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18 LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL CRIMES HEDIONDOS Por Fernanda Evlaine [footnoteRef:1] [1: Barbe-bleue (1902), dirigido por George Méliès. Filme Francês do Cinema mudo que conta a história do Barba Azul, vilão de história infantil que matou todas as suas esposas. Os corpos ficavam escondidos em um quarto secreto, conforme a imagem. ] SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO E ASPECTOS GERAIS 3 2. ASPECTOS ESPECIAIS 6 2.1. REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA PARA OS CRIMES HEDIONDOS 6 2.2. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS 7 2.3. PROGRESSÃO DE REGIME 8 2.4. LIVRAMENTO CONDICIONAL 8 2.5. PRISÃO TEMPORÁRIA 9 3. COMENTÁRIOS SOBRE ALGUNS CRIMES HEDIONDOS 10 4. 10 COISAS QUE VOCÊ NÃO PODE ESQUECER 12 5. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO 17 6. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA 17 ATUALIZADO EM 24/03/2018[footnoteRef:2] [2: As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos, porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos eventos anteriormente citados.] CRIMES HEDIONDOS – LEI Nº 8.072/90 1. INTRODUÇÃO E ASPECTOS GERAIS Que tal um pouco de criminologia? O impulso legislativo que levou à criação dos crimes hediondos é inspirado no Direito Penal Máximo, no movimento Lei e Ordem, bem como na Teoria das Janelas Quebradas, que tinha como intuito implantar movimento de política criminal com vistas a reprimir a criminalidade[footnoteRef:3]. [3: Curiosidade: Após o assassinato brutal da atriz Daniela Perez, filha da escritora de Novelas Gloria Perez, foi editada a Lei 8.930/94, fruto da pressão popular causada pelo crime, que incluiu o homicídio qualificado no rol dos crimes hediondos. ] O Direito Penal Máximo apresenta fundamento oposto ao do Direito Penal Mínimo, pois o primeiro entende ser o Direito Penal a solução para todos os problemas da sociedade, acarretando assim o aumento excessivo da tutela penal. O movimento “Lei e Ordem” prega que somente as leis severas, que imponham longas penas privativas de liberdade ou até mesmo a pena de morte, têm o condão de controlar e inibir a prática de delitos. Por fim, a Teoria das Janelas Quebradas (The Broken Windows Theory) ganhou esse nome em razão de seus autores utilizarem a imagem de janelas quebradas para explicá-la, estabelecendo uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade. Segundo a teoria, se apenas uma janela de um prédio fosse quebrada e não fosse imediatamente consertada, as pessoas que passassem pelo local e vissem que a janela não havia sido consertada concluiriam que ninguém se importava com isso, e que em um curto espaço de tempo as demais janelas também estariam quebradas, pois as pessoas começariam a jogar mais pedras para quebrar as demais janelas. Em pouco tempo, aquela comunidade seria levada à decadência. Em resumo, a Teoria das Janelas quebradas acredita que se devem reprimir severamente os pequenos delitos para que o Estado demonstre que não aceita qualquer tipo de ato criminoso. Os crimes hediondos são previstos inicialmente no art. 5º, inciso XLIII, da CF que dispõe: “A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;”. Crime hediondo é aquele rotulado como tal pelo legislador. Adotou-se no Brasil o sistema legal. Vejamos os sistemas: - Sistema legal: a lei de crimes hediondos previu um rol de crimes, tentados ou consumados. - Sistema judicial: cabe ao juiz definir, no caso concreto, se o crime é ou não hediondo. - Sistema misto: há um rol exemplificativo de delitos hediondos, sendo possível ao juiz reconhecer, no caso concreto, a hediondez de uma conduta. *A Lei de Crimes Hediondos não cria crime, apenas prevê tratamento diferenciado a tipos penais já existentes. Todos os crimes hediondos estão previstos no CP, salvo o genocídio, que encontra previsão na Lei nº 2.889/56 e o delito de “posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito”, que se encontra no Estatuto do Desarmamento. - Crimes Hediondos e Crimes Militares:[footnoteRef:4] [4: Atençãoooooo,DPU!!] * Crimes militares: o CPM traz o latrocínio. É crime hediondo? Não. Os crimes correspondentes no CPM não são considerados hediondos por falta de previsão legal. Só é hediondo o latrocínio do Código Penal. Reafirma-se: todos os crimes hediondos estão no Código Penal, salvo genocídio e “posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito”. Há também os crimes equiparados a hediondo (TTT): tortura, tráfico e terrorismo. *#MUITOIMPORTANTE #VAICAIR #TESEINSTITUCIONALDADPU: O chamado tráfico privilegiado, previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas) não deve ser considerado crime de natureza hedionda. STF. Plenário. HC 118533, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/06/2016. Nota: Resta superada a Súmula 512 do STJ. - Rol de crimes hediondos: Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados: (Redação dada pela Lei nº 8.930, de 1994) (Vide Lei nº 7.210, de 1984) I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2o, incisos I, II, III, IV, V, VI e VII); (Redação dada pela Lei nº 13.142, de 2015) (OBS: Atenção, pois aqui se inclui o feminicídio e o homicídio contra membro da polícia ou sua família).[footnoteRef:5] [5: Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)] I-A – lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2o) e lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3o), quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição; (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015) II - latrocínio (art. 157, § 3o, in fine); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 1994) III - extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2o); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 1994) IV - extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ lo, 2o e 3o); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 1994) V - estupro (art. 213, caput e §§ 1o e 2o); (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1o, 2o, 3o e 4o); (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o). (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 1994) VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B, com a redação dada pela Lei no 9.677, de 2 de julho de 1998). (Inciso incluído pela Lei nº 9.695, de 1998) VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploraçãosexual de criança ou adolescente ou de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º). (Incluído pela Lei nº 12.978, de 2014) * Parágrafo único. Consideram-se também hediondos o crime de genocídio previsto nos arts. 1o, 2o e 3o da Lei no 2.889, de 1o de outubro de 1956, e o de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, previsto no art. 16 da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003, todos tentados ou consumados. (Redação dada pela Lei nº 13.497, de 2017) *#NOVIDADELEGISLATIVA: O que fez a Lei nº 13.497/2017? Alterou a redação do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 8.072/90, prevendo que também é considerado como crime hediondo o delito de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, previsto no art. 16 do Estatuto do Desarmamento[footnoteRef:6]. [6: Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito: Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato; II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz; III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar; IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado; V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo.] 2. ASPECTOS ESPECIAIS A Lei dos Crimes Hediondos veda a concessão de: a) anistia, graça e indulto e b) fiança. Embora a CF/88 não preveja a impossibilidade de indulto, a Lei nº 8.072/90 vedou a concessão do indulto. Entende-se que a vedação é constitucional, pois o indulto nada mais é que uma graça coletiva. Em regra, também não se admite a comutação. A Lei de Tortura (Lei nº 9.455/97), posterior à Lei dos Crimes Hediondos, não vedou o indulto em relação ao crime de tortura, por conta disso, a Doutrina se divide com relação à possibilidade de indulto no crime de tortura. Contudo, parece prevalecer em provas o posicionamento de que não é possível o indulto no crime de tortura[footnoteRef:7]. [7: (PC – GO/2017 – CESPE) A seguinte alternativa foi considerada correta: Embora tortura, tráfico de drogas e terrorismo não sejam crimes hediondos (são equiparados), também são insuscetíveis de fiança, anistia, graça e indulto.] Apesar da Lei nº 8.072/90 vedar a fiança, não há vedação de concessão de liberdade provisória sem fiança (a redação originária da Lei nº 8.072/90 proibia, mas esta vedação foi revogada pela Lei nº 11.464/07). STF (HC 104339) declarou inconstitucional a Lei de Drogas, no ponto que proibia liberdade provisória com fiança (art. 44).[footnoteRef:8] [8: A seguinte assertiva foi considerada correta na prova de Delegado/AC – 2017 (IBADE): O fato de o crime ser hediondo, por si só, não impede a concessão da liberdade provisória, de acordo com o entendimento dos Tribunais Superiores.] OBS: Os condenados por crime hediondo serão, obrigatoriamente, submetidos à identificação de perfil genético, mediante a extração de DNA. Tais informações serão armazenadas em banco de dados sigiloso e poderão ser requeridas ao juiz pela autoridade policial no caso de inquérito policial instaurado. 2.1. REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA PARA OS CRIMES HEDIONDOS A redação originária da Lei nº 8.072/90 previa o cumprimento de pena em regime integralmente fechado. O dispositivo que previa regime integralmente fechado foi declarado inconstitucional pelo STF (HC 82.959/SP) por violar o princípio da individualização da pena. Posteriormente, a Lei nº 11.464/07 previu que a pena, no caso de crime hediondo, seria cumprida em regime inicialmente fechado. Essa norma também foi reconhecida inconstitucional por violar o princípio da individualização da pena (STF, HC 111.840). Caso prático: Gustavo foi condenado pelo art. 33, caput, da Lei nº 11.343/06, por trazer consigo mais de 100 kg de cocaína. No momento de fixação do regime inicial de pena o Magistrado fundamentou que o regime inicial adequado seria o fechado, por se tratar de crime hediondo, além de ressaltar a gravidade abstrata do delito. Indaga-se: Tal fundamentação encontra-se correta? NÃO! Não se pode mais falar em fixação automática do regime inicial fechado para cumprimento de pena de crimes hediondos. O juiz deverá atentar-se aos mesmos requisitos previstos no art. 33 do CP. Ademais, a utilização de fundamentação com base na gravidade abstrata do delito é inidônea. Vejamos: SÚMULA 718 – STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada. 2.2. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS Antes do julgamento do HC 82.959/SP, os Tribunais inadmitiam a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos nos crimes hediondos e equiparados, sob o argumento de que o regime integralmente fechado seria incompatível com as penas restritivas de direitos, que permitem ao condenado cumprir a pena em liberdade. Com a declaração de inconstitucionalidade da redação originária da Lei nº 8.072/90, no ponto que impunha regime integralmente fechado, a jurisprudência passou a permitir a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Pela mesma razão (regime integralmente fechado), os juízes inadmitiam "sursis" (suspensão condicional da pena) em relação aos crimes hediondos e equiparados. Com o HC 82.959/SP, passou-se a admitir, não só a substituição por restritiva de direitos, mas também o sursis. Dúvida: Cabe substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos na tortura? Tortura: sempre é praticada com violência ou grave ameaça. Logo, na tortura não cabe substituição. E no tráfico de drogas? Tráfico de drogas: vedação pelo art. 44 da Lei nº 11.343/06. Contudo, o Plenário do STF, em julgamento de HC, declarou incidentalmente a inconstitucionalidade da expressão “vedada a conversão em penas restritivas de direitos”, constante do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006, e da expressão “vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos”, contida no aludido art. 44 do mesmo diploma legal. (VIDE INFO 598). Ou seja, no tráfico é cabível a substituição por pena restritiva de Direito. 2.3. PROGRESSÃO DE REGIME Deve ser feito um corte temporal, vejamos: CRIME COMETIDO ANTES DA LEI Nº 11.464/07 CRIME COMETIDO DEPOIS DA LEI Nº 11.464/07 Cumprimento de 1/6 (art. 112 da LEP) Cumprimento de 2/5 (primário) Cumprimento de 3/5 (reincidente) OBS: a Lei nova não pode retroagir. Crime cometido antes da Lei nº 11.464/07: o período é de 1/6. A pena considerada nesse cálculo é aquela efetivamente imposta na sentença [e não aquela pena unificada], conforme Súmula 715 STF. Progressão de regime para o crime de tortura (equiparado a hediondo): sempre houve previsão de regime inicialmente fechado. O prazo adotado era de 1/6; agora deverá ser adotado o de 2/5 ou 3/5. *#SELIGANASÚMULAS: Súmula 471 do STJ: Os condenados por crimes hediondos ou assemelhados cometidos antes da vigência da Lei n. 11.464/2007 sujeitam-se ao disposto no art. 112 da Lei n. 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) para a progressão de regime prisional.1/6 do cumprimento de pena. Súmula Vinculante 26: Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico. Nota: Ou seja, pode realizar o exame criminológico, entretanto, ele não é obrigatório para a progressão de regime e deve ser devidamente fundamentado. *#ATENÇÃO #ENTENDIMENTOSTJ: A progressão de regime para os condenados por crime hediondo ocorre após o cumprimento de 3/5 da pena, ainda que a reincidência não seja específica em crime hediondo ou equiparado. A Lei dos Crimes Hediondos não faz distinção entre a reincidência comum e a específica. Desse modo, havendo reincidência, ao condenado deverá ser aplicada a fração de 3/5 da pena cumprida para fins de progressão do regime. STJ. 6ª Turma. HC 301.481-SP, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-SP), julgado em 2/6/2015 (Info 563). 2.4. LIVRAMENTO CONDICIONAL PRIMÁRIO + BONS ANTECEDENTES REINCIDENTE EM CRIME DOLOSO CRIMES HEDIONDOS OU EQUIPARADOS 1/3 da pena ½ da pena 2/3 da pena, se não for reincidente especifico. *#OLHAOGANCHO: E se for primário + maus antecedentes? A hipótese não se confunde com a da reincidência: juiz deve aplicar 1/3. Não havendo previsão legal específica, não se pode aplicar analogia maléfica. Requisitos: (i) comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho honesto; (ii) tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração; Dúvida: E o que seria o reincidente específico? 1ª Corrente 2ª Corrente 3ª Corrente Prática de 2 crimes idênticos. Ex.: Estupro + Estupro Prática de 2 crimes com a mesma objetividade jurídica. Ex.: Estupro + Atentado violento ao pudor. Pratica dois crimes do gênero hediondo ou equiparado. Ex. Estupro + Latrocínio. Corrente majoritária na Doutrina *#ATENÇÃO: Não vá confundir! Isso de reincidente específico só existe no livramento condicional, não se aplicando à progressão de regime. O art. 7º da Lei dos Crimes Hediondos estabelece hipótese de delação premiada: no crime de extorsão mediante sequestro, o coautor que denunciar a "quadrilha ou bando", facilitando a libertação do sequestrado, será beneficiado com causa de diminuição de pena, que variará de 1/3 a 2/3. O critério para definição da diminuição está ligado a maior ou menor colaboração do delator. O art. 8º, parágrafo único, traz outra hipótese de delação premiada: quem delata "quadrilha ou bando" voltado para a prática de crimes hediondos e equiparados. OBS: Nunca é demais lembrar que o antigo tipo penal da “quadrilha ou bando” hoje é conhecido como associação criminosa. 2.5. PRISÃO TEMPORÁRIA De acordo com a Lei da Prisão Temporária, o prazo desta é de 05 dias, prorrogáveis por mais 05. Em relação aos crimes hediondos e equiparados, aplica-se outro prazo, previsto na própria Lei dos Crimes Hediondos: 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias. Lei nº 7.960/89 Lei nº 8.072/90, tratando da prisão temporária O prazo da prisão temporária é de 05 dias + 05 dias. O prazo é de 30 dias + 30 dias. Crime previsto somente nesta lei, e que não está previsto também na lei dos crimes hediondos, o prazo da prisão temporária é de 05 dias. Crime previsto na Lei nº 7.960 e repetido na lei dos crimes hediondos, o prazo da prisão temporária é de 30 dias prorrogáveis por mais 30 dias. PERGUNTA: Preso condenado pela justiça estadual, cumprindo pena em presídio federal, de quem é a competência para a execução? A competência é da justiça federal. Aplica-se o espírito da súmula 192 do STJ. A competência é da autoridade do presídio aonde se localiza o acusado. O que manda não é o juízo da condenação, mas sim o juízo do local de cumprimento da pena. SÚMULA 192 – STJ: Compete ao juízo das execuções penais do Estado a execução das penas impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos a administração Estadual. 3. COMENTÁRIOS SOBRE ALGUNS CRIMES HEDIONDOS a) Homicídio PERGUNTA: Homicídio simples é hediondo? A depender do caso, pode ser hediondo. Será hediondo quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente. Nesta hipótese o homicídio simples, excepcionalmente, é hediondo. Este homicídio simples considerado hediondo é chamado de homicídio condicionado. PERGUNTA: E o que vem a ser atividade típica de grupo extermínio? O que caracteriza atividade típica de grupo de extermínio é a indeterminação do sujeito passivo: O agente mata a vítima não por suas condições pessoais e individuais, mas sim em razão de pertencer a determinado grupo ou classe social, religião, raça, etnia, orientação sexual etc. (ex.: Grupo de extermínio que assassina brutalmente pessoas que se identificam como “não binários”). *#OLHAOGANCHO: Homicídio qualificado privilegiado é possível (desde que as qualificadoras sejam de ordem objetiva). Além disso, NÃO é considerado crime hediondo. b) Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos Art. 273 - Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais: (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) § 1º - Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe à venda, tem em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo o produto falsificado, corrompido, adulterado ou alterado. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) § 1º-A - Incluem-se entre os produtos a que se refere este artigo os medicamentos, as matérias-primas, os insumos farmacêuticos, os cosméticos, os saneantes e os de uso em diagnóstico. (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) § 1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no § 1º em relação a produtos em qualquer das seguintes condições. O art. 273, caput, pune a falsificação de produtos terapêuticos ou medicinais. A pena é de 10 a 15 anos. No §1º, o CP pune o comércio do produto já falsificado. É a mesma pena, de 10 a 15 anos. O §1º-A equipara a produto terapêutico ou medicinal, vários outros, inclusive cosméticos e saneantes (produtos de limpeza). Aqui houve um exagero do legislador (Crítica: Observe o absurdo, o comércio de produto irregular possui pena mais elevada do que homicídio simples, estupro...). A doutrina diz que no caso deste parágrafo (§1º-A) só será hediondo se o cosmético tiver fins terapêuticos ou medicinais. Caso contrário não será hediondo. Ex: pomada para acnes. §1º-B – pune o comércio de produto não falsificado, porém irregular. O §1º-B fere dois princípios importantes. 1. Princípio da intervenção mínima. O direito administrativo resolve este problema. 2. Equiparar o mero comércio irregular com falsificação ou comercialização de produtos industrializados fere o princípio da proporcionalidade. *#IMPORTANTE: O STJ decidiu que é inconstitucional a pena (preceito secundário) do art. 273, § 1º-B, V, do CP (“reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa”). Em substituição a ela, deve-se aplicar ao condenado a pena prevista no caput do art. 33 da Lei n.° 11.343/2006 (Lei de Drogas), com possibilidade de incidência da causa de diminuição de pena do respectivo § 4º. STJ. Corte especial. AI no HC 239.363-PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/2/2015 (Info 559). c) Estupro Os crimes de estupro e atentado violento ao pudor cometidos antes da edição da Lei nº 12.015/2009 são considerados hediondos, ainda que praticados na forma simples. (STJ, 3ª Seção, Info 505). O entendimento doSTJ e do STF é o de que o art. 9º da Lei de Crimes Hediondos foi revogado tacitamente pela Lei n. 12.015/2009, considerando que esta Lei revogou o art. 224 do CP, que era mencionado pelo referido art. 9º. OBS.: Os comentários sobre o Tráfico de Drogas serão feitos em seu respectivo material, devido ao grande número de informações. 4. 10 COISAS QUE VOCÊ NÃO PODE ESQUECER Por fim, vamos elencar 10 pontos sobre o tema que você não pode deixar de saber, em hipótese alguma, devido a sua grande incidência em provas. Vejamos: 1) Todos os crimes estão previstos no CP, salvo o genocídio, que encontra previsão na Lei nº 2.889/56 e o terrorismo, que se encontra previsto na Lei nº 13.260/16. Assim, não cabe crime hediondo militar. 2) Conforme precedente recente do STF, o tráfico privilegiado (art. 33, §4º da Lei 11.343/06) não é mais considerado crime hediondo. Superada a Súmula 512 do STJ. 2.1) Homicídio qualificado privilegiado também não é considerado hediondo. 3) A Lei dos crimes hediondos veda a concessão de: a) anistia, graça e indulto; e b) fiança. 4) É possível a concessão de liberdade provisória sem fiança. 5) É inconstitucional o cumprimento de pena em regime integralmente fechado. Assim como é inconstitucional a fixação automática de regime inicial fechado para cumprimento de pena. 6) É possível a aplicação de penas restritivas de Direito. 7) Progressão de regime: 7.1) Crime cometido antes da Lei nº 11.464/07: o período é de 1/6 (Súmula 471 STJ). 7.2) Crime cometido após a Lei nº 11.464/07: o período é de 2/5 se o réu for primário e 3/5 se for reincidente. 8) Pode haver a realização do exame criminológico, entretanto, ele não é obrigatório para a progressão de regime e deve ser devidamente fundamentado (Súmula Vinculante 26). 9) O tempo da prisão temporária é de 30 dias prorrogáveis por mais 30 dias. 10) A Lei dos Crimes Hediondos traz hipótese de delação premiada. No crime de extorsão mediante sequestro, o coautor que denunciar a "quadrilha ou bando", facilitando a libertação do sequestrado, será beneficiado com causa de diminuição de pena, que variará de 1/3 a 2/3. Como o assunto foi cobrado em provas? 1. (VUNESP – Juiz de Direito Substituto/2016): Nos termos da Lei no 7.210, de 11 de julho de 1984, os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra a pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990: a) serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético mediante extração de DNA. b) somente poderão ter a identificação de perfil genético verificada pelo Juiz do processo, vedado o acesso às autoridades policiais mesmo mediante requerimento. c) não terão a identificação de perfil genético incluído em banco de dados sigiloso, mas de livre acesso às autoridades policiais, independentemente de requerimento. d) não terão extraído o DNA, se submetidos à Justiça Militar, em razão da excepcionalidade da lei de execução. e) não poderão ser submetidos à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA, por falta de permissivo legal. Gabarito:[footnoteRef:9] [9: A. ] 2. (Titular de Serviços de Notas e Registros – Provimento – TJMG/2016): De acordo com a Lei nº 8.072/1990, é considerado crime hediondo: a) Estupro de vulnerável tentado. b) Epidemia com resultado lesão corporal de natureza grave. c) Concussão. d) Falsificação de selo público destinado a autenticar atos oficiais da União. Gabarito:[footnoteRef:10] [10: A.] 3. (CESPE – Juiz - TFDF/2016): Com fundamento na Lei n.º 11.464/2007, que modificou a Lei n.º 8.072/1990 (Lei dos Crimes Hediondos), assinale a opção correta acerca dos requisitos objetivos para fins de progressão de regime prisional. a) O regime integral fechado poderá ser aplicado no caso de prática de crime de tráfico internacional de drogas, em que, devido à hediondez da conduta, que atinge população de mais de um país, o réu não poderá ser beneficiado com a progressão de regime prisional. b) Como exceção à regra prevista na legislação de regência, a progressão de regime prisional é vedada ao condenado, que deve cumprir regime integral fechado, pela prática de crime de epidemia de que resulte morte de vítimas. c) Os condenados por crimes hediondos ou assemelhados cometidos antes da vigência da Lei n.º 11.464/2007 sujeitam-se ao disposto no artigo 112 da Lei de Execução Penal para a progressão de regime, que estabelece o cumprimento de um sexto da pena no regime anterior. d) A Lei dos Crimes Hediondos é especial e possui regra própria quanto aos requisitos objetivos para a progressão de regime prisional, devendo seus atuais parâmetros ser aplicados, independentemente de o crime ter sido praticado antes ou depois da vigência da Lei n.º 11.464/2007, com base no princípio da especialidade. e) Os requisitos objetivos da Lei n.º 11.464/2007 devem ser aplicados para fins de progressão de regime prisional, pelo fato de essa lei ser mais benéfica que a lei anterior, que vedava a progressão de regime. Gabarito:[footnoteRef:11] [11: C.] 4. (CESPE – TJDFT – Analista Judiciário/2015):A respeito dos crimes hediondos, julgue o item que se segue. O crime de lesão corporal dolosa de natureza gravíssima é hediondo quando praticado contra cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo de até terceiro grau, de agente da Polícia Rodoviária Federal e integrante do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, em razão dessa condição. Gabarito:[footnoteRef:12] [12: Certo. Letra pura e simples da Lei.] 5. (PC-DF – Delegado de Polícia/2015): A respeito dos crimes hediondos, assinale a alternativa correta com base na legislação de regência. a) O crime de epidemia com resultado morte não é considerado hediondo. b) Os crimes hediondos são insuscetíveis de anistia, graça e indulto, embora lhes seja admitida fiança. c) A pena do condenado por crime hediondo deverá ser cumprida em regime integralmente fechado, apesar de haver precedente jurisprudencial em que se admite o cumprimento da pena em regime inicialmente fechado. d) Se o crime hediondo de extorsão mediante sequestro for cometido por quadrilha ou bando, o coautor que denunciá-lo à autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, será beneficiado com a redução da pena de um a dois terços. e) Entre os crimes hediondos previstos na lei, apenas as condutas consumadas são consideradas hediondas; as tentadas configuram a modalidade simples de crime. Gabarito:[footnoteRef:13] [13: D.] 6. (CESPE – Procurador – PGDF/2013): Com referência às penas e à sua aplicação, julgue os seguintes itens. Desde que o STF declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do artigo 2. o , § 1. o , da Lei n. o 8.072/1990 (“A pena por crime previsto neste artigo [crime hediondo] será cumprida inicialmente em regime fechado”), não é mais obrigatória a fixação do regime inicial fechado para o condenado pelo crime de tráfico de entorpecentes, podendo a pena privativa de liberdade ser substituída por restritivas de direitos quando o réu for primário e sem antecedentes e não ficar provado que ele se dedique ao crime ou esteja envolvido com organização criminosa. Gabarito:[footnoteRef:14] [14: Certo.] 7. (CESPE – DPU – Defensor Público de Segunda Categoria/2015): ♥ Gerson, com vinte e um anos de idade, e Gilson, com dezesseis anos de idade, foram presos em flagrante pela prática de crime. Após regular tramitação de processo nos juízos competentes, Gerson foi condenado pela prática de extorsão mediante sequestro e Gilson, por cometimento de infração análoga a esse crime. Com relação a essa situação hipotética, julgue o próximo item. Conforme entendimento dos tribunais superiores, tendo sido condenado pela prática de crime hediondo, Gerson deverá ser submetido ao exame criminológico para ter direito à progressão de regime. Gabarito:[footnoteRef:15] [15: SV 26. ] *#AJUDAMARCINHO[footnoteRef:16]: Comparação entre os crimes comuns e os hediondos: [16: Tabela retirada do site Dizer o Direito. Disponível em: <http://www.dizerodireito.com.br/2017/10/lei-134972017-posse-ou-porte-de-arma-de.html.>]CRIME COMUM CRIME HEDIONDO (OU EQUIPARADO) Em regra, admite fiança. NÃO admite fiança. Admite liberdade provisória. Admite liberdade provisória. Admite a concessão de anistia, graça e indulto. NÃO admite a concessão de anistia, graça e indulto. O prazo da prisão temporária, quando cabível, será de 5 dias, prorrogável por igual período. O prazo da prisão temporária, quando cabíveI, será de 30 dias, prorrogável por igual período. O regime inicial de cumprimento da pena pode ser fechado, semiaberto ou aberto. O regime inicial de cumprimento da pena pode ser fechado, semiaberto ou aberto. Admite a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (art. 44 do (9). Admite a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (art. 44 do CP). Admite a concessão de sursis, cumpridos os requisitos do art. 77 do CP. Admite a concessão de sursis, cumpridos os requisitos do art. 77 do CP, salvo no caso do tráfico de drogas por força do art. 44 da Lei nº 11.343/2006. O réu pode apelar em liberdade, desde que a prisão não seja necessária. O réu pode apelar em liberdade, desde que a prisão não seja necessária. Para a concessão do livramento condicional, o apenado deverá cumprir 1/3 ou 1/2 da pena, a depender do fato de ser ou não reincidente em crime doloso. Para a concessão do livramento condicional, o condenado não pode ser reincidente especifico em crimes hediondos ou equiparados e terá que cumprir mais de 2/3 da pena. Para que ocorra a progressão de regime, o condenado deverá ter cumprido 1/6 da pena. Para que ocorra a progressão de regime, o condenado deverá ter cumprido: 2/5 da pena, se for primário; e 3/5 (três quintos), se for reincidente. A pena do art. 288 do CP (associação criminosa) é de 1 a 3 anos. A pena do art. 288 do CP (associação criminosa) será de 3 a 6 anos quando a associação for para a prática de crimes hediondos ou equiparados. *#RESUMOCICLOS: ➡O rol da Lei nº 8.072/90 é taxativo; ➡ Homicídio simples: em regra, não é crime hediondo, salvo quando praticado em atividade de grupo de extermínio, ainda que por só 1 agente (art. 1º, I, 1ª parte, Lei nº 8.072/90); ➡ O homicídio privilegiado não é crime hediondo por ausência de previsão legal; ➡ FEMINICÍDIO: Trata-se de figura qualificada no homicídio doloso, de competência do Tribunal do Júri e considerada crime hediondo (art. 121, §2º, VI, CP c/c art. 1º, I, Lei nº 8.072/90); ➡ HOMICÍDIO FUNCIONAL: Considera-se homicídio funcional quando o agente passivo for autoridade ou agente descrito nos artigos 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição. Houve também alteração na Lei nº 8.072/ 1990 tornando o homicídio funcional crime hediondo; ➡ LESÃO CORPORAL PRATICADA CONTRA AUTORIDADE OU AGENTE DESCRITO NOS ARTS. 142 E 144 CF: a Lei nº 13.142/15 acrescentou o art. 1º, I-A, ao art. 1º, Lei nº 8.072/90, de maneira que se a lesão for gravíssima ou seguida de morte (#OLHAOGANCHO: crime preterodoloso), cometida contra as autoridades ali enumeradas, vamos ter um caso de lesão corporal revestida de hediondez; ➡ LIVRAMENTO CONDICIONAL: para ser beneficiado pelo livramento condicional, o réu deverá cumprir 2/3 da pena, desde que não seja reincidente específico em crimes hediondos (art. 83, V, CP); ➡ PROGRESSÃO DE REGIME: a) deverá cumprir 1/6 da pena (para os crimes cometidos antes da Lei 11.464/07 - Súmula 471 STJ); b) cumprir 2/5 da pena, se réu primário, ou 3/5, se reincidente (crimes cometidos após a Lei 11.464/07); ➡ ANISTIA, GRAÇA, INDULTO: são insuscetíveis de concessão quando praticados delitos revestidos de hediondez, dada a vedação expressa no art. 5º, XLIII, CF; ➡ PRISÃO TEMPORÁRIA: a) Regra: 5 dias + 5 dias; b) para crimes hediondos: 30 dias + 30 dias; ➡ LIBERDADE PROVISÓRIA SEM FIANÇA: STF considera inconstitucional a vedação em abstrato da concessão de liberdade provisória sem fiança e de penas restritivas de direitos, devendo o julgador decidir de acordo com as circunstâncias do caso concreto; ➡ PRIORIDADE DE TRAMITAÇÃO: Os processos que apurem a prática de crime hediondo terão prioridade de tramitação em todas as instâncias (art. 394-A, CPP). #INOVAÇÃO LEGISLATIVA. #DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Não é obrigatório que o condenado por crime de tortura inicie o cumprimento da pena no regime prisional fechado, devendo ser considerado o princípio da individualização da pena (STJ, HC 286.925/RR – Info 540); Estupro e atentado violento ao pudor são hediondos ainda que praticados na forma simples, independentemente se praticados antes ou depois da Lei nº 12.015/09 ou que causem lesões de natureza grave ou morte (Info 505, STJ e Info 835, STF); 🔱 A causa de aumento de pena prevista no art. 9º, da Lei nº 8.072/90 foi tacitamente revogada pela Lei nº 12.015/2009 uma vez que esta lei revogou o art. 224, CP (STF, Info 692). (Tráfico privilegiado NÃO é crime hediondo: Cancelamento da Súmula 512, STJ). 5. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO DIPLOMA DISPOSITIVOS Constituição Federal Art. 5º, inciso XLIII Lei 8.072/90 Integralmente 6. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA Anotações de aula. BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 2011. MAIA, Rodolfo Tigre. Dos Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional. 1. ed. São Paulo: Malheiros, 1999. Informativos do site Dizer o Direito, Márcio André.