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- ESCON - 
ESCOLA DE CURSOS ONLINE 
CNPJ: 11.362.429/0001-45 
Av. Antônio Junqueira de Souza, 260 - Centro 
São Lourenço - MG - CEP: 37470-000 
 
 
 
 
 
MATERIAL DO CURSO 
 
LIBRAS TÁTIL 
 
 
 
 
APOSTILA 
 
A LÍNGUA DE SINAIS TÁTIL COMO COMUNICAÇÃO E 
INCLUSÃO DA PESSOA SURDOCEGA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A LÍNGUA DE SINAIS TÁTIL COMO COMUNICAÇÃO E INCLUSÃO DA 
PESSOA SURDOCEGA 
 
 
Vivemos em contexto histórico marcado por mudanças sociais e educacionais. 
É nesse novo cenário que a sociedade vem percebendo a necessidade de 
acolher a pessoa com deficiência e adotar uma nova postura frente a essa 
realidade. Essas mudanças se fizeram notar, mais fortemente, no entorno 
legal, por meio de leis, decretos e declarações, cujos objetivos ressaltavam a 
importância do respeito à diversidade do ser humano e do direito inalienável à 
educação, à saúde, ao lazer, à profissionalização entre outras. 
 
É importante destacar que o ser humano é um ser singular e que apresenta 
necessidades especificas e peculiares. Nesse sentido. A pessoa com 
deficiência deve ser vista como um ser em sua singularidade. Assim, é 
oportuno salientar que seja qual for à deficiência, é fundamental que seja dada 
a condição para que a pessoa se desenvolva dentro de especificidades e 
individualidades. Partindo dessa premissa, é salutar destacar uma dentre as 
várias deficiências presentes nos diferentes contextos; a Surdocegueira. Tal 
deficiência trata-se não de uma deficiência múltipla, mas de uma deficiência 
única que acarreta a pessoa surdocega algumas dificuldades iniciais, 
principalmente na Comunicação. Entretanto, é importante deixar clarificado 
que, a potencialidade de uma pessoa surdocega é muito ampla. É evidente que 
apresentar a deficiência tanto no sentido visual quanto no auditivo, dificulta e 
limita as possibilidades do ser humano. Contudo, isso só acontecerá devido a 
falta de estímulos específicos e qualificados desde a tenra idade que possa 
proporcionar o desenvolvimento biopsicossocial das pessoas com 
surdocegueira. 
 
A acessibilidade de comunicação para as pessoas com a deficiência ainda é 
insuficiente, visto que poucos são os trabalhos voltados para esse campo, além 
de haver poucos profissionais capacitados ou com conhecimento na área de 
surdocegueira. É perceptível que há uma escassez considerável de 
profissionais que dominem os instrumentos de comunicação para o surdocego, 
em especial a Libras Tátil. É interessante especificar ainda que, a variedade de 
comunicação para os surdocegos é muito ampla. Ela perpassa desde as forma 
de comunicação para aqueles que não podem mais utilizar funcionalmente 
algum resíduo dos sentidos sensoriais até aqueles que possuem resíduos em 
ambos os sentidos. Nesse sentido as necessidades de comunicação poderão 
se diversificar segundo as necessidades das pessoas que apresentam a 
deficiência. 
 
Partindo dessa ótica e objetivando refletir sobre como ocorre o processo de 
comunicação da pessoa com surdocegueira por meio da Libras tátil em seus 
diferentes espaços, o presente artigo se constituirá de um relevante 
 
 
instrumento para uma reflexão mais estruturada sobre a temática. Assim ele se 
constituirá de elementos norteadores e relevantes para que seja alcançado o 
objetivo inicial da pesquisa. Desse modo, o corpo do trabalho contará com um 
breve recorte histórico sobre a surdocegueira, bem como uma breve definição 
e classificação da deficiência; a definição de Libras e sua importância no 
processo de comunicação; Aspectos legais que asseguram a comunicação por 
meio da Língua de Sinais; A libras Tátil X comunicação da pessoa surdacega; 
A comunicação do surdocego em seus diferentes espaços sociais – Família, 
escola, amigos; O uso da libras Tátil no contexto escolar ; A postura do Guia 
interprete em uso da libras tátil; Postura do Educador frente ao uso da Libras 
Tátil. Finalizando o trabalho, será discorrida a consideração final em torno de 
todo o trabalho realizado. 
 
 
A SURDOCEGUEIRA ENQUANTO DEFICIÊNCIA: ABORDAGEM 
CONCEITUAL 
 
 
A surdocegueira é definida como uma deficiência que apresenta a perda do 
sentido auditivo e visual concomitantemente em diferentes graus, possibilitando 
a pessoa surdocega desenvolver formas diferenciadas de comunicação de 
modo a se interagir com as pessoas e o meio em que vive e, sendo possível 
assim, o acesso a informação, vida social, orientação e mobilidade, educação e 
trabalho. 
 
Ser surdocego não significa dizer a ausência dos dois sentidos; visual e 
auditivo, visto que, nem sempre ocorre a surdez total com a cegueira total, pois 
a surdocegueira é uma deficiência única e não somatória da surdez e cegueira. 
É na verdade a combinação da deficiência visual e auditiva concomitantemente 
em diferentes graus de perdas auditivas ou visuais. 
 
É válido salientar que a surdocegueira durante seu processo histórico foi 
entendida como dupla deficiência. Entretanto, atualmente, após muitas 
discussões ela é entendida como deficiência única, singular, visto que as 
pessoas que apresentam a surdocegueira tem características próprias de uma 
deficiência específica. 
 
A surdocegueira pode ser classificada quanto ao tipo, nível de linguagem e 
causa. Partindo dessa premissa, é possível organizar o seguinte perfil da 
surdocegueira: 
 
 
QUANDO AOS TIPOS 
 
Podem ser: 
 
 
• Cegueira congênita e surdez adquirida 
• Surdez congênita e cegueira adquirida 
• Cegueira e surdez congênita 
• Cegueira e surdez adquirida 
• Baixa visão com surdez congênita 
• Baixa visão com surdez adquirida 
 
 
QUANTO A CLASSIFICAÇÃO EM NÍVEL DE LINGUAGEM 
 
A surdocegueira pode ser classificada: 
 
 
• Pré-linguística: a pessoa nasceu ou adquiriu a surdocegueira antes 
da aquisição de uma língua. 
• Pós-linguística: a pessoa adquiriu a surdocegueira depois da 
aquisição de uma língua. 
 
 
QUANTO ÀS CAUSAS 
 
 
• Pré-Natais: rubéola congênita, sífilis congênita, toxoplasmose, 
citomegalovírus e herpes. 
• Peri-Natais: prematuriedade, falta de oxigenização no cérebro, 
medicação otóxica e icterícia. 
• Pós-Natais: meningite, medicação otóxica, otite, sarampo, diabete, 
asfixia e HIV. 
 
 
PROCESSO HISTÓRICO DO CONTEXTO EDUCACIONAL DA PESSOA 
COM SURDOCEGUEIRA 
 
 
Em 12 de setembro de 1854, D. Pedro II funda na cidade do Rio de Janeiro o 
Imperial Instituto dos meninos Cegos, em resposta ao intenso empenho do 
Cego Álvares de Azevedo, que em sua obra intitulada J.Dondet: História do 
Instituto dos Meninos Cegos de Paris traduz a triste realidade e abandono dos 
meninos cegos no Brasil. 
 
Segundo textos históricos foi também D. Pedro II que, em 26 de setembro de 
1857 criou o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, no Rio de Janeiro, 
fundamentado pela Lei nº 839. Esse fato foi fortemente influenciado pelo diretor 
do Instituto Bourges. De Paris, Ernesto Hüe. Mais tarde O instituto passou a ser 
 
 
conhecido como Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), pela Lei 
nº3.198, de 6 de julho. 
 
Nesse período, mesmo com os avanços já existentes, o atendimento feito pelo 
Instituto Nacional dos Cegos e pelo Instituto Nacional dos Surdos era precário. 
Eram atendidos apenas 35 cegos e 17 surdos, sendo que, na época havia no 
Brasil um número significativo de cegos e surdos em nosso país. Entretanto, 
graças à esses Institutos, em 1883 foi realizado o 1° Congresso que veio trazer 
à tona a intensa discussão sobre o processo educacional das pessoas com 
deficiência. Foi a partir desse congresso que se começou a refletir e discutir as 
sugestões sobre o currículo e a formação de professores para a atuação no 
processo de aprendizagem dos surdos e cegos em nosso país. 
 
Nesse sentido, cabe ressaltar que desde a criação dos Institutos já 
referenciados, o contexto educacional das pessoas com deficiência tem 
alcançado novas e constantes discussões. Essa por sua vez tem norteado as 
discussões sobre as diferentes deficiências e necessidades específicas 
apresentadas pelas pessoasque as apresenta. Diante de todas as reflexões 
que vem alavancando essa temática, surgem os marcos legais, fundamentando 
e viabilizando a concretude de um novo contexto educacional da pessoa com 
deficiência. Diante disso, é oportuno destacar o avanço que vem ocorrendo no 
processo educacional da pessoa com Surdocegueira. Avanço esse que tem se 
constituído um elemento de grande relevância para a construção da nova 
história e realidade dessas pessoas. 
 
Mediante a nova contextualização da pessoa com deficiência em nosso país, o 
surdocego ganha um espaço nas discussões sobre as suas necessidades e 
especificidades. A afirmativa pode ser corroborada a partir do que diz Luiz 
Alberto Falcão: 
 
Existe uma discussão entre o aspecto legal da classificação em múltiplas 
deficiências ou apenas surdo-cego e a compreensão da sociedade para a 
funcionalidade e sociabilidade que tem o indivíduo com surdocegueira por um 
olhar positivo dos direitos sociais, de identidade e respeito à sensibilidade, 
necessidades humanas comuns como alimentação, vestuário, 
relacionamentos, sexualidade e reprodução (Falcão, p.237,2007) 
 
É frente aos novos paradigmas da educação especial que as pessoas 
surdocegas começam a ser vistos como indivíduos que tem uma deficiência 
única, embora tenham a limitação auditiva e visual, mas essas se apresentam 
simultaneamente. A partir de então, começa a se discutir novos programas 
educacionais que atendam a demanda e as necessidades desses atores 
sociais. Dentre as mudanças ocorridas, cabe salientar a modificação da 
nomenclatura utilizada para designar o surdocego que, antes das inúmeras 
 
 
discussões apresentava uma grafia hifenizada, dando a mesma um caráter de 
múltipla deficiência. 
 
Um dos fatores primordiais para a concretização das mudanças no contexto 
educacional da pessoa surdocega são as diretrizes legais que asseguram e 
norteiam o respeito e valorização das pessoas com surdocegueira. Dentre 
essas diretrizes cabe destacar a que melhor clarifica a situação das pessoas 
surdocegos; A Declaração de Salamanca de 1994. Em seu artigo 21 ela define 
as Políticas Educacionais de Surdos e Surdocegos. É importante destacar 
ainda, no contexto nacional, as Diretrizes Nacionais da Educação Especial, 
aprovada em 3 de julho de 2001. Nela, encontram-se explicitadas em alguns 
artigos das diretrizes que amparam a Surdocegueira. 
 
Com base no que versa o artigo 10 dessa mesma lei fica assegurado à pessoa 
com surdocegueira o acesso aos conteúdos curriculares mediante utilização de 
recursos e adequações comunicativas que lhes assegurem funcionalidade 
acadêmica. Assim, além dos métodos já conhecidos como o Braille e a Língua 
de Sinais, seriam aceitos e respeitados outros métodos e adequações próprias 
à Surdocegueira como o alfabeto tátil, Língua de Sinais tátil, escrita na mão, 
Braille tátil e, claro, o guia-intérprete para que o processo de ensino 
aprendizagem se efetive. 
 
 
A COMUNICAÇÃO DAS PESSOAS SURDOCEGAS 
 
 
Comunicação é a forma como as pessoas se relacionam entre si, dividindo e 
trocando experiências, ideias, sentimentos, informações, modificando 
mutuamente a sociedade onde estão inseridas. Sem a comunicação, cada um 
de nós seria um mundo isolado. Nesse sentido, a comunicação é indispensável 
para que haja o desenvolvimento do ser humano. Assim, as pessoas com 
surdocegueira a comunicação torna-se um dos elementos primordiais para o 
seu desenvolvimento e inclusão nos diversos contextos sociais. 
 
A comunicação é a principal barreira da surdocegueira, no entanto é preciso 
vencê-la para despertar na criança o interesse pelo ambiente e por outras 
pessoas, e este é um desafio que deve ser assumido por todos os envolvidos 
no processo principalmente pelos familiares. 
 
Partindo dessa premissa, as pessoas surdocegas quando em um ambiente que 
não lhe possibilite a comunicação, podem enfrentar diversos problemas em seu 
desenvolvimento, visto que esses, não terão acesso aos diversos recursos que 
possibilitem o ato de comunicar. 
 
 
 
A comunicação pode começar em um nível concreto para desenvolve-se em 
um nível mais abstrato. Nesse sentido, em seu processo de aprendizagem e 
desenvolvimento a pessoa surdocega necessita de experimentar as diversas 
situações comunicacionais e ter contato com os diversos recursos que 
possibilitem comunicar-se. É necessário que seja inicialmente disponibilizado à 
criança surdocega o contato com pessoas e objetos concretos para que possa 
construir conceitos e ampliar vocabulários. A partir desse contato com o 
concreto a criança vai internalizando as informações em forma de signos 
linguísticos. 
 
Para possibilitar a comunicação das pessoas surdocegas é possível utilizar 
diversos sistemas de comunicação, dentre os quais pode-se destacar: 
 
• Sistema Braille – Sistema de Leitura e escrita universal com pontos em 
relevo através dos quais o surdocego pode realizar o processo de leitura 
e escrita; 
• Sistema Braille Digital – Sistema de comunicação em que o surdocego 
utiliza o próprio corpo ( pontos dos dedos indicador e médio da mão); 
• Tadoma – Sistema de comunicação também conhecido como método 
de vibração e ocorre mediante a percepção tátil das vibrações 
produzidas ao falar; 
• Alfabeto dactilológico – Sistema também conhecido como alfabeto 
manual dos surdos que acontece por meio da soletração da palavra na 
mão do surdocego; 
• Libras Tátil – Sistema que consiste a Língua Brasileira de Sinais ( 
LIBRAS ) adaptada ao surdocego. É realizada com a mão do surdocego 
em cima das mãos do interlocutor. 
• Escrita alfabética na Palma da Mão – Consiste no registro das letras 
do alfabeto, compondo a palavra na palma da mão da pessoa 
surdocega. 
 
É notória que são diversas as possibilidades para que haja a comunicação do 
surdocego. Em todas as possibilidades as mãos tornam-se elemento chave 
para que o ato de comunicar seja concretizado de forma plena e eficaz. Diante 
do exposto é inegável que as mãos exercem para o surdocego o relevante 
papel de transmissor de informações, possibilitando a construção do 
conhecimento e seu desenvolvimento enquanto cidadãos. 
 
 
LIBRAS TÁTIL E A COMUNICAÇÃO DO SURDOCEGO 
 
 
Quando uma pessoa nasce surdocega ou fica surdocega, a mais urgente 
intervenção é dotá-la de um sistema de comunicação funcional. Nesse sentido, 
é fundamental que seja proposto à criança surdocega um meio de 
 
 
comunicação que esteja adequado à sua característica sensorial, de modo a 
permitir que este se conecte com o mundo a sua volta, dando-lhe a condição 
de um ser ativo e funcional no contexto em que vive. Assim, dentre os diversos 
tipos de comunicação da pessoa surdocega, vale enfatizar o uso da Libras Tátil 
como instrumento eficaz nesse processo de comunicação. 
 
A Libras Tátil é realizada na palma de uma das mãos de pessoas surdocegas 
por meio de um profissional identificado como guia-intérprete, que ao sair 
acompanhado (a) de uma pessoa surdocega para realizar as diversas 
atividades e compromissos diários como fazer compras, pagar contas, cumprir 
compromissos profissionais etc., se utiliza da Líbras Tátil e outros recursos de 
comunicação para lhe passar as informações necessárias. Ao tocar na mão do 
interlocutor o surdocego perceberá a articulação, o movimento, o local e a 
orientação no espaço e no tempo, munindo-se de informações diversas e, 
assim, irá construindo conceitos e estabelecendo a comunicação. Diante disso, 
é imprescindível que o guia - intérprete conheça os meios de comunicação 
comumente utilizados, para que possa comunicar-se eficazmente com o surdo 
cego. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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