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SISTEMÁTICA DE IMPORTAÇÃO - AULA 1+2+3+4+5+6

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SISTEMÁTICA DE 
IMPORTAÇÃO 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. João Marcos Andrade 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O início, o start, enfim... como de fato se inicia um processo de importação 
no Brasil, quais os procedimentos básicos e imprenscindíveis para qualquer 
empresa realizar uma importação, ou desenvolver um projeto, um planejamento 
de importação, todas essas questões estudaremos pormenorizadamente nesta 
disciplina, discriminando cada detalhe necessário para uma completa e segura 
atuação de coordenação administrativa de qualquer processo de importação, 
detalhamentos referentes às particularidades das empresas junto ao órgão 
governamental responsável pela fiscalização e Administração Aduaneira no 
Brasil, que é a Receita Federal do Brasil, vinculada diretamente ao Ministério da 
Economia. 
CONTEXTUALIZANDO 
A entrada de uma determinada mercadoria no Brasil sujeita-se ao 
processo de Despacho Aduaneiro de acordo com a Legislação Aduaneira, (leia-
se Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil n. 680/2006 em seu artigo 
1º), seja a mercadoria o resultado de uma importação definitiva ou não, (veremos 
cada uma detalhadamente ao longo desta Disciplina). 
Dentre as regras aduaneiras, vide legislação acima citada, iniciaremos 
falando das mais importantes para o início dos procedimentos técnicos da 
importação, observaremos os requisitos básicos para qualquer empresa 
instalada no Brasil ingressar no Comércio Exterior, assim, nosso estudo estará 
abrangendo desde as orientações primárias para a execução eficaz na 
importação, até ao mais alto nível de complexidade a ser observado em 
processos de importação mais exigentes tanto em termos de planejamento 
administrativo tributário, quanto em termos de projeto de importação para 
adequação a Planejamento Estratégico de uma empresa. 
Para que os procedimentos operacionais da importação se tornem 
possíveis de serem executados, as tarefas precisam ser embasadas em 
conteúdos sempre atualizados, para que não ocorram descumprimentos de 
normas aduaneiras, evitando assim prejuízos financeiros. 
 
 
 
3 
TEMA 1 – FUNDAMENTOS DA IMPORTAÇÃO 
Inicialmente, é coerente apontarmos informações que demonstrem a base 
fundamental para o estudo a que estamos aqui nos propondo, por isso, a seguir, 
observamos o Conceito de Importação com base na visão do principal órgão 
brasileiro responsável pelas fiscalizações das importações brasileiras que é a 
Receita Federal do Brasil. 
Diz o portal da Receita Federal do Brasil em relação ao conceito da 
Importação, “A importação compreende a entrada temporária ou definitiva em 
território nacional de bens ou serviços originários ou procedentes de outros 
países, a título oneroso ou gratuito”. 
Saiba mais 
Saiba mais em: RECEITA FEDERAL. Importação. Disponível em: 
<http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/importacao-e-
exportacao/despacho-aduaneiro-de-importacao>. Acesso em: 19 fev. 2020. 
Muito bem, temos neste conceito pontos que por si só já merecem atenção 
especial para termos uma compreensão cada vez mais abrangente sobre em 
que de fato consiste um projeto de importação, e um trabalho, uma atividade 
dessa natureza. 
A autora Angela Cristina Kochinski Tripoli, diz em seu livro Comércio 
Internacional, Teoria e Prática, na página 268 que “[...] Importar incide em uma 
transação comercial quando compramos produtos provenientes do exterior. Para 
essa transação, é necessário cumprir todas as exigências legais, fiscais e 
cambiais, para que, por conseguinte, ocorra a saída de divisas do país 
importador” 
Razoavelmente, temos encontrado ao longo do tempo de prática do 
Comércio Internacional, profissionais que por algum momento entendem estar 
realizando uma atividade de Importação 100% correta, ou seja, totalmente 
condizente com as normas legais, fiscais, cambiais, como a autora Angela Tripoli 
mencionou em sua obra anteriormente descrita. 
A quantidade de dados em uma importação varia de acordo com a 
característica daquela operação, e isso pode desencadear procedimentos 
muitas vezes bem diferentes dos quais um profissional está habilitado a realizar, 
dada sua expertise num determinado tipo/modelo de produto, ou especificação 
 
 
4 
de importação de acordo com o projeto da empresa, surgindo então a grande 
necessidade de absorver conteúdos sempre atualizados e de acordo com as 
regras tanto nacionais, quanto internacionais de comércio exterior. 
Essas afirmações precisam ser observadas, seja nas atividades mais 
variadas em que qualquer um de nós possa estar atuando em uma importação, 
como em bens de consumo, aqueles que a importação ocorre para atender uma 
demanda de consumo imediato como peça, produto alimentício, roupa, veículo, 
remédios, dentre outros, ou Bens de Capital, aqueles que darão origem a outros 
produtos, como uma máquina, uma célula de produção, um equipamento que 
produza outros produtos, e ainda serviços, os quais contemplam uma variedade 
de atividades profissionais como engenharia, consultoria, assessoria, vendas, 
corretagem, dentre outras atividades definidas como Serviços. 
1.1 Práticas operacionais nas importações 
É comum e até natural que surjam dúvidas tais como, mas o que de fato 
posso realizar profissionalmente em importações, quais seriam minhas 
atividades profissionais, em que modelo de negócio posso atuar, dentre outras 
questões. 
Para chegarmos às respostas para essas perguntas, é necessário 
compreendermos que a as atividades de importação demandam várias etapas 
de trabalho e que, portanto, é necessário sempre mais de um profissional 
envolvido, considerando que em algum momento uma determinada atividade irá 
exigir um profissional especializado em uma tarefa que o outro não domina as 
habilidades, portanto, aqui já é possível comprovarmos a necessidade de uma 
certa quantia de profissionais aplicados e determinados a estudar os 
fundamentos da importação, bem como desenvolver estratégias e mecanismos 
de solução de questões técnicas previstas, muitas, muitas situações imprevistas 
que sempre surgem em negócios de importação. 
Em toda essa recheada definição de práticas de operações de 
importação, temos a necessidade de encontrar de fato a forma, a Sistemática de 
Importação, que vem a ser a forma como procederemos no dia a dia das 
atividades de importação onde estamos atuando, e é por isso que este material 
chega até você, justamente para lhe auxiliar abrir o entendimento quanto às 
variáveis presentes em cada importação, cada negócio internacional. 
 
 
 
5 
TEMA 2 – ATIVIDADES OPERACIONAIS NA IMPORTAÇÃO 
As tarefas operacionais na importação variam conforme alguns fatores, 
tais como, tipo da importação, perfil da empresa onde estou atuando, se é uma 
empresa de fato importadora, ou uma empresa prestadora de serviço de 
assessoria aduaneira, logística, fiscal ou tributária (estudaremos esses tópicos 
nesta Disciplina). 
O importante a título de formação profissional é saber que para atuação 
no Comércio Internacional preciso estar atento e conhecer as regras e 
determinações tanto nacionais, quanto internacionais, e inclusive as existentes 
no(s) país(es), com o qual(quais), estou negociando. São essas questões que 
definem minha atuação profissional, e deverei ao máximo possível me 
especializar, me inteirar sempre dos detalhes das operações de importação na 
empresa onde estou atuando, de forma que seja possível apresentar cada vez 
mais qualidade em minhas atividades, porém, baseado em fundamentos de 
conhecimentos sólidos, como regras tributárias, questões logísticas, tratativas 
para negociações internacionais, todos temas que esta disciplina apresenta 
detalhadamente. 
2.1 Cronologia – Tempo para a realização da importação 
Preciso iniciar minha agenda de atividades na importação analisando o 
contexto de onde estou trabalhando, se atuo em uma empresa importadora, ou 
em um prestadorde serviços logísticos, ou ainda em uma empresa prestadora 
de serviços de assessoria aduaneira, tributária, fiscal, jurídica, logística, enfim, 
para cada modelo de atuação há sempre particularidades, que são 
desenvolvidas com base em observações e cumprimentos às regras inerentes a 
cada campo de atuação. 
A seguir, analisaremos o procedimento inicial operacional com base na 
concepção de trabalho em uma Organização que realiza importações em seu 
CNPJ ou o faz em nome de outro, neste último caso, por meio de procedimentos 
específicos que veremos nesta disciplina, mais adiante. 
Também veremos nesta aula, a atuação profissional não na condição de 
Importador, mas sim na atuação como Fornecedor de Serviço Logístico, ator da 
cadeia de Logística denominado Agente de Cargas (Freight Forwarder), ou ainda 
Transportador Rodoviário, Cia Aérea, Armador Marítimo, Despachante 
 
 
6 
Aduaneiro, Perito de Seguro Internacional de Cargas, Corretor de Seguros, 
Analista de Câmbio, Analista ou Assistente de Importação, dentre outras 
atividades. 
Para iniciar uma análise quanto à cronologia em uma importação, 
necessitamos considerar: 
1) Prazos: 
Os prazos que me foram sugeridos para a execução da importação desde 
o momento da pesquisa de produto ou serviço no exterior, até a chegada no 
endereço de minha empresa. 
Na análise dos prazos, necessito verificar o tempo sugerido ou requisitado 
pelo setor/departamento que solicitou a importação para que a mercadoria esteja 
disponível na empresa no Brasil. 
Ao saber o tempo que tenho para trabalhar e organizar todos os passos e 
procedimentos da importação, então posso planejar minhas atividades da 
operação de importação, considerando que tenho que inserir em meu 
planejamento os seguintes dados: 
1.1 Lead Time. (Tempo solicitado pelo fornecedor/exportador para 
disponibilizar a mercadoria para embarque no exterior). 
Neste tópico, devo considerar que a operação logística para embarque no 
exterior, irá depender de uma situação técnica na negociação, que vem a ser o 
Incoterm – Termos Internacionais de Comércio. 
Os Incoterm´s são divididos em grupo, veremos detalhadamente esse 
tema em um tópico específico nesta Disciplina, porém, apenas como uma breve 
introdução ao tema, vale dizer que o Incoterm é uma espécie de ferramenta de 
auxílio de negociação entre o Importador e o Exportador, na medida em que um 
for escolhido (são 11 opções de Incoterm´s). Para a operação de importação é 
o que irá definir as responsabilidades logísticas de cada um, bem como servirá 
de orientação para composição de valores na formulação da Base de Cálculo de 
Impostos na chegada da carga no Brasil (tema também a ser verificado em 
detalhes mais adiante nesta disciplina). 
Então, já sabemos que a definição do Incoterm entre Importador e 
Exportador irá direcionar questões de responsabilidades quanto a embarque no 
Brasil e liberação alfandegária no exterior, bem como outras questões, as quais 
veremos oportunamente em tópico específico para esse tema. Mas é possível 
compreendermos que para trabalharmos nossa agenda em relação à 
 
 
7 
importação, é imprescindível que saibamos exatamente quais as regras do 
Incoterm definido, pois teremos assim embasamento para elaborarmos um 
cronograma de atividades da importação, por mais simples que possa ser 
precisa ser sempre elaborado, exatamente para servir de parâmetro para as 
programações e tomadas de decisão do setor/departamento solicitante da 
importação. 
Tal observação é em relação, por exemplo, a uma determinada data 
sugerida pelo requisitante da Importação para que a mercadoria esteja na 
empresa, a qual precisamos cumprir, e, neste momento, surge outro dado a ser 
analisado que é saber qual opção logística utilizaremos em relação ao Modal de 
Transporte, se trabalharemos no modal aéreo, marítimo, ou ainda no Modal 
Rodoviário (este último apenas em caso de importações oriundas do Mercosul). 
1.1.1 Modal de Transporte a ser utilizado. 
A escolha/definição do modal de transporte irá fornecer-nos condições de 
estabelecer dados mais precisos em nosso cronograma, pois poderemos 
apresentar informações de previsões de chegada da mercadoria na empresa, 
com base nas programações de transporte desde a origem no exterior, até a 
chegada no Brasil, lembrando que em qualquer Modal de Transporte sempre 
pode haver imprevistos dos mais variados tipos, como atrasos na saída do 
veículo transportador, greves em portos ou aeroportos, ou em setores que 
estejam envolvidos com o transporte da mercadoria da importação, como greve 
de caminhoneiros, greve de correios, greve de órgãos públicos, dentre outras 
atividades. 
Assim, conseguimos compreender então que de acordo com o 
planejamento de tempo que me foi passado pelo setor/departamento requisitante 
da importação, é que eu devo definir minhas condições de trabalho, ou seja, 
minhas tomadas de decisão na Importação, desde saber qual o Modal de 
Transporte deverei usar, qual o Incoterm praticarei, qual porto ou aeroporto no 
Brasil estarei utilizando para processar os trâmites burocráticos de importação, 
os quais veremos detalhadamente nesta disciplina com todas as nomenclaturas 
devidas e aplicáveis. 
1.1.2 Parceiros – Fornecedores de Serviços. 
Ok, tenho a definição de qual Incoterm irei utilizar, sei qual será o Modal 
de Transporte a ser praticado, mas quem será ou quem serão os prestadores de 
 
 
8 
serviços logísticos, quais serão meus parceiros de negócio para a realização das 
tratativas logísticas em minha(s) importação(ões)? 
A resposta obterei de acordo com minha desenvoltura nos negócios das 
importações, a captação e definição de parceiros de logística internacional 
desenvolverei conforme minha vivência no Comércio Internacional for se 
aprofundando, pois com essa minha aplicação naturalmente estarei 
desenvolvendo parceiros e prestadores de serviço ao longo das negociações, 
dos pedidos de orçamentos, cotações, contratações de serviços, a cada 
importação realizada pode ser que eu esteja desenvolvendo um parceiro até que 
estabilize um modus operandi (uma maneira prática de operacionalizar minhas 
importações). 
1.1.3 Atuação como Fornecedor/Prestador de Serviços. 
Posso estar atuando em uma empresa que atua exatamente na prestação 
de serviços para importadores, empresas que prestam serviços de fretes 
internacionais, assessoria aduaneira e tributária, dentre outras atividades. 
Estando atuando em organizações que prestem serviços a importadores, 
ou seja, empresa que não atua como importadora de fato, minhas obrigações e 
responsabilidades operacionais são de certa forma atividades de apoio, como 
transporte da mercadoria, apresentação desta para os órgãos fiscalizadores 
estaduais e federais, e, para isso, devo também estar munido de conhecimento 
das regras de importação. Por isso a importância de buscar compreender cada 
tópico desta Disciplina, pois abordam o todo para uma atuação profissional 
eficaz, seja como importador, seja como prestador de serviço na importação. 
Certo, sabendo qual minha colocação profissional na importação, seja 
como empresa importadora, seja como prestador de serviço logístico, deverei 
compreender que sou dependente de recursos financeiros para saudar os 
compromissos assumidos durante um processo de importação, esses 
compromissos variam também conforme minha atuação, por exemplo: 
Estando eu atuando em uma organização que realiza a importação em 
seu CNPJ, devo estar atento a compromissos financeiros assumidos junto ao 
meu fornecedor/exportador no exterior, também junto aos meus prestadores de 
serviços logísticos, bancos, e outros que eu venha a contratar dependendo do 
tipo, da característica de minha(s) importação(ões). 
 
 
 
9 
2) Recursos Financeiros disponíveis para a realização da (s) 
importação(ões). 
Ao atuar em empresa importadora é muito importante que eu obtenha 
informações juntoa setores responsáveis pela coordenação financeira da 
empresa, quais os recursos financeiros disponíveis para minha 
operacionalização de importação, exatamente porque são os recursos 
disponíveis que me permitirão programar minhas atividades na importação, 
desde modal de transporte, fornecedor a ser definido, dentre outros aspectos. 
3) Setor/departamento requisitante da importação. 
 Para que eu saiba com quem irei solucionar dúvidas que surgirem no 
processo de negociação com o exportador, bem como nas execuções das 
atividades logísticas até a chegada na empresa no Brasil, é importante participar 
ao máximo possível, de reuniões, chat´s ou outras formas de comunicação 
interna da empresa, relativas ao projeto da(s) importação(ões), pois é nestes 
momentos em que aparecem as dúvidas e onde tenho a oportunidade de 
otimizar tempo e preparar os procedimentos operacionais para a definição do 
que observei acima, como prazo para entrega da carga no Brasil, Incoterm a ser 
usado, Modal de Transporte definido, dentre outras características que irão 
variar conforme a particularidade de cada carga. 
4) Prestando Serviço a Importadores. 
Importante também considerar que se eu estiver atuando em empresa 
prestadora de serviços a uma empresa importadora, podendo ser um agenciador 
internacional de fretes, ou outra configuração de negócios, também terei custos 
a serem quitados, e, da mesma forma que a empresa importadora, também 
dependo de orientações de setores responsáveis pela coordenação financeira 
da empresa onde trabalho, para saber qual o orçamento disponível para a 
realização do serviço que vendi ao meu cliente importador. 
Dessa forma, será possível definir quanto pagarei, por exemplo, por um 
frete internacional contratado junto a uma companhia aérea, e por quanto irei 
vender este frete a um cliente importador (lembrando que neste parágrafo 
estamos considerando minha atuação como prestador de serviço a uma 
empresa importadora e que não efetuarei pagamentos a exportadores no 
estrangeiro, pois esta incumbência fica a cargo do importador). 
 
 
 
10 
TEMA 3 – ESTRUTURAÇÃO DA EMPRESA PARA A IMPORTAÇÃO 
É fundamental que a empresa independente do porte, esteja ciente de 
que é necessária uma avaliação interna, uma análise em sua estrutura funcional, 
a fim de conceber de fato uma ideia, um projeto, para realizar uma ou mais 
importações. 
Essa necessidade tem origem nas tarefas operacionais a serem 
executadas desde o momento da pesquisa por um produto, mercadoria, bem, ou 
serviço no exterior, bem como quais são as opções que a empresa tem nos 
quesitos de fornecedores locais para prestação de serviço, além dos parceiros e 
fornecedores no exterior, tanto o exportador quanto os parceiros logísticos. 
3.1 Departamento de importação – empresa importadora 
É recomendável a empresas que realizam importações, que estejam 
providas de um Departamento Responsável por estas tarefas, tendo em vista a 
alta demanda de atividades diárias, desde a definição do projeto da importação, 
até contatos com o(s) exportador/fornecedor(res), contatos com prestadores de 
serviço logístico, bancos etc. 
Mas nem sempre é possível a todas as empresas importadoras possuir 
um departamento próprio e exclusivo para as demandas das importações, e, 
nestas circunstâncias, promove-se a terceirização completa das atividades, 
 Nas empresas que há o departamento de Importação, as atividades 
principais são: 
1. Contatos com departamentos sobre as requisições de importações. 
2. Contatos com Fornecedor/Exportador. 
3. Contatos com Prestadores de Serviço, (agente de cargas etc). 
4. Contatos com Bancos, corretoras de seguro. 
5. Órgãos Públicos (Receita Federal, Anvisa, Min. Agricultura etc). 
Nesses contatos são tratados assuntos como orçamentos de custos para 
importação, detalhamento da produção do material a ser importado, ou detalhes 
de embalagens, ou ainda especificações de produtos conforme as 
características das importações, pagamentos de serviços a exportadores e 
fornecedores no Brasil, alterações de programação da importação, como datas, 
locais de embarque no exterior, e desembarque no Brasil, ajustes operacionais 
 
 
11 
envolvendo documentação de instrução de Despacho Aduaneiro, tema a ser 
visto detalhadamente ainda nesta Disciplina. 
É importante considerar que na empresa importadora as atividades do 
responsável pelas atividades de importação, abrangem desde o primeiro contato 
com o fornecedor, até a chegada da mercadoria no endereço final da importação, 
e os procedimentos variam conforme a empresa e tipo de importação, embora já 
tenhamos comentado essa questão, é fundamental considerarmos que o 
Importador Brasileiro é responsável por todas as tratativas do embarque no 
exterior, trânsito internacional, chegada no Brasil (porto, aeroporto ou fronteira 
terrestre no caso do Mercosul), considerando que a definição do Incoterm na 
importação, é que irá limitar as funções operacionais tanto do importador no 
Brasil, quanto do Exportador no Exterior. 
3.2 Departamento de importação – empresa prestadora de serviço a 
importadores 
Agora, sob o ponto de vista de empresa prestadora de serviço de apoio à 
importação, como agente de cargas internacionais, corretoras de seguro, cias 
aéreas, armadores marítimos, despachantes aduaneiros, assessorias contábeis 
e jurídicas, dentre outras atividades, é importante considerar que os contatos 
serão, na grande maioria das vezes e quase sempre, diretamente com o 
Importador, a empresa que de fato está importando, e que contratou os serviços 
da empresa de onde atuo. 
Os contatos por mim realizados ao atuar nessa configuração de empresas 
(prestadores de serviços logísticos, e outros de apoio às importações), serão os 
contatos operacionais, aqueles em que irei contatar uma empresa Agente de 
Cargas no país de origem da importação, para tratar dos detalhes das coletas 
das cargas, contatos com cias aéreas, armadores marítimos e transportadores 
rodoviários, sempre com o intuito de orientar as tratativas sobre data de 
embarque, modal de transporte, embalagem, especificações técnicas de 
determinada mercadoria conforme solicitação do importador, dentre outras 
atividades. 
Sempre que estou atuando em empresas prestadoras de serviço a 
importadores, é necessário considerar que meu Cliente (importador) confiou sua 
importação à empresa em que atuo, de forma que minha responsabilidade será 
 
 
12 
tratar a importação como se pertencesse a mim mesmo, ou à empresa na qual 
atuo. 
Por exemplo, ao atuar como Agente de Cargas Internacionais, minhas 
atividades básicas serão: 
1) Contatar o Importador e Exportador. 
2) Contatar o Despachante Aduaneiro. 
3) Contatar Cia Aérea, Armador Marítimo e Transportador Rodoviário. 
4) Contatar Porto, Aeroporto, Armazém, Fronteira, Alfândegas. 
5) Contatar órgãos Públicos. 
Nesses contatos, irei detalhar operações de coletas de cargas no exterior 
por intermédio de meu representante no país de origem, bem como organizar a 
melhor data para embarque conforme a necessidade de meu cliente importador, 
orientar o transportador quanto às especificações da carga, coordenar os 
embarques desde a saída da mercadoria do endereço do exportador, durante o 
embarque no exterior, trânsito internacional, e até a chegada da carga ao Brasil, 
no porto, aeroporto ou fronteira designados junto ao Importador. 
Minhas atividades operacionais se diferem desde emissão de documentos 
de Instrução de Despacho (veremos este tema detalhadamente nesta 
Disciplina), recebimento e envios de e-mails com detalhamentos das cargas, 
cálculos de dimensões de embalagens, para composição dos valores de fretes 
internacionais, contatos com portos, aeroportos, fronteiras e alfândegas para 
ajustes operacionais em cargas que possam desembarcar com situações 
diversas das que embarcaram no exterior, como avarias, faltas, danos etc. 
A atuaçãoprofissional em empresa prestadora de serviço de apoio a 
importadores, empresas como Agentes de Cargas Internacionais, Comissárias 
de Despacho Aduaneiro, Transportadoras, Cias Aéreas, Armadores Marítimos, 
sempre demandam observações quanto à cumprimentos de regras e 
procedimentos técnicos conforme o campo de atuação, por exemplo, para 
coordenação de Fretes Internacionais Marítimos, é necessário a observação de 
Legislação Específica desta categoria de serviço, como, por exemplo, a Portaria 
do Ministério dos Transportes n.º 72 de 2008, a qual define procedimentos para 
realização de serviço de frete marítimo de importação. 
Já no Modal Aéreo, deverei seguir procedimentos impostos pela IATA 
(International Air Transport Association – Associação Internacional de 
Transportes Aéreos), os quais permitem a observação de diretrizes diretamente 
 
 
13 
aplicáveis aos embarques das cargas nas importações, de acordo com as regras 
da Aduana Brasileira. (Veremos detalhadamente mais dados sobre os modais 
de transporte nesta disciplina, e, assim, entenderemos mais 
pormenorizadamente dados como IATA, dentre outros órgãos presentes na 
logística internacional da importação). 
TEMA 4 – PRINCIPAIS ÓRGÃOS PÚBLICOS LIGADOS À IMPORTAÇÃO 
No Brasil, os principais Órgãos Federais responsáveis pela fiscalização 
das atividades de Importação, são: 
4.1 COANA - Coordenação Geral da Aduana 
Sediada em Brasília (DF), é um órgão que impõem as normatizações e 
regras operacionais para as realizações de importação no Brasil, desde aspectos 
como Classificação Fiscal de Mercadorias até Regimes de Tributação, que são 
procedimentos técnicos presentes nas importações, os quais veremos em 
detalhes ainda nesta Disciplina em tópicos específicos. 
4.2 RFB - Receita Federal do Brasil 
A Receita Federal do Brasil é um órgão específico, singular, subordinado 
ao Ministério da Economia, exercendo funções essenciais para que o Estado 
possa cumprir seus objetivos. É responsável pela administração dos tributos de 
competência da União, inclusive os previdenciários, e aqueles incidentes sobre 
o comércio exterior, abrangendo parte significativa das contribuições sociais do 
País. 
Também subsidia o Poder Executivo Federal na formulação da política 
tributária brasileira, previne e combate a sonegação fiscal, o contrabando, o 
descaminho, a pirataria, a fraude comercial, o tráfico de drogas e de animais em 
extinção e outros atos ilícitos relacionados ao comércio internacional. 
(RECEITA FEDERAL. Institucional. Disponível em: 
<http://receita.economia.gov.br/sobre/institucional>. Acesso em: 19 fev. 2020). 
4.3 Ministério da economia, indústria, comércio, exterior e serviços 
O Ministério da economia, indústria, comércio, exterior e serviços tem por 
objetivo a formulação, a adoção, a implementação e a coordenação de políticas 
 
 
14 
e de atividades relativas ao comércio exterior de bens e serviços, aos 
investimentos estrangeiros diretos, aos investimentos brasileiros no exterior e ao 
financiamento às exportações, com vistas a promover o aumento da 
produtividade da economia brasileira e da competitividade internacional do País. 
(CAMEX. Sobre a Camex. Disponível em: <http://www.camex.gov.br/sobre-a-
camex>. Acesso em: 19 fev. 2020). 
4.4 Secex – Secretaria de Comércio Exterior 
A SECEX normatiza, supervisiona, orienta, planeja, controla e avalia as 
atividades de comércio exterior. Entre suas atividades estão: participar das 
negociações dos acordos comerciais internacionais do governo brasileiro, 
promover a cultura exportadora, deferir atos concessórios de drawback, anuir 
operações de exportação e importação, promover o exame de similaridade para 
averiguação de produção nacional, compilar a balança comercial, promover a 
defesa comercial do país, entre outras, e está vinculada ao Ministério da 
economia, indústria, comércio, exterior e serviços. (Disponível em: 
<https://gestao.portal.siscomex.gov.br/legislacao/orgaos/secretaria-de-
comercio-exterior-secex>. Acesso em: 19 fev. 2020) 
4.5 Decex – Departamento de Comércio Exterior 
Subordinado à SECEX, o DECEX desempenha função de coordenação 
do Comércio Exterior no Brasil, promovendo anuências em importações, 
estabelecendo normatizações, fundamentando acordos comerciais bilaterais 
como Acordo de Complementação Econômica do Mercosul por exemplo, dentre 
outras atividades. 
4.6 MDIC – Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior 
 O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) é um órgão 
integrante da estrutura da administração pública federal direta. 
Tem como Missão, promover o desenvolvimento econômico por meio de 
políticas de estímulo ao comércio exterior, à indústria, comércio e serviços, e à 
inovação empresarial. (MDIC. Institucional. Disponível em: 
<http://www.mdic.gov.br/index.php/atos-internacionais/72-acesso-a-
informacao/786-institucional>. Acesso em: 19 fev. 2020) 
 
 
15 
4.7 Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
Criada pela Lei n. 9.782, de 26 de janeiro 1999, a Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (Anvisa) é uma autarquia sob regime especial, que tem sede 
e foro no Distrito Federal, e está presente em todo o território nacional por meio 
das coordenações de portos, aeroportos, fronteiras e recintos alfandegados. 
Tem por finalidade institucional promover a proteção da saúde da 
população, por intermédio do controle sanitário da produção e consumo de 
produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, inclusive dos ambientes, 
dos processos, dos insumos e das tecnologias a eles relacionados, bem como o 
controle de portos, aeroportos, fronteiras e recintos alfandegados. (Anvisa. 
Institucional. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/institucional>. Acesso 
em: 19 fev. 2020) 
4.8 MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 
É o responsável pela gestão das políticas públicas de estímulo à 
agropecuária, pelo fomento do agronegócio e pela regulação e normatização de 
serviços vinculados ao setor. Busca integrar sob sua gestão os aspectos 
mercadológico, tecnológico, científico, ambiental e organizacional do setor 
produtivo e também dos setores de abastecimento, armazenagem e transporte 
de safras, além da gestão da política econômica e financeira para o agronegócio, 
visa a garantia da segurança alimentar da população brasileira e a produção de 
excedentes para exportação, fortalecendo o setor produtivo nacional e 
favorecendo a inserção do Brasil no mercado internacional. (Institucional. 
Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/acesso-a-
informacao/institucional>. Acesso em: 19 fev. 2020). 
4.9 Bacen – Banco Central do Brasil 
O Banco Central (BC) é o guardião dos valores do Brasil. O BC é uma 
autarquia federal, vinculada - mas não subordinada - ao Ministério da Economia, 
e foi criado pela Lei n. 4.595/1964. (BCB. Institucional. Disponível em: 
<https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/institucional>. Acesso em: 19 fev. 
2020). 
Observamos os principais órgãos governamentais atuantes diretamente 
nas importações, porém, há outros, os quais participam conforme as 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9782.htm
 
 
16 
características peculiares de cada importação, devendo considerarmos em 
nosso estudo que os citados acima são os mais relevantes. 
TEMA 5 – INTRODUÇÃO À PRÁTICA DE IMPORTAÇÃO 
A prática da importação é precedida de procedimentos a serem realizados 
sob o cuidado em relação ao cumprimento das Normas Aduaneiras Brasileiras, 
para isso, sempre é necessária uma leitura completa em todos os aspectos 
legais (legislação) aduaneiros vigentes na época da importação. 
Tal procedimento é realizado com base em consultas aos sites/portais dos 
órgãos federais observados no Tema 4 desta aula, considerando que cada órgão 
possui suas próprias regras. Mas, para de fato haver ciência quanto a qual órgão 
a importação será submetida,deve-se iniciar a análise operacional consultando 
ao Tratamento Administrativo das Importações, ferramenta disponibilizada pela 
Receita Federal do Brasil por meio da NCM (Nomenclatura Comum do 
Mercosul), porém, é fundamental realizar esse trabalho de pesquisa 
anteriormente ao embarque da mercadoria no exterior, para evitar 
descumprimento de regras. 
5.1 Tratamento administrativo nas importações 
O Tratamento Administrativo na Importação permite o pleno entendimento 
quanto a prazos, e procedimentos operacionais, por exemplo: 
Imaginemos que a empresa deseja importar o produto Pneu Automotivo. 
A primeira atividade será pesquisar a NCM (Nomenclatura Comum do 
Mercosul), que é a Classificação Fiscal do produto, a qual definirá quais órgãos 
estarão presentes na fiscalização e anuências/autorizações das importações. 
Para localizar a NCM, devemos acessar a TEC (Tarifa Externa Comum), 
disponível no portal do MDIC (CAMEX. Listas Vigentes. Disponível em: 
<http://www.camex.gov.br/tarifa-externa-comum-tec/tec-listas-em-vigor>. 
Acesso em: 19 fev. 2020), na qual, no extrato da pesquisa a seguir, podemos 
observar qual será a NCM para o produto Pneu Automotivo, e, partindo dela, 
iremos pesquisar na ferramenta Tratamento Administrativo da Receita Federal, 
quais os procedimentos para a realização da Importação de tal mercadoria. 
Ao pesquisar a TEC, localizamos então a NCM (classificação fiscal) para 
pneu automotivo, sendo: 
http://www.camex.gov.br/tarifa-externa-comum-tec/tec-listas-em-vigor
 
 
17 
40.11 Pneumáticos novos, de borracha. 
4011.10.00 
- Do tipo utilizado em automóveis de passageiros (incluindo os veículos de uso misto (station wagons) 
e os automóveis de corrida) 
Sabemos, portanto, qual é a Classificação Fiscal do Produto a ser 
importado. 
Muito bem, agora vamos ao “segundo passo”, que é a consulta ao 
Tratamento Administrativo das Importações no Portal da Receita Federal do 
Brasil, para então compreendermos quais os procedimentos necessários para a 
importação ocorrer legalmente. (Disponível em: 
<https://www4.receita.fazenda.gov.br/tratamento/private/pages/consulta_tratam
ento.jsf>. Acesso em: 19 fev. 2020) 
Obteremos então acesso ao Tratamento Administrativo da Receita 
Federal (consulta pública), e saberemos quais órgãos irão fazer parte da 
fiscalização da importação, vejamos a seguir na captura de tela. 
 
 
Observamos brevemente anteriormente, uma pesquisa no Tratamento 
Administrativo de Importação do produto Pneu Automotivo, a qual apontou o 
Órgão Federal DECEX para acompanhar nossa importação, e nesta mesma 
 
 
18 
consulta também será possível analisar em telas subsequentes (sugere-se a 
pesquisa ao Trat. Administrativo para obtenção das telas na íntegra), que há 
mais órgãos envolvidos na autorização/anuência/deferimento da importação, e 
ao saber qual ou quais órgãos atuam na anuência de minha importação, 
consultarei as regras daquele(s) órgão(s), para a realização da Importação, 
estes pontos veremos na videoaula, bem como no próximo tema da aula. 
TROCANDO IDEIAS 
É definitivamente importante considerar todos os aspectos anteriormente 
a uma decisão por importar um determinado produto, pois a análise prévia (antes 
da importação ocorrer), permite à empresa uma organização documental, 
financeira, logística, operacional ampla e completamente compatível com as 
capacidades do importador, bem como de acordo com as regras aduaneiras 
vigentes para o bem importado. 
NA PRÁTICA 
No Tema 5, observamos o procedimento de Tratamento Administrativo 
nas importações, então vamos agora simular uma importação do produto relógio 
de pulso: 
Inicialmente, devemos consultar a Classificação Fiscal do produto, a NCM 
(Nomenclatura Comum do Mercosul), a qual nos direcionará ao próximo ato 
operacional da importação, que será então o Tratamento Administrativo. 
A consulta da NCM na TEC (Tarifa Externa Comum), nos levou à 
Classificação Fiscal (NCM), 9101.29.00 (outros relógios de pulso, mesmo com 
contador de tempo incorporado). 
Obs.: Estudaremos nesta Disciplina, a composição da NCM, regras e 
detalhamentos técnicos com total detalhamento. 
Ao obtermos a NCM do relógio, deveremos pesquisar o Tratamento 
Administrativo de Importação para então embasarmos nossas ações 
operacionais de forma a cumprir as regras aduaneiras para a importação de tal 
produto. 
O Tratamento Administrativo da NCM 9101.29.00 define que o órgão 
responsável pela anuência/autorização da importação é o IBAMA (Instituto 
Nacional do Meio Ambiente), mas apenas para relógios com pulseira de couro 
 
 
19 
animal, já os demais relógios de pulso, não possuem anuência/autorização 
prévia de nenhum órgão, portanto a importação pode ocorrer sem maiores 
implicâncias, bastando seguir com os procedimentos seguintes que serão 
tributação, aspectos logísticos e financeiros, pontos que estudaremos mais 
adiante, em detalhes. 
FINALIZANDO 
Observamos, nesta aula, os fundamentos da importação que vêm a ser 
os primeiros requisitos a serem considerados em uma importação, como 
utilização/aplicação do bem importado, bem como aspectos comerciais, também 
estudamos os procedimentos das atividades operacionais das importações, que 
compreendem análise aos aspectos técnicos administrativos, cronologia (tempo 
das realizações das tarefas), entendemos basicamente os parceiros comerciais 
para uma prática de importação, verificamos as questões dos custos presentes 
nas importações de forma sucinta, pois os veremos pormenorizadamente mais 
adiante. 
Também compreendemos que a empresa importadora tem a opção de 
setorizar as atividades de Importação, para a contemplação de um resultado 
mais prático e ágil nas trocas de informações de cada etapa de uma importação. 
Conhecemos os principais órgãos federais presentes nas análises e 
anuências/deferimentos de uma importação, como, por exemplo, a Receita 
Federal, importante órgão que tem papel fundamental para a vigilância às boas 
práticas dos importadores e demais atuantes nas importações no Brasil. 
Finalizamos com uma introdução aos procedimentos práticos de uma 
importação considerando aspectos como a ferramenta Tratamento 
Administrativo da Receita Federal do Brasil, que permite a compreensão de qual 
ou quais órgãos deverei submeter a importação cada vez que ocorrer. 
 
 
 
20 
REFERÊNCIAS 
ANVISA. Institucional. Disponível em: 
<http://portal.anvisa.gov.br/institucional>. Acesso em: 19 fev. 2020. 
BCB. Institucional. Disponível em: 
<https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/institucional>. Acesso em: 19 fev. 
2020. 
BRASIL. Secretaria de comércio exterior, S.d. Disponível em: 
<https://gestao.portal.siscomex.gov.br/legislacao/orgaos/secretaria-de-
comercio-exterior-secex>. Acesso em: 19 fev. 2020. 
CAMEX. Listas Vigentes. Disponível em: <http://www.camex.gov.br/tarifa-
externa-comum-tec/tec-listas-em-vigor>. Acesso em: 19 fev. 2020. 
CAMEX. Sobre a Camex. Disponível em: <http://www.camex.gov.br/sobre-a-
camex>. Acesso em: 19 fev. 2020. 
IMPORTAÇÃO. Receita Federal, 9 out. 2014. Disponível em: 
<http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/importacao-e-
exportacao/despacho-aduaneiro-de-importacao>. Acesso em: 29 dez. 2019. 
INSTITUCIONAL. Receita Federal, S.d. Disponível em: 
<http://receita.economia.gov.br/sobre/institucional>. Acesso em: 19 fev. 2020. 
MDIC. Institucional. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/index.php/atos-
internacionais/72-acesso-a-informacao/786-institucional>. Acesso em: 19 fev. 
2020. 
TRIPOLI, A. C. K.; PRATES, R. C. Comércio Internacional: teoria e prática. 
Curitiba: InterSaberes, 2016. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SISTEMÁTICA DE 
IMPORTAÇÃO 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. João Marcos Andrade 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
As atividades do Comércio Internacional no Brasil são regulamentadas 
por meio de Legislação Específica, isso em muito auxilia a compreensãoe facilita 
a capacidade de aptidão de profissionais da área, para fins de inclusão das 
Empresas na Sistemática de Importação, e também nas práticas de Exportação. 
Especificamente em nossa área de estudo da Disciplina, na Sistemática 
de Importação, é fato que abordaremos nesta aula aspectos da legislação 
pertinente sobre o tema, embora tenhamos no curso disciplinas específicas das 
áreas legais, como Legislação Aduaneira e Legislação Tributária, a primazia do 
curso vislumbra uma melhor eficácia no ensino, considerando de forma positiva 
a inserção e abordagem do tema Legislação na atual Disciplina, especificamente 
para temas pontuais e necessários para o amparo à sequência e 
complementação do curso para as atividades profissionais da área de Comércio 
Internacional. 
CONTEXTUALIZANDO 
O cenário atual da economia permite às empresas dinamizar seus 
processos de trabalho principalmente no ambiente da administração, de forma 
digital, ou seja, com o auxílio pleno das ferramentas da tecnologia da informática 
e aspectos como transmissão de dados, trocas de documentos, envios e 
recebimento de informações tanto entre clientes e fornecedores, quanto junto a 
órgãos reguladores, como fiscalizatórios. 
Esse contexto moderno permite também o aprimoramento dos órgãos 
governamentais em seus processos de atuação, como guardiões e executores 
das normas legais vigentes em cada ramo de negócio, e especificação de 
atividade, e também possibilita às empresas uma agilidade na apresentação de 
informações, prestação de contas, e cumprimento de exigências fiscais no 
âmbito da relação entre Fisco e Empresas. 
Veremos nesta Disciplina detalhamentos inerentes aos aspectos técnicos, 
para habilitação das empresas como intervenientes no Comércio Internacional, 
segundo a legislação vigente. 
 
 
 
3 
TEMA 1 – HABILITAÇÃO DA EMPRESA PARA ATUAÇÃO NO COMÉRCIO 
EXTERIOR 
A evidente ascensão das novas tecnologias permite atualmente o 
compartilhamento de dados entre empresas e fisco de forma 100% eletrônica. 
Assim, é possível a compatibilização de informações de forma segura e ágil por 
meio de integração/interface entre sistemas, o que é observado, por exemplo, 
nos procedimentos de requerimento para Habilitação das Empresas junto ao 
Sistema Gerenciador de Dados do Comércio Exterior no Brasil, o Siscomex 
(Sistema de Comércio Exterior), o qual absorve integralmente os dados das 
empresas em todas as atividades de Comércio Internacional, iniciando-se pelo 
procedimento de Cadastramento ao Sistema Radar, (Sistema de Rastreamento 
das atividades dos Intervenientes de Comércio Exterior no Brasil). 
Portanto, para atuar legalmente nas importações em nosso país, é 
necessário o cumprimento das regras determinantes das práticas sob a 
responsabilidade da iniciativa privada, para com o Governo Federal, 
principalmente nas relações de prestação de dados junto aos órgãos 
fiscalizatórios, especialmente a Receita Federal do Brasil (RFB). 
1.1 Aspectos introdutórios e conceituais sobre a habilitação da 
empresa junto à Receita Federal do Brasil 
Inicialmente, precisamos compreender que é indispensável a Habilitação 
ao Sistema Radar – Sistema de Rastreamento das atividades dos Intervenientes 
de Comércio Exterior no Brasil, para Empresas pretendentes a atuar no 
Comércio Internacional, entretanto, esta situação envolve muita precisão na 
definição quanto ao momento em que tal Habilitação deve ser requerida, ao 
quadro societário, e principalmente à realidade econômico-financeira da 
empresa. 
Tais observações são importantes pois no momento em que a empresa 
apresenta à RFB seu requerimento para tornar-se habilitada a ser de fato uma 
atuante no Comércio Internacional, estará permitindo o acesso às informações 
internas da Empresa, de forma ampla e irrestrita ao fisco (RFB), de forma que a 
importância que deve ser considerada para tal fato é muito relevante, porque 
qualquer descuido em relação a possíveis faltas de declarações de renda, 
 
 
4 
ocultação de alguma situação tributária mal sucedida, dentre outros fatores como 
status financeiro do(s) sócio(s) responsável(eis), inclusive em relação à 
Declarações de Imposto de Renda (DIRF-PF e DIRF-PJ), pode impactar 
severamente a análise documental por parte da RFB e, em alguns casos, 
indeferir o pedido da habilitação do CNPJ como Importador/exportador no 
Sistema Radar. 
Veremos, ainda nesta aula, todos esses itens pormenorizadamente. 
1.1.1 Observações relevantes sobre a habilitação junto ao sistema Radar 
da RFB. 
Embora seja tema para momentos, a seguir, nesta aula, abordamos a 
importante consideração de que apenas a Pessoa Jurídica, poderá requerer 
habilitação junto ao Sistema Radar da RFB para fins comerciais. 
Por sua vez, a Habilitação de Pessoa Física permite apenas a prática de 
importações para uso e consumo próprio, ou uso profissional (exemplo das 
ferramentas, computador pessoal etc), porém, sem o alcance e objetivo 
comercial. 
1.1.2 Dispensas da habilitação junto ao sistema Radar da RFB 
A Receita Federal do Brasil, seguindo orientação da Coana (Coordenação 
Geral da Aduana Brasileira), determina as possibilidades de dispensa da 
habilitação no Sistema Radar para várias atividades, porém é salutar a 
compreensão de que são situações não comuns para a grande maioria das 
empresas que pretendem operar no Comércio Exterior, assim sendo, faz-se 
necessária a leitura dessas informações, considerando que permanece, para 
a maior parte das organizações, a necessidade de Habilitação Formal conforme 
estamos observando até aqui nas seguintes operações: 
Vejamos a seguir, portanto, as tais informações a serem consideradas 
para casos de Dispensa da Habilitação junto ao Sistema Radar. 
O conteúdo a seguir é cópia do portal da RFB, inclusive com citação 
referente à Legislação, tema que veremos em detalhes ainda na abordagem dos 
assuntos de Habilitação junto ao Sistema Radar, nesta aula. 
Dispensas de habilitação no sistema Radar, para operações de 
Comércio Exterior: 
 
 
5 
 Importação, exportação ou internação não sujeitas a registro no 
Siscomex, ou quando optar pela utilização de formulários de Declaração 
Simplificada de Importação ou Declaração Simplificada de Exportação1. 
 Importação, exportação ou internação realizadas por intermédio 
da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) ou de Empresa de 
Transporte Expresso Internacional; ou 
 Retificação ou consulta de declaração por pessoa jurídica que tenha 
operado anteriormente no comércio exterior. 
 Estão também dispensados do procedimento de habilitação o depositário, 
o agente marítimo, a empresa de transporte expresso internacional, a 
ECT, o transportador, o consolidador e o desconsolidador de carga, bem 
como outros intervenientes não relacionados no art. 19º da IN RFB n. 
1.984/2020, quando realizarem, no Siscomex, operações relativas à sua 
atividade-fim. No entanto, esses intervenientes estarão sujeitos às regras 
gerais de habilitação quando operarem em comércio exterior na condição 
de importadores, exportadores ou internadores da ZFM (§§ 1º e 2º do 
art. 10 da IN RFB n. 1.603/2015). 
 Quando ocorre a dispensa de Habilitação do Responsável Legal e sendo 
necessário, a PJ pode solicitar o credenciamento de representante para a 
prática das atividades relacionadas com o despacho aduaneiro. 
Saiba mais 
Saiba mais em: 
<http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/habilitacao/Pess
oaJuridica/Operacoesdispensadas/Operacoes%20Dispensadas%20de%20Hab
ilitacao%20no%20Siscomex>. Acesso em: 
 
 
1 Situações especiais em que são realizadas importações ou exportações sem caráter comercial, 
a serem observadas em Legislação Específica como Instrução Normativa RFB n. 611/2006 e 
Instrução Normativa RFB n. 1600/2015. 
http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho-de-importacao/topicos-1/declaracao-simplificada-de-importacao-dsi/dsi-formulariohttp://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho-de-importacao/topicos-1/declaracao-simplificada-de-importacao-dsi/dsi-formulario
http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho-de-exportacao/topicos/conceitos-e-definicoes/tipos-de-despacho-de-exportacao/despachos-de-exportacao-realizados-sem-registro-no-siscomex
http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/remessas-internacionais
http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/remessas-internacionais
http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=70354
http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/habilitacao/Pessoa-Juridica/Operacoes-Dispensadas/copy_of_credenciamento-de-representante-para-retificacao-ou-consulta-de-declaracao-por-pessoa-juridica-que-tenha-operado-anteriormente-no-comercio-exterior
 
 
6 
TEMA 2 – LEGISLAÇÃO VIGENTE SOBRE HABILITAÇÃO NO SISTEMA RADAR 
DA RECEITA FEDERAL 
Muito bem, tendo já observado as hipóteses de Dispensa de Habilitação 
junto ao Sistema Radar da RFB, podemos compreender que de fato empresas 
que projetam a realização de importações e exportações, obrigatoriamente 
necessitam se submeter à Legislação Federal, pertinente e vigente sobre o 
assunto. 
Dessa forma, vejamos então, a seguir, os conteúdos pertinentes aos 
temas objeto de nosso estudo até aqui. 
2.1 Legislação – abordagem analítica 
Iniciaremos a abordagem analítica de forma técnica sobre a Legislação 
aplicável ao assunto, a partir da seguinte ordem: 
a) Decreto Executivo n. 6.759/2009 
Este Decreto contempla a organização das principais normas aduaneiras 
existentes no Brasil, fato que o torna de total importância para nossas atividades 
do dia a dia nas operações de importação. 
A legislação citada compreende a organização e apresentação do 
Regulamento Aduaneiro, o qual nos conduz às regulamentações a serem 
seguidas para prática das importações. Entretanto, não é nele que 
encontraremos as orientações para procedimentos de Habilitação junto ao 
Sistema Radar da RFB, mesmo assim, sua citação faz-se necessária pois a partir 
do momento da concessão da Habilitação pela RFB, ou seja, momento em que 
a empresa estará autorizada a praticar e realizar importações, o cumprimento às 
disposições previstas no referido Regulamento torna-se indispensável. 
É recomendável o download deste Regulamento (gratuito na internet), 
preferencialmente via portal oficial da RFB, conforme link a seguir: (BRASIL. 
Decreto n. 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-
2010/2009/Decreto/D6759.htm>. Acesso em: 20 fev. 2020), para leitura quando 
necessário conforme os temas são apresentados e abordados nas aulas desta 
e de outras Disciplinas de seu curso. 
 
 
 
7 
b) Portaria Coana n. 72/2020 
A Coana é um órgão vinculado diretamente no Organograma Funcional 
da Receita Federal do Brasil, e atua na elaboração e revisão de normas 
praticáveis ao Comércio Exterior Brasileiro. 
A Portaria Coana n. 72/2020 estabelece Normas a serem seguidas por 
todas as empresas pleiteantes à Habilitação no Sistema RADAR, e serve como 
instrumento de instrução para outra Legislação que veremos a seguir, porém, a 
Portaria da Coana n. 72/2020 aborda conceitos determinantes para a elaboração 
de procedimentos que visem a inclusão da empresa no Mercado Internacional, 
bem como orienta procedimentos quanto à regularidade fiscal dos sócios das 
empresas requisitantes, e suas demandas quanto às formas a serem seguidas 
para se apresentarem à RFB como Responsáveis Legais pelas Empresas 
requerentes à Habilitação no Sistema Radar. 
A seguir, link para obtenção da Portaria Coana n. 23/2011 na íntegra. 
Portaria Coana n. 123, de 17 de dezembro de 2015. Disponível em: 
<http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&
idAto=70597>. Acesso em: 20 fev. 2020 
c) Instrução Normativa (IN) n. 1984/2020 
A IN 1984/2020 orienta as atividades a serem cumpridas no momento da 
apresentação dos Requerimentos de Habitação ao Sistema Radar, perante à 
Receita Federal do Brasil. 
É na leitura desta Instrução Normativa juntamente com a Portaria Coana 
n. 1984/2020, vista anteriormente, que a empresa deverá elaborar os trabalhos 
analíticos documentais para se dirigir de fato à Receita Federal do Brasil pelo 
modo eletrônico (E-CAC, Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte – tópico 
a ser visto no Tema 3 da presente Aula), e assim, proceder com seu pedido de 
Habilitação como Importador/Exportador Brasileiro. 
d) Instrução Normativa (IN) n. 2020/2021 
 Legislação determinante dos procedimentos técnicos de abertura de 
Requerimento de serviços junto à RFB. 
 Nesta Instrução Normativa, está definido que a empresa deverá 
primeiramente acessar ao E-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte 
– tópico a ser visto no Tema 3 da presente Aula), pelo qual irá requerer a 
Abertura de um Sodea (Solicitação Digital de Atendimento), procedimento a ser 
 
 
8 
elaborado para obtenção de um número identificador de Processo Administrativo 
Fiscal (PAF), perante a Receita Federal, na prática, as ações são as seguintes: 
1) Empresa tributada pelo Regime Fiscal Lucro Real, Presumido ou 
Arbitrado, deverá acessar o portal da RFB direcionando sua pesquisa 
para a opção E-CAC, e nela apresenta requisição para obtenção do 
Sodea (Solicitação Digital de Atendimento). 
2) Empresa obterá um código identificador do Sodea, denominado PAF 
(Procedimento Administrativo Fiscal), que será a identificação do 
Requerimento da Habilitação junto ao Sistema Radar, por exemplo: 
Empresa Alvorada Ltda. pretende requerer sua Habilitação no Sistema 
Radar, então irá acessar o portal E-CAC da RFB pelo site (RECEITA FEDERAL. 
Abrir um Dossiê Digital de Atendimento. Disponível em: 
<https://receita.economia.gov.br/interface/entrega-de-documentos-digitais/abrir-
um-dossie-digital-de-atendimento>. Acesso em: 20 fev. 2020), onde obterá o 
Código Identificador de seu pedido, (PAF – Procedimento Administrativo Fiscal), 
e com este código irá acessar também no portal da RFB, a opção: Processos 
Digitais, e lá irá inserir os documentos relativos ao pedido da Habilitação junto 
ao Sistema Radar da RFB. 
Por sua vez, a empresa tributada em Regime Fiscal diferente dos citados 
no Item 1 anterior, poderá preencher o formulário do Sodea (Solicitação de 
Atendimento Digital), e apresentar fisicamente em uma Unidade da Receita 
Federal, onde receberá o código identificador do PAF (Processo Administrativo 
Fiscal), para então, posteriormente, acessar o portal da Receita Federal na 
opção do E-CAC, selecionando o menu Processos Digitais, onde poderá anexar 
os documentos requeridos pela Legislação (1984/2020, que veremos com mais 
ênfase no decorrer da aula). 
TEMA 3 – COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA 
A transparência de informações, clareza nos dados e principalmente a 
uniformização sistêmica para o compartilhamento de dados com a Receita 
Federal do Brasil, é a principal ação a ser desenvolvida por empresas atuantes, 
e as pretendentes a atuarem no Comércio Internacional. 
Observamos em temas anteriores, a importância de entender que o 
compartilhamento de dados com a Receita Federal, é feito de forma segura, 
 
 
9 
exatamente pela capacidade de segurança de transmissão de dados que o 
sistema da RFB possui. 
3.1 Interface eletrônica de dados entre empresa e RFB 
O modo eletrônico de transmissão e compartilhamento de dados adotado 
pela RFB, é o E-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte). 
Observemos a seguir, print de tela do portal oficial da Receita Federal do 
Brasil, no link <www.receita.economia.gov.br>, para compreensão mais clara em 
relação ao local de acesso para transmissão de dados junto a este órgão 
fiscalizador. 
Veja parte da página inicial do portal da RFB, print de tela. 
 
Fonte: https://www.gov.br/receitafederal/pt-br acessadoem 01/02/2021. 
Ao acessarmos o portal da Receita Federal do Brasil, observamos no menu, 
a opção “Aduana e Comércio Exterior2. 
Este link nos possibilita visualizar as ferramentas disponíveis no portal, para 
efeito de assuntos relacionados às atividades de Comércio Internacional das 
empresas dentre outros assuntos, dessa forma, é possível por este caminho, ter 
acesso direto à página do E-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao 
Contribuinte). Então, dando sequência à navegação pelo portal da RFB, vejamos 
a próxima tela para acesso ao sistema de transmissão de dados/documentos à 
Receita Federal: 
 
2 O site da RFB é atualizado permanentemente, podendo haver alterações em seu layout durante 
os períodos de estudo. 
 
 
10 
 
Tal sistema permite a leitura e recebimento de informações por parte da 
empresa, sempre em tempo suficiente a cumprimento de prazos estipulados pelo 
órgão fiscalizador (Receita Federal do Brasil), a partir do momento da 
apresentação do Requerimento solicitando a Habilitação ao Sistema Radar, 
então a partir deste momento a empresa está subordinada às exigências fiscais 
e solicitações documentais que aquele órgão venha a realizar. 
Para uma compreensão clara deste sistema E-CAC, este se assemelha a 
um correio eletrônico (e-mail), porém de forma mais segura e sem a possibilidade 
de fraudes tanto no envio, quanto no recebimento de dados e informações, pois 
todas as atividades nele realizadas são executadas mediante o uso de um 
dispositivo denominado Certificado Digital3. 
3.2 Certificação digital 
A Certificação Digital é a tecnologia que, por meio da criptografia de 
dados, garante autenticidade, confidencialidade, integridade e não repúdio às 
informações eletrônicas. Trata-se de um documento digital utilizado para 
identificar pessoas e empresas no mundo virtual. 
Fonte: Disponível em: <https://www.certisign.com.br/>. Acesso em: 20 
fev. 2020). 
 
3 O e-CPF é o a identidade digital de pessoas físicas no meio eletrônico. Por meio da criptografia 
de dados, garante a autenticidade e a integridade das transações realizadas. (Fonte: 
CERTISIGN. O que é Certificado Digital?. Disponível em: <https://blog.certisign.com.br/o-que-
e-certificado-digital/>. Acesso em: 20 fev. 2020). 
 
 
11 
A utilização do Certificado se dá por meio físico ou virtual, por exemplo: 
A empresa requerente da Habilitação no Sistema Radar, deverá possuir 
o E-CNPJ (Acesso digital ao seu Cadastro Nacional e Pessoa Jurídica), e 
também o E-CPF (Acesso digital ao Cadastro Nacional de Pessoa Física), em 
nome de seu Responsável Legal ou Procurador devidamente constituído. 
A obtenção do Certificado Digital tanto para Pessoa Jurídica, quanto para 
Pessoa Física, se dá por meio de consulta a empresas que possuem autorização 
para negociarem tal produto, o qual possui todas as características de segurança 
para transferências de dados pela web, aceito e exigido pela Receita Federal, 
mas também podendo ser utilizado para outros fins comerciais. 
Obs.: A Receita Federal do Brasil não comercializa Certificado Digital, 
apenas exige a propriedade deste por parte das partes interessadas em se 
comunicar com suas Unidades no Território Nacional. 
O Certificado Digital é comercializado nos seguintes modos: (principais) 
1) Armazenado no Computador (Tipo A1). 
Emitido diretamente no seu computador e ficará armazenado no seu 
navegador de internet ou em dispositivos móveis, protegido por senha e cifrado 
por software — sua validade máxima é de um ano. 
2) Em mídias criptográficas Token ou Cartão (Tipo A3). 
Certificado Digital em que a geração e o armazenamento das chaves 
criptográficas são feitos em cartão inteligente ou Token, ambos com capacidade 
de geração de chaves e protegidos por senha e hardware criptográfico aprovado 
pela ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira, é uma autoridade 
da Cadeia Certificadora, vinculada ao Instituto Nacional de Tecnologia da 
Informação). 
3) Certificado Digital na nuvem 
Como o próprio nome já diz, trata-se do Certificado Digital que você já 
conhece só que agora fica armazenado na nuvem da Certisign e pode ser 
acessado de qualquer dispositivo, de qualquer lugar do mundo, com total 
segurança e muito mais praticidade e a sua validade máxima é de até cinco anos. 
Fonte: Disponível em: <https://www.certisign.com.br/>. Acesso em: 20 fev. 
2020. 
 
 
 
12 
Importante 
A Certificação Digital servirá durante todo o tempo em que a Empresa 
realizar atividades de Importação, pois a interface entre usuário (importador), e 
a RFB se dá por meio desta ferramenta em todas as atividades. 
TEMA 4 – A HABILITAÇÃO DA EMPRESA NO SISTEMA RADAR E AS 
VARIÁVEIS 
É importante considerarmos que o início de qualquer atividade de 
importação, deve ser a Habilitação da Empresa no Sistema Radar, pois somente 
a partir da Habilitação a(s) importação(ões) poderá(ão) ser(em) realizada(s). 
Tal procedimento requer total aplicação da empresa na elaboração do 
pedido/requerimento da Habilitação ao Sistema Radar, pois representa a 
realidade desta perante o fisco durante e após o processo/tempo da 
apresentação dos documentos apresentados à Receita Federal do Brasil. 
4.1 Validade da habilitação no Radar 
De acordo com a Instrução Normativa da RFB, n. 1893/2019, o prazo de 
validade da Habilitação é de 12 meses, ou seja, caso durante este período não 
seja realizada nenhuma atividade de Comércio Exterior pelo CNPJ habilitado, 
este terá sua habilitação revogada, e havendo necessidade de novas atuações 
na importação ou exportação, será executado novo procedimento para 
habilitação como da primeira vez. 
4.2 Eficácia e alcance 
A sistemática de utilização prática do Sistema Radar, é a possibilidade 
que a Empresa Habilitada terá em acessar ao Sistema de Comércio Exterior da 
RFB, para registrar todas suas atividades tanto de importação, quanto 
exportação. 
A utilização e manuseio do Sistema Siscomex comumente é realizada por 
profissionais dedicados à prestação de serviço de Assessoria Aduaneira, mais 
tradicionalmente, o Profissional Despachante Aduaneiro realiza tais atividades, 
mediante o uso de Certificado Digital (visto no Tema 3 desta Aula). 
Observaremos no decorrer da presente disciplina as atividades 
operacionais a serem realizadas pelos importadores e/ou seus representantes 
 
 
13 
legais, exatamente a Sistemática Operacional de Importação, aquelas ações do 
dia a dia em que a empresa utilizando o Sistema Siscomex, apresenta à Aduana 
Brasileira (Receita Federal do Brasil) suas atividades administrativo/tributárias 
de importação, como detalhamento da mercadoria, dados do fornecedor 
estrangeiro, tributação, forma de cambio (pagamento ao fornecedor) e todas as 
particularidades da importação. 
Os procedimentos da importação, (após a empresa estar devidamente 
habilitada no Sistema Radar como estudamos nesta aula), iniciar-se-ão de fato 
em um procedimento determinado e definido como Tratamento Administrativo do 
Siscomex, que é uma espécie de “filtro” que a Aduana Brasileira utiliza para ter 
controle absoluto das mercadorias que adentram ao território nacional. 
Assim, frisamos que o Tratamento Administrativo será o primeiro passo 
para qualquer importação, considerando, porém, que a Empresa já possui 
habilitação no Sistema Radar da RFB, conforme estamos estudando nesta 
Disciplina. 
A execução do Tratamento Administrativo não depende de habilitação no 
Sistema Radar, por ser uma espécie de consulta pública disponível no site da 
RFB, mas ao possuir a habilitação o importador ou seu representante legal, 
poderão executar a consulta a esta ferramenta, utilizando seu acesso ao Sistema 
Siscomex de forma mais abrangente, o que veremos nesta disciplina. 
4.3 Exigência e dependência técnica para habilitação ao sistema RadarA principal exigência técnica em termos de dados eletrônicos da empresa 
para obtenção da Habilitação ao Sistema Radar, é a necessidade de adesão ao 
DTE (Domicílio Tributário Eletrônico) da RFB, o qual compreende um dispositivo 
disponível no portal da RFB na internet, no qual são feitas as comunicações entre 
a empresa e o fisco (RFB). 
A adesão a este dispositivo é feita mediante o uso de Certificado Digital 
(visto no Tema 3 desta aula), no qual o Responsável Legal pela Empresa 
requerente da Habilitação ao Sistema Radar, irá permitir que todas as 
comunicações por parte do auditor fiscal da RFB responsável por analisar os 
documentos da petição da habilitação, sejam realizadas utilizando o meio E-CAC 
(visto nos Temas 2 e 3 desta aula). 
Assim sendo, a empresa ao aderir ao Domicílio Tributário Eletrônico 
(DTE), estará ciente de que qualquer exigência fiscal, comunicação, 
 
 
14 
disponibilizada em favor do CNPJ, estará disponível para visualização a partir do 
momento de sua postagem pela RFB, estando o contribuinte (empresa), ciente 
quanto a prazos e documentos exigidos e explicitados no dispositivo DTE. 
TEMA 5 – CADASTRAMENTO DO RESPONSÁVEL LEGAL PELO CNPJ - 
EMPRESA IMPORTADORA 
A Habilitação ao Sistema Radar da RFB, é dependente da vinculação de 
um CPF da pessoa qualificada como Responsável Legal pela empresa 
requerente à habilitação, sendo que tal procedimento exige que para 
determinada pessoa se apresentar nesta condição, deverá fazê-lo mediante a 
apresentação de documentos comprobatórios a tal status, por exemplo, 
documento de outorga de poderes (procuração), Contrato Social, ou ainda 
Estatuto Social onde o nome desta pessoa conste com poderes designados à 
representação legal do CNPJ. 
O procedimento para cadastramento do CPF da pessoa responsável legal 
pelo CNPJ, será feita no ato do pedido da habilitação no sistema Radar e é feita 
de forma simultânea, mediante formulário disponível no Portal Único de 
Comércio Exterior (Disponível em: <https://portalunico.siscomex.gov.br/portal/>. 
Acesso em: 19 fev. 2020). 
TROCANDO IDEIAS 
De acordo com o que observamos e aprendemos nesta aula, podemos 
considerar que as empresas que pretendem atuar no Comércio Internacional, 
seja nas importações, como também nas exportações, precisam requerer sua 
habilitação junto ao Sistema Radar da RFB, sendo que o procedimento é 
administrativo e requer observação e cumprimento aos requisitos constantes nas 
Instruções Normativas n. 1984/2020, 1893/2019, Portaria Coana n. 72/2020. 
Apenas para casos excepcionais como os vistos no Tema 1.1.2 desta 
aula, haverá a dispensa da Habilitação ao Sistema Radar para empresas 
praticantes de importação e/ou exportação. 
NA PRÁTICA 
Uma determinada empresa ao rever seu Planejamento Estratégico para o 
ano seguinte, propõem ao Conselho Administrativo da Organização, que 
 
 
15 
pretende iniciar aquisições de equipamentos e mercadorias no exterior, após 
pesquisas de mercado onde se observou as vantagens em relação aos produtos 
similares disponíveis no mercado doméstico. 
Para tal empresa, quais os procedimentos iniciais para de fato atuar no 
Comércio Internacional, especificamente na Importação? 
Haverá ou não necessidade de utilização de outro CNPJ que não seja o 
da própria empresa, ou há algum meio desta empresa praticar suas atividades 
de importação de forma idônea e legal baseada em dispositivos legais da 
Aduana Brasileira? 
FINALIZANDO 
Estudamos os procedimentos necessários para uma empresa atuar no 
Mercado Internacional, conforme as regras aduaneiras, compreendemos que é 
necessária a aquisição de um Certificado Digital tanto para Pessoa Jurídica, 
quanto para Física, para acesso aos sistemas dos órgãos federais, bem como 
entendemos a necessidade de acompanhamento da empresa, em relação ao 
tempo para inativação de uma Habilitação no Sistema Radar, pois em 12 meses, 
ao não ocorrer importação ou exportação, a habilitação é suspensa. 
Entendemos as normas legais disponíveis e aplicáveis às práticas 
relativas ao pedido de requerimento de habilitação ao Sistema Radar, sendo 
especialmente as Instruções Normativas n. 1984/2020, e Portaria Coana n. 
72/2020. 
Finalizamos compreendendo a necessidade da Pessoa Física 
responsável legal pela empresa requerente da Habilitação junto ao Sistema 
Radar da RFB, também ser habilitada para atuar em nome da empresa perante 
o fisco brasileiro (Aduana Brasileira – Receita Federal do Brasil). 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Decreto n. 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-
2010/2009/Decreto/D6759.htm>. Acesso em: 20 fev. 2020. 
RECEITA FEDERAL. Abrir um Dossiê Digital de Atendimento. Disponível em: 
<https://receita.economia.gov.br/interface/entrega-de-documentos-digitais/abrir-
um-dossie-digital-de-atendimento>. Acesso em: 20 fev. 2020. 
RECEITA FEDERAL. Portaria Coana n. 123, de 17 de dezembro de 2015. 
Disponível em: 
<http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&
idAto=70597>. Acesso em: 20 fev. 2020. 
RECEITA FEDERAL. Disponível em: <https://receita.economia.gov.br/>. Acesso 
em: 20 fev. 2020. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SISTEMÁTICA DE 
IMPORTAÇÃO 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. João Marcos Andrade
 
 
CONVERSA INICIAL 
É fato que os países em sua maioria não são autossuficientes em muitas 
mercadorias, bens de capital, commodities, dentre outros produtos resultados de 
industrialização. Por esta razão, as nações cada vez mais tornam-se praças de 
oportunidades para estabelecimento de novos negócios, além de prospecções 
para investimentos, grandes projetos de infraestrutura, desenvolvimento 
tecnológico, compartilhamento de avanços em várias áreas de inteligência 
artificial, dentre outros aspectos da economia moderna. 
Mas, para todas estas e muitas outras atividades serem realizadas, é 
necessário que cada nação estabeleça suas regras aduaneiras aplicáveis à 
padronização de procedimentos administrativos e tributários, visando à 
contemplação de uma transparência nas atividades de arrecadação de tributos 
nas práticas de comércio internacional, porém, sem deixar de seguir orientações 
e protocolos firmados junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e 
Organização Mundial das Aduanas (OMA). 
Assim, podemos considerar que, para a Sistemática de Importação no 
Brasil, precisamos reconhecer a necessidade de cumprimento às regras da 
Aduana Brasileira, coordenada pela Receita Federal do Brasil, sendo esta 
disciplina uma grande oportunidade para explanarmos as implicâncias das 
atividades operacionais das empresas que praticam importações em nosso país. 
CONTEXTUALIZANDO 
Imaginemos que a empresa em que atuamos, ou onde somos os 
empreendedores, empresários, sócios etc, resolve ingressar no Mercado 
Internacional prospectando importações para a linha de produção, para vendas 
diretas, para montagem, para industrialização, enfim, para várias atividades. 
Mas quais são os procedimentos técnicos vigentes no Brasil para essas 
práticas? Exatamente o que observamos em aulas anteriores. Primeiramente, a 
necessidade de habilitação da empresa no Sistema RADAR da Receita Federal 
do Brasil, o Sistema de Rastreamento das atividades dos Intervenientes de 
Comércio Exterior no Brasil, sendo que nesta aula abordaremos temas 
subsequentes aos vistos anteriormente, referentes à conceituação do que vem 
a ser de fato a Habilitação no Sistema Radar. Por isso, temos agora a 
 
 
3 
oportunidade de expandir nosso conhecimento no campo da prática das tarefas 
pertinentes à execução, à materialização da Habilitação de uma empresa no 
Radar da Receita Federal. 
Importante 
Não vamos confundir RADAR, da RFB, com o radar observado nas vias 
dos centros urbanos, ou estradas federais. 
 
 Créditos: Vectorlab2d/Shutterstock. 
TEMA 1 – PROCEDIMENTOS OPERACIONAISPARA HABILITAÇÃO DA 
EMPRESA NO SISTEMA RADAR DA RFB 
Inicialmente, a empresa promoverá a análise interna para a obtenção do 
status real em relação à sua composição como organização e, assim, teremos 
as seguintes etapas a serem cumpridas para a obtenção da Habilitação do CNPJ 
junto ao Sistema RFB. 
O Procedimento de Habilitação do CNPJ junto ao Sistema RADAR 
envolve três categorias, três Modalidades de Habilitação, as quais veremos logo 
a seguir. Entretanto, recomenda-se a leitura na íntegra da Instrução Normativa 
(IN) n. 1984/2020 e da Portaria da Coana n. 123/2015, para enriquecimento do 
conhecimento e das análises que estamos propondo neste estudo. 
A definição de qual das três Modalidades disponíveis a empresa estará 
apta a se habilitar deve, inicialmente, ser do conhecimento da própria empresa, 
uma vez que todas as afirmações e determinações dos requisitos para 
enquadramento em uma das três modalidades constam na Legislação que tal 
disciplina revela. (Observadas no parágrafo anterior). 
 
 
4 
 
Saiba mais 
Importante considerar que de acordo com o Art. 7º da Instrução Normativa 
para as Habilitações no Sistema RADAR, a RFB inclui nos procedimentos de 
fiscalização: 
1) Origem dos Recursos da Empresa, em que é necessária a 
comprovação lícita de todos os recursos financeiros e de patrimônio. 
2) Autenticidade dos documentos apresentados; qualquer adulteração de 
documentos apresentados impacta em indeferimento do pedido. 
3) Atendimento a prazos estipulados em eventuais exigências fiscais. 
4) Comprovação de endereço mediante visita de auditores fiscais da RFB 
em alguns casos para comprovação. 
1.1 Análise sobre a situação contábil/fiscal da Empresa 
No momento em que a empresa decide requerer sua Habilitação junto à 
RFB para atuar no Comércio Internacional, passa a estar propensa às 
solicitações de prestação de informações por parte daquele órgão, inclusive sob 
procedimento de fiscalização mais acentuada. 
Essa informação é necessária, pois o CNPJ requerente da habilitação 
deverá estar com toda a situação fiscal na condição de “Ativa” perante a RFB, 
ou seja, as Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica necessitam 
contemplar totalmente as atividades realizadas. Vendas de mercadorias, 
compras, enfim, cada atividade relacionada com a realidade da organização 
deve estar completamente de acordo com a legislação pertinente a cada uma, 
por exemplo, a Declaração de Imposto de Renda deve estar em dia, quanto à 
entrega, e principalmente quanto à sua regularidade fiscal. 
A RFB precisa receber os dados da empresa de forma que não ocorra 
nenhuma discrepância perante o fisco, e neste aspecto frisa-se a ocorrência em 
alguns casos, de empresas que “editam” documentos para apresentar à Receita 
Federal, o que configura crime de falsificação de documentos conforme o Art. 
298 do Código Penal Brasileiro, podendo inclusive ensejar pena de reclusão 
(prisão), por um determinado período. 
Por esses motivos, e por questão de ética e transparência, é conveniente 
às empresas, primeiramente proceder com a análise documental junto aos 
 
 
5 
setores fiscais, financeiro, operacional, e jurídico dependendo do porte da 
empresa (mais comum nas grandes empresas), para que, a partir do momento 
em que a documentação for apresentada à RFB, haja na companhia a ciência 
de que não há temor algum quanto a irregularidades ou pendências tributárias 
que não possam ser resolvidas em curto tempo. O CNPJ precisa estar de fato 
absolutamente condizente com a condição de “Ativa”, sem nenhuma pendência 
junto à Receita Federal. 
Observamos, portanto, que o critério da análise documental é de certa 
forma abrangente ao todo da empresa, citamos a seguir os principais tópicos e 
temas abordados e requeridos pela RFB em Requerimentos de Habilitação junto 
ao Sistema RADAR. 
• Situação do FGTS, (Fundo de Garantia por tempo de Serviço) dos 
funcionários. 
• Contas recentes de energia elétrica e telefone, com seus respectivos 
pagamentos, para comprovação da atividade da empresa no endereço 
fiscal indicado. 
• Livro de Registro de Empregados (quanto o porte da empresa assim o 
exigir). 
• Documento de arrecadação de IPTU (Imposto Predial e Territorial 
Urbano), referente ao imóvel onde a empresa exerce suas atividades. 
Saiba mais 
Importante considerar que a Receita Federal irá analisar também a 
composição do Contrato Social, de forma que é necessário constar em seu 
Objeto Social, as atividades de Comércio Exterior, devendo estar citado: 
“Atividades de Importação e Exportação”. 
 
1.2 Certificação Digital – procedimento necessário 
Compreendemos até aqui a necessidade de obtenção do Certificado 
Digital para o CNPJ da empresa, bem como para o CPF do Dirigente 
Responsável Legal pela Empresa. 
Com o Certificado Digital, teremos acesso ao Sistema Gerenciador de 
Dados da Receita Federal para a execução das atividades de Importação, 
juntamente com a adesão ao DTE (Domicílio Tributário Eletrônico), ambos vistos 
 
 
6 
em aulas anteriores. Observaremos a seguir um fluxograma das atividades 
presentes em uma tratativa de obtenção de RADAR junto à Receita Federal. 
Saiba mais 
O acesso ao Sistema Gerenciador da RFB, para esta finalidade, encontra-
se disponível em: <https://portalunico.siscomex.gov.br/portal/>. Acesso em: 20 
dez. 2020. 
Figura 1 – Fluxograma Operacional para elaboração de Requerimento de 
Habilitação no Sistema Radar da Receita Federal do Brasil 
 
Em tese, tendo realizado este procedimento, a empresa estará com seu 
CNPJ habilitado no Sistema RADAR, porém, podem haver exigências fiscais por 
parte da RFB durante o processo de análise documental, sempre via E-CAC. 
1.3 Indeferimento do Pedido de Habilitação 
Pedidos de requerimentos que venham a ser indeferidos pela RFB por 
algum motivo, deverão aguardar de acordo com o Art. 20 da Instrução Normativa 
(IN) n. 1984/2020, um período de 6 meses para apresentação de novo 
requerimento. 
 
 
Aquisição de 
Certificado Digital 
(CNPJ , e CPF)
Adesão ao DTE -
Domicílio Tributário 
Eletrônico via E-CAC
Acesso ao E-CAC, ou 
ida à RFB para 
obtenção do Proce. 
Administrativo Fiscal
Acesso ao Portal 
Habilitação 
(<www.portalunico.sisc
omex.gov.br/portal/>)
Inclusão dos 
documentos no Portal 
ÚInico do Siscomex 
Deferimento, ou 
Indeferimento 
automático pelo 
Sistema
Se Indeferimento 
automático, reporte de 
documentos à RFB, via 
E-CAC
RFB procede análise 
de acordo com a IN n. 
1984/2020 e Portaria 
Coana n. 123/2015
RFB solicita 
documentos, defere ou 
indefere o pedido de 
Habilitação
 
 
7 
1.4 Considerações Importantes 
Sempre que um Requerimento de Habilitação ao Sistema Radar for 
apresentado, a empresa deve estar ciente de que a partir daquele momento, a 
qualquer tempo a RFB pode rever por ofício (definição da própria RFB) a 
habilitação, e aplicar considerações de acordo com os resultados da análise. 
Por exemplo, a Empresa A obteve a habilitação de RADAR na Modalidade 
Limitada, porém, em determinado tempo, a RFB em processos de fiscalização 
percebeu que a empresa não mais possui a capacidade financeira apresentada 
e comprovada no momento do requerimento. Neste caso, a RFB poderá 
sumariamente suspender a Habilitação. 
Situações fiscais dos Responsáveis Legais pelo CNPJ também podem ser 
fiscalizadas durante a vigência da Habilitação do Radar e, ficando comprovada 
inconsistência em declarações de imposto de renda ou outra ferramenta de 
fiscalização por parte da RFB, a habilitação do CNPJ no Sistema RADAR 
também pode ser suspensa. 
Quando há casos de suspensão da Habilitação, as empresas podem 
apresentar recursos administrativos requerendo revisão no processo de 
fiscalização, e motivando novas tratativas para a RFB desde que com 
fundamentos sólidos capazes de serem comprovados mediante documentos 
lícitos, ou ainda, em outras circunstâncias, também poderá

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