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Procedimentos Injetáveis I na Estética 
 
 
 
 2 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
 
SOBRE A FACULDADE 
 
Propósito 
• Mudar a vida das pessoas para melhor. 
 
Missão 
• Educar profissionais da saúde e negócios para fazer diferença no mercado e 
na vida. 
 
Visão 
• Proporcionar educação de qualidade segmentos da Saúde, Estética, Bem-
Estar e Negócios, tornando-se referência nos mercados regional, nacional e 
internacional. 
 
Valores 
• Liderança: porque devemos liderar pessoas, atraindo seguidores e 
influenciando mentalidades e comportamentos de formas positiva e vencedora. 
• Inovação: porque devemos ter a capacidade de agregar valor aos produtos da 
empresa, diferenciando nossos beneficiários no merca- do competitivo. 
• Ética: porque devemos tratar as coisas com seriedade e em acordo com as 
regulamentações e legislações vigentes. 
• Comprometimento: porque devemos construir e manter a confiança e os bons 
relacionamentos. 
• Transparência: porque devemos sempre ser verdadeiros, sinceros e ca- pazes 
de justificar as nossas ações e decisões. 
 
 
 3 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
SUMÁRIO 
 
Procedimento Estético Injetável de Microvasos PEIM ........................................... 8 
1. INTRODUÇÃO: ..................................................................................................... 9 
2. HISTÓRIA: ............................................................................................................ 9 
3. VEIAS: ................................................................................................................ 11 
4. ESCLEROTERAPIA ........................................................................................... 14 
4.1 Soluções Esclerosantes: ................................................................................. 15 
4.2 Complicações do PEIM: .................................................................................. 16 
5. PEIM ................................................................................................................... 18 
5.1 Recomendações pós PEIM ............................................................................. 19 
5.2 Contraindicação ............................................................................................... 19 
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS ...................................................................... 20 
HIDROLIPOCLASIA ................................................................................................. 22 
1. INTRODUÇÃO: ................................................................................................... 23 
2. HISTÓRICO: ....................................................................................................... 23 
3. TECIDO HIPODÉRMICO .................................................................................... 23 
4. ULTRASSOM ESTÉTICO ................................................................................... 24 
4.1 Cavitação:........................................................................................................ 24 
5. MECANISMO DE AÇÃO DA HIDROLIPOCLASIA ............................................. 26 
6. PRODUTOS INJETÁVEIS UTILIZADOS ............................................................ 27 
7. MÉTODOS DE APLICAÇÃO E BIOSSEGURANÇA ........................................... 27 
7.1 Indicação: ........................................................................................................ 27 
7.2 Anamnese do paciente: ................................................................................... 27 
7.3 Áreas que podem ser tratadas: ....................................................................... 28 
7.4 Definição da área: ........................................................................................... 28 
7.5 Demarcação dos pontos: ................................................................................. 29 
 
 4 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
7.6 Quantidade de soro injetado:........................................................................... 29 
7.7 Aplicação do Ultrassom: .................................................................................. 29 
7.8 Recomendações pós procedimento: ............................................................... 30 
8. CONTRAINDICAÇÕES: ..................................................................................... 30 
9. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: .................................................................. 31 
MICROAGULHAMENTO .......................................................................................... 32 
1. INTRODUÇÃO: ................................................................................................... 33 
2. HISTÓRIA ........................................................................................................... 33 
3. MECANISMO DE AÇÃO ..................................................................................... 34 
I – Fase Inflamatória: ................................................................................................. 34 
II – Fase Proliferativa ou Cicatricial: .......................................................................... 35 
III – Fase de Maturação ou Remodelamento ............................................................ 37 
4. CARACTERÍSTICAS DA TÉCNICA NO MICROAGULHAMENTO ..................... 38 
4.1 Equipamentos .................................................................................................. 38 
4.2 Cumprimento da agulha .................................................................................. 39 
4.3 Anestesia local ................................................................................................ 42 
5. TÉCNICA DO MICROAGULHAMENTO ............................................................. 42 
5.1 Técnica de Aplicação ...................................................................................... 42 
5.2 Drug Delivery ................................................................................................... 43 
5.2.1 Rítides e Drug Delivery ..................................................................................... 44 
5.2.2 Alopecia ............................................................................................................ 45 
5.2.3 Hipercromias e Melasma ................................................................................. 45 
5.2.4 Cicatrizes de acne / Cicatrizes atróficas/ Estrias .............................................. 45 
5.3 Pós Imediato.................................................................................................... 46 
6. CONTRAINDICAÇÕES ...................................................................................... 46 
7. EFEITOS COLATERAIS E COMPLICAÇÕES .................................................... 47 
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 48 
 
 5 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
CARBOXITERAPIA .................................................................................................. 49 
1. INTRODUÇÃO: ................................................................................................... 50 
2. HISTÓRIA: .......................................................................................................... 50 
3. TROCA GASOSA ............................................................................................... 51 
4. MECANISMO DE AÇÃO ..................................................................................... 52 
4.1 Efeito Bohr: ...................................................................................................... 52 
4.2 Ativação dos barorreceptores .......................................................................... 55 
4.3 Vasodilatação:................................................................................................. 57 
5. EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA CARBOXITERAPIA ................................... 58 
6. CARBOXITERAPIA NAS AFECÇÕES ESTÉTICA ............................................. 59 
6.1 REJUVESCIMENTO E ESTRIAS .................................................................... 59 
6.1.1 Técnica de aplicação para estímulo de colágeno: ....................................... 60 
6.1.2 Sugestão de protocolo ................................................................................. 61 
6.1.3 Pontos de aplicação facial ............................................................................ 61 
6.2 OLHEIRAS ...................................................................................................... 62 
6.2.1 Técnica de aplicação na região periorbital: .................................................. 62 
6.2.2 Sugestão de protocolo: ................................................................................ 63 
6.2.3 Técnica de aplicação na região periorbital: .................................................. 63 
6.3 ESTRIAS ......................................................................................................... 64 
6.3.1 Técnica de aplicação em estrias .................................................................. 64 
6.3.2 Sugestão de protocolo para aplicação em estrias ........................................ 65 
6.3.3 Técnica de aplicação nas estrias ................................................................. 65 
6.4 ALOPECIA....................................................................................................... 66 
6.4.1 Técnica de aplicação em alopecia ................................................................... 66 
6.4.2 Sugestão de protocolo para aplicação em alopecia ......................................... 67 
6.4.1 Técnica de aplicação no couro cabeludo ......................................................... 67 
6.5 GORDURA LOCALIZADA E CELULITE ......................................................... 68 
 
 6 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
6.5.1 Técnica de aplicação no tecido subcutâneo ................................................. 70 
6.5.2 Sugestão de protocolo para aplicação ......................................................... 71 
6.5.3 Técnica de aplicação na região corporal ...................................................... 71 
7. REAÇÕES ESPERADAS APÓS INFUSÃO DE CO2: ......................................... 72 
8. CONTRAINDICAÇÕES: ..................................................................................... 72 
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: .................................................................. 73 
PLASMA RICO EM PLAQUETAS ............................................................................ 76 
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 77 
2. HISTÓRIA ........................................................................................................... 77 
3. SANGUE E SEUS COMPONENTES.................................................................. 79 
3.1 Tecido Sanguíneo ........................................................................................... 79 
3.2 Plasma ............................................................................................................ 80 
3.3 Plaquetas ........................................................................................................ 81 
3.4 Fatores de Crescimento Plaquetário ............................................................... 82 
4. COAGULAÇÃO .................................................................................................. 86 
4.1 Anticoagulantes ............................................................................................... 87 
5. DIFERENÇAS ENTRE SORO E PLASMA ......................................................... 88 
5.1 Soro ................................................................................................................. 88 
5.2 Plasma ............................................................................................................ 88 
6. TÉCNICA PARA OBTENÇÃO DO PRP ............................................................. 89 
Etapa 1: Punção Venosa ........................................................................................... 89 
Etapa 2: Centrifugação do material ........................................................................... 89 
Etapa 3: Separação do PRP ..................................................................................... 90 
Etapa 4: Ativação das plaquetas. .............................................................................. 90 
7. ENTENDENDO A CENTRIFUGAÇÃO ............................................................... 91 
Relação entre RPM e RCF ou Força G ..................................................................... 91 
8. O USO DO PRP NA ESTÉTICA ......................................................................... 92 
 
 7 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
8.1 Fique atento..................................................................................................... 93 
8.2 Protocolos associados ao PRP ....................................................................... 93 
8.3 Considerações Gerais ..................................................................................... 93 
9. REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA ........................................................................ 94 
 
 
 
 8 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
 
 
 
 
 
 
 
Procedimento Estético Injetável para 
Microvasos 
(PEIM) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 9 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
1. INTRODUÇÃO: 
 
O Procedimento Estético Injetável para Microvasos (PEIM) é uma alternativa 
química para o tratamento de telangiectasias nos membros inferiores que consiste em 
introduzir um agente líquido, de forma intravascular, com o propósito de provocar 
lesão e subsequente oclusão luminal.1,2 
 
2. HISTÓRIA: 
 
Hipócrates observou, há 2000 anos, a relação entre úlceras de perna e varizes, 
época em que estas lesões, como a maioria das doenças, eram tratadas com 
oferendas enviadas a Deus para serem curadas. Hipócrates descreveu um tratamento 
em que as varizes eram traumatizadas com ferro em brasa, o que causaria 
cicatrização das veias e das úlceras. Esse tipo de terapêutica por cauterização foi 
também praticado por Celsius (30 A.C. a 30 D.C.). William Harvey rejeitou esse 
procedimento cirúrgico das varizes por ser mais perigoso que a própria doença 3-5 
A primeira experiência de escleroterapia ocorreu, provavelmente, em 1682 com 
Zollikofer de Saint Gallen, na Suíça, que anunciou após injetar um ácido em uma veia 
que criaria um ‘trombo’ ou cicatriz. 3-5 
Charles Pravaz, na França (1791-1853), pensando em fazer o tratamento não 
de uma veia e sim de um aneurisma arterial com cloreto de ferro, inventou o aparelho 
feito de prata, com agulha integrada ao corpo da seringa, para inocular o produto no 
interior do aneurisma. Suas primeiras injeções foram feitas na cidade de Lyon, na 
França no ano de 1840.6 
O objetivo era de cicatrizar o aneurisma com um produto corrosivo, sendo 
considerado um dos pioneiros da escleroterapia. 5 
A história da escleroterapia teve seu começo há 170 anos, com a criação dos 
primeiros esclerosantes. Houve época em que a escleroterapia desempenhou papel 
de técnica auxiliar das cirurgias, mas atualmente goza de crescente prestígio 
internacional. Delore, em 1894, em congresso médico na França, expôs as primeiras 
descrições da fisiopatologia dos medicamentos esclerosantes. 5 
Schiassi, em 1908, associou a cirurgia e a escleroterapia com o lugol, sendo a 
partir daí o precursor da escleroterapiacom cateter, técnica conhecida atualmente 
como o uso da espuma. Em 1917, Kauch iniciou o uso de glicose hipertônica 25%, 
 
 10 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
50% e 75% na terapêutica esclerosante das varizes, o que perdura até hoje. A 
primeira publicação sobre escleroterapia com espuma foi feita por Orbach, em 
1950. 3-5 
Lunkeinheimer, em 1963, foi o primeiro a usar o polidocanol, ou 
aethoxyclerol, ou lauromacrogol que ensaiado, inicialmente, como anestésico 
local é, hoje, a substância esclerosante mais usada para o controle da 
insuficiência venosa crônica (IVC). Associa-se à reação alérgica em 3:1.000 
sessões. 7 
Os critérios de controle da escleroterapia com espuma (EE) com o 
ecoDoppler foram desenvolvidos por Schadeck (1984) e Knight et al. (1989), 
mesmo antes do uso de espuma esclerosante.8 
O ecoDoppler permite, pela visualização direta do conteúdo da veia e 
sua reação à efeito espuma, monitorar a administração de mais ou menos 
medicamento. Sabe-se quando a quantidade de espuma injetada já é suficiente 
ou não. A veia repleta de espuma é bom sinal para a eficácia do tratamento. 9 
Além disso, o ecoDoppler permite ver o edema da camada média da veia 
reagindo ao efeito espuma e pode também orientar a punção da veia 
acompanhando a agulha ou o cateter e fornecendo dados como calibre e 
profundidade da veia. Ele também certifica a eficácia e segurança da punção 
venosa. 9 
Monfreux (1997) descreveu método MUS e Tessari inventou o método 
do turbilhão, que é o sistema mais usado para se fazer espuma para o 
tratamento de varizes. É técnica simples em que o conteúdo (gás biológico + 
solução esclerosante, na proporção de 4:1) é transferido de uma seringa de 3 
mL para outra semelhante, sob pressão positiva, em trajeto de 90 graus, o que 
causa um turbilhão através do três vias e gera a espuma esclerosante. 10 
Em 2005, foram registradas pela firma BTG International várias 
formulações de espuma esclerosante para a escleroterapia como, o fenol, a 
glicose hipertônica, a glicerina cromada, o etanolato de metila, o Tetradecyl 
Sulfato de Sódio (TDS) e o Aethoxyclerol (AET).7 
 
 
 11 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
3. VEIAS: 
 
As veias das pernas são os vasos responsáveis pelo retorno do sangue que 
irrigou as pernas e os pés de volta ao coração. Nossas veias possuem válvulas, cuja 
função é impedir que o sangue volte para os pés, por ação da força da gravidade 
quando se está de pé. Se essas válvulas não funcionarem bem, o sangue fica “parado” 
dentro das veias que se dilatam e ficam tortuosas com o passar do tempo, 
sobrecarregando a circulação e causando os sintomas relacionados às varizes, como 
sensação de peso, dor e inchaço nas pernas e nos pés, definido como estase e 
hipertensão venosa crônica. 6,10,11 
As principais teorias sobre etiologia das varizes primarias ou essenciais dos 
membros inferiores estão relacionadas com alterações na parede da veia, com 
modificação na estrutura do colágeno e/ou elastina, aumentando a presença de 
material elástico com o espessamento do vaso, incompetência valvar localizada ou 
segmentar e presença de fistulas arteriovenosas no nível da microcirculação.10,11 
Existem vários fatores que podem predispor o aparecimento do 
comprometimento vascular, e entre eles estão: obesidade, traumas, pessoas que 
permanecem longo tempo numa mesma posição, em pé ou sentadas com as pernas 
cruzadas, gravidez e uso de hormônios femininos que contem estrógenos. 11,12 
A varizes são veias que se tornaram dilatadas e tortuosas ao longo das pernas. 
Algumas varizes são calibrosas e evidentes na pele (Figura 1). 6,10,12 
 
Figura 1. Desenho representativo de Veias Saudáveis e formação de Varizes. Fonte: Adaptado de 
Regenaplex. Disponível em: http://renovspa.blogspot.com/. Acesso em 22 de nov. de 2019. 
 
http://renovspa.blogspot.com/
 
 12 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 De acordo com a Classificação Estético Funcional, ou “Classificação de 
Francischelli”, pacientes portadores de varizes são divididos em quatro tipos ou 
grupos. Cada um dos grupos tem características comuns que permitem escolher o 
melhor tratamento à cada indivíduo. No tratamento à fim estético o do Tipo 1 é a área 
de atuação dos Estetas. 13 
 
TIPO 1 ou IVIPE: Insuficiência Venosa de Importância Predominantemente 
Estética 
 
 As varizes do tipo 1 são mais um problema estético. Se dá com presença de 
varizes pequenas que são as telangiectasias (vasinhos) e veias reticulares 
(microvarizes). 12,13 
Vênulas dilatadas que apresentam calibre inferior à de 2,0 mm e encontram-se 
localizados na pele, muito finos, ramificados, em geral de coloração avermelhada, 
constituídos de microfístulas arteriovenosas são denominadas de telangiectasias 
(Figura 3). Podem estar presentes em todos os locais dos membros, atingindo, a 
coxa, a perna, o glúteo e em alguns casos até a região das costas. 12,13 
 
Figura 2. Telangiectasias. Fonte: Clínica Naturale. Disponível em: 
http://www.angiologista.com/telangietasias/microcirculacao_2.html. Acesso em 22 de nov. de 
2019. 
 
http://www.angiologista.com/telangietasias/microcirculacao_2.html
 
 13 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
As telangiectasias podem ser classificadas de acordo com o seu formato 
(Figuras 3 e 4) e devem ser distinguidas em combinadas ou simples. 11-13 
 
 
Figura 3. Tipos de Telangiectasias. (A) Telangiectasia linear ou simples; (B) Telangiectasia 
arborizada; (C) Telangiectasia aracneiforme; (D) Telangiectasia papular. Fonte: Adaptado de Reddish 
W, Peltzer RH: Am Heart J 37:106, 1949. 
 
As telangiectasias combinadas (Figura 4) são aquelas que se comunicam com 
microvarizes (veias matrizes). Estas veias drenam para o sistema superficial e/ou 
profundo. Tais microvarizes são geralmente visíveis a olho nu, mas às vezes são 
localizadas pela palpação ou por exame ultra-sonográfico. 11-13 
 
Figura 4. Telangiectasias combinadas. Fonte: Imagem gentilmente cedida pelo Corpo Docente do 
Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
 
 14 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 As veias reticulares (microvarizes) são maiores, seu calibre varia de 2,0 a 4,0 
mm e se apresentam como trajetos longos, azulados, e estão sob a pele, mas a ela 
intimamente relacionadas (Figura 5). Estas veias estão frequentemente ligadas às 
telangiectasias, é muito frequente a associação de telangiectasias da face lateral da 
coxa, com estas veias reticulares que se estendem para a região lateral do joelho e 
atinge até a perna. 11-13 
 
 
Figura 5. Desenho representativo de microvasos nos membros inferiores. Fonte: Adaptado de Banco 
de Imagens Freepik. 
 
4. ESCLEROTERAPIA 
 
Apesar de ser um problema de saúde, uma doença, estas pequenas veias não 
causam riscos imediatos, sendo um problema que atinge mais a auto-estima do 
paciente. Portanto, geralmente o paciente procura o especialista pela questão 
estética. 11-13 
Os agentes esclerosantes são injetados na luz do vaso e têm como objetivo 
lesar o endotélio. A lesão endotelial expõe fibras colágenas subendoteliais causando 
agregação plaquetária e liberação de fatores plaquetários. Ocorre trombose do vaso, 
com a proliferação de fibrócitos e subsequente organização fibrótica. 14 
 
 
 15 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
Figura 6. Desenho representativo de agentes esclerosantes injetado na luz do vaso resultando em 
lesão endotelial. Fonte: Mechanism of Action of Sclerotherapy. Disponível em: 
https://plasticsurgerykey.com/mechanism-of-action-of-sclerotherapy/. Acesso em 22 de nov. de 2019. 
 
 Soluções Esclerosantes: 
 
A danificação endotelial pode ser alcançada tanto com a alteração do pH e da 
osmolaridade (que modificam a tensão superficial da membrana plasmática) quanto 
pela lesão direta do endotélio. Com esses propósitos, as soluções esclerosantes sãoagrupadas em três categorias: detergentes, osmóticas e químicos (composto).13-15 
 
• Soluções detergentes: atuam nos lipídios da parede celular, destruindo o 
cimento intercelular, sendo que a exposição de menos de um segundo do 
endotélio causa maceração e descamação em placas. No Brasil dispomos de 
oleato de etanolamina e polidocanol etanol. 13-15 
• Soluções osmóticas: causam desidratação das células endoteliais por 
osmose levando a destruição do endotélio. Nesta categoria se incluem 
soluções de cloreto de sódio, de salicilatos de sódio e glicosadas (hipertônicas). 
13-15 A glicose hipertônica (50% ou 75%) que contêm alta concentração de 
soluto é o esclerosante mais empregado em nosso meio por ser eficiente, de 
baixo custo e praticamente isento de complicações graves como alergias, 
reações sistêmicas e necroses. É o agente esclerosante mais viscoso, 
apresenta ação lenta de 30 minutos a 4 dias chegando a ser extremamente 
lenta a sua injeção com agulha 30G ½, o que impede a alta pressão 
intraluminal. As terminações nervosas da parede adventicial e músculos 
adjacentes, se estimulados pela injeção e atuação do líquido, desencadeiam 
dor, ardência local e cãibras. Todavia, a infusão e glicose requerer repetidas 
https://plasticsurgerykey.com/mechanism-of-action-of-sclerotherapy/
 
 16 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
injeções no mesmo vaso em sessões subsequentes com intervalos variáveis 
(Figura 6). 15,16 
 
 
Figura 7. Evolução do vaso com infusão de glicose. Fonte: Adaptado de Osmose e Tonicidade. 
Disponível em: https://pt.khanacademy.org/science/biology/membranes-and-
transport/diffusion-and-osmosis/a/osmosis. Acesso em 22 de nov. de 2019. 
 
 
• Soluções químicas: agem por lesão química direta no endotélio provocando 
fissuras no mesmo, acredita-se também que possa lesar o cimento intercelular ou 
dependendo da solução, de forma combinada. Neste grupo podemos incluir 
preparados iodo-iodetados sódicos ou potássicos, associadas ou não a álcool 
benzílico, e soluções de glicerina cromada. 13-15 
 
 Complicações do PEIM: 
 
 Hiperpigmentação: é decorrente da degradação da hemoglobina do sangue 
extravasado ou do trombo recém-formado, que leva à deposição de hemossiderina no 
tecido dérmico hiperpigmentando a região. O uso de cremes despigmentantes pode 
https://pt.khanacademy.org/science/biology/membranes-and-transport/diffusion-and-osmosis/a/osmosis
https://pt.khanacademy.org/science/biology/membranes-and-transport/diffusion-and-osmosis/a/osmosis
 
 17 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
ajudar, mas o fundamental é não manipular as bordas da ferida durante a exérese das 
varizes e não expor ao sol enquanto a pele ainda estiver marcada (Figura 8). 17 
 
 
Figura 8. Hiperpigmentação pós PEIM. Fonte: Imagem gentilmente cedida pelo Corpo Docente do 
Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
Necrose: as necroses cutâneas nos locais das injeções são causadas 
principalmente por infusão de glicose fora dos vasos, na derme ou no subcutâneo, em 
pequenas ou grandes quantidades, provocando ulcerações mínimas ou graves. Além 
disso, associa o desenvolvimento da necrose cutânea ao refluxo venocapilar da 
solução esclerosante injetada (pressão excessiva), produzindo vasoconstrição e 
obstrução das microarteríolas regionais. Portanto, a necrose não resultaria da injeção 
intradérmica ou subcutânea inadvertida (Figura 9). 18 
 
 
Figura 9. Necrose cutânea após escleroterapia estética para telangiectasias nos membros inferiores 
com glicose hipertônica (75%). Fonte: BRANDÃO, et. al. 2018. 
 
 Reações alérgicas ou Toxicidade: a maioria das reações tóxicas sistêmicas 
aos anestésicos ocorrem pelo seu uso indevido (injeção intravascular inadvertida ou 
 
 18 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
dose excessiva) e podem manifestar-se como sintomas gerais ou comprometer os 
sistemas nervoso central e cardiovascular. E a maioria dos casos de 
“hipersensibilidade” relatados representam, na verdade, reações sistêmicas tóxicas. 
As reações alérgicas, de hipersensibilidade ou anafiláticas aos anestésicos têm 
diminuído historicamente e hoje são bastante raras. 17 
 
5. PEIM 
 
O PEIM deverá ser realizado exclusivamente usando Glicose 50 ou 75%, diluída ou 
não a algum anestésico para maior conforto do paciente. 
Alguns pacientes toleram sessões prolongadas com facilidade enquanto outros não 
suportam muitas picadas. O limiar doloroso é extremamente variável e individual, 
assim recomenda-se: 
 
a. Trocar frequentemente a agulha (a cada 10 punções em média). 
b. Apoiar ambas as mãos evitando mobilização da agulha. 
c. Interromper a injeção assim que identificado extravasamento e não insistir em 
repuncionar a veia. 
d. Usar em cabine substâncias após a infusão da glicose para prevenir 
hiperpigmentação e necrose tecidual. 
e. É aceitável a infusão de no máximo 10 ml de glicose por sessão. 
f. É recomendável nova sessão após 21 a 28 dias. 
g. Comprimir as punções com micropore®, esparadrapo ou faixa elástica; 
h. A infusão e glicose requerer repetidas injeções no mesmo vaso em sessões 
subsequentes com intervalos variáveis. 
 
 
 19 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 Recomendações pós PEIM 
 
• Manter as pernas para cima; 
• Evitar atividade física no dia do procedimento; 
• Não se expor ao sol para evitar hiperpigmentação. 
 
 Contraindicações 
 
• Paciente diabético; 
• Paciente com alteração de coagulação; 
• Gestante e lactante; 
• Vasculite (inflamação da parede do vaso). 
 
 
 20 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIAS 
 
1. Yiannakopoulou E. Safety concerns for sclerotherapy of telangiectases, 
reticular and varicose veins. Pharmacology. 2016;98(1-2):62-9. 
2. Bertanha M, Sobreira ML, Pinheiro CEP Fo, et al. Polidocanol versus 
hypertonic glucose for sclerotherapy treatment of reticular veins of the 
lower limbs: study protocol for a randomized controlled trial. Trials. 
2014;15(1):497. 
3. Bastos FR, Lima A, Assumpção AC. Escleroterapia de varizes com espuma: 
revisão de literatura. Rev Med Minas Gerais. 2009;19(1):38-43. 
4. Bastos FR. História da Escleroterapia com Espuma. Porto Alegre: Meddco; 
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5. Bastos FR. Escleroterapia com Espuma. Belo Horizonte: Folium; 2012. 
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Procedimentos Injetáveis I na estética 
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 22 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HIDROLIPOCLASIA 
 
 
 23 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
1. INTRODUÇÃO: 
 
A hidrolipoclasia ultrassônica (HLC) ou hidrolipoclasia não aspirativa é um 
procedimento inovador na área da estética, que visa potencializar os efeitos do 
ultrassom, através da introdução de soro fisiológico. 1 
O termo “Hidrolipoclasia” significa: quebra da gordura pela água. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. HISTÓRICO: 
 
A HLC é uma técnica que foi introduzida pelo médico italiano Maurizio 
Ceccarelli em 1990. O objetivo da técnica é expandir as células de gordura causando 
uma maior fragilidade de ruptura na membrana quando associada à cavitação do 
ultrassom que irá causar uma vibração e um repuxamento das células, levando a uma 
maior perda de gordura localizada. 1,2 
 
 
3. TECIDO HIPODÉRMICO 
 
A hipoderme é uma faixa tecidual, situada abaixo da derme, composta por 
volumosos lóbulos de células adiposas delimitados por septos conjuntivo-elásticos de 
diversas espessuras obliquamente, ligados à derme à fáscia superficial, onde alojam 
grossos vasos e nervos da profundidade dirigidos para derme. 3 
A hipoderme, pelo tecido adiposo é importante depósito de reserva calórica e 
valioso órgão amortecedor das agressões mecânicas externas. 3 
A gordura localizada é definida como um excesso de adipose encontrada de 
forma desorganizada em certas regiões do corpo. A quantidade de gordura é influída 
• ÁguaHIDRO
• GorduraLIPO
• Quebra CLASIA
 
 24 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
pelo sexo, idade, atividades de vida diária, fatores patogênicos, hormônios e também 
pelo físico corporal que define o tipo de adiposidade de acordo com o lugar que esta 
gordura se encontra, muitas alternativas são propostas para auxiliar o indivíduo na 
eliminação da gordura localiza e celulite. 4 
 
4. ULTRASSOM ESTÉTICO 
 
Os aparelhos de ultrassom estético utilizam ondas sonoras com frequência 
superior aos níveis audíveis pelo homem. 5 
Os mecanismos exatos que podem explicar os efeitos benéficos do tratamento 
do ultrassom ainda estão sendo investigados. Sabe-se que as ondas de ultrassom 
penetram no tecido e provocam a vibração das moléculas no local de foco do feixe. A 
fricção entre as moléculas do tecido produz superaquecimento focal e lesão térmica. 
Além disso, a profundidade de penetração pode ser modulada pela frequência de 
onda: quanto mais alta a frequência, mais superficial é o efeito térmico sobre a derme. 
5 
Pode-se classificar a ultracavitação de acordo com características tecnológicas 
(frequência da onda) para produzir lesão terapêutica no tecido adiposo: 
• Aparelhos de baixa frequência: são operados em KHz, não focalizados e têm o 
efeito mecânico cavitacional atérmico sobre a estrutura do adipócito. 6,7 
• Aparelhos de alta frequência: focalizados (HIFU, do inglês High Intensity 
Focused Ultrassound) ou não focalizados. Apresentam o efeito térmico lesivo 
numa área ou ponto específico. 6,7 
 
 Cavitação: 
 
A cavitação é a criação de bolhas com gás, tendo dimensões de micrômetros 
durante a aplicação do ultrassom no tecido adiposo. 6-8 
A cavitação estável se dá pelo surgimento de bolhas que balançam de um 
lado para o outro, dentro das ondas de pressão do ultrassom. Elas se expandem e 
decrescem de volume, no entanto permanecem intactas. Já a cavitação instável ou 
ultracavitação, que é a cavitação esperada na hidrolipoclasia, gera micro bolhas que 
se colapsam e ocorre sua implosão, isso acontece devido á amplitudes de alta 
pressão, que podem proceder em um choque das bolhas causando mudança de 
 
 25 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
temperatura, pressão, dano tecidual, implosão. Este choque das bolhas concede 
energia, podendo gerar radicais livres e levar a reações de oxidação. Desenvolve-se 
de um acontecimento destrutivo, constituindo na lesão celular provocada por força de 
tração e encolhimento das ondas ultrassônicas (Figura 1) . 6-8 
 
 
Figura 1. Esquema representativo de cavitação estável e cavitação instável. Formação de bolhas no 
campo ultrassônico por influência das ondas de compressão e rarefação, o rompimento e implosão 
da bolha refere-se à cavitação instável. Fonte: BORGES et. al., 20167. 
 
 
 
 26 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
5. MECANISMO DE AÇÃO DA HIDROLIPOCLASIA 
 
O ultrassom é uma onda mecânica longitudinal transmitida pelas vibrações das 
moléculas do meio pelo qual a onda está se propagando. A energia ultrassônica 
aplicada a um fluido gera "micro bolhas" de gás ou vapor. As bolhas no tecido adiposo 
ou no líquido são instáveis, e em grande quantidade vão aumentando e sofrem 
implosão, destruindo as micro cavidades gordurosas. Deste modo, a solução 
hipotônica aplicada diretamente no tecido adiposo submetido à ação local do 
ultrassom de 3 MHz, faz com que o adipócito já tumefeito fique mais susceptível a 
ação das ondas ultrassônicas e rompa a membrana celular, liberando as gorduras do 
seu interior (Figura 2). 1,2,6 
 
 
Figura 2. Desenho esquemático ilustrando a ação do ultrassom no tecido adiposo. No caso da 
técnica de hidrolipoclasia é injetada uma solução estéril de soro fisiológico que tem ação de 
intumescer o adipócito e aumentar o efeito lipolítico na região tratada. Fonte: 
https://melbournecosmetic.com.au/cosmetic-and-laser-treatments/ultrasound-fat-lipolysis/. Acesso em 
22 de nov. de 2019. 
 
Para que haja a eliminação do líquido intracelular dos adipócitos, após a ruptura 
da membrana, ocorre a ativação da enzima lipase através de uma ligação entre 
glicerol e ácidos graxos livres, que depois de oxidados nos tecidos, utilizam energia e 
são liberados no fluído intersticial e naturalmente conduzidos via sistema vascular e 
linfático para o fígado. 3,4 
https://melbournecosmetic.com.au/cosmetic-and-laser-treatments/ultrasound-fat-lipolysis/
 
 27 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
O fígado não faz distinção entre a gordura originária das células adiposas 
destruídas e a gordura derivada do consumo alimentar, então o metabolismo do 
adipócito ocorre fisiologicamente no organismo. Quando, após o procedimento, é feito 
exercício físico, a queima de gordura é potencializada, fazendo com que ocorra o 
aumento do metabolismo e maior estímulo ao sistema linfático para eliminar esses 
triglicerídeos da corrente sanguínea. 3,4,11 
 
6. PRODUTOS INJETÁVEIS UTILIZADOS 
 
A solução usualmente utilizada é a salina hipotônica estéril (cloreto de 
sódio0,9% - soro fisiológico estéril). 
 
7. MÉTODOS DE APLICAÇÃO E BIOSSEGURANÇA 
 
 Indicação: 
• Pacientes com 2,5 cm de prega (espessura de tecido adiposo) 
• Modelador corporal ou redução de gordura localizada; 
• Pré e pós lipoescultura. 
 
 Anamnese do paciente: 
• Pesagem 
• Adipometria 
• Perimetria 
• IMC 
 
 
 28 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 Áreas corporais que podem ser tratadas: 
 
 
Figura 3. Áreas corporais onde se acumulam gordura e que podem ser tratadas com a técnica de 
hidrolipoclasia. Fonte: Manual CoolSculpting. 
 
 Definição da área de tratamento: 
 
Definir a área a ser tratada e dividi-la em quadrante, como visto na imagem 
abaixo: 
 
Figura 4. Esquema representativo da demarcaçãode quadrantes para tratamento com a técnica de 
hidrolipoclasia não aspirativa. Fonte: Imagem gentilmente cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de 
Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
 
 29 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 Demarcação dos pontos: 
 
Demarcar a distância entre os pontos de aplicação: 2,0 cm a 5,0 cm 
(dependendo da quantidade injetada por ponto). 
 
 Quantidade de soro injetado: 
 
As quantidades injetadas por ponto de aplicação variam de 1,0 até 10 ml, 
dependendo também da região de aplicação. 
 
• Sugestão para região abdominal: aplicar 10 mL da solução por ponto. Pontos 
com distância de 5,0 cm entre si. 
 
 
Figura 5. Sugestão de demarcação de pontos de acordo com a região que será tratada. Fonte: 
Imagem gentilmente cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – 
NEPUGA, 2019. 
 
 Aplicação do Ultrassom: 
 
Frequência de 3 MHz em modo contínuo ou pulsado 
• Necessário saber a área de tratamento (cm2 e a ERA do equipamento); 
• Calcular o tempo de aplicação através da fórmula Tempo (min) = Área 
(cm2)/ERA; 
• A área máxima de tratamento pode ser descoberta usando a fórmula Área= 
ERAxTempo; 
 
 30 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
• A área mínima de tratamento não deve ser inferior ao tamanho de 4 cabeçotes; 
• Potência deve ser entre 1,0 e 1,5 W/cm2; 
• Utilizar uma espessa camada de gel de contato. 
 
 Recomendações pós procedimento: 
 
A hidrolipoclasia é dieta dependente. 
• É recomendável a realização do procedimento semanalmente para 
pacientes que realizam atividades física acima de 3 vezes por semana. 
• Pacientes sedentários é indicado a realização da HLC quinzenalmente. 
• Evitar ingestão de alimentos ricos em carboidratos e gordura, 
• Realizar exercício físico após 24h do procedimento e durante todo o 
tratamento. 
• Realizar drenagem linfática 3 dias após o procedimento. 
 
8. CONTRAINDICAÇÕES: 
 
Não há importantes contraindicações. Deve-se correlacionar as 
contraindicações referentes à terapia com ultrassom. 
• Prega menor que 2,5 cm; 
• Prega maior que 4,0 cm; 
• Patologias crônicas de pulmões ou coração; 
• Infecção ou dermatite no local de aplicação; 
• Doenças hepáticas; 
• Dislipidemias conhecidas; 
• Gravidez; 
• Hipertensão crônica; 
• Doenças metabólicas; 
• Colagenoses (lúpus, esclerodermia, dermatomiosite); 
• Doenças autoimunes; 
• Neoplasias; 
• Patologias cocleares e/ou auditivas: podem causar sofrimento extremo 
quando se utilizar equipamentos de baixa frequência (kHz); 
• Epilepsia. 
 
 31 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
9. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
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 32 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MICROAGULHAMENTO 
 
 
 33 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
1. INTRODUÇÃO: 
 
O microagulhamento é um procedimento com indicações variadas, que tem 
como objetivo causando um processo inflamatório temporário no tecido cutâneo. É 
uma alternativa segura para tratamento de rejuvenescimento, o tratamento de 
cicatrizes e manchas. Além disso, decorrente das perfurações há o aumento da 
permeabilidade cutânea pela criação de microcanais, assim ativos poderão 
potencializar o resultado da técnica. 1 
 
 
2. HISTÓRIA 
 
Foram Orentreich e Orentreith os primeiros a relatar a utilização de agulhas 
com o objetivo de estimular a produção de colágeno no tratamento de cicatrizes 
deprimidas e rugas, técnica difundida com o nome de Subcisão.2 
 
 
Figura 1. Tratamento de cicatrizes e linhas de expressão com a técnica de subcisão. Em A, desenho 
representativo da técnica de Subcisão. Em B, resultado de melhora da cicatriz de cesariana após 
subcisão. Em C, nota-se melhora de linhas estáticas na região frontais após subcisão. Fonte: 
Adaptado de ORENTREICH e ORENTREICH, 1995. 
 
Estes estudos foram confirmados por outros autores, que se basearam no 
mesmo preceito de ruptura e remoção do colágeno subepidérmico danificado e 
seguido da substituição por novas fibras de colágeno e elastina (Figura 2). 1 
Os cirurgiões plásticos canadenses, Camirand e Doucet em 1997, descreveram 
o uso da pistola de tatuagem para tratar cicatrizes. Em pacientes com cicatrizes faciais 
hipocrômicas, foi feita a camuflagem com tatuagem usando pigmento da cor da pele 
e se observou uma notável melhora, após um ou dois anos do procedimento, 
https://www.google.com/search?q=t%C3%A9cnica+de+subcis%C3%A3o&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwiaha71iprjAhWWILkGHf1CDVIQkeECCCwoAA
https://www.google.com/search?q=t%C3%A9cnica+de+subcis%C3%A3o&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwiaha71iprjAhWWILkGHf1CDVIQkeECCCwoAA
 
 34 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
Camirand concluiu que a inserção das finas agulhas da pistola de tatuagem na cicatriz 
conseguiu a ruptura e remoção do colágeno da cicatriz levando a uma síntese de novo 
colágeno saudável, bem como a reestruturação de melanogênese.3 
Em 2006, em um congresso mundial Dr Fernandes propôs a utilização de um 
sistema de microagulhas aplicado à pele com o objetivo de gerar múltiplas 
micropunturas longas o suficiente para atingir a derme e desencadear, com o 
sangramento, estímulo inflamatório que resultaria na produção de colágeno. O 
aparelho utilizado foi registrado com o nome de “Dermaroller”. 4 
Desde então, a técnica de micropuntura na derme, Microagulhamento, 
tornando-se um procedimento muito utilizado na área estética no tratamento para 
estimular a produção de colágeno no tecido tratado. 
 
3. MECANISMO DE AÇÃOA indução percutânea de colágeno (IPC), como foi denominada, inicia-se com 
a perda da integridade da barreira cutânea ocasionada pelas micropunturas, tendo 
como alvo a dissociação dos queratinócitos, que resulta na liberação de citocinas 
como a interleucina1α, predominantemente, além da interleucina-8 (IL-8), interleucina-
6 (IL-6), TNF-α e GM-CSF, resultando em vasodilatação dérmica e migração de 
queratinócitos para restaurar o dano epidérmico.5 As três fases do processo de 
cicatrização, seguido do trauma com as agulhas, podem ser bem delineadas, 
didaticamente: 
 
I – Fase Inflamatória: 
 
Após a injúria do tecido, ocorre ruptura de vasos sanguíneos e o 
extravasamento de seus constituintes. Os eventos iniciais do processo de reparo 
estão voltados para o tamponamento desses vasos, assim ocorre liberação de 
plaquetas e a formação de um trombo rico em plaquetas, que provisoriamente 
tampona a lesão endotelial. Logo após, os eritrócitos são capturados pela rede de 
fibrina local e forma-se então o trombo vermelho, principal responsável pela oclusão 
do vaso sanguíneo rompido. 5,6 
Uma vez que os neutrófilos são as células mais abundantes no sangue, um 
número significativo deles é passivamente coletado pelo trombo provisório durante o 
 
 35 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
rompimento dos vasos. Após este extravasamento passivo, os neutrófilos e 
macrófagos migram para a superfície da ferida para formar uma barreira contra a 
invasão de microorganismos e promover o recrutamento ativo de mais neutrófilos a 
partir dos vasos adjacentes não lesados. 6 
As plaquetas ativadas liberam fatores de crescimento como o TGF-β, TGF-α, o 
PDGF, quimiocinas como o CTAPIII (ativadora do tecido conjuntivo) e também outras 
proteínas como fibrinogênio, fibronectina e tromboplastina, fatores estes que operam 
sua ação sobre os queratinócitos e os fibroblastos (Figura 2). 6,7 
 
Figura 2. Fase Inflamatória: injúria ocasionada após micropunturações no tecido cutâneo. Fonte: 
Adaptado de LIMA; LIMA; TAKANO, 2013. 
 
II – Fase Proliferativa ou Cicatricial: 
 
A fase proliferativa é constituída por quatro etapas fundamentais: 7,8 
• epitelização, 
• angiogênese, 
• formação de tecido de granulação e 
• deposição de colágeno. 
 
A epitelização ocorre precocemente. Se a membrana basal estiver intacta, as 
células epiteliais migram em direção superior, e as camadas normais da epiderme são 
restauradas em três dias. Se a membrana basal for lesada, as células epiteliais das 
 
 36 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
bordas da ferida começam a proliferar na tentativa de restabelecer a barreira 
protetora. 7,8 
A angiogênese é estimulada pelo fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), sendo 
caracterizada pela migração de células endoteliais e formação de capilares, essencial 
para a cicatrização adequada. 7,8 
A parte final da fase proliferativa é a formação de tecido de granulação. Os 
fibroblastos dos tecidos vizinhos migram para a ferida, porém precisam ser ativados 
para sair de seu estado de quiescência. O fator de crescimento mais importante na 
proliferação e ativação dos fibroblastos é o PDGF. Em seguida é liberado o TGF-β, 
que estimula os fibroblastos a produzirem colágeno tipo I e a transformarem-se em 
miofibroblastos, que promovem a contração da ferida. A deposição de colágeno nesta 
fase tem início ao redor do 4º dia após a lesão e se estende aproximadamente até o 
término da segunda semana. 7-9 
 
 
Tabela 1. Principais fatores de crescimento envolvidos no processo cicatricial. Fonte: Adaptado de 
Broughton; Janis; Attinger, 2006. 
 
 
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Broughton%20G%202nd%5BAuthor%5D&cauthor=true&cauthor_uid=16801750
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Janis%20JE%5BAuthor%5D&cauthor=true&cauthor_uid=16801750
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Attinger%20CE%5BAuthor%5D&cauthor=true&cauthor_uid=16801750
 
 37 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
III – Fase de Maturação ou Remodelamento 
 
A característica mais importante desta fase é a deposição de colágeno de 
maneira organizada, por isso é a fase mais importante clinicamente. O colágeno 
produzido inicialmente é mais fino do que o colágeno (colágeno tipo III) presente na 
pele normal, e tem orientação paralela à pele. Com o tempo, o colágeno do tipo III é 
reabsorvido e um colágeno mais espesso (colágeno do tipo I) é produzido e 
organizado ao longo das linhas de tensão. 7,10 
Figura 3. Fase Proliferativa e Fase de Remodelamento. Fonte: Adaptado de LIMA; LIMA; TAKANO, 
2013. 
 
Para que toda essa cascata inflamatória se instale, o trauma provocado pela 
agulha deve atingir profundidade na pele de um a 3,0 mm, com preservação da 
epiderme, que foi apenas perfurada e não removida. Centenas de microlesões são 
criadas, resultando colunas de coleção de sangue na derme, acompanhadas de 
edema da área tratada e hemostasia praticamente imediata. A intensidade dessas 
reações é proporcional ao comprimento da agulha utilizada no procedimento. 7,10 
 
 
 38 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
4. CARACTERÍSTICAS DA TÉCNICA NO MICROAGULHAMENTO 
 
 Equipamentos 
 
Há uma grande variedade disponível de dispositivos cilíndricos mecânicos, o 
que os diferencia são o comprimento, a quantidade de agulhas, o diâmetro das 
agulhas e o material das agulhas. Eles agem rolando perpendicularmente sobre a 
superfície da pele (Figura 5). 11 Marcas disponíveis no mercado são: 
 
• Dermaroller®: possui agulhas com comprimento inferior a 0,25mm até 2,5mm. 
A Se encontra quantidades diferentes de agulhas no cilindro (Figura 4). 
 
Figura 4. Dermaroller® da marca DermaSystem. Fonte: DERMA ROLLER SYSTEM – DRS. 
 
• Derma-stamp®: versão em miniatura do dermaroller, a aplicação é por pressão 
do dispositivo na pele, disponível em diferentes tamanhos, agulhas de 0,2 a 3,0 
mm. 
• DermaFrac®: técnica que combina microagulhamento com microdermabrasão, 
terapia por diodo emissor de luz (LED) e infusão de ativos. 
• Radiofrequência fracionada: agulhas que penetram a pele e liberam ou não 
corrente elétrica, produzindo dano térmico na epiderme ou derme e 
consequente neocolagênese. 
 
 39 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
• Dermapen®: instrumento que se assemelha a uma caneta, com capacidade de 
ajuste no comprimento das agulhas, utilizado para fazer micropunturas na pele 
ocasionada pela técnica de pilão (Figura 5). 
 
 
Figura 5. Caneta elétrica para microagulhamento - Smart DermaPen - Smart GR. Fonte: Smart GR. 
 
• Smart Infusion: sistema de infusão transcutânea, desenvolvido com o objetivo 
de aumentar o volume de ativos permeados instantaneamente na pele a uma 
profundidade controlada, através de microagulhas (Figura 6). 
 
 
Figura 6. Sistema para entrega de ativos no tecido alvo Smart Infusion Drug delivery. Fonte: Smart 
GR. 
 
 Comprimento da agulha 
 
 
 40 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
Para se obter resultados diferentes provocados pela injuria ao tecido cutâneo, 
existem diferentes comprimentos de agulhas utilizadas na técnica de 
microagulhamento que variam de 0,25 mm à 2,5 mm (Figura 7). 7,11 
A intensidade das reações provocadas pelas micropunturas, quando utilizado 
cilíndricos mecânicos, são proporcionais ao comprimento da agulha utilizada no 
procedimento. Assim é necessário compreender que a agulha não penetra totalmente 
o processo de rolamento. 7 
O sangramento é natural, visto que derme que é altamente vascularizada, mas 
este deve ser um sangramento controlado e não excessivo. Assim, o sangramento é 
diretamente proporcional à injúria provocada e esta é classificada como leve, 
moderada e profunda, sendo provocada conforme o trauma planejado e estando 
relacionada ao tamanho da agulha e a pressão realizada durante o procedimento. 7,11 
 
Figura 7. Relação entre comprimento da agulha, perfuração na pele e injúriatecidual promovida. 
Fonte: Adaptado de LIMA; LIMA; TAKANO, 2013. 
Estima-se que 50% a 70% do comprimento da agulha penetre no tecido 
cutâneo. Portanto, quando o comprimento da agulha é de 1,0 mm o dano ficaria 
 
 41 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
limitado à derme superficial, e consequentemente a resposta inflamatória seria bem 
mais limitada do que a provocada por agulha de comprimento maior. (Figura 8). 7,11 
 
 
Figura 8. Visão esquemática da penetração da agulha durante o procedimento. Fonte: LIMA; LIMA; 
TAKANO, 2013. 
 
O microagulhamento é procedimento técnico-dependente, e a familiarização 
com o aparelho usado e o domínio da técnica são fatores que influenciam diretamente 
o resultado final. 7,11 
A fim de obter resultados diferentes provocados pela injuria ao tecido, são 
utilizados diferentes cumprimentos de agulhas. 7,11 
• Injúria leve (agulhas até 0,5 mm), uso principalmente para rugas (RÍTIDES) 
finas; 
• Injúria moderada (agulhas de 1,0 e 1,5 mm), uso principalmente para rugas 
(RÍTIDES) médias; 
• Injúria profunda (agulhas de 2,0 e 2,5 mm), uso principalmente para cicatrizes 
deprimidas e estrias. 
 
 
 42 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 Anestesia local 
 
Comumente a intervenção sob anestesia local é bem tolerada com agulha que 
não ultrapasse 2,0 mm de comprimento. 12 
A lidocaína é um anestésico local e causa perda temporária de sensação na 
área onde é aplicada. Este fármaco em seu isso isolado ou em combinação com outro 
anestésico, é o anestésico tópico mais utilizado. Sua ação possui início rápido e 
duração média (de 20 a 120 minutos). Tem muitas aplicações clínicas como 
anestésico local e pode ser usada em quase todas as situações onde for necessário 
produzir anestesia local de duração intermediária. 12 
É possível manipular a fórmula: Lidocaína 20% + Tetracaína 10% (uso tópico). 
É possível comprar as formulações de indústrias farmacêuticas, mas marcas mais 
conhecidas são: 12 
• Dermomax; 
• Xylocaína; 
• Medicaína; 
• Pliaglis. 
 
5. TÉCNICA DO MICROAGULHAMENTO 
 
 Técnica de Aplicação 
 
O aparelho deve ser posicionado entre os dedos indicador e polegar e controlar 
a força exercida com o polegar, com pressão moderada, exercendo muita força 
poderá levar a danos em estruturas anatômicas mais profundas e causando mais dor 
que o esperado (LIMA, et al, 2013). 7 
A pele deve ser estendida suavemente com a mão livre, a face deve ser dividida 
em quadrantes, o aparelho deve ser rolado nas direções horizontais, verticais e 
oblíquas, sempre levantando o aparelho para mudar o angulo das agulhas, isso 
impedirá que se criem furos idênticos na mesma área (Figura 9). 7 
 
 
 43 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
Figura 9. Representação esquemática do tratamento com microagulhas. Observe as direções em 
que o movimento de deslizamento do roller deve ocorrer. Fonte: Adaptado de LIMA; LIMA; TAKANO, 
2013. 
 
O aparecimento de petéquias varia com a espessura da pele tratada e o 
comprimento da agulha usada. As peles mais finas e frouxa, comumente 
fotoenvelhecida, apresentará padrão uniforme de petéquias mais precocemente do 
que a pele espessa e fibrosada, observado em pacientes com cicatrizes de acne. 7,10 
 
 Drug Delivery 
 
O microagulhamento com drug delivery (entrega de ativos) possibilita o 
aumento da permeabilidade cutânea pela criação de microcanais, que estimula o 
transporte transepidérmico/transdérmico de ativos no tecido tratado (Figura 10). Estes 
canais permitem que a introdução e absorção de ativos de uso tópico, seja mais fácil 
e rapidamente depositada na camada mais profunda da pele. 
 
 
 44 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
Figura 10. Representação esquemática do sistema da entrega de ativos pelos microcanais. Fonte: 
ALKILANI et al, 2015. 
 
O gotejamento do ativo pode ser feito antes, durante ou após o 
microagulhamento de cada quadrante. O profissional escolhe a melhor maneira de 
trabalhar, desde que não prejudique o deslizamento do equipamento. 
Com efeito potencializador, o ativo direcionará para uma resposta mais rápida 
e eficiente da pele. O tratamento home care também poderá ser utilizado pelo 
paciente. 
 
5.2.1 Rítides e Drug Delivery 
 
O aumento do colágeno dérmico e das fibras elásticas explica o mecanismo 
pelo qual ocorre diminuição e suavização das rítides. 13 
Muitas empresas e farmácias especializadas em formulações estéreis tem 
trazidos infinitas variedades de substâncias a fim de auxiliar o profissional na escolha 
do melhor protocolo de tratamento. Assim o uso de substâncias eutróficas tem 
potencializado os resultados em tratamentos de rejuvenescimento e flacidez facial. 
Dentre as substâncias mais usadas são: 13 
• DMAE, Silício, Ácido Hialurônico, Colágeno, D-Pantenol, etc. 
 
 
 45 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
5.2.2 Alopecia 
 
Recentemente, o uso do microagulhamento no tratamento de doenças dos 
cabelos tem-se tornado frequente e com inúmeros estudos publicados. Acredita-se 
que este procedimento estimule as células-tronco das papilas dérmicas, aumente o 
fluxo sanguíneo para os folículos pilosos induzindo o recrutamento de fatores de 
crescimento e a sinalização de vias que induzem a restauração capilar. 13 
O uso de ativos potencializa o resultado, favorecendo o fortalecimento do pelo, 
do bulbo piloso, e melhorando a vascularização do local tratamento. Dentre as 
substâncias usadas neste tratamento, as principais são: 
• Minoxidil, finasterida, Latonoprosta, D-Pantenol, Silício, Fatores de 
Crescimento (VEGF, PDGF, IGF), etc. 
 
5.2.3 Hipercromias e Melasma 
 
O microagulhamento seguido da aplicação de ativos no tratamento de melasma 
demonstra bons resultados, porém o mecanismo de ação ainda não foi esclarecido. 
Sabe-se que o uso de inibidores de tirosinase é fundamental para o sucesso do 
tratamento. As substâncias comumente usadas neste este tipo de protocolo são: 13 
• Ácido tranexâmico, Ácido Kójico, Ácido Fítico, Vitamina C, etc. 
 
5.2.4 Cicatrizes de acne / Cicatrizes atróficas/ Estrias 
 
O tratamento cutâneo com o uso de microagulhamento demonstra aumento 
significativo na produção de colágenos tipo I, III e VII, melhora na aparência da cicatriz 
e na textura da pele. 13 
Apesar de ser notório a melhora da pele após uma sessão do microagulhamento, 
neste tipo de tratamento, são necessários no mínimo 4 sessões para obter-se 
resultado satisfatório. Dentre as substâncias usadas neste tratamento, as principais 
são: 14 
• Silício, Ácido Hialurônico, Colágeno, D-Pantenol, Fatores de Crescimento 
(VEGF, PDGF, IGF), etc. 
 
 
 46 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 Pós Imediato 
 
Imediatamente após o tratamento, a pele apresenta edema e eritema, que 
desaparecem rapidamente (Figura 11). 
 
Figura 11. Pós imediato do microagulhamento. Fonte: Adaptado de LIMA; LIMA; TAKANO, 2013; 
Imagem gentilmente cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – 
NEPUGA, 2019. 
 
6. CONTRAINDICAÇÕES 
 
As contraindicações são limitadas e incluem acne inflamatória, herpes labial em 
atividade ou outra infecção na área a ser tratada, predisposição à formação de 
queloides e imunossupressão. 7,10,13 
• Acne ativa; 
• Cicatrizes queloidianas; 
• Diabetes descompensado; 
• Doença neuromuscular; 
• Alterações em fatores de coagulação e/ou distúrbios hemorrágicos; 
• Uso de isotretinoína nos últimos 6 meses; 
• Uso de corticoides; 
• Uso de anticoagulantes; 
• Pacientes que fazem uso de aspirina diariamente; 
• Neoplasias de pele; 
• Pacientes em quimioterapia ou radioterapia; 
 
 47 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
• Verrugas; 
• Herpes ativa; 
• Gestação; 
• Processo infeccioso agudo. 
 
7. EFEITOS COLATERAIS E COMPLICAÇÕES 
 
O microagulhamento é considerado procedimento minimamente invasivo e com 
poucos efeitos adversosassociados. Os mais comuns e esperados incluem: 7,10,13 
• Eritema moderado e edema localizado que geralmente se resolvem em período 
de 48 a 72 horas. 
• O sangramento tipo orvalho é limitado a minutos após o procedimento, com 
aplicação de pressão manual suave e gaze com soro fisiológico gelado. 
• A ocorrência de despigmentação já foi uma complicação preocupante em 
fototipos mais altos. 
• Hiperpigmentação pós inflamatória poderá ser evitanda quando faz-se 
tratamento de prepara da pele antes do microagulhamento com 
despigmentantes orais e tópicos. 
 
 
 48 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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Maxillofac Surg Clin North Am. 2006;17(1):51-63. 
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surgery for the correction of depressed scars and wrinkles. Dermatol Surg. 
1995;21(6):6543-9. 
3. Camirand A, Doucet J. Needle dermabrasion. Aesthetic Plast Surg. 
1997;21(1):48-51. 
4. Fernandes D. Minimally invasive percutaneous collagen induction. Oral 
Maxillofac Surg Clin North Am. 2006;17(1):51-63. 
5. Singh A, Yadav S. Microneedling: Advances and widening horizons. Indian 
Dermatol Online J. 2016;7(4):244-54. 
6. Bal SM, Caussian J, Pavel S, Bouwstra J A. In vivo assessment of safety of 
microneedle arrays in human skin. Eur J of Pharm Sci. 2008; 35(3): 193-202. 
7. Lima EVA, Mima MA, Takano D. Microneedling experimental study and 
classification of the resulting injury. Surg Cosmet Dermatol 2013;5(2):1104. 
8. Fernandes D, Massimo S. Combating photoaging with percutaneuos 
collagen induction. Clin Dermatol. 2008;26(2): 192-9. 
9. Broughton G, 2nd, Janis JE, Attinger CE. Wound healing: an overview. Plast 
Reconstr Surg 2006; 117(7 Suppl):1e-S-32e-S. 
10. Aust MC. Percutaneuos Collagen Induction therapy (PCI)-minimally 
invasive skin rejuvation with risk of hyperpigmatation- fact or fiction? 
Plast Reconstr Surg. 2008;122(5):1553-63. 
11. Alster TS, Graham PM. Microneedling: A Review and Practical Guide. 
Dermatol Surg. 2018;44(3):397-404 
12. Froes GC, Ottoni FA, Gontijo G. Topical Anesthetics. Surg Cosmet Dermatol. 
2010;2(2)111-16.. 
13. Braghiroli CS, Conrado LA. Microneedling and transepidermal distribution 
of drugs. Surg Cosmet Dermatol v.10 n.4 out-dez. 2018 p. 289-97. 
14. Fabroccini G, Fardella N. Acne scar treatment using skin needling. Clin Exp 
Dermatol. 2009; 34(8):874-9. 
 
 49 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CARBOXITERAPIA 
 
 
 50 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
1. INTRODUÇÃO: 
 
 A infusão controlada de dióxido de carbono (CO2), conhecida popularmente 
como carboxiterapia, é uma técnica que consiste na infusão desse gás (CO2) no tecido 
cutâneo e subcutâneo.1 
 É uma prática que tem proporcionado melhora fisiológica, com melhor 
irrigação sanguínea do local e, consequentemente, melhor oxigenação do tecido. Por 
ser uma técnica de fácil execução e que acarreta em muitos benefícios tornaram-se 
popular na área da Estética. 1 
 
 
2. HISTÓRIA: 
 
O dióxido de carbono (CO2) que é um gás inodoro e incolor, foi descoberto em 
meados de 1648. É produzido e eliminado diariamente pelo organismo humano em 
grandes quantidades pelos pulmões no processo de respiração. Sua produção no 
organismo acontece graças ao resultado do metabolismo e reações oxidativas 
celulares. 
O uso terapêutico de CO2 iniciou-se somente três séculos depois de seu 
descobrimento, mais precisamente no ano de 1932, na Estação Termal do Spy de 
Royat, França, por Pierre Laloutte. Com a experiência adquirida na câmara de 
fumigação com sais de mercúrio, ele passou a expor os portadores de úlceras crônicas 
aos vapores de combustão da magnésia alba de forma seriada, aplicada a cada dois 
ou três dias. Esse foi o primeiro método de tratamento sistemático do CO2.2 
A partir da década de 30, surgiram os primeiros trabalhos sobre o tema, como 
o do cardiologista Jean Baptiste Romuef, que teve sua publicação em 1953, após 20 
anos de experiência utilizando em seus tratamentos injeções subcutâneas de CO2.1 
A produção industrial do gás carbônico permitiu sua utilização fora das 
estâncias termais, abrindo uma nova perspectiva para a terapêutica com o CO2. No 
século XX essa forma de obtenção criou um período na evolução terapêutica com o 
CO2 chamado de “Período Terapêutico Recreativo Estético”. 2 
Após a descoberta dos efeitos do dióxido de carbono e das suas utilizações na 
medicina, os métodos foram se desenvolvendo. Nos dias atuais, graças a 
equipamentos capazes de controlar o fluxo injetado por minuto, é possível usar esse 
 
 51 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
procedimento em vários tipos de tratamentos terapêuticos e até mesmo estéticos, 
como, por exemplo, no tratamento de estrias, cicatrizes, celulite, gordura localizada, 
flacidez cutânea, rugas, olheiras, feridas, calvície, psoríase, dentre vários outros. 3 
 
 
3. TROCA GASOSA 
 
 O oxigênio pode ser transportado no sangue na forma de O2 em solução ou 
ligado à hemoglobina (Hb) dos eritrócitos. Por ser pouco solúvel em solução aquosa, 
praticamente todo o O2 transportado pelo sangue total está ligado à Hb. Cada Hb pode 
transportar quatro moléculas de O2, uma para cada um de seus quatro grupos heme. 
O ácido carbônico (H2CO3) é produzido durante o metabolismo corpóreo e excretado 
em forma de CO2 pelos pulmões no processo de respiração. 4 
 Praticamente todas as células, a fim de obter energia, fazem uma sequência 
de processos que tem, como um de seus subprodutos, o gás carbônico (CO2). 
 No interior da hemácia, o CO2 passa por um processo de hidratação 
formando o ácido carbônico (H2CO3) com ajuda de uma enzima catalisadora 
denominada anidrase carbônica. Em seguida a dissociação iônica do ácido 
carbônico é rápida e espontânea, sem a necessidade de enzima, formando íons de 
hidrogênio (H+) e o bicarbonato (HCO3) como visto na Figura 1. Esta reação é 
reversível e ocorre naturalmente. 5 
 
 
Figura 1. Desenho esquemático: ação do gás carbônico no interior da hemácia. Fonte: Imagem 
gentilmente cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
 
CO2 + H20 ↔ H2CO3 ↔ H+ + HCO3
- 
 
Hemácia 
anidrase 
carbônica 
ionização 
Acido carbònico Íon Hidrogênio + Bicarbonato 
 
 52 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 Quando a concentração dos íons (H+) se eleva dentro da hemácia acidifica o 
meio alterando o pH. O hidrogênio liberado liga-se a hemoglobina (Hb), formando 
hemoglobina reduzida (H+Hb) e oxigênio (O2). 5 
 Mediante a liberação da molécula de oxigênio há o aumento e acessibilidade 
do O2 para as reações químicas, assim como o carreamento de gás carbônico nos 
capilares periféricos e seu descarreamento nos capilares pulmonares. A presença de 
Hb reduzida no sangue periférico ajuda no arreamento de CO2, enquanto a 
oxigenação que ocorre no capilar ajuda no descarreamento. 6 
Os carbamino-compostos (gás carbônico e proteínas) são formados pela 
combinação de CO2 com grupamentos amina terminais nas proteínas no sangue, 
formando carbamino-hemoglobina. Assim novamente, o descarreamento de O2 nos 
capilares periféricos facilita o carreamento de CO2. 5 
O gás carbônico (CO2) para ser utilizado tanto para fiz estéticos como para fins 
terapêuticos deve possuir 99,9% de pureza. 5 
 
4. MECANISMO DE AÇÃO 
 
 Após a infusão, o CO2 irá agir no local e rapidamente será difundido, deixando 
apenas seus efeitos, tais como: 2,7 
• potencialização do efeito Bohr (hiperoxigenação), 
• aumento da microcirculação, 
• ativação de barorreceptores cutâneos, 
• vasodilatação. 
 
 Efeito Bohr: 
 
 O efeito Bohr é um fenômeno que descreve a tendência da hemoglobina a 
perder afinidade pelo oxigênio em ambientes mais ácidos (e a ganhar em ambientes 
mais alcalinos).Este efeito é mais bem observado no sangue na circulação próxima 
aos tecidos não-alveolares, longe das trocas de gases dos pulmões.4,8 (Figura 2). 
 
 
 53 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
Figura 2. Relação saturação O2 vs concentração. Fonte: Controle do pH sanguíneo. Disponível em: 
http://salabioquimica.blogspot.com/2015/04/controle-do-ph-sanguineo.html. Acesso em 22 de nov. de 
2019. 
 
 Com o aumento de sua concentração o H+ começa a interagir com as 
proteínas da hemoglobina. Em específico, um H+ se liga com um aminoácido chamado 
histidina das hemoglobinas. Essa interação altera a maneira que a proteína se 
organiza e enfraquece a interação do grupo heme com o oxigênio, numa propriedade 
conhecida como efeito alostérico. Esse enfraquecimento da interação facilita a 
liberação do oxigênio que será captado pelas células próximas à corrente sanguínea. 
Inclusive, este processo regula também que tecidos receberão maior aporte de 
oxigênio, já que será proporcional à quantidade de CO2 produzido, como visto na 
Figura 2. 4,8 
Artigos descrevem sobre o aumento significativo da concentração de O2 logo 
após a infusão do CO2 no tecido devido à diminuição da afinidade da hemoglobina 
pelo O2 na presença de gás carbônico disponibilizando mais oxigênio às células, o 
que favorece o metabolismo dos tecidos da região tratada (potencialização do efeito 
Bohr). 4,7-9 
 
http://salabioquimica.blogspot.com/2015/04/controle-do-ph-sanguineo.html
 
 54 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
Figura 3. Efeito Bohr: Transporte de CO2 e liberação de O2 da hemoglobina (Hb). Fonte: Imagem 
adaptada e gentilmente cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – 
NEPUGA, 2019. 
 
Microcirculação local 
 
 A microcirculação é organizada em unidades funcionais, controladas pelo 
sistema adrenérgico e por hormônios, além de mecanismos de regulação 
autonômicos, metabólicos e miogênicos. 10 
 Pela anatomia humana, se sabe que do coração saem artérias (vasos que 
carregam sangue oxigenado e rico em nutrientes) que se ramificam para nutrição dos 
diversos tecidos corporais. Seguindo este caminho, haverá redução do fluxo 
sanguíneo e do diâmetro dos mesmos até atingir a menor artéria, chamada de 
arteríola. Estas, então, distribuem aos tecidos oxigênio e nutrientes e, posteriormente, 
 
↑CO2 e H+ → Liberação de O2 das Hb 
 
EFEITO BOHR 
 
 55 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
passam a se encontrar com pequenas veias (vasos que carregam sangue pouco 
oxigenado e pobre em nutrientes) chamadas de vênulas, que irão progressivamente 
incorporar maior volume de sangue formando as veias que irão terminar no coração. 
4,10 
 A fim de favorecer a microcirculação normal no tecido, a infusão de CO2 local 
atua promovendo uma vasodilatação e um aumento da drenagem venolinfática. 8,10 
 O CO2 possui ação direta local pelo miócito (células que constituem os 
músculos) e indireto mediado pelo sistema nervoso simpático, com isso a 
vasodilatação arteriolar é evidente imediatamente à aplicação pela observação da 
hiperemia que a pele apresenta. 4,8 
 O aumento da circulação interfere no aumento da oxigenação local e, por sua 
vez, um tecido bem oxigenado possui um metabolismo mais acelerado, resultando em 
maior lipólise, melhor cicatrização e maior produção de colágeno, que irá refletir, por 
exemplo, na cicatrização de feridas, perda de peso, melhoria das estrias e de 
problemas como flacidez e rugas. 9,10 
 
 
Figura 4. Desenho representativo da anatomia da microcirculação sanguínea. Em vermelho, são 
ilustrados os capilares arteriais e uma arteríola. Em azul, são ilustrados os capilares venosos e uma 
vênula. Fonte: TAFNER et al, 2017. 
 
 Ativação dos barorreceptores 
 
 56 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
 O sistema nervoso autônomo é composto pelo sistema nervoso simpático e 
parassimpático que apresenta um papel fundamental no controle da PA, sendo que 
ambos são estudados no sentido de compreender a sua participação na gênese e/ou 
manutenção do estado hipertensivo. 11,12 
 O reflexo barorreceptor ou barorreflexo, um dos mais importantes 
mecanismos para o controle da PA, atuando no ajuste da frequência cardíaca e no 
tônus simpático vascular. 13 
 Os terminais barorreceptores não são estimulados somente pelo aumento da 
PA, são mecanorreceptores que respondem às alterações de estiramento da parede 
arterial causadas pelas alterações de pressão dentro dos vasos sanguíneos, assim a 
infusão do gás provoca distensão tecidual e aumento da concentração de 
barorreceptores, causando liberação de substâncias como histamina, bradicinina, 
serotonina, catecolamina, que atuam em receptores beta-adrenérgicos, que ativam a 
adenilciclase, (Tabela 1) ocasionando aumento da AMPc tissular e quebra de 
triglicérides, por exemplo. 10-13 
 
Mastócitos Histamina 
Receptores H1 e H2: 
‒Permeação Vascular 
‒Vasodilatação 
Plaquetas 
Serotonina 
‒Ativa a óxido nítrico sintetase 
(estimulando as células endoteliais a 
produzir óxido nítrico). 
Bradicinina ‒Vasodilatação 
Canais de Ca+ + 
Proteínas G 
Prostaglandinas 
‒Vasodilatação 
‒Lise de adipócitos 
‒Reestruturação de fibras (melhor 
qualidade de contornos) 
Catecolaminas 
‒Vasodilatação 
‒Ativação da lipase no tecido adiposo 
Tabela 1: Barorreceptores estimulados pela infusão de CO2. 10-13 
 
 
 
 57 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 Vasodilatação: 
 
 A infusão tecidual controlada do dióxido de carbono provoca uma resposta 
inflamatória aguda caracterizada por dilatação dos vasos periféricos e da 
microcirculação cutânea, aumentando o fluxo sanguíneo no local. 14 
 A diminuição do pH, ocasionada pelo aumento da concentração tecidual de 
CO2, sinalizou os receptores beta-adrenérgicos periféricos, os quais por meio da 
enzima fosfatase cinase estimularam a fosforilação da miosina presente no músculo 
liso vascular, promovendo a sua dilatação no local da aplicação do dióxido de carbono. 
14 
 Já a distensão tecidual provocou uma reação inflamatória durante a 
aplicação, estimulando mecanicamente os receptores periféricos do sistema nervoso 
autônomo parassimpático a produzir acetilcolina (Figura 5). A atuação da acetilcolina 
diminuiu a resistência do vaso, por meio do relaxamento do músculo liso da parede 
vascular, inibindo a abertura dos canais de cálcio intracelular, promovendo a dilatação 
do vaso e o consequente aumento do fluxo sanguíneo local da aplicação. 15 
 
Figura 5. Infusão de dióxido de carbono em tecido adiposo provoca aumento de temperatura local. Em 
(A), aplicação de carboxiterapia no plano subcutâneo e câmera infravermelha filmando à distância. Em 
(B), observa-se aumento da temperatura no local tratado. Colorações avermelhadas, alaranjadas e 
amarelas indicam aumento de temperatura. Fonte: KEDE, Dermatologia Estética, 2009. 
 
 58 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 A vasodilatação periférica em nível pré-capilar, acompanhada pelo aumento 
do fluxo sanguíneo local, justifica a hiperemia e o aumento da temperatura após a 
infusão controlada do dióxido de carbono. Por sua vez, o aumento do diâmetro das 
arteríolas pré-capilares demonstrou claramente a dilatação apresentada pelos vasos 
da microcirculação após a infusão controlada do dióxido de carbono, como visto na 
Figura 5. 16, 17 
 
5. EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA CARBOXITERAPIA 
 
 No Brasil, o aparelho a ser utilizado na carboxiterapia deve ter registro da 
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a fim de proporcionar segurança 
ao usuário. 1 
 Os aparelhos apresentam similaridades independentemente da marca ou do 
modelo, tais como: equipo descartável, aparelho insuflador do gás e sistema cilindro-
válvula controladora de pressão que armazena e regula a pressão da saída do gás 
carbônico medicinal para o circuito do aparelho insuflador (Figura 6).Figura 6. Em A: Cilindro conectado à válvula. Em B: Equipo descartável e estéril. Fonte: BORGES, 
2010. 
 
 O sistema que controla a pressão de entrada do CO2 no aparelho insuflador 
é composto pelo cilindro armazenador do gás carbônico medicinal, por uma válvula 
reguladora da pressão do gás que sai do cilindro e um manômetro, indicador da 
quantidade de CO2, no estado gasoso, no interior do cilindro (Figura 7). 
 
 
 59 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
Figura 7. Válvula reguladora de pressão utilizado nos aparelhos de carboxiterapia. Fonte: Imagem 
gentilmente cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
6. CARBOXITERAPIA NAS AFECÇÕES ESTÉTICA 
 
 REJUVESCIMENTO E ESTRIAS 
 
 O tratamento facial com carboxiterapia proporciona maior velocidade de troca 
(aumento fluxo sanguíneo) e melhora da oxigenação tecidual, sendo indicado na 
diminuição das rugas e melhora parcial das bolsas de gordura. 2,15,18 
 O envelhecimento facial se deve, a alterações degenerativas nas fibras 
colágenas e elásticas da derme, diminuição de espessura da epiderme por perda de 
camadas do estrato granuloso e espinhoso, onde as células ficam mais achatadas e 
os espaços intercelulares mais largos, atrofia dos músculos da expressão facial com 
posterior fibrose, alteração da arquitetura óssea, geralmente por atrofia, além da perda 
de peças dentárias e diminuição da espessura da tecido hipodérmico em diferentes 
partes da face. Estes são os achados internos que determinam o surgimento de rugas, 
acentuação de sulcos, linhas naturais, relevos e depressões faciais. Aliados à perda 
de tonicidade e modificação na coloração da pele, estas características determinam o 
envelhecimento, esteticamente falando, da face do indivíduo. 7,18,19 
 Analisando o fato de que as rugas apresentam dano nas propriedades 
mecânicas do colágeno, a presença de CO2 nos tecidos reduz o pH no local da 
aplicação, consequentemente gera uma resposta inflamatória resultando na produção 
e reorganização das fibras colágenas, além de interferir na hemodinâmica celular 
resultando em formação de novos vasos sanguíneos. Deste modo, a carboxiterapia é 
Válvula reguladora de pressão 
Quando o registro do cilindro está 
aberto e o ponteiro do manômetro 
posicionado entre 40 e 60 kgf/cm2, é 
indicado que o CO2 se encontre 
pressurizado, no estado gasoso, no 
interior do cilindro, apto para 
executar a infusão tecidual. 
 
 60 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
uma técnica eficaz para suavizar e promover firmeza nos locais onde havia rugas. 
15,19,20 
 Estudo histológico com a Carboxiterapia comprovou um aumento da 
espessura da derme, evidenciando estímulo à neocolagenase, bem como 
preservação total do tecido conjuntivo, incluindo estruturas vasculares e nervosas, ou 
seja, um evidente rearranjo das fibras colágenas. 21 
 
6.1.1 Técnica de aplicação para estímulo de colágeno: 
 
 Afim de estimular a neofibrogênese na matriz extracelular, a infusão do gás 
carbônico deverá ser realizada no tecido dérmico19,20,22, a angulação da agulha poderá 
variar de 15 à 30 graus como ilustrado na Figura 8. 
 
 
Figura 8. Desenho representativo da profundidade de inserção dos planos de aplicação da 
carboxiterapia. Fonte: BORGES, Carboxiterapia: Planos de aplicação. Disponível em: 
http://www.proffabioborges.com.br/carboxiterapia-planos-de-aplicacao-novo-conceito/. Acesso em 22 
de nov. de 2019. 
 
 
http://www.proffabioborges.com.br/carboxiterapia-planos-de-aplicacao-novo-conceito/
 
 61 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
6.1.2 Sugestão de protocolo 
 
 Independentemente da marca ou do modelo do aparelho, todos apresentam 
características comuns, desta maneira segue na Tabela 2 sugestões de parâmetros 
a serem utilizados diretamente no equipamento de carboxiterapia. 
 
Carboxiterapia – Rejuvenescimento 22 
Modo Contínuo 
Velocidade 40 à 60 mL CO2/min 
Nº de sessões Mínimo de 10 
Intervalo entre sessões 72 horas 
 
6.1.3 Pontos de aplicação facial 
 
 Os pontos na Figura 9 são sugestões do local de aplicação de gás carbônico 
na face. 22 Dependendo da disseminação do CO2 não se faz necessário infundir em 
todos os pontos indicados. 
 
 
Figura 9. Pontos utilizados no carboxiterapia para tratamento de rejuvenescimento facial. Fonte: 
Imagem adaptada e gentilmente cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina 
Puga – NEPUGA, 2019. 
 
Sentido da agulha 
Ponto de inserção da agulha 
↑ 
 
 62 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 OLHEIRAS 
 
 A região periorbital é uma das primeiras áreas a mostrar sinais do 
envelhecimento, como rugas, flacidez e hiperpigmentação periorbital (HPO). A HPO 
interfere na aparência facial provocando aspecto de cansaço, tristeza ou ressaca. 
Possui etiopatogenia complexa que inclui múltiplos fatores que podem ser de causa 
primária ou secundária. Os fatores genéticos são considerados de causa primária, 
enquanto os ambientais são de causa secundária. 23 
 A administração do CO2 em plano subcutâneo provoca um enfisema 
subcutâneo pelo descolamento da pele desse local com afastamento dos planos que 
passam a ser ocupados pelo gás. Esse descolamento proporciona, o aumento do fluxo 
sanguíneo e importante aumento da concentração de oxigênio local, condições 
favoráveis ao processo fisiológico de cicatrização. Com a infusão de CO2 no plano 
subcutâneo ocorre aumento do fluxo de oxigênio e de fatores de crescimento 
endotelial vascular (VEGF), o que leva ao aumento de neoangiogênese. 20,24 
 
6.2.1 Técnica de aplicação na região periorbital: 
 
 A agulha deverá atingir o tecido superficialmente entre epiderme e derme, e 
a angulação da agulha poderá variar de 10 à 15 graus.22 O gás carbônico deve ser 
aplicado no canto lateral dos olhos para que o gás se espalhe atingindo pálpebra 
superior e inferior, como visto na Figura 10. 
 
 
Figura 10: Em A: desenho representativo infusão da agulha no tecido dérmico/epidérmico. Em B 
infusão de CO2 na região periorbital. Fonte: Imagem adaptada e gentilmente cedida pelo Corpo 
Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
 
 63 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
6.2.2 Sugestão de protocolo: 
 
 Independentemente da marca ou do modelo do aparelho, todos apresentam 
características comuns, desta maneira segue na Tabela 3 sugestões de parâmetros 
a serem utilizados diretamente no equipamento de carboxiterapia. 
 
Tabela 3: Sugestões de parâmetros a serem utilizados diretamente no equipamento de 
carboxiterapia para melhora da oxigenação celular na região periorbicular. 
 
6.2.3 Técnica de aplicação na região periorbital: 
 
 Os pontos abaixo são sugestões do local de aplicação de gás carbônico na 
região periorbicular22, assim, dependendo da disseminação do CO2 não se faz 
necessário infundir em todos os pontos indicados na Figura 11. 
 
Gordura localizada e Celulite 
 
 
Figura 11: Sugestão de pontos para infusão de CO2 na região periorbital. Fonte: Imagem adaptada e 
gentilmente cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
PERIORBICULAR 22 
Modo Contínuo 
Velocidade 10 à 20 mL CO2/min 
Nº de sessões Mínimo de 10 
Intervalo entre sessões 72 horas 
Sentido da agulha 
Ponto de inserção da agulha 
→ 
 
 64 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 ESTRIAS 
 
 A atrofia linear cutânea, comumente chamada de estrias são causadas pelo 
rompimento ou diminuição da conexão entre proteínas fibrilares dérmicas, tais como 
colágeno e elastina, ocasionando um processo inflamatório no local com elastólise e 
desgranulação de mastócitos, seguidos de afluxo de macrófagos em torno das fibras 
elásticas. 25 
 Inicialmente possuem coloração vermelho escura, devido ao aumento da 
vascularização causado pelo processo inflamatório. Depois evoluem para uma 
tonalidade nacaradae, em pessoas de pele morena, podem apresentar uma 
coloração mais escura. 25,26 
 A estimulação fibroblástica tem importante papel no processo regenerativo 
da atrofia tecidual na estria, assim a Carboxiterapia se torna uma alternativa de 
tratamento neste tipo de afecção. 25-27 
 
6.3.1 Técnica de aplicação em estrias 
 
 A agulha deverá atingir o tecido superficialmente entre epiderme e derme, e 
a angulação da agulha poderá variar de 10 à 15 graus.22 O gás carbônico deve ser 
aplicado em toda extensão da lesão tecidual como visto na Figura 12. 
 
 
Figura 12. Em A: desenho representativo infusão da agulha no tecido dérmico/epidérmico. Em B 
infusão de CO2 em toda extensão da estria. Fonte: Imagem adaptada e gentilmente cedida pelo 
Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
 
 65 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
6.3.2 Sugestão de protocolo para aplicação em estrias 
 
 Independentemente da marca ou do modelo do aparelho, todos apresentam 
características comuns, desta maneira segue na Tabela 4 sugestões de parâmetros 
a serem utilizados diretamente no equipamento de carboxiterapia. 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela 4: Sugestões de parâmetros a serem utilizados diretamente no equipamento de carboxiterapia 
para tratamento de estrias. Fonte 
 
6.3.3 Técnica de aplicação nas estrias 
 
 É importante garantir a infusão do gás carbônico em toda extensão da estria. 
Os pontos abaixo são sugestões de aplicação nas estrias 22, assim, dependendo da 
disseminação do CO2 não se faz necessário infundir em todos os pontos indicados na 
Figura 13. 
 
 
Figura 13. Sugestão de pontos para infusão de CO2 em estrias. Fonte: Imagem adaptada e 
gentilmente cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
ESTRIAS 22 
Modo Contínuo 
Velocidade 60 à 100 mL CO2/min 
Nº de sessões Mínimo de 10 
Intervalo entre sessões 72 horas 
Sentido da agulha 
Ponto de inserção da agulha 
→ 
 
 66 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 ALOPECIA 
 
 A perda de cabelo de forma difusa, decorrente da grande quantidade de pelos 
na fase telógena, resulta na diminuição da densidade capilar. A queda dos fios é um 
processo natural do corpo, porem o problema inicia quando o equilíbrio entre a perda 
e crescimento é afetado e a perda de cabelo começa a ficar evidente, dando origem 
a falhas de fios no couro cabeludo. Pode ter origem em várias causas como estresse, 
doença sistêmica crônica, parto, doenças febris, ente outras. 28 
 A infusão de gás carbônico aumenta o fluxo sanguíneo local e 
consequentemente a nutrição do bulbo capilar, possibilitando que novos fios se 
formassem e crescessem e mantendo a nutrição dos fios já existentes. 29 
 
6.4.1 Técnica de aplicação em alopecia 
 
 A infusão do gás carbônico deverá ser realizada no tecido dérmico19,20,22, a 
angulação da agulha poderá variar de 15 à 30 graus como visto na Figura 14. 
 
 
Figura 14. Em A: Desenho representativo da infusão da agulha no tecido dérmico. Em B observação 
infusão de CO2 na em toda extensão do couro cabeludo. Fonte: Imagem adaptada e gentilmente 
cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
 
 
 67 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
6.4.2 Sugestão de protocolo para aplicação em alopecia 
 
 Independentemente da marca ou do modelo do aparelho, todos apresentam 
características comuns, desta maneira segue na Tabela 5 sugestões de parâmetros 
a serem utilizados diretamente no equipamento de carboxiterapia. 
 
Tabela 5: Sugestões de parâmetros a serem utilizados diretamente no equipamento de 
carboxiterapia para tratamento de alopecia. 
 
6.4.1 Técnica de aplicação no couro cabeludo 
 
 É importante garantir a infusão do gás carbônico em toda extensão capilar. 
Os pontos abaixo são sugestões de aplicação no couro cabeludo 22, assim, 
dependendo da disseminação do CO2 não se faz necessário infundir em todos os 
pontos indicados na Figura 15. 
 
 
Figura 15. Sugestão de pontos para infusão de CO2 no couro cabeludo. Fonte: Imagem adaptada e 
gentilmente cedida pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
ALOPECIA 
Modo Contínuo 
Velocidade 40 a 60 mL CO2/min 
Nº de sessões Mínimo de 10 
Intervalo entre sessões 72 horas 
Ponto de inserção da agulha 
 
 68 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 GORDURA LOCALIZADA E CELULITE 
 
 O tecido adiposo acumulado no corpo forma em certas regiões o 
aparecimento de celulites. As celulites aparecem graças ao mau funcionamento dos 
adipócitos, que retêm maior quantidade de líquido e maior teor de lipídeos, causando 
também má circulação na região, devida à compressão dos vasos sanguíneos pelo 
aumento do volume da célula (Figura 16).30 
 
 
Figura 16. Desenho ilustrativo de um Tecido sem celulite e Tecido com celulite. Fonte: Adaptado de 
Dra Gabriele T. Albers. 
 
 A celulite também é conhecida como adiposidade edematosa, lipodistrofia 
ginoide e dermatopaniculose deformante. O seu aparecimento é caracterizado pela 
aparência ondulada e irregular da pele, é causado pela protrusão de gordura na 
interface dermo-hipodérmica. Essa alteração ocorre especificamente nas mulheres, 
devido as características estruturais dos lóbulos de gordura subcutânea e dos septos 
de tecido conjuntivo que os separam. 30,31 
 Os adipócitos alargados, juntamente com a hipertrofia e hiperplasia das fibras 
reticulares periadipócitos, formam micronódulos (Figura 16) cercados por fragmentos 
de proteínas que, posteriormente, causariam esclerose dos septos fibrosos, levando 
ao aparecimento da celulite. O efeito geral desse processo fisiopatológico seria a 
redução do fluxo sanguíneo e da drenagem linfática das áreas afetadas. 30-31 
 
 
 69 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
Figura 17. Em A desenho ilustrativo da formação de nódulos. Em B nota-se nódulos superficiais. 
Fonte: Adaptado de Celulite e Flacidez – ISIC. 
 
 A carboxiterapia ou também conhecido como carboinsuflação ou ainda 
cabolipólise tem sido largamente utilizada no tratamento da gordura localizada e 
celulite, sendo aplicada nos locais que apresentam maior porcentual de gordura, e 
tem a função de aumentar ainda mais a vascularização tecidual, o que proporciona 
maior concentração de oxigênio e aumento do metabolismo local, levando à lipólise e 
à diminuição da quantidade de gordura (Figura 17). 21,22 
 É importante lembrar que o adipócito recebe os ácidos graxos que foram 
acondicionados em quilomícrons. Estes quilomícrons entram na circulação venosa e 
são eliminados na periferia pela hidrólise do triacilglicerol catalisado pela enzima 
lipoproteína lípase (LPL).4 A hidrólise do triacilglicerol armazenado é ativada pelos 
hormônios lipolíticos (Adrenalina e Noradrenalina) que por sua vez ativam a 
Adenilciclase, para formar AMP cíclico (AMPc) que irá ativar a lípase-hormônio-
sensível na hidrólise do triacilglicerol para então liberar ácidos graxos livres e glicerol 
do adipócito e caírem na circulação capilar.4,24 A infusão de CO2 no tecido subcutâneo 
aumenta AMPc ativando a Adenilciclase, resulta numa ação lipolítica sobre o tecido. 
33 
 Através de dados obtidos experimentalmente em um amplo estudo, Brandi et 
al 2 demonstraram aumento da perfusão tecidual, aumento da pressão parcial de 
oxigênio e redução da circunferência das áreas tratadas. Além disso, os autores 
demonstraram também, através de estudo histológico, cortes com rupturas de 
membranas de adipócitos pela passagem do gás, reforçando o efeito lipolítico da 
carboxiterapia.30-33 
 
 
 70 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
Figura 18. Ilustração do mecanismo de lipólise. Fonte: Adaptado de Lehninger 6ª edição. 
 
6.5.1 Técnica de aplicação no tecido subcutâneo 
 
 A infusão do gás carbônico deverá atingir o tecido subcutâneo. A angulação 
daagulha deverá ser de 90 graus (perpendicular) 19,20,22 como visto na Figura 19. 
 
 
Figura 19. Em A: Desenho representativo da infusão da agulha no tecido subcutâneo. Em B 
observação infusão de CO2 na gordura localizada. Fonte: Imagem adaptada e gentilmente cedida 
pelo Corpo Docente do Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
 
 71 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
6.5.2 Sugestão de protocolo para aplicação 
 
Gordura localizada e celulite 
Modo Contínuo 
Velocidade 80 a 180 mL CO2/min 
Nº de sessões Mínimo de 10 
Intervalo de sessões 72 horas 
 
Tabela 6. Sugestões de parâmetros a serem utilizados diretamente no equipamento de carboxiterapia 
para tratamento de gordura localizada e celulite. 
 
 Independentemente da marca ou do modelo do aparelho, todos apresentam 
características comuns, desta maneira segue na Tabela 6 sugestões de parâmetros 
a serem utilizados diretamente no equipamento de carboxiterapia. 
 
6.5.3 Técnica de aplicação na região corporal 
 
 É importante garantir a infusão do gás carbônico em toda extensão da região 
a ser tralhada. Os pontos abaixo são sugestões de aplicação na gordura localizada e 
celulite 22, assim, dependendo da disseminação do CO2 não se faz necessário infundir 
em todos os pontos indicados na Figura 20. 
 
 
Figura 20. Em A: Pontos de aplicação na região abdominal. Em B pontos de aplicação na região 
glútea e posterior de coxa. Fonte: Imagem adaptada e gentilmente cedida pelo Corpo Docente do 
Núcleo de Estudos Ana Carolina Puga – NEPUGA, 2019. 
 
 
Ponto de inserção da agulha 
 
 72 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
7. REAÇÕES ESPERADAS APÓS INFUSÃO DE CO2: 
 
 Após a infusão do gás carbônico são esperadas algumas reações no local da 
aplicação. Estas reações são transitórias, desaparecerá em poucas horas. 1,3,22 
• Dor e sensação de queimação 
• Eritema, 
• Hematoma, 
• Edema 
 
8. CONTRAINDICAÇÕES: 
 
Não há importantes contraindicações, por ser um gás atóxico, não embólico, que 
já está normalmente presente no organismo, amplamente aplicado na medicina e 
isento de efeitos sistêmicos nas doses empregadas. 
• Patologias crônicas de pulmões ou coração. 
• Infecção no local de aplicação. 
• Gravidez 
• Hipertensão crônica. 
• Anemia. 
• Colagenoses (lúpus, esclerodermia, dermatomiosite). 
• Doenças autoimunes. 
• Epilepsia. 
 
 
 
 73 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
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Do Autor, 2010. 
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e na hipertensão. Hipertenso. 2000; 3:90-8. 
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12. Zago AS, Zanesco A. Óxido Nítrico, Doenças Cardiovasculares e Exercício 
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Procedimentos Injetáveis I na estética 
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 76 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PLASMA RICO EM PLAQUETAS 
(PRP) 
 
 
 77 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
1. INTRODUÇÃO 
 
O plasma rico em plaquetas (PRP) também é conhecido como plasma 
enriquecido de plaquetas (PeRP), concentrado rico em plaquetas (PRC) ou gel de 
plaqueta autólogo.1 
O PRP tem sido produzido a partir da centrifugação do sangue retirado do 
próprio paciente. Os fatores de crescimento presentes no PRP são citosinas 
provenientes do sangue e parte do processo natural de cicatrização, o qual pode ser 
modificado e acelerado de acordo com a concentração desses fatores. Essas 
citosinas têm importante papel na proliferação celular, quimiotaxia,diferenciação 
celular e angiogênese. 1,2 
A partir da década de 90, o PRP tem sido usado nas áreas cirúrgicas orais, 
facial e procedimentos reconstrutivos e em procedimentos estéticos com o objetivo de 
acelerar o reparo da ferida cirúrgica, regeneração óssea e estímulo de proteínas 
essenciais do tecido cutâneo. 1,2 
 
2. HISTÓRIA 
 
O uso de preparações de plaquetas começou com o trabalho de pesquisa de 
Maltras sobre colas de fibrina usadas para melhorar a cicatrização de feridas cutâneas 
em ratos, em 1970. 3 Alguns anos depois (1975-79)4 vários trabalhos de pesquisa 
propunham um conceito para o uso de extrato de sangue, chamado de “platelet 
fibrinogen-thrombin-mixtures” ou “gelatin platelet - gel foam”. Neste novo conceito, as 
colas de fibrina foram incluindo uma significativa concentração de plaquetas dentro da 
preparação final. A ideia no início foi reforçar naturalmente o gel de fibrina, e também 
combinar as propriedades curativas das plaquetas com os de fibrina. Essas técnicas 
continuaram a desenvolver-se lentamente até que os artigos de Whitman em 1997 5, 
e, particularmente, Marx et al. 6 em 1998 mudaram essa realidade. Esses artigos foram 
o ponto de partida para o uso das técnicas em cirurgia oral e maxilo-facial e para o 
conceito de fatores de crescimento plaquetários para a medicina regenerativa. A partir 
deste momento, o número de publicações cresceu rapidamente sem que existisse 
uma diferenciação para os preparados existentes sendo todos esses denominados 
Plasma Rico em Plaquetas, PRP, sem levar em conta o seu conteúdo ou arquitetura.7 
 
 78 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
Essa falta de terminologia durou muitos anos. Após os debates sobre o 
conteúdo e o papel dos vários componentes destas preparações, uma primeira 
classificação foi proposta em 2009 e hoje é amplamente citada como um marco no 
processo de esclarecimento da terminologia. Essa classificação é realmente muito 
simples, e separou os preparados usando pelo menos dois parâmetros fundamentais: 
a presença de um conteúdo da célula (principalmente leucócitos) e da arquitetura de 
fibrina. 7 Essa separação permitiu definir quatro famílias principais para reagrupar os 
produtos: 
• P-PRP, “Pure Platelet-Rich Plasma” (Plasma Rico em Plaquetas) os 
produtos são preparados sem leucócitos e com uma rede de fibrina baixa 
densidade após a ativação; 
• L-PRP, “Leukocyte-and Platelet-Rich Plasma” (Plasma Rico em 
Leucócitos e Plaquetas), os produtos são preparados com leucócitos e 
com uma rede de fibrina baixa densidade após a ativação; 
• P-PRF “Pure Platelet-Rich Fibrin” ou “Leukocyte- Poor Platelet-Rich Fibrin” 
(Fibrina Rica em Plaquetas), os produtos são preparados sem leucócitos 
e com uma rede de fibrina de alta densidade; e 
• L-PRF, “Leukocyte- and Platelet-Rich Fibrin” (Fibrina rica em Leucócitos 
e Plaquetas), os produtos são preparados com leucócitos e com uma rede 
de fibrina de alta densidade.7 
 
 
 79 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
3. SANGUE E SEUS COMPONENTES 
 
 Tecido Sanguíneo 
 
 O tecido sanguíneo é considerado um tipo especial de tecido conjuntivo em que 
células se encontram separadas por grande quantidade de matriz extracelular 
(PLASMA). O plasma corresponde a 10% do volume sanguíneo, sendo composto de 
componentes de baixo e alto peso molecular. O processo de regular a produção 
contínua de células do sangue é chamado de hemocitopoese. O tecido 
hematopoiético atua na produção dos elementos figurados do sangue. Estão 
envolvidos os processos de renovação, proliferação, diferenciação e maturação 
células.8 
Os glóbulos sanguíneos são as hemácias, plaquetas e vários tipos de 
leucócitos. A função principal do sangue é o transporte de oxigênio, nutrientes, 
remoção do dióxido de carbono e remoção dos produtos de excreção dos tecidos. 
Também as funções de defesa são intermediadas pelo sangue através dos leucócitos. 
8 
Os componentes do sangue podem ser classificados essencialmente em duas 
categorias: as partículas sólidas, ou elementos figurados, nos quais se integram os 
eritrócitos (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas, e a parte 
líquida denominada por plasma, onde os elementos figurados se encontram 
suspensos. 9 
 
 
Figura 1. Desenho ilustrativo do sangue e seus componentes. Plasma, glóbulos brancos e glóbulos 
vermelhos. Fonte: https://www.todamateria.com.br/sangue/. Acesso em 22 de nov. de 2019. 
https://www.todamateria.com.br/sangue/
 
 80 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 Plasma 
 
O plasma é o componente líquido do sangue contendo componentes de 
baixo e alto peso molecular, que correspondem a 10% do seu volume. Tem-se 
7 % de proteínas plasmática, 0,9% de sais inorgânicos e o restante de 
compostos orgânicos diversos, como aminoácidos, vitaminas, hormônios e 
glicose. As principais proteínas são as albuminas, as alfas, beta, 
gamaglobulinas, lipoproteínas, protrombina e fibrinogênio, sendo as duas 
últimas participantes da coagulação do sangue. A albumina tem grande 
importância, pois são fundamentais na manutenção da pressão osmótica do 
sangue e as gamaglobulinas são anticorpos, sendo assim chamadas também 
de imunoglobulinas. 8,9 
 
Figura 2. Composição do Sangue e Plasma humano. Fonte: Banco de imagens do Google. 
 
 
 81 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 Plaquetas 
 
As plaquetas são fragmentos citoplasmáticos anucleados, discoides e pequenos, 
presentes no sangue e produzidos na medula óssea a partir dos megacariócitos. 
Apesar de não possuírem núcleo, são constituídas de citoesqueleto, mitocôndrias, 
lisossomos, ribossomos, uma versão modificada do retículo endoplasmático liso e 
outras estruturas singulares. 8,9 
 
 
Figura 3. Desenho representativo da ultraestrutura de uma plaqueta e seus componentes 
intracelulares. Fonte: Saunders Company, 2002. 
 
Há em seu citoplasma 3 tipos de grânulos: alfa, denso e lisossomos. 
• Os grânulos alfas são os mais numerosos nas plaquetas e contêm mais de 
trezentas proteínas diferentes a maioria sintetizada ou endocitadas pelo 
megacariócito, que originou a plaqueta. Não há uma distribuição uniforme dos 
grânulos alfa e nem de seus conteúdos, havendo diferença nas subpopulações dos 
grânulos e distribuição heterogênea no citoplasma. 8-11 
• Os grânulos densos são em menor número e contêm apenas pequenas 
moléculas como serotonina, ADP, ATP, GDP, GTP, histamina, cálcio, 
magnésio e polifosfato. 8-11 
• Os lisossomos das plaquetas se assemelham aos de outras células e não está 
claro se eles desempenham papel específico para a função plaquetária embora 
tenha sido sugerido que podem contribuir para eventual lise de coágulos. 8-11 
As plaquetas possuem ainda uma membrana altamente especializada que inclui uma 
rede complexa de invaginações que se estendem para dentro da célula e quando 
 
 82 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
necessário são disponibilizadas para aumentar a área de superfície da membrana 
durante a mudança de forma que ocorre na ativação das plaquetas. 8-11 
 
 Fatores de Crescimento Plaquetário 
 
Existem diferentes substâncias biologicamente ativas nas plaquetas que 
estão envolvidas nos processos de reparo tecidual, como quimiotaxia, 
proliferação celular, angiogênese, diferenciação, deposição de matriz 
extracelular, modulação imunológica, atividade antimicrobiana. Essas 
substâncias estão contidas nos grânulos-alfa e outros grânulos liberados pela 
ativação das plaquetas. Elas exibem uma grande habilidade de indução de 
formação de tecidos, como a iniciação e modulação de cicatrização de lesões 
em tecidos moles e ossos. 8,9,12 
Os fatores de crescimento plaquetário são moléculas biologicamente 
ativas, que regulam direta e externamente o ciclo celular. Essas proteínas 
atuam em nível de membrana celular, provocando uma cascata bioquímica que 
leva a sua ação diretano núcleo da célula, promovendo a gênica. Diversas 
células epidermais e epiteliais produzem essas moléculas, tais como os 
macrófagos, fibroblastos e queratinócitos, que além de produzirem os fatores 
também são ativadas por eles, atuando assim de forma autócrina ou parácrina. 
8,9,11 
Uma descrição detalhada dos fatores de crescimento plaquetários é 
apresentada no quadro abaixo. Entre os fatores de crescimento liberados pelas 
plaquetas após a ativação identificados até agora, são eles: 11,13 
• PDGF - Fator de Crescimento derivado das Plaquetas; 
• TGFβ1- Fator de crescimento transformador beta um; 
• EGF- Fator de crescimento epidérmico; 
• VEGF- Fator de crescimento endotelial vascular; 
• HGF- Fator de crescimento hepático; 
• IGF-1: Fator de crescimento insulínico tipo um; 
• FGF- Fator de crescimento fibroblástico. 
 
 
 83 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
FATOR DE 
CRESCIMENTO 11,13 
CAPACIDADE DE ESTIMULAÇÃO 
TECIDUAL11,13 
EGF 
(fator de crescimento 
epidérmico) 
• Estimula a proliferação de células epidérmicas 
epiteliais e fibroblastos 
• Quimioatraente para fibroblastos e células epiteliais 
• Estimula a reepitelização e angiogênese 
• Influencia a síntese e turnover de matriz extracelular 
PDGF 
(fator de crescimento 
derivado plaquetas) 
• Tipos A e B (isoformas) 
• Mitógenos potentes para fibroblastos, células do 
músculo liso arterial, condrócitos, células epiteliais e 
endoteliais 
• Quimioatraente potente para células 
hematopoiéticas e mesenquimais, fibroblastos e 
células musculares; estimula a quimiotaxia em 
direção a um gradiente de PDGF 
• Ativa o TGF-β, estimula os neutrófilos e macrófagos, 
mitogênese de fibroblastos e células musculares 
lisas, síntese de colágeno, atividade da colagenase, 
angiogênese. 
TGF-α 
(fator de crescimento 
transformador alfa) 
• Semelhante ao EGF, liga-se ao mesmo receptor 
• Estimula o crescimento de células mesenquimais, 
epiteliais e endoteliais, 
• Quimiotaxia endotelial, controla o desenvolvimento 
da epiderme 
• Estimula a proliferação de células endoteliais, mais 
potente que o EGF 
• Promove a geração de osteoblastos, influenciando-
os a estabelecer a matriz óssea durante a 
osteogênese 
• Afeta a formação e o remodelamento ósseos pela 
inibição da síntese de colágeno e liberação de cálcio. 
TGF-β1 
• Estimula a quimiotaxia e a proliferação de 
fibroblastos; estimula a síntese de colágeno 
 
 84 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
(fator de crescimento 
transformador beta) 
• Diminui cicatrizes dérmicas 
• Inibidor de crescimento para células epiteliais 
endoteliais, fibroblastos, células neuronais, tipos de 
células hematopoiéticas e queratinócitos. 
• Antagoniza as atividades biológicas do EGF, PDGF, 
aFGF e BFG 
KGF ou FGF-7 
(fator de crescimento de 
queratinócitos) 
• Mais potente fator de crescimento para 
queratinócitos da pele, desempenhando um papel na 
reparação dos tecidos após lesões de pele 
• Promove a cicatrização de feridas via a proliferação, 
diferenciação, migração celular e angiogênese 
• Mitógeno para muitas células epiteliais, mas não 
para fibroblastos e células endoteliais 
aFGF ou FGF-1 
(fator de crescimento 
fibroblástico ácido) 
• Participa na proliferação, diferenciação, 
angiogênese e migração celular 
• Mitógeno para queratinócitos derivados da pele, 
fibroblastos dérmicos e células endoteliais vascular 
bFGF ou FGF-2 
(fator de crescimento de 
fibroblastos básico) 
• Estimula o crescimento de fibroblastos, mioblastos, 
osteoblastos, células neuronais, células endoteliais, 
queratinócitos e condrócitos 
• Estimula a angiogênese, a proliferação de células 
endoteliais, a síntese de colágeno, a contração da 
ferida, a síntese de matriz, a epitelização e a 
produção de KGF 
VEGF / VEP 
(fator de crescimento 
endotelial vascular) 
• Estimula a proliferação de células endoteliais 
macrovasculares. 
• Potente indutor de neovascularização 
• Induz a síntese de metaloproteinases, que degradam 
o colágeno intersticial tipos I, II e III 
CTGF • Induz a proliferação, migração e formação do tubo 
endotelial vascular e angiogênese 
 
 85 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
(fator de crescimento do 
tecido conectivo) 
• Um estimulador potente para a proliferação e 
diferenciação de osteoblastos, estimula a 
mineralização da matriz 
GM-CSF ou CSFα 
(fator estimulante de 
colônias de granulócitos 
/ macrófagos) 
• Estimula a proliferação e diferenciação de 
osteoblastos. 
• Sinergia com a eritropoietina na proliferação de 
células progenitoras BM. 
• Forte quimioatraente para neutrófilos 
IGF 
(fator de crescimento 
semelhante à insulina) 
• Fator de Crescimento de fibroblastos normais, ação 
mitogênica in vitro para um grande número de 
células mesodérmicas 
• Promove a síntese de colagenase e prostaglandina 
E2 em fibroblastos 
• Estimula a síntese de colágeno e matriz óssea por 
células, regulando o metabolismo da cartilagem 
articular 
TNF 
(fator de necrose tumoral 
alfa) 
• Fator de Crescimento de fibroblastos 
• Promove a angiogênese 
IL-1β 
(interleucina β 1) 
• Inibe o crescimento de células endoteliais e 
hepatócitos 
• Ativa osteoclastos, suprime a formação de osso 
novo. Em baixas concentrações, entretanto, 
promove o crescimento ósseo 
• Melhora as reações inflamatórias e atividade da 
colagenase 
IL-8 
(interleucina 8) 
• Estimula a angiogênese 
• Mitogênico para células epidérmicas 
 
 
 
 86 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
4. COAGULAÇÃO 
 
 O sistema hemostático é composto por diversos componentes, entre os quais se 
encontram as plaquetas, os vasos sanguíneos, as proteínas da coagulação do 
sangue, os anticoagulantes naturais e o sistema de fibrinólise. A coagulação é 
dependente de uma série complexa de interações, nas quais o sangue perde as suas 
características de fluído, sendo convertido numa massa semi-sólida, formando um 
coágulo irreversível.10,11 
 A formação do coágulo sanguíneo está dependente de um conjunto de proteínas 
existentes no plasma, designados fatores de coagulação. Normalmente estes fatores 
encontram-se inativos e não dão origem à coagulação, mas se um tecido estiver 
lesado os fatores de coagulação são ativados, produzindo, desta forma, coágulos. 10 
 O sangue para prevenir a coagulação contém vários anticoagulantes, que 
impedem os fatores de coagulação iniciar a formação de coágulos.10 Antitrombina, 
Heparina e Prostaciclina são exemplos de anticoagulantes que atuam no sangue. A 
coagulação “in vitro” envolve a transformação da fibrina em fibrinogénio. Os 
anticoagulantes são também importantes fora do corpo evitando a coagulação do 
sangue usado em exames laboratoriais e em transfusões sanguíneas. Heparina, 
EDTA e o Citrato de Sódio são os principais exemplos de anticoagulantes “in vitro”. 
Um coágulo sanguíneo é constituído por uma rede de fibras proteicas que retêm 
células sanguíneas, plaquetas e fluídos. A cascata de coagulação é constituída por 
duas vias, via intrínseca e via extrínseca, que vão convergir numa via comum. A 
ativação das proteínas de coagulação pode ser explicada em 3 fases principais que 
tem como objetivo a formação do coágulo. 
• A fase 1 resume-se à formação da protrombinase. Nesta fase os tecidos ou os 
vasos sanguíneos danificados ativam os fatores de coagulação, que levam à ativação 
de outros fatores de coagulação, implicando a produção da protrombinase. 
• A fase 2 consiste na conversão da protrombina em trombina, por ação da 
protrombinase. 
• Na fase 3 o fibrinogênio é ativado pela trombina para formar a fibrina, que vai 
formar o coágulo. 8,10 
 
 
 87 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
Figura 4. Representação esquemática do processo de coagulação e participação de plaquetas. 
Fonte: Adaptado de Brasil Escola. 
 
 AnticoagulantesOs anticoagulantes são usados quando há necessidade de obter sangue total 
ou plasma. Não existe um anticoagulante ideal para todos os exames laboratoriais. 
Em geral, os anticoagulantes têm como principal papel a interrupção da ativação da 
cascata de coagulação, inibindo a formação da protrombina, impossibilitando a 
formação do coágulo. Dependendo do estudo a análise poderá ser realizada em 
sangue total (ex.: Hemograma), plasma (ex.: Glicose, Provas de coagulação) e soro 
(ex.: Bioquímicos e Serológicos). Quando a análise for realizada no soro, a colheita 
será feita em tubo sem anticoagulante, para que ocorra o processo de coagulação. 
Quando se pretende fazer a análise no plasma, a amostra deverá ser recolhida num 
tubo com anticoagulante específico. 14 
 
 
 88 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
5. DIFERENÇAS ENTRE SORO E PLASMA 
 
 Soro 
 
Soro é o sobrenadante obtido após coleta de sangue total e deixado para 
coagulação espontânea, que leva de 30 a 45 minutos. Durante o processo de 
coagulação, o fibrinogênio é convertido em fibrina, clivagem proteolítica da 
trombina, e a sua maior diferença entre plasma e soro é a ausência de 
fibrinogênio no soro. 8,9 
 
Figura 5. Diferenças na obtenção de soro e de plasma. Para a obtenção do soro, atualmente são 
utilizados tubos que contêm ativador de coágulo jateado na parede do tubo, que acelera o processo 
de coagulação, e gel separador para obtenção de soro com a mais alta qualidade, proporcionando 
melhor eficiência no processo de trabalho dentro do laboratório. Enquanto que, o plasma é obtido da 
amostra pela adição de um anticoagulante no tubo de coleta. Fonte: Biomedicina Padrão. 
 
 
 Plasma 
 
 Plasma é o sobrenadante obtido após a centrifugação do sangue total, colhido 
em tubo com anticoagulante. Os anticoagulantes mais utilizados no laboratório clínico 
são: heparina, EDTA e Citrato de sódio. 8,9,14 
• EDTA e o Citrato ligam-se ao Ca²+ e Mg²+, cuja interferência se dá nas enzimas 
cálcio e magnésio-dependentes envolvidas na cascata de coagulação; 
• A heparina previne a coagulação pois liga-se à trombina; 
• O citrato é utilizado avaliação da coagulação sanguínea. 
 
 89 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
6. TÉCNICA PARA OBTENÇÃO DO PRP 
 
Etapa 1: Punção Venosa 
 
Por meio da punção venosa colhe-se a amostra de sangue em tubo contendo 
anticoagulante.15 Os anticoagulantes mais adequados para coleta de PRP são: 
❖ Citrato de sódio: pois preserva as funções plaquetárias. 
❖ Citrato de sódio e dextrose: preserva a integridade das membranas das 
plaquetas ele capta os íons de cálcio presentes no sangue. 
❖ São coletados de 6 a 10 tubos. 
 
Etapa 2: Centrifugação do material 
 
São diversos os protocolos utilizados para o preparo do PRP, onde estes 
seguem um padrão que é expresso no estudo de Wilson EMK, et al.15 Assim, segue 
abaixo algumas sugestões de centrifugações do material biológico. 
 
 
A primeira centrifugação separa as células brancas e vermelhas do plasma e 
plaquetas. As hemácias, mais pesadas, coletam-se no fundo do tubo, com o plasma 
acima, como de hábito.7 
• a camada acima das hemácias é o plasma rico em plaquetas (PRP) 
(aproximadamente 1ml) 
• o restante do conteúdo encontra-se o plasma pobre em plaquetas (PPP). 
 
AUTOR CENTRIFUGAÇÃO 1 CENTRIFUGAÇÃO 2 
Curasan KIT 10 min/ 400 rpm 15 min/ 3.600 rpm 
Smart Prep 6 min/5.600 rpm 6 min/2.400 rpm 
Priadent-Shutze 10 min/2.400 rpm 15 min/3.600 rpm 
PGGS system 3,45 min/3.000rpm 15 min/3.000 rpm 
PRGF 7 min/ 1.400 rpm 
 
 
 90 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 
Figura 6. Representação esquemática do gradiente após centrifugação para a obtenção de plasma 
rico em plaquetas (PRP). O PRP foi obtido após duas centrifugações. Fonte: Research Gate. 
 
 
Etapa 3: Separação do PRP 
 
 A camada logo acima das hemácias ocupa o segmento de maior importância, 
assim deve ser aspirado com uma pipeta e transferido para um tubo seco 
constituindo assim o PRP e o PPP. 
 Uma segunda centrifugação deverá ser realizada no tubo contendo o PRP, para 
garantir que não houve aspiração de hemácias no momento da transferência. 
 
Etapa 4: Ativação das plaquetas 
 
 É recomendado que as plaquetas sejam ativadas próximo ao momento da 
aplicação terapêutica, de forma a assegurar uma concentração adequada de fatores 
de crescimento. 16,17 
• Para 5,0 ml de PRP adicionar 0,5ml de uma solução de cloreto de cálcio a 10% 
para induzir a coagulação.16,17 
• Cloreto de cálcio a 10% ativa em três vezes mais a concentração de plaquetas. 
16,17 
 
 
 91 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
7. ENTENDENDO A CENTRIFUGAÇÃO 
 
Relação entre RPM e RCF ou Força G 
 
As centrífugas são equipamentos que aplicam a força centrífuga relativa para 
separar as partículas de uma solução. O funcionamento das centrífugas baseia-se em 
colocar amostras em rotação em torno de um eixo fixo. A essas amostras é aplicada 
uma força de aceleração perpendicular ao eixo, conforme mostrado na figura abaixo: 
 
 
Figura 7. As centrifugas são equipamentos que aplicam a força centrifuga relativa para separar 
partículas. Fonte: Centrífugas LAVFORT. 
 
As unidades para indicar os parâmetros de uma centrifugação são RPM e RCF. 
 
RPM (Rotações Por Minuto) é a velocidade de rotação. 
Ex.: Se a rotação de uma centrífuga é de 200 RPM, significa que o objeto está 
fazendo 200 rotações por minuto em torno de um eixo fixo. 
 
RCF (Força Centrífuga Relativa) ou Força G (Força Gravitacional) é a força 
exercida durante a centrifugação. 
Ex.: Se a RCF é de 500 x g, significa que a força centrífuga que está sendo 
aplicada é 500 vezes maior que a força gravitacional da Terra. 
 
 
 92 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
A relação entre essas unidades é determinada pela seguinte equação: 
 
RCF ou Força G = 1,12 x R x (RPM/1000)² 
 
Onde, R é o raio do rotor em milímetros. 
Obs.: O valor do raio (R) pode ser medido de três formas: até o tampa 
do tubo (Rmin), até o meio do tubo (Rav) ou até o fundo do tubo (Rmax). 
 
É importante ressaltar que se a velocidade de centrifugação está descrita 
em RPM, ela somente poderá ser utilizada de uma centrífuga para outra se as 
centrífugas em questão tiverem o mesmo tamanho de raio e o mesmo ângulo 
de inclinação do rotor! Por isso, caso seja utilizado um valor de RPM descrito 
em um protocolo que já foi padronizado, verifique a centrífuga que foi utilizada 
na padronização. Se a centrifuga a ser utilizada for diferente da centrífuga da 
padronização, o valor de RCF será diferente e o resultado da centrifugação das 
amostras será alterado. 
 
8. O USO DO PRP NA ESTÉTICA 
 
O PRP surge como ferramenta que permite a aplicação de grande 
quantidade de fatores de crescimento que estimulam a produção de colágeno 
e matriz extracelular através de quantidades mínimas de plasma. Os fatores de 
crescimento promovem rápido aumento do número de células mesenquimais 
indiferenciadas no sítio cicatricial durante o tempo de reparo e cicatrização. 
A vantagem do PRP é acelerar o processo regenerativo pela quantidade 
de fatores de crescimento presente nas plaquetas. Como desvantagens há o 
curto período de vida plaquetária, cerca de três a cinco dias, e o fato de os 
fatores de crescimento se extinguirem em sete a dez dias. Apesar do curto 
período de vida das plaquetas, provou-se que o PRP é capaz de promover 
reparo cutâneo mais rápido e qualitativamente melhor. 17,18 
 
 
 93 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
 Fique atento 
 
❖ Todo o procedimento de preparo do PRP deve ser realizado sob condições 
rigorosamente estéreis 17,18 
❖ Os protocolos poderão ser montados de acordo com a necessidade do cliente. 
❖ Os intervalos entre as sessões poderão variar de 7 a 21 dias, e são necessários 
3 ou mais sessões para obtenção de um resultado satisfatório.Tratamentos estéticos associados ao PRP 
 
• Microagulhamento Facial e Capilar associado ao PRP 19 - 21 
• Laser de CO2 Fracionado + PRP 22 - 29 
• Intradermoterapia Facial e Capilar com PRP 30 - 33 
• Tratamento de olheiras com infusão de PRP 31, 41 
• Rejuvenescimento e Preenchimento de sulcos com PRP 34 – 40 
• Fios liso (Polidioxanona – PDO) com infusão de PRP 42 
• Tratamentos corporais e tratamento de estrias 43 
 
 Considerações Gerais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTRAINDICAÇÕES INTERFERENTES 
Síndrome de disfunção plaquetária, Anti-inflamatórios 
Trombocitopenia crítica, Anticoagulantes 
Instabilidade hemodinâmica, Corticoides 
Septicemia, Fumo 
Infecção no local do procedimento, Álcool 
Gravidez, período de 
amamentação, 
 
Hemofilia, 
 
Ou quando o paciente não está 
disposto a aceitar os riscos do 
procedimento, 
 
Tumores. 
 
 
 94 
 
Procedimentos Injetáveis I na estética 
9. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
 
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