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1 Louyse Jeronimo de Morais Acondroplasia Referência: aula da prof. HGNM Pra te animar no estudo desse assunto, lembre-se que essa é a doença do anão de Game of Thrones! [off: fariam???] Dados epidemiológicos • Incidência: 1/6.000 a 1/25.000 • ECLAMC: 0,5 a 1,5/10.000 • Distribuição universal • Razão de sexo: 1,0 • A mais frequente das displasias esqueléticas: porque uma parte deles reproduz, enquanto que muitas displasias param no indivíduo portador da mutação. • Idade paterna acima de 50 anos Os pais dos acondroplásicos geralmente são idosos, ou pelo menos com mais de 50 anos de idade. Enquanto a idade da mãe está relacionada com anomalia cromossômica, a idade do pai está relacionada com mutação gênica e geralmente dominante. O diagnóstico é feito ao nascimento e, habitualmente, pode ser feito no pré-natal. Modelo de herança • Herança autossômica dominante, com penetrância completa e expressividade pouco variável. • Mutações de novo: 80 a 90%. Isso significa que10 a 20% dos casos são transmitidos, sendo um dos genitores acondroplásico. Geralmente, é mutação nova [os pais são normais]. Uma curiosidade é que o quadro clínica varia pouco, então os indivíduos apresentam, praticamente, os mesmos sinais. Além disso, outra curiosidade é a penetração completa, ou seja, todo indivíduo que tem a mutação, vai ter o quadro completo – não existe mutação cega ou silenciosa. Genética molecular Essa estabilidade do quadro clínico ocorre por uma mutação da glicina para a arginina, na posição 1138, em 98% dos casos. • Gene FGFR3 [receptor 3 do Fator de Crescimento do Fibroblasto] • Mutações: o FGFR3: 1138 Transição G -> A [98%] o FGFR3: 1620 Como a mutação é a mesma, essa mutação de ponto é responsável pela estabilidade do fenótipo, porque em muitas doenças, o mesmo gene é afetado, mas em posições diferentes. Outra curiosidade da acondroplasia é que praticamente a mutação de ponto é exatamente no mesmo lugar. Tem um domínio, que é o receptor celular de controle da maturação da cartilagem óssea. Acredita-se que esse é o responsável pelo quadro clínico. Abaixo, temos a localização da mutação, que é no cromossomo 4, no braço curto, na banda 16 e na sub-banda 3, perto do telômero. Abaixo, vemos que o gene tem vários domínios. São várias mutações no mesmo gene. 2 Louyse Jeronimo de Morais Principais vias de sinalização do FGFR3 • STAT • MAPK • PLC-g • PI3K-AKT Esses receptores estão relacionados com a sinalização que vai da membrana celular até a membrana nuclear. Então, essa comunicação ocorre através de uma cadeia de moléculas, relacionada com malformações e vários tipos de neoplasias. São as chamadas vias de sinalização intracelular, sendo a principal a MAPK. São ativadores de transcrição e transdução de sinal, por isso o quadro clínico é extenso, atingindo o esqueleto de forma geral. Critério mínimo diagnóstico • Nanismo micromélico: o nanismo é às custas do comprometimento dos membros. • Macrocefalia relativa • Mão em tridente • Fácies típica Formas clínicas • Heterozigotos: moderada a grave. • Homozigotos: letal e semi-letal. Como os portadores de acondroplasia estão convivendo entre si, está aumentando o número de homozigotos. Fenótipo geral • Nanismo o Estatura final ▪ Homens: 1,30 m ▪ Mulheres: 1,20 m • Macrocefalia o Perímetro cefálico ▪ Homens: 60 cm ▪ Mulheres: 58 cm • Rizomelia: encurtamento proximal dos membros • Anomalias craniofaciais: podem causar estenose do forame magno e fácies típica. • Fácies: bossa frontal, nariz em sela [depressão da ponte nasal], prognatismo [proeminência do mento], hipoplasia do andar médio da face, estenose do canal auditivo, apinhamento dos dentes. Acima, observar nariz em botão, implantação baixa da orelha, algumas anomalias de trago e ausência de lóbulo. Apesar do tronco cumprido, a caixa torácica é curta. Além disso, observar encurtamento proximal dos membros. No RN, uma característica são as pregas que ocorrem principalmente no segmento proximal dos membros. É como se o osso diminuísse, mas a pele continuasse com o tamanho normal – desaparece com a idade. Acima, observar aplanamento da crista orbitária e macrocrania com proeminência do frontal em relação ao tronco e resto do corpo. 3 Louyse Jeronimo de Morais • Anomalias das mãos: braquidactilia [mãos pequenas e largas], dedos fusiformes, mão em tridente. O quinto e o quarto dedo formam um conjunto, o terceiro e o segundo formam outro e, separadamente, temos o primeiro dedo. O leito ungueal é curto. 100% dos pacientes apresentam essa característica. Pode ter linha palmar completa ou não. Na radiologia, observa-se os ossos da mão progressivamente afilados. • Principais sinais do tronco: tronco longo, tórax estreito e largo na base [em sino], protusão abdominal. • Principais anomalias de coluna: vértebras em cunha, estenose do canal vertebral, cifose toracolombar, acentuada lordose lombo-sacra [pode ser progressiva, principalmente a partir da adolescência, mas tem crianças que a apresentam desde muito cedo]. A confirmação, após suspeita clínica, é feita com radiologia. Raramente precisa de diagnóstico gênico. 4 Louyse Jeronimo de Morais • Achados dismórficos da pélvis o Evidências radiológicas: pélvis estreita e disforme, hipoplasia e deformidade dos ossos pélvicos, displasia acetabular, cabeça do fêmur curta e retificada. o Limitação da extensão da articulação do quadril o Marcha anserina Muitas vezes é necessário cirurgia para colocar prótese no acetábulo ou na cabeça do fêmur. Abaixo, observar uma acondroplasia no recém- nascido, sendo possível visualizar macrocrania [conformação do crânio normal, porém grande] e hipoplasia facial do andar médio da face. A caixa torácica pequena vai resultar em redução do parênquima pulmonar, o que reflete na circulação cardiorrespiratória. Então pode ter pequenas complicações, principalmente quando há infecções, por isso tem que monitorar o cardiorrespiratório desses pacientes constantemente. Acima, visualizamos uma pequena chanfradura ciática e cótilos com teto horizontal; além disso, fêmures arqueados com irregularidades na metáfise proximal, que permanece na idade adulta. • Complicações: apneia do sono, má oclusão dentária, parestesias de MMSS e MMII por compressão, obstrução das VAS, pneumopatias, otite média recorrente até 6 anos de idade, surdez de condução. Diagnóstico diferencial • Hipocondroplasia o Mutações em FGFR3 [80%] o Quadro clínico definido aos 3 anos de idade A precocidade do quadro clínico é grande na acondroplasia. Nesta última, o RN nasce com uma riqueza muito grande de sinais e, além disso, o sistema nervoso não está comprometido. Nas outras, o quadro clínico é mais tardio e há comprometimento do sistema nervoso. • Pseudoacondroplasia o Mutações no éxons 8-14 e 15-19 do gene COMP o Quadro clínico sem dismorfismo facial A mutação é em outro gene. • SADDAN o Mutações em FGFR3 Investigação diagnóstica O problema maior, hoje em dia, é o controle das mutações, porque, como eles começaram a se organizar, ocorre essa conjunção de acrondoplásicos. Então, o número de acometidos está aumentando, por conta da mutação herdada. Quando dois heterozigotos se cruzam, há uma chance de 75% da criança herdar a mutação. 5 Louyse Jeronimo de Morais • Quadro clínico • Achados radiológicos • Análise molecular: consiste no sequenciamento do gene principal, mas pode fazer sequenciamento do genoma, para já pegar o diagnóstico diferencial. o Solicitação: pesquisa das mutações G1138A e G1138C no gene FGFR3. o Material: 3 ml de sangue periférico em EDTA, na temperatura ambiente. o Método: PCR Conduta terapêutica• Tratamento sintomático • Uso limitado de hGH: sem resultado significativo. • Monitoramento cardiorrespiratório e ortopédico: o principal é prevenir complicações. • Neurocirurgia descompressiva • Osteotomia corretiva • Alongamento cirúrgico dos ossos longos: foi tentado, mas gera muitas complicações. • Psicoterapia A inteligência dos indivíduos acometidos é normal, sendo a mortalidade aumentada devido a complicações. Há risco de morte súbita dos 6 meses até os 2 anos. Principais causas de morte • Infância: síndrome de compressão medular • Adulto: distúrbios respiratórios devido à deformidade torácica e neuropatias. • Idoso: cardiopatias. Prevenção e diagnóstico precoce • US mensal do crânio até o primeiro ano de vida • Profilaxia do DM e da obesidade • Aconselhamento genético: a mulher com acondroplasia é considerada gestante de alto risco. • Diagnóstico pré-natal