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1 Gliconeogênese Introdução: é a síntese de glicose a partir de compostos não glicídicos; ocorre no fígado e também no córtex renal se houver jejum prolongado (mais de uma semana). Os substratos são: glicerol (que vem do tecido adiposo de triacilglicerol), lactato (que vem da fermentação) e aminoácidos (exceto lisina e leucina). Processo fisiológico: a produção normal ocorre quando dormimos ou ficamos oito horas sem comer. Nesse organismo hipoglicêmico, ocorre alta liberação de glucagon, que se liga a receptores em tecidos que possuem receptores para ele. Um dos lugares que possui receptores é o fígado, que recebe a mensagem de que deve sintetizar glicose (já que não tem glicose né), mas essa síntese precisa de substratos para isso. E de onde virão os substratos? Depende da situação. No primeiro caso, ativa o tecido adiposo, e em uma cascata de sinalização há quebra de triacilglicerol, gerando ácidos graxos e glicerol. Esse glicerol é encaminhado para o fígado, onde serve para a síntese da glicose, que é colocada na corrente sanguínea e nutre o cérebro. No segundo caso, de atividade física intensa, o glicogênio no músculo gera glicose que vira lactato, que é transportado pelas hemácias até o fígado, onde é transformado em glicose. Essa glicose pode ir pro cérebro ou voltar pro músculo para ser utilizada novamente. No terceiro caso, temos o músculo em jejum prolongado. Ocorre quebra de proteínas em aminoácidos que viram alanina, transportada pela hemácia até o fígado, onde é transformada em glicose, que vai nutrir o cérebro. Em qualquer caso, a prioridade é sempre o cérebro, o resto se vira de alguma outra forma Porque o oxalacetado que vem do lactato não precisa virar malato e já pode virar PEP direto? Porque ao 2 transformar o lactato em piruvato, houve produção de NADH, e ele é necessário lá na frente. Quando o piruvato veio da alanina, não houve produção de NADH, então é necessário que ele passe pela lançadeira para que o NADH seja transportado de dentro da matriz para o citoplasma, onde ele é necessário. Porque não é interessante degradar e refazer glicose? A resposta está nas reações: Frutose6P + ATP → Frutose1,6diP + ADP (enzima: glicólise, enzima PFK1) Frutose1,6diP + H2O → Frutose6P + Pi (enzima: gliconeogênese, enzima frutose1,6bifosfatase) Se eu fizer o somatório, dá: ATP + H2O → ADP + Pi. Ou seja, energia é liberada em forma de calor, o que não é interessante para o ser humano. Por causa disso, esse ciclo é chamado de ciclo fútil. E exatamente por causa disso, as vias são reguladas de forma antagônica (o que ativa uma enzima inibe a outra). Se temos um aumento da concentração de glicose no sangue, há aumento da secreção de glucagon e aumento da concentração de AMPcíclico. Essa substância inativa a PFK.2, o que reduz a concentração de frutose 2,6 bifosfato. Logo, há aumento da gliconeogênese e redução da glicólise. Isso porque a frutose6P através da PFK.1 vira frutose1,6diP e através da PFK.2 vira frutose2,6diP. Ela é substrato para duas enzimas. O excesso da 2,6diP ativa a PFK.1, mas como houve inativação dela, a PFK.1 não é estimulada, e a glicólise é reduzida. Enzimas de vias irreversíveis. Piruvato carboxilase ativada aumenta a concentração de acetilCoA. O piruvato vira acetilCoA que vira oxaloacetato que pode virar piruvato de novo. Se eu produzo muito ATP, as necessidades são supridas e a cadeia de elétrons diminui a velocidade, acumulando NADH, que inibem as enzimas do ciclo de Krebs, que para de rodar, sobrando oxalacetado e automaticamente sobrando acetilCoA, que ativa a enzima piruvato carboxilase, que transforma piruvato em oxalacetato. Ao mesmo tempo, o excesso de acetilCoA inibe a piruvato 3 desidrogenase, responsável por transformar piruvato em acetilCoA. O piruvato vira oxalacetato que vira PEP que vira glicose! Metabolismo do glicogênio Hiperglicemia: o nível de insulina aumenta, pois esse hormônio é liberado pelo pâncreas, e os tecidos que tem receptor para esse hormônio (como o músculo) tem como resposta a liberação de GLUT para internalizar a glicose. Ela será utilizada para a síntese do glicogênio. No fígado é diferente. O GLUT de lá tem baixa afinidade por glicose, mas quando tem muuuita glicose mesmo, ela é internalizada e há síntese de glicogênio também. Hipoglicemia: ocorre alta de glucagon, que no fígado se liga ao receptor, que libera cascata de sinalização para degradar o glicogênio. Ou seja, o fígado é um órgão que corrige a glicemia. Na hora de fugir, o sistema nervoso simpático libera adrenalina, que no fígado (receptor beta e alfa) degradam glicogênio em glicose para exportação, e no músculo (apenas beta) degrada para se manter em funcionamento. Degradação do glicogênio: a glicogenólise começa das extremidades não redutoras, com a remoção sucessiva de resíduos de glicose, através da ação da enzima GLICOGÊNIO FOSFORILASE. Ela libera uma molécula de glicose que um possui um fosfato em um de seus carbonos, mas não há gasto de ATP. Dessa maneira, ocorre a clivagem das ligações alfa 1,4 que estão presentes na maior parte da molécula de glicogênio. Já as ligações alfa 1,6 responsáveis pelas ramificações, são clivadas de outras maneira. A clivagem das alfa 1,4 para de ocorrer quando faltam quatro moléculas para chegar na ligação 1,6. Então vem a ENZIMA DESRAMIFICADORA. Na sua parte transferase, ela tira a ramificação e coloca no broto principal. E na sua parte alfa1,6glucosidade ela cliva a última molequinha de glicose que sobrou. Logo, volta a glicogênio fosforilase e continua o serviço. Ela pode continuar porque agora não há mais ramificação. Porém, ela nunca degrada a molécula inteira, pois é necessária uma base de formação do glicogênio, ou seja, você precisar ter pelo menos um pouquinho de glicogênio ali para que depois haja deposição de novas glicoses (na 4 verdade isso é mentira, mas vem explicado depois). A glicose1P é isomerizada à glicose6P. No fígado, ou ela vai pela via das pentoses, ou ela vira glicose, pela enzima GLICOSE6FOSFATASE (liberando um fosfato livre), e vai para a corrente sanguínea. No músculo, vira frutose6P, seguindo a ordem da respiração normal. A degradação do glicogênio é rentável porque através dela você entra na glicólise pela frutose6P, direto no fígado. Ou seja, você pula uma etapa de gasto de ATP, então o saldo liquido é de 3ATP ao invés de 2ATP só. Síntese do glicogênio: ao entrar da corrente sanguínea para as células, a glicose é fosforilada, virando glicose6P (com a ajuda de uma enzima; hexoquinase no músculo e glicoquinase no fígado), que depois vira glicose1P. A UDPglicose é formada, pela adição do UTP e formação de PPi com o auxílio da enzima UDP-glicose- pirofosforilase. A glicogênio sintase catalisa a transferência de glicose da UDPglicose para uma cadeia em crescimento do glicogênio, a partir das extremidades não redutoras, liberando o UDP novamente. Os pontos alfa1,6 são criados pela enzima ramificadora (glicosil 1,6 transferase). Há uma cadeia original e uma ramificada, da ramificada tira uma glicose do 1,4 e a coloca em uma 1,6 da original, em uma transferência. A glicogênio sintase só adiciona glicosilas na presença de um iniciador, mas se ele não existisse ainda assim continuaria, por causa de uma proteína chamada glicogenina. Moléculas velhas apresentavam essa proteína ligada, daí que descobriram que não precisa do restinho do último glicogênio pra fazer um glicogênio novo. Essa proteína possui uma tirosina que permite a ligação de uma glicose, expondo sua extremidade redutora, que serviria como âncora.A síntese do glicogênio é dispendiosa? Para cada molécula de glicose ligada, gasta-se dois ATPS. 5 Referências MARZZOCO, A.; TORRES, B.B. Bioquímica Básica, 4ª ed., Ed. Guanabara Koogan, 2015. LEHNHNGER, A.L., NELSON, D.L., COX, M.M. Princípios de Bioquímica, 6ª ed., Artmed, 2014.