A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
10 pág.
01-Diarreia aguda

Pré-visualização | Página 1 de 5

Daniel Rodrigues-M33 
 
1) Classificação das diarreias 
Define-se diarreia como a alteração do hábito intestinal caracterizada pelo aumento na frequência de evacuações e/ou 
por modificação na consistência das fezes, que se tornam líquidas ou pastosas. Em outros termos, a definição formal 
de diarreia é alteração do hábito intestinal implicando ≥ 3 evacuações diárias amolecidas a líquidas, com ou sem 
evidência de peso fecal > 200 g/. Ela ocorre quando há um desbalanço entre absorção e secreção de fluidos pelos 
intestinos (delgado e/ou cólon), seja por redução da absorção e/ou aumento da secreção. 
a) Quanto ao tempo: aguda, subaguda e crônicas 
• Aguda: Quando tem duração < 14 dias ou 2 semanas 
• Subaguda: A diarreia prolongada ou persistente que dura entre 2 e 4 semanas 
• Crônica: É considerada quando ocorre por período > 30 dias ou 4 semanas 
b) Quanto à origem: alta e baixa 
• Alta: Na diarreia alta (acometimento de delgado), a frequência das evacuações é baixa, os episódios diarreicos são 
mais volumosos, não há perdas sanguíneas nas fezes e há presença de restos alimentares. Além disso, não é 
classificada como inflamatória (ausência de leucócitos nas fezes). Em geral, a eliminação é líquida, e, quando há 
má absorção, as fezes apresentam maior proporção de gordura (fezes esteatorreicas). São fezes que têm, como 
características, aspecto espumoso, coloração brilhante e odor muito forte (fermentação excessiva). O paciente 
pode apresentar dermatite perianal devida à acidez fecal. A diarreia alta é causada por agentes infecciosos (S. 
aureus e rotavírus, por exemplo) e parasitários (Giardia lamblia) e má absorção (pancreatite crônica nos 
alcoólatras e doença celíaca, por exemplo). 
• Baixa: A diarreia baixa decorre de segmento do cólon (retosigmoide) e caracteriza-se pela presença de muco, 
sangue e até secreção purulenta nas fezes (descarga de leucócitos na luz intestinal, nas colites de grau intenso). O 
paciente apresenta inúmeras evacuações em pequena quantidade (de 10 a 20 por dia) e sensação de esvaziamento 
incompleto do reto, após cada episódio de defecação (tenesmo retal). A definição de disenteria é a mesma que a 
da diarreia baixa descrita. Leucócitos estão presentes nas fezes, assim a diarreia baixa é considerada inflamatória. 
c) Quanto à fisiopatologia: osmótica, secretória, inflamatórias, disabsortiva, funcional (motora) 
• Osmótica ou aquosa: Resulta da presença de substância mal absorvida em alta concentração no lúmen intestinal, 
a qual se torna osmoticamente ativa, induzindo movimentos de água do plasma para a luz intestinal e a retardo 
na absorção de água e eletrólitos. Geralmente cessa com o jejum. Pode estar presente como complicação de 
qualquer processo patológico gastrointestinal, sendo observada nas síndromes de má absorção. Principais 
exemplos: ingestão ou clister de sais de magnésio, sais de fosfato, sorbitol, manitol, glicerina, lactulose; deficiência 
de lactase (intolerância à lactose), forma primária ou secundária às enteropatias (lesão da borda em escova dos 
enterócitos); diarreia dos antibióticos; doença celíaca. 
• Secretória: É mediada por enterotoxina, com estimulação de secreção de fluidos e eletrólitos no nível de células 
secretoras das criptas e bloqueio da absorção de fluidos e eletrólitos nas vilosidades. Ou seja, se está havendo 
hipersecreção de água e eletrólitos pelo enterócito secundária a estímulos diversos, além de déficits variáveis de 
absorção. Os volumes em geral são > 1 L/dia, com permanência da diarreia mesmo em jejum. Principais exemplos: 
laxativos não osmóticos estimulantes (fenoftaleína, bisacodil), bactérias produtoras de toxinas (cólera), VIPoma, 
síndrome carcinoide, diarreia dos ácidos biliares e diarreia dos ácidos graxos. 
• Inflamatória ou invasiva: Decorrente da liberação de citocinas e mediadores inflamatórios por lesão direta da 
mucosa intestinal (enterite, colite ou enterocolite), o que estimula a secreção intestinal e o aumento da 
motilidade. Geralmente, de pequeno volume e frequência elevada, podendo apresentar muco, pus ou sangue, 
associada a dor abdominal mais proeminente, tenesmo, além de sintomas sistêmicos. Pode ser infecciosa ou não 
infecciosa (ex.: doença inflamatória intestinal). O exame que avalia a presença de sangue, pus e muco nas fezes é 
o EAF (Elementos Anormais nas Fezes). A lactoferrina fecal (marcador de ativação leucocitária) também está 
aumentada nas disenterias. 
• Disabsortiva ou esteatorreica: associada a deficiência no processo de digestão dos alimentos e/ou lesões parietais 
do intestino delgado com redução da capacidade absortiva. Geralmente, são fezes de grande volume, explosivas, 
com odor fétido, amareladas a pálidas, podendo “boiar” no vaso sanitário. Acompanhada de flatulência, distensão 
abdominal e emagrecimento. O mecanismo da diarreia na síndrome disabsortiva inclui o mecanismo secretório 
colônico (“diarreia dos ácidos graxos”), o mecanismo osmótico da má absorção de carboidratos dissacarídeos 
Daniel Rodrigues-M33 
 
(deficiência secundária de lactase) e, em menor grau, a própria massa lipídica fecal. Principais exemplos: doença 
celíaca, espru tropical, doença de Crohn, doença de Whipple, giardíase, estrongiloidíase, linfangiectasia, linfoma 
intestinal. 
• Funcional (motora): Causada pela hipermotilidade intestinal. Os principais exemplos são a síndrome do intestino 
irritável (pseudodiarreia) e a diarreia diabética (neuropatia autonômica). Nela não existe uma lesão estrutural ou 
orgânica no intestino. 
2) Conhecer os principais agentes etiológicos da diarreia aguda 
1. Não infecciosas 
2. Vírus (diarreia leve sem sangue ou pus + vômitos. Melhora em 72 horas. Podendo apresentar febre) 
3. Bactérias (Escherichia coli é a etiologia mais comum da “diarreia do viajante”) 
4. Parasitas 
5. Protozoário 
Mais de 90% dos casos de diarreia aguda são causados por agentes infecciosos; tais casos são frequentemente 
acompanhados por vômitos, febre e dor abdominal. Os 10% restantes ou mais são causados por medicações, ingestões 
tóxicas, isquemia, alimentação não balanceada e outras condições. A maioria dos casos de diarreia aguda é de etiologia 
infecciosa, tendo os vírus como os principais agentes. Os norovírus são os agentes mais isolados em surtos de diarreia 
aguda segundo dados da literatura internacional. Os rotavírus são importantes na população pediátrica; em 
contrapartida, costumam causar infecção assintomática em adultos. Apesar de as bactérias serem responsáveis por 
um menor número de casos, a etiologia bacteriana predomina quando se consideram apenas os casos mais graves. 
Dentre os microrganismos, ganham destaque a Escherichia coli principalmente a enterotoxigênica, o Campylobacter 
sp., o Clostridium difficile, a Shigella sp., a Salmonella sp. Protozoários e outros parasitas intestinais são agentes 
etiológicos menos frequentes, mas particularmente importantes em alguns grupos de pacientes, como na diarreia dos 
cuidadores de crianças e na diarreia do viajante. Criptosporidium sp., Cyclospora sp. e Isospora belli devem ser 
lembrados em pacientes imunocomprometidos. Há também a relação com os helmintos (Ascaris, Estrongiloide, 
Necator americanus, Ancylostoma duodenalis). Entre as etiologias não infecciosas, os medicamentos são as causas 
mais comuns, fazendo parte deste grupo alguns fármacos utilizados com frequência na prática clínica diária, como 
antibióticos, anti-inflamatórios, hipoglicemiantes (metformina), digitálicos e hipolipemiantes (orlistate, acarbose). 
Também por isquemia e por ingesta de toxinas. 
Etiologias e período do surgimento dos sintomas: 
• Toxinas: 6 horas (Aureus e Cereus) 
• Vírus/toxinas (Clostridium difficile): 8-16 horas 
• Infecção viral/bactéria: acima de 16 horas 
3) Epidemiologia da diarreia 
O Global Burden of Disease Study constatou que a diarreia foi a 9ª principal causa de morte em todo o mundo em 
2015. A maioria dos casos de diarreia está associada a alimentos e fontes de água contaminados,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.