Prévia do material em texto
PUC Minas Departamento de Física e Química – ICEI Laboratório de Física 1 SISTEMA MASSA-MOLA 1. INTRODUÇÃO Seja uma mola “ideal” em repouso pendurada na vertical, como indicado na Figura 1 (esquerda). Após prender um objeto de massa 𝑚 na extremidade livre, a mola dilata por 𝑦0 até que o sistema fique na posição de equilíbrio, ou seja, o somatório das forças atuando sobre o bloco é nulo. Assim (considerando o sentido positivo para baixo), 𝑚𝑔 + 𝐹𝑚 = 0 (1) onde 𝐹𝑚 = −𝑘𝑦 é a força exercida pela mola sobre o bloco (lei de Hooke), 𝑦 é o deslocamento da mola em relação a seu comprimento original. Nesse caso, 𝑦 = 𝑦0, então a Eq. (1) fornece: 𝑚𝑔 − 𝑘𝑦0 = 0 ∴ 𝑘𝑦0 = 𝑚𝑔 (2) Daí encontramos a posição de equilíbrio desse sistema massa-mola: 𝑦0 = 𝑚𝑔 𝑘 (3) Figura 1: Movimento oscilatório de um objeto preso a extremidade de uma mola de constante elástica 𝑘, em torno da posição de equilíbrio, 𝑦0. Figura adaptada de [1]. Ao deslocar o sistema por uma distância 𝑦 = 𝑦′ + 𝑦0 em relação a posição da mola livre, como indicado na Figura 1 (direita), o bloco irá oscilar em torno da posição de equilíbrio 𝑦0. Assim, aplicando a segunda lei de Newton sobre o bloco, temos: −𝑘𝑦 + 𝑚𝑔 = 𝑚 𝑑2𝑦 𝑑𝑡2 PUC Minas Departamento de Física e Química – ICEI Laboratório de Física 2 −𝑘(𝑦′ + 𝑦0) + 𝑚𝑔 = 𝑚 𝑑2𝑦 𝑑𝑡2 −𝑘𝑦′ − 𝑘𝑦0 + 𝑚𝑔 = 𝑚 𝑑2𝑦 𝑑𝑡2 Tendo em vista a Eq. (2), a equação acima fica: −𝑘𝑦′ = 𝑚 𝑑2𝑦 𝑑𝑡2 (4) Como 𝑦 = 𝑦′ + 𝑦0, e sendo 𝑦0 constante, então 𝑑2𝑦 𝑑𝑡2 = 𝑑2𝑦′ 𝑑𝑡2 . Portanto, a Eq. (4) nos leva a equação de movimento: −𝑘𝑦′ = 𝑚 𝑑2𝑦′ 𝑑𝑡2 ∴ 𝑑2𝑦′ 𝑑𝑡2 = − 𝑘 𝑚 𝑦′ Para fins didáticos, e sem perder a essência do problema, iremos reescrever a equação diferencial acima substituindo 𝑦′ por 𝑥, tal que: 𝑑2𝑥 𝑑𝑡2 = − 𝑘 𝑚 𝑥 (5) Uma das soluções dessa equação de movimento é 𝑥(𝑡) = 𝐴𝑐𝑜𝑠(𝜔𝑡 + 𝜑), (6) onde 𝐴 é a amplitude do movimento, definimos a frequência angular 𝜔 = √ 𝑘 𝑚 (7) e 𝜑 é uma constante de fase. A interpretação da constante 𝜔 é dada como se segue. Como o movimento do bloco é periódico, com período 𝑇, então podemos dizer que 𝑥(𝑡) = 𝑥(𝑡 + 𝑇). Assim, pela Eq. (6), temos 𝐴𝑐𝑜𝑠(𝜔𝑡 + 𝜑) = 𝐴𝑐𝑜𝑠[𝜔(𝑡 + 𝑇) + 𝜑] 𝐴𝑐𝑜𝑠(𝜔𝑡 + 𝜑) = 𝐴𝑐𝑜𝑠[𝜔𝑡 + 𝜔𝑇 + 𝜑] ou 𝐴𝑐𝑜𝑠(𝜔𝑡 + 𝜑) = 𝐴𝑐𝑜𝑠[𝜔𝑡 + 𝜑 + 𝜔𝑇] (8) Levando em consideração que 𝑐𝑜𝑠(𝛼) = 𝑐𝑜𝑠(𝛼 + 2𝜋), vemos claramente que a Eq. (8) só é satisfeita se 𝜔𝑇 = 2𝜋. Portanto 𝜔 = 2𝜋 𝑇 (9) então, PUC Minas Departamento de Física e Química – ICEI Laboratório de Física 3 𝑇 = 2𝜋√ 𝑚 𝑘 (10) 2. ATIVIDADE: Objetivo: Determinar a constante elástica de uma mola através de diferentes métodos. Link para a simulação: https://phet.colorado.edu/sims/html/masses-and-springs/latest/masses-and- springs_pt_BR.html Ao abrir o link da simulação, escolha a opção “Lab”, como indicado na Figura 2. Figura 2: Tela inicial da simulação. Em todos os procedimentos a seguir, deixe o amortecimento nulo. https://phet.colorado.edu/sims/html/masses-and-springs/latest/masses-and-springs_pt_BR.html https://phet.colorado.edu/sims/html/masses-and-springs/latest/masses-and-springs_pt_BR.html PUC Minas Departamento de Física e Química – ICEI Laboratório de Física 4 PROCEDIMENTO 1: Deixe a constante elástica da mola em seu ajuste padrão. Selecione as opções para exibir o deslocamento da mola, o ponto de equilíbrio e a linha móvel, como indicado na figura 3. Figura 3: Medição da constante elástica da mola através da deformação da mola. 1) Ajuste o valor da massa do bloco para 50 g e o conecte à extremidade da mola. 2) Com a régua, meça a deformação da mola quando o bloco está em equilíbrio (clique no botão vermelho ao lado da mola para cessar qualquer movimento), como indicado na figura 3. Preencha a tabela 1 com o valor da força exercida pela mola e sua deformação. 3) Aumente o valor da massa do bloco por aproximadamente 25 g e preencha os respectivos valores na tabela 1. 4) Repita o procedimento (3) até preencher completamente a tabela 1. 5) Construa um gráfico de 𝐹𝑚𝑜𝑙𝑎 vs. 𝑥 com o auxílio do programa SciDavis. Faça uma regressão linear e, com base na equação da reta 𝑌 = 𝐴𝑋 + 𝐵, determine a constante elástica da mola. PUC Minas Departamento de Física e Química – ICEI Laboratório de Física 5 Tabela 1: Valores das massas colocadas na extremidade da mola, e os respectivos valores da força da mola, 𝐹𝑚, e deformação, 𝑥. 𝑚 (𝑘𝑔) 𝐹𝑚𝑜𝑙𝑎 (𝑁) 𝑥 (𝑚) PROCEDIMENTO 2: Reinicie a simulação. Deixe a constante elástica da mola em seu ajuste padrão. Selecione para exibir o ponto de equilíbrio da massa e a linha móvel, como indicado na figura 4. Figura 4: Medição da constante elástica da mola através do período de oscilação do sistema. 1) Ajuste o valor da massa do bloco para 50 g e o conecte à extremidade da mola. 2) Puxe o bloco para que ele sofra um deslocamento em relação a posição de equilíbrio, e solte-o. Marque o tempo que o bloco leva para realizar 10 oscilações, então anote o período médio de oscilação para esse valor de massa na tabela 2. 3) Aumente o valor da massa em aproximadamente 25 g e repita o procedimento PUC Minas Departamento de Física e Química – ICEI Laboratório de Física 6 (2), até que preencha completamente a tabela 2. 4) Observe a eq. (10) e pense qual gráfico linear deve ser construído para que a inclinação da reta nos forneça a constante elástica da mola, 𝑘. Construa esse gráfico com auxílio do SciDavis e determine o valor da constante elástica. 5) Compare os valores das constantes elásticas obtidos em cada procedimento, 1 e 2, calculando o erro relativo. Discuta os resultados. Tabela 2: Período de oscilação, 𝑇, em função da massa 𝑚. 𝑚 (𝑘𝑔) 𝑇 (𝑠) BIBLIOGRAFIA: [1] TIPLER, Paul Allen; MOSCA, Gene. Física para cientistas e engenheiros: volume 1: mecânica, oscilações e ondas, termodinâmica. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC - Livros Técnicos e Científicos, c2009. [2] HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Física: volume 1: mecânica. Rio de Janeiro: LTC editora, 2016.