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Tutorial 3 - Saúde da Mulher

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(ACOG). Apesar de sa idamente reduzirem a quantidade e a qualidade do leite 
materno, os ACHO combinados de estrógeno e progesterona podem ser utilizados 
eventualmente por mulheres que amamentam. Na Clínica Obstétrica do HC-FMUSP, não são 
prescritos ACHO combinados para mulheres lactantes, apesar dessa recomendação. 
Anticoncepção 
Após 2 a 3 semanas do parto, mulheres que não amamentam podem fazer uso de 
anticoncepcionais de progesterona somente (pílulas, implantes, injeções) ou de métodos de 
barreira. O uso de anticoncepcionais hormonais orais (ACHO) combinados deve ser iniciado 28 
dias depois do parto, segundo a maioria dos estudos (a ovulação pode retornar apenas 25 dias 
após o parto). O dispositivo intrauterino (DIU) pode ser inserido imediatamente depois do parto, 
apesar de ser maior a taxa de expulsão em comparação com a inserção mais tardia. Se não 
foi feita a inserção precoce, deve-se esperar cerca de 6 semanas após o parto para posicioná-
lo na cavidade uterina. E preciso salientar que a amamentação tem eficácia limitada como 
método anticoncepcional após o terceiro mês do pós-parto. Das mulheres que amamentam 
exclusivamente, 93% não ovulam por 3 meses após o parto, e 88% por até 6 meses. A amenorreia 
parece ser um bom preditor do sucesso da amamentação no atraso ao retorno da fertilidade. 
Mulheres que amamentam exclusivamente e mantêm-se amenorreicas estão 98% protegidas 
de uma nova gravidez pelos primeiros 6 meses. 
Para as lactantes, o uso de anticoncepcionais de progesterona somente, minipílulas ou 
medroxiprogesterona de depósito não afeta a qualidade tampouco diminui a produção de 
leite. Esses são os anticoncepcionais de escolha para mulheres lactantes segundo o American 
College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Apesar de sabidamente reduzirem a 
quantidade e a qualidade do leite materno, os ACHO combinados de estrógeno e 
progesterona podem ser utilizados eventualmente por mulheres que amamentam. Na Clínica 
Obstétrica do HC-FMUSP, não são prescritos ACHO combinados para mulheres lactantes, apesar 
dessa recomendação 
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TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
DOMICILIAR 
Atividade sexual 
A disfunção sexual é relatada por 41 a 83% das mulheres após 2 a 3 meses pós-parto. Há, 
comumente, diminuição do interesse sexual nesse período. Em um estudo realizado 3 meses 
após o parto, 57% das pacientes relataram diminuição da libido. Esse desinteresse é atribuído à 
fadiga, à dor e ao sangramento vaginal. Apesar disso, cerca de 80% das puérperas relatam 
retorno à atividade sexual cerca de 6 semanas depois do parto. Também se verifica com 
frequência atrofia do epitélio vaginal e diminuição da lubrificação em mulheres que 
amamentam exclusivamente ou que utilizam anticoncepcionais somente de progesterona. 
Lubrificantes ou cremes tópicos à base de estrógeno podem ser usados para alívio dos sintomas 
decorrentes da atrofia vaginal. 
Tireopatias 
Anormalidades da função tireoidiana são frequentemente encontradas no pós-parto. A 
taxa estimada de tireoidite pós-parto é de 5 a 10% dos casos. Como fatores predisponentes da 
tireoidite pós-parto, podem ser citados: detecção de anticorpos antitireoglobulina, 
antecedente de tireoidite pós-parto ou doença tireoidiana, diabetes mellitus tipo 1 e outras 
doenças autoimunes. 
Retorno ambulatorial 
O primeiro retorno solicitado deve acontecer entre 7 e 10 dias após o parto. Nesse 
momento, devem ser avaliadas as condições da episiorrafia em relação à deiscência, 
infecções e hematomas. Para as cesáreas, os pontos devem ser retirados e a cicatriz cirúrgica, 
avaliada quanto à presença de sinais sugestivos de infecção ou hematomas de parede. Outro 
retorno de puerpério é agendado para 40 dias após o parto, ocasião em que a paciente 
recebe orientações anticoncepcionais e quanto ao retorno da atividade sexual. Devem ser 
discutidos com a paciente os problemas relacionados a essa nova fase, ressaltando-se questões 
relativas ao humor da puérpera, ao uso de anticoncepcionais, ao retorno à atividade sexual e 
às dificuldades na amamentação, entre outras. Também podem ser discutidos planos para uma 
nova gestação. Ainda não se estabeleceu qual o intervalo ideal entre partos. Estima-se que o 
intervalo de 18 a 23 meses entre partos diminua as taxas de baixo peso de nascimento, de fetos 
pequenos para a idade gestacional e de parto prematuro. Um intervalo entre o término da 
gestação anterior e o início da nova gestação inferior a 6 meses pode predispor a parto 
prematuro na nova gestação. 
8. Entender as políticas públicas de parto humanizados e apoio a gestante. 
A Saúde Materno-Infantil no período de 1974 a 1978 a partir do Programa Nacional de 
Saúde Materno-Infantil (PNSMI) tinha o compromisso com as demandas relativas à gravidez e 
ao parto, mas traduzia uma visão restrita da mulher, limitada à dimensão biológica e ao papel 
social de mãe e dona do lar, objeto de reprodução. Os programas se caracterizavam pela 
verticalidade e falta de integração com outros programas e ações governamentais. As metas 
eram definidas pelo nível central, sem qualquer avaliação das necessidades de saúde das 
populações locais, cumprindo um papel normativo e prescritivo, cujo resultado foi a 
fragmentação da assistência. As mulheres organizadas reivindicaram, portanto, sua condição 
de sujeitos de direito, com necessidades que extrapolam o momento da gestação e parto, 
demandando ações que lhes proporcionassem a melhoria das condições de saúde em todos 
os ciclos da vida, ações que contemplassem as particularidades dos diferentes grupos 
populacionais, considerando as condições sociais, econômicas, culturais e afetivas, necessárias 
para atendimento integral à saúde das mulheres. 
Em 1984, atendendo às reivindicações destes programas, num período em que, 
paralelamente, no âmbito do Movimento Sanitário, se concebia novo conceito que embasaria 
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TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
a formulação do Sistema Único de Saúde, o Ministério da Saúde (2004b) elabora o Programa 
de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), que incorpora como princípios e diretrizes as 
propostas de descentralização, hierarquização e regionalização dos serviços, bem como a 
integralidade e a equidade da atenção. O processo de construção do SUS determina na 
implementação do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher. 
Em 1999 foi criado o Centro de Parto Normal-CPN, no âmbito do Sistema Único de 
Saúde/SUS, para o atendimento à mulher no período gravídico-puerperal. Em 2000 o Ministério 
da Saúde institui o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento, no âmbito do Sistema 
Único de Saúde e estabelece como competência dos estados e do Distrito Federal a definição 
de limite, por hospital, de percentual máximo de cesarianas em relação ao número total de 
partos realizados e ainda a definição de outras estratégias para a obtenção de redução destes 
procedimentos no âmbito do estado. Além disso, aprova a norma de orientação para a 
implantação do método canguru, destinado a promover a atenção humanizada ao recém-
nascido de baixo peso e institui o grupo executivo para a elaboração do plano nacional de 
intensificação das ações de redução da mortalidade infantil e materna. o Projeto Maternidade 
Segura foi criado em 2000 com objetivo de elevar a qualidade do atendimento à saúde 
materno-infantil e reduzir a mortalidade, por meio do credenciamento de instituições que 
promovam a assistência integral à saúde da mulher e criança. 
Além disso, o debate especialmente impulsionado pelos altos índices de parto cesáreos, 
além de complicações e mortalidade de mulheres e crianças em decorrência dos 
procedimentos realizados, levou a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1996,