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Documento I E, segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer, como noÌ•s mesmos, por onde nos pareceu a todos que nenhuma idolatria, nem adoração teÌ‚m. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se algueÌ•m vier, não deixe logo de vir cleÌ•rigo para os batizar, porque jaÌ• então terão mais conhecimento de nossa feÌ•, pelos dois degredados, que aqui entre eles ficam, os quais, ambos, hoje tambeÌ•m comungaram. Carta de Pero Vaz de Caminha. In: PEREIRA, Paulo Roberto (org). Os treÌ‚s uÌ•nicos testemunhos do Descobrimento do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Lacerda, 1999. p. 54;57. Documento II [...] nenhuma feÌ• têm, nem adoram a algum deus; nenhuma lei guardam ou preceitos, nem têm rei que lha dê e a quem obedeçam, senão eÌ• um capitão, mais pera a guerra que pera a paz. SALVADOR, Frei Vicente do. HistoÌ•ria do Brasil (1500-1627). 6 ed. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1975.
A partir da ana̕lise desses documentos conclui-se que, no peri̕odo compreendido entre a produção do primeiro e do segundo:
a predominância das ações de natureza religiosa, por meio da catequese junto às populações indi̕genas, preservou sua cultura e impediu que elas fossem escravizadas.
a Coroa deixou integralmente a cargo da Igreja Cato̕lica a responsabilidade pela integração das populações indi̕genas ao modo de vida europeu, conforme as sugestões dos autores dos documentos.
os colonizadores empenharam-se em transplantar para o interior das comunidades indi̕genas as formas de organização da sociedade portuguesa, usando a religião e a presença de europeus entre eles.
a administração portuguesa no Brasil orientou-se pelas observações dos autores dos documentos e optou pelo isolamento das populações indi̕genas por considerar que eram inu̕teis ao processo de colonização.
o entendimento dos portugueses acerca das populações indi̕genas e de seus costumes favoreceu o seu processo de integração pela religião, finalizado no se̕culo XVII.
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há 2 meses

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há 2 meses

Vamos analisar as alternativas com base nos documentos apresentados: - A primeira alternativa afirma que a predominância das ações religiosas preservou a cultura indígena e impediu a escravidão. Isso não é correto, pois a catequese visava a conversão e muitas vezes resultou na perda cultural e não impediu a escravidão. - A segunda alternativa diz que a Coroa deixou integralmente a cargo da Igreja a responsabilidade pela integração indígena, conforme os documentos. Isso não é totalmente verdadeiro, pois a Coroa tinha interesses diretos na colonização e controle, não delegando tudo à Igreja. - A terceira alternativa afirma que os colonizadores tentaram transplantar para as comunidades indígenas as formas de organização portuguesa, usando a religião e a presença europeia. Isso está de acordo com o contexto histórico e com os documentos, que mostram a tentativa de conversão e controle. - A quarta alternativa fala que a administração portuguesa optou pelo isolamento dos indígenas por considerá-los inúteis. Isso não condiz com a realidade, pois houve interesse em sua integração e uso para trabalho. - A quinta alternativa diz que o entendimento português favoreceu a integração pela religião, finalizada no século XVII. Embora a integração religiosa tenha sido um objetivo, ela não foi totalmente finalizada no século XVII, e o processo foi mais complexo. Portanto, a alternativa correta é: os colonizadores empenharam-se em transplantar para o interior das comunidades indígenas as formas de organização da sociedade portuguesa, usando a religião e a presença de europeus entre eles.

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“Foi a partir desse [promulgação da Constituição de 88] momento que se acelerou a “emergência” de comunidades indígenas que estavam submersas por várias razões: porque tinham sido ensinadas a não dizer mais que eram indígenas, ou ensinadas a dizer que não eram mais indígenas; porque tinham sido colocadas em um liquidificador político-religioso, um moedor cultural que misturara etnias, línguas, povos, regiões e religiões, para produzir uma massa homogênea capaz de servir de “população”, isto é, de sujeito (no sentido de súdito) do Estado. [...] Essas reflexões são uma tentativa de criar uma definição a mais larga possível, que reconheça que a resposta à questão de quem é índio cabe às comunidades que se sentem concernidas, implicadas por ela. […] Hoje a população urbana do país, que sempre teve vergonha da existência dos índios no Brasil, está em condições de começar a tratar com um pouco mais de respeito a si mesma, porque, como eu disse, aqui todo mundo é índio, exceto quem não é”. (Castro, Eduardo Viveiros de. No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é. Disponível em: http://pib.socioambiental.org)
De acordo com as reflexões, avalie as afirmacoes a seguir:
I – Anteriormente a promulgação da Constituição de 1988, os povos indígenas brasileiros eram vistos de maneira homogênea, perdendo as singularidades étnicas e culturais das diversas etnias brasileiras.
II – O termo índio foi com o tempo sendo manuseado de maneira mais ampla, em virtude das diversas etnias presentes no território brasileiro, e atrelado às comunidades que se sentem implicadas a ele.
III - Qualquer pessoa pode ser considerada índio, uma vez que no Brasil todos têm ascendência indígena e compartilham da cultura indígena de alguma forma.
II e III, apenas.
I e III, apenas.
I e II, apenas.
I, II e III.
III, apenas.

A Constituição de 1988 reconheceu os direitos indígenas sobre suas terras e estabeleceu os critérios para a sua demarcação: DOS ÍNDIOS Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei. § 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. § 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, "ad referendum" do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco. § 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé. § 7º Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, § 3º e § 4º. Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Com base nisso, a demarcação
deve levar em consideração os espaços para habitação e reprodução econômica, além da sua importância cultural.
reconhece o direito indígena à terra, limitando-se a identificar os espaços para reprodução econômica e habitação.
é meramente simbólica, uma vez que os povos nativos já possuem a posse de suas terras há anos resguarda.
avança no reconhecimento, mas não rompe com as políticas assimilacionistas historicamente instituídas.
passou a ser integralmente respeitada, não havendo tentativas no sentido de impedir a posse de terras pelos indígenas.

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