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U N O PA R PRIN C ÍPIO S D E ELETRIC ID A D E E M A G N ETISM O Princípios de eletricidade e magnetismo Cibele Abreu Makluf Princípios de eletricidade e magnetismo Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Makluf, Cibele Abreu ISBN 978-85-8482-463-2 1. Eletricidade. 2. Magnetismo. 3. Eletromagnetismo. I. Título. CDD 537 Makluf. – Londrina : Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2016. 184 p. M235p Princípios de eletricidade e magnetismo / Cibele Abreu © 2016 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente Acadêmico de Graduação Mário Ghio Júnior Conselho Acadêmico Dieter S. S. Paiva Camila Cardoso Rotella Emanuel Santana Alberto S. Santana Regina Cláudia da Silva Fiorin Cristiane Lisandra Danna Danielly Nunes Andrade Noé Parecerista André Luiz Delvas Froes Francine de Mendonça Fábrega Thatiane Cristina dos Santos Editoração Emanuel Santana Cristiane Lisandra Danna André Augusto de Andrade Ramos Adilson Braga Fontes Diogo Ribeiro Garcia eGTB Editora 2016 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ Sumário Unidade 1 | Princípios de eletricidade Seção 1 - Eletrostática 1.1 | Carga elétrica 1.2 | Condutores e isolantes 1.3 | Princípios da eletrostática 1.4 | Lei de Coulomb 1.5 | Campo elétrico 1.6 | Linhas de força de um campo elétrico 1.7 | Potencial elétrico 1.8 | Energia potencial elétrica Seção 2 - Correntes elétricas em movimento 2.1 | Corrente elétrica 2.2 | Tensão elétrica e resistência 2.3 | Lei de Ohm 2.4 | Associação de resistores 2.5 | Instrumentos básicos de medidas elétricas 2.5.1 | Amperímetro 2.5.2 | Voltímetro 2.5.3 | Ohmímetro 2.5.4 | Wattímetro Unidade 2 | Campo magnético e forças magnéticas Seção 1 - Introdução ao magnetismo 1.1 | Ímã e suas características 1.2 | Materiais magnéticos e não magnéticos 1.3 | Lei de Coulomb para o magnetismo 1.4 | Campo magnético e linhas de campo magnético 1.5 | Fluxo magnético 1.6 | Densidade de campo magnético 1.7 | Permeabilidade magnética 1.8 | Relutância magnética 9 13 13 16 17 18 21 25 27 29 35 35 41 47 48 53 53 53 53 54 59 63 66 70 71 72 73 74 75 77 Seção 2 - Movimento de partículas carregadas em um campo magnético 2.1 | Movimento de partículas carregadas em um campo magnético 2.2 | Força magnética 2.3 | Potencial de um polo magnético 2.4 | Potencial de um dipolo magnético 2.5 | O efeito Hall Unidade 3 | Fontes de campo magnético Seção 1 - Campo eletromagnético 1.1 | Campo magnético criado por correntes 1.2 | Lei de Ampère 1.2.1 | Aplicações da lei de Ampère Seção 2 - Força magnética sobre correntes 2.1 | Forças magnéticas sobre correntes 2.2 | Força magnética entre dois fios condutores paralelos 2.3 | Torque sobre uma espira percorrida por corrente – momento magnético Seção 3 - Fontes de campo magnético 3.1 | Fontes do campo magnético 3.1.1 | Campo magnético gerado em torno de um condutor retilíneo 3.2 | Campo magnético gerado no centro de uma espira circular 3.3 | Campo magnético gerado no centro de uma bobina longa ou solenoide 3.4 | Campo magnético gerado por um toroide Unidade 4 | Indução eletromagnética Seção 1 - Indução eletromagnética 1.1 | Introdução 1.2 | O fluxo magnético 1.2.1 | Variação do fluxo magnético 1.3 | Lei de Faraday 1.4 | Lei de Lenz Seção 2 - Força eletromotriz 2 | Força eletromotriz produzida pelo movimento 2.1 | Campos elétricos induzidos 2.2 | Força magnetizante (campo magnético indutor) 2.3 | Força magnetomotriz 2.4 | Correntes de Foucault 81 81 84 90 91 92 99 103 105 110 111 119 119 123 125 131 131 131 133 135 138 145 149 149 151 153 155 157 165 165 168 170 172 173 2.5 | Circuitos magnéticos 2.5.1 | Campo magnético 2.5.2 | Indutor 2.5.3 | Perdas em materiais ferromagnéticos 175 175 178 178 Apresentação Caro aluno, o estudo dos princípios de eletricidade e magnetismo é de extrema importância e proporcionou o desenvolvimento em diversas áreas, sobretudo as ligadas à Engenharia. Os fenômenos elétricos e magnéticos estão ligados diretamente aos acontecimentos de nosso cotidiano. Podemos citar o acendimento de uma lâmpada, os relâmpagos, o funcionamento de um motor elétrico, de um celular, entre outros. Nada disso seria possível sem os estudos realizados nessa área. Sabendo da importância que a eletricidade e o magnetismo têm para o ser humano, vamos entender esses conceitos e descobrir de que forma ocorrem os fenômenos elétricos e magnéticos. O estudo da eletricidade pode ser dividido em: eletrostática, eletrodinâmica e eletromagnetismo, sendo que, ao longo das unidades, você conhecerá cada um desses conceitos. Na unidade 1, você verá as os conceitos da eletrostática, que é o estudo das cargas elétricas em repouso, em que analisaremos as características e interações entre as cargas elétricas, a força e o campo elétrico, e o potencial elétrico. Em um segundo momento, serão apresentados os conceitos de Eletrostática, que é o estudo das cargas em movimento, e serão abordadas as características das correntes elétricas, as resistências elétricas e suas associações possíveis, além dos instrumentos utilizados nas medições elétricas. Na unidade 2, iremos nos dedicar ao magnetismo, que é o estudo de fenômenos magnéticos. Serão apresentados os conceitos sobre os ímãs, o campo magnético e suas linhas de campo, a força magnética, bem como as características do potencial dos polos e dipolos magnéticos e a interpretação do efeito Hall. Na unidade 3, você verá o estudo do eletromagnetismo, que trata das interações entre os campos elétricos e magnéticos. Será apresentado o campo magnético criado através de correntes elétricas e a força magnética a que as correntes estarão submetidas nesse campo, as leis que regem esse estudo, que são as leis de Biot- Savart e de Ampére, bem como diferentes fontes que são capazes de gerar um campo magnético. Na unidade 4, serão apresentados outros importantes conceitos ligados ao eletromagnetismo, como o estudo da indução eletromagnética, do fluxo magnético e os fundamentos das Leis de Faraday e Lenz. Caro aluno, inicia-se aqui seu processo de aprendizado em Princípios de Eletricidade e Magnetismo. É muito importante a sua dedicação nesse momento para que possamos, juntos, realizar essa tarefa com sucesso. Trace planos e metas para aperfeiçoar o seu processo de aprendizagem, procurando sempre aprofundar seus estudos através de outras fontes, a fim de estender seu conhecimento sobre o tema proposto. Bom trabalho! Unidade 1 PrinCíPios de eletriCidAde Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade, você será levado a estudar e compreender: • Os principais conceitos sobre a eletricidade. • A eletricidade estática. • As propriedades da força e do campo elétrico. • A importância do potencial elétrico. • Os conceitos teóricos e características das correntes elétricas. • Os fundamentos da Lei de Ohm. • De que forma os resistores podem ser associados. Cibele Abreu Makluf • Cargas elétricas. • Forças e campos elétricos. • Potencial elétrico. • Corrente elétrica. Seção 1 | Eletrostática Seção 2 | Correntes elétricas em movimento Princípios de eletricidade U1 10 • Resistência elétrica. • Lei de Ohm. • Associação de resistores. • Instrumentos de medidas elétricas. Princípios de eletricidade U1 11 Introduçãoà unidade Caro aluno, você terá, nesta unidade, uma introdução aos conceitos de eletricidade. Sabemos da importância que a eletricidade tem para o ser humano e quanto desenvolvimento ela proporcionou. Por isso, vamos juntos entender esses conceitos e descobrir de que forma ocorrem vários fenômenos elétricos que fazem parte do nosso cotidiano, como os relâmpagos. Vamos iniciar nosso estudo vendo conceitos de eletrostática, como as características das cargas elétricas, as forças e o campo elétrico, bem como o potencial elétrico. Na sequência, vamos iniciar o estudo de eletrodinâmica, em que veremos alguns conceitos e características das correntes elétricas, as particularidades das resistências elétricas, descobrindo qual sua função dentro de um circuito e como elas podem ser associadas, bem como alguns instrumentos principais utilizados para as medições elétricas. Você é essencial nesse processo de aprendizagem. Bom trabalho! Princípios de eletricidade U1 12 Princípios de eletricidade U1 13 Seção 1 Eletrostática Caro aluno, esta seção apresenta as três partículas elementares que formam o átomo. Você verá de que maneira os corpos são carregados eletricamente e como calcular uma carga elétrica. Falaremos sobre as cargas elétricas e as linhas de campo que elas carregam. Definiremos e explicaremos os campos elétricos e o surgimento das forças elétricas, além das particularidades e como calcular o potencial elétrico para um conjunto de cargas. Todos esses conceitos são importantes para a compreensão de muitos fenômenos da eletricidade e do magnetismo, como o funcionamento de motores elétricos, o surgimento de um relâmpago, entre outros. Vamos lá? Bons estudos! introdução à eletricidade A eletricidade estuda os fenômenos ligados às cargas elétricas. Podemos citar: • Eletrostática: temos o estudo das cargas em repouso, bem como dos processos de eletrização, das forças eletrostáticas, do campo elétrico e do potencial elétrico. • Eletrodinâmica: temos o estudo das cargas em movimento, bem como da corrente elétrica e dos elementos dos circuitos. 1.1 Carga elétrica A matéria é constituída por átomos, sendo o núcleo atômico composto por: Princípios de eletricidade U1 14 • Prótons (partículas de carga positiva). • Nêutrons (partículas sem carga). Ao redor do núcleo, na eletrosfera, temos: • Elétrons (partículas de carga negativa). Foi comprovado de maneira experimental que um próton afasta outro próton, um elétron afasta outro elétron e prótons e elétrons se atraem mutuamente, ou seja, cargas de mesmo sinal se afastam e de sinais opostos se atraem. Esse fenômeno é conhecido como princípio da atração e repulsão e é mostrado na Figura 1.1. Os nêutrons são eletricamente neutros, e não são afetados por cargas elétricas, não as atraem ou repelem. A carga elétrica é representada por Q ou q e sua unidade é o Coulomb (C). Esse valor é determinado através da carga elétrica elementar (e) onde: e = 1.6 x 10-19 A carga elementar nada mais é que uma quantidade mínima (quantum) de carga, sendo essa indivisível. As cargas dos prótons e elétrons são idênticas e opostas, tal que: Q p = +e = 1,6 x 10-19C Q e = -e = -1,6 x 10-19C A Tabela 1.1 mostra resumidamente as propriedades das três partículas elementares: Figura 1.1 | Princípio da atração e repulsão Fonte: O autor. Princípios de eletricidade U1 15 De forma geral, os corpos são neutros eletricamente, pois possuem números iguais de prótons e elétrons em sua composição. Lembre-se, a carga de elétrons e dos prótons é igual em módulo, mas oposta no sinal. Se os números de prótons e elétrons são diferentes, dizemos que o corpo está eletrizado, conforme mostramos a seguir. Tabela 1.1 | Propriedades das partículas elementares Fonte: O autor. Partícula Massa (grama) Massa relativa Carga elétrica (Coulomb) Carga relativa Próton (+) 1,7 x 10-24 1 1,6 x 10-19C +1 Nêutron (0) 1,7 x 10-24 1 0 0 Elétron (-) 9,1 x 10-28 1/1836 -1,6 x 10-19C -1 Um átomo eletricamente neutro poderia ganhar ou perder prótons e elétrons, e tornar-se carregado. entretanto, os prótons estão fortemente ligados aos nêutrons no interior do núcleo atômico devido às forças nucleares. Para modificar o conteúdo de prótons em um átomo, você precisa atuar de maneira muito violenta sobre ele (por exemplo, por fissão nuclear, como em uma bomba atômica, ou pela fusão nuclear, como ocorre no interior do sol). Portanto, todos os fenômenos elétricos do dia a dia são causados por elétrons, pois são eles que têm mobilidade, na parte mais exterior do átomo, em uma região conhecida como eletrosfera. n p = n e : corpo eletricamente neutro. n p > n e : corpo eletricamente positivo. n p < n e : corpo eletricamente negativo. Princípios de eletricidade U1 16 A quantidade de carga de um corpo é quantizada, o que significa que ela sempre aparece em “pacotes inteiros”, múltiplo da carga das partículas presentes em seu interior. Levando em consideração que o elétron contribui com (–e) na carga total e o próton contribui com (+e) na carga total, dessa forma, temos: Q = (n p - n e ) . e Onde n p é o número de prótons e n e o número de elétrons. Q > 0, o corpo está eletrizado positivamente. Q < 0, o corpo está eletrizado negativamente. Q = 0, o corpo está eletricamente neutro. 1.2 Condutores e isolantes A facilidade com que os elétrons se movimentam dentro de um material o classifica como um bom ou mau condutor. Nos bons condutores, existe uma facilidade para a movimentação dessas cargas; podemos citar como exemplos os metais, o corpo humano e a água da torneira. Já nos maus condutores, também conhecidos como isolantes, não há movimentação de cargas; é o caso do plástico, da borracha e da água destilada. Fique atento: um isolante pode ser forçado a se tornar um condutor se for submetido a um potencial elétrico muito elevado. em um dia seco, antes de entrar em casa, você esfrega os pés em um tapete de fibras, sendo este um mau condutor. o atrito entre os seus pés e as fibras do tapete gera correntes elétricas que ficam armazenadas no seu corpo. Quando você toca na maçaneta metálica para abrir a porta, o que acontece? Princípios de eletricidade U1 17 1.3 Princípios da eletrostática A eletrostática possui dois princípios: a) Atração e repulsão: as cargas com sinais iguais se afastam e as de sinais opostos se atraem. b) Conservação de cargas elétricas: Em um sistema eletricamente isolado, a soma algébrica das cargas positivas e negativas é constante. A Figura 1.2 mostra esse princípio. A pesquisa científica permite a criação de materiais com propriedades muito úteis. Os semicondutores, por exemplo, possuem propriedades intermediárias entre os condutores e os isolantes. Um exemplo, muito útil na indústria de equipamentos eletrônicos, são as ligas de silício e germânio. Temos também os materiais considerados supercondutores ou condutores perfeitos, pelos quais as cargas se movimentam sem nenhuma resistência. Por exemplo, o mercúrio torna- se supercondutor a temperaturas extremamente baixas, cerca de -269 °C. liMA, Hugo. Condutores e isolantes. Universidade de santa Cecília. disponível em: <https://drive.google.com/file/ d/0B4dWrkB2lh2soedlnHhPrFVfWUk/view?usp=sharing>. Acesso em: 03 mar. 2016. Figura 1.2 | Princípio da conservação de cargas Fonte: O autor. Princípios de eletricidade U1 18 Após a interação dos corpos A e B, a carga total final e a carga total inicial são iguais. 1.4 lei de Coulomb De acordo com experimentos realizados por Coulomb, considerando duas cargas e quaisquer, conclui-se: Propriedade 1: o módulo da força elétrica é proporcional ao inverso do quadrado da distância entre as cargas. Propriedade 2: trata-se de uma força central, ou seja, a direção da força coincide com a direção da linha que une as duas cargas. Dessa forma, podemos escrever que a força sobre q 1 exercida por q 2 é: F 21= Kq 1 q 2 (r 21 )2 E a força elétrica sobre q 2 exercida por q 1 é: F 12 = Kq 1 q 2 (r 12 )2 Onde r 12 =r 21 representa a distância entre as cargas q 1 e q 2 . Se as cargas tiverem mesmo sinal, a força será de repulsão, e, se forem de sinais opostos, a força será de atração. O fator K da equação é chamado de constante de proporcionalidade e seu valor depende do meio onde as cargas estão inseridas. No caso do vácuo, temos: K = 1 4πε 0 Onde ε 0 = 8,85 . 10-12C2/N . m2 é a permissividade do vácuo. Forma vetorial da lei de Coulomb A força, como um vetor, possui propriedades direcionais, como é mostrado na Figura 1.3. Princípios de eletricidade U1 19 Figura 1.3 | Sentido das forças eletrostáticas Figura 1.4 | Vetores de força para duas cargas com mesmo sinal Fonte: Adaptado de Filho (2012). Fonte: Adaptado de Filho (2012). Na Figura 1.3, temos a orientação vetorial entre duas cargas elétricas para (a) cargas positivas, (b) cargas negativas e (c) para cargas opostas, sendo que a força de atração ou repulsão atua ao longo da linha que as une. Vamos observar agora a Figura 1.4, na qual os vetores das forças entre duas cargas de mesmo sinal são demonstrados. O módulo da força eletrostática, em termos vetoriais, pode ser representado por: F 12 = r 12 ^ → Kq 1 q 2 (r 12 )2 Sendo que F12 → a força exercida de q 1 sobre q 2 , r 12 representa o módulo do vetor r12 → e r12 ^ indica o vetor unitário do sentido de r12 → : r 12 r 12 = → r 12 → Fonte: Adaptado de Filho (2012). Princípios de eletricidade U1 20 Já a força exercida de q 2 sobre q 1 é F21 → , que pode ser expressa por: F 21 = r 21 ^ → Kq 1 q 2 (r 21 )2 Como foi dito, r 21 ^ possui sentido oposto a r12 ^ , o que determina que: F 12 = - F 21 → → exemplo de aplicação Considere duas partículas de mesmo sinal, como mostra a figura a seguir, sendo q 1 = 5µC e q 2 = 7µC. Elas estão separadas a uma distância d = 4 m e se encontram no vácuo. Qual o módulo das forças de interação entre essas partículas? Dado que K, no vácuo, vale K = 9 . 109 N . m2 / C2 . Resolução: F= = Kq 1 q 2 9 . 109 x 5-6 x 7 . 10-6 (r)2 (4)2 F = 19,7 . 10-3 N GUssoW, Milton. Eletricidade básica. 2. ed. são Paulo: Bookman, 2007. Princípios de eletricidade U1 21 Caro aluno, a videoaula a seguir traz os conceitos da lei de Coulomb, abrangendo esses conceitos de forma interativa e interessante. o vídeo está disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=449UV7- r0Gc>. Acesso em: 17 fev. 2016. 1.5 Campo elétrico As cargas elétricas criam em sua volta uma região de perturbação eletrostática, que é bem descrita em termos de um campo elétrico. Ele está presente no espaço e influencia qualquer carga q nessa região, causando uma força F. A força F pode ser de atração ou repulsão, dependendo do sinal de Q. O campo elétrico é representado, em cada ponto do espaço, por um vetor simbolizado por E → . Em um determinado ponto, seu módulo E é chamado intensidade de campo elétrico. Observando a Figura 1.5, a carga Q forma um campo elétrico no espaço à sua volta. É inserida uma carga de prova q, sendo que nesse exemplo ela foi colocada em cima do ponto P1. Observa-se o surgimento de uma força elétrica que atua Figura 1.5 | Campo elétrico Fonte: Flores (2012). Princípios de eletricidade U1 22 sobre essa carga de prova q. Dessa forma, podemos definir a intensidade do campo elétrico nesse ponto P1: E = → q F → As unidades geralmente utilizadas são: • F: N (Newton). • q: C (Coulomb). • E: N/C (Newton/Coulomb). Em relação à direção e sentido do vetor campo elétrico em um determinado ponto, esses são dados pela direção e sentido da força que atua em uma carga de prova positiva colocada nesse ponto. Isso é demonstrado na Figura 1.6. Figura 1.6 | Vetor campo elétrico para carga positiva Fonte: Adaptado de Flores (2012).Fonte: Adaptado de Flores (2012). Analisando a Figura 1.6, vamos focar primeiramente no ponto P1. Imaginemos que uma carga de prova positiva foi colocada nesse ponto. Pelo que já foi estudado, sabemos que essa carga vai ser repelida com uma força para a direita. Da mesma forma, nesse ponto, o vetor campo elétrico seria também horizontal e no sentido da direita. No caso do ponto P2, temos, portanto, um vetor vertical e voltado para cima, já que ele teria uma força de repulsão também nessa direção e sentido, mantendo no caso a carga de prova positiva. Para os pontos P3 e P4, seguimos a mesma linha, e os sentidos e direções dos seus vetores podem ser vistos na Figura 1.6. Princípios de eletricidade U1 23 Vamos dar outro exemplo, sendo que a carga Q agora está eletrizada negativamente, como pode ser observado na Figura 1.7. Iniciaremos novamente pelo ponto P1. Nesse caso, é observado que ela seria atraída por Q com força para esquerda; sendo assim, o vetor campo elétrico será também para esquerda. Dessa mesma forma, nos pontos P2, P3 e P4, teremos os vetores campo elétrico. Perceba que o campo elétrico pode ser definido independentemente da carga de prova. A carga de prova nos permite verificar a existência do campo elétrico, observando a força resultante, como mostra a Figura 1.8. A intensidade do campo elétrico será calculada por: A constante K, como já foi visto anteriormente, é a constante de proporcionalidade e seu valor depende do meio em que as cargas estão inseridas. Figura 1.7 | Vetor campo elétrico para carga negativa Figura 1.8 | Campo elétrico em função da carga Q Fonte: Adaptado de Flores (2012). Fonte: Adaptado de Firmino (2010). Fonte: Adaptado de Flores (2012). Fonte: Adaptado de Firmino (2010). E = d2 K |Q| Princípios de eletricidade U1 24 A Figura 1.9 traz os sentidos dos campos elétricos. Figura 1.9 | Sentido do campo elétrico Fonte: Firmino (2010). A Figura 1.9 pode ser resumida em: Intensidade: E = |q| F Direção: mesma de F → (na reta que une as cargas). Sentido: q>0 é o mesmo da Força. q<0 é contrário ao da Força. exemplo de aplicação Uma carga de prova de q = 6µC está sujeita a uma força de intensidade F = 12 N. Determinar o módulo do campo elétrico. Princípios de eletricidade U1 25 Resolução: 1.6 linhas de força de um campo elétrico As linhas de força são linhas imaginárias construídas em torno de uma carga elétrica ou de uma distribuição de cargas, com a finalidade de demonstrar o comportamento do campo elétrico em certa região do espaço. Podemos definir também como a linha que é tangente, em um dado ponto, ao vetor campo elétrico nesse mesmo ponto. A Figura 1.10 mostra alguns exemplos de linhas de força. Podemos observar na figura que as linhas produzidas por somente uma carga puntiforme são retas que passam por essa carga; já para mais de uma carga, as linhas de campo são curvas. Podemos observar a Figura 1.11, em que os vetores campo elétrico correspondem, respectivamente, aos pontos A, B, C e D, sendo que a linha de força que passa por esses pontos é tangente aos vetores de campo. E = = 2 . 106 N/C = |q| 6 . 10-6 F 12 Figura 1.10 | Linhas de campos elétricos Fonte: Filho (2012). Princípios de eletricidade U1 26 Figura 1.11 | Vetores do campo elétrico Fonte: Firmino (2010). As diferentes linhas de força não se cruzam em nenhum ponto. A intensidade do campo elétrico é proporcional à densidade das linhas, isto é, quanto mais próximas as linhas se encontram, mais intenso é o campo. A definição de linha de força é puramente geométrica, mas algumas conclusões podem ser destacadas: • Conhecendo uma dada linha de força, por exemplo, pode-se saber a direção do campo elétrico em qualquer ponto sobre ela (direção da tangente à linha de força nesse ponto). • Vamos imaginar que uma carga q foi adicionada em um ponto A de uma linha de força, como pode ser visto na Figura 1.12. Temos que o campo elétrico é tangente à linha de força nesse ponto. A força que atuana carga q pode ser calculada e tem a mesma direção do campo elétrico. Assim, podemos concluir que também é tangente à linha de força no ponto A. Dessa forma, em cada ponto, a tangente à linha nos mostrará a direção da força que irá atuar em uma determinada carga, naquele ponto. sabemos que as linhas de força nunca se cruzam, mas você consegue imaginar como os estudiosos chegaram a essa conclusão? o que aconteceria se elas se cruzassem? Princípios de eletricidade U1 27 Figura 1.12 | Vetor campo elétrico e força Fonte: Firmino (2010). GUssoW, Milton. Eletricidade básica. 2. ed. são Paulo: Bookman, 2007. 1.7 Potencial elétrico Relembrando os conceitos de mecânica, quando temos uma força paralela ao movimento de um corpo, gerando deslocamento, podemos dizer, então, que essa força realizou trabalho sobre o corpo. Esse trabalho pode ser calculado pela expressão: W = F . d . cos θ onde θ é ângulo formado entre a direção do deslocamento do corpo e a força aplicada. Sendo: W: Trabalho [J (Joules)]. F: Força que atua no corpo [N (Newton)]. d: Deslocamento [m (metros)]. Agora, iremos pensar em conceitos de eletrostática. Vamos imaginar que uma carga de prova q positiva está sendo deslocada, como mostra a Figura 1.13, do ponto A para o ponto B, com uma velocidade constante. Princípios de eletricidade U1 28 Figura 1.13 | Deslocamento de uma carga no campo elétrico Fonte: O autor.Fonte: O autor. O trabalho que a força F teve de realizar para mover a carga do ponto A para o ponto B é medido. A diferença de potencial entre esses dois pontos pode ser expressa pela equação seguinte. É importante lembrar que o potencial elétrico é a capacidade dos corpos eletrizados realizarem trabalho, ou seja, se atraírem ou repelirem conforme as forças geradas em um campo elétrico. V A - V B = q W AB Ou ∆V= q W AB Onde: • V A é o potencial elétrico no ponto A. • V B é o potencial elétrico no ponto B. • W AB é o trabalho para deslocar a carga do ponto A para o B. • q é a carga. • ∆V é a variação de potencial. A unidade é Joules/Coulomb=Volts Normalmente, é considerado que o ponto A está no infinito, o que determina que o seu potencial seja nulo. Dessa forma, a equação pode ser reescrita: Princípios de eletricidade U1 29 É importante salientar que o que é relevante no cálculo de trabalho é a diferença de potencial, e não o valor absoluto de cada um dos potenciais. Outro ponto importantíssimo é a possibilidade de calcular o potencial gerado por cargas pontuais diretamente. Temos: V= r K . q Para mais de uma carga pontual, o potencial será a soma dos potenciais gerados por cada carga (princípio da superposição): V= Σ V i = Σ r i K . q i n n i = 1 i = 1 Onde r i representa a distância entre cada carga q i e o ponto onde se calcula o potencial elétrico. exemplo de aplicação Sendo uma partícula onde q= 2 . 10-5 se deslocando em um campo elétrico do ponto A para o B. O trabalho realizado pela força elétrica é de W = 4 . 10-3J. Qual será a diferença de potencial entre os dois pontos? Resolução: ∆V= = 200V= q 2 . 10-5 W 4 . 10-3 1.8 energia potencial elétrica Temos a realização de trabalho também pelas forças elétricas, pois há energia potencial armazenada em um campo elétrico. O potencial elétrico é definido como a capacidade que um corpo carregado possui para atrair ou afastar outras cargas elétricas, ou seja, sua capacidade de realizar trabalho. Um campo elétrico criado pelo corpo carregado com carga Q e a inserção de uma carga q sofrendo a ação de uma força F. Dessa forma, F realiza trabalho sobre a partícula, sendo que ela adquire energia. São as grandezas força e deslocamento V= q W Princípios de eletricidade U1 30 da partícula que irão determinar o trabalho, sendo que essas dependem da posição da partícula no campo elétrico. A energia potencial elétrica E p adquirida vai depender do ponto P onde ela estiver. É conhecido que em cada ponto P do campo a força é expressa por F = q . E → → , sendo que a força é diretamente proporcional à carga q, logo o trabalho W e a energia potencial da partícula E p também serão proporcionais a q. Dessa forma, podemos definir o potencial elétrico em um dado ponto P por: V= q E p onde V é o potencial elétrico (unidade J/C=Volts), E p é a energia potencial e q é a carga. Adotamos os mesmos referenciais utilizados no potencial para a energia potencial elétrica. Sendo assim, considerando um campo elétrico gerado por uma carga Q, o potencial elétrico por convenção é: exemplo de aplicação Sendo uma carga de q=-6µC colocada em um determinado ponto P onde o potencial elétrico é V = 2 . 104 V, determine sua energia potencial elétrica. V= q E p → E p = V . q = 2 . 104 x (-6 . 10-6) = -0,12J • No infinito, ele é nulo. • Para Q positivo, o potencial é crescente e positivo. • Para Q negativo, o potencial é crescente e negativo. Princípios de eletricidade U1 31 GUssoW, Milton. Eletricidade básica. 2. ed. são Paulo: Bookman, 2007. 1. Considerando um corpo condutor de eletricidade, que possui prótons e elétrons, responda às questões a seguir: a) Ele estará eletrizado de forma negativa ou positiva? b) Qual o valor da carga elétrica? 2. Podemos afirmar, em relação à natureza dos corpos extensos, em situações típicas de nosso dia a dia, carregados ou neutros eletricamente, que: I - Sendo um corpo carregado, podemos dizer que em seu interior o número de elétrons é diferente do número de prótons. II - Um corpo carregado possui cargas elétricas. III - Um corpo neutro não possui cargas elétricas. IV - Não é possível carregar eletricamente dois corpos de materiais distintos por meio do atrito. V - Um corpo neutro possui prótons e elétrons em mesmo número. Estão corretas as afirmações: a) I, II e III. b) I, II e V. c) I e IV. d) II, IV e V. e) II, III e V. Princípios de eletricidade U1 32 3. Temos duas cargas no vácuo, Q A =-4µC e Q B =9µC, conforme mostra a figura: 4. Vamos considerar o triângulo da figura, onde duas cargas Q 1 = 3µC Q 2 =5µC estão localizadas nos vértices A e B do triângulo equilátero. Qual seria o potencial elétrico em C? 5. A figura a seguir representa uma superfície equipotencial. Determine qual o trabalho para transportar uma carga q=5µC do ponto A para o B. Considere K = 9 . 109 N . m2/C2. Qual o campo resultante em P? Princípios de eletricidade U1 33 Princípios de eletricidade U1 34 Princípios de eletricidade U1 35 Seção 2 Correntes elétricas em movimento Caro aluno, esta seção apresenta a corrente elétrica e a densidade de corrente. Iremos nos aprofundar no assunto, calculando sua intensidade e interpretando o sentido dessas correntes em relação ao campo elétrico. Em seguida, estudaremos os circuitos elétricos e uma de suas principais componentes, a resistência elétrica. Além disso, serão apresentados quais parâmetros determinam esse tipo de elemento e que tipos de associação podem ser feitos com os resistores. Discutiremos a lei de Ohm, e finalizando a seção, veremos os principais instrumentos utilizados para a medição das grandezas elétricas. Vamos lá? Bons estudos! 2.1 Corrente elétrica Um gerador elétrico é um equipamento que transforma energia mecânica em energia elétrica. Basicamente, ele tem como função manter uma diferença de potencial elétrico (ddp) entre os terminais ou polos A e B, dado por V A - V B . Temos também o exemplo das pilhas, que são muito usadas como fonte de energia elétrica e também para manter a diferença de potencial, e, portanto, o movimento dos elétrons. A Figura 1.14 traz uma pilha ligada a um condutor. Figura 1.14 | Pilha ligada a um condutor Fonte: O autor. Princípios de eletricidade U1 36 O maior potencial é considerado o polo positivo, e o menor é o polo negativo. Dizemos que um condutor elétrico se encontra em equilíbrio eletrostático quando os elétrons se encontram livres e se movimentamde forma desordenada. Quando ele é ligado aos polos do gerador, passa a estar sujeito a um campo elétrico E → , no sentido do polo positivo para o negativo, como mostra a Figura 1.15. Nela, os elétrons estão sob a ação de uma força elétrica, F e , onde F e = q . E → → Essa força tem sentido contrário a E → , já que os elétrons estão carregados negativamente. Ela faz com que os elétrons adquiram um movimento ordenado, no sentido e direção de F e → . Corrente elétrica é o movimento ordenado das cargas elétricas. 1. intensidade da corrente Sendo um condutor ligado a um gerador, os elétrons atravessam uma seção transversal de um condutor em um dado ∆t (intervalo de tempo), como mostra a Figura 1.16. Dessa forma, o valor absoluto da carga elétrica que passa por essa seção transversal pode ser expresso por: ∆q = n . e Onde • n é o número de elétrons; • e a carga elementar, 1.6 . 10-19C. Figura 1.15 | Condutor ligado ao gerador Fonte: Adaptado de Franco (2013). Figura 1.15 | Condutor ligado ao gerador Fonte: Adaptado de Franco (2013). Princípios de eletricidade U1 37 A intensidade média de corrente elétrica é definida como: ∆q ∆tI = Unidade: Ampère (A) A corrente pode ser contínua ou alternada. Dizemos que ela é contínua quando o sentido do campo elétrico (portanto, o sinal da diferença de potencial) não muda com o tempo. Para a corrente alternada, temos uma mudança periódica no sentido do campo elétrico. Perceba que os polos do gerador devem, nesse caso, inverter periodicamente seu sinal. O polo positivo, após algum tempo, torna-se negativo. A Figura 1.17 traz exemplos dessas duas correntes de intensidade constante, sendo o primeiro gráfico para a corrente contínua e o segundo para a alternada. Podemos observar, no primeiro gráfico, de corrente contínua, que a diferença de potencial nos polos do gerador não inverte. Os elétrons movem-se sempre no mesmo sentido, em média. No segundo gráfico, o fluxo de elétrons dentro do fio ocorre de maneira a ter troca do sentido da corrente várias vezes, portanto os elétrons fazem um movimento de vaivém no fio. Figura 1.16 | Elétrons atravessando uma seção transversal de um condutor Fonte: O autor. Figura 1.17 | Gráfico de corrente contínua e alternada Fonte: Queiroz (2014). Princípios de eletricidade U1 38 o movimento de vaivém da corrente alternada traz grandes benefícios, por isso essa corrente foi adotada em nossa rede elétrica. Com ela é mais fácil transmitir voltagens altas, a uma maior distância e com menores perdas. nesse sentido, a corrente alternada se torna bem mais eficaz na transmissão que a corrente contínua. A frequência com que a corrente faz essa troca depende de país para país, mas no Brasil um ciclo ocorre a 60 Hz; sendo assim, a troca de sentido ocorre a aproximadamente 120 vezes por segundo. A corrente alternada permite a utilização em circuitos de alguns componentes que não permitiriam a movimentação contínua dos elétrons. São exemplos os capacitores e os transformadores. 2. sentido da corrente Dentro de um condutor metálico, o sentido dos elétrons será contrário ao do campo elétrico, sendo F e = q . E → → , e q carga negativa (elétrons). Devemos ficar atentos, pois, por convenção, determinou-se que o sentido da grandeza física corrente elétrica deve ser igual ao do campo elétrico dentro de um condutor, e nessas condições ela é chamada de corrente convencional. Observe a Figura 1.18. Figura 1.18 | Sentido convencional Fonte: Adaptado de Franco (2013). Princípios de eletricidade U1 39 exemplo de aplicação Em uma seção reta de um fio, a cada 2 segundos passam 5 . 1018 elétrons. Qual é a corrente elétrica que percorre o fio? ∆q ∆tI = ∆q= n . e = 5 . 1018 x 1,6 . 10-19 = 8 . 10-1C 8 . 10-1 2 I = 4 . 10-1 = 400mA 3. densidade de corrente Vamos considerar um campo elétrico uniforme E → , contendo uma carga de prova q. Como vimos anteriormente, essa carga sofre a ação de uma força, como mostrado na Figura 1.19, definida por: F = q . E → → Unidade: Newton (N) Você se deparou com uma vítima que está ligada a um condutor de energia e está recebendo uma descarga elétrica. Como você procederia para tentar salvá-la? Figura 1.19 | Força em uma carga submetida a campo elétrico Fonte: Adaptado de Junior e Aquino (2010). Princípios de eletricidade U1 40 De acordo com a lei de Newton, sendo essa carga livre, ela irá se movimentar, sofrendo uma aceleração determinada por: F → a = → m Unidade de aceleração: m/s2 Sendo m a massa da partícula carregada em kg. Uma partícula submetida a uma força elétrica constante por tempo suficiente atingiria grandes velocidades, próximas à velocidade da luz. Entretanto, um meio condutor é muito diferente de um vácuo perfeito. Em meios líquidos, gasosos ou sólidos, temos colisões constantes entre as partículas e, como consequência, é transferida uma parcela de sua energia. Sendo o campo E → constante, em meio homogêneo, essas colisões restringem o movimento da carga a uma velocidade média constante, que podemos chamar velocidade de deriva ou de deslocamento, representada por V d → . Ela possui a mesma direção do campo elétrico. V = µ . E → → Onde µ é a constante de mobilidade. Vamos observar agora uma seção reta uniforme S apresentada na Figura 1.20. Suponha um meio condutor com uma densidade volumétrica ρ de elétrons livres, movendo-se com uma velocidade de deriva Vd → . Em um tempo ∆t, os elétrons movem-se a uma distância ∆L = Vd . ∆t. Assim, em um volume S . ∆L teremos uma carga ∆q = ρS∆L atravessando a seção transversal S, e a corrente elétrica pode, então, ser definida por: Figura 1.20 | Cargas em uma seção de um condutor Fonte: Junior (2010). I = = = ρ . S . V d . ρ . S .∆q ∆L ∆t ∆t Princípios de eletricidade U1 41 2.2 tensão elétrica e resistência Observando a Figura 1.21, vamos supor um aparelho elétrico colocado entre os pontos A e B, sendo que esses possuem um potencial V A e V B e a ddp entre os dois pontos é ∆V = V B - V A . Unidades: • I: corrente elétrica (A). • Vd → : velocidade de deriva (m/s). • ρ: densidade volumétrica de carga (C/m3). • S: área da seção atravessada (m2). • ∆L: comprimento da seção (m). Considerando a equação de corrente, vista anteriormente, vamos dividi-la pela área da seção S, obtendo dessa forma a densidade de corrente J: I S J = Unidade: A/m2 GUssoW, Milton. Eletricidade básica. 2. ed. são Paulo: Bookman, 2007. Figura 1.21 | Circuito elétrico Fonte: Adaptado de Franco (2013).Fonte: Adaptado de Franco (2013). Princípios de eletricidade U1 42 Essa diferença de potencial também é chamada de tensão elétrica. Vimos anteriormente que, quando é estabelecida uma tensão nos terminais de um condutor, o campo elétrico provoca uma corrente elétrica, através do movimento ordenado dos elétrons. O choque desses elétrons com os átomos do condutor produz calor. Certos materiais condutores oferecem maior resistência a essa passagem da corrente elétrica do que outros. A essa propriedade damos o nome de resistência elétrica. Podemos dizer, em outros termos, que uma parte da energia do gerador é transformada em energia elétrica (energia da movimentação dos elétrons da corrente) e outra parte em energia térmica, que chamamos de efeito Joule. 1. resistores Alguns fatores como material, dimensão do condutor e temperatura determinam a resistência elétrica. • Unidade de resistência elétrica: ohm. • símbolo: Ω. No caso de alguns condutores utilizados nas redes elétricas, transformadores e motores, buscam-se os menores valores de resistência, reduzindo, assim, a perda de energia. Nos circuitos eletrônicos, a corrente é limitada através de resistores. Os resistores são um elemento físico, em geral fios ou filmes metálicos. Embora na maioria dos casos estejamos interessados na menor resistência possível, transmitindo a energia elétrica com o mínimo de perdas, em algumas situações nosso maiorinteresse é na geração de calor, como no caso dos aquecedores. São exemplos fogões, chuveiros e secadores elétricos, entre muitos outros. Os elementos utilizados para esse fim são os resistores, comercialmente denominados de resistências. • Simbologia Em um circuito, os símbolos que representam um resistor são: Quanto maior a resistência elétrica, maior será a dificuldade para a passagem de corrente. Princípios de eletricidade U1 43 2. resistividade A resistência elétrica dos materiais condutores depende de alguns parâmetros: • Comprimento do fio (L). • Área da seção transversal (A). • Temperatura. • Material. Figura 1.22 | Simbologia dos resistores Fonte: Afonso e Filoni (2011). AFonso, Antonio; Filoni, enio. Eletrônica: circuitos elétricos. instituto Paula souza. disponível em: <https://drive.google.com/ file/d/0B4dWrkB2lh2sWkZQoVFwdnntMke/view?usp=sharing>. Acesso em: 04 mar. 2016. Figura 1.23 | Condutor Fonte: Afonso e Filoni (2011). Princípios de eletricidade U1 44 A. influência do material: resistividade A resistividade ρ é propriedade de cada material. A Tabela 1.2 mostra a resistividade de alguns materiais. Unidade: Ω . m B. influência do comprimento Sendo apenas o comprimento variado, como mostra a Figura 1.24, conclui-se que: A resistência elétrica é diretamente proporcional ao comprimento do condutor. C. influência da área da seção transversal do condutor De acordo com a Figura 1.25, diferentes diâmetros de fios foram utilizados e pode-se concluir que: Tabela 1.2 | Valores de resistividade para diferentes materiais Material ρ (Ω . m) Prata 1,6 . 10-8 Cobre 1,7 . 10-8 Ouro 2,3 . 10-8 Alumínio 2,8 . 10-8 Tungstênio 4,9 . 10-8 Platina 10,8 . 10-8 Ferro 11,0 . 10-8 Nicromo 110 . 10-8 Figura 1.24 | Variação de comprimento do condutor Fonte: Afonso e Filoni (2011). Princípios de eletricidade U1 45 d. Cálculo da resistência Dessa forma, pode-se concluir que: A resistência elétrica de um condutor é diretamente proporcional ao comprimento e à resistividade, e inversamente proporcional à área da seção transversal. Sendo: R = ρ . L A Onde: • R é a resistência elétrica (Ω). • ρ é a resistividade elétrica do material (Ω . m). • L é o comprimento do condutor (m). • A é a área da seção transversal do condutor (m2). exemplo de aplicação A resistência de um chuveiro elétrico é feita de um fio de níquel enrolado. Calcule o comprimento do fio do resistor desse chuveiro; sabendo que a resistência R = 7,8 Ω, a área da seção transversal do fio vale 1 . 10-6 m2 e a resistividade do níquel é de ρ = 7,8 . 10-8 Ω . m A resistência elétrica é inversamente proporcional à área da seção transversal do condutor. Figura 1.25 | Área da seção transversal Fonte: Afonso e Filoni (2011). Princípios de eletricidade U1 46 Resolução: R = ρ . → 7,8 = 7,8 . 10-8 x L A L 1 . 10-6 L = 100 m e. influência da temperatura sobre a resistência elétrica O aumento da temperatura, para grande parte das substâncias, ocasiona uma maior resistência elétrica, já que ocorre uma maior movimentação das partículas e, portanto, maior número de colisões entre essas partículas e os elétrons livres no interior do condutor. Existem exceções, como o grafite, em que o aumento do número de elétrons livres predomina sobre o grau de agitação das moléculas, fazendo com que a resistividade diminua com o aumento da temperatura. R = R 0 (1+α∆θ) Onde: • R é a resistência elétrica nova na temperatura final θ f . • R0 é a resistência elétrica nova na temperatura final θ 0 . • ∆θ = θ f - θ 0 , é a variação de temperatura (°C). • α é o coeficiente de temperatura do material (°C-1). A Tabela 1.2 traz alguns valores de α: Tabela 1.2 | Valores e temperaturas Material α(°C-1) Platina 3,0 . 10-3 Alumínio 3,2 . 10-3 Cobre 3,9 . 10-3 Prata 4,0 . 10-3 Tungstênio 4,5 . 10-3 Ferro 5,0 . 10-3 Nicromo 0,2 . 10-3 Princípios de eletricidade U1 47 Com a variação da temperatura, a resistividade pode ser equacionada por: ρ = ρ 0 (1+α∆θ) Onde: • ρ é a resistividade do material na temperatura final θ f . • ρ 0 é a resistividade do material na temperatura inicial θ 0 . 2.3 lei de ohm Vamos analisar a Figura 1.26, na qual temos um resistor, a uma temperatura constante, que passa uma corrente de intensidade i, com uma ddp entre seus terminais. Ao mudar a diferença de potencial de forma sucessiva para U 1 , U 2 , ..., temos, respectivamente, as correntes I 1 , I 2 ,.... Em um resistor bem comportado, que siga a lei de Ohm, verifica-se que o quociente das diferenças de potencial por suas respectivas correntes gera uma característica constante do condutor, como mostrado a seguir. U = = = cte = R U 1 U 2 I I 1 I 2 A 1º lei de Ohm relaciona a diferença de potencial com a passagem da corrente elétrica, ou seja: U R = I Unidade: Ohm (Ω) Figura 1.26 | Circuito Fonte: Adaptado de Franco (2013).Fonte: Adaptado de Franco (2013). Princípios de eletricidade U1 48 exemplos de aplicação Ao ser estabelecida uma ddp de 50V entre os terminais de um resistor, estabelece-se uma corrente elétrica de 5A. Qual a resistência entre os terminais? Resolução: U 50 R = = 10 Ω=I 5 2.4 Associação de resistores Circuitos elétricos utilizados na indústria, em geral, são muito complexos, associando muitos componentes. Entretanto, existem maneiras de simplificar a análise, por meio de regras, como as que apresentaremos a seguir. Podemos sempre definir uma resistência equivalente, substituindo um conjunto de resistências associadas. A resistência equivalente (R eq ) transmitirá a mesma corrente que o sistema substituído, quando submetida a uma mesma ddp. A. Associação em série Nesse tipo de associação, temos a mesma corrente passando por todos os resistores do circuito. Entretanto, cada resistência é submetida a uma parcela diferente da ddp total entre os pontos A e B. Observe a Figura 1.27. Nesse tipo de associação, a resistência equivalente é a soma das resistências do circuito, como representado a seguir: R eq = R AB = R 1 + R 2 + ... + R N exemplo de aplicação A diferença de potencial entre dois resistores é de 220V, como mostra a figura a seguir. Qual é a diferença de potencial entre os extremos do resistor de 10Ω? Figura 1.27 | Circuito em série Fonte: Afonso e Filoni (2011). Princípios de eletricidade U1 49 Resolução: R eq = R 1 + R 2 = 100 + 10 = 110Ω U tot 220 I = = 2A=R eq 110 U 1 = R 1 . I = 10 . 2 = 20V B. Associação em paralelo Nesse tipo de associação, temos a mesma tensão para todos os resistores, uma vez que todas estão conectadas diretamente aos pontos A e B. Por outro lado, por cada resistência passará uma corrente elétrica distinta. Observe a Figura 1.28. O inverso da resistência é equivalente, nesse caso, à soma dos inversos das resistências do circuito. Dessa forma: Figura 1.28 | Circuito em paralelo Fonte: Afonso e Filoni (2011). 1 1 1 1 1 1 = = + + + ... +R eq R AB R 1 R 2 R 3 R N Princípios de eletricidade U1 50 exemplo de aplicação Considere o circuito da figura, no qual temos três resistores em paralelo. Determine o valor da resistência do resistor R e da corrente i. Resolução: A diferença de potencial é a mesma para todos os resistores: U = 20 . 0,3 = 6V Determinando a corrente: U = 6 = 15 . i → i = 0,4A Determinando a corrente que passa pelo resistor R, conhecemos a corrente total que se divide entre os três resistores. I tot = 0,8 = 0,4 + 0,3 + I' I' = 0,1A Determinando o Resistor R: U = R . I → 6 = R . 0,1 → R = 60Ω • Casos particulares de associações em paralelo ⇒ Duas resistências diferentes: Nesse caso, temos duas resistências diferentes em paralelo, como mostra a Figura 1.29. Figura 1.29 | Circuito em paralelo Fonte: Afonso e Filoni (2011). R 15Ω 20Ω i 0,3A 0,8A Princípios de eletricidade U1 51 ⇒ Resistores de mesmo valor: Observe a Figura 1.30, em que todos os resistores têm o mesmo valor R 0. A resistência equivalente é determinada por: Percebam que, para n resistores de mesmo valor, teríamos: Temos, então: 1 1 1 1 R 2 + R 1= = + =R eq R AB R 1 R 2 R 2 R 1 1 1 1 1 1 + 1 + 1 3 = + + = =R eq R 0 R 0 R 0 R 0 R 0 1 R 2 R 1=R eq R 2 + R 1 Figura 1.30 | Circuito em paralelo com resistores iguais Fonte: Afonso e Filoni (2011). R 0R eq = 3 R 0R eq = n C. Associações mistas Como o próprio nome diz, temos associações paralelas e em série combinadas. A simplificação para se encontrar a resistência equivalente deve acontecer parcialmente em cada associação. O método a ser utilizado consiste na nomeação de nós e terminais da associação com letras. Princípios de eletricidade U1 52 nós são pontos do circuito onde a corrente se divide. terminais são pontos do circuito entre os quais se quer determinar a r eq . exemplo de aplicação Encontrar a resistência equivalente do circuito a seguir: Resolução: Inicialmente, devemos encontrar o valor da associação de resistores em paralelo: 1 1 1 = +R eq 20 30 Fazendo o mínimo múltiplo comum, temos: 1 1 603 + 2 5 = = = = 12Ω→ →R eq R eqR eq 560 60 Temos, agora: Princípios de eletricidade U1 53 Duas resistências em série: R eq = 12 + 50 = 62 Ω 2.5 instrumentos básicos de medidas elétricas Os instrumentos de medidas elétricas medem algumas grandezas vistas, como a corrente, a tensão, a potência e a energia. Veremos agora os instrumentos responsáveis por essas medidas: 2.5.1 Amperímetro Esse instrumento é usado para a medição das correntes elétricas. Ele deve estar ligado em série com o circuito ou elemento que se deseja medir, sendo que o circuito deve ser aberto nesse local. Devido a isso, para garantir que haja precisão nas medições, a resistência interna dos amperímetros deve ser bem pequena comparada com os circuitos. Esse tipo de instrumento pode medir correntes contínuas ou alternadas, podendo possuir, de acordo com a qualidade do instrumento, várias escalas, para uma maior precisão de medidas. 2.5.2 Voltímetro Esse instrumento é utilizado para medir a tensão elétrica de um circuito. A exibição desse valor pode se dar através de ponteiro móvel ou um mostrador digital. As diferenças de tensão entre pontos em um circuito devem ser medidas colocando o voltímetro em paralelo com a seção do circuito entre os dois pontos. Para garantir a precisão nas medidas, a resistência interna desse instrumento deve ser muito grande em comparação com as resistências do circuito. Eles podem também medir tensões contínuas ou alternadas, dependendo da qualidade do instrumento. 2.5.3 ohmímetro Esse instrumento mede a resistência elétrica. Os ohmímetros precisos possuem um circuito eletrônico responsável por fornecer uma corrente constante através da resistência e outro circuito que mede a tensão V; sendo assim, a resistência é Princípios de eletricidade U1 54 calculada através da equação R=V/I. Para altas precisões, os ohmímetros com as características citadas acima não são adequados. São utilizados, portanto, um ohmímetro de precisão que possui quatro terminais, os chamados contatos de Kelvin. 2.5.4 Wattímetro Esse instrumento é usado para medir a potência elétrica. Ele possui quatro ponteiras, que devem ser ligadas em série para a medição de corrente e em paralelo para medir a tensão do equipamento ou circuito. Mensagem Final ao Aluno Caro aluno, vimos nesta unidade importantes conceitos sobre a eletrostática e a eletrodinâmica. Você agora é capaz de entender vários aspectos sobre a eletricidade. É importante que você busque mais informações sobre o assunto para desenvolver um entendimento mais amplo. Lembre-se: você é a principal ferramenta do seu conhecimento! Bons estudos! BelCHior, Fernando. Medidas Elétricas. Universidade Federal de itajubá, 2014. disponível em: <https://drive.google.com/file/ d/0B4dWrkB2lh2soXVvceJwee5laXM/view?usp=sharing>. Acesso em: 25 fev. 2016. senAi. Medidas Elétricas. 1996. disponível em: <https://drive. google.com/f i le/d/0B4dWrkB2lh2sbFVtt0xwcddwbHM/ view?usp=sharing>. Acesso em: 25 fev. 2016. Princípios de eletricidade U1 55 1. Sendo um condutor metálico percorrido por uma corrente de 5A: a) Qual é a quantidade de partículas que irá atravessar a seção transversal desse condutor? b) Que tipo de partícula se move no condutor? 2. Em circuitos elétricos, é comum a utilização de fusíveis, um fio é projetado para fundir, abrindo o circuito, se a corrente ultrapassar certo valor. Suponha que o material a ser usado em um fusível é fundido quando a densidade de corrente ultrapassar 440 A/cm2. Que diâmetro do fio cilíndrico deve ser usado para fazer um fusível que limite a corrente em 0,5A? 3. Se o comprimento e o diâmetro de um resistor forem duplicados, o que acontece com sua resistência? a) É dividida por 4. b) É dividida por 2. c) A mantém. d) É multiplicada por 2. e) É multiplicado por 4. 4. Considere um resistor de fio metálico, que tem uma resistência de 60Ω. Foi observado que, ao cortar 3 m do fio, essa resistência passou a ser de 15Ω. Qual o comprimento total desse fio? 5. Dado o circuito a seguir: Princípios de eletricidade U1 56 Determine: a) A resistência equivalente da associação. b) A intensidade da corrente elétrica em cada resistor. c) A intensidade da corrente elétrica total. U1 57Princípios de eletricidade Referências AFONSO, Antonio; FILONI, Enio. Eletrônica: circuitos elétricos. Instituto Paula Souza, 2011. FILHO, José. Carga elétrica e a lei de coulomb. Ceará: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, 2012. FIRMINO, Sandro. Campo elétrico. Rio Grande do Sul: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2010. FLORES, Carlos. Campo elétrico e potencial elétrico. Rio Grande do Sul: Universidade Federal de Santa Maria, 2012. FRANCO, Fabio. Corrente elétrica. Rio Grande do Norte: Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Norte, 2012a. FRANCO, Fabio. Resistência elétrica. Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Norte, 2012b. GRAÇA, Cláudio. Eletromagnetismo. Notas de aula do Departamento de Física CCNE. Universidade Federal de Santa Maria, 2012. HAROLD, Marcos. Carga e Matéria. Salvador: Organização Educacional Farias Brito, 2013. JUNIOR, Naasson; AQUINO, Claudio. Corrente elétrica. Universidade Estadual Paulista, 2010. KREBS, Paulo. A carga elétrica e a lei de Coulomb. Rio Grande do Sul: Universidade Federal de Pelotas, 2012. LIMA, Marcos. Potencial elétrico. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2012. QUEIROZ, Alan. Corrente contínua e alternada. Rio Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2014. TELES, Lara. Notas de aula de eletricidade e magnetismo. Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), 2008. WEULER, A. et al. Potencial elétrico. Pará: Universidade do Estado do Pará, 2008. Unidade 2 CAMPo MAGnétiCo e ForçAs MAGnétiCAs Cibele Abreu Makluf Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade, você terá a oportunidade de estudar e compreender: • As propriedades dos ímãs e como eles interagem entre si. • As características das linhas de um campo magnético e fluxo magnético. • O movimento de partículas carregadas em um campo magnético e no fluxo magnético. • Como analisar a força magnética. • Como analisar o potencial de um polo e um dipolo magnético. • Magnetismo. • Linhas de campo magnético e fluxo magnético. • Parâmetros de magnetismo. Seção 1 | Introdução ao magnetismo Campo magnético e forças magnéticas U2 60 • Movimento de partículas carregadas no campo magnético. • Força magnética. • Potencial de um polo magnético. • Potencial de um dipolo magnético. • Efeito Hall. Seção 2 | Movimento de partículas carregadas em um campo magnético Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 61 Introdução à unidade Caro aluno, nesta unidade faremos uma introdução aos conceitosdo magnetismo. Ele é peça fundamental no desenvolvimento de diversas áreas, sobretudo ligadas à Engenharia. Sabemos que ímãs são peças fundamentais em muitos equipamentos elétricos e eletrônicos. Além disso, os conhecimentos de magnetismo são importantes para a fabricação de motores elétricos, celulares, laptops, entre outros aparatos que utilizamos diariamente. Vamos começar nosso estudo vendo os conceitos iniciais de magnetismo, como a formação dos campos magnéticos, as linhas de campo formadas, entre outras características. Na sequência, vamos entender como as partículas carregadas se movimentam dentro de um campo, devido à força magnética à qual são submetidas, além das características do potencial do polo e dipolo magnéticos. Você é essencial nesse processo de aprendizagem. Bom trabalho! Campo magnético e forças magnéticas U2 62 Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 63 Seção 1 Introdução ao magnetismo Caro aluno, esta seção apresenta os conceitos introdutórios sobre o magnetismo, explicando as principais características dos ímãs. Veremos como são formadas as linhas de campo magnético e suas particularidades. Serão apresentados também os conceitos da densidade de campo, fluxo magnético, permeabilidade magnética e relutância, mostrando a importância desses conceitos no campo magnético. Todos esses conceitos são relevantes para a compreensão dos fenômenos que envolvem o magnetismo. Vamos lá? Bons estudos! introdução ao magnetismo Possivelmente, você já manuseou um ímã e pôde perceber nele algumas propriedades características desse objeto, como a atração de objetos de ferro ou de uma liga metálica que tenha esse material na sua composição. Outro fato ocorre quando aproximamos dois ímãs e percebemos que, dependendo de como estão posicionados, eles podem se atrair ou se repelir. Você sabia que o planeta Terra tem em sua volta um campo magnético? É ele que causa o movimento das bússolas, que são muito úteis para ajudar quem pratica caminhadas na natureza ou navegação a encontrar seu caminho. Ele também é responsável por nos proteger das partículas de alta energia do Sol. Sem a existência do campo magnético, não haveria vida na Terra da forma que conhecemos. Veremos, ao longo da unidade, como ele se manifesta. Campo magnético e forças magnéticas U2 64 O campo magnético na Terra o planeta terra se comporta como se fosse um grande ímã. o seu campo magnético é representado pelas linhas de indução que saem do polo norte magnético e entram pelo polo sul magnético, como mostra a Figura 2.1. Analisando a Figura 2.1, podemos ver que as linhas de indução saem de uma região próxima ao polo sul geográfico da terra e entram em outra próxima ao polo norte geográfico. de acordo com isso, podemos entender por que a agulha imantada de uma bússola aponta para o norte terrestre, já que lá se encontra o polo sul do campo magnético da terra e, como sabemos, os polos magnéticos de tipos diferentes são atraídos. em relação à bússola, ela não aponta exatamente para o norte da terra, mas sim para uma região próxima, já que os polos geográficos e magnéticos encontram-se um pouco desalinhados. esse desvio entre o norte geográfico e a orientação da bússola é chamado de declinação magnética, como mostra a Figura 2.2. Figura 2.1 | Campo magnético terrestre Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 65 o que se acredita sobre a existência do campo magnético terrestre é que ele seja gerado por uma corrente de magma carregada eletricamente, presente no interior da terra. em breve, estudaremos a maneira como correntes elétricas podem gerar campos magnéticos, então será possível compreender o fato com maior detalhamento. Figura 2.2 | Declinação magnética Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). o que aconteceria se o planeta terra perdesse seu campo magnético? Campo magnético e forças magnéticas U2 66 1.1 ímã e suas características Os ímãs podem ser naturais ou artificiais e são encontrados em diversos formatos. Geralmente, são utilizados em aplicações tecnológicas como motores e geradores eletromagnéticos, dínamos de automóveis, disco rígido de computadores. Vamos ver algumas de suas propriedades. A. Polos Magnéticos Ao aproximarmos um ímã de limalhas de ferro, é observado que essas são atraídas de forma mais intensa pelas extremidades do ímã, como mostra a Figura 2.3. As extremidades de um ímã são chamadas de polos magnéticos. B. orientação norte-sul Ao suspender um ímã de maneira que ele possa girar livremente, veremos que ele naturalmente se alinha com uma direção especial. Essa direção é aproximadamente o eixo norte-sul da Terra. Dessa forma, convencionou-se que a extremidade que aponta para o norte geográfico seria o polo norte do ímã (denotado N), e, para o sul, o polo sul do ímã (denotado S). Observe a Figura 2.4, na qual uma agulha magnética se alinha com o campo magnético da Terra. Figura 2.3 | Limalhas de ferro em contato com um ímã Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 67 C. Atração e repulsão Quando aproximamos dois ímãs, como eles interagem? Eles podem se atrair ou se repelir. Se colocarmos os dois ímãs para girar livremente, descobrindo e marcando qual o polo norte e o polo sul em cada um deles, e depois aproximarmos os polos, notaremos que: • Caso os polos magnéticos sejam do mesmo tipo, irão se repelir. • Caso sejam diferentes, irão se atrair. A força magnética entre esses polos, de atração ou repulsão, irá variar de forma parecida com a Lei de Coulomb para cargas elétricas, vista na unidade anterior, ou seja, a força varia com o inverso do quadrado da distância entre eles. Figura 2.4 | Agulha magnética se alinhando com o campo magnético da Terra Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Figura 2.5 | Forças de repulsão e atração nos ímãs (continua) Sul geográfico Norte geográfico Campo magnético e forças magnéticas U2 68 Fonte: O autor. d. inseparabilidade dos polos Ao partir um ímã, cada pedaço será individualmente um novo ímã, com seu próprio polo norte e sul. Ao tomar qualquer dos pedaços e cortar ao meio, teremos dois outros ímãs, de forma que seu tamanho muda, mas suas características continuam as mesmas. Observe a Figura 2.6. Dessa forma, não importa quantas vezes você divida um ímã, sempre haverá o surgimento dos dois polos. Não existe na natureza um monopolo magnético (um único polo separado). Figura 2.6 | Divisão de um ímã Fonte: O autor. exemplos de aplicação Observe a figura a seguir: Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 69 Um ímã se aproxima de uma bola de metal. Podemos afirmar, em relação à bola: a) Ela será atraída pelo polo norte e repelida pelo polo sul. b) Ela será atraída pelo polo sul e repelida pelo polo norte. c) Ela será atraída por qualquer um dos polos do ímã. d) Ela será repelida por qualquer um dos polos do ímã. e) Ela será repelida pela parte mediana do ímã. Resolução: A alternativa correta é a letra C. edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: Artmed, 2006. os ímãs são utilizados em diversas aplicações tecnológicas, como nos discos rígidos mecânicos de computadores (Hds), onde um disco metálico é recoberto por uma fina camada de material magnético (ímãs microscópicos). Para efetuar a gravação de uma determinada trilha, um pequeno eletroímã, que faz parte da cabeça de leitura e gravação do Hd, aplica seu campo magnético sobre as moléculas de óxido de ferro da superfície de gravação, causando o alinhamento das partículas com esse campo magnético. dependendo da orientação dos ímãs, temos um bit 0 ou um bit 1, que representam a menor quantidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida. Campo magnético e forças magnéticas U2 70 1.2 Materiaismagnéticos e não magnéticos Os materiais magnéticos são aqueles que reagem fortemente a campos magnéticos. Além de serem atraídos por ímãs, eles podem ser transformados em ímãs por um processo conhecido como magnetização. Os materiais magnéticos possuem uma característica magnética em seus átomos ou moléculas, de maneira que cada átomo é um pequenino ímã. Entretanto, em geral, os átomos estão distribuídos desorganizadamente no corpo, com seus polos norte e sul desalinhados, de maneira que o corpo composto não age como um ímã. Mas existem diversos processos que permitem a formação de um ímã a partir de um material magnético, como veremos a seguir. Os materiais que não possuem tais características internas, ou que reagem muito pouco a campos magnéticos, são chamados não magnéticos, como o alumínio ou os plásticos. Uma forma simples de magnetizar alguns tipos de materiais é através da aplicação de um campo magnético forte o suficiente para alinhar as estruturas magnéticas internas do próprio material. O ferro é um exemplo típico de material em que isso funciona. existem diferentes tipos de magnetismo na natureza, sendo esses classificados de acordo com a intensidade e a diferença de seus efeitos. são: ferromagnetismo, paramagnetismo e diamagnetismo. o fenômeno conhecido como ferromagnetismo é a capacidade que certos materiais, como o ferro, níquel ou o cobalto, têm de reagir a um campo magnético. é baseado na atração desses materiais por ímãs ou na persistência da magnetização na ausência do campo magnético, criando os ímãs permanentes. Quando um material ferromagnético é exposto a um campo magnético, seus dipolos atômicos serão alinhados ao campo, criando um ímã. Para que ocorra a sua desmagnetização, um campo magnético na direção oposta pode ser aplicado, ou ainda através da elevação da temperatura. Um exemplo de ferromagnetismo são os ímãs de geladeira. o paramagnetismo pode ser visto nos materiais que necessitam estar sob a ação de um campo magnético para a magnetização. Caso o campo magnético seja retirado, o material irá se desmagnetizar. Quando magnetizados, são considerados ímãs de baixa intensidade. todos os materiais existentes podem ser considerados materiais diamagnéticos. esse fenômeno consiste na repulsão que esse material sofre quando é exposto a um campo magnético, já que apresenta um Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 71 1.3 lei de Coulomb para o magnetismo Como vimos na unidade anterior, Coulomb, através dos seus experimentos, contribuiu muito para a eletrostática. Para o magnetismo, também realizou alguns experimentos com ímãs. Ele colocou dois ímãs separados a certa distância, como pode ser visto na Figura 2.7. Medindo a força entre eles, Coulomb chegou à seguinte equação: F = hm 1 m 2 (r 12 )2 momento dipolar magnético com sentido oposto ao campo. essa é uma propriedade de difícil percepção, sendo praticamente impossível percebê-la caso o material possua uma das outras propriedades citadas. sAMBAQUi, Ana; MArQUes, luis. Apostila de eletromagnetismo. instituto Federal de educação, Ciências e tecnologia de santa Catarina. disponível em: <https://drive.google.com/file/ d/0B4dWrkB2lh2snHU2M2tCszFnWWM/view?usp=sharing>. Acesso em: 28 fev. 2016. Figura 2.7 | Experimentos de Coulomb Fonte: Freitas e Zancan (2011). Campo magnético e forças magnéticas U2 72 Onde: • F: força magnética [Newton (N)]. • h: constante magnética do meio. • m: massa magnética [Weber (Wb)]. • d: distância entre os corpos [metros (m)]. Assim como em eletrostática introduzimos o conceito de carga elétrica para podermos medir a força entre corpos eletrizados, em magnetismo é possível introduzir o conceito de massa magnética para que possamos medir a força entre corpos magnetizados. edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: Artmed, 2006. 1.4 Campo magnético e linhas de campo magnético O campo magnético atua na região em torno de um ímã, onde há a ação das forças magnéticas de repulsão ou de atração. As chamadas linhas de campo magnético são a representação visual desse campo. Essas linhas ainda podem ser chamadas de linhas de indução magnética ou linhas de fluxo magnético. Elas são linhas imaginárias, saindo do polo norte e entrando no polo sul, como pode ser visto na Figura 2.8. Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 73 As linhas de campo magnético nunca se cruzam, sendo sempre linhas fechadas que saem do polo norte e entram no polo sul do ímã. É observado que, quando há uma maior concentração de linhas, significa que mais intenso será o campo elétrico na região, portanto, mais intensa será a força magnética gerada. As linhas saem ou entram de forma perpendicular à superfície do polo e são tangentes ao campo magnético, como mostra a Figura 2.9. 1.5 Fluxo magnético O fluxo magnético φ se refere à quantidade de linhas de campo que entram na área de uma superfície. A Figura 2.10 mostra o fluxo magnético. Figura 2.8 | Linhas de campo magnético Figura 2.9 | Linhas de campo magnético tangentes ao campo Fonte: Dias (2011). Fonte: O autor. Campo magnético e forças magnéticas U2 74 Fonte: O autor. Figura 2.10 | Fluxo magnético Unidade: Weber: 1 Weber = 1Wb - 1T . m2 = 1 kg . m2 s2 . A 1.6 densidade de campo magnético A relação entre o fluxo magnético e a área de uma superfície, sendo essa perpendicular à direção do fluxo, é chamada de densidade de campo magnético (B). Essa grandeza ainda pode ser chamada de densidade de fluxo magnético, ou simplesmente campo magnético. B = φ A Onde: • B: densidade de fluxo magnético [Tesla (T)]. • φ: fluxo magnético [Weber (Wb)]. • A: área da seção perpendicular ao fluxo (m2). • 1T = 1Wb/m2. Vamos analisar a Figura 2.11. Podemos observar que a direção do vetor B → é sempre tangente às linhas em qualquer ponto, sendo que o vetor da densidade de campo magnético será o mesmo das linhas de campo. Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 75 Onde houver um maior número de linhas de campo, teremos uma grande densidade de campo; caso as linhas estejam mais espaçadas, a densidade de campo será menor. exemplo de aplicação Sabendo que um ímã natural produz um fluxo magnético de 2mWb a uma determinada distância na direção de seu alinhamento N-S, qual será a densidade de fluxo magnético que atravessa uma chapa quadrada de lado 2 cm que se encontra perpendicular ao ímã nessa posição? Resolução: A = L x L = 0,02 x 0,02 = 4 . 10-4 m2 B = φ A = 2 . 10-3 4 . 10-4 = 5T 1.7 Permeabilidade magnética Podemos observar diferentes comportamentos para materiais magnéticos e não magnéticos colocados na área das linhas de campo de um ímã. Os não magnéticos, como o vidro, causam pouca alteração na distribuição das linhas. Os materiais magnéticos, como o ferro, causam distorção nas linhas mais próximas, que se concentram em seu interior. Vide Figura 2.12. Figura 2.11 | Vetor densidade de campo magnético Fonte: Sambaqui e Marques (2012). Campo magnético e forças magnéticas U2 76 Figura 2.12 | Linhas de campo em materiais magnéticos e não magnéticos Fonte: Sambaqui e Marques (2012). Testando distintos objetos de mesmo tamanho e formato, mas de diferentes composições, a influência mais ou menos intensa nas linhas de campo pode ser descrita por meio da permeabilidade magnética µ dos materiais. Então, podemos definir a permeabilidade magnética como a facilidade com que as linhas de campo atravessam um material. A permeabilidade do vácuo é: µ0 = 4 π . 10-7 Wb A . m Os materiais não magnéticos possuem a permeabilidade bem próxima à do vácuo. Temos também: • Materiais diamagnéticos: permeabilidade é um pouco menor que a do vácuo. • Materiais paramagnéticos: permeabilidade é um pouco maior que a do vácuo. • Materiais ferromagnéticos: permeabilidade centenas a milhares de vezes maior quea do vácuo. Dessa forma, temos a permissividade relativa: µ r = µ m µ 0 Onde: • µ r : permissividade relativa do material. • µ m : permissividade de um dado material. • µ 0 : permissividade no vácuo. Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 77 1.8 relutância magnética Chamamos de relutância magnética a medida de oposição que um meio oferece para se estabelecer e concentrar as linhas de campo magnético. Podemos calculá-la por: ℜ = I µ . A Onde: • ℜ: relutância magnética [A/Wb]. • I: comprimento médio do caminho magnético das linhas de campo [m]. • µ: permeabilidade do meio [Wb/A·m]. • A: área da seção transversal [m2]. Princípio de relutância mínima é quando se tem dois materiais com permeabilidades diferentes como caminho magnético para as linhas de campo, estas se dirigem para o de maior permeabilidade. Observe a Figura 2.13. Podemos observar na Figura 2.13 que o ferro, um material com alta permeabilidade, terá maior concentração das linhas e representará um caminho de menor relutância para estas. Já no caso do vidro, com baixa permeabilidade, não há uma grande concentração das linhas de campo, representando um caminho de alta relutância. Figura 2.13 | Campos magnéticos de alta e baixa relutância Fonte: Sambaqui e Marques (2012). Ferro Vidro Campo magnético e forças magnéticas U2 78 1. Sobre o magnetismo, podemos afirmar que: I - Ao cortar um ímã em pedaços, todos os ímãs formados apresentam os dois polos, não importando o tamanho do pedaço. II - Ao cortar um ímã no meio, cada um dos pedaços ficará com um polo. III - Os materiais ferromagnéticos não têm propriedades magnéticas e não podem ser atraídos por ímãs. IV - Ao aproximar dois polos iguais de um ímã, haverá uma força de repulsão, e se os polos forem diferentes haverá uma força de atração. V - A Terra possui as características de um ímã, gerando seu próprio campo magnético. São corretas: a) I, II e III. b) I, III e IV. c) I e IV. d) I, IV, V. e) II e IV. 2. Uma bussola foi colocada perto de um ímã que gera um campo magnético bem mais intenso do que o campo magnético da Terra. Qual a figura que representa de que forma a agulha da bússola irá permanecer? Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 79 3. Um ímã natural produz um fluxo magnético de 5µWb em uma determinada região à frente dele, na direção do eixo N-S. Calcule a densidade de fluxo que atravessa um círculo metálico de raio 1 cm que está perpendicular a esse ímã. 4. Observe as figuras a seguir: Através de experimentos, foi notado que P atrai S e repele T, Q repele U e atrai S. Diante dessas conclusões, podemos afirmar que: a) as barras PQ e TU são ímãs; b) as barras PQ e RS são ímãs; c) as barras RS e TU são ímãs; d) as três barras são ímãs; e) só a barra PQ é um ímã. Campo magnético e forças magnéticas U2 80 5. Uma placa retangular de lados 10,5 m e 13,2 m é atravessada por um campo magnético uniforme de intensidade 1,45 mT. Qual é, aproximadamente, o fluxo magnético sobre a placa? a) 2,10 Wb. b) 0,20 Wb. c) 1,03 Wb. d) 0,83 Wb. e) 3,15 Wb. Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 81 Seção 2 Movimento de partículas carregadas em um campo magnético Caro aluno, esta seção apresenta como as partículas carregadas reagem à presença de um campo magnético, dando origem a uma força magnética que depende da carga da partícula e, de uma maneira muito especial, também de sua velocidade. Veremos ainda as características do potencial de polo e de um dipolo magnético e discutiremos o efeito Hall. Todos esses conceitos são importantes para a compreensão dos fenômenos que envolvem o magnetismo. Vamos lá? Bons estudos! 2.1 Movimento de partículas carregadas em um campo magnético Vimos em eletricidade que a presença de um campo elétrico é comprovada através da inserção de uma carga de prova q no local. Para o campo magnético temos um caso semelhante: • A dimensão da força magnética que a partícula sofre dependerá de sua carga, de sua velocidade e também do campo magnético presente no meio. • Sendo a velocidade da partícula paralela à direção do campo, teremos uma força nula. • A força é perpendicular ao plano formado entre velocidade e campo. • O sentido da força em uma carga positiva é contrário ao de uma carga negativa. • A intensidade da força é proporcional ao seno do ângulo entre a velocidade e o campo. Campo magnético e forças magnéticas U2 82 Todas as características acima podem ser resumidas na seguinte equação (note o produto vetorial de dois vetores): F → mag = qv → x B → Unidade: Tesla (T) Onde: • F → mag : força magnética. • Q: carga da partícula. • v → : velocidade da partícula. • B → : campo magnético. exemplo de aplicação Uma partícula de carga q=1µC entra em um campo elétrico B = 3 . 102 T com velocidade de v = 0,1 m/s. Qual é a força magnética a que essa partícula estará sujeita, sabendo que há um ângulo de 30 graus entre os vetores velocidade e campo elétrico? Resolução: F → mag = qv → x B → = q . B . v . sen(θ) = 1 . 10-6 . 0,1 . 3 . 102 . 0,5 = 1,5 . 10-5N Vamos comparar o que já descobrimos sobre a força magnética com nossos conhecimentos prévios de eletricidade? Podemos tirar algumas conclusões: • A força elétrica é paralela ao campo elétrico; já a força magnética é perpendicular ao campo. • A força elétrica atua sobre cargas em repouso e em movimento; já a magnética, apenas sobre cargas em movimento. Figura 2.14 | Força eletromagnética Fonte: Silva (2012). Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 83 • A força elétrica realiza trabalho no deslocamento de uma partícula, a força magnética não. A força magnética não realiza trabalho sobre cargas elétricas, pois essa força é sempre perpendicular ao seu deslocamento. A força magnética não causa variação na energia cinética da partícula, uma vez que ela é responsável somente por uma alteração na direção do movimento. em sistemas macroscópicos de cargas em movimento, entretanto, pode haver realização de trabalho. Um exemplo: um fio condutor retilíneo, submetido a um campo magnético, é percorrido por uma corrente i. é observado um deslocamento do fio, paralelo à direção da força magnética que surge neste, como mostra a Figura 2.15, caso haja um campo magnético entrando na folha. na primeira situação, a corrente é nula; sendo assim, nada acontece com o fio, já que as cargas estão em repouso e não sofrem a ação do campo magnético. na segunda situação, é estabelecida uma corrente no sentido de baixo para cima, surgindo uma força F para a esquerda, sendo que o fio se desloca também para a esquerda. nesse caso, há realização de trabalho no fio devido à força magnética. na terceira Figura 2.15 | Fio transportando corrente Fonte: Vieira et al. (2010). Campo magnético e forças magnéticas U2 84 situação, a corrente é invertida, surgindo, dessa forma, uma força magnética para a direita, sendo que o fio também será deslocado para a direita. novamente, houve realização de trabalho no fio devido à força magnética. Como explicar o trabalho realizado? A força magnética que age no fio é a soma das forças que atuam nas cargas individuais que carregam a corrente, sendo que em cada uma dessas cargas a força magnética é perpendicular ao deslocamento desta. se as cargas não estivessem ligadas ao fio, elas percorreriam uma trajetória circular, mas, como estão ligadas ao fio, as ligações químicas que as mantêm presas ao fio fazem com que elas tentem defletir (puxar) o fio. Aí está o segredo desse trabalho realizado devido a uma força magnética que age em um fio. 2.2 Força magnética A direção e o sentido da força magnética são determinados corretamente quando efetuamos o produto vetorial da velocidade pelo campo magnético, como na equação acima. Podemosutilizar também a regra da mão direita, como mostra a Figura 2.16. Figura 2.16 | Regra da mão direita Fonte: Souza (2013). Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 85 O sentido da velocidade é indicado pelo polegar, e sentido do campo magnético é mostrado pelos quatro dedos juntos e estáticos. Já o sentido da força depende da carga. Caso ela seja positiva, a palma da mão indica o sentido, caso ela seja negativa, a indicação de sentido será pelas costas da mão. Podemos definir a intensidade da força magnética por: F = |q| . v . B . sen(θ) Onde: • F: força de origem magnética. • q: carga elétrica lançada no campo. • v: velocidade de lançamento da carga no campo. • B: intensidade do campo magnético. • θ: ângulo entre a direção do campo e o vetor velocidade. exemplo de aplicação Uma carga de 4µC é lançada a uma velocidade de 5.103m/s em um campo magnético de intensidade 8T. Sendo de 60° o ângulo formado entre v e B, determine a intensidade da força magnética que irá atuar nessa carga. Resolução: F = |q| . v . B . sen(θ) F = 4. 10-6 . 5 . 103 . 8 . sen(60) 0,139N o motor elétrico tem a função de transformar energia elétrica em energia mecânica. ele pode ser encontrado em diversos equipamentos como ventiladores, secadores de cabelo, entre outros. o princípio do seu funcionamento se dá por um fio condutor que é percorrido por uma corrente elétrica e encontra-se imerso em uma região de campo magnético, sofrendo a ação de uma força que é perpendicular ao plano formado entre o fio e o campo magnético. observe a Figura 2.17: Campo magnético e forças magnéticas U2 86 Figura 2.17 | Princípio de funcionamento de um motor dessa forma, o princípio de funcionamento de um motor é uma espira retangular que se encontra imersa em um campo magnético e percorrida por uma corrente elétrica, sendo que as forças magnéticas exercidas em cada um de seus lados formam um binário, fazendo-a girar em torno de um eixo. Vamos ver alguns casos do resultado da força magnética em diferentes tipos de movimento. 1. Carga colocada em repouso no campo magnético Dada a equação acima, observamos que a força magnética e a velocidade são diretamente proporcionais. Dessa forma, se a velocidade for nula, também teremos uma força magnética nula. Caso a força magnética seja a única força que poderia agir na carga, não haverá aceleração e ela continuará em repouso. 2. Carga lançada em movimento paralelo ao campo magnético Quando uma carga é colocada em movimento de forma paralela ao campo, Eixo de rotação Fm → Fm → Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 87 temos, portanto, θ = 0° ou θ = 180°. Analisando a equação acima e sendo sen (0°) = sen (180°), a força magnética também será nula. Dessa forma, caso seja a força magnética a única força a agir nessa carga, ela não terá aceleração e irá descrever um movimento retilíneo uniforme. A Figura 2.18 mostra essa situação. 3. Carga lançada em movimento perpendicular ao campo magnético Sendo agora a carga lançada de forma perpendicular ao campo, logo a força e a velocidade têm direções perpendiculares entre si, como foi mostrado na Figura 2.18. A força magnética vai variar a direção da partícula de carga, agindo como uma força centrípeta, e a carga irá realizar um movimento circular uniforme. A força magnética será responsável por manter o movimento circular da partícula: F mag = F cp É determinado que: • O valor máximo da força magnética será: Figura 2.18 | Cargas com movimento paralelo ao campo Fonte: O autor. Teremos uma força magnética nula caso uma carga esteja em repouso ou se ela for lançada de forma paralela ao campo magnético. Campo magnético e forças magnéticas U2 88 F max = |q| . v . B • A força magnética será uma força centrípeta: F mag = F cp A Figura 2.19 mostra a representação desse movimento. Sendo, portanto, um movimento circular, podemos definir alguns parâmetros importantes. A. raio Como vimos, a F mag = F cp , então: q . a . B = m . v2 R R = m . v q . B exemplo de aplicação Uma carga de 500 µC e massa de 10 mg faz um movimento circular uniforme a uma velocidade de 2 m/s em um campo elétrico de intensidade 20 T. Qual o raio dessa trajetória? Resolução: R = m . v q . B = 10 . 10 -3 . 2 500 . 10-6 . 20 = 2m Figura 2.19 | Movimento circular uniforme no campo magnético Fonte: Abud (2008). Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 89 B. Período O período (T) pode ser calculado através da equação: T = 2πR v = 2πm Bq 4. Carga lançada obliquamente ao campo magnético Sendo um campo uniforme B → , uma carga q adentra obliquamente às linhas desse campo. A velocidade v → terá duas componentes: uma será paralela às linhas de campo e outra, perpendicular às linhas, ou seja: v → = v → x + v → y A força magnética para esse caso será: F mag = q ( v → x + v → y ) x B → = qv → x x B + qv → y x B → Note que v → y e B → possuem a mesma direção, o que determina que: qv → y x B → = 0 Dessa forma, podemos concluir que a força magnética: F mag = qv → x x B → Uma partícula com carga em um campo uniforme, na direção oblíqua às linhas de campo, ficará submetida a uma força magnética constante e na direção perpendicular ao plano definido por v → x e B → . Sendo assim, essa partícula descreverá uma trajetória circular que será definida por F → mag e por v → x em um movimento circular uniforme. A força magnética é a resultante das forças que agem sobre essa partícula. Como foi visto, ela não possui uma componente no eixo y, determinando, portanto, um movimento retilíneo uniforme com velocidade constante v → y nesse eixo. Assim, teremos que o movimento da carga é uma composição de: • Movimento retilíneo uniforme: v → y e B → . • Movimento circular uniforme determinado pela força magnética e por v → x sendo F mag = F cp , sendo que o movimento será helicoidal uniforme, como mostra a Figura 2.20. Campo magnético e forças magnéticas U2 90 Figura 2.20 | Movimento helicoidal uniforme Fonte: Abud (2008). edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: editora Artmed, 2006. 2.3 Potencial de um polo magnético O potencial gravitacional pode ser definido como a energia potencial de uma unidade de massa em um campo gravitacional, sendo que esse potencial é calculado a uma distância r do centro de gravidade do corpo que produz o campo gravitacional, determinando dessa maneira o trabalho que foi realizado para levar a massa unitária do ponto r até o infinito. Sabemos que: U = - GM r O U é o trabalho que foi realizado para mover a massa unitária da distância r até o infinito e corresponde ao potencial gravitacional nesse ponto. Analogamente, vamos definir o potencial magnético W a uma distância r de um polo magnético de intensidade p: Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 91 W = µ 0 . p 4πr 2.4 Potencial de um dipolo magnético A Figura 2.21 mostra dois polos magnéticos (p+) e (p-), que se encontram separados a uma distância d. A linha pontilhada define o eixo do dipolo, sendo que nessa região o campo magnético possui simetria rotacional. O potencial magnético W a uma distância r, em relação ao ponto médio do par de polos, será a soma dos potenciais dos polos p+ e p-, em relação às distâncias r + e r - ; dessa forma, temos: W = µ 0 . p 4π ( 1 r + - 1 r - ) = µ 0 . p 4π ( r - - r + r + . r - ) Sendo d<<< r, podemos aproximar: r + ≅ r - d 2 cos (θ) r - ≅ r + d 2 cos (θ') Sendo θ = θ' , temos: Figura 2.21 | Geometria para cálculo do potencial de um par de polos magnéticos Fonte: Molina (2009). Campo magnético e forças magnéticas U2 92 r - - r+ ≅ d 2 (cosθ' + cosθ) ≅ dcosθr + . r - ≅ (r - d 2 cosθ) (r+ d 2 cosθ') r + . r - ≅ r2 + rd 2 cosθ' - rd 2 cosθ - d2 4 cosθ cosθ' r + . r - ≅ r2 - d2 4 (cosθ)2 ≅ r2 Dessa forma, teremos: W = µ 0 pdcosθ 4πr2 = µ0mcosθ 4πr2 Sendo m = p definido como o momento magnético do dipolo. O potencial magnético do dipolo, diferentemente do potencial gravitacional, é inversamente proporcional ao quadrado da distância r e tem uma variação que depende do ângulo θ. edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: Artmed, 2006. 2.5 o efeito Hall O pesquisador Edwin Hall descobriu que, quando um condutor que conduz uma corrente elétrica é colocado sobre a ação de um campo magnético, há o aparecimento de uma voltagem em direção ao plano que contém a corrente e o campo magnético aplicado. A Figura 2.22 mostra o experimento realizado, em que Hall observou o aparecimento de uma diferença de potencial V H entre as bordas de um condutor retangular, submetido a um campo magnético H. Dessa forma, V H passou a ser chamada de voltagem Hall e sua observação ficou conhecida como o efeito Hall. Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 93 A voltagem Hall é uma consequência do desvio de portadores de carga provocado pela força magnética que está atuando. O desvio acaba sendo contrabalanceado pela força eletrostática de repulsão das cargas elétricas de mesmo sinal, que ficam mais próximas. qv → x H → = q E → H onde E → H é o campo elétrico de Hall e dado por: E → H = v → x H → Sabendo o valor de E → H , e considerando w a largura da placa condutora, o módulo de V H é dado por: V H = E H . w = v . H . w Sendo o campo elétrico Hall uniforme, o número de portadores (n) que estão presentes no condutor pode ser obtido através da corrente (I) que atravessa o condutor: I = n . q . A . v n = I q . A . v Sendo A = w.d, a área do condutor, onde d é a espessura da amostra. Rearranjando as equações, temos: V H = (I . H) (n . q . d) Assim, medir a tensão Hall é uma técnica apropriada para calcular o número de portadores presentes em um determinado condutor. Figura 2.22 | Experimento de Hall Fonte: Luz (2007). Campo magnético e forças magnéticas U2 94 As descobertas do efeito Hall são de extrema importância para a indústria eletrônica. Mensagem final ao aluno Caro aluno, chegamos ao fim da unidade 2 e você pôde estudar importantes conceitos do eletromagnetismo. Eles são essenciais para compreender os fenômenos do nosso dia a dia, que vão desde o campo magnético terrestre até o funcionamento de um motor elétrico. É importante que você aprofunde o estudo dos temas discutidos, estendendo dessa forma o seu conhecimento. Lembre-se: você é a principal ferramenta do seu conhecimento! Bons estudos! 1. Uma partícula de carga q=2,46mC é lançada com v=4,97 m/s em um campo elétrico de intensidade B=3,15 T, conforme mostra a figura. Qual a força magnética nessa partícula? Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas U2 95 2. Temos uma partícula carregada em um dado campo magnético. Podemos afirmar, referente à sua força magnética, que: I - Ela pode gerar um movimento circular. II - Se a partícula estiver em movimento, ela nunca será nula. III - Se a partícula estiver em repouso, ela irá acelerar essa partícula. IV - Ela pode acelerar a partícula na direção e sentido de seu movimento. V - Será sempre perpendicular à direção do movimento da partícula. Estão incorretas as alternativas: a) I, II e III. b) I e IV. c) I, III e IV. d) II, III, IV. e) I e V. 3. Uma carga de q= 400µC e m = 20 mg desenvolve um movimento circular uniforme com v = 5 m/s em um campo elétrico de intensidade B = 10 T, como mostra a figura. Sendo a força magnética a única a atuar nessa partícula e considerando o meio como o vácuo, determine o raio dessa trajetória. Campo magnético e forças magnéticas U2 96 4. Uma partícula carregada negativamente se move com v = 300 m/s de forma paralela a um tubo de raios catódicos. Sendo aplicado um campo magnético, B = 5 T, paralelo a esse tubo, qual será a intensidade da força magnética que agirá nessa partícula? 5. Na figura a seguir, existe um campo magnético em torno do ponto P, na direção BA. Uma carga positiva é inserida nesse campo com uma velocidade v, sendo que uma força irá atuar sobre essa partícula. Podemos afirmar, em relação à força magnética, que: a) terá a mesma direção e sentido do campo; b) terá a mesma direção e sentido da velocidade; c) ela irá se anular; d) terá sentido contrário ao do campo; e) será perpendicular ao plano formado pela velocidade e pelo campo. U2 97Campo magnético e forças magnéticas Campo magnético e forças magnéticas Referências ABUD, Ricardo. Força magnética. São Paulo: USP, 2008. DIAS, Rodrigues. Campo magnético e forças magnéticas. Universidade Federal de Juiz de Fora, 2011. FREITAS, José; ZANCAN, Marcos. Eletricidade. Colégio Técnico Industrial de Santa Maria. 2011. LUZ, Mario. Efeito Hall em supercondutores a campos magnéticos nulos. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2007. MOLINA, Eder. Campo Magnético. São Paulo: USP, 2009. MUSSOI, Fernando. Fundamentos de eletromagnetismo. Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina, 2005. OLIVEIRA, Vagner; VEIT, Eliane; ARAÚJO, Ives. Uma proposta de ensino de tópicos de eletromagnetismo via instrução pelos colegas e ensino sob medida para o ensino médio. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. SAMBAQUI, Ana; MARQUES, Luis. Apostila de eletromagnetismo. Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia de Santa Catarina, 2010. SILVA, Carlos. Campos Magnéticos. Faculdade de Algarves, 2012. SOUZA, Renan. Eletromagnetismo. Universidade Federal de Juiz de Fora, 2013. VIEIRA, Marcelo et al. Paradoxo da realização de trabalho pela força magnética. Paraíba: Encontro Nacional de Educação, Ciência e Tecnologia. Universidade Estadual da Paraíba, 2010. Unidade 3 Fontes de CAMPo MAGnétiCo Cibele Abreu Makluf Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade, você terá a oportunidade de estudar e compreender: • A natureza do campo magnético produzido por uma única partícula em movimento. • A descrição de um campo magnético produzido por um elemento de corrente. • Os cálculos envolvidos em um fio retilíneo que transporta corrente. • As leis de Ampère e Biot-Savart e suas particularidades em relação ao campo magnético. • As aplicações da lei de Ampère nos campos magnéticos. • As fontes geradoras de campo magnético. • O campo eletromagnético. • Campo magnético criado por correntes. • Lei de Biot-Savart. • Lei de Ampère. Seção 1 | Campo eletromagnético • Forças magnéticas sobre correntes. • Forças magnéticas entre dois fios paralelos. • Torque sobre uma espira percorrida por corrente – momento magnético. • Campo magnético gerado em torno de um condutor retilíneo. • Campo magnético gerado no centro de uma espira circular. • Campo magnético gerado no centro de uma bobina longa ou solenoide. • Campo magnético gerado por um toroide. Seção 2 | Força magnética sobre correntes Seção 3 | Fontes de campo magnético Fontes de campo magnético U3 101 Introdução à unidade Caro aluno, nesta unidade serão apresentados outros conceitos importantes sobre o eletromagnetismo. Vamos conhecer outras fontes geradoras de campo magnético, além dos ímãs, descobrindo e entendendo suas funcionalidades e aplicações no nosso cotidiano, por exemplo, o funcionamento de uma campainha, disjuntores e amplificação de caixas de som. Vamos iniciar nossos estudos vendo os conceitos sobre o campo magnético criado por correntes, a força magnética a que essas correntes elétricas podem ser submetidas dentro desse campo, além das particularidades da força magnética quando temos dois condutores em paralelo percorridos por corrente. Na sequência, vamos conhecerimportantes leis essenciais para o entendimento do eletromagnetismo, como a Lei de Biot-Savart e a Lei de Ampère. Além disso, analisaremos as principais fontes geradoras de campo magnético e suas principais características. Você é essencial nesse processo de aprendizagem. Bom trabalho! Fontes de campo magnético U3 102 Fontes de campo magnético U3 103 Seção 1 Campo eletromagnético Caro aluno, a primeira seção apresenta conceitos e características sobre o campo magnético originado por correntes elétricas. Veremos as particularidades das linhas de campo magnético e a simbologia usada para sua representação, bem como o uso da regra da mão direita para descobrir o sentido das correntes e do campo magnético. Para finalizar, serão apresentados os princípios das Leis de Biot-Savart e a lei de Ampère. Vamos lá? Bons estudos! Campo eletromagnético De acordo com os estudos de Hans Oersted, uma corrente elétrica tem a capacidade de alterar a agulha magnética de uma bússola. Os experimentos de Oersted mostravam que, enquanto a corrente elétrica percorria o fio, a agulha da bússola se movia, ficando na direção perpendicular ao fio, comprovando, assim, que existia um campo magnético produzido por uma corrente. Dessa forma, o campo gerava uma força magnética que poderia mudar a orientação da bússola, como mostra a Figura 3.1. Fonte: Dias (2011). Figura 3.1 | Experimento de Oersted Fontes de campo magnético U3 104 A Figura 3.2 mostra de forma mais detalhada a movimentação da agulha magnética, orientando-se numa direção perpendicular ao fio, evidenciando a presença de um campo magnético produzido pela corrente. Figura 3.2 | Inclinação da agulha imantada no experimento de Oersted Fonte: Dias (2011). O campo magnético que tem origem elétrica é definido como campo eletromagnético. MUssoi, Fernando. Fundamentos de eletromagnetismo. Centro Federal de educação tecnológica de santa Catarina. 2005. disponível em: <https://drive.google.com/file/ d/0B4dWrkB2lh2scll4WelQdnAwb2M/view?usp=sharing>. Acesso em: 21 mar. 2016. sAMBAQUi, Ana; MArQUes, luis. Apostila de eletromagnetismo. instituto Federal de educação, Ciências e tecnologia de santa Catarina. 2010. disponível em: <https://drive.google.com/file/ d/0B4dWrkB2lh2ss29XWkxZoHFFbVe/view?usp=sharing>. Acesso em: 21 mar. 2016. Fontes de campo magnético U3 105 O pesquisador concluiu, dessa forma, que todo condutor que estiver sendo atravessado por uma corrente elétrica criará, em volta de si, um campo eletromagnético. Assim, o princípio dos fenômenos magnéticos foi definido: Estando duas cargas elétricas em movimento, haverá entre elas uma força magnética além da força elétrica. Em decorrência dessas descobertas, foi possível estabelecer o princípio básico de todos os fenômenos eletromagnéticos: 1. Uma corrente elétrica, passando por um condutor, produz um campo magnético ao redor do condutor como se fosse um ímã, ou quando duas cargas elétricas estão em movimento manifesta-se entre elas uma força magnética, além da força elétrica (ou força eletrostática). 2. Um condutor percorrido por corrente elétrica, colocado em um campo magnético, fica sujeito a uma força. 3. Supondo um condutor fechado, colocado em um campo magnético, a superfície determinada pelo condutor é atravessada por um fluxo magnético; sendo que, se o fluxo variar, aparecerá no condutor uma corrente elétrica, e esse fenômeno é chamado indução eletromagnética. 1.1 Campo magnético criado por correntes O pesquisador André Ampère, além de outros estudiosos, investigou as Você sabia que o campo magnético da terra se inverte de tempos em tempos, sendo que esse intervalo equivale a milhões de anos? essa inversão foi observada com os estudos de minerais que estão alinhados com o campo magnético em determinadas rochas. dessa forma, os polos trocariam de lugar, ou seja, onde se localiza hoje o polo sul, teríamos o polo norte e vice-versa. teríamos, em razão disso, as bússolas apontando para a Antártida ao invés do Polo norte, e outro aspecto que seria afetado diz respeito aos animais, que precisam do campo terrestre e ficariam vagando perdidos, sem rumo. Fontes de campo magnético U3 106 características do campo magnético comprovado por Oersted. Foi observado que as linhas do campo magnético são envoltórias e concêntricas, como mostra a Figura 3.3. Vamos analisar a Figura 3.3. O sentido das linhas de campo magnético geradas por uma corrente no condutor é dado pela Regra de Ampère ou Regra da Mão Direita. Figura 3.3 | Linhas de campo devido a uma corrente elétrica Fonte: Adaptado de Mussoi (2005). Regra de Ampère ou Regra da Mão Direita → Determina o sentido das linhas de campo magnético, considerando o sentido convencional da corrente elétrica. edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: Artmed, 2006. Fontes de campo magnético U3 107 A. A regra de Ampère ou regra da mão direita Essa regra diz que, utilizando a mão direita, você envolve o condutor, com o polegar apontando para o sentido convencional da corrente e os demais dedos indicarão o sentido das linhas de campo que envolve o condutor, como mostrado na Figura 3.4. O sentido das linhas de campo ou de um vetor que seja perpendicular a um plano (plano do papel, por exemplo) pode utilizar a seguinte simbologia, apresentada na Figura 3.5: Em (a), temos a representação de um fio, uma linha de campo ou ainda um vetor perpendicular ao plano no sentido de saída do plano. Já em (b), temos as mesmas representações, porém o sentido de entrada no plano. A Figura 3.6 mostra essa representação. Figura 3.4 | Regra da mão direita para correntes Figura 3.5 | Simbologia do sentido das linhas de campo Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Fonte: O autor. Fontes de campo magnético U3 108 igura 3.6 | Simbologia para representar sentido das linhas de campo no plano Figura 3.7 | Representações do campo magnético Fonte: O autor. Fonte: Mussoi (2005). Dessa forma, um campo magnético que é gerado por um condutor atravessado por correntes pode ser representado, como mostra a Figura 3.7, pela perspectiva de suas linhas de campo, mostradas na parte superior dessa figura, ou pelos símbolos, mostrados na parte inferior dessa mesma figura. exemplo de aplicação Considere um condutor retilíneo percorrido por uma corrente elétrica, como mostra a Figura 3.8. Determine a representação do vetor campo magnético B no ponto P. Fontes de campo magnético U3 109 Resolução: Através da regra da mão direita, o polegar será posicionado no sentido da corrente, e os demais dedos representam o vetor de campo magnético. Dessa forma, no ponto, o vetor estará saindo e pode ser representado por: lei de Biot-savart A lei de Biot-Savart (Figura 3.9) fala que, em um fio condutor com elemento de comprimento dS → , percorrido por uma corrente elétrica I, o campo magnético dB → age em um determinado ponto P, como mostra a Figura 3.9, e cumpre as seguintes considerações: I. O vetor dB → é perpendicular a dS → e a r → , sendo que r → é o vetor posição em um dado ponto P. II. O módulo dB → |dB| → do vetor é inversamente proporcional a r2. III. O |dB| → é proporcional à corrente I e ao elemento de comprimento ds. IV. O |dB| → é proporcional ao seno do ângulo formado entre dS → e r → . Figura 3.8 | Condutor retilíneo percorrido por corrente Fonte: O autor. Figura 3.9 | Lei de Biot-Savart Fonte: Cardoso (2009). Fontes de campo magnético U3 110 Através dessas considerações, podemos expressar matematicamente a lei de Biot-Savart: dB → = k m I dS → x r̂ r2 Onde: • km = = 10 -7 T m /A µ0 4 π • r̂ é o vetor unitário dirigido do elemento condutor até o ponto P. Sendo µ0 a permeabilidade no vácuo: 4 π x 10-7 T m A Podemos, dessa forma, generalizar a equação para calcular um campo magnético gerado por uma distribuição de correntes: B= ∫ µ0 x I dS → 4 π r2 r̂ 1.2 lei de AmpèreA lei de Ampère traz uma relação geral entre a corrente elétrica em um condutor, sendo ele de qualquer forma, e o campo magnético produzido por ele. Considere um condutor que passa certa corrente através de uma área relativa a uma linha de campo, como mostrado na Figura 3.10. Considerando o vetor de linha de campo de comprimento infinitesimal dl, ou seja, de comprimento muito pequeno, tendendo a zero, ele será paralelo ao vetor densidade de campo magnético B. Dessa forma, a lei de Ampère é dada por: Figura 3.10 | Linhas de campo em torno de um condutor atravessado por uma corrente Fonte: Mussoi (2005). Fontes de campo magnético U3 111 B . dl = µ 0 I liq Onde: • B: vetor densidade de campo magnético [T]. • dl: vetor de comprimento infinitesimal paralelo ao vetor B[m]. • I liq : corrente passando na área do condutor envolvida pela linha de campo em análise [A]. Portanto, essa equação é válida para qualquer situação em que os campos e os condutores permaneçam constantes e não variam no tempo, além de estarem sem a presença de materiais magnéticos. exemplo de aplicação Considere um fio infinito que se encontra no vácuo atravessado por uma corrente de 300 A. Qual é o campo magnético a 5 cm do seu eixo? Sendo µ= 4π x 10-7 T.m/A. Resolução: B= = = = 12 . 10-4T µ . I 4 π . 10-7 x 300 1,2 . 10-4 2 π r 2 π x 5 . 10-2 10-1 edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: editora Artmed, 2006. 1.2.1 Aplicações da lei de Ampère A. Fio retilíneo longo Suponha um fio retilíneo muito longo conduzido por uma corrente I, como mostra a Figura 3.11. Pode-se verificar experimentalmente que o campo magnético em um ponto P, a uma distância r próxima ao fio, e em sua região central, é tangente a uma circunferência centrada no fio e que passa por esse Fontes de campo magnético U3 112 d ponto (essa circunferência se situa em um plano perpendicular ao fio). Tomemos a circunferência de raio r, situada no plano perpendicular ao fio, como o nosso laço amperiano (percurso de integração), de tal modo que o sentido de ds → seja o mesmo que de B → . O ângulo entre B → e ds → é, então, zero. Dessa forma: B → . ds → = B . ds . cos 0 = B . ds Figura 3.11 | Fio reto longo conduzindo corrente Fonte: Araújo e Moreira (2011). A simetria das linhas de campo nos permite dizer que B tem o mesmo valor em todos os pontos da circunferência de raio r (percurso de integração) e pode ser colocado fora da integral: B ds = µ 0 . I liq onde a integral é simplesmente o perímetro da circunferência 2πr: B2πr = µ 0 I ∴ B = µ 0 I 2πr Essa equação nos permite calcular a intensidade do campo magnético de um longo fio reto que é conduzido por uma corrente I, a uma distância r do centro do fio. B. Cabo coaxial A Figura 3.12 mostra um longo cabo coaxial formado por um condutor cilíndrico de raio R 1 envolvido por uma casca cilíndrica condutora de raio R 2 . O condutor carrega uma corrente I uniformemente distribuída sobre sua seção reta. A casca cilíndrica conduz uma corrente de mesma intensidade, mas de sentido oposto. Calculemos B(r), sendo r uma distância genérica medida radialmente a partir do eixo do condutor cilíndrico. Vejamos primeiramente o caso r < R 1 : Percurso de integração (laço amperiano) B → s → r i Fontes de campo magnético U3 113 Fonte: Araújo e Moreira (2011). A partir da simetria do problema e da regra da mão direita, conclui-se que a direção de B → em cada plano perpendicular ao eixo é tangente a circunferências concêntricas em torno do eixo e o sentido do traçado imaginário dessas circunferências é anti-horário. Escolhamos agora um percurso fechado conveniente à aplicação da lei de Ampère; sendo assim, uma circunferência de raio r < R 1 , como mostra a Figura 3.13. A partir da simetria do problema, pode-se concluir que B → é tangente ao percurso de integração, formando um ângulo de 0º com ds → ( ds → é também tangente à circunferência e aponta no sentido de B → ). Além disso, o módulo de B → , ainda desconhecido, é constante sobre todo o percurso de integração. Pode- se, então, aplicar a Lei de Ampère e explicitar o produto escalar da integral B → . ds → : B → . ds → = µ 0 . I liq ∴ Bds cos0 = µ 0 . I liq ∴ Bds = µ 0 . I liq Como B é constante sobre o percurso, ele pode ser colocado fora do símbolo de integral: B → ds → = µ 0 . I env , mas ds → é a integral de um elemento de circunferência sobre toda a circunferência (integral fechada), sendo isso simplesmente o perímetro da circunferência 2πr. Logo: B2πr = µ 0 I liq ∴ B = µ0Iliq 2πr Figura 3.12 | Longo cabo coaxial formado por um condutor de raio R1 e envolto por uma casca cilíndrica condutora de raio R2 R 2 R 1 i i Fontes de campo magnético U3 114 Fonte: Araújo e Moreira (2011). Figura 3.13 | Circunferência de raio r < R 1 O próximo passo é calcular a I liq que atravessa a superfície delimitada pelo percurso de integração. Nesse exemplo, o disco é delimitado pelo círculo de raio r. A corrente liquida é uma fração da corrente conduzida pelo condutor, pois o percurso de integração tem um raio r qualquer, menor do que R 1 , sendo que a corrente que atravessa a superfície delimitada pelo percurso de integração é apenas parte da corrente conduzida pelo condutor de raio R 1 . Como a corrente está uniformemente distribuída na seção reta do condutor, pode-se nele definir uma densidade de corrente J 1 = I A = I πR 1 2 , sendo que J1 representa a corrente por unidade de área através da seção reta do condutor. Para esse caso, queremos saber qual a corrente que atravessa a área de πR 1 2 (área delimitada pelo percurso de integração): I liq = J 1 πr2 = I πR 1 2 πr 2 = I r 2 R 1 2 Observe que se r = R 1 , a corrente líquida é igual à corrente conduzida pelo fio (I liq =I), como era esperado. Feito o cálculo da corrente, podemos escrever: B2πr = µ 0 I r 2 R 1 2 ∴ B = µ0I 2π r 2 R 1 2 Essa expressão nos dá B(r) para r < R1. Para R 1 < r < R 2 , como mostra a Figura 3.14, as considerações iniciais acerca de B → e do percurso de integração são as mesmas, exceto que o percurso de integração deverá ter um raio genérico r entre R 1 e R 2 : Fontes de campo magnético U3 115 Figura 3.14 | Circunferência de raio R 1 < r < R 2 B → . ds → = µ 0 I liq Bds cos 0°= µ 0 I liq ∴ Bds = µ 0 I liq B ds = µ 0 I liq ∴ B2πr = µ 0 I liq Nesse caso, porém, I liq é a própria corrente que percorre o condutor interno, pois a área delimitada pelo percurso de integração abrange toda a seção reta do condutor de raio R 1 . Então: B = µ0I 2πr É a expressão de B(r) para R 1 < r < R 2 . Examinemos o caso r > R 2 , como mostra a Figura 3.15, sendo que as suposições acerca da direção e sentido de B → são as mesmas. É claro que o fato de que as correntes são iguais e opostas já nos leva a pensar que nessa região o campo será nulo. Porém, como não temos certeza disso, suponhamos que B é diferente de zero e que sua direção é tangente a círculos concêntricos tal como nos casos anteriores. Quanto ao sentido, suponhamos que seja o do campo da casca, pois essa está mais próxima do ponto considerado. Fonte: Araújo (2011). Fontes de campo magnético U3 116 Figura 3.15 | Circunferência de raio r> R2 Fonte: Araújo (2011). B → . ds → = µ 0 I liq ∴ Bds cos 0°= µ 0 I liq Bds = µ 0 I liq ∴ B2πr = µ 0 I liq Nesse caso, o percurso de integração encerra as duas correntes que são iguais e opostas. Logo, I liq será nula: B2πr = 0 de onde vem que B = 0, pois r é um raio genérico e 2π uma constante. Portanto, é nulo o campo magnético na região r>R 2 . 1. A expressão ∫ B → ds → é: a) igual ao trabalho magnético através de um caminho fechado; b) igual à corrente através de uma superfície que engloba um caminho fechado; c) será sempre nula; d) igual à energia potencial magnética entre dois pontos; Fontesde campo magnético U3 117 e) igual à velocidade com que um elétron percorre o condutor. 2. Considere um fio condutor de raio R por onde passa uma corrente I. Supondo que a densidade de corrente no fio seja uniforme, calcule o campo magnético em todo o espaço usando a lei de Ampère. 3. Num condutor cilíndrico, pode passar uma corrente máxima de 60 A, sem que ocorra fusão de nenhuma parte do fio em consequência do efeito Joule. O módulo de B na superfície do fio é igual a 8,5 . 10-3. Encontre o diâmetro do fio. 4. Um solenoide com n = 30 espiras/m carrega uma corrente I = 300 A. Calcule o campo dentro do solenoide. 5. Um longo cabo coaxial é constituído por dois condutores concêntricos cujas dimensões estão especificadas na figura a seguir. Os dois condutores são percorridos, em sentidos opostos, por correntes i de mesma intensidade. Calcule o campo magnético B num ponto do condutor interno, que dista r do seu centro (r < a). Fontes de campo magnético U3 118 Fontes de campo magnético U3 119 Seção 2 Força magnética sobre correntes Caro aluno, a segunda seção apresenta os conceitos sobre a força magnética que pode ser gerada em um fio condutor percorrido por uma corrente, focando nas suas características principais e no cálculo de sua intensidade. É apresentada também a ação dessa força em dois fios condutores em paralelo. Veremos, ainda, os conceitos de torque e momento magnético de uma espira percorrida por uma corrente. Vamos lá? Bons estudos! 2.1 Forças magnéticas sobre correntes Vimos na unidade anterior que uma carga está submetida a uma força magnética ao se movimentar dentro de um campo magnético. Foi estudado também que a movimentação de partículas negativas (elétrons) gera uma corrente elétrica dentro de um fio condutor, por exemplo. Dessa forma, se um fio de certo comprimento L estiver sendo percorrido por uma corrente e for colocado em um meio onde há um campo magnético, ele poderá ser submetido a uma força magnética. Vamos analisar a Figura 3.16. Fontes de campo magnético U3 120 Figura 3.16 | Força magnética sobre um fio Fonte: Adaptado de Abud (2008).Fonte: Adaptado de Abud (2008). Na Figura 3.16 (a), podemos observar que a corrente é nula; sendo assim, não agirá sobre esse fio. Para (b) e (c), temos corrente elétrica percorrendo o fio, havendo a existência de uma força, como pode ser visto na Figura 3.16. O sentido dessa força foi determinado aplicando-se a regra da mão direita, que foi vista na unidade anterior, lembrando que, por convenção, o sentido da corrente é determinado considerando que ela foi produzida por cargas positivas. A. intensidade da força Vamos considerar um fio condutor retilíneo com um dado comprimento L percorrido por uma corrente. Sendo uma carga q que se movimenta a uma velocidade v, sofre a ação de uma força que é dada pela expressão: F mag = q . v . B . sinθ Onde: • F mag = força magnética. • q = carga elétrica lançada no campo. • v = velocidade de lançamento da carga no campo. • B = intensidade do campo magnético. • θ = ângulo entre a direção do campo e o vetor velocidade. Fontes de campo magnético U3 121 Para um fio condutor, há vários elétrons livres (cargas) se movimentando, sendo que o número de cargas que se movimentam no fio será representado por n; assim, reescrevemos a equação acima: F mag = n . q . v . B . sinθ Vimos, na unidade 1, que a intensidade de corrente elétrica pode ser definida por: i = q ∆t Para o nosso caso, como temos várias cargas, sendo essa quantidade representada por n, essa equação é melhor representada por: i = n . q ∆t Essa expressão pode ser reescrita por i . ∆t = n . q, e, substituindo na equação da força magnética, temos: F mag = B . i . ∆t . v . sinθ Temos também que a velocidade multiplicada pelo tempo representa a variação de espaço percorrido, sendo que, para um fio condutor, esse espaço percorrido pelos elétrons em movimento será exatamente o tamanho do seu comprimento L, (v . ∆t = L), assim: F mag = B . i . L . sinθ exemplo de aplicação Considere um condutor retilíneo atravessado por uma corrente de I = 4 A, com comprimento L = 0,5 m. Ele está na região de um campo elétrico B = 10-3 T e forma um ângulo de 30° com a direção desse campo. Qual é a força magnética no condutor? Resolução: F mag = B . i . L . sinθ F mag = 10-3 . 4 . 0,5 . sin (30) = 10-3 . 4 . 0,5 . 0,5 F mag = 10-3 N Veja que o ângulo θ é formado pela posição do fio condutor e o campo magnético B. Há algumas situações que devem ser verificadas com muito cuidado: A. o fio paralelo ao campo magnético Fontes de campo magnético U3 122 Caso tenhamos essa situação, a força magnética será nula, como mostra a Figura 3.17. Como mostra a Figura 3.17, o fio condutor está paralelo ao campo magnético B → ; sendo o θ = 0°, temos: F mag = B . i . L . sin 0° = 0 B. direção do fio perpendicular ao campo magnético Caso o fio condutor esteja perpendicular ao campo, teremos a força magnética na sua intensidade máxima. Observe a Figura 3.18. Figura 3.17 | Fio condutor paralelo ao campo magnético Fonte: O autor. Figura 3.18 | Fio condutor paralelo ao campo magnético Fonte: O autor. Fontes de campo magnético U3 123 F mag = B . i . L . sin 90° = B . i . L Na regra da mão direita, o polegar deixa de indicar a velocidade e passa a indicar a corrente convencional. edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: Artmed, 2006. 2.2 Força magnética entre dois fios condutores paralelos Observe a Figura 3.19, na qual temos dois fios condutores retos e paralelos, que possuem correntes elétricas i 1 e i 2 : Figura 3.19 | Dois fios condutores em paralelo Fonte: Adaptado de Abud (2008).Fonte: Adaptado de Abud (2008). Fontes de campo magnético U3 124 Para cada um dos fios, teremos uma força magnética dada por: F mag = B 1 . i 2 . L Sabemos que, quando aproximamos dois objetos carregados, eles estarão sujeitos ao campo do outro; sendo assim, sobre o fio 2 temos o campo elétrico gerado pela corrente que atravessa o fio 1. Podemos definir esse campo como: B 1 = µ . i 1 2 π d Sendo µ a permissividade magnética do material. Dessa forma, substituindo na equação anterior, temos: F mag = µ . i 1 . i 2 .L 2 π d Se as correntes tiverem o mesmo sentido, a força será de atração e, se elas tiverem sentidos contrários, a força será de repulsão. exemplo de aplicação Considere dois condutores em paralelo com 2 metros de comprimento e separados por uma distância de 2 cm, como mostra a figura a seguir. Eles são percorridos por correntes de intensidade i 1 = 1 A e i 2 = 2 A. Qual a força magnética entre eles, considerando que se encontrem no vácuo (µ = 4 π x 10-7 T. m / A )? Fontes de campo magnético U3 125 Resolução: F mag = µ . i 1 . i 2 .L 2 π d = 4 π . 10-7 . 1 . 2 . 2 2 π . 2 . 10-2 = 16 . 10-7 4 . 10-2 = 4 . 10-5 N Como as correntes estão em direções opostas, a força magnética é de repulsão. 2.3 torque sobre uma espira percorrida por corrente – momento magnético Uma espira estará sujeita à ação de forças quando for colocada em um campo magnético, e a ação dessas forças a faz rotacionar em relação ao eixo. Considere uma espira retangular com lados L e d, sendo que L se encontra perpendicular ao plano do papel, como apresenta a Figura 3.20. Sabemos que a força em um dado elemento dL → de um condutor que conduz corrente pode ser expressa por: dF → = I ( dL → x B → ) Sendo que a normal n → ao plano da espira faz um ângulo θ com B → , a força magnética responsável pelo torque pode ser representada por: F t = I L B senθ Dessa forma, podemos definir o torque resultante em uma espira como: T = 2F t 2 d = I L B senθ Unidade [N.m] Fontes de campo magnético U3 126 Figura 3.20 | Torque sobre uma espira imersa em um campo magnético, conduzindo corrente Fonte: Junior e Aquino (2010). Paraa espira dada, temos L . d = A, sendo que A representa a área da espira: T = I A B senθ Pode ser definido o momento magnético [m] de uma espira, que é dado por: m = N I A Unidade: A . m2 Sua representação vetorial é: m → = m . a n ^ A regra da mão direita define a orientação de a n ^ . O torque pode ser definido como: T → = m → x B → Fontes de campo magnético U3 127 exemplo de aplicação Uma bobina retangular com 200 espiras de 0,3 x 0,15 m2 com uma corrente de 5,0 A está em um campo uniforme de 0,2 T. Encontre o momento magnético e o torque máximo na bobina. Resolução: A = 0,3 x 0,15 = 0,045m2 m = nIA = 200 x 5 x 0,045 = 45A . m2 T max = m . B = 45 x 0.2 = 9 N . m 1. Uma carga q=0,1µC a uma velocidade v=2,5m/s entra perpendicularmente a um campo magnético, sofrendo uma força magnética F mag = 5.10-4N. a) Determine o campo magnético. b) Esquematize as grandezas envolvidas. 2. Uma espira é atravessada por uma corrente elétrica contínua. Em relação ao vetor campo magnético dentro da espira, podemos afirmar que: a) ele é constante e perpendicular ao plano da espira; b) ele é nulo; c) ele forma um ângulo de 60° com o plano da espira; d) ele é variável e perpendicular ao plano da espira; e) eles estão em planos diferentes. 3. Observe a figura a seguir, em que um condutor com comprimento de L = 0,20 m é atravessado por uma corrente I = 20A, gerando um campo magnético B = 5 . 10-3 T. Podemos afirmar, em relação à força magnética, que: Fontes de campo magnético U3 128 a) ela será paralela ao plano, com direção de B → e terá intensidade de F mag = 1 . 10-2N; b) ela será normal ao plano, com direção para dentro da página e terá intensidade de F mag = 2 . 10-2N; c) ela será paralela, na direção de A, e terá intensidade de F mag = 2 . 10-2N; d) ela será nula; e) ela será normal ao plano, na direção do observador e terá intensidade de F mag = 10-2N. 4. Considere três fios iguais que se encontram em paralelo e são atravessados por correntes de mesma intensidade e mesmo sentido, como mostra a figura a seguir. Sendo a força que o fio 1 faz sobre o fio 2 simbolizada por F 12 e a força que o fio 1 faz sobre o fio 3, F 13 , qual o valor de F 12 F 13 ? F 13 Fontes de campo magnético U3 129 5. Considere dois fios retilíneos e paralelos, como mostra a figura, sendo percorridos por correntes de igual intensidade, mas de sentidos opostos. Determine o campo magnético em: a) Meia distância entre eles. b) A uma distância “a” acima do fio 1. Fontes de campo magnético U3 130 Fontes de campo magnético U3 131 Seção 3 Fontes de campo magnético Caro aluno, esta seção trará os conceitos sobre as fontes de campo magnético, mostrando diferentes tipos de condutores que, ao serem percorridos por corrente elétrica, geram um campo magnético. Veremos, então, o campo gerado em torno de um condutor retilíneo, de uma espira circular, de um solenoide e de um toroide, mostrando as características de cada condutor, como calcular a densidade de campo magnético em cada caso e o comportamento das suas linhas de campo. Vamos lá? Bons estudos! 3.1 Fontes do campo magnético Sabemos que os ímãs naturais ou os ímãs permanentes que são feitos através de materiais magnetizados geram campos magnéticos. Esses campos podem também ser gerados pelas correntes elétricas em condutores. 3.1.1 Campo magnético gerado em torno de um condutor retilíneo Imagine um condutor retilíneo que é atravessado por uma corrente: a intensidade do seu campo magnético dependerá da intensidade dessa corrente. Se tivermos uma corrente intensa, teremos, por consequência, um campo intenso, com muitas linhas de campo distribuídas longe do condutor. Para uma corrente com pouca intensidade, teremos, portanto, poucas linhas de campo, mas mais próximas ao condutor, como pode ser observado na Figura 3.21. Fontes de campo magnético U3 132 Figura 3.21 | Campo elétrico em função da intensidade da corrente Fonte: adaptado de Mussoi (2005). O vetor B, que é denominado de densidade de campo magnético ou densidade de fluxo magnético, será tangente às linhas de campo em qualquer ponto (Figura 3.22). Figura 3.22 | Vetor B tangente às linhas de campo Fonte: Mussoi (2005). O vetor de densidade de campo magnético B sempre será tangente às linhas de campo. Fontes de campo magnético U3 133 Dessa forma, a densidade do campo B, em um dado ponto P, será diretamente proporcional à corrente no condutor e inversamente proporcional à distância entre o centro do condutor e o ponto, dependendo do meio. Isso pode ser representado por: B = µ0 . I 2πr Onde: • B: densidade de campo magnético no ponto P [T]. • r: distância entre o centro do condutor e o ponto P [m]. • I: intensidade da corrente no condutor [A]. • µ0: permeabilidade magnética no vácuo: 4πr . 10-7 [ T . m A ] A equação acima é para condutores longos, ou seja, se a distância de r for bem menor que o comprimento L do condutor. exemplo de aplicação Considere um fio condutor retilíneo bem extenso atravessado por uma corrente de 2 A. Qual o campo magnético a uma distância de 50 cm? Resolução: B = µ 0 .I 2πr = 4π . 10-7 . 2 2πr = 4 . 10-7 0,5 = 8 . 10-7 T 3.2 Campo magnético gerado no centro de uma espira circular Uma espira circular pode ser definida como um fio condutor que é curvado, formando um anel circular. Dessa forma, quando uma espira é atravessada por uma corrente, haverá a formação de um campo magnético ao seu redor. As linhas de campo magnético formadas em uma espira circular podem ser determinadas pela regra da mão direita. Os campos magnéticos de uma espira circular podem ser calculados através de: B = µ . I 2r Onde: • B: densidade de campo magnético no centro da espira circular [T]. • r: raio da espira [m]. Fontes de campo magnético U3 134 • I: intensidade de corrente na espira circular [A]. • µ: permeabilidade magnética do meio [ T . m A ]. A Figura 3.23 mostra que as linhas de campo geradas em um condutor em formato de espira estão concentradas em seu interior. A Figura 3.24 traz o uso da regra da mão direita para determinação das linhas de campo. exemplo de aplicação Dada uma espira circular que se encontra no vácuo com um diâmetro de 4 cm e atravessada por uma corrente de 8 A, qual o campo elétrico no centro da espira? Resolução: Figura 3.23 | Linhas de campo em uma espira circular Figura 3.24 | Regra da mão direita em espiras circulares Fonte: Mussoi (2005). Fonte: Mussoi (2005). Fontes de campo magnético U3 135 3.3 Campo magnético gerado no centro de uma bobina longa ou solenoide Chamamos de solenoide uma bobina longa obtida através de um fio condutor isolado, enrolado em espiras iguais, distribuídas lado a lado com espaçamentos iguais entre si. Ao ser atravessado por uma corrente, teremos a formação de um campo magnético no interior das suas espiras. As linhas de campo também são orientadas conforme a regra da mão direita, sendo que será observado que no interior dos solenoides essas linhas são de fato paralelas, com mesmo sentido e mesmo espaçamento, o que caracteriza um campo uniforme nessa área. Externamente ao solenoide, temos um campo bem intenso nas suas extremidades, havendo, portanto, uma grande quantidade de linhas de campo. Já na região longe das extremidades, tem-se um campo magnético de baixa intensidade, para o caso de um solenoide real, sendo que para um ideal (solenoide no qual o seu comprimento é muito maior que o diâmetro das espiras) esse campo deveria ser nulo. O comportamento desse condutor ao ser atravessado por uma corrente é parecido com um ímã de barra, em que uma das suas extremidades é o polo norte e a outra, o polo sul. B = µ.I 2r = 4π . 10-7 x 8 2 . 2 . 10-2 = 8π . 10-5 T edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: Artmed, 2006. Fontes de campo magnético U3 136 Figura 3.25 | Campo magnético de um ímã e de um solenoide Fonte:Mussoi (2005). Dessa forma, podemos definir a intensidade do campo magnético dentro do solenoide como: B = µ.N.I L Onde: • B: densidade de campo magnético [T]. • N: número de espiras do solenoide. • I: intensidade de corrente que percorre o solenoide [A]. • L: comprimento longitudinal do solenoide [m]. • µ: permeabilidade magnética do meio (núcleo do solenoide) [ T . m A ]. nota: Não confunda o comprimento longitudinal do solenoide com o comprimento do condutor do solenoide. O campo magnético solenoide possui as seguintes características: Dentro de um solenoide, considerando o campo magnético como uniforme, as linhas de campo serão paralelas entre si. E, quanto mais comprido for o solenoide, mais uniforme será seu campo magnético interno e mais fraco o campo magnético externo. Fontes de campo magnético U3 137 Podemos inserir no interior de um solenoide um material ferromagnético (objeto de ferro), constituindo um eletroímã e aumentando o campo magnético. Os eletroímãs são usados para transporte e seleção de sucatas, disjuntores, caixas de som, amplificadores de música, entre outros. A Figura 3.26 traz um exemplo de eletroímã. exemplo de aplicação Considere um solenoide percorrido por uma corrente de 0,4 A, e possuindo 10 mil espiras por metro. Qual será o campo magnético no interior do solenoide? Dado µ=4π x 10-7 T.A /m. Resolução: B = µ.N.I L = 4π . 10-7 x 10.000 x 0,4 1 = 16π . 10-4 T Figura 3.26 | Eletroímã Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). em um eletroímã, o campo magnético só existe quando a corrente elétrica está passando. Um bom exemplo é a campainha de casa. Quando ela é acionada, o circuito eletrônico dentro do sino se fecha em um ciclo elétrico, e ele é então acionado, permitindo que a eletricidade flua e gerando um campo magnético, como consequência causando o barulho da campainha. e na amplificação de sons, qual a função dos eletroímãs? Fontes de campo magnético U3 138 3.4 Campo magnético gerado por um toroide Um toroide ou uma bobina toroidal nada mais é que um solenoide no formato de anel, sendo que o seu núcleo pode ser constituído de ar ou de algum material ferromagnético. A Figura 3.27 mostra um modelo de toroide. É observado nos toroides que eles têm uma grande capacidade de concentração das linhas de campo. Dessa forma, o campo magnético em um toroide pode ser calculado por: B = µ.N.I 2.π.r Onde: • B: densidade de campo magnético no interior do toroide [T]. • N: número de espiras da bobina toroidal. • I: intensidade de corrente no condutor da bobina [A]. • r: raio médio do toroide [m]. • µ: permeabilidade magnética do meio no interior das espiras do toroide (núcleo) [ T . m A ]. Observe que o raio médio do toroide consiste no raio da circunferência no meio do núcleo do toroide, como mostra a Figura 3.28. Tenha sempre o cuidado Figura 3.27 | Toroide Fonte: Mussoi (2005). Fontes de campo magnético U3 139 de não o confundir com o raio externo ou interno, nem com o raio das espiras. O sentido das linhas de campo que se encontram no núcleo de um toroide também é determinado pela regra da mão direita, como mostra a Figura 3.29. Os toroides possuem grande utilização para medir características comportamentais dos materiais magnéticos, devido à sua capacidade de concentração de quase todas as linhas de campo dentro do núcleo. Figura 3.28 | Núcleo do toroide Figura 3.29 | Sentido das linhas de campo no toroide Fonte: Mussoi (2005). Fonte: Mussoi (2005). Fontes de campo magnético U3 140 edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: Artmed, 2006. exemplo de aplicação Considere um toroide de 1000 voltas, com raio interno de 1 cm e raio externo de 2 cm, percorrido por uma corrente de 1,5 A. Qual será o campo magnético a uma distância de 1, 10 cm da origem? Dado µ= 4π x 10-7 T . A /m. Resolução: B = µ.N.I 2.π.r = 4 . π . 10-7 x 1000 x 1,5 2 . π . 1,10 . 10-2 = 6 . 10-4 2,2 . 10-2 = 2,7 . 10 -2T 1. Sabemos que um solenoide possui espiras iguais, distribuídas lado a lado com espaçamento igual. Podemos afirmar, em relação a essas espiras: a) Elas se atraem. b) Elas se repelem. c) Não há nenhuma ação entre elas. d) Elas se anulam. e) Elas possuem uma tensão induzida. 2. Considere uma espira circular no vácuo percorrida por uma corrente de I = 9A. O diâmetro dessa espira é dado por d = 6πcm. Calcule o valor de densidade de campo magnético. 3. Considere uma espira circular percorrida por uma corrente elétrica constante. Em relação ao campo Fontes de campo magnético U3 141 magnético no centro da espira, podemos afirmar que: a) ele será nulo; b) ele será constante e perpendicular ao plano; c) ele será variável e perpendicular ao plano; d) ele será constante e paralelo ao plano; e) ele será variável e paralelo ao plano. 4. Dado um condutor retilíneo com comprimento de L = 0,20 m sendo atravessado por uma corrente elétrica i = 2 A, esse é colocado em um campo magnético de intensidade B=2.10-4T. Determine a força magnética para: a) O condutor retilíneo colocado de forma paralela às linhas de campo. b) O condutor retilíneo colocado de forma perpendicular às linhas de campo. 5. Considere duas espiras dispostas perpendicularmente, tendo o mesmo raio de 2πcm e atravessadas por uma corrente de i 1 = 4A e i 2 = 3A. Qual será a resultante do vetor campo magnético? Dado µ = 4 π x 10-7 T.A/m. Mensagem final ao aluno Caro aluno, chegamos ao fim de mais uma unidade e você pôde ver importantes conceitos do eletromagnetismo. Eles são essenciais para que você entenda os conceitos de campo eletromagnético e como podem ser gerados os campos magnéticos através das correntes elétricas em condutores. Essas fontes de campo eletromagnético são utilizadas para as funcionalidades comuns do dia a dia, como ligar um interruptor, válvulas de controle, ignição de um automóvel, entre outros. É importante que você aprofunde os estudos nos temas discutidos, estendendo, dessa forma, o seu conhecimento. Lembre-se: você é a principal ferramenta do seu conhecimento! Bons estudos! Fontes de campo magnético U3 142 U3 143Fontes de campo magnético Referências ABUD, Ricardo. Força magnética. São Paulo: USP, 2008. ARAÚJO, Ives; MOREIRA, Marco. Breve Introdução à Lei de Gauss para a eletricidade e à Lei de Ampère – Maxwell. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011. CARDOSO, Celso. Fontes do campo magnético. São Paulo: UEP, 2009. DIAS, Rodrigo. Fontes de campo magnético. Universidade Federal de Juiz de Fora, 2011. EDMINISTER, Joseph A. Teoria e problemas de eletromagnetismo. Porto Alegre: Bookman, 2006. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de Física. 3, Livros Técnicos e Científicos. 9. ed. Rio de Janeiro: Editora S.A., 2012. HAYT, J. R.; William H. Eletromagnetismo. 8. ed., Rio de Janeiro: LTC, 2006. JUNIOR, Naasson; AQUINO, Claudio. Eletromagnetismo. Universidade Estadual Paulista, 2010. KRAUS, John Daniel. Electromagnetics. 4th ed. New York: McGraw-Hill, 1992. MUSSOI, Fernando. Fundamentos de eletromagnetismo. Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina. 2005. OLIVEIRA, Vagner; VEIT, Eliane; ARAÚJO, Ives. Uma proposta de ensino de tópicos de eletromagnetismo via instrução pelos colegas e ensino sob medida para o ensino médio. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2010. SADIKU, Matthew N. O. Elementos de eletromagnetismo. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. Unidade 4 indUção eletroMAGnétiCA Cibele Abreu Makluf Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade, você terá a oportunidade de estudar e compreender: • Os principais conceitos sobre a indução eletromagnética. • Os princípios do fluxo magnético. • Como calcular um fluxo magnético. • Os fundamentos da lei de Faraday e da Lei de Lenz. • Como calcular a força eletromotriz produzida em um movimento. • Os principais conceitos dos campos elétricos induzidos. • Indução eletromagnética. • Fluxo eletromagnético.• Lei de Faraday. • Lei de Lenz. Seção 1 | Indução eletromagnética Indução eletromagnética U4 146 • Força eletromotriz produzida pelo movimento. • Campos elétricos induzidos. • Corrente de Foucault. • Circuitos magnéticos. Seção 2 | Força eletromotriz Indução eletromagnética U4 147 Introdução à unidade Caro aluno, você verá, nesta unidade, alguns conceitos sobre o eletromagnetismo. Vamos estudar a indução eletromagnética. Ela é responsável por muitos processos do nosso dia a dia, como a produção de energia elétrica. Vamos iniciar nosso estudo vendo os conceitos da indução eletromagnética e as particularidades do fluxo magnético. Na sequência, estudaremos os fundamentos das leis de Faraday e de Lenz, essenciais para o entendimento dos fenômenos eletromagnéticos, por exemplo, o funcionamento do transformador e a geração de energia elétrica, e veremos também algumas importantes características dos circuitos magnéticos. Você é essencial nesse processo. Bom trabalho! Indução eletromagnética U4 148 Indução eletromagnética U4 149 Seção 1 Indução eletromagnética Caro aluno, esta seção apresenta os conceitos da indução eletromagnética. Você verá de que forma a variação do campo magnético induz uma força eletromotriz e como calcular o fluxo magnético na superfície de uma espira. Falaremos também sobre os fundamentos de importantes leis da indução eletromagnética, a Lei de Faraday e a Lei de Lenz. Todos esses conceitos são importantes para a compreensão de muitos fenômenos da eletricidade e do magnetismo, por exemplo, saber como funciona um transformador. Vamos lá? Bons estudos! introdução Conforme foi visto na Unidade 3, Oersted, através dos seus experimentos, descobriu que a corrente elétrica é capaz de gerar campo magnético. Dessa forma, os estudos prosseguiram e outros cientistas pesquisaram para saber se o inverso seria possível, ou seja, se o campo magnético seria capaz de gerar correntes. Michael Faraday descobriu que isso era possível, já que ele estabeleceu uma corrente elétrica no condutor variando seu campo magnético através da sua superfície. Uma das experiências de Faraday é apresentada na Figura 4.1. Indução eletromagnética U4 150 Figura 4.1 | Modelo das experiências de Faraday Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Uma espira encontra-se ligada em um galvanômetro, como mostra a Figura 4.1, sendo esse um equipamento usado para medir baixas intensidades de corrente elétrica, e, não tendo nenhuma fonte para criar uma força eletromotriz, é esperado que o medidor não detecte correntes elétricas no condutor. Se movimentarmos um dos polos do ímã (afastando ou aproximando) em relação à espira da Figura 4.1, verificaremos que ocorre uma deflexão no ponteiro do galvanômetro, mostrando que há corrente. Se o ímã for colocado em repouso em relação à espira, o galvanômetro não indicará mais a presença de corrente elétrica. Foi percebido que, ao aproximarmos o polo norte de um ímã da espira, o ponteiro do amperímetro é defletido em um sentido, e, ao ser afastado o polo norte da espira, o ponteiro é defletido no sentido contrário, sendo que, quanto mais rápido esse movimento de aproximar ou afastar o ímã da espira, mais intensa será a corrente produzida, chamando esse processo de indução eletromagnética. Chamamos a corrente gerada de corrente elétrica induzida e da força eletromotriz A força eletromotriz ou FeM é uma propriedade do dispositivo, principalmente de geradores, de produzir correntes elétricas em circuitos. é uma grandeza escalar, e devemos ter o cuidado de não a confundir com a diferença de potencial elétrico (ddp), já que possuem a mesma unidade. Indução eletromagnética U4 151 1.2 o fluxo magnético O fluxo magnético (φ) na espira com área A que se encontra em um campo B uniforme é: φ = B . A . cosθ Sendo θ o ângulo entre B e a normal n a espira. Observe a Figura 4.2. Unidade: Weber [Wb] de força eletromotriz induzida. o microfone é formado por um ímã permanente, que é envolto por uma bobina móvel e uma membrana. Quando as ondas sonoras chegam ao microfone, temos a vibração dessa bobina, fazendo com que a membrana também vibre. o ímã faz com que tenhamos um campo magnético dentro do microfone, e a movimentação dessas ondas sonoras faz com que uma tensão elétrica seja induzida na bobina. os sons do microfone são transformados dessa forma em oscilação de tensão dentro da bobina. Tela de proteção Membrana Bobina móvel ligada à mebrana Ímã fixo Indução eletromagnética U4 152 Figura 4.2 | Fluxo magnético Figura 4.3 | Fluxo de acordo com Fonte: Nascimento et al. (2012). Fonte: Nascimento et al. (2012). Caso tenhamos n espiras, a equação pode ser reescrita: φ = n . B . A . cosθ Onde n é o número de espiras. Observe a Figura 4.3. Observa-se na Figura 4.3 a que a espira está inclinada em relação ao vetor B. Dessa forma, ela será atravessada por uma quantidade de linhas de indução menor se comparada com o exemplo b, em que a espira se encontra perpendicular ao vetor B, o que indica que o fluxo magnético será menor em a do que em b. No exemplo c, Indução eletromagnética U4 153 a espira encontra-se paralela ao campo, não sendo, portanto, atravessada por linhas de indução, e o fluxo será zero. Fluxo magnético (φ) mede o número de linhas de indução que cruzam a superfície da espira. Se o fluxo magnético de um circuito variar com a passagem do tempo, surge no circuito uma força eletromotriz induzida. exemplo de aplicação Um campo magnético atua perpendicularmente sobre uma espira circular de raio 10 cm, gerando um fluxo de indução magnética de 1 Wb. Qual o campo magnético? Resolução: A = πr2 → 3,14 . (0,1)2 = 0,0314m2 φ = B . A . cosθ B = φ A . cosθ → φ A secθ B = 1 0,0314 sec0° → B ≅ 31,83 T 1.2.1 Variação do fluxo magnético A. intensidade do campo magnético A intensidade do campo magnético está ligada ao número de linhas de indução. Assim, quanto mais intenso for o campo, maior o número de linhas atravessando a superfície, e, consequentemente o fluxo através dela será aumentado. O fluxo magnético é aumentado quando aproximamos a espira circular do polo norte de um ímã, já que durante essa aproximação as linhas de campo que estão saindo do polo norte do ímã entram na superfície da espira. Se afastarmos da espira o polo norte do ímã, o fluxo será diminuído. Isso é ocasionado porque as linhas de campo que cruzam a superfície da espira irão diminuir. B. Área da superfície A área da superfície da espira determina o número de linhas de campos que irão atravessá-la, ou seja, se tivermos uma grande área, um maior número de linhas de campo irá atravessar essa superfície. Assim, maior será o fluxo magnético. C. Ângulo A variação do fluxo magnético está diretamente ligada à variação do ângulo entre Indução eletromagnética U4 154 as linhas de campo e o vetor normal. Para conseguir essa variação, basta girar uma espira dentro de um campo constante. edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: Artmed, 2006. o alto-falante é formado por um ímã permanente envolvido por uma bobina móvel, que se encontra conectada a um cone, geralmente de papelão. Quando o alto-falante se encontra conectado a um microfone, ele faz a conversão da tensão elétrica em som. A corrente elétrica que vem do microfone atravessa a bobina, sendo que esta está sujeita ao campo magnético gerado pelo ímã. A bobina é então movimentada através das forças magnéticas que são geradas por esse campo, ocasionado a vibração do cone. temos também a vibração do ar que se encontra junto ao cone, ocorrendo, portanto, a reprodução do som que foi absorvido pelo microfone. Cone Ímã Bobina móvel Alto-falante Indução eletromagnética U4 155 exemplo de aplicação Considere uma espira de área 2,4 . 10-1 m2 colocada perpendicularmente a um campo B de 3 . 10-2 T. Determine o fluxo magnético. Resolução: Como a espiraestá perpendicular ao campo B, o θ=0°. θ = B . A . cosθ θ = 3 . 10-2 x 2,4 . 10-1 x cos(0°) θ = 7,2 . 10-3 Wb 1.3 lei de Faraday Através dos seus experimentos, Faraday concluiu que uma força eletromotriz é induzida e gera uma corrente elétrica induzida por meio de uma variação do fluxo magnético na superfície da espira. Em outras palavras, isso significa que, sempre que houver a variação (aumento ou diminuição) dos números de linhas de campo magnético por meio de uma superfície de um condutor, uma força eletromotriz, que é responsável pela geração de corrente elétrica, será induzida no condutor. Observe a Figura 4.4. Como vimos anteriormente, ao aproximarmos a espira do polo norte do ímã, teremos um aumento do fluxo na sua superfície e pode ser verificado que uma corrente elétrica induzida irá surgir na espira, já que houve variação na quantidade de linhas de campo. Se o movimento agora fosse de afastamento, teríamos da mesma forma uma variação do fluxo e uma corrente induzida, já que o afastamento do ímã causa uma diminuição no número de linhas do campo que atravessa a área da espira. A diferença entre as duas situações é que, quando aproximamos o polo norte do ímã, a corrente elétrica é gerada em um sentido, e quando afastamos, a corrente induzida gerada será no sentido oposto. Figura 4.4 | Ímã e uma espira circular Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Indução eletromagnética U4 156 A geração de corrente elétrica induzida não se dá apenas pelo afastamento ou aproximação de um ímã de uma espira. Para que isso ocorra, basta que tenhamos uma variação do fluxo magnético na espira, que pode ser conseguida, como mencionamos anteriormente, através da variação: intensidade do campo magnético, área da superfície ou ângulo. A lei da indução eletromagnética de Faraday: A força eletromotriz induzida (fem) na espira condutora é proporcional à variação das linhas de campo magnético que cruzam a espira em um determinado tempo. Isso significa que: • Quanto maior a variação do fluxo, maior a intensidade da força eletromotriz induzida. • Quanto mais rapidamente ocorrer a variação do fluxo (menos tempo), maior a fem induzida e, por consequência, maior corrente induzida. Dessa forma, a Lei de Faraday pode ser escrita: ε = - ∆φ ∆t = - dφ mag dt Unidade: Volts (v) O sinal negativo é um indicativo de que a fem se opõe a quem a originou, e é a chamada lei de Lenz, que veremos em detalhes mais à frente. Onde: • ε: fem induzida. • ∆φ: variação de fluxo. • ∆t: intervalo de tempo. nas hidrelétricas, a energia potencial do volume de água represado é transformada em energia elétrica por um processo fundamentado Indução eletromagnética U4 157 exemplo de aplicação Considere uma espira circular de 300 voltas e com um raio de 4 cm, sendo que o eixo dessa espira forma um ângulo de 30° com o campo magnético, e esse varia a uma taxa de 85 T/s. Qual o módulo da força eletromotriz produzida na espira? Resolução: A = π(0,04)2 = 5 . 10-3 m2 φ = N . B . A . cosθ φ = 300 . 85 . 5 . 10-3 . cos(30) φ = 111Wb |ε| = ∆φ ∆t = 111 1 = 111V 1.4 lei de lenz A lei de Lenz determina o sentido da corrente elétrica que foi induzida no condutor: Em um condutor, sua fem induzida terá sentido oposto à variação que a induziu. Vamos observar a Figura 4.5, em que temos novamente um ímã e uma barra circular. na lei de Faraday. esse processo é baseado no movimento dos eletroímãs que se encontram junto ao eixo do rotor da turbina, que se encontra abaixo do nível da água, e ela gira ao sofrer a ação da água em direção a suas pás. o movimento do eletroímã faz com que os enrolamentos do estator fiquem imersos em um fluxo magnético variável, surgindo, dessa forma, uma tensão de 15.000 V, que é elevada através das subestações elevadoras para cerca de 300.000 V. dessa forma, através das linhas transmissoras, a tensão vai sendo distribuída para as estações abaixadoras e então aos consumidores, sendo que para residências a tensão que chega será de 127 V e 220 V. Indução eletromagnética U4 158 Figura 4.5 | Ímã aproximado de uma espira Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Ao aproximarmos a espira do polo norte do ímã, haverá o aumento do fluxo com geração de corrente induzida. O sentido dessa corrente será contrário a essa variação. Devido a isso, surgirá entre o ímã e a espira uma força de repulsão, em que a face da espira que se encontra voltada para o ímã estará se comportando dessa forma como o polo magnético norte. Para que isso ocorra, a corrente elétrica induzida deve estar no sentido anti-horário sob ponto de vista do observador. Para que o ímã seja empurrado em direção à espira, vencendo a força repulsiva que surge, é necessária a ação de um agente externo. A energia que foi fornecida pelo agente para aproximar o ímã e a espira será, então, convertida em fem induzida e, por consequência, em corrente elétrica. Diferença de FEM e fem A Força eletromotriz ou (FEM), definida pelo símbolo ε, é a propriedade que um dispositivo tem de produzir corrente elétrica no circuito. Ela é escalar, não devendo haver confusão com a diferença de potencial elétrico (ddp), já que possuem a mesma unidade (volts). Para explicar a fem, observe a figura a seguir, em que temos Indução eletromagnética U4 159 Agora, vamos observar a Figura 4.6, em que o polo norte do ímã está sendo afastado da espira. um condutor reto que se movimenta em um campo B, gerado por um ímã, sendo que o campo magnético é uniforme e está perpendicular ao plano do fio. Os elétrons livres que se encontram dentro do condutor também serão submetidos à força de origem magnética atuante no condutor, sendo que a regra da mão direita determina o seu sentido. Esses elétrons se concentram na parte inferior do condutor e, como consequência, a outra extremidade ficará positiva. As cargas que se concentram nos extremos do condutor geram um campo elétrico E, devido a isso, serão submetidas a uma força elétrica (Fe), que terá o sentido oposto à força magnética. Quando houver um equilíbrio dessas forças (elétrica e magnética), surgirá uma ddp entre os extremos do fio equivalente à força eletromotriz, que, para o caso mostrado, será denominada de força eletromotriz induzida. Indução eletromagnética U4 160 Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Figura 4.6 | Afastamento de um ímã e uma espira Como já foi visto, com o afastamento da espira do polo norte do ímã, haverá uma diminuição do fluxo magnético. Conforme acontece com a aproximação, no afastamento a corrente elétrica induzida também será gerada no sentido oposto à variação. Teremos agora uma força de atração entre o ímã e a espira, e a face da espira que se encontra voltada para o ímã irá se comportar como o polo sul. Para que isso ocorra, é necessário que a corrente elétrica induzida esteja no sentido horário. Outra forma de analisar a lei de Lenz está na Figura 4.7. Vemos uma haste condutora em contato com guias metálicas, sendo que a haste pode deslizar sobre as guias metálicas. As guias e a haste encontram-se numa região com um campo magnético uniforme, que entra no plano da figura de forma perpendicular. Aproximando a espira e o polo norte do ímã, teremos uma corrente induzida no sentido anti-horário. Caso agora a aproximação ocorra entre a espira e o polo sul do ímã, o sentido da corrente induzida será horário. Afastando a espira do polo norte do ímã, teremos uma corrente induzida no sentido horário. Caso afastemos da espira o polo sul do ímã, o sentido da corrente será anti-horário. Indução eletromagnética U4 161 Figura 4.7 | Haste condutora e guias metálicas Na Figura 4.7, a podemos observar a área formada pela haste e pela guia metálica, que é atravessada por linhas de campo perpendiculares ao plano. Para o caso b, a haste foi movimentada para a direita, aumentando a quantidade de linhas de campo que cruzam a área entre as guias metálicas e a haste, variando o fluxomagnético. Dessa forma, como foi visto, quando ocorre a variação do fluxo, temos a geração de uma corrente induzida, que produz um campo magnético induzido oposto à variação do fluxo magnético no indutor. A lei de Lenz pode ser também anunciada como: A corrente elétrica induzida possui sentido tal que gera um campo magnético induzido contrário à variação do campo magnético no indutor. Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Indução eletromagnética U4 162 Você sabia que os cartões de banco têm uma tarja magnética formada por partículas minúsculas magnetizáveis repartidas em uma sequência de áreas magnetizadas e não magnetizadas? essa sequência é o código binário que possui os dados do dono do cartão. o aparelho que faz a leitura do cartão é constituído de bobina, que se encontra enrolada em um núcleo formado de ferro. Quando inserimos o cartão em um caixa eletrônico, por exemplo, ocorre a indução de uma corrente variável na bobina. dessa forma, um computador recebe os sinais elétricos, decodificando as informações contidas no cartão. 1. Em uma espira circular, podemos afirmar, em relação à sua corrente induzida: a) Ela será nula se o fluxo que atravessa a espira se mantiver constante. b) Ela terá sentido igual à variação do fluxo. c) Ela será inversamente proporcional à variação do fluxo ao longo do tempo. d) Ela será maior proporcionalmente ao aumento da resistência da espira. e) Ela não irá se alterar, qualquer que seja a resistência da espira. 2. Considere uma espira quadrada de lado 2 cm imersa em um campo uniforme de 2 T. Qual o fluxo de indução para: a) Plano da espira em paralelo às linhas de indução. b) Plano da espira perpendicular às linhas de indução. c) A reta normal formando um θ = 60° com as linhas de indução. Indução eletromagnética U4 163 3. Considere uma espira retangular que possui as seguintes dimensões: 15 cm de largura e 20 cm de comprimento, e está em um campo de indução magnética de 10 T, como mostra a figura. É formado um ângulo de 30° entre as linhas de indução e o plano da espira. Qual será o fluxo de indução magnética? 4. Um fluxo magnético atravessa uma espira de acordo com a expressão em função do tempo: φ B =6t2 + 7t, onde t é segundos e φ B em mWb. Qual o valor da fem induzida quando o tempo for 2s? 5. Observe a figura a seguir, em que um ímã se encontra em um carrinho em movimento a uma velocidade constante sobre um trilho. O trilho é envolvido por uma espira metálica. Em relação à corrente elétrica, podemos afirmar: a) Será sempre nula. b) Só existirá se o ímã estiver próximo da espira. c) Só existirá se o ímã estiver dentro da espira. d) Só existirá se o ímã se afastar da espira. e) Existirá se o ímã se aproximar ou se afastar da espira. Indução eletromagnética U4 164 Indução eletromagnética U4 165 Seção 2 Força eletromotriz Caro aluno, esta seção apresenta os conceitos e particularidades da força eletromotriz produzida pelo movimento dos campos elétricos induzidos. Falaremos também sobre as correntes de Foucault, muito utilizadas em aparelhos do nosso dia a dia, como detectores de metais e freios magnéticos. Além disso, veremos os circuitos magnéticos, importantes por estabelecer uma ponte entre o eletromagnetismo e sua aplicação no funcionamento das máquinas elétricas. Todos esses conceitos são importantes para a compreensão de muitos fenômenos da eletricidade e do magnetismo. Vamos lá? Bons estudos! 2. Força eletromotriz produzida pelo movimento A força eletromotriz (fem) pode ser definida como o trabalho para se deslocar uma carga em um circuito. Observe a Figura 4.8, em que temos um condutor PQ que se encontra em um campo uniforme B → . Figura 4.8 | Condutor em campo uniforme Fonte: Elaborada pelo autor. Indução eletromagnética U4 166 Quando o condutor se movimentar com uma dada velocidade v → constante, de forma perpendicular ao seu comprimento e ao campo B → , as partículas que se encontram carregadas em seu interior serão submetidas a uma força magnética dada por F → = qv → x B → , sendo que esta terá a mesma direção do condutor. O sentido da força irá depender da carga: se a carga for positiva, a força será no sentido QP; caso a carga seja negativa, o sentido será PQ. Podemos notar pela figura que, na extremidade P, temos um excesso de cargas positivas, enquanto para Q temos de cargas negativas. Vamos supor agora que um condutor móvel se desloque através de outro condutor imóvel em formato de U, como mostra a Figura 4.9. Inicialmente sobre o condutor bcd não há forças agindo, já que ele se encontra parado. Podemos observar que temos a formação de um circuito fechado abcd, com a geração de uma corrente com o sentido horário. Como essa corrente flui no circuito, as cargas excedentes que se encontravam nas extremidades do condutor vão diminuindo, e uma força magnética faz com que os elétrons livres do condutor se movimentem de P para Q. Enquanto houver movimentação no condutor, haverá um contínuo deslocamento dos elétrons livres no sentido anti- horário. Assim, o condutor móvel será um gerador de fem. Podemos, então, definir a fem de movimento utilizando a fem ε: ε = E → . dl → = . F → q . dl → = ( v → x B → ) . dl → Sabemos que a velocidade v → não é nula somente no segmento PQ que possui um dado comprimento l. Dessa forma, a integral no percurso fechado abcd pode ser reduzida a: ε = a ∫ ( v → x B → ) . dl → ε = B . l . v Figura 4.9 | Movimento do condutor no campo Fonte: O autor. Indução eletromagnética U4 167 Sendo l em metros e v em m/s. Ao movimentarmos o condutor a uma velocidade v → , surge uma diferença de potencial V PQ nas extremidades da haste que pode ser representada por: V PQ = E . l = v . l . B Onde E é o campo elétrico. Quando a haste estiver em contato com outro condutor em forma de U, temos: V PQ = ε = B . l . v = R . I Chamamos ε de tensão elétrica induzida. Unidade: Volts. De forma generalizada, podemos resumir a fem do movimento: F → = qv → . B → dW = F → . dl → dW = q d ε q d ε = ( qv → x B → ) . dl → d ε = ( v → x B → ) . dl → ε = ∫ ( v → x B → ) . dl → dionísio, Paulo Henrique. A força eletromotriz de movimento e os fundamentos da teoria eletromagnética clássica. Revista Indução eletromagnética U4 168 Brasileira de Ensino de Física, v. 32, n. 4, 2010. disponível em: <https://drive.google.com/file/d/0B4dWrkB2lh2sazg5a3BFVjkta0U/ view?usp=sharing>. Acesso em: 9 mar. 2016. exemplo de aplicação Considere um fio condutor de 60 cm de comprimento se movendo a uma velocidade de 40 m/s, perpendicular às linhas de um campo magnético de intensidade 12 T. Qual será sua tensão elétrica induzida? Resolução: ε = B . l . v ε = 12 . 60 x 10-2 . 40 ε = 288V 2.2 Campos elétricos induzidos Dado um solenoide de n espiras, como mostra a Figura 4.10. Figura 4.10 | Solenoide Fonte: Dias (2012). Indução eletromagnética U4 169 O campo gerado por esse solenoide por onde flui corrente (I) é: B = n . µ 0 . I Sendo n número de espiras. A densidade de campo magnético na parte central de solenoide é: B = µ . n . I l Onde l é o comprimento longitudinal do solenoide em metros. Na espira de área A, teremos um fluxo magnético com mesmo sentido e direção de B → e é dado por: φ B = B → . A = B . A φ B = µ 0 . n . I . A Dessa forma, quando a corrente que circula na espira variar no tempo, a fem induzida pode ser escrita por: ε = dφB dt ε = -µ 0 . n . A . dI dt Considerando uma resistência da bobina R, a corrente induzida I’ pode ser determinada por: I'= ε R = µ0 . n . A R dI dt A força que irá agir sobre as cargas, forçando-as a se mover ao longo do circuito, é o campo elétrico induzido no condutor que foi produzido através da variação do fluxo magnético. Dessa forma, quando uma volta é completada pela carga q, temos: W = q E → . dl → = q . ε Assim o campo elétrico induzido não será conservativo,já que a integral de linha do campo elétrico no circuito fechado não é nula. Mas ela é igual a: Indução eletromagnética U4 170 ε = E → . dl → ε =- dφ B dt E → . dl → = - dφ B dt Essa equação só pode ser utilizada quando o percurso na integração se mantiver constante. Ainda podemos definir a equação de Maxwell para a lei de indução de Faraday, utilizando o teorema de Stokes. E → . dl → = ∫ s (∇ x E → ) . dA - dφ B dt = ∫ s (- ∂ B → ∂t ) . dA ∇ x E → = - ∂ B → ∂t 2.2 Força magnetizante (campo magnético indutor) Em uma bobina, caso seja mantida constante sua corrente e seja alterado o material que constitui o núcleo, que se refere à permeabilidade magnética do meio (µ), teremos uma alteração na densidade de fluxo magnético. O vetor campo magnético indutor (que também pode ser chamado de força magnetizante), representando por H → , corresponde ao campo magnético que é criado pela corrente elétrica na bobina, não dependendo da permeabilidade magnética do material do núcleo. Dessa forma, a densidade de campo magnético é definida por: B = µ . n . I l B µ = n . I l E podemos definir: H = B µ Indução eletromagnética U4 171 O campo magnético indutor H de uma bobina é: H = n . I l Onde: • H: campo magnético indutor [Ae/m]. • n: espiras do solenoide. • I: corrente no condutor [A]. • l: comprimento do núcleo magnético [m]. A orientação do vetor H → é semelhante ao vetor B → , não dependendo da permissividade magnética do meio. Os vetores de densidade de campo magnético ( B → ) e de densidade de campo magnético indutor ( H → ) podem ser relacionados por: B → = µ . H → A densidade de fluxo B é a consequência da força magnetizante H em um dado meio µ. Em um condutor retilíneo, a força magnetizante H será: H = I 2πr Para um material ferromagnético, é verificado que sua permeabilidade magnética não é constante, sendo isso mostrado na curva de magnetização do material (Figura 4.11). os materiais ferromagnéticos são aqueles que se magnetizam de forma intensa ao serem colocados em um campo magnético, tornando o campo magnético resultante bem mais intenso. Como exemplos desses materiais, temos o níquel, o ferro, o cobalto e suas ligas. Indução eletromagnética U4 172 Figura 4.11 | Curva de magnetização para material ferromagnético Fonte: Sambaqui e Marques (2010). 2.3 Força magnetomotriz Podemos definir a força magnetomotriz (fmm) em uma bobina como o agente que produz fluxo magnético no núcleo de um circuito magnético. Ela é definida por: fmm = n . I Sendo: • fmm: força magnetomotriz [Ae]. • n: espiras do solenoide. • I: corrente no condutor [A]. Podemos ainda definir: B = µ . n . I l e H = n . I l Como fmm = n . I, então: H = fmm l fmm = H . l Onde: • H: Campo magnético indutor [Ae/m]. Indução eletromagnética U4 173 • l: comprimento médio do caminho magnético [m]. Podemos definir a relutância magnética: ℜ = l µ . A e µ = B H E pode ser reescrita como: ℜ = H . l B . A O fluxo já foi definido anteriormente como: φ = B . A Temos, então: φ = fmm ℜ Onde: • φ: fluxo magnético [Wb]. • ℜ: relutância magnética [Ae/Wb]. exemplos de aplicação Uma bobina de 25 espiras é percorrida por uma corrente de 4 A. Qual a força magnetomotriz total nessa bobina? Resolução: fmm = n . I fmm = 25 x 4 = 100 Amperes - espiras 2.4 Correntes de Foucault Anteriormente, vimos a indução magnética em um condutor disposto em um campo magnético, e agora veremos que também é possível que essa indução magnética ocorra em um bloco metálico através de um fluxo magnético variável. Vamos supor que tenhamos um bloco de ferro em que sua face ABCD esteja perpendicular em relação ao campo magnético, que é variável, como Indução eletromagnética U4 174 apresentado na Figura 4.12. Vamos considerar a área da face como A. Ela será atravessada por um fluxo φ=| B → | . A. Caso o campo magnético seja variável, teremos também um fluxo variável. Na Figura 4.12, haverá no bloco metálico uma indução eletromagnética com o surgimento de correntes induzidas em forma de círculos, que estarão em planos perpendiculares a B → . São denominadas correntes de Foucault as correntes que por indução aparecem em um material condutor, quando esse está sujeito a um fluxo magnético variável. Para que se possam diminuir as perdas por causa das correntes de Foucault, o bloco metálico é laminado, ou seja, várias lâminas finas são juntadas, como mostra a Figura 4.12b. Figura 4.12 | Blocos de ferro Fonte: Nascimento et al. (2012). Para que ocorra a diminuição das perdas pelas correntes de Foucault, partes de ferro de máquinas elétricas devem ser laminadas, e não blocos inteiros (maciços). Indução eletromagnética U4 175 2.5 Circuitos magnéticos 2.5.1 Campo magnético Um circuito magnético é formado por uma bobina de n espiras que se encontram enroladas no núcleo de um dado material ferromagnético, conforme a Figura 4.13. Um bom exemplo da ocorrência das correntes de Foucault são os detectores de metais. esse tipo de equipamento é utilizado para verificação de objetos de metal no corpo ou na bagagem. seu funcionamento é baseado na indução eletromagnética. ele é constituído de uma bobina que, ao ser percorrida por uma corrente elétrica, gera um campo magnético em seu núcleo. Quando ocorre a aproximação de um objeto de metal, a variação do fluxo magnético estimula as correntes de Foucault no objeto de metal. Como essas correntes são variáveis, elas produzem também campos variáveis que induzem novas correntes na bobina, e como consequência a corrente original será alterada. essa variação de corrente é identificada por um amperímetro, acionando os alarmes sonoros e luminosos. edMinister, Joseph. Eletromagnetismo. 2. ed. rio de Janeiro: Artmed, 2006. Indução eletromagnética U4 176 Figura 4.13 | Elementos de um circuito magnético Fonte: Sambaqui e Marques (2010). Através da lei de Ampère, podemos definir a seguinte equação para o circuito da Figura 4.13. n . I = H . l Onde: • H: densidade de campo magnético [A esp/m]. • B: densidade de fluxo (T). • n: número de espiras. • I: corrente elétrica (A). • l: caminho magnético médio [m]. Podemos relacionar a força magnetomotriz, com o fluxo magnético e a relutância magnética, como mostrado na Seção 2.3, de forma semelhante a da Lei de Ohm: n . I = φ . ℜ Assim, podemos dizer que a força magnetomotriz é semelhante à diferença de potencial na eletricidade, o fluxo magnético é similar à corrente elétrica e a relutância está para um circuito magnético como a resistência para um circuito elétrico. Essa analogia pode ser vista na Figura 4.14. Indução eletromagnética U4 177 Fonte: Sambaqui e Marques (2010). Figura 4.14 | Analogia entre circuito elétrico e circuito magnético o estator e o rotor de uma máquina elétrica são feitos de material ferromagnético e encontram-se separados por um espaço vazio, denominado entreferro, que é preenchido com ar. Quando um entreferro é adicionado a um circuito magnético, passamos a ter duas relutâncias, que são a do entreferro e a do material ferromagnético. A permeabilidade magnética do entreferro, quando comparada com o material ferromagnético, é bem pequena, ocasionando uma relutância bem maior. Assim, a relutância do material ferromagnético pode ser desprezada. Figura 4.15 | Circuito magnético com entreferro Fonte: Sambaqui e Marques (2010). Indução eletromagnética U4 178 2.5.2 indutor O capacitor armazena as cargas elétricas, produzindo um campo elétrico. De forma semelhante, temos o indutor, que armazena a energia de um dado campo magnético e produz um campo magnético próximo a ele. A simbologia do indutor é apresentada na Figura 4.16: Quando o indutor é atravessado por corrente elétrica, tem-se a geração de um fluxo magnético φ. A indutância de um indutor pode ser calculada por: L = n . φI Onde L é a indutância do indutor e sua unidade é o Henry (H). Podemos calcular a energia que é armazenada no indutor: E L = 1 2 . L . I2 Onde E L é a energia armazenada no indutor e sua unidade é Joules (J). 2.5.3 Perdas em materiais ferromagnéticos Em um circuito magnético, que é atravessado por uma corrente alternada, temos a produção de um campo magnético. Para esse caso, a densidade de fluxo magnético B, em relação ao campo indutor H, será em formato de laço, como mostra a Figura 4.17. Esse laço é chamado de laço de histerese, e mostra o comportamento não linear de um material ferromagnético. Figura 4.16 | Simbologia utilizada para indutor Fonte: Sambaqui e Marques (2010). Indução eletromagnética U4 179 As perdas por histerese em um dado material ferromagnético serão proporcionais à área do laço. Essa perda ocorre por causa da energia que é usada para rotacionar os domínios magnéticos para a direção de um campo magnético externo. Em um material ferromagnético, temos dois tipos de perdas: histerese e por correntes parasitas. A perda por correntes parasitas se dá devido à indução magnética, já que o núcleo do material está sujeito a um campo variável. Dessa forma, a perda por histerese pode ser definida como: P H = KH . Bn max . f onde o coeficiente n varia entre 1,25 e 1,5. A densidade de fluxo máxima (B max ) e a constante K H dependem do material ferromagnético e a frequência (f) depende da frequência do campo magnético aplicado. Figura 4.17 | Laço de histerese Fonte: Sambaqui e Marques (2010). As partes de um transformador podem ser vistas na Figura 4.18: Indução eletromagnética U4 180 o enrolamento de espiras n 1 é denominado de primário e está ligado a uma fonte de força eletromotriz alternada, que produz corrente elétrica alternada, sendo que para a corrente alternada, temos a variação de intensidade e sentido com o tempo. no enrolamento primário, a corrente elétrica aumenta sua intensidade até um valor considerado máximo, aumentando ainda o campo magnético e o fluxo magnético através do enrolamento de espiras n 2 , denominado de secundário. Com a variação do fluxo magnético no secundário, temos a geração de uma força eletromotriz induzida, e também temos a indução de uma corrente elétrica nesse enrolamento de espiras. Quando a corrente elétrica é diminuída no primário, o fluxo magnético também irá diminuir, e uma fem e uma corrente, ambas induzidas, serão geradas, já que houve a variação do fluxo magnético. A variação de fluxo magnético também é causada pela alteração do sentido da corrente elétrica, e não só pela sua intensidade. Caso o enrolamento primário esteja ligado a uma fonte de fem contínua, como pilha ou bateria, não teremos variação de fluxo no enrolamento secundário, e não teremos a geração de uma fem induzida. é sempre desejado que não ocorram perdas de energia em um transformador, mas sempre teremos alguma perda. Um transformador ideal é aquele em que não há perdas, e temos a seguinte relação: Figura 4.18 | Transformador Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010).Fonte: Oliveira, Veit e Araújo (2010). Indução eletromagnética U4 181 n p n s = ε p ε s onde: n p : espiras do primário. n s : espiras do secundário. ε p : fem do primário. ε s : fem induzida no secundário. dizemos que temos um transformador rebaixador de tensão quando n p > n s , já que a fem induzida no secundário ( ε s ) é menor que a fem do primário ( ε p ). Caso n p < n s , temos um transformador elevador de tensão, em que a fem induzida no secundário é maior que a fem do primário. Ainda para um transformador ideal, a potência de entrada do gerador (I p . ε p ) é igual à potência de saída (I s . ε s ). dessa forma: I p . ε p = I s . ε s 1. O anel mostrado na figura é atravessado por um fluxo magnético de φ=37mWb. O fluxo vai se tornar nulo quando a corrente que o produz for interrompida, no intervalo de 1 ms. Qual será a intensidade média da força eletromotriz? 2. O gráfico a seguir mostra a relação de um campo que varia no tempo para uma espira quadrada de 10 cm de lado. Sendo a resistência elétrica do fio da espira R=0,2Ω, qual o valor da corrente induzida na espira entre t = 0 e t = 2 s? 1 ms. Qual será a intensidade média da força eletromotriz? Indução eletromagnética U4 182 3. Uma barra metálica de 2m se movimenta em um campo magnético a uma velocidade de v=216km/h. Uma diferença de potencial de V=3.10-3V é gerada nas extremidades dessa barra. Qual o valor do campo de indução magnética? 4. Em um campo magnético, é inserida uma espira circular com área A=1m2. É observado que esse campo diminui a uma taxa de B=2T/s. Qual é a intensidade da corrente, considerando a resistência do fio da espira R=4Ω? 5. Calcule o campo magnético indutor no núcleo de um solenoide, sendo esse de ferro, conforme a figura a seguir. Sabendo que a corrente que circula o solenoide é 2 A, g = 0,25 cm e n = 200 e. U4 183Indução eletromagnética Referências DIAS, Rodrigo. Indução eletromagnética. Universidade Federal de Juiz de Fora, 2012. EDMINISTER, Joseph A. Teoria e problemas de eletromagnetismo. Porto Alegre: Bookman, 2006. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. HAYT, J. R.; WILLIAM, H. Eletromagnetismo. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2006. KRAUS, John Daniel. Electromagnetics. 4th ed. New York: McGraw-Hill, 1992. 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