Prévia do material em texto
MANUAL DO CURSO ONLINE Toronto – Junho – 2021 2 SUMÁRIO 1. Porque um curso sobre Interações Responsivas para a Aprendizagem 3 2. Como o curso está estruturado 3 3. O que são Interações Responsivas para a Aprendizagem 4 4. As 4 perguntas que ajudam a promover Interações Responsivas para a Aprendizagem 6 5. A zona de aprendizagem da criança 7 6. O que as crianças são capazes de fazer, sentir e compreender em diferentes idades 8 7. O visitador domiciliar em ação 10 8. As 3 estratégias de orientação 12 9. O passo-a-passo da visita domiciliar 15 10. Como envolver irmãos e pais em interações responsivas para a aprendizagem 16 11. Supervisão responsiva 18 3 O curso ‘Interações Responsivas para a Aprendizagem’ foi elaborado por uma equipe brasileira-canadense na Universidade de Toronto, Canadá, liderada pelas professoras-pesquisadoras Jennifer Jenkins e Michal Perlman, com a coautoria de Alessandra Schneider (Ph.D.) e Nina Sokolovic (Ph.D.). Este manual apresenta uma síntese das principais temáticas abordadas no curso online. Destina-se aos profissionais da primeira infância, tanto àqueles que atuam diretamente com as famílias quanto aos seus supervisores. O objetivo final é instrumentalizar os professionais para apoiar os cuidadores a se envolverem em interações responsivas com as crianças no dia-a-dia. 1. Porque um curso sobre Interações Responsivas para a Aprendizagem Milhares de crianças em países de baixa e média renda não estão alcançando seu potencial de desenvolvimento. Programas de visita domiciliar que apoiam as famílias na transição para a parentalidade têm obtido sucesso na melhoria de indicadores de saúde materno-infantil. No entanto, eles também têm o potencial para alavancar o desempenho cognitivo, sócio emocional e a linguagem das crianças pequenas. Um dos fatores mais significativos para o desenvolvimento cognitivo e sócio emocional na primeiríssima infância é a qualidade das interações que as crianças experimentam com os cuidadores. As interações responsivas para a aprendizagem são caracterizadas por uma sensibilidade aos interesses, necessidades e nível de habilidade das crianças, bem como pelo uso de linguagem estimulante em interações recíprocas (vai-e-vem). Esse tipo especial de interação demonstra apoiar o desenvolvimento em regiões do cérebro responsáveis pela linguagem e cognição. Embora todos os cuidadores tenham a capacidade de se envolver nesse tipo de interação, muitos cuidadores e profissionais não reconhecem a sua importância. Além disso, os profissionais que reconhecem a importância das interações responsivas, muitas vezes não sabem como ensinar aos cuidadores como envolver as crianças nesse tipo de interação. 2. Como o curso está estruturado O curso aborda o que são as interações responsivas, qual a sua importância para o bem-estar e o desenvolvimento das crianças pequenas, como podemos observar com mais atenção a perspectiva das crianças. Apresenta, ainda, estratégias de orientação para que os profissionais da primeira infância ajudem as famílias a se envolver em mais interações responsivas com as crianças, além de abordar como trabalhar em equipe e realizar supervisão de forma responsiva. 4 A estrutura do curso prevê que os participantes acessem a plataforma online individualmente ou em pequenos grupos, desde os seus municípios de origem. Cada módulo online leva cerca de duas horas e meia para ser concluído. O curso possui cinco módulos. Na plataforma online há videoaulas pré- gravadas, exercícios de fixação de conteúdo (questionários e tarefas) e gravações para orientar as sessões coletivas intituladas de ‘Discussão entre Colegas’. As discussões entre colegas devem ser realizadas coletivamente pelas equipes municipais. 3. O que são Interações Responsivas para a Aprendizagem [MÓDULO 1 – Videoaula #1] São interações que combinam dois ingredientes fundamentais: sensibilidade e estimulação. São também chamadas, nesse curso, de “Amor Mais”. Sensibilidade também é chamada de sintonia. Significa reconhecer e responder de maneira apropriada àquilo que a criança quer ou precisa. As crianças pequenas usam sinais sutis e muitas vezes não verbais, como expressões faciais ou gestos, para comunicar suas necessidades. Ser sensível é perceber os sinais e 5 pedidos de ajuda da criança e responder de maneira que satisfaça as necessidades dela. Engloba reconhecer o que a criança consegue e o que ainda não consegue fazer sozinha, além de responder positivamente aos interesses e às ideias da criança. Estimulação significa expandir a partir dos interesses da criança e desenvolver suas habilidades. A criança aprende mais e melhor sobre aquilo que lhe interessa. Portanto, estimulação envolve perceber onde está a atenção de uma criança em cada momento. Significa fazer comentários e/ou perguntas relacionadas ao objeto de atenção da criança, nomear, ampliar ideias e articular conceitos, revezar na conversa estabelecendo uma comunicação de ‘vai-e-vem’. Engloba, ainda, fornecer à criança o desafio e o suporte adequados ao seu estágio de desenvolvimento. Interações responsivas para a aprendizagem acontecem em todos os relacionamentos e ao longo do ciclo da vida, embora sejam particularmente importantes nos primeiros anos de vida com os cuidadores primários. TAREFA 1.1 Parte 1 - No espaço abaixo, escreva uma explicação sobre o que significa ser “sensível e estimulante” utilizando algumas frases simples. Explique por que é importante ter interações responsivas para promover a aprendizagem das crianças. 6 Parte 2 - Tente explicar como é uma interação responsiva para a aprendizagem a um amigo, colega ou membro da família. Explique a ele por que é importante ser sensível e estimulante ao interagir com crianças. 4. As 4 perguntas que ajudam a promover Interações Responsivas para a Aprendizagem [MÓDULO 1 – Videoaulas #2 e #3] Perceber qual é o sentimento da criança, a cada momento, e o que você pode fazer para ajudá-la a se sentir melhor, é o primeiro passo, pois sentir-se bem é o que permite à criança aprender com o que está acontecendo ao seu redor. Onde quer que a criança esteja olhando, isso indica o que ela está interessada. E se você conversar com ela sobre o foco de interesse, isso vai ajudar a promover o desenvolvimento da criança. Queremos ‘entrar na mente’ da criança e descobrir o que ela já sabe e o que pode estar pensando naquele momento. O que ela está curiosa para aprender. Quando estimulamos a criança a partir do seu foco de interesse – para onde ela está olhando e no que está pensando – e levamos em consideração como ela está se sentindo, oferecemos à criança oportunidades para novas aprendizagens. 7 Sempre que quiser ajudar as crianças a aprender e se desenvolver, pense em SOPA! 5. A zona de aprendizagem da criança [MÓDULO 1 – Videoaula #3] O melhor aprendizado ocorre quando uma tarefa não é nem tão fácil - que a criança fique entediada (ver círculo verde na imagem abaixo) - e nem tão difícil - que a criança se sinta frustrada (ver círculo vermelho). Este desenho é uma representação gráfica da zona de aprendizagem que é representada pelo círculo amarelo. Esta zona engloba as atividades que a criança pode fazer e ser bem- sucedida, mas apenas quando se esforça ou recebe apoio de alguém. Quando as crianças exercitam suas habilidades nessa zona, acabam aprendendo como fazer por conta própria e desenvolvem ainda mais suas habilidades. Por esse motivo, durante interações responsivas paraa aprendizagem, queremos que as crianças estejam nessa zona. A zona de aprendizagem varia de criança para criança, mas representa o nível mais apropriado e envolvente para você interagir com ela. Aqui estão algumas perguntas que nos ajudam a identificar a zona de aprendizagem da criança e a estimulá-la de maneira mais efetiva: (i) O que a criança entende e o que ela pode fazer sozinha?; (ii) O que está além das suas habilidades? (iii) Considerando as respostas das perguntas anteriores, o que eu posso fazer para manter a criança em sua zona de aprendizagem, oferecendo suporte e/ou desafio? TAREFA 1.2 No espaço abaixo, escreva uma breve descrição de uma interação na qual alguém amplia a partir dos interesses e habilidades da criança. 8 6. O que as crianças são capazes de fazer, sentir e compreender em diferentes idades [MÓDULO 2] Falar com uma criança é uma maneira poderosa de desenvolver sua linguagem desde o nascimento. Ler para e com uma criança pode ajudá-la a desenvolver suas habilidades linguística a partir dos 6 meses de idade. As crianças começam a experimentar sentimentos de tristeza e/ou medo por volta dos 3 meses de idade. As crianças percebem que os outros têm pensamentos e sentimentos diferentes dos seus a partir dos 18 meses. Portanto, mesmo antes de completar 2 anos de idade, as crianças já começam a entender que as outras pessoas experimentam o mundo de uma maneira diferente da maneira que elas experimentam. A aprendizagem acontece quando os adultos usam os momentos cotidianos para ensinar as crianças, a partir do nascimento, e fazem isso de uma forma que é sensível ao que as crianças estão SENTINDO, PENSANDO e SÃO CAPAZES DE FAZER naquele momento. Entender o que as crianças sentem, pensam e são capazes de fazer envolve OBSERVAR E INTERPRETAR OS SINAIS SUTIS DA CRIANÇA, como a sua linguagem corporal (gestos, expressões faciais). TAREFA 2.1 Pense em uma criança que você viu brincando recentemente (na rua, na casa de uma família, etc.). No espaço abaixo, escreva uma descrição do que a criança estava fazendo. Em seguida, descreva os sentimentos, possíveis pensamentos e o que a criança era capaz de fazer (a 'zona de aprendizagem da criança'). 9 TAREFA 2.2 Parte 1 - Dedique 5 minutos para escrever um parágrafo descrevendo os primeiros ou últimos 10 minutos do dia (ao acordar ou dormir) do ponto de vista de uma criança do sexo feminino de 2 anos de idade. Algumas perguntas para escrever sobre: Como a menina está se sentindo? O que ela está pensando? O que ela quer fazer? O que os pais dela estão fazendo? Parte 2 - Quando terminar de escrever, sublinhe as palavras / frases do seu texto que destacam o que a criança está sentindo, pensando e é capaz de fazer. TAREFA FINAL, 2ª Parte (Módulo 2) Por favor, encontre uma oportunidade para interagir com uma criança. Se isso não for possível no seu trabalho, você pode fazê-lo com um amigo, filho de um colega ou membro da família. Use o seu celular para gravar a interação (se o responsável pela criança autorizar). Se isso não for possível, peça a outra pessoa para assistir à interação. Assista à interação gravada ou fale sobre ela com a pessoa que estava assistindo. Depois de realizar essa interação, complete essa tarefa na qual você será solicitado a responder algumas perguntas sobre a interação. Para cada pergunta, forneça uma resposta curta de 1 a 3 frases. Pergunta 1: Como a criança estava se sentindo? Pergunta 2: Para onde a criança estava olhando? 10 Pergunta 3: No que a criança estava pensando? Pergunta 4: Você percebeu/observou as habilidades da criança e ampliou a partir disso? Como? Pergunta 5: Você percebeu/observou os interesses da criança e ampliou a partir disso? Como? Pergunta 6: Qual a "pontuação" que você daria a si mesmo para essa interação em termos da sua sensibilidade/responsividade em relação à essa criança: alta, média ou baixa? Porquê? Pergunta 7: O que você poderia ter feito ainda melhor? 7. O visitador domiciliar em ação [MÓDULO 3 – Videoaula #1] Interações responsivas são melhor compreendidas e assimiladas quando vivenciadas na cadeia de relacionamentos que está ilustrada abaixo. Quando o supervisor é responsivo com o visitador, o visitador poderá ser sensível ao interagir com os cuidadores e isso, por sua vez, aumentará a responsividade nas interações familiares que é tão importante para promover o desenvolvimento infantil. 11 Para que o visitador domiciliar estabeleça interações responsivas com os familiares, é importante aplicar os mesmos dois conceitos – sensibilidade e estimulação – a esses relacionamentos, conforme descrito abaixo. A sensibilidade na interação entre o visitador domiciliar e o cuidador envolve perceber e estabelecer uma sintonia com o que o cuidador está pensando e sentindo. * COMO O CUIDADOR ESTÁ SE SENTINDO? * PARA ONDE O CUIDADOR ESTÁ OLHANDO? * O QUE O CUIDADOR ESTÁ PENSANDO? Estimulação significa começar na zona verde - identificando o que o cuidador já está fazendo bem - e, em seguida, fazer sugestões de complementos simples que o ajude a manter a criança na sua zona de aprendizagem. * COMO POSSO AMPLIAR A PARTIR DISSO? 12 8. As 3 estratégias de orientação [MÓDULO 3 – Videoaula #2] Há 3 estratégias de orientação que os visitadores domiciliares devem utilizar durante as visitas para que os cuidadores aprendam a usá-las no dia-a-dia com as crianças. Elas são: O visitador domiciliar deve ELOGIAR o cuidador sempre que ele demonstrar um comportamento responsivo em relação à criança. O visitador deve seja específico (dizer exatamente o que o cuidador fez que atingiu o objetivo. Por exemplo, “Você percebeu que a sua filha estava atenta olhando para a galinha no livro e você perguntou como é o som que a galinha faz”. Quando os cuidadores sabem o que estão fazendo certo e obtêm um retorno positivo é mais provável que continuem repetindo esse comportamento. O visitador domiciliar deve DEMONSTRAR ao cuidador como ele pode estabelecer interações responsivas com a criança, ou seja, mostrar por meio do seu exemplo como observar e responder às iniciativas e aos interesses da criança. Depois de demonstrar, o visitador domiciliar pede ao cuidador que tente interagir com a criança de forma semelhante. O esforço do cuidador deve ser reconhecido pelo visitador por meio de elogio. O visitador também pode utilizar a demonstração para ensinar diretamente à criança uma nova habilidade. 13 NARRAR pode ser usado pelo visitador domiciliar de duas formas. Para narrar as ações da criança, ou seja, falar em voz alta o que a criança está fazendo, sentindo e pensando. Isso pode ajudar a atrair a atenção do cuidador para a perspectiva da criança. Depois, o visitador pode pedir ao cuidador que experimente, ele mesmo, narrar as ações da criança. O visitador, pode, ainda, narrar as ações responsivas do cuidador, para que ele esteja mais consciente de como interage com a criança. É importante que os visitadores domiciliares elogiem os cuidadores quando eles narram ações positivas das crianças. Para apoiar os cuidadores a se envolverem em Interações Responsivas para a Aprendizagem, sugerimos que o visitador domiciliar: (i) FOCALIZE EM APENAS UMA DAS 4 PERGUNTAS DO SOPA POR VISITA (ou seja, se concentre no sentimento, ou no olhar, ou no pensamento da criança, ou em como os adultos podem ampliar a partir dos interesses da criança). (ii) FORNEÇA 1 ATÉ 3 SUGESTÕES BREVES E SIMPLES (utilizando as 3 estratégias deorientação: elogiar, demonstrar e narrar) enquanto observa o cuidador e a criança brincando, e que ajudem o cuidador a aprimorar sua sensibilidade e estimulação em relação à criança e à pergunta-foco. Por exemplo: Uma criança de 18 meses caminha em direção a uma bola de plástico, a segura nas mãos, olha para a cuidadora e estica os braços na direção da cuidadora, como que lhe convidando para jogar. O visitador observa a cena e pergunta à cuidadora: “O que o seu filho está provavelmente pensando?” [aguarda pela resposta da cuidadora]. Se a cuidadora não souber responder, o visitador complementa: “Eu notei que ele pegou a bola e olhou para você como se estivesse pensando em lhe convidar para jogar. Uma forma de responder com sensibilidade aos sinais do seu filho, é seguir o interesse dele, ou seja, jogar bola”. Agora que ele pegou a bola, você poderia dizer para ele “Você gosta dessa bola, não é? É uma bola amarela grande. Você quer ver como ela rola?” Cuidadora e criança jogam a bola um para o outro sentados no chão. A cuidadora demonstra para a criança como empurrar a bola com as mãos, jogando a bola na direção dela. Depois pede para a criança repetir e empurrar a bola na direção dela. Eles continuam praticando por alguns minutos. Isso ajuda a criança a construir memória muscular e a ter uma ideia do que ela precisa fazer para empurrar a bola. 14 O visitador observa a brincadeira e elogia a cuidadora ao dizer “Muito bem! Quando você brinca com o seu filho com o que ele está interessado e motivado – como esse jogo com a bola nesse momento – você fortalece o seu vínculo com ele e o ajuda a aprender a coordenar os seus movimentos”. O visitador poderia, ainda, oferecer um complemento simples à cuidadora, sugerindo que ela segure a bola acima da sua cabeça e ensine à criança, dizendo “Agora a bola está no alto... agora, a bola está de novo no chão.” TAREFA FINAL (Módulo 3) Parte 1 - Encontre uma oportunidade para praticar orientação (coaching). Se você puder, encontre um adulto e uma criança e os treine em interações responsivas. Se você não puder, treine qualquer amigo, colega ou membro da família em qualquer habilidade. Use estratégias de orientação e motivação. Parte 2 - Depois de ter essa interação, inicie esta tarefa na qual você será solicitado a responder a uma série de perguntas sobre a interação. Para cada pergunta, forneça uma resposta curta de 1 a 3 frases. Pergunta 1: O que a pessoa já sabia antes de você começar a orientá-la? Pergunta 2: Quais estratégias você usou para ajudá-la a aprender? Pergunta 3: Como a pessoa reagiu/respondeu a cada estratégia? Pergunta 4: Como a pessoa se sentiu ao longo da interação? Pergunta 5: O que a pessoa aprendeu? 15 Pergunta 6: O que é provável que a pessoa lembre e continue fazendo no futuro? Pergunta 7: O que você poderia ter feito ainda melhor? 9. O passo-a-passo da visita domiciliar [MÓDULO 4 – Videoaula #1] PRIMEIRO PASSO: O visitador domiciliar demonstra pessoalmente (ou mostra no celular) uma interação responsiva. Isso implica reconhecer como a criança está se sentindo e qual é foco de interesse dela naquele momento. Depois de ter interagido de forma responsiva com a criança por cerca de 2 minutos, o visitador pedirá para o cuidador responder como as 4 perguntas de SOPA foram exibidas na interação. Como a criança estava se sentindo? Para onde a criança estava olhando? No que a criança estava pensando? Como o visitador ampliou a partir disso (sentimento, olhar e pensamento)? SEGUNDO PASSO: O visitador domiciliar apresenta os materiais lúdicos que trouxe para a visita domiciliar. É importante deixar a criança explorar os materiais e escolher com qual objeto e como ela e o familiar desejam brincar. Dar à criança a oportunidade de escolher o que é mais interessante para ela é uma ótima maneira de ser responsivo. TERCEIRO PASSO: Pare, Olhe e Escute. O visitador domiciliar e o familiar devem parar, olhar e escutar a criança, sobretudo quando iniciam uma nova interação. Esse momento contemplativo ajuda os adultos a perceber a perspectiva da criança e a responder sensivelmente a ela. Enquanto observam a criança, o visitador domiciliar pode pedir à mãe que responda algumas das perguntas do SOPA. QUARTO PASSO: Cuidador e criança começam a interagir, enquanto o visitador observa a interação, sem interferir. O visitador deve pensar nas 4 perguntas do SOPA aplicadas 16 à interação cuidador-criança. Ou seja, se o cuidador percebeu o sentimento da criança. Notou se ela está feliz, tranquila, triste ou frustrada? Se o cuidador seguiu o olhar da criança para descobrir no que ela está interessada naquele momento. Se o cuidador fez perguntas e/ou comentários relacionados ao pensamento da criança (por exemplo: se a criança está brincando com blocos, o cuidador poderia perguntar: "O que você está construindo?"). E se o cuidador fez algum tipo de ampliação como, por exemplo, relacionar a brincadeira do aqui-e-agora com uma experiência anterior da criança. “Ah, você está construindo uma torre, parecida com a torre do livro da Rapunzel”. O cuidador mantém a criança dentro da sua zona de aprendizagem e oferece um nível adequado de suporte e/ou desafio? QUINTO PASSO: O visitador domiciliar orienta o cuidador para que as interações sejam cada vez mais responsivas. Isto inclui utilizar as 3 estratégias de orientação (elogiar, demonstrar e narrar), e ainda: Seguir o exemplo da criança. Nomear o que a criança está olhando. Comentar o que a criança está pensando ou fazendo. Fazer uma pergunta para a criança e aguardar pela sua resposta. Elogiar a criança e o cuidador pelos seus esforços e acertos. 10. Como envolver irmãos e pais em Interações Responsivas para a Aprendizagem [MÓDULO 4 – Videoaula #2] As crianças aprendem mais quando vivenciam interações responsivas, cheias de sensibilidade e estimulação, com todos os membros da família. IRMÃOS geralmente imitam e copiam uns aos outros. Compartilham e disputam a atenção dos pais e os brinquedos. Às vezes, o relacionamento pode ficar físico e agressivo. Mas também eles aprendem entre eles. Estudos científicos mostram que as crianças cujos irmãos mais velhos são companheiros sensíveis durante o jogo tendem a ter habilidades cognitivas, sociais e a linguagem mais desenvolvidas. Os menores aprendem a ser mais capazes de entender os outros e lidar com conflitos. 17 O visitador domiciliar pode convidar os IRMÃOS para participar das brincadeiras durante as visitas. E usar essa oportunidade para ensinar os mais velhos a responderem de forma sensível ao mais jovem, perguntando, por exemplo: “Como está seu irmão? Ele está feliz ou triste?”; “O que seu irmão está olhando?”; “No que sua irmã está interessada?”; “O que mais você pode perguntar para ela sobre esse brinquedo?”. Além dos irmãos, os PAIS são muito importantes para o desenvolvimento das crianças. As crianças cujos pais são mais presentes e envolvidos tendem a ter habilidades cognitivas e a linguagem mais desenvolvidas, melhor saúde física e mental, mais autoestima, resiliência e habilidades sociais, bem como mais empatia e respeito às normas. Diga aos pais que eles são importantes para o desenvolvimento de seus filhos. Dê sugestões de interações com base no tipo de brincadeiras que os pais gostam de ter. Ensine as 4 perguntas de SOPA para os pais também. TAREFA 4.1 Considere a seguinte família: uma mãe solteira com três meninos, com idades de 1, 4 e 8 anos. A mãe está muito cansada e ocupada e tem que passar o dia todo segurando a criança de 1 ano porque ela é muito exigente. O menino de 8 anos é muito gentil e gosta de ajudar suamãe. Ele também gosta de brincar com seus irmãos menores, mas não é muito paciente e sempre joga do jeito que ele quer, em vez de seguir os interesses de seus irmãos mais novos. Escreva, no espaço abaixo, 3 ideias diferentes sobre o que você poderia fazer durante uma visita domiciliar com essa família para ajudar o irmão mais velho a ter mais interações responsivas para a aprendizagem com seus irmãos mais novos. 18 11. Supervisão responsiva [MÓDULO 5 – Videoaula #1] Quanto mais praticarmos ser responsivos uns com os outros, mais capazes seremos de ajudar os familiares a serem responsivos com suas crianças. Então, como é possível agir de forma responsiva durante as reuniões de equipe? 1. ESTABELEÇAM UMA CONEXÃO Prestem atenção uns aos outros para ajudar a construir uma sintonia, uma conexão. Todos devem estar cientes das necessidades uns dos outros e apoiá-los de forma sensível. 2. APOIEM A REFLEXÃO Deem às pessoas a oportunidade para se expressar. Quando um visitador domiciliar está compartilhando um caso difícil, todos devem ouvir atentamente para que o visitador se sinta compreendido e apoiado em seu trabalho. 3. ELOGIEM Usem reforço positivo para reconhecer e valorizar os progressos alcançados. Todos são uma equipe e o sucesso de cada um é o sucesso de todo o grupo. Se um visitador domiciliar puder fazer uma pequena descoberta com o cuidador ou houver sinais de progresso em termos da qualidade das interações em uma família, esses progressos devem ser compartilhados e comemorados pelo grupo. 4. DEFINAM UM OBJETIVO RELACIONADO A UMA PERGUNTA DO SOPA Definam um objetivo específico (uma das quatro perguntas do SOPA) para trabalhar com cada família. Discutam em grupo os casos mais difíceis. Identificar, 19 conjuntamente, uma das quatro perguntas do SOPA para orientar a família na próxima visita domiciliar, e pensem em como usar as 3 estratégias de orientação (ELOGIAR, DEMONSTRAR e NARRAR) durante a visita. Por fim, ponham em prática suas ideias por meio de dramatizações (uma pessoa atua como o cuidador, a outra como a criança, e o visitador realiza a orientação). Isso ajudará o visitador a explorar diferentes abordagens e ter um melhor desempenho durante a visita domiciliar. TAREFA 5.1 Escreva uma lista das 5 coisas mais importantes que você acredita que os visitadores devem lembrar de fazer para ajudar as famílias a ter interações mais responsivas. 1. 2. 3. 4. 5. Agradecimentos Agradecemos à Fundação Bernard van Leer pelo financiamento do projeto ‘Interações Responsivas para a Aprendizagem’. Aos programas governamentais Criança Feliz e Primeira Infância Melhor (PIM) pelas contribuições ao desenvolvimento e implantação piloto do curso online (2018-2019). À Coordenação Estadual do Programa Criança Feliz no estado do Piauí e às 54 equipes municipais piauienses pela participação nas fases de implementação e avaliação do curso em 2019. Aos supervisores e visitadores domiciliares dos programas PIM e Criança Feliz que autorizaram o uso de suas imagens para fins educacionais. E à Maria Farinha Filmes pela cessão de imagens do documentário ‘O Começo da Vida’.