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1 COGNIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA E DO RACIOCÍNIO LÓGICO-MATEMÁTICO Parte II – Unidades V a VIII Profa. Juliane Feldmann Profa. Edna Barberato Genghini FELDMANN, Juliane GENGHINI, Edna Barberato Cognição e desenvolvimento da Linguagem Oral e Escrita e do Raciocínio Lógico-matemático (livro-texto – Parte II – Unidades V a VIII) / Juliane Feldmann; Edna Barberato Genghini. – São Paulo: Pós- Graduação Lato Sensu UNIP, 2019. 141 p. : il. 1. Fundamentos histórico-culturais para o ensino da matemática. 2. Metodologias para a educação matemática no Brasil. 3.Avaliação da Matemática. 4.material manipulativo, concreto para aprendizagem matemática. Pós-Graduação Lato Sensu UNIP. III. Cognição e desenvolvimento da Linguagem Oral e Escrita e do Raciocínio Lógico- matemático (livro-texto – Parte II – unidades V a VIII). COGNIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA E DO RACIOCÍNIO LÓGICO-MATEMÁTICO II Parte – Unidades V a VIII Professora conteudista JULIANE FELDMANN Pedagoga pela Universidade Regional de Blumenau - SC; Psicopedagoga Institucional e Clínica pelo ICPG; Neuropsicopedagoga Clinica pelo CENSUPEG; Psicomotricista pela FMU; Coordenadora Pedagógica pela Prefeitura Municipal de SBC – SP – 13 anos de atuação como professora em sala de aula, com experiência em alfabetização; 12 anos atuando como psicopedagoga clinica clínica em consultório próprio; Coordenadora da Equipe Multidisciplinar do espaço Integrado; 12 anos ministrando cursos e palestras na área da educação; Docente em cursos de pós-graduação; Coordenadora do Curso de Pós Graduação em Neuropsicopedagogia Institucional e Clínica pela UNIP; Autora dos Livros: Aprender tem que ser Divertido. Ed. CEITEC – esgotado; Trio de Rimas. – Ed. Matrix; Pensamento e Emoções – Ed. Matrix; Sentimentos e Pensamentos – Ed. Matrix, Exercícios da Gratidão – Ed. Matrix. Autora de Jogos Neuropsicopedagógicos – www.neurototem.com.br – Te Conhecendo Melhor (Técnica Projetiva) – Jogo das Funções Executivas – Alinhando 3 – Bingo da Ortografia – De Olho nos Monstros – Labirinto Psicomotor – Tabuleiros de Percurso – As Pulgas do Gato – Enfeitando o bolo, Técnica dos Grampos de Roupa; Técnica das Esponja. Professora colaboradora/coordenadora: EDNA BARBERATO GENGHINI, Professora Universitária desde 2002. Atualmente no exercício da função de Coordenadora para todo o Brasil de três cursos ao nível de Pós-Graduação Lato Sensu: em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL, DOCÊNCIA PARA O ENSINO SUPERIOR e em FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, pela UNIP – UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP/EaD, onde também atua como Professora Adjunta, nas modalidades SEI e SEPI. É Diretora e Psicopedagoga da MENTOR ORIENTAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA LTDA. ME desde 1991. Possui graduação em Economia Doméstica – Faculdades Integradas Teresa D'Ávila de Santo André (1980), graduação em Pedagogia pela Universidade Guarulhos (1985), Pós-graduação em Psicopedagogia pela Universidade São Judas (1987), Mestrado em Ciências Humanas pela Universidade Guarulhos (2002) e pós- graduação Lato Sensu em Formação em Educação a Distância pela UNIP – Universidade Paulista (2011). É autora e coautora de livros Textos para os cursos de Pós-Graduação Lato Sensu em Psicopedagogia Institucional, Docência para o Ensino Superior e Formação em Educação a Distância da UNIP – EaD. Áreas de Interesse: Neurociências – Educação Inclusiva – Psicopedagogia Clínica e Institucional – Formação e Gestão em Educação a Distância – Formação de Docentes para o Ensino Superior. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 6 V. FUNDAMENTOS HISTÓRICO-CULTURAIS PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA: POR QUE O PSICOPEDAGOGO PRECISA CONHECER? ....................... 10 5.1 Uma história muito antiga .................................................................................. 10 5.2 A História da matemática e a educação matemática ......................................... 10 5.2.1 A origem dos números ....................................................................................... 11 5.2.2 A pré-história dos números, uma contagem primitiva ........................................ 11 5.2.3 As civilizações e seus sistemas de numeração ................................................. 12 5.2.4 Considerações sobre as visões absolutistas do conhecimento matemático na prática pedagógica e sua influência prática psicopedagógica .............................................. 16 5.2.5 O ensino da matemática – breve histórico ......................................................... 17 5.2.6 Movimento da Matemática Moderna no Brasil ................................................... 18 5.3 A História da matemática na formação do professor e do psicopedagogo ......... 20 VI. METODOLOGIAS PARA A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA NO BRASIL ............... 23 6.1 Pressupostos epistemológicos do pensamento lógico-matemático .................... 23 6.2 Raciocínio lógico-matemático, segundo Piaget .................................................. 23 6.3 A importância do conhecimento acerca do desenvolvimento cognitivo .............. 24 6.4 Planejamento, conteúdo, material didático e avaliação no ensino de matemática da educação infantil ............................................................................................................. 25 6.5 Números e sistema de numeração .................................................................... 27 6.5.1 A sequência numérica 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 .......................................................... 28 6.5.2 Números e operações ....................................................................................... 31 6.5.3 Operação com números naturais ....................................................................... 35 6.5.3.1 Adição ............................................................................................................... 37 6.5.3.2 Subtração .......................................................................................................... 37 6.5.3.3 Multiplicação e divisão ....................................................................................... 39 6.6 Metodologias para o ensino de matemática na educação de jovens e adultos .. 44 6.7 Números racionais ............................................................................................. 46 6.7.1 Fração ............................................................................................................... 47 6.8 Tratamento da informação ................................................................................. 50 6.9 Geometria, grandezas e medidas ...................................................................... 51 6.10 Espaço e forma ................................................................................................. 55 6.11 Metodologias para o ensino de matemática utilizando jogos ............................. 58 6.11.1 Torre de Hanói ................................................................................................... 58 6.11.2 Jogo de xadrez .................................................................................................. 60 VII. AVALIAÇÃO DA MATEMÁTICA E AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA .............. 65 7.1 A avaliação psicopedagógica ............................................................................ 66 7.2Provas do diagnóstico operatório ....................................................................... 69 7.3 Aplicação das provas operatórias ...................................................................... 71 7.3.1 Prova de classificação ....................................................................................... 74 7.3.2 Prova de intersecção de classes ....................................................................... 76 7.3.3 Prova de inclusão de classes ............................................................................ 77 7.3.4 Prova de seriação de palitos .............................................................................. 78 7.3.5 Prova de conservação ....................................................................................... 80 7.3.6 Prova de conservação de superfície .................................................................. 81 7.3.7 Prova de conservação de líquido ....................................................................... 84 7.3.8 Prova de conservação de matéria ..................................................................... 86 VIII. MATERIAIS MANIPULATIVOS, CONCRETOS PARA APRENDIZAGEM MATEMÁTICA ................................................................................................................... 115 8.1 O lúdico como motivação nas aulas de Matemática ........................................ 117 8.2 Materiais para intervenção psicopedagógica nas dificuldades de aprendizagem, raciocínio lógico e matemática ........................................................................................... 118 6 INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a): A disciplina Cognição e Desenvolvimento da Linguagem Oral e Escrita e do Raciocínio Lógico-Matemático (Parte II – unidades V a VIII) tem como foco o estudo das questões educacionais relacionadas à aquisição dos elementos matemáticos necessários para a formação do psicopedagogo institucional, esteja ele trabalhando nas escolas, empresas, ONGs, órgão governamentais, em clínicas e consultórios particulares ou em quaisquer outras instâncias onde o foco seja a aprendizagem de crianças, adolescentes e/ou adultos. As unidades estão organizadas de forma a permitir a revisão, complementação e atualização dos conhecimentos acerca das principais teorias de ensino- aprendizagem relacionados ao pensamento lógico-matemático dentro do contexto histórico, como se apresentam as metodologias usadas ao longo do tempo e, o que é mais significativo para nós: como avaliar a matemática de forma processual e não como apenas um resultado numérico. Veremos quais devem ser as posturas do psicopedagogo frente aos desafios e mitos que envolvem o conhecimento da matemática, o cumprimento de regras e conhecer os materiais que facilitam as interações bem como as intervenções psicopedagógicas para oportunizar melhores ferramentas para a aprendizagem matemática. O objetivo desse livro-texto dos cursos de pós-graduação em Psicopedagogia e Neurociências e Psicopedagogia Institucional da UNIP EaD é ajudá-lo(a) a compreender as etapas do desenvolvimento cognitivo no que se refere às questões lógico-matemáticas e das questões educacionais relacionadas à aquisição dos elementos matemáticos necessários para a formação do psicopedagogo institucional, esteja ele trabalhando nas escolas, empresas, ONGs, órgãos governamentais, em clínicas e consultórios particulares ou em quaisquer outras instâncias onde o foco seja a aprendizagem de crianças, adolescentes e/ou adultos. O material que agora você tem em seu poder está dividido em quatro unidades didáticas distintas, porém complementares. Cada uma delas apresenta uma particularidade do tema e foi organizada tendo em vista facilitar seu percurso dentro da temática cognição e desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático. 7 Veja como estão organizadas: Unidade V – FUNDAMENTOS HISTÓRICO-CULTURAIS PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA: Por que o psicopedagogo precisa conhecer? Como os povos primitivos contavam? A concepção de números abstratos. As civilizações e seus sistemas de numeração. O que dizem os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) sobre o ensino de matemática. A presença da matemática no dia a dia (visão platonista, visão formalista e visão intuicionista). Movimento da Matemática Moderna no Brasil. Unidade VI – METODOLOGIAS PARA A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA NO BRASIL Planejamento, conteúdos, material didático e avaliação no ensino de matemática da educação infantil. Números e sistema de numeração. Números e operações. Operação com números naturais. Metodologias para o ensino de matemática na Educação de Jovens e Adultos. Metodologia utilizando jogos. Números racionais. Tratamento da informação. Geometria, grandezas e medidas. Espaço e forma. Unidade VII – AVALIAÇÃO DA MATEMÁTICA E AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA. O que alcançar na educação infantil. Provas do diagnóstico operatório. Prova de aritmética. Teste do desempenho escolar. Coruja Promat. Coruja Especialista. Protocolo de avaliação de habilidades cognitivo-linguísticas. Provinha Brasil. Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB). Teste simples de discalculia. Discalculia. Unidade VIII – MATERIAIS MANIPULATIVOS, CONCRETOS PARA APRENDIZAGEM MATEMÁTICA. Como se aprende matemática? O lúdico como motivação nas aulas de matemática. Os materiais. Para estudar todos os temas indicados, os objetivos específicos da disciplina são: 1) Ampliar a competência do psicopedagogo acerca das questões relacionadas à cognição e desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático nas diferentes etapas da aprendizagem desde a primeira infância (conhecimentos informais), na fase pré-escolar e no ensino fundamental, propiciando ao psicopedagogo um contexto de discussão teórico-prática que o auxilie no trabalho preventivo e proativo sobre os conhecimentos relacionados ao entendimento de como se desenvolvem o senso numérico e as atividades de contagem, bem como os cálculos, ao desenvolvimento do raciocínio lógico e do raciocínio abstrato/espacial em ambiente escolar; 2) Construir conceitos sobre o desenvolvimento do raciocínio lógico em diferentes etapas do desenvolvimento, desde os conceitos concretos até os mais abstratos para que o psicopedagogo possa entender como intervir de forma mais eficiente em relação à matemática na abordagem sociointeracionista de ensino- aprendizagem; 3) Construir conceitos sobre a gênese e o desenvolvimento do raciocínio lógico em crianças, adolescentes e adultos, a partir do conhecimento da História e da evolução da matemática, compreendendo seus aspectos para inter-relacionar esses conhecimentos às neurociências e disciplinas afins; 8 4) Estudar a função do psicopedagogo enquanto educador matemático, como mediador entre o conhecimento adquirido socialmente pela criança e o conhecimento escolar, estimulando o avanço intelectual do aluno, na apropriação da linguagem matemática – do concreto ao abstrato, por meio da experiência com atividades significativas e com efetivas estimulações aos campos da contagem, cálculos e geometria que se fizerem necessárias; 5) Vivenciar situações lúdicas, por meio de materiais manipulativos conceituais, jogos de estratégia, geométricos e numéricos e brincadeiras que provoquem a reflexão sobre a prática psicopedagógica, com vistas à autonomia na elaboração de projetos de trabalho produtivos, que fertilizem o perfil cidadão do educando, no interior das práticas sociais. 6) Entender o caráter coletivo, dinâmico e processual da produção do conhecimento lógico-matemático, que ocorre de acordo com as necessidades e anseios dos sujeitos; 7) Perceber a matemática como uma forma de expressão, isto é, como uma linguagem que é produzida e utilizada socialmentecomo representação do real e da multiplicidade de fenômenos propostos pela realidade, partindo das experiências vividas pela criança para atingir níveis mais complexos de abstração. 8) Ampliar a competência do psicopedagogo institucional em relação às questões relacionadas ao conhecimento lógico-matemático e das neurociências, propiciando a ele um contexto de discussão teórico-prática que o auxilie no trabalho preventivo e proativo sobre os conhecimentos dos atendidos (aluno e/ou instituição); 9) Alinhavar os conhecimentos acerca dos processos neuropsicológicos de aquisição do raciocínio lógico-matemático, com a práxis da sala de aula, de forma a capacitar o psicopedagogo institucional a atuar preventiva e proativamente nas dificuldades de aprendizagem. Reforçando o já dito, esses conteúdos serão abordados em quatro unidades de ensino, assim distribuídas: Unidade V: Fundamentos histórico-culturais para o ensino da matemática: Por que o psicopedagogo precisa conhecer? Unidade VI: Metodologias para a educação matemática no Brasil. Unidade VII: Avaliação da matemática e avaliação psicopedagógica. Unidade VIII: Materiais manipulativos, concretos para aprendizagem matemática. A Unidade V, Fundamentos Histórico-culturais para o ensino da matemática: por que o psicopedagogo precisa conhecer? Tem como objetivo geral apresentar a você, aluno(a), a corrente de pensamento histórico-cultural que entende a matemática como um conhecimento produzido e sistematizado pela humanidade, portanto histórico, com o propósito de interpretar, interagir e transformar a realidade. Na Unidade VI, Metodologias para a educação matemática no Brasil, veremos as principais metodologias para o ensino da matemática, capacitar o 9 psicopedagogo institucional a atuar preventiva e proativamente nas dificuldades de aprendizagem relacionadas ao processo de formação do pensamento e aquisição da linguagem lógico-matemática, oportunizando espaços de reflexão sobre o ensino e a aprendizagem da matemática e incentivando a formação contínua por meio da articulação dos conteúdos curriculares, sua organização, avaliação, bem como das metodologias adequadas ao processo ensino e aprendizagem na educação no Brasil, desde a Educação Infantil ao tratamento didático diferenciado no trabalho psicopedagógico na Educação de Jovens e Adultos. A Unidade VII, intitulada Avaliação da matemática tem como objetivo principal conhecer quais os principais instrumentos qualitativos e quantitativos utilizados para avaliação da matemática. Nessa unidade, iremos aprender como avaliar as competências necessárias para aprendizagem da matemática, entender as dificuldades, os fatores que dificultam a aprendizagem da matemática. Mediante aplicação desse conhecimento, busca-se, também, somar os conteúdos propostos na Unidade VIII – Material manipulativo, concreto para aprendizagem matemática. Lembramos a você, caro(a) aluno(a), que os conhecimentos não se esgotam com os assuntos aqui abordados e esperamos que você complemente seus estudos acessando as bibliografias recomendadas, bem como possa ampliar suas práxis por meio da vivência com os jogos e atividades lúdicas. Bons estudos! 10 V. FUNDAMENTOS HISTÓRICO-CULTURAIS PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA: por que o psicopedagogo precisa conhecer? Como dissemos na introdução, vamos apresentar a você, aluno(a), a corrente de pensamento histórico-cultural que entende a matemática como um conhecimento produzido e sistematizado pela humanidade, portanto histórico, com o propósito de interpretar, interagir e transformar a realidade. Entender a origem desse conhecimento é fundamental para que possamos atuar como psicopedagogos frente às dificuldades de aprendizagem individuais e/ou coletivas de nossos clientes desde a educação infantil ao ensino superior em quaisquer instâncias onde sejam exigidos conhecimentos lógico-matemáticos, seja em ambientes institucionais ou ambientes restritos como clínicas e consultórios. 5.1 Uma história muito antiga Há muito, o pastor soltava suas ovelhas no pasto. Para saber quantas ovelhas tinha, ele fazia o seguinte: a cada ovelha do seu rebanho ele associava uma pedrinha e a guardava num saquinho. Quando ia recolher o rebanho, retirava uma pedrinha do saco para cada ovelha que encontrava. Assim, cada pedrinha retirada correspondia a uma ovelha. No final da contagem, se sobrasse pedrinha no saquinho, era porque alguma ovelha havia se extraviado. Foi assim que o homem aprendeu a contar: comparando quantidades. De um lado, a quantidade de pedrinhas, do outro, a quantidade de ovelhas. Contudo, para comparar, o homem usava principalmente o dedo das mãos. Surgiu daí a ideia comum aos dois conjuntos que ele comparava: o número. E ainda fazia marcas em pedaços de pau ou ossos. O registro mais antigo de que o homem primitivo já usava objetos para registrar quantidades é um osso com 29 entalhes feitos em uma fíbula (ou perônio) de um babuíno. É o osso de Lebombo, descoberto nos montes Libombos, na Suazilândia, e datado de aproximadamente 35.000 anos a.C. Poucos desses registros existem até hoje. Na antiga Tchecoslováquia foi encontrado um osso com 55 incisões profundas. Estavam dispostas em duas séries, uma com 25 incisões e outra com 30, e, em cada série, os riscos estavam dispostos em grupos de cinco. Isso há mais de 30 mil anos! Mas os homens não usavam apenas pedrinhas em contagens: eles também registravam números fazendo nós em cordas e por meio de outros objetos. Vamos conhecê-los? 5.2 A História da matemática e a educação matemática Vamos conhecer um pouco da História da matemática para que possamos passar, com naturalidade, que a mesma está presente em nossas vidas desde os tempos remotos e, com isso, termos a tranquilidade de atuarmos junto aos nossos clientes, professores e 11 coordenadores escolares, desmistificando o “bicho papão” dessa disciplina tão importante para o desenvolvimento da humanidade. 5.2.1 A origem dos números Para descobrirmos a origem dos números, é necessário conhecermos um pouco da História da humanidade. O uso dos algarismos (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 0) nos parece tão comum que quase consideramos seu aprendizado como sendo uma condição inata do ser humano, assim como são o ato de falar e de andar. Alguns historiadores, como Georges Ifrah (1998), são auxiliados por diversas descobertas, como o estudo das ruínas de antigas civilizações, estudos de fósseis, o estudo da linguagem escrita e a avaliação do comportamento de diversos grupos étnicos desde o princípio dos tempos. Olhando ao redor, observamos a grande presença dos números. Entretanto, o que se pretende discutir é a importância dos números, qual é sua função, sua necessidade na nossa vida. Não se pode datar o exato aparecimento da matemática, mas sabe-se que suas noções básicas são a escrita, pois a linguagem de sinais é bem mais fácil de ser compreendida do que a construção de frases bem moduladas que expressem ideias e que são comuns no dia de hoje. A base cognitiva para a construção da ideia de número, historicamente, é definida pela necessidade de registrar quantidades de objetos concretos e não pela necessidade/finalidade de facilitar o desenvolvimento abstrato da aritmética. 5.2.2 A pré-história dos números, uma contagem primitiva Onde e quando essa aventura começou? Na Ásia, na Europa ou na África? Na época do homem Cro-Magnon, há 30 mil anos? Ou na época do homem de Neandertal? Não sabemos. O que temos como certeza é que houve um tempo em que o ser humano não sabia contar. Atualmente, ainda existem homens incapazes de conceber qualquer número abstrato e que não sabem nem que dois e dois agrupam-se em quatro. Um exemplodisso são as inúmeras hordas primitivas, tais como: o caso dos zulus e dos pigmeus na África, dos arandae e dos kamilarai, da Austrália, segundo Eves (2004). Fontes (1969, p. 2) afirma ainda que “como o incremento cultural não é dotado de aceleração uniforme, nem tampouco é sistematicamente orientado em um único sentido, os povos se apresentam em várias fases ou ciclos culturais”. O molde cognitivo implícito nessas representações caracteriza a marca humana presente na estratégia de criação do sentido numérico, relacionando os aspectos reais e imaginários que se entrelaçam na mente humana para manifestar o pensamento numérico. As investigações (arqueológicas, antropológicas e históricas) realizadas em diversas regiões do planeta têm mostrado que a sociedade humana se vale dos algarismos há 6000 anos. Sua história constitui-se em uma história universal a qual, mesmo descontínua e não linear, possui inúmeros fragmentos socioculturais que evidenciam o 12 movimento cognitivo para o qual convergiram os sistemas de numeração, construídos e utilizados pela humanidade em todo o planeta. 5.2.3 As civilizações e seus sistemas de numeração Os sumérios, suposto povo que habitava uma região que hoje corresponde ao Iraque, registravam suas informações contábeis sobre placas de argila. Essa escrita foi de forma cuneiforme, ou seja, com uma grafia angulosa, feita com instrumento pontiagudo. De acordo com os estudos realizados, alguns historiadores chegaram à conclusão de que o sistema de numeração deles era aditivo e sexagesimal, ou seja, realizado na base 60, o que contribui até os dias de hoje na contagem do nosso tempo cronológico. Fonte: MENDES, Iran Abreu. Números – O Simbólico e o Racional Na História. O sistema de numeração hieroglífico, adotado pelos egípcios, era baseado no número 10, ou seja, depois da nona unidade, organizava-se a classe decimal superior (depois de nove 1, vem o 10; depois de nove números 10, vem o 100 e assim por diante, seu sistema era aditivo, admitindo sinais diferentes para unidade, dezena e centena. 13 Fonte: MENDES, Iran Abreu. Números – O Simbólico e o Racional Na História De acordo com as informações encontradas em Furon et al (1959, p. 144), o sistema hebraico de numeração tem sua explicação histórica na Bíblia, visto que esta parece ser a única fonte desse povo. Esse sistema era decimal e sexagesimal, vindo do hábito de processar a contagem com os dedos das mãos. Em hebraico, o nome das dezenas, de trinta a noventa, é o plural de três a nove. Os chineses na antiguidade definiam sua matemática como a “arte do cálculo” (suanshu), que consistia num vasto conjunto de práticas e correntes que se desenvolveram na China até 1911. Após essa data, ela se ocidentalizou e o saber matemático chinês tradicional tornou-se quase impenetrável para os que não tinham uma formação clássica. A língua chinesa possui termos silábicos para designar os dez primeiros números e as primeiras potências de 10, 100, 1000 e 10000. 14 Fonte: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/matematica/numeracao-chinesa.htm Os antigos povos peruanos se utilizavam do sistema de contagem código quipu, um sistema de base decimal, organizado através de nós, distribuído sistematicamente, em casas decimais em linhas verticais, sendo que a ordem das casas decimais decrescia de cima para baixo de acordo com o número representado. Os nossos atuais números indo-arábicos se constituem com este nome devido a sua origem na Índia e sua popularização através da expansão realizada pelos árabes. Os números foram criados do 1 ao 9 e somente após foi aceito o número zero, para representar a ausência de quantidades no sistema decimal. Acredita-se que foi criado pelos babilônios. 15 Fonte: MENDES, Iran Abreu. Números – O Simbólico e o Racional Na História O fato é que a matemática está presente em nosso dia a dia de tal forma que não podemos, não devemos e, certamente, não queremos nos distanciar dela. As funções mais rotineiras de nossa vida têm sido realizadas por computadores: desde uma conta, até o controle de nosso dinheiro no banco, nosso pagamento de salário, e muitas outras atividades são controladas por máquinas que são, por sua vez, apoiadas na matemática. Nossa vida depende da matemática! Veja os exemplos das máquinas das UTIs hospitalares, dos equipamentos de tomografia e ressonância magnética, dos gráficos e curvas em exames de análise clínica, eletrocardio ou eletroencefalogramas, entre outros. Existe uma tendência cada vez mais crescente da “matematização” do mundo. Parece mesmo ser de senso comum que todo e qualquer problema cotidiano possa ser equacionado. Ou seja, será que tudo na nossa vida pode ser expresso como ax + by = c ou outra equação ou inequação qualquer? E, voltando ao assunto, de onde vêm os a, b, c, x e y? Quem os inventou e por quê? Os documentos históricos encontrados pela arqueologia que fornecem um pouco de informação a respeito das origens da matemática começam com os egípcios. Costumava-se definir a matemática como a ciência do número e grandeza. Isso já não é válido, pois certamente a matemática é muito mais do que números e grandezas. Hoje, a matemática que conhecemos é intelectualmente sofisticada. Entretanto, desde os primeiros tempos da raça humana, os conceitos de número, grandeza e forma ocupam a mente e formam a base do raciocínio matemático. 16 Originalmente, a matemática preocupava-se com o mundo que nos é perceptível aos olhos, como parte da vida cotidiana do homem. Pode-se, inclusive, tentar relacionar a persistência da raça humana no mundo com o desenvolvimento matemático, se assumirmos válido o princípio da “sobrevivência do mais apto”. No princípio, as relações de grandeza estavam relacionadas mais com contrastes do que com semelhanças: a diferença entre um animal e outro, os diferentes tamanhos de um peixe, a forma redonda da lua e a retilínea de um pinheiro. Acredita-se que o conjunto dessas informações imprecisas deve ter dado origem a pensamentos de analogias e aí começou a nascer a matemática. Da percepção das duas mãos, das duas orelhas, das duas narinas, à propriedade abstrata que chamamos número, foi um grande passo no caminho para a matemática moderna. 5.2.4 Considerações sobre as visões absolutistas do conhecimento matemático na prática pedagógica e sua influência prática psicopedagógica Embora as correntes filosóficas absolutistas (racionalismo, logicismo, intuicionismo) tivessem bases filosóficas diferentes, é possível destacar em comum entre elas a consideração do conhecimento matemático como absoluto, verdadeiro, e como objeto puro da razão (logicismo e racionalismo) ou da intuição (intuicionismo). Na prática pedagógica, a visão platonista se manifesta por meio da apresentação dos objetos ideais e as relações verdadeiras que existem entre eles. Nesse caso, aos alunos cabe compreender tais objetos e proposições, ou seja: essa perspectiva supõe uma sala de aula na qual os alunos assumem uma postura passiva, diante de aulas expositivas durante as quais os conhecimentos matemáticos são expostos como verdades incontestáveis. Por outro lado, a visão formalista pode ser observada quando o professor parte de um exemplo familiar para os alunos e procura abstrair dali os conteúdos matemáticos para sistematizá-los. A organização do currículo de forma linear, cada conteúdo precedido de seus pré-requisitos, também mostra essa influência,assim como o trabalho com ênfase em aplicações de fórmulas e repetição de procedimentos. Essa visão reforça a ideia de que a matemática é um corpo separado da realidade (física), mas que pode ser a ela aplicada. O distanciamento pode dificultar a apreensão dos conceitos matemáticos pelos alunos, pois estes, geralmente, não sentem a necessidade de grande parte dos conhecimentos apresentados (excessivamente formais) em sua vida. A visão intuicionista da matemática está presente na sala de aula quando o professor apresenta o conhecimento como fruto de inspirações de alguns poucos gênios das ciências, fato este que pode contribuir para reforçar uma crença de que a matemática é um conhecimento inatingível para as pessoas comuns por apresentar demasiada complexidade. Essa crença tem, ao longo dos anos, afastado muitos alunos da escola e, portanto, da possibilidade de ter um contato com o conhecimento matemático produzido pela humanidade. Uma das atitudes que fazem com que alguns pensem que não conseguem pensar matematicamente vem também da questão cultural, pois antigamente o ensino da área de 17 exatas, além de não ser permitido a todos, inclusive às mulheres, limitava-se a uma pequena parte da burguesia. 5.2.5 O ensino da matemática – breve histórico O ensino da matemática foi influenciado, em diversos momentos, por movimentos educacionais com o intuito de adequar a prática pedagógica às concepções predominantes em cada época. Nas décadas de 1960 e 1970, o ensino sofreu forte influência do Movimento da Matemática Moderna, sendo que no Brasil essa influência também predominou. Esse movimento tinha como foco a formação do pensamento científico e tecnológico, com o propósito de modernizar o ensino da matemática. As principais características do Movimento da Matemática Moderna foram: o pensamento axiomático, maior grau de generalização, alto grau de abstração, maior rigor lógico, uso de vocábulos contemporâneos, precisão da linguagem, método dedutivo e a forte influência do estruturalismo (NOVAES et al., 2008). Nessa perspectiva, a matemática é compreendida a partir das estruturas lógicas e formais, em que a linguagem matemática tem papel fundamental, aproximando a “matemática escolar” da “matemática pura”. Essa visão se manifestava na organização escolar, nos materiais didáticos e nas ações pedagógicas. Desse modo, a matemática a ser ensinada era aquela concebida como lógica, compreendida a partir das estruturas e que conferia um papel fundamental à linguagem matemática (BRASIL, 1998). Contudo, o excesso de abstração inerente à própria matemática, bem como o uso da linguagem simbólica comprometeram o ensino, o que desencadeou preocupações com a didática da matemática e, consequentemente, intensificaram as pesquisas nessa área, na busca de resolver as deficiências do processo de ensino da disciplina. Já na década de 1980, alguns grupos discutiam as questões de ensino e aprendizagem da matemática e sugeriam alternativas para as deficiências observadas na prática pedagógica, na perspectiva da matemática moderna. Nessa época, um grupo de professores americanos, o National Council of Teachers of Mathematics (NTCM), apresentou um documento chamado Agenda para ação, o qual chamava a atenção para os aspectos sociais, antropológicos e linguísticos na aprendizagem da matemática e destacava a resolução de problemas como forma de implementação dos conceitos dessa ciência. O documento americano influenciou propostas de ensino em todo o mundo. No Brasil, na década de 1990, foi elaborado um documento com a intenção de subsidiar a prática pedagógica, os Parâmetros Curriculares Nacionais, ou PCNs. 18 5.2.6 Movimento da Matemática Moderna no Brasil O surgimento do Movimento da Escola Nova veio juntamente com novas correntes educacionais surgidas no final do século XIX, na Europa e nos Estados Unidos, que começou a produzir reflexos no ensino primário brasileiro a partir da década de 1920. No Brasil, ficou conhecido como Reforma Francisco Campos versus Reforma Gustavo Capanema. As reformas que começaram a ocorrer em vários Estados, tentando colocar em prática as novas ideias, trouxeram a criação de publicações de livros com as novas correntes educacionais, com uma ampla discussão sobre as questões pedagógicas, fazendo surgir a Associação Brasileira de Educação, em 1924. Esse fato desencadeou o Movimento da Renovação da Educação Brasileira. Tais princípios geraram uma mudança radical no ensino das séries iniciais, em particular no de matemática. De uma “Matemática do Quadro-Negro”, emprestando uma expressão usada por Irene de Albuquerque, passaríamos a uma “Matemática de Atividade” (MIGUEL; VILELLA, 2008). As ideias modernizadoras começaram a penetrar no ensino de matemática na escola brasileira em nível secundário, a partir de 1928, com a proposta do Internato Colégio Pedro II. Essa ideia fora introduzida por Euclides Roxo, professor catedrático de matemática do Internato Colégio Pedro II e o maior responsável pela elaboração da proposta modernizadora brasileira. Apesar de Euclides Roxo afirmar que sua intenção era apenas apresentar outras ideias e opiniões sobre as questões mais relevantes acerca do ensino de matemática e que o livro que publicara (Matemática na escola secundária, 1937) não continha nenhuma ideia original, nenhum ponto de vista pessoal, a sua posição em defesa da modernização era transparente, claramente vista nas páginas de seu livro e percebida por sua atuação como professor e diretor no Internato Colégio Pedro II, naquela época (1930/1945). O fato, no entanto, só se deu com a reforma que Francisco Campos apresentaria posteriormente para a escola secundária (inicialmente), através do decreto n.º 19.890 de 18 de abril de 1931 e depois consolidada pelo decreto n.º 21.241 de 4 de abril de 1932. Francisco Campos era o Primeiro Ministro do recém-criado Ministério da Educação e Saúde Pública (1930-1936) no início da era Vargas (1930-1945), que havia remodelado o ensino primário e normal de Minas Gerais, de acordo com as ideias do Movimento Renovador da Educação, acatando em sua reforma todas as ideias consagradas na proposta da Congregação do Colégio Pedro II, em relação ao ensino de matemática. A princípio, as ideias iniciais da reforma foram implantadas oficialmente em todas as escolas secundárias brasileiras. Francisco Campos havia dividido o curso secundário em dois ciclos (de cinco e dois anos): o primeiro fundamental e o segundo complementar, o último com orientação para as diversas opções de carreira universitária. Com essa lei de 1931, as universidades passaram a ter uma grande influência, com uma nova orientação de trabalho voltada para a pesquisa, a difusão cultural e com maior autonomia administrativa e pedagógica. Durante essa implantação, havia no cenário político um nome forte e de interesse do governo de Getúlio Vargas (1937-1945): Gustavo Capanema que, como Ministro da Educação, em 1939, retoma os trabalhos sobre o ensino secundário e começa a organizar as informações para uma futura reforma no ensino do curso secundário. 19 Esse estudo foi elaborado por uma comissão que tinha um relator: Euclides Roxo. Novamente, Euclides Roxo se faz presente no âmbito das discussões sobre a educação brasileira. Em 4 de abril de 1942, Gustavo Capanema promulga a Lei Orgânica do Ensino Secundário. Inicia-se, então, a implantação do programa para a reforma. Não podemos deixar de afirmar que Euclides Roxo foi o “pai” dessa reforma, pois lutou bravamente desde a década de 1920 até o início dos anos 1940, do século XX, tentando levar em frente todas as ideias e suas propostas. A nova escola secundária se tornaria aquela em que o Ministro Gustavo Capanema deixaria sua marca mais profundae com mudanças duradouras. Segundo a proposta do ministro, a escola secundária passaria a ser dividida econômica e socialmente para o trabalho. Com essa mudança, que para a época foi bem marcante, a escola foi dividida em educação superior, educação secundária, educação primária, educação profissional e educação feminina, ou seja: uma educação destinada à elite da elite; outra educação para a elite urbana; outra para jovens da população que seriam a grande massa necessária de trabalhadores para a utilização da riqueza potencial da nação, e outra ainda, somente para mulheres. A educação teria como grande dever estar a serviço da nação, com grande ênfase na educação moral e cívica, já que por ela se forma o caráter de uma nação, cidadãos que teriam ressaltadas as grandes virtudes que interessariam ao governo, ou seja: a disciplina, o sentimento de dever, a resignação nas adversidades nacionais, a presteza na nação e a exaltação patriótica. Esse momento da História do nosso país foi conhecido por Reforma Capanema, Tempos de Capanema e Estado Novo. Números – O simbólico e o racional na História. Nesse livro, o autor reorganiza a história de como os humanos, por necessidade, inventaram e desenvolveram métodos para contar, ordenar e quantificar. MENDES, Iran Abreu. Números – O simbólico e o racional na História. São Paulo, Ed. Livraria da Física, 2006. Como vimos até o presente momento, a História da matemática tem sido apontada como um recurso didático importante para a melhoria do ensino da disciplina. Documentos oficiais, como os PCNs e as Orientações Curriculares partilham dessa visão, destacando a importância da abordagem no processo de ensino e aprendizagem, para explicitar a dinâmica da produção histórica e social do conhecimento matemático, além de considerar que essa forma de trabalho pedagógico pode ser um aliado importante para a atribuição de significados aos conceitos matemáticos. Ao se conhecer a História da matemática, pode-se aprender que essa disciplina veio para resolver situações-problema e não criá-las, que todo conhecimento ou conceitos descobertos nesta área são resultados de investigação, observação das regularidades 20 existentes e que servem para chegar de fato a uma resolução e que a matemática e suas regras não foram criadas meramente para cálculos de difícil resolução. Essa forma de implementação dos conceitos matemáticos tem suporte no Positivismo de Comte (1798-1857), o qual: […] via a abordagem história da Matemática como uma forma de proporcionar uma visão conjunta do progresso desta ciência e de apresentar os conceitos em um grau crescente de complexidade, da mesma forma como esta se desenvolveu na evolução da humanidade” (MOTTA, 2006). A matemática, nessa perspectiva, é considerada a primeira ciência a atingir o estado “positivo” em função de suas leis terem aplicação universal, o que a torna o ponto de partida para a educação científica. Motta (2006) verifica essa visão também na perspectiva de Piaget (1983), que defende: Para aprender Matemática, o sujeito teria que reconstruir as mesmas operações cognitivas que marcaram a construção histórica dos objetos matemáticos. O recurso à História da Matemática se apresentaria como uma opção para a busca de conflitos cognitivos que possibilitassem a passagem de uma etapa da construção do conhecimento para outra (MOTTA, 2006). Assim, aos sujeitos só restaria a oportunidade de se apropriar do conhecimento matemático já estruturado, refazendo os mesmos caminhos de seus criadores, ultrapassando as mesmas dificuldades que eles encontraram, o que levaria a criança a passar de um estágio cognitivo para outro. Conforme Motta (2006), essa perspectiva é partilhada por Bachelard (1884-1962) em seu livro A formação do espírito científico, de 1938, no qual apresenta a noção de obstáculo epistemológico, conceito posteriormente ampliado e introduzido na didática da matemática por Brousseau (MOTTA, 2006), para quem a História da matemática permitiria identificar os obstáculos epistemológicos superados na construção histórica de um conceito e os transformar em situações-problema que permitissem a reconstrução do conhecimento matemático. 5.3 A História da matemática na formação do professor e do psicopedagogo A História da matemática tem sido considerada um meio importante para a formação do professor, já que pode contribuir de diversas formas para esse fim. Soares (2004) entende que o conhecimento do processo de desenvolvimento dessa ciência pode fazer com que o professor alcance uma visão ampla da matemática, proporcionando-lhe a abertura de muitas perspectivas no que se refere ao “fazer pedagógico”. Os Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam algumas considerações acerca das contribuições da História da matemática na formação do professor: 21 Para que tenham elementos que lhes permitam mostrar aos alunos a matemática como ciência que não trata de verdades eternas, infalíveis e imutáveis, mas como ciência dinâmica, aberta à incorporação de novos conhecimentos; Ressalta utilidade da História da matemática no sentido de que o conhecimento dos obstáculos envolvidos no processo de construção dos conceitos pode ajudar o professor a desenvolver estratégias para que os alunos superem suas dificuldades; Para explicitar a dinâmica da produção histórica e social do conhecimento matemático, de modo que se caminhe para a superação da crença de que a matemática é um conhecimento produzido exclusivamente por alguns grupos sociais ou sociedades mais desenvolvidas; Contribui para a contextualização da matemática, já que muitos de seus conceitos surgiram por necessidade de outras ciências; Mostrar a importância da notação simbólica (linguagem) na constituição das formas e estruturas matemáticas, no processo histórico de construção dos objetos matemáticos por diferentes culturas; Situar a matemática cronologicamente, em relação aos produtores e à sua própria constituição, para compreender as condições de sua produção. As considerações apontadas pelos PCNs estão de acordo com algumas iniciativas recentes que indicam um processo contínuo de formação, no qual o professor vê a sua prática como objeto de sua investigação e reflexão e busca aprofundamento dos conceitos com os quais lida na sua prática. A história da formação de um conceito é uma forma enriquecedora para a prática do professor polivalente, ou seja: o professor pode recorrer ao método de desenvolvimento do conceito como uma forma de aprendê-lo. Para organizar situações ricas capazes de contribuir para as crianças construírem o conceito de número, o professor precisa saber que as ideias que compõem o número não foram todas elaboradas num único momento de sua história: elas vieram se desenvolvendo à medida que o uso foi ficando mais complexo no decorrer da história da humanidade e que esse processo não foi simples, nem linear. Alguns entraves ocorreram nesses percursos. Por exemplo, os números negativos que demoraram para serem aceitos como números, obstáculo que também se observa na dificuldade dos alunos ao lidarem com eles na resolução de problemas. O conhecimento de como se deu esse processo pode dar ao professor mais segurança para construir estratégias de ensino do conceito para seus alunos. Para ao professor é muito importante ele saber a diferença de número, numeral e algarismo, pois quando o aluno chega para o atendimento psicopedagógico geralmente a família diz que a criança sabe os numerais de 1 até 10, escreve apenas mas não associa a quantidade e isso acontece pois cada termo é diferente entre si, numeral é a escrita da ideia de quantidade que é o número, enquanto que algarismo e a forma da escrita que os numerais podem ser representados,por exemplo com os algarismos romanos. No que se refere ao uso da História da matemática na sala de aula, há de se considerar o desenvolvimento cognitivo dos alunos, para não propor situações acima de suas capacidades. No caso do conceito de números, por exemplo, a história do surgimento dos números como resultado de contagens de ovelhas é muito usada para introduzir o assunto nas séries iniciais. 22 Encerramos aqui a unidade 5 do livro-texto Cognição e Desenvolvimento do Raciocínio Lógico-matemático. Esperamos que você tenha aprendido bastante com a História, a evolução dos números e a importância do conhecimento lógico-matemático para o desenvolvimento da humanidade. Pronto(a) para conhecer a próxima unidade? Então vamos lá! 23 VI. METODOLOGIAS PARA A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA NO BRASIL Agora que você já conheceu um pouco da História da matemática, vamos apresentar, nesta Unidade VI de seu livro-texto Cognição e Desenvolvimento da Linguagem Oral e Escrita e do Raciocínio Lógico-Matemático, as metodologias para a educação matemática no Brasil. Antes de mais nada, para que possamos fundamentar em bases sólidas nosso aprendizado, vamos apresentar como ocorre o desenvolvimento neurológico e cognitivo na criança, fundamentados nos pressupostos epistemológicos do pensamento lógico- matemático de Jean Piaget. Pronto(a)? 6.1 Pressupostos epistemológicos do pensamento lógico-matemático Os estudos sobre o desenvolvimento da criança realizados por Jean Piaget (1896- 1980), denominados Epistemologia Genética, mostram como o ser humano, do nascimento à idade adulta, é um ser que constrói o próprio conhecimento a partir de sua ação sobre os objetos do mundo. Para Piaget (1983), o desenvolvimento intelectual ocorre por meio de dois atributos inatos, os quais chama organização (construção de processos simples) e adaptação (mudança contínua), que ocorrem no indivíduo na interação com o meio. Nessa perspectiva, a construção do conhecimento se dá à medida que o novo objeto de conhecimento é assimilado pelo sujeito por meio das estruturas já constituídas, sendo que inicialmente o novo conhecimento produz conflitos internos, superados pela acomodação das estruturas cognitivas, e o objeto passa a ser percebido de outra forma. Assim, o meio em que o sujeito vive tem papel fundamental na aceleração ou retardamento do desenvolvimento. Daí a importância de promover situações diversas nas quais as crianças estejam expostas a novos desafios. 6.2 Raciocínio lógico-matemático, segundo Piaget O raciocínio lógico-matemático, conforme Piaget (1983), consiste em uma construção mental que se deve a diversos estados de abstração. Ele é uma operação mental e consiste de relações que não podem ser observadas. Contudo, da mesma forma que o conhecimento físico, ele também é construído a partir das ações sobre os objetos, mas é preciso ficar claro que “o conhecimento lógico-matemático não é inerente ao objeto; ele é construído a partir das relações que a criança elabora na sua atividade de pensar o mundo” (SILVA, 2010). Piaget considera que a evolução do raciocínio lógico dos sujeitos pode ser resumida em quatro estágios de desenvolvimento mental, são eles: Sensório-motor (do nascimento aos dois anos): o desenvolvimento predominante nessa etapa é o das percepções e movimentos. Na verdade, nem é possível 24 ainda dizer que a criança pensa; a evolução se dá na medida em que ela aprende a coordenar suas sensações e movimentos. Pré-operacional (dos dois aos sete anos): nessa etapa, a lógica infantil sofre um salto, derivado da descoberta do símbolo, o que possibilita representar objetos e acontecimentos ausentes por meio de símbolo e signos diferentes (imitação retardada). A criança está centrada em si mesma, tanto no aspecto da afetividade quanto no conhecimento em função do egocentrismo, manifestação comum nessa fase, que a impede de transpor em pensamento, a experiência vivida, ou seja, há o predomínio do processo de assimilação sem esforço de acomodação. Operatório concreto (dos sete aos doze anos): nesse estágio, a criança torna- se capaz de realizar algumas operações concretas, que são resultado de ações mentais interiorizadas e reversíveis. No início dessa fase, o pensamento lógico ainda é muito dependente da manipulação concreta de objetos, mas no decorrer da fase, será capaz de operar com proposições verbais ou simbólicas. As operações lógicas, chamadas de infralógicas, referem-se às conservações físicas (conservação de quantidade, de peso e de volume) e constituição de espaço (conservação de comprimento, de superfície, de perímetro etc.) e as operações lógico-matemáticas partem de objetos já constituídos e operam relações entre eles. Operatório formal (a partir dos 12 anos): neste estágio, pensamento lógico atinge o nível das operações abstratas. A criança é capaz de distanciar-se da experiência, de tal forma que pode pensar por hipótese. Aqui, o raciocínio hipotético-dedutivo torna-se possível e, com ele, a constituição de uma lógica formal, possibilitando a compreensão de relações lógicas entre diversas classes, ultrapassando aquelas relações efetivamente existentes. Assim, o bom senso do psicopedagogo deve levar em conta o contexto em que atua. Contudo, possuindo ele o conhecimento dos obstáculos epistemológicos inerentes aos conceitos matemáticos, pode compreender as dificuldades dos alunos e ajudá-los a superá-las. 6.3 A importância do conhecimento acerca do desenvolvimento cognitivo Como vimos pelo conteúdo até então trabalhado, ao se deparar com problemas cuja estrutura lógica não está de acordo com o estágio de desenvolvimento em que se encontra, a criança, certamente, terá dificuldade para resolvê-los. Isso deve sinalizar para o professor a necessidade de retomar a construção do conhecimento em questão, de preferência utilizando situações provocadoras que levem a criança a buscar o novo conhecimento. O trabalho em duplas ou trios pode ser um caminho interessante para essa construção, principalmente se são alguns alunos que não construíram ainda o raciocínio necessário, pois os parceiros poderão ajudá-los a evoluir nesse sentido. Enfim, o professor precisa proporcionar uma grande diversidade de atividades para dar a oportunidade de todas as crianças se desenvolverem. Deve ainda estar atento para perceber qual a origem das dificuldades de cada criança. É importante a diversidade de ferramentas para oportunizar a aprendizagem matemática. O uso de materiais manipulativos com um bom planejamento de intervenção 25 é de extrema importância, pois colocará o aluno como protagonista de sua aprendizagem, além de que toda atividade executada na prática facilita para o professor identificar exatamente em qual momento se dá a dificuldade do aluno. Vigotsky elaborou um conceito nomeado como zona de desenvolvimento proximal, que define a distância entre o nível de desenvolvimento atual que o indivíduo tem para resolver com autonomia até o momento em que para resolver ele depende da colaboração de alguém, quer dizer é a série de informações que a pessoa tem a potencialidade de aprender, mas ainda não completou o processo. Sugerimos que, ao entrar em sala de aula, tenhamos a visão de Nenhum a menos em relação aos alunos. Nenhum a menos é um filme de produção chinesa de 1999, dirigido por Zhang Yimou. Ele conta a história de uma jovem de 13 anos, Wei Minzhi, que aceita a oferta de trabalhar como professora substituta na escola primária (paupérrima); seus alunos (do 1º ao 4º ano, na mesma classe) são um pouco mais jovens que ela, que pouco pode fazer a não ser escrever texto no quadro (giz controlado) e ensinar uma ou outra canção. Minzhi foi advertida pelo professorGao para não permitir o abandono de mais alunos, garantindo o pagamento de 50 yuans e mais 10 yuans se for bem-sucedida. Logo após sua estreia como professora, um aluno, Zhang Huike, é obrigado a ir trabalhar, pois vive só com a mãe doente e imersa em dívidas. Wei recusa-se a perder o aluno e parte em busca do menino, na esperança de retornar antes do professor titular. A partir daí, nasce uma honesta amizade entre a professora e seus estudantes por conta de um objetivo específico: trazer Huike de volta. Durante a busca são criadas ótimas situações em que a menina Wei põe em prática uma didática de ensino fundamentada na troca e no diálogo, convocando a garotada para resolver aquele problema real. A preocupação é transmitir os conteúdos básicos da matemática em situações– problema e, se possível, envolver o cotidiano do aluno de uma maneira eficiente e atualizada, fazendo com que desenvolva o pensamento lógico, já que a matemática é a ciência base de várias áreas do conhecimento, sendo, portanto fundamental seu domínio. Por isso, procuraremos formas (métodos) para ensiná-la, buscando maior eficiência no processo de ensino e aprendizagem no âmbito escolar, evitando a evasão. Assim, as ações de formação docente em serviço devem se consolidar em termos de uma discussão dos princípios norteadores, utilizando o currículo em vigor, situando-as no âmbito das recentes conquistas da pesquisa em educação matemática, de seleção e elaboração de materiais didáticos, no auxílio ao preparo das aulas e no seu acompanhamento e avaliação. 6.4 Planejamento, conteúdo, material didático e avaliação no ensino de matemática da educação infantil Quando chegam à escola, as crianças já vivenciaram inúmeras situações envolvendo ideias matemáticas, como brincadeiras, histórias e jogos, convivendo naturalmente com elementos numéricos. Assim, as atividades pedagógicas deverão proporcionar a construção do conhecimento matemático, buscando conhecer sua clientela por meio de seus interesses e habilidades, considerando o seu nível cognitivo. 26 O conteúdo matemático precisa ser apresentado da forma natural, em meio a atividades lúdicas, durante as quais várias habilidades poderão ser desenvolvidas, como comunicação, movimentação corporal, associação, manipulação de objetos, socialização etc., ou seja, as atividades devem ter caráter múltiplo e levar em conta as capacidades cognitivas do grupo de alunos, o que está de acordo com a visão de Huete et al. (2003): Aparece na criança certa capacidade crítica e um sentimento de impossibilidade frente a certas coisas. O pensamento chega à lógica e adquire uma coerência antes inexistente, da qual são testemunho as numerosas aquisições intelectuais que fará a partir deste momento. No entanto, é preciso fazer uma ressalva importante em relação a esta lógica: a criança somente raciocina de uma maneira lógica quando pode manipular os objetos a que seu raciocínio se refere, mostrando-se incapaz de fazê-lo quando se trata de simples proposições verbais, inclusive quando se transfere esse raciocínio para outros objetos, razão pela qual a referida etapa é denominada pensamento “lógico-concreto” (HUETE et al., 2003, p. 23). O autor se refere ao estágio pré-operatório de desenvolvimento proposto na teoria de Piaget, que coincide com a fase pré-escolar e vai dos dois até os sete anos em média e que propõe estimular o desenvolvimento de conceitos aritméticos e espaciais. Esses conceitos devem ser apresentados com a mesma complexidade em que aparecem no cotidiano. Para isso, entende-se que o professor deve promover situações nas quais a criança reconheça a necessidade de cada um dos conceitos, por exemplo: Utilização da contagem oral, de noções de quantidade, de tempo e de espaço em jogos, brincadeiras e músicas junto com o professor e nos diversos contextos nos quais as crianças reconheçam essa utilização como necessária; Manipulação e exploração de objetos e brinquedos em situações organizadas de forma a existirem quantidades individuais suficientes para que cada criança possa descobrir as características e propriedades principais e suas possibilidades associativas: empilhar, rolar, transvasar, encaixar etc. (BRASIL, 1998, p. 218). Assim como a criança aprende a falar falando, a andar, andando, ela deverá aprender a contar, contando. Nesse caso, ela deve ser exposta a situações diversas em que tenha que efetuar contagem. A própria sala de aula é cheia de oportunidades dessa natureza: contar quantos colegas estão presentes, os lápis de cor, os brinquedos, os personagens das histórias etc., ou seja, sempre que seja significante para as crianças. As brincadeiras são ótimas oportunidades para as crianças fazerem contagens, por exemplo, a popular brincadeira “esconde-esconde”, na qual uma criança conta, enquanto as outras se escondem. No que se refere às noções espaciais, as brincadeiras devem envolver obstáculos para as crianças passarem por cima, por baixo ou no meio, seja andando ou engatinhando, pois são propícias para a construção dos conceitos espaciais em um contexto significativo. Também são significativas as situações em que as crianças manipulam objetos com formas, tamanhos e materiais diferentes. O Referencial Curricular Nacional para educação infantil, buscando “oferecer visibilidade às especificidades dos conhecimentos matemáticos” (BRASIL, 1998, p. 219), organiza os conteúdos matemáticos em três blocos: numeração e sistema de numeração, grandezas e medidas, espaço e formas, destacando as habilidades a serem desenvolvidas. 27 Deve-se garantir na educação infantil o contato com o vocabulário matemático para que as crianças possam relacionar e compreender as ações futuras em relação às situações-problema com os quais que elas irão conviver. Segue o vocabulário matemático que deve ser explorado ao máximo pelas crianças, para que elas, ao lerem futuramente os textos, possam compreender o que é pedido: 1. Noções de grandeza: grande, pequeno, maior, menor, mesmo tamanho, alto, baixo, largo, estreito, grosso, fino, comprido, curto. 2. Noções de posição: dentro, fora, na frente de, atrás de, ao lado de, mais perto de, mais longe do primeiro, o último, no meio, de frente, de costas, à direita, à esquerda, acima, abaixo. 3. Noções de direção e sentido: para frente, para trás, para cima, para baixo, para o lado, para a direita, para a esquerda, mesmo sentido, sentido contrário, setas, meia volta, uma volta. 4. Noções de tempo: antes, depois, agora, mais tarde, ontem, hoje amanhã, dia, noite, iniciação as horas inteiras, velho, novo, moderno, antigo, mais velho de todos, começo, meio e fim, dia, semana, mês. 5. Noções de capacidade: vazio, cheio, pouco cheio, muito cheio, quase cheio, quase vazio. 6. Noções de massa: pesado leve, mais pesado, mais leve. 7. Noções de quantidade: muito, pouco, o que tem mais, o que tem menos, mesma quantidade. 6.5 Números e sistema de numeração Neste bloco são trabalhadas: a contagem, notação, escrita numérica e operações. As habilidades desenvolvidas são: Utilizar contagem oral e de noções simples de cálculo mental; Comunicar quantidade – Linguagem oral, notação numérica e/ou registros não convencionais; Identificar o número nos diferentes contextos em que ele pode aparecer e a posição do número, com a explicitação de antecessor e sucessor; Comparar as escritas numéricas com a identificação de regularidades. No cotidiano da sala de aula, as crianças vivem situações nas quais têm que fazer contagens em diferentes contextos e finalidades, onde o número pode ser usado para contar, medir, ordenar e codificar. Por exemplo: contar a quantidade de pessoas, incluindo ela, que estão na sala de aula, para isso terá que contar uma a uma cada pessoapresente, contando cada pessoa uma única vez, para perceber a sequência numérica, já que o último número corresponde à quantidade de pessoas na sala. Nesse caso, a finalidade do número é a contagem e o número é chamado de cardinal. Pode-se determinar a posição de um determinado aluno na fila, de acordo com a regra definida, por exemplo, crescente ou decrescente. Nesse caso, o número que representa essa posição é ordinal, pois tem a finalidade de ordenar. Há situações em que 28 é necessário determinar o tamanho de uma distância, e o número é o resultado de uma medição e expressa quantas vezes a unidade de medida usada se repete naquela distância. Além disso, o número pode assumir a finalidade de codificar, ou seja, identificar pessoas ou objetos. Na camisa dos jogadores de futebol, por exemplo, tem um número que os identifica, assim como a placa do carro, o telefone, entre outras situações. É importante que as crianças tenham contato com as diversas finalidades do número em situações distintas para que se familiarizem com elas, pois assim perceberão que o número está de acordo com o contexto e terão mais subsídios para construir o conceito de número, ou seja, abstrair a ideia de número como uma construção da mente humana. No processo de contagem podemos utilizar vários materiais como tampinhas, botões e outros mais específicos, como o material dourado, que apresenta uma codificação diferente para unidade, dezena e centena, ajudando na identificação do processo aditivo, e o ábaco de pinos aberto, que auxilia no processo de compreensão da questão posicional do nosso sistema de numeração decimal. 6.5.1 A sequência numérica 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 O conhecimento da sequência numérica é o principal instrumento que a criança precisa para conhecer o significado de números e com ele fazer relações (BRASIL, 1998). Dominar a sequência implica conhecer: o nome de cada símbolo, seu antecessor e sucessor e a regra de sua formação. Isso permite fazer comparação entre os números e determinar qual é o maior e/ou o menor. Sugerimos que se inicie com a sequência numérica de um em um, para que a criança memorize, de forma significativa, os nomes de cada símbolo. Contudo, saber falar uma sequência numérica não significa compreensão do número, então utilizemos formas prazerosas para ajudar os alunos a memorizar os nomes dos símbolos, tais como: música, brincadeiras e jogos, sendo que a memorização deve ser acompanhada de significado. SUGESTÃO PARA CONTAÇÃO DE HISTÓRIA COM O LIVRO PARADIDÁTICO VICENTE, Ana. Pra Que Serve O Zero? [sl]: Mercuryo, [sd]. 29 Observemos, por exemplo, a parlenda que segue: Um, dois, feijão com arroz Três, quatro, feijão no prato Cinco, seis, falar inglês Sete, oito, comer biscoito Nove, dez, comer pastéis A parlenda está presente em muitos livros didáticos e muitos professores a utilizam em sua prática pedagógica para auxiliar a criança a memorizar a sequência numérica. Contudo, os nomes dos símbolos não estão relacionados a nenhuma das finalidades que o número pode ter (contar, ordenar, codificar, ou medir), são apenas palavras em uma rima. Por isso, sugerimos a utilização de algumas atividades significativas, que podem ser confeccionadas, como as feitas com caixas de leite. O Ensino Fundamental é dividido em dois ciclos, sendo o primeiro ciclo de 1º a 5º ano e o segundo do 6º ao 9º ano. A criança deve iniciar o Ensino Fundamental com 6 anos, e nessa fase já tem muitos conhecimentos matemáticos obtidos na etapa anterior de ensino e/ou de suas vivências, mesmo aquelas que não passaram pelo ensino formal. Analisemos a seguir os conteúdos, planejamentos e ações propostas para o desenvolvimento do trabalho pedagógico nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Para isso, serão tomados como base os PCNs e as pesquisas e práticas nesse nível de ensino, para o qual os PCNs destacam os seguintes objetivos: Construir o significado do número natural a partir de seus diferentes usos no contexto social, explorando situações-problema que envolvam contagens, medidas e códigos numéricos; Interpretar e produzir escritas numéricas, levantando hipóteses sobre elas, com base na observação de regularidades, utilizando-se de linguagem oral, de registros informais e da linguagem matemática; Resolver situações-problema e construir a partir delas os significados das operações fundamentais, buscando reconhecer que uma mesma operação relacionada a problemas diferentes e a um mesmo problema pode ser resolvida pelo uso de diferentes operações; Desenvolver procedimentos de cálculo mental, escrito, exato, aproximado pela observação de regularidades e de propriedades das operações e pela antecipação e verificação de resultados; Refletir sobre a grandeza numérica, utilizando a calculadora como instrumento para produzir e analisar escritas; 30 Estabelecer pontos de referência para situar-se, posicionar-se e deslocar-se no espaço, bem como para identificar relações de posição entre objetos no espaço; interpretar e fornecer instrução, usando terminologia adequada; Perceber semelhanças e diferenças entre objetos no espaço, identificando formas tridimensionais ou bidimensionais, em situações que envolvem descrições orais, construções e representações; Reconhecer grandezas mensuráveis, como comprimento, massa, capacidade, e elaborar estratégias pessoais de medida. Utilizar informações sobre tempo e temperatura; Utilizar instrumentos de medida, usuais ou não, estimar resultados e expressá- los por meio de representações não necessariamente convencionais; Identificar o uso de tabelas e gráficos para facilitar a leitura e interpretação de informações e construir formas pessoais de registro para comunicar informações coletadas (BRASIL, 1997, p. 37). Para atingir os objetivos propostos na lista anterior, alguns conteúdos matemáticos deverão ser contemplados com maior ênfase e amplitude em relação à etapa anterior. Essa seleção tem gerado muitas discussões. Contudo, há certo consenso em torno dos seguintes: números e operações (aritmética e álgebra), espaço e forma (geometria), grandezas e medidas (faz a interligação entre aritmética e geometria) e o tratamento da informação (estatística e probabilidade), sendo que este último não foi contemplado pelos PCNs na etapa anterior. A intervenção do professor deve levar em conta o papel da matemática na formação geral dos estudantes, contemplando, sempre que possível, os diversos aspectos nos quais estamos inseridos: social, ético, cultural, orientação sexual, saúde e ambiental, em função da demanda pelo domínio desses aspectos para a participação na sociedade. Assim, a formação geral do aluno pressupõe uma boa estrutura de raciocínio, o que também é evidenciado pelos PCNs, quando entendem que “[…] a sobrevivência numa sociedade que, a cada dia, torna-se mais complexa exigindo novos padrões de produtividade, depende cada vez mais de conhecimento” (BRASIL, 1997, p. 25). Tais considerações têm suporte na perspectiva de essencialidade da matemática, tanto no que se refere ao seu caráter formativo, que diz respeito à estruturação do pensamento e desenvolvimento do raciocínio lógico, quanto ao caráter instrumental, em função de a matemática ser uma linguagem ou ferramenta para diversas ciências. Ao iniciar o trabalho com uma turma, o professor, necessariamente, precisa saber quais conhecimentos os alunos trazem para, a partir daí, elaborar seu planejamento, buscando ampliar os domínios dos alunos e tendo como referência os conteúdos propostos para cada série. 31 6.5.2 Números e operações Disponível em: https://alunosonline.uol.com.br/matematica/conjuntos-numericos-suas-operacoes.htmlO principal objetivo das primeiras séries do ciclo I, no que se refere à matemática, é a consolidação do conceito de número, iniciada na educação infantil. Nesse caso, só após a construção da ideia de número pela criança é que o professor deverá promover o conhecimento da escrita dos algarismos e do sistema de numeração decimal, o que deve ser iniciado, de forma geral, no primeiro ano do primeiro ciclo. Essa compreensão não é simples porque o conceito de número e o sistema de numeração decimal também não o são; por isso, exigem muita dedicação dos professores para auxiliar os alunos nessa construção. Logo, os professores precisam de um conhecimento sólido e abrangente sobre esses conceitos. No entanto, algumas pesquisas apontam para o despreparo de professores da Educação Básica para trabalhar esse e outros conceitos matemáticos. No que se refere ao conceito de número, um equívoco comum é o entendimento de que o aluno que sabe contar tem construído esse conceito, outro é a confusão entre termos como número, numeral e algarismo. Esses equívocos, muitas vezes, ocorrem em função de o próprio professor não dominar o conceito e acabar transmitindo sua deficiência aos alunos. Nesse sentido, é preciso reiterar a necessidade de reflexão sobre a prática e formação contínua para amenizar as falhas da formação, mais especificamente no que se refere à matemática. Estando o conceito de número apropriado pelas crianças, o próximo passo é a escrita no número, o que implica ter claro que o número é a ideia que vem à mente quando contamos, ordenamos e medimos, ou seja, é uma abstração; o numeral é toda representação de um número, seja ela escrita, falada ou digitada, por isso é chamado de “nome do número” (um, dois, três…), mas que também pode ser escrito com os algarismos, ou seja, 1, 2, 3, (…). Nesse caso, algarismo é todo símbolo numérico que usamos para representar quantidades, o sistema hindu-arábico tem 10 algarismos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 0. Com eles, são construídos todos os números do sistema decimal, enquanto os algarismos romanos mais conhecidos são: I, V, X, L, C, D. As crianças têm dificuldades em compreender o(s) significado(s) do zero (0) quando se deparam com as quatro operações. Algumas pesquisas consideram que o zero deve se apresentado aos alunos depois do domínio dos números de 1 a 9, já que o primeiro contato da criança com o número é como resultado de contagens e não se conta o que 32 não existe. Neste caso, ele é apresentado como um símbolo que serve para se juntar aos outros nove algarismos para formar a dezena, centena e para indicar o conjunto que não tem elementos. Essa apresentação ocorre já na educação infantil na prática pedagógica (PADRÃO, 2008). Diversos estudos apresentam alguns significados atribuídos ao zero (0) na História da humanidade. São eles: Elemento de uma contagem: zero (0) é o número que se atribui ao conjunto vazio, isto é, 0 = nada; Valor posicional: zero (0) designa o número da ordem, em uma classe, que não tem elementos; Valor de dado operatório: zero (0) é o elemento neutro da adição e anula o resultado de uma multiplicação; na potenciação convenciona-se: a0 = 1 e 00 é indeterminado. Função de origem: zero (0) tem natureza contínua, assume o sentido de medida – unificação da reta numérica. O significado do zero (0) nesse nível de ensino precisa ser mais abrangente que aquele apresentado na educação infantil, nível em que só são apresentados os significados (1) e (4). Na prática pedagógica das séries do primeiro ciclo do Ensino Fundamental, observa-se ênfase no significado (2), ao se iniciar o trabalho com as operações (ausência de classe). No entanto, todos os significados devem ser apresentados gradativamente para que as crianças evoluam. O quadro valor de lugar (QVL) é um mecanismo muito usado para apresentar o sistema de numeração decimal. No caso da figura abaixo, ele foi trabalhado em conjunto com o material dourado, o que é interessante no início do processo. Partindo de uma concepção construtivista, ou seja, entendendo que o conhecimento é construído dando-lhe significado, o trabalho sobre a escrita dos algarismos é imperativo, para que a criança reconheça a necessidade de uma “convenção social” para o registro de contagens, o que pode ser possível com a promoção de situações-problema nas quais perceba que a memória não dá conta de guardar um grande número de informações e a necessidade de comunicação. Isso pode ser efetivado em situações como um jogo, uma pesquisa ou uma atividade em que um número seja escrito com os vários sistemas numéricos. Essa pode ser uma forma eficiente para o aluno perceber dificuldades em realizar alguns deles. É preciso considerar que o sistema posicional não é uma ideia simples. Para compreendê-lo é preciso capacidade de abstração, pois o mesmo símbolo pode representar quantidades diferentes, de acordo com sua posição. A História da matemática pode contribuir para dar sentido ao sistema de numeração decimal. Assim, estudar os diferentes sistemas de numeração usados no passado permite compreender melhor nosso atual sistema, pois conceitos como: base 10, valor posicional ou a importância do zero, tornam-se mais compreensíveis quando comparados a outros sistemas nos quais não valem as mesmas propriedades. 33 Disponível em: http://www.sintra-se.pt/calcumaticar/sistema-de-numeracao-binario-e-decimal O cálculo mental é importante para o conhecimento dos números; seu uso precisa ser estimulado na escola, pois essa capacidade ajuda no desenvolvimento da atenção, da concentração e da memória e permite que as crianças desenvolvam seus próprios procedimentos, tornando-os mais autônomos, ou seja, sem se limitar ao uso de algoritmos. Além disso, o cálculo mental estimula o raciocínio, já que no processo de calcular mentalmente a criança é desafiada a procurar o melhor procedimento de cálculo; ao dominar essa forma de raciocínio, elas adquirem mais segurança para resolver situações- problema, na escola e na vida, o que contribui para que adotem atitudes positivas em relação à matemática (FREITAS et al., 2010). O desenvolvimento do cálculo mental deve acontecer durante todo o ciclo, sendo que o nível de complexidade deve aumentar gradativamente. 34 Disponível em: http://seculomatematica.blogspot.com/2014/11/a-importancia-do-calculo-mental.html Uma estratégia para a estimulação do cálculo mental é incentivar algumas atividades em que os alunos possam fazer estimativas, pois ela está presente em nosso cotidiano e na sala de aula acaba sendo feita muito tecnicamente. Um exemplo é quando fazemos compra no mercado: não somamos exatamente os centavos, arredondamos para obter um número inteiro e assim estimar e verificar se teremos o dinheiro suficiente para comprar. Freitas et al. (2010) apresentam uma sugestão de uma atividade com jogo, chamado boliche. Nas séries iniciais, do Ensino Fundamental, os autores sugerem o uso desse jogo para o desenvolvimento de habilidades de cálculo mental e registros. O jogo consiste em dispor dez garrafas (pet) em forma de V e cada jogador deve jogar uma bola a partir de uma linha traçada visando derrubar as garrafas. O objetivo é verificar qual equipe consegue derrubar mais garrafas, após um número fixo de jogadas. Esse jogo possibilita o desenvolvimento da coordenação motora e da abstração por meio de cálculos mentais. Além disso, favorece o desenvolvimento da escrita, em função do registro de pontos e da autonomia dos estudantes, já que exige pouca intervenção do professor. É possível fazer adaptações no jogo para contemplar outros temas e aplicar emoutros ciclos do Ensino Fundamental. Por exemplo, se as garrafas forem numeradas, podem-se trabalhar as operações de adição e subtração, de acordo com o nível dos alunos (FREITAS, et al. 2010). 35 Disponível em: http://brincandocomosjogosmatematicos.blogspot.com/2015/12/boliche-matematico.html Para que a criança esteja bem preparada para trabalhar com as operações de adição e subtração, depois com a multiplicação e divisão, é fundamental que ela esteja segura para desenvolver estratégias mentais inicialmente pelos fatos básicos (são cálculos que devem ser realizados mentalmente, utilizando números de um só algarismo Ex.: 8 + 7). Fazer decomposições de várias formas é uma habilidade que precisa ser desenvolvida desde a educação infantil. Por exemplo, o número 8 pode ser decomposto como: 1+7 ; 2+6 ; 3+5 ; 4+4 ; 5+3 ; 6+2 ; 7+1. Essa habilidade é útil para realização de cálculo mental e de operações com algoritmos. Vale lembrar que é importante dar liberdade para a criança expressar do seu jeito as formas de registro do que pensa, pois essas representações favorecem as intervenções posteriores, ressaltando que cada indivíduo tem a sua forma de organizar a forma como pensa. 6.5.3 Operação com números naturais Para iniciar a apresentação de operações usando algoritmos, o professor precisa estar certo de que seus alunos tiveram contato com todos os elementos envolvidos no conceito de número (classificação, seriação/ordenação, sequência lógica, contagens em diferentes bases, inclusão, igualdade, desigualdade, intersecção, união de classes e conservação de quantidades contínuas e discretas). 36 Disponível em: https://sites.google.com/site/aprendendomathematica2012/introducao/home O algoritmo é uma forma prática de executar uma tarefa. Existem muitos tipos de algoritmos, uns exigem menos, outros exigem mais treino para utilizá-los, contudo todos requerem alguma prática para usá-lo com segurança. O primeiro algoritmo a ser apresentado à criança é o da adição. Ao introduzir o algoritmo da adição, o professor não deve apresentar uma operação que possa ser calculada mentalmente (fato básico), pois, assim, a criança não vê a necessidade de usar o algoritmo, a não ser que este seja usado como motivador; além disso, é importante que já nos primeiros exemplos sejam apresentadas adições com reserva, para que a criança perceba porque o processo se inicia pelas unidades, ou seja, da direita para a esquerda. Na figura a seguir, observa-se uma proposta interessante para a introdução do algoritmo e também poderia ser usada juntamente com objetos concretos. Disponível em: http://estimulandomeusfilhos.blogspot.com/2014/05/dicas-para-comecar-ensinar-adicao-e.html As operações de adição e subtração aparecem muito cedo na vida das crianças. Antes mesmo da vida escolar, elas já entram em contato com essas operações, mas não as reconhecem formalmente, sendo as primeiras com as quais a criança tem contato na escola. 37 6.5.3.1 Adição São duas as ideias básicas da adição: a de acrescentar e a de juntar. A de acrescentar é quando uma quantidade já existente é acrescida de outra, da mesma natureza, enquanto juntar se refere a quando se reúnem duas quantidades já existentes. No procedimento de cálculo, identificar as ideias não é relevante. Contudo, ao se deparar com uma ou outra situação, essa percepção ajuda a decidir qual operação usar. Os exemplos que seguem são, respectivamente, a ideia de acrescentar e a ideia de juntar: Ana tem 5 bonecas e no seu aniversário ganhou 2. Com quantas ela ficou? Carlos tem 8 figurinhas e seu irmão tem 7. Quantas figurinhas os dois têm? É imprescindível que o processo de ensino e aprendizagem das quatro operações (adição, subtração, multiplicação e divisão) se dê de forma a considerar os seguintes elementos: situações-problema que justifiquem a operação; interpretação na linguagem natural e matemática; uma ação mental para identificar os objetos envolvidos e fazer relações; registro material (palito, material dourado, etc.) no início do processo; registro simbólico, que é o uso de procedimentos como o algoritmo ou outro; a socialização de resultados com argumentação e validação de procedimentos e resultados. Para esse último, o uso da calculadora pode ser interessante e motivador. Essa dinâmica é feita com a mediação do professor, que fará a sistematização dos conceitos levando em conta todas as estratégias apresentadas pelos alunos e deverá garantir a apresentação de uma boa diversidade de situações, que permitam ampliar a área de conhecimento do aluno ou renovar conceitos já assimilados. Estimular procedimentos aditivos antes dos subtrativos auxilia para que os alunos possam ter uma maior maturidade e facilidade de compreensão ao lidar com as operações de subtração. 6.5.3.2 Subtração A subtração não é uma operação tão simples quanto a adição, que se demonstra ser afetivamente prazerosa. Quando nos referimos à subtração, podemos afirmar que a esta se apresenta dessa forma por vários motivos, pois possui um aspecto afetivo contrário já que tantas vezes está relacionada a situações de perda, envolvendo também ideias bastante diferentes e ainda utiliza-se um vocabulário nas situações que acaba confundindo o raciocínio das crianças e induzindo-as a erros. Toledo e Toledo (2009) afirmam tais dificuldades citando as pesquisas de Piaget que comprovam que, de início, o raciocínio das crianças se concentra em aspectos positivos da ação, percepção e cognição. Os aspectos negativos, como inverso e recíproco, só são construídos mais tarde. Neste mesmo contexto, Kamii (2005) também enfatiza os estudos de Piaget, que afirma que a subtração é um desenvolvimento surgido após a adição. Trabalhar com materiais que facilitem a compreensão do valor posicional do número pode ajudar a criança a entender o procedimento utilizado quando tiver que lidar com subtração de números com dois ou mais dígitos anos seguintes. Para Kamii (2005, p. 76): 38 Quando as crianças compreendem de fato o valor posicional dos números elas sabem que não tem sentido usar o termo “pedir emprestado” e resolvem os problemas de maneira gratificante, agradável porque entendem todo o procedimento utilizado. Dessa forma, diante de todo entendimento passam a criar os próprios procedimentos e não resolvem de maneira mecânica porque assim lhes foram apresentados. As nomenclaturas associadas ao algoritmo devem ser apresentadas. Contudo, memorizá-las não deve ser foco da aprendizagem. Ainda assim, o professor deve usar a linguagem matemática naturalmente para que os alunos se familiarizem com ela e consigam se comunicar sobre o assunto e compreender textos com esses termos. As ideias associadas à subtração são: de retirar (ideia subtrativa – tirar uma quantidade de uma quantidade maior); de comparar (ideia comparativa – observando duas quantidades saber qual a que tem mais ou menos); completar (ideia aditiva – tendo uma determinada quantidade, quanto falta para obter o total que preciso). Cada um dos três conceitos tem diferentes formas de registro e ação para a resolução. Observe os exemplos a seguir: Na ideia de retirar, o subtraendo é parte do minuendo. No caso do trabalho com material concreto, tem-se apenas um valor, o total do qual será retirado o valor solicitado; no algoritmo, tem-se o minuendo e o subtraendo, procura-se o resto. Exemplo: Marcos tem 27 figurinhas e perdeu 9. Com quantas figurinhas ele ficou? Já na ideia de comparar, têm-se duas coleções e deseja-se saber qual é maior ou menor. Com o material concreto, pode-se fazer a correspondência um a um. Aquela que tiver material sobrandoé maior; no algoritmo, tem-se o minuendo e o subtraendo, busca-se a diferença entre os dois ou resto. Exemplo: Selma tem 15 vestidos e Ana Claudia tem 12 vestidos. Quem tem mais vestidos? Quantos? Na ideia de completar tem-se uma determinada quantia e se procura obter o que falta para chegar ao total. No material concreto, podem-se considerar duas coleções de tamanhos diferentes e busca-se saber quanto falta para ficarem iguais. No algoritmo, tem-se o total, que é o minuendo e o subtraendo, e o resto é o que se quer saber, ou seja, é o que falta para igualar as coleções. Um brinquedo custa R$ 500,00 e minha mesada é de R$ 200,00, quanto falta para comprar o brinquedo? É imprescindível que os alunos tenham vivência com cada uma das ideias apresentadas para que construam significado para a operação e consigam perceber, em qualquer situação-problema, qual algoritmo usar, se o da adição, subtração, multiplicação ou divisão. Muitas vezes, a situação não deixa claro qual seria esse procedimento, de acordo com o nível de representação. Conforme Carraher et al. (apud SCHLIEMAN, 1989), “cada problema tem uma estrutura lógica a qual, dependendo do estágio de desenvolvimento em que a criança se encontra, pode ser ou não compreendida”. Observe o exemplo que segue, ele requer a habilidade de reversão: João tem 30 pontos no jogo. João tem 5 pontos a mais que Carlos. Quantos pontos o Carlos tem? Nessa situação-problema, não está implícita a operação subtração. O texto dá a entender que o subtraendo (5) seria somado e não subtraído, já que aparece o termo “a mais”, o que dá a ideia de adição. 39 Como é possível observar, a subtração é uma operação com um nível de complexidade maior que a adição. Por isso, requer muita dedicação do professor para auxiliar os alunos a adquirirem essa compreensão. Neste caso, as perspectivas atuais para o ensino da matemática nas séries iniciais ressaltam a necessidade de expor os alunos a situações diversas que exijam deles o uso de várias habilidades e dos seus conhecimentos prévios. Disponível em: https://escolakids.uol.com.br/matematica/subtracao-com-reserva.htm A criança, durante todo o ciclo, deve ser estimulada a desenvolver o raciocínio lógico e o cálculo mental pode contribuir para esse desenvolvimento. Utilizar material concreto faz com que o aluno compreenda de forma rápida e agradável a ideia relacionada à operação, ou, quando não há material a disposição, precisamos permitir que o aluno crie seu próprio método de resolução, pois, representado com objetos dados de um problema, podemos tornar o aprendizado mais significativo. Diante desse tema, Zunino (1995, p. 37) pôde concluir que: É necessário então levar em conta que o fato de que uma criança resolva de uma determinada maneira uma situação especifica de subtração (ou de soma) não significa que ela resolverá da mesma maneira outra situação que envolva a mesma operação. 6.5.3.3 Multiplicação e divisão Para introduzir o conceito das operações de multiplicação e divisão, devem ser apresentadas atividades com experiências concretas em múltiplas situações para que a criança chegue às representações dos fatos básicos e compreenda o significado das operações. A multiplicação pode ser trabalhada sob dois enfoques: como adição de parcelas iguais e como raciocínio combinatório. Contudo, recomenda-se iniciar o processo de ensino e aprendizagem pelo primeiro enfoque, em função desse ser mais natural para as crianças. Pode-se, inclusive, partir da soma, usando poucas parcelas e aumentando esse número, para que as crianças percebam a utilidade da nova operação. Por exemplo: 2 + 2 + 2 + 2 + 2 = 10 ou 2 x 5 = 10. É de fundamental importância apresentar uma grande 40 variedade de situações com objetos concretos para enriquecer a vivência das crianças, antes de apresentar o algoritmo. Disponível em: http://bancodeatividades.blogspot.com/search?updated-max=2009-08-28T11:08:00- 03:00&max-results=20&reverse-paginate=true&start=6&by-date=false Como raciocínio combinatório, os alunos precisam ser expostos a situações em que duas coleções de objetos ou pessoas devam ser combinadas. A própria sala de aula pode servir como objeto de estudo, por exemplo: escolher na sala dois grupos, um de meninos, outro de meninas e questionar quantas duplas podem ser formadas. É interessante fazer todas as combinações possíveis para que percebam a invariabilidade do total de duplas, mesmo com a mudança de parceiros. Aconselha-se fazer grupos pequenos para a experimentação não ficar cansativa, o que pode dificultar a observação dos resultados pelos alunos. Existem muitas atividades motivadoras para as crianças envolvendo o conceito de combinatório, raciocínio fundamental para a formação da lógica matemática. A atividade a seguir pode ser confeccionada em EVA ou papel, juntamente com as crianças, mas é possível encontrar esse material pronto: 41 Disponível em: http://www.apoioescolar24horas.com.br/salaaula/estudos/matematica/484_raciocinio_combinatorio/index.htm Inicialmente, a criança vai contar os resultados, mas o professor deverá mostrar, por meio da apresentação, usando diversas quantidades de objetos, a regularidade. Ou seja: é a multiplicação das quantidades de cada coleção. No exemplo, faz-se: 4 x 2 = 8. A criança precisa do concreto, para depois passar para o abstrato. Algoritmo da multiplicação Depois de dominar os fatos básicos, as crianças precisam ser expostas a situações mais complexas para que evoluam. Seguem exemplos de diversas possibilidades para a construção do entendimento e de soluções na multiplicação, que a princípio devem ser apresentadas a elas em material concreto. Nesse caso, utilizamos o material dourado. Por exemplo: 13 x 4. Figura – Material dourado: a compreensão do algoritmo Disponível em: http://educar.sc.usp.br/matematica/m3p2t5.htm. Acesso em: 13/02/2019 42 Pode-se fazer decomposição: Por soma de parcelas: 13 + 13 + 13 + 13 = 52 (pode ser usado o algoritmo da soma); 10 + 3 + 10 + 3 + 10 + 3 + 10 + 3 = somando as dezenas e as unidades, tem-se: 40 + 12= 52; Por multiplicação da parcela decomposta: (10 + 3) x 4 = 40 + 12 = 52; Pelo algoritmo; As situações devem ser analisadas junto com as crianças para que, ao chegar ao algoritmo, elas tenham construído o significado da operação. A divisão também encerra duas ideias: a divisão-repartição e divisão-comparação ou medida. Divisão-repartição A ação de repartir se encontra em situações nas quais é conhecido o número de grupos que deve ser formado com certo total de objetos e é preciso determinar a quantidade de objetos de cada grupo. Por exemplo: Carlos guarda suas bolas de gude em uma caixinha dividida em 6 espaços. Se ele tem 18 bolas, pergunta-se: quantas bolas haverá em cada espaço? Nesse tipo de situação, a criança pode optar por distribuir as 18 bolas nas caixas, uma em cada orifício, até esgotar as bolinhas. A intervenção do professor deve ser no sentido de fazê-la perceber que ficaram 3 bolinhas em cada orifício. Isso se ela não perceber sozinha. Após a atividade concreta, ou em conjunto com ela, apresenta-se o cálculo, utilizando-se diversos procedimentos, como por desenhos, esquemas e algoritmo. Divisão-comparação ou medida Envolve situações nas quais é preciso saber quantos grupos são formados com certo total de objetos, sendo conhecida a quantidade que cada grupo deve ter. Por exemplo: 18 bolas serão separadas em subconjuntos de 3 bolas cada um. Quantos conjuntos serão feitos? Neste caso, a criança não tem a caixa, pois esta já tem os 6 orifícios, então essa situação não constituiriaum problema para ela. Assim, inicialmente a criança tem as 18 bolas (ou qualquer outro objeto) sobre a carteira e sabe que deve formar grupinhos de 3 43 bolas. Espera-se que ela aplique a estratégia de separar as bolinhas de 3 em 3 e contar a quantidade de grupos formados. O professor deve, então, por meio de questionamentos, sistematizar a operação utilizando diversos procedimentos. Durante a atividade, qualquer estratégia utilizada pelas crianças deve ser discutida socialmente e os alunos devem ser estimulados a fazer vários procedimentos para enriquecer as possibilidades de raciocínio. Algoritmo da divisão Depois de dominar os fatos básicos da divisão, as crianças precisam ser expostas a situações mais complexas para que evoluam. Observe o exemplo que segue e as diversas possibilidades de soluções que devem ser apresentadas aos alunos. Exemplo: dividir 798 : 6 Figura Disponível em: http://educar.sc.usp.br/matematica/m4p2t6.htm. Acesso em: 14/02/2019 Para dividir, separam-se à esquerda do dividendo tantos algarismos quantos haja no divisor, ou mais um, se o número que resultar for menor que o divisor. Em seguida, faz- se a divisão desse primeiro dividendo parcial por todo o divisor, obtendo-se assim o primeiro algarismo do quociente e o primeiro resto parcial. À direita do resto dessa divisão parcial, acrescenta-se o algarismo do dividendo total, formando o segundo dividendo parcial, que se divide pelo divisor para obter-se o segundo resto parcial. Continua-se assim até esgotar os algarismos do dividendo. 44 Figura Disponível em: http://educar.sc.usp.br/matematica/m4p2t6.htm. Acesso em: 14/02/2019 Como é possível observar, a compreensão do algoritmo da divisão não é simples, pois depende da compreensão do sistema de numeração, do domínio da subtração e da experiência com estimativas e cálculo mental. Por isso, é necessário um trabalho rico em atividades em contextos diferentes e de interesse das crianças. É o desenvolvimento de diversas atividades e procedimentos que dará a elas oportunidade de se sentirem seguras para enfrentar problemas que envolvem a divisão. Hoje há um largo consenso de que o cálculo mental é muito importante para o conhecimento dos números. Há inúmeros motivos que justificam o emprego do cálculo mental: ele auxilia no desenvolvimento da atenção, da concentração e da memória. Permite ainda que as crianças desenvolvam seus próprios procedimentos de cálculos, não se limitando a um único processo, o que as torna mais autônomas, pois têm maior liberdade de escolher caminhos para obter soluções para um problema. Além disso, ele possibilita compreender com mais facilidade técnicas de cálculo. E o mais importante, estimula o raciocínio, uma vez que, para as crianças, há sempre um desafio, isto é, a procura do melhor procedimento de cálculo. As crianças que dominam técnicas de cálculo mental demonstram, em geral, mais segurança ao resolver situações-problema do dia a dia (FREITAS et al., 2010). O estudo do cálculo mental deve permear todo o Ciclo I do Ensino Fundamental. Inicialmente, as crianças podem usar os dedos ou outros materiais de manipulação, como tampinhas, grãos, ou material dourado. Contudo, à medida que os números crescem, elas devem ser estimuladas a descobrir as propriedades e desenvolver maneiras mais práticas e eficientes para efetuar cálculos. 6.6 Metodologias para o ensino de matemática na educação de jovens e adultos A educação de jovens e adultos é uma modalidade de ensino que atende às pessoas com mais de 15 anos, dando-lhes a oportunidade de retomar sua formação, no ensino fundamental ou médio. A proposição de práticas pedagógicas e a organização curricular para o público da Escola de Jovens e Adultos (EJA) devem levar em conta o modo particular de ser desses alunos, de sua cultura, valores, interesses e vivências. O parecer n.º 11 de maio de 2000 do CNE considera que a educação de jovens e adultos tem a função de reparar um direito que lhes foi negado: o de uma escola de 45 qualidade; de igualdade de oportunidades no mundo do trabalho e em todos os aspectos da vida social, e garantir ainda acesso à educação permanente, considerando a incompletude do ser humano. As recomendações para a educação de jovens e adultos supõem a consideração de alguns princípios: Sua inserção num modelo educacional inovador e de qualidade, orientado para a formação de cidadãos democráticos, sujeitos de sua ação, valendo-se de educadores que tenham formação permanente como respaldo da qualidade de sua atuação; Currículo variado, que respeite a diversidade de etnias, de manifestações regionais e da cultura popular, cujo conhecimento seja concebido como uma construção social fundada na interação entre a teoria e a prática e o processo de ensino e aprendizagem como uma relação de ampliação de saberes; A educação de jovens e adultos deve abordar conteúdos básicos, disponibilizando os bens socioculturais acumulados pela humanidade; As modernas tecnologias de comunicação existentes devem ser colocadas à disposição da melhoria da atuação dos educadores; A articulação da educação de jovens e adultos à formação profissional, no atual estágio de desenvolvimento da globalização da economia, marcada por paradigma de organização do trabalho, não pode ser vista de forma instrumental, mas exige um modelo educacional voltado para a formação do cidadão e do ser humano em todas as suas dimensões; O respeito aos conhecimentos construídos pelos jovens e adultos em sua vida cotidiana. A prática pedagógica na educação de jovens e adultos pressupõe um ensino na perspectiva da resolução de problemas, considerando os conhecimentos que os alunos trazem e diversificando as estratégias metodológicas de acordo com os conteúdos e necessidades dos grupos de alunos. Essa dinâmica requer uma prática reflexiva. Particularmente, os professores de matemática devem problematizar o que ensinam, buscando a compreensão dos alunos em meio a um processo contínuo de construção dos saberes. Os alunos devem ser levados a um processo de desequilíbrio e equilíbrio sobre o que pensam saber de suas vivências, para chegar ao conhecimento sistematizado, sem, contudo, desvalorizar sua cultura, suas crenças e seus saberes. Para garantir essa reflexão, é necessário promover atividades que partam do cotidiano. Podem ser as experiências culinárias, aproveitar a profissão do aluno para aproveitar as situações que ele vive diariamente e propor o uso da calculadora de forma funcional e mais aplicada aos cálculos que na vida social não fazemos no papel e sim com auxílio do instrumento. A avaliação na educação de jovens e adultos é contínua e cumulativa, prevalecendo os aspectos qualitativos. Contudo, pesquisas mostram que o sistema educativo não tem tratado o público da EJA com uma escola de qualidade, como lhes é devida, dispensando- lhe tratamento diferente daquele dado ao ensino regular no que se refere aos benefícios e benfeitorias. 46 6.7 Números racionais Os números racionais, na forma decimal, fazem parte da vida da criança desde cedo, devido, sobretudo, ao uso do dinheiro. Mesmo se a criança não conhece, formalmente, ela sabe identificar quanto é, por exemplo, um real e vinte centavos, cinquenta centavos etc. Ela, certamente, já tomou contato com registros decimais em jornais, televisão ou folhetos com preços de produtos. Ou seja, os números decimais são mais familiares para as crianças do que as frações. Contudo, conforme Freitas (2010), na prática pedagógica é comum os números fracionários serem apresentados primeiro e só depois os decimais. Na perspectiva desse pesquisador, o estudo do número na forma decimal pode ser feitoconjuntamente com o das frações com o uso do material dourado. Esta pode ser uma atividade interessante em função da familiaridade dos alunos com o material. Várias relações podem ser feitas: Disponível em: https://www.estudokids.com.br/numeros-racionais-o-que-sao-numeros- positivos-e-negativos/ Quantidades: 1 10 100 1000 Representação de cada quantidade em relação ao todo: 1000 1 = 0,001 1000 10 = 0,01 1000 100 = 0,1 1000 1000 = 1 Entretanto, existe um consenso na educação matemática de que o primeiro contato dos alunos com os números racionais, no espaço escolar, seja em situações reais, nas quais eles percebam que dificilmente uma unidade de medida cabe em um número exato de vezes na grandeza medida. O sistema monetário também é recomendado para o ensino dos números decimais, pois é familiar às crianças. 47 No que se refere ao estudo das frações, a situação na qual os alunos fazem medições, discutem resultados, elaboram hipóteses é facilmente executável na própria sala de aula ou na escola e constitui uma forma de construir o conceito de fração de forma significativa, conforme Lima (1989). Também é considerado fundamental que os alunos tenham contato com os vários significados que a fração tem, conforme explicitado a seguir: Números Racionais Disponível em: <https://www.estudokids.com.br/numeros-racionais-o-que-sao-numeros- positivos-e-negativos/>. 6.7.1 Fração Este significado está presente na situação apresentada anteriormente com o material dourado, ou seja, é o número de partes tomadas do número total de partes. A ação da criança nesse caso é analisar a equivalência e a ordem da fração por meio da percepção. Tais ações levam os alunos a desenvolverem seus raciocínios sobre fração baseados principalmente na percepção em detrimento das relações lógico-matemáticas nela envolvidas. Esse significado está em situações onde (m) é a parte e (n) o total de partes e cada parte poderá ser representada com n m . No exemplo com material dourado apresentado anteriormente, pode-se tomar para análise os cubos menores; tomando um deles e comparando-o com o total tem-se 1000 1 , ou seja, é um cubo em um total de 1000 cubos. Agora, tomando-se para análise uma barra (com 10 quadradinhos), tem-se 1000 10 , ou seja, são 10 cubos em um total de 1000 cubos e assim por diante. 48 Fração com significado número A fração tem esse significado quando é tomado como b a , expressando um número na reta numérica. Nesse caso, é preciso que ela seja compreendida como um número e não como dois números um sobre o outro. Por exemplo, o número 2 3 está localizado na reta numérica, entre 1 e 2. No processo de ensino e aprendizagem com crianças do primeiro ciclo, vemos como fundamental o trabalho conjunto com a representação fracionária e a decimal, já que esta última é de fácil localização na reta numérica. Essa concepção está presente no exemplo dado para iniciar o trabalho com as frações, ou seja, na ideia de que algumas grandezas, ao serem medidas, não são expressas por números inteiros. Fração como medida Está presente nesse significado a ideia de dividir uma unidade em partes iguais (subunidades) e observar quantas dessas partes caberão naquela que se quer medir. Exemplo: numa lata cabem 13 litros de líquido. Quantos copos de 2 litros é preciso para enchê-la? Fração com significado de operador multiplicativo Esse significado está associado a um papel de transformação, isto é, uma ação que se deve imprimir sobre um número transformando o seu valor nesse processo. Ou seja, a fração é um multiplicador do número inteiro que o transforma. Exemplo: nas férias passadas, 3 2 dos 27 alunos viajaram. Quantos alunos viajaram nas férias? Para responder essa pergunta, deve-se fazer: 3 2 x 27 = 18. Daí a ideia de operador multiplicativo. Fração com significado de quociente Esse significado está presente em situações associadas às ideias de partição ou divisão, em que o quociente representa o tamanho de cada grupo e quando se conhece o número de grupos a serem formados. Exemplo: dividir três chocolates igualmente para quatro pessoas, que fração representa o que cada um irá receber? Conforme Magina (2010), situações com esse significado: 49 Podem ser usadas para as crianças se apropriarem do invariante de ordenação das frações por meio do raciocínio lógico: quanto mais crianças para dividirem o bolo, menor o pedaço de bolo que cada uma receberá. Esta relação inversa entre o divisor e o quociente poderia ajudar as crianças a entenderem que quanto maior o denominador, menor a parte. […] poderia também usar a razão para ajudar as crianças a entenderem o invariante de equivalência de frações: dada uma mesma razão entre crianças e bolos, a fração correspondente será equivalente, mesmo que o número de bolos e crianças possa diferir nos exemplos. É preciso considerar ainda que a compreensão do conceito de números racionais, na forma fracionária, exige que a criança tenha adquirido a conservação de quantidade contínua (área, comprimento, volume etc.) e discreta (grupo de objetos), o que compreende, conforme Lima (1989), “a conservação de quantidade (contínua ou discreta) permanece invariável, enquanto outros aspectos (forma, posição etc.) se modificam” (LIMA, 1989, p. 82). Disponível em: https://www.hypeness.com.br/2015/12/professor-usa-pecas-de-lego-para-ensinar- matematica/ Existem muitos jogos para consolidar o conceito de fração, o que pode ser motivador para despertar as crianças a participarem do processo de ensino e aprendizagem. Alguns jogos estão disponíveis na web e nos livros didáticos, como o dominó de frações. Juntamente com o estudo das frações, é possível trabalhar a porcentagem, já que essa é uma fração cujo denominador é 100. Assim, podem-se trabalhar as representações fracionárias e decimais para chegar à percentual. Essa forma de tratamento pode contribuir para a criança atribuir significado às representações. Por exemplo: em uma sala de aula, dos 30 alunos, 10 faltaram na véspera do feriado. Qual a porcentagem de alunos que faltaram? Para chegar a um resultado, pode-se fazer: 30 15 = 0,5 x 100 = 50%. O trabalho com porcentagens pode ser enriquecido com textos de revistas ou jornais, nos quais elas aparecem em contextos que podem despertar o interesse dos alunos e ajudá-los a compreender a importância deste conceito. 50 6.8 Tratamento da informação Ler e interpretar diferentes textos em diferentes linguagens; Analisar e interpretar informações, fatos e ideias; Ser capaz de coletar e organizar informações, além de estabelecer relações, formular perguntas; Selecionar e mobilizar informações. São habilidades básicas para o exercício da cidadania. Os PCNs propõem para o primeiro ciclo a introdução de noções de probabilidade, estatística e análise combinatória, tendo por objetivo despertar na criança o espírito de investigação e a capacidade de organização de informações, além da interpretação de dados. Inúmeras informações divulgadas incluem dados numéricos (índices, taxas, porcentagens, valores em dinheiro etc.). Há um ramo da matemática, a estatística, que visa organizar, resumir, apresentar e interpretar as informações. A estatística trabalha com médias, porcentagens, tabelas, gráficos etc. Nesse caso, as intervenções do professor podem se dar, inicialmente, com análise e discussão sobre informações veiculadas nos jornais, nas revistas ou na televisão, para que as crianças aprendam a ler e a interpretar as informações estatísticasveiculadas por meio de tabelas, gráficos simples, porcentagens etc. Contudo, as atividades investigativas, nas quais as crianças participam ativamente do processo de ensino e aprendizagem, podem ser executadas com relativa tranquilidade na própria sala de aula, com temas de interesse deles. A população de estudo podem ser os alunos da própria escola. Nesse tipo de atividade, podem-se desenvolver na criança diversas habilidades e raciocínios em função do caráter interdisciplinar da estatística. Um projeto, por exemplo, pode ser desenvolvido abrangendo diversos conteúdos da matemática (probabilidade, combinatória, porcentagem, geometria) e de outras disciplinas, de acordo com o tema. Em seu projeto de mestrado, Sousa (2010) desenvolve uma pesquisa com crianças da educação infantil, observando a construção do conhecimento estatístico por meio de um projeto de investigação estatística. Esse projeto também pode ser implantado com turmas do ensino fundamental, ampliando e aprofundando conceitos de forma significativa. Os gráficos Os gráficos são utilizados para visualização e interpretação de informações e dados. Eles são uma representação constituída por formas geométricas e sua origem está em dados numéricos resultantes de pesquisas, organizados em uma tabela. São classificados segundo sua forma: COLUNAS – BARRAS – LINHAS – SETORES 51 6.9 Geometria, grandezas e medidas Em sua vivência fora da escola, a criança tem contato com embalagens de diversos tamanhos e formatos, como caixas, bolas e outros objetos que podem ser explorados para a construção do pensamento geométrico. A geometria plana deve ser introduzida a partir do estudo da geometria espacial, já que o mundo em que vivemos é tridimensional. Portanto, a geometria espacial é muito mais natural para a criança, e a plana, por ser muito mais abstrata, exige mais raciocínio. Desse modo, é razoável iniciar o estudo pela exploração de objetos conhecidos das crianças, como as caixas, que servem não somente para trabalhar a geometria espacial como a plana, uma vez que podem ser manuseadas, recortadas, planificadas e então têm- se exemplos de polígonos e segmentos de reta. Nesse sentido, é possível trabalhar com embalagens que podem ser trazidas pelas crianças; elas podem fazer coleções de acordo com os formatos, o que favorece a compreensão de agrupamentos e as familiariza com as diversas formas geométricas. Existe um equívoco no ensino de geometria, por parte de professores, pesquisadores e livros didáticos, no que se refere à consideração de uma embalagem como um sólido geométrico. Em verdade ela não o é, já que tem “espaço” dentro dela, ou seja, ela é “oca”; o que se pode dizer é que uma embalagem tem o formato do sólido, apenas isso. Para trabalhar com a ideia de sólido geométrico, existem modelos prontos em diversos materiais, mas também podem ser feitos com massa de modelar ou trabalhar com barras de sabão, pois elas podem ser cortadas para fazer decomposições ou transformações. A História da matemática pode ser um recurso eficiente para o estudo dos conceitos de perímetro e área, partindo das formas de medir terras, usadas por civilizações antigas. A modelagem matemática também é um recurso interessante para o estudo da geometria, já que com ela os alunos são ativos no processo e a própria escola pode servir de cenário no processo investigativo, no qual o objetivo pode ser verificar o espaço (área) que cada aluno ocupa na sala de aula, por exemplo. Alguns jogos também são boas opções de desenvolver o pensamento geométrico, como o tangram. Medir nada mais é que comparar grandezas de mesma natureza. A compreensão deste tema constitui um dos objetivos da escola por ser necessário à compreensão do mundo. Em muitos momentos estamos envoltos em situações em que é preciso fazer medições, compreender processos de medições e encontrar medidas apropriadas para uma grandeza. É evidente então que as grandezas e medidas são ferramentas fundamentais para se apropriar do conhecimento tecnológico e científico. Grandeza é o nome dado a alguma coisa que pode ser medida. Uma delas é o comprimento, usado para saber a altura de uma parede, por exemplo. Já quando se menciona algo que seja leve ou pesado, refere-se à grandeza massa. Para saber se alguma coisa está quente ou fria, a grandeza correspondente é a temperatura etc. O professor deve tomar como ponto de partida para o desenvolvimento do estudo o conhecimento que os alunos já possuem de suas vivências e do estudo de séries anteriores. Contudo, para saber quais são os conceitos e com que profundidade eles foram assimilados, é preciso promover situações-problema, nas quais os alunos precisem utilizar seus conhecimentos prévios sobre o tema. Nesse processo, é importante observar que ações precisam ser tomadas para auxiliar os estudantes na sua evolução, levando em 52 conta, no processo de ensino e aprendizagem, alguns aspectos fundamentais em relação ao processo de medição: Escolher uma unidade adequada para o objeto a ser medido, ou seja, para medir comprimento de um objeto usa-se o metro, a quantidade de um líquido, o metro cúbico, a área de um terreno, o metro quadrado, o tempo, o relógio, o valor de um serviço em moeda e assim por diante. A unidade escolhida arbitrariamente deve ser da mesma natureza do atributo medido e levar em conta o tamanho do objeto a ser medido e a precisão pretendida. Ou seja, é imprescindível a compreensão de que cada unidade de medida tem seus múltiplos e submúltiplos e que os instrumentos de medição também devem ser adequados para cada um deles. Por exemplo, seria muito difícil medir a distância da escola até a casa dos alunos com uma régua, apesar de ela ser um instrumento de medida linear (comprimento). Nesse caso, seria preciso um instrumento com uma unidade maior, como uma fita métrica, ou uma trena, por exemplo. Quanto maior o tamanho da unidade, menor é o número de vezes que ela será utilizada para medir um objeto. Tomando como referência o exemplo da distância da escola à casa de um aluno, podem-se questionar quantas vezes o submúltiplo do metro (cm) com o qual a régua é graduada caberia nessa distância. Para que a criança construa significado para as medidas, ela precisa vivenciar experiências significativas, participando ativamente do processo, dividindo com seus colegas e professor suas percepções, observando as dos outros. Por isso, metodologias como a modelagem matemática e a resolução de problemas numa perspectiva investigativa são propícias para o estudo, em verdade, acreditamos que sejam fundamentais. Em seu cotidiano, as crianças se deparam com termos e situações que envolvem medidas. Termos como perto, longe, grande, pequeno, quente, frio, alto, baixo, são comuns nas falas das pessoas no meio social das crianças e refletem aspectos das medidas. As atividades planejadas com o intuito de desenvolver os conceitos matemáticos devem levar em conta a vivência que os alunos trazem e ampliar as possibilidades de eles evoluírem nesse conhecimento. 53 Exemplo de aplicação Estimar a medida de grandezas Todos os objetos estão cheios de água. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/317/prova-brasil-de-matematica-5-ano-grandezas-e-medidas Qual deles pode conter exatamente 1 litro de água? (A) A caneca. (B) A jarra. (C) O garrafão. (D) O tambor. Análise: o caminho é identificar grandezas mensuráveis que fazem parte do dia a dia e conhecer unidades de medida, no caso, o litro. Orientações: desafios contextualizados – baseados nas práticas adquiridas pelas crianças na convivência social –, nos quais se analisa em que circunstâncias as estimativas são mais ou menos precisas, são ideais.Por exemplo: pergunte quantas laranjas são necessárias para obter 1 quilo. Alguns dirão que depende do tamanho. Se forem grandes e pesadas, seis. Se forem menores, oito. Dessa forma, essa habilidade vai se ampliando. É fundamental que as crianças conheçam (manipulando/usando) os diversos instrumentos de medida convencionais (fita métrica ou régua, relógio, balança) e não convencionais (palmo e/ou passos, braços etc.). Sugere-se que no início se utilizem as medidas não convencionais para que percebam a necessidade de padronização. Na abordagem de qualquer conteúdo, o professor deve atentar para o conhecimento prévio de cada estudante, já que a maioria deles já viu alguém usar algum 54 tipo de medida. Por isso, é pertinente partir da realidade da comunidade com a qual se trabalha. Realize investigações para saber quais as medidas usadas pelos pais dos alunos, se são braças, polegadas, léguas etc. Para contemplar as diversas formas de medidas, tais como: unidade de tempo, no caso, horas, dias, mês e ano, podemos construir e acompanhar um calendário que pode ajudar as crianças a se familiarizarem com ele e compreenderem o seu significado. Quanto à medida de massa, o grama e seus múltiplos e submúltiplos, é possível promover diversas situações-problema interessantes nas quais a criança experimenta o instrumento de medida, a balança, com objetos de diversos materiais e tamanhos, fazendo comparações entre as massas de objetos, dos colegas e a própria. Essa atividade pode ser propícia para explorar a noção de estimativa, tomando como referências os objetos e pessoas do meio em que as crianças vivem. Algumas indagações possíveis são: Associadas à ideia de transformação, ou seja, alteração de um estado inicial, que pode ser positiva ou negativa; Exemplo: 1. Há um ano, Carlos media 1,57 m. Nesse último ano, ele cresceu 0,12 m. Qual é a altura de Carlos hoje? Essa situação pode gerar outras, conforme exemplos abaixo: 2. Hoje, Carlos mede 1,83 m de altura. Nesse último ano, ele cresceu 7 cm. Qual era sua altura há um ano? 3. Há um ano, a altura de Carlos era de 1,67 m e hoje é de 1,76 m. Quanto ele cresceu nesse último ano? Associadas à ideia de comparação; Exemplos de transformação e comparação (BRASIL, 1998b, p. 108): 1. Carlos pesa 65,5 kg e Paulo 7,5 kg a mais que Carlos. Qual é o peso de Paulo? Alterando-se a formulação do problema e a proposição da pergunta, podemos gerar várias outras situações. Exemplos: 2. Carlos está pesando 87 kg e Paulo 76 kg. Qual é a diferença de peso entre eles? 3. Carlos pesa 54 kg e Paulo pesa 7 kg a menos que Carlos. Qual é o peso de Paulo? É imprescindível que as crianças façam comparações e reflexões sobre os resultados observados nas experiências para socializar impressões ou dúvidas e consolidar os conhecimentos adquiridos. A atividade acima pode ser replicada em sala de aula utilizando-se a altura e/ou a massa de alguns alunos, envolvendo-os numa situação real. Outra grandeza que as crianças têm contato no seu dia a dia é o dinheiro. Como o dinheiro representa o valor dos objetos, dos serviços e do trabalho, é possível estabelecer várias relações referentes a números e medidas. Conforme o referencial curricular: As cédulas e moedas têm um valor convencional, constituindo-se em rico material que atende a várias finalidades didáticas, como fazer trocas, comparar valores, fazer operações, resolver problemas e visualizar características da representação dos números 55 naturais e dos números decimais. Além disso, o uso do dinheiro constitui-se uma oportunidade que por si só incentiva a contagem, o cálculo mental e o cálculo estimativo (BRASIL, 1998, p. 229). São muitas as situações-problema possíveis usando o dinheiro, considerando, claro, o nível cognitivo das crianças, como no exemplo apresentado a seguir. 1. Luís quer comprar uma camisa do Brasil que custa R$ 58,00, mas ele só tem R$ 23,00. Quanto ele precisa para comprar a camisa? Assim, no que se refere a grandezas e medidas, as atividades propostas devem propiciar a compreensão do processo de medição como uma comparação de grandezas. 6.10 Espaço e forma A criança constrói suas primeiras noções espaciais por meio dos sentidos e movimentos, de acordo com seu meio, ou seja, de sua vivência. As experiências da criança com os diversos objetos devem ser multiplicadas para que ela possa construir uma rede de conhecimentos relativos ao pensamento geométrico, desenvolvendo a visualização para posterior abstração. Os conteúdos referentes a esse bloco na educação infantil são, conforme o referencial curricular nacional: Explicitação e/ou representação da posição de pessoas e objetos, utilizando vocabulário pertinente nos jogos, nas brincadeiras e nas diversas situações nas quais as crianças considerarem necessária essa ação; Exploração e identificação de propriedades geométricas de objetos e figuras, como formas, tipos de contorno, bidimensionalidade, tridimensionalidade, faces planas, lados retos etc.; Representações bidimensionais e tridimensionais de objetos; Identificação de pontos de referência para situar-se e deslocar-se no espaço; Descrição e representação de pequenos percursos e trajetos, observando pontos de referência; Para desenvolver o pensamento geométrico das crianças nas séries iniciais, elas precisam ser expostas a situações ricas e provocadoras para incentivá-las a evoluir suas percepções. Por isso, é fundamental propor atividades em que a criança estabeleça pontos de referência a sua volta para efeitos de localização, pois para orientar-se no espaço é preciso começar por se orientar a partir de seu próprio corpo. Conforme o Referencial Curricular para Educação Infantil: As relações espaciais entre os objetos envolvem noções de orientação, como proximidade, interioridade e direcionalidade. Para determinar a posição de uma pessoa ou de um objeto no espaço, é preciso situá-lo em relação a uma referência, seja ela outros objetos, pessoas etc., parados ou em movimentação (BRASIL, 1998, p. 23). Assim, é vivenciando situações que explorem o espaço ao seu redor que as crianças evoluirão para coordenar suas ações e percepções e coordenar seus movimentos, o que lhes permitirá a construção de sistemas de referências mentais mais 56 amplos e lhes possibilitará “estreitarem a relação entre o observado e o representado” (BRASIL, 1998, p. 230). Esse documento destaca a necessidade de proporcionar às crianças a exploração espacial em três perspectivas: as relações espaciais contidas no objeto, que podem ser percebidas na manipulação deste; relações espaciais entre os objetos, que são aquelas que envolvem “noção de orientação” no que se refere à proximidade, interioridade e direcionalidade, o que exige a noção de referência; e, por fim, as relações ocorridas nos deslocamentos, que envolvem a noção de distância, de tempo etc. 57 Exemplo de aplicação – Espaço e forma Localizar objetos e pontos numa cena ou num mapa O brinquedo preferido de João está no seu lado esquerdo. Qual é o brinquedo preferido do João? a) Peteca. b) Pipa. c) Bola. d) Bicicleta. Para se apropriar das características dos objetos, as crianças deverão manuseá- los, analisando-os e comparando-os. Nessa exploração, elas observam as propriedades reais do objeto, para depois abstrair suas formas e propriedades. Contudo, essa exploração deve ser estimulada pelo professor em situações planejadas com objetivos claros. Após a familiarização com os objetos pelas crianças, estas deverão ser expostas a situações em que tenham que construí-los das diversas formas possíveis: desenho, recorte de papel, colagens, dobraduras, modelos em massa de modelar,argila etc. Por meio da experimentação, as crianças começam a discernir as características de um objeto e a usar as propriedades para formar conjuntos, como: objetos redondos, com três lados, com quatro lados, os vermelhos etc. 58 Saiba mais sobre outros Descritores em: http://internas.netname.com.br/arquivos/telesala/DESCRITORES-DE- MATEMATICA_5O_ANO_25E26_05_11-EFI.pdf – Acesso em: 24.02.19 6.11 Metodologias para o ensino de matemática utilizando jogos Neste item, explicitaremos como o jogo pode ser utilizado para enriquecer as aulas e envolver os alunos na construção lúdica e alegre do conhecimento matemático, tendo o cuidado de transmitir a história e/ou lenda que despertar a curiosidade do educando. 6.11.1 Torre de Hanói Na busca de subsídio para a utilização da Torre de Hanói como instrumento de aprendizagem em matemática, mais especificamente no desenvolvimento do conceito de potenciação, encontramos um livro do professor Nilson José Machado (1992), com o texto O jogo como alegoria: a parábola da Torre de Hanói, onde ele cita o poeta inglês C. Lamb (1775-1834) com a frase “o homem é um animal que joga”, entendemos que há necessidade de explorar essa possível definição do homem para ilustrar a importância da dimensão alegórica do jogo e do envolvimento do homem com o outro. Disponível em: https://www.revivaviver.com/torre-de-hanoi-um-jogo-educativo-e- pedagogico Na sala de aula, o jogo pode favorecer uma situação onde o aluno se expõe e se relaciona com o outro. A atividade didática educativa desenvolvida por meio do jogo pode ser lúdica, trazer divertimento, realizar-se na forma de uma brincadeira, utilizar estratégias práticas e úteis, ter significado metafórico e uma dimensão alegórica na aceitação de desafios em conteúdos escolares, desenvolvendo o sentido amplo da capacidade de projetar. Nesse caso, o conhecimento matemático da potência é importante, transformando as situações existentes em aula, buscando explicações, deduzindo e justificando as ações. Esse jogo teve sua origem num mito indiano e foi inventado, ou adaptado, no mundo ocidental, pelo matemático Édouard Lucas e vendido como brinquedo em 1883. A Torre de Hanói está relacionada a um mito que conta que, no templo de Benares, na Índia, sob 59 a cúpula que marcava o centro do mundo, existia uma placa de latão com três pinos de diamantes. Durante a criação, Brahma colocou 64 discos de ouro puro em um dos pinos, tendo tamanhos diferentes, sendo que o maior está sob todos os outros, que são colocados em ordem decrescente de tamanho. A torre foi chamada de Torre de Brahma. Dia e noite os sacerdotes trocavam os discos de um pino para outro de acordo com as leis imutáveis de Brahma, que dizia que o sacerdote do turno não poderia mover mais que um disco de cada vez e que o disco fosse colocado no outro pino de maneira, de tal modo que o de baixo nunca fosse menor que o de cima. Quando todos os 64 discos tivessem sido transferidos do pino que Brahma colocou no dia da Criação para o outro pino, o mundo deixaria de existir. Dizem os sábios que o mundo foi criado há 4 bilhões de anos, aproximadamente, e os monges, desde a sua criação, estão movendo os discos, na razão de 1 disco por segundo. Segundo o mito, a vida decorrerá durante a realização de tal tarefa de transferência e, antes que os sacerdotes consigam levar a cabo a missão que receberam, o templo transformar-se-á em pó e o mundo desaparecerá, com o estrondo de um grande trovão (MACHADO, 1992, p. 44). O objetivo do jogo é transferir os discos de uma das torres para outra, com o menor número de movimentos possíveis. As regras são: movimentar um disco de cada vez, colocando sempre um menor em cima do maior. As situações espontâneas dos jogos permitem que o aluno se envolva e produza significados para as situações vividas. Nessa espontaneidade transparece a competência de aceitar e compreender as regras dos jogos para o contexto da aula de matemática. Evidenciaremos a dimensão alegórica do jogo diretamente relacionada na construção do conhecimento na sala de aula, procurando utilizar a torre como uma fecunda parábola, que ilumine alguns aspectos do trabalho docente considerados fundamentais. O jogo Torre de Hanói tem a aparência ilusória de simplicidade. Acreditamos que seja devido às suas regras serem de fácil entendimento, o que dá a impressão de que, intuitivamente, chegaremos ao resultado final em pouco tempo. Uma análise um pouco mais detalhada, ou mesmo algumas jogadas, fazem-nos perceber que essa intuição inicial é enganosa. Essa análise pode ser conduzida de maneira didática e com a exploração do jogo. Com intervenção do professor, a Torre de Hanói pode ser usada como instrumento de aprendizado significativo, dando a oportunidade aos alunos de resolverem o problema inicialmente proposto, qual seja transferir os discos de um pino para outro, buscando uma generalização em relação ao número de discos e a quantidade de movimentos. Estimulando a participação, poderemos chegar a conclusões da existência de uma solução matemática para o problema, funcionando como motivação para o prosseguimento do ato investigativo fundamental à atribuição de significado. Em sala de aula, busca-se desenvolver no aluno não só a dimensão do fazer, mas especialmente do saber como e porque se faz, ou seja, busca-se desenvolver as capacidades crítica e reflexiva. 60 6.11.2 Jogo de xadrez Na contínua busca por subsídios que possam ser utilizados como instrumento de aprendizagem em matemática, especificamente no desenvolvimento do conceito de potenciação, chegando talvez ao conceito de função, encontramos um recurso no conhecido jogo de xadrez. Disponível em: https://cursoestudomemorizacao.com.br/xadrez-aprendizagem/ Como na Torre de Hanói, o jogo de xadrez será utilizado na pesquisa que busca um modo de investigar o pensamento do aluno rumo ao conceito de função. No xadrez, há um momento propício, tanto para desenvolver habilidades matemáticas, quanto para valorizar as interações sociais. É um jogo elegante, necessita de conhecimento e estudo, requer interesse cultural, está cheio de vida e de qualidade, engrandecendo, alegrando e distraindo aqueles que por ele se interessam. O trabalho com xadrez é multidisciplinar: ajuda na concentração, atenção, tomada de decisões, memorização, melhora das habilidades de pensamento, aquisição de um senso muito prático de organização e trabalha a imaginação e a paciência. As peças que compõem o tabuleiro são: 8 peões – Podem andar para frente uma casa por vez, só podendo capturar outras peças que estão em posições diagonais; 2 torres – Andam na vertical e na horizontal, podendo andar quantas casas quiserem; 2 cavalos – Andam em forma de L (ou como os especialistas falam: 3×1), podendo pular outras peças; 2 bispos – Andam em diagonais; 1 rei – Pode fazer movimento das demais peças (exceto do cavalo), porém só anda uma casa de cada vez; 1 rainha – Faz o mesmo movimento do rei, porém pode andar quantas casas quiser. 61 Como o xadrez auxilia no processo de aprendizagem e na memorização? Saiba mais em: https://cursoestudomemorizacao.com.br/xadrez-aprendizagem/ ATIVIDADE 11: O mito da Torre de Hanói afirma que quando todos os 64 discos tiverem sido transferidos do pino que Brahma colocou no dia da Criação para o outro pino, o mundo deixará de existir. 1Atividade adaptada por Profa. Ma. Nilza dos Santos Rodrigues Cézar. Mesmo após 25 anos da publicação da primeira edição de A Criança e o Número (128 págs., Ed. Papirus), algumas questões levantadas pela autora, Constance Kamii,permanecem atuais e devem ser estudadas pelos educadores que trabalham com a Educação Infantil. O livro aborda os processos envolvidos na construção do conceito de número pelas crianças e ajuda o professor a observar como elas pensam a fim de entender a lógica existente nos erros. KAMII, Constance. A criança e o número. São Paulo: Ed. Papirus, 1992. 62 a) Quantos movimentos são necessários? Com 1 disco? b) E com 2 discos? c) E com 3 discos? d) E com 4 discos? Registre, na tabela abaixo, o número de movimentos realizados nos itens a, b, c e d: NÚMEROS DE DISCOS 1 2 3 4 NÚMEROS DE MOVIMENTOS e) Quando acrescentamos um disco à Torre de Hanói, em quanto aumenta o número de movimentos? f) Se acrescentar mais um disco à Torre de Hanói, em quanto aumenta o número de movimentos? g) Se tivermos 7 discos, quantos movimentos mínimos serão necessários para mover a Torre de Hanói de um pino para outro? h) Se ainda tivermos 8 discos, quantos serão os movimentos mínimos necessários para mover a Torre de Hanói de um pino para outro? i) Você percebeu se há uma relação entre o número mínimo de jogadas necessárias para transportar a Torre de Hanói de um pino para outro e a quantidade de discos? j) Será que, ao aumentarmos um disco na Torre de Hanói, os movimentos realizados com um disco a menor, ou seja, no passo anterior, são importantes? Por quê? Você percebeu que para os movimentos temos sempre dois pinos “livres”? k) Pensando nisso, você consegue identificar uma relação entre o número mínimo de movimentos realizados e a quantidade de discos? Tente escrever uma sentença matemática que mostre essa relação. Se preferir construa uma tabela. A ideia de função aparece nessa atividade? Justifique. 63 ATIVIDADE 22: Jogo de xadrez: a) Na lenda do jogo de xadrez, as casas recebem grão de trigo. Então observe a tabela abaixo, descubra a regra da sequência e complete-a: POSIÇÃO DA CASA 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª N.º DE GRÃOS DE TRIGO 1 2 4 8 b) Quantos grãos de trigo terão na casa de posição 10ª? c) Quantos grãos de trigo terão na casa de posição 20ª? d) Quantos grãos de trigo terão nas casas de posições 35ª e 48ª? e) Quantos grãos de trigo terão numa casa de qualquer posição? (Generalize) f) Você percebeu uma relação entre o número de grão de trigo e a posição da casa no tabuleiro? Que relação é essa? g) Você consegue escrever o número de grãos de trigo encontrados nas casas do tabuleiro de xadrez na forma de potência? Qual a relação do número de grãos de trigo com a posição na casa do tabuleiro de xadrez? 2Atividade adaptada por Profa. Ma. Nilza dos Santos Rodrigues Cézar. 64 Seguem alguns links de jogos para consultar: Disponível em: http://www.somatematica.com.br/jogos/hanoi/ Acesso em: 10 mar. 2019. Disponível em https://novaescola.org.br/conteudo/4990/7-jogos-virtuais-de- nova-escola-para-ensinar-matematica. Acesso em: 10 mar. 2109. Encerramos por aqui os conteúdos da Unidade VI. Aprendeu bastante? Viu como são ricos os recursos para fazer com que os alunos fiquem motivados para estudar Matemática? Então vamos adiante. Agora é hora de avaliar! Bom estudo! 65 VII. AVALIAÇÃO DA MATEMÁTICA E AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA A avaliação permeia todas as ações ocorridas no processo de ensino e aprendizagem. No que se refere às crianças, o professor precisa observar o que e como cada criança responde aos problemas propostos, quais significados ela atribui aos elementos que lhe são apresentados. Os estágios de desenvolvimento humano estudados por Jean Piaget devem ser respeitados, devemos saber em qual estágio se encontra nosso aluno: De 0 a 2 anos a criança está no estágio sensor-motor, onde busca adquirir coordenação motora e aprender sobre os objetos que a rodeiam. De 2 a 7 anos aproximadamente a criança está no estágio pré-operatório, onde adquire a habilidade verbal e simbólica, inicia a nomeação de objetos e raciocina intuitivamente, mas ainda não consegue realizar operações propriamente lógicas. De 7 a 12 anos aproximadamente a criança está no estágio operatório concreto, onde começa a formar conceitos como os de número e classes, têm lógica consistente e habilidade de solucionar problemas concretos. Por último, de 12 anos em diante a criança chega ao estágio operatório formal, onde o adolescente começa a raciocinar de forma lógica com enunciados puramente verbais (hipóteses). As observações feitas pelo professor devem servir para reorientar o trabalho pedagógico de forma a garantir a compreensão esperada, ou assinalar pela continuidade do planejamento. As práticas e as atividades propostas são avaliadas, pois fazem parte do processo, e refletem diretamente na aprendizagem dos alunos. Os conteúdos devem ser trabalhados de forma flexível visto que processo de aprendizagem para cada criança acontece em tempos diferentes. Assim, o objetivo principal da avaliação é acompanhar o desenvolvimento da criança frente às atividades propostas no decorrer do processo, considerando as diferentes possibilidades de ação e respostas para cada situação proposta, levando em conta o tempo para aprender e a forma de ver de cada criança para planejar intervenções e as atividades mais assertivas afim de contribuir com o seu desenvolvimento e dar oportunidade ao seu aprendizado, tornando-a um cidadão crítico e que exerça seus deveres e direitos sociais, profissionais e políticos. Como escreve SILVA (2003) citando Karel Kosik: Na modificação existencial o sujeito desperta para as próprias potencialidades e as escolhe. Não muda o mundo, mas muda a própria posição diante do mundo (SILVA apud KOSIK, 2003, p. 88). Na concepção pedagógica moderna com base na psicologia genética e no socioconstrutivismo, concebe-se a educação como experiência de vivências múltiplas e diversificadas, tendo em vista o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social do educando. Nessa abordagem, o educando é um ser ativo e dinâmico que participa da construção de seu próprio conhecimento e educar é formar e aprender, é construir o próprio saber. A avaliação, nessa perspectiva, contempla dimensões que não se reduzem apenas em atribuir notas, mas sim em uma dimensão orientadora e cooperativa, pois permite que 66 o aluno tome consciência de seus avanços e dificuldades para continuar progredindo na construção do conhecimento e o professor aperfeiçoe sua prática pedagógica. Se o ato de ensinar e aprender incide na realização de mudanças e aquisições de novos comportamentos motores, cognitivos, afetivos e sociais, o ato de avaliar consiste em verificar se eles estão sendo realmente atingidos e que medidas podem ser tomadas para ajudar o aluno a avançar na aprendizagem e na construção do seu saber. A avaliação é então um processo de coleta e análise de dados, tendo em vista verificarem se os objetivos propostos foram atingidos, respeitando as características individuais e o ambiente em que o educando vive, ou seja, a avaliação deve ser integral considerando o aluno como um ser total e integrado e não de forma fragmentada. Dessa forma, o ato de avaliar deve fornecer elementos que possibilitem verificar o nível de aprendizagem dos alunos e, também, indiretamente determinar a qualidade do processo de ensino. Essa visão está de acordo com a perspectiva dos PCNs que consideram a avaliação fundamental para o processo de ensino e aprendizagem, por permitir perceber falhas, corrigir caminhos e projetos, valorizar projetos enriquecendo o processo. Ao selecionar os instrumentos deavaliação, o professor deve levar em conta todas as dimensões d o processo de ensino e aprendizagem, ou seja: atitudes, procedimentos e apreensão dos conceitos. A avaliação de conceitos acontece por meio de atividades voltadas para a apreensão de definições, estabelecimento de relações, reconhecimento de hierarquias, uso adequado dos conceitos na resolução de problemas. Enquanto a avaliação de procedimentos implica reconhecer como eles são construídos e utilizados. A avaliação de atitudes pode ser feita por meio da observação do professor e pela realização de auto avaliação. 7.1 A avaliação psicopedagógica A Psicopedagogia é uma área de conhecimento e de atuação dirigida pelo e para o processo de aprendizagem humana. No complexo processo que envolve a aprendizagem, revela-se significante a atuação preventiva do psicopedagogo no contexto escolar. No contexto escolar, a Psicopedagogia assume um caráter preventivo quando promove orientações metodológicas, trabalha com a formação de professores, orienta e auxilia a organização das atividades escolares. Todo diagnóstico psicopedagógico é uma investigação do que não vai bem com o sujeito nas áreas afetiva, cognitiva, social e motora. Nessa investigação, que possui especificidade própria, pretende-se descobrir a forma de aprender desse sujeito e onde estão os obstáculos e desvios que impedem o sujeito de crescer na aprendizagem. É um processo que permite ao profissional investigar, levantar hipóteses provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo, recorrendo, para isso a conhecimentos práticos e teóricos. Esta investigação permanece durante todo o trabalho diagnóstico através de intervenções e da "escuta psicopedagógica…", para que "se possa decifrar os processos que dão sentido ao observado e norteiam a intervenção". (BOSSA, 2000, p. 24). 67 O psicopedagogo é como um detetive que busca pistas, procurando solucioná- las, pois algumas podem ser falsas, outras irrelevantes, mas a sua meta, fundamentalmente, é investigar todo o processo de aprendizagem levando em consideração a totalidade dos fatores nele envolvidos, para valendo-se desta investigação, entender a constituição da dificuldade de aprendizagem. (RUBINSTEIN, 1987, p. 51). Portanto, quando falamos de Avaliação Psicopedagógica devemos levar em conta que: Não pode ser considerada como um momento estático, pois é uma avaliação do aluno; A Avaliação Psicopedagógica não é meramente um estudo das manifestações aparentes que ocorrem no dia a dia escolar; é uma investigação profunda acerca das causas e origens das dificuldades de aprendizagem; A Avaliação Psicopedagógica é Multidisciplinar. É um trabalho conjunto onde todas as pessoas que estão envolvidas com o aluno devem participar (família, professor, psicopedagogo, orientador educacional, psicólogo, fonoaudiólogo, médico neuropediatra, etc.); Lembrando sempre que o foco/objeto da Avaliação Psicopedagógica é o obstáculo ao processo de aprendizagem. 7.1.1 Observações do desempenho lógico-matemático Devemos avaliar as competências necessárias para aprendizagem da matemática, entender as dificuldades, os fatores que dificultam a aprendizagem da matemática tem sido um grande desafio, temos que observar como a criança constrói sua lógica operatória, e, consequentemente as estruturas mentais dos números e das operações elementares: Quantidade Decodificação dos algarismos Representação verbal dos algarismos Processamento numérico e o cálculo O processamento numérico engloba tanto compreensão numérica, ou seja, o entendimento da natureza dos símbolos numéricos e de suas quantidades quanto a produção numérica, isto é, a escrita, leitura e contagem de números ou objetos. O cálculo se refere ao processamento dos símbolos (p. exemplo +, -, × ou ÷) ou palavras (p. exemplo mais, menos, vezes, dividir) operacionais, à recuperação junto à memória de longo prazo de fatos aritméticos básicos (p. exemplo tabuada) e à execução de procedimentos de cálculos aritméticos. A matemática depende de aspectos genéticos, de funções cognitivas que se desenvolvem durante a pré-escola e os primeiros anos de escolarização. 68 Na educação infantil, espera-se que a criança tenha desenvolvido: Processamento verbal da informação; Compreender instruções: um de cada vez ou um, dois… o que falta, o que está a mais, …; Compreender quantidades (alguns, muito, nenhum, pouco, todos, quantos sobraram, não há mais, o que restou…); Correspondência um a um; Categorizar: cor – forma – tamanho; Conceito de tamanho (grande, pequeno, maior, menor, gordo, magro); Conceito temporal – primeiro e último; Percepção sensorial; Reconhecimento e produção de números; Representação número/símbolo; Discriminação viso-espacial; Memória de curto e longo prazo; Atenção; Esquemas mentais de: classificação, comparação, conservação, correspondência, inclusão, sequenciação e seriação; Compreensão dos conceitos de igual e diferente, curto e longo, grande e pequeno, menos que, e mais que; Reconhecer números de 0 a 9; Contagem sequencial até 10; Nomear e reproduzir formas e figuras. Dificuldades caso não tenha as habilidades acima: Problemas em nomear quantidades matemáticas, números, termos, símbolos, insucesso ao enumerar objetos reais ou em imagens. A partir de 6 anos espera-se que a criança tenha todo conhecimento acima mais: A capacidade de agrupar objetos de 10 em 10; Conheça o conceito numérico de 0 a 99; Saiba qual o sucessor e antecessor; Conhecimento de hora; Capacidade para resolver problemas simples utilizando a estratégias próprias; Capacidade de realizar cálculos mentais simples. 69 A partir de 9 anos, que a criança seja capaz de entender: Medidas simples; Nomear o valor do dinheiro; Sistema de Numeração Decimal; Contar de 2 em 2, 5 em 5, 10 em 10; Compreender números ordinais; Resolver problemas simples utilizando cálculos; Executar operações matemáticas básicas; Compreender meios e quartos; Cálculos Mentais. A partir de 10 anos, que a criança seja capaz de entender tudo acima mais: • Frações; • Separar e dividir. Se alguns desses processos acima estiverem comprometidos, a criança terá dificuldade em lidar com a matemática com autonomia, com raciocínio, terá dificuldade na leitura e escrita dos símbolos matemáticos. 7.2 Provas do diagnóstico operatório “A aprendizagem abre o caminho da vida, do mundo, das possibilidades, até de ser feliz”. Jorge Visca As provas de diagnóstico operatório são instrumentos que nos dizem a respeito de como a pessoa (criança, adolescente ou adulto) pensa, de como ela organiza seus processos de aprendizagem, como faz adaptações, qual a condição que ela apresenta para aprender, qual a dimensão cognitiva que ela se encontra. Você sabe o que significa Cognição? Cognição = Função Psíquica = Cognitivo = Conhecimento 70 Quando verificamos as Habilidades Cognitivas de alguém, queremos avaliar se essa pessoa tem a capacidade de adquirir Conhecimento. A cognição é a habilidade que temos para assimilar e processar as informações que recebemos de diferentes meios (percepção, experiência, crenças…) para que sejam convertidas em conhecimento. A cognição inclui diferentes processos cognitivos, como a aprendizagem, atenção, memória, linguagem, raciocínio, tomada de decisões, etc., que fazem parte de nosso desenvolvimento intelectual e experiências. Disponível em: https://www.cognifit.com/br/cognicao. Acesso em: 23 fev. 2019. As provasdo Diagnóstico Operatório são utilizadas quando já se estabeleceu certo contato entre o entrevistado e o entrevistador, pois é necessário existir uma situação agradável na qual aspectos emocionais não interfiram no processo. As estratégias do entrevistador como as condutas do entrevistado têm aspectos comuns a todas as provas, como por exemplo: a apresentação do material, a indagação do vocabulário e a delimitação da intencionalidade. Todas as provas apresentam uma estrutura em comum, tanto para administração como quanto às estratégias e possíveis condutas do entrevistado. O vínculo entre entrevistador e entrevistado é fundamental para aplicação das provas. Não se podem utilizar as provas de diagnóstico sem nunca ter lido sobre o tema, sem nunca ter ouvido falar de Piaget! Você sabia que as provas de diagnóstico operatório não nasceram como provas, mas sim como instrumentos de pesquisa construídos por um grupo de pesquisadores? De acordo com Piaget (1983), a passagem de um estágio para outro é um processo que depende da maturação e da interação da criança com os objetos do meio. Nesse caso, quanto maior a diversidade de situações com as quais a criança interagir, mais possibilidades de construir relações ela terá. Na concepção de Piaget (1983), para passar de um estágio para outro a criança deve adquirir e desenvolver o raciocínio lógico inerente ao estágio em que se encontra. Contudo, ela não faz a passagem de um estágio para outro sozinha, a criança precisa interagir com os objetos do meio. Há que se ter em mente, no entanto, que os objetos com os quais ela se envolve no mundo, por si só, não lhe podem fornecer o conhecimento; para tanto, a criança precisa ser estimulada a observar, relacionar, tirar conclusões. Assim, em cada fase do desenvolvimento, o sujeito está pronto para desenvolver alguns raciocínios, mas precisa de estímulo, apesar de ser uma construção do sujeito. O conceito de número é um exemplo de conhecimento lógico-matemático e é a base para a construção de todo o conhecimento matemático. 71 A aquisição do conceito de número pela criança passa por diversas etapas de construção mental. Embasado nas ideias de Piaget, Brasil (2006) destaca que os elementos primordiais para a formação do conceito de números são: Classificação: é a capacidade de observar características comuns em objetos, reconhecendo nestes uma determinada classe e usar este conhecimento para estabelecer relações lógicas. Seriação/ordenação: forma de ordenar objetos e colocá-los em série. Nas séries iniciais, a exploração das habilidades deve partir do lúdico, contudo, deve evoluir para situações abstratas. Brasil (2006, p. 36) entende que “estes são conceitos primordiais por estarem presentes tanto na noção de número, quanto de medida e de geometria”. O documento sugere a promoção de atividades que desenvolvam as noções de: inclusão, igualdade, desigualdade, reunião, negação, intersecção, pertinência, sequências lógicas, agrupamentos. 7.3 Aplicação das provas operatórias Criado por Piaget, as provas operatórias partem de um método clínico, de conversação livre com a criança sobre um tema dirigido pelo interrogador que segue as respostas da criança, que lhe pede que justifique o que diz. As provas consistem de uma situação experimental elaborada, a técnica utilizada para as provas é basicamente igual a todas. Consta em se interrogar o sujeito frente aos fenômenos observáveis e/ou manipuláveis a partir dos quais se leva o sujeito a raciocinar. Variam somente segundo a natureza lógica dos problemas ou de fenômenos físicos. Os interrogatórios que são feitos a cada prova estão destinados não só a conhecer os juízos da criança, que variam em função da idade e do desenvolvimento e também dos argumentos que os acompanham. Faz-se necessário saber observar e escutar o sujeito, cujas condutas nos reservam incessantes surpresas. Apresentação dos materiais à criança É necessário, antes de iniciar cada prova, que a criança se familiarize com o material com que irá trabalhar. Isto lhe permitirá: discriminar melhor os elementos que o compõe e diminui o nível de ansiedade que todo material desconhecido suscita. Deixar que o sujeito manipule o material o bastante e sugerir: “Me diga o que você está vendo, o que tem aqui…? Consignas (explicações) As perguntas que são formuladas ao sujeito devem ser claras e precisas, assim como as explicações iniciais de cada prova, procurando-se que o sujeito entenda bem o que deve fazer. Não importa a linguagem usada, mas sim que a criança compreenda corretamente a tarefa que deve cumprir. A avaliação das respostas Uma avaliação eficaz não se dará apenas pela análise das respostas obtidas nas provas. O aplicador deve observar o contexto geral: reações, postura, fala, inquietações, 72 reação diante do desconhecido, argumentos, organização e manipulação do material (Sampaio, 2014a, p. 42). O nível que a criança irá alcançar em cada uma das etapas revelará o grau de sua estrutura operatória. Desta forma, será possível identificar o nível do pensamento alcançado por ela. As respostas podem ser classificadas dentro de três níveis (VISCA, 2008 e SAMPAIO, 2014a): • Nível 1: Não conserva, não atinge nível operatório nesse domínio • Nível 2: Intermediário: respostas oscilantes, instáveis ou incompletas: hora conserva, hora não conserva • Nível 3: respostas firmes, demonstram aquisição da noção. Quadro de seleção de provas conforme a idade 73 Fonte: Sampaio (2014a) Fonte: Visca (2008) 74 7.3.1 Prova de classificação Mudança de critério – Dicotomia Materiais: 5 círculos vermelhos pequenos 5 círculos azuis pequenos 5 círculos vermelhos grandes 5 círculos azuis grandes 5 quadrados vermelhos pequenos 5 quadrados azuis pequenos 5 quadrados vermelhos grandes 5 quadrados azuis grandes 2 caixas Aplicação: 1– O que você está vendo? 2– Você pode colocar junto os que se parecem, os que podem ir junto? 3– Por que você colocou dessa forma? 4– Agora, usando essas 2 caixas, você vai fazer 2 grupos e colocar cada grupo em uma caixa. 5– Por que você colocou esses aqui e esses ali? Que nome você daria para esse grupo e que nome você daria para aquele grupo? O Entrevistador retira os dois grupos das caixas e diz: – faça novamente dois grupos de forma diferente e coloque cada grupo em uma caixa. 6– Por que você colocou esses aqui e esses ali? Que nome você daria para esse grupo e que nome você daria para aquele grupo? Caso o entrevistado não utilize um novo critério, solicita uma nova classificação. 7– Poderia ainda ser feito de outra maneira? Como você agrupou? 8– Por que você colocou esses aqui e esses ali? Que nome você daria para esse grupo e que nome você daria para aquele grupo? Caso o Entrevistado necessitou de insinuações, de dicas, faz-se necessário uma recapitulação, quer dizer, solicita-se que o entrevistado volte a classificar. 75 Avaliação Resposta do nível 1 – coleção figural, antes dos 4-5 anos. A criança deste nível só pode agrupar as fichas levando em conta não a totalidade delas e sim as semelhanças qualitativas (forma, tamanho, cor etc.) de um elemento com o outro (relação de proximidade). Quer dizer, sabe reconhecer a igualdade ou a diferença entre duas fichas, mas não pode ter em conta a relação simultânea de cada ficha com as demais. Esta limitação não lhe permite chegar a classificação de todas segundo um critério. Por exemplo: cor, ou seja, dispor de um plano pré-estabelecido para a classificação. É esperado que a intenção da criança em ordenar as fichas vá mudando de critério frequentemente e ela podenão utilizar todos os elementos dados. Encontramos dois tipos frequentes de consulta. – Alinhamento: chamamos assim por sua disposição linear. A criança alinha algumas fichas que tem um par. Tem mudança no critério e geralmente não esgota o material critério frequentemente e ela pode não utilizar todos os elementos dados. – Figuras Complexas: aqui a criança tenta agrupar algumas fichas em um conjunto especial, tendo em conta não tanto à relação de uma ficha com a outra (acentuação na semelhança, própria do alinhamento) e sim quem coloca cada elemento em relação com outros (acentuação de relação de pertinência). Tomados como partes de um conjunto organizado ou com sentido, do ponto de vista de sua forma total. O conjunto total pode referir-se a uma mera forma geográfica (exemplo: simetria) ou ter um significado empírico (exemplo: “uma casinha, um nenê”) que geralmente a criança expressa verbalmente. Resposta do Nível 2 – começo de classificação, geralmente aos 5-6 anos. Corresponde a um nível de pensamento intuitivo articulado. A criança deste nível pode agrupar as fichas em pequenas coleções tendo em conta algum critério único de classificação (forma, tamanho ou cor). Quer dizer, forma pequenos montes fundados em uma só semelhança, mas essas coleções se justapõem sem nenhuma relação entre si: “é o monte dos quadrados grandes azuis, dos círculos pequenos azuis, dos círculos grandes verdes etc.”; mas para a criança, não estão incluídos ou engajados em uma classe mais geral (figuras geométricas neste caso). Em termos mais teóricos, diríamos que a criança é capaz de começar a coordenar a extensão com compreensão, mas ainda não é possível compreender a inclusão e por tanto, sua classificação ainda segue sendo uma coleção. As crianças mais avançadas deste nível chegam a um começo de reagrupamento das subcoleções em classes gerais; exemplo: agrupam as fichas verdes e por outro lado as azuis, mas não são ainda capazes de formular uma antecipação ou previsão de critérios. Muitas vezes necessitam que o experimentador inicie a classificação, para poder continuá-la. Uma conduta possível é que a criança opte (na classificação espontânea) por vários critérios simultâneos, mas ainda não pode ser considerada uma classe, pois essa surge, como se sabe, de uma operação lógica que, como tal, organiza todo o universo possível (neste caso todas as fichas) determinando uma hierarquia inclusiva. 76 Resposta de nível 3 – dicotomia pelos três critérios, a partir dos 6-7 anos. As condutas deste nível são as próprias de um pensamento operatório. A criança já pode realizar classificações hierárquicas, o que permite predizer, efetuar e recapitular corretamente as três dicotomias sucessivas, segue o três critérios diferentes: forma, tamanho e cor. No início deste nível, a criança pode descobrir a terceira dicotomia, basta uma simples introdução do avaliador para que ela capte o critério classificatório restante. 7.3.2 Prova de intersecção de classes Materiais: 5 círculos azuis pequenos 5 círculos vermelhos pequenos 5 quadrados vermelhos pequenos 1 folha de cartolina ou papel com dois círculos em intersecção, sendo que um preto e outro amarelo. O Entrevistador coloca os círculos azuis e os quadrados vermelhos na parte exterior e os círculos vermelhos na intersecção. Aplicação: 1– O que você está fazendo? O que pode me dizer sobre essas fichas? 2– Por que você acha que eu coloquei as redondas vermelhas no meio? 3– Existem aqui mais fichas vermelhas ou azuis? Por quê? 4– Existem aqui mais fichas quadradas, redondas? Por quê? 5– Existem mais, menos ou número igual de fichas redondas ou vermelhas? Como você sabe? Pode me mostrar? (pergunta de intersecção). 6– Você acha que tem mais, menos ou mesmo tanto de fichas quadradas ou vermelhas? Pode me mostrar? (pergunta de inclusão). Avaliação Resposta do nível 1 – intuitivo global, a partir dos 4-5 anos. A criança é capaz de constatar com acerto as perguntas que recaem sobre as classes não relacionadas (perguntas 2 e 3), mas ainda não podem compreender as perguntas referentes a inclusão e a interseção (perguntas 5 e 6) tampouco tem êxito nas perguntas suplementares porque não leva em conta o conteúdo da interseção. Exemplo: O que há no círculo preto? R: quadrados vermelhos, sem levar em conta os elementos da intersecção. 77 Respostas do nível 2 – Intuitivo articulado, a partir dos 6 anos. A partir deste nível observam-se êxitos nas perguntas suplementares (a criança se dá conta de que dentro de um círculo estão todas as fichas redondas e dentro do outro círculo estão todas as fichas azuis). Frente às perguntas 4 e 5, ou seja, de inclusão e de interseção, a criança tem dúvida e pode responder corretamente ou não a alguma das duas perguntas. Resposta do nível 3 – operatório concreto, a partir dos 7-8 anos. A criança desse nível de pensamento tem um acerto preciso desde o primeiro momento, a todas as perguntas. 7.3.3 Prova de inclusão de classes A Criança que já atingiu o nível 3 da prova de classificação dispões de um esquema antecipatório que lhe permite quantificar a inclusão. Esta prova pode ser feita com distintos materiais. Materiais: Flores (classe) 10 margaridas (subclasse) 03 rosas vermelhas (subclasse) Com qualquer material se realizam 4 perguntas (de classificação espontânea do material, de hierarquia das classes, de quantificação de inclusão que não se requer reversibilidade e de quantificação da inclusão onde se requer a reversibilidade) Aplicação: Apresenta-se o material e se interroga: 1- Diga-me o nome das flores. 2- As margaridas são flores? As rosas são flores? 3- Você conhece outras flores? 4- Neste ramo tem mais margaridas ou mais flores? Por quê? Caso acerte, perguntar: “Como você sabe?”. 5- Existem duas crianças querendo fazer um ramo com flores e outro ramo com as margaridas. Qual ramo será maior? 6- Se eu te dou as margaridas, o que sobra no meu ramo? 78 7- Se eu te dou as flores, o que sobra no ramo? 8- Eu vou fazer um ramo com todas as margaridas e você com todas as flores. Quem terá o ramo maior? Como você sabe? Avaliação Resposta do nível 1 – ausência da quantificação da inclusão, até os 5-6 anos. A criança se mostra incapaz de comparar o número de elementos de uma subclasse com o de uma classe mais geral em que está incluída. Procede sistematicamente a comparação das duas subclasses e responde, então, que há mais margaridas do que flores. Quando se faz a pergunta: “mais margaridas do que?”. Geralmente respondem: “mais margaridas do que rosas?”. Neste nível as perguntas que recaem sobre a subtração das subclasses dão lugar às vezes a fracassos. Resposta do nível 2 – condutas intermediárias, entre 5-6 anos até os 7-8 anos. Observam-se poucas condutas intermediárias. Notam-se por parte da criança na pergunta: a mais margaridas ou mais flores? A criança às vezes responde: “É o mesmo”, justificando esta resposta com o argumento: “as margaridas também são flores!”. Resposta do nível 3 – condutas de quantificação inclusiva, a partir de 7-8 anos. Todas as perguntas recebem respostas corretas, ainda que às vezes, se observam dúvidas e estranheza no primeiro enunciado da pergunta 1. 7.3.4 Prova de seriação de palitos Materiais: 10 palitos que diferem na altura, 0,6 cm entre um em outro 1 anteparo, que pode ser a tampa de uma caixa Aplicação: Entregar os 10 palitos em desordem. 1- Solicitar que coloque os palitos em ordem do menor para o maior. 2- Pedir que feche os olhos. Retirar um palito da seriação realizada, desde que não seja dos extremos e pedir ao entrevistadoque coloque no lugar certo. 3- Novamente entrega-se os 10 palitos desordenados e pedir que os entregue em ordem, do maior para o menor, estes vão sendo colocados atrás do anteparo. (não pode medir os palitos antes). Mostra-se o anteparo com o resultado da seriação. Se errar um ou dois palitos, pode-se repetir a intervenção. 79 Avaliação Resposta do Nível 1 – Fracasso na seriação, antes dos 4-5 anos. Podemos distinguir duas etapas de acordo com que a criança conseguir: – Antes dos 4 anos – pensamento simbólico: a criança parece não entender o que é solicitado. Não existe nenhum ensaio de ordenação. Às vezes, tenta justapor um par de palitos. Mas, sem levar em conta a horizontalidade nem a verticalidade. – 4 a 5 anos – pensamento intuitivo global: neste nível podemos observar distintos tipos de conduta: 1º – A criança ordena por pares (grande / pequeno) ou 3 ou 4 elementos (grande, médio, pequeno), mas logo não pode mais coordenar. São séries justapostas sem ordem de conjunto. 2º – Outra alternativa é que consiga construir uma escala, mas levando em conta somente parte superior de cada palito. Ao não considerar a parte inferior (a longitude total de cada elemento), a escala assim construída só é regular enquanto figura de conjunto: construída pelos extremos superiores. Tal construção não apoiada em uma linha horizontal de base, não apresenta uma sucessão de palitos de acordo com a ordem real de tamanho. 3º – Há crianças que conseguem construir uma série completa de 4 a 5 palitos, mas não pode intercalar os demais. Esta conduta indica um nível mais evoluído que os anteriores, mas ainda pertencem ao 1º nível. Resposta de nível 2 – Êxitos por tentativa, a partir dos 6 anos. Pensamento intuitivo articulado. A criança consegue fazer a seriação através de tentativas empíricas, realizando comparações por pares (sobrepondo os palitos) e construindo a série de próximo a próximo, voltando cada vez ao ponto de partida. É uma seriação realizada intuitivamente por comparações sucessivas. A criança consegue intercalar elementos mediante novas tentativas e, em ocasiões, começa tudo. Falta-lhe um esquema antecipatório e um método sistematizado (próprio do 3º nível), quando se utiliza o anteparo (conduta em que geralmente não tem êxito). Resposta de nível 3 – Êxito por método operatório, a partir dos 6-7 anos. Pensamento operatório concreto. A criança consegue, neste nível, facilmente a seriação (com ou sem anteparo) utilizando um método sistemático, que consiste em buscar primeiramente, entre todos os elementos, o menor; depois, o menos entre os que restam e assim sucessivamente até completar a série (quando está em ordem crescente). Este método responde a um esquema propriamente operatório, pois dá testemunho de um critério reversível, quer dizer, a criança considera que um elemento qualquer é, ao mesmo tempo, maior que os precedentes e menos que os seguintes. Neste nível a criança consegue facilmente a inclusão de um elemento ausente (segundo momento da prova). 80 7.3.5 Prova de conservação Conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos. Avalia a Noção de Números. Materiais: 10 fichas vermelhas 10 fichas azuis Ambas do mesmo tamanho Aplicação: Escolha um grupo de fichas da mesma cor. Eu pego 7 fichas da cor que sobrou e coloco em fila. Peço ao entrevistado que coloque a mesma quantidade. Pode ocorrer o entrevistado colocar termo a termo ou ainda colocar por extensão da fileira. Se isso ocorrer, o entrevistador faz a relação um a um com as suas fichas e pergunta ao entrevistado se ele tem certeza de que existe a mesma quantidade de fichas em ambos os grupos. 1- Você acredita que temos o mesmo número de fichas? Por quê? O entrevistador espaça as fichas de modo que um grupo fique mais longo que o outro e pergunto: 2- E agora, há a mesma quantidade de fichas vermelhas e azuis? Onde parece ter mais? Aí questiono: Mas essa fileira parece ter mais… é mais comprida? 3- Agora junto às fichas num grupo e pergunto onde tem mais? 4- Pego as fichas e escondo debaixo da minha mão e pergunto quantas fichas estão escondidas. Como você sabe? 5- Volto a reunir as 10 fichas em círculo. Solicito ao entrevistado que coloque a mesma quantidade de fichas por fora, formando um círculo maior e pergunto: 6- No círculo de dentro há mais, menos ou mesma quantidade de círculos que o de fora? Volto a reunir as 10 fichas em círculo, fazendo um círculo maior e outro menor – um ao lado do outro e pergunto: 7- Qual dos dois círculos tem mais ou menos quantidade de fichas? Ou tem a mesma quantidade? 8- Por último, coloco minhas fichas numa pilha e faço as mesmas perguntas. 81 Avaliação Resposta do nível 1 – não conservador, antes dos 5 anos. As respostas do nível 1 podem ser divididas em duas categorias que são: Nível simbólico (2 a 4 anos) a criança deste nível só imita a ação, parecendo não entender a consigna. Nível intuitivo Global (4 a 5 anos). A criança percebe somente qualidades globais (espaço que ocupa) na figura modelo, mas não pode levar em conta o número de fichas apresentadas; portanto, tenta fazer uma semelhança global entre sua produção e a fileira modelo. A resposta da quantidade pode ser conseguida neste nível e é uma aquisição pré-numérica (a criança pode conservar a cota, mas sem entender o número como uma síntese entre a classe e a série). Resposta do Nível 2 – ainda não conservador, porém num nível mais avançado, entre 5-6 anos. Consegue-se a correspondência, mas não se mantém a conservação. A criança desse nível faz uma correspondência termo a termo, mas esta correspondência (apesar das aparências) não deixa de ser qualitativa e intuitiva (ou seja, não verdadeiramente numérica e operatória); isto se comprova quando se altera a configuração (se junta e separam-se as fichas). A criança deixa de reconhecer a equivalência, não existindo a conservação. Resposta de Nível 3 – intermediário, desde 5 anos. Correspondência operatória com equivalência necessária: faz a correspondência e mantém a conservação, porém oscila frente a uma nova transformação. Resposta de Nível 4 – conservador, a partir 5 anos. As diversas situações apresentadas dão lugar a explicações e justificativas conservadoras, utilizando-se qualquer argumento. 7.3.6 Prova de conservação de superfície O conceito de permanência de superfície não é inato, e sim resultado de uma construção paulatina, como todos os demais conceitos de conservação. Materiais: 2 folhas de cartolina ou EVA verde – 20x25cm 12 quadrados com 4 cm de lado, idênticos, de cartolina vermelha, representando casinhas 82 01 vaquinha de cor distinta da cartolina verde e dos quadrados vermelhos Aplicação: Mostram-se os campos idênticos – “pastos” e as “casas vermelhas” e pergunta- se ao entrevistado se tem ambas as cartolinas verdes e os quadrados o mesmo tamanho. O entrevistador cria um cenário e diz que esses campos verdes são pastos e que os quadradinhos vermelhos serão casinhas. Pergunta ao entrevistado: 1- Se essa vaquinha comer esse pasto ou comer nesse outro pasto aqui, ela comerá a mesma quantidade? 2- O dono deste pasto resolve construir uma casinha nesse pasto. Agora a vaquinha tem a mesma quantidade de pasto para comer em ambos os pastos ou não? Como você sabe? 3- O dono do outro pasto também resolveu construir uma casinha. E agora, a vaquinha tem a mesma quantidade de pasto para comer em ambos os pastos ou não? Como você sabe? 4- Agora o entrevistador coloca quatro casinhas em cada pasto e pergunta novamente se a vaquinha terá a mesma quantidade de pasto para comer ou não.5- O dono de um dos pastos resolve colocar as casinhas de outra maneira no pasto, sendo que num deles as casinhas ficam juntas e no outro pasto as casinhas estão separadas. O entrevistador pergunta novamente e pergunta novamente se a vaquinha terá a mesma quantidade de pasto para comer ou não, lembrando sempre de pedir ao entrevistado que explique. 6- Novamente o dono do pasto resolve trocar as casinhas de posição, como no item 5. O entrevistador pergunta novamente e pergunta novamente se a vaquinha 83 terá a mesma quantidade de pasto para comer ou não, lembrando sempre de pedir ao entrevistado que explique. O entrevistador sempre deve contra argumentar, sendo o entrevistado conservador ou não. 7- O entrevistador agora coloca mais casinhas no primeiro pasto e no outro coloca a mesma quantidade, porém de forma “espalhada” e faz o mesmo questionamento: se a vaquinha terá a mesma quantidade de pasto para comer ou não, lembrando sempre de pedir ao entrevistado que explique. Se o entrevistado é conservador, o entrevistador diz: – mas aqui fica todo esse pasto junto, no outro não… é em pedaços! Se o entrevistado não é conservador, o entrevistador pode dizer: – alguém me disse que ambos os pastos tinham a mesma quantidade. 8- E se o dono voltasse a colocar as casinhas como no início, a vaquinha comeria a mesma quantidade de pasto? Avaliação Resposta do Nível 1 – não conservador, antes dos 5 anos. Antes dos cinco anos as crianças tem muita dificuldade de entender as propostas do entrevistador. Aos 5-6 anos entendem a situação proposta pelo entrevistador, porém têm dificuldade em aceitar a conservação. Resposta do Nível 2 – Condutas intermediárias, entre 5 e 7 anos. Perante as transformações o entrevistado admite a conservação, porém, quando as transformações produzem diferenças perceptíveis maiores, gera-se um conflito entre a percepção e o julgamento. Resposta do Nível 3 – Conservador, a partir do 6-7 anos. As crianças dão conta de que as superfícies livres são iguais. 84 7.3.7 Prova de conservação de líquido Conservação das quantidades de líquido (transvasamento) Igualdade inicial Primeira modificação Segunda modificação Terceira modificação Materiais: 2 copos iguais A1 e A2 1 copo mais fino e alto B 1 copo mais largo e baixo C 4 copinhos iguais D1, D2, D3, D4 2 garrafinhas contendo líquidos de cores diferentes Obs.: os copos devem ser lisos e sem desenhos, mesmo material e sem base. Aplicação: Vou colocar água no copo A1 e você deve colocar a mesma quantidade no copo A2. O entrevistador deve se certificar que o entrevistado tenha certeza que nos dois copos tenha a mesma quantidade. 85 1- Se eu beber isso e você aquilo, quem beberá mais? Ou tomaremos a mesma quantidade? 2- Agora quero que você coloque o líquido do seu copo, no copo B. E agora, quem beberá mais? Como você sabe? Pode me explicar? Uma criança disse que aqui tem mais, pois o copo é mais alto. O que você me diz? Se eu colocar esse líquido do copo B no copo A novamente, quem irá tomar mais? 3- Agora coloque o líquido no copo A no copo C. Quem beberá mais agora? 4- Coloque o líquido agora nos copinhos D1 D2 D3 D4. Quem de nós irá tomar mais agora? Avaliação Resposta de nível 1– não conservação, até os 5-6 anos. corresponde à etapa intuitiva global. Em cada um dos transvasamentos, a criança julga que uma das quantidades é maior. Exemplo “este tem mais porque está mais alto”. Frente às contra argumentações, o experimentador é quem chama a atenção da criança sobre a dimensão não observada (por exemplo a altura do copo b), a criança mantém seu juízo ou considera que a quantidade é maior. Quando recordada a igualdade de quantidade inicial, não modifica de forma alguma seu juízo. Neste nível, o problema de “retorno empírico”, a inversibilidade, pode ou não ser resolvida. Resposta de nível 2 – condutas intermediárias, entre 5-6 anos a 7 anos. Próprias do pensamento intuitivo articulado. Os juízos oscilam entre a conservação e a não conservação podendo aparecer de 3 maneiras diferentes: – juízos oscilantes em um estado de transvasamento – Por exemplo “tem mais para beber neste copo, não! tem mais neste outro ou ainda, há a mesma quantidade nos dois copos…” – alternam-se os juízos de conservação e não conservação nos diversos transvasamentos – Por exemplo julga que a quantidade é igual no copo estreito (b), mas que é desigual nos quatro copinhos (d). – pode aparecer uma alternativa de juízo em função das contra argumentações. Uma resposta de conservação aparece quando o experimentador recorda a igualdade das quantidades iniciais, ou a criança volta à não conservação quando o experimentador insiste na diferença das dimensões. As justificativas dadas para um juízo de conservação, neste nível, em geral, são pouco explícitas e incompletas. Neste nível, o problema de “retorno empírico” é resolvido corretamente. Resposta de Nível 3 – conservador, a partir dos 7 anos. 86 Considera em todas as transferências que as quantidades de líquido são iguais e mantém, apesar das contra argumentações. A criança é capaz de dar várias das seguintes explicações: – argumento de identidade: “há a mesma quantidade para beber porque não tiramos nem colocamos nada”. – argumento de reversibilidade: “há sempre o mesmo tanto para beber porque se voltar a colocar no outro copo será o mesmo”. – argumento de compensação: “aqui (b) está alto, mas é fininho (a1), então é o mesmo para beber”. O juízo de conservação se mantém apesar das contra argumentações propostas pelo examinador. 7.3.8 Prova de conservação de matéria Conservação da quantidade de matéria (massa) Da mesma maneira que as noções de conservação de conjuntos descontínuos de elementos, de superfície e dos líquidos, a noção de conservação da quantidade de matéria, frente às modificações é uma noção que se constrói. Materiais: 2 pedaços de massa de modelar de cores diferentes Aplicação: O entrevistador entrega dois pedaços de massa e pede que faça duas bolas que tenham a mesma quantidade de massa. O entrevistador deve se certificar que o entrevistado tenha certeza que nas duas bolas tenha a mesma quantidade de massa. 1- O entrevistador escolhe uma das bolas e transforma-a numa salsicha. Iniciam-se os questionamentos: Agora você vai me dizer onde tem mais massa? Na salsicha ou na bola? Por quê? Qualquer que seja a resposta, conservadora ou não, o entrevistador contra argumenta tomando o ponto de vista oposto do entrevistado. Exemplo: Se o entrevistado é conservador, o entrevistador diz: – mas a salsicha e mais comprida! Se o entrevistado não é conservador, o entrevistador pode dizer: – mas a salsicha é mais fina! ou a bola é mais grossa! ou ainda lembrar da igualdade inicial. 87 2- O entrevistador alarga e afina a salsicha, e continua o questionamento… e agora, o que temos? Temos a mesma quantidade? Como você pode me explicar isso? Uma criança disse que a salsicha é mais comprida! 3- Agora o entrevistador transforma a salsicha num biscoito e questiona novamente: onde temos mais ou menos massa? Na bola ou no biscoito? Como você pode me explicar? 4- Por fim o entrevistador, reparte o biscoito em 4 bolinhas e questiona: onde temos mais massa agora? Na bola ou nas bolinhas? Avaliação Resposta de nível 1 – não conservador, antes dos 5-6 anos. Corresponde a etapa intuitiva global. Os juízos das crianças deste nível em cada uma das transformações estão dirigidas a que uma das quantidades é maior e a outra menos. Frente aos contra- argumentos,o avaliador é quem chama a atenção da criança para a dimensão não percebida; exemplo: o comprimento da salsicha. A criança hora mantém seu juízo, hora alega que uma tem maior quantidade. Quando a igualdade inicial de quantidade é relembrada, não há mudança no juízo da criança. Neste nível o problema de “retorno empírico”, a inversibilidade, pode ou não ser resolvida corretamente. Resposta de nível 2 – são condutas intermediárias, entre 5-6 e 7 anos. Próprias do pensamento intuitivo articulado. Os juízos oscilam entre a conservação e a não conservação e aparecem de três maneiras diferentes: – juízos oscilantes em uma mesma transformação: a criança julga alternadamente que as quantidades são iguais e diferentes; por exemplo: “há mais na salsicha, não, há mais na bolinha. Há o mesmo tanto para os dois comerem…”. – alternam-se os juízos de conservação e não conservação nas diversas transformações; por exemplo: julga que a quantidade é igual na panqueca, mas desigual nos pedacinhos. – em função das contra argumentações, pode surgir uma alternativa de juízo. Quando o avaliador recorda a igualdade das quantidades iniciais, aparece uma resposta de conservação. A criança volta a não conservação quando o avaliador insiste na diferença das formas. As justificativas dadas para um juízo de conservação são em geral, neste nível, pouco explícitas ou incompletas. Neste nível o problema de “retorno empírico” é resolvido corretamente. Resposta de nível 3 – conservador, a partir dos 7 anos. Conduta própria de um pensamento operatório completo. Em cada transformação julga-se que as quantidades são iguais. A criança é capaz de dar uma ou várias das seguintes explicações (argumentos): – argumento de identidade: “Há a mesma quantidade para comer por que não tiramos nem colocamos comida”; 88 – argumento de reversibilidade: “Há sempre o mesmo para comer porque, se voltar a fazer a bola, será o mesmo”; – argumento de compensação: “Aqui, panqueca, é igual, mas é mais fina (chata, pequena…) que esta, a bola, então continua sendo a mesma”. O juízo da conservação se mantém apesar dos contra-argumentos propostos pelo avaliador. 7.3.9 Prova de conservação de peso A conservação de peso só se elabora após a conservação de matéria. Materiais: 2 pedaços de massa de cores diferentes 1 balança com dois pratos cuja leitura seja pela posição dos braços. Aplicação Primeiramente o entrevistador se certifica que o entrevistado conhece uma balança, senão a apresenta e explica como é feita a medida de pesos, ou seja, quando os dois braços da balança ficam na mesma altura é por que temos o mesmo peso. Pede-se ao entrevistado que faça duas bolas de massa que tenham o mesmo peso. O entrevistador deve se certificar dos pesos, utilizando a balança. Caso um dos braços da balança fique mais alto é por que a bola pesa menos. Caso isso ocorra, questionamos: – Como você fará para que tenham o mesmo peso? Depois das bolas terem o mesmo peso, retira-se as bolas da balança e inicia-se as transformações. 1- O entrevistador pega uma das bolas e transforma numa salsicha e questiona: você acha que a salsicha pesa o mesmo que a outra bola, ou pesa mais? Como você sabe? Pode me explicar? Como assim? Contra argumentação: em caso de a resposta da criança ser correta, o experimentador insiste em uma só dimensão, “mas a salsicha é muito mais fina, você não acha que tem menos”? Outra criança que me disse. 89 No caso de uma resposta não conservadora, o experimentador recorda à criança a igualdade inicial das 2 bolas e insiste na dimensão que a criança não observou. Por exemplo se a criança diz que a salsicha pesa mais, o experimentador diz: “mas a salsicha é mais comprida e a bola mais grossa, mais gorda, você não acha que a bola é mais pesada”? 2- Agora transformarei a salsicha numa bola novamente, você acha que vão pesar o mesmo tanto? Se a criança não resolve corretamente o problema de retorno empírico, realiza- se este retorno e procede-se a uma comprovação de igualdade de peso das 2 bolas. 3- Agora vou transformar uma das bolas em uma pizza. Procede-se com as mesmas perguntas feitas anteriormente. 4- Transformarei a bola em 8 pedaços e procedo como anteriormente. As contra argumentações recaem sobre o número e a distribuição dos pedaços que estão sobre a mesa. Poe exemplo se a criança diz que a bola pesa mais, “mas olha, tem muitos pedaços sobre a mesa, será que não pesam mais do que a bola”? As diferentes transformações são realizadas tanto pelo experimentador como pela criança. Avaliação Resposta de nível 1– não conservador, até 6-7 anos. São condutas próprias do início do estado operatório e do estado operatório concreto. Para cada uma das transformações, um dos pesos é julgado como maior que o outro, por exemplo “a salsicha pesa mais porque é mais larga”. Frente aos contra-argumentos, o experimentador é quem chama a atenção da criança sobre a dimensão não observada, por exemplo “o comprimento da salsicha”. A criança mantém sua resposta ou julga que o outro peso é maior. Recordar a igualdade de peso inicial não modifica de forma alguma o juízo da criança. Neste nível o problema do retorno empírico, a inversibilidade, pode ou não ser resolvido corretamente. Resposta de nível 2 – em transição, ente 8-9 anos. São condutas intermediárias próprias de quem já alcançou o primeiro nível do pensamento operatório concreto. Aparecem juízos que oscilam entre a conservação de 3 maneiras principais: 90 – para mesma transformação julga a criança alternadamente que os pesos são iguais e diferentes. “A salsicha pesa mais. Não! A bola que pesa mais. Não! As 2 pesam o mesmo tanto”. – alternam os juízos de conservação e de não conservação nas diversas transformações, por exemplo “julga igual o peso para a panqueca, mas desigual para os pedaços”. – pode aparecer uma alternativa de juízo nas contra argumentações. Aparece uma resposta de conservação quando o experimentador insiste na diferença de formas. As justificativas dadas para um juízo de conservação são em geral, pouco explícitas e incompletas. Neste nível o problema de retorno empírico é resolvido corretamente. Resposta de nível 3 – conservador, a partir dos 8-9 anos. Condutas próprias de um nível operatório concreto. Em cada uma das transformações a igualdade de peso é considerada. A criança é capaz de dar uma ou várias das seguintes explicações: Argumento de identidade – “é o mesmo peso porque não se tirou nem se colocou nada”. Argumento de reversibilidade – “isso pesa sempre o mesmo porque se voltar a fazer a bola terá o mesmo peso”. Argumento de compensação – “esta panqueca é grande, mas é comprida que a bola, então o peso é o mesmo”. 7.3.10 Prova de conservação de volume Adquire-se logo após a conservação de peso, aproximadamente aos 11-12 anos, dentro do período das operações concretas. Consiste em reconhecer que o espaço ocupado por uma determinada quantidade de substância não varia qualquer que seja a forma que se dê a substância. 91 Materiais: 2 copos iguais (transparentes, sem desenhos nem pés) 2 massas de modelar com cores diferentes 1 garrafinha com água Aplicação: Os copos iguais devem ser preenchidos igualmente com a água da garrafinha, aproximadamente ¾ do copo. Pedir que o entrevistado faça duas bolas do mesmo tamanho. Iniciar os questionamentos: 1- Se eu colocar esta bola dentro deste copo, o que você acha que vai acontecer com o nível da água? Por que você acha isso? Se o entrevistado disser que vai baixar ouficar igual, colocar a bola na água num dos copos e comparar o nível da água com o outro copo. 2- E se colocarmos a outra bola neste outro copo? O que vai acontecer? Por que isto acontece? Você pode me explicar? Deixar uma das bolas dentro de um dos copos e iniciar as transformações: Vou transformar essa bola em uma salsicha. 3- Se eu colocar essa salsicha dentro do copo, você acha que a água vai subir o mesmo que neste copo (1º copo)? Ou subirá mais? Ou menos? Como você sabe? Pode me explicar? Como você faz pra saber? 4- Se o entrevistado der a resposta correta, fazer uma contra argumentação: “a salsicha é mais comprida do que a bola, você não acha que a água deveria subir menos? Outra criança me disse… 5- Agora vamos transformar essa salsicha numa panqueca. Fazem-se as mesmas perguntas. 92 Agora, transformar a panqueca em mais ou menos 10 bolinhas e se procede da mesma maneira. Avaliação Resposta de nível 1 – ausência de conservação de volume, até 8-9 anos. Para cada uma das transformações, a criança julga que outra modificação da forma fará subir mais este nível de água (ou que ocupará mais lugar). Por exemplo “a salsicha fará subir mais a água porque é mais comprida”. Frente às contra argumentações do experimentador, que chama a atenção da criança sobre a dimensão que não observou, a criança mantém o juízo, ou julga então que o outro termo de comparação fará subir mais a água. O problema de retorno empírico, a inversibilidade, pode ser resolvido corretamente. Resposta de nível 2 – em transição, depois dos 9 e antes dos 10 anos. Aparecem juízos que oscilam entre a conservação e não conservação de três maneiras principais: – a criança acredita que numa mesma transformação, alternadamente, o volume (nível d’água ou lugar que ocupa a massa) é igual e diferente: “a salsicha fará subir mais a água. Não” a bola que faz subir mais, ou… as duas fazem subir igual”. – se alternam os dois juízos, de conservação e não conservação nas diversas transformações, por exemplo “julga que subirá igual para a panqueca, mas desigual para os pedacinhos”. – nas contra argumentações, aparece uma resposta de conservação, quando o experimentador insiste na diferença da forma, ou volta a não conservação quando o experimentador assinala a desigualdade das mesmas em relação ao espaço que deveriam ocupar. As justificativas dadas para um juízo de conservação são em geral pouco explícitas e incompletas. Resposta de nível 3 – conservador, a partir dos 11-12 anos. Para cada uma das transformações, o volume é julgado igual. A criança é capaz de dar uma ou várias das seguintes explicações: Argumento de identidade – “subirá o mesmo porque não se colocou nem se tirou nada”. Argumento de reversibilidade – “subirá o mesmo porque se voltar a fazer uma bola subirá como este (copo de teste)”. Argumento de compensação – “aqui (pedacinhos) parecia que teria que subir mais, mas são muitos, mas são pequenos, então fará subir o mesmo”. 7.3.11 Prova de conservação de comprimento Ver se o sujeito infantil é capaz de calcular longitudes. 93 Materiais: 1 barbante de aproximadamente 10 cm 1 barbante de aproximadamente 15 cm Obs.: geralmente se indicam fios elétricos. Outro material que responde muito bem são correntes finas. Aplicação: O entrevistador mostra o material disposto paralelamente uns 8 cm de distância e questiona: 1- Neste caminho (A) há mais quantidade para caminhar que neste (B)? Por quê? 2- Este caminho (A) é do mesmo comprimento que este (B)? Por quê? O entrevistador faz a primeira transformação do caminho(A) para que as pontas não coincidam com (B). 3- E agora? Há mais quantidade pra caminhar sobre esse caminho (A) do que no (B)? Como você sabe? Pode me explicar? Se a resposta for positiva, se contra argumenta dizendo que as pontas não se encontram. Se a resposta for negativa, relembram-se as dimensões iniciais iguais. Avaliação Resposta de nível 1 – não conservador, até os 6 e 7 anos. Nas duas situações de deformação, não há conservação de comprimento. Na primeira situação de coincidência dos extremos, julga-se que os comprimentos são iguais e na segunda situação de defasagem, o barbante cujo extremo está mais afastado é que se considera mais curto. Recordar o comprimento na disposição inicial não modifica em nada o juízo da criança. Resposta de nível 2 – condutas intermediárias, entre 6-7 anos, porém antes dos 8 anos. Um primeiro nível de conduta intermediária consiste em que o juízo seja correto na primeira situação, mas é incorreto na segunda. Em que nível superior aparece alguns juízos de conservação na segunda situação, mas são instáveis e alteram com 94 respostas não conservadoras. As justificativas das respostas conservadoras são pouco explicitas e incompletas. Resposta de nível 3 – conservador, a partir dos 8 anos. O comprimento é conservado em cada uma das situações e os juízos são acompanhados de uma ou várias das justificativas seguintes (argumentos): – Argumento de identidade: “é o mesmo caminho para caminhar, o que acontece é que você dobrou o barbante”; – Argumento de reversibilidade: “se colocarmos o caminho todo esticado como antes, fica mais longo que o outro, e agora, mesmo terminando aqui, continua sendo igual, mais longo”; – Argumento de compensação: “este caminho (a) é mais longo, o que acontece e é que termina antes porque tem muitas curvas”. Existem outras provas que você pode encontrar no livro: O Diagnóstico Operatório na Prática Psicopedagógica – Jorge Visca. Ed. Pulso. 7.4. Provas operatórias para o pensamento formal Sabemos que cada etapa do pensamento possui uma estrutura que lhe é própria e que caracteriza as operações cognitivas dos distintos estados. Cada estrutura prolonga e precede, reconstruindo-a antes de tudo em um novo plano para ultrapassá-la cada vez mais. O pensamento formal reestrutura as operações concretas, subordinando-as a novas estruturas, cujo desdobramento se prolongará, como disse Piaget, durante a adolescência e toda a vida posterior. É precisamente essa integração de estruturas sucessivas, cada uma das quais levando à construção da seguinte, que nos permite dividir o desenvolvimento em grandes etapas ou estados. A estrutura desta etapa, conhecida como “estrutura de conjunto” (a que participa da rede e do grupo) é a que possibilita ao adolescente as operações proporcionais deste estado formal. As operações formais são o ponto mais alto do desenvolvimento intelectual, o estado de equilíbrio final para o qual se move a evolução intelectual desde a infância. O sujeito atinge essa etapa do pensamento a partir dos 13 anos aproximadamente. E é capaz de ir se desprendendo gradualmente do concreto a 95 situar o real em um conjunto de transformações possíveis. Quer dizer, já não necessita dos dados da realidade para raciocinar (situar em classes, classificar, seriar etc.) mas pode manejar com afirmações os enunciados que “contém” esses dados (as proposições). Vale dizer, toma os resultados das operações concretas, as modela em forma de proposições e logo opera com elas, estabelecendo diversos tipos de vínculos lógicos. Isso facilita por sua vez, poder orientar o raciocínio ao possível e ao hipotético. Então o adolescente, diferente da criança do estágio operatório concreto, tratará frente a qualquer problema, de resolver, de prever todas as relações que poderia ter validade a respeito dos dados e logo tentará resolver, mediante uma combinação da experimentação e da análise lógica, qual das relações possíveis tem validade real. Quer dizer, pode isolar, de modo sistemático,todas as variáveis individuais, todas as combinações possíveis destas variáveis. Isto equivale dizer que submeterá as variáveis a uma análise combinatória, único método que lhe assegurará a realização de um inventário exaustivo das possibilidades. A operação combinatória (permutação, ordenamento, etc.) surge da possibilidade de generalizar as operações de classificação e seriação. Piaget, ao referir-se aos esquemas formais (próprios desta etapa), menciona esta possibilidade combinatória com a fórmula: “permanecendo igual a todos os demais” (ou seja, neutralizando a ação de todos os fatores, menos de um) e é precisamente este o esquema que se requer para resolver com êxito as provas de combinações e permutações com fichas que detalharemos na continuação. A criança terá que isolar, nelas, as variáveis, mediante um método sistemático e exaustivo, que logo detalharemos na análise das condutas. Digamos então, que mediante estas duas provas, podemos avaliar de uma maneira muito simples, se a criança opera ainda com uma estrutura própria do pensamento operatório concreto ou pelo contrário, se sua estrutura de pensamento já atingiu o nível das operações formais. As provas que apresentamos foram extraídas dos trabalhos experimentais de Piaget e sua colaboradora Inhelder, publicado na obra: “La gênese de l’iddé de hasard chez l’enfant” (1951). Trata-se de duas provas, uma de combinação (emparelhamento) e outra de permutação, sendo a primeira de um nível menor que a segunda, o que nos indicará de acordo com os resultados se a criança alcançou o primeiro nível do pensamento operatório formal (êxito na primeira prova) ou se já consegue um nível superior deste estado (êxito na segunda prova). A técnica para ambas é similar e consiste em propor a criança ordenamentos diferente de um conjunto de fichas de diversas cores. 7.4.1 Combinação de fichas Avaliar a capacidade de combinar objetos. 96 Materiais: 6 fichas do mesmo tamanho de diferentes cores Aplicação: O experimentador pede ao entrevistado que faça todos os pares, combinações possíveis com seis fichas de diferentes cores. Quer dizer, se trata de achar o total das combinações possíveis, de dois a dois, segundo o que permita o conjunto de seis fichas (total de 30). Deve-se procurar que o sujeito compreenda bem a atividade que está sendo proposta e, no caso de necessidade, pode-se mostrar um par qualquer das combinações possíveis (insinuação). Avaliação Resposta do nível 1 – ausência da capacidade combinatória, até 6-7 anos. Incapacidade para descobrir a possibilidade das combinações. Grosseiras tentativas de ordenamento que, em geral se limitam a serem classificações simples. Resposta de nível 2 – combinações incompletas, entre 7 e 11-12 anos. Utiliza método de aproximação sem generalizações, são condutas próprias de um pensamento operatório concreto. A criança deste nível descobre a possibilidade de combinar as fichas à medida que vai operando sobre elas, mas não pode prever o número total das combinações possíveis (é característico observar o espanto ou alegria quando, ao operar, descobre uma nova combinação que não havia conseguido e nem previsto). Consegue produzir numerosas combinações, mas sem uma ordem estabelecida, por falta de estratégia adequada. A falta de um método sistemático não permite fazer aparecer todas as combinações possíveis (e se consegue por causalidade, não possui a segurança de haver esgotado as possibilidades). Resposta de nível 3 – combinações sistemáticas completas, a partir dos 12 anos. Êxito na operação combinatória mediante um sistema completo e metódico são condutas próprias de um pensamento operatório formal em sua etapa inicial. A criança deste nível: – concebe de antemão (antecipa) a possibilidade combinatória antes da experimentação (como proposições destinadas à prova empírica). – possui uma técnica para gerar todas as combinações possíveis com as fichas. Trata-se de um método exaustivo e ordenado de trabalho (facilmente observado), que consiste em eleger uma das fichas e colocar ao lado outra, logo retirando a última e colocando uma terceira e assim sucessivamente até esgotá-las. Então elege uma segunda ficha e coloca em relação a todas as demais, operação que continua até finalizar as combinações. 7.4.2 Permutação de fichas 97 Um nível mais complexo do que as combinações de fichas. Materiais: 4 fichas de cores diferentes Obs.: se quiser pode-se usar conjuntos com mais de 4 elementos. Quanto maior o número de fichas, maior o grau de dificuldade para realizar as permutações. Aplicação: Pede-se ao sujeito que construa todas as permutações possíveis (mudanças de ordem) “Você deve procurar fazer todas as combinações que possíveis, com essas fichas, para isso deverá ir combinando sua ordem de colocação para poder formar todos os grupos (conjuntos) possíveis”, ou “gostaria que me mostrasse todas as combinações que é capaz de formar com estas fichas, deve utilizar todas, arrumando- as em sua ordem”. Procurar que o sujeito compreenda bem a atividade que deve realizar e, no caso de necessidade, pode-se mostrar um par qualquer de permutação possível. Igual a prova anterior, dever-se-á observar o sujeito e anotar seu método de trabalho, como também, a linguagem que utiliza. Avaliação Resposta de nível 1 – ausência da capacidade de permutação, até 9-10 anos. O sujeito é incapaz de descobrir a possibilidade dos ordenamentos, tenta grosseiros ensaios. Resposta de nível 2 – permutações incompletas, entre 10-11 anos. Método de aproximação sem possibilidade de generalização, são condutas próprias de um pensamento operatório concreto e início do pensamento formal. Os sujeitos deste nível usam um método incompleto que, embora seja um pouco ordenado, não consegue senão o previsível. Ensaiam variantes sem um sistema fixo, o qual denota o não estar orientados para a ordem estabelecida, por falta de uma estratégia adequada. Resposta de nível 3 – êxito total nas permutações possíveis, a partir de 12- 13 anos. O sujeito obtém êxito em todas as permutações possíveis, por possuir a capacidade para calcular de um modo sistemático e exaustivo (baseado na lógica das relações), todas as possibilidades de ordenação, segundo as quais se podem agrupar 98 o conjunto de fichas. É óbvio que raras vezes chegam a descobrir a fórmula, o que não é exigido nesta prova. Observa-se na sua maneira de operar que: – prevê as possibilidades de permutações; – evidencia a utilização de um método sistemático, apto para encontrar a solução. Este método consiste, no caso das permutações, em: Pegar uma ficha colorida e associá-la com outra, mantendo essa parelha constante. As outras fichas podem ser colocadas de duas maneiras diferentes para completar o conjunto de quatro. Manter constante a primeira ficha para associá-la com outra, podendo obter duas novas permutações com as fichas restantes. Continuar assim, buscando todos os pares possíveis de duas cores e conseguir, finalmente construir o conjunto de permutações das 4 fichas. Exemplo denominamos as 4 fichas como sendo A B C D, se formarmos o par AB, as fichas CD podem dar lugar a duas permutações distintas se mudarmos a ordem. AB/CD e AB/DC. Agora podemos pensar em manter constante a ficha A e associá-la com outra cor, por exemplo C. Nesse caso, as fichas que podem formar, como antes, dois arranjos: AC/BD e AC/DB. Se continuarmos desta maneira, buscando todos os pares possíveis de cores, podemos chegar a construir o conjunto de permutações possíveis das 4 fichas (1 x 2 x 3 x 4 = 24). Existem outros métodos sistemáticos de ordenamento. Por exemplo: podemos manter constante a primeirae esgotar o número possível de combinações com as outras três etc. Existem outras provas do Pensamento Formal que você pode encontrar no livro: O Diagnóstico Operatório na Prática Psicopedagógica – Parte II – Pré Adolescentes, Adolescentes e Adultos. Jorge Visca e Silvia Schumacher. Ed. Pulso. Prova de Conservação do açúcar Identificação de Fatores Prova do pêndulo Combinação de Líquidos Balança Ilhas Flutuação dos corpos Classificação Universal 99 Reversibilidade: Conforme Brasil (2006, p. 38) apud Condemarin (1989), a reversibilidade “implica na capacidade de regressar ao ponto de partida, quer seja pela ‘negação’, ‘inversão’ ou pela ‘reciprocidade’”. Desde a fase das operações concretas, as noções de “fazer” e “desfazer” caminham juntas no montar e desmontar dos jogos, pois, por exemplo, essas ações são comuns. Na construção do conhecimento matemático esta é uma habilidade fundamental, ou seja: para cada operação matemática, define-se a operação inversa. Assim como operações opostas: adição e subtração, multiplicação e divisão, dentre outras. 100 7.5 Prova de aritmética Aritmética – Estudo das propriedades dos números e das operações que podem ser realizadas com eles. A Prova de Aritmética avalia distintos aspectos da competência aritmética, incluindo escrita por extenso e números apresentados algebricamente, escrita da forma algébrica de números pronunciados pelo aplicador, escrita de sequências numéricas crescente e decrescentes, comparação de grandeza numérica, cálculo de operações apresentadas por escrito e oralmente, e resolução de problemas matemáticos. A Prova de Aritmética pode ser aplicada em crianças de 6 a 11 anos. Professores, psicopedagogos, neuropsicólogos, fonoaudiólogos, psicólogos e profissionais afins da área da educação e saúde podem fazer uso deste instrumento, que avalia as habilidades aritméticas, no contexto clinico ou escolar. O caderno para aplicação da Prova de Aritmética (SEABRA, 2103) pode ser adquirido em www.memnon.combr. 7.5.1 TDE – Teste Do Desempenho Escolar – Casa do Psicólogo, 1994 Avaliação das capacidades fundamentais para o desempenho escolar, mais especificamente da escrita, aritmética e leitura. Indica de uma maneira abrangente, quais as áreas da aprendizagem escolar que estão preservadas ou prejudicadas no examinando. A faixa etária abrange a avaliação de escolares de 1ª a 6ª séries do Ensino Fundamental, ainda que possa ser utilizado com algumas reservas, para a 7ª e 8ª séries. 7.5.2 Coruja PROMAT – Casa do Psicólogo, 2016 Sondagem das habilidades matemáticas nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano. Seu objetivo é verificar se as competências numéricas básicas foram adquiridas e, em caso de defasagem na aquisição dessas competências, indicar a(s) área(s) de concentração das dificuldades. A partir da aplicação do roteiro, podemos identificar com maior exatidão áreas prioritárias para a intervenção especializada. Para crianças do 1º ao 5º ano do ensino fundamental (6 a 13 anos). CORUJA ESPECIALISTA – Casa do Psicólogo, 2016 Avaliação adaptativa digital de competências acadêmicas e de habilidades de aprendizagem para crianças do primeiro ao terceiro ano do Ensino Fundamental. 101 Os resultados da avaliação podem ser visualizados em um relatório personalizado que indica o nível de desempenho que a criança obteve em cada um dos eixos das três áreas investigadas: Língua Portuguesa, Matemática e Habilidades de Aprendizagem. Língua Portuguesa: Leitura e compreensão de textos; Escuta de sons da língua portuguesa; Apropriação do sistema de escrita alfabética; Produção de texto escrito. Matemática: Números; Operações; Espaço e Forma; Grandezas, medidas e tratamento da informação. Habilidades de Aprendizagem: Processamento da informação; Memória de trabalho; Linguagem: vocabulário e compreensão; linguagem: cognição social. Faixa etária do público final: crianças cursando o ciclo de alfabetização do Ensino Fundamental (1º ao 3º ano). 7.5.3 Protocolo de Avaliação de Habilidades Cognitivo-Linguísticas – Capellini, 2012 Avaliar diferentes aspectos do processamento cognitivo-linguístico de crianças em fase de alfabetização, auxiliando na identificação de crianças com desempenho abaixo do esperado em leitura. O Protocolo é composto pelas habilidades de escrita, aritmética, processamento auditivo e visual e velocidade de processamento. PROVINHA BRASIL A Provinha Brasil, é uma avaliação diagnóstica, pedagógica, que visa investigar as habilidades desenvolvidas pelas crianças matriculadas no 2º ano do ensino fundamental das escolas públicas brasileiras, acontece duas vezes no decorrer do ano e é destinada a crianças de escola pública, onde a adesão a esta prova é opcional a cada secretaria. Composta pelos testes de Língua Portuguesa e de Matemática, a Provinha Brasil permite aos professores e gestores obter mais informações que auxiliem o monitoramento e a avaliação dos processos de desenvolvimento da alfabetização e do letramento inicial e das habilidades iniciais em matemática, oferecidos nas escolas públicas brasileiras, mais especificamente, a aquisição de habilidades de Leitura e de Matemática. Com o resultado da correção em mãos, é possível identificar qual o nível de alfabetização e o nível de matemática em que os alunos se encontram. Provinha Brasil – http://portal.inep.gov.br/provinha-brasil 102 SAEB – Sistema de Avaliação da Educação Básica Disponível em: https://www.somospar.com.br/saeb/ O SAEB – Sistema de Avaliação da Educação Básica é um sistema composto por três avaliações externas, que são aplicadas em larga escala e que tem como principal objetivo diagnosticar a Educação Básica do Brasil. Ou seja, ele avalia a educação nacional em suas diversas esferas. O resultado dessas avaliações é usado para calcular o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que também considera os dados de fluxo escolar fornecidos pelo Censo Escolar e consiste, portanto, em um indicador da qualidade do ensino oferecido nas escolas de todo o país. O índice é divulgado a cada dois anos. Por meio desse indicador, as escolas e/ou sistemas podem formular ou reformular seus projetos políticos pedagógicos, visando à melhoria da qualidade, equidade e eficiência do ensino. A partir de 2017, passaram a fazer as avaliações do Saeb todas as escolas públicas (aplicação obrigatória) e privadas (adesão voluntária), de zonas urbanas e rurais, e com pelo menos dez estudantes matriculados em turmas regulares no 3º ano do Ensino Médio. Em 2018, foram anunciadas outras mudanças significativas quanto às aplicações, público, entre outros. Desde 1990, várias mudanças aconteceram no Saeb. Naquele ano, o público- alvo do sistema eram a 1ª, 3ª, 5ª e 7ª séries do Ensino Fundamental de escolas públicas selecionadas por amostragem. As áreas do conhecimento e disciplinas avaliadas eram Língua Portuguesa, Matemática, Redação e Ciências Naturais. Durante muitos anos de aplicação o Saeb avaliou somente as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. No entanto, mudanças em relação às áreas do conhecimento entraram em vigor, com sua aplicação a partir de 2019. Serão avaliadas, também, as áreas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza, de acordo com as competências e habilidades previstas pela BNCC. Atualmente o SAEB avalia a Educação Infantil, além do Ensino Fundamental e Médio que já eram avaliados. As turmas que devem prestar o exame são: creche e pré-escola da Educação Infantil; 2º, 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio.103 Mudanças no Saeb a partir de 2019 No mês de junho de 2018, o MEC anunciou algumas mudanças para o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), sendo elas: A Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (ANRESC, ou Prova Brasil) e a Avaliação Nacional da Educação Básica (ANEB) perdem as nomenclaturas e serão agrupadas sob o mesmo nome: Saeb, acompanhado da etapa correspondente; A Educação Infantil será incluída no sistema de avaliação, mas os questionários serão respondidos pelos professores; As provas que antes tinham datas diferentes de aplicação, passarão a ser nos anos ímpares, enquanto os resultados nos anos pares; Alunos a partir do 9º ano do Ensino Fundamental passarão a fazer provas também de Ciências da Natureza e Ciências Humanas, mas o Ideb não irá considerar esses resultados para continuar com a série histórica, já que nos anos anteriores tais áreas não foram contempladas; A avaliação da alfabetização será antecipada para o 2º ano, que antes era no 3º ano do Ensino Fundamental, visto que a BNCC prevê o fim do ciclo no 2º ano; Criação de matrizes de avaliação para as novas áreas e segmentos que serão avaliados; As provas irão contemplar as competências e habilidades previstas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Já as provas para o Ensino Médio ainda não serão afetadas, visto que a Base ainda está em processo de discussão; Todas as escolas particulares irão receber resultados individuais por instituição; O MEC irá testar os exames em formato digital e maneiras de aferir competências socioemocionais. Veja a tabela comparativa dos anos anteriores: 104 Disponível em: https://www.somospar.com.br/saeb/ 7.6 Discalculia e acalculia A Discalculia é um transtorno específico da habilidade em matemática. De acordo com Belleboni (apud GARCIA, 1998), a discalculia é uma dificuldade de aprendizagem evolutiva, que não causa lesão, não é causada por nenhuma deficiência mental, déficits auditivos e nem pela má escolarização. Segundo a Academia Americana de Psiquiatria, (BASTOS, 2006, p. 202 apud NEWRA ROTTA), a discalculia do desenvolvimento é uma dificuldade em aprender matemática, com falhas para adquirir proficiência adequada neste domínio cognitivo, a despeito de inteligência normal, oportunidade escolar, estabilidade emocional e motivação necessária. A discalculia apresenta-se como uma imaturidade das funções neurológicas ou uma disfunção sem lesão (BOMBONATTO, 2006). Segundo Ciasca (2003), essas dificuldades relacionadas ao aprender são muito mais frequentes em meninos do que em meninas, na proporção de 6 por 1. A explicação é que nos meninos existem menos microgiros no cérebro do que nas meninas, receberiam dos pais a dificuldade em aprender e em virtude de maiores habilidades demonstradas pelas meninas em provas neuropsicológicas relacionadas à coordenação motora, nas provas de ordem verbal e nas características de aquisição da linguagem. 105 7.6.1 Discalculia é dificuldade ou transtorno de aprendizagem? De acordo com o DSM-IV (2002, p. 44), transtornos da aprendizagem são diagnosticados quando os resultados do indivíduo em testes padronizados e individualmente administrados de leitura, matemática ou expressão escrita estão substancialmente abaixo do esperado para sua idade, escolarização e nível de inteligência. Fragoso Neto (2007) comenta que para ser considerado um transtorno, a dificuldade de aprendizagem deve estar presente desde o início da vida escolar, não sendo adquirida ao longo da escolarização e, em consequência de falta de oportunidades de aprender, interrupções na escolarização, traumatismo ou doença cerebral. Para se avaliar o Transtorno Especifico da Aprendizagem – p. 66), de acordo com o DSM V é preciso seguir os seguintes critérios diagnósticos: Critérios diagnósticos A. Dificuldades na aprendizagem e no uso de habilidades acadêmicas, conforme indicado pela presença de ao menos um dos sintomas a seguir que tenha persistido por pelo menos 6 meses, apesar da provisão de intervenções dirigidas a essas dificuldades: 1. Leitura de palavras de forma imprecisa ou lenta e com esforço (por exemplo, lê palavras isoladas em voz alta, de forma incorreta ou lenta e hesitante, frequentemente adivinha palavras, tem dificuldade de soletrá-las). 2. Dificuldade para compreender o sentido do que é lido (por exemplo, pode ler o texto com precisão, mas não compreende a sequência, as relações, as inferências ou os sentidos mais profundos do que é lido). 3. Dificuldades para ortografar (ou escrever ortograficamente) (por exemplo, pode adicionar, omitir ou substituir vogais e consoantes). 4. Dificuldades com a expressão escrita (por exemplo, comete múltiplos erros de gramática ou pontuação nas frases; emprega organização inadequada de parágrafos; expressão escrita das ideias sem clareza). 5. Dificuldades para dominar o senso numérico, fatos numéricos ou cálculo (por exemplo, entende números, sua magnitude e relações de forma insatisfatória; conta com os dedos para adicionar números de um dígito em vez de lembrar o fato aritmético, como fazem os colegas; perde-se no meio de cálculos aritméticos e pode trocar as operações). 6. Dificuldades no raciocínio (por exemplo, tem grave dificuldade em aplicar conceitos, fatos ou operações matemáticas para solucionar problemas quantitativos). B. As habilidades acadêmicas afetadas estão substancial e quantitativamente abaixo do esperado para a idade cronológica do indivíduo, causando interferência significativa no desempenho acadêmico ou profissional ou nas atividades cotidianas, confirmada por meio de medidas de desempenho padronizadas administradas individualmente e por avaliação clínica abrangente. Para indivíduos com 17 anos ou mais, 106 história documentada das dificuldades de aprendizagem com prejuízo pode ser substituída por uma avaliação padronizada. C. As dificuldades de aprendizagem iniciam-se durante os anos escolares, mas podem não se manifestar completamente até que as exigências pelas habilidades acadêmicas afetadas excedam as capacidades limitadas do indivíduo (por exemplo, em testes cronometrados, em leitura ou escrita de textos complexos longos e com prazo curto, em alta sobrecarga de exigências acadêmicas). D. As dificuldades de aprendizagem não podem ser explicadas por deficiências intelectuais, acuidade visual ou auditiva não corrigida, outros transtornos mentais ou neurológicos, adversidade psicossocial, falta de proficiência na língua de instrução acadêmica ou instrução educacional inadequada. Nota: Os quatro critérios diagnósticos devem ser preenchidos com base em uma síntese clínica da história do indivíduo (do desenvolvimento, médica, familiar, educacional), em relatórios escolares e em avaliação psicoeducacional. Nota para codificação: Especificar todos os domínios e sub-habilidades acadêmicos prejudicados. Quando mais de um domínio estiver prejudicado, cada um deve ser codificado individualmente conforme os especificadores a seguir. Especificar se: 315.00 (F81.0) Com prejuízo na leitura: Precisão na leitura de palavras Velocidade ou fluência da leitura Compreensão da leitura Nota: Dislexia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades de aprendizagem caracterizado por problemas no reconhecimento preciso ou fluente de palavras, problemas de decodificação e dificuldades de ortografia. Se o termo dislexia for usado para especificar esse padrão particular de dificuldades, é importante também especificar quaisquer dificuldades adicionais que estejam presentes, tais como dificuldades na compreensão da leitura ou no raciocínio matemático.315.2 (F81.81) Com prejuízo na expressão escrita: Precisão na ortografia Precisão na gramática e na pontuação Clareza ou organização da expressão escrita 315.1 (F81.2) Com prejuízo na matemática: Senso numérico Memorização de fatos aritméticos Precisão ou fluência de cálculo Precisão no raciocínio matemático 107 Nota: Discalculia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades caracterizado por problemas no processamento de informações numéricas, aprendizagem de fatos aritméticos e realização de cálculos precisos ou fluentes. Se o termo discalculia for usado para especificar esse padrão particular de dificuldades matemáticas, é importante também especificar quaisquer dificuldades adicionais que estejam presentes, tais como dificuldades no raciocínio matemático ou na precisão na leitura de palavras. Especificar a gravidade atual: Leve: Alguma dificuldade em aprender habilidades em um ou dois domínios acadêmicos, mas com gravidade suficientemente leve que permita ao indivíduo ser capaz de compensar ou funcionar bem quando lhe são propiciados adaptações ou serviços de apoio adequados, especialmente durante os anos escolares. Moderada: Dificuldades acentuadas em aprender habilidades em um ou mais domínios acadêmicos, de modo que é improvável que o indivíduo se torne proficiente sem alguns intervalos de ensino intensivo e especializado durante os anos escolares. Algumas adaptações ou serviços de apoio por pelo menos parte do dia na escola, no trabalho ou em casa podem ser necessários para completar as atividades de forma precisa e eficiente. Grave: Dificuldades graves em aprender habilidades afetando vários domínios acadêmicos, de modo que é improvável que o indivíduo aprenda essas habilidades sem um ensino individualizado e especializado contínuo durante a maior parte dos anos escolares. Mesmo com um conjunto de adaptações ou serviços de apoio adequados em casa, na escola ou no trabalho, o indivíduo pode não ser capaz de completar todas as atividades de forma eficiente. A discalculia dificulta a compreensão e realização das operações matemáticas. Os estudos de neuroimagem mostraram consistentemente a estreita relação entre a discalculia e certas áreas do cérebro. Algumas das áreas cerebrais mais afetadas pela discalculia são: Sulco intraparietal: Estudos recentes mostraram que o sulco intraparietal, especialmente no hemisfério direito, é uma das estruturas cerebrais que mostra anomalias em pessoas com discalculia. Este sulco intraparietal direito é crucial para o processamento correto de informações numéricas. Lobo frontal: O lobo frontal, especialmente a parte dorsolateral pré-frontal, está estreitamente relacionado às funções executivas, como o planejamento ou a memória operacional, ambas necessárias para realizar cálculos e resolver problemas matemáticos. A discalculia também pode causar uma alteração nas habilidades cognitivas relacionadas a esta área do cérebro. Disponível em: https://www.cognifit.com/br/cognitive-assessment/dyscalculia-test As características desta patologia são muito heterogêneas, relacionando-se com problemas neurológicos, espaciais ou de linguagem que levam a criança a apresentar dificuldades na resolução de problemas elementares, como o reconhecimento de números, na contagem sequencial, no sistema numérico simbólico, tabuadas, posicionarem os 108 números em folha de papel, somar, subtrair, multiplicar e dividir, memorizar cálculos e fórmulas, distinguir os símbolos matemáticos, compreender os termos utilizados. Assim sendo, a discalculia é uma inabilidade menos conhecida, bem como e potencialmente relacionada à dislexia e à dispraxia. Este transtorno ocorre em pessoas de qualquer nível de QI, o discalcúlico tem inteligência normal, às vezes, até acima da média, seu problema é unicamente com o conhecimento da matemática. Discalculia (em sua definição mais geral) não é rara. Muitas crianças com dislexia ou dispraxia têm discalculia também, porém a criança pode ser apenas discalcúlica e não necessariamente disléxica também. Há também alguma evidência para sugerir que este tipo de distúrbio é parcialmente hereditário. Existem diversos tipos de discalculia: Discalculia léxica: dificuldade na leitura de símbolos matemáticos; Discalculia verbal: dificuldades em nomear quantidades matemáticas, números, termos e símbolos; Discalculia gráfica: dificuldade na escrita de símbolos matemáticos; Discalculia operacional: dificuldade na execução de operações e cálculos numéricos; Discalculia practognóstica: dificuldade na enumeração, manipulação e comparação de objetos reais ou em imagens; Discalculia ideognóstica: dificuldades nas operações mentais e no entendimento de conceitos matemáticos. Às vezes, a Discalculia também pode ser encontrada em conjunto com a dislexia (dificuldade em ler, escrever e soletrar). No entanto, é preciso lembrar que a discalculia não deve ser confundida com acalculia, que se refere à perda da capacidade de calcular e desenvolver o raciocínio aritmético, causada por danos neurológicos. Existem três tipos de Acalculia: 1- Alexia e agrafia para números, dificuldades para ler e escrever quantidades, comprometimento no hemisfério esquerdo. 2- Acalculia espacial, dificuldade na orientação espacial, impossibilitando a colocação dos números em posições adequadas para executar cálculos, comprometimento no hemisfério direito. 3- Anaritmetia, corresponde a uma acalculia primária e implica na inabilidade em conduzir operações aritméticas, com comprometimento em ambos os hemisférios. Devemos ter muito cuidado ao se fazer um diagnóstico de uma discalculia, se faz de suma importância uma equipe multidisciplinar para isso. A intervenção do professor para ajudar o aluno com discalculia, conforme orientações da Associação Brasileira de Dislexia (ABD)3 apud Silva (2008), são: 3 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA – http://www.dislexia.org.br/ 109 Permitir o uso da calculadora e tabela de tabuada; Adotar o uso do caderno quadriculado; Quanto às provas, devem-se elaborar questões claras e diretas, reduzindo- se ao mínimo o número de questões, sem limite de tempo, aplicando-a de tal sorte que o aluno esteja acompanhado apenas de um tutor para certificar-se se o aluno entendeu o enunciado das questões; Estabelecer critério em que, por vezes, o aluno poderá ser submetido à prova oral, desenvolvendo as expressões mentalmente, ditando para que alguém as transcreva; Moderar na quantidade dos deveres de casa, evitando passar exercícios repetitivos e cumulativos; Incentivar a visualização do problema, com desenhos e depois internamente; Prestar atenção ao processo utilizado pela criança, verificando o tipo de pensamento que ele usa para desenvolver o problema; Ministrar uma aula livre de erros, para esse aluno conhecer o sucesso; Ter em mente que, para o discalcúlico, nada é óbvio, como é para os demais alunos. A ABD recomenda também o trabalho interdisciplinar, o acompanhamento de um psicopedagogo e a valorização as atividades desenvolvidas pelo aluno, bem como estímulo à memória visual por meio de quadros com números, correspondências numéricas, uso de jogos e brincadeiras e o uso de computador, entre outros. Recomenda ainda que o professor evite fazer diferenciação do aluno com essa patologia em relação aos demais e evitar correções constantes na frente dos colegas. A Discalculia não se agrava, o que pode se agravar são os danos como a baixa autoestima, abandono escolar e outros. O sujeito com discalculia pode ter sucesso em sua vida acadêmica e profissional, destacando-se em várias outras áreas.Essas recomendações também são compartilhadas por outras instituições, a saber: Instituto ABCD – Dislexia – Acessado em: 23 fev. 2019. www.institutoabcd.org.br/todos-aprendem Instituto Inclusão Brasil – Dislexia e Matemática – Discalculia – Acesso em: 23 fev. 2019. https://www.institutoinclusaobrasil.com.br/discalculia-dislexia-e-matematica/ Associação Brasileira de Dislexia – Acesso em: 23 fev. 2019. 110 www.dislexia.org.br Há diversas causas que podem implicar certas dificuldades para aquisição das habilidades em matemática, conforme demonstrado pelo esquema abaixo. Fonte: Newra Tellechea Rotta – Transtornos da Aprendizagem, p. 203 Causas de dificuldade em matemática Neurológico Não-neurológico – Fatores escolares – Fatores sociais – Ansiedade para matemática Primária - Acalculia - Discalculia do desenvolvimento Secundária – Deficiência Mental – Epilepsia – Síndrome de Turner – Fenilcetonúria tratada – Portadoras de síndrome do X Frágil – Síndrome fetal alcoólica – Baixo peso – TDAH – Dislexia – Disfasia – Outros 111 Sobre: Procedimentos para Registro … Ver DSM V p. 68; Características Diagnósticas… Ver DSM V p. 69; Características Associadas que Apoiam o Diagnóstico… Ver DSM V p. 70; Prevalência e Desenvolvimento… Ver DSM V p. 71; Fatores de Risco e Prognóstico…Ver DSM p. 72; Questões Diagnósticas Relativas à Cultura… Ver DSM p. 72; Diagnóstico Diferencial… Ver DSM p. 73; Comorbidades… Ver DSM p. 74. 7.6.2 Teste simples de discalculia Disponível em: http://educamais.com/teste-de-discalculia/ Podemos, de maneira informal, realizar um teste simples para diagnosticar a presença de Discalculia em alunos que já se encontram no 5º e 6º ano e apresentam dificuldades acentuadas na matemática. Para isto, podemos dar um questionário com perguntas de resposta direta (sim e não) e somamos os pontos. Se a pontuação geral for de 16 pontos ou mais, podemos passar a uma investigação mais detalhada e buscar um diagnóstico interdisciplinar. Peça para o aluno que responda as seguintes perguntas: 1. Às vezes, ao copiar os números do quadro, escrevo na ordem errada? 2. Ao usar o telefone móvel ou de casa, escrevo os números de maneira errada e não consigo lembrar os números mesmo quando o uso regularmente? 3. Somar e subtrair são operações difíceis para mim? 4. Não consigo compreender frações? 5. Não compreendo o significado de números pares e ímpares? 6. Quando alguém fala em números pares e ímpares, tenho que pensar muito para identificar cada um? 7. Nunca poderei trabalhar em uma loja, pois tenho dificuldades com o troco? 112 8. Confundo-me sempre com relógios analógicos? 9. Nunca consigo subtrair números grandes? 10. Não consigo entender a tabuada? 11. Não consigo identificar os símbolos matemáticos (- ou +), não sei o seu nome e o que eles significam? 12. Todos da minha turma sabem raiz quadrada, mas, na realidade, eu não sei? 13. Acho difícil copiar um conjunto de números do quadro para o caderno? 14. Mesmo quando uso a calculadora, o resultado não dá certo? 15. Quando tenho que resolver um problema não consigo terminar? 16. Às vezes, esqueço o nome das figuras geométricas como círculo e triângulo? 17. Quando resolve um exercício matemático, a folha fica sempre bagunçada? 18. Às vezes, sei a resposta do problema, mas não sei como eu cheguei lá? 19. Fico confuso com números elevados como 1000 e 9999 e não consigo identificar o mais elevado? 20. Quando viajo, não percebo o valor do dinheiro em outros países? 21. Não compreendo porcentagens? 22. Não tenho ideia de como resolver um problema tipo: se um homem demora cinco minutos para percorrer 10 km, quanto tempo leva para percorrer 12 km, mesmo que os outros da minha turma consigam? 23. A matemática me assusta e não entendo como funciona? 24. Se tiver que responder uma pergunta relacionada com números, fico ansioso e não lido bem? 7.6.3 Avaliação de discalculia online (CAB-DC) Avaliação neuropsicológica inovadora de discalculia, que permite realizar uma avaliação cognitiva completa e analisar o índice de risco de sofrer este transtorno de aprendizagem. Disponível em: https://www.cognifit.com/br/cognitive-assessment/dyscalculia-test Somente quem domina a teoria que está por detrás dos instrumentos de pesquisa poderá compreender que qualquer material pode ser utilizado, que o importante são os conceitos que construímos. Carlberg, 2012, p. 64 113 Estes são os livros que não podem faltar jamais à biblioteca de um Psicopedagogo como fonte permanente de consultas e estudos para aprofundamento. CAMPOS, A. M. A. Discalculia: superando as dificuldades em aprender matemática. Rio de Janeiro: WAK Editora, 2015. CARLBERG, S. Psicopedagogia: uma matriz de pensamento diagnóstico no âmbito clínico. Curitiba: Ed. IBPEX, 2012. ROTTA, N. T. Transtornos da Aprendizagem: abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006. SAMPAIO, S. Dificuldade de aprendizagem: a psicopedagogia na relação sujeito, família e escola. 3ª ed. Rio de Janeiro: Editora Wak. 2011. ______. Manual prático do diagnóstico psicopedagógico clínico. 5ª ed. Rio de Janeiro: Editora Wak . 2014. ______. Transtornos e dificuldades de aprendizagem: entendendo melhor os alunos com necessidades educativas especiais. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora Wak, 2014. SEABRA. A. G.; MARTINS, N.; CAPOVILLA, F. C. Avaliação Neuropsicológica cognitiva: leitura, escrita e aritmética. Volume 3. São Paulo: Memnon, 2013. VISCA, J. O diagnóstico operatório na prática psicopedagógica. Parte 1. São José dos Campos: Pulso Editorial, 2008. ______. Psicopedagogia: novas contribuições. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1991. Chegamos ao final de mais uma unidade. Aqui você estudou sobre a avaliação da Matemática. Em primeiro lugar, revimos os conceitos sobre as fases do desenvolvimento, segundo Piaget, e o papel do professor e do Psicopedagogo no processo de avaliação, lembrando que, em uma instituição de ensino, o psicopedagogo tem o papel de analisar os fatores da boa aprendizagem, que podem favorecer, intervir ou prejudicar o desempenho escolar. O psicopedagogo institucional, como um profissional qualificado, está apto a trabalhar na área da educação, dando assistência aos professores e a outros profissionais da instituição escolar para melhoria das condições do processo ensino-aprendizagem, bem como para prevenção dos problemas de aprendizagem. Foram apresentados os principais instrumentos de avaliação e também falamos sobre a Discalculia, transtorno da matemática. Esperamos que você tenha aprendido sobre o que esperamos que as crianças aprendam em cada fase do desenvolvimento escolar e que, diante dos obstáculos, você tenha os instrumentos corretos para investigar as possíveis causas das dificuldades de aprendizagem em matemática. 114 Também vimos o que diz o DSM V sobre os Transtornos de Aprendizagem em Matemática e quais os códigos devemos utilizar no caso de uma avaliação. Partimos agora para a última unidade (Materiais Manipulativos, concretos para aprendizagem matemática) a qual nos ajudará a continuar aprendendo e ajudando nossas crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem em matemática. Bom estudo! 115 VIII. MATERIAIS MANIPULATIVOS, CONCRETOS PARA APRENDIZAGEM MATEMÁTICA Em grego, matemática significa “saber pensar”. Pensar é o que nos caracteriza como humanos. Logo, a função da matemática é levar o homem a pensar e não apenas reproduzir. Nosso modeloescolar não tem levado a matemática a cumprir este papel, pois da forma como tradicionalmente tem sido ensinada, o saber pensar separou-se do saber fazer. Os currículos atuais limitam-se a levar os alunos a aprenderem conceitos prontos e a fazerem uso destes a fim de satisfazerem as necessidades sociais, principalmente as voltadas a um mercado de trabalho cuja mão de obra deva ser treinada apenas para executar tarefas. Presenciamos uma dicotomia entre o saber pensar e o saber fazer. O primeiro ficou restrito a um pequeno grupo que o usa para dominar os que aprenderam apenas o saber fazer. Não se aprende matemática aleatoriamente. Seu ensino necessita ser planejado intencionalmente. O momento em que acontece o ponto de partida da aprendizagem de um conceito é que servirá de base para a formação de novos conceitos. Quando essa aprendizagem ocorre envolvendo tanto aspectos intelectuais como afetivos, torna-se possível à criança a construção do pensamento lógico matemático. Desde a pré-escola, através do encontro afetivo entre educando e educador, a aprendizagem matemática deve se dar através da linguagem afetivo-emocional, pois essa se constitui pré-requisito para a continuidade do processo educativo. Posteriormente a criança passará a desenvolver a linguagem sensitiva. Essas linguagens vão se compondo lentamente e se expandindo, até que a ação educativa se torne centro articulador. Do interior deste movimento é que a criança desenvolve a área que se refere à linguagem das palavras. É através da linguagem das palavras que se inicia e desenvolve-se a linguagem das quantidades e das formas: linguagem Matemática. As atividades matemáticas devem levar a criança à abstração, a recriar conceitos através da problematização e levantamento de hipóteses. O mais importante não é se a criança erra ou acerta o resultado das atividades, mas se ela trouxe para a discussão suas experiências, se ela se mobilizou, questionou, dando assim linguagem numérica às suas sensações. O importante é que a criança manifeste seu pensamento. O homem inventou a contagem para administrar os movimentos quantitativos necessários à sua vida. Primeiramente usou seu próprio corpo (dedos, toques, etc.) e objetos do seu ambiente para contar. Com base nesses instrumentos concretos criou um elemento de racionalidade, de abstração, a correspondência biunívoca. Estes três elementos compõem o primeiro conceito numérico matemático – Numeral – Objeto – antecessor ao senso numérico. O ensino tradicional desconsidera essa criação matemática, limitando-se a ensinar os números de forma repetitiva, levando a criança apenas a decorá-los. 116 A aprendizagem numérica deveria iniciar com o numeral objeto, através de um movimento pedagógico no qual a criança cria o número objeto a partir da problematização de situações relacionadas ao seu dia a dia. Este seria o momento em que a criança deveria aprender pensar numericamente, constituindo-se no principal momento da aprendizagem. Nesta concepção tradicional do ensino da matemática a criança entra em contato com os numerais das mais variadas formas: músicas, histórias, jogos e outras atividades, mas não desenvolve o pensamento numérico. O conceito de número não pode ser transmitido ao aluno. Este tem de ser (re)criado pelo educando através de momentos significativos. Os conceitos não podem ser apresentados magicamente. Não é pela realização de infindáveis exercícios que o educando aprende, mas sim pela oportunidade de pensar sobre estes, recriando seus conceitos. Verificamos deste modo que existe uma contradição pedagógica a ser superada. Não basta dominar a linguagem conceitual, é necessário levar o educando a desenvolver a compreensão da racionalidade. Não é suficiente o aprendizado de cálculos mecânicos, pois estes conduzirão apenas a uma visão análoga da realidade. Toda aprendizagem deve estar voltada ao desenvolvimento da capacidade de pensar, criar e ver o mundo de forma dialética, isto é, ao aprender o conceito matemático é preciso entender e entender-se, pois o homem se constrói humano construindo o conhecimento do mundo. Outro fator que sem dúvida interfere na construção do conhecimento é a relação professor-aluno, pois estes, além de serem sujeitos sociais, são também seres afetivos e a emoção marca profundamente o modo como irão se relacionar com o outro e consigo mesmo, construindo sua própria história e influenciando na construção coletiva da sociedade. Os cálculos sempre fizeram parte do cotidiano do homem. Ao caçar ou pescar, faziam-se marcas em ossos de animais ou em pedaços de madeira, quantificando os resultados. Com a evolução e a organização das comunidades, houve o desenvolvimento da agropecuária, com consequentes “sobras” de produtos, surgindo o comércio. Estes fatores tornaram necessária a criação de métodos de cálculos mais práticos, controlar os rebanhos de ovelhas, contando pedrinhas, já não era suficiente. José Alexandre Bastos Novos conhecimentos sobre o funcionamento cerebral durante o cálculo e o raciocínio matemático e o papel das diversas áreas cerebrais vem sendo cada vez mais estudados. A aritmética é uma habilidade básica do cérebro humano. Os números fazem parte do nosso cotidiano. O sistema cerebral pelos números é comparável às outras áreas cerebrais especializadas, como as responsáveis pelas cores, visão, leitura, escrita, entre outras. Os cálculos matemáticos são ativados nas áreas parietais inferiores e córtex pré-frontal, segundo tomografias, ressonâncias magnéticas e o PET-scan (exame que permite medir a atividade metabólica das lesões, demonstrando assim o grau de atividade delas, podendo mostrar a presença de alterações funcionais antes mesmo das morfológicas). 117 O cálculo é uma função cerebral complexa. Em uma operação aritmética simples, vários mecanismos cognitivos são envolvidos: a) processamento verbal da informação; b) percepção; c) reconhecimento e produção de números; d) representação número/símbolo; e) discriminação visuoespacial; f) memória de curto e longo prazo; g) raciocínio sintático; h) atenção. A intervenção em crianças com dificuldades será bem-sucedida quando noções de números de 0 a 9 (habilidade léxica), a produção de novos números (habilidade sintática), noções de quantidade, ordem, tamanho, espaço, distância, hierarquia, os cálculos com as quatro operações e o raciocínio matemático forem trabalhados como experiências significativas. A criança só irá trabalhar com fatos aritméticos mentalmente quando superar as etapas citadas acima. Para superar as dificuldades de percepção visuoespacial, é preciso trabalhar com a percepção de figuras e de formas, observar detalhes, semelhanças, diferenças e relacionar com as experiências do dia a dia, tais como fotos, imagens, tamanho, largura, espessura, para daí então poder trabalhar com números, letras e figuras geométricas. Disponível em: Newra Tellechea Rotta – Transtornos da Aprendizagem, p. 204 8.1 O lúdico como motivação nas aulas de Matemática As atividades lúdicas (jogos, brincadeiras, brinquedos…) devem ser vivenciadas pelos educadores. É um ingrediente indispensável no relacionamento entre as pessoas, bem como uma possibilidade para que afetividade, prazer, autoconhecimento, cooperação, autonomia, imaginação e criatividade cresçam, permitindo que o outro construa por meio da alegria e do prazer de querer fazer e construir. Quando crianças ou jovens brincam, demonstram prazer e alegria em aprender. Eles têm oportunidade de lidar com suas energias em busca da satisfação de seus desejos. E a curiosidade que os move para participar da brincadeira é, em certo sentido, a mesma que move os cientistas em suas pesquisas. Dessa forma é desejávelbuscar conciliar a alegria da brincadeira com a aprendizagem escolar. Vale salientar que o aspecto afetivo se encontra implícito no próprio ato de jogar, uma vez que o elemento mais importante é o envolvimento do indivíduo que brinca. Ensinar Matemática é desenvolver o raciocínio lógico, estimular o pensamento independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Nós, educadores 118 e psicopedagogos, devemos procurar alternativas para aumentar a motivação para a aprendizagem, desenvolver a autoconfiança, a organização, a concentração, estimulando a socialização e aumentando as interações do indivíduo com outras pessoas. O uso de jogos e curiosidades no ensino da Matemática tem o objetivo de fazer com que os alunos gostem de aprender essa disciplina, mudando a rotina da classe e despertando o interesse do aluno envolvido. A aprendizagem através de jogos, como dominó, quebra-cabeça, palavras cruzadas, memória e outros permitem que o aluno faça da aprendizagem um processo interessante e divertido. Analisando as possibilidades do jogo no ensino da Matemática, percebemos vários momentos em que crianças e jovens, de maneira geral, exercem atividades com jogos em seu dia a dia, fora das salas de aula. Muitos desses jogos se apresentam impregnados de noções matemáticas que são simplesmente vivenciadas durante sua ação no jogo. Os Jogos precisam ser significativos, pois situações abstratas em forma de problemas dificultam a compreensão de quem tenha dificuldades de aprendizagem, se as mesmas situações forem apresentadas em forma de simulação em que seja vivenciada, isso ajudaria em sua compreensão. As etapas devem ser programadas de forma graduada e devem focar o desenvolvimento de noções e habilidades. É necessário conversar com a criança sobre as atividades que serão desenvolvidas, para que ela saiba o que será feito. Os diversos tipos de materiais manipulativos utilizados pelos educadores para ensinar têm sido alvo de discussões em pesquisas e encontros educacionais, possivelmente por proporcionarem um leque de possibilidades pedagógicas em sala de aula. Quando o sujeito passa a tocar o objeto, a manipulá-lo, ele faz a conexão entre o toque e a descoberta de suas propriedades, levantando hipóteses sobre as informações ali apresentadas. Desenvolve o raciocínio quantitativo e o seu pensamento funcional em relação às outras representações. 8.2 Materiais para intervenção psicopedagógica nas dificuldades de aprendizagem, raciocínio lógico e matemática Ábaco aberto e fechado 119 Permite aos alunos compreender as relações existentes entre unidades, dezenas e centenas no sistema de numeração decimal, bem como auxilia na compreensão de técnicas operatórias envolvendo trocas e reservas em operações de adição e subtração. Barras de Cuisenaire Fonte: http://www.utfpr.edu.br/cornelioprocopio/cursos/licenciaturas/Ofertados- neste-Campus/matematica/laboratorios/material-didatico/escala-cuisenaire Cuisenaire é um material simples e auxilia a criança a construir conceitos básicos de Matemática. O material favorece a correspondência entre as estruturas mentais da criança e a relação que ela estabelece com as peças, através das atividades trabalhadas. Pode-se trabalhar sucessão numérica, comparação e inclusão, as quatro operações, o dobro e a metade de uma quantidade e frações. O material Cuisenaire é constituído por uma série de barras de madeira, sem divisão em unidades e com tamanhos variando de uma até dez unidades. Cada tamanho corresponde a uma cor específica. Um pouco de História … Foi criado pelo professor belga Georges Cuisenaire Hottelet (1891-1980) depois de ter observado o desespero de um aluno, numa das suas aulas. Decidiu criar um material que ajudasse no ensino dos conceitos básicos da Matemática. Então cortou algumas réguas de madeira em 10 tamanhos diferentes e pintou cada peça de uma cor tendo assim surgido a Escala de Cuisenaire. Feito originalmente de madeira, o Cuisenaire é constituído por modelos de prismas quadrangulares com alturas múltiplas da do cubo – representante do número 1 – em 10 cores diferentes e 10 alturas proporcionais. 120 http://borboletrascriativas2.blogspot.com/2011/09/barras-de-cuisenaire.html https://www.mundobrink.com/blog/2016/05/voce-sabe-o-que-e-escala-cuisenaire-confira-12- dicas-de-como-utilizar Fichas Sobrepostas Fonte: https://mmpmateriaispedagogicos.com.br/ As fichas sobrepostas têm como objetivo auxiliar a crianças a ler, escrever, comparar e ordenar números naturais pela compreensão das características do Sistema de Numeração Decimal e relacionar um número no Sistema de Numeração Decimal com sua decomposição nas ordens do sistema. Material Dourado Fonte: Arquivo pessoal da autora 121 O Material Dourado, idealizado pela médica e educadora italiana Maria Montessori, destina-se à realização de atividades que auxiliam na aprendizagem do Sistema de Numeração Decimal-posicional e das operações fundamentais. No ensino tradicional, as crianças acabam aprendendo sobre os números a partir de vários treinos, mas sem conseguirem compreender o que fazem. Com o Material Dourado a situação é outra: as relações numéricas abstratas passam a ter uma imagem concreta, facilitando a compreensão. Obtém-se, então, além da compreensão dos números, um notável desenvolvimento do raciocínio e um aprendizado bem mais agradável. O Material Dourado é composto por mil cubinhos em madeira de 1 cm x 1cm (cada cubinho corresponde a uma unidade), cem barras de 10 cm x 1 cm (cada barra corresponde a uma dezena), dez placas de 10 cm x 10 cm (cada placa corresponde a uma centena) e um cubo de 10 cm x 10 cm x 10 cm x 10 cm que corresponde a um milhar. Atividades para se trabalhar com o material dourado em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde /2013/2013_uem_mat_pdp_wilma_licce.pdf http://www.londrina.pr.gov.br/dados/images/stories/Storage/sec_educacao/canal_edu cativo/mat_material_dourado.pdf https://br.pinterest.com/elisanndraef/material-dourado/?lp=true 122 Blocos lógicos Fonte: https://www.estudokids.com.br/aprendendocomosblocoslogicos/ Foi criado, em 1950, por Zoltan Paul Dienes, um matemático húngaro. Esses blocos são auxiliares para o exercício da lógica e do raciocínio abstrato, e ajudam ainda a estimular a análise, o raciocínio e o julgamento. Tem a finalidade também de auxiliar da aprendizagem das crianças na educação infantil, pois permite que a criança desenvolva as primeiras noções de operações lógicas e suas relações como correspondência e classificação, imprescindíveis na formação de conceitos de matemática. O Blocos Lógicos é um conjunto de 48 peças geométricas divididas em atributos distintos: quatro formas geométricas, peças grossas e finas, grandes e pequenas e também tem como atributo três cores. Segundo Piaget, “a aprendizagem na matemática envolve o conhecimento físico e lógico-matemático”. No caso dos blocos, o conhecimento físico acontece quando a criança pega, observa e identifica os atributos de cada peça. O lógico-matemático se dá quando ela usa esses atributos sem ter o material em mãos (raciocínio abstrato). 123 Jogo – Pitagórica – Hergg Brinquedos Fonte: Arquivo pessoal da autora Pitagórica é mais uma formadesafiadora de estarmos lado a lado com a tabuada. A cada rodada somos submetidos à compreensão, da regularidade das operações da multiplicação num jogo de tabuleiro. Muita concentração, raciocínio, lógica e estratégia são predominantes neste material. Neste jogo estão “escondidas” todas as respostas da multiplicação que vão desde 1x1 até 10x10. O objetivo é colocar todas as respostas das multiplicações no tabuleiro. Veja como ficará o tabuleiro no final: De acordo com Úrsula M. Simonns, em seu livro Blocos Lógicos: 150 exercícios para flexibilizar o raciocínio (2007), os docentes utilizam os blocos lógicos de forma insipiente e pouco sabem a respeito das ricas possibilidades de exploração inerentes ao material. O livro traz exatamente o que promete: 150 sugestões de interessantes atividades para serem aplicadas em sala de aula, que são indicadas para crianças pequenas e até para adolescentes e jovens. Uma outra obra que detalha excelentes práticas com blocos lógicos para a educação infantil é Figuras e Formas, da Coleção Matemática de 0 a 6, organizado por Kátia S. Smole e outros autores (2003). Além de descrever várias atividades, o livro indica a partir de qual idade as mesmas são recomendadas. 124 Disponível em: http://estimulandomeusfilhos.blogspot.com/2013/05/matematica-montessori-tabua- de-pitagoras.html http://estimulandomeusfilhos.blogspot.com/2013/05/matematica-montessori-tabua-de- pitagoras.html Queda Blocos Torremática – Hergg Brinquedos 125 Fonte: Arquivo pessoal da autora Lembram-se do Jenga? Jenga é um jogo de habilidade física. Jenga significa construir. Os jogadores se revezam para remover blocos de uma torre, equilibrando-os em cima, criando uma estrutura cada vez maior e mais instável à medida que o jogo progride. Então, com a Torremática as regras são as mesmas, porém tem um diferencial, neste jogo, há desafios matemáticos descritos nas peças, os quais podem ser usados para aumentar ainda mais o desafio da brincadeira. Calculando Seu Lugar – Ludens Spirit Fonte: Arquivo pessoal da autora 126 Calculando seu lugar é uma excelente ferramenta para o cálculo mental! Os jogadores poderão usar as 4 operações matemáticas (adição, subtração, multiplicação e divisão) para tentar obter o resultado desejado e marcá-los no tabuleiro. Cada jogador lança os três dados de uma só vez e com os números que saíram nos dados realizar operações a fim de encontrar o resultado no tabuleiro e marcá-lo. Objetivo: Preencher o máximo de lugares marcados com os resultados da operação que você realizou. De Olho nos Monstros – Neurototem Jogos Inteligentes Fonte: Arquivo pessoal da autora O Objetivo do Jogo é trabalhar quantidades. Quem preencher todo monstro primeiro será o vencedor! Cada criança de posse de um tabuleiro de monstro, deverá lançar um dado e, de acordo com o número, pegar a quantidade de olhos e colocar no tabuleiro. O Jogo desenvolve a coordenação visomotora, além de pré-requisitos básicos para que se tenha boas habilidades em matemática: Saber contar, reconhecer a quantidade tirada no dado, relacionar a quantidade, compreender a correspondência 1 a 1, organização e percepção espacial, além de desenvolver habilidades sociais, atenção, concentração, organização, autorregulação. 127 Bingo na Feira – IDEA Jogos Fonte: Arquivo pessoal da autora Todos sabem jogar Bingo, não é mesmo? Só que o Bingo na feira tem um diferencial! É mais divertido e lúdico. Os números de 1 a 20 devem ser marcados na cartela, de forma aleatória. A cartela está disposta no formato de 6 colunas por 4 linhas, onde cada coluna tem um determinado legume para facilitar a localização dos mesmos, quando sorteados. O sorteio é feito da seguinte forma. Dentro do saco tem os números de 1 a 20 e um dado, onde cada lado do dado tem um legume. Então, se for sorteado o número 12 e o legume berinjela, todos que marcaram o número 12 na berinjela podem riscar ou ainda quem tiver os números que compõe o 12 também podem, por exemplo: 5 + 7 = 12 então podem riscar o 5 e o 7 de uma única vez. Os vencedores são aqueles que completam primeiramente uma linha, uma coluna ou mesmo a cartela toda, de acordo com os combinados feitos anteriormente. 128 Jogo da Memória – Tabuada – Ed. Matrix Como todos já conhecem, o jogo da memória é um clássico jogo formado por peças que apresentam figuras duplicadas. Cada figura se repete em duas peças diferentes. Para começar o jogo, as peças são postas com as figuras voltadas para baixo, para que não possam ser vistas. No jogo clássico, cada participante deve, na sua vez, virar duas peças e deixar que todos as vejam. Caso as figuras sejam iguais, o participante deve recolher consigo esse par e jogar novamente. Se forem peças diferentes, estas devem ser viradas novamente, e sendo passada a vez ao participante seguinte. Porém, a Memória da Tabuada você deve virar a operação e encontrar o resultado. É uma maneira diferente e desafiadora de aprender tabuada. Atenção, concentração, raciocínio e estratégia, serão estimulados e necessários em cada rodada do jogo. Lógico – Hergg Brinquedos 129 É um jogo estimulante que tem o objetivo de montar a sequência de números, desenvolvendo habilidades simples como, reconhecimento, nomeação e ordem dos numerais, percebendo as regularidades dos números em uma tabela de 1 a 100. Lógico estimula a concentração, raciocínio, estratégia e lógica. Troca Troca Jogo da Velha – Hergg Brinquedos Você já ouviu falar no Sudoku? O popular jogo de quebra cabeças japonês Sudoku baseia-se no posicionamento lógico de números. O Sudoku é um dos jogos de quebra-cabeças mais populares de sempre. O objetivo do Sudoku é preencher um quadrante de 9x9 com números para que cada fileira e coluna contenha todos os dígitos entre 1 e 9. Se jogar Sudoku diariamente, irá ver em breve melhorias na sua concentração. O Jogo Troca Troca Jogo da Velha segue a mesma lógica do Sudoku, o manejo dos bastões requer muita atenção para concluir o desafio por suas inúmeras possibilidades de jogadas. As cores não podem se repetir nas fileiras e colunas assim como uma mesma cor não pode estar dentro do próprio quadrante de sua cor. 130 Dominó da Tabuada – Hergg Brinquedos Dominó é o jogo formado com peças retangulares, dotadas normalmente de uma espessura que lhes dá a forma de paralelepípedo, em que uma das faces está marcada por pontos indicando valores numéricos. Cada face retangular de dominó é dividida em duas partes quadradas, ou “pontas”, que são marcadas por um número de pontos de 1 a 6 ou deixadas em branco, para representar o zero. Agora, o Dominó da Tabuada da Hergg é demais, tem como objetivo estimular a operação da multiplicação. Em forma de dominó, e com características de dominó, é uma maneira diferente e desafiadora de aprender tabuada. Atenção, concentração, raciocínio e estratégia, serão estimulados e necessários em cada rodada do jogo. Dominó da Joaninha – IDEA Jogos Mais um jogo de Dominó! Seguindo as mesmas regras como os demais, porém, este jogo também tem um diferencial numa das pontas do dominó. Numa delas terá 131 um número, esse número indicaráa quantidade de pintinhas da joaninha, já na outra ponta, teremos somente as pintinhas, temos que pensar muito qual peça numerada encaixará e corresponderá ao número de pintinhas total. Cubomática – Hergg Brinquedos Cubomática é uma excelente ferramenta na introdução de duas das operações matemáticas fundamentais: adição e subtração. De forma lúdica, compõem características muito interessantes. Os cubos representam os números que podem ser trocados (manipulados), o tabuleiro tem a forma de lousa, réguas indicam o traçar do lápis. Com esta combinação é possível imaginar as mais variadas formas de operações e, aprender matemática será muito divertido. Cubomática estimula habilidade cognitiva, motora, reconhecimento de numerais e fundamento em operações. 132 Mais e Mais números – IDEA Jogos Cinco cachorros e dois ratos. Sete animais. Conte até 10 e escolha o número para marcar essa quantidade. Em Mais e mais números, você vai contar os elementos e identificar o número que os representa. Passe por 3 níveis de dificuldade contando e somando. Como montar um Laboratório de Matemática: Veja em: https://mmpmateriaispedagogicos.com.br/laboratorio-de-matematica/ 133 Origami para ensinar “Ori” quer dizer dobrar e “gami”, papel. Origami é, além disso, uma forma de expressão. Calos Genova diz em seu livro, Origami – Dobras, Contas e Encantos que “Quem manipula o papel abre uma porta para a comunicação com o outro”. A arte milenar consiste na criação de objetos e formas a partir de um pedaço de papel quadrado, sem cortá-lo, onde as faces podem ser de cores diferentes. Fonte: https://www.minutoseguros.com.br/quem-somos/lenda-tsuru A técnica de dobradura advém de um método que requer apenas um material acessível e barato, o papel. Além de dobrar, experimentar e observar, os alunos passam a interagir com os diversos campos da geometria, passam a construir seus conceitos e ideias a respeito de suas propriedades. Aliando a técnica da dobradura à tecnologia, tornamos o método mais eficiente e potencializado na aprendizagem e no conhecimento da matemática para o aluno. http://www.comofazerorigami.com.br/todos-origamis/ 134 Costa (2007) publicou o livro Matemática e Origami – Trabalhando Frações pela Editora Ciência Moderna. Esse livro trata exclusivamente de números racionais representados na forma fracionária, abordando o assunto de diversas maneiras, com várias sugestões de atividades que desenvolvam noções sobre o conteúdo. Segundo a autora, ela desenvolveu esse trabalho por se tratar de “um dos temas mais rejeitados pelos nossos alunos: as frações” (COSTA, 2007 p. 5). Não possui nenhuma referência bibliográfica. Veja mais em: Pequena História sobre o ORIGAMI http://www2.ibb.unesp.br/Museu_Escola/Ensino_Fundamental/Origami/Documentos/i ndice_origami.htm. Acesso em: 21 fev. 2019. As atividades manuais estimulam a criatividade e a atenção ao seguir as instruções passo a passo, ao atender cada comando dado o aluno exercita a escuta, o campo viso motor a percepção espacial e ainda vai construindo o objeto a partir da sua prática, além de desenvolver a sua coordenação motora fina. 135 Tangram Fonte: https://www.smartickmethod.com/blog/math/geometry/geometry-2d-shapes-tangram/ Não se sabe ao certo como surgiu o Tangram, apesar de haver várias lendas sobre sua origem. Uma diz que uma pedra preciosa se desfez em sete pedaços, e com elas era possível formar várias formas, tais como animais, plantas e pessoas. Outra diz que um imperador deixou um espelho quadrado cair, e este se desfez em 7 pedaços que poderiam ser usados para formar várias figuras. Tangram é um quebra-cabeças geométrico chinês formado por 7 peças: são 2 triângulos grandes, 2 pequenos, 1 médio, 1 quadrado e 1 paralelogramo. Utilizando todas essas peças sem sobrepô-las, podemos formar várias figuras. Segundo a Enciclopédia do Tangram é possível montar mais de 5000 figuras. Tem por objetivos divertir as pessoas. Não requer uma grande habilidade ou perícia, apenas paciência, tempo e acima de tudo, imaginação. O Tangram vem sendo utilizado pelos professores de matemática como instrumento facilitador da compreensão das formas geométricas. Além de facilitar o estudo da geometria, ele desenvolve a criatividade e o raciocínio lógico, que também são fundamentais para o estudo da matemática. O aluno que utiliza o Tangram tem a chance de perceber formas geométricas, de representá-las, de construí-las, de nomear objetivos e criar formas a partir delas. O aluno ao utilizar o Tangram, desenvolve sua capacidade de visualização, de percepção espacial, de análise e criatividade. Com isso terá um pensamento mais analítico e dedutivo. Com o uso do Tangram podemos trabalhar a identificação, comparação, descrição, classificação e desenho de formas geométricas planas, visão e aspectos de figuras planas, exploração de transformações geométricas através de decomposição e composição de figuras, abrangência das propriedades das figuras geométricas planas, reprodução e resolução de problemas usando padrões geométricos. 136 Cyberchase: a corrida do espaço Uma série infantil, animada que mostra que as situações difíceis podem ser resolvidas com simples cálculos de matemática. Um desenho cheinho de aprendizagem. Fonte: https://www.tfxbrasil.com/2017/07/cyberchase-desenho-nostalgia.html Cyberchase primeira temporada https://www.youtube.com/playlist?list=PLrLmL772xgPlN2AgSJVS9d6N0Lx3DELKt Cyberchase segunda temporada https://www.youtube.com/playlist?list=PL2H8-Z_mI4Ts73Wcfxjb19O0QJs4wDZkD Cyberchase terceira temporada https://www.youtube.com/playlist?list=PL2H8-Z_mI4TuomCcCSiuT3Hf4Ae99wMMu Livro: Jogos de matemática e de raciocínio lógico Composto por 350 jogos e 104 citações matemáticas, é divertir e entreter, mas não apenas isso. Se você aprecia desafios intelectuais e quer colocar sua inteligência à prova, com certeza desfrutará de bons momentos com este livro, mas, além disso, melhorará sua forma de raciocinar, de analisar, de classificar, de ordenar, de processar informações, de vislumbrar as possíveis alternativas em determinadas 137 situações. Decididamente, estará desenvolvendo seu cérebro, aperfeiçoando suas capacidades intelectuais e enriquecendo sua maneira de pensar – tudo isso enquanto se diverte, aproveita o tempo livre e aprende mais sobre a Matemática. Embora seja possível afirmar que se trata de um livro voltado fundamentalmente para um público entre 14 e 18 anos, há atividades de variados níveis de dificuldade, o que o torna atraente, tanto para crianças ligeiramente mais novas quanto para adultos. Assim sendo, é uma obra que diverte a todos. E mais, é um material muito útil para professores e educadores. Disponível em: https://www.clickbooks.com.br/index.php?route=product/product&product_id=3337 138 REFERÊNCIAS ANTUNES, C. Inteligências múltiplas e seus jogos. (v. 2 – Inteligência cinestésico- corporal) 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2009. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular – Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/>. Acesso em: 20 fev. 2019. ______. Secretaria de Educação Fundamental. 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