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Nara Stefano Ferramentas da Qualidade Unidade 4 Livro didático digital Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ANDRÉA CÉSAR PEDROSA Projeto Gráfico MANUELA CÉSAR ARRUDA Autor NARA STEFANO Desenvolvedor CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS Olá. Meu nome é Nara Stefano. Tenho Pós-Doutorado em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina, tenho Doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina. Fiz Mestrado em Engenharia de Produção, com ênfase na área da qualidade e Produtividade da Universidade Federal de Santa Maria. Graduação em Economia pela Universidade Federal de Santa Maria. Com experiência empresarial na área de Economia e Administração com ênfase em Economia Industrial, Métodos Quantitativos e Custos. Faço diversas assessorias e consultorias em empresas de serviços (pequeno e médio porte) com relação à gestão e implementação de métodos de custeio, principalmente o Activity Based Costing, com várias implantações desses sistemas. Atuo, principalmente, nos seguintes temas de pesquisa: melhoria da performance dos negócios utilizando inteligência artificial (lógica fuzzy) e avaliação do desempenho; avaliação e diagnóstico da aprendizagem tecnológica em incubadoras; evidenciação da Gestão do Conhecimento e Capital Intelectual em empresas de médio e grande porte; implantação de Planejamento Estratégico e Sistemas da qualidade; Gestão de custos; Gestão em serviços; Análise multicriterial; Gestão da inovação e empreendedorismo. Tenho mais de 5 anos de experiência na elaboração de materiais para EaD, experiência em escrita e revisão de livros na área de Administração, Economia, Contabilidade, Logística e Engenharia de Produção. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! Autor NARA STEFANO INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimen- to de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser prioriza- das para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofun- damento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma ativi- dade de autoapren- dizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; Iconográficos Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo pro- jeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: SUMÁRIO Introdução......................................................................................10 Competências................................................................................11 Desdobramento da função qualidade (QFD) e benchmarking...............................................................................12 O que é QFD (função da qualidade ou quality function deployment)?.........................................................................................................12 Versões do QFD e a matriz da qualidade........................................20 Aplicabilidade e benefícios do QFD....................................................27 Benchmarking.....................................................................................................34 Bibliografia.....................................................................................48 Ferramentas da Qualidade 9 UNIDADE 04 Ferramentas da Qualidade10 Em um mercado cada vez mais competitivo as empresas enfrentam grandes desafios principalmente para atender às necessidades de seus clientes e funcionários. As incertezas e riscos têm contribuiu para tornar a liderança e o gerenciamento particularmente complexos e difíceis. As organizações são obrigadas a incorporar todos os esforços para melhorar continuamente seus produtos e serviços para melhor satisfazer seus clientes e, ao mesmo tempo, obter lucros e aumentar sua competitividade. A eficácia da melhoria do produto realizada em diferentes estágios varia significativamente. Assim, se, por exemplo, o retorno relativo do esforço de melhoria realizado nos estágios de fabricação, embalagem e entrega for de um para um. O mesmo esforço realizado no estágio de design e planejamento do produto renderia retornos em uma ordem superior a dez para um, pois os problemas seriam evitados numa fase anterior e envolvidos não teriam que enfrentar esses tipos de problemas. Para tanto existem “meios” para melhorar esse contexto. Pois é, a implantação do QFD ou função de qualidade é uma ferramenta útil que pode ajudar uma empresa a avançar para um desenvolvimento de produto mais proativo. Mas além do QFD há também o benchmarking que atua na melhoria dos processos, e essas ferramentas podem ser utilizadas juntas ou separadas. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo das ferramentas da qualidade! INTRODUÇÃO Ferramentas da Qualidade 11 Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Conhecer a ferramentas QFD (função da qualidade ou quality function deployment). 2. Verificar as versões do QFD e matriz da qualidade. 3. Analisar a aplicabilidade e os benefícios do QFD. 4. Conhecer o benchmarking. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! COMPETÊNCIAS Ferramentas da Qualidade12 Desdobramento da função qualidade (QFD) e benchmarking Ao término deste capítulo você será capaz de entender como operacionalizar a ferramenta QFD e o benchmarking, sendo essas ferramentas em conjunto ou separadas. Mas é importante alertar que o uso dessas ferramentas assim como qualquer requer cautela e conhecimento. Pois, profissionais que tentaram utilizar essas ferramentas sem a devida instrução e conhecimento tiveram problemas ao coloca-las em prática. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! O que é QFD (função da qualidade ou quality function deployment)? A qualidade do design, do planejamento e desenvolvimento dos produtos, portanto, envolve muito mais do que o design do produto ou serviço e sua capacidade de atender aos requisitos do cliente. A adequação do processo de design real tem uma influência profunda no desempenho de qualquer organização e muito pode ser aprendido examinando empresas de sucesso e como suas estratégias de pesquisa. Pois, design e desenvolvimento estão ligadas aos esforços de marketing e operações. Neste contexto temos o QFD (Quality Function Deployment). O QFD foi desenvolvido no Japão e surgiu no final dos anos 1960, como um novo método para o desenvolvimento de novos produtos, entre as várias atividades do TQM (Total Quality Management ou Gestão da qualidade total). Havia duas razões principais para o desenvolvimento desse método: (1) como projetar um produto que pode atender aos requisitos do cliente e (2) a necessidade de elaborar gráficos de controle de qualidade do processo, antes da produção real. Ferramentas da Qualidade 13Embora o método QFD fosse simples, foi dito como um avanço considerável em relação aos auxílios até então praticamente inexistentes ao planejamento de projeto. Em particular, produziu um efeito estimulante dentro da corporação nos esforços do pessoal envolvido para trabalhar com o método. O que torna o QFD (Figura 1) único é que o foco principal são os requisitos do cliente. O processo é conduzido pelo que o cliente deseja, não por inovações em tecnologia. Consequentemente, é necessário mais esforço para obter as informações necessárias para determinar o que o cliente realmente deseja. Figura 1 – Quality Function Deployment (QFD) Fonte: Freepik Em 1984, Don Clausing introduziu o QFD na Ford, em eu foi implementado como um método estrutural. Assim, o QFD tem estado associado a outros métodos, como os métodos estatísticos de Taguchi para redução de “ruído” ou o AHP (Processo Hierárquico Analítico) ou a análise FMEA (Análise de Modos de Falhas e Efeitos), a fim de fornecer suporte integrado ao planejamento do projeto. Ferramentas da Qualidade14 IMPORTANTE: O criador do QFD, Akao, descreve-o como um método para desenvolver qualidade no planejamento de produtos e serviços que visa satisfazer o cliente. Em seguida, traduzir a demanda do cliente em metas de planejamento e nos principais pontos de garantia de qualidade a serem utilizados durante toda a fase de produção. Quando tratamos do QFD é importante destacar que esse método surgiu focado no processo de desenvolvimento de novos produtos (e posteriormente serviços), então vamos dar uma olhada nesta temática? Primeiro, devemos esclarecer o termo “produto’ e para isso precisamos entender o que diferencia um produto físico de um “serviço”. Existem dois aspectos principais (MARITAN, 2015): I. Um serviço é intangível em comparação com um produto. Assim, como um produto é um objeto identificado por características físicas e palpáveis, um serviço é identificado apenas pelo desempenho. É difícil padronizar um serviço e, aplicar o conceito de conformidade a especificações típicas do setor manufatureiro. Além disso, é complexo avaliar e gerenciar a qualidade de um serviço: testes e verificações são muito complexos, tão complexos quanto entender como o usuário final percebe a qualidade oferecida. II. A oferta contemporânea de um serviço contrasta com a sequencialidade dos processos de produção e consumo do produto. Um serviço não pode ser separado do contexto de seu fornecimento e consumo enquanto um produto pode ser. Um serviço não pode ser armazenado. Como consequência, a falta de qualidade em um serviço é transferida diretamente para o consumidor, sem a possibilidade de corrigi-lo. O impacto do comportamento Ferramentas da Qualidade 15 humano em um serviço é muito forte, mas menor em um produto. Com um serviço, existe um problema de coerência em relação ao comportamento de todas as pessoas envolvidas e sua confiabilidade. Apesar das dificuldades de gerenciamento inerentes a um serviço, o cliente (Figura 2) consome uma experiência entregue por um produto e não pelo próprio produto físico. Há uma tendência crescente na manufatura de avançar para produtos altamente personalizados, a serem oferecidos em um ambiente volátil. Figura 2 – O cliente Fonte: Freepik O conceito de customização em massa refere-se a um processo de planejamento de código de cliente de produtos e serviços; os compradores de produtos manufaturados querem mais do que o próprio produto físico. Em outras palavras, nós, como clientes, sempre queremos uma combinação complexa de produtos e serviços (PSS – Product-Service System ou Sistema Produto-Serviço), que podem ser mais ou menos inclinados a um objeto ou serviço físico. Ferramentas da Qualidade16 No desenvolvimento de produtos com serviços aprimorados, a funcionalidade tradicional de um produto é estendida pela incorporação de serviços para melhor resposta às necessidades do cliente e maiores formas de diferenciação do produto. Por fim, pode-se considerar o desenvolvimento de produtos como um processo pelo qual uma organização transforma dados sobre oportunidades de mercado e possibilidades técnicas em ativos de informação para produção comercial. Dessa forma, há quatro fases do desenvolvimento de produto, ou seja: 1. Conceito de produto – antecipa a satisfação futura do cliente, incluem metas técnicas, previsão das necessidades do cliente, viabilidade prévia do processo. 2. Plano de produto – especifica a função do produto, escolha dos principais componentes e protótipo mecânico, viabilidade do processo, mock-up, estilo, custos-alvo, primeiras compensações técnicas. 3. Design de produto – representa a estrutura do produto, design detalhado, design de componentes, protótipo detalhado, testes funcionais. 4. Projeto do processo – representa o processo de produção, testes piloto. Agora que já vimos alguns aspectos dos produtos e serviços e sobre o desenvolvimento de novos produtos voltamos ao QFD. Assim ele é um sistema para assegurar que as necessidades do cliente conduzam o planejamento do produto e o processo de produção. Ou ainda, o QFD é um processo de planejamento orientado ao cliente. No geral, poderíamos descrever o QFD como um método de suporte à decisão proativo e poderoso, aplicado em contextos de relacionamento. Ele foi desenvolvido com base no ambiente econômico e é baseado em uma Ferramentas da Qualidade 17 sequência de matrizes matemáticas bidimensionais, que ligam diferentes áreas do desenvolvimento de novos produtos e serviços. O objetivo é calcular indicadores numéricos de classificação, ser representados graficamente e criar um banco de dados fácil de entender, útil para o tomador de decisão. Assim, depois que o projeto de um produto (Figura 3) é definido, o QFD permite que a fase de design se concentre nos principais requisitos do cliente, nos elementos que são definidos como muito importantes para ele. Ao abordar esses elementos, a fase de concepção dos produtos (design) é reduzida para se concentrar nos itens que o cliente realmente deseja. Figura 3 – Definindo um projeto de produto Fonte: Freepik Ao concentrar esforços, menos tempo será gasto em redesenho e modificações. Atualmente, a economia foi estimada em um terço à metade do tempo gasto usando meios tradicionais. Se um novo produto levasse dezoito meses do conceito ao mercado, o uso do QFD poderia reduzir o tempo para nove a doze meses, com poucas ou Ferramentas da Qualidade18 nenhuma mudança no produto, uma vez que ele está no mercado. Do ponto de vista operacional, o QFD é mais adequado para atingir os seguintes objetivos: a. Definir características do produto que atendam aos requisitos efetivos do cliente. b. Atribuir, em formulários estruturados, todas as informações consideradas necessárias para o desenvolvimento de um novo produto ou serviço. c. Efetuar uma análise comparativa do desempenho dos produtos contra a dos concorrentes (análise comparativa do perfil do produto ou benchmarking técnico). d. Garantir que todos os responsáveis por cada etapa do processo sejam constantemente informados sobre a relação entre a qualidade da saída dessa etapa e a qualidade do produto final. e. Para reduzir a necessidade de aplicar modificações e correções durante estágios avançados de desenvolvimento, porque, desde o início, todos devem estar conscientes sobre os fatores que podem influenciar na evolução do projeto. f. Minimizar o tempo alocado à interação com o cliente. g. Garantir total coerência entre o planejamento do produto e o planejamento dos processos de produção relativos (facilitando a integração entre as várias funções do produto e enfatizando as interações). h. Aumentar a capacidade de uma empresa reagir, para que os erros que possam resultar de uma interpretação incorreta de prioridades e objetivos sejam reduzidos ao mínimo. i. Ter documentação autoexplicativa sobre o projeto à medidaque ele evolui. Ferramentas da Qualidade 19 EXPLICANDO MELHOR: Outra maneira de pensar em QFD é comparar o ciclo de desenvolvimento do produto com o corpo humano. QFD seria o “esqueleto”, que fornece forma e estrutura ao ciclo e serve como a estrutura que liga todas as atividades em um pacote completo. Sem a estrutura, haveria atividade, porém seria vulnerável a influências externas, como mudanças de pessoal, redesenho do produto, gerenciamento inconstante e assim por diante. O QFD documenta todas as informações pertinentes para manter todos no caminho certo. Quando decisões críticas são tomadas, elas são documentadas para que todas as pessoas da equipe não apenas tomem consciência delas, mas também as comprem. Uma vez usado o QFD, há uma tendência de se perguntar como as coisas já foram realizadas antes. O perigo é usar o QFD como um fim para si mesmo. O QFD é simplesmente uma ferramenta a ser utilizada quando apropriado. Como todas as ferramentas, existem maneiras adequadas e impróprias de usá-lo. Portanto, o processo QFD começa quando procuramos identificar (ou precisa dos requisitos do cliente), que geralmente são expressos em termos de características qualitativas, amplamente definidas como, por exemplo, agradáveis de olhar, fáceis de usar, funcionando adequadamente, seguras, duradouras, elegantes, confortáveis etc. Durante o processo desenvolvimento de produto, cliente os requisitos são convertidos sucessivamente em requisitos internos da empresa, chamados especificações de design. Ferramentas da Qualidade20 SAIBA MAIS: Quer se aprofundar no tema “QFD”? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: “Análise de distribuição de carga horária de um currículo de um Curso Superior de Tecnologia utilizando conceitos de QFD” (TEIXEIRA) acessível pelo link https://revista.feb.unesp.br/index.php/gepros/ article/view/1357 (Acesso em 15/09/2019). Versões do QFD e a matriz da qualidade Existem dois modelos QFD dominantes: (i) o de quatro fases, também conhecido como modelo de Clausing ou modelo ASI (American Supplier Institute) e (ii) modelo Matrizes de Akao. O modelo de quatro fases (Figura 4) é usado para o desenvolvimento de produtos e abrange as etapas básicas para tanto, enquanto o modelo de matriz também é projetado para o TQM e abrange uma série de atividades como planejamento da confiabilidade, engenharia de valor, análise de custos e controle de qualidade na fabricação implícitos ou opcionais no Modelo de Quatro Fases. https://revista.feb.unesp.br/index.php/gepros/article/view/1357 https://revista.feb.unesp.br/index.php/gepros/article/view/1357 Ferramentas da Qualidade 21 Figura 4 – Modelo de quatro fases do QFD Fonte: Chan e Wu (2002, p. 25) Medidas técnicas Casa da qualidade Desdobramento das partes Planejamento dos processos Planejamento da produção I II III IV Característica das partes Operações de processos Requerimentos da produção N e ce ss id ad e s d o s cl ie n te s M e d id as té cn ic as C ar at e rí st ic a d as p ar te s O p e ra çõ e s d e p ro ce ss o s Embora, na prática, os dois modelos sejam mais diferentes em estilo do que em conteúdo, o Modelo de Quatro Fases mais simples é mais amplamente descrito e usado, especialmente nos EUA (Estados Unidos). Como amplamente utilizado, o Modelo de Quatro Fases divide um processo de desenvolvimento de produto em quatro fases ou etapas usando quatro matrizes. A primeira fase é coletar as necessidades do cliente (ou requisitos do cliente, atributos do cliente) chamadas “O que” e depois transformá-las em medidas técnicas (ou requisitos técnicos, especificações de design do produto, características de engenharia, medidas de desempenho, características de qualidade substitutas) chamadas “Como”. Essa fase é fundamental no desenvolvimento do produto que a matriz QFD correspondente recebe um nome especial chamado “casa da qualidade” (ou matriz QFD). A casa da qualidade (veremos mais adiante) vincula as necessidades do cliente às respostas técnicas da equipe de desenvolvimento para atender a essas necessidades. Também podem ser chamadas de planejamento do produto ou planejamento de requisitos do cliente. Ferramentas da Qualidade22 A segunda fase transforma as medidas técnicas priorizadas na primeira fase em características “partes”, denominadas implantação das partes. As principais características das partes são transformadas na terceira fase, denominada “planejamento do processo”, em parâmetros ou operações do processo. Finalmente transformadas na quarta fase, denominada “planejamento da produção”, em requisitos ou operações de produção. O modelo de quatro fases é geralmente representado de forma conceitual. IMPORTANTE: A ideia do QFD não é complexa, pois fornece uma ligação formal entre objetivos (“O que”) e respostas (“Como”), é um método sistemático para desenvolver ou implantar o “Como” a partir do “O que” para definir prioridades. O QFD também é um repositório de todas as informações. O Modelo de Quatro Fases divide o QFD em fases interligadas para implantar totalmente as necessidades do cliente, fase por fase. Cada fase é descrita por uma matriz de “O que” e “Como” e os resultados importantes de cada fase (“Como”), gerado a partir das entradas da fase (“O que’), são convertidos na próxima fase como suas entradas (novo “O que”). De fato, a fase da casa da qualidade é de importância fundamental e estratégica no sistema QFD. Pois é nessa fase que as necessidades do cliente para o produto são identificadas e, incorporando as prioridades competitivas da empresa, são transformadas em medidas técnicas. Em outras palavras, a casa da qualidade vincula a voz do cliente à voz da equipe de desenvolvimento por meio da qual os planos detalhados de processo e produção podem ser desenvolvidos nas outras fases do sistema QFD. Ferramentas da Qualidade 23 A casa da qualidade (ou matriz da qualidade) é a estrutura da abordagem ao gerenciamento do QFD. Originou-se no Japão em 1972 no estaleiro Kobe da Mitsubishi, mas foi desenvolvido de várias maneiras pela Toyota e seus fornecedores e muitas outras organizações. O conceito de casa da qualidade, inicialmente chamado de tabelas de qualidade, foi utilizado com sucesso pelos fabricantes de circuitos integrados, borracha sintética, equipamentos de construção, motores, eletrodomésticos, roupas e eletrônicos, principalmente japoneses. A casa da qualidade, fornece estrutura para o ciclo de projeto e desenvolvimento, muitas vezes comparado à construção de uma casa, devido ao formato das matrizes quando elas são montadas. A chave para construir a casa é o foco nos requisitos do cliente, para que os processos de design e desenvolvimento sejam orientados mais pelo que o cliente precisa do que pelas inovações em tecnologia. Isso garante que mais esforço seja usado para obter informações vitais do cliente. Isso pode aumentar o tempo de planejamento inicial em um projeto de desenvolvimento específico, mas o tempo geral, incluindo design e reprojeto, levado para trazer um produto ou serviço ao mercado será reduzido. A casa da qualidade compreende seis partes principais, conforme Figura 5. É uma maneira estruturada e sistemática de transformar as necessidades dos clientes de um produto em medidas técnicas priorizadas que podem ser implementadas para desenvolver planos de processo e produção. Embora a casa do conteúdo de qualidade seja diferente nas suas várias apresentações. Ferramentas da Qualidade24 Figura 5 – Casa da qualidade (ou matriz QFD) Fonte: Chan e Wu (2002, p. 26) E Matriz de correlação C Medidas técnicas (“Como”) F Matriz técnica B Matriz de planejamento A Necessidade do cliente D Matriz de relacionamento entre necessidades do cliente (“O que”) e Medidas técnicas (“Como”) A construção começa com os requisitos do cliente, que são determinadospela “voz do cliente” – as atividades de marketing e pesquisa de mercado. Eles são inseridos nos blocos à esquerda da matriz de relacionamento central. Compreender e priorizar os requisitos do cliente pela equipe do QFD pode exigir o uso de análises competitivas e compatíveis, grupos focais e a análise do potencial do mercado. Os requisitos principais ou amplos devem levar ao detalhamento. Segundo Carpinetti (2016, p. 106) a casa da qualidade é: A entrada desse sistema é a voz do cliente, na forma de expressões linguísticas. O processo pode ser claramente visto como o conjunto de atividades relacionadas a seguir: a sistematização (ou conversão) dos requisitos Ferramentas da Qualidade 25 exigidos pelos clientes, considerando-se o peso relativo entre eles; a transformação dos requisitos exigidos pelos clientes em características de qualidade (ou extração de características a partir de requisitos); a identificação das relações entre requisitos e as características de qualidade; e a conversão dos pesos relativos dos requisitos em pesos relativos das características. A saída do sistema é a qualidade projetada, ou um plano para o projeto do produto, com especificação das características técnicas do produto. Depois que os requisitos dos clientes são determinados e inseridos na tabela, a importância de cada um é classificada e as classificações são adicionadas. O uso da “técnica de ênfase” ou comparação pode ser útil aqui. IMPORTANTE: Cada requisito do cliente deve ser examinado em termos de classificação do cliente; pode ser perguntado a um grupo de clientes como eles percebem o desempenho do produto ou serviço da organização versus o dos concorrentes. Estes resultados são colocados à direita da matriz central. Portanto, as classificações de importância dos requisitos do cliente e as classificações de concorrência aparecem da esquerda para a direita em toda a casa. Quanto a implementação do QFD existe algumas etapas a serem seguidas estas são as seguintes (Quadro 1): Ferramentas da Qualidade26 Quadro 1 – Etapas para a implementação do QFD Fonte: Elaborado pela autora (2019) Etapas Breve descrição Passo 1 (Planejamento de produtos) Inicia com os requisitos do cliente, de- finidos por frases específicas e detalha- das com as próprias palavras do cliente usadas para descrever as características desejadas do produto. Passo 2 (Priorizar e ponderar) A importância relativa que os clientes atribuí- ram a cada característica. Isso pode ser feito em uma escala (por exemplo, 1 a 5) ou em termos de porcentagens que somam 100%. Passo 3 (Avaliação competitiva) Para quem quer ser de classe mundial, conhecer ou vencer a concorrência, é essencial saber como seus produtos se comparam (benchmarking). Especifica- mente, as características identificadas nas etapas 1 e 2 fornecerão uma vantagem competitiva estratégica? Passo 4 (Design do processo) É aqui que as características do produto no ponto de vista do cliente atendem às carac- terísticas mensuráveis de engenharia e que afetam diretamente as percepções do cliente. Passo 5 (continuando com o Design) A matriz de relacionamento central indica o grau em que cada característica de engenha- ria afeta as características do cliente. Os pon- tos fortes dos relacionamentos são inseridos. Passo 6 (continuando com o Design) O teto da matriz casa da qualidade incen- tiva a criatividade, permitindo alterações entre as etapas 4 e 5, a fim de avaliar possíveis trocas entre as características da engenharia e do cliente. Passo 7 (Planejamento dos processos) A saída do processo de design vai para o planejamento do processo, em que são determinados os principais processos (por exemplo, corte, estampagem, solda- gem, pintura, montagem etc.). Esta etapa pode ter sua própria matriz. Passo 8 (Controle do processo) A saída da etapa 7 vai para o controle do processo, em que os fluxos e controles necessários do processo são projetados. Ferramentas da Qualidade 27 Portanto, a implementação bem-sucedida do QFD não é nada simples, uma vez que uma ideia refinada acaba se deteriorando no processo, e os processos ficarão confusos enquanto os seres humanos estiverem envolvidos. Mas o principal benefício do QFD é atrair as pessoas pensando juntos nas direções certas. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar no tema “QFD”? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: “Método QFD como ferramenta para desenvolvimento conceitual de uma proposta de incubadora de negócios para fomento do empreendedorismo” (MELLO; SANTOS; ABRAHÃO) acessível pelo link https://revista.uniabeu.edu.br/index.php/RU/ article/view/1826 (Acesso em 15/09/2019). Aplicabilidade e benefícios do QFD O primeiro passo para a aplicabilidade do QFD é formar uma equipe multifuncional (Figura 6). Seu objetivo é atender às necessidades do mercado e traduzi-las de forma que possam ser satisfeitas na unidade operacional e entregues aos clientes. https://revista.uniabeu.edu.br/index.php/RU/article/view/1826 (Acesso em 15/09/2019) https://revista.uniabeu.edu.br/index.php/RU/article/view/1826 (Acesso em 15/09/2019) Ferramentas da Qualidade28 Figura 6 – Equipe multifuncional para trabalhar o do QFD Fonte: Freepik Como em todos os problemas organizacionais, a estrutura da equipe do QFD deve ser decidida com base nos requisitos detalhados de cada organização. Uma coisa, no entanto, é clara – deve ser mantida uma estreita ligação em todos os momentos entre o planejamento (design), o marketing e as funções operacionais representadas na equipe. Como já vimos a equipe do QFD deve responder a três perguntas “Quem”, “O que” e “Como”, ou seja (OAKLAND, 2003): Quem são os clientes? O que o cliente precisa? Como as necessidades serão atendidas? O “Quem” pode ser decidido perguntando-se o seguinte: “Quem se beneficiará com a introdução bem- sucedida deste produto, serviço ou processo?” Depois que os clientes são identificados, “o Que” pode ser verificado por meio de processos de entrevistas, questionários ou grupos focais ou pelo conhecimento e julgamento dos membros da equipe do QFD. Ferramentas da Qualidade 29 O “Como” é mais difícil de determinar e consistirá nos atributos do produto, serviço ou processo em desenvolvimento. Isso constituirá muitas das etapas de ação de um plano estratégico (Figura 7) QFD. Figura 7– Plano estratégico para trabalhar com o QFD Fonte: Freepik “Quem”, “O que” e “Com” são inseridos em uma matriz ou grade QFD de casa da qualidade. Os “O que” são registrados em linhas e os “como” são colocados nas colunas. Um projeto completo de QFD levará à construção de uma sequência de diagramas de qualidade, que traduzem os requisitos do cliente em etapas específicas do processo operacional. Por exemplo, a “sensação” que os clientes gostam do volante de um carro pode se traduzir em uma especificação para 45 graus padrão de dureza de polímero sintético, que por sua vez se traduz em etapas específicas do processo de fabricação. Também incluindo o uso de certos catalisadores, temperaturas, processos e aditivos. As primeiras etapas da aplicabilidade do QFD levam a uma consideração do produto como um todo e as Ferramentas da Qualidade30 etapas subsequentes à consideração dos componentes individuais. Mas, quais são os benefícios do uso do QFD? Como o QFD é um processo orientado ao cliente, ele cria um forte foco no cliente. O uso QFD tendem a olhar além do feedback habitual do cliente e tentam definir os requisitos em um conjunto de necessidades básicas, que são comparadas com todas as informações competitivas disponíveis. Dessa forma, todos os concorrentes são avaliados igualmente da perspectiva do cliente e da perspectiva técnica. NOTA: Quando essas informações estão disponíveis, por meio de um ranking de Pareto, os requisitos são priorizados e os gerentes pode efetivamente colocar recursos em que se pode fazer o melhor possível– nos requisitos que são significativos para o cliente e que podem ser adotados. Um exemplo disso é uma peça de plástico na porta de um carro que foi deformada pelo calor extremo ao ficar em um estacionamento o dia inteiro. A solução encontrada foi usar um polímero que não fosse tão sensível às mudanças de calor por longos períodos de tempo. Logo foi realizado algo sobre a deformação, não sobre o calor. Outro benefício do QFD é que ele estrutura a experiência e as informações em um formato conciso. Em muitas empresas, há muitas informações disponíveis, mas não reunidas em um documento. O QFD coloca essas informações em um formato estruturado fácil de assimilar. Essas informações contêm toda a lógica necessária para escolher o design, identificar trade-offs e listar aprimoramentos futuros. Isso é importante para os momentos em que há pessoal que sai do projeto e novas Ferramentas da Qualidade 31 pessoas são incorporadas, pois a documentação permite a rápida integração de ideias e progresso. O QFD também é flexível o suficiente para se adaptar às novas informações, pois a estrutura da matriz cresce ou diminui com base nas informações recebidas. Em essência, o QFD produz um “documento vivo” (Figura 8), que reage à entrada e define melhor as necessidades reais. Figura 8– Documentação gerada pelo QFD Fonte: Freepik O processo QFD é um processo muito robusto. Isso significa que as coisas podem ser alteradas na estrutura, mas quando feitas corretamente, os principais resultados não são alterados. Por exemplo, uma pratica de QFD envolveu o desenvolvimento de 25 requisitos dos clientes. O líder do projeto decidiu abordar as oito primeiros para um trabalho de desenvolvimento adicional. Ele estava preocupado que, se as classificações de importância mudassem, a prioridade dos requisitos mudaria. Foi criado um programa de computador para que todas as classificações de importância pudessem ser Ferramentas da Qualidade32 alteradas, mantendo todo o resto constante. O resultado foi que os oito principais itens sempre foram os oito principais, que apenas a ordem da ocorrência foi alterada. Outro exemplo, o item ‘número um’ pode passar para o ‘número três’ na lista de prioridades. Isso ajuda bastante a abrandar as preocupações que os gerentes possam ter ao realizar a pratica do QFD. À medida que as pessoas trabalham neste processo a equipe cresce. Porque é uma das melhores abordagens para o desenvolvimento do trabalho em equipe, uma vez que todas as decisões são baseadas em consenso e ocorre uma boa quantidade de discussões (úteis). Essa discussão permite que todos expliquem suas opiniões, cheguem a um consenso e avancem no projeto. Ainda podemos destacar os seguintes benefícios do uso do QFD: a. Coordenar as atividades e habilidades interfuncionais dentro de uma organização. Isso deve levar a produtos e serviços projetados, produzidos, operados e comercializados para que os clientes queiram comprá-los e continuar fazendo isso. b. O uso de informações competitivas no QFD deve ajudar a priorizar recursos e estruturar a experiência e as informações existentes. Isso permite a identificação de itens que podem ser usados. c. Reduções no número de alterações no design, e essas reduções, por sua vez, limitarão os problemas pós- introdução e reduzirão o tempo de implementação. d. Como o QFD é baseado em consenso, promove o trabalho em equipe e cria comunicações em interfaces funcionais, além de identificar as ações necessárias. Deve levar a uma ‘visão global’ do processo de desenvolvimento, a partir da consideração de todos os detalhes. Ferramentas da Qualidade 33 Mas, além dos benefícios da ferramenta QFD também, há as dificuldades na sua implementação, pode- se destacar as seguintes: a. Determinar quem é o cliente e identificar suas necessidades; em particular, quando o mercado é novo. b. Informações do cliente coletadas apenas pelo departamento de marketing, causando dificuldade aos engenheiros na interpretação das necessidades do cliente. c. As matrizes desenvolvidas são muito grandes e tornando confuso os cálculos. d. Falha em estender o QFD para além do estágio de planejamento do produto, perdendo assim a integração do melhor desempenho com confiabilidade e custo. e. Mistura do “O que” com “Como” e “Como” com “O que”, assim, ignorando algumas das etapas e deixando de prestar atenção aos detalhes. f). Nenhum feedback interno dos resultados. g. Um escopo de projeto muito amplo, causando dificuldade de foco. h. Desejo dos engenheiros de chegar a uma especificação de projeto muito cedo, fechando assim outras opções possíveis que valem a pena. i. Não comparecimento a reuniões e mudança de prioridades. Portanto, se o QFD for introduzido sistematicamente, ele deve adicionar estrutura às informações, gerar uma estrutura para a análise de sensibilidade e fornecer documentação, que é adaptável à mudança. Para entender o impacto total do QFD, é necessário examinar as mudanças que ocorrem na equipe e na organização durante o processo de desenvolvimento. O principal benefício do QFD é, obviamente, o aumento da satisfação e lealdade do cliente, que pode ser medido em termos de, por exemplo, reduções nas reivindicações de garantia e repetição de negócios. Ferramentas da Qualidade34 SAIBA MAIS: Quer se aprofundar no tema “Aplicabilidade do QFD”? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: “Avaliação da qualidade dos serviços bancários online: Proposta de integração dos modelos SERVQUAL, Kano e QFD” (SANTOS; CANDIDO) acessível pelo link http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?pid=S2182- 84582016000200016&script=sci_arttext&tlng=es (Acesso em 15/09/2019). Benchmarking Desenvolver uma definição única e abrangente de benchmarking (Figura 9) não é fácil. É comumente aplicado a uma ampla variedade de atividades que as organizações se comprometem a comparar seus níveis de desempenho (ou performance) com os outros ou identificar, adaptar e adotar práticas que acreditam melhorar o desempenho. Figura 9– Benchmarking Fonte: Freepik http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?pid=S2182-84582016000200016&script=sci_arttext&tlng=es http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?pid=S2182-84582016000200016&script=sci_arttext&tlng=es Ferramentas da Qualidade 35 O benchmarking pode ser aplicado aos produtos, serviços e práticas de uma organização. De maneira mais ampla, o benchmarking pode ser aplicado a qualquer área em que se quer comparar o desempenho ou aprender com outras pessoas. Também a prática do benchmarking envolve comparar os concorrentes mais difíceis de uma empresa, para saber onde estão os pontos fortes e fracos em relação a eles ou os líderes do setor. Dessa forma, para que se possa estar ciente dos mais altos níveis de desempenho alcançados. Existem diferentes maneiras de visualizar o benchmarking. Assim considerar-se-á, que o benchmarking consiste em duas fases básicas (STAPENHURST, 2009): 1. Desempenho de benchmarking (ou seja, dados) para: quantificar os níveis de desempenho de diferentes participantes; identificar a lacuna entre os participantes, geralmente entre os melhores e outros participantes, a fim de: quantificar o ganho potencial para cada participante operar no melhor nível. 2. Mudando nossas práticas para melhorar nosso desempenho, possivelmente, mas não necessariamente, aprendendo com outros participantes. Para esclarecer o que é o benchmarking, é útil considerar o que não é o benchmarking, ou seja (Quadro 2): Ferramentas da Qualidade36 Quadro 2 – O que NÃO é benchmarking Fonte: Elaborado pela autora NÃO é o turismo industrial onde as empresas se visi- tam, desfrutam de um dia de folga ou mesmo de uma viagem pela metade do mundo, mas nenhuma compa- ração ou análise objetiva ocorre. Tais atividades fazem com que o benchmarking seja visto como irrelevante e uma vantagem para os poucos favorecidos. Portanto, é uma pesquisa planejada comalto retorno sobre o inves- timento. NÃO é uma ferramenta de avaliação de pessoal. Isso levará à resistência ao benchmarking, falsificando da- dos, atrasando o projeto ou desacreditando o estudo. No entanto é útil identificar onde e como melhorar os processos. NÃO é uma atividade de copiar e colar. Copiar o que outra pessoa fez na organização e esperar que ela funcione pressupondo que sua organização tenha uma cultura, um ambiente operacional e problemas seme- lhantes àquele em que está sendo copiado. No entanto, é uma fonte potencial de ideias, informações, métodos, práticas etc. que pode ser apropriado adaptar, adotar e implementar. NÃO é um evento único. Na melhor das hipóteses, isso levará à obtenção de uma vantagem competitiva, mas é provável que seja consumida à medida que outras organizações continuarem a melhorar. É parte de uma cultura de se esforçar para ser o melhor, ou entre os melhores, naquilo que a organização faz. Mas existem exceções, no entanto, por exemplo, o benchmarking pode ser usado para resolver problemas específicos ou justificar decisões. Ferramentas da Qualidade 37 Muitas empresas usam o benchmarking para ser tão bom quanto seus concorrentes. Porém, há muito pouco que pode ser ganho se o objetivo for apenas atingir o status quo. O benchmarking é uma ferramenta de melhoria contínua (Figura 10); deve ser utilizado por empresas que estão se esforçando para alcançar um desempenho superior em seus respectivos mercados. Somente então o benchmarking pode ser adequadamente utilizado como uma verdadeira ferramenta de melhoria contínua. Figura 10 – Melhoria continua e o benchmarking Fonte: Freepik Quando se trata de benchmarking a perspectiva mais utilizada é que este é o processo de comparar e medir continuamente uma organização com líderes de negócios em qualquer lugar do mundo para obter informações que ajudarão a organização a tomar medidas para melhorar seu desempenho. Na maioria das vezes quando se trata de benchmarking surge uma confusão com o termo “análise competitiva”. O benchmarking faz referência a setores de negócios externos para obter informações, a análise competitiva Ferramentas da Qualidade38 mostra como as empresas se comparam apenas aos seus concorrentes. Uma análise competitiva produz um ranking em comparação aos concorrentes diretos; não mostra como melhorar os processos de negócios. Essa é a principal diferença entre o benchmarking e uma análise competitiva. O benchmarking, comparado com uma análise competitiva, fornece uma compreensão profunda dos processos e habilidades que criam desempenho superior. A menos que o profundo entendimento seja alcançado, pouco benefício é obtido com o benchmarking. A pergunta deve ser feita: “Qual é o objetivo ao se utilizar o benchmarking? ”Se o objetivo é apenas atender a algum padrão da indústria, há pouco a ganhar com o investimento em benchmarking para ser superior. De acordo com Wireman (2015) é improvável que uma análise competitiva leve ou destaque oportunidades significativas de avanço que possam mudar paradigmas enraizados há muito tempo de qualquer segmento de mercado específico. Isso ocorre porque os paradigmas de negócios são semelhantes para empresas parecidas em mercados semelhantes. Enquanto uma análise competitiva pode resultar em melhorias incrementais para um negócio, as estratégias inovadoras são derivadas de uma perspectiva externa. Ao se descobrir e entender as melhores práticas externas, podem ser obtidos melhores resultados nas melhorias dos processos de negócios. Nos últimos tempos, análises competitivas ajudaram as empresas a melhorar suas respectivas posições no mercado. O benchmarking assume no ponto em que termina uma análise competitiva. O benchmarking permitirá que as empresas passem de uma posição comercial de paridade para uma posição de superioridade. As lições aprendidas das melhores empresas podem ajudar qualquer empresa. Ferramentas da Qualidade 39 IMPORTANTE: Uma das principais diferenças entre benchmarking e análise competitiva é o nível de documentação. Uma análise competitiva se concentra em atender a algum tipo de padrão da indústria publicado. Isto é, tudo o que pode ser necessário é algum número publicado. Em comparação, o benchmarking se concentra não em um número, mas no processo que permite que esse padrão não seja apenas alcançado, mas também superado. Existem vários tipos de benchmarking, mas os mais usuais são mostrados no Quadro 3. Ferramentas da Qualidade40 Tipo de benchmarking Breve descrição Interno Considera diferentes departamentos ou processos dentro de uma empre- sa. Esse tipo de benchmarking tem algumas vantagens, pois os dados podem ser coletados facilmente. Também é mais fácil comparar os da- dos porque muitos dos fatores ocul- tos (facilitadores) não precisam ser verificados com atenção. Benchmarking competitivo Envolve parceiros externos em indús- trias ou processos similares. Em muitos projetos de benchmarking, até con- correntes são utilizados. Isso pode ser difícil em alguns setores, mas muitas empresas estão abertas a compartilhar informações, desde que não sejam proprietárias. Em muitos casos, esse tipo de benchmarking se concentra em atender um “número”, em vez de melhorar qualquer processo comercial específico. Pequenas melhorias ou incrementais são observadas, mas os paradigmas para negócios competiti- vos são semelhantes. Isso indica que o processo de melhoria será lento ao contar com benchmarking competitivo ou similar do setor. Melhores práticas do benchmarking Concentra-se em encontrar o líder in- discutível no processo que está sendo comparado. Esta pesquisa cruzará setores da indústria e localizações geográficas. Essa abordagem oferece a oportunidade de desenvolver “es- tratégias inovadoras” para um setor específico. Quadro 3 – Tipos de benchmarking Fonte: Elaborado pela autora Ferramentas da Qualidade 41 O processo de benchmarking consiste em cinco fases, ou seja, planejamento, análise, integração, ação e maturação. A seguir vamos ver cada uma delas. 1) Planejamento Esta fase é formada pelas seguintes etapas: A) Identificar função para o benchmark Começa com o estabelecimento de uma ou mais medidas de produção a serem comparadas, que podem ser um produto ou mercadoria, uma quantidade de produção econômica, quantidades de mercadorias embarcadas ou unidades de atividade, como milhas de veículos percorridas. Ao identificar um resultado específico de interesse, isto é, a organização pode determinar mais facilmente a função responsável por esse resultado. Isto é, recomenda-se que se selecionem prioridades que sejam facilmente aceitáveis para a organização e demonstrem uma clara recompensa na realização do estudo de benchmarking. B) Identificar as melhores organizações da categoria nessa função um componente importante da elaboração de um estudo de benchmarking é a seleção das organizações a serem usadas para fins de comparação. A escolha de entidades para comparação pode ser orientada por vários critérios, incluindo o desejo de comparar com um tipo de operação semelhante, inovação ou a disponibilidade de parceiros de negócios. C) Selecionar medidas de desempenho Em um estudo de benchmarking, métricas e medidas identificadas em relatórios como relatórios de sustentabilidade corporativa podem ser usadas. Mas como parte do planejamento de um estudo de benchmarking, Ferramentas da Qualidade42 talvez seja necessário desenvolver medidas de desempenho. D) Identificar métodos de coleta de dados Um estudo abrangente de benchmarking deve incluir um plano detalhado de coleta de dados. Este plano descreve os dados existentes e registra que a organização pretende obter, os dados originais a serem coletados e a linha do tempo, métodos e contatos envolvidos na coleta dos dados. É recomendado que as organizações pesquisem minuciosamente os dados que estão disponíveis ao público nos parceirosde benchmarking antes de solicitar dados às organizações. Analisando primeiro os dados existentes, a organização que usará o benchmarking terá uma noção melhor do que está disponível. 2) Análise Esta fase inclui o início da coleta de dados e uma avaliação dos resultados, engloba as seguintes etapas: A) Coletar dados interna e externamente O conhecimento detalhado fornece contexto ao estudo e ajudará a determinar a receptividade da organização a novos processos e práticas. Esta informação é melhor obtida falando com responsáveis pelos processos internos antes de coletar dados externamente dos parceiros de benchmarking. Para coletar dados das organizações parceiras, é aconselhável desenvolver protocolos estruturados que descrevam as principais perguntas para discussão. Esses protocolos devem descrever as questões de interesse que informarão o mapeamento do processo e ajudarão a identificar as variáveis que contribuem para a conversão dos processos em resultados. B) Medir e comparar a “lacuna” atual de desempenho O instrumento de coleta de dados dever apresentar práticas pesquisadas e métricas internas à organização, Ferramentas da Qualidade 43 um entendimento do desempenho atual da organização já deve existir antes da coleta de dados. Depois que os dados são coletados, o desempenho das organizações parceiras deve ficar mais claro. C) Identifique as melhores práticas para fechar a lacuna É importante que as organizações projetem níveis futuros de desempenho com base naquilo que esperam que a adoção ou modificação de práticas se amplie, reduza ou tenha um impacto mínimo na lacuna de desempenho identificada. 3) Integração Esta fase refere-se à atividade de estabelecer metas ou objetivos operacionais para a transformação organizacional. As duas principais etapas da integração são a comunicação de resultados de benchmarking para obter aceitação e o desenvolvimento de planos de ação. A) Comunicar descobertas de benchmark para obter aceitação. É uma das mais críticas para a integração bem- sucedida de novas práticas. Para obter aceitação e implementar mudanças, é importante que todos os funcionários entendam a lógica das mudanças, tenham conhecimento específico de como as mudanças devem ser implementadas e tenham voz no processo. Assim, a aceitação deve ser obtida desde o nível operacional até o nível Gerencial. O apoio da parte superior é fundamental para os funcionários adotarem novas práticas. B) Desenvolver plano de ação Começa com a construção das declarações dos princípios operacionais (que são integradas às metas de desempenho). A organização deve então delinear Ferramentas da Qualidade44 estratégias específicas e decisões táticas que ajudem a implementar novas práticas a partir de resultados de benchmarking, iniciando uma série de projetos. As metas de desempenho estabelecidas para esses projetos devem se tornar uma parte essencial dos objetivos diários de negócios e corporativos da organização. 4) Ação Embora o plano de ação estabeleça a base para quais etapas e recursos serão necessários para implementar práticas, essa fase se refere ao processo de executar essas etapas e adquirir os recursos necessários. Essa fase inclui a tradução das descobertas do benchmarking para os funcionários do idioma, ou seja: A) Implementar ações específicas e monitorar o progresso Para monitorar o progresso em relação a ações específicas, é importante observar as mudanças nas tarefas e no comportamento. Embora a implementação adequada das tarefas seja essencial para alcançar o resultado desejado. Também é importante obter apoio atitudinal dos funcionários para garantir que as tarefas sejam executadas no nível em que deveriam ser e com a integridade pretendida. 5) Maturação Essa fase refere-se ao ponto em que o benchmarking se institucionaliza dentro da organização e é visto como um componente crítico do processo de gerenciamento. A maturidade também se refere à fase em que a mudança está começando a ser realizada e os resultados desejados começam a se manifestar. As duas principais etapas da maturidade incluem: A) Fechar lacuna de desempenho Ao aplicar as melhores práticas, as lacunas de desempenho negativas são eliminadas. Um teste decisivo Ferramentas da Qualidade 45 para determinar se foram feitos avanços efetivos na obtenção dos resultados é se a organização está sendo reconhecida por meio de solicitações de participação em outros estudos de benchmarking ou do recebimento de prêmios da indústria. A organização pode comunicar seu sucesso criando um sistema para compartilhar o conhecimento adquirido com outras pessoas no setor. B) Práticas totalmente integradas ao processo – para que a organização se torne líder no setor, as melhores práticas identificadas por meio de benchmarking devem ser totalmente incorporadas aos processos de negócios e alcançar os resultados desejados. Uma vez que as práticas tenham sido implementadas com sucesso, a organização pode procurar realizar comparações e fazer uma avaliação comparativa de outras áreas operacionais da empresa. As organizações utilizam benchmarking por vários motivos, incluindo: para melhorar a cultura organizacional; melhorias nos processos; como uma ajuda para o planejamento, orçamento e definição de metas; para resolver problemas específicos; construir uma rede de pessoas que pensam da mesma forma e etc. Embora o conceito de benchmarking seja relativamente simples, as dificuldades envolvidas no andamento de um projeto desse tipo, muitas vezes impendem que este tenha êxito. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar no tema “benchmarking”? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: “Benchmarking com foco na satisfação dos usuários do transporte coletivo por ônibus” (BARCELOS et al) acessível pelo link https://www.revistatransportes. org.br/anpet/article/view/1335/657 (Acesso em 11/09/2019). https://www.revistatransportes.org.br/anpet/article/view/1335/657 https://www.revistatransportes.org.br/anpet/article/view/1335/657 Ferramentas da Qualidade46 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Vimos que o QFD fornece uma estrutura poderosa para o desenvolvimento de produtos, serviços e processos. Quando usado de maneira eficaz, pode trazer um foco correto no cliente para os projetos que apresentarão um alto grau de satisfação com a confiabilidade e o custo. Reduz o ciclo de desenvolvimento do projeto e resulta em menos alterações de engenharia. Dessa forma, o produto ou serviço que o cliente recebe não apenas atende às suas necessidades. Mas, se a interface do cliente foi realizada corretamente, pode haver recursos inesperados do produto que causarão satisfação e lealdade ao produto. Também haverá um encadeamento comum em todas as operações, que pode ser rastreado até o que o cliente realmente deseja. Assim, o QFD é uma metodologia e, por si só, não soluciona projetos ruins, elimina desperdícios, resolve problemas de recursos ou impede que sejam feitas alterações desnecessárias de engenharia. Para tanto, requer um programa realista e um entendimento de que precisa de atenção aos detalhes. Além disso, o comprometimento da gerência, o entendimento adequado da técnica, o trabalho em equipe multifuncional, o treinamento eficaz são ingredientes vitais para o sucesso. Vimos também que o benchmarking é uma técnica para a melhoria contínua dos processos de negócios. Assim, é importante assegurar que o benchmarking seja pensado de maneira semelhante, ou seja: o objetivo é a melhoria contínua do processo de benchmarking usado para cada projeto, Ferramentas da Qualidade 47 compartilhando os sucessos, armadilhas e falhas de cada projeto, promovendo assim o aprendizado contínuo. Também é necessário garantir que o benchmarking seja incorporadoà cultura de melhoria contínua de uma organização. É bem provável que um projeto de benchmarking gere outros projetos de benchmarking adicionais. Pois, um projeto, além das economias geradas, também é útil para promover a compreensão dos principais indicadores de desempenho e medidas de qualidade. Ferramentas da Qualidade48 BIBLIOGRAFIA CARPINETTI, Luiz Cezar Ribeiro. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2016. CHAN Lai-Kow; WU, Ming-Lu. Quality Function Deployment: a Comprehensive Review of Its Concepts and Methods, Quality Engineering, 15:1, 23-35, 2002. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1081/QEN-120006708>. Acesso em 15 de set. de 2019. MARITAN, Davide. Practical Manual of Quality Function Deployment. London: Springer, 215. OAKLAND, John S. Total Quality Management: text with cases. Third edition, United Kingdom: Elsevier, 2003. STAPENHURST, Tim. The benchmarking book: a how- to-guide to best practice for managers and practitioners. Elsevier: LOndres, 2009. WIREMAN, Terry. Benchmarking best practices in maintenance, reliability and asset management: updated for iso 55000. Third Edition, Industrial Press, Inc., Haviland Street, South Norwalk Connecticut, EUA, 2015.