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22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 1/124 APOSTILA DE AVICULTURA Site: AVA - IFMG Campus Bambuí Curso: Avicultura - BIBZOOT.2019.1-A Livro: APOSTILA DE AVICULTURA Impresso por: Administrador Usuário Data: quinta, 22 jul 2021, 10:43 https://ava.bambui.ifmg.edu.br/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 2/124 Descrição Esta apostila é o material base para o curso de Avicultura dos cursos técnicos e superiores. Desejo uma boa leitura e bons estudos! 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 3/124 Índice 1. INTRODUÇÃO 1.1. IMPORTÂNCIA DA AVICULTURA 1.2. FATORES QUE CONTRIBUÍRAM PARA O PROGRESSO DA AVICULTURA MUNDIAL 1.3. 4. FATORES FUNDAMENTAIS PARA O SUCESSO DO BRASIL NO CENÁRIO DA AVICULTURA BRASILEIRA 2. ÍNDICES ZOOTÉCNICOS NA AVICULTURA 2.1. ÍNDICES ZOOTÉCNICOS NA AVICULTURA DE CORTE 2.2. ÍNDICES ZOOTÉCNICOS NA AVICULTURA DE POSTURA 3. ESTATÍSTICAS DA AVICULTURA NO BRASIL E NO MUNDO 3.1. AVICULTURA DE CORTE 3.2. AVICULTURA DE POSTURA 3.3. EXPORTAÇÃO DE MATERIAL GENÉTICO 4. MATERIAL GENÉTICO E PRINCIPAIS LINHAGENS DE FRANGOS E GALINHAS POEDEIRAS COMERCIAIS 4.1. ORIGEM E CLASSIFICAÇÃO DAS AVES 4.2. MATERIAL GENÉTICO , PRINCIPAIS CLASSES E RAÇAS DE GALINÁCEOS 4.3. LINHAS PURAS, AVÓS, BISAVÓS, MATRIZES E FRANGO COMERCIAL 4.4. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA SELEÇÃO DAS LINHAGENS 4.5. PRINCIPAIS LINHAGENS DE FRANGOS DE CORTE E DE GALINHAS POEDEIRAS COMERCIAIS 5. SiSTEMAS DE PRODUÇÃO DE FRANGOS DE CORTE E DE POEDEIRAS COMERCIAIS 5.1. SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE FRANGOS DE CORTE 5.2. SISTEMA DE PRODUÇÃO DE OVOS PARA CONSUMO 6. LIMPEZA E DESINFECÇÃO DOS AVIÁRIOS 6.1. PRINCIPAIS DESINFETANTES UTILIZADOS NA AVICULTURA 7. CAMA DE AVIÁRIO E CUIDADOS PARA SUA REUTILIZAÇÃO 7.1. A CAMA DE AVIÁRIO 7.2. REUTILIZAÇÃO DA CAMA DE AVIÁRIO 8. MANEJO INICIAL DE PINTOS DE CORTE E PINTAINHAS DE GALINHAS POEDEIRAS 8.1. RECEBIMENTO DOS PINTOS DE CORTE E DE POSTURA 8.2. TRANSPORTE DOS PINTINHOS DO INCUBATÓRIO ATÉ A GRANJA 8.3. MONTAGEM DOS CÍRCULOS DE PROTEÇÃO OU ÁREA DE ALOJAMENTO DOS PINTINHOS E PRIMEIROS CUIDADOS 9. MANEJO DE FRANGOS DE CORTE NAS FASES INICIAL, CRESCIMENTO E FINAL 9.1. FASES DE CRIAÇÃO DOS FRANGOS DE CORTE 9.2. CRIAÇÃO DE FRANGOS DE CORTE COM SEPARAÇÃO DE SEXO 9.3. ACOMPANHAMENTO DO PESO DE UMA AMOSTRA DE FRANGOS SEMANALMENTE 9.4. DENSIDADE DE CRIAÇÃO DE FRANGOS DE CORTE 9.5. GALPÕES CONVENCIONAIS – MANEJO DE CORTINAS 9.6. VENTILAÇÃO DO AVIÁRIO 9.7. PROGRAMA DE ILUMINAÇÃO 9.8. BEBEDOUROS 9.9. COMEDOUROS 9.10. REVOLVIMENTO DA CAMA DE AVIÁRIO 9.11. PROGRAMA DE RAÇÃO, ASPECTOS FÍSICOS E CUIDADOS NA FABRICAÇÃO PARA FRANGOS 9.12. PROGRAMAS DE RAÇÃO PARA FRANGOS DE CORTE 9.13. ASPECTOS FÍSICOS DA RAÇÃO 9.14. CUIDADOS NA FABRICAÇÃO DA RAÇÃO 9.15. DESCARTE DAS AVES MORTAS NO AVIÁRIO 9.16. RECAPITULAÇÃO DOS PONTOS ESSENCIAIS NO MANEJO DE UM PLANTEL DE FRANGOS DE CORTE 10. MANEJO PRÉ-ABATE DE FRANGOS DE CORTE 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 4/124 10.1. PROGRAMAÇÃO DA RETIRADA DO LOTE DE FRANGOS 10.2. PREPARAÇÃO DO AVIÁRIO E APANHA DE FRANGOS DE CORTE 10.3. NÚMERO DE AVES POR CAIXA 10.4. TRANSPORTE DAS AVES ATÉ O ABATEDOURO E ESPERA NA PLATAFORMA DE ABATE 11. AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DO LOTE DE FRANGOS DE CORTE 12. PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA CRIAÇÃO DE FRANGOS DE CORTE E GALINHAS POEDEIRAS 12.1. AQUECEDORES DE AVIÁRIO 12.2. COMEDOUROS 12.3. BEBEDOUROS 12.4. VENTILADORES 12.5. EXAUSTORES 12.6. SISTEMA DE RESFRIAMENTO ADIABÁTICO EVAPORATIVO OU PLACAS EVAPORATIVAS OU COLLER (RESFRIADOR) 12.7. NEBULIZADORES 12.8. CORTINAS 12.9. GAIOLAS 12.10. DEBICADORES 12.11. NINHOS 12.12. SILOS PARA ARMAZENAMENTO DE RAÇÃO 12.13. DEMAIS EQUIPAMENTOS 13. SÍNDROMES METABÓLICAS OU DOENÇAS DE PRODUÇÃO EM FRANGOS DE CORTE 13.1. RESTRIÇÃO ALIMENTAR EM FRANGOS DE CORTE 13.2. SÍNDROME ASCÍTICA OU SÍNDROME DA HIPERTENSÃO PULMONAR (SHP) 13.3. DISCONDROPLASIA TIBIAL OU SÍNDROME DAS PERNAS TORTAS 13.4. SÍNDROME DA MORTE SÚBITA (SMS) 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 5/124 1. INTRODUÇÃO O Brasil destaca-se entre os três maiores produtores de frangos de corte, sendo o primeiro do ranking internacional na exportação de carne de frangos e terceiro lugar no volume produzido, ficando atrás somente dos Estados Unidos e China (quase empata com a China que está em segundo lugar) (Relatório ABPA, 2020). A excelência atingida pela avicultura nacional é fruto do melhoramento genético, manejo, nutrição, sanidade e ambiência, onde muitas pesquisas e trabalhos vêm sendo realizados para melhorias no índice de produção. A produção de frangos e poedeiras deve respeitar os princípios de biosseguridade entre os quais a prática de alojamento “todos dentro todos fora” (all-in- all-out). Neste sistema de biosseguridade as instalações são ocupadas por aves do mesmo lote no momento do alojamento e desocupada totalmente no momento do abate (frangos de corte) ou mudança de instalações no caso de poedeiras comerciais (transferência de frangas da instalação de cria/recria para a galpões de postura ou limpeza e desinfecção após descarte das poedeiras no final do ciclo de produção). Essa prática permite a higienização do aviário e o respectivo vazio que deve antecipar a entrada do próximo lote. Nesse período se recomenda ainda, o conserto das instalações e dos equipamentos de uso cotidiano. Se as recomendações sugeridas forem aplicadas corretamente, juntamente com um bom manejo e alimentação das aves, é possível em sistema misto de criação de frangos de corte (macho + fêmeas), obter frangos aos 42 dias de idade com peso vivo médio de 2,920 kg, conversão alimentar de 1,631 (Dados do Manual da linhagem Ross 308 AP95, 2017) e índice médio de eficiência produtiva de 300 ou mais (depende muito do manejo e dos cuidados do granjeiro para se obter bons índices) e poedeiras com índices de viabilidade no período de 1 dia a 18 semanas de 96 a 98% e na fase de produção de 94% até 90 semanas de idade e produção de ovos aproximada de 422 unidades até 90 semanas de idade (Hy-line, 2020 e Hisex , 2019). 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 6/124 1.1. IMPORTÂNCIA DA AVICULTURA A avicultura é muito importante para a economia do país. Dentre as importâncias se destacam: · Geração de divisas para o país (bilhões de dólares por ano, envolvendo os setores de rações, de equipamentos, embalagens, medicamentos, vacinas, etc.) – Receita da exportação da carne de frango em 2019: 6,994 bilhões de dólares e exportação de 4,214 milhões de toneladas (ABPA, 2020). As rações utilizadas são a base de milho e farelo de soja. Em 2019, o setor avícola (corte e postura) demandou cerca de 29,5 milhões de toneladas de ração no período de janeiro a setembro (fonte: Avinews, 2019). Apenas poucos aditivos são importados, sendo a maioria dos ingredientes produzidos no próprio país. As pré-misturas minerais e vitamínicas são formuladas de acordo com as exigências das agroindústrias produtoras de aves, onde as empresas atendem as demandas. Atualmente, as empresas avícolas já não dependem de importação de equipamentos para ter suas necessidades de qualidade atendidas. As empresas brasileiras, associadas ou não a grupos estrangeiros, oferecem o que há de mais moderno para aviários, fábricas de rações e incubatórios. O único setor dependente de importações é o de equipamentos para abatedouros e plantas de processamento, mas mesmo nesse setor, o país já dispõe de produtos com boa qualidade e a preços competitivos. Vacinas, medicamentos e outros produtos veterinários são fornecidos por laboratórios nacionais e multinacionais estabelecidos no Brasil, sendo que apenas as matérias primas para a sua produçãosão importadas, uma vez que a maioria dos insumos finais fornecidos às aves é produzida no país. · Geração de empregos diretos e indiretos na avicultura de corte e postura – mais de 2 milhões de empregos (indústrias de rações e concentrados, indústrias de equipamentos, laboratórios de produção de vacinas e medicamentos, indústrias de abate e processamento, empresas de melhoramento genético, etc.). Ex.: no setor de abate e processamento emprega-se aproximadamente 350 mil pessoas. · Fixação do homem no campo (atividade mais compatível com propriedades de pequeno e médio porte, que utiliza terras fracas e desvalorizadas, emprega terras onde a agricultura mecanizada é impraticável e aproveita a mão-de-obra familiar ociosa e tem giro rápido de capital). No campo temos mais de 130 mil famílias proprietárias de granjas. Sobre a avicultura de postura, a produção de ovos é para atender principalmente a demanda interna do país (99,51%), sendo que a exportação é muito pequena (0,49%) (ABPA, 2020). Nos últimos anos (2018 e 2019) houve um aumento significativo de consumo de ovos pela população brasileira devido à quebra de muitos mitos envolvendo o consumo deste alimento riquíssimo em nutrientes. No ano de 2019 cada brasileiro consumiu uma média de 230 ovos em um ano e ainda há uma margem muito grande para crescimento, visto que países como China, cada cidadão consumiu no ano de 2017 em média 352 unidades de ovos de 65g/ano, seguido pelo Japão (fonte: Helgilibray, 2020). Hoje até médicos cardiologistas indicam o consumo de ovos, visto que pesquisas científicas comprovam que o colesterol presente na gema não agrava as doenças coronarianas. A produção de frangos e de ovos de galinhas poedeiras está localizada predominantemente nas regiões sul e sudeste, mas novos polos produtivos estão em desenvolvimento na região centro-oeste e mesmo na região nordeste (produção de ovos). 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 7/124 1.2. FATORES QUE CONTRIBUÍRAM PARA O PROGRESSO DA AVICULTURA MUNDIAL Hoje há um mito que envolve a produção de frangos de corte e que merece nossa atenção especial, para que possamos esclarecer a população de nosso país. É VERDADE QUE O FRANGO DE CORTE COMERCIAL (DE GRANJA) CRESCE MUITO RÁPIDO E GANHA MUITO PESO DEVIDO O USO DE HORMÔNIOS NA RAÇÃO? Resposta: MENTIRA!!!! Para a criação e produção do frango de corte comercial ou popularmente chamado de frango de granja, não se utiliza hormônio na ração ou injetável para que este animal ganhe peso rápido. Hormônios são substâncias que tem como constituinte aminoácidos ou lipídeos (gorduras). Caso utilizasse colocar hormônio na ração, o mesmo seria quebrado no intestino devido a ação de enzimas digestivas e do ácido clorídrico (HCl) que desnatura as proteínas de um possível hormônio e este não faria o efeito desejado (melhorar o ganho de peso). Se fosse para funcionar, o hormônio deveria ser injetado na musculatura dos frangos a cada período de tempo. Além de ser caro este produto, já imaginou o trabalhão que seria aplicar o hormônio individualmente em cada frango? Em média um galpão de frangos tem 25 mil animais. Agora abaixo estão os verdadeiros motivos pelas quais os frangos se desenvolvem tão rápido, atingindo em média 2,900 kg em 42 dias: 1. Genética (fator primordial e que tem maior peso para o frango atingir o peso corporal de abate em pouco tempo. O frango de corte de O frango de corte comercial está em constante processo de melhoramento, visto que para o lançamento de uma nova linhagem leva em torno de 5 anos, uma das mais rápidas dentre as espécies animais). Observe na figura abaixo o peso dos frangos de corte não melhorados e o frango melhorado geneticamente aos 56 dias de idade (Figura 1). Observe que o melhoramento genético faz toda a diferença. Figura 1. Desenvolvimento de frangos de corte em diferentes décadas. 2.Nutrição (a genética melhorada sem uma nutrição adequada e balanceada para a linhagem de nada ajudaria no desenvolvimento das aves. Aqui cito o exemplo contrário, onde um frango caipira “pé duro” alimentado com a melhor ração para frangos comerciais não se desenvolveria igual a um frango melhorado geneticamente, pois os frangos caipiras “pé duro”não sofreram melhoramento genético e levam de 5 a 6 meses para atingirem o peso de abate). 3.Manejo (o manejo correto de limpeza e desinfecção do aviário na saída das aves, aquecimento dos pintinhos na fase inicial de vida, revolvimento da cama do aviário, controle da temperatura e umidade do ar no aviário, realização correta da vacinação, regulagem dos bebedouros e comedouros, fornecimento de água e ração para as aves, etc. são essenciais para obtermos o máximo de desempenho dos frangos com genética de ponta e recebendo a ração de melhor qualidade nutricional). 4.Ambiência (o controle ambiental no interior do aviário é essencial para se obter bons índices produtivos, como ambiência podemos tratar do programa de luz para frangos de corte e poedeiras (intensidade luminosa e horas de luz/dia), controle de ventilação para retirada de gases e umidade e controle da temperatura interna do aviário, uso de nebulizadores associados a ventiladores para baixar a temperatura interna do aviário, velocidade do vento de acordo com a fase de criação, aquecimento dos pintinhos na fase inicial e taxa mínima de renovação do ar nesta fase de vida, uso de exaustores e de painéis evaporativos (pad cooling), funcionamento dos inlets, etc.). 5.Sanidade (um programa de biosseguridade é extremamente essencial na produção de frangos de corte e poedeiras comerciais e inclui, por exemplo, um programa de vacinação das aves de acordo com as doenças presentes na região da criação, adotar o sistema all in all out (todos dentro e todos fora do galpão), limpeza e desinfecção dos aviários, controle de insetos (moscas e cascudinhos) e roedores, limpeza de silos, etc.) Para facilitar o aprendizado, considere o frango como sendo um barril de vinho feito com tábuas (5 tábuas). Agora considere cada tábua sendo um dos itens essenciais discutido anteriormente (genética, nutrição, manejo, ambiência e sanidade) (figura 3). Imagine que uma destas tábuas não está no mesmo nível das demais. Você conseguiria completar este barril com vinho? Figura 3. Barril confeccionado com madeira e esquema dos fatores que contribuem com o rápido ganho de peso em frangos de corte Fonte: Google e esquema do autor Para que o frango ou galinha poedeira possa expressar o máximo de seu potencial genético, todos os itens essenciais devem estar em perfeita harmonia, tudo funcionando. Este processo chamamos de Lei de Liebig ou lei dos mínimos, onde caso uma tábua seja menor (por exemplo, a tábua do manejo), não 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 8/124 conseguiremos preencher o barril até a boca. O mesmo vale para o frango ou galinha poedeira que não conseguirá produzir o máximo que sua genética comporta, caso fique falho algum destes pontos essenciais. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 9/124 1.3. 4. FATORES FUNDAMENTAIS PARA O SUCESSO DO BRASIL NO CENÁRIO DA AVICULTURA BRASILEIRA Clima do país: grande parte do país está situada na zona tropical e subtropical, com clima ideal para o cultivo de grãos e produção animal, exigindo menos gastos com instalações especiais para determinadas épocas do ano, como por exemplo, o inverno em países como Estados Unidos e China, que demanda mais gasto para aquecimento dos galpões em épocas em que a temperatura pode ser abaixo de 0 . Em compensação, precisamos de utilizar tecnologias que amenizem os efeitos do estresse por calor em grande parte do ano em várias regiões do país. Disponibilidade de terras agricultáveis para plantio de grãos: nosso país é o quinto em extensão territorial e está situado em uma região do globo terrestre propício para o cultivo de grãos.Além disso, nossas terras são agricultáveis e as tecnologias desenvolvidas para o cultivo em solos do cerrado nos tornou uma potência na produção de grãos. Pesquisas de tecnologias voltadas para o clima tropical e subtropical: pesquisadores lotados em centros universitários, Institutos Federais e principalmente na Embrapa Suínos e Aves contribuíram muito com o desenvolvimento da avicultura nacional. Antes da década de 70, os produtores de aves brasileiros importavam tecnologias que eram utilizadas em países de clima temperado, muito diferente da realidade brasileira. A partir do momento em que iniciaram a realização de pesquisas na área de nutrição, ambiência e projetos construtivos considerando nosso clima, o Brasil se despontou como uma potência na avicultura mundial. Mercado consumidor grande: no ano de 2020 a população brasileira está estimada em mais de 209 milhões de pessoas. Grande parte da produção de frangos de corte (68%) e de ovos (99,51%) ficam dentro do país para o consumo interno da população. Somente 32% da produção de carne de frangos é exportada para mais de 150 países no mundo. Expansão contínua no poder aquisitivo da população: Este item foi marcante com a implantação do plano Real em 1994, onde o controle da inflação e melhoria de renda da população explodiu no consumo de carne de frangos, uma das características marcantes deste plano econômico implantado no governo de Itamar Franco. o 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 10/124 2. ÍNDICES ZOOTÉCNICOS NA AVICULTURA Os índices zootécnicos são essenciais para aferição do desempenho produtivo de frangos de corte e de galinhas poedeiras comerciais. O conhecimento de tais índices por técnicos em Agropecuária e profissionais nas áreas de Zootecnia e Medicina Veterinária, ajuda muito na tomada de decisões para melhorar os índices do plantel de aves. Abaixo segue uma média dos índices produtivos para frangos de corte comerciais e galinhas poedeiras. É importante que você tenha o conhecimento de tais índices. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 11/124 2.1. ÍNDICES ZOOTÉCNICOS NA AVICULTURA DE CORTE O conhecimento dos índices zootécnicos das principais linhagens de frangos hoje disponível no mercado é muito importante para o profissional que vai trabalhar no ramo de avicultura. Estes índices nos diz como os animais vão se comportar em relação ao ganho de peso, mortalidade, conversão alimentar se criados corretamente. Todos os produtores ensejam alcançar estes índices. É importante frisar que nos manuais das linhagens há tabelas com os índices zootécnicos da linhagem separados por sexo (machos e fêmeas) e também para lotes mistos (com machos e fêmeas). Aqui nesta apostila abordaremos os índices médios de vários lotes mistos (Tabela 1) que foram testados em diversas regiões do Brasil pelas empresas Aviagen (proprietária da linhagem Ross) e Cobb-Vantress (proprietária da linhagem Cobb). Estes índices são médias e há produtores que conseguem valores muito melhores do que aqui descritos, mas para isso a criação deve ser conduzida com perfeição. Tabela 1. Índices zootécnicos de lotes mistos (machos e fêmeas) de duas linhagens de frangos de corte mais comercializada no Brasil. Índices zootécnicos Linhagem Ross 308 AP Linhagem Cobb 500 Idade média de abate 42 dias 42 dias Peso médio aos 42 dias 2.920 2.952 g Ganho diário médio de peso até 42 dias 69,5 70,5 g Conversão alimentar (kg de ração/kg de peso vivo) 1,631 1,610 Consumo alimentar de ração até 42 dias 4.761g 4.760g Rendimento de carcaça (animal de 2,8kg) 73,82% 74,86% Rendimento de sobrecoxa (animal de 2,8kg) 23,21 - Rendimento de coxa (animal de 2,8kg) 14,02 - Rendimento de perna inteira (animal de 2,835 kg) - 23,39% Peso vivo no aviário (com presença de alimento no trato digestivo) Conversão Alimentar inclui o peso de pintinho de 1 dia e não considera a mortalidade. Carcaça eviscerada (sem pescoço, gordura abdominal e órgãos internos) como percentual sobre o peso vivo. Coxa/sobrecoxa inteira (com pele e osso) como percentual sobre o peso vivo. Fonte: Ross 308 AP (2017) e Cobb 500 (2018). Um dos índices zootécnicos importantes é a mortalidade das aves no período de criação. Esta variável pode sofrer influência da qualidade dos pintinhos de 1 dia que o incubatório envia ao produtor integrado ou independente, o manejo que o granjeiro faz na propriedade e do programa de biosseguridade adotado pela granja. O ideal é que a taxa de mortalidade em um lote seja no máximo 4%. O ideal seria que morresse o mínimo possível, estando próximo de zero, para que o Fator de produção que se calcula sobre o lote, para avaliar como foi o desempenho do lote, seja o mais alto (ideal acima de 300) e o produtor receberá mais por cada frango entregue para o abate. 1 2 3 4 4 1 . 2 3 4 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 12/124 2.2. ÍNDICES ZOOTÉCNICOS NA AVICULTURA DE POSTURA Na avicultura de postura o melhoramento genético vem contribuindo para se obter uma maior longevidade produtiva das aves e um maior número de ovos produzidos por ave alojada. Já existem granjas que utilizam as galinhas poedeiras para produção de ovos até as 100 semanas de idade. Hoje em dia, há uma grande demanda por parte dos consumidores, principalmente em países da Europa, por produtos de animais criados em sistemas que atendam ao bem estar animal. Aqui no Brasil esta exigência por parte dos consumidores é ainda pequena. Para aves de postura, na Europa já é proibido de se criar estes animais confinados em gaiolas desde 2013. Aqui no Brasil, algumas multinacionais já vem dando sinais de adquirir ovos de aves criadas livres a partir de 2022, para atender a exigências de um pequeno grupo de consumidores. Abaixo na tabela 2 são descritos os índices zootécnicos de aves criadas confinadas em gaiolas, pois a maior parte dos ovos produzidos no Brasil provêm deste sistema e há necessidade de se pesquisar tais índices em aves criadas soltas. Tabela 2. Índices zootécnicos de galinhas poedeiras comerciais criadas em gaiolas para a produção de ovos vermelhos ou brancos Pontos avaliados Poedeira Hisex Brown (ovos vermelhos) Poedeira Hy Line W36 (ovos brancos) Idade de avaliação 19 até 90 semanas de idade 18 até 100 semanas idade Viabilidade (%) 94% 93,2% Idade durante os 50% de produção 143 dias (20,5 semanas) 143 dias (20,5 semanas) Pico de produção 96% 95 a 97% Peso médio dos ovos 62,5 gramas 63,1 gramas Ovos por ave alojada 422 ovos 456-472 ovos (até 100 sem) e de 411-424 ovos(até 90 sem.) Massa de ovos 26,4 kg de ovos 28,93 kg Consumo médio de ração 112 gramas/dia 100 gramas Taxa de conversão alimentar acumulada (kg de ração para cada kg de ovos produzidos) 2,11 1,93 a 2,08 Massa corporal 2.000 gramas 1.550 a 1.610 gramas Resistência da casca do ovo 4.150 g/cm excelente Cor da casca 14,5 lab (branco) Unidade Haugh 83 85 (até 80 semanas) Fonte: Hisex Brown (2019) fonte: Hy-Line (2020) 1 2 2 1 2 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 13/124 3. ESTATÍSTICAS DA AVICULTURA NO BRASIL E NO MUNDO É importante conhecermos um pouco dos números referentes a avicultura nacional e até mesmo internacional para entendermos a importância que este setor de produtivo tem para nosso país. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 14/124 3.1. AVICULTURA DE CORTE O Brasil produziu no ano de 2019 a quantidade total de 13,245 milhões de toneladas de carne de frango, ficando na terceira posição em relação aos Estados Unidos (1 lugar) e China (segundo lugar) (Figura 4). Figura 4. Produção mundial de carne de frango no ano de 2019 (mil toneladas). Fonte: USDA/ABPA(2020) Grande parte de nossa produção de carnes de frango ficaem nosso mercado interno, conforme o gráfico 2. Gráfico 2. Destino da produção brasileira de carne de frango no ano de 2019. Fonte: ABPA (2020) Por termos um mercado consumidor grande (mais de 210 milhões de habitantes em 2019 – fonte: Agência Brasil, 2020), há uma demanda grande pela proteína animal advinda dos frangos, visto que é uma das mais baratas e de excelente qualidade. O consumo de carne de frango per capita (kg de carne/habitante/ano) no Brasil desde o ano de 2010 é demonstrado no gráfico 3. Gráfico 3. Consumo per capita de carne de frango no Brasil de 2010 a 2019 Fonte: ABPA (2020) Observa-se que o consumo de carne de frangos está estabilizada com aumentos e reduções ao longo dos anos. É interessante frisar que, em anos onde ocorreram crises econômicas com redução de emprego e renda, há uma tendência de se elevar o consumo de carne de frangos em relação a carne bovina e suína. Abaixo descrevemos o consumo per capita por anos para comparação do consumo de carne de frangos, suínas e bovina. Consumo per capita de carnes no ano de 2019 (ABPA, 2020): carne de frangos: 42,84 kg/hab./ano carne suína: 15,3 kg/hab./ano Segundo a revista FarmNews (2019), o consumo de carnes no Brasil é distribuído da seguinte forma: carne de frango: 46,4% do consumo interno, carne bovina: 38,8% do consumo interno e carne suína: 14,8% do consumo interno. Já para o consumo mundial de carnes, o mesmo é distribuído da seguinte forma: carne suína: 42,9% do consumo mundial, carne de frango: 34,0% do consumo mundial e carne bovina: 23,2% do consumo mundial (FarmNews, 2019). Podemos observar que o brasileiro come muito pouca carne suína em comparação à média mundial e há um grande consumo de carne de frangos e, especialmente bovina, em relação à média mundial. Exportação mundial de carne de frangos No ano de 2019 o Brasil manteve-se em primeiro lugar em nível mundial em exportação de carnes de frango, estando em segundo lugar os Estados Unidos e em terceiro lugar a União Europeia (Gráfico 4) (ABPA, 2020). As exportação brasileiras no ano de 2019 foi 67% em forma de cortes (peito, coxa, sobrecoxa, etc.), 26% na forma frango inteiro, 3% salgado, 2% embutido e 2% industrializado (hambúrguer, nuggets, etc.). Os principais 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 15/124 estados exportadores de carne de frango (2019) são Paraná (39,13%), Santa Catarina (30,53%) e Rio Grande do Sul (14,07%), São Paulo (4,87%). Minas Gerais ficou na sétima posição (2,27%). Gráfico 4. Países exportadores de carne de frango Mais de 150 países do mundo compra a carne de frango brasileira. O motivo de tantos países comprarem nosso produto se deve ao menor custo de produção de frangos em relação aos concorrentes como os EUA. Além disso, o Brasil apresenta um mix de produtos diferenciados, exportando filé de peito salgado para a Europa, coxa e sobre-coxa desossadas para o Japão e asas e patas para a China, diferentemente dos Estados Unidos que exportam principalmente perna inteira, e não exportam para o mercado europeu. As principais regiões importadoras são descritas no gráfico 5. Gráfico 5. Principais regiões importadoras da carne de frango brasileira em 2019. Fonte: ABPA (2020) Alojamento de matrizes pesadas: No ano de 2019 foram alojadas no Brasil cerca de 51,5 milhões de matrizes pesadas (machos e fêmeas) (ABPA, 2020). Matrizes pesadas são os animais geneticamente melhorados que produzirão o ovo fértil que dará origem ao frango de corte comercial que criaremos em nossas granjas para o abate. Hoje no campo, utiliza-se a proporção de 10 fêmeas de matrizes pesadas/ 1 macho de matriz pesada para que todos os ovos produzidos pelas fêmeas tenha uma alta taxa de fecundação. Estes animais são criados em galpões com piso e tem disponível ninhos e alimentação separada para cada sexo, visto que o macho não pode comer a ração da fêmea e vice-versa (foto 1). Foto 1. Vista geral de um galpão matrizeiro para a produção de ovos férteis. Observa-se os comedouros automáticos dos machos levantados e os comedouros tipo corrente com a grade restritora de acesso dos machos mais baixos no chão e uma linha de ninhos no lado direito da foto. Fonte: arquivos do autor 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 16/124 3.2. AVICULTURA DE POSTURA O consumo per capita de ovos no Brasil em 2020 foi de 250 ovos/habitante/ano, alta de 9,1% em relação a 2019 que foi de 230 unidades/habitante/ano (ABPA, 2021) (gráfico 6). Isto foi um recorde histórico! Pode-se observar que o país vem obtendo um aumento significativo no consumo de ovos devido a conscientização da população e a quebra de falsos paradigmas associados ao consumo deste alimento que é considerado um dos mais completos em nutrientes, perdendo somente para o leite materno. Observem que em 2010 cada brasileiro consumia por ano 148 ovos e devido a campanhas e orientações técnicas por parte de médicos e nutricionistas, o consumo se elevou. Gráfico 6. Consumo per capita (unidades) de ovos por cada cidadão brasileiro. Fonte: ABPA (2020) Já a produção de ovos, em 2019 a sua totalidade é produzida para atender o mercado interno, sendo uma quantidade ínfima exportada para outros países (gráfico 7). Cerca de 25% da produção nacional de ovos são de ovos vermelhos (marrons) e 75% são de ovos brancos. O custo dos ovos brancos é menor, visto que a conversão alimentar da galinha poedeira leve (aves brancas que produzem ovos brancos) é muito melhor, pois comem menos e produzem semelhante a aves marrons que são chamadas de semipesadas, por terem um maior peso corporal e demandarem mais alimentos (nutrientes) para suprir suas necessidades fisiológicas. Gráfico 7. Destino dos ovos produzidos no Brasil em 2019. Fonte: ABPA (2020) Este é um nicho de mercado que tem muito a crescer, gerando mais empregos e renda para nossa população. Do total de ovos que exportamos, 62% é na forma in natura e 38% na forma industrializada (ovo líquido pasteurizado ou ovo em pó). Um dos Estados da federação que mais exportou ovos em 2019 (apesar de ainda ser pequeno) destaca-se Rio Grande do Sul (31,93%), Mato Grosso (29,2%) e Minas Gerais (19,62%). Para os ovos in natura chegarem aos destinos mais remotos, mantendo a qualidade exigida pelos compradores, este produto recebe um tratamento que pode ser chamado de banho de longa vida. A aplicação de um óleo especial torna a casca impermeável, evitando a passagem de ar, e assim fica mais lento o processo de perda da qualidade interna do. Além disso, o óleo aumenta a resistência da casca. O ovo, com essa proteção, é acondicionado em contêineres refrigerados e seu prazo de validade alcança três meses. O banho de óleo é utilizado também para preservar o produto destinado a pontos distantes do mercado interno. Principais estados produtores de ovos Em 2019, o número de pintainhas de postura alojadas por estado nos dá uma ideia dos maiores estados produtores de ovos, visto que tem relação com a produção (foto 2). Destaca-se como principais estados produtores (2019): 1 São Paulo, 2 Minas Gerais, 3 Espírito Santo e 4 Pernambuco. Foto 2. Alojamento de pintainhas de postura por Estado no ano de 2019 Fonte: ABPA (2020) o o o o 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 17/124 Alojamento de matrizes de postura (matrizes leves) Em 2019 foram alojadas 1,353 milhão de cabeças de matrizes de postura e alojadas aproximadamente 118,5 milhões de pintainhas de 1 dia nas granjas para produção de ovos (ABPA, 2020). Também neste ano foram produzidos um pouco mais de 49 trilhões de ovos para consumo. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 18/124 3.3. EXPORTAÇÃO DE MATERIALGENÉTICO Uma das áreas mais novas que vem crescendo e trazendo bons resultados econômicos diz respeito a exportação de material genético (pintos de 1 dia ou ovos férteis de galinha). As empresas de material genético na área de avicultura instaladas no Brasil seguem um rigoroso protocolo de biosseguridade. Também é importante frisar, que o Brasil não reportou até o momento caso de gripe aviária. Em 2019, 75% do material genético saiu do país via aeroportos e os principais Estados exportadores de material genético foram 1 Paraná (44,99%), 2 São Paulo (37,85%), 3 Santa Catarina (12,68%). Os países importadores de material genético estão nos cinco continentes, com maior quantidade exportada para as Américas (45,56%), Oriente médio (26,51%) e África (26,09%). o o o 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 19/124 4. MATERIAL GENÉTICO E PRINCIPAIS LINHAGENS DE FRANGOS E GALINHAS POEDEIRAS COMERCIAIS Neste capítulo será abordado a origem das aves, início da criação comercial, principais raças que deram origem as linhagens comerciais de frangos de corte e de galinhas poedeiras e principais características melhoradas nas genéticas que temos disponíveis no mercado. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 20/124 4.1. ORIGEM E CLASSIFICAÇÃO DAS AVES ORIGEM E CLASSIFICAÇÃO DAS AVES As aves de maneira geral são descendentes dos répteis e algumas características ainda permanecem presentes na espécie como a produção de ovos e escamas nas canelas. De acordo com pesquisas paleontológicas as aves se originaram há mais de 150 milhões de anos a partir do Archaeopterix, na região da Ásia, mais especificamente na Índia. A galinha doméstica (Gallus domesticus) tem origem asiática, mais especificamente na região onde se encontra hoje a Índia, onde ainda se pode encontrar em estado selvagem as aves que deram origem à galinha doméstica (Gallus bankiva ou Gallus gallus- galinha vermelha da floresta). A domesticação inicial da galinha doméstica iniciou-se há 3200 anos antes de Cristo e estas aves eram criadas com a finalidade de adorno (pela sua beleza, especialmente os machos) e para disputa (brigas) em rinhas de galos. Quando uma ave se feria, esta era abatida e, possivelmente eram consumidas. Da Ásia a galinha passou para a Europa, primeiramente para a Grécia e depois para a Itália. Por volta do século XVI na Europa estas aves eram utilizadas em briga de galos e em 1849 este “esporte” foi proibido na Inglaterra, em função do bem-estar animal. A partir deste momento surgiu o interesse da exploração econômica das galinhas domésticas que na verdade teve seu progresso não mais do que 171 anos atrás. A primeira exposição avícola foi realizada em Boston em 1849, onde serviu de motivação para melhorar as características dos indivíduos, através de outras exposições e culminou com o estabelecimento de padrões de raças e variedades através da fundação da American Poultry Association em 1873 e a publicação da primeira edição do Standart of perfection na cidade de Búfalo, em 1874. Nesta classificação as aves foram reunidas em 86 linhagens e 235 variedades. Hoje já estão classificadas em mais de 280 variedades (incluindo galinhas, perus, patos, gansos e marrecos.). No Brasil os primeiros relatos históricos dizem que a galinha foi trazida pelas primeiras navegações portuguesas após o descobrimento. Até a década de 1950 a avicultura mundial era uma atividade desenvolvida de maneira artesanal, nos quintais, terreiro das casas, sítios e fazendas e objetivava alimentar a própria família. Por ser uma criação fácil, que não demanda muita força física, esta tarefa era delegada às mulheres. Somente após a década de 1950 é que a avicultura foi vista e se desenvolveu como uma atividade econômica para o fornecimento de proteína animal, seja na forma de carne ou ovos. Aves utilizadas comercialmente: Galinhas; Patos; Marrecos; Perus; Pavões; Avestruzes; Emas; Pássaros ornamentais; Faisões; Codornas; Gansos; Pombas; Galinha da angola CLASSIFICAÇÃO BIOLÓGICA DA GALINHA Reino: animal Filo: Chordata (Cordados) Sub-filo: Vertebrata (coluna vertebral) Classe: Aves (penas) Sub-classe: Neornithes (sem dentes) Super ordem: Neognathae Ordem: Galliformes Sub-ordem: Galli Família: Phasanidae Gênero: Gallus Espécie: Domesticus 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 21/124 4.2. MATERIAL GENÉTICO , PRINCIPAIS CLASSES E RAÇAS DE GALINÁCEOS Classificação oficial da American Poultry Association – Standart of perfection De acordo com esta classificação, existem mais de 280 variedades de aves na qual incluem galinhas, perus, patos, gansos e marrecos. As mais de 280 variedades são agrupadas em 15 classes, no entanto só quatro tem importância econômica, conforme a origem geográfica, que são descritas: Classe americana (originada nas américas, principalmente na América do Norte) As raças que pertencem a esta classe tem como características principais a pele amarela, brincos vermelhos, ovos vermelhos, tamanho médio e pernas sem penas. Raças que pertencem a esta classe: New Hampshire, Rhode Island Red, Plymouth Rock, Wyanotte e Jersey Black Giant. Classe inglesa (originária no Reino Unido) As raças da classe inglesa possuem a pele branca (exceto Cornish – amarela), brincos vermelhos, ovos vermelhos (exceto Redcaps e Dorking), tamanho médio ou grande e pernas sem penas. Como exemplos desta raça podemos citar a Cornish, Orpington, Australorp, Sussex, Dorking e Redcaps. Classe Mediterrânea (originária na região do mar mediterrâneo, principalmente Itália) As raças desta classe possuem a pele amarela, brincos de cor branca, ovos brancos, tamanho pequeno e pernas sem penas. Alguns exemplos são a Leghorn, Ancona, Minorca e Andaluza Azul. As aves pertencentes a estas raças são utilizadas para a formação da galinha poedeira comercial., principalmente a Leghorn, pois são leves e ótimas produtoras de ovos. Classe Asiática (originária na Ásia - Índia, China e outros países) São raças de pele amarela (exceto Langshan – branco), brincos e ovos vermelhos, tamanho grande e pernas recobertas por penas. Exemplos: Brahma, Cochin e Langshan.[A1] Raças utilizadas na avicultura de corte e postura Mais de 300 raças puras e variedades de galinhas já foram desenvolvidas até os dias de hoje, porém apenas poucas têm expressão comercial. Algumas das raças mais antigas são apenas mantidas em estações experimentais. Deve se ter em mente que o banco genético é a fonte da diversidade e o combustível para os cruzamentos que dão origem aos híbridos modernos. Em frangos de corte as raças utilizadas são: Plymouth Rock Branca - Apresenta pele amarela e crista lisa. Foi muito utilizada nos primeiros cruzamentos para produção de frangos de corte. Atualmente serve de material básico de muitas linhas cruzadas. As penas brancas representam uma grande vantagem desta raça para a produção comercial de frangos e para os abatedouros que preferem aves de penas brancas às coloridas. A maioria das linhas originais era de empenamento tardio, uma desvantagem para a produção de frangos de qualidade, no entanto, a maioria das linhas disponíveis atualmente é de empenamento rápido. New Hampshire - Apresenta cor vermelho claro, pele amarela, crista lisa e produz ovos de cor marrom. Por muitos anos foi utilizada para a produção de frangos de corte. Mais tarde passou a ser utilizada para cruzamentos com outras raças de corte para produção de frangos. Atualmente apenas poucos criadores se dedicam à comercialização desta raça. Esta raça foi utilizada em muitos cruzamentos que formam os atuais híbridos de corte, principalmente em função da habilidade de produção de grande quantidade de ovos que eclodem bem. Cornish Branca - Apresenta crista ervilha, pele amarela e produz ovosde casca marrom. Apresenta corpo de conformação diferente das outras raças, tendo pernas mais curtas, corpo amplo com peito musculoso. As habilidades de produção de carne são muito apreciadas nesta raça, no entanto produz poucos ovos de tamanho pequeno e com eclodibilidade pobre. A habilidade de produzir carne desta raça tem sido explorada no cruzamento de galos Cornish com galinhas de raças como a Plymouth Rock Barrada, Plymouth Rock Branca, New Hampshire e linhas híbridas. Sussex - É uma raça inglesa predominantemente para corte com diversas variedades, das quais a Light Sussex é a mais popular. Apresenta pele branca e produz ovos de casca marrom. É boa produtora de carne. Em alguns países europeus os frangos de pele branca são os preferidos. Leghorn – Possui extraordinária capacidade de produzir ovos. Dentre as raças é a melhor no quesito produção de ovos e é muito utilizada para a formação das linhagens comerciais para postura. Originária da Itália. Existem 12 variedades de Leghorn, porém somente a variedade branca de crista serra, tornou- se excepcionalmente popular, em ração de sua especialidade como poedeira. Possui aptidão somente para produção de ovos, sendo uma raça bastante precoce e rústica, porém não suportam muito bem temperaturas muito baixas. As fêmeas raramente entram em choco e apresentam temperamento nervoso. Os ovos produzidos por esta raça possuem casca branca . Rhodes Island Red – raça de dupla aptidão. As fêmeas desta raça raras vezes entram em choco, seus ovos apresentam casca marrom. São aves de corpo largo e peito bem arredondado, cabeça e crista mediana reta e bem assentada na cabeça. Não possuem nenhuma pena ou pluma nas pernas e nos pés. Plymouth Rock – raça de dupla aptidão (carne e ovos) desde que cuidadosamente selecionada. Existem diversas variedades. Bastante rústica e se adapta bem a climas frios, porém a variedade barrada apresenta maior susceptibilidade a altas umidades. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 22/124 Obs.: No caso de frangos de corte basicamente 4 raças tem participação: Plymouth rock branca e Plymouth rock barrada para formar a linhagem fêmea; e Cornish e New Hampshire para formar a linhagem macho. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 23/124 4.3. LINHAS PURAS, AVÓS, BISAVÓS, MATRIZES E FRANGO COMERCIAL A criação de frangos para o abate evoluiu para modelos intensivos onde o potencial genético dos frangos é responsável por grande parte dos ganhos de produtividade. Para conseguir frangos com alto potencial de ganho de peso, de conversão alimentar e de rendimento de carcaça, os programas para a geração de material genético comercial foram estruturados pelo acasalamento/cruzamento entre ou dentro de raças, linhas puras, bisavós, avós e matrizes. É necessário conhecer o potencial genético da linhagem antes da aquisição dos pintos. Depois de alojar os pintos, é necessário realizar semanalmente a avaliação do desempenho do lote, conferindo os dados de mortalidade, ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar. Nas criações de poedeiras comerciais visa-se precocidade sexual, maior produção de ovos, melhor conversão alimentar (kg de ração para produzir 1 kg de ovos ou 1 dúzia), peso dos ovos, resistência a doenças e persistência no pico de produção. Conceitos: Linhas puras ou raças: isolamento de determinadas raças, com características desejáveis e cruzamentos consangüíneos dentro destas raças por várias gerações. Geralmente é impossível conseguir que uma única linha de aves seja boa produtora de carne e também de ovos. Quando uma linha é selecionada para alta quantidade de carne a produção de ovos diminui muito. Bisavós: são originadas do acasalamento entre machos e fêmeas de uma linha pura. Avós: São somente os machos ou somente as fêmeas resultantes do acasalamento das bisavós e, portanto, representam apenas um dos sexos de cada linhagem pura. Matrizes: são somente os machos ou somente as fêmeas do cruzamento de um avô proveniente de uma linhagem com a avó de outra linhagem. Assim cada matriz é um híbrido. Frango comercial: são os machos e as fêmeas resultantes do cruzamento das matrizes. Um macho híbrido e uma fêmea híbrida, resultando, portanto, num híbrido duplo. Obs.: entre o início deste processo de obtenção do frango de corte híbrido até a chegada ao pintinho comercial de um dia leva-se 4 anos. Obs.: As linhas fêmeas são desenvolvidas separadamente das linhas machos, uma vez que as fêmeas produzem os ovos e são responsáveis pela eclodibilidade dos mesmos. As linhas fêmeas são selecionadas para produzir grande quantidade de ovos, que eclodem bem, além de produzirem pintos grandes com grande capacidade de crescimento. As linhas de carne apresentam excepcional conformação para corte, é de tamanho grande, crescimento rápido e apresentam excelente conversão alimentar. Atualmente essas linhas são híbridas que incorporam genes necessários para produção de carne, conformação e facilidade de processamento, com pouca ênfase em produção de ovos e eclodibilidade. A maioria dos consumidores prefere aves de pele amarela e por isso, praticamente todas as linhas de machos e de fêmeas apresentam pele amarela ATENÇÃO: É importante lembrar que o termo “raça” em avicultura é completamente obsoleto. Não se criam raças, mas sim, linhagens ou marcas de frangos ou poedeiras. Apesar do termo raça não ser mais usado na avicultura moderna, sabe-se que todo o melhoramento genético tem origem em raças puras. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 24/124 4.4. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA SELEÇÃO DAS LINHAGENS Para a seleção e formação das linhagens comerciais que criamos e produzimos a campo, os melhoristas animais selecionam as melhores características para que a linhagem seja a melhor possível no mercado. Abaixo é listado as principais características selecionadas por estes melhoristas e que chega no frango ou galinha poedeira que criamos em nossas granjas. Principais características desejáveis na seleção das linhagens: • Precocidade: alcançar o peso desejado em menor tempo (frango); • Alta eficiência na conversão de alimento em peso corporal (frangos) ou ovos (poedeiras); • Boa resistência às doenças (ambos); • Pele ou gema amarela; • Boa porcentagem de carnes nobres (coxa e peito) em frangos; • Pouca porcentagem de gordura (frango); • Pernas curtas, robustas e perfeitas; • Empenamento adequado. • Persistência no pico de produção (poedeiras) 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 25/124 4.5. PRINCIPAIS LINHAGENS DE FRANGOS DE CORTE E DE GALINHAS POEDEIRAS COMERCIAIS Para os produtores interessados na produção comercial de alta produtividade existem as seguintes linhagens de corte e postura. É importante lembrar que não podemos cruzar estes animais quando adultos, para aproveitar os pintinhos para repor na criação, visto que estes animais são híbridos (linhagens) e os filhos destes terão um desempenho produtivo muito inferior que seus pais. Por isso, somos dependentes da aquisição dos pintinhos de corte e de postura destas empresas de melhoramento genético. Híbridos ou Linhagens comerciais de frangos de corte (estas são importadas, não são nacionais): Ross, Cobb, Hybro, Arbor Acres, Avian e Hubbard. Nomes comerciais das linhagens de corte e sua especialidade: Cobb Avian 48 (frango inteiro e cortes), Cobb 700 (peito), Cobb 500 (menor custo produção); Ross 308 (conformação e melhor rendimento) e Ross 508 (rendimento peito), Arbor Acres Plus, Hubbard Yield, Hubbard flex, etc. Obs: Cobb e Ross representam 85% da linhagem de frangos de corte utilizadas no país. Híbridos ou Linhagens comerciaisde poedeiras comerciais (importadas): Hy Line White (W36 e W38); Hy Line Brown; Isa (Brown e White); Lohmann LSL, Lohmann Brown (alemã); Lohmann Lite NA; Lohmann Brown Lite NA; Hisex (White e Brown); Shaver (White, Brown e Black); Babcock (White e Brown); Dekalb (White e Brown); Bovans (White, Brown e Black), NovoGen (White e Brown), H&N Nick Chick e H&N Brown Nick. LINHAGENS NACIONAIS: o Brasil ficou para trás no desenvolvimento de linhagens altamente produtivas. Ainda temos algumas, mas com desempenho bem inferior se comparada a linhagens importadas, visto que eles iniciaram anos antes o melhoramento destes animais. Híbridos comerciais de frangos de corte (nacionais): Embrapa 022 (matriz para corte), Embrapa 041 (matriz de frango colonial), Chester (Empresa Sadia), etc. Híbridos comerciais de poedeiras comerciais (nacionais): Embrapa 011 (matriz para produção de ovos brancos), Embrapa 051(linhagem da Embrapa para produção de ovos marrons em sistema tipo caipira, muito utilizada pelos produtores de ovos caipira que vendem as aves para abate no final do ciclo produtivo e há uma boa aceitação pelo mercado consumidor por estas galinhas de descarte). 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 26/124 5. SiSTEMAS DE PRODUÇÃO DE FRANGOS DE CORTE E DE POEDEIRAS COMERCIAIS Neste capítulo você irá aprender como está organizado a produção de frangos para o abate e ovos para o consumo no Brasil. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 27/124 5.1. SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE FRANGOS DE CORTE Os sistemas de produção relacionam-se com um ou mais setores da cadeia produtiva da indústria avícola dentro das condições de mercado, classificando os produtores como independente, integrado ou cooperado. Atualmente cerca de 90% da produção de frangos de corte ocorre por meio do sistema de integração e cooperado, englobando, praticamente, todos os processos relacionados com a produção, processamento, distribuição e vendas. 1 Sistemas de produção independente Representado em sua maioria absoluta por produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, é o sistema em que o produtor produz e vende seus produtos competindo no mercado livre, ou seja, é um sistema que se compõe de diversos segmentos pulverizados de pequeno e médio porte. A produção do ovo fértil, pintos de um dia, frango vivo e abatido em processo contínuo encontram-se sob a responsabilidade individual de um produtor especializado. Atualmente, esse sistema de criação é muito limitado. Os produtores independentes devem ter disponibilidade de capital para poder investir e garantir a sobrevivência de suas empresas e são, na sua maioria, praticamente integradores, pois é a única maneira de aumentar a produção sem a necessária imobilização de capital. Geralmente, pequenos e médios criadores independentes que não suportam as crises que ocorrem no mercado financeiro, para se verem livres dos problemas, tornam-se criadores integrados, buscando ajustarem-se com ingressos menores, porém seguros. 2 Sistemas de produção integrados Representado pelas agroindústrias, é o sistema que detém todo o processo produtivo, desde a produção do ovo fértil até o abate e processamento das aves, no qual a comercialização ocorre apenas uma vez. Originário dos Estados Unidos, esse sistema foi introduzido no Brasil no início da década de setenta pela Sadia, em Santa Catarina. A integração é um acordo que estabelece um sistema de colaboração mútua entre a empresa e o produtor. Geralmente, não há nenhum contrato formal, mas cada um se compromete a cumprir a sua parte. A individualidade econômica é mantida e o sistema é chamado vertical porque todos os processos ou operações da produção têm uma única coordenação administrativa. Nesse acordo, a empresa integradora se compromete a fornecer os pintos, a ração, os medicamentos e outros insumos, a assistência técnica, o transporte da ração e dos frangos, bem como o abate e a comercialização. Ao integrado cabe providenciar as instalações e a mão de obra. Em algumas integrações, às vezes, o gás e a cama também ficam por conta do integrado. A planta dos aviários e a orientação para a compra dos equipamentos a serem utilizados são fornecidas pelos técnicos da empresa, que também encaminham a proposta de financiamento do projeto ao banco, se for o caso, e dão assistência permanente ao produtor. Hoje em dia, é bastante comum a integração adiantar para o granjeiro o dinheiro correspondente ao pagamento de alguns lotes, para a compra e/ou troca de equipamentos. O sistema integrado tem quatro objetivos básicos, a saber: • Garantir ao criador rendimento definido, lote após lote, ficando livre das oscilações de mercado em que, às vezes, o preço de vendas não cobre os custos de produção. • Propiciar um rendimento em escala em todo o sistema, não seccionando os lucros para o segmento de pintinho, ração ou frango. • Melhorar o padrão de qualidade em todos os segmentos da cadeia, ou seja, criação das matrizes, incubação, produção de pintinhos, produção de ração, criação do frango, abate e comercialização da carne. • Permitir a produção em escala, a fim de que a empresa possa produzir com competitividade, qualidade e volume de produção, que permitam agregar valor ao frango e competir no mercado internacional de carne de aves. A seleção de novos integrados é feita em função do conceito que o produtor tem na comunidade e junto ao banco e a empresa, suas condições financeiras, a distância da propriedade e a disponibilidade de luz e água na propriedade. Quanto à remuneração do integrado, ela pode ser feita por fórmulas que levam em conta o fator de produção (FP = % de viabilidade versus ganho médio diário x 100/ conversão alimentar) ou, então, por meio de um valor percentual fixo do preço de mercado. Nas integrações melhores estruturadas, são utilizados índices mais eficientes que o fator de produção, como por exemplo, índices específicos para machos e fêmeas e índices que privilegiam a conversão alimentar corrigida para um peso padrão e viabilidade. Abaixo são descritas as fórmulas utilizadas para o cálculo do fator de produção ou índice de eficiência produtiva do lote de frangos. Todas as fórmulas chegam a um mesmo resultado. Para se ter uma boa remuneração o valor mínimo a ser alcançado é de 310, quanto mais alto, mais o produtor recebe pela unidade de ave entregue, pois foi sinal que toda a criação foi muito bem conduzida. Há relatos de produtores conseguindo até 450. Fórmulas para o cálculo do fator de produção (FP) ou Índice de eficiência produtiva (IEP) FP= GMD (kg) x Vb x EA x 100 Ou IEP = PM x Vb x 100 IA x CA IA = idade ao abate FP = Vb x GMD (g) CA X 10 Onde: GMD= ganho médio diário de peso considerando todo o período de criação do lote; Vb= Viabilidade do lote onde se considera somente as aves que foram entregues no dia do abate retirando-se todas as perdas decorrentes da mortalidade, refugagem e condenação (ascite, etc.). EA = eficiência alimentar. É o inverso da conversão alimentar EA= kg peso vivo/ kg de ração consumida; 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 28/124 IA = idade ao abate; PM= peso médio das aves entregues no dia da apanha. CA= conversão alimentar. É a quantidade de ração necessária para se produzir um quilograma de peso vivo da ave CA= kg de ração fornecida no período de criação/ peso total do lote É importante frisar que a empresa integradora paga pelo unidade de frango entregue no dia do abate. Animais com ascite, refugos ou com outros problemas que acarretem um menor desenvolvimento em relação a média de peso das aves no galpão não são computadas e os apanhadores de frangos não capturam estas aves para levar até o abatedouro, ficando o prejuízopara o produtor. Quando aparecer refugos no plantel, o correto é sacrificá-los através da técnica de abate humanitário pelo deslocamento cervical (o animal não sofre). O sistema integrado está centrado em empresas avícolas de médio e grande porte, em sua grande maioria de capital nacional, que aglutinam pequenos criadores que, na média, possuem dois galpões de 15.000 a 25.000 aves cada. A maioria das empresas integradoras produz seus próprios pintinhos, fabricam a ração, abatem e comercializam o frango. 3 Sistema de produção cooperado A maioria das cooperativas trabalha no sistema de integração, ou seja, o integrado entra com as instalações, a cama e a mão-de-obra e recebe os demais insumos da cooperativa. No término do lote, ele recebe um valor pelo frango criado de acordo com a produtividade. Além disso, no final do ano, quando da apuração dos resultados financeiros da atividade do frango de corte, o cooperado recebe uma bonificação proporcional à quantidade de quilos de frango entregues na cooperativa. Esse cálculo da bonificação é feito para cada atividade em que o cooperado esteja envolvido, como por exemplo, para cereais, suínos e outras. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 29/124 5.2. SISTEMA DE PRODUÇÃO DE OVOS PARA CONSUMO A organização da cadeia para a produção de ovos no Brasil é muito diferente da cadeia de produção de frangos para o abate. Você pode observar abaixo como é organizado o sistema de produção de ovos. Sistema Independente Mais de 99% das empresas avícolas para a produção de ovos são empresas privadas independentes, onde o empresário é responsável pela produção e venda de dos ovos. Condomínio Avícola O primeiro Condomínio Avícola para Postura Comercial foi inaugurado no início do segundo semestre de 2016, em Alto Caldeirão, município de Santa Teresa (ES). A iniciativa que surgiu da participação de um cooperado, nasceu com o intuito de democratizar uma produção de alta escala para pequenos avicultores. Este sistema funciona da seguinte forma: os produtores investem um determinado valor para a empresa que comanda o condomínio para produção de ovos comprarem os galpões, aves, ração, etc. e vender o produto. Cada investidor, recebe uma quantia do lucro proporcional ao valor que foi investido. É muito novo no país e está sendo avaliado a viabilidade, mas pelo jeito está dando certo, pois está crescendo o número de granjas no sistema de condomínio. Os principais objetivos do Condomínio Avícola são: - Tornar o investimento acessível aos avicultores familiares cooperados; - Padronizar manejo e produto, possibilitando o acesso a mercados mais exigentes; - Tornar a avicultura familiar cada vez mais especial aos olhos dos consumidores; - Possibilitar a diversificação dos negócios dos produtores cooperados. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 30/124 6. LIMPEZA E DESINFECÇÃO DOS AVIÁRIOS A limpeza e desinfecção dos aviários é essencial para se obter um lote saudável e com excelentes índices zootécnicos ao final do período de criação. Na criação de aves comerciais (frangos, codornas e poedeiras) o sistema de criação adotado é o All in, all out (tradução: todos dentro e todos fora). Isto significa que o lote de pintinhos entram juntos numa mesma idade e saem todos juntos para o abate (frangos de corte) ou para transferência para o galpão de produção de ovos (aves poedeiras), para a limpeza e desinfecção do aviário, não se pode colocar em um mesmo galpão aves de idades diferentes) Regras a serem seguidas no sistema All in, all out: 1. Entrada dos pintos de uma só vez no galpão e saída de todos também ao mesmo tempo (nunca pode-se deixar os pintinhos menores para ganhar peso, ao chegar a idade de abate todos saem juntos para o abatedouro); 2. Criação num galpão de aves de uma única idade (jamais pode-se ter num mesmo galpão aves de idades diferentes); 3. Limpeza e higienização (desinfecção) completa entre a criação de um lote e outro (intervalo de pelo menos 12 dias – ideal seria de no mínimo 15 dias). 4. Distância de pelo menos 100 metros de distância entre galpões; 5. Isolamento de mão de obra – quem trabalha em um galpão não pode trabalhar em outro para se evitar de levar doenças (problema sanitário). 6. Isolamento de equipamentos: cada galpão tem que ter seu equipamento próprio para evitar o tráfego de equipamentos que podem ser uma fonte de carreamento de doenças. LIMPEZA E DESINFEÇÃO Itens a considerar na limpeza e desinfecção: • Primeiro passo: limpeza manual a seco (remoção de 90 a 95% das sujeiras com pá, vassouras, trator, enxada, etc.) – nesta limpeza retira-se a cama velha, penas, possíveis aves mortas que ficaram e outros materiais o máximo que puder. Varrer ou raspar tetos, telas, paredes, silos e pisos Também limpa-se a seco paredes, piso, teto e forro. Motivo desta limpeza: retirada dos restos de matéria orgânica que podem conter microrganismos causadores de doenças. Detalhe: a maioria dos desinfetantes perdem a ação quando o galpão ficou com estes restos de cama, penas, etc. (são matérias orgânicas que carregam possíveis microrganismos causadores de doenças). • Retirar os possíveis restos de ração que sobrou do lote e jogar na cama (tem que descartar, pois pode levar doença para outro galpão). • Remover os equipamentos (comedouros, bebedouros, etc.) além de lavar com água sob pressão, desinfetar e expor ao sol (caso sejam removíveis). • A retirada da cama velha que estava no galpão deve ser feita em caminhão (molhar e enlonar o caminhão), se houver insetos (cascudinhos) aplicar inseticidas; • Lavar com água sob pressão o teto, forro, paredes e equipamentos com sabão ou detergente (Água quente e sob pressão: mais eficiente que água fria). Deve-se atentar para não ficar restos de sabão ou detergente, pois determinados desinfetantes perdem a ação se ficar restos de sabão no galpão. Atenção: tem granjas que pedem que se lave e desinfete a parte de cima do forro, pois é um local possível de se ter microrganismos contaminantes). Obs: quando se reutiliza a cama, a lavagem do galpão e dos equipamentos deve ser feita, atentando para não molhar em excesso a cama já velha que está sobre o piso. • Depois de lavado, deve-se aplicar um bom desinfetante com as instalações ainda úmidas (aplicar em paredes, pisos, tetos, forro (parte interna e parte superior), cortinas, equipamentos, ventiladores, comedouros, bebedouros, etc.); • Aplicar inseticidas de baixa toxicidade (ambiente úmido é melhor) para controle do cascudinho aviário (Alphitobios diaperinus). Esta espécie de besouro é uma praga de aviários, podendo carregar várias doenças para as aves, além de deteriorar o reboco das construções e corroer o painel evaporativo que ajuda na redução da temperatura do ar que entra nos galpões tipo DARK HOUSE. • Colocar a cama nova (vide tópico de tipos de cama e principais cuidados na aquisição); • Montar os equipamentos lavados e desinfetados; • Deixar as instalações fechadas e sem uso (sem aves) por no mínimo 5 dias (vazio sanitário). Vazio sanitário ideal : seria em torno de 10 a 12 dias. Atualmente esta redução no prazo do vazio sanitário ocorre para que o galpão não fique por muito tempo sem aves, o que reduz o número de lotes que podem ser criados naquele galpão. Esta redução pode acarretar uma perda de desempenho produtivo, caso entre alguma doença no aviário. Na criação de matrizes (aves reprodutoras leves ou pesadas que produzem ovos férteis para nascer o pintinho que vai para nossas granjas) deve-se respeitar à risca as normas básicas de sanidade, limpeza, desinfeção e vazio sanitário. • Uso de água clorada para o consumo das aves (3 ppm) e para uso no galpão para limpeza. A água deve seranalisada a cada 6 meses para se provar a qualidade microbiológica e ação do cloro. Deve-se ter água nos bebedouros com concentração de 3 a 5 ppm de cloro livre, isto é sinal que a cloração está sendo feita corretamente. A cloração é feita com equipamentos automáticos ou usando pastilha de cloro na caixa dágua. ATENÇÃO: em água mole (água doce sem excesso de sais) pode-se utilizar sabão, em água dura (com excesso de sais) os detergentes são mais eficientes. Não se deve misturar diferentes tipos de desinfetantes, pois pode ter ação cruzada onde a ação conjunta inativa ou diminui a atividade do outro. AÇÃO DOS DESINFETANTES NOS MICRORGANISMOS: Os desinfetantes atuam nas partes externas dos microrganismos, desnaturando seus constituintes protéicos ou dissolvendo os seus conteúdos lipídicos, levando-os a morte. VOCÊ SABE A DIFERENÇA DE ESTERILIZAÇÃO E DESINFECÇÃO? Esterilização: eliminação de todos os microrganismos (vírus, bactérias, protozoários e fungos) e suas formas esporuladas (formas resistentes para se manter no ambiente e que é difícil de se eliminar somente com o uso de determinados desinfetantes). Esteriliza-se soluções para injeção no corpo humano e seringas, agulhas e instrumentais cirúrgicos para não se contaminar a pessoa ou animal. Desinfecção: destruição parcial dos microrganismos, não eliminando as formas esporuladas dos microrganismos. ENTÃO PARA A ELIMINAÇÃO DOS MICRORGANISMOS EM UM AMBIENTE AVÍCOLA, FAZEMOS A DESINFECÇÃO, POIS NÃO ELIMINAMOS 100% DAS FORMAS DE VIDA DOS MICRORGANISMOS. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 31/124 É MUITO IMPORTANTE QUE SE FAÇA A ROTAÇÃO DOS DESINFETANTES EM UM AVIÁRIO PARA QUE NÃO OCORRA O SURGIMENTO DE MICRORGANISMOS RESISTENTES AO PRINCÍPIO ATIVO UTILIZADO. Atenção: 1. Os desinfetantes têm limitações que devem ser conhecidas. Ex: alguns atuam mal frente a matéria orgânica (tem afinidade), outros são sensíveis a variações de pH ou de temperatura (amônia quartenária não deve ser aplicada em superfícies onde existem restos de detergentes ou sabão aniônicos, pois é neutralizada), outros são irritantes para a mucosa e pele. 2. Deve-se compatibilizar suas propriedades com as necessidades. Ex: levar em conta o tipo de microrganismo que se pretende controlar e o local e/ou objeto a desinfetar (carro, piso – tem muita matéria orgânica, parede, máquinas, equipamentos, etc.) 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 32/124 6.1. PRINCIPAIS DESINFETANTES UTILIZADOS NA AVICULTURA Na hora de se escolher o desinfetante para uso em seu galpão, é importante se atentar aos pontos descritos abaixo CARACTERÍSTICAS DESEJÁVEIS DE UM BOM DESINFETANTE: • Ser altamente germicida (eliminar a maioria dos microrganismos – falamos que o desinfetante é de amplo espectro); • Não ser tóxico para humanos e animais; • Deve atuar na presença de quantidade moderada de matéria orgânica (não conseguimos eliminar 100% da matéria orgânica em um galpão durante a limpeza a seco e molhada); • Não ser corrosivo para não reduzir a vida útil de ventiladores, bebedouros, comedouros e outros equipamentos. • Ser solúvel em água e eficiente em baixas concentrações de dilução. • Não ter odor desagradável. • Baixo custo de aquisição. PRINCIPAIS PRINCÍPIOS ATIVOS DE DESINFETANTES UTILIZADOS EM AVICULTURA: Formol (formaldeído ou aldeído fórmico): • solução aquosa 37% ou em pó (paraformaldeído) • Foi o mais popular na avicultura, hoje não mais. Irritante das mucosas e pele. Suspeita de ser carcinogênico. • Desinfetante de amplo espectro. • Desinfetante usado para desinfecção de ovos férteis e nos incubatórios (ivra um gás que é excelente para a desinfecção de incubadoras, nascedouros, salas e dependências do incubatório, pois entra em todas as frestas). • Pode ser gás fumigante: utiliza-se a proporção de 2:1 (2 partes de Formol + 1 parte permanganato de potássio). Por metro cúbico utiliza-se 14 mL de formol para 7 g de permanganato de potássio. • ATENÇÃO: VERTER A FORMALINA SOBRE O PERMANGANATO, NUNCA O CONTRÁRIO. CASO SEJA FEITO O CONTRÁRIO OCORRE UMA EXPLOSÃO. • Para uma boa ação do formol, o ambiente deve estar com umidade próxima de 80% e temperatura de 30 graus centígrados. Amônia quaternária: • atuação limitada frente a matéria orgânica (MO) e superfícies com restos de sabões e detergentes aniônicos; • Desinfetante de amplo espectro; • Este desinfetante não é esporicida; · Não é corrosivo para equipamentos; · Não é irritante da pele e vias respiratórias. Fenóis • Desinfetante eficiente frente a matéria orgânica que restou no ambiente; • É de amplo espectro – altamente germicida; • Indicado para pedilúvios e desinfecção de pisos onde tem mais matéria orgânica (MO). Cresóis (creolina) • Desinfetante muito eficiente frente a restos de MO no ambiente; • Tem efeito residual prolongado (age por bastante tempo no ambiente após aplicado). • Tem amplo espectro de atuação, mas não destroem esporos • Como inconveniente, tem dor forte e é irritante para a pele Iodados e clorados - desinfetantes halogênicos Poder residual pobre e atua desnaturando a proteína do microrganismos. Atuam mal frente a MO e mancham superfície 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 33/124 Glutaraldeído · Largo espectro (vírus, bactérias, fungos e esporos) · Atua razoavelmente bem frente a MO · pH alcalino aumenta a atividade antimicrobiana · usado para equipamentos e instrumental que podem ser submetidos a calor. · Tóxico: usar luvas e máscaras 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 34/124 7. CAMA DE AVIÁRIO E CUIDADOS PARA SUA REUTILIZAÇÃO Neste capítulo será abordado a importância da escolha do tipo de cama e os cuidados na sua reutilização. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 35/124 7.1. A CAMA DE AVIÁRIO A cama deve ser homogeneamente distribuída com uma altura de 8-10 cm. Distribuição irregular da cama causará problemas com disponibilidade de água e ração, pois o pintinho ou frango terá preferência por regiões que tenha mais cama. O trabalho de revolvimento da cama deve ser constante, durante todo o período de criação, no sentido de evitar que a mesma se torne úmida, propiciando a formação de placas. Caso se forme placas, estas devem ser removidas do aviário. Deve-se procurar a causa da formação de placas (também chamado de emplastamento de cama) que pode ser devido a eventuais vazamentos dos bebedouros devido à má regulagem da pressão dos mesmos (alta pressão sai muita água) ou regulagem da altura (bebedouros muito baixo, a ave desperdiça mais água que cai sobre a cama). Portanto, estes pontos devem ser monitorados constantemente. Características de uma cama de boa qualidade: • Boa capacidade de absorção e evaporação da água que respinga dos bebedouros e da excreta das aves (excreta = fezes + urina, pois as aves fazem juntas, não separado como em mamíferos, como por exemplo em humanos); • Tamanho de partículas de 1,5 a 3,0 cm. · Material homogêneo em tamanho e cor; • Material de baixo custo e de fácil acesso na região; • Material que não seja tóxico para as aves Cuidados na aquisição da cama: para se adquirir uma cama devemos nos atentar a: • Procedência do material: deve ser comprada de um fornecedor idôneo e responsável. •A cama deve ser seca, solta e de coloração homogênea. Manejo da cama • A cama deve ser revirada periodicamente (de preferência todos os dias) para que perca a umidade. Utiliza-se para revirar um garfo ou um carrinho revirador de cama. Após revirada deve-se nivelar, para não ficar partes muito altas que podem causar problemas nas pernas das aves. Além de revirar, deve-se retirar as aves mortas do galpão (podem transmitir doenças). • Qualquer quantidade de cama molhada ou emplastada (muito úmida a ponto do piso ficar molhado) deve ser retirada e substituída. Manejo da cama antes do alojamento: • O depósito para armazenamento da cama deve ser coberto, seco, ventilado e sem acesso de animais domésticos e roedores, pois estes podem deixar resíduos sobre a cama que podem levar doenças para dentro dos aviários. • O ideal de se ter este galpão de armazenamento é para se evitar atropelos entre o alojamento de um lote e outro. Manejo da cama durante o período de criação das aves: • Revolver a cama várias vezes no período de criação: este revolvimento pode ser manual com a utilização de rastelos ou com um carrinho batedor de cama que funciona a óleo diesel ou gasolina. • Ao revolver, retirar as crostas úmidas emplastadas (elas voltam a emplastrar e formam novamente placas úmidas). Manejo da cama após a retirada das aves para o abate: • Retirar as possíveis aves mortas que ficaram sobre a cama: ideal que se faça este manejo no mínimo 2 vezes ao dia, para reduzir o número de frangos com celulite que é um infecção na pele que é causada por Escherichia coli, pseudomonas e outras bactérias, que leva ao descarte dos frangos no abate). O frango que fica morto por muito tempo pode liberar estas bactérias no meio ambiente. • Queimar as penas e revirar a cama para queima ser mais eficiente; • Redução da carga microbiana da cama através do método da fermentação (a maioria das granjas comerciais utilizam este método); • Se não observou a redução da carga microbiana após a fermentação: usar cama nova nos círculos de proteção. • Transporte da cama descartada: cobrir a cama com lona sobre o caminhão . • Armazenamento da cama velha: longe do galpão e com cobertura impermeável. Funções da cama: • Absorção da umidade: tem como função a absorção da umidade eliminada pelas aves através das excretas. Esse controle da umidade no piso é muito importante para a qualidade sanitária do plantel. Cama muito úmida dá um cheiro insuportável de amônia no ambiente, além de facilitar a propagação de coccidiose, que é um protozoário que causa lesões no intestino e que gostam de um ambiente úmido da cama para se proliferar. • Isolante térmico: essa função é importante nos períodos frios evitando que as aves entrem em contato direto com a superfície fria, o que causaria a perda de calor corporal para o piso e piora do desempenho produtivo. Esta piora se deve ao desvio da energia da ração para o aquecimento das aves, ao invés de ser utilizado para o ganho de peso corporal. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 36/124 • Absorção do impacto do peso da ave: a cama deve proporcionar à ave uma superfície macia para permitir o repouso. Uma cama macia também evita lesões de patas e peito das aves, que acarreta os famosos calos de peito (descarta-se esta parte na comercialização) e lesões no coxim plantar (causa dor e desconforto nas aves, fazendo com que fiquem com um tamanho menor que as demais sem lesão, levando a uma desuniformidade, coisa que não é desejável). TIPOS DE CAMA • Maravalha produzida pelo beneficiamento de madeiras: ex. pinus, pinheiro, bracatinga, canela, cedro, etc. • Sabugo de milho triturado: tem menor capacidade de retenção de umidade e de amortecimento se comparado a maravalha. • Casca de arroz: capacidade pequena de absorção de umidade. Bagaço de cana triturado; • Casca de café; • Casca de amendoim – cuidado aflatoxina! • Fenos de gramíneas: Ex: capim elefante, braquiária, colonião, pastagem natural, capim Rhodes, gordura, etc. • Rama de mandioca triturada e seca; • Palhadas de culturas em geral: Ex: palhas de arroz, trigo, cevada, centeio, azevém, milho, feijão, soja, etc. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 37/124 7.2. REUTILIZAÇÃO DA CAMA DE AVIÁRIO A reutilização da cama em aviários comerciais para frangos de corte é uma realidade. Reutilizar a cama é utilizá-la novamente por 4 a 6 lotes de frangos que são criados no galpão, sendo necessário somente repor o pouco que foi perdido devido ao emplastamento (cama molhada) ou outras perdas. Abaixo você poderá ver o porque dos produtores reutilizarem a cama e como deve ser este processo. Razões para se reutilizar a cama: • Custo para aquisição do material da cama: dependendo da região é difícil a disponibilidade de cama e o preço é alto; • Mão de obra para retirada da cama do galpão (quando se retira a cama toda para descarte, precisa de muita mão de obra) e tentativa de diminuir o tempo ocioso das instalações (reutilizando a cama, dá para entrar com o próximo lote mais rápido no galpão, mas deve-se respeitar o período de vazio sanitário); • Escassez de materiais de cama em regiões de alta concentração avícola. • Tentativa de minimizar o impacto ambiental da avicultura. Quantas vezes posso reutilizar a mesma cama em outros lotes de frangos? Essa resposta está relacionada ao aspecto sanitário desta cama, pois se houve caso de doença, a cama deve ser toda descartada e outra cama nova deve ser colocada após a limpeza e desinfecção. Tem granjas que utilizam a mesma cama caso não haja problema sanitário, por até 7 lotes de frangos!!!! Ao menos uma vez ao ano deve-se realizar a retirada total da cama reutilizada para descarte, com lavagem e desinfecção das instalações. Isto é fundamental para reduzir a carga microbiana e interromper o ciclo das doenças nos galpões. Lote anterior com desafio sanitário (doenças): NÃO REUTILIZAR A CAMA!!! Neste caso deve-se fazer a retirada desta cama velha, a limpeza, desinfecção e vazio sanitário e utilizar uma cama nova. Ex. vírus da doença de Gumboro: sobrevive na cama por 100 dias. Fatores que afetam a qualidade e vida útil da cama: • Umidade: cama acima de 35% de umidade torna-se emplastrada, causando desconforto às aves, afetando o seu desempenho zootécnico e diminuindo a resistência a doenças. Deve-se manejar a cama para que sua umidade fique em torno de 20 a 35%. • Densidade: alta densidade aumenta a compactação, diminuindo a capacidade de absorção de umidade. Maior densidade: maior altura da cama: revolvimento mais frequente da mesma. • Estações do ano: época chuvosa deve-se aumentar a ventilação do galpão e no inverno atentar a ventilação higiênica para retirada de amônia e umidade do galpão. É a época do ano mais difícil de controlar a umidade da cama, pois o ar externo do galpão já está muito úmido devido as chuvas, não conseguindo absorver muito a umidade que a cama dentro do aviário libera. • Ventilação/aeração das instalações: melhorar a qualidade do ar, manter a temperatura e umidade em condições próximas das ideais. • Tipos de dieta: umidade da cama é alterada pela ingestão da água. Fatores nutricionais e alimentares que afetam a ingestão de água: níveis alimentares de eletrólitos, nível protéico, inclusão de farelo de soja e alguns agentes anticoccidianos do grupo dos ionóforos. Atenção: micotoxinas e peróxidos também podem determinar alterações na função intestinal com maior eliminação de água nas fezes. • Bebedouros: vazamentos,má regulagem do nível da água e pressão, má regulagem de altura e número insuficiente de equipamentos são causas frequentes de emplastramentos. Bebedouro nipple proporciona melhor qualidade da cama do que bebedouros pendulares. • Microbiologia da cama: microbiota da cama diversificada (escamações, material fecal, secreções, fungos e bactérias do ambiente). População de coliformes maior entre o 24 e 40 dia, após decresce rapidamente. Maior umidade e pH: maior probabilidade de Salmonella enteritidis na cama. PROCESSO DE REDUÇÃO DA CARGA MICROBIANA DA CAMA 1. MÉTODOS QUÍMICOS: Desinfecção: maioria perde ação frente a matéria orgânica. Formalina foi muito utilizada em reprodutoras, mas o formol causa danos ao ser humano. Desinfetantes a base de trifenol sintético: bons resultados, com efeito residual e age na presença de matéria orgânica. Hoje no campo e em criações comerciais, não se utiliza formol para desinfecção da cama para reutilização. Modificadores de pH: Alcalinizantes: a cal é muito utilizada. A cal é aplicada sobre a cama e depois é misturada nesta cama e faz com que o pH da cama se eleve a níveis capazes de inviabilizar a sobrevivência de enterobactérias (E. coli, Salmonella sp. Etc.). Não ataca o Clostridium perfringes (bactéria que causa efeito deletério em aves criadas em alta densidade e fatores imunosupressores em geral, causa diminuição do desempenho a forma clínica e subclínica). Acidificantes: utilizado o sulfato de hidrogênio sódico. Age sobre bactérias de interesse e agrega um bom controle da emissão de amônia para o ambiente. Curto período de atuação (14 dias e necessidade de grande volume de aplicação. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 38/124 2. MÉTODOS BIOLÓGICOS A fermentação da cama é o método mais utilizado a campo pelos produtores e tem proporcionado ótimos resultados com relação a redução da carga microbiana desta cama. O processo se dá com a decomposição da matéria orgânica em ambiente anaeróbico (geralmente molha esta cama para atingir a umidade ideal para o processo e depois cobre-se com uma lona). Esta decomposição de parte da matéria orgânica faz com que ocorra um aumento da temperatura da leira (monte) de cama e uma diminuição do pH que inviabiliza a sobrevivência de importantes bactérias de importância avícola. A redução da carga microbiana da cama de frangos é significativa. Tabela 1. Contagem bacteriana antes e após o amontoamento por 7 dias em 2 ou 3 leiras longitudinais(UFC/g) – UFC = unidades formadoras de colônia tempo Coliformes totais Coliformes fecais enterobactérias Antes do amontoamento 65.520 49.400 75.460 Depois do amontoamento 260 160 2.640 Fonte: Paganin (dados não publicados) Inibição competitiva - inocular na cama muitas bactérias que utilizam as excretas como substrato. Comercial: Bacillus subtilis que libera proteases para o meio inviabilizando bactérias patogênicas. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 39/124 8. MANEJO INICIAL DE PINTOS DE CORTE E PINTAINHAS DE GALINHAS POEDEIRAS Neste capítulo será abordado os cuidados na recepção, aquecimento e manejo dos pintos e pintainhas. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 40/124 8.1. RECEBIMENTO DOS PINTOS DE CORTE E DE POSTURA Como foi tratado nos tópicos anteriores, para o recebimento dos pintinhos é importantíssimo que o aviário esteja limpo e desinfetado previamente e que seja cumprido o vazio sanitário (período sem aves após a desinfecção) de pelo menos 5 dias (quando se reutiliza a cama) ou no mínimo 10 dias quando for entrar fazer a limpeza com retirada total da cama. O prazo ideal entre a saída de um lote e entrada de um novo lote deve ser de ao menos 15 dias, mas muitos produtores devido aos prazos da integração, costumam fazer menos do que isto, como intervalos de 7 a 10 dias, podendo acarretar perda no desempenho produtivo dos próximos lotes que irão entrar no galpão devido os desafios sanitários subclínicos, onde os microrganismos maléficos ficam no ambiente, afetando as aves e causando perdas no ganho de peso, conversão alimentar, maior mortalidade, etc. É bom lembrarmos que a cama pode ser reutilizada por até um ano no mesmo aviário de aves para corte (6 lotes criados em um galpão durante um ano), caso não tenha problemas sanitários (doenças) no lote anterior. Vamos considerar que para criação de frangos de corte até o ponto de abate precise de 45 dias e 15 dias para limpeza, desinfecção e vazio sanitário. Somando temos 60 dias totais para a produção e preparação do galpão. Como um ano tem 365 dias, dividindo por 60 dias (prazo médio necessário para se criar um lote de frangos de corte), então em um aviário podemos criar 6,08 lotes de frangos (365:60=6,08). Um a dois dias antes da data prevista para a chegada dos pintos é necessário que se faça uma última desinfecção do galpão e equipamentos. Também deve-se testar e observar o funcionamento dos equipamentos (painéis evaporativos, bebedouros, comedouros, campânulas a gás ou a lenha, ventiladores, funcionamento do silo automático, etc.) para que, caso haja algum problema, estes sejam consertados. Após a limpeza e desinfecção também deve-se observar o estado de conservação das telas anti pássaros (se tiver buraco consertar), forros, funcionamento do sistema elétrico, etc. O produtor sabe o número de animais que irá receber e é muito importante que se confira se o número de bebedouros e comedouros são suficientes para o número de aves que irá receber. Toda a entrada do aviário deve possuir pedilúvios (caixa com desinfetante para o trabalhador passar os pés para não levar doenças para o interior das instalações) para desinfecção dos calçados. Outro ponto essencial é que na entrada da granja, deve-se ter um rodolúvio (para desinfecção de veículos que adentram na região das granjas) para se evitar a entrada de microrganismos patogênicos que podem vir no caminhão que leva a ração até a granja, no caminhão de entrega de pintinhos, ou outro tipo de veículos. É importante atentar que a entrada destes meios de transporte deve acontecer somente em casos de extrema necessidade. O caminhão ou carro ao passar devagar pelo rodolúvio, será banhado com a solução desinfetante por todos os lados, eliminando os possíveis microrganismos patogênicos. Foto. Caminhão de ração passando pelo rodolúvio na entrada da granja. Fonte: Google AQUECIMENTO PRÉVIO DO GALPÃO E EXIGÊNCIA DE TEMPERATURA PELAS AVES CORTE E DE POSTURA DE ACORDO COM A IDADE O aquecimento deve ser iniciado pelo menos 8 horas antes da chegada dos pintos (galpão convencional) ou 24 horas antes (galpão dark house). No inverno deve-se manter o aquecimento nas horas mais frias do dia, pelo menos até 15-20 dias de idade, podendo variar em função do clima. No verão pode ser dispensado a partir da segunda semana, sendo usado apenas nas horas mais frias, normalmente à noite. O controle da temperatura pode ser feito na área abaixo da campânula e a 5 cm acima da cama com um termômetro ou ainda com base no comportamento dos pintos, baixando ou levantando o sistema de aquecimento em relação à cama. Hoje com a utilização de campânulas a lenha com sistema borboleta que distribui o calor dentro do pinteiro (círculo de proteção) há termômetros que são colocados na altura das aves no meio do galpão para aferir a temperatura e esta leitura é repassada automaticamente para uma central de controle que controla a queima da lenha para elevar ou reduzir a temperatura, de acordo com a necessidade do local. O importante é que no primeiro dia de vida a temperatura da cama deva estar a 30 C, e isto pode ser aferido com um termômetro a laser. Foto. Aferição a temperatura da cama com termômetro a laser horas antes da recepção dos pintos. Nota-se que a temperatura da cama está muito alta, visto que aquise trata de um galpão dark house, na hora do alojamento ao abrir as portas, há redução da temperatura, atingindo os 30 graus que são desejados. Fonte: cortesia de Luciano Mendonça o 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 41/124 O IMPORTANTE É QUE NA CHEGADA DOS PINTINHOS A TEMPERATURA DA CAMA ESTEJA EM 30 GRAUS. A AFERIÇÃO É FEITA COM UM TERMÔMETRO A LASER QUE DEVE SER APONTADO PARA A CAMA, DE PREFERÊNCIA NÃO EMBAIXO DA FONTE DE AQUECIMENTO. Uma forma prática de se observar se os pintinhos estão em conforto térmico é observar o comportamento deles dentro do galpão nos primeiros dias, para ver se a temperatura está adequada. Abaixo há uma foto retirada de um manual da linhagem que relata o comportamento dos pintos de acordo com a temperatura dentro do círculo de proteção (neste caso a fonte de calor é uma campânula a gás no centro do círculo em cinza). Veja que as bolinhas representam os pintinhos. Em galpões tipo Dark House ou até mesmo em convencionais, o aquecimento é feito através do uso de fornalhas (campanulas) a lenha, onde o calor é distribuído no interior do aviário. O calor deve ser bem distribuído para que os pintinhos não passem frio e nem calor. Abaixo temos uma foto onde os pintinhos estão passando frio dentro do círculo de proteção. Nota-se que os pintinhos estão amontoados perto da parede lateral do galpão e estes não comem e não se desenvolvem. Foto. Pintinhos com frio em um galpão convencional. Fonte: Cortesia de Luciano Mendonça Observem na foto seguinte, como os pintinhos estão mal distribuídos no galpão. Veja que estão se aquecendo ao se juntar próximo da mureta lateral do galpão. Foto. Má distribuição dos pintos dentro do galpão devido a problemas no aquecimento. Fonte: Cortesia de Luciano Mendonça Quando ocorre este problema, os pintinhos que ficam aglomerados se molham devido ao acúmulo de aves, mas lembre-se que estes não suam, pois as aves não tem glândulas sudoríparas. Esta água que molha a penugem é resultado da evaporação da água da excreta que está acumulada na cama abaixo destas aves. Foto. Pintinho molhado devido a aglomeração devido o frio. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 42/124 Fonte: Cortesia de Luciano Mendonça Assistam ao vídeo onde é visto nitidamente a falha no aquecimento dos pintinhos em um sistema de aquecimento a lenha. Notem que os pintinhos ficam próximo ao tubo de onde sai o calor que vem da campânula a lenha que está do lado de fora. A causa da falha no aquecimento, neste caso, foi que a granja utilizou duas campânulas (fornalhas) a lenha e somente um motor para distribuir o calor. Note que dentro de um galpão grande pra frangos, há umas cercas pequenas e com tela, esta são utilizadas para a separação de lotes de 5 mil aves, para evitar a desuniformidade (diferença de tamanho) entre as aves. A cada 5 mil aves coloca-se esta divisão. As exigências de temperatura para que as aves encontrem conforto ambiental para seu crescimento adequado são os seguintes: 32°C (temperatura do ar no nível do pintinho) e 30°C (temperatura da cama) = 1°dia 30°C(temperatura do ar no nível do pintinho) e 28°C (temperatura da cama) = 2° ao 7° dia 29°C (temperatura do ar no nível da ave) 27°C (temperatura da cama) = 2ª semana 27°C (temperatura do ar no nível da ave) = 3ª semana 24°C (temperatura do ar no nível da ave) = 4ª semana 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 43/124 8.2. TRANSPORTE DOS PINTINHOS DO INCUBATÓRIO ATÉ A GRANJA O transporte dos pintinhos do incubatório até a granja é feito em caminhões climatizados, onde se controla a temperatura e umidade, para que o pintinho não passe frio e nem se desidrate. Cada caixa tem a capacidade para alojar 100 pintinhos. Foto: vista interna de um caminhão para transporte de pintos. Fonte: Nazareno et al. (2015) - http://dx.doi.org/10.1590/1807-1929/agriambi.v19n7p680-685 Foto. Central de controle da ventilação, temperatura e umidade situada na cabine. Nota-se marcando a temperatura de 32,1 C. Fonte: arquivos do professor. Os pintinhos conseguem resistir por até 3 dias sem se alimentar, devido a uma reserva interna que é rica em nutrientes da gema e albúmen (clara) denominada de saco vitelínico, que supre as necessidades de água e nutrientes neste período. Na incubação do ovo, no 18 dia o saco vitelínico fica fora do corpo do embrião, somente a partir desta data ele entra na cavidade celomática e se liga ao intestino para suprir as necessidades nutricionais das aves até 72 horas após o nascimento. A partir do momento que o pintinho come sua primeira refeição, o saco vitelínico é rapidamente absorvido pelo organismo. Foto. Embrião de pintos com 18 dias de incubação com o saco vitelínico ainda externo ao corpo. No 19 dia o saco vitelínico entra para a cavidade celomática e é onde se forma o umbigo do pintinho. Fonte: http://www.galinhasalverca.pt/index.php/incubacao Atenção: mesmo tendo esta reserva, o ideal é que os pintinhos sejam transportados do incubatório para a granja o mais rápido possível, visto que o atraso em fornecer água e alimento faz com que estes demorem mais dias para chegar no peso final de abate ou peso certo para frangas de postura. Por isso a importância de se ter água e ração de qualidade já disponível no momento do alojamento. o http://dx.doi.org/10.1590/1807-1929/agriambi.v19n7p680-685 http://www.galinhasalverca.pt/index.php/incubacao 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 44/124 8.3. MONTAGEM DOS CÍRCULOS DE PROTEÇÃO OU ÁREA DE ALOJAMENTO DOS PINTINHOS E PRIMEIROS CUIDADOS Os círculos de proteção ou área para o alojamento devem ocupar menos da metade do aviário, pois facilita o aquecimento e demanda menos lenha ou gás para aquecer a área. A densidade de alojamento varia de 60 a 80 pintos/m (esta densidade depende da localização geográfica da granja, da época do ano e do sistema de aquecimento utilizado na granja). O sistema de aquecimento deve estar ligado ao menos 8 horas antes da chegada dos pintinhos para que estes não passem o estresse por frio. É importante que se forre ao menos 25% da área do galpão onde os pintos serão alojados. Uma hora antes do recebimento a ração deve ser esparramada também sobre este forro de papel, para facilitar a ingestão da ração nas primeiras horas após a chegada. Este papel é retirado após 24 ou 48 horas no máximo e descartados. Este papel também ajuda a redução do consumo de cama pelo pintinho, além de facilitar o consumo de ração que está sobre o papel. Os comedouros tubulares infantis e os comedouros automáticos devem estar bem distribuídos e abastecidos umas 3 horas antes da chegada das aves. Os pintos não podem sofrer mais estresse nessa fase de alojamento, pois eles já estão estressados com a viagem, pois no caminhão eles não tem água e nem ração. O controle da temperatura e da umidade do ar no baú do caminhão é constante. Foto. Galpão convencional preparado para recepção dos pintinhos com forração da área abaixo do comedouro com papel kraft para incentivar o consumo nas primeiras horas e colocação de comedouros tubulares infantis junto com os comedouros automáticos. A água é fornecida através dos nipples. Fonte: cortesia de Luciano Mendonça Foto. Galpão dark house preparado para a recepção dos pintinhos. Nota-se aração espalhada sobre o forro de papel para facilitar a ingestão no primeiro dia. Fonte: cortesia de Luciano Mendonça Foto. Pintinhos se alimentando após o alojamento. Note que muitos estão comendo a ração que está sobre o papel de forração. 2 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 45/124 Fonte: cortesia de Luciano Mendonça Foto. Pintinhos se alimentando nos comedouros automáticos e sobre o forro em galpãodark house. Na chegada dos pintos, além de efetuar-se a contagem dos pintos existentes nas caixas, deve-se separar aqueles que apresentam pernas retorcidas, cabeças e olhos defeituosos, bicos cruzados e aspecto de inviabilidade de sobrevivência (refugo). O total de pintos com problemas deve ser anotado. Alojar somente aves de mesma idade em cada aviário (sistema todos dentro todos fora). Chegando na granja, os pintinhos devem ser retirados o mais rápido do caminhão e são levados para o interior do galpão e proceder a avaliação descrita abaixo. Características desejáveis em um pintinho de 1 dia que devem ser observados no momento da chegada (avaliar 20 pintinhos na chegada): • Devem ser bem espertos: pintinhos parados e tristes não é bom sinal. É bom se fazer o teste de pintinhos de costas, onde colocamos o animal de costas e o mesmo quando é excelente, ele se vira em no máximo 3 segundos. · Pesar algumas caixas com pintinhos no momento do recebimento para o cálculo do peso médio das aves e conferir o número de pintos/caixa (fazer em 5 caixas). Este peso deve ser feito antes dos pintinhos se alimentarem. Cada caixa deve ter 100 pintinhos. O peso médio no recebimento nos dá uma boa ideia se o lote será bom ou não se bem manejado na granja. Pintinhos leves de frangos de corte demora mais tempo para se chegar ao ponto de abate. Depois de pesado e calculado a média de peso e anotar em ficha. Foto. Pintinhos na caixa no momento do recebimento. • Bico e pescoço normais: não devem ter o bico cruzado (acontece de chegar algum na granja, mas eles separam no incubatório) e não podem ter pescoço torto ou com defeitos. Foto. Pintos de 1 dia com bico cruzado. Fonte: https://coastlinesurfsystem.com/experiencia-estrangeira/curvatura-do-bico-em-galinhas-causas-e-metodos-de/, acessado em 12/02/2020 Foto. Pintinho de 1 dia com manchas vermelhas no bico pelo excesso de calor no nascedouro. Foto. Pintinho de 1 dia com bico normal. • Cavidade celomática (abdômen) firme e cloaca limpa e não emplastada: é sinal de boa qualidade dos pintinhos. A cloaca emplastada (aderência de excreta que chega até a entupir o pintinho) é sinal de excesso de calor durante o transporte e isso pode levar a morte dos pintinhos. Foto. Pintos de 1 dia com cloaca emplastada. Fonte: https://www.mypetchicken.com/backyard-chickens/chicken-help/What-is-a-pasty-vent-and-how-do-I-treat-it-H261.aspx, acessado em 12/02/2020 https://coastlinesurfsystem.com/experiencia-estrangeira/curvatura-do-bico-em-galinhas-causas-e-metodos-de/ https://www.mypetchicken.com/backyard-chickens/chicken-help/What-is-a-pasty-vent-and-how-do-I-treat-it-H261.aspx 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 46/124 • Umbigo normal e bem cicatrizado. Caso o umbigo esteja mal cicatrizado, é uma porta de entrada de microrganismos e leva o pintinho a morte. O umbigo mal cicatrizado é um erro do incubatório, não do produtor. Isto deve ser relatado para o incubatório, caso o produtor receba um número alto de pintinhos com este problema. Foto. Pintinho de 1 dia com umbigo não cicatrizado. Fonte:https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/abordagem-especial-sobre-a-incubacaeo-de-poedeiras/, acessado em 12/02/2020 • Canelas hidratadas brilhantes e enceradas: isto é sinal que não sofreram desidratação do momento em que nasceram até o período de transporte até a granja. Se as canelas estiverem com ar de secas, é sinal de desidratação. Foto. Pintinho de 1 dia com a perna hidratada que parece suave e macia. Fonte: https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/avaliacaeo-da-qualidade-dos-pintinhos-e-otimizacaeo-de- incubacaeo-5/, acessado em 12/02/2020 Foto. Pintinho de 1 dia com a perna desidratada que parece mais escamosa e endurecida. Fonte: https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/avaliacaeo-da-qualidade-dos-pintinhos-e-otimizacaeo-de- incubacaeo-5/, acessado em 12/02/2020 • Penugem seca e fofa: é sinal do bom manejo no incubatório. Caso estejam com a penugem úmida e com partes com sinal de que houve aderência de material no momento do nascimento, logo se vê que houve problemas no nascimento. Foto. Pintinhos recém eclodidos no incubatório, uniformes e com penugem seca e fofa . Fonte: <https://www.viv.net/articles/blog/chick-quality-assessment-and-incubation-optimisation-3 Foto. Pintinhos recém eclodidos no incubatório com penugem úmida e suja com resquícios da gema. Fonte: <https://www.viv.net/articles/blog/chick-quality-assessment-and-incubation-optimisation-3 • Olhos arredondados e brilhantes: outro sinal de hidratação das aves. Aves desidratadas tem os olhos sem brilho. • Uniformes: pintinhos de um mesmo peso e tamanho. Pintos desuniformes não é bom sinal, pois alguns chegam no ponto de abate antes (mais pesados) e os menores tem pior desempenho produtivo. Esta desuniformidade tem muita relação com o peso dos ovos que foram incubados, pois ovos de matrizes mais novas são mais leves e, consequentemente, nascem pintinhos mais leves. Se no incubatório misturarem ovos de matrizes novas com ovos de matrizes velhas, a uniformidade no nascimento será baixa. · Avaliação das pernas, tornozelos e joelhos: as pernas, tornozelos e joelhos devem ser saudáveis e íntegras, pois assim o pintinho terá condições de procurar água e ração e ter um ótimo desenvolvimento. Foto. Pintos de 1 dia com pernas abertas ao nascimento. Fonte: https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/avaliacaeo-da-qualidade-dos-pintinhos-e-otimizacaeo-de- incubacaeo-5/, acessado em 12/02/2020 Foto. Pintos de 1 dia com dedo machucado. Possíveis causas: equipamento de automação (altura de queda, velocidade da esteira, design do equipamento, etc). Fonte: https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/avaliacaeo-da-qualidade-dos-pintinhos-e-otimizacaeo-de- incubacaeo-5/, acessado em 12/02/2020 • Boa imunidade maternal: esta medida não tem como ser feita na granja, pois depende das matrizes (mães dos pintinhos) que devem receber todas as vacinas, para que possam passar a imunidade ao ovo que, consequentemente, passa ao pintinho. UM PINTINHO DE MÁ QUALIDADE SERÁ UM FRANGO DE CORTE RUIM E O SUCESSO DA GRANJA DEPENDE DE BONS ANIMAIS Material complementar: ASSISTAM AO VÍDEO DA AGROCERES MULTIMIX PARA SABER COMO SE PROCEDER A AVALIAÇÃO DOS PINTINHOS RECEBIDOS NA GRANJA: https://youtu.be/aoY1HyDHmzk Os pintos devem ser colocados no círculo de proteção ou área para o alojamento que já está preparado. Deve-se molhar o bico de alguns deles (no nipple ou no bebedouro infantil) para servir de orientação da fonte d água para os demais. Assegurar o abastecimento dos bebedouros e comedouros duas horas antes da chegada dos pintos. Todos os pintinhos devem ter acesso mais rápido à ração e água logo após o seu alojamento. É importante que o funcionário acompanhe o comportamento dos pintos de 1 a 2 horas após o alojamento para garanti que as condições ambientais estejam corretas e que todos os pintinhos tenham acesso à ração e à água e estejam se alimentando. De acordo com Manual da Linhagem Ross (2018) é importante que se verifique se os papos dos pintinhos estão cheios durante as primeiras 48 horas para saber se os pintos foram capazes de encontrar a ração e a água. Para verificar se os papos estão cheios, amostras de aproximadamente 30-40 pintos devem ser coletadas de cada população. Tabela. Verificação de porcentual ideal de pintos com papos cheios de acordo com o tempo após o alojamento. Tempo de verificação de papo cheio (horas) Verificação ideal do papo cheio (% dos pintos com os papos cheios) 2 horas 75 4 horas 80 8 horas >80 12 horas >85 https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/abordagem-especial-sobre-a-incubacaeo-de-poedeiras/https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/abordagem-especial-sobre-a-incubacaeo-de-poedeiras/ https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/abordagem-especial-sobre-a-incubacaeo-de-poedeiras/ https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/abordagem-especial-sobre-a-incubacaeo-de-poedeiras/ https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/abordagem-especial-sobre-a-incubacaeo-de-poedeiras/ https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/abordagem-especial-sobre-a-incubacaeo-de-poedeiras/ https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/abordagem-especial-sobre-a-incubacaeo-de-poedeiras/ https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/abordagem-especial-sobre-a-incubacaeo-de-poedeiras/ https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/avaliacaeo-da-qualidade-dos-pintinhos-e-otimizacaeo-de-incubacaeo-5/ https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/avaliacaeo-da-qualidade-dos-pintinhos-e-otimizacaeo-de-incubacaeo-5/ https://www.viv.net/articles/blog/chick-quality-assessment-and-incubation-optimisation-3 https://www.viv.net/articles/blog/chick-quality-assessment-and-incubation-optimisation-3 https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/avaliacaeo-da-qualidade-dos-pintinhos-e-otimizacaeo-de-incubacaeo-5/ https://www.petersime.com/pt-BR/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/avaliacaeo-da-qualidade-dos-pintinhos-e-otimizacaeo-de-incubacaeo-5/ https://youtu.be/aoY1HyDHmzk 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 47/124 24 horas >95 48 horas 100 Fonte: Manual Ross (2018) Material complementar: Assista ao vídeo sobre o momento de alojamento dos pintos de corte em galpão dark house: Retirar imediatamente do galpão as caixas vazias para que sejam queimadas, se estas caixas forem confeccionadas em papelão. Se forem caixas plásticas, queimar o papel e/ou cama contida nos mesmos. Registrar as seguintes informações em fichas específicas que ficam afixadas dentro do galpão: número de pintos, linhagem e data do alojamento, tipo e quantidade de ração fornecida, número de aves mortas, vacinações, etc. Foto. Ficha de controle do aviário Fonte: https://www.cpt.com.br/ Atenção: os bebedouros automáticos tipo nipple deve ser regulado na altura dos olhos dos pintinhos nos primeiros 4 dias de vida para facilitar a ingestão de água. Foto. Regulagem do bebedouro tipo nipple. Note que este modelo tem o aparadouro de respingos para não cair na cama. Fonte: Lubing Um dos pontos que se deve treinar o funcionário é sobre a anotação dos dados diários. Se houve morte de pintinho, ele deve juntar e depois anotar em ficha. A ração que é recebida, deve ser anotada também. Se houve algum problema no sistema de aquecimento (por exemplo: estragou várias campânulas a gás e abaixou a temperatura no galpão) ele deve anotar o dia e relatar por escrito o problema que aconteceu. A abertura do círculo de proteção é feita gradativamente, a partir do 2 ou 3º dia, podendo ser aberto diariamente conforme o comportamento e crescimento das aves. Os círculos devem ser retirados de no máximo até 14 no verão (geralmente de 10 a 12 dias se retira aqui na região de Minas) e de 18 a 21 dias no inverno (geralmente abre-se de 16 a 18 dias aqui na região de Minas), liberando as aves em toda a área do galpão (isto serve para galpões dark house e galpões convencionais). Deve-se tomar cuidado com a distribuição e espaçamento entre os comedouros tubulares e bebedouros pendulares para deixá- los com a mesma distância uns dos outros para favorecer o acesso das aves. Já em galpões com linha de bebedouro tipo nipple e comedouros automáticos, já não se precisa preocupar com esta distância, pois já é padrão. O importante é observar o comportamento dos pintinhos e ver se estão bem distribuídos de forma homogênea em relação à fonte de calor e se estão se alimentando e bebendo água. Material complementar: Manejo no recebimento e pintinhos após alojamento: Material complementar: Vídeo de manejo dos pintinhos com 4 dias de vida: https://www.cpt.com.br/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 48/124 9. MANEJO DE FRANGOS DE CORTE NAS FASES INICIAL, CRESCIMENTO E FINAL Neste capítulo será abordado os manejos específicos para frangos de corte nas fases de criação e principais cuidados a serem observados. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 49/124 9.1. FASES DE CRIAÇÃO DOS FRANGOS DE CORTE FASES DE CRIAÇÃO DOS FRANGOS DE CORTE Uma criação de frangos de corte é dividida em fases, conforme a idade dos animais, podendo ter alguma variação em função da região. É importante frisar que a idade do pintinho é contada a partir do dia em que entra na granja, não o dia de seu nascimento. Como por exemplo, se um lote que você recebeu em sua granja demorou 2 dias desde o nascimento para chegar, estes animais não estão com dois dias de idade, para fins de nossos cálculos. A idade deles começa a ser marcada a partir do dia e hora de chegada na granja. Fase inicial: compreende o período de 1 dia (chegada na granja até os 21 dias de idade) Obs: muitas granjas também computam uma fase pré-inicial que é o período de 1 a 7 dias, fase muito crítica, onde se fornece uma dieta específica chamada de dieta pré-inicial. Quando se utiliza esta fase, a fase inicial é dos 8 aos 21 dias. Fase de crescimento: compreende o período de 22 a 35 dias de idade. Fase final: compreende o período de 36 a 42 ou 45 dias de idade (nesta fase a ração deve ser sem promotor de crescimento a base de antibióticos, para não ficar resíduo na carcaça que vai ao consumidor). 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 50/124 9.2. CRIAÇÃO DE FRANGOS DE CORTE COM SEPARAÇÃO DE SEXO Hoje a maioria dos lotes de frangos de corte criados a campo são mistos (fêmeas mais machos, sem a realização da sexagem). A criação de frango com sexo separado já era realizada desde a década de 60. Entretanto o custo que a sexagem representava para uma criação de frangos de corte, inviabilizava esta prática. A sexagem era feita pela cloaca, sendo uma técnica dispendiosa, lenta e dominada por poucos especialistas, principalmente japoneses. Com os avanços da genética, houve a introdução de um gene ligado ao sexo, responsável pelo empenamento das aves. Assim, as fêmeas, desde o nascimento, têm as penas primárias maiores do que as penas de cobertura. Isto caracteriza um empenamento precoce. Os machos apresentam as penas primárias do mesmo tamanho que as penas de cobertura (empenamento tardio). Esta diferença no tamanho das penas tende a desaparecer algumas horas após o nascimento dificultando ou confundindo a diferenciação. Entretanto, quando realizada logo após o nascimento, a sexagem se tomou uma prática extremamente fácil e conseqüentemente de baixo custo. Uma pessoa treinada pode sexar até 4.000 pintos por hora. Este método de sexagem serve também para separação dos pintinhos machos de galinhas poedeiras, das pintainhas fêmeas. Estes machos, no caso de galinhas poedeiras, são descartados no nascimento, realizando o abate humanitário com uso de câmara de gás, pois eles não ganham peso para abate (vide uma galinha poedeira leve – branca com 20 semanas – 140 dias, pesa em torno de 1,6 kg de peso vivo). É interessante citar que a sexagem pelo sêmen do galo não é possível, pois em aves, quem determina o sexo é a galinha. Em aves, os machos são homogamético (ZZ) e as fêmeas são heterogaméticas (ZW). Já tem disponível no mercado uma máquina para sexagem in ovo, onde com 10 dias de incubação, a máquina faz um pequeno furo eanalisa os compostos hormonais nos ovos para descartar os machos antes do nascimento. Leia a reportagem: http://www.poultrynews.co.uk/production/hatching/in-ovo-sex-selection-reaches- commercial-scale.html Também colocarei um artigo a este respeito para quem tiver interesse nos materiais complementares. ATENÇÃO: ESTA SEXAGEM PELO EMPENAMENTO DA ASA SÓ SE FAZ EM LINHAGENS MELHORADAS!!! EM AVES CAIPIRAS DE QUINTAL NÃO FUNCIONA! SEXAGEM PELA DIFERENÇA NO EMPENAMENTO MACHOS Penas primárias iguais as penas de cobertura ou penas primárias menores que as penas de cobertura. Foto. Sexagem de um pintinho macho com as penas primárias iguais as penas de cobertura Fonte: arquivo do professor Foto. Sexagem de um pintinho macho com as penas primárias menores que as penas de cobertura. Fonte: arquivo do professor FÊMEAS http://www.poultrynews.co.uk/production/hatching/in-ovo-sex-selection-reaches-commercial-scale.html 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 51/124 Foto. Sexagem de uma pintainha fêmea com penas primárias maiores que as penas de cobertura Fonte: arquivo do professor Abaixo são listadas algumas vantagens da criação de um lote de frangos sexados. a) Maior uniformidade do lote: os machos ganham mais peso que as fêmeas. Com o passar das semanas de criação esta diferença vai aumentando entre os sexos e, aos 42 dias de idade um macho pode estar pesando 300 a 400 g a mais do que a fêmea. b) As diferenças no tamanho e, conseqüentemente no ganho de peso, permite que ocorra uma melhor regulagem dos equipamentos em lotes de frangos sexados. A altura de comedouros e bebedouros não fica adequada quando a criação é em lote misto. Isto pode propiciar maior desperdício de ração, derramamento de água na cama, bem como dificuldade de acesso aos bebedouros e comedouros pelas aves menores (fêmeas). c) As fêmeas poderiam ser criadas em densidade maiores, já que tem um crescimento menor e tem menor peso corporal. É possível criar de 2 a 3 fêmeas a mais por m do que quando a criação é em lote misto. d) A criação com separação de sexos permite que os abatedouros regulem seus equipamentos em função do tamanho das aves. Assim a maior uniformidade do lote permite maior eficiência dos equipamentos do abatedouro. e) Numa mesma idade, as fêmeas acumulam mais gordura do que os machos. Devido a isso algumas empresas programam o abate das fêmeas em idades mais precoces (32-35 dias) para evitar o acúmulo de gordura. Estas aves são utilizadas principalmente para exportação a países que exigem frangos menores. f) As exigências nutricionais são diferentes entre machos e fêmeas. Os machos por se alimentarem mais e ganharem peso mais rapidamente necessitam de mais energia e proteína na ração em relação às fêmeas. Assim, quando se adequa uma ração para os machos pode estar sobrando para as fêmeas. Ao contrário, se a ração é adequada às fêmeas, os machos podem estar ganhando menos peso do que poderiam, devido à ração deficiente. g) Os machos tem alta taxa de mortalidade por Ascite e Morte súbita. Medidas para amenizar estas mortes poderiam ser aplicadas nos lotes de machos, enquanto que nos lotes de fêmeas não haveria necessidade. h) Outros fatores tias como iluminação do galpão e temperatura ambiente tem ação diferenciada sobre os machos e fêmeas. Devido a estas inúmeras vantagens, a criação com separação de sexo ainda não é tão utilizada entre os produtores integrados. A remuneração dos avicultores que trabalham com integração e criam lotes sexados não tem diferenciação no Fator de Produção (FP) para pagamento. Isto prejudica quem cria somente fêmeas, visto que o desempenho produtivo é inferior. 2 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 52/124 9.3. ACOMPANHAMENTO DO PESO DE UMA AMOSTRA DE FRANGOS SEMANALMENTE Em granjas de frango de corte, deve-se realizar a pesagem de uma amostra de 80 a 100 aves nas datas de aniversário (7, 14, 21, 28, 35 e 42 dias de idade) para ver se os animais estão se desenvolvendo conforme indicado no manual da linhagem. A amostragem em lotes mistos deve contemplar 50% de cada sexo. O ideal é cercar um número de aves com uma folha de zinco ou algo parecido, em diversos pontos do galpão, para então pesar as aves capturadas. Se for apanhar aleatório, temos a tendência de escolher as aves maiores. Depois de apanhadas e pesadas, devemos calcular o peso médio das aves. O peso médio é calculado somando todas as aves e dividindo pelo número total de aves que pesamos. Por exemplo: Pesei 90 aves e a soma do peso foi de 225 kg. Para calcular o peso médio eu faço: Peso médio = 225/90 = 2,5 kg por ave (média) Depois de calculado, eu vou comparar o peso que encontrei com o que é indicado no manual. Vide o exemplo: Uniformidade do lote: muito importante!!!!!! Frigorífico: antes do abate, pesam 100 aves para regulagem da máquinas. Peso pode variar até 200 g para baixo ou para cima. Aves fora deste peso: máquina de evisceração rompe intestino e vesícula biliar e esta ave tem que ir para fazer farinha de carne e ossos e não para o consumo humano. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 53/124 9.4. DENSIDADE DE CRIAÇÃO DE FRANGOS DE CORTE Em uma criação de frangos de corte a densidade de criação (número de aves por metro quadrado de galpão) varia em função do tipo galpão que se está utilizando. Em galpões de baixa tecnologia (galpões convencionais com uso de ventiladores e nebulizadores para controle da temperatura e umidade) a densidade varia de 10 a 12 frangos/m , com produção de 25 a 30 kg de carne/m ; em galpões de alta tecnologia (Galpões tipo Dark house) onde há um maior controle de temperatura e umidade no interior, além da iluminação (nestes galpões se apagarem as luzes durante o dia, fica tudo escuro, igual noite) a densidade de criação varia de 13 a 16 frangos/ m . Foto. Frangos com 45 dias criados em galpão convencional e já em jejum pré-abate. Fonte: cortesia de Luciano Mendonça É importante atentar que a densidade de criação pode variar de acordo a época do ano (verão x inverno), com o peso e idade das aves ao abate (aves abatidas com maior peso e mais velhas, utiliza-se uma densidade menor) e os equipamentos de controle de temperatura e umidade disponível dentro do galpão de frangos (galpão convencional x galpão tipo dark house). 2 2 2 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 54/124 9.5. GALPÕES CONVENCIONAIS – MANEJO DE CORTINAS Em galpões convencionais, no momento da chegada dos pintos as cortinas devem estar em perfeito funcionamento. O manejo é determinado conforme a temperatura ambiente, umidade e, principalmente, de acordo com a idade das aves. Devem ficar fechadas nos primeiros dias de idade para manter a temperatura, abrindo-as nos dias mais quentes. Nunca abri-las de uma só vez para evitar mudanças bruscas de temperatura e a excessiva incidência de sol no interior do galpão. Se o aviário estiver abafado ou com cheiro de amônia, principalmente de manhã, as cortinas devem ser abertas preferencialmente do lado que não recebem vento para que se realize a troca de ar, sem prejudicar os pintos. Quando houver necessidade de revolver a cama as cortinas devem ser abertas para evitar o excesso de poeira e gases no interior do aviário. Nas idades menos críticas da criação (após o empenamento das aves) deve-se fechá-las somente nas horas frias ou durante chuvas ou ventanias. No inverno as cortinas laterais internas devem ser manejadas em conjunto com as externas. Estas cortinas internas, servem para reter o calor dentro do aviário, muitos destes no sul do Brasil colocam as cortinas internas, além das externas. Nos horários de frio intenso ambas devem ficar fechadas. Em temperaturas amenas deve-se manejar apenas com a cortina externa e nos horários mais quentes dodia pode-se abrir também a cortina interna, de forma a propiciar conforto aos animais e permitir a saída dos gases e poeira, principalmente quando for necessário manejar a cama. Utilizar sistema de acionamento da cortina por meio de roda dentada com corrente, e sistema de roldana. As cortinas devem ser instaladas de modo que ao descer toda cortina, ela esteja no chão externo no aviário. Ao subir, as cortinas saem do chão até encontrar a “saia”, que é uma parte da cortina que fica fixa na parte superior da instalação, vedando o aviário. Tem que ser instalada assim para que possamos ter o controle de abrir pouco ou muito, para atender a circulação de ar que precisamos no aviário. As cortinas devem ficar sempre presas na parte de baixo do aviário, sendo o manejo correto levantar de baixo para cima. Foto. Sistema de cortina em um aviário convencional. Nota-se que na parte superior temos a “saia” da cortina, parte que fica fixa e a cortina abaixo está um pouco levantada. O sistema de catraca levanta por igual a cortina de um lado do aviário. Fonte: https://www.nutriavesdistribuidora.com.br/avicultura/manejo/ Em galpões tipo dark house não há a necessidade de se preocupar com as cortinas, pois são tipos de galpões que são fechados nas laterais para que não entre ar. Neste tipo de galpão deve-se preocupar com a taxa de ventilação de acordo com a idade das aves, pois por se tratar de um galpão todo fechado, a velocidade e números de exaustores em funcionamento é que irá controlar o fluxo de ar no interior do galpão. No lado oposto aos exaustores tem os painéis evaporativos que resfriam o ar para a entrada no aviário para controle da temperatura interna. Por isso são galpões com maior controle de temperatura e umidade, mas possuem um custo mais alto de construção e instalação de equipamentos. Os índices zootécnicos (conversão alimentar, ganho de peso, consumo de ração, peso médio das aves e fator de produção) de um lote de frangos de corte neste sistema de dark house são melhores do que animais criados no sistema convencional. Material complementar: Assistam ao vídeo sobre a alta tecnologia nos galpões tipo Dark House: https://www.nutriavesdistribuidora.com.br/avicultura/manejo/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 55/124 9.6. VENTILAÇÃO DO AVIÁRIO A ventilação adequada dentro dos aviários é de extrema importância para uma melhor ambiência para as aves. A ventilação tem as seguintes funções: q Renovação do ar: evita o acúmulo de gases prejudiciais às aves e também ao funcionário (gás amônia, monóxido de carbono, óxido nítrico e outros) e promove a entrada de oxigênio; q Remoção da umidade do ar e da cama no interior do galpão mantendo em níveis corretos, para o melhor desenvolvimento das aves. Além disso, uma boa ventilação ajuda a retirar a umidade que está na cama que foi revolvida, fazendo com que esta fique na umidade correta, não emplastando (formando placas). q Remoção do calor produzido pelas aves e pela radiação vindo do telhado, paredes e áreas externas para o interior do galpão; q Melhora a sensação térmica das aves: quando em galpão de pressão positiva (uso de ventiladores) dependendo da temperatura do ar externo, se este estiver com temperatura mais baixa, ajuda a ave a perder calor ao passar pelo corpo da mesma. PONTO CRÍTICO: Devemos nos atentar principalmente na fase de aquecimento de pintinhos, pois temos a tendência de fechar muito o aviário para reter calor, podendo não ter uma renovação adequada do ar, para entrada de oxigênio e retirada do gás carbônico (CO ) proveniente da respiração e os gases da fermentação da cama. Quando não renovamos o ar corretamente nesta fase, os frangos futuramente poderão ter uma síndrome metabólica conhecida como ASCITE, que veremos em capítulo posterior, que causa um maior número de doenças cardíacas e pulmonares em frangos de corte. Aqui vale ressaltar os diferentes tipos de galpões que temos disponíveis no mercado para então discutirmos sobre a ventilação. São galpões de alta tecnologia (dark house) e galpões convencionais (com cortina, ventiladores e nebulizadores). GALPÃO DARK HOUSE: a retirada e renovação do ar se dá por exaustores que ficam nas extremidades do galpão. Lembrem que estes galpões são todos fechados na lateral por paredes ou cortinas escuras e que não tem entrada de ar. O uso de exaustores, dá uma pressão negativa que suga o ar de dentro do galpão para fora, muitos chamam estas instalações de AVIÁRIOS DE PRESSÃO NEGATIVA. Na outra extremidade há o painel evaporativo, que é constituído por uma placa grossa de papelão poroso especial, que fica sempre molhado, e o ar passa por este espaço e é resfriado para entrar no galpão. Na fase inicial, quando necessitamos de aquecimento, a velocidade dos exaustores é controlada e não se liga todos. Na lateral do galpão tem umas entradas de ar chamadas de inlets, que ajudam na renovação do ar, visto que nos painéis evaporativos não passa tanto ar, pois poucos exaustores estão ligados nesta fase. É importante lembrar que neste tipo de galpão podemos criar mais frangos por metro quadrado, devido a um melhor controle da ambiência. Geralmente se cria de 13 a 16 frangos/m . Tudo depende da idade em que irá se retirar as aves para o abate, quanto mais tarde, eu reduzo o número de aves por m . Nestes galpões de alta tecnologia de pressão negativa e também nos galpões convencionais (galpão de pressão positiva) é comum o uso dos painéis automáticos que controla a temperatura e velocidade do vento e renovação do ar de acordo com a fase de criação e exigência de temperatura pela ave. Foto. Visão do painel de controle de ambiência em uma granja convencional de pressão positiva. 2 2 2 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 56/124 Fonte: Cortesia de Luciano Mendonça Foto. Painel de controle para ambiência em aviários de pressão negativa. Fonte: Cortesia de Luciano Mendonça Figura. Detalhe da entrada pelo ar nos inlets em galpões tipo dark house e exaustores sugando o ar do interior do galpão para o exterior. Fonte: InoBram Observem a foto abaixo: Foto. Instalação dos exaustores no exterior do galpão Fonte: arquivos do professor Foto. Foto dos painéis evaporativos para resfriamento do ar (pad cooling) na outra extremidade do galpão. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 57/124 Fonte: arquivos do professor Figura. Esquema do resfriamento do ar em um galpão tipo dark house. Fonte: www.aviculturasp.blogspot.com Material complementar: assista o vídeo sobre o funcionamento de um galpão de pressão negativa tipo dark house (quando se tem paredes ou outro material que vedam a passagem de luz nas laterais do galpão) ou blue house (quando se tem cortinas azuis que vedam as laterais do galpão e deixam passar a luz do dia): http://www.aviculturasp.blogspot.com/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 58/124 Peso vivo ao abate Idade em dias Intensidade de luz (lux) Fotoperíodo (horas) Menos de 2,5 kg 0 a 7 30 - 40 23 de luz/ 1 de escuro 8 até 3 dias antes do abate 5-10 20 de luz/ 4 de escuro Acima de 2,5 kg 0 a 7 30 - 40 23 de luz/ 1 de escuro 8 até 3 dias antes do abate 5-10 18 de luz/ 6 de escuro Obs: nos 3 dias antes do abate fornecer 23 horas de luz e 1 hora de escuro. Fonte: Lardner et al. (2007) citado por Macari e Mendes (2014) 9.7. PROGRAMA DE ILUMINAÇÃO A utilização da iluminação artificial tem como objetivo aumentar o tempo de alimentação do frango e favorecê-la nas horas mais frescas do dia, ou seja, à noite e de madrugada. Para que estes objetivos sejam alcançados é importante seguir as recomendações de quantidade de lux para as aves. O programa de iluminação ideal para um plantel de frangos de corte dependerá das circunstâncias de cada plantele das exigências do mercado. Os programas de iluminação estão sujeitos à legislação local e isso deve ser levado em consideração. Contudo, há uma série de fatores básicos de manejo que devem ser atendidos em todas as condições ajustes podem ser feitos dependendo das circunstâncias do plantel. Utiliza-se 23 horas de luz e 1 hora de escuro nos primeiros 7 dias de vida para facilitar a ingestão de água e ração e promover um maior crescimento nesta fase vital de desenvolvimento dos pintinhos. É bom que estes animais se acostumem com o escuro, pois caso falte energia elétrica ou um dos geradores não funcionem, os animais estarão acostumados e não irão se amontoar. Caso não conheçam o escuro, muitos morrem por amontoamento, pois se juntam em um canto do aviário e muitos morrem pisoteados. A intensidade luminosa nesta fase de 1 a 7 dias deve ser de 22 lúmens (intensidade luminosa)/m . O galpão fica bem iluminado. Após 7 dias, cada granja faz um programa de luz diferente. Geralmente, cerca de 5 horas de escuridão podem ser ideais (variação de 4 a 6 horas de escuro). Recomenda-se um mínimo de 4 horas de escuridão. (Manual Ross 208 AP, 2017) A intensidade de luz a ser fornecida após 7 dias de idade é de 5 a 10 lux. Esta luz é o suficiente para estimular os animais a se alimentarem (Manual Ross, 2018). O excesso de luminosidade estressa as aves, além de consumir mais energia elétrica. O fornecimento de luminosidade abaixo de 5 lux, não estimula as aves a consumirem. Na tabela abaixo está descrito um esquema de programa de iluminação para frangos de corte de acordo com o peso das aves ao abate Tabela. Sugestão de programa de iluminação de acordo com o peso ao abate de frangos. Observar constantemente as lâmpadas, que deverão ser substituídas imediatamente quando queimadas ou quebradas e mantidas devidamente limpas, pois lâmpadas sujas perdem o poder de iluminação. Foto. Detalhe do peito de um frango de corte macho aos 45 dias de idade. Fonte: Cortesia de Luciano Mendonça 2 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 59/124 9.8. BEBEDOUROS Na fase inicial é essencial garantir o número correto de bebedouros para o número de aves que temos alojadas dentro do galpão. Estes bebedouros devem estar bem distribuídos nos círculos de proteção e na área para alojamento das aves, isto é para facilitar o acesso dos frangos, pois este animais não se deslocam grandes distâncias e a facilidade de acesso a água e ração melhora o ganho de peso. Quando os animais são liberados no galpão, quando se utiliza bebedouros pendulares, estes devem ser instalados e regulados para que o nível de água esteja correto, para não molhar a cama do aviário. Algumas granjas ainda utilizam nos primeiros dias os bebedouros tipo copo de pressão, com capacidade para 3 litros de água, na proporção de um bebedouro para 80 pintos de corte ou postura. Este tipo de bebedouro demanda muita mão de obra, visto que o abastecimento deve ser feito com água fresca, tratada e limpa, que deve ser trocada pelo menos duas vezes ao dia, quando também deverá ser realizada a limpeza do bebedouro. A partir do 3º ou 5º dia de idade esses bebedouros deverão ser substituídos gradativamente pelos pendulares, que permanecerão até o final da criação do lote. Entre o 6º e o 8º dia pode-se começar a retirada dos bebedouros iniciais, de forma escalonada, num período de 2 a 3 dias. Os pendulares permanecerão na mesma proporção (um bebedouro para 80 pintos de corte ou postura). A limpeza deve ser feita diariamente para evitar o acúmulo de ração, pó e excreções das aves no fundo dos bebedouros, garantindo a qualidade da água. A regulagem da altura do bebedouro deve garantir que o pinto possa beber confortavelmente e evitar o desperdício de água, empastamento e apodrecimento da cama. Cama molhada é sinônimo de cheiro de amônia e possivelmente problemas com coccidiose, que é causada por protozoários do gênero Eimeria. De 15 a 20 dias de idade a base inferior do bebedouro pendular deve ser regulado na altura do dorso da ave ou a borda superior 5 cm acima do nível do dorso (costas) do frango (figura). A regulagem da altura ser feita a cada 1 ou dois dias, pois frangos crescem muito rápido. Bebedouro baixo é sinônimo de desperdício de água e cama molhada. Foto. Regulagem da altura do bebedouro tipo pendular Fonte: Fonte: https://pt.engormix.com/ No caso de se usar bebedouros tipo nipple deve-se atentar para a regulagem do nível de água e altura dos bebedouros. Na 1ª semana (até o 4º dia) o pinto bebe pela lateral do pino sem esticar demais o pescoço, ou seja, nos primeiros dias o nipple fica na altura dos olhos do pintinho e a partir do 4º ou 5º dia a ave deve beber com uma inclinação de 45 graus dos olhos em relação ao nipple. Da 2ª a 3ª semanas a ave passa a beber com a cabeça um pouco mais inclinada e o bico toca mais abaixo no pino. Da 3ª a 4ª semanas, a ave bebe quase abaixo do nipple, com a cabeça ainda mais inclinada, e 4ª a 6ª semanas ou mais a ave bebe bem debaixo do nipple, com a cabeça totalmente esticada. Regula-se a altura dos bebedouros a cada 2 dias nas primeiras semanas e diariamente daí em diante. A cada ajuste verifica-se o nivelamento entre as linhas e o solo (cama), mas é importante observar as aves. Importante: para lotes mistos, deve-se regular o bebedouro para o tamanho das fêmeas, que são menores que os machos. Utiliza-se uma relação de 1 bico do nipple para 8 a 10 frangos de corte. Abaixo, observem a regulagem do bebedouro nipple de acordo com a idade da ave Foto. Regulagem do bebedouro nipple do primeiro ao quarto dia de vida Fonte: Plasson Foto. Regulagem do nipple com aparadouro de respingos para frangos mais velhos. https://pt.engormix.com/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 60/124 Foto. Cortesia de Luciano Mendonça É importante utilizar a vazão correta de acordo com a idade dos pintinhos, pois excesso molha muito a cama e baixa vazão o pintinho bebe pouca água e, consequentemente, não come ração e não ganha peso corporal. Abaixo há uma tabela de aferição da vazão de água na granja, onde o técnico vai até a linha dos nipple e o aperta para a coleta de água e marca 1 minuto, para então medir o volume. Isto deve ser sempre realizado, pois vazão errada prejudica o ganho de peso. A pressão da água deve ser regulada de acordo com a idade da ave com auxílio da régua fornecida pelo fabricante ou medição da vazão conforme a tabela. Tabela. Idade em semanas de frangos de corte e vazão ideal de água (ml) por minuto quando se utiliza bebedouro tipo nipple. Idade (semanas) Vazão de água (ml/minuto) 01 (0-7 dias) 40 02 (8-14 dias) 60 03 (15-21 dias) 80 04 (22-28 dias) 100 05 (29-35 dias) 120 06 (36 dias até o abate) 140 Fonte: Avivar É importante o produtor se atentar a temperatura da água de bebida para as aves, devendo a tubulação que chega no aviário estar enterrado a pelo menos 20 cm de profundidade, para que a água não se aqueça durante sua condução até o galpão e que as caixas d’água estejam protegidas contra a radiação solar direta, devendo estar localizada preferencialmente sob o telhado do galpão ou protegida do sol na área externa. A temperatura ideal da água para os pintos de corte é de acordo com a fase: Fase inicial: 24 a 25 C Fase crescimento e final: 18 a 20 C Em granjas, quando o calor está muito alto e a água está quente, os produtores costumam jogar barras de gelo dentro da caixa de água e esgotar a linha dos bebedouros nipples para que a água se renove e entre água fresca. É uma solução momentânea, mas que ajuda os frangos a perder calor. Cama úmida ao longo das linhas de bebedouros nipple geralmente indica excesso de pressão. Nesse caso, deve-se baixar aos poucos a pressão e observar os resultados sobre a cama, sem esquecer de aferir a vazão mínima necessária para suprir a necessidade de consumo de água pelas aves. Na troca de lote deve-selavar e desinfetar a caixa d água e desinfetar dentro das tubulações de água dos bebedouros. NÃO SE ESQUEÇA DE ESVAZIAR OS CANOS PARA A RETIRADA DO DESINFETANTE E ENXAGUAR, POIS O PINTINHO NÃO PODE CONSUMIR ESTA SOLUÇÃO. o o 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 61/124 9.9. COMEDOUROS Antigamente se utilizava o comedouro tipo bandeja nos primeiros dias de idade, na proporção de 6 bandejas para 500 pintos de corte ou postura, ou seja, 80 pintos por comedouro bandeja. A desvantagem deste comedouro é devido os pintos entrarem no comedouro para se alimentar e sujam a ração (excretam dentro dela), sendo necessário peneirá-la duas vezes por dia, retirando-se as fezes e partículas de cama. Demanda muita mão de obra. Foto. Pintinhos se alimentando em comedouros tipo bandeja e tuboflex Fonte: Manual Cobb (2008) Hoje já se utiliza os comedouros automáticos desde o primeiro dia de vida e também acrescenta-se os comedouros tubulares infantis para facilitar o acesso a ração pelas aves. O ideal é que se deve mexer a ração de 5 a 6 vezes por dia, principalmente nos primeiros dias de criação, para estimular o consumo. A capacidade de cada prato do comedouro automático varia de acordo com a empresa, podendo comportar de 40 a 45 frangos de corte por prato. Foto. Pintinhos se alimentando em comedouro automático tipo tuboflex Foto. Pintinhos se alimentando em comedouro tubular infantil e em comedouros automáticos tuboflex. Fonte: cortesia de Luciano Mendonça O consumo de ração é muito importante para o ganho de peso dos frangos. Alguns fatores interferem neste consumo de ração e devemos ficar atentos. Fatores que interferem no consumo de ração pelas aves (frangos e poedeiras): Energia da dieta: dietas com maior nível de energia as aves consomem menor quantidade. Temperatura do ambiente: o estresse por calor reduz o consumo de ração pelas aves, visto que a digestão e absorção dos nutrientes da ração geram mais calor para corpo da ave. Já o frio, faz com que as aves aumentem o consumo de ração. Equipamentos: a regulagem da altura do equipamento de acordo com o desenvolvimento da ave e o número correto de aves por equipamento (ver a especificação do fabricante) influencia no consumo de ração. Saúde do lote: animais doentes clinicamente e subclinicamente (não é visível a ação da doença) reduz o consumo de ração. Disponibilidade de água: em condições normais de conforto, uma ave bebe em torno de 2 a 2,5 vezes a quantidade de água em relação ao que ela consome de ração. Por exemplo: se a ave consome 100 gramas de ração, em temperatura de conforto ela irá beber em torno de 250 gramas de água. Se faltar água para a ave, ela não irá consumir a ração. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 62/124 Forma física da ração: se compararmos a ração farelada (ração que utilizamos em nossa granja do IFMG) com a ração peletizada (processo que forma grânulos tipo macarrão, pois a ração passa por um processo em alta pressão por aquecimento e é adicionado agentes aglutinantes) a ave consome maior quantidade da ração peletizada. Uma das causas é a facilidade de apreensão do grânulo da peletizada (já tem todos os nutrientes naquele grânulo) em comparação da ração farelada (a ave vai ter que bicar várias vezes para consumir e ainda pode selecionar as partículas). Além de facilitar o consumo pela ave, a ração peletizada tem uma maior digestibilidade (aproveitamento dos nutrientes presentes na ração pela ave), visto que esta ração passou por um processo de alta temperatura e pressão, tipo um “cozimento”, facilitando a digestão pela ave. Lotes de frangos alimentados com ração peletizada tem um melhor ganho de peso, conversão alimentar e peso vivo final se comparado a lotes que receberam ração farelada. Abaixo na tabela é informado o tipo ideal de ração de acordo com a idade dos frangos. Tabela. Forma física da ração e tamanho de partículas de acordo com a idade do frango de corte. IDADE FORMA E TAMANHO DAS PARTÍCULAS DE ALIMENTO 0 A 10 DIAS Fornecer ração farelada ou ração peletizada e triturada ou micropeletizada para que o pintinho consiga ingerir 11 A 24 DIAS Fornecer ração farelada ou ração com Pellets de 2 – 3,5mm de diâmetro ou peletizada triturada grossa para que o frango consiga ingerir 25 DIAS ATÉ O FINAL Pellets de 3,5 mm de diâmetro ou farelada grossa Fonte: adaptado de Macari e Mendes (2014) Em galpões com menor tecnologia, onde se utiliza comedouros tubulares manuais, a partir do 4 dia a colocar os comedouros tubulares definitivos (tamanho maior e com maior capacidade de ração), retirando aos poucos os comedouros tubulares infantis (são menores e com as bordas mais baixas), de modo que até o décimo dia só estejam no galpão os comedouros tubulares definitivos. Os comedouros tubulares deverão ser mantidos na proporção de 40 aves/comedouro para frangos de corte e para poedeiras 40-45 aves/comedouro até 6 semanas de idade. Manter, a partir da 2 semana de idade, a base dos comedouros na altura do peito das aves ou da borda superior na altura do dorso (costas) do frango. Foto. Altura correta do comedouro para frangos Fonte: https://pt.engormix.com/ Atenção: No primeiro dia de criação, utiliza-se os comedouros tubulares infantis com os pratos bem cheios, para facilitar a ingestão pelo pintinho. A medida que o animal vai crescendo, há um ajuste na regulagem do comedouro tubular definitivo, de modo que devemos regular para que o nível de ração não fique mais do que a metade da altura do prato. Esta regulagem é para evitar o desperdício de ração, visto que mais de 70% do custo de produção dos frangos é a ração. Hoje a maioria dos galpões para criação de frangos de corte utilizam os comedouros automáticos (tuboflex) que são de uso mais prático e demandam menor mão de obra. Os pratos com grades permitem a alimentação dos pintos desde o primeiro dia de criação. A quantidade de aves por prato alimentador e a capacidade do silo varia de acordo com cada fabricante. Os cuidados com o ajuste da altura devem ser tomados durante toda a criação. No primeiro dia de criação, utiliza-se os pratos do comedouro automático (tuboflex) bem cheios, para facilitar a ingestão pelo pintinho. A medida que o animal vai crescendo, há um ajuste na regulagem, de modo que o nível de ração não fique mais do que a metade da altura do prato. Esta regulagem é para evitar o desperdício de ração, visto que mais de 70% do custo de produção dos frangos é a ração. Foto. Detalhe do local de regulagem coletiva do nível de ração no prato do comedouro automático. Nota-se que a regulagem deste comedouro mais moderno é coletivo, não há a necessidade de regulagem individual, como nos tuboflex antigos. o a https://pt.engormix.com/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 63/124 Fonte: CASP Foto. Detalhe do local de regulagem individual do nível de ração no prato do comedouro automático. Fonte: Plasson Foto. Comedouro tubular manual. Nestes comedouros há um ajuste na barra metálica central para aumentar ou reduzir a saída de ração no prato do comedouro, evitando desperdício. A regulagem se faz em função da idade das aves, onde para pintos nos primeiros dias deve ser bem aberta a saída da ração, com nível mais alto no prato. Fonte: https://www.madeiramadeira.com.br/ Foto. Nível da ração no comedouro automático para aves com 30 dias de idade. Note que o nível é bem baixo para evitar desperdício. Foto. Cortesia de Luciano Mendonça Assistam os vídeos sobre a criação de frangos nas fases de crescimento e final. Vídeo de frangos com 44 dias de vidas. https://www.madeiramadeira.com.br/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 64/124 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=6454765/124 9.10. REVOLVIMENTO DA CAMA DE AVIÁRIO A cama do aviário deve ser revolvida diariamente, para que se quebre as partes um pouco úmida para a perda da umidade e exalação dos gases provenientes da fermentação das excretas, cama e restos de ração que nela caem. O revolvimento é feito com um revolvedor de cama que funciona a diesel ou gasolina, onde o funcionário conduz o equipamento dentro do aviário. Este equipamento tem uma série de dentes metálicos que ao girar, quebra as partes úmidas e revolve a cama, misturando a parte mais seca com a parte mais úmida, facilitando a perda da umidade da cama e evitando o emplastamento. O revolvimento da cama pode ser através de rastelos, na qual demanda mais trabalho para revolver. Foto. Rastelo para revolvimento da cama de aviário. Fonte: http://www.dedike.com.br/produtos/5-rastelo/ Foto. Revolvedor de cama de aviário Fonte: https://avicia.com.br/produto/124/AB-65-Pneu-Simples-ou-Reforcado Material complementar: Assista ao vídeo sobre o revolvimento manual da cama com rastelo e o painel de controle de ambiência SMAI4 https://youtu.be/ZROV4krO-tU assista ao breve vídeo sobre o uso do revolvedor de cama no aviário http://www.dedike.com.br/produtos/5-rastelo/ https://avicia.com.br/produto/124/AB-65-Pneu-Simples-ou-Reforcado 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 66/124 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 67/124 9.11. PROGRAMA DE RAÇÃO, ASPECTOS FÍSICOS E CUIDADOS NA FABRICAÇÃO PARA FRANGOS O objetivo da criação de frangos é proporcionar o maior desenvolvimento possível, em menor período de tempo e com menor custo. Para isso o fornecimento de ração deve ser constante e suficiente para que a ave satisfaça plenamente seu apetite e necessidades nutricionais para o máximo crescimento. A prática de utilizar ração à vontade predomina na maioria das granjas, embora em algumas situações utiliza-se o procedimento chamado de restrição alimentar, onde aumenta-se o período de escuro para que o animal coma menos em uma determinada fase e se desenvolva menos com o objetivo de reduzir o número de casos de frangos com síndromes metabólicas, que é assunto para uma próxima aula. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 68/124 9.12. PROGRAMAS DE RAÇÃO PARA FRANGOS DE CORTE Normalmente, formula-se rações para 4 fases da vida do frango de corte, podendo variar em nomenclatura e idade das aves, mas basicamente são estas rações: 1. Ração pré-inicial: utilizada na 1 semana de vida, ração com maior digestibilidade (mais fácil digestão e absorção dos nutrientes) que favorece o desenvolvimento intestinal das aves. É bom lembrar que o sistema digestivo do pintinho na primeira semana ainda não está em pleno funcionamento. Com o passar dos dias, há uma melhora na produção de enzimas digestivas para ajudar no processo de digestão do alimento. 2. Ração inicial: fornecida do 8 dia até 21 dias de idade. Em granjas onde não se utiliza dietas pré-inicial, a ração inicial é fornecida no período de 1 a 21 dias de idade. 3. Ração de crescimento: fornecida da terceira até a 5 semana de idade (21 a 35 dias) 4. Ração final: fornecida nos últimos 7 dias antes do abate dos frangos (normalmente de 35 a 42 dias, depende da idade que se retira as aves para o abate). Esta ração final não pode ter em sua composição antibióticos promotores de crescimento e nem o anticoccidiano (produto que é colocado para combater o protozoário que causa a doença de coccidiose, que ataca o intestino). O motivo de não se colocar estes produtos, é para não ficar resíduos dos mesmos na carcaça do frango. A maioria dos países importadores de nossa carne de frango são super rigorosos na fiscalização de resíduos na carcaça. Caso seja detectado, o carregamento de frangos todo é devolvido e nem embarca para o país destino. Estas idades para troca de ração não significam uma regra geral, já que a idade de abate é muito variável. Cada granja formula a data para a troca de suas rações e coloca sua nomenclatura. Com menos frequência, ainda existem granjas que utilizam um programa de ração somente com dois tipos (inicial e final). Devido o melhoramento genético do frango e seu rápido crescimento, as necessidades nutritivas para suprir o seu crescimento variam quase que diariamente. O correto seria formular uma ração para cada dia de vida da ave, para atender suas necessidades mas, na prática, é inviável mudar de ração diariamente devido a dinâmica de fabricação desta ração, seu armazenamento e transporte, aumentando muito os custos. Para formular as rações, o profissional zootecnista, agrônomo ou médico veterinário (técnico em agropecuária não pode assinar a formulação de rações) consulta diversos materiais técnicos para buscar a exigência das aves para cada uma das fases que citei acima, para que a ração seja formulada corretamente, para atender as necessidades fisiológicas do frango para sua manutenção e crescimento (ganho de peso). Estes materiais técnicos sobre as exigências dos frangos de corte podem ser encontrado nos Manuais das linhagens de corte (Cobb, Ross e outros), ou nas Tabelas Brasileiras de Exigências Nutricionais para Aves e Suínos da UFV. Abaixo, na figura é descrito a exigência nutricional para a formulação da ração para frangos Ross AP 308. Note que os nomes das rações para cada fase de criação proposto pela empresa genética é diferente da que está relatada nesta apostila. Figura. Exigências Nutricionais para frangos de corte Ross 308 AP, lote misto, com meta de peso entre 2,5 a 3,0 kg. Fonte: Manual Ross 308 AP (2019) a o a 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 69/124 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 70/124 9.13. ASPECTOS FÍSICOS DA RAÇÃO Existem basicamente 3 formas de apresentação da ração: Rações fareladas: são rações comumente encontradas na maioria das granjas, em que os produtos são moídos, misturados e fornecidos às aves. Exemplo: ração que utilizamos no IFMG para as aves de corte e de postura. Foto. Ração farelada Fonte: https://www.mfrural.com.br/detalhe/297176/racao-balanceada-de-postura-excelente-qualidade-40-kg-galinha-patas-peruas-pavoas b) Rações peletizadas: são rações fareladas, que depois de prontas passam por uma prensa de alta temperatura e vapor d’água, sofrendo um “pré- cozimento” e após passando por um molde e saindo sob a forma de pequenos cilindros (pellets) Foto. Ração peletizada Fonte: http://www.agromixtosi.com.br/produto/62/10/racao-coelho-reproducao c) Rações trituradas: são as rações peletizadas que, após prontas, são encaminhadas novamente a um triturador fazendo com que fiquem com partículas menores. São usadas para os pintinhos nos primeiros dias que não conseguem comer os pellets. Foto. Ração triturada Fonte: https://agroceresmultimix.com.br/blog/forma-fisica/ https://www.mfrural.com.br/detalhe/297176/racao-balanceada-de-postura-excelente-qualidade-40-kg-galinha-patas-peruas-pavoas http://www.agromixtosi.com.br/produto/62/10/racao-coelho-reproducao https://agroceresmultimix.com.br/blog/forma-fisica/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 71/124 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 72/124 9.14. CUIDADOS NA FABRICAÇÃO DA RAÇÃO O técnico responsável pela formulação das rações em uma granja irá utilizar algum programa computacional disponível, onde este considera os ingredientes disponíveis para a formulação e também o custo de cada ingrediente. Hoje temos programas gratuitos e também pagos para formulação de ração. Até o próprio excel temuma ferramenta chamada Solver que pode ser utilizada para a formulação da ração, atendendo as exigências nutricionais das aves para cada fase. Depois de formulada, a fórmula da ração é enviada para a fábrica de ração para sua produção. Os principais ingredientes utilizados em uma ração para frangos e também galinhas poedeiras são: Milho (ingrediente em maior quantidade na formulação), farelo de soja (segunda maior inclusão na fórmula), calcário calcítico (fonte de cálcio na ração), farinha de carne e ossos (fotne de fósforo na ração), fosfato bicálcico (fonte de fósforo na ração), óleo degomado de soja (é o óleo de soja mais escuro, sem o refino), sal (cloreto de sódio é fonte de sódio na ração), premix mineral (é uma mistura de microminerais que são necessários na nutrição de aves), premix vitamínicos (é uma mistura de várias vitaminas necessárias para a fisiologia das aves) e outros. É bom lembrar que tem ingredientes alternativos que podem substituir o milho (como por exemplo, o sorgo, raspas de mandioca) ou o farelo de soja (por exemplo a canola). Uma ração bem formulada, pode ser totalmente prejudicada quando se utiliza os ingredientes descritos na fórmula fora de padrão (com fungos, com muita sujeira na composição, etc). Por isso a qualidade dos grãos e demais ingredientes é muito importante! As pesagens erradas e uso de balanças não calilbradas é outro problema grave. O funcionário deve saber utilizar a balança, conferir e tarar os recipientes (como um balde) para que a pesagem do milho, por exemplo, seja correta. As moagens mal feitas, utilizando peneiras com furos não indicados para a fase de criação das aves é outro problema. A granulometria da ração correta é muito importante para que a ave apreenda o grão e ingira. Grãos moídos muito grosseiro, a ave pode não digerir bem e então é liberado parte do grão inteiro nas excretas. Caso seja pintinhos, eles não vão conseguir ingerir pelo seu grande tamanho. Outro ponto muito importante é o tempo de mistura dos ingredientes. Cada tipo de misturador tem um tempo ideal de mistura. Quando você for trabalhar a campo, procure conhecer o tipo de misturador que você tem na fábrica de ração, para saber o tempo exato de mistura (o tempo é marcado a partir do momento em que se coloca todos os ingredientes). É importante quando se utiliza misturadores verticais, deixar a ração circulando e antes de terminar, empurrar com a pá os ingredientes que podem ficar parados na entrada do misturador. Após o uso, limpe o misturador para ser utilizado na próxima batida de ração. Foto. Misturador vertical Fonte: https://www.agroads.com.br/misturador-vertical-simples-e-duplo_58264.html Abaixo listo alguns cuidados para que você fique atento ao fabricar uma ração: a) Moagem: o milho, farelo de soja e outros ingredientes devem ser moídos em peneira de 2, 3 ou 4 mm. b) Pesagem: todos os ingredientes devem ser pesados com exatidão. Em hipótese alguma se deve estimar ou “adivinhar” o peso. c) Adição no misturador: os ingredientes de alta densidade (+ pesados) não devem ser colocados no início ou no final da mistura (por exemplo, o calcário e o fosfato bicálcico). Já os ingredientes utilizados em pequenas quantidades (sal, premixes vitamínicos e minerais) não devem ser colocados no início ou no final. Recomenda-se, se possível, fazer uma pré-mistura dos ingredientes utilizados em pequena quantidade em uma bacia, utilizando-se para isso um pouco do milho que já está pesado para aquela batida de ração. d) Tempo de mistura: para que a ração fique bem homogênea deve-se deixar o tempo necessário de acordo com as especificações do misturador em uso. Geralmente o tempo varia de 10 a 12 minutos de mistura. Caso você deixe o tempo superar muito a recomendação (por exemplo, 20 minutos), a mistura não será homogênea (há separação dos ingredientes). Ração mal misturada não atende a necessidade do animal, pois está totalmente desbalanceada nutricionalmente. Deixar pouco tempo também não mistura adequadamente os ingredientes na ração. e) Quando se utiliza óleo de soja, este deve ser colocado aos poucos no misturador com a porta de circulação da ração aberto (misturadores verticais). Nunca jogar tudo dentro do misturador vertical. f) O tempo de mistura é contado a partir do momento em que adiciono todos os ingredientes da fórmula no misturador. ATENÇÃO: PESE TODOS OS INGREDIENTES ANTES DE INICIAR A MISTURA, CONFIRA SE ESTÃO TODOS ALI PARA SEREM MISTURADOS E ENTÃO, FAÇA A PRÉ-MISTURA. SE ESQUECER DE ALGUM DOS INGREDIENTES, A RAÇÃO NÃO ESTARÁ BALANCEADA E O FRANGO OU POEDEIRA NÃO IRÁ ATINGIR UM DESEMPENHO PRODUTIVO SATISFATÓRIO! Material complementar: assista ao vídeo sobre a fabricação de ração em um misturador vertical https://www.agroads.com.br/misturador-vertical-simples-e-duplo_58264.html 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 73/124 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 74/124 9.15. DESCARTE DAS AVES MORTAS NO AVIÁRIO Nas criações de aves para corte ou para postura, é comum que aconteçam mortes diárias. Quando dentro de 72 horas (3 dias) ocorre a mortalidade de 10% ou mais do lote (é muito alto, o normal durante todo o ciclo de produção de frangos é no máximo 5%), o produtor deve comunicar o fato ao IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária), onde uma diligência irá na granja apurar a causa. Isto é feito para evitar a disseminação de uma possível doença na região. Em caso de mortalidade normal, para frangos de corte é recomendado que se recolha as aves mortas ao menos duas vezes ao dia. Quando se retira as aves duas vezes ao dia, reduz-se o número de casos de frangos com celulite que é um processo infeccioso que ocorre na pele, e dependendo do grau da lesão, a ave é descartada no abatedouro. á para aves de postura, o funcionário deve observar se há alguma morta dentro das gaiolas, para então retirá- las. Este manejo é feito diariamente, todos os dias da semana. Este procedimento elimina um possível foco de doenças que pode estar associado aquela ave morta. As aves retiradas devem ser anotadas em ficha, e depois levadas para a composteira ou para o incinerador (desidratador) de aves, que são destinos corretos para a carcaça. Para entender mais sobre composteira, peço que acessem e estudem o artigo: https://www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/compostagem-de-aves- mortas/20091006-100450-h595 Foto. Composteira de aves em uma granja. Fonte: Cortesia de Luciano Mendonça O incinerador (desidratador) de aves é uma forma muito utilizada para grandes empresas aviárias de corte, onde o número de aves mortas é alto, mesmo estando dentro dos índices aceitáveis de mortalidade. Este número alto é devido ao grande número de aves dispostas em vários galpões da unidade produtiva. Este processo é mais caro, pois demanda de algum material combustível. A borra de aves retirada do incinerador é levado para a composteira. Assista ao vídeo sobre o funcionamento do incinerador (desidratador) de aves: Assista ao vídeo a partir do tempo 16min25segundos sobre compostagem de aves mortas: https://www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/compostagem-de-aves-mortas/20091006-100450-h595 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 75/124 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 76/124 9.16. RECAPITULAÇÃO DOS PONTOS ESSENCIAIS NO MANEJO DE UM PLANTEL DE FRANGOS DE CORTE Para encerrar este capítulo, é bom que vocês saibam o que deve ser feito no manejo diário e manejo semana no aviário de corte, vamos recordar: MANEJO DIÁRIO Revirar a cama e retirar as partes úmidas, repondo com cama seca; Retirar as aves mortas e anotar em ficha; Observar o fornecimento de água e ração (não pode faltar); Regulagem da altura dos bebedouros e comedourosde acordo com o tamanho da ave; Regulagem do nível da ração nos comedouros; Observar o sistema de iluminação (lâmpadas); Observar a temperatura e ventilação dentro do aviário; MANEJO SEMANAL Pesagem de uma amostra de no mínimo 80 a 100 aves nas datas de aniversário (7, 14, 21, 28, 35 e 42 dias): amostragem em lotes mistos apanhar 50% de cada sexo; obs: a pesagem deve ser individual. Foto. Pesagem individual de cada frango amostrado Fonte: Manual da linhagem Ross (2018) Comparar o peso com o que é indicado no manual; Figura. Tabela com indicação do desempenho ideal (peso corporal, ganho de peso diário, consumo diário e conversão alimentar) de um lote misto da linhagem Ross 308 (AP95). Fonte: Manual da linhagem Ross (2018) Uniformidade do lote: muito importante!!!!!! A uniformidade é calculada pesando-se uma mostra de 100 aves, calcula-se o peso médio dessas aves e determina-se um intervalo de ±10% do peso médio encontrado. Ex: peso médio de 200 gramas. Calculando ±10% será 200 – 20 (10% de 200 é 20)=180 e 200+20(10% de 200 é 20)=220. O intervalo será de 180g a 220g. Aí conta-se o número de aves que estão dentro deste intervalo. O ideal é que no mínimo 80% estejam entre 180 e 220g. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 77/124 Frigorífico: antes do abate, pesam 100 aves para regulagem da máquinas. Peso pode variar até 200 g para baixo ou para cima. Aves fora deste peso: máquina de evisceração rompe intestino e vesícula biliar e esta ave tem que ir para fazer farinha de carne e ossos e não para o consumo humano. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 78/124 10. MANEJO PRÉ-ABATE DE FRANGOS DE CORTE Depois de realizada a criação de um lote de frangos de corte chegou a hora de entregar o produto para o abatedouro (criador independente), integração ou cooperativa, no caso de quem trabalha nestes sistemas. Por que devemos dar muita importância a esta fase tão curta na vida dos frangos? Esta preocupação se justifica porque: · É um período curto (1 dia) e que ocorrem os maiores problemas de bem-estar · É um ponto essencial onde mais se observa a relação Bem-estar x produtividade (lesões na carcaça e sofrimento das aves afetam a qualidade da carne). · É necessário um trabalho constante de capacitação de pessoas que lidam com as aves nesta fase, para minimizar as perdas e eliminar o sofrimento das aves. Sobre bem-estar animal, este tema é muito importante, visto a exigência dos consumidores por produtos de animais que foram criados e abatidos atendendo às normas, aferindo qualidade e preço aos produtos que atendem tais normas. Devido a essa exigência dos consumidores, os produtores de aves e outros animais tiveram que implantar programas de qualidade e de bem estar animal, para atender as exigências do mercado ( NÄÄS 2013). 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 79/124 10.1. PROGRAMAÇÃO DA RETIRADA DO LOTE DE FRANGOS No manejo pré-abate, a programação da data de retirada do lote para o transporte até o abatedouro é importante para organizar a logística do caminhão e equipe de apanha que irá até a granja realizar o procedimento.de retirada das aves, tempo de viagem e também do número de aves totais que serão recebidas no dia pelo abatedouro. Essas informações são fundamentais para estabelecer o tempo padrão de envio de cada caminhão e o tempo de viagem até o abatedouro. O jejum pré-abate compreende o período antes da apanha, em que as aves não devem ter acesso à ração. Essa prática é necessária para reduzir o conteúdo gastrointestinal das aves, diminuindo a possibilidade de contaminação da carcaça na evisceração decorrente do rompimento do inglúvio (papo) e/ou intestino. É interessante entendermos o comportamento de ingestão de ração pelo frango, para então falarmos do jejum pré-abate. Os frangos consomem ração em média a cada 4 horas e logo após ingerem água. O tempo de passagem do alimento pelo trato digestivo tem um padrão: 4 a 5 horas para passar 50% alimento (Imabayashi, 1956) e até 12 horas após o consumo, o frango excreta 75% da ingesta (ração consumida) (Duke et al. 1968) e leva até 72 horas para excreção do material do ceco (Mendes, 2001) Após o carregamento a digestão dos frangos torna-se mais lenta ou até paralisada, sendo que um período de jejum de 8 a 12 horas, incluindo o tempo de espera na granja, o transporte e a espera na plataforma é considerado suficiente para que ocorra esvaziamento do trato digestivo das aves (Abreu e Ávila, 2003). É importante frisar que o tempo todo do início do jejum até o abate das aves já no abatedouro, não exceda 12 horas, pois ocorre perda excessiva de peso das aves. O ideal seria que ocorresse o mais breve, respeitando as 8 horas de jejum + transporte. Estima-se que perda de peso após 6 horas de jejum varie de 0,18% a 0,42% do peso vivo por hora (Bilgili, 2002). Ocorrências indesejáveis durante a evisceração do frango na linha de abate: 1. Rompimento do intestino (o rompimento contamina a carcaça, principalmente se tiver conteúdo de digesta no interior do intestino). 2. Contaminação com bile (na hora de retirar as vísceras, rompe-se a vesícula biliar que libera a bile, líquido verde escuro, que contamina a carne e tem sabor amargo – é comumente chamado de fel pelas pessoas). 3. Endurecimento do tecido de revestimento da moela 4. Aderência do papo a carcaça ( este efeito é devido a desidratação da ave da apanha até o abate). Foto. Galpão com comedouros suspensos 8 horas antes da apanha para o jejum pré abate. Note que os bebedouros ficam disponíveis e só são levantados no momento da apanha. Foto. Cortesia de Luciano Mendonça O horário ideal deste transporte deve ser nas horas mais frescas do dia (à noite ou ao amanhecer). Quando o jejum ocorre à noite, as luzes devem permanecer acesas e a água fica disponível para os animais durante todo o período de jejum. Granjas com comedouros tuboflex suspendem as linhas de comedouros para os frangos não se alimentarem a partir da hora calculada a partir do horário da realização da apanha repassada pela empresa integradora ou cooperativa. Já granjas com comedouros tubulares, deve-se fazer a elevação individual de cada um destes comedouros para que as aves não alcancem a ração. A regulagem se faz através da corda de sustentação. ATENÇÃO: A ÁGUA É RETIRADA SOMENTE NO MOMENTO DA APANHA! ESTA APANHA DEVE SER ESCALONADA DENTRO DO AVIÁRIO PARA AS AVES FICAREM O MENOR TEMPO POSSÍVEL SEM ÁGUA. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 80/124 10.2. PREPARAÇÃO DO AVIÁRIO E APANHA DE FRANGOS DE CORTE Segundo Abreu e Ávila (2003) a divisão das aves em grupos, além de auxiliar na apanha, reduz o impacto da movimentação das demais aves. Se a apanha for parcial ou total durante a noite deve- se usar luz azul, pois ao ter a capacidade visual anulada pela luz azul as aves não se agitam com o movimento do apanhador e ficam imóveis, facilitando a apanha. Hoje nos aviários modernos há um aparelho chamado de dimmer que reduz a intensidade luminosa das lâmpadas, para que as aves se estressem menos no momento da apanha, reduzindo a lesão das aves. Os obstáculos físicos, tais como os comedouros e bebedouros devem ser colocados fora da área de movimento das aves e dos carregadores para evitar golpes no peito e nas pernas das aves e acidentes com o pessoal da apanha. É importante seguir alguns passos no momento da apanha: · Estressar o mínimo possível as aves, devendo apanhá-las preferencialmente por detrás, na zona cega, para que não se assuste. A equipe deve ser treinada para isto, pois aves estressadas aumenta o número de lesões/contusões na carcaça. A apanha deve ser feita em silêncio. Foto. Demonstração da apanha da ave pela área cega. · Cercar um número de avespor vez com as próprias caixas de transporte, 200 a 250 aves (para apanha no período diurno); Foto. Aves apanhadas pelo dorso e cercadas em um pequeno número. Foto. Aves cercadas em pequeno número para facilitar a apanha. Fonte: André Campos/Repórter Brasil disponível em: https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/07/08/conheca-um-dos-piores-empregos-do-pais- colocar-o-frango-na-caixa/ · Deixar as caixas mais próximas aos frangos a serem apanhados, pois caso você tenha que se deslocar por maiores distâncias até deixar o frango na caixa, aumenta o risco de lesões na ave. O método mais utilizado de apanha das aves é a manual. Segundo Abreu e Ávila (2003), esse tipo de apanha implica em sérios riscos para a integridade da carcaça, em especial o peito, as pernas e asas, devido ao manejo inadequado das aves, sendo a causa mais provável de danos. Tipos de apanha utilizados (Abreu e Ávila, 2003): · Pelo dorso: é o mais usado. Apanha-se a ave pelo dorso, por sobre as asas com firmeza. A apanha individual oferece maior proteção a integridade física das aves. Ao se pegar uma a uma, as aves são manejadas e colocadas cuidadosamente nas caixas. Esse método beneficia também os trabalhadores, cujo desgaste físico e estresse são reduzidos. Como resultado final tem–se melhor qualidade de carcaça, maior rendimento pela redução de https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/07/08/conheca-um-dos-piores-empregos-do-pais-colocar-o-frango-na-caixa/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 81/124 lesões físicas, redução de perdas, redução dos custos operacionais diretos e indiretos; Foto. Apanha pela região do dorso Fonte: http://www.crmvrs.gov.br/escola/PDFs/BEM_ESTAR_EM_AVES_15_03_16_CRMV.pdf? · pelo pescoço: mais recente e vem crescendo. Várias empresas já utilizam 100% dessa modalidade. Exige um pouco mais de treinamento da equipe. As aves são apanhadas 2 a 3 em cada mão. As lesões hemorrágicas e o nível de fraturas, principalmente, são semelhantes quando se pega a ave pelo dorso. Uma desvantagem é o número de arranhões no dorso e coxas que são feitos quando da introdução da ave na caixa que já tem outras aves. Nos dias mais quentes, pode aumentar a mortalidade no transporte porque o modo de apanha não deixa de ser um processo de asfixia. No campo observamos muito a apanha pelas perna. Este método é mais rápido e causa mais lesões e não atende aos parâmetros de bem estar. As lesões causadas por este tipo de apanha são nas pernas e patas, pois o frango é pesado, e se o apanhador pegar por uma perna, o risco de lesão aumenta. Além disso, ao levantar as aves de cabeça para baixo para colocá-las na caixa, as mesmas batem as asas, podendo causar lesões nas asas. O ato de bater as asas quando os frangos são carregados de cabeça para baixo se deve à ausência de diafragma nestes animais, pois as vísceras descem para a região anterior (peito e cabeça) e comprimem os pulmões, sufocando o animal. Foto. Apanha dos frangos pelas pernas Há pouco tempo no país, uma empresa presta serviços na parte de apanha automática, onde máquinas fazem a apanha das aves. Assistam ao vídeo disponível no link, e vá direto para o tempo do vídeo de 3:09, onde inicia-se a demonstração da apanha automática Hoje existem programas de treinamento dos funcionários para atender ao bem estar animal. Um exemplo é WSPA, que agora é chamada de World Animal Protection, que fornece treinamento para técnicos e profissionais na área para atender a exigência de bem estar na produção de aves, suínos e bovinos. Acessem a página para conhecer esta associação para conhecer sobre o trabalho: https://www.worldanimalprotection.org.br/quem-somos/nosso-novo- nome-world-animal-protection Não é tolerado maus tratos ou brutalidade no manejo com as aves. Caso uma ave sofra a quebra de uma perna ou de uma asa no aviário, deve-se sacrificar este animal que sofreu fraturas ou lesões pelo método do deslocamento cervical, sendo uma técnica aceitável e que atende o bem estar animal. O deslocamento cervical deve ser feito somente com um puxão brusco, onde há a quebra das vértebras do pescoço, juntamente com o rompimento dos principais vasos e artérias que irrigam a região cerebral das aves, levando as aves a morte. Abaixo, é demonstrado como eutanasiar uma ave, pelo método de abate humanitário, aceito pela Proteção Animal Mundial. http://www.crmvrs.gov.br/escola/PDFs/BEM_ESTAR_EM_AVES_15_03_16_CRMV.pdf? https://www.worldanimalprotection.org.br/quem-somos/nosso-novo-nome-world-animal-protection 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 82/124 Foto. Demonstração em sequência de como eutanasiar uma ave. Segure com a mão esquerda as duas pernas das aves junto a seu corpo. Com os dedos em formato em V, encaixe no pescoço da ave. Com um só golpe forte e rápido, puxe com todas as forças o pescoço da ave para baixo, formando um ângulo de 90 graus, até sentir a quebra das vértebras. Fonte: https://thisnzlife.co.nz/how-to-humanely-kill-a-chicken-four-techniques/ Tabela – Desempenho dos métodos de apanha por duas pernas e dorso sobre o número de lesões e mortalidade. Método de apanha Asa (%) Coxa (%) Peito (%) Mortalidade (%) Duas pernas 7,07 6,01 4,25 0,32 Dorso 3,21 2,77 2,72 0,13 Diferença 3,87 3,24 1,53 0,20 Fonte: Macari e Mendes (2014) adaptado de Ludtke et al. (2010) Na apanha de frangos, do total de lesões computadas, as partes que mais sofrem lesões são: Peito (42%) Asas (32%) Patas (25%) https://thisnzlife.co.nz/how-to-humanely-kill-a-chicken-four-techniques/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 83/124 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 84/124 10.3. NÚMERO DE AVES POR CAIXA Para calcular a quantidade de aves que devemos colocar em cada caixa, deve-se considerar o peso médio das aves, o clima e a distância que estes animais vão percorrer até chegar ao abatedouro. De acordo com Abreu e Ávila (2003) o número de fraturas ósseas é reduzido quando as aves podem mover-se no interior das caixas transportadoras. A disponibilidade de oxigênio também é um fator decisivo no transporte dos frangos, uma vez que quantidades reduzidas de oxigênio podem resultar em asfixia das aves ou gerar coloração anormal na ave. É importante que haja espaços entre as fileiras de caixas no caminhão para a circulação do ar . Estas caixas que chegam na granja devem estar limpas, visto que pode levar contaminação para o interior da granja e também barrar a ventilação, caso esteja suja de excretas. É importante também que as caixas estejam íntegras, sem buracos ou pontas, para não causar lesões nos frangos. É interessante seguir o número de aves por m de caixa, para isso, devemos saber o peso médio do lote a ser apanhado para se fazer o cálculo. Verão: 38kg/m de caixa. Inverno: 45kg/m de caixa Hoje, os grandes aviários tem entrada para caminhões, ficando estes mais próximos das aves. Já os galpões onde não se tem entrada para o veículo, deve-se colocar canos de PVC, duas unidades paralelas e afastadas em 50cm, para o deslizamento das caixas com os frangos apanhados. Já para subir as caixas no caminhão, utiliza-se esteira para subir as caixas. Nunca deve-se balançar ou fazer movimentos bruscos, pois isto eleva o risco de lesões nas aves. Segundo Abreu e Ávila (2003), as pessoas que ficam em cima do caminhão têm que ser as mais experientes e eficientes para evitar as batidas e as contusões. Foto. Canos de PVC para deslizamento das caixas até a área externa onde haverá embarque das caixas com os frangos. Fonte: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/78929/1/INSTRUCAO-36.pdf Foto. Esteira com corrente para embarque das caixas com as aves no caminhão. De acordo com Abreu e Ávila (2003) deve-se manter um ponto deequilíbrio quanto ao número de caixas na altura de 7 a 8, já que sabe-se que as duas últimas fileiras são responsáveis por 40% das hemorragias de peito. A maneira de transportar as caixas nos caminhões é bastante variada. Normalmente usa-se o sistema de canos laterais e de cobertura: tela, ou simples amarrações que deverão dar garantias para que as caixas tenham um mínimo de movimento, sem risco de acidentes, já que no momento que uma caixa se solta, outras sofrerão o mesmo processo. Outro passo é fechar por cima com tela das últimas caixas na parte superior, visto que as tampas podem se abrir e alguma ave sair e causar acidente na via de tráfego. Foto. Frango sobre as caixas 2 2 2 https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/78929/1/INSTRUCAO-36.pdf 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 85/124 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 86/124 10.4. TRANSPORTE DAS AVES ATÉ O ABATEDOURO E ESPERA NA PLATAFORMA DE ABATE O treinamento do motorista é essencial, principalmente para que evite freadas bruscas. Estes devem passar por treinamento sobre o transporte e bem estar das aves. As boas condições das vias de tráfego deste veículo também é outro ponto que deve ser levado em consideração. O transporte das aves no período noturno é vantajoso por evitar temperaturas elevadas, favorecendo o bem-estar das aves, o que reduz as perdas por mortalidade e resulta em carne de melhor qualidade. Foto. Caminhão carregado com aves parado nas margens da BR262 em uma sombra de árvore, aguardando para prosseguir viagem. Este tipo de situação não é muito comum, visto que ao carregar o caminhão com aves, este deve prosseguir viagem, sem paradas, até o abatedouro. Fonte: arquivos do professor. Já no abatedouro, o caminhão com as aves ficam na plataforma de espera. Esta área é protegida da radiação solar direta e tem ventiladores e umidificadores para melhorar a ambiência para estes animais até serem descarregados. Foto. Plataforma de espera em uma abatedouro de aves. Já na plataforma de desembarque das caixas com as aves, as empresas utilizam esteira móvel ou elevador para descarregar as caixas. As caixas devem ser descarregadas de forma a não causar agitação e lesão as aves. Quando se identifica aves mortas devido o transporte, estas devem ser colocadas em separado e identificadas. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 87/124 11. AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DO LOTE DE FRANGOS DE CORTE Durante toda a fase de criação realiza-se a coleta de um conjunto de dados que visam produzir informações para avaliar o desempenho do lote. Caso o desempenho não tenha sido satisfatório deve-se procurar identificar as causas e tentar corrigí-las para as próximas criações. Para isso é indispensável a utilização de fichas de controle da granja, para que ao final os dados nos permitam a elaboração dos resultados relativos ao desempenho e que possam ser interpretados e comparados com o padrão da linhagem, com outros lotes, com lotes de outros criadores, etc. É MUITO IMPORTANTE A ANOTAÇÃO DOS DADOS DA GRANJA NA FICHA DE CONTROLE DO LOTE DE FRANGOS! TODOS OS FUNCIONÁRIOS DEVEM ANOTAR E SABER DA IMPORTÂNCIA DE TAL REGISTRO. Normalmente, os índices calculados para a avaliação do desempenho produtivo de um lote de frangos de corte são: a) Mortalidade (%) e Viabilidade (%): Mortalidade (%) é a porcentagem de aves que morreram ou foram descartadasdurante o período total da criação. Nos descartes temos as aves com problemas de perna, ascite, refugos ou outros problemas. Estas aves não crescem e consomem ração, não sendo pagas pela integração. Quanto mais cedo descartamos estas aves, melhores ficam nossos índices produtivos do lote em questão. Uma mortalidade aceitável em lotes de frangos é de 4%. Quanto mais baixo for este índice, melhor é para o produtor. % Mortalidade = no aves mortas x 100 No inicial de pintinhos Viabilidade (%): esta palavra quer dizer a porcentagem de aves viáveis que eu entrego para a empresa integradora ou cooperativa. As aves viáveis são pagas pela empresa e este índice é utilizado para o cálculo do fato de produção na qual remunera o produtor. Viabilidade (Vb) é a porcentagem de aves que sobreviveram durante a criação. % Viabilidade = 100 - % Mortalidade Ou % Viabilidade = n de frangos vendidos x 100 N inicial de pintos b) Peso médio (PM) do lote: é o peso médio dos frangos vivos que saem para o abate. Esta pesagem é feita lá no abatedouro, onde se pesa o caminhão mais as caixas e frangos. Depois desconta-se o peso do caminhão e das caixas vazias para a determinação do peso somente das aves. O produtor tem o conhecimento do número de aves que vendeu (desconta-se o número de aves que morreram e foram descartadas), e então calcula-se o PM. PM = Peso vivo do lote (kg) N de frangos vendidos c) Consumo médio de ração (CR): é a média de quanto cada frango consumiu de ração durante todo o período de criação. CR = consumo total de ração (kg) Número de aves vendidas (unid.) d) Conversão alimentar (CA): é um dos índices mais avaliados pelos produtores de frangos de corte, pois uma boa conversão alimentar é quando o animal come pouco para ganhar um kg de peso vivo. Não se deve falar se a conversão alimentar foi alta ou baixa, pois confunde quem está ouvindo. CONVERSÃO ALIMENTAR É MELHOR OU PIOR. Quanto menor o valor encontrado no cálculo deste índice, indica que foi muito melhor sua criação. Um valor ótimo de conversão alimentar no final do período de criação de um lote é de 1,63 kg de ração para produzir um kg de peso vio (CA=1,63 kg de ração/kg de peso vivo). CA = consumo total de ração (kg) Peso vivo total do lote (kg) e) Eficiência alimentar (EA): é um índice muito usado pelos americanos. Nada mais é do que o inverso da CA, ou seja: EA = peso total do lote (kg) Consumo total de ração (kg) o o o 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 88/124 f) Ganho médio diário (GMD): este índice indica quanto de peso os frangos ganharam em média, por dia, durante o período de criação. GMD = peso médio dos frangos (kg) Idade ao abate Obs.: Normalmente não se desconta o peso inicial do pintinho para calcular o ganho de peso. Estes índices acima são chamados de DIRETOS. Estes índices não medem de maneira global o desempenho do lote e, portanto, nem sempre fornecem informações conclusivas da criação, ou às vezes podem iludir o criador. Para o pagamento do produtor, as integrações e cooperativas utilizam o cálculo do Fator de Produção (FP) ou Índice de eficiência Produtiva (IEP) , sendo que os dois índices chegam em um mesmo resultado. Estes índices consideram em suas fórmulas várias das fórmulas descritas acima, como a viabilidade, conversão alimentar, etc. Esta interação, dá um resultado para comparação da eficiência na criação das aves pelo produtor. O valor encontrado não tem unidade, e para se conseguir uma boa remuneração em que pague os custos da criação e sobre um lucro, o produtor deve conseguir no mínimo uns 310 pontos. Quanto mais alta a pontuação, mais eficiente o produtor foi com a criação. Há relatos de integrações em que produtores conseguem 450 pontos. A cada 10 pontos de aumento, há uma melhor bonificação por cabeça de frango entregue a cooperativa ou integração. Todos batalham para conseguir um bom fator de produção. Evitar o desperdício de ração, doenças, um bom manejo das aves, qualidade da cama, limpeza e desinfecção, manejo inicial adequado, ambiência para as aves, etc. colaborampara um melhor Fator de Produção no final do período de criação. FP= GMD (kg) x Vb x EA x 100 Ou IEP = PM x Vb x 100 IA x CA IA = idade ao abate FP = Vb x GMD (g) CA X 10 Onde: GMD= ganho médio diário de peso considerando todo o período de criação do lote; Vb= Viabilidade do lote onde se considera somente as aves que foram entregues no dia do abate retirando-se todas as perdas decorrentes da mortalidade, refugagem e condenação (ascite, etc.). EA = eficiência alimentar. É o inverso da conversão alimentar EA= kg peso vivo/ kg de ração consumida; IA = idade ao abate; PM= peso médio das aves entregues no dia da apanha. CA= conversão alimentar. É a quantidade de ração necessária para se produzir um quilograma de peso vivo da ave CA= kg de ração fornecida no período de criação/ peso total do lote ÍNDICES IDEAIS Não existem índices considerados ideais, mas o ideal é que seja acima de 300 para que o produtor tenha um melhor lucro, e quanto mais alto é melhor a remuneração por cabeça de ave entregue para o abatedouro (isto no caso de cooperativa e integração). O fator de produção pode variar devido a várias causas que influenciam neste índice, tais como: • Linhagem criada pelo produtor; • Tipo de lote: misto ou sexado; • Época do ano em que o lote foi criado; • Valor energético da ração utilizada; Tipo de ração utilizada (peletizada, farelada) • Densidade de criação adotada; • Manejo de ração pelo funcionário (nível no comedouro, regulagem da altura do comedouro) · vazão de água; · manejo geral (ventilação, revolvimento da cama, etc.). FATORES QUE INFLUENCIAM NOS DADOS DE DESEMPENHO E NO FATOR DE PRODUÇÃO: a) Peso da ave: influenciado pela genética (linhagem), sexo, qualidade da alimentação, doenças, manejo, qualidade do pintinho. b) Consumo de ração: influenciado pela temperatura, nível de energia da ração, qualidade da ração, forma física da ração (farelada, peletizada, etc.). O manejo na qual reduz o desperdício de ração obtém melhores índices de fator de produção. Doenças afetam esta variável. Atenção: o consumo tem reflexos diretos na CA c) Mortes: no início não afeta muito no consumo, mas no final afeta muito, pois o animal já comeu muito até chegar no ponto onde houve a mortalidade. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 89/124 Assista a vídeo aula disponível na sala virtual sobre como calcular o fator de produção. Lembre que terá atividade avaliativa com estes cálculos que são essenciais para todos produtores de frangos de corte. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 90/124 12. PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA CRIAÇÃO DE FRANGOS DE CORTE E GALINHAS POEDEIRAS Neste tópico serão abordados os principais equipamentos utilizados na avicultura moderna na parte de aves para corte e aves para postura. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 91/124 12.1. AQUECEDORES DE AVIÁRIO Vários tipos de aquecedores foram desenvolvidos, buscando melhor forma de fornecer calor e proporcionar conforto térmico às aves com menor consumo de energia. Esses equipamentos estão cada vez mais aperfeiçoados, funcionais e eficientes. O esquema abaixo representa as categorias de aquecedores utilizados para aves de corte e postura. Aquecedores a lenha ou carvão Foi um dos primeiros métodos utilizados para o aquecimento de aves e caracteriza-se por utilizar a lenha como combustível. O calor é transmitido às aves principalmente por meio da condução, através do ar. Foto. Aquecedor a lenha no interior do aviário. Fonte: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-957951681-aquecedor-a-lenha-_JM Este sistema consiste de uma fornalha para a queima da lenha, chaminé, ventilador (para conduzir o calor para o aviário), termostato, alarme e tubos distribuidores de ar quente. Os queimadores podem estar localizados externamente ou internamente ao aviário. O ar quente é impulsionado da câmara de ar quente por meio de exaustores de 2 CV aos tubos perfurados, distribuídos no comprimento do aviário. Essa alternativa diminui os gases tóxicos com melhor controle da temperatura. O consumo de lenha é de aproximadamente 1 m /dia para um aviário de 100 m de comprimento, dependendo das condições climáticas (frio consome mais lenha). Desvantagem: requer maior mão-de-obra (uma pessoa para colocar lenha durante a noite ou dia). Os aquecedores a lenha não automáticos não produz temperatura constante e muitas vezes excede ao necessário exigindo o controle de temperatura pelo funcionário. Hoje já existem opções no mercado de aquecedores a lenha com controle automático de temperatura, onde há um termostato que é colocado dentro do aviário, na altura da ave, e o aquecedor controla a entrada de oxigênio de acordo com a necessidade de aquecimento (para que haja queima da lenha é preciso de oxigênio). Também existem aquecedores a lenha com alimentação com pellets de madeira ou cavacos de madeira. O funcionário abastece o depósito e a medida em que há a queima, o sistema puxa o pellet ou os cavacos para alimentar a fornalha, diminuindo assim a mão de obra. Foto. Aquecedor a lenha com pellet de madeira. Fonte: https://www.mfrural.com.br/detalhe/126664/aquecedor-a-pellet-para-aviario acessado 12/08/20 3 https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-957951681-aquecedor-a-lenha-_JM https://www.mfrural.com.br/detalhe/126664/aquecedor-a-pellet-para-aviario 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 92/124 Material complementar: assista ao vídeo do funcionamento do aquecedor a lenha com alimentação automática Importante: uso de chaminé para a retirada dos gases da combustão de dentro do aviário. Hoje os aquecedores mais modernos ficam do lado de fora e tem um cano que conduz o calor para dentro do aviário. Vantagem: menor custo de aquecimento, dependendo do valor da lenha ou carvão na região; é o mais utilizado pelos produtores. Aquecedores elétricos Muito utilizado no passado, quando se criavam aves em grupos reduzidos, decaindo, posteriormente, nas granjas industriais, caracterizadas por criação de milhares de aves. São caracterizados por transmitirem o calor por meio da condução e da radiação, serem de fácil manuseio, possuírem produção de calor constante e não geração de gases tóxicos (CO e CO2). Desvantagem: custo da energia elétrica. O uso de lâmpadas infravermelhas apresenta consumo excessivo de energia, a menos que as lâmpadas sejam controladas termostaticamente. Nesse sistema o canibalismo constitui sério problema. Adicionalmente, as interrupções de energia, por mais curtas que sejam, representam sério problema caso esses sistemas não possuam campânula sobre as lâmpadas. Aquecimento a gás São utilizados e apresentam o menor custo com a geração da energia térmica, pois utilizam tanto o gás natural quanto o gás liquefeito de petróleo (GLP). Existem no mercado vários tipos desses aquecedores, com diversas concepções quanto à forma de transmitir calor, maneiras de instalação e meios de controle da temperatura de operação. Campânulas a gás possuem um queimador de gás convencional, onde o calor é transmitido às aves por condução e convecção. São instalados a pouca altura do chão e, conseqüentemente, das aves, o que ocasiona uma distribuição não uniforme da temperatura em seu raio de ação. Com a baixa altura de instalação, os gases provenientes da combustão se alojam abaixo da campânula, podendo atingir os pintos, prejudicando seu aparelho respiratório. Possuem duas regulagens de temperatura, alta e baixa, feitas manualmente e uma capacidade reduzida de aquecimento, sendo recomendados para, no máximo, 1000 pintos.Foto. Campânula a gás dispostas no aviário para aquecimento dos pintos. Fonte: http://www.sbm-international.net/elevage/poultry Foto: Detalhe de uma campânula a gás Fonte: https://www.chickenshack.co.za/poultry-heaters-gas-brooders.html http://www.sbm-international.net/elevage/poultry https://www.chickenshack.co.za/poultry-heaters-gas-brooders.html 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 93/124 Vantagem: equipamento resistente, baixo índice de manutenção e de fácil mobilidade, podendo ser reinstalados com facilidade e rapidez. O objetivo dos sistemas de aquecimento radiante da campânula a gás é manter a ave aquecida e o piso seco, contudo os sistemas primeiro aquecem o ar que depois é repassado às aves e à cama. Sua instalação se dá geralmente a uma altura considerável do chão, podendo variar entre 0,90 a 1,20 m. Atualmente, há grande variedade de modelos com regulação termostática, individual ou centralizada, providos de campânula maior ou menor, entre outros. O importante é dispor de potência calorífica adequada. A razão da popularidade do sistema vem da comodidade de sua regulação termostática, porém é um dos sistemas mais caros em consumo. Aquecedores espaciais a gás Este tipo de aquecimento promove o aquecimento do ar através da queima do gás. O ar quente circula dentro do aviário. Foto. Aquecedor espacial a gás Fonte:http://www.plasson.com.br/livestock/site/products/chicken/product/16 Foto. Esquema de aquecimento do ar pelo aquecedor espacial a gás. Fonte:http://www.plasson.com.br/livestock/site/products/chicken/product/16 Foto. Aquecedor espacial a gás no interior do aviário Fonte: https://arcotherm.com.br/aquecedor-para-aviarios/ http://www.plasson.com.br/livestock/site/products/chicken/product/16 http://www.plasson.com.br/livestock/site/products/chicken/product/16 http://www.plasson.com.br/livestock/site/products/chicken/product/16 https://arcotherm.com.br/aquecedor-para-aviarios/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 94/124 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 95/124 12.2. COMEDOUROS Comedouro linear corrente Esse tipo não apresenta bons resultados, pois o desperdício de ração é bem maior, sem contar com o problema de dissociação de ração que gera desuniformidade no lote e menor ganho diário de peso. Outro problema desse equipamento é que, por ser de distribuição lenta, ocorre o acúmulo de aves próximo à zona de distribuição quando o mesmo é ligado, provocando desigualdade, estresse e depreciação da carcaça. Este tipo de comedouro é muito utilizado na criação de matrizes, onde existe uma grade metálica para exclusão da macho para que o mesmo não consuma a ração da fêmea. Utiliza-se 5 cm de espaço por ave ou 40 aves/m de comedouro. Foto. Detalhe da corrente que corre no interior do comedouro transportando a ração. http://www.plasson.com.br/livestock/site/products/pattern/product/35 Foto. Distribuição dos comedouros tipo linear corrente em galpão de matrizes. Observe o detalhe da caixa onde é colocada a ração para a distribuição pela corrente no interior do comedouro. fonte: http://www.plasson.com.br/livestock/site/products/pattern/product/35 Comedouro tubular infantil Utilizado somente na primeira semana. Utiliza-se de 40 a 60 aves/comedouro. Existem vários modelos no mercado, desde os fabricados todo em material plástico (polipropileno) até aqueles feitos com metal (chapa galvanizada) e plástico. Foto. Comedouro tubular infantil confeccionado em plástico tipo prolipropileno. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 96/124 Fonte: https://loja.aquasuper.com/comedouro-tubular-infantil Foto. Comedouro tubular infantil Fonte: https://www.granjtec.com.br/comedouro_granja_infantil Comedouro tubular Nesses comedouros é muito importante a profundidade do prato, no sentido de facilitar o consumo dos pintos, nos primeiros dias, e não permitir desperdício de ração na segunda fase (frango). Isso porque não se acredita necessário o uso de comedouros infantis embora eles sejam bastante eficientes. Esses comedouros são usados na proporção de um para cada 35 a 50 frangos de corte. Neste comedouros definitivos a quantidade de ração no depósito é maior do que no comedouro infantil. Em aves de postura é recomendado o uso de 40 a 45 aves/comedouro tubular na fase de cria (0 a 6 semanas) e de 25 a 30 aves/comedouro tubular na fases de recria (7 a 18 semanas) e produção (19 a 80 semanas). Foto. Comedouro tubular Fonte: http://www.casp.com.br/proteina-animal/frango-de-corte/comedouros-tubua/ Vários fatores poderão alterar essa proporção de aves/comedouro: · Peso final dos frangos; · Oscilações de temperaturas; https://loja.aquasuper.com/comedouro-tubular-infantil https://www.granjtec.com.br/comedouro_granja_infantil http://www.casp.com.br/proteina-animal/frango-de-corte/comedouros-tubua/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 97/124 · Época do ano; · Programa de luz. Estes comedouros devem ser distribuídos em fileiras eqüidistantes dois metros um do outro, para facilitar o abastecimento (manual) e o acesso das aves. Foto. Distribuição dos comedouros tubulares no aviário Fonte: http://www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publicacoes/publicacao_s5h78b3f.pdf Comedouros helicoidais automáticos (rosca flexível) ou tipo tuboflex São equipamentos muito eficientes e de custo elevado. Possuem grades com finalidade de reduzir o desperdício e manter a ração mais limpa. Utiliza-se o prato cheio nos primeiros dias de vida das aves, reduzindo gradativamente a quantidade de modo que nas últimas duas semanas, permaneça com o mínimo de ração para evitar desperdício. A principal função desse tipo de comedouro é o estímulo ao consumo de ração. O número de aves por prato é bastante variado, dependendo basicamente da temperatura, densidade e peso final das aves. Este tipo de comedouro é fabricado nas mais diferentes cores e formatos, desde os comedouros com regulagem de ração no prato individual, até os comedouros com regulagem geral (uma única regulagem já muda a regulagem em todos os pratos). A maioria das empresas trabalha com 45 a 55 aves de corte por prato. O número de pratos ou de linhas (2 ou 3) depende fundamentalmente do número de horas/dia que as aves estão em conforto para consumirem durante o máximo de horas por dia. Estes comedouros devem estar distanciados de 2,5 a 3,0 metros da parede para facilitar o consumo. Para poedeiras utiliza-se 40 a 45 aves/tuboflex na fase de cria (0 a 6 semanas) e 25 a 30 aves/tuboflex na fases de recria e produção. Foto. Frangos se alimentando em comedouros tubular com regulagem geral. Fonte: https://arcotherm.com.br/saiba-mais-sobre-os-tipos-de-comedouros-para-galinhas/ Comedouro tipo calha Muito utilizado na criação de poedeiras em gaiolas nas fases de cria, recria e produção. É feito com chapas galvanizadas podendo ser utilizado também material plástico, que aumenta sua durabilidade. O arraçoamento neste sistema é feito manualmente ou por meio de carrinho no caso de arraçoamento automatizado. Foto. Galinhas poedeiras se alimentando em comedouros tipo calha. http://www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publicacoes/publicacao_s5h78b3f.pdf https://arcotherm.com.br/saiba-mais-sobre-os-tipos-de-comedouros-para-galinhas/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 98/124 Fonte: https://www.cpt.com.br/cursos-avicultura/artigos/galinhas-poedeiras-sistema-de-criacao-em-gaiolas-na-fase-inicial Comedouro de calha e helicóides (rosca flexível) Utilizado para arraçoamento de poedeiras e matrizes. Quando utilizado para matrizes, o acesso do macho à ração da fêmea é feitoatravés da colocação de uma grade ou tubo de restrição, disposta em toda a extensão da calha. É recomendado este sistema para o período de produção. Vantagens do sistema: · A canaleta de transporte e a rosca-sem-fim são extremamente resistentes. · A rosca-sem-fim não é tracionada e sim empurrada pela unidade motriz. · Não existem curvas de 90 graus acentuadas, o que diminui a manutenção. · A ração é distribuída de forma uniforme por toda a calha, não existindo a separação de nutrientes da ração. · As aves só conseguem se alimentar após o sistema estar parado. · A calha evita desperdício de ração. · O sistema de suspensão é de fácil operação e tabalha totalmente automatizado. Foto. Comedouro tipo calha com helicóides. https://www.cpt.com.br/cursos-avicultura/artigos/galinhas-poedeiras-sistema-de-criacao-em-gaiolas-na-fase-inicial 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 99/124 12.3. BEBEDOUROS Os bebedouros devem ser instalados igualmente por todo o aviário, de modo que nenhum frango esteja a mais de 2 metros de distância de algum bebedouro. Bebedouros pendulares Este tipo de bebedouro é o mais utilizado na criação de frangos, em razão de sua praticidade e facilidade de manejo. Entretanto, eles levam ao desperdício de água, especialmente se incorretamente regulados. Ele funciona automaticamente, repondo a água que o frango ingeri. É necessário que se lave o local onde a água fica parada para a ave beber, pois junta sujeiras da cama e restos de ração. A quantidade de aves por bebedouro varia de 80 a 100 para frangos de corte e poedeiras (0 a 6 semanas). Nas fases de recria e produção, utiliza-se de 60 a 80 aves/bebedouro pendular. Foto. Bebedouros pendulares. Fonte: http://www.casp.com.br/proteina-animal/frango-de-corte/bebedouro-pendular/ Bebedouros nipple Vantagens do uso do nipple: · Redução da mão-de-obra; · Melhor qualidade da água (não necessita de lavar, pois a água fica dentro da tubulação); · Melhor saúde das aves. Existem sistemas alternativos onde o uso do nipple está associado a um sistema de aparadouro de respingos de água. Neste caso, é menos provável que ocorra o desperdício de água e a presença de cama úmida. Foto. Bebedouro nipple com aparadouro de respingos. Fonte: http://www.casp.com.br/proteina-animal/frango-de-corte/nipple-casp-by-lubing/ Utiliza-se de 12 a 15 frangos de corte por nipple. Para poedeiras utiliza-se de 16 a 18 aves/nipple na fase de cria (0 a 6 semanas), 10 a 12 aves/nipple na fase de recria (7 a 18 semanas) e de 8 a 10 aves/nipple na fase de produção (19 a 80 semanas). Bebedouros automáticos de válvula acopladas a copinho Bebedouro que seria a fusão do bebedouro nipple com o pendular. Uma unidade é capaz de abastecer 35 frangos em função da maior vazão (400 a 600 mL/ min.), e de que seria possível mais de uma ave beber ao mesmo tempo, o que não ocorre no nipple. Este sistema para frangos vem sendo usado na Europa e não se utiliza no Brasil. Em poedeiras, no Brasil é utilizado este sistema onde um bebedouro serve para aves alojadas em duas gaiolas. Foto. Bebedouro nipple associado a copinho http://www.casp.com.br/proteina-animal/frango-de-corte/bebedouro-pendular/ http://www.casp.com.br/proteina-animal/frango-de-corte/nipple-casp-by-lubing/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 100/124 Bebedouro tipo calha Em desuso devido à dificuldade de limpeza e desperdício de água. Quando utilizado utiliza-se 2,5 cm de calha/ave. Bebedouro tipo copo de pressão Utilizado nos primeiros dias de vida dos pintinhos. Muita mão de obra para enchê-los e limpar. Foto. Bebedouro infantil tipo copo de pressão Fonte:http://www.agrodove.com.br/loja/produto-237374-1307-bebedouro_pressao_5_litros_pintinhos http://www.agrodove.com.br/loja/produto-237374-1307-bebedouro_pressao_5_litros_pintinhos 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 101/124 12.4. VENTILADORES São equipamentos utilizados para executar ventilação positiva. Recomenda-se seu uso para instalações com estruturas antigas, nas quais a ventilação positiva é a única opção, ou para projetos de baixo custo de implantação. Instalar o primeiro de 1 a 2 metros da entrada de ar no aviário e atentar ao sentido do vento dominante no galpão (deve ser no mesmo sentido deste vento e não contra). Vantagens: - Baixo custo; - Fácil instalação; Desvantagens: - durabilidade; - alto nível de manutenção; - promove um movimento de ar desuniforme em velocidade e em campo de atuação; - Elevado gasto de energia. Foto . Ventiladores utilizados em aviários. Fonte: http://www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publicacoes/cot384.pdf http://www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publicacoes/cot384.pdf 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 102/124 12.5. EXAUSTORES Utilizados para executar a ventilação negativa conhecida como túnel de ventilação. Exaustores são dispostos numa extremidade do aviário com a abertura para a entrada de ar na extremidade oposta. O objetivo do túnel de ventilação é promover uma ventilação uniforme nos diferentes pontos do galpão, isto é, que a área da seção de ar do galpão se mova da entrada de ar para a saída em velocidade constante (2,0 m a 2,5 m/s). Neste sistema de ventilação, a estrutura do aviário deve permitir a vedação das entradas de ar (laterais e teto) com cortinas plastificadas de forma a garantir o efeito de túnel do vento (Czarick e Lacy, 1999ª citados por Mendes et al., 2004). Foto Sistema de exaustores instalados em granja de frangos de corte. Fonte: arquivos do professor. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 103/124 12.6. SISTEMA DE RESFRIAMENTO ADIABÁTICO EVAPORATIVO OU PLACAS EVAPORATIVAS OU COLLER (RESFRIADOR) Utilizado em galpões tipo Dark House ou Blue House de frangos de corte, nos locais onde ocorre a entrada de ar, fazendo com que o ar quente do exterior ao passar pelo painel evaporativo feito de papelão (este papelão é molhado constantemente) e se resfrie. Foto. Sistema de painéis evaporativo – pad cooling Fonte: https://www.avisite.com.br/revista/materias/granjasbrasilxeua.html Foto. Esquema do painel evaporativo disposto na posição oposta aos exaustores. https://www.avisite.com.br/revista/materias/granjasbrasilxeua.html 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 104/124 12.7. NEBULIZADORES São produzidas uma fina neblina de água que é difundida no galpão. O uso de nebulizadores está associado ao uso de ventiladores, caso contrário as gotículas caem e molham a cama do aviário. Os ventiladores ou exaustores deverão ser ligados antes que os nebulizadores entrem em funcionamento para evita umedecimento da cama de aviário que está sobre o piso. Foto. Nebulizadores instalados no aviário. Fonte: https://www.edege.com.br/produtos/climatizacao https://www.edege.com.br/produtos/climatizacao 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 105/124 12.8. CORTINAS Serve para conter ventos, retenção de calor na fase inicial, evitar entrada de chuvas e proteção contra a radiação solar em determinadas épocas do ano, mesmo com a disposição correta do aviário no sentido leste-oeste. São confeccionadas em material tipo ráfia. Geralmente se utiliza das cores azul ou amarelo. Figura. Sistema de cortina tipo catraca em aviários. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 106/124 12.9. GAIOLAS A criação de aves em gaiola ocorre somentena criação de poedeiras comerciais, podendo abranger todas as fase de criação, desde a pintainha de 1 dia de idade até o final da produção de ovos. Não usa criar frangos de corte em gaiolas. Gaiolas Tipo Bateria Utilizado para pintainhas de poedeiras de 1 a 30 dias de idade. Nos primeiros 3 dias usa-se forrar o piso metálico com papel grosso para proporcionar melhor conforto às pintainhas. Utiliza-se a densidade de 240 a 280 cm /ave. Gaiolas de Cria e recria Gaiolas metálicas utilizadas para frangas de postura. Estas gaiolas não possuem aparadouro de ovos e as frangas são transferidas para o galpão de postura com 16 semanas de idade. Utiliza-se a seguinte densidade nos períodos de criação: 240 a 280 cm /ave na fase de cria (0 a 6 semanas) 320 a 380 cm /ave na fase de recria (7 a 18 semanas) Foto. Gaiola de cria e recria para frangas de reposição, onde as pintainhas entram com 1 dia de idade e saem por volta de 15 a 16 semanas, onde são transferidas para o galpão de postura que tem as gaiolas de postura. Fonte: Isabela – Granja Rancho da Lua Foto. Gaiola de cria e recria com frangas as 15 semanas de idade. 2 2 2 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 107/124 Fonte: Isabela – Granja Rancho da Lua Gaiola de postura Gaiolas metálicas utilizadas na fase de produção. Hoje existem gaiolas simples no sistema piramidal tipo californiano de 2, 3 ou 4 níveis (andares), onde a coleta dos ovos é feita de forma manual ou automatizada e as excretas caem no piso debaixo das gaiolas. Foto. Gaiolas de postura no sistema piramidal em 3 níveis. Fonte: https://br.pinterest.com/pin/559853797411421029/ Foto. Galpão tipo californiano com 3 níveis e coleta manual https://br.pinterest.com/pin/559853797411421029/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 108/124 Fonte: https://www.indiamart.com/proddetail/3-tier-california-layer-battery-cage-6541268062.html Hoje no campo já é utilizado gaiolas de postura com sistema automático de arraçoamento, coleta dos ovos e das excretas. Estas gaiolas são dispostas em níveis (andares) chegando a ter até 6 – 7 níveis (andares), otimizando o uso do espaço no aviário e reduzindo a mão de obra. Estes galpões tem de 50 mil a 100 mil galinhas em produção cada um. Utiliza-se 375 a 480 cm /ave na fase de produção (19 a 80 semanas) Foto. Gaiola de postura em galpão automatizado. Fonte: http://www.kilbra.com.br/pt/produtos/postura/ Material complementar: Assista aos vídeos sobre os galpões automáticos: 2 https://www.indiamart.com/proddetail/3-tier-california-layer-battery-cage-6541268062.html http://www.kilbra.com.br/pt/produtos/postura/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 109/124 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 110/124 12.10. DEBICADORES Debicadores são utilizados para debicar frangas de postura nas idades de 8 a 10 dias de idade e de 11 a 12 semanas de idade (segunda debicagem). Este procedimento é necessário para se retirar a ponta do bico para evitar com que a franga cometa canibalismo com as outras aves na gaiola. Além do canibalismo, a debicagem evita a seleção e partículas da ração e desperdício de ração. ATENÇÃO: NÃO SE DEBICA FRANGOS DE CORTE! Este aparelho tem uma resistência elétrica que aquece uma lâmina a uma temperatura de 600 a 750 graus C e então se faz a queima da ponta do bico (primeira debicagem) ou o corte (segunda debicagem). O debicador tem um pedal, onde quem o manuseia pisa para que a lâmina desça e corte o bico. Depois de cortar, deve-se encostar o bico na lâmina quente para cauterizar para evitar sangramento. Foto. Debicador em funcionamento. Note a cor vermelho cereja da lâmina aquecida. Fonte: https://timzimmermann.com/2013/06/11/de-beaking/ Material complementar: assista ao vídeo da debicagem e uso do debicador https://timzimmermann.com/2013/06/11/de-beaking/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 111/124 12.11. NINHOS Ninhos convencionais utilizados para matrizes e galinhas poedeiras comerciais criadas no sistema cage free (livre de gaiolas) ou free range (livre de gaiola mas com acesso ao piquete) Fabricados em chapas galvanizadas ou madeira leve. Os ninhos de madeira Apresentam maior conforto às aves. Utilizados em criações de matrizes para corte ou postura. Observa-se que piores níveis de biossegurança (limpeza e desinfecção de ninhos, bem como maiores riscos sanitários com maior número de trabalhadores) são características deste sistema de ninhos. Requer de 30 a 40% a mais de mão-de-obra por dúzia de ovos coletados se comparado com ninhos automáticos. Usa-se no máximo 5 aves por boca de ninho. Foto. Ninhos manuais em chapas galvanizadas dispostos dentro de um aviário de matrizes para a produção de ovos férteis. Fonte: https://thepoultrysite.com/articles/encouraging-hens-to-lay-in-nests Ninhos automáticos Usa-se no máximo 6,25 aves por abertura do ninho. Tem como vantagens: layout aberto que facilita o uso em climas quentes, fácil acesso á correia de coleta, interior facilmente inspecionado pelas aves antes da entrada destas, a tampa de fechamento e abertura doninho podem ser automatizada, material metálico de fácil limpeza e desinfecção. Quando a produção de ovos pelas aves está acima de 20% faz-se a coleta dos ovos por meio de correia de coleta 4 vezes ao dia nos horários das 07, 10, 11 e 17 horas. Foto. Ninhos automáticos em matrizeiros. Fonte: https://zootecnicainternational.com/featured/interview-mr-albert-jansen-jansen-poultry-equipment/ https://thepoultrysite.com/articles/encouraging-hens-to-lay-in-nests https://zootecnicainternational.com/featured/interview-mr-albert-jansen-jansen-poultry-equipment/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 112/124 12.12. SILOS PARA ARMAZENAMENTO DE RAÇÃO Melhor método para armazenar a ração, evitando roedores e também pássaros. Muitas granjas de frangos tem dois silos para cada galpão, para não misturar as rações de acordo com as fases de criação, principalmente a ração final, que não pode ter antibiótico ou anticoccidianos. Hoje, os sistemas automatizados de arraçoamento para frangos e poedeiras, utilizam um sistema de rosca sem fim que trás a ração do silo para o interior do aviário, sem necessitar mão de obra humana. Este acionamento da retirada da ração do silo pode ser feita manualmente no painel ou automático (em função dos níveis de ração nos comedouros e necessidade de ração). Foto. Silo para armazenamento de ração. Fonte: http://www.avimac.com.br/mostrar-produto/silo/91 http://www.avimac.com.br/mostrar-produto/silo/91 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 113/124 12.13. DEMAIS EQUIPAMENTOS Carrinho de ração: para fornecer ração manualmente Foto. Carrinho de ração para aviário Fonte: http://www.funilariaconcordia.com.br/carrinhos Sistema automático de arraçoamento tipo carrinho. Utilizado em galpões automatizados para poedeiras e frangas de reposição, onde existem de 3 a 7 níveis de gaiolas. Classificadora de ovos Utilizada para pesagem individual de cada ovo coletado para então serem embalados conforme a classificação. Os ovos são classificados segundo o peso (g), consistindo seis categorias/tipo: Industrial (ovo≤45g), Pequeno (45>ovo≤50g), Médio (50>ovo≤55g), Grande (55>ovo≤60g), Extra (60>ovo6≤65g) e Jumbo (ovo>65g). Material complementar: Assista ao vídeo sobre uma classificadora de ovos Seringas pistolas para vacinação São pistolas que são calibradas de acordo com o volume a ser injetado na ave (vacinação intramuscular). O frasco de vacina fica preso a cintura de quem está vacinandoe é ligado na seringa através de uma mangueira. Foto. Seringa pistola de vacinação de aves. Fonte: https://www.solostocks.com.br/venda-produtos/equipamento-criacao-animais/outros-equipamentos-criacao-animais/seringas-pistolas-vacinadoras- dosadoras-thama-820801 http://www.funilariaconcordia.com.br/carrinhos https://www.solostocks.com.br/venda-produtos/equipamento-criacao-animais/outros-equipamentos-criacao-animais/seringas-pistolas-vacinadoras-dosadoras-thama-820801 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 114/124 Material complementar: Sobre como aplicar vacina intramuscular, disponibilizo um vídeo (em inglês). Só para vocês terem ideia como fazer e preparar a vacina. Caso esteja grande e não entenda, vá para o tempo 10 minutos. canos de PVC para transporte de água (enterrar a pelo menos 30 cm de profundidade), caixas d’água Ideal que sejam protegidas da radiação solar para não aquecer a água de bebida das aves. Balanças para pesagem das aves individualmente, pesagem de ração, etc. Foto. Pesagem individual de frangos fonte: http://en.aviagen.com/assets/Tech_Center/BB_Resources_Tools/Broiler-Mgt/AVBR-Howto6-IndividuallyWeighBBFemales-EN-17.pdf Bandejas plásticas ou de papelão para coleta dos ovos manualmente Estas bandejas tem a capacidade para 30 ovos. Os ovos devem ser colocados com a ponta fina para baixo. As bandejas de papelão são descartáveis e não se deve reutilizá-las, pois pode trazer doenças para a granja. Foto. Bandeja plástica para acondicionamento de ovos Fonte: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-959727750-bandeja-plastica-transporte-de-ovos-pc-36-unidades-_JM? matt_tool=26177295&matt_word&gclid=EAIaIQobChMI5vSS9oaY6wIVCw6RCh2XMgDJEAQYASABEgJw_PD_BwE&quantity=1 Programador horário ou timers automáticos para controle do período de iluminação do aviário. Foto. Programador horário ou Timer automático para aviários http://en.aviagen.com/assets/Tech_Center/BB_Resources_Tools/Broiler-Mgt/AVBR-Howto6-IndividuallyWeighBBFemales-EN-17.pdf https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-959727750-bandeja-plastica-transporte-de-ovos-pc-36-unidades-_JM?matt_tool=26177295&matt_word&gclid=EAIaIQobChMI5vSS9oaY6wIVCw6RCh2XMgDJEAQYASABEgJw_PD_BwE&quantity=1 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 115/124 Fonte: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1266523281-mecanismo-de-liberaco-de-raco-automatico-eletrnico-_JM?quantity=1 chapas de Eucatex, compensado ou folhas metálicas para a confecção dos círculos de proteção. Foto. Chapa de Eucatex para confecção do círculo de proteção no aviário Fonte: https://www.nutriavesdistribuidora.com.br/avicultura/equipamentos/ Aspersores Utilizado ficam acima do telhado e trabalham em horário definido. Ao molhar o telhado diminui a incidência de radiação dentro do galpão. Neste sistema, a água que escorre do telhado não pode cair no passeio lateral do aviário, devendo ter uma calha de coleta para a água recircular para evitar desperdício. Se a água cair na lateral do aviário aumenta muito a umidade interna do galpão, o que não é bom para a perda de calor das aves. https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1266523281-mecanismo-de-liberaco-de-raco-automatico-eletrnico-_JM?quantity=1 https://www.nutriavesdistribuidora.com.br/avicultura/equipamentos/ 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 116/124 13. SÍNDROMES METABÓLICAS OU DOENÇAS DE PRODUÇÃO EM FRANGOS DE CORTE Neste capítulo será abordado as principais síndromes metabólicas que acometem frangos de corte e como evitá-las em um lote de frangos. O termo doenças de produção é usado para definir doenças que estão diretamente ligadas ao alto nível de produção, e são resultado de algum desequilíbrio biológico do animal. Portanto, nas doenças de produção (síndromes metabólicas) não existe um agente causador como nas demais doenças. As de maior importância por causar grandes danos econômicos na avicultura moderna. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 117/124 13.1. RESTRIÇÃO ALIMENTAR EM FRANGOS DE CORTE O melhoramento genético propiciou aos frangos um ganho de peso extremamente alto e rápido, com ótima conversão alimentar (hoje um excelente lote consegue uma conversão de 1,58 kg de ração/ kg de peso vivo). Muitos problemas metabólicos decorrentes deste rápido melhoramento acompanharam esta evolução e, para reduzi-los, há que se reduzir o crescimento dos frangos em determinadas fases, para que o sistema fisiológico comporte. Assim, a prática da restrição alimentar (restrição feita através de mais horas de escuro durante a criação) pode ser aplicada quando se pretende atingir um dos seguintes objetivos: a) Reduzir a taxa de crescimento para reduzir as doenças de produção: Ascite, morte súbita e pernas tortas. Para atingir este objetivo as restrições são realizadas nas primeiras semanas de vida dos frangos (geralmente entre 7 e 15 dias). Assim, ao invés dos frangos crescerem rápido no início e mais lentamente no final, ocorreria uma inversão reduzindo o crescimento no início e aumentando na fase final. b) Reduzir a gordura corporal reduzindo-se a reprodução de células gordurosas (adipócitos) no período em que elas estão com alta taxa de reprodução, que é até a 3 semana. Diminuindo-se a alimentação nesta idade haverá menor número de adipócitos e assim nas semanas seguintes haverá menor depósito de gordura por haver menos adipócitos, resultando em diminuição da gordura dos frangos. c) Reduzir o estresse calórico dos frangos. A produção de calor de um frango em jejum é 25 a 40% menor do que um frango se alimentando. Após o consumo de alimento, a temperatura corporal de um frango aumenta devido o aumento da atividade metabólica. Em dias muito quentes, observa-se mortalidade acentuada algumas horas após o pico de calor. Portanto, retirar a alimentação nas horas mais quentes do dia podem ajudar na redução da mortalidade por estresse calórico. Geralmente deve-se retirar a ração algumas horas antes do pico máximo de temperatura. É necessário a complementação de luz à noite para suprir a restrição aplicada durante o dia. a 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 118/124 13.2. SÍNDROME ASCÍTICA OU SÍNDROME DA HIPERTENSÃO PULMONAR (SHP) Caracteriza-se por um acúmulo de líquido de cor esverdeada na cavidade celomática (abdominal – não é correto, pois ave não tem diafragma) das aves. As aves afetadas apresentam respiração ofegante, com bico aberto, crista e barbeIas de cor roxa, e morte após 3 ou 4 dias. Foto. Distensão celomática (tipo abdominal) por acúmulo de líquido na cavidade. Fonte: http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/frango_de_corte/arvore/CONT000fy1j9mkn02wx5ok0pvo4k3o1q8hax.html Foto. Frango com acúmulo de liquido na cavidade celomática, devido a ascite Fonte: http://mimvet.blogspot.com.br/2015/09/is-ii-inspeccao-de-aves.html Foto. Frango com acúmulo de liquido na cavidade abdominal, devido a ascite Fonte: . http://www.poultryhealth.ca/ascites-water-belly/ Foto. Frango com dificuldade em respirar devido a ascite. Nota-se o bico aberto e a ave ofegante. http://mimvet.blogspot.com.br/2015/09/is-ii-inspeccao-de-aves.html http://mimvet.blogspot.com.br/2015/09/is-ii-inspeccao-de-aves.html http://mimvet.blogspot.com.br/2015/09/is-ii-inspeccao-de-aves.html 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 119/124 Fonte: cortesia de Luciano Mendonça Esta síndrome ocorre em frangos de crescimento rápido, principalmente em machos, geralmente após a 4 semana de idade. O fator principal parece ser uma insuficiência respiratória e circulatória devido à grande necessidade de oxigênio requerido pelo frango, sem que o mesmoconsiga obtê-lo do ambiente em quantidades suficientes. O coração e os pulmões são relativamente pequenos em relação ao tamanho do frango que, com o melhoramento genético, cresce rapidamente. Esta doença agrava-se em períodos frios, em regiões coma alta altitude, e em linhagens que tem crescimento mais rápido. A Síndrome de ascite é hoje, possivelmente a síndrome de maior preocupação em avicultura, devido aos seus grandes prejuízos causados. As mortes ocorrerem no período final de criação e, além disso, ocorre grande número de aves condenadas no abatedouro. Mesmo que não cheguem a morrer, a inspeção veterinária no abatedouro condena as aves que apresentam os sinais da doença, ou seja, líquido depositado na cavidade abdominal. Foto. Necropsia de um frango de corte com ascite, Nota-se o líquido amarelo esverdeado e hidropericárdio (liquido em volta do coração) Fonte: cortesia de Luciano Mendonça · Condição patológica (não é doença): caracterizada pelo extravasamento de líquidos dos vasos sanguíneos e seu acúmulo na cavidade abdominal dos animais; · Mais comum em frangos de corte de rápido crescimento; · Esta síndrome: caráter multifatorial (vários fatores juntos), desencadeada a partir da interação entre variações ambientais (temperatura, teor de oxigênio no ar, etc.), nutricionais e as respostas fisiológicas das aves, desfavoráveis ao desenvolvimento normal do animal. · Patogenia que mais onera o setor produtivo de frangos de corte. Condição patológica: · Relacionada à alta velocidade de crescimento entre 7 e 21 dias de vida. · Incidência maior em machos (cresce mais que a fêmea) e no inverno; · Incidência entre a 3 e 5 semana de idade; · Mortalidade: terço final da criação (fase que causa mais prejuízos, pois o frango já comeu muita ração até esta fase) · Pode ser observada em pintos com 3 dias (menor número de aves). · Comum: incidência de 2 a 4% do lote. · Colabora com maior porcentagem de perdas (mortes + descartes no abatedouro): hipóxia (falta de oxigênio), ventilação deficiente dentro do aviário (principalmente no início, nos círculos de proteção), frio, estresse e crescimento rápido com bom peso inicial. · EUA, Canadá e Comunidade Europeia: não restringe o consumo de ave portadora de SHP ou SA desde que não apresentem outras complicações como toxemia, caquexia, cianose e/ou aerossaculite (inflamação dos sacos aéreos). a 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 120/124 · Brasil: SIF (Serviço de Inspeção Federal) condena toda a ave no abatedouro, sendo a mesma utilizada para graxaria, para se fazer farinha de carne e ossos para uso em rações animais. · Aves ascíticas (carcaça): < período de conservação (ela tempo menor de prateleira, podendo perder mais rápido, mesmo congelada). Etiologia (causa da síndrome): limite fisiológico do sistema cardiorrespiratório, causando um desenvolvimento de um quadro de hipertensão pulmonar e progressivamente, de hipóxia sistêmica e celular. Ex: Os frangos de corte ficam com o pulmão rígido e fixo na cavidade torácica, quando estão com a ascite na forma mais clínica. Além disso, o coração fica dilatado. Foto. Coração dilatado e fígado rígido em frango com ascite. Note a direita o corte de um coração normal e o coração de um frango com ascite. Fonte: http://www.poultryhealth.ca/ascites-water-belly/ Fatores predisponentes: • Criação em altas altitudes: acima de 2000 metros acima do nível do mar. Nesta altitude o teor de oxigênio no ar é muito mais baixo. Por isso piora o quadro para aparecimento da síndrome. • Taxa rápida de crescimento: demanda maior volume de oxigênio para suprir a necessidade dos tecidos corporais. • Volume pulmonar reduzido (com o melhoramento, quando as aves se desenvolvem muito rápido, o pulmão não consegue captar a quantidade de oxigênio necessário, visto que o volume é reduzido) • aumento da energia metabolizável da ração • ração peletizada: como visto no capítulo anterior, ração peletizada proporciona um maior crescimento dos frangos de corte em relação a ração farelada. • Ambiente frio (maior demanda de O devido o maior consumo de ração e produção de calor) • variações grandes de temperatura ambiental: o que chamamos de amplitude térmica, que é a diferença entre a temperatura máxima e temperatura mínima do dia. Por exemplo: em agosto na região de Minas tem dias que a mínima é de 8 graus e a máxima chega a 30 graus, com uma amplitude térmica de 22 graus. • diminuição no nível de ventilação na altura da ave: isto faz com que não atenda a demanada necessária de oxigênio pela ave. • doenças respiratórias: piora a captura de oxigênio pela ave • aspergilose: • aumento no nível de sódio na ração • diminuição no nível de fósforo (P) na ração • toxinas hepáticas • microtoxinas: são toxinas produzidas por fungos que se encontram em grão de má qualidade (exemplo: milho ardido) • deficiência de vitamina E e selênio • Estresse: reduz a imunidade das aves. Sinais clínicos: · anorexia · perda de peso · respiração ofegante · imobilidade · canelas desidratadas e sem brilho · cristas e barbelas com coloração cianótica · penas arrepiadas · ave deprimida e triste Assista ao vídeo gravado por mim sobre necropsia de uma ave com ascite (duas partes): Parte 1. 2 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 121/124 Parte 2. 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 122/124 13.3. DISCONDROPLASIA TIBIAL OU SÍNDROME DAS PERNAS TORTAS Aparece da 3 a 8 semana de idade: machos são mais susceptíveis incidência: até 2% de casos clínicos Etiologia (causa) e sinais clínico: · calcificação da matriz cartilaginosa: processo associado com a maturação dos condrócitos · calcificação da matriz cartilaginosa: depende da proliferação, hipertrofia e degeneração dos condrócitos. · Discondroplasia: acúmulo de cartilagem avascular, não formando corretamente o osso da tíbia (osso da coxa). Foto. Formação óssea normal e anormal da parte epifisária (ponta) da tíbia (osso da coxa) em frangos de corte. Fonte: https://www.polinutri.com.br/upload/artigo/177.pdf Foto: Acúmulo anormal de tecido cartilaginoso sem vascularização e pré-hipertrófico na região metafiseal proximal da tíbia Fonte: http://seleccionesavicolas.com/avicultura/2014/09/incidencia-de-discondroplasia-tibial-como-causa-de-cojeras-en-broilers-de-tres-geneticas- diferentes Foto. Detalhe do acúmulo de cartilagem na parte proximal da tíbia (osso da coxa) em um frango com discondroplasia tibial (pernas tortas). a a https://www.polinutri.com.br/upload/artigo/177.pdf http://seleccionesavicolas.com/avicultura/2014/09/incidencia-de-discondroplasia-tibial-como-causa-de-cojeras-en-broilers-de-tres-geneticas-diferentes 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 123/124 Fonte: http://patologiaaviarmidiagnostico.blogspot.com.br/2012/01/discondroplasia-de-la-tibia-una.html · Mais comum na parte proximal da tíbia, pode atingir também em menor incidência a porção proximal do metatarso e distal da tíbia. O rápido crescimento dos frangos faz com que haja uma deficiência nos suprimentos de minerais necessários a formação óssea, principalmente cálcio e fósforo. Tais distúrbios levam a formação incompleta dos ossos das pernas. Isto é agravado pelo fato dos frangos atingirem pesos corporais muito altos em pouco tempo, sendo que as pernas são as responsáveis pela sustentação deste peso.Assim, muito peso sobre pernas fracas resulta em problemas que comumente chamamos de "pernas tortas". Isto traz como consequências condenações de abatedouro e principalmente a redução do consumo de ração e ganho de peso devido à dificuldade de locomoção, que impede o acesso ao bebedouro e comedouro, aumentando o número de frangos refugos. Foto – Discondroplasia tibial ou rotação de tíbia em frangos de corte com 19 dias de idade. Neste lote de 80 mil aves foi relatado 2% de incidência da síndrome. Normal na literatura: 0,5 a 1% do lote Fonte: http://patologiaaviarmidiagnostico.blogspot.com.br/2012/07/rotacion-de-la-tibia.html 22/07/2021 APOSTILA DE AVICULTURA https://ava.bambui.ifmg.edu.br/mod/book/tool/print/index.php?id=64547 124/124 13.4. SÍNDROME DA MORTE SÚBITA (SMS) Aves de crescimento rápido (frangos de corte) e aves adultas (frangos, poedeiras, perus, etc.) Conhecida como síndrome da morte aguda ou ataque cardíaco, pois as aves mortas por esta síndrome geralmente são as maiores e são encontradas mortas em decúbito dorsal (com o peito para cima). Foto. Frango morto pela síndrome de morte súbita em decúbito dorsal, posição comumente adotada pelos frangos que morrem por esta síndrome. Fonte: http://www.dailymail.co.uk/news/article-3545472/Disease-ravaged-corpses-birds-genetically-modified-t-stand-bloody-faeces-Undercover-footage- shows-squalid-conditions-inside-one-America-s-biggest-chicken-farms.html mortalidade: varia de 0,4 a 9% da mortalidade total do lote de bom desempenho: 10 a 50% pode ser devido a SMS maior incidência em machos entre a 2 e 4 semana de idade mortalidade maior no inverno Etiologia (causa da síndrome): desconhecida, mas sabe-se que não é de origem infecciosa (vírus, fungos ou bactéria) Sinais clínicos: · aves morrem repentinamente · 70% das mortes por SMS apresentam decúbito dorsal · aves emitem grito agudo 30 a 70 segundos antes de se debater · difícil de diagnosticar Fatores predisponentes a SMS genética: aves com maior ganho de peso na fase inicial e acomete mais frangos machos Maior incidência no inverno densidade nutricional: maiores níveis de energia metabolizável (EM) na ração e maiores teores de proteína bruta (PB) predispõe a SMS Rações peletizadas Interelação nutrição, consumo de ração e condições ambientais: ex: 23 a 24 horas de luz. Programas de alimentação: para diminuir a incidência de aves com a SMS faz-se a restrição alimentar por períodos curtos (máximo de 7 dias) até a segunda semana de idade com o mínimo de prejuízo produtivo (principalmente no inverno). Esta restrição é feita fornecendo maior tempo de escuro, pois as aves não comem com as luzes apagadas, assim reduz o crescimento acelerado. Equilíbrio ácido-base: > SMS em machos com níveis crescentes de sal na dieta (0,1 a 1,6% de NaCl): necessita de mais pesquisas REDUÇÃO DO ESTRESSE E RESTRIÇÃO ALIMENTAR PARA REDUZIR A TAXA DE CRESCIMENTO SÃO, ATÉ HOJE, AS ÚNICAS MEDIDAS POSSÍVEIS PARA REDUZIR A MORTALIDADE POR SMS.