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Tutorial 3 - Saúde da Mulher

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SAÚDE DA MULHER 
• A dequitação (terceiro período da estimulação, secundamento ou dequitadura) representa 
o descolamento e a saída da placenta após o nasci mento do recém-nascido. O descolamento 
pode ser centra 1 (Baudelocque-Schultze) ou marginal (Baudelocque-Duncan). 
• O assim chamado quarto período de Greenberg dura 1 hora, ocorrendo imediata mente após 
a dequitação, e caracteriza-se pelo miotamponamento e pelo trombotamponamento, 
responsáveis pela hemostasia uterina. 
2. Entender os mecanismos do parto. 
INTRODUÇAO 
Dá-se o nome de mecanismo de parto ao conjunto de movimentos e fenômenos ativos 
e, principalmente, passivos do feto durante sua passagem pelo canal de parto. Assim, a 
progressão do trabalho de parto é mais ou menos facilitada de acordo com a relação entre as 
características de forma e tamanho da pelve materna e as do produto conceptual. As 
contrações uterinas são a força motriz do trabalho de parto, a qual impulsiona o feto através 
da pelve da gestante para alcançar a vulva e desprender-se, finalizando o ato de nascer. 34 
As apresentações cefálicas fletidas com variedade de posição anterior, além de mais comuns, 
são as que apresentam melhores características para a progressão dos mecanismos de parto. 
Outros tipos de apresentação fetal (fletidas transversas ou posteriores persistentes, defletidas e 
pélvicas) são considerados anômalos, por determinados autores, em função de sua baixa 
prevalência e por serem causas de trabalho de parto distócico. Apesar de o mecanismo de 
parto estar dificultado nessas ocorrências, não há necessariamente impedimento para o parto 
vaginal. Como a presença de distocia durante o trabalho de parto pode ser resultado de mais 
de um fator (contrações, bacia e feto), é prudente considerar que a apresentação fetal é fator 
limitante, mas nem sempre determinante de um trabalho de parto de difícil progressão. O 
conhecimento das causas e particularidades do mecanismo de parto de tais apresentações 
auxilia na assistência à gestante e ao feto. O objetivo deste capítulo é descrever e ilustrar de 
forma didática os fenômenos mecânicos do parto nas apresentações mais frequentes e mais 
raras, considerando-se sempre a situação longitudinal como única condição possível de 
descrever tal mecanismo. A situação transversa e, portanto, todas as apresentações córmicas, 
por impossibilitarem a progressão para parto vaginal (exceto em gestações com fetos muito 
pequenos), receberão outro tipo de abordagem. As manobras obstétricas assistenciais do parto 
vaginal cefálico e de correção de distocias serão discutidas em outra oportunidade. 
RELAÇÕES UTEROFETAIS 
Para descrever e estudar o mecanismo de parto, é necessário conhecer as relações 
espaciais entre o organismo materno e o produto conceptual, utilizando-se para isso 
nomenclatura e definições convencionadas. Tal nomenclatura orienta a documentação do 
parto e a comunicação entre os profissionais para que haja, posteriormente, entendimento dos 
acontecimentos. 
ATITUDE 
Atitude consiste na relação das diversas partes fetais entre si. Assim, a atitude fetal 
depende da disposição dos membros e da coluna vertebral. Na maioria das vezes, o feto 
apresenta atitude de flexão generalizada durante toda a gestação e o parto. A coluna 
vertebral se curva ligeiramente, produzindo uma concavidade voltada para a face anterior do 
concepto, enquanto os membros se apresentam flexionados e anteriorizados. Assim, configura-
se uma formação de aspecto oval ou ovoide, com duas extremidades representadas pelos 
polos cefálico e pélvico (Figura 1). Em situações anômalas, pode haver extensão da coluna 
com deflexão do polo cefálico, o que leva às apresentações defletidas de 1 º, 2° e 3° graus. A 
ausência persistente de flexão de todos os membros é anormal e pode significar sofrimento fetal 
grave por perda do tônus muscular. 
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TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
SITUAÇAO 
A situação consiste na relação entre o maior eixo da cavidade uterina e o maior eixo 
fetal. Essa relação dá origem a três possibilidades de situação fetal: longitudinal, transversa e 
oblíqua. 
APRESENTAÇAO 
A apresentação é definida como a região fetal que ocupa a área do estreito superior e 
nela se vai insinuar. Para que exista apresentação, é necessário que o volume da região fetal 
seja capaz de encontrar obstáculo na sua passagem pelo canal pelvigenital; portanto, não 
existe apresentação antes do sexto mês ou quando a parte fetal é um membro, visto que os 
respectivos diâmetros são muito inferiores aos da bacia. 
• Quando a situação fetal é longitudinal, há duas possibilidades de apresentação: 
cefálica ou pélvica, dependendo do polo fetal que ocupa a região inferior do útero. 
• Nas situações transversas, por sua vez, duas outras possibilidades ocorrem, nas quais se 
distinguem as apresentações córmicas (ou de ombro), em que o dorso fetal se apresenta 
anterior ou posteriormente (Figura 2), ou as apresentações dorsais superior e inferior, em 
que o dorso fetal se apresenta superior ou inferiormente (nestes casos, o plano coronal 
fetal é perpendicular ao plano coronal matemo), extremamente mais raras (Figura 3). 
Na gestação a termo, a situação longitudinal do feto é muito mais frequente que as 
situações transversas e oblíquas, assim como a apresentação cefálica fletida é mais comum do 
que as restantes. Esse fato se deve à teoria da acomodação formulada por Pajot, em 1870, que 
infere que "todo sólido de superfícies arredondadas e lisas, contido em outro que apresente 
alternativas de contração e resolução, procura acomodar-se à forma e às dimensões do 
continente". Assim ocorre com o feto ao fim da gravidez, ao coincidir seu maior eixo com o 
maior eixo uterino e ao acomodar o polo pélvico e os membros inferiores fletidos no fundo do 
útero, de maior volume e capacidade, e o polo cefálico no segmento inferior, ambos de 
menores dimensões. Quando uma parte fetal menor (por exemplo, um dos membros) se 
antepõe à apresentação durante o trabalho de parto, ocupando a vagina ou mesmo se 
exteriorizando pela vulva, denomina-se procidência ou prolapso. Existe ainda a possibilidade do 
que se chama de laterocidência, em que a pequena parte fetal em questão desce ao lado e 
junto de um dos polos fetais, conceituada nessa ocasião como apresentação composta (Fig 4). 
 
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TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
 
 
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TUTORIAL 3 SAÚDE DA MULHER 
 
A atitude fisiológica da cabeça fetal pressupõe que ela esteja flexionada, com o mento 
aconchegado ao esterno, o que se denomina apresentação cefálica fletida, de vértice ou de 
occipício. Pode acontecer que a cabeça se apresente em extensão ou defletida, às custas de 
afastamentos do mento em relação ao esterno, de graus variados: 
• No primeiro grau de deflexão, surge, no centro da área do estreito superior, como ponto 
de referência fetal, o bregma (apresentação de bregma). 
• No segundo, surge a glabela como ponto de referência fetal (apresentação de fronte). 
• No terceiro, é o mento que surge como ponto de referência fetal (apresentação de 
face). 
Nas apresentações pélvicas, a atitude fisiológica do polo pélvico pressupõe as coxas 
fletidas e aconchegadas ao abdome, e as pernas fletidas junto às coxas. Assim, diz- -se tratar 
de apresentação pélvica completa. As demais atitudes assumidas pelos membros inferiores dão 
origem às seguintes apresentações pélvicas: 
• Modo de nádegas (ou agripina): os membros 
inferiores apresentam-se estirados e rebatidos de 
encontro à parede ventral do feto. 
• Modo de joelhos e de pés: os joelhos e pés, por se 
tratarem de pequenas partes fetais,

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