Resumo Completo - Aula Fabio Leite
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Resumo Completo - Aula Fabio Leite


DisciplinaDireito Constitucional III1.719 materiais12.557 seguidores
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Primeiramente, todos os votos têm o mesmo valor.
É possível distribuir diferentemente a composição da representação política por unidade da federação, o que não é possível é romper o equilíbrio entre Estados.
O que não se pode abolir, em respeito a organização federativa, é a forma federativa \u2013 há diversas formas de se compreender essa.
A iniciativa popular deve ser compreendida à luz do contexto histórico do processo constituinte, da participação popular intensa nessa. Durante a constituinte, para propor emenda popular eram necessárias 50 mil assinaturas \u2013 foram 122 em um ano (posteriormente, foi removido esse direito).
Hoje, como não há verificação adequada das assinaturas presentes em projeto de iniciativa popular, todas foram subscritas por algum parlamentar, evitando qualquer problema de verificação etc. Foram oito até hoje.
A Constituição fala em referendo e plebiscito \u2013 como o Brasil adotou ambos, há diferença entre esses: plebiscito é consulta prévia sobre ato normativo, referendo é para confirmar ato normativo assim estipulado (de forma excepcional, já que é competência exclusiva do Congresso Nacional).
Fábio defende que seria necessária uma discussão a respeito da convocação de referendo ou plebiscito por iniciativa popular.
Fábio afirma que, pelo princípio do paralelismo das formas, desde que convocou o povo para decidir por plebiscito para a respeito do Estatuto do Desarmamento, não pode mais o Congresso tomar essa decisão sem a consulta.
Direitos políticos incluem a capacidade de votar e ser votado (ativa e passiva, respectivamente).
Existem requisitos, como o alistamento eleitoral, nacionalidade brasileira, idade mínima dos 16 anos, e não ser conscrito (estar prestando serviço militar obrigatório).
O voto é facultativo para os analfabetos (esses não têm capacidade política passiva).
Em resolução (nº. 21.920/2004), o TSE definiu que \u2018não será cobrada multa\u2019 dos deficientes que não forem votar \u2013 o que, na prática torna o voto facultativo, ainda que não use esse termo (antes, em consulta, disse ser facultativo, o que criaria uma nova categoria, não prevista na constituição).
Condições de elegibilidade (art. 14, § 3º)
- nacionalidade brasileira (para alguns cargos, é necessário que seja brasileiro nato \u2013 presidente, todos que estejam na linha sucessória, e carreira diplomática)
- pleno exercício dos direitos políticos
- alistamento eleitoral
- domicílio eleitoral na circunscrição (Fábio diz não concordar com esse problema, a vontade popular sobrestaria a determinação legal)
- filiação partidária
- idade mínima de acordo com o cargo ao qual se candidata.
Direitos políticos negativos (inelegibilidade) \u2013 para se eleger, primeiro deve ter o candidato todos os requisitos para votar.
Inelegibilidade absoluta
- inalistáveis
- analfabetos
A possibilidade de reeleição foi aprovada em 97, sob intensa polêmica \u2013 Fábio acha complicado por ter mudado todo o jogo político e democrático brasileiro, por conta de um único cargo, para o qual havia uma falta de quadros.
O Presidente deve se ausentar do cargo para concorrer para outro (assim como o Governador, Prefeito etc.), mas não se for concorrer à reeleição.
É vedada a dupla reeleição, que inclui vice-presidente, governador etc.
Se o vice sucedeu o presidente, ele só pode se reeleger uma vez (que a próxima, quando concorrerá), pois senão terá reeleições sucessivas de fato.
Não poderia um governador já reeleito candidatar-se a vice, pois ele poderia futuramente suceder.
16/06 \u2013 última aula.
O requisito do domicílio eleitoral é interpretado de forma bem aberta, pois é visto como de menor importância, dando preponderância para a vontade popular.
O TSE tem jurisprudência consolidada que aponta para a análise das situações de inelegibilidade no momento do registro da candidatura \u2013 o candidato precisaria ter a idade necessária ao registrar-se. É essa escolha legal, dentro da discricionariedade do legislador. Lei recente (9.504/97) determina que deve ter o candidato a idade no momento da posse, e Fábio acha mais adequada por ser interpretação mais aberta, dando mais possibilidade para a elegibilidade e vontade popular.
Gilmar Mendes, contudo, acredita ser tal lei inconstitucional, e cita precedentes que desconsideram tal lei (me falta o motivo, mas não deve ser nada sério).
Aqueles que foram conscritos não podem votar, portanto, não podem ser votados: a capacidade eleitoral ativa é pressuposto para capacidade eleitoral passiva.
Os inalistáveis (não podem registrar-se como eleitores) são também inelegíveis, por inelegibilidade absoluta \u2013 assim como os analfabetos, enquanto permanecerem nessa condição.
Inelegibilidade relativa é em relação a determinado cargo ou situação particular.
Porque o presidente precisa se afastar para concorrer a outro cargo, mas não para a reeleição? O único argumento efetivamente empregado é a continuidade de sua administração.
a) motivo funcional: não pode quem exerce determinado cargo ser reeleito por mais de um período, e deve se afastar ao menos seis meses antes para concorrer a outro.
Seria possível ser prefeito por dois mandatos numa cidade e ser prefeito logo depois noutra cidade \u2013 o cargo é outro. Porém, deve se afastar seis meses antes do fim do mandato para concorrer à prefeitura noutra cidade (seria essa a leitura adequada do art. 14, § 6º, CF)
Obs. Substituição \u2013 entrada do vice por impedimento do titular de ocupar o cargo, é temporária; sucessão \u2013 entrada do vice por vacância do cargo, permanente.
Governador reeleito não pode ser vice na eleição seguinte, e nem entrar na linha sucessória novamente, por ter terceiro mandato em potencial.
b) razão de parentesco: § 7º, inelegibilidade reflexa \u2013 são inelegíveis o cônjuge ou parentes consangüíneos ou afins (ver dispositivo) de quem ocupa cargo. Após o primeiro mandato (se ainda seria possível a reeleição), contudo, é considerada reeleição (por ex., rosinha garotinho após garotinho se afastar para disputar a presidência, passou pelo TSE que permitiu a candidatura da Rosinho, como se o segundo mandato do Garotinho fosse).
§ 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
Súmula vinculante 18 \u2013 a dissolução do vínculo da sociedade matrimonial no curso do mandato não afasta a inelegibilidade prevista no art. 14, § 7º da CF.
Para fins do impedimento eleitoral, ex-cônjuge no curso do mandato é considerado como se cônjuge fosse.
A idéia de cônjuge engloba também a idéia de união estável, companheira, concubina etc. (súmula 6 do TSE). Engloba mesmo a união homoafetiva. Houve caso de reforma de decisão do TRE pelo TSE (antes da decisão do STF de reconhecer a união estável, diga-se de passagem), em que companheira de prefeita candidatou-se à sua sucessão, e o TSE reconheceu a aplicação da regra (ainda que o TRE tenha se mantido no não-reconhecimento da união homoafetiva pela CF).
c) militar: o militar inalistável é inelegível (o alistável é qualquer um menos o conscrito). O alistável, porém, se quer concorrer e tem menos de dez anos de serviço, deverá se afastar definitivamente para concorrer, se tem dez ou mais anos de serviço, deverá afastar-se temporariamente para concorrer, e definitivamente se eleito (afastamento definitivo = reserva).
§ 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: 
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; 
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
O STF já teve decisão recente negando que o afastamento do inciso I seja temporário (RE 279.469, 16 de março de 2011), pois o termo correto