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Gastroenterologia em Pequenos Animais

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Clínica Pequenos Animais
Gastroenterologia 
É importante realizar uma boa anamnese para diferenciar casos agudos de crônicos. Os principais sintomas são vômitos, diarreia, disfagia, dor abdominal, entre outros. A idade do paciente é muito importante, raça, sexo, espécie. A dieta fornecida ao animal tem grande influência (ração inadequada), o estilo de vida é outro fator muito importante (ambiente em que vive, se há plantas, outros animais). 
O meio diagnostico mais importante é o de imagem (raio-x simples e contrastado, ultrassom), endoscopia (serve como diagnostico e terapêutica quando se trata da retirada de corpo estranho), biopsia de mucosa por meio de endoscopia, laparotomia exploratória e exames laboratoriais para avaliar o animal como um todo. 
· Orofaringe: 
1. Odontopatias e disfunções mastigatórias: 
· Dentes: entre 2-4 semanas ocorre a formação dos dentes de leite. Ao redor de 8 semanas a arcada dentária precisa estar completa. 
· Dentes de leite cão: 2 (I: 3/3; C: 1/1; PM: 3/3) =28.
· Dentes permanentes cão: 2 (I:3/3; C:1/1; PM:4/4; M:2/3) =42. 
· Dentes de leite gato: 2 (I:3/3; C:1/1; PM:3/2) =26.
· Dentes permanentes gato: 2 (I:3/3; C:1/1; PM:3/2; M:1/1) = 30. 
Ao exame físico, quando o animal não possuir algum dente é importante radiografar para visualizar se nasceu ou não. 
· Raízes: quando o animal apresenta abcessos próximos a região dos dentes, é importante realizar exame físico e radiográfico para avaliação dentária. O dente canino possui uma raiz muito profunda; o molar é próximo aos olhos, assim, quando o animal aparece com inchaço no olho pode ser algum problema dentário. 
· Dentes carniceiros: o PM4 superior e o M1 inferior são os dentes carniceiros, apresentam muito problema de raiz, abcessos, fraturas. 
· Anatomia do dente: 
 
A região periapical é a parte superior (coroa), o canal da polpa é vivo, e quando é acometido dói muito. A região periodontal é a parte inferior (raiz), quando o ligamento periodontal fica frouxo o dente apresenta mobilidade, é um quadro perigoso. Cães com força de masseter apresentam problemas por desgaste e exposição da raiz. 
· Os sinais clínicos mais comuns em casos de doença dentária são: mudanças nos hábitos alimentares, halitose, ato de bater a pata na boca, salivação anormal, hipersensibilidade bucal, inchaço facial, hemorragia bucal, espirro, secreção nasal, anormalidades oftálmicas e comportamento anormal. 
· Má oclusão: encaixe imperfeito (quando se fecha mesial –ponta- com mesial, levando ao desgaste, problema de raiz), mordida errada; ATM (articulação temporomandibular). Prognatismo: projeção anterior da mandíbula (queixo grande); retrognatismo ou braquignatismo: desvio posterior da mandíbula (queixo pequeno). Tratamento: cirúrgico ou ortodôntico. 
 
· Retenção de dentes decíduos e supranumerários: os dentes decíduos ficam fixados após a erupção do dente permanente. A não extração pode resultar em má-oclusão de dentes permanentes. Supranumerários são dentes extras. É muito comum em raças de pequeno porte, principalmente os dentes caninos e incisivos. A retirada pode interferir no dente permanente, por isso, deve ser realizada por especialista; e a não retirada favorece o acumulo de tártaros.
 
· Fraturas dentárias, dentes deteriorados e deformação dentária: o tratamento é extração dentária.
 
· Dentes doentes em locais de fratura mandibular: tratamento é extração dentária. 
Cães é muito comum ocorrer fratura de mandibula (ATM). Em gatos é comum fratura na sínfise. 
 
· Abcesso periapical: o tratamento é curetagem, limpeza, antibioticoterapia e geralmente extração dentária. 
· Impactação dentária: são dentes não rompidos, podendo provocar secreção nasal, problemas ortodônticos. Deve-se realizar raio-x e, se necessário, a extração. 
· Abcesso do PM4 (carniceiro) e M1 e M2 superior: pode causar problemas oftálmicos. Deve-se realizar o diagnostico diferencial de abcesso da glândula zigomática (fica atrás do osso, raramente é acometida) ou neoplasia. O tratamento é realizar curetagem, limpeza, antibioticoterapia, anti-inflamatório e, geralmente extração dentária. 
 
· Lesão de reabsorção odontoclástica felina (LROF): tipicamente felina, de causa desconhecida, que lembra cárie (escuro). Ocorre desmineralização do dente, inflamação e infecção da parte viva do dente (polpa), causa muita dor. O tratamento é a extração dentaria. 
 
· Tártaro: retenção de dentes podem acumular tártaro. Quando é realizado a tartarectomia deve-se administrar antibiótico 3-7 dias antes e após o procedimento, pois, tem muita contaminação. Os problemas dentários podem levar a uma endocardite. 
 
· Neoplasias: podem ser malignas ou benignas. Deve ser realizado citologia para verificar se é maligno ou não, raio-x e u.s. para verificar metástase. Caso não for, retirada cirúrgica com margem de segurança e se precisar retirada da mandíbula ou maxila. 
1. Epulis acantamatoso, cresce muito e pode virar maligno. 
 
2. Papiloma vírus: geralmente acomete animal sem vacina, a retirada é feita com cauterização.
 
3. Melanoma: maligno, retirada cirúrgica com margem de 3cm (área preta). 
 
4. Neoformação (linfossarcoma): maligno. 
 
· Disfunções mastigatórias: relacionadas a inabilidade do animal em mastigar ou abrir a boca/dor. 
· Fraturas dentárias: o tratamento é a retirada do dente.
· Abcesso retrobulbar: fica atrás do olho, não é muito comum. Pode ser causado por corpo estranho penetrante ou inflamação da glândula zigomática, ou inflamação do M2 superior. Exames: raio-x. Tratamento: drenagem do abcesso por meio de incisão nessa área, antibioticoterapia sistêmica, e anti-inflamatório por 7-14 dias. 
· Abcesso de glândula zigomática ou dentes PM e M: tratamento é feito a drenagem do abcesso, antibioticoterapia e anti-inflamatório por 7-14 dias. 
· Miosite inflamatória: aumento simétrico bilateral dos músculos masseter, temporais e pterigoide. Na palpação o animal sente dor, tem fome, mas não consegue comer. Acomete pastor alemão, boxer, pitbull (braquicefálicos). Origem imunomediada. Exames: hemograma com eosinofilia marcante; biópsia muscular para diagnóstico definitivo. Tratamento: corticoideterapia prolongada (pode voltar, em casos de estresse, mudanças) e terapia suporte. 
· Miofascite: dor extrema percebida entre 8-12 meses de idade, podendo durar até 2 semanas. 
· Fraturas ou deslocamento da articulação mandibular: crepitação ao abrir a mandíbula, fratura localizada na articulação temporomandibular. Muito comum em cães. Tratamento: cirúrgico, em casos de sínfise em gatos também. 
2. Doença periodontal: 
A. Placa bacteriana e cálculos supra e subgengivais: 
A placa bacteriana é uma agregação de bactérias. Os cálculos são placas mineralizadas (tártaros).
· Sinais: inflamação das bordas gengivais, os cálculos aumentam a área de retenção de alimentos, gengivite, dentes frouxos, dor à mastigação, perda de peso, depressão. Em cães velhos ocorre com maior frequência frouxidão óssea, e nos cães jovens inicia-se com gengivite. Comer menos osso, ração mole, pode induzir a formação de tártaro. 
· Tratamento: remoção dos cálculos com cureta (anestesia) e polimento; no início da gengivite limpeza com antissépticos/anti-inflamatórios bucais (Colubiazol, Cepacol, Malvatricin); antibióticos bactericidas (penicilinas, amoxicilinas, enrofloxacina), associados a antibióticos para bactérias anaeróbicas (metronidazol – Flagyl; espiramicina +metronidazol – Stomorgyl), por 14 dias (1 semana antes e 1 semana após o procedimento cirúrgico). 
· Prevenção: escovação dentária e limpeza periódica, biscoitos e brinquedos duros, ossos grandes (nunca osso de galinha), rações duras. 
 
B. Gengivite e estomatite: 
A gengivite é a inflamação da gengiva (se não for tratado pode levar à frouxidão do ligamento e extração dentária). Estomatite é inflamação dos tecidos moles da boca (muito comum em gatos). 
· Sinais clínicos: halitose, sialorréia,
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