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Uveítes 
Quezia brito 
Doença sistêmica evoluindo com alterações oftalmológicas = 
pensar em uveítes 
 
DEFINIÇÃO 
É um grupo de doenças caracterizado por inflamação 
intraocular, envolvendo principalmente o trato uveal (íris, 
corpo ciliar, coróide), mas a inflamação pode acometer as 
estruturas adjacentes 
As uveítes podem ser classificadas de várias formas: 
✓estruturas acometidas: irite, ciclite anterior ou posterior, 
coroidite 
✓curso clínico: aguda (súbita), recorrente (>3 meses de 
inatividade e depois aparece de novo), crônica (episódios 
repetitivos, mas há recaída em <3 meses de tratamento) 
✓uni ou bilateralidade 
✓etiologia: endógenas (infecciosa ou não infecciosa) exógenas 
(traumas) 
✓aspecto clínico: granulomatoso e não granulomatoso 
✓LOCALIZAÇÃO ANATÔMICA DO SÍTIO PRIMÁRIO DE 
INFLAMAÇÃO INTRAOCULAR classificação padronizada 
 
 
UVEÍTE ANTERIOR 
É a forma mais comum de uveíte (1/4 dos casos) 
 
QUADRO CLÍNICO AGUDO: intensa dor ocular, fotofobia, olho 
vermelho, baixa acuidade visual (BAV), lacrimejamento, sem 
secreções 
Ao exame: hiperemia conjuntival, injeção ciliar, flare (maior 
concentração de proteínas no humor aquoso), células 
inflamatórias na câmera anterior, precipitados ceráticos 
(PK’s), alterações na íris, celularidade no vítreo anterior, PIO 
alta ou baixa (pela diminuição na produção do HÁ, mas com o 
tempo do tratamento a pressão pode aumentar), hipópio (pela 
quebra da barreira hematoaquosa), hifema (sangue na 
câmera anterior), sinéquias (íris gruda em uma estrutura 
adjacente; uso de midriáticos no tratamento) 
A dor ocular e o lacrimejamento são provocados pelo 
espasmo do músculo ciliar, pela irritação nervo trigêmeo (uso 
de midriáticos no tratamento, para paralisar musculatura e 
parar a dor) 
 
CLASSIFICAÇÃO PATOLÓGICA: granulomatosa x não 
granulomatosa 
PK’s: conglomerados de células inflamatórias no endotélio 
corneano 
PK’s granulomatosos: muttuon-fat, conglomerados de 
histiócitos epitelióides, grandes e de aspecto acizentado 
PK’s não granulomatosos: formados por leucócitos 
granulomononucleares, são finos e brancos 
 
 
 
QUADRO CLÍNICO CRÔNICA: em geral assintomático, mas 
quando em crise, o quadro é semelhante ao agudo 
Ao exame: olho calmo, células da câmera anterior (indica 
atividade da doença). PK’s (fica vários meses, depois da 
agudização), nódulos irianos (Busacca e Koeppe), atrofia e 
despigmentação da íris 
 
COMPLICAÇÕES DA UVEÍTE ANTERIOR CRÔNICA: ceratopatia 
em faixa (depósitos de cálcio na córnea), catarata, glaucoma 
(inflamação crônica e corticoides do tratamento), atrofia 
bulbar 
 
ESPONDILITE ANQUILOSANTE: doença inflamatória que 
acomete em graus variáveis as articulações sacroiliacas, 
coluna vertebral, e em menor extensão as articulações 
periféricas 
Predileção pelo sexo masculino (2-4:1) 
Idade de aparecimento dos sintomas: 20-35 anos 
96% dos pacientes são HLA B27 + 
Clínica: dor nas articulações sacroilíacas e/ou coluna 
vertebral progressivamente incapacitante, rigidez matinal e 
sintomas constitucionais (febre, astenia, emagrecimento) 
Ao exame: redução e até retificação da coluna vertebral, 
fusão vertebral, expansibilidade torácica reduzida, aumento da 
cifose, projeção da cabeça para frente, lesões nas enteses, 
insuficiência aórtica, cardiomegalia, arritmias, DII, psoríase 
 
Manifestações oculares (20-30%) é bilateral em 80%, 
curso evitável; quadro mais característico: uveíte anterior 
aguda, não granulomatosa e redicivante 
✓Quadro agudo: dor, fotofobia, olho vermelho, BAV, 
lacrimejamento, ptose mecânica 
✓Quadro crônico: olho calmo com PK’s finos células e flare 
da câmera anterior, sinéquias posteriores e membranas pré-
lenticulares 
Complicações: catarata, glaucoma, ceratopatia em faixa, 
EMC, buraco macular 
OBS.: o quadro ocular NÃO se correlaciona com a 
severidade da doença sistêmica 
 
TRATAMENTO: multidisciplinar (reumato, oftalmo, fisio) 
Ocular: cicloplégicos/midriáticos + corticoide tópico 
✓cicloplégicos/midriáticos: essa dinâmica de miose-midríase 
faz com que íris não grude nas estruturas adjacentes = 
prevenir sinéquias. Além do que paralisa o musculo ciliar = 
cessa a dor e lacrimejamento 
✓corticoide tópico: cessar inflamação 
 Casos graves: corticoide oral (prednisona 0,5-1mg/kg/dia) 
 Se necessidade de tratamento prolongado e/ou doença 
redicivante: ciclosporina A, inibidores do TNF alfa 
 
 
 
 
UVEÍTE INTERMEDIÁRIA 
O vítreo é o principal local da inflamação e a presença de 
embainhamento vascular periférico e edema macular não 
deve interferir na classificação 
 
QUADRO CLÍNICO: insidioso, crônico e bilateral (80%), com 
caráter redicivante 
Paciente assintomático ou com moscar volantes, BAV 
Ao exame: uveíte anterior leve, vitreíte, formação de 
agregados celulares inflamatórios no vítreo inferior 
(snowballs) e/ou sua organização mais grosseira e densa sob 
a pars plana e ora serrata (snowbank). Na periferia pode se 
observar vasculite, oclusões, periarterite e neovasos; 
heipermia do disco óptico, edema, atrofia ou 
neovascularização 
 
COMPLICAÇÕES: catarata, glaucoma, EMC 
 
 
 
SARCOIDOSE: doença inflamatória crônica de etiologia 
desconhecida (resposta imune celular exagerada), 
caracterizada histologicamente pela presença de granulomas 
não caseosos (coleções de histiócitos epitelióides sem 
necrose) em qualquer parte do corpo, os quais podem se 
degenerar e desaparecer ou evoluir para fibrose obliterativa 
Pulmão é o principal órgão acometido 
RX de tórax 
Mulheres jovens entre 20-40 anos 
Doença ocular (10-60%) em qualquer sexo 
Olho: uveíte anterior granulomatosa bilateral, uveíte 
intermediária, granulomas coroidianos ou do disco óptico, 
nódulos pré-retianianos (sinal de Landers), cicatrizes atróficas 
na retina, EMC, edema ou neovascularização do disco óptico e 
macroaneurisma da retina 
 
DOENÇA DE LYME/BORRELIOSE: doença sistêmica e 
infecciosa, causada pelas espiroquetas do complexo Borrelia 
burgdorferi sensu lato 
Transmissão: picada do carrapato 
Clínica: Estágio I (mácula eritematosa com centro claro no 
local da picada e expansão centrifugal + sintomas gerais) 
 
Estágio 11 (surge após semanas até 6m: 
meningorradiculite, meningite, neurite de pares cranianos, 
encefalite, mielite, arterite temporal, miocardite, pericardite) 
Estágio 111 (surge após 6 meses: encefalite, 
meningoencefalite, arterite temporal, polineuropatia, 
monoligoartrite) 
Olho: presente em qualquer estágio, conjuntivite (+ comum), 
ceratite, episclerite, neurite, uveíte intermediária, pan-
oftalmite, diplopia por paralisia de IV e VI 
 
TRATAMENTO: 
1) exclusão de doenças associadas = uveíte intermediária 
idiopática = pars planite 
2) se UNILATERAL: injeção subtenoniada de corticoide 
(triancinolona 20mg no QTS) resposta satisfatória = 
acompanhamento 
resposta insatisfatória = 
repetir até 3x, intervalo de 14d entre aplicações 
3) se BILATERAL ou UNILATERAL REFRATÁRIO: corticóide 
sistêmico (prednisona 0,5-1mg/kg/dia até no máximo 
60mg/dia), fazer desmame e manter por pelo menos 4 
meses 
4) se casos REFRATÁRIOS: imunossupressor (ciclosporina A 
5mg/kg/dia por 12 meses) 
5) outros tratamentos: crioterapia (snowbank refratário), 
fotocoagulação à laser (áreas isquêmicas e com 
neovascularização); VVPP (vitreíte persistente, HV, DR, MER) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UVEÍTE POSTERIOR 
Acomete retina e coróide e podem ter envolvimento focal 
ou multifocal 
 
QUADRO CLÍNICO: o principal sintoma é o BAV (por opacidades 
flutuantes pela turvação do vítreo) metamorfopsia (imagem 
distorcida; quando a mácula é acometida), mosca volante 
 
 
 
TOXOPLASMOSE: é a principal causa de uveíte posterior no 
Brasil, sobretudo em imunocompetentes 
É causada pelo Toxoplasma gondii (protozoário intracelular 
obrigatório) 
Transmissão: ingestão de oocistos presentes em alimentos 
e reservatórios de água, ingestão de cistos teciduais 
presentes em carne crua ou malcozida, infeção 
transplacentária, ingestão de leite ou saliva contaminada, 
esperma,transfusão sanguínea, transplante de órgãos 
Apresentação congênita 
✓Transmissão via transplacentária 
✓1° trimestre: morte seguida de aborto 
✓2º trimestre: pode desenvolver 3 formas de toxoplasmose 
congênita 
 Infecções subclínica: + comum (infecção do 3º trimestre) 
cicatrizes retinocoroidianas, que levam a estrabismo e 
ambliopia, calcificações intracranianas e, após meses ou anos, 
hidrocefalia, microcefalia, convulsões e retardo no DNPM 
 Doença neonatal: + grave; já nasce com sinais de infecção; 
tetra de Sabin (hidrocefalia/microcefalia + calcificações 
intracranianas + retinocoroidite + retardo mental) 
 Doença pós-neonatal: criança nasce normal e após semanas 
ou meses desenvolve a doença 
Apresentação adquirida 
✓Clínica: é subclínica em 70% e 30% sintomáticos, em 4 
formas: 
 Forma ganglionar: linfadenopatia assintomática 
 Forma pulmonar: pneumonite toxoplásmica + sintomas 
gerais + petéquias e equimoses 
 Forma neurológica: encefalite toxoplástica (cefaleia, 
confusão mental e convulsões): pensar em imunossuprimido 
 Forma ocular: lesão ativa típica = 
retinocoroidite granulomatosa focal 
necrosante, única ou múltipla, com 
aspecto de “luz de neblina” ou satélite a 
outra preexistente localizada na 
mácula/pp. Lesão cicatricial: margens 
bem definidas, vários graus de 
hiperplasia do EPR a trofia 
retinocoroidiana 
 
TRATAMENTO: 
Sempre tratar quando 
✓Ameaça áreas nobres da retina (mácula, região 
perimacular, disco óptico e região peridiscal) 
✓Grande turvação vítrea 
✓Grandes fenômenos inflamatórios 
✓Perda visual 
✓Lesões crônicas e exsudativas independentemente da 
localização 
✓Retinocoroidite congênita 
✓RN cuja mãe adquiriu toxoplasmose na gestação 
(independente da presença dou não de lesão ocular) 
Tratamento clássico: sulfametaxazol + trimetropin + 
prednisona VO 
 
CITOMEGALOVÍRUS: retinite pelo CMV é a principal doença 
ocular relacionado com o HIV (CD4 <50) 
Quadro clínico: BAV + mosca volante e perda de CV + 
retinite necrosante não exsudativa associada a hemorragia 
(lesões em “queijo com ketchup”), pouca ou nenhuma RCA, 
PK’s finos e vitreíte leve 
Tratamento: GANCICLOVIR VO, foscarnet, cidofovir EV e 
valganciclovir oral; implantes intraoculares de ganciclovir 
podem ser usados

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