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Caso concreto 2 - ADC - gabarito

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CASO CONCRETO 2
	Relevante controvérsia judicial repousa sobre dispositivos da Lei Complementar X, mais especificamente as alíneas C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P e Q, introduzidas no artigo 1º, I, da Lei Complementar Y, os quais estabelecem uma série de inelegibilidades.
	A LC “X” foi editada pelo Congresso Nacional em 2010 e, basicamente, visa tutelar a moralidade administrativa. No entanto, juízes e Tribunais têm julgado a lei inconstitucional, divergindo de outras posições também expressivas, ao argumento de que as hipóteses de inelegibilidade decorrem de rol taxativo, presente na Constituição Federal, de tal modo que a Lei infraconstitucional não está autorizada a regular a matéria.
	O PPD, Partido Político Democrático, devidamente representado no Congresso Nacional, pretende propor a medida judicial capaz de interromper os julgamentos em desfavor da norma, visando obter pronunciamento com efeito vinculante erga omnes para declarar a constitucionalidade de todas as hipóteses de inelegibilidades trazidas pelas mencionadas alíneas.
	Na condição de advogado contratado pelo PPD, redija a peça judicial cabível à hipótese, atentando-se para os requisitos específicos da: a) competência do órgão julgador; b) legitimidade ativa e passiva; c) requisitos específicos da medida judicial proposta; d) pedido.
ORIENTAÇÕES PARA IDENTIFICAR A PEÇA
1. Ler a peça com calma (e lembrar de respirar 3 vezes profundamente);
2. Fazer a segunda leitura da peça, identificando os personagens da situação (marcar ou circular);
3. Não deixe passar nenhum detalhe;
4. Identificar legitimação ativa e passiva;
5. Identificar o Juízo (Competência para processamento e julgamento) – veja figura 1, abaixo;
6. Identificar a relação jurídica entre as partes;
7. Listar com calma todos os pedidos (pensar no que se quer com a ação, ressarcir, indenizar, anular sentença, reformar decisão, trancar, indenizar etc.);
8. Listar palavras jurídicas importantes para poder fazer a pesquisa de fundamentação.
9. 
	QUAL É A PEÇA?
	Quem é o cliente?
	
	O que ele deseja?
	
	Qual é o fundamento do pedido (o que ele deseja)?
	
	
Inicial ou recurso?
	
	
É urgente?
	
Figura 1. Organização Judiciária do Brasil.
RESOLUÇÃO DO CASO CONCRETO (ADC)
	ENDEREÇAMENTO
	EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
 PARTIDO POLÍTICO DEMOCRÁTICO, com representação no Congresso Nacional, pessoa jurídica de direito privado, por seu Diretório Nacional, inscrito no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., com sede na rua ... (endereço completo), por seu advogado (instrumento de mandato anexo), com escritório profissional na rua ... (endereço completo), local indicado para receber intimações (art. 77, V, CPC/15), vem à presença de Vossa Excelência, com fundamento no art. 102, I, “a”, da Constituição Federal e, Lei nº 9868/99, propor AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE, COM PEDIDO DE CAUTELAR, em favor da Lei Complementar X, editada pelo Congresso Nacional, que inseriu as alíneas “c”, “c”, “e”, “f”, “g”, “h”, “i”, “j”, “k”, “l”, “m”, “n”, “o”, “p” e “q”, no artigo 1º, inciso I, da Lei Complementar Y, cuja cópia integral segue anexada aos autos, pelos motivos a seguir expostos:
	I – DO OBJETO DA AÇÃO
	
Visando tutelar a moralidade administrativa, o Congresso Nacional editou, em 2010, a Lei Complementar X, que inseriu diversas alíneas (“c”, “c”, “e”, “f”, “g”, “h”, “i”, “j”, “k”, “l”, “m”, “n”, “o”, “p” e “q”) no artigo 1º, inciso I, da Lei Complementar Y, estabelecendo novas hipóteses de inelegibilidades.
Desde então, acirradas discussões surgiram no cenário jurisprudencial. Muitos juízes e Tribunais têm julgado a lei inconstitucional ao argumento de que as hipóteses de inelegibilidade decorrem de rol taxativo, e não poderiam ser ampliadas por lei infraconstitucional. De outro lado, há expressiva parcela de juízes em defesa da norma, cenário que alimenta a insegurança jurídica e atenta contra a presunção de constitucionalidade da norma.
Referida norma, como será demonstrado no decorrer dessa petição, não viola o conteúdo de dispositivo da Constituição Federal e, por esta razão, deverá ser declaração constitucional.
	II – DA COMPETÊNCIA
	Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição Federal, sendo sua atribuição, nos termos do art. 102, I, “a”, CF/88, processar
e julgar originariamente a Ação Declaratória de Constitucionalidade, de Lei ou Ato
Normativo Federal, bem como é competência da Corte Suprema processar e julgar o correspondente pedido de medida cautelar previsto no artigo 21, da Lei nº 9.868/99.
Destarte, revela-se inequívoca a competência desta Suprema Corte para o julgamento da presente Ação Declaratória de Constitucionalidade, que visa, em última análise, pôr fim à controvérsia judicial e tornar absoluta a ora relativa presunção de constitucionalidade da lei federal.
	III – DA LEGITIMIDADE
	A legitimidade ativa para atuar no controle concentrado de constitucionalidade foi entregue a um rol taxativo, hoje presente no art. 103 da Constituição Federal.
Em síntese, o Partido Político com representação no Congresso Nacional
detém legitimidade para ajuizar a presente ação direta de inconstitucionalidade, em razão do disposto no art, 103, VIII da CF, e, do art. 2º, VIII, da Lei nº 9.868/99.
Vale ressaltar que a Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no
sentido de que a representação no Congresso Nacional se aufere no momento
de propositura da ação, tornando-se irrelevante a modificação desse estado no
decorrer do processo, que, aliás, em função de seus contornos objetivos, não
admite desistência, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.868/99.
O Requisito da pertinência temática não precisa ser comprovado, visto que
a Suprema Corte firmou entendimento no sentido de que o Partido Político com
representação no Congresso Nacional é legitimado universal, isto é, pode ajuizar
as ações do controle concentrado independentemente de comprovação da pertinência temática.
Os legitimados universais, possuem dentre as suas atribuições institucionais
a de defender a ordem constitucional objetiva, nesse sentido o interesse de agir
e ser presumido.
Para parcela da doutrina, não há que se falar em legitimidade passiva da Ação Declaratória de Constitucionalidade, especialmente porque não se qualifica a acusação por um ato ou omissão ilegais, inconstitucionais, dado que os responsáveis pela edição da lei ou ato normativo, em tese, afiguram-se tão interessados na declaração de constitucionalidade quanto o próprio autor, inexistindo a clássica oposição do processo civil, consistente na dedução de uma pretensão resistida pelo réu.
	IV – DA RELEVANTE CONTROVÉRSIA
	A Lei nº 9868/99, em seu artigo 14, III, incumbe o autor de demonstrar a existência de controvérsia judicial relevante, sob pena de sua ação sequer ser conhecida pela Excelsa Corte. In casu, juízes e Tribunais têm julgado a lei inconstitucional, divergindo de outras posições também expressivas (conforme documentos em anexo), criando-se cenário que alimenta a insegurança jurídica e atenta contra a presunção de constitucionalidade da norma, cujo objetivo é, repita-se, tutelar um valor caríssimo ao Estado Democrático de Direito, à moralidade administrativa (art. 37 da CF/88).
Não merecem prosperar os argumentos utilizados pelos juízes e Tribunais, no sentido de que as hipóteses de inelegibilidade decorrem de rol taxativo, presente na Constituição Federal, de tal modo que a Lei infraconstitucional não está autorizada a regular a matéria.
O artigo 14, § 9º, da Constituição Federal diz claramente que Lei Complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade, além daqueles que ela própria prevê, em rol meramente exemplificativo. Confira-se:§
Constituição Federal.
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
[...]
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade