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Aline Colosso Fotógrafa Técnica-Pericial da Polícia Técnica-Científica - Policia Civil de SP Professora de Fotografia, Fotografia Forense e Técnicas Audiovisuais Graduada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda MBA em Recursos Humanos Fotógrafa dos cursos de tiro do Projeto Policial Fotografia em Locais de Crimes Violentos: o último olhar da vítima Por que é importante fotografar em modo Manual? O modo Manual te permite pensar no objetivo da foto que deseja fazer e conseguir, assim, o melhor resultado. Relembrando um pouco das configurações ISO Qualidade da imagem Abertura do Diafragma Regula a entrada de luz e a profundidade de campo Velocidade do Obturador Regula a entrada de luz e a estabilidade da imagem na fotografia Balanço de Branco Reconhece o que é branco no ambiente para que as cores sejam reguladas Foco Manual Em casos específicos permite uma focagem melhor no detalhe que deseja fotografar. A IMPORTÂNCIA DA FOTOGRAFIA FORENSE A fotografia forense faz parte da cadeia de custódia (Art. 158-A. "Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte".) Diferente das fotografias comercial ou artística, possui como principal característica o fato de que precisa retratar toda a cena da maneira mais fiel à realidade possível, já que é através dessas fotos que a análise do caso poderá ser feita e refeita mesmo após muito tempo. As fotos servirão para levar a cena do crime e todos os seus vestígios, nas posições em que foram encontrados, até as autoridades julgadoras para que melhor entendam os fatos. Torna-se assim, prova documental da cena de crime. LEGISLAÇÃO ● Art. 164. Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em que forem encontrados, bem como, na medida do possível, todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) ● Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos. (Vide Lei nº 5.970, de 1973) ● Parágrafo único. Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado das coisas e discutirão, no relatório, as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos fatos. (Incluído pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) ● LEGISLAÇÃO ● Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas seguintes etapas: ● I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial; ● II - isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de crime; ● III - fixação: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime ou no corpo de delito, e a sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada por fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispensável a sua descrição no laudo pericial produzido pelo perito responsável pelo atendimento; ● (LEI Nº 13.964, DE 24 DE DEZEMBRO DE 2019 - Pacote Anticrime) http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2013.964-2019?OpenDocument Morte Natural Morte por causas naturais. Morte Suspeita Quando há a suspeita de que a morte possa ter sido causada por causas não naturais ou quando não foi possível determinar a causa da morte. Morte Violenta Homicídios, suicídios e mortes causadas por acidentes ou desastres. FOTOGRAFIA EM LOCAIS DE CRIMES VIOLENTOS (MORTE VIOLENTA) - HOMICÍDIOS FOTOGRAFIA EM LOCAIS DE MORTE VIOLENTA - HOMICÍDIOS - Aglomeração - Preservação - Rua - Vias de acesso - Fachada ou identificação do local - Fotos gerais – fotos de detalhes - Amarrações - Enquadramentos - Ângulos e perspectivas - Marcações - Escalas Aglomeração A foto foi tratada antes de ser inserida para que não fosse possível identificar as pessoas presentes. Preservação Rua Vias de acesso Imagem ilustrativa retiradas do Google Fachada ou identificação do local Imagens ilustrativas retiradas do Google Fotos gerais Imagem ilustrativa retiradas do Google Fotos de detalhes Amarrações Enquadramentos, Ângulos e Perspectivas Imagens ilustrativas retiradas do Google Marcações Imagem ilustrativa retirada do Instagram @csi_br Escalas Cadáver Ferimentos Sangue Arma(s) Estójos, Projéteis e Munições Possível trajetória do projétil Impressões Digitais Pegadas CADÁVER Posição em que foi encontrado. Identificação. Decúbito Dorsal e Decúbito Ventral. Marcas, cicatrizes e tatuagens. Ferimentos. Vestimentas. Pertences. SANGUE Posição no Local (amarração) Foto geral Foto detalhe em ângulo de 90 Escala ARMAS Posição em que foi encontrada. Escala. Todos os lados. Tratando-se de arma de fogo, tirar o carregador, desmuniciar e travar aberta – novas fotos de todos os lados da arma, dos carregadores e das munições (se tiver), assim como de suas identificações ou falta de. Vestígios de Sangue, se houver. Imagens ilustrativas retiradas do Google Estojos, Projéteis e Munições Posição em que foram encontrados. Marcadores. Escalas. Gerais. Específicas. Calibre e identificação. Trajetória do Projétil Amarração provável Utilização de laser Utilização de barbante Imagem feita durante treinamento Impressões Digitais Lugar onde foi encontrada Fotografia sem pó, utilizando lanterna para evidenciar o desenho. Fotografia com uso de pó revelador. Fotografar sempre em ângulo de 90° com a utilização de escala. Pegadas TÉCNICA: LONGA EXPOSIÇÃO Técnica utilizada em ambientes pouco iluminados para que seja possível visualizar melhor a cena e os detalhes de uma maneira geral e com qualidade. ISO – Menor possível, para garantir maior qualidade de imagem e menor ruído. ABERTURA DO DIAFRAGMA – A menor possível, para garantir maior profundidade de campo e, consequentemente, foco nos detalhes de toda a cena. VELOCIDADE DO OBTURADOR – lenta, permitindo a entrada de luz durante mais tempo, obtendo assim uma imagem mais clara. Longa Exposição Flash A MAGIA DO LUMINOL Luminol é uma substância utilizada na Perícia Criminal para encontrar vestígios de sangue que já não são mais perbidos à olho nu. Em contato com o ferro presente nas hemoglobinas provoca uma reação química chamada quimioluminescência e libera energia em forma de luz azulada que é percebida em um ambiente escuro. A fotografia é importantíssima na realização deste exame, já que é ela que vai registrar exatamente os pontos em que foram encontrados possíveis vestígios de sangue, e assim, podemos coletá-los e enviá- los para análise. É um exame que pode conectar a vítima à um local, o autor ao local do crime, o autor à vítima ou ainda a arma do crime à vítima ou ao autor. FOTOGRAFANDO LUMINOL Conhecimento técnico aguçado. Ambiente mais escuro possível. Tripé para estabilizar a câmera. Opções: - Apenas uma foto em longa exposição, com entrada de luz suficiente para entendermos o ambiente e ainda manter evidente o brilho do Luminol. - Sobreposição de imagens na própria câmera. Configuramos a câmera em modo M, utilizando a Velocidade em 30´´ para que tenhamos tempo suficiente de captura da reação e então testamos ISO e Abertura conforme a escuridão do ambiente (nosso objetivo é ter uma foto super escura na qual apareça apenas o brilho do Luminol o mais forte possível). Com a configuração do modo M pronta, iluminamos o ambiente, passamos ao modo A ou P, encontramos o foco ideal e então o deixamos também em modo manual (para que a câmera não altere na escuridão). Em modo A ou P fazemos uma foto iluminadae, sem movimentar o tripé e posição da câmera, voltamos ao modo M, apagamos todas as luzes e clicamos a longa exposição enquanto o Luminol vai sendo aplicado e reagindo. Depois sobrepomos as duas imagens e conseguiremos ver o brilho forte do Luminol em um ambiente claro e teremos assim uma análise evidente do vestígio. RECONSTITUIÇÃO À pedido do juiz ou das partes pode ser solicitada uma reconstituição dos fatos para que haja melhor análise sobre as possíbilidades das versões contadas sobre o caso. A cena é repetida várias vezes conforme o olhar de cada uma das partes - vítima (se viva), autor e testemunhas. As fotografias são realizadas como se fossem de fato o olhar de cada parte que conta sua versão. Obrigada!