conseguiram obter o reconhecimento em circuitos artísticos nacionais e estrangeiros, apesar da relação de tensão permanente com o Estado e as suas esferas institucionais.
O pesquisador explica que os integrantes do movimento diferenciam o conceito de pixação (com “x”) de pichação (com “ch”). Enquanto a palavra grafada com “ch” se refere às frases e inscrições legíveis, o vocábulo com “x” diz respeito à grafia que é entendida, apenas, pelos integrantes do movimento. Além disso, envolve a articulação em grupos, muitos deles, da periferia, que buscam os lugares de grande visibilidade e acesso difícil para deixar as marcas individuais ou coletivas, e, com isso, questionar a maneira como a paisagem urbana se estrutura. Qualquer tipo de pichação (ou pixação) é considerada como crime ambiental, conforme dispõe a Lei Federal n. 9.605/98. Além de multa, está prevista a pena de três meses a um ano de prisão, aos autores de pichação e grafites não autorizados. As penalidades são maiores quando envolvem as edificações tombadas pelo patrimônio histórico.
Estudioso do tema há mais de 15 anos, Pereira, que integra a Rede de Pesquisa Luso-Brasileira em Artes e Intervenções Urbanas, explica que a pichação, com os rabiscos e as frases feitas ao acaso, sempre existiu em São Paulo, porém identifica que a prática se intensificou, a partir dos anos 1970, com os versos poéticos escritos em muros e manifestações contra a ditadura. O início da pixação, no entanto, é mais recente. Surgiu nos anos 1980, por influência de movimentos como punk, heavy metal, hip hop e de skatistas.
Ao reconhecer a transgressão como parte intrínseca da história do urbanismo, Carlos Zibel, professor aposentado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), lembra que as escavações em Pompeia revelaram, nas paredes da cidade italiana soterrada pela erupção de um vulcão no ano 79 d.C., pichações em grafita e piche feitas contra os senadores. “As linguagens do grafite e do pixo passaram a integrar o repertório da arte contemporânea, mas isso não elimina as tensões que a pixação indevida gera no espaço urbano. Justamente pelo caráter transgressor, os pixadores desempenham um papel importante na investigação dos limites artísticos”, conclui.

Fonte: Adaptado de: http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/07/04/entre-transgressao-e-arte. Acesso em: 05 ago. 2018.

Texto 2

Disponível em: https://bhaz.com.br/2016/03/22/a-pichacao-e-um-ato-que-ao-mesmo-tempo-levanta-duvidas-e-certezas-na-sociedade/. Acesso em: 05 ago. 2018.
Com base na leitura, avalie as afirmativas a seguir: É correto o que se afirma, apenas, em:
I. No texto 2, a frase “pixei o muro na parte de fora tia, da rua que é nossa!”, é uma pixação (com “x”), uma vez que o seu conteúdo é desvinculado de uma crítica social e política;
II. Por meio da pixação, os jovens da periferia inserem-se no espaço urbano, do qual se sentem excluídos;
III. Por ser constituída de inscrições cuja grafia é compreendida, apenas, pelos integrantes do próprio movimento, a pixação não é capaz de levar a sociedade a refletir sobre a ocupação dos espaços públicos e privados;
IV. A pichação (com “ch”) serviu de instrumento de manifestação política em diferentes momentos da história da humanidade.
I e II.
II e IV.
III e IV.
I, II e IV.
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há 11 horas

Respostas

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há 11 horas

Vamos analisar cada afirmativa com base nos textos: I. No texto 2, a frase “pixei o muro na parte de fora tia, da rua que é nossa!”, é uma pixação (com “x”), uma vez que o seu conteúdo é desvinculado de uma crítica social e política; Falso. Pelo texto 1, a pixação (com “x”) é um grafismo entendido apenas pelos integrantes do movimento e tem caráter transgressor, geralmente ligado a uma crítica social e política, especialmente dos jovens da periferia. II. Por meio da pixação, os jovens da periferia inserem-se no espaço urbano, do qual se sentem excluídos; Verdadeiro. O texto 1 destaca que os jovens da periferia usam a pixação para marcar presença em espaços urbanos e questionar a estrutura da paisagem urbana. III. Por ser constituída de inscrições cuja grafia é compreendida, apenas, pelos integrantes do próprio movimento, a pixação não é capaz de levar a sociedade a refletir sobre a ocupação dos espaços públicos e privados; Falso. Apesar da grafia ser compreendida apenas pelos integrantes, o texto 1 mostra que a pixação gera tensões e questionamentos sobre o espaço urbano, ou seja, provoca reflexão social. IV. A pichação (com “ch”) serviu de instrumento de manifestação política em diferentes momentos da história da humanidade. Verdadeiro. O texto 1 menciona que a pichação com “ch” intensificou-se nos anos 1970 com versos poéticos e manifestações contra a ditadura, ou seja, teve papel político. Portanto, os itens verdadeiros são II e IV. Resposta correta: II e IV.

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Leia o texto a seguir:

Autoridades pedem que americanos parem de lavar e reutilizar camisinhas.

Camisinhas são feitas para serem usadas uma única vez, mas muita gente, pelo visto, não sabe disso

Uma das principais agências de saúde pública do mundo, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês), nos Estados Unidos, recentemente viu a necessidade de emitir um alerta à população. “Estamos falando porque as pessoas fazem isso: não lavem nem reusem #camisinhas. Use uma nova a cada ato #sexual”, publicou a agência, ligada ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo em sua conta no Twitter.
“Enquanto algumas DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) podem ser curadas com antibióticos, se não são diagnosticadas e tratadas, podem trazer sérias consequências à saúde, como: infertilidade, gravidez ectópica (gravidez anormal, que ocorre fora do útero), morte do feto e risco aumentado de transmissão de HIV”, diz o site do CDC. Uma revisão de estudos científicos, publicada em 2012, identificou 14 erros comuns no uso de camisinha. O reuso do preservativo em um mesmo ato sexual foi identificado em quatro estudos diferentes. De 1,4% a 3,3% dos participantes relatou já ter feito isso.
Reutilizar uma camisinha aumenta as chances de que ela se rompa. E lavá-la com água e sabão não adianta para livrá-la, totalmente, de vírus, bactérias ou esperma. Entre outras falhas frequentes, estão colocar o preservativo no meio do ato sexual ou tirá-lo antes de acabar e não desenrolar a camisinha por completo. Ou não apertar a ponta para tirar o ar que pode ficar preso ali, não checar para ver se o preservativo está danificado de alguma forma ou, ainda, colocá-lo do lado errado, retirá-lo, virá-lo e usar o mesmo preservativo, em seguida.
O uso correto e constante de preservativos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), reduz em 80%, ou mais, o risco de uma pessoa pegar DSTs, HIV e hepatite viral. O CDC recorda, ainda, que este método protege de outras doenças que também podem ser transmitidas dessa forma, como zika e ebola. A camisinha também é 98% eficaz na prevenção de gravidez quando usada corretamente, mas esse índice pode cair para 85% em situações cotidianas, com o seu manuseio equivocado.

Fonte: Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/geral-45026901. Acesso em: 01 ago. 2018.
Com base na leitura, avalie as afirmativas a seguir; É correto o que se afirma em:
I. O reúso de preservativos, de acordo com as pesquisas, é uma prática que implica riscos, como a maior probabilidade de que a camisinha se rompa;
II. Segundo o texto, 98% das mulheres que engravidam não usam preservativo;
III. Conforme as pesquisas, 80% das pessoas que não usam preservativo são contaminadas com os vírus e as bactérias.
I, apenas.
II, apenas.
III, apenas.
I e II.
II e III.

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