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Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
DIDÁTICA E EDUCAÇÃO 
DE SURDOS
Autora: Flaviane Reis
419
R375d Reis, Flaviane.
 Didática e educação de surdos / Flaviane Reis. Indaial :.
 Uniasselvi, 2011. 89 p. il.
	 	 													 Inclui	bibliografia.	
 ISBN 978-85-7830-447-8
 1. Linguagem de sinais – Educação de Surdos
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci 
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Dr. Malcon Tafner
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Norberto Siegel
Equipe Multidisciplinar da
Pós-Graduação EAD: Profa. Hiandra B. Götzinger Montibeller
 Profa. Izilene Conceição Amaro Ewald
 Profa. Jociane Stolf
Revisão de Conteúdo: Profa. Anelize Donaduzzi
Revisão Gramatical: Profa. Iara de Oliveira
Diagramação e Capa:
Carlinho Odorizzi
Copyright © Editora Grupo UNIASSELVI 2011
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial. UNIASSELVI – Indaial.
Possui graduação em Pedagogia pela 
Universidade Católica de Goiás (2004), e mestrado 
em Educação pela Universidade Federal de Santa 
Catarina (2006). Atualmente é aluna do programa de 
Doutorado em Educação pela Universidade Federal de 
Uberlândia (2011). Além disso, é professora efetiva na 
disciplina de Libras da Universidade Federal de Uberlândia. 
Tem experiência na área de Educação, com ênfase em 
Educação de Surdos, atuando principalmente nos seguintes 
temas: língua de sinais, educação, surdos, metodologia 
e expressão facial e corporal. Ministra cursos e palestras 
a nível nacional e internacional. É tradutora de língua 
portuguesa para a língua de sinais no curso de graduação 
Letras/Libras, intérprete de Sinais Internacionais. 
Pesquisadora e Militante Surda envolvendo na 
Educação de Surdos e educação bilíngue. Para 
conhecer um pouco mais sobre as pesquisas da 
professora Flaviane, você pode acessar o site www.
ges.ced.ufsc.br, e ler a dissertação de mestrado, 
intitulada como “O professor Surdo: A política e 
a poética da transgressão pedagógica”. 
Flaviane Reis
Sumário
APRESENTAÇÃO ........................................................................... 7
CAPÍTULO 1
Condições	de	Ensino	de	Libras .................................................. 9
CAPÍTULO 2
Qualidade	do	Ensino	de	Língua	de	Sinais ................................ 21
CAPÍTULO 3
A	Experiência	Visual:	Educação	Infantil	
e	Ensino	Fundamental ................................................................ 43
CAPÍTULO 4
O	Currículo	na	Educação	de	Surdos ..................................... 61
APRESENTAÇÃO
Caro(a) pós-graduando(a):
A Didática e Educação de Surdos tem se destacado pelo modo como 
apresenta a educação bilíngue para surdos, incidindo na constituição de identidade 
e	subjetividade	dos	surdos,	moldando	maneiras	de	ser,	de	viver,	de	pensar,	enfim,	
ela se destaca pela forma como procura conhecer como ensinar e usar a didática 
para alunos surdos. E é, também, o que pretendemos neste Caderno de Estudo. 
A preocupação com questões didáticas na Educação de Surdos tem sido 
central nos últimos tempos em todo mundo. Muitos pesquisadores e professores 
surdos indicam a ocorrência de um movimento em favor da educação e cultura 
surda, o qual, após longos meses de discussão pela comunidade surda e pelos 
povos surdos, abriu os domínios do que vínhamos designando como educação 
bilíngue	 para	 surdos,	 expandindo-os	 e	 diversificando-os	 de	 uma	 forma	 nunca	
antes pensada, movimentando-nos para os territórios dos sujeitos surdos. 
As concepções da pós-modernidade para a educação bilíngue estão sendo 
revisitadas, criticadas amplamente nas discussões, implicando uma enorme 
diversificação	 de	 temas	 e	 questões.	 Os	 complexos	 e	 os	 híbridos	 discursos	
que	 caracterizam	 a	 era	 deslizante	 e	 fluída	 em	 que	 vivemos	 encarregam-se	 de	
inscrever-nos em um ambiente linguístico e educacional em que as fronteiras das 
línguas	entre	a	realidade	e	a	ficção,	entre	a	experiência	e	a	representação,	entre	
o público e o privado, dentre tantas outras, estão cada vez mais esmaecidas e 
tendem a desaparecer as imposições sobre a nossa cultura surda. 
Esta questão, caracterizada pelo local de cultura, tem consequências 
importantes para a educação bilíngue para surdos. É a partir da consideração 
das	especificidades,	das	singularidades	do	tempo-espaço	em	que	vivemos	e	da	
complexidade das repercussões disso para a Educação de Surdos, que o curso 
de Didática e Educação de Surdos está realizando um estudo, uma discussão, um 
conhecimento amplo sobre a educação que nós surdos queremos, e, ao mesmo 
tempo, busca entender e conhecer o jeito de ensinar para surdos. 
Nas questões pedagógicas da Educação de Surdos, que nos fazem percorrer 
os múltiplos caminhos entre o êxtase e a perplexidade, entre o esforço e não 
esforço, o presente caderno de estudo se situa, objetivando abrir um espaço de 
discussão que possa contribuir para análise e debate das tão polêmicas questões, 
implicadas na relação entre educação e cultura na contemporaneidade, que estão 
se transformando na educação que nós surdos queremos, e situar a posição do 
jeito como são ensinadas as crianças surdas na sala de aula.
A autora.
CAPÍTULO 1
Condições	de	Ensino	de	Libras
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 9 Incentivar os alunos a conhecer a pesquisa do ensino de Libras nos Estudos 
Linguísticos e Estudos Surdos.
 9 Incentivar	a	formação	dos	alunos	para	serem	profissionais	de	Libras.
 9 Incentivar os alunos a pesquisa na área de Libras.
10
Didática e educação de surdos
11
Condições de Ensino de LibrasCapítulo 1
Contextualização
 
Vamos iniciar a nossa disciplina estudando alguns critérios que consideramos 
fundamentais para análise do ensino de Libras. Nossa perspectiva é a de 
alcançarmos, pelo esforço da formação dos professores surdos e dos professores 
bilíngues no ensino de Língua de Sinais, um ambiente linguístico na Educação de 
Surdos, em universidades públicas e privadas que se situam na sua posição de 
mais elevadas em qualidade. 
Inicialmente, é importante explicitar a nomenclatura da política da Educação 
de Surdos vinculados à área de Libras. A Constituição Federal do nosso país 
define	 sujeitos	 surdos	 com	 direitos	 linguísticos	 e	 culturais,	 respeitando	 nossa	
língua, nossa identidade e nossa cultura. 
Os termos das condições do ensino de Libras são muito discutidos atualmente 
e,apesar de ser reconhecida a sua importância, ainda falta clareza sobre o que 
realmente	 significa	 qualidade	 quando	 se	 trata	 da	Educação	Bilíngue,	 o	 que	 se	
deve inserir na grade curricular de Libras nas instituições municipais, estaduais, 
federais e privadas. 
Os professores surdos, preocupados com as condições de ensino de Libras 
para as crianças surdas, reuniram-se e organizaram uma discussão virtual mais 
marcante: o fechamento do INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos, 
localizado no Rio de Janeiro, iniciando o movimento em favor da Educação de 
Surdos e Cultura Surda. A partir daí, analisando a discussão dos militantes surdos 
com base nos documentos produzidos, defende-se nossa Educação de Surdos 
ou Educação Bilíngue para surdos, bem como a importância de permanecer na 
Educação Básica do Ines, defendendo os direitos linguísticos das crianças surda, 
professores surdos e professores bilíngues nas escolas de surdos para não 
dissolver esses valores linguísticos e culturais nos espaços educacionais. 
Daquela	 discussão	 se	 procurava	 estruturar	 um	 documento	 definindo	 os	
critérios para análise da qualidade do ensino de Libras nos espaços educacionais, 
a exemplo do documento da Convenção da ONU que explicitaos direitos das 
pessoas	 com	 deficiência.	 No	 caso	 específico	 dos	 debates,	 a	 ideia	 era	 gerar	
um documento defendendo a cultura surda e o direito linguístico do surdo, em 
outras palavras, não se trata de criar uma receita, um modelo a ser seguido 
rigorosamente,	e	sim	parâmetros	de	análise	e	um	roteiro	de	definição	da	qualidade	
de ensino e de Educação de Surdos ou educação bilíngue para surdos. 
O documento divide-se em duas partes muito importantes para a Educação 
de Surdos e Educação Bilíngue: Convenção da ONU e Decreto de Libras. 
12
Didática e educação de surdos
O grupo de professores surdos da Comunidade Surda destacou, nos dois 
documentos, uma das questões mais importantes para a comunidade surda: a 
qualidade de ensino da Educação de Surdos. Os itens de cada documento serão 
explicados a seguir, separadamente. É importante lembrar que os itens não estão 
colocados em ordem de prioridade e também que apresentam fortes argumentos 
sobre os nossos direitos humanos, ou seja, não são questões isoladas nas 
legislações. Parte-se do pressuposto de que a qualidade na Educação de Surdos 
corresponde “à oportunidade de respeitar a nossa cultura surda com relação 
ao acesso da comunidade surda”, reforça-se, assim, o comprometimento e a 
responsabilidade das estruturas públicas na concretização desse direito humano 
das crianças surdas. Bem, vamos aos itens que correspondem às condições 
para a qualidade, analisando em alguns itens e de forma geral as condições da 
qualidade de ensino de Libras nos espaços educacionais no Brasil. 
Políticas	Públicas	para	o	Esino	 
de	Libras
Este	item	significa	a	prioridade	da	Educação	de	Surdos	e	Educação	Bilíngue	
nas políticas públicas desenvolvidas pelos governos. É, assim, questão importante 
para	ser	observada	e	definida	como	condição	de	qualidade	de	ensino	de	Libras.	
Hoje, no Brasil, a criança surda precisa estar sempre em destaque 
quando se trata de diagnósticos da situação da aquisição da linguagem 
e cultura do país, porém há uma grande distância entre os problemas 
que se observam, o que se declara que será realizado e o que se 
realiza quando as crianças surdas se desenvolvem precocemente em 
Língua de Sinais. É preciso, antes de tudo, construir uma identidade 
cultural	através	da	identificação	com	os	professores	surdos	para,	então,	
entrar na dinâmica da convivência e relação surdo-surdo. O assunto 
está continuamente na pauta dos povos surdos em cargos públicos, 
ou seja, os professores surdos das Universidades, os quais declaram 
suas concepções e apresentam suas propostas, que nem sempre 
são cumpridas, como no caso da reunião para inserir a importância 
do currículo no documento “Educação Que Nós Surdos Queremos”, 
na Conferência Nacional de Educação (CONAE). Então, apresentam 
publicamente conceitos, como: Estimulação em Língua de Sinais nas 
crianças surdas, mostrando como é a construção de identidade cultural 
e	 compreender	 que	 as	 crianças	 surdas	 necessitam	 identificar-se	 nos	
professores surdos; o papel da creche para as crianças surdas e da 
comunidade surda na inclusão social; a função do setor público em 
relação aos professores surdos nos espaços educacionais. 
A criança 
surda precisa 
estar sempre 
em destaque 
quando se trata 
de diagnósticos 
da situação da 
aquisição da 
linguagem e cultura 
do país, porém 
há uma grande 
distância entre os 
problemas que se 
observam, o que se 
declara que será 
realizado e o que 
se realiza quando 
as crianças surdas 
se desenvolvem 
precocemente em 
Língua de Sinais.
13
Condições de Ensino de LibrasCapítulo 1
A	 verificação	 da	 efetiva	 prioridade	 da	 Educação	 de	 Surdos	 e	 Educação	
Bilíngue na mesma extensão das necessidades e dos compromissos políticos 
que necessitam ser assumidos é, portanto, uma questão de qualidade de ensino 
a ser observada. 
O sistema de Educação de Surdos e Educação Bilíngue necessita acontecer 
no misto entre duas línguas dentro da Educação: a Língua de Sinais e a Língua 
Portuguesa. No entanto, para nós, surdos, a nossa primeira língua é a Língua 
de Sinais e segunda língua a Língua Portuguesa. Isso faz com que se 
tenha uma estrutura gramatical diferente como acesso de comunicação 
para os surdos e sua inserção na Educação. Levando tal aspecto em 
consideração o Decreto de Libras estabelece como um dos direitos 
fundamentais do ser humano surdo o direito linguístico. Desse modo, 
as instituições públicas e privadas de ensino que representam uma 
parte	significativa	na	organização	dos	direitos	 linguísticos	dos	surdos,	
precisam adaptar-se para atender principalmente as crianças surdas, 
que necessitam ter sua estimulação precoce no processo de aquisição 
da linguagem, tendo a Língua de Sinais como sua primeira língua. 
O Decreto de Libras nº 5.626/2004, no capítulo IV, em seu artigo 14, 
define	que:
Art. 14. As instituições federais de ensino devem garantir, 
obrigatoriamente, às pessoas surdas acesso à comunicação, 
à informação e à educação nos processos seletivos, nas 
atividades e nos conteúdos curriculares desenvolvidos em 
todos os níveis, etapas e modalidades de educação, desde a 
educação infantil até à superior. 
Em relação ao decreto, é importante difundir Libras nos espaços educacionais 
para	 formar	 profissionais	 que	 entendam	 Língua	 de	 Sinais	 e	 promover	 vários	
cursos de formação dos professores para o ensino e uso de Libras, tendo, assim, 
a possibilidade de atuar nas atividades relacionadas à Língua de Sinais para as 
crianças surdas. 
Legislação	e	Definição
As	 Leis	 para	 a	 área	 de	 Libras	 devem	 refletir	 as	 escolhas	 políticas	 já	
declaradas	e	organizadas	de	forma	não-fragmentada;	definir	os	poderes	jurídicos	
e	responsabilidades	dos	níveis	 federal,	estadual	e	municipal;	fixar	objetivos	que	
possibilitem a garantia da qualidade de ensino de Libras; ser aplicadas para o 
setor público e privado; prever sanções quando não forem respeitadas e enquanto 
se obrigar os surdos a usarem o padrão linguístico dos ouvintes; respeitar a nossa 
Língua de Sinais como a primeira língua e usar o material educativo adaptado em 
O sistema de 
Educação de 
Surdos e Educação 
Bilíngue necessita 
acontecer no 
misto entre duas 
línguas dentro da 
Educação: a Língua 
de Sinais e a 
Língua Portuguesa.
14
Didática e educação de surdos
Língua	de	Sinais;	definir	as	necessidades	as	finalidades	educativas	na	área	de	
Libras para crianças surdas.
Em termos de elaboração de leis, pode-se dizer que estabelecemos, no 
Brasil, “um grande marco histórico”, sendo o fundamental problema o não 
cumprimento do que foi decidido, acima de tudo, o não respeito à cultura surda. 
Cultura Surda: É o jeito de o sujeito surdo entender o mundo 
e	de	modificá-lo,	a	fim	de	torná-lo	acessível	e	habitável,	ajustando-o	
às	 suas	 percepções	 visuais,	 que	 contribuem	 para	 a	 definição	 das	
identidades surdas e das “almas das comunidades surdas”. Isso 
significa	que	abrange	a	língua,	as	ideias,	as	crenças,	os	costumes	e	
os hábitos de povo surdo. 
Um exemplo se dá na formação dos professores surdos e professores 
bilíngues.	 Não	 só	 ainda	 temos	 profissionais	 atuando	 como	 instrutor	 de	 Libras	
sem formação acadêmica, como continuam sendo feitos concursos públicos nas 
prefeituras estaduais e municipais. O que nos preocupa é que haja a estimulação 
aos	profissionais	surdos	para	ter	a	sua	formação	acadêmica,	entrar	por	meio	de	
concursos públicos na educação para obter o nosso espaço educacional na área 
de Libras, e difundir o nosso respeito à Língua de Sinais e à Cultura Surda. 
Profissionais
Trata-se	 dos	 profissionais	 surdos	 que	 desenvolvem	 suas	
pesquisas voltadas para a realização de alguns objetivos importantes: 
o atendimento às crianças surdas para estimular sua aquisição de 
linguagem e difundir a Língua de Sinais nos sistemas universitários. Têm 
papel	fundamental	os	professores	surdos,	mas	também	os	profissionais	
e pesquisadores surdos que não estão ligados diretamente às crianças 
surdas, como ensinaa Língua de Sinais para os ouvintes. Estes sujeitos 
surdos,	além	do	desenvolvimento	da	suas	 tarefas	específicas,	devem	
também ser considerados como participantes do projeto educativo 
vinculado à área de Educação de Surdos, de Educação Bilíngue e de 
Linguística aplicada à Língua de Sinais, devendo ter consciência da 
Educação de Surdos, conhecimento e compreensão da realidade vivida 
como identidade surda. 
Esses profissionais 
surdos têm a sua 
identidade surda 
reconhecida 
como construção 
cultural na pós-
modernidade 
e devem ter 
estabelecidas 
condições 
de trabalho 
respeitando o seu 
jeito de ensinar, seu 
jeito cultural, seu 
jeito de se produzir 
em Língua 
de Sinais.
15
Condições de Ensino de LibrasCapítulo 1
Esses	 profissionais	 surdos	 têm	 a	 sua	 identidade	 surda	 reconhecida	 como	
construção cultural na pós-modernidade e devem ter estabelecidas condições 
de trabalho respeitando o seu jeito de ensinar, seu jeito cultural, seu jeito de se 
produzir em Língua de Sinais, seu jeito de contar as histórias, seu jeito de se 
expressar culturalmente, próprio dos surdos, e seu jeito de sinalizar. 
Pós-Modernidade: É a condição sociocultural de estar após a 
modernidade, que prevalece na contemporaneidade, pode substituir 
a	modernidade	e	pode	significar	englobar	a	consciência	da	filosofia	
cultural, traçando artes, literaturas, questões socioculturais, política 
cultural, identidade cultural, representando a diferença.
Formação	e	Aperfeiçoamento	
Profissional
Ainda é frequente e equivocada a concepção de que o sujeito surdo possui, 
naturalmente, as habilidades necessárias para a educação de crianças surdas, 
portanto,	há	necessidade	de	formação	profissional	para	o	 trabalho	nos	espaços	
educacionais onde estão os alunos surdos. 
Além da formação, e por haver um desnivelamento de conhecimentos, é de 
grande valor a atualização/aperfeiçoamento como prática e criar sistemas para 
isso na área de Educação de Surdos e Educação Bilíngue. Há, como em toda e 
qualquer	 profissão	 especializada,	 a	 necessidade	 de	 acompanhar	 nos	 Estudos	
Surdos	 a	 contínua	 revisão	 das	 teorias	 especificamente	 cultural,	 identidade	 e	
linguística em Língua de Sinais, e das propostas voltadas para a Educação que nós 
surdos queremos. Também é preciso estar atentos às transformações que ocorrem 
em nossa sociedade para podermos acompanhá-las, bem como transgredir uma 
pedagogia da diferença, ou seja, pedagogia bilíngue nos espaços educacionais. 
O aperfeiçoamento deve ser encarado não como uma mera pedagogia 
tradicional e sim como uma transformação contemporânea para a pedagogia da 
diferença, ou seja, pedagogia Bilíngue para tomar conhecimentos em atividade 
cultural. Deve fazer parte da programação, ocorrendo periodicamente, como 
também se pode constituir em um trabalho cotidiano, que tem como base 
constantes discussões em grupo dos pesquisadores surdos, a programação do 
seu	 próprio	 trabalho,	 a	 definição	 de	 seus	 objetivos,	 a	 avaliação	 dos	 resultados	
16
Didática e educação de surdos
e,	 consequentemente,	 as	 reflexões	 sobre	 a	 visão	 dos	 surdos	 e	 as	
reformulações sempre que necessário sobre a visão cultural dos 
surdos. 
Nesse processo de aperfeiçoamento, a atuação da transgressão 
pedagógica dos surdos é algo novo para ter uma boa qualidade de 
ensino de Libras para as crianças surdas (a ideia de como ensinar 
através do jeito dos professores surdos). Consideramos importante 
organizar os programas culturais para aperfeiçoar o ensino de 
Libras,	 definindo	 os	 temas	 culturais	 em	 Língua	 de	 Sinais	 que	 se	
adaptam melhor à cultura surda dentro do currículo, a forma como 
serão	 trabalhados	na	sala	de	aula	em	Língua	de	Sinais,	 verificando	
constantemente a adequação da proposta da Educação de Surdos 
e Educação Bilíngue. Isso requer o conhecimento das necessidades 
da formação dos professores surdos quanto à satisfação de seus 
desejos, de forma que sejam estimulados. 
Transgressão Pedagógica: É um ato de transformação, 
transgredir algo para atualizar a forma de usar nessa transformação, 
como transformar a pedagogia tradicional na pedagogia da diferença 
na Educação de Surdos, uma quebra de regra, uma mudança com a 
perspectiva de construir.
Pode-se	 elaborar	 e	 definir	 planos	 anuais	 de	 aperfeiçoamento,	 prevendo	
trabalhos realizados por experts no assunto, daí a importância do contato 
surdo-surdo e com a coordenação pedagógica, universidades e institutos que 
desenvolvem	 pesquisas	 científicas	 e	 estudos	 sobre	 temas	 da	 Educação	 de	
Surdos e Educação Bilíngue no campo de Estudos Surdos. 
A programação dos eventos de aperfeiçoamento deve ter toda a divulgação 
possível	 na	 comunidade	 surda	 brasileira	 e	 internacional,	 pais	 de	 filhos	 surdos,	
intérpretes de Libras e professores bilíngues junto às crianças surdas. É muito 
importante que se saiba do trabalho cultural que está sendo realizado nas escolas 
de surdos ou nas escolas bilíngues, inclusive dos assuntos tratados nos cursos 
de aperfeiçoamento com os professores surdos, para que a comunidade surda 
seja	bem	informada	sobre	o	processo	de	qualificação	das	crianças	surdas	que	se	
desenvolvem no ensino bilíngue como a Língua de Sinais e Língua Portuguesa. 
O aperfeiçoamento 
deve ser encarado 
não como uma mera 
pedagogia tradicional 
e sim como uma 
transformação 
contemporânea 
para a pedagogia 
da diferença, ou 
seja, pedagogia 
Bilíngue para tomar 
conhecimentos em 
atividade cultural.
17
Condições de Ensino de LibrasCapítulo 1
Caro(a) pós-graduando(a), neste site você poderá ler um 
artigo intitulado “Formação de professor, inclusão educativa: uma 
reflexão	 centrada	 no	 aluno	 surdo”,	 nele	 a	 autora	 faz	 algumas	
reflexões	acerca	do	aluno	surdo	no	contexto	educacional.	
http://www.sj.cefetsc.edu.br/~nepes/docs/midiateca_artigos/
inclusao_educacao_ssurdos/texto69.pdf
Pesquisa	e	Desenvolvimento
Os professores surdos nos espaços educacionais precisam estar 
constantemente	 envolvidos	 nas	 pesquisas	 científicas	 sobre	 a	 Educação	 de	
Surdos	e	educação	bilíngue,	valorizando	a	importância	da	reflexão	e	utilização	de	
conhecimentos produzidos. 
Por ser uma instituição que ocorre em qualquer lugar, a Educação de Surdos 
e Educação Bilíngue necessita de mais informações e de um conhecimento mais 
aprofundado sobre a pedagogia surda ou pedagogia da diferença, adaptado da 
cultura surda através da forma de ensino dos professores surdos. Por outro lado, 
produzir cultura surda nos espaços educacionais é um campo privilegiado de 
pesquisa para estudiosos das áreas educacionais e linguísticas e, em especial, da 
Educação de Surdos e Educação Bilíngue. 
Pesquisas que podem ser fundamentais na observação 
possibilitaram	a	modificação	de	algumas	 teorias,	 como,	 por	 exemplo,	
o desenvolvimento bilíngue para surdos, a partir de um novo campo 
nos Estudos Surdos na área de Estudos Linguísticos em Língua de 
Sinais, que mais tarde que foi conhecido como Educação Bilíngue, as 
modalidades de interação entre as duas línguas, a Língua de Sinais e a 
Língua Portuguesa para expor, tanto na modalidade oral quanto escrita, 
as relações do encontro surdo-surdo, currículo, pedagogia bilíngue, 
cultura surda, fazendo com que se torne uma forma de acesso das 
pessoas ao mundo social e linguístico. 
Assim, reforça-se a ideia da Educação Bilíngue como um 
verdadeiro sonho dos professores e pesquisadores surdos, lugar onde 
é possível colher um espaço bilíngue para surdos, utilizando as duas 
A ideia da 
Educação 
Bilíngue como um 
verdadeiro sonho 
dos professores 
e pesquisadores 
surdos, lugar 
onde é possível 
colher um espaço 
bilíngue para 
surdos, utilizando 
as duas línguas 
como fronteira 
de língua, e suas 
motivações podem 
ser introduzidas na 
própria Educação 
Bilíngue.
18
Didática e educação de surdos
línguas como fronteira de língua, e suas motivações podem ser introduzidas 
na própria Educação Bilíngue, visando à melhoria na qualidade de processoeducacional. 
CONVENÇÃO DA ONU EM RELAÇÃO À LÍNGUA DE SINAIS
[...]
Art. 9.2 e)
Oferecer formas de assistência humana ou animal e serviços 
de mediadores, incluindo guias, ledores e intérpretes profissionais 
da língua de sinais, para facilitar o acesso aos edifícios e outras 
instalações abertas ao público ou de uso público.
[...]
Art. 21, b)
Aceitar	 e	 facilitar,	 em	 trâmites	 oficiais,	 o	 uso	 de	 línguas de 
sinais, braille, comunicação aumentativa e alternativa, e de todos 
os demais meios, modos e formatos acessíveis de comunicação, à 
escolha	das	pessoas	com	deficiência.
[...] 
Art. 21 e)
Reconhecer e promover o uso de línguas de sinais.
[...] 
Art. 24, 3.b)
Facilitação do aprendizado da língua de sinais e promoção da 
identidade linguística da comunidade surda.
[...] 
Art. 30,4. 
As	 pessoas	 com	 deficiência	 farão	 jus,	 em	 igualdade	 de	
oportunidades com as demais pessoas, a que sua identidade cultural 
e	 linguística	 específica	 seja	 reconhecida	 e	 apoiada,	 incluindo	 as	
línguas de sinais e a cultura surda”.
Fonte: Disponível em: <http://www.portaldeacessibilidade.rs.gov.br/portal/
index.php?id=legislacao&cat=4&cod=376>. Acesso em: 10 abr. 2011.
19
Condições de Ensino de LibrasCapítulo 1
Sobre o fato de a Convenção da ONU vincular a área de Língua de Sinais 
como um dos direitos humanos dos surdos, é importante destacar que essa 
convenção é um marco muito importante da legislação para a comunidade 
surda,	pois	fica	garantido	seu	direito	linguístico.	E	sabemos	que	se	não	há	direito	
linguístico, não há direito humano!
Atividade de Estudos: 
1) Analisando as políticas voltadas para a área de Libras, o que 
você percebe que é declarado, mas não é realizado na Educação 
Bilíngue? 
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
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2) Quais elementos você sugeriria que todo professor bilíngue 
precisaria melhorar e transformar no sistema educacional para a 
Educação Bilíngue? 
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
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 _____________________________________________________
3) Dê algumas sugestões em relação à Convenção da ONU sobre 
os	 direitos	 das	 pessoas	 com	 deficiência,	 especificamente	 em	
Língua de Sinais, e o que se necessita inserir na grade curricular 
na Educação Bilingue?
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
20
Didática e educação de surdos
4)	 Justifique	a	importância	do	aperfeiçoamento	para	os	profissionais	
surdos de Língua de Sinais e professores bilíngues na Educação 
Bilíngue. 
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
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 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
Algumas	Considerações	
Viu como é importante conhecer e entender a legislação voltada para a área 
de Língua de Sinais? Então, vamos continuar...
Não se preocupe, a prática do conhecimento nas legislações é uma grande 
aliada nestas horas, quanto mais exercitamos, melhor entenderemos os nossos 
direitos linguísticos! 
Vamos começar buscando compreender as qualidades do ensino de Libras. 
Este entendimento é algo para as nossas decisões como professores surdos e/ou 
professores bilíngues que trabalham na Educação de Surdos. Pois, são os nossos 
conceitos que embasam nossas escolhas pedagógicas das diferenças. 
Referências:	
BRASIL. Lei nº 5.626 de 2 de dezembro de 2004. Critérios básicos para a 
promoção	da	acessibilidade	das	pessoas	portadoras	de	deficiências.	Brasilia:	
MEC. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/
Decreto/D5296.htm>. Acesso em: 15 jan. 2011.
CAPÍTULO 2
Qualidade	do	Ensino	de	
Língua	de	Sinais
A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 9 Conhecer a política de acessibilidade para os surdos
 9 Conhecer a visão dos pais sobre os surdos
 9 Discutir sobre a formação dos professores de Libras
 9 Discutir	sobre	os	valores	éticos	profissionais	dos	professores	de	Libras
22
Didática e educação de surdos
23
Qualidade do Ensino de Língua de SinaisCapítulo 2
Contextualização
Neste capítulo, apresentaremos as qualidades necessárias para o ensino 
de Libras que determinam aspectos linguísticos nos espaços educacionais, 
principalmente nas escolas de surdos e escolas bilíngues para surdos, e permitem 
a análise do nível de qualidade da instituição, servindo o uso de Língua de Sinais 
para o planejamento e a intervenção das práticas educativas. 
A seguir, vamos apresentar os itens relacionados às condições de qualidade 
de ensino e os indicadores apresentados, que estão envolvidos nesta modalidade 
de aprendizagem e têm entre si forte correlação. 
Acessibilidade	de	uso	em	Língua	de	
Sinais	nos	Espaços	Educacionais
Nesta seção iremos falar sobre acessibilidade, e a importância que isso tem 
para que os alunos ou as pessoas surdas tenham independência e uma vida 
normal como às demais pessoas. Além disso, a tecnologia favorece para que os 
surdos consigam se comunicar e exercer as diversas práticas sociais do dia a dia. 
Indica o nível de atendimento da demanda de acesso à comunicação entre 
surdos e ouvintes, bem como a localização da comunidade surda, ambas exigidas 
pela comunidade surda, por exemplo, como usar a tecnologia para surdos e sua 
adaptação, o que é o caso da última tecnologia chegada ao Brasil, a Viable, e 
outras aparelhagens adaptadas para surdos. 
Viable : É um aparelho de comunicação para surdos que atua de 
forma independente. É uma central intermediária entre intérprete e 
surdo de forma visual e sinalizando em Língua de Sinais. O usuário 
sinaliza para o intérprete, o intérprete traduz para o ouvinte ao 
telefone e o ouvinte responde aos intérpretes. 
Se você quiser conhecer como funciona o Viable, acesse o 
link abaixo e veja como um simples aparelho pode auxiliar tanto 
na independência e como na acessibilidade. Vale a pena assistir 
o vídeo e se inteirar das novas tecnologia que estão chagando no 
Brasil e auxiliando os surdos. 
http://www.viable.net/
24
Didática e educação de surdos
Essas adaptações são: campainha luminosa, celular vibratório, 
aparelho vibratório de bebê chorando, closed caption para legenda na 
TV, intérprete na janela da TV, mídia em Língua de Sinais nos locais 
como nos aeroportos, bancos e vários locais.
Devido à situação em que a comunidade surda vive, é de grande 
importância a questão da acessibilidade para o povo surdo. Neste 
sentido, a questão do acesso precisa ser vista com atenção através da 
experiência visual. 
Experiência Visual: Denominar povo surdo é uma 
estratégia de poder, de identidade. O que constitui este povo? As 
associações, organizações locais, nacionais e mundiais de surdos, 
as lutas, a cultura, as políticas. É uma representação simbólica, não 
como uma simples comunidade a quem podem impor regras, mas 
como uma estrutura forte que se defende, impõe suas regras, seus 
princípios. (REIS, 2006).
A escola de surdos e a escola bilíngue é um direito que toda criança 
surda tem para adquirir, como primeira língua, a Língua de Sinais. No 
entanto,o	 poder	 público	 ou	 sociedade	 vem	 tendo	 dificuldade	 para	
cumprir sua obrigação constitucional e precisa, nesta circunstância, 
priorizar o atendimento de comunicação em Língua de Sinais para 
surdos	principalmente	em	famílias	de	filhos	surdos.	
Há, assim, necessidade de planejamento com relação à 
acessibilidade aos locais onde serão construídas as escolas de surdos 
e escolas bilíngues para que exista uma postura democrática destas 
em relação às crianças surdas que poderão ser matriculadas. 
Escolas bilíngues com modelos organizativos, o modelo de 
bilíngue para surdos onde estes querem o seu jeito de ensinar, o porquê 
ensinar o jeito cultural dos surdos, ensinar a Língua de Sinais como 
a primeira língua são iniciativas realizadas pelos pesquisadores, que 
conhecem a área de Educação de Surdos e que estão há muitos anos 
trabalhando e batalhando pela comunidade surda. Eles querem sua 
nova proposta de educação bilíngue no documento do PNE – Plano 
Nacional de Educação. Nós pensamos, sentimos e tentamos excluir a 
visão equivocada dos ouvintes sobre nós, surdos, como acontece no 
Ministério da Educação, na Secretaria de Educação Especial Federal, 
Devido à 
situação em que 
a comunidade 
surda vive, é de 
grande importância 
a questão da 
acessibilidade para 
o povo surdo. Neste 
sentido, a questão 
do acesso precisa 
ser vista com 
atenção através da 
experiência visual. 
A escola de surdos 
e a escola bilíngue 
é um direito que 
toda criança surda.
Escolas bilíngues 
com modelos 
organizativos, o 
modelo de bilíngue 
para surdos onde 
estes querem 
o seu jeito de 
ensinar, o porquê 
ensinar o jeito 
cultural dos surdos, 
ensinar a Língua 
de Sinais como 
a primeira língua 
são iniciativas 
realizadas pelos 
pesquisadores, 
que conhecem a 
área de Educação 
de Surdos e que 
estão há muitos 
anos trabalhando 
e batalhando pela 
comunidade surda.
25
Qualidade do Ensino de Língua de SinaisCapítulo 2
já que estes órgãos não conseguem responder e cumprir as exigências para a 
educação que os surdos querem, como no caso do CONAE. Quer conhecer a 
moção que nós, surdos, propomos? Veja a moção abaixo: 
Conferência Nacional de Educação – Os surdos apresentaram 
o documento “Que Educação nós surdos queremos”, incluindo várias 
propostas, mas os próprios membros do CONAE excluíram os itens 
importantes que nós queremos, os quais estão registrados na moção.
MOÇÃO 
DELEGADOS PROPONENTES: Cláudio Henrique Nunes 
Mourão e Cristian Alexandre Strack (RS); Cristiano de C.A. Koyama, 
Maria Inês Vieira, Moryse Vanessa Saruta e Neivaldo Augusto 
Zovico (SP); Mardênio dos Santos Aguiar (CE); Apresentamos esta 
moção, solicitando a inclusão de três parágrafos no Eixo VI, visto 
que as redações aprovas pelas Conferências realizadas nos estados 
do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Ceará, relacionadas à 
Educação de Surdos, foram parcialmente contempladas. Devido 
à	 especificidade	 da	 Educação	 de	 Surdos,	 cujo	 reconhecimento	
é reivindicado pelos movimentos políticos, articulados pelas 
comunidades surdas brasileiras, entendemos como fundamental 
a inclusão dos parágrafos a seguir para a efetiva consolidação das 
propostas de educação do nosso país. 
PARÁGRAFOS A INCLUIR 
Garantir a continuidade das escolas de surdos, desde a educação 
infantil	 até	 as	 séries	 finais	 da	 educação	 básica,	 assegurando	
sua regularidade no sistema de ensino, com projeto pedagógico 
estabelecido. Nos casos onde a população de surdos não comportar 
a existência de escola de surdos, garantir o atendimento dos 
alunos em classes de surdos, estabelecidas em escolas regulares 
de referência, ou ainda, nos casos em que isso não for possível, 
estimular espaços de compartilhamento da língua de sinais e demais 
aspectos culturais como condição do desenvolvimento linguístico, 
cognitivo, emocional, social, cultural e de construção de identidade. 
Garantir aos professores surdos e ouvintes que atuam nas 
escolas de surdos, bem como nas classes de surdos, que tenham 
formação	 específica	 e	 	 continuada	 sobre	 a	 história,	 aspectos	
26
Didática e educação de surdos
linguísticos, culturais e de identidade das comunidades surdas do 
Brasil e do Mundo. 
 
Garantir o ingresso de surdocegos e surdos com outras 
deficiências	 associadas,	 nas	 escolas	 de	 surdos,	 bem	 como	 nas	
classes de surdos, pautada na perspectiva da educação inclusiva, 
assegurando o direito a educação em língua de sinais como 
primeira língua, bem como a presença de professor assistente, 
do instrutor mediador ou do guia intérprete, de acordo com a 
necessidade do aluno. 
Fonte: A autora.
Atividade de Estudos: 
1) Quais as principais vantagens que o documento “Que Educação 
nós surdos queremos” possibilita aos alunos surdos nos espaços 
educacionais?	Reflita	sobre	a	importância	e	registre	suas	ideias.	
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
2) Quais as tecnologias adaptadas para surdos que já conheceu? 
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
3) Quais são as suas vantagens e suas desvantagens para surdos? 
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
 ______________________________________________________
27
Qualidade do Ensino de Língua de SinaisCapítulo 2
A	Escola	Bilingue	
A escola de surdos e escola bilíngue para surdos, considerada como espaço 
visual e privilegiado de educação e desenvolvimento das crianças surdas, precisa 
reconhecer o valor e a importância de uma programação educativa. 
É fundamental a elaboração de um projeto pedagógico e material didático 
adaptado para a experiência visual que contemple a concepção de escola, 
de criança e de seu desenvolvimento, dando atenção visual à escolha dos 
instrumentos da ação educativa, aos projetos a serem desenvolvidos, aos jogos e 
aos materiais lúdico-didáticos em Língua de Sinais e Língua Portuguesa a serem 
trabalhados como bilíngues. Portanto, gostaria de enfatizar que a primeira língua 
dos surdos é a língua de sinais e segunda, a língua portuguesa, o que favorece 
as relações de contato, o encontro surdo-surdo e o contato com a cultura surda. 
Além disso, é necessário que o surdo se comunique na sua primeira 
língua – língua de sinais, da mesma forma que as pessoas, oralizadas 
se comunicam em língua portuguesa. E a escola bilíngue exerce 
com isso, um papel fundamental, o de proporcionar uma interação 
entre a língua de sinais, e até mesmo a pessoa surda compreender 
as diferentes formas de se comunicar na língua de sinais nas diversas 
situações sociais do dia a dia. E, a língua portuguesa, será a língua em 
que as crianças surdas poderão se comunicar de forma escrita e ter 
acesso a todos os materiais escritos que estão presentes na sociedade. 
A partir disso, vejamos alguns indicadores que se apresentam em 
uma programação educativa: 
• Permanência da construção da identidade surda das crianças e 
variação linguística em língua de sinais. Ou seja, da mesma forma 
que outras crianças que nascem em comunidades que falam 
línguas migratórias (alemão, italiano, francês, polonês, entre outras) 
as crianças surdas têm o direito de manter a sua cultura surda, 
ou seja, a sua identidade surda. Além disso, cabe lembrar que alíngua de sinais, é uma língua linguistica semelhante as demais, 
pois, irá haver diferentes variações sociolinguisticas nos diferentes 
contextos sociais das comunidades surdas. 
É necessário 
que o surdo se 
comunique na sua 
primeira língua – 
língua de sinais, 
da mesma forma 
que as pessoas, 
oralizadas se 
comunicam em 
língua portuguesa. 
E a escola bilíngue 
exerce com 
isso, um papel 
fundamental, o de 
proporcionar uma 
interação entre a 
língua de sinais, 
e até mesmo a 
pessoa surda 
compreender as 
diferentes formas 
de se comunicar na 
língua de sinais nas 
diversas situações 
sociais do dia a dia.
28
Didática e educação de surdos
Identidade: [...] a identidade é realmente algo formado, ao longo 
do tempo, através dos processos inconscientes, e não algo inato, 
existente na consciência no momento do nascimento. Existe sempre 
algo “imaginário” ou fantasiado sobre sua unidade. Ela permanece 
sempre incompleta, está sempre “em processo”, sempre “sendo 
formada”. (HALL 2006, p. 38).
 
• Aceitação do jeito de ser surdo. Além de ser surdo, é preciso que a criança se 
aceite como surdo na comunidade que esteja inserido e que exerça uma vida 
normal no seu cotidiano. 
• Aceitação das crianças em usar a língua de sinais como a variação linguística.
• Privacidade e sociabilidade como experiência visual.
• Uso das imagens, gravuras com as palavras para a contextualização da 
criança surda.
• Captação das imagens e suas respectivas palavras devido à visualidade.
• Ensino e apresentação dos objetos e suas respectivas palavras para trabalhar 
no contexto e usar a segunda língua como a modalidade escrita.
• Sequencialidade e imprevisibilidade em contexto de Língua de Sinais.
• Os surdos usam o jeito em Língua de Sinais como contexto diferenciado do 
jeito dos ouvintes.
• Uso da Língua de Sinais como cultural, o jeito dos surdos de se expressarem.
• Ação e formalização/simbolização como expressão facial e corporal em 
Língua de Sinais. Os surdos usam mais as expressões faciais para facilitar 
a comunicação e perceber no contexto o que eles estão sinalizando. Sem 
expressão facial e corporal, não tem sentido a ser percebido pelos surdos. 
Consideram-se como atividades de aprendizagem aquelas que favorecem 
o desenvolvimento cognitivo, afetivo e sociocultural da criança surda. Portanto, 
todas as atividades realizadas nas escolas de surdos são atividades de 
aprendizagem, através da visualidade espacial, inclusive as ações de Língua 
de Sinais. Na próxima seção iremos conversar sobre o sistema de relações da 
Língua de Sinais. 
29
Qualidade do Ensino de Língua de SinaisCapítulo 2
Sistemas	de	Relações	em	 
Língua	de	Sinais
Nesta seção iremos estudar o sistema de relações da Língua de 
Sinais, além disso, iremos compreender essas relações tanto na visão 
dos pais como da comunidade surda. 
Para o pesquisador Capovilla (2005) comprova que a criança surda, 
desde bem pequena, é capaz de estabelecer relações com o ambiente 
em que vive, ou seja, com as pessoas se comunicando em Língua de 
Sinais,	 principalmente	 pais	 surdos	 e	 filhos	 surdos	 com	 estimulação	
precoce em Língua de Sinais. Quanto mais elaborado e rico for o sistema 
de relações de comunicação, mais a criança surda terá oportunidade de 
aprender e crescer nas escolas bilíngues para surdos. 
A escola de surdos e a escola bilíngue é um espaço social entre 
surdos. A complexidade e o equilíbrio das relações de comunicação 
são fundamentais, bem como a qualidade das trocas de experiências 
visuais	e	a	definição	dos	papéis.	
A relação do professor surdo/aluno surdo, em particular, pode ser 
natural e precisa ser considerada na construção de identidade, cultura 
e	 Língua	 de	 Sinais,	 isto	 é,	 na	 identificação	 cultural	 dos	 surdos.	 O	
professor	surdo	é	um	sujeito	significativo	e	crucial,	ponto	de	referência,	
e precisa ser um ativo de comunicação natural entre eles. 
Na relação criança surda/criança surda como encontro surdo-
surdo, por sua vez, a criança aprende a estabelecer interações de 
prazer	 com	outras	crianças	surdas.	É	uma	 relação	que	dificilmente	ocorre	 sem	
conflitos	 e	 negociações,	 porém	 permite	 descobrir	 as	 diferentes	 identidades	
surdas.	É	 nesta	 relação	 que	 ela	 aprende	 o	 que	 significa	 cooperação	 cultural	 e	
desfruta de importantes momentos de troca de igual para igual. 
Vê-se que a relação professor surdo/professor surdo envolve grande variedade 
de interações, podendo ocorrer nos espaços educacionais, nos eventos, nos 
encontros, nos cursos ou no ambiente cultural dos surdos. Constitui a “subjetividade 
surda”,	que	torna	possível	e	significativamente	as	outras	duas	dimensões	relacionais,	
como	identificar	a	identidade	surda	e	a	cultural.	
a) Ponto de vista dos pais
O termo “pais” não faz distinção entre pai e mãe e também pode ser 
representado por qualquer pessoa da família que se sinta e aja como responsável 
pela criança. Ocorre que, muitas vezes, os pais utilizam o sistema linguístico da 
Capovilla (2005) 
comprova que 
a criança surda, 
desde bem 
pequena, é capaz 
de estabelecer 
relações com o 
ambiente em que 
vive, ou seja, com 
as pessoas se 
comunicando em 
Língua de Sinais, 
principalmente 
pais surdos e 
filhos surdos 
com estimulação 
precoce em Língua 
de Sinais. Quanto 
mais elaborado e 
rico for o sistema 
de relações de 
comunicação, mais 
a criança surda 
terá oportunidade 
de aprender e 
crescer nas escolas 
bilíngues para 
surdos.
30
Didática e educação de surdos
Língua Portuguesa, por não saber a Língua de Sinais. Ao agir dessa 
forma, fazem com que as crianças surdas aprendam tardiamente a 
Língua de Sinais, diferentemente do que ocorrem entre pais surdos e 
filhos	surdos,	cujos	estímulos	na	Língua	de	Sinais	já	acontecem	desde	
que o início do processo de aquisição da linguagem pela criança. A 
questão da relação com a família é ponto fundamental em um projeto 
autenticamente pedagógico–cultural, ampliando o conhecimento em 
Língua de Sinais. A participação dos pais é a base para que haja um 
conhecimento articulado e amplo sobre as crianças surdas nas suas 
diversas situações de vida através da experiência visual. 
Figura 1 – A família na educação das crianças surdas
Fonte: Disponível em: <http://images.google.com.br/imgres?q=d%C3%BAvida&hl=pt-
BR&gbv=2&tbm=isch&tbnid=XmbHQJipuEu4xM>. Acesso em: 12.abr. 2011. 
Como as crianças surdas podem construir a sua língua natural, 
a Língua de Sinais, em uma casa cuja família não sabe ou não 
usa a Língua de Sinais? Quando essa situação ocorre as crianças 
aprendem tardiamente a língua, somente quando chegam às escolas 
de surdos, a partir de 3 anos de idade. 
Apesar de sua importância, essa relação entre pais surdos / ouvintes e 
professores surdos/ bilíngues é bastante complexa. Envolve expectativas, 
atribuições, interpretações que nem sempre são explicitadas. É comum gerar 
conflitos	por	medo	de	 julgamentos,	disputas	e	discursos	sobre	quem	sabe	mais	
sobre as crianças surdas, sentimentos de culpa (pais) e superioridade (professores 
surdos e bilíngues). 
É	preciso	maturidade	profissional.	O	professor	surdo	e	bilíngue	deve	tornar	
possível o estabelecimento de uma comunicação mais esclarecida entre as 
famílias	dos	filhos	surdos,	cuja	base	está	na	consciência	do	professor	surdo	e	
bilíngue	a	respeito	do	seu	papel	nessa	relação:	o	colaborador,	o	clarificador,	o	
comunicador atento, o entender incansável. 
Ao agir dessa 
forma, fazem com 
que as crianças 
surdas aprendam 
tardiamente a 
Língua de Sinais, 
diferentemente 
do que ocorrem 
entre pais surdos 
e filhos surdos, 
cujos estímulos na 
Língua de Sinais 
já acontecem 
desde que o início 
do processo de 
aquisição da 
linguagem pela 
criança.
31
Qualidade do Ensino de Língua de SinaisCapítulo 2
É preciso buscar permanentemente caminhos para alcançar 
a compreensão recíproca entre pais e professores. Devem-se 
criar novas formas de encontros sobre Educação de Surdos, sobre 
educação bilíngue para surdose o investimento na formação 
profissional	visando	a	estes	objetivos.	
Atividade de Estudos:
Dúvidas dos pais ouvintes sobre qual a língua preferida para 
os	filhos	surdos.		Reflita	com	as	perguntas	abaixo:
1)	 Se	você	tivesse	um	filho	surdo,	como	você	reagiria?	Deixaria	
a responsabilidade para o professor surdo ou bilíngue que 
entende sobre crianças surdas? 
 ________________________________________________
 ________________________________________________
 ________________________________________________
 ________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
2)	 Imaginando	que	você	tenha	um	filho	surdo,	buscaria	entender	a	
situação para educá-lo melhor? Faria o uso da Língua de Sinais 
na sua casa para se comunicar melhor com a família ou gostaria 
de normalizar, oralizá-lo, seguindo o modelo ouvinte? 
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
Preciso maturidade 
profissional. O 
professor surdo 
e bilíngue deve 
tornar possível o 
estabelecimento de 
uma comunicação 
mais esclarecida 
entre as famílias 
dos filhos surdos, 
cuja base está na 
consciência do 
professor surdo e 
bilíngue a respeito 
do seu papel 
nessa relação: 
o colaborador, 
o clarificador, 
o comunicador 
atento, o entender 
incansável.
32
Didática e educação de surdos
Comunidade	Surda
Por que dizer comunidade surda? Tem alguma relação com os sujeitos 
surdos?	 Por	 que	 sempre	 nos	 referimos	 à	 comunidade	 surda?	 Onde	 fica	 essa	
comunidade?
O termo “comunidade” pode gerar língua e cultura em qualquer parte do 
mundo, conforme o conceito básico e geral da palavra: 
Do ponto de vista da sociologia, uma comunidade é um 
conjunto de pessoas que se organizam sob o mesmo 
conjunto de normas, geralmente vivem no mesmo local, sob 
o mesmo governo ou compartilham do mesmo legado cultural 
e histórico. Os estudantes que vivem no mesmo dormitório 
podem formar uma comunidade, assim como as pessoas 
que vivem no mesmo bairro, aldeia ou cidade. Fichter (1967), 
em	 suas	 Definições	 para	 uso	 didático,	 ressalta	 que	 uma	
palavra	que	é	 rodeada	de	significados	múltiplos,	 requer	uma	
cuidadosa	definição	técnica,	ao	que	propõe:	comunidade	é	um	
grupo territorial de indivíduos com relações recíprocas, que 
servem	de	meios	comuns	para	lograr	fins	comuns.	
(WIKIPÉDIA, 2011).
Para compreender o conceito sociológico de comunidade, observe as imagens 
a seguir sobre três grupos sociais distintos: os negros, os índios e os judaicos:
Figura 2 – Comunidade indígena
 
Fonte: Disponível em: <http://www.comunidadebancodoplaneta.com.br/
profiles/blogs/belo-monte-ibama-ja-da-a>.	Acesso	em:	12	abr.	2011.
33
Qualidade do Ensino de Língua de SinaisCapítulo 2
Figura 3 – Comunidade Judaica
Fonte: Disponível em: < http:://revistainclusiva.wordpress.
com/2010/01/28/comunidade-judaica 79>. Acesso em: 19 abr. 2011. 
 
 Figura 4 – Comunidade negra
Fonte: Disponível em : http://galeradobartho.blogspot.com/2010/11/
dia-da-consciencia-negra.html&do. Acesso em: 25 de abr. 2011
Desse modo, a comunidade surda pode envolver-se nessa 
situação, ou seja, pode fazer parte do conceito básico e geral citado 
anteriormente.	O	conceito	da	comunidade	surda	fica	esclarecido,	bem	
como	 o	 pensamento	 dos	 povos	 surdos,	 nas	 afirmações	 dos	 autores	
surdos americanos:
Uma comunidade surda é um grupo de pessoas que vivem 
num determinado local, partilham os objetivos comuns dos 
seus membros, e que por diversos meios trabalham no sentido 
de alcançarem estes objetivos. Uma comunidade surda pode 
incluir pessoas que não são elas próprias Surdas, mas que 
apóiam ativamente os objetivos da comunidade e trabalham 
em conjunto com as pessoas Surdas para os alcançar. 
(PADDEN; HUMPHRIES, 1993, p. 5).
Uma comunidade 
surda é um grupo 
de pessoas 
que vivem num 
determinado 
local, partilham os 
objetivos comuns 
dos seus membros, 
e que por diversos 
meios trabalham 
no sentido de 
alcançarem 
estes objetivos. 
(PADDEN; 
HUMPHRIES, 
1993, p. 5).
34
Didática e educação de surdos
Entendemos que a comunidade surda não é só de sujeitos surdos, mas 
de qualquer pessoa que se envolva nessa comunidade e que compartilhe dos 
mesmos	interesses	profissionais	e	pessoais.	Porém	os	povos	surdos	têm	próprias	
formas de organizar-se: diferentes modos de vida, línguas e culturas. 
Vê-se que é preciso ter como perspectiva da comunidade surda a forma 
de gerir a escola de surdo com a participação dos professores e pesquisadores 
surdos, dos professores bilíngues, interpretes e representantes da comunidade 
surda. Isso contribui para a construção da imagem da escola bilíngue como uma 
instituição cultural e educativa de grande relevância, bem como um equipamento 
que pertence a essa comunidade surda. 
Avaliação	dos	Professores	de	Libras
Avaliar é saber ensinar e interpretar a postura dos professores 
de Libras e, assim, melhor estabelecer a autoavaliação da 
programação educativa para melhorar o seu desempenho quanto ao 
uso de estratégia de ensino através da expressão facial e corporal e, 
preferencialmente, enfatizar o jeito cultural dos professores surdos. 
Avaliação é o ato de conhecimento e de reconhecimento de valores 
com base na subjetividade dos surdos. Portanto, não existe uma única 
forma de avaliar.
Para	 que	 a	 avaliação	 se	 torne	 confiável	 e	 segura,	 podem-se	 definir	 os	
critérios: autoconsciência, saber ensinar os outros, observar o desenvolvimento 
das crianças surdas, solicitar a colaboração da criança surda, deixar claras as 
intenções através da Língua de Sinais para as crianças surdas enquanto estão 
construindo sua aquisição de linguagem, estar atento ao perigo dos instrumentos 
utilizados que impõem a Língua Portuguesa como a primeira língua aos sujeitos 
surdos. O importante é respeitar o jeito das crianças surdas que querem aprender 
a Língua Portuguesa como segunda língua sem imposição. 
Valores	Éticos	dos	Profissionais
Os princípios éticos de referência e o sistema adotado para a organização 
das escolas bilíngues para surdos constituem pontos de equilíbrio de todos os 
indicadores da qualidade de ensino na didática em Língua de Sinais.
Quanto	maior	for	a	dificuldade	em	usar	a	Língua	de	Sinais,	misturando	com	a	
Língua Portuguesa, maior será o risco de retardar a aquisição da Língua de Sinais 
e, consequentemente, de promover uma comunicação efetiva da comunidade 
surda. É preciso usar a Língua de Sinais desde o início do processo de aquisição 
da linguagem. 
Avaliação é o ato de 
conhecimento e de 
reconhecimento de 
valores com base 
na subjetividade 
dos surdos. 
Portanto, não existe 
uma única forma de 
avaliar.
35
Qualidade do Ensino de Língua de SinaisCapítulo 2
Como	usar	os	valores	éticos	dos	profissionais	no	momento	de	
usar a didática na Educação de Surdos? 
Para que isso ocorra, é preciso:
• Saber bem a Língua de Sinais.
• Respeitar a cultura surda.
• Usar o currículo em Língua de Sinais nas várias disciplinas.
• Usar o jeito de ensinar, de preferência, dos professores surdos e bilíngues. 
• Contar histórias adaptadas à cultura surda, como “Rapunzel Surda, Patinho 
Surdo, Adão e Eva; Ivo, Tibi e Joca”; e várias histórias utilizadas em Língua de 
Sinais que se relacionam ao mundo dos surdos.
Para que você conheça alguns desses livros infantis, a seguir você poderá 
visualizar as capas desses livros, assim como uma pequena resenha de cada 
um deles. 
 
• A literatura infantil “Rapunzel Surda”é um livro de literatura 
infantil do Brasil escrito em língua de sinais. O livro Rapunzel 
Surda é uma versão do tradicional conto que insere elementos 
da cultura e identidade surda. Essa releitura inédita da história 
é acompanhada da escrita dos sinais (SW), ilustrações e uma 
versão em português. Voltada para o público surdo infantil, a 
obra é o resultado da pesquisa desenvolvida por Lodenir Becker 
Karnopp, Caroline Hessel e Fabiano Rosa.
Figura 5 – Capa do livro Rapunzel Surda
Fonte: Disponível em: < http://www.livrariacultura.com.br/scripts/
cultura/resenha/resenha> Acesso em: 05 mai. 2011.
36
Didática e educação de surdos
• A literatura infantil “ O patinho Surdo” O nascimento de uma ave 
pertencente a outra espécie em um ninho de cisnes ouvintes e a 
dificuldade	em	estabelecer-se	uma	comunicação	entre	eles	são	
contados em ‘Patinho surdo’. No livro, o protagonista reencontra 
a sua família e aprende a linguagem de sinais usada pelos 
bichinhos da lagoa.
Figura 6 – Capa do livro Patinho Surdo
 
Fonte: Disponível em: http://www.livrariacultura.com.br/
scripts/cultura>. Acesso em: 05 mai. 2011.
• A literatura Infantil “ Tibi e Joca” este livro pode ser facilmente 
compreendido por crianças surdas e ouvintes. Esta é a história de 
Joca, um menino especial, e seu amigo Tibi. Joca é surdo. Juntos, 
eles fazem uma descoberta que mudará as vidas de Joca e sua 
família. Uma descoberta que pode ser importante para você também. 
Figura 7 – Capa do Livro Tibi e Joca
Fonte:	Disponível	em:	<	http://www.livrus.com.br/site/perfil_livro.
php?id_livro=42309>. Acesso em: 05 mai. 2011.
• A literatura infantil “Adão e Eva” os autores contam a origem da 
língua de sinais através da criação do casal feita por Deus. Na 
história,	os	dois	ficam	sem	roupa	após	comerem	a	maçã	e	vêem-
se obrigados a usar a fala, já que as mãos estão ocupadas em 
esconder a nudez dos corpos. A versão desta história é recorrente 
37
Qualidade do Ensino de Língua de SinaisCapítulo 2
de encontro entre os autores e a comunidade de surdos, no qual 
são contados e recontados vários clássicos da literatura.
Figura 8 – Capa do livro Adão e Eva
Fonte: Disponível em: <https://goo.gl/rc3oXU>. Acesso em: 05 mai. 2011.
É preciso fazer as crianças surdas construírem sua identidade e sua cultura. 
Por acaso, você já conhece os livros ilustrados nas imagens? Caso não, tente 
comprá-los para que sejam trabalhados em sala e incentivem as crianças surdas 
a aceitarem-se como surdas. Vamos lá!!!!
Além desses, existem outros clássicos infantis que foram traduzidos para a 
língua de sinais, e com isso estimular a inserção das crianças surdas nas práticas 
sociais de leitura. 
Se	houver	uma	valorização	dos	aspectos	culturais	da	criança	surda,	ficará	
mais	fácil	alcançar	bons	níveis	de	qualidade	e	de	ética	entre	os	profissionais.	
Sugestões de critérios para um atendimento na educação bilíngue que respeite 
os direitos fundamentais dos sujeitos surdos e o ambiente em que a escola de surdos 
e escola bilíngue para surdos precisam estar inseridas é também considerado como 
fator integrante do processo educativo. A escola de surdos e bilíngue para surdos 
é um espaço de educação que os surdos querem e, portanto, incluída no contexto 
do ambiente linguístico em Língua de Sinais de um sistema formativo. Requer a sua 
articulação no espaço educacional com as demais oportunidades, seja esse espaço 
público ou privado, de caráter linguístico e cultural. Esta articulação pode ser direta: 
inserção	na	própria	programação	de	Educação	de	Surdos	momentos	específicos	
para uma educação de qualidade melhor para surdos, conforme o documento 
criado pela comunidade surda de São Paulo para o CONAE:
38
Didática e educação de surdos
REIVINDICAÇÕES DA COMUNIDADE SURDA 
DE SÃO PAULO AO CONAE
a) Garantir que as escolas de surdos promovam a Educação 
Bilíngue, desde a Creche e Educação Infantil. Para tanto, 
devem se constituir como ambiente linguístico no qual a língua 
de comunicação e instrução seja a Língua Brasileira de Sinais 
com o objetivo de promover sua aquisição como primeira língua 
do surdo e a Língua Portuguesa na modalidade escrita como 
segunda língua.
b) Garantir a utilização da Língua Brasileira de Sinais como língua 
de construção e transmissão de conhecimentos e não somente 
como mecanismo de tradução, sem a exclusão do ensino da 
Língua Portuguesa, possibilitando estratégias de manutenção, 
fortalecimento e ampliação do uso dessas línguas em uma 
perspectiva de educação bilíngue.
c) Garantir às famílias e aos surdos o direito de optar pela 
modalidade de ensino mais adequada para o pleno 
desenvolvimento linguístico, cognitivo, emocional, psíquico, 
social e cultural de crianças, jovens e adultos surdos, garantindo 
o acesso à educação bilíngue – LIBRAS e Língua Portuguesa.
d) Garantir a oferta de atendimento educacional à criança surda, 
do nascimento aos três anos, propiciando a imersão em Língua 
de Sinais como primeira língua para promover a aquisição de 
linguagem e de conhecimento de mundo desde o nascimento.
e) Assegurar a regularidade das escolas que ofertem educação 
para o surdo no sistema de ensino, garantindo seriação e que 
tenham projeto pedagógico estabelecido com base em um 
currículo bilíngue.
f) Garantir o contato dos alunos surdos com professores surdos, 
oportunizando	 sua	 identificação	 linguística	 e	 cultural,	 o	 que	
colaborará para a construção de uma autoimagem positiva de 
surdo e de sua constituição como cidadão.
g) Garantir que os professores surdos e ouvintes que atuem nas 
Escolas de surdos tenham formação sobre a história, cultura, 
identidade e comunidades surdas do Brasil e do mundo, bem 
como	fluência	em	LIBRAS.
h) Consolidar o ensino de LIBRAS nos cursos de formação de 
professores, ampliando os programas em uma perspectiva 
cultural relacionada às comunidades surdas, com destaque nas 
artes, literatura, gramática da Língua de Sinais, história dos 
movimentos surdos, entre outros. Que essas temáticas sejam 
incluídas nos currículos das escolas de surdos e nas escolas com 
alunos surdos incluídos.
Garantir a utilização 
da Língua 
Brasileira de Sinais 
como língua de 
construção e 
transmissão de 
conhecimentos 
e não somente 
como mecanismo 
de tradução, sem 
a exclusão do 
ensino da Língua 
Portuguesa, 
possibilitando 
estratégias de 
manutenção, 
fortalecimento e 
ampliação do uso 
dessas línguas em 
uma perspectiva de 
educação bilíngue.
39
Qualidade do Ensino de Língua de SinaisCapítulo 2
i) A escola de surdos deverá garantir o ingresso de surdos com 
outras	 deficiências	 associadas,	 pautada	 na	 perspectiva	 da	
educação inclusiva e assegurando o direito à educação em 
Língua de Sinais como primeira língua.
j) Nos Municípios onde a população de surdos não comportar a 
existência de escolas de surdos, garantir que a inclusão seja 
cuidadosa, ou seja, classes de surdos em escolas de ouvintes, ou 
ainda, nos casos em que isso não for possível, estimular espaços 
de compartilhamento da Língua de Sinais e demais aspectos 
culturais como condição do desenvolvimento linguístico, cognitivo, 
emocional, social, cultural e de construção de identidade.
k) Na oferta de atendimento inclusivo em escolas regulares 
privilegiar a organização de escolas-pólos, onde os surdos 
possam ter contatos com outros surdos, desenvolvendo, assim, 
sua identidade, tendo contato com sua cultura, através da 
troca com seus pares. É importante a presença de professores 
surdos permanentes para desenvolver projetos de aquisição/
desenvolvimento da Língua de Sinais, como também ministrar 
cursos de LIBRAS para todos os setores da escola.
l) Os municípios devem oferecer transporte aos alunos surdos 
para que possam frequentar as escolas de surdos ou as 
escolas-pólos, pois alunos surdos necessitam conviver com 
outras crianças, jovens e adultos em sua primeira língua.
m) As escolas de surdos ou que tenham surdos incluídos devem 
oferecer o curso de LIBRAS aos pais e familiares,garantindo a 
comunicação	com	seus	filhos	Surdos.
n) Garantir a implementação da Lei no 10.436 de 24 de abril de 2002 e 
do Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, no que concerne 
a	oficialização	da	Língua	Brasileira	de	Sinais	 	LIBRAS	–	no	 território	
nacional.	 Incentivar	 e	 apoiar	 financeiramente	 a	 criação	 de	 cursos	
de graduação Letras-LIBRAS (licenciatura e bacharelado) em IES 
públicas,	de	modo	a	garantir	que	os	profissionais	que	atuarão	como	
professores e tradutores-intérpretes dessa língua, tanto na Educação 
Básica como no Ensino Superior, possam aprofundar o conhecimento 
da Língua de Sinais. Consolidar o ensino de LIBRAS nos cursos de 
formação de professores, ampliando os programas em uma perspectiva 
cultural relacionada às comunidades surdas, com destaque nas artes, 
literatura, história dos movimentos surdos, entre outros.
o)	 Incentivar	e	apoiar	financeiramente	a	criação	do	curso	de	graduação	
Pedagogia Bilíngue em IES, de modo a garantir a formação de 
professores bilíngues, surdos e ouvintes, para atuarem na Educação 
Infantil e no Ensino Fundamental. O professor de surdos deve ter 
conhecimentos básicos e formação em Educação de Surdos e esta 
formação deverá ser contínua e atualizada.
p) Incentivar grupos de professores de surdos para que 
Consolidar o ensino 
de LIBRAS nos 
cursos de formação 
de professores, 
ampliando os 
programas em 
uma perspectiva 
cultural relacionada 
às comunidades 
surdas, com 
destaque nas artes, 
literatura, gramática 
da Língua de 
Sinais, história dos 
movimentos surdos, 
entre outros. Que 
essas temáticas 
sejam incluídas 
nos currículos das 
escolas de surdos 
e nas escolas com 
alunos surdos 
incluídos.
40
Didática e educação de surdos
desenvolvam pesquisas sobre essa educação. Promover 
formação (inicial e continuada) e habilitação de professores 
surdos	 (em	 licenciatura	 bilíngue)	 e	 demais	 profissionais	 das	
escolas de surdos ou das escolas inclusivas com alunos surdos, 
propiciando a elaboração e o desenvolvimento de propostas 
pedagógicas e materiais didático-pedagógicos coerentes com 
as realidades e projetos bilíngues para a comunidade surda.
q)	Inserir	prova	de	proficiência	em	LIBRAS	nos	concursos	e	outros	
processos seletivos para professores que atuarão com alunos 
surdos na educação Básica e na Educação de Jovens e Adultos 
surdos. Contemplar alternativas para os surdos quando da 
participação em cursos de formação e em concursos públicos 
para ingresso funcional.
r)	 Oficializar	 a	 profissão	 de	 Tradutor/Intérprete	 de	 LIBRAS	 para	
surdos e do Guia Intérprete para surdocegos e garantir a 
presença	desses	profissionais	nas	escolas	e	IES	que	atendam	
os referidos alunos. A presença de aluno surdo em sala do 
ensino inclusivo ou em outros espaços educacionais é fator 
que	determina	a	presença	destes	profissionais.
s) Garantir a participação da comunidade surda em todos os momentos 
de decisão, acompanhamento e avaliação relacionados à educação, 
com representação na composição dos conselhos de educação, em 
nível federal, estadual e municipal.
t) Garantir que a formulação e a execução da política linguística sejam 
realizadas com a participação dos educadores surdos e demais 
lideranças, professores, tradutores-intérpretes de LIBRAS e 
comunidades surdas, para que, junto com o gestor público, possam 
elaborar propostas que respondam às necessidades, interesses e 
projetos dessa comunidade.
u)	 Estimular	 e	 ampliar	 programas	 específicos	 para	 elaboração	 de	
material didático e paradidático em LIBRAS, utilizando-se dos 
recursos de multimídias através do desenvolvimento de pesquisas 
nesta área em parceria com secretarias estaduais e municipais 
de educação, outros órgãos governamentais e da sociedade civil 
que desempenhem atividades junto às comunidades surdas. Na 
atualidade, não há como pensar a Educação de Surdos sem pensar 
em tecnologias e mídias. Para o surdo isto é de extrema importância, 
pois sendo esta uma educação viso-espacial, traz informações e 
possibilidades de registros do cotidiano, cultura e identidade surdas, 
podendo, assim, ser preservados e disseminados na comunidade 
escolar. Portanto, deve-se distribuir livros e materiais didáticos que 
estão sendo produzidos a partir de pesquisas sobre a cultura surda e 
não somente os materiais adaptados.
v) Instituir e regulamentar nos sistemas estaduais de ensino a 
Inserir prova 
de proficiência 
em LIBRAS nos 
concursos e outros 
processos seletivos 
para professores 
que atuarão com 
alunos surdos na 
educação Básica 
e na Educação de 
Jovens e Adultos 
surdos. 
41
Qualidade do Ensino de Língua de SinaisCapítulo 2
profissionalização	 e	 o	 reconhecimento	 público	 do	 magistério	
surdo,	 com	 carreira	 específica,	 com	 concurso	 de	 provas	 e	
títulos adequados às particularidades linguísticas e culturais 
para professores surdos.
w) Inserir provas didáticas em LIBRAS nos concursos e outros 
processos seletivos para professores que atuarão com 
alunos surdos na Educação Infantil, na Educação Básica e na 
Educação de Jovens e Adultos surdos. Contemplar alternativas 
para os surdos quando da participação em cursos de formação 
e em concursos públicos para ingresso funcional.
Fonte:	Disponível	em:	<	http://assp.sur10.net/files/2009/10/
registro-eixo-vi-pdf.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2011. 
 
Atividade de Estudos: 
1) A partir dessas reinvidiações da comunidade surda, como você 
acha que o ensino das crianças surdas irá melhorar e como 
funcionarão as escolas bilíngues? 
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
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 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
Algumas	Considerações	
Caro(a) pós-graduando(a), neste capítulo conversamos mais um pouco 
sobre as políticas públicas, em especial o CONAE, a quem a comunidade surda 
reivindicou o direito das crianças surdas frequentarem escolas bilíngues. 
Além disso, foi possível compreender a importância das escolas bilíngues 
para a comunidade surda, assim como a tecnologia, que auxilia no processo de 
Inserir provas 
didáticas em 
LIBRAS nos 
concursos e outros 
processos seletivos 
para professores 
que atuarão com 
alunos surdos 
na Educação 
Infantil, na 
Educação Básica 
e na Educação de 
Jovens e Adultos 
surdos.
42
Didática e educação de surdos
ensino-aprendizagem. No próximo capítulo, iremos compreender a experiência 
visual dos surdos, assim como a construção da sua identidade. Além disso, 
visualizaremos como trabalhar com as crianças surdas nas realidades culturais. 
Referências	
CAPOVILLA, Alessandra Gotuzo Seabra; CAPOVILLA, Fernando Cesar. 
Alfabetização fônica: construindo competência de leitura e escrita : livro do 
aluno.2. ed. São Paulo : Casa do Psicólogo, 2005.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 
2006.
PADDEN, Carol; HUMPHRIES, Tom. Sharing a Culture. WFD News, Mar.1993.
REIS, Flaviane. Professor Surdo: A política e a poética da transgressão 
pedagógica. 2006. (Dissertação) Mestrado em Educação – Programa de Pós-
Graduação em Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 
2006. Disponível em: <http://www.ges.ced.ufsc.br/Dissertacao_Flaviane.pdf>. 
Acesso em: 15 abr. 2011.
WIKIPEDIA.Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade>. Acesso 
em: 15 abr. 2011.
CAPÍTULO 3
A	Experiência	Visual:	Educação	
Infantil	e	Ensino	Fundamental
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 9 Entender o jeito da experiência visual dos surdos.
 9 Conhecer a construção das identidades surdas.
 9 Compreender como trabalhar comas crianças surdas, observando seus 
aspectos culturais.
 9 Perceber as diferenças nos espaços educacionais.
44
Didática e educação de surdos
45
A Experiência Visual: Educação 
Infantil e Ensino FundamentalCapítulo 3
Contextualização
Para apresentar esta questão, vamos fazer uma leitura a respeito do ser 
surdo, mas, em uma experiência visual, em que há uma inclusão na identidade 
cultural e na Educação de Surdos. 
A referência para esta discussão está em entender o ser e estar sendo surdo e 
se encaixar nessa experiência visual. Na sua história cultural, as crianças surdas e 
a comunidade surda dedicam-se à inserção das pessoas surdas nas práticas sociais 
do dia a dia. Neste ano de 2011, a comunidade surda se mobilizou em Brasília, 
juntamente à Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (FENEIS), 
para lutar pelo direito das crianças surdas de estar em ambientes bilíngues, tanto 
nos espaços educacionais como os sociais, e , a partir disto, construir a Língua de 
Sinais, a identidade e a cultura da comunidade surda, tanto na Educação Infantil 
como no Ensino Fundamental. Para tanto, é preciso construir três identidades: 
1) A criança surda ou a identidade negada.
2)		 A	 criança	 surda-filho	 dos	 adultos	 ouvintes	 ou	 identidade	 construída	 pela	
normalização.
3)		 A	 criança	 surda-filho	 dos	 adultos	 surdos	 ou	 sujeito	 cultural	 da	 comunidade	
surda.
Caro(a) pós-graduando(a), convidamos você, nas próximas seções, a estudar 
e compreender essas três identidades da comunidade surda. Bons Estudos!!!!
Primeira	Construção	de	Identidade:	“a	
Criança	Surda	ou	a	Identidade	Negada”
Nesta primeira seção iremos conversar sobre a criança surda e na sua 
construção da identidade. Para iniciar a nossa conversa convido, você pós-
graduando, a assistir o documentário “Sou surdo e não sabia”. 
Este documentário conta a história de Sandrine, uma menina surda de 
nascença	que	é	filha	de	pais	ouvientes.	Ao	frequentar	a	escola,	a	menina	começa	
a questionar como os demais colegas compreendem o que a professora estava 
ensinando. A partir disso vamos compreender junto com Sandrine, como uma 
criança surda descobre que as crianças de sua sala se comunicam através 
de sons, e que esses sons são produzidos pelo movimento dos lábios através 
das palavras. Esse documentário olha para a questão a partir de dentro, pela 
46
Didática e educação de surdos
perspectiva de Sandrine e sua história verídica. Paralelamente ao relato da 
autonomia	conquistada	com	a	Língua	de	Sinais,	o	filme	levanta	a	discussão	sobre	
a conveniência do implante coclear e da oralização de crianças surdas.
Depois	de	assistir	a	esse	filme,	podemos	 fazer	uma	relação	entre	ele,	seu	
título o o texto que leremos a respeito da identidade surda. Já sabemos que é 
muito	importante	refletir	sobre	as	crianças	surdas	nos	espaços	educacionais	onde	
devem	construir	a	sua	identidade.	Vamos	assistir	a	esse	filme	inédito!!	
Figura	9	–	Cena	do	filme	Sou	Surdo	e	não	sabia
 
Fonte:	Disponiível	em	:	<http://filmessurdez.blogspot.com/2011/02/
sou-surdo-e-nao-sabia.html>. Acesso em: 10 abr.2011. 
http://www.curiosphere.tv/video-documentaire/42-citoyennete/107554-
reportage-sourds-et-malentendus-premiere-amie# 
Youtube – Vídeo pequeno com a legenda de português: 
http://www.youtube.com/watch?v=qtXV_VKZqqg 
Viu	 como	 esse	 filme	 é	 bem	 interessante!	 E	 vamos	 continuar	 a	 estudá-lo	
nesse	capítulo.	Depois	refletiremos	sobre	o	texto	e	sua	relação	com	o	filme.	
47
A Experiência Visual: Educação 
Infantil e Ensino FundamentalCapítulo 3
Abade L’Eppe foi o reponsável por espalhar a Língua de Sinais na 
Educação de Surdos, na época de 1700. Até por volta do século XX, a 
Educação de Surdos não dava a devida importância à criança surda ou 
representava sua identidade surda e em casos mais graves chegava-
se a negar a representação da criança e da identidade surda. É difícil 
crer que essa ausência da identidade surda ocorresse em virtude 
da incompetência ou da falta de construção de identidade. É mais 
provável que não houvesse lugar para a criança surda nesse mundo 
cuja visão dos ouvintes predomina, em que não há muito espaço para 
que os surdos adultos ajudem as crianças surdas a se construírem 
na sua identidade surda, e não pela identidade negada das crianças 
surdas, bem como pela imposição de uma tentativa de normalização 
perante na sociedade. 
Vamos imaginar a existência da identidade surda nas crianças surdas, de 
uma	construção	dentro	da	sua	subjetividade,	identificando-se	nos	surdos	adultos,	
nos espaços educacionais onde há muitos surdos, no encontro surdo-surdo, no 
contato da primeira língua da família surda,nas associações e outros lugares: 
Como construir a identidade surda pela criança surda? 
- As crianças na escola de surdos se encontram outras crianças 
surdas e têm mais facilidade de construir sua identidade, sentem-
se mais seguras, sentem mais liberdade em comunicar-se, sentem-
se mais livres para expressar suas emoções, sua dimensão 
intelectual, suas produções, sentem mais necessidade de contato, 
sentem mais necessidade de compartilhar as ideias, sentem-se 
mais alegres, podem sinalizar tudo o que quiserem, é algo natural 
na sua subjetividade devido ao fato de sua língua natural ser a 
Língua de Sinais. 
O fazer com as crianças surdas quando negam assumir sua 
identidade surda? 
- Deixar as crianças agirem naturalmente, mostrar a história contada 
sobre os surdos, mostrar que outras crianças as quais têm postura 
de identidade surda estão felizes, mostrar o teatro em Língua de 
Sinais no qual os surdos têm seu orgulho e estão felizes, porém é 
importante mostrar tudo que os surdos estão fazendo, o que estão 
produzindo em Língua de Sinais. Por exemplo, usar uma fantasia 
de palhaço, comunicando-se em Língua de Sinais para estimular a 
valorização da identidade surda. A identidade surda é basicamente 
construída com base na Língua de Sinais, que utiliza como meio de 
expressão o corporal e o facial. Assim, as crianças podem assumir-
Até por volta 
do século XX, 
a Educação de 
Surdos não dava a 
devida importância 
à criança surda ou 
representava sua 
identidade surda 
e em casos mais 
graves chegava-
se a negar a 
representação 
da criança e da 
identidade surda.
A identidade surda 
é basicamente 
construída com 
base na Língua 
de Sinais, que 
utiliza como meio 
de expressão o 
corporal e o facial. 
Assim, as crianças 
podem assumir-se 
e construir sua 
identidade surda, 
saindo da escola 
orgulhosa e feliz. 
Caso contrário, as 
crianças surdas 
podem se sentir 
confusas, não 
sabendo escolher 
entre a identidade 
surda ou a 
identidade imposta 
pelos ouvintes que 
querem normalizar 
os surdas, negando 
sua identidade. 
48
Didática e educação de surdos
se e construir sua identidade surda, saindo da escola orgulhosa e feliz. Caso 
contrário, as crianças surdas podem se sentir confusas, não sabendo escolher 
entre a identidade surda ou a identidade imposta pelos ouvintes que querem 
normalizar os surdas, negando sua identidade. 
Segunda	Construção	de	Identidade:	
“a	Criança	Surda-filho	dos	Adultos	
Ouvintes	ou	Identidade	Construída	
pela	Normalização”
É difícil imaginar a existência da criança surda isolada na sociedade, vivendo 
a complexidade de entender o que é ser surdo no meio de uma família de 
ouvintes, que não tem o conhecimento básico sobre a Educação de Surdos, da 
sua aquisição de linguagem no ambiente linguístico e ao mesmo tempo na escola 
inclusiva também, sempre sentindo-se escondida da sua identidade, que não pode 
construir de uma forma natural sem ter contato com os surdos, e tendo que assumir 
uma identidade construída pela normalização, sem o conceito cultural como uma 
identidade complexa, tornando-se uma pessoa “jogada e abandonada”. Isso ocorre 
com frequência quando se adquire a linguagem dos surdos tardiamente. 
As crianças surdas perderam muito pela falta de construção de uma identidade 
surda com base na utilização da Língua de Sinaise as que sobrevivam confundiram-
se rapidamente com os surdos adultos quanto descobrem tarde quem são. 
Como é a construção de identidade de normalização imposta pelos ouvintes, 
ou seja, pela família?
- Clínica, é claro! É uma visão clínica de quem se preocupa apenas em curar 
os ouvidos, fazer falar melhor, integrar melhor esta criança na sociedade para 
igualá-la	aos	demais,	para	que	haja	“uma	vida	melhor	para	os	filhos	surdos”.	
Preocupa-se em usar o avanço da tecnologia para fazer a criança “ouvir 
melhor”, como o implante coclear, por exemplo. Esta identidade normalizada é 
uma	imposição	dos	ouvintes	os	quais	não	querem	que	seus	filhos	se	integrem	
com as outras crianças surdas por desconhecimento da Língua de Sinais, 
pensando que não tem o seu valor linguístico. 
- As crianças surdas construídas pela identidade normalizada dos ouvintes não 
podem desenvolver adequadamente seu cognitivo usando a Língua de Sinais 
no meio das crianças surdas. A desculpa é que assim pode ter uma “vida 
49
A Experiência Visual: Educação 
Infantil e Ensino FundamentalCapítulo 3
melhor”. Vida melhor? Por que está preocupado com isso? Vida melhor para 
quem? Para a sociedade? Sente vergonha da identidade dela? Mesmo usando 
a Língua de Sinais também se pode ter uma vida melhor, como nos casos dos 
surdos que cursam mestrados e doutorados. Será que isso quer dizer que não 
têm vida melhor? Sim, há uma vida melhor mesmo usando a Língua de Sinais. 
É com a cultura surda que nossas crenças são alimentadas, que temos nossos 
valores, nossos costumes, nosso grupo social, nossos aspectos culturais, nosso 
ambiente linguístico em qualquer lugar onde os surdos estejam. 
- As crianças surdas e o contato com as crianças ouvintes. É 
importante integrar as crianças surdas, mas a maioria vive isolada, 
sozinha, sem poder comunicar-se com os outros. Às vezes, há 
crianças ouvintes usando a Língua de Sinais, mas não há a 
liberdade de tratar-se de igual para igual. Como a cultura surda é 
diferente da cultura dos ouvintes, é preciso levar em consideração 
que há uma forma de contar piadas no jeito dos surdos, há teatro no 
jeito dos surdos, há contação de história sobre os surdos em Língua 
de Sinais. Em virtude dessas diferenças, quase nunca acontecem 
situações como as mencionadas anteriormente na Educação 
Inclusiva. A preocupação é impor a Língua Portuguesa como a 
segunda língua, mesmo não respeitando a primeira língua que é 
a prioridade dentro do ambiente linguístico. Por outro lado, existe 
um	sentimento	superficial	da	criança	surda,	filho	do	adulto	ouvinte,	
“[ser] reduzida ao contexto de Língua de Sinais” em seus primeiros anos de 
vida. A família se diverte com a criança surda como um animal de estimação 
sem compartilhar seu ambiente linguístico, sem usar a Língua de Sinais dentro 
da sua casa para ter a linguagem rica, comunicando-se com toda facilidade, 
recebendo todas as informações da família ouvinte. O que nos preocupa é 
a imposição da construção de identidade normalizada dos ouvintes, o que 
pode prejudicar o seu aprendizado, sua aquisição de linguagem e construção, 
compreensão de informações. 
Vejamos uma narrativa surda desse estado de educação no qual se perder a 
construção dos sujeitos surdos por meio de uma educação inclusiva imposta pela 
família ouvintes: 
[...]	 A	 típica	 criança	 surda,	 que	 nasceu	 surda	 ou	 que	 ficou	
surda antes de aprender o inglês, está completamente perdida 
no banco da turma de ouvintes. O que diz o professor? Como 
lhe posso tornar claros os meus pensamentos? O que posso 
fazer para ser aceito pelas outras crianças? Está aqui alguém 
que me possa explicar certas coisas depois das aulas? (LANE, 
1992, p.39).
O que nos 
preocupa é a 
imposição da 
construção 
de identidade 
normalizada dos 
ouvintes, o que 
pode prejudicar o 
seu aprendizado, 
sua aquisição 
de linguagem 
e construção, 
compreensão de 
informações. 
50
Didática e educação de surdos
Ainda sobre a expressão “reduzida a língua de sinais”, podemos dizer que 
mesmo atualmente tem-se um pouco deste sentimento, principalmente quando 
muitas escolas de inclusão trabalham com essa imposição, distorcendo a visão 
das crianças surdas, transformando-as em um animalzinho, em alguém que tem 
dificuldade	 de	 ler	 e	 escrever,	 rotulando-as	 de	 “um	 mimo”,	 “um	 nervoso”,	 “um	
louco”, “que grita”, “um coitadinho”, e vendo a Língua de Sinais como muleta, 
como suporte de comunicação. Isto é perceptível pela reação das crianças surdas 
em ambientes onde não há a Língua de Sinais. Lá elas se sentem inferiores no 
ambiente linguístico, por isso é importante a criação da Escola Bilíngue para que 
seu ambiente linguístico seja respeitado e para conviver de igual para igual. 
Podemos concluir que, neste campo de Educação Inclusiva, essa identidade 
da	 criança	 surda	 está	 definida	 pela	 não	 construção	 do	 sujeito	 cultural	 da	
comunidade surda, que ocorre não por haver um grande afeto pelas crianças 
surdas,	filhos	dos	adultos	ouvintes,	ou	porque	na	 totalidade	eram	abandonadas	
ou desprezadas, mas sim porque não havia consciência da particularidade da 
criança surda, ou seja, não se distinguia a cultura surda. 
Atividade de Estudos: 
1)	 Depois	 de	 ver	 o	 filme,	 o	 que	 você	 sentiu	 e	 entendeu	 sobre	
a relação das crianças surdas, a partir da sua identidade 
influenciada	pelos	pais	ouvintes?	
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2) Por que os pais ouvintes querem ver as crianças surdas como 
“normalização” e com melhor vida perante da sociedade, mesmo 
não aceitando a sua identidade surda?
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51
A Experiência Visual: Educação 
Infantil e Ensino FundamentalCapítulo 3
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Terceira	Construção:	“a	Criança	Surda-
Filho	dos	Adultos	Surdos	ou	Sujeito	
Cultural	da	Comunidade	Surda”
Podemos conhecer o livro da autora Karin Strobel, “As imagens do outro 
sobre a cultura surda”, o qual ajuda muito a conhecer a cultura surda, a partir das 
crianças surdas com os pais surdos, e de como vive a comunidade surda e o jeito 
cultural dos surdos. Vamos estudar e discutir nessa seção que é muito importante 
ampliar o conhecimento e também sentir na pele o que os surdos estão querendo 
mostrar,	como	entendem,	como	vivem,	enfim,	a	educação	que	querem.
Figura 10 – Capa do livro As imagens do outro sobre a cultura surda
Fonte: Disponível em: < http://profsurdogoulao.blogspot.com/2008/08/
karin-strobel.html>. Acesso em: 22 mai. 2011.
Podemos começar perguntando: quem é a criança surda de hoje? Quando 
observamos nossas crianças surdas, podemos dizer que, apesar da sua 
construção de identidade surda e cultural, existem os aspectos culturais que 
podem ajudar a construir a identidade surda: 
52
Didática e educação de surdos
• A da criança surda pertencente a uma família surda, usuária natural em Língua 
de Sinais, que nasce já construindo sua aquisição de linguagem nessa língua. 
• A da criança surda que participa da comunidade surda e, por isso, tem a sua 
fluência	em	Língua	de	Sinais	e	assume	ser	surda	envolvida	na	comunidadesurda e povo surdo. 
• A da criança surda, nas grandes cidades, acompanha os contatos, como o 
encontro surdo-surdo, sempre acompanha os eventos culturais dos surdos, 
nas escolas de surdos, nas associações, nas casas de surdos e festas 
comemorativas relacionadas aos dias de surdos. 
• A da criança surda que ajuda o pai surdo ou a mãe surda a se relacionar com 
a sociedade devido à tecnologia atual, isso é muito interessante! 
Todas as crianças surdas, porém, precisam ter suas situações 
de construção de sujeito cultural, condições de contato natural, tempo 
de escolarização, de brincadeiras com as outras crianças surdas que 
ajudam a desenvolver sua própria língua, que possa ser valorizada e rica 
como a experiência visual. É fundamental que tenhamos consciência 
desses aspectos culturais para que saibamos conhecer melhor as 
crianças com quem convivemos e com quem, como educadores, temos 
responsabilidade	de	ser	firmes	na	sua	construção	cultural	e	identidade	
surda. 
A etapa histórica que as crianças surdas vivem na experiência 
visual, marcada pela construção cultural e por mudanças de 
transformação visando à Educação de Surdos e à educação bilíngue 
para surdos, apresenta o currículo cultural que aceita o jeito dos surdos 
que ensinam para as crianças surdas na Educação Infantil e Ensino 
Fundamental, que dá um salto nessa construção dentro de um espaço 
cultural	 que	 se	 afigura	 como	 uma	 forma	 de	 nos	 mantermos	 como	
diferentes e melhor visualizar as mudanças pós-modernas no sentido 
de compreender a criança surda como sujeito cultural e, portanto, um sujeito com 
direitos linguísticos.
Atividade de Estudos: 
1) Redija um texto sobre a importância da cultura surda e como as 
crianças surdas podem se envolver na cultura surda? 
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Todas as crianças 
surdas, porém, 
precisam ter 
suas situações 
de construção de 
sujeito cultural, 
condições de 
contato natural, 
tempo de 
escolarização, de 
brincadeiras com 
as outras crianças 
surdas que ajudam 
a desenvolver sua 
própria língua, 
que possa ser 
valorizada e rica 
como a experiência 
visual.
53
A Experiência Visual: Educação 
Infantil e Ensino FundamentalCapítulo 3
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2) Tente conversar com algum professor dos anos iniciais do ensino 
fundamental,	e	verifique	o	que	ele	sabe	sobre	o	ensino	bilíngue	
para as crianças surdas. 
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Função	dos	espaços	educacionais	de	Educação	Infantil:	Educar	e	Identificar	
a Cultura Surda
A partir desses conceitos de criança surda, perguntamos: qual seria, então, a 
função dos espaços educacionais de Educação Infantil? A que eles se propõem? 
Quem vai nos ajudar a responder a estas questões é a pesquisadora Gladis 
Perlin,	identificando	sobre	o	seu	ser	surdo,	vinculando	essa	experiência	surda	e	
cultura surda por meio do texto a seguir. 
A EXPERIÊNCIA DO SER SURDO
A colocação de Juan Eugenio é uma oportunidade para o 
contato	referente	ao	objeto	final	de	interesse:	ser	surdo.	
Ser surdo, na experiência, implica uma resposta àqueles que se 
refugiam	comodamente	sob	a	palavra	deficiência	e	a	nomeiam	em	
sua epistemologia. Equivale a uma recusa a ser na diversidade, um 
assumir a diferença. 
54
Didática e educação de surdos
Figura 11 – O ensino de LIBRAS
 
Fonte: Perlin (2001, p.34)
xcccAs identidades essenciais, imanentes aos surdos, mostram 
narrativas constantes e idênticas a de Juan Eugenio. Nas pesquisas, 
tive ocasião de encontrar narrativas bastante enfatizantes da 
intenção de desvendar a experiência referente a estas identidades 
orientadas no sentido de ser surdo. Igualmente, o produto nestas 
pesquisas	que,	em	sua	maioria	devem	 fazer-se	presente,	 identifica	
os aspectos da experiência. Inclusive exibe o conceito “surdos” como 
um	conceito	fluído	no	qual	a	epistemologia	esgota	o	conhecimento	
presente na experiência e no jeito de ser do povo surdo (sem deixar 
que	hibridismos	fiquem	à	margem)	e	não	mais	o	conceito	da	cura,	da	
incapacidade, da invalidez. Não mais o conceito de ser surdo falante 
ou não falante, mas exclusivamente com sua língua e linguagem 
próprias e que pode optar ou não por utilizar-se da fala ou da Língua 
Portuguesa para intermediar o intercâmbio cultural na fronteira.
Diga que queremos o direito de ser reconhecidos surdos como 
somos, com este jeito, com este idioma. E queremos ser atores da 
política surda também.
O que propõe a experiência? Larrosa (2000) acentua a 
experiência do ser como algo que nos passa ou o que nos acontece 
ou o que nos toca. Eu diria que no surdo, a experiência é algo que 
nos	passa,	 nos	 fica	e	que	passa	a	 ser	 parte	de	nós	depois	 de	 ter	
experienciado.	A	experiência	nos	fica,	mas	a	informação	que	leva	a	
experiência se esvai como diz o mesmo autor: a informação não faz 
outra coisa que cancelar nossas possibilidades de experiências.
Minha incursão pela pesquisa enfatiza o momento em que 
sentimos aproximar mais e mais os níveis de compreensão do ser e 
do estar sendo surdo ou o conceito de ser surdo e estar sendo surdos. 
55
A Experiência Visual: Educação 
Infantil e Ensino FundamentalCapítulo 3
Se perguntarmos aos surdos: o que é ser surdo? Entre as muitas 
narrativas temos resposta: ser surdo é uma questão de vida. Não se 
trata	de	uma	deficiência,	mas	de	uma	experiência	que	nos	toca	(MW).	
Um que-fazer político que envolve a diferença. Experiência de ser 
surdo	ou	experiência	visual	significa	mais	que	a	utilização	da	visão	
como meio de comunicação. Desta experiência visual surge a cultura 
surda, representada pela Língua de Sinais, pelo modo diferente de 
ser, de ser povo surdo, de se expressar, de conhecer o mundo, de 
entrar	nas	artes,	no	conhecimento	cientifico	e	acadêmico.	A	cultura	
surda comporta a Língua de Sinais, a necessidade do intérprete, de 
tecnologia de leitura. 
ESTAR SENDO SURDO E O OUTRO SURDO
A preocupação de Juan Eugenio com o seu outro semelhante 
está transparecendo de forma a que ele se sinta responsável pelo 
outro, pelo povo. E daí? O advento da nova linguagem, do memorável 
do outro, da surpreendente juventude com que o surdo se ocupa 
com o outro surdo, toca sobremaneira e não pode ser deixado ao 
acaso. Por estas ideias de individuação, Levinas (2000, p. 80) chama 
atenção para as interativas com o processo:
Desde o momento que o outro me olha, eu sou 
responsável por ele, sem nem sequer ter que 
tomar responsabilidades em relação com ele; sua 
responsabilidade me incumbe para que eu vá mais além. 
Este ir mais além entre os surdos se apresenta permeado de 
significações.	O	que	preocupa	o	surdo	em	relação	ao	outro	surdo,	o	
que o preocupa com esta responsabilidade? O que faz do surdo um 
agente responsável pelo rosto do outro surdo? O que o coloca aí com 
tanto interesse pelo outro surdo? Voltar a pensar a questão de relação 
de alteridade surda e a dependência ou responsabilidade pelo outro 
surdo para espelhar-se? Completamente, está-se diante de uma 
responsabilidade com o outro, responsabilidade que não é baseada na 
vitimação e no sofrimento, no voltar-se contra a opressão colonialista, 
na responsabilidade para que ele seja o outro surdo, uma força moral, 
uma	resistência.	Um	firmar-se	como	surdo;	uma	agência	rearticulandoo ser surdo e repelindo o estereótipo. Vejamos a narrativa surda:
Eles [ouvintes] determinaram que um grupo das 
crianças surdas fossem enviadas para outra escola. 
Por quê? Porque para eles ouvintes, estas crianças 
surdas são muito difíceis. Claro que elas são e serão 
56
Didática e educação de surdos
difíceis, elas estão iniciando a escola, começando a 
conhecer o mundo e a sua sagacidade na desbravação 
é tão intensa que elas se tornam hiperativas. Com um 
pouco de paciência teríamos controlado a situação. 
O lugar daqueles surdos era naquela escola, eu sou 
professora lá e sei que eles precisam de tempo para 
se adaptar. Se eles são tão rebeldes, precisamos saber 
que eu também fui, mas que os tempos são outros. 
Importa saber dialogar com estas crianças, mesmo que 
seja caso muito difícil. (R.)
Onde está a linguagem do surdo que entende do diferente surdo 
está a responsabilidade pelo outro surdo. A linguagem que entende o 
outro surdo está com o surdo na sua experiência semelhante, na sua 
tensão de responsabilidade pelo outro. Uma responsabilidade que 
admite a diferença e a alteridade, inclusive admite epifania.
PASSAR PELA EXPERIÊNCIA DE SER SURDO 
A experiência de ser surdo designa um passar a ser o “outro”. 
Skliar (2002), em uma palestra, diz que a experiência é vista como 
uma questão muito banalizada, pouco sublinhada e apresentada 
como uma hipótese que já está quase pronta. E a experiência surda 
é muito mais que algo pronto, traduz-se como uma orientação, um 
trabalho, uma ação para a liberação do jeito de ser surdo.
Nós surdos nascemos num povo de ouvintes e nos 
transformamos em surdos. A experiência é este processo que nos 
passa (LARROSA, 2002) e leva a ser o outro surdo. Tudo parte 
de	uma	reflexão	geral	sobre	o	que	o	termo	surdo	dá	a	entender.	
Ser surdo, numa palavra, parece simplesmente se desenrolar. 
Então,	 parece	 que	 o	 que	 define	 o	 processo	 de	 ser	 surdo	 não	
especifica	por	tempo	de	formação,	de	transformação,	mas	o	ato	
de estar sendo surdo agora. Mas existe o ato de transformação 
que se desenrola continuamente numa temporalidade, a partir 
da experienciação do estar sendo surdo. O surdo trabalha 
sua transformação em surdo, é a experiência que ele está 
vivenciando. Essa agência experiencial tem três aspectos, como 
citados por Skliar (2002):
A experiência que o surdo faz no contato com a essência 
que está no outro surdo. É um ato de ir construindo 
a identidade, ato que permite novamente colocar a 
questão não resolvida das identidades nunca prontas, 
fragmentadas, em contínua construção, em uma 
temporalidade do deslocamento cultural. A experiência 
A linguagem 
que entende o 
outro surdo está 
com o surdo na 
sua experiência 
semelhante, na 
sua tensão de 
responsabilidade 
pelo outro.
 Mas digamos 
que o problema 
da experiência 
formatação do 
ser surdo é essa 
experiência: é 
só a experiência 
vivida, quanto 
à experiência 
pensada do próprio 
surdo é maior, ela 
se refere a respeito 
da experiência dos 
outros surdos que 
tem a ver com essa 
responsabilidade 
ética de um povo, 
com a política, com 
o intercâmbio com 
a outra cultura.
57
A Experiência Visual: Educação 
Infantil e Ensino FundamentalCapítulo 3
no ato do surdo dar de sua experiência, do estar sendo 
surdo ao outro surdo novamente entra a pretensão 
das identidades em questão de dependência, que 
tem necessidade do outro semelhante. A experiência 
que simplesmente se transforma em resistência. Ela 
vai além da resistência e transforma em pretensão a 
sua pureza, de origem reposicionando as identidades 
transculturais. Uma experiência que evidencia que 
somos multiformes plurais visto que acontecem 
inclusive outras trocas como no caso de hibridismos.
Este aspecto permite entrever o conteúdo do nosso ser 
surdo, nossa própria experiência como surdos ou se quiseram 
do jeito de ser de Juan Eugenio. Tem a ver com o pessoal, com a 
individualidade ou experiência de quem vai assumir/assumiu o ser o 
outro surdo. Protagoniza sobre a experiência de quem é surdo e está 
sendo surdo nesse tempo de formação. Manifesta-se na passagem 
para o programa: vir a ser surdo. É a nossa experiência a que vai 
aí dentro do programa do vir a ser surdo proposto pela maioria do 
povo surdo. Mas digamos que o problema da experiência formatação 
do ser surdo é essa experiência: é só a experiência vivida, quanto 
à experiência pensada do próprio surdo é maior, ela se refere a 
respeito da experiência dos outros surdos que tem a ver com essa 
responsabilidade ética de um povo, com a política, com o intercâmbio 
com a outra cultura. Neste contexto de experiência de si, Larrosa 
(1994, p. 43) diz mais:
(A) própria experiência de si não é senão o resultado de 
um complexo processo histórico de fabricação no qual 
se	entrecruzam	os	discursos	que	definem	a	verdade	do	
sujeito, as práticas que regulam seu comportamento e 
as formas de subjetividade nas quais se constitui sua 
própria interioridade. É a própria experiência de si que 
se constitui historicamente como aquilo que pode e 
deve ser pensado. A experiência de si, historicamente 
constituída, é aquilo a respeito do qual o sujeito oferece 
seu próprio ser quando se observa, se decifra, se 
interpreta, se descreve, se julga, se narra, se domina, 
quando faz determinadas coisas consigo mesmo, etc. 
Skliar (2002) dá ênfase a essas duas experiências: a 
experiência vivida e a experiência pensada. Deduzindo de sua 
reflexão,	percebo	que	as	formas	de	viver	a	experiência	surgem	de	
dentro-e-como a diferença entre ambas delineia os fatos. Assim, 
temos que a experiência que é vivida o ser surdo que o inclui com 
sua diferença, seu dia a dia. A experiência que é pensada e que se 
refere aos líderes, ativistas, militantes surdos, os mais adentrados 
na cultura surda, que implicam as experiências vividas.
Skliar (2002) dá 
ênfase a essas 
duas experiências: 
a experiência vivida 
e a experiência 
pensada.
58
Didática e educação de surdos
Aquilo que estava no outro surdo era o igual que eu queria, tinha 
a comunicação que eu queria o que era dele era meu também.
Figura 12 – Comunicação em LIBRAS
 
Fonte: Perlin (2001, p.36)
A experiência supõe uma transformação e não uma estatização 
em vista do ser. Ela concebe a produção do sujeito, as articulações 
da diferença, a constituição da alteridade e da identidade. Sendo 
experiência, propõe o deslocamento contínuo do estar sendo surdo. 
Como movimento, hospeda as projeções do estar sendo e do devir. 
A experiência vivida, aquela da maioria dos surdos, a experiência 
pensada se torna mais centrada nesta troca com o outro, neste ato 
de ser com a responsabilidade ético/cultural de um povo.
O ser e o estar sendo surdo se constituem como identidade, como 
diferença, como alteridade no interior das representações surdas. A 
experiência de ser surdo nasce não entre ouvintes, mas entre surdos. 
A	leitura	que	realizei	desta	afirmação	de	Woodward	(2000,	p.	55):	“As	
posições	que	assumimos	e	com	as	quais	nos	identificamos	constituem	
nossa	 identidade”,	 foi	 no	 sentido	 da	 experiência	 de	 identificação,	
de ser. Eu sou o outro no sentido de que há outro semelhante, não 
um	 modelo	 no	 sentido	 único,	 mas	 na	 identificação	 com	 outros	
semelhantes,	uma	vez	que	estes	outros	 também	se	 identificam	com	
outros semelhantes. Para Woodward (2000) são posições, para mim 
são múltiplas referências que constituem nosso ser surdo. Estas 
posições onde nasce a experiência do ser surdo podem ser os amigos 
surdos, o professor surdo, os colegas surdos. É como dizia aquele 
sujeito altivo na defesa de sua diferença surda: “Devo a meu tio surdo 
minha percepção de ser diferente. Ele se escondia de mim porque a 
tendência	da	cópia,	uma	certa	carência	de	ser,	de	identificação”.	
PERLIN, Gladis T.T. Ser surdos, corpos habitáveis: Representações sobre 
alteridade,	diferença	e	identidade.	Projeto	de	qualificação	(Doutorado	em	Educação)	
- Universidade Federal do rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, 2001.59
A Experiência Visual: Educação 
Infantil e Ensino FundamentalCapítulo 3
Vê-se na leitura da pesquisadora surda, Gladis Perlin, a importância da 
experiência	 do	 seu	 ser	 surdo,	 de	 como	 identificar-se	 na	 cultura	 surda.	 O	 que	
podemos	 refletir	 é	 que	 muitos	 surdos	 conseguem	 recordar	 seu	 choque	 inicial	
quando se aperceberam de fato que havia outras pessoas que levavam as suas 
vidas numa língua completamente diferente. O que pode acontecer, às vezes, é 
que esse egocentrismo, decorrido em nome do nosso interesse mútuo, consiga 
superar	 a	 dificuldade	 da	 conscientização	 social	 como	 tal	 da	 criança	 surda,	 em	
conjunto com a vitória sobre o egocentrismo, aceitando a sua experiência de ser 
surdo perante a sociedade, mostrando a importância dessa cultura surda que seja 
reconhecida em sua língua natural e que essa língua possa ser ensinada. 
Atividade de Estudos: 
Depois de entender como é a experiência do ser surdo, será que 
os ouvintes podem continuar a diminuir o poder dos líderes surdos 
em diversas áreas que para eles são as mais importantes? Por 
exemplo: Pensando que nós surdos queremos uma escola bilíngue 
para surdos enquanto os líderes ouvintes continuam pensando que 
somos	segregados.	E	aí,	como	fica	essa	situação?		Nessa	posição	
da questão, quais são os valores, os costumes, as formas de 
arte, as tradições, as organizações interdependentes e língua que 
caracterizam a cultura?
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Didática e educação de surdos
Algumas	Considerações	
A identidade surda é ela própria muito importante. Os surdos podem pensar em 
concordar que uma pessoa que não seja surda nunca pode adquirir completamente 
aquela identidade e tornar-se um membro habilitado da comunidade surda, porém 
falar e pensar como uma pessoa ouvinte é negativamente considerado na cultura 
dos surdos. Eles pensam como um pertencimento da cultura surda, como sentem 
a mesma família, uma metáfora que é fundamental e que nunca vai se dissolver e 
nem acabar com a cultura surda. 
Também sentem menos egoísmo do que na sociedade dos ouvintes. Às 
vezes vemos que a comunidade surda se envolve em um “grande abraço”. Os 
surdos abraçam-se, frequentemente, nos encontros e, principalmente, nas festas 
– verdadeiros abraços! E também na comunidade surda acontece uma minoria 
linguística, mas possui uma rica cultura com as suas próprias formas de arte, 
história e estrutura social dos surdos.
Referência:
LANE, Harlan. A Máscara da Benevolência: A Comunidade Surda Amordaçada. 
Lisboa: Editora Instituto Piaget, 1992. 
PERLIN, Gladis T.T. Ser surdos, corpos habitáveis: Representações sobre 
alteridade,	diferença	e	identidade.	Projeto	de	qualificação	(Doutorado	em	
Educação) - Universidade Federal do rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, 
2001.
CAPÍTULO 4
O	Currículo	na	Educação	de	Surdos
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 9 Conhecer o currículo na Educação de Surdos.
 9 Perceber	a	polêmica	sobre	os	currículos	influenciados	pelos	ouvintes.
 9 Identificar	as	formas	adequadas	de	usar	o	currículo	dos	surdos.
 9 Discutir sobre as diferenças nos dois currículos.
62
Didática e educação de surdos
63
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
Contextualização	
Neste capítulo, faremos o estudo sobre o currículo na Educação de Surdos 
e o porquê de trabalhar com tal currículo por meio do jeito cultural dos surdos na 
sala de aula, bem como com toda dinâmica em Língua de Sinais e a adequação 
da cultura surda dentro do currículo. Vamos, também, conhecer, pesquisar, 
discutir e aprofundar como trabalhar nesse currículo completamente diferente do 
jeito dos ouvintes, devido ao fato de a primeira língua ser a de Sinais e a segunda, 
a Língua Portuguesa. 
É importante entender e trabalhar esse currículo cultural que deve ser 
ensinado	 para	 alunos	 surdos	 na	 sala	 de	 aula	 sem	 receber	 a	 influenciada	 dos	
ouvintes,	ou	seja,	que	não	haja	a	influência	do	jeito	dos	ouvintes	no	ensino	para	
alunos surdos. No entanto, sabemos que há sempre polêmica quando se trata da 
relação ensino-aprendizagem entre surdos e ouvintes, do currículo, do plano de 
aula, das atividades, dos jogos (jeito dos ouvintes, por exemplo, no jogo de batata 
passa	passa,	telefone	sem	fio).	Então,	precisamos	refletir	sobre	as	crianças	surdas	
na sala de aula que não estão adequadas à cultura surda, fazendo com que 
sejam excluídas das brincadeiras, das atividades e das dinâmicas , muitas vezes 
não relacionadas às crianças surdas. Outra questão é o ensino de português, de 
gramática. Por exemplo, aprender como é uma oxítona, uma paroxítona, uma 
proparoxítona, entre outras temáticas que são trabalhadas como modalidade oral 
fora da realidade dos surdos. 
Neste capítulo, aprenderemos a usar o currículo na Educação de surdos, a 
adequar o ensino à cultura surda, à experiência visual, a trabalhar no contexto 
em Língua de Sinais, a ensinar a Língua Portuguesa como a segunda língua para 
surdos, na modalidade escrita. E também vamos estudar e comparar os dois 
currículos: o de surdos e o de ouvintes
Com	esse	contexto,	precisamos	refletir	melhor	sobre	o	currículo	adequado	à	
cultura surda. Vamos lá!
O	currículo	na	Educação	de	Surdos	
Vamos iniciar discutindo sobre o currículo na Educação de Surdos. Você já 
ouviu falar nesta discussão? Trata-se de um material elaborado e publicado pela 
pesquisadora surda Carolina Hessel Silveira, intitulado “O currículo de Língua de 
Sinais na Educação de Surdos” (2006). O próprio nome já explica que é um texto 
fundamental para a estruturação do currículo de caráter cultural para a Educação 
64
Didática e educação de surdos
Infantil. É um currículo que deve ser amplamente divulgado, por isso, vamos 
dedicar este item para sua apresentação nos detalhes necessários. 
Este currículo cultural sofreu e ainda sofre críticas por parte de 
alguns educadores que não são favoráveis à cultura surda, porém é 
consenso quanto ao seu valor de normalizar e padronizar o currículo 
escolar perante à sociedade. Isto porque, como você sabe, a Educação 
Infantil costuma ser posta em segundo plano e, neste caso, a 
publicação	deste	 currículo	 cultural	 significou	 relevante	avanço	para	a	
Educação de Surdos e educação bilíngue para surdos. Considerando 
que os materiais, práticos e teóricos, nesta área são muito raros, o 
que a pesquisadora produziu sobre o currículo da Língua de Sinais 
na Educação de Surdos acabou sendo um marco, reforçando a 
importância da Educação de Surdos. O que precisamos, entretanto, é 
de uma política nacional para a educação das crianças surdas desde 
o nascimento para que recebam as orientações da família e para 
construir sua aquisição de linguagem em Língua de Sinais, adequada 
aos currículos culturais, para que seja respeitada a cultura surda sem 
descolonizar	a	educação	ouvintista,	 conforme	as	afirmações	de	Silva	
(1990, p. 207): 
Uma estratégia de descolonização do currículo supõe, 
evidentemente, o projeto, a construção e a elaboração de 
novos	materiais	que	possam	refletir	as	visões	e	representações	
alternativas dos grupossubordinados. 
É necessário ressaltar que todas as ideias e propostas contidas 
no currículo em Língua de Sinais são somente sugestões dadas 
pelos povos surdos. Ou seja, pretende-se que sirvam de base para 
discussões ou que orientem os trabalhos a serem desenvolvidos. 
Achamos importante segui-las. É aí que se coloca a grande diferença 
em relação à política nacional do MEC, a qual já conhecemos, e o que 
quer nos impor na Educação Inclusiva. 
Vamos a um resumo do currículo, isto é, à descrição de como foi 
estruturado este currículo de Língua de Sinais para a Educação de 
Surdos, quais são os assuntos que aborda, quais as principais ideias e 
propostas. 
O currículo de Língua de Sinais foi organizado pela experiência 
dos surdos na Educação de Surdos, comprovando que os professores 
surdos são uma das formas mais claras de resistência ao poder 
ouvintista. Mas os professores surdos não estão nas disciplinas 
convencionais, tradicionais. Outra conclusão: A maioria dos educadores 
Para Silva (1990), 
uma estratégia de 
descolonização do 
currículo supõe, 
evidentemente, 
o projeto, a 
construção e a 
elaboração de 
novos materiais 
que possam 
refletir as visões 
e representações 
alternativas 
dos grupos 
subordinados. 
O currículo de 
Língua de Sinais 
foi organizado 
pela experiência 
dos surdos 
na Educação 
de Surdos, 
comprovando que 
os professores 
surdos são uma 
das formas 
mais claras de 
resistência ao 
poder ouvintista.
65
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
ouvintes desconhece ou conhece muito pouco a estrutura da Língua de Sinais, 
conforme demonstrou a pesquisadora Márcia Lunardi (1998) ao discutir a questão 
do currículo na visão dos surdos.
Continuando a discussão sobre o currículo em Língua de Sinais na Educação 
de	 Surdos,	 Carolina	 Hessel	 (2006),	 em	 sua	 dissertação,	 cita	 afirmações	
importantes de Lunardi (1998, p. 70):
[...] é necessário que o currículo possa ser visto como um 
espaço privilegiado de relações de poder. Essas relações não 
se processam simplesmente através de formas homogêneas, 
repressivas, proibitivas; elas também se dão de formas 
benéficas,	 ou	 seja,	 heterogêneas,	 produtivas,	 provocativas.	
Portanto, analisar o currículo envolvido pelas relações de poder 
significa	 trazer	 esta	 discussão	 para	 o	 campo	 da	 educação,	
mais precisamente para o projeto educacional crítico. 
É interessante produzir o currículo de Língua de Sinais na Educação de 
Surdos ou educação bilíngue para surdos para ser trabalhado com as crianças 
surdas, respeitando-o e adequando-o à linguística em Língua de Sinais e cultural. 
Tal currículo ajuda a construir a identidade surda para assumir o jeito de ser surdo, 
através	de	uma	proposta	pedagógica	diferenciada,	específica	e	bilíngue,	que	é	
um grande encontro entre os fundamentos teóricos adotados e as orientações 
metodológicas da pedagogia bilíngue, adequados para surdos. Ou seja, a maioria 
das propostas não deixa claro como deve ser a articulação entre o que se deseja 
fazer e o que realmente se faz na Educação Inclusiva, na qual não há cultura 
surda, mas uma tentativa desesperada de sobrevivência da cultura surda das 
crianças na inclusão. Consideramos que tal tentativa tem caráter temporário, 
utilizada enquanto não há um currículo cultural visando à Língua de Sinais como a 
primeira língua, respeitando a sua política linguística e cultural. 
Por isso, a estrutura do currículo de Língua de Sinais foi pensada na intenção 
de	 tornar	 visível	 esta	 articulação,	 relacionando	 objetivos	 gerais	 e	 específicos,	
conteúdos e orientações didáticas, envolvendo a identidade cultural dentro do 
currículo, conforme se pode observar a seguir: 
66
Didática e educação de surdos
Figura 13 - Representação espacial de currículo feita por professor @surd@
Fonte: Hessel (2006, p. 50). 
Precisamos	 refletir	 sobre	 como	 trabalhar	 as	 estratégias	 com	 os	 alunos	
através deste método bilíngue, que é um método o qual deve trabalhar a Língua 
de Sinais como primeira língua e a Língua Portuguesa como segunda língua, 
na modalidade escrita. Acerca do trabalho pedagógico no currículo para surdos, 
voltado aos alunos surdos, devemos considerar um trabalho desenvolvido em um 
67
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
ambiente bilíngue, em um espaço em que se utilize a Língua de Sinais e a Língua 
Portuguesa. A educação bilíngue para surdos deve acontecer em período diurno 
ou noturno, isto é, no contraturno dos estudos desses alunos. 
Não podemos esquecer que o trabalho do currículo cultural para o ensino de 
Libras deve contribuir para promover um ambiente educacional bilíngue, por isso, 
o	professor	que	ministra	aulas	em	Libras	deve	ser	qualificado	para	evitar	a	prática	
do bimodalismo, ou seja, a mistura de Libras e Língua Portuguesa que são duas 
línguas de estruturas diferentes. 
Bimodalismo: É uma mistura de uso do oralismo e do português 
sinalizado ao mesmo tempo.
Agora você entende como é a Educação Bilíngue, mas e a posição dos alunos 
surdos na sala de aula? Como devemos trabalhar com eles, adaptando o jeito dos 
surdos? O importante é entender que a posição cultural dos alunos surdos na sala 
de aula mostra os resultados das mudanças de visão que os surdos têm hoje sobre 
“um	novo	jeito	de	ser	surdo”,	ou	seja,	sobre	“buscar	identificação	naquilo	que	rompe	
com	os	aspectos	que	envolvem	a	educação,	que	nos	entendia	como	deficientes”.
Assim, vemos como é a didática cultural para trabalhar com os alunos surdos, 
onde se encaixa no currículo cultural, por exemplo: 
Figura 14 – Didática aplicada em Libras 
Fonte: A autora.
68
Didática e educação de surdos
Sobre esta questão, estivemos dando aula na pós-graduação em 
Libras, na cidade de Ariquemes, no estado de Roraima. Ministramos 
um curso sobre como usar a Didática aplicada em Língua de Sinais. 
Os pós-graduandos procuraram entender como é o sujeito surdo sob o 
ponto de vista dos surdos. Aqui estamos nos referindo ao sujeito surdo, 
somos sujeitos diferentes, somos os outros, somos estranhos, como 
se fôssemos estrangeiros. Há uma visão dos surdos distinta da visão 
dos ouvintes. Como diz Hall (2000, p. 90), “o conceito de representação 
desenvolve-se como uma teorização sobre identidade e diferença”. 
Ainda sobre a questão da diferença e da identidade dos sujeitos surdos, 
Perlin	(2002,	p.	12)	analisa	as	afirmações	de	Hall:
Neste	contexto	Hall	deixa	espaço	para	pensar	as	significações	
que compõem as representações. É evidente a representação 
engloba	 determinadas	 significações	 como	 a	 alteridade,	 a	
diferença e a identidade. A representação é concebida como 
um	 sistema	 de	 significação	 culturalmente	 aceitável	 e	 está	
constituída	 de	 forma	que	 os	 pressupostos	 das	 significâncias	
híbridas perdem força e nesta medida vão sendo descartados. 
Deste	modo,	existe	um	contínuo	ventilar	de	significações	que	
promovem determinada cultura e captam-se ou descartam-se 
significações	que	pertencem	a	outras	culturas.	Este	processo	
não é estável de forma que dê o veredicto. De acordo com 
as constantes mudanças culturais, igualmente se percebem 
aspectos	 de	 tolerância	 para	 com	determinadas	 significações	
de outras representações culturais em vista da instabilidade 
cultural. 
Como podemos pensar sobre o que os sujeitos surdos querem e o seu 
significado	quando	nos	veem?	O	que	eles	pensam	sobre	nós?	Os	surdos	sempre	
se sentem como diferentes em virtude do uso da Língua de Sinais e de sua 
performance,	 mostrando	 sua	 expressão	 facial	 e	 corporal,	 como	 se	 flutuassem	
no ar com toda visualidade, seu olhar como representação cultural que molda 
os sujeitos surdos. Desse modo, temos possibilidade de cruzar as fronteiras das 
línguas, da Língua de Sinais e da Língua Portuguesa.. Assim somos sujeitos 
surdos, diferentes identitária e culturalmente. E o que temos dessa alteridade de 
nossa	subjetividade	surda?	Vamos	entender	o	significado	de	alteridade:	
A alteridade pode formar parte da diferença culturalentendida 
e aceitável. Sem que se tenha de pesquisar a cultura, ela pode 
imbuir-se de aspectos aceitáveis culturalmente nas marcas da 
identidade presente na cultura. Cultura e alteridade encontram-se 
juntas, ao mesmo tempo em que são diferentes. Contraditoriamente, 
a alteridade pode formar parte da diversidade cultural, pode sujeitar 
Para Hall (2000, 
p. 90), “o conceito 
de representação 
desenvolve-
se como uma 
teorização sobre 
identidade e 
diferença”.
69
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
o outro aos discursos da invenção da alteridade, do estereótipo, da 
marginalização. Não é por este prisma que pretendo atuar, mesmo 
que o reconheça como presente quando se trata de meu campo de 
pesquisa. (PERLIN, 2002, p. 16, grifo da autora).
Percebemos a importância de provarmos que o discurso 
hegemônico produzido na sociedade deve fazer com que o sujeito 
sinta e perceba forças culturais contraditórias e propostas discursivas 
homogenizadoras enquanto segue com a teoria cultural para a 
diferença.
Então, o que surge com essa nova teorização, a qual relaciona a 
nova didática cultural, envolvendo os sujeitos surdos do seu ponto de 
vista cultural como um “estranho, diferente e alteridade”, é uma forma de 
visão cultural sobre os surdos. 
Qual é a melhor estratégia de ensino através do cultural? Como 
podemos entender quem é o sujeito surdo? Como podemos usar 
a didática em Libras através do seu jeito de ensinar, do seu jeito 
cultural? Vamos trabalhar com essas atividades para descobrir qual é 
a melhor estratégia de ensino para alunos surdos.
Atividade de Estudos: 
1) O controle sobre o que o sujeito aprende ou para a construção do 
conhecimento como motivação política e de identidades? 
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2) Porque é importante usar a didática não como ouvinte, e sim 
ensinar de forma cultural?
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A alteridade pode 
formar parte da 
diferença cultural 
entendida e 
aceitável. Sem 
que se tenha 
de pesquisar a 
cultura, ela pode 
imbuir-se de 
aspectos aceitáveis 
culturalmente 
nas marcas da 
identidade presente 
na cultura.
70
Didática e educação de surdos
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3)	 No	filme	Sociedade	dos	Poetas	Mortos,	o	professor	de	Literatura,	
John Keating (Robin Williams), segue qual teoria do Currículo, 
tendo em vista que ele repele a ideia de métodos tradicionais 
imperativos da instituição escolar? 
Figura	15	–	Cena	do	filme	Sociedade	dos	Poetas	Mortos
	Fonte:	Disponível	em:	<http://stuffartie.com.br/blog/online/ff16-
sociedade-dos-poetas-mortos>. Acesso em: 30 jul. 2011. 
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4)	 No	 filme	Filhos	 do	Silêncio,	 o	 professor	 (Willian	Hurt)	 usa	 uma	
didática mais próxima, ou seja, Teoria Crítica, teoria em que 
pode discutir o que pensa, diferente da metodologia utilizada por 
outros professores com a qual não concorda. O professor procura 
melhorar a metodologia e, para isso, toma sua aluna (Marlee 
Matlin) como exemplo, pois ela realmente insiste em se inserir e 
continuar com a cultura surda. A partir disso, o pode ser elencado 
de	pontos	diferentes	entre	os	dois	filmes?	
71
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
Figura 16 – Cena do Filme Filhos do Silêncio
Fonte: Disponível em: <www.planetaeducacao.com.br>.
Acesso em: 30 jul. 2011. 
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5) Escolha qualquer uma das escolaridades, da Educação Infantil 
ao Ensino Superior, bem como um dos temas a seguir e faça 
um planejamento de aula para os alunos surdos. 
a - Cultura Surda
b - Identidades Surdas
c - Escrita de Língua de Sinais
d	-	 Significados	de	normalidade\anormalidade
e - Literatura Surda
f - Políticas Educacionais de Surdos
g - Histórica Cultural de Surdos
h - Dia dos Surdos
i - Dia do Índio Surdo
j - Crianças Surdas
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72
Didática e educação de surdos
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Caro pós-graduando, depois de discutir algumas questões sobre o currículo, 
os alunos surdos e a escola bilíngue, chegou a hora de discutirmos um pouco 
tanto sobre a pedagogia da diferença e o papel social do professor que estará 
em sala de aula com esses alunos. Cabe ressaltar que este é início de longo 
estudos, como vimos nos capítulos anteriores, a tecnologia é uma grande aliada 
para as pessoas surdas. E a cada dia que passa há mais pessoas preocupas que 
os surdos tenham uma vida normal e independente como as demais pessoas. 
Antes	do	fim	desse	capítulo	iremos	estudar	a	pedagogia	da	diferença	ou	dos	
surdos e situando a pedagogia do surdo, lembro a você que essas duas seções 
fazem parte da minha pesquisa de mestrado, então se você quiser aprofundar as 
discussões poderá baixá-la. 
http://www.ges.ced.ufsc.br/Dissertacao_Flaviane.pdf
Pedagogia	da	Diferença	ou	dos	Surdos	
A educação ocupa um lugar estratégico no pensamento dos professores 
surdos. Ela é a própria prática de que se ensina enquanto se produz o próprio 
processo de transgressão pedagógica. E segue uma nova pedagogia da diferença, 
mesmo que, como disse no início, nem todos os professores surdos tem a mesma 
estratégia. A preocupação em incentivar professores surdos capazes de transformar 
a pedagogia de surdos que está no povo surdo é sempre presente. Os professores 
surdos intelectuais traçam os caminhos da pedagogia dos surdos. Hoje, em dia, há 
uma articulação explícita entre educação e luta política. A educação traz um objetivo 
em si para guerrear a ignorância e a miséria, e também, é instrumento de atuação 
política contra os privilégios, as injustiças e todas as formas de exploração.
Temos claro que nós, professores surdos, já temos condições de entender 
sobre	a	questão	da	enfatização	da	pedagogia:	O	que	já	sabemos	e	fizemos	em	
Pedagogia? O que se vê hoje em dia, temos condições de saber e fazer? O que 
poderemos fazer com tudo isso? E, também, temos condições de responder sobre 
que	já	aconteceu	conosco,	o	ser	surdo.	Já	fizemos	muita	coisa	e	sabemos	fazer	
73
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
por nós próprios da pedagogia de surdos? Segue a narrativa da professora surda 
CH	 (2006),	 sua	 percepção	 sobre	 a	 pedagogia,	 sua	 identificação	 a	 diferenças	
pedagógicas existentes : 
Vou narrarsobre que pedagogia que temos em nossa 
escola. Formei-me em pedagogia há uns quase quatro anos 
atrás. Percebi que há muito tempo atrás não tinha nenhuma 
pedagogia	de	surdos,	não	tinha	o	que	especifica	a	Educação	
de Surdos para saber ensinar aos alunos surdos, estimular 
os surdos e entre outras coisas. Isso que eu me preocupo, 
a Educação de Surdos no Brasil e, também, principalmente 
nas cidades do interior, porque percebi que a pedagogia aqui 
na minha escola, é igual a pedagogia dos ouvintes, segue 
sua	pedagogia	normal	e	não	especifica	sobre	o	 surdo	como	
a pedagogia própria, ou seja com identidade surda, como 
aprender é igual aos dos ouvintes. 
 
É	outra	observação	que	fiz	no	sentido	da	pedagogia	que	o	professor	surdo	
estava usando na sala de aula onde demonstra a sua estratégia pedagogicamente 
clara sobre a sua concepção de diferença. Em seguida à minha observação do 
professor	surdo	FF(2006),	narrando	a	sua	profissão	de	pedagogia.	Ele	é	professor	
surdo, formado em outra área que não a pedagogia. Ele é professor surdo na sala 
de aula e sempre utiliza na disciplina de língua de sinais, que segue do currículo 
da escola. Adapta-a ao seu jeito usando a história dos surdos, cultura, língua 
escrita	 em	 sinais,	 classificador,	 narrativa	 de	 poesia,	 identidades	 surdas,	 entre	
outros assuntos associando-os ao mundo de surdos. 
Assim, na medida em que está por dentro dos Estudos Culturais a 
aproximação	ao	campo	da	Educação	de	Surdos,	justifica	que	ele	está	
recolhendo, adaptando e aproveitando metodologias que coincidem 
com a diferença neste caráter híbrido, tanto da educação no contexto 
moderno, quanto ao contexto dos Estudos Culturais. 
Neste contexto, portanto, de compreensão das diferenças, no qual 
está	sujeito	à	influência	das	mesmas	no	seu	processo	de	significação	
pessoal e de mundo, temos o surgimento da pedagogia da diferença, 
através dos Estudos Culturais, segundo veremos com o pesquisador 
Silva (2000, p.101):
Em	 certo	 sentido,	 “pedagogia”	 significa	
precisamente	 “diferença”:	 educar	 significa	
introduzir a cunha da diferença em um mundo 
que sem ela se limitaria a reproduzir o mesmo e 
o idêntico, um mundo parado, um mundo morto. 
É nessa possibilidade de abertura para um outro 
mundo que podemos pensar na pedagogia como 
diferença. 
Na medida em que 
está por dentro dos 
Estudos Culturais 
a aproximação 
ao campo da 
Educação de 
Surdos, justifica 
que ele está 
recolhendo, 
adaptando e 
aproveitando 
metodologias que 
coincidem com a 
diferença neste 
caráter híbrido, 
tanto da educação 
no contexto 
moderno, quanto 
ao contexto dos 
Estudos Culturais.
74
Didática e educação de surdos
Essa pedagogia da diferença induz uma nova construção, novas relações de 
poder, ligadas a novas estruturas discursivas, bem como narrativas e representação. 
O que se pode entender como a pedagogia da diferença, e o que quer dizer a 
diferença de que é o outro, além do seu respeito, Pardo (1996, p.154) diz: 
Respeitar	a	diferença	não	pode	significar	“deixar	que	o	outro	
seja como eu sou” ou “deixar que o outro seja diferente de 
mim tal como eu sou diferente (do outro)”, mas deixar que o 
outro seja como eu não sou, deixar que ele seja esse outro 
que não pode ser eu, que eu não posso ser, que não pode 
ser	um	(outro)	eu;	significa	deixar	que	o		outro	seja	diferente,	
deixar ser uma diferença que não seja, em absoluto, diferença 
entre duas identidades, mas diferença da identidade, deixar 
ser uma outridade que não é outra “relativamente ao mesmo”, 
mas que é absolutamente diferente, sem relação alguma com 
a identidade ou com a mesmidade.
Na pedagogia cultural trata-se de trabalhar, sempre, com as 
diferenças, reforçá-las, e enfatizar pelo seu próprio jeito de ensinar, 
ou seja, no caso dos surdos viver todas as suas experiências visuais, 
políticas e de representação. É por nossa alteridade que estamos 
sendo	desafiados,	como	professores	surdos.	Para	que	aconteça	esta	
pedagogia, é importante assumir a responsabilidade de orientar a 
própria diferença.
Com	tudo	isso,	torna-se	muito	importante	criar	um	novo	currículo	específico	
para os surdos. Os currículos além de sempre serem possíveis de apresentar 
novas estratégias pedagógicas, também necessitam de disciplinas que em suas 
práticas estimulam e promovam a identidade cultural. Ao utilizar na sala de aula 
a primeira língua como contação de histórias dos surdos, a utilização de recursos 
como poesia e narrativa dos surdos, isto levaria a uma maior consciência sobre a 
cultura surda. O ensino de uma forma escrita da língua de sinais dentro de uma 
disciplina de língua de sinais, além da discussão em torno da teoria de identidade 
surda, se apresenta como muito importante a transmitir aos alunos surdos. Isso 
é uma abordagem da pedagogia dos surdos que levaria em conta precisamente 
as contribuições da teoria cultural e da qual emergiria uma nova produção da 
identidade e da diferença do professor surdo na sala de aula. 
O que captei na observação do professor surdo, é que ele enfatiza a 
pedagogia da diferença e, também, se relaciona com a cultura de acordo com o 
jeito de ensinar de uma forma cultural que tem a realidade da cultura dentro da 
subjetividade dos sujeitos surdos. Por exemplo, observei que o professor surdo 
FF(2006) explicou na sala de aula a respeito da tecnologia para surdos, pois, 
sentem na mesma realidade deles. O jeito do professor surdo que ministrou na 
aula, segue em forma de diálogo: 
Na pedagogia 
cultural trata-se de 
trabalhar, sempre, 
com as diferenças, 
reforçá-las, e 
enfatizar pelo seu 
próprio jeito de 
ensinar, ou seja, no 
caso dos surdos 
viver todas as 
suas experiências 
visuais, políticas e de 
representação.
75
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
Os dados que vocês irão ler abaixo foram coletados durante a 
pesquisa de mestrado. 
O QUE TEM TECNOLOGIA PARA OS SURDOS? 
Responderam-lhe os alunos surdos: Mensagem do celular, TDD 
(telefone para surdos), televisão com legenda. O professor surdo logo 
acrescentou mais claramente a respeito da TDD. Mostrando o desenho 
do TDD numa propaganda comercial, explicou que é muito importante 
usar a experiência visual pelos surdos. Continuou explicando que tem 
uma empresa de São Paulo e que tem aparelhos à venda e está sob 
a responsabilidade de um surdo. Continuando a conversa sobre o 
responsável da empresa de São Paulo, explicou que este surdo foi a 
Porto Alegre deu uma palestra sobre a importância da tecnologia para 
os surdos e do TDD. Na palestra ele diz que há muitos ouvintes que 
usam o telefone público e os surdos também têm o direito de usá-los 
em qualquer espaço público. Sendo que é importante divulgar para os 
interessados poderem adquirir o TDD e também lutar para conseguir 
sua	 fixação	 em	 espaco	 público	 como:	 na	 prefeitura,	 em	 escolas	 e	
outros lugares. Na sua falta, explicou: os surdos podem sofrer por não 
ter conseguido comunicarem-se com os policiais, hospitais, bombeiros, 
etc em casos de emergência. Por isso é muito importante disponibilizar 
o TDD para os surdos poderem se comunicar com qualquer pessoa 
ouvinte em casos necessários. Explicou de uma forma clara para os 
surdos entenderem como funciona o centro de comunicação entre 
surdo e ouvinte: A este respeito ele fez uma dramatização na sala de 
aula sobre o uso do TDD: 
Surdo: Preciso falar com mamãe? 
Ouvinte: O que quer?
Surdo: Vou teatro sexta feira tarde, pode? 
Ouvinte (traduzindo oralmente para mãe) 
Mãe: Pode livre, mas cuidado. 
Ouvinte: (escrevendo para a surda) 
Surda: Por que cuidado? 
Ouvinte: (traduzindo para mãe) 
Mãe: tem namorado, tem respeitar. 
Ouvinte: (escrevendo para a surda) 
Surda:	Sério,	pare	brincar.	Eu	sei	respeito	e	fiel	meu	namorado.	
Tchau, beijos e abraços! 
Ouvinte: (traduzindo para mãe). E se desligou o TDD. 
76
Didática e educação de surdos
Sintetizou que é muito importante a comunicação entre a mãe 
ouvinte	 e	 a	 filha	 surda.	 E	 os	 alunos	 surdos	 iniciaram	 o	 diálogodesabafando com as histórias que acontecem com eles referentes 
ao telefone público. O professor surdo os deixou conversando sobre 
a importância do TDD em público. Respondeu todas as dúvidas 
dos alunos inclusive disse que a funcionária da empresa telefônica 
que	intermedia	a	ligação,	tem	a	sua	ética	profissional,	e	ela	não	vai	
transgredir o diálogo na hora de traduzir. Em caso de não ter ética, 
pode ser processada pelo Ministério Público, por isso é certo ter uma 
funcionária atendente ética. Explicou por que precisa uma funcionária 
para ter uma comunicação com qualquer pessoa que não tem TDD, 
em caso que o tenha, apenas liga direto.
E	 por	 finalizar,	 toda	 a	 tecnologia	 para	 os	 surdos	 são	 TDD,	
mensagem do celular, televisão com legenda, intérprete na TV, 
campainha luminosa, campainha para os bebês, internet e entre 
outros. 
O Professor surdo FF continuou perguntando: 
O que tem de comunicação sem tecnologia? E deu um exemplo 
que aconteceu na casa dele. 
Lá na minha casa só tinha uma pessoa surda, e um dia não tinha 
ninguém em casa, e também não tinha campainha luminosa. Quando 
veio uma pessoa apertar a campainha, o que aconteceu? O cachorro 
iniciou a latir. Claro que dá pra perceber que tinha gente apertando a 
campainha. O cão ajudava a atender as pessoas quando vinham 
apertar a campainha. Realmente é muito diferente, e até também se 
consegue comunicar com os cachorros através de sinais, mas não são 
todos, e apenas alguns sinais. Por exemplo: “sentar” e o cachorro senta; 
“rolar”e o cachorro rola. Neste caso, deve-se treinar com o sinal. Então 
o professor que explicou há um costume entre os surdos de treinar o 
visual, como no caso do cachorro que late e lembra a campainha da 
porta. E os alunos perguntaram então: se deve ensinar língua de sinais 
ao cachorro na idade precoce? 
O professor respondeu: Isso mesmo, só se for de cinco meses 
e se for tarde nunca vai conseguir aprender o sinalizar básico dos 
surdos	para	este	fim	como:	“comer”,	“passear”	etc.
Fonte: Disponível em: <http://www.ges.ced.ufsc.br/Dissertacao_
Flaviane.pdf>. Acesso em : 12 mar. 2011. 
77
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
Atividade de Estudos: 
1) A partir dessa conversa que você leu, converse com algumas 
pessoas que estão inseridas no contexto educacional, e ouça 
qual é a opinião delas sobre a educação bilíngue e a pedagogia 
escolar com a inserção de crianças surdas. A partir do que você 
ouviu escreva as suas impressões positivas e negativas a cerca 
da temática. 
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Entendo, portanto, essa pedagogia cultural como a possibilidade 
de aproximar a forma cotidiana de existência do sujeito com a sua 
prática de ensino. E que não se reduza a um conjunto de habilidades 
técnicas	 ou	 profissionais,	 a	 pedagogia	 dos	 surdos	 pretende	 ir	 além	
da sala de aula para desenvolver sua potencialidade. Ela mostra ser 
diferente da pedagogia tradicional, tem esta nova perspectiva, pois 
rompe com aquela. 
Lanço agora mão de um olhar sobre um professor surdo, neste 
emaranhado	 de	 significações	 e	 concepções.	 Trata-se	 de	 um	 sujeito	
surdo que por muito tempo permaneceu na sombra do professor 
ouvinte. Este professor surdo está reivindicando seu papel de agente 
formador, de identidade, de construtor da história. Isso tudo obviamente, 
com muita luta e resistência. Surgem aqui algumas perguntas: Há 
importância na identidade cultural do professor surdo? Que cultura 
é essa do sujeito surdo? Que identidades e concepções culturais o 
professor surdo têm passado aos seus educandos? 
Entendo, portanto, 
essa pedagogia 
cultural como 
a possibilidade 
de aproximar a 
forma cotidiana 
de existência do 
sujeito com a sua 
prática de ensino. E 
que não se reduza 
a um conjunto 
de habilidades 
técnicas ou 
profissionais, a 
pedagogia dos 
surdos pretende 
ir além da sala 
de aula para 
desenvolver sua 
potencialidade.
78
Didática e educação de surdos
Penso,	 portanto	 ser	 significativo	 para	 que	 possa	 ajudar	 o	 professor	 a	
desenvolver a sua cultura e entender sua história, construindo a sua identidade 
a partir da diferença. Nós, os professores surdos, vivemos, atualmente, a busca 
da	 identificação	 de	 nossa	 diferença	 porque	 tem	 o	 sentido	 da	 produção	 da	
subjetividade. O professor surdo que se relaciona com a cultura tem atitudes 
políticamente e poeticamente de produzir o seu jeito de ensinar, o seu jeito de 
percepção do aprendizado dos alunos surdos, o seu jeito de entender no que 
os alunos se explicam. E entre outras coisas tem contato com a mesma cultura, 
sendo que captei a narrativa da professora surda CH (2006) relacionando com 
a sua subjetividade: “Agora dentro da minha subjetividade o que é importante 
hoje, a pedagogia transforma muitas coisas porque as pessoas preocupam com a 
pedagogia, e como faz: é igual ou não, ou diferente, como? Como ensinar, precisa 
aprender? Não é isso, é importante perceber que o surdo, o que ele é?” 
Deste ponto de vista, o surdo não se considera como fazendo parte da 
diversidade e, sim, da diferença devido ao poder cultural e da sua subjetividade. Essa 
dificuldade	de	reconhecimento	é	percebida,	nas	palavras	de	Skliar	(1998,	p.	5):
...	 habitualmente	 se	 utilizam	 termos	 como	 “deficiência”	 ou	
“diversidade”, Estes, no geral, mascaram e neutralizam 
as possíveis conseqüências políticas, colocam os outros 
sob um olhar paternalista e se revelam como estratégias 
conservadoras para ocultar uma intenção de normalização. 
A	 diferença	 como	 significação	 política,	 é	 construída	 e	
socialmente;	 e	 um	 processo	 e	 um	 produto	 de	 conflitos	 e	
movimentos sócios, de resistências ás assimetrias de poder 
e de saber, de uma outra interpretação sobre a alteridade e 
sobre	o	significado	dos	outros	no	discurso	dominante.	
Vê-se que um professor surdo na sala de aula tem a sua liberdade em dar as 
suas aulas. Dentro da sala de aula regular ele é posto numa situação em que se 
lhe impõe uma aparente norma, ele é incluso dentro da diversidade. Muitas vezes, 
a inclusão está trabalhando na perspectiva da diversidade na escola regular, mas 
na verdade os surdos não estão dentro desta, porque ele é considerado como 
pertencente à diferença devido ao uso da sua própria língua, de sua cultura, de 
sua identidade. Um fato que pode atestar isto é o olhar de pedagogas (os) surdas 
(os) na sala de aula e de seu bom relacionamento com os alunos surdos devido 
ao	uso	de	mesma	língua	e	identificação	cultural.	
O que vejo ainda são surdos com identidades construídas, conforme diz 
Perlin (1998), nas múltiplas identidades, o que pode explicar a identidade dos 
surdos em geral para esclarecer quanto à sua diferença. 
Ao pontuar o conceito de que o surdo é diferente, é de se esperar que o 
professor surdo participe das lutas políticas pelo poder cultural, e a melhoria 
79
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
da educação dos surdos, é resultado das suas práticas devido à sua 
experiência que está por dentro da sua identidade cultural. É preciso 
refletir	 sobre	 a	 prática	 para	 buscar	 a	 defesa	 dos	 povos	 surdos.	
Particularmente, os professores surdos buscam desvendar as relações 
de poderes que subjugam e segregam a cultura surda. Isto vai depender 
do meio cultural em que estes surdos tiveram a sua experiência. 
Ser	 professor	 surdo	 pode	 significarpoder	 político,	 mas	 tem	 muitos	
professores surdos que não apresentam uma identidade surda porque 
alguns	deles	tiveram	desde	pequenos	influência	ouvintista.	
Isto pode prejudicar as relações entre o professor surdo e o aluno 
surdo. Por outro lado, há professores surdos que apresentam uma 
identidade	 surda,	 e	 conseguem	 ensinar	 fluentemente	 em	 língua	 de	
sinais, desenvolvem uma metodologia sem interferência dos padrões 
ouvintes. Estes teriam uma maior facilidade pra ensinar as crianças, 
para que elas pudessem ter a aquisição da língua e da sua identidade 
com	o	professor	surdo	como	a	identificação.	
Saliento em minha pesquisa o tipo de identidade do professor surdo: o 
hibridismo presente na atuação do professor surdo. O que acontece no momento 
de hibridismo, em relação das misturas, nos cruzamentos, sendo que é está no 
seu processo da construção a partir do ouvintismo devido da metodologia própria 
dos ouvintes. Este aspecto não fortalece a cultura surda devido ao domínio 
dos ouvintes, mas mesmo assim ele usa a língua de sinais sem metodologia 
pedagógica	própria	dos	surdos.	Enfim,	este	professor	surdo	não	possui	aspectos	
suficientes	da	identidade	cultural	à	sua	subjetividade.		
E também, sendo que um processo da construção de si mesmo ao ensinar 
para os alunos surdos mesmo sendo a sua subjetividade ou seja, de identidade 
surda, tem a sua cultura, usa a metodologia longe do domínio dos ouvintes. Cria a 
sua produção textual em língua de sinais, além de utilizar a sua própria língua, usa 
da resistência contra a prática dos ouvintismos. Que pode entrar numa relação de 
uma forma de negociação no espaço educacional onde tem o hibridismo presente 
na atuação do professor surdo. Segundo os autores Fleuri e Souza (2003, p. 62) 
que dizeram: 
[...] Nesse espaço do hibridismo, é provável que tenha 
acontecido o que Bhabha denomina processos simbólicos 
de negociação ou tradução, dentro de uma temporalidade 
que tornou possível a articulação de elementos antagônicos 
ou contraditórios. Tal espaço de hibridismo teria possibilitado 
a ultrapassagem das bases de oposição dadas (dominantes/ 
dominados). Não se trataria mais, nesse espaço de hibridismo, 
de uma coisa (dominantes), nem de outra (dominados), nem 
mesmo de uma superposição de ambas as 90 categorias 
 Ser professor 
surdo pode 
significar poder 
político, mas tem 
muitos professores 
surdos que não 
apresentam uma 
identidade surda 
porque alguns 
deles tiveram 
desde pequenos 
influência 
ouvintista. 
80
Didática e educação de surdos
(dominantes e dominados), mas de um entrelugar que 
contestaria os termos e o território de ambas as categorias. 
Isso possibilita ir além e despertar o desejo de outro lugar e 
de	outra	coisa	que,	nesse	caso,	poderia	ser	identificado	como	
novas possibilidades de relações pessoais e sociais entre 
sujeitos marcados por uma política de diferenças. 
É muito importante ter um espaço de negociação com os outros professores 
quando interver na cultura dos surdos, mas também é importante aceitar os 
professores ouvintes que conhecem a língua de sinais. E o que acontece dentro 
na sala de aula, é importante esclarecer para aceitar a nossa cultura, a nossa 
identidade, a nossa língua para respeitar os professores surdos no espaço 
educacional, e os surdos podem respeitar a cultura dos professores ouvintes 
dentro de um contexto político. Importa que continue acontecendo a resistência 
contra as práticas dos ouvintismos para não produzir a exploração e dominação 
de uns aos outros. 
Assim, que surge uma complexa relação de negociação, a partir de uma 
necessidade de fronteira cultural, que intervem á nossa cultura de que os 
professores que constroem aos alunos surdos a ter cultura dentro de um espaço 
educacional mas é importante ter a relação que pode ajudar a estimular. Conforme 
o autor Bhabha (1998, p. 27) que diz: [...] “fronteira cultural”, uma “borda deslizante 
e intervalar nas relações”, que estimula “o desejo de reconhecimento de ‘ outro 
lugar’ e de outra coisa”. 
Mais	um	desafio	é	o	de	elaborar	a	nova	metodologia	de	que	os	professores	
surdos querem, porém, se situa como a pedagogia da diferença, onde é 
considerado	 ser	 diferente	 dos	 outros.	 E	 a	 partir	 desse	 desafio,	 ele	 também	
pode acontecer dentro do sistema de negociação entre os professores surdos e 
ouvintes para valorizar o espaço educacional.
Neste recente despertar para o contexto pedagógico, aceita a diferença dos 
professores surdos, a partir da pedagogia da diferença, que é considerada que o 
conceito é uma celebração nos processos de negociação, há de ir e vir, há o retorno, 
há resistência, há a marcação da diferença para garantia de acesso e igualdade. Na 
prática	ainda	tem	alguma	influência	dos	ouvintes,	só	que	ainda	continuam	resistindo	
enquanto professores surdos despertam pelo próprio de si mesmo e o que eles 
podem ser independentes de fazer a partir da transgressão pedagógica. 
Portanto, quanto o hibridismo presente na atuação do professor surdo dentro 
de um contexto de dependência colonial e negociação, o que deve situar essa 
pedagogia dos surdos, sendo o que se situa nele na área da Educação de Surdos. 
Na próxima seção iremos situar essa pedagogia na perspectiva dos surdos.
81
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
Situando	a	Pedagogia	dos	Surdos	
A pedagogia dos surdos é uma tentativa de reconstruir no espaço 
educacional da experiência visual, das políticas e histórias passadas 
aos alunos surdos. Apesar dos esforços dos professores surdos, 
ela ainda é desconhecida. Pesquisas estão sendo feitas, tímidas, 
insistentes. A chance da pedagogia da identidade enquanto pedagogia 
de surdos depende do que ela expressa e os trabalhos atuais que ela 
motiva. 
Como o meu objetivo era focalizar a prática dos professores 
surdos na sala de aula para chamar atenção sobre o despertar desta 
pedagogia que é diferente daquela os professores ouvintes, para ativar 
à pedagogia de surdos. A sua diferença se dá devido à cultura, ou 
seja: à língua de sinais, à identidade, à diferença. Aborda elementos 
condizentes às necessidades pedagógicas dos surdos. Os professores 
surdos estão despreparados em relação a ela. É em sala de aula, 
que iniciam a entender e a atender a atualidade da transformação 
pedagógica que se processa. 
Percebo agora que os professores surdos vivem em inquietações 
constantes.E a sua ansiedade pela pedagogia de surdos na sala de aula já a 
ultrapassa. Nota-se que quase nunca deram espaço e atenção aos professores 
surdos. Cada professor tem idéia que está ligada a interesses pela nova produção 
cultural, em particular, nas suas relações com o poder e conhecimento. Conforme 
o autor McLaren (1997, p. 182): “Minha perspectiva agora não é apontar um dedo 
inquisidor	para	qualquer	grupo	específico	de	pessoas,	mas	sim	para	as	ideologias,	
estruturas e mitos que ajudam a reproduzir nossa presente cultura”. 
E o que acontece nos professores surdos? Eles estão situando, 
reforçando, mostrando as estratégias de tornarem a pedagogia dos 
surdos	presentes.	Identificam	seus	locais,	locais	onde	eles	podem	sentir	
à vontade de ensinar e usar os instrumentos desta pedagogia. Isto 
concorre para ganhar o seu valor e senso de controle de negociação no 
espaço educacional cultural.
Assim, trago aqui o trabalho da pedagogia dos surdos para que 
não seja de uma forma oculta que encara o poder. É importante mostrar 
o sucesso dos professores surdos que trabalham de maneira de uma 
forma própria cultural. 
Geralmente, os professores ouvintes alguns não têm experiência 
nem conhecem a verdadeira Educação de Surdos, somente só 
preocupam com os alunos: saber falar, ler e se integrar com os alunos 
A pedagogia 
dos surdos é 
uma tentativa 
de reconstruir 
no espaço 
educacional da 
experiência visual, 
das políticas e 
histórias passadas 
aos alunos 
surdos. Apesar 
dos esforços 
dos professores 
surdos, ela ainda 
é desconhecida. 
Pesquisas estão 
sendo feitas, 
tímidas, insistentes.Geralmente, 
os professores 
ouvintes alguns não 
têm experiência 
nem conhecem 
a verdadeira 
Educação de 
Surdos, somente só 
preocupam com os 
alunos: saber falar, 
ler e se integrar 
com os alunos 
ouvintes 
e mais nada.
82
Didática e educação de surdos
ouvintes e mais nada. A minha visão sobre professores ouvintes e surdos é que 
têm um pouco complexo de conhecimento e se preocupa como tomar essa 
iniciativa como educar e relacionar com os alunos surdos devido à falta de 
conhecimento	específico	e	de	metodologias	culturais	para	os	surdos.	
Como o autor McLaren (1997, p. 266) disse:
Os esforços atuais de reformas demonstram uma falta de 
vontade de construir e sustentar um projeto político claramente 
articulado, no qual a pedagogia possa ser relacionada à criação 
de práticas educacionais e referentes morais necessários para 
a construção de uma esfera pública democrática. 
Por isso, escolhi esse tema da prática do professor surdo, sua política e 
poética de transformação da pedagogia dos surdos. É claro que isto envolve nosso 
conhecimento sobre a pedagogia de surdos. E, também, para que a nossa educação 
seja cada vez mais respeitada, valorização devida à língua de sinais, nossa cultura, 
nossa diferença em sua nova metodologia. O que me preocupou nessa pesquisa foi 
procurar aquele lado onde a pedagogia dos surdos existe com alguns professores 
surdos. Para mim, todos os professores surdos que desenvolvem esta pedagogia 
dos surdos a desenvolvem como uma política pedagógica, que traz marca da sua 
identidade, sua diferença, ao questionarem, reconhecer e celebrar a identidade e 
até os pedagogos surdos acolhem o surdo como é na sua diferença com o ouvinte. 
Como diz Nuria Pérez de Lara (2003, p.11) em seu prefácio ao livro de Carlos Skliar: 
“Então, o que é dado se apresenta diante de nós como algo que não só não deve 
ou não pode ser superado como também como o que está ainda por ser alcançado 
em sua plenitude, visto que é o desejável”. 
A pedagogia dos surdos está aí, aguardando melhores dias, 
aguardando ser despertada, descrita, narrada, contada com as 
ferramentas que os Estudos Culturais têm. Mesmo que tivesse 
perspectivas em vista da formação pedagógica dos surdos e o olhar pela 
pedagogia da diferença devido à centralidade da cultura, da primeira 
língua, da identidade surda, de forma totalmente diferente, sei que a tarefa 
de	descrevê-la	é	instigante.	O	importante	é	ter	a	reflexão	pedagógica	na	
prática educativa que resgata a possibilidade de criar, moldar, imaginar e 
dramatizar, representar o seu mundo construindo-se como cidadãos em 
seu cotidiano escolar. Como diz McLaren (1997,p. 31): 
No centro desta posição está a necessidade de desenvolver 
modos de investigação que examinem não apenas como a 
experiência é moldada, vivida e tolerada dentro de formas 
sociais particulares, tais como as escolas, mas também como 
certos aparatos de poder produzem formas de conhecimento 
que legitimam um tipo particular de verdade e estilo de vida. 
 
O importante é 
ter a reflexão 
pedagógica na 
prática educativa 
que resgata a 
possibilidade 
de criar, moldar, 
imaginar e 
dramatizar, 
representar o seu 
mundo construindo-
se como cidadãos 
em seu cotidiano 
escolar.
83
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
 A meu ver, têm os professores surdos estão preparados pedagogicamente 
e produzem formas de conhecimento que se aplica na Educação de Surdos e um 
novo terreno se apresenta uma experiência de que é moldada e vivida, mas a 
pedagogia dos surdos parece ser realidade. Eles têm língua de sinais, aos poucos 
descobrem que necessitam de instrumentos que os capacitem a exercer a função 
docente. Para buscar os instrumentos para o seu aperfeiçoamento, é necessária 
a busca na área pedagógica. 
 
Ao	identificar	seu	problema,	ocorrem	pequenas	mudanças,	porém	
tem sido lentas e ainda pouco profundas, especialmente nas escolas de 
surdos	ocupadas	por	profissionais	ouvintes	na	maioria.	Como	espaço	
ocupado	por	profissionais	surdos,	estas	escolas	precisam	incorporar	e	
endossar as novas práticas. 
Essas escolas de surdos oferecem espaço a mudanças, embora 
seus resultados exaustivamente não sejam notados e comprovados 
como	 eficientes	 e	 seus	 procedimentos	 chegam	 muitas	 vezes	 a	
passarem	 despercebidos	 em	 pressupostos	 científicos	 que	 apontam	
caminhos bastante claros e possíveis.
Entendo o professor surdo como o sujeito surdo possuidor de uma cultura e 
membro do povo surdo no sentido de uma diferença cultural que, devido à língua 
e cultura, também desenvolveu um meio de relacionar-se, construir história e 
compartilhar as mesmas experiências, ou seja, se de alguma forma esse sujeito 
foi privado ou privou-se de estar inserido nesta cultura constituída pelos sujeitos 
surdos	através	dos	tempos,	a	esse	sujeito	definimos	como	identidade	diferente	de	
identidade cultural surda e não como surdo no contexto da palavra. 
Vê-se, a identidade do professor surdo como possível de transgressão, sem 
negar, no entanto a possibilidade também de estagnação a forma como foi moldada, 
segundo a pesquisadora surda, Perlin (1998, p.52): “A identidade é algo em questão, 
em construção, uma construção móvel que pode freqüentemente ser transformada 
ou estar em movimento, e que empurra o sujeito em diferentes posições”. 
O	 professor	 surdo	 culturalmente	 identificado	 deve	 estar	 inserido	 no	 povo	
surdo que segundo a pesquisadora surda Padden se presume: 
Uma comunidade surda é um grupo de pessoas que vivem 
num determinado local, partilham os objetivos comuns dos 
seus membros, e que por diversos meios trabalham no sentido 
de alcançarem estes objetivos. Uma comunidade surda pode 
incluir pessoas que não são elas próprias Surdas, mas que 
apóiam ativamente os objetivos da comunidade e trabalham 
em conjunto com as pessoas Surdas para alcançá-los. 
(PADDEN, 1998, p.58).
 
Ao identificar 
seu problema, 
ocorrem pequenas 
mudanças, 
porém tem sido 
lentas e ainda 
pouco profundas, 
especialmente 
nas escolas de 
surdos ocupadas 
por profissionais 
ouvintes na 
maioria.
84
Didática e educação de surdos
Meu argumento sobre este professor surdo interroga a partir da perspectiva 
do	sujeito	colonizado.	Vejo	também,	no	campo	escolar,	a	influência	do	ouvintismo 
nas práticas pedagógicas do professor surdo, que tende a moldar-se naquilo que 
ao ouvinte parece correto, entendo a presença do ouvintismo como: 
Ouvintismo: Trata-se de um conjunto de representações dos 
ouvintes, a partir do qual o surdo está obrigado a olhar-se e a narrar-
se como se fosse ouvinte. Além disse, é nesse olhar-se, e nesse 
narrar-se	que	acontecem	as	percepções	do	ser	deficiente,	do	não	ser	
ouvinte; percepções que legitimam as práticas terapêuticas habituais. 
(SKLIAR, 1998, p.15).
 
Ele tece um enunciado que é motivado pela compulsão colonial. Perlin deixa 
clara esta interferência do problema da questão da imposição cultural sobre a 
identidade do professor surdo. É evidente que as identidades surdas assumem 
formas multifacetadas em vista das fragmentações a que estão sujeitas face à 
presença do poder ouvintista que lhes impõem regras, inclusive, encontrado no 
estereótipo surdo uma resposta para a negação da representação da identidade 
surda ao sujeito surdo. 
Para representar o professor surdo, me baseio nos conceitos 
definidos	 por	 Hall	 (2000)	 e	 entendo	 representação	 como	 sendo	 o	
processo	pelo	qual	a	 linguagem	é	utilizada	para	produzir	 significados	
culturais. É fundamental procurar perspectivas não no campo que 
comumente é trabalhada a Educação de Surdos; educação especial, 
medicalização da surdez, supervalorização da incapacidade. Não o 
discurso do campo da educação especial pois a mesma passou, assim 
como os demais conceitos criados pela modernidade, a vestir uma 
aparência bem aguda e estereotipada. Analisando, por exemplo, os 
Planos Nacionais de Educação Especial, podem perceber a indução de 
certa “Pedagogia Corretiva” que tenta corrigire “normalizar” o surdo. 
Lunardi	(2004,	p.23),	afirma	que:	
 
A educação especial como um dispositivo de normalização, ao 
diagnosticar a surdez como uma anormalidade, lança mão de 
suas	estratégias	 terapêuticas	e	corretivas,	a	fim	de	docilizar,	
disciplinar, “ouvintizar” os sujeitos em indivíduos produtivos e 
governáveis para os pressupostos da epistême moderna. 
Acredito que neste contexto os Estudos Surdos se aliam aos Estudos 
Culturais.	Encontrei,	portanto	neste	campo	muitas	 identificações,	principalmente	
É fundamental 
procurar 
perspectivas 
não no campo 
que comumente 
é trabalhada 
a Educação 
de Surdos; 
educação especial, 
medicalização 
da surdez, 
supervalorização 
da incapacidade.
85
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
quando passamos a olhar além da carga pejorativa e clínica embutida na visão 
tradicional como sujeito da episteme moderna, segundo propõe Skliar: 
As idéias dominantes, nos últimos cem anos, são uns claros 
testemunhos do sentido comum segundo o qual os surdos 
correspondem, se encaixam e se adaptam com naturalidade 
a um modelo de medicalização da surdez, numa versão que 
amplifica	 e	 exagera	 os	mecanismos	 da	 pedagogia	 corretiva,	
instaurada nos princípios do século XX e vigente até nossos 
dias. Foram mais de cem anos de práticas enceguecidas 
pela tentativa de correção, normalização e pela violência 
institucional; instituições especiais que foram reguladas tanto 
pela	caridade	e	pela	beneficiência,	quanto	pela	cultura	social	
vigente que requeria uma capacidade para controlar, separar 
e negar a existência da comunidade surda, da língua de 
sinais, das identidades surdas e das experiências visuais, que 
determinam o conjunto de diferenças dos surdos em relação a 
qualquer outro grupo de sujeitos. (SKLIAR, 1998, p. 07). 
É	 o	 sujeito	 transcendental	 e	 único,	 o	 sujeito	 que	 na	 definição	
kantiana é, simultaneamente, o sujeito cognoscente e objeto 
de seu próprio conhecimento. Para Veiga-Neto (2000), o sujeito 
compreendido pelo pensamento moderno representa as concepções 
de	sujeito	instauradas	pela	filosofia	platônica	e	pela	tradição	hebraica,	
que mais tarde foram retomadas pelo Cristianismo, Humanismo e 
Idealismo Alemão.
Na pedagogia, pode voltar então à adaptação do trabalho a ser feito sobre 
o	 professor	 surdo,	 agora	 baseados	 em	 um	 novo	 olhar,	 que	 reflete	 o	 antigo	 e	
situa	a	pedagogia	de	surdos	do	novo.	A	respeito	desta	reflexão	pode	destacar	o	
pensamento de Klein sobre a luta para a pedagogia da diferença. 
Dirigindo nosso olhar aos ‘movimentos’ surdos, encontramos 
uma história de lutas em diferentes sentidos, na qual se 
procura marcar, entre os próprios surdos e a sociedade em 
geral, questões referentes a sua língua, suas identidades, 
sua cultura. Uma das marcas mais efetivamente colocadas 
diz respeito ás formas de entender a surdez e a experiência 
do estar sendo surdo a partir da diferença. Podemos 
problematizar	daí,	a	relação	de	significados	entre	diversidade,	
termo tão disseminado nas políticas públicas, e diferença, 
assumida por diferentes grupos, entre os quais, os dois 
surdos. (KLEIN, 2004, p. 88). 
Na perspectiva agora dos Estudos Culturais, partimos então da idéia do 
sujeito surdo como possuidor de uma cultura própria e na relação de sua cultura 
86
Didática e educação de surdos
com as diferentes culturas existe relações de poder e dominação que 
devem ser questionadas. Os Estudos Culturais podem fundamentar as 
ações educativas para a diferença comprometidas com a construção 
de uma pedagogia dos surdos fundada na convivência entre identidades 
culturais e surdas. Para que isso ocorra é necessário que sejam 
questionada as relações de poder assimétricas que se manifestam nas 
atitudes preconceituosas e excludentes.
Ao permitir analisar a atuação do professor surdo, pretendi 
ver também de que forma sua postura tem sido determinada pela 
cultura dominante para que, caso seja necessário, possa ocorrer a 
desconstrução das “condições que têm impedido outras pessoas de 
falar em locais onde aqueles que são privilegiados em virtude do legado 
do poder colonial assumem a autoridade e as condições para a ação 
humana” (GIROUX,1999, p.39). 
Minha pretensão, portanto, com base nessas premissas teóricas, e com a 
perspectiva analítica aqui retratada, foi de caracterizar o professor surdo dentro 
da	sala	de	aula,	identificar	a	existência	do	hibridismo	cultural,	tentando	desvendar	
e fornecer ferramentas para a atuação competente e completa do docente surdo. 
Contudo não se consegue fugir ainda da visão do coletivo que produz estes 
discursos e práticas: a que patologiza a relação professor ouvinte e aluno surdo, 
colocando	este	como	deficiente,	tomam	seu	discurso,	sempre	imperfeito	na	forma,	
com locuções muitas vezes só compreendidas em parte, escrita incorreta, como 
uma voz que há de ser muito pouco levada em conta. E faz tudo para o surdo e 
desvaloriza suas contribuições à pedagogia dos surdos visto que ela é invisível. 
Como por exemplo: quando as explicações feitas em uma língua incompreensível, 
não surtem efeito, o surdo permanece à deriva, diz-se que não se esforça para 
aprender, não se sabendo ver o outro lado nobre e rico da pedagogia dos surdos. 
Então	penso	como	 identificar	esses	problemas	nesta	pesquisa	
para que eles estejam claros, por enquanto tem algumas pesquisas 
para	 tomar	 essa	 reflexão	 diante	 das	 perguntas:	 Todo	 surdo	 é	
adaptado para fazer acontecer a pedagogia dos surdos? De que 
modo a pedagogia dos surdos se apresenta no cotidiano do professor 
surdo? Ela é perceptível, palpável, pode ser adaptada? Como ela 
afeta a vida do professor surdo e do aluno surdo?
Os Estudos 
Culturais podem 
fundamentar as 
ações educativas 
para a diferença 
comprometidas 
com a construção 
de uma pedagogia 
dos surdos 
fundada na 
convivência 
entre identidades 
culturais
e surdas.
87
O Currículo na Educação de SurdosCapítulo 4
Para	 finalizar	 este	 capítulo,	 esperamos	 que	 você	 tenha	 gostando	 dessa	
reflexão	a	respeito	do	currículo	e	de	como	usar	a	didática	para	os	alunos	surdos,	
respeitando o seu jeito de ensinar de uma forma cultural. 
Não se esqueça de que o nosso objetivo é contribuir para que a educação 
não	permaneça	com	a	visão	dos	deficientes,	mas	apresente	orientações	práticas	
que ressaltem nossa diferença a partir da visão cultural. 
E o currículo dos alunos surdos? Como devemos trabalhar com os alunos 
surdos nos espaços educacionais a partir da sua identidade cultural? 
Também não se esqueça de como é importante que o currículo esteja 
plenamente adaptado à identidade cultural para que se possa trabalhar com base 
nesta nova metodologia. 
Algumas	Considerações	
Ao longo deste Caderno de Estudos, vimos o currículo na Educação de 
Surdos, aprendemos como usar o currículo por meio do jeito cultural dentro 
da identidade cultural e as diversas possibilidades de identidade, bem como a 
questão da diferença e da alteridade como ponto de fuga da representação 
proposta pelo ouvintismo. Também evidenciamos a necessidade de usar um 
material didático adequado a este sujeito e priorizar o ensino de Língua de Sinais, 
que se encaixa na cultura surda. Ressaltamos que é preciso analisar a didática 
aplicada em Língua de Sinais nas escolas de surdos para captar essa prática dos 
professores surdos, para entender o jeito como eles ensinam para alunos surdos. 
Precisamos	refletir	e	perguntar	a	nós	mesmos	o	que	é	currículo	para	surdos?	
A resposta pode variar muito e pode depender da visão de mundo que se tem, mas 
é importante perguntar a opinião dos professores surdos, o que pensam desse 
currículo adequado à cultura surda e o que pensam que deve ser inserido na 
grade curricular? Devemos pensar sobre como situar o papel do professor surdo 
nas escolas de surdos e a visão dos ouvintes sobre ele, bem como o currículo na 
Educação de Surdos. Por isso, é importante trabalhar nessa prática para perceber 
como é o jeito cultural de se ensinar paraalunos surdos na sala de aula de uma 
forma	 diferenciada,	 específica	 e	 bilíngue,	 promovendo,	 assim,	 a	 transgressão	
pedagógica dos professores surdos. 
Sucesso!
88
Didática e educação de surdos
Referências	Bibliográficas:	
BHABHA, Homi K. O Local da Cultura. Tradução de Myriam Ávila, Eliana 
Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renate Gonçalves.Belo Horizonte: Ed. UFMG, 
1998.
FLEURI, R.M. Educação intercultural. Mediações necessárias. In: FLEURI, 
Reinaldo; SOUZA, Maria. Entre limites e limiares de culturas: educação na 
perspectiva intercultural. DP&A, 2003. p. 75-89. 
GIROUX, Henry. Cruzando as fronteiras do discurso educacional: Novas 
políticas em educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.
HALL, Stuart. Quem precisa de Identidade? In: SILVA. Tomaz T. (Org.). 
Identidade e diferença: A perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 
2000.
HESSEL, Carolina Silveira. O currículo de Língua de Sinais na Educação de 
Surdos. 2006. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de 
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