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1 MARIANA SANTOS LOMBALGIA MORFOFISIOLOGIA DA COLUNA (LOMBAR) A coluna vertebral, também chamada de espinha ou coluna espinal, constitui cerca de 2/5 da altura total e é composta por uma série de ossos chamados vértebras. A coluna vertebral, o esterno e as costelas formam o esqueleto do tronco do corpo. A coluna vertebral é composta de osso e tecido conjuntivo; a medula espinal que ela encerra e protege consiste em tecido nervoso e conjuntivo. Com aproximadamente 71 cm no homem adulto médio e cerca de 61 cm na mulher adulta média, a coluna vertebral atua como uma forte haste flexível com elementos que podem promover movimentos em direção anterior, posterior, lateral e ainda de rotação. Além de encerrar e proteger a medula espinal, a coluna vertebral sustenta a cabeça e serve de ponto de fixação para as costelas, o cíngulo dos membros inferiores e músculos do dorso e membros superiores. O número total de vértebras durante o desenvolvimento inicial é de 33. Conforme a criança vai crescendo, várias vértebras nas regiões sacral e coccígea se fundem. Em consequência disso, a coluna vertebral adulta normalmente possui 26 vértebras, distribuídas da seguinte maneira: 7 vértebras cervicais na região do pescoço 12 vértebras torácicas posteriores à cavidade torácica 5 vértebras lombares que sustentam a parte inferior da coluna 1 sacro que consiste em 5 vértebras sacrais fundidas 1 cóccix que, em geral, é composto por 4 vértebras coccígeas fundidas. As vértebras cervicais, torácicas e lombares são móveis, mas as sacrais e o coccígeas, não. As vértebras lombares (L I a L V) são os maiores e mais resistentes ossos não fundidos da coluna vertebral porque a quantidade de peso corporal sustentada pelas vértebras aumenta em direção à extremidade inferior da coluna vertebral. Suas várias projeções são curtas e espessas. Os processos articulares superiores se dirigem medial e não superiormente e os processos articulares inferiores se direcionam lateral e não inferiormente. Os processos espinhosos têm forma quadrilátera, são espessos e largos e se projetam quase em linha reta posteriormente. Os processos espinhosos são bem adaptados para a fixação dos grandes músculos vertebrais. ETIOLOGIA, FISIOPATOLOGIA, MC, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA LOMBALGIA. A lombalgia tem como definição a dor, rigidez ou sensação de tensão muscular localizada abaixo da margem costal, mas acima da região glútea. Alguns autores subdividem a lombalgia em aguda (até 4 semanas), subaguda (entre 4 e 12 semanas) e crônica (≥ 12 semanas). Etiologia As etiologias podem ser classificadas em: mecânicas; inflamatórias; infecciosas; metabólicas; tumores e dor visceral referida. As vértebras lombares são as maiores e mais fortes no corpo porque a quantidade de peso sustentado pelas vértebras aumenta no sentido inferior da coluna vertebral. 2 MARIANA SANTOS Mecânicas: Dentro das causas mecânicas, estão: anomalias congênitas (espinha bífida; sacralização); degenerativas (espondiloartrose); síndromes discogênicas (prolapso discal) e traumatismos. Lombalgia mecânica comum: Caracteriza-se por dor lombar baixa, normalmente unilateral, às vezes central, irradiando-se para a região sacral e nádegas. De maneira geral, a dor ocorre após esforço físico maior ou esforços repetidos em posições de estresse para a coluna. Espondilolistese e Espondilólise: A espondilolistese é o deslizamento parcial ou total de uma vértebra sobre a outra. Já a espondilólise é a fratura do pars interarticularis. A espondilolistese pode ser classificada em: congênita, adquirida, traumática, iatrogênica; patológica e degenerativa. Osteoartrite e discopatia: As alterações de disco e facetas são extremamente comuns na população. Elas costumam surgir com o envelhecimento e, ainda hoje, discute-se se devem ser consideradas patológicas ou fisiológicas. Inflamatórias: Estão associadas com doenças que possuem manifestações sistêmicas, além do acometimento da coluna vertebra, como: espondilite anquilosante, artrite reumatoide e fibromialgia. Nesses casos de etiologia inflamatória, é comum que os pacientes apresentem rigidez matinal importante (com mais de 1 hora de duração) e dor noturna presente em alguns casos. Quanto a fibromialgia, trata-se de um quadro poliálgico, articular e muscular acompanhado de sono não reparador, cefaleia e fadiga persistente. Infecciosas: As causas infecciosas são pouco frequentes. Diferentes agentes etiológicos podem estar relacionados com dor lombar, como Staphylococcus aureus. A suspeita deve ser aventada sempre que houver dor persistente, presente no repouso e piorando aos movimentos, associada ou não à febre. No geral, a infecção da vértebra ocorre por disseminação hematogênica de outro foco, geralmente geniturinário, cutâneo ou respiratório. Outras etiologias possíveis são a tuberculose, cursando com o chamado Mal de Pott e a brucelose, que é mais rara, sendo mais observada nos trabalhadores que manipulam carne e derivados. Metabólicas: Dentre as causas metabólicas, as mais frequentes são: Osteoporose; Osteomalácia e Hiperparatireoidismo. Ademais, a presença de calcificações discais nos exames de imagem, devem alertar o examinador quanto a possibilidade de doenças metabólicas subjacentes, como: ocronose, hemocromatose e a doença por depósito de pirofosfato de cálcio. Tumores de coluna: Os tumores da coluna são relativamente raros. Por isso, o diagnóstico de uma patologia tumoral requer sempre um alto grau de suspeita diagnóstica. Os tumores benignos da coluna geralmente produzem dor localizada, enquanto as neoplasias malignas produzem dor mais difusa, às vezes associada a manifestações sistêmicas. De maneira geral, os tumores benignos envolvem o arco posterior da vértebra, enquanto que os malignos envolvem, inicialmente, o corpo vertebral. O tumor benigno mais comum da coluna vertebral é o hemangioma. O Osteoma osteoide ocorre em adultos jovens, sendo uma suspeita nos casos de escoliose de início recente associada a espasmo muscular em um paciente jovem. No entanto, vale lembrar que as metástases são 25 vezes mais frequentes do que os tumores primários na coluna. Dentre os tumores malignos, o mais frequente é o mieloma múltiplo, ocorrendo preferencialmente nos pacientes com mais de 50 anos de idade, sendo a lombalgia o sintoma inicial em cerca de 35% dos casos, porém, sintomas sistêmicos como púrpuras, artralgias e hipercalcemia são frequentes. Dor visceral referida: Diversas patologias viscerais podem causar dor referida na região lombossacra. A lombalgia raramente é o único sintoma nesses casos, porém, dor com ritmo próprio que não melhora ao repouso deve levar à suspeita de dor referida. Exemplos: aneurisma de aorta; endometriose; gravidez tubária; pancreatite. Fisiopatologia Sabe-se que existem diversas estruturas anatômicas que podem gerar dor lombar, sendo que cada uma pode ter etiologia e fisiopatologia específica. No entanto, a etiologia exata de uma lombalgia aguda não consegue ser definida em até 80% dos casos, e nem nas crônicas essa definição é tão clara. Acredita-se que a maioria das lombalgias são de origem muscular, ocasionadas por contraturas musculares. A musculatura pode ser sede de dores e contraturas crônicas, em ume espectro que pode ir de uma síndrome dolorosa miofascial até uma entidade nosológica definida como fibromialgia. Além disso, o disco intervertebral, que é inervado em seu ânulo fibroso, podendo assim, ser fonte de dor lombar. Essa dor, chamada de axial ou discogênica, tem como principal teoria fisiopatológica a irritação dessas terminações nervosas livres por substâncias do núcleo pulposo, que com elas vem a entrar em contato por fissuras no ânulo fibroso quando o disco é submetido a carga axial constante. Os discos intervertebrais e o ligamento longitudinal têm seus impulsos dolorosos levados pelos nervos sinovertebrais até os gânglios simpáticos dotronco paravertebral e ascendem vários níveis até o gânglio de L2 através dos ramos comunicantes, adentrando na medula espinal. Já as articulações zigapofisárias, ou facetas, são inervadas pelo ramo medial do nervo dorsal primário, sendo responsáveis pela chamada dor facetaria. As alterações degenerativas das facetas articulares podem ocasionar dor por dois mecanismos: destruição da cartilagem articular, gerando dores semelhantes à osteoartrite de qualquer superfície articular, ou por hipertrofia facetaria gerando compressão do ramo medial dorsal. Disco normal: O disco IV é constituído por colágeno, proteoglicanos, tecido conjuntivo e água. O colágeno presente no disco é essencialmente do tipo I e II, fato que pela sua estrutura molecular lhe dá uma enorme força de tensão que lhe confere uma ligação muito forte com o prato discal, resistindo assim às solicitações diárias com importantes forças de cisalhamento. Os proteoglicanos induzem no disco uma carga negativa que é neutralizada pela concentração de cations de sódio, potássio e cálcio no espaço intradiscal, criando assim um gradiente osmótico de água para dentro do disco. Este gradiente é contrariado pela pressão hidrostática aplicada ao disco, em sentido contrário, como resultado da compressão do mesmo desencadeado pelo ortostatismo. Este equilíbrio constante de forças permite a entrada e saída constante de água do disco IV, o que constitui um dos mecanismos importantes na manutenção das suas características visco- elásticas. Com a idade a superfície porosa da lâmina crivosa do prato discal diminui, contribuindo desta forma para o desequilíbrio iónico do disco e permitindo assim a desidratação do núcleo polposo em cerca de 70 a 90%. Esta alteração é responsável pela perda de altura e das propriedades visco-elásticas do disco. Disco degenerado: Uma vez iniciada a cascata do processo degenerativo, toda a mecânica da unidade funcional da coluna UFC (constituída por dois corpos vertebrais e o disco intervertebral) é alterada. É nestas situações que assistimos à inversão da distribuição das forças através do disco IV com cerca de 50 a 70% da carga a transmitir-se através das facetas articulares (Fig. 1) e desta forma causando inúmeras alterações em todas as estruturas adjacentes nomeadamente ligamentares, ósseas e articulares. Sob ação da força da gravidade, o disco degenerado colapsa provocando procidência do anel fibroso em toda sua área como um pneu furado (flat tyre syndrome). Nesta circunstância, o disco cede à sobrecarga mecânica, diminui de altura, desestabiliza a UFC e contribui para o início dos movimentos anómalos que dão origem à instabilidade vertical (incapacidade para manter a altura do disco de pé). Com a progressão do processo degenerativo por um lado, mas por outro com as alterações induzidas pelo movimento anormal a nível das UFC, progressivamente assistimos ao desenvolvimento de osteófitos de tração a nível da inserção discal nos corpos vertebrais, de fenómenos degenerativos das facetas articulares (osteoartrose), consequência da subluxação e sobrecarga crónica, osteófitos das facetas com estenose dos recessos laterais intracanalares (Fig. 2), e por fim com procidência do ligamento amarelo redundante para dentro do próprio canal vertebral. A degenerescência discal é também acompanhada por um processo inflamatório local, com aumento dos mediadores químicos nomeadamente interleucina 6 e 8 nos casos com dor discogénica. Por esta razão, pensa-se que a resposta inflamatória poderá ter um papel importante na cascata degenerativa do núcleo polposo. 3 MARIANA SANTOS Manifestações clinicas O principal sintoma é justamente a dor na região inferior da coluna vertebral, que fica aproximadamente na altura da cintura. Inicialmente ela tende a surgir de forma discreta, mas com o tempo pode ficar intensa — inclusive irradiando para áreas como as pernas (mais especificamente a parte posterior da coxa). Então, a pessoa começa a apresentar outros sinais no seu dia a dia como fraqueza e dificuldade de fazer movimentos simples, como pegar um objeto no chão ou subir escadas. Diagnostico A história clínica e o exame físico são fundamentais para o diagnóstico da dor lombar, em especial para indicar exames diagnósticos ou afastar causas de dor lombar fora da coluna vertebral. Para a avaliação inicial de um paciente com dor lombar, Deyo e Weinstein propõem um questionário simples de 3 perguntas: 1 – Há alguma doença sistêmica causando a dor? 2 – Há alguma questão social ou psicológica que posa estar amplificando ou prolongando a dor? 3 – Há algum comprometimento neurológico que exija intervenção cirúrgica? Durante a exame clínico, deve-se procurar por sinais de alerta que sugiram condições clínicas mais graves, como tumores ou infecções. Embora haja pouca evidência de que estes sinais sejam preditores de achados radiológicos relevantes, uma investigação deve ser solicitada nos casos em que os pacientes apresentem esses sinais. Além dos sinais clássicos, sugere-se investigação adicional para indivíduos com dor que não respondem a 4 a 6 semanas de tratamento conservador. Alguns dados da história clínica podem sugerir doenças fora da coluna vertebral causando a dor lombar. Nesse sentido, o histórico de doença arterial ou cardíaca deve alertar para aneurismas da aorta abdominal; infecções urinárias de repetição aumento o risco de pielonefrite e sintomas gastrointestinais podem sugerir espondiloartropatias soronegativas. Ademais, vale lembrar que dores lombares ou radiculares causadas por alterações em articulações coxofemorais ou sacroilíacas, também devem fazer parte dos possíveis diagnósticos diferenciais. Nesse sentido, os sinais de Patrick e FABER são úteis para a tentativa de diferenciação clínica. Existem algumas características da dor que possibilitam o direcionamento diagnóstico, como: Dor discal – é tipicamente uma dor lombar baixa que se exacerba com a posição ereta mantida e, principalmente, sentada, podendo piorar com a flexão (Dor axial), acometendo pacientes mais jovens, entre a terceira e quintas décadas de vida; Dor facetaria – costuma apresentar piora com movimentos de extensão. Normalmente acomete pacientes com idades mais avançadas, da sexta década em diante. Dores relacionadas com neoplasias – as dores noturnas ou que não melhoram com repouso devem alertar para neoplasias. Quanto ao exame físico, deve ser iniciado com a análise da marcha. Porém, a parte mais importante do exame é a palpação, podendo relevar pontos dolorosos miofasciais paramedianos com a sensibilidade anormal durante pressão do espaço interespinhoso na linha mediana, sinal que tende a ser indicativo de doença discal ou instabilidade segmentar. Além disso, é fundamental a identificação, durante a anamnese, de dores não orgânicas. Existem alguns sinais clássicos que sugerem isso, sendo que com a presença de 3 ou mais, a chance de o sintoma não ser orgânico aumenta, como: Sensibilidade superficial: desconforto na pele durante a palpação superficial; Sensibilidade não anatômica: quando cruza os limites anatômicos; Dor à carga axial simulada: dor ao pressionar o alto da cabeça; Dor à rotação simulada: girar o ombro e o quadril em bloco não deve gerar dor; Distração da manobra de elevação do membro inferior estendido: o sinal de Laségue é positivo, porém, se sentado, a extensão do membro inferior não é dolorosa; Regionalização da sensibilidade: perda de sensibilidade que não segue dermátomo; Regionalização da força: fraqueza sem resistência; Super-ação: resposta dolorosa exagerada a um estímulo que, quanto repetido, não tem a mesma reação. 4 MARIANA SANTOS Um indivíduo com um primeiro episódio de lombalgia não requer investigação complementar, exceto nas condições em que há presença de sinais de alerta. Entretanto, cerca de 80% dos indivíduos com lombalgia são submetidosa algum exame de imagem, muitas vezes sem indicações. Essa solicitação desnecessária de exames de imagem é responsável por boa parte dos custos relacionados a dores lombares. A tomografia computadorizada é considerada o melhor exame para a investigação de doenças ósseas, seu papel na investigação de lombalgia é secundário, tanto pela maior dificuldade de se identificar situações específicas quando comparada com a ressonância magnética, como pela emissão de radiação ionizante. Porém, tem boa utilidade para situação específicas, como: estenose do canal lombar, alterações tróficas facetarias e em situações que que a ressonância (RM) não pode ser realizada. Já a RM é o exame de escolha na suspeição de diagnósticos etiológicos específicos de lombalgia. Entretanto, não pode ser utilizada em algumas ocasiões, como: na presença de alguns tipos de marca-passo. Uma vez que os achados de imagem são muitas vezes inespecíficos, procedimentos invasivos para diagnóstico podem ser utilizados na tentativa de se encontrar a causa da dor lombar. A discografia com teste provocativo consiste na injeção de contraste radiopaco intradiscal sob pressão menor que 50 psi e análise das características da ruptura anelar e, mais importante, avaliação da dor causada pela injeção. Ademais, injeções intra-articulares podem ser utilizadas no auxílio diagnóstico de dores facetarias e sacroilíacas. Apesar das diversas ferramentas diagnósticas, alcançar um diagnóstico específico da dor lombar frequentemente não é possível. Os exames de imagem devem ser solicitados: Nos casos de doentes com lesão neurológica; diante suspeita clínica de uma lombalgia específica; sintomatologia arrastada e nos casos de tratamento ineficaz. Tratamento Terapia não farmacológica: A terapia não farmacológica é baseada em mudanças comportamentais, como perda de peso, prática de exercício físico, fisioterapia e medidas terapêuticas como: terapia cognitivo-comportamental, acupuntura e outas. Como dito anteriormente, o repouso deve ser desencorajado, e os pacientes devem ser orientados a manter suas atividades rotineiras, o que leva a recuperação mais rápida e menor incapacidade a longo prazo. Terapia medicamentosa: Sabe-se que cerca de 90% das lombalgias melhoram espontaneamente sem qualquer intervenção, em um período de 30 dias. No entanto, na prática, é comum a prescrição de medicamentos, sendo os mais comuns: anti-inflamatórios não esteroidais. Sendo a lombalgia um sintoma relacionado a dor, o tratamento “sintomático” deve seguir a escala de dor, sendo o tratamento escalonado, sendo muito importante ponderar os possíveis efeitos colaterais, fazendo uma análise do risco-benefício. Ademais, o tratamento deve ser dirigido à etiologia, logo, causas infecciosas devem ser tratadas com uso de antibióticos, as inflamatórias podem receber corticoides e as sistêmicas serão tratadas segundo suas recomendações. Ainda, é digno de nota que os antidepressivos (geralmente os tricíclicos) estão entre as medicações mais utiliza das no tratamento da lombalgia crônica inespecífica, associada ou não a depressão. SE LIGA! As injeções intrarticulares (facetarias ou sacrilíacas), embora sejam muito utilizadas como testes diagnósticos, são úteis no curto prazo para o controle da dor. Tratamento cirúrgico: O papel do tratamento cirúrgico na lombalgia é secundário (ou até terciário), visto que a grande maioria dos pacientes melhoram antes de se pensar em qualquer terapia mais agressiva. Uma vez considerado o diagnóstico de dor facetaria, procedimento de neurotomia do ramo medial pode ser proposto. A neurotomia por radiofrequência alcançou melhora de 90% das dores em 60% dos pacientes em um estudo, porém, boa parte dos pacientes apresentaram retorno das dores entre 6 – 12 meses. Considerando-se as terminações nervosas livres do ânulo fibroso como fontes de dor, terapias intradiscais com esse alvo foram desenvolvidas. Dessas, a mais estudada foi a terapia eletrotérmica intradiscal, que consistem na termoablação do ânulo fibroso através de colocação do eletrodo guiada por radioscopia. O procedimento mais estudado para o tratamento cirúrgico da lombalgia por degeneração discal é a artrodese do segmento envolvido. O racional para esse tratamento seria a remoção SE LIGA! Red flags: Início gradual; idade < 20 ou > 50; Dorsalgia associada; duração > 6 semanas; história de trauma; febre, calafrios e suor noturno; perda de peso; piora com o repouso; analgesia ineficaz; história de neoplasia; imunossupressão; procedimentos – bacteremia; uso de drogas EV; hipotensão; palidez; hipertensão extrema; massa abdominal pulsátil; sensibilidade das apófises espinhosas; sinais neurológicos focais; retenção urinária aguda. Sinais de alerta amarelo (psicossociais) que podem indicar mau prognóstico Pensamento catastrófico (antecipa o pior desfecho possível para a lombalgia) Presença de sintomas que não apresentem correlação com a lombalgia (sintomas sem uma base anatômica ou fisiológica definida) Elevado comprometimento funcional basal Baixo estado geral de saúde Depressão, ansiedade ou pessimismo diante da vida 5 MARIANA SANTOS de toda a origem da dor, por meio de uma discectomia ampla, associada a substituição anatômica do disco e estabilização do segmento vertebral. Uma das preocupações em se realizar uma fusão segmentar na coluna lombar é o desenvolvimento de sobrecarga dos segmentos adjacentes com consequente sintomatologia de incapacidade com seguimento de longo prazo. RELACIONAR OS SINTOMAS APRESENTADOS COM O NERVO COMPROMETIDO. “Nervo comprimido”, por si só, não é diagnóstico de nada, mas pode, sim, ser a causa de uma diversidade de sintomas e a raíz de doenças como hérnia de disco e síndrome do túnel do carpo. Os nervos partem do cérebro para as outras partes do corpo e atuam como espécies de “mensageiros” de sinais do cérebro pela musculatura. Quando um nervo deixa a coluna vertebral e se ramifica em direção aos braços e pernas, recebe o nome de nervo periférico. Eles são agrupamentos de milhões de fibras nervosas que têm a capacidade de nos fazer movimentar, como caminhar ou pegar um objeto, além de sentir sensações de dor, calor, frio, arrepio, cócegas, etc. Basicamente todas nossas sensações passam por essas estruturas. Um nervo periférico é como um cabo de fibra óptica, com vários fios encapsulados numa bainha externa. São como mangueiras de jardim, mas em nível microscópico. A parte externa da mangueira, aquela que costumamos ver feitas de borracha dura, seria, no caso dos nervos, uma fina membrana por onde as cargas elétricas estáticas viajam. A parte interna da mangueira transporta fluidos do corpo celular nervoso, que ajudam a nutrir e reabastecer os componentes da parte externa (ou membrana), estes sempre mudando. Assim, fica mais fácil entender que um nervo comprimido por qualquer motivo (como uma lesão, por exemplo), bloqueia a passagem de sinais nos dois sentidos da mangueira (para cima ou para baixo), impedindo, assim, a passagem de nutrientes pelo seu interior. Quando isso ocorre, a membrana começa a perder sua capacidade de transmitir pequenas descargas elétricas e a fibra nervosa pode, inclusive, morrer. Uma quantidade significativa de fibras bloqueadas, pode levar, por exemplo, à imobilidade de um músculo ou anestesia da pele. Os sintomas possíveis são muitos e dependem de qual ou quais nervos estão comprimidos, mas a maioria envolve dor nos membros, sensação de fraqueza, alterações de temperatura local, anestesia, parestesia, e por aí vai. Muitos sintomas se resolvem sozinhos, se a compressão for temporária, mas alguns demandam tratamento específico. Em alguns casos, inclusive, cirúrgicos. Um problema mais comum causado pela compressão de nervos na coluna vertebral é a hérnia de disco, quando um disco intervertebral que temos para absorver impactos acaba deformando e, em consequência, “espremendo” nervos quepassam por entre a coluna. Outro diagnóstico conhecido e que tem como fundo a compressão de nervos é a chamada síndrome do túnel do carpo, quando nervos localizados no túnel do carpo – uma estrutura no punha pela qual todos os tendões de flexão dos dedos passam – se comprimem e levam à dor e dificuldade de movimentação dos dedos. O mais curioso é que os sintomas têm a ver com qual nervo está comprimido, mas nada com o local da compressão. Por exemplo, os sinais da síndrome do túnel do carpo serão os mesmos, não importa se o nervo estiver comprimido no punho ou ainda na coluna vertebral. Isso acontece porque o cérebro não sabe distinguir em que parte do nervo existe o problema, mas apenas que há um problema naquele nervo específico, responsável por um grupo muscular. Os sintomas de compressão podem incluir: Dor nas mãos (compressão na altura do punho) Dor lombar com irradiação pela perna Espasmos musculares Fraqueza muscular Dificuldade para pegar e segurar objetos Sensação de anestesia Coceira Choque Queimação (como se a pele estivesse ardendo em fogo) Alterações das sensações de frio e calor Hérnia de disco lombar: deslocamento do disco intervertebral (protrusão ou extrusão do disco) comprime a raiz nervosa no interior da coluna vertebral, fato que gera dor irradiada no território do nervo. Sinal de Lasègue: também conhecida como teste de elevação do membro inferior. Trata-se de teste provocativo, que busca reproduzir sintomas da compressão neural. Quando positivo, provoca dor glútea e/ou irradiada para o membro inferior. É o teste mais comum para diagnóstico de hérnia de disco lombar. 6 MARIANA SANTOS Referências: Clínica Médica, Tratado de Neurocirurgia, Harisson, J. Mineiro, et al.: A Dor Discogénica na Lombalgia - Parte I. Etiopatogenia e Clínica https://www.drgotfryd.com.br/lombociatalgia-principais-causas-e-sintomas/ https://www.drgotfryd.com.br/lombociatalgia-principais-causas-e-sintomas/