Prévia do material em texto
JESSICA MOSELLO - QUINTO SEMESTRE
FARMACOLOGIA APLICADA
TRATO GASTROINTESTINAL
As principais condições fisiopatológicas que necessitam a utilização de fármacos são a úlcera péptica
(abertura na mucosa do trato digestivo, que se estende através da muscular da mucosa a submucosa
ou mais profundamente), o vômito, os distúrbios de eliminação (diarreia, constipação), os cálculos
biliares e a doença inflamatória crônica do intestino (colite ulcerativa, doença de Crohn).
Patogênese da úlcera péptica
Na ulceração péptica, o equilíbrio entre os processos que danificam a mucosa (secreção de ácido e
pepsina) e mecanismos protetores de mucosa (secreção de bicarbonato e muco) está alterado. O
bacilo Helicobacter pylori é provavelmente a principal causa da transformação em direção às lesões
da mucosa, por aumentar a secreção de gastrina. Os fármacos anti-inflamatórios não-esteroidais
(AINES) são uma causa adicional importante da ulceração gástrica.
Células da Mucosa Gástrica
Secreção Gástrica
As células parietais são responsáveis pela secreção gástrica, essas são estimuladas pela
acetilcolina, gastrina e histamina.
M3: receptor para ACh
H2: receptor para histamina
CCK2: receptor para gastrina
+ Os melhores medicamentos são os que bloqueiam H2 (receptor para histamina).
Formação de HCl no Estômago
- Produzido pelas células
parietais
- Cl é transportado para a
célula parietal a partir do
sangue pela troca com o
HCO3. O Cl - é secretado por
difusão facilitada
- H se origina da dissociação
do H2CO3 e é transportado
para o lúmen via uma
bomba H + /K +
Quando os receptores M3 (ACh),
H2 (histamina) e CCK2 (gastrina)
ativam-se, as bombas de prótons
que estavam em vesículas são
liberadas, essas se fundem com a
membrana, entram em contato
com o lúmen e os íons. Assim
conseguem transportar H e
forma-se o HCl.
Ações protetoras: Prostaglandinas I2 e E2 atuam nas células epiteliais em receptores PGI2 e PGE2;
ao se ligar aumenta a produção de muco e de bicarbonato dentro do TGI, logo tem ação protetora.
Existem receptores também nas células parietais acoplados à proteína G inibitória, o que acaba
inibindo a via da ACh e da gastrina.
Patogenia
- Aumento da secreção ácida.
- Diminuição da produção de tampão bicarbonato.
- Diminuição do fluxo sanguíneo.
- Ruptura da camada mucosa aderente e dano direto ao epitélio.
Fatores que influenciam em doenças gastroesofágicas
- Agressores, Ácido gástrico, Pepsina, Estresse, Álcool, AINEs, H. pylori.
- Muco, bicarbonato, Fluxo sg, renovação celular, prostaglandinas, fatores de crescimento.
Fármacos para tratar doenças gastroesofágicas
- Fármacos que atuam na secreção gástrica.
- Fármacos que atuam na motilidade gástrica.
FÁRMACOS QUE ATUAM NA SECREÇÃO GÁSTRICA
1 - FÁRMACOS QUE INIBEM A SECREÇÃO ÁCIDA
- Anticolinérgicos
- Bloqueadores dos receptores H2
- Bloqueadores da bomba de prótons
2 - FÁRMACOS QUE NEUTRALIZAM O ÁCIDO
- Antiácidos
3 - FÁRMACOS CITOPROTECTORES
- Bismuto
- Sucralfato
- Prostaglandinas - Misoprostol
Principais condições patológicas nas quais é útil reduzir a seção ácida
- Úlcera péptica (duodenal e gástrica) infecção da mucosa gástrica por H.pylori causa
gastrite crônica, importante causa de úlcera duodenal
- Esofagite de Refluxo
- Síndrome de Zollinger-Ellison (tumor raro produtor de gastrina)
IMPORTANTE: Tratamento da infecção por H.pylori
A infecção pelo H. pylori é tratada com uma combinação de inibidor de bomba de prótons, ou
antagonista de H 2 , com dois antibióticos.
- Terapia combinada: omeprazol (inibidor de bomba de próton), amoxicilina + metronidazol
(antibióticos).
- Outras combinações: omeprazol + claritromicina e amoxacilina ou tetraciclina +metronidazol
e quelatos de bismuto.
1 - FÁRMACOS QUE INIBEM A SECREÇÃO ÁCIDA
Antagonistas dos Receptores H2
- Introdução – Black e cols 1970
- Mecanismo de ação: Inibe secreção ácida induzida pela histamina. Inibem a produção de
ácido pela competição reversível com histamina pelos sítios receptores H2 na membrana
basolateral das células parietais.
- Principais fármacos: cimetidina, ranitidina, nizatidina, famotidina
- Vantagem: posologia e poucos efeitos colaterais
- Desvantagens: cimetidina - interação com outros fármacos ginecomastia
Antagonistas dos Receptores H2 de 1ª geração - CIMETIDINA
- Metabolismo de 1º passo
- Biodisponibilidade oral de 50%
- Anel imidazólico - inibe citocromo P450 e altera metabolismo e concentração de fármacos
Cimetidina - diminui metabolismo de certas drogas.
- Anticoagulantes orais
- Fenitoína (antiepiléptico)
- Carbamazepina
- Quinidina
- Nifedipina
- Teofilina
- Antidepressivos tricíclicos
Antagonistas dos Receptores H2 de 2ª geração
- FAMOTIDINA
- RANITIDINA
+ mais potente, mais usado
+ metabolismo de 1º passo
+ biodisponibilidade oral de 50%
- NIZATIDINA
+ biodisponibilidade oral de 90%
+ T ½ = 1,5 - 4 horas (ação curta)
Inibidores da Bomba de Prótons (H + , K + , ATPase)
- São os mais eficazes supressores da secreção ácida gástrica e os mais empregados.
- Principais fármacos:
- PANTOPRAZOL
- OMEPRAZOL
- LANSOPRAZOL
- RABEPRAZOL
- Mecanismo de Ação: Inibem a produção de ácido clorídrico por inibirem bombas de prótons,
portanto, aumentam o pH do estômago que atinge valores de 5.0.
+ A verdadeira acloridria 7.0 nunca é atingida.
- Vantagens: inibição mais potente da secreção, posologia 1≈ dia, poucos efeitos colaterais.
- Desvantagem: interação com absorção de outros fármacos (Cetoconazol, Diazepam, Varfarina
e Fenitoína). Omeprazol Aumenta risco de fratura (diminui absorção de cálcio).
+ A presença de alimentos diminui a biodisponibilidade da maioria dos inibidores de
bomba de prótons. Recomenda-se jejum de no mínimo 30min e depois o café para
ativar.
Os inibidores da bomba de prótons como o omeprazol e rabeprazol, funcionam como pró-fármacos ,
ou seja eles precisam ser ativados para gerar efeito . Cada fármaco possui um pKa1 e pKa2
específico.
- pKa1: está envolvidocom acúmulo nos canalículos. (Ex: omeprazol - 4)
- pKa2: está envolvido com a ativação do pró-fármaco. (Ex: omeprazol - 1 e rabeprazol - 5)
A forma neutra do fármaco é uma base fraca, quimicamente estável e lipossolúvel. Esta alcança as
células parietais através do sangue e se difunde até os canalículos, onde se torna protonada (tomado
oralmente absorvido para sangue alcança células parietais). Dentro dos canalículos, devido ao
alto conteúdo ácido, o fármaco é estruturalmente modificado, sendo o pró-fármaco convertido a sua
forma ativa sulfenamida, seguida pela ligação irreversível à bomba de prótons, inibindo a secreção
gástrica.
Forma ionizada: não passa pela membrana, acúmula-se nos canalículos secretores das células
parietais onde pH é menor que dois.
Os inibidores da bomba de prótons são instáveis em pH ácido do estômago, por isso devem-se tomar
algumas medida.
● Preparações orais:
- grânulos encapsulados
- comprimidos para liberação entérica (sal magnésio)
- liberação em meio alcalino para não degradar (com bicarbonato de sódio como tampão)
+ Omeprazol + bicarbonato de sódio liberação prolongada.
● Preparações Intravenosas: pantoprazol que é mais estável á ácido - 80mg tem efeito por 21h.
Biodisponibilidade do IBPs
- Omeprazol: 30 a 60 % (oral e IV)
- Lansoprazol: 80% ou mais (oral e IV)
- Rabeprazol: 52 % ( só oral)
- Pantoprazol: 77% (oral e IV)
2 - FÁRMACOS QUE NEUTRALIZAM O ÁCIDO
- Antiácidos
- Ação: Neutralizar o ácido gástrico Elevar o pH (> 5,0) Inibir a atividade péptica.
- Bases fracas que reagem com o ácido gástrico formando sal e água.
- Utilização clínica:
+ no tratamento da dispepsia
+ alívio sintomático da úlcera péptica
+ diferem quanto a capacidade de neutralização
- Principais fármacos:
- HIDRÓXIDO DE MAGNÉSIO
- HIDRÓXIDO DE ALUMÍNIO
- BICARBONATO DE SÓDIO
- Vantagem: alívio mais rápido dos sintomas (associação)
- Desvantagens: alterações intestinais (diarreia - Mg/ constipação - Al), alcalose (aumenta pH
do sangue).
Características de cada antiácido
- Sais de magnésio: atuam rápido e neutralizam os ácidos eficazmente.
- Hidróxido de alumínio: dissolvem-se lentamente no estômago e começa a atuar gradualmente,
proporcionando um alívio prolongado.
- Sais de magnésio + Hidróxido de alumínio: oferece o melhor de ambos, alívio rápido e
prolongado, com menor risco de diarréia e constipação.
Obs.: Foi questionada a segurança, a longo prazo, dos antiácidos que contêm alumínio. O uso
prolongado pode debilitar os ossos ao esgotar o fósforo e o cálcio do organismo.
3 - FÁRMACOS CITOPROTETORES
- Ação: potencializam os mecanismos de proteção da mucosa. Proporcionam uma barreira
física sobre a superfície da úlcera.
- Principais fármacos:
- BISMUTO
- SUCRALFATO
- PROSTAGLANDINAS
BISMUTO
- Formam película protetora na base da úlcera devido às ligações com glicoproteínas
- Adsorve pepsina inibindo sua atividade
- Estimula a produção local de prostaglandinas e bicarbonato
- Bactericida que age sobre a membrana do Helicobacter pylori
SUCRALFATO
- Em meio ácido pH < 4 o fármaco polimeriza formando gel viscoso
- Gel adere firmemente ao epitiélio das células, mais fortemente nas crateras de úlceras
- Reduz a degradação do muco pela pepsina
- Limita a difusão do Hidrogênio
- Inibe a ação da pepsina
- Estimula a secreção de bicarbonato e prostaglandinas
- Uso de antiácidos concomitante ou antes da sua adm reduz sua eficácia
- Reduz a absorção de outros medicamentos – teofilina, digoxina, antibiótico da fluroquinolona
MISOPROSTOL - Análogo estável de Prostaglandinas
- Inibe a secreção gástrica basal e estimulada
- Aumenta o fluxo sanguíneo
- Aumenta a secreção de muco e bicarbonate
- Desvantagem: efeitos colaterais (diarréia e contrações uterinas)
FÁRMACOS QUE ATUAM NA MOTILIDADE GÁSTRICA
Regulação neuronal do vômito é realizada em duas unidades separadas pelo bulbo:
- Centro do vômito (dentro da barreira hematoencefálica)
- Zona de Gatilho Quimiorreceptora - ZGQ (fora da barreira hematoencefálica)
+ Região sensível à estímulos químicos
+ Local de ação de drogas
ZGQ Centro do vômito
Quimiorreceptores
Receptor D 2
Receptor NK
(Receptor 5-HT 3 )
Receptor H 1
Receptor M 1
Receptor NK
(Receptor 5-HT 3 )
Agentes Antieméticos
São importantes como coadjuvantes na quimioterapia do câncer para combater as náuseas e os
vómitos provocados pelos agentes citotóxicos.
Principais classes fármacos
- Antagonistas dos receptores H1
- Antagonistas dopaminérgicos (D2)
- Antagonista muscarínicos
- Antagonistas serotoninérgicos (5-HT3)
- Canabinóides
Antagonistas dos receptores H1
- Exerce pouca atividade contra os vômitos produzidos por substâncias que atuam diretamente
sobre ZGQ.
- São eficazes na cinetose e contra os vômitos causados por substâncias que atuam localmente
no estômago.
- Efeito antiemético máximo é observado em cerca de 4 horas após a ingestão, podendo durar
24h.
- CICLIZINA - cinetose
- CINARIZINA – cinetose, distúrbios vestibulares.
- DIMENIDRINATO (Dramin ®) - náuseas, vômitos, cinetose
- PROMETAZINA – náuseas matinais intensa na gravidez
Antagonistas dopaminérgicos (D2)
METOCLOPRAMIDA / BENZAMIDA
- Bloqueador dopaminérgico
- Possui também ações periféricas aumentando a motilidade do estômago e do intestino,
contribuindo para o efeito antiemético
- Via oral ou parenteral
DOMPERIDONA (Motilium®)
- Antagonista dos receptores da dopamina
- Fármaco antiemético
- Síndromes dispépticas frequentemente associadas a um retardo de esvaziamento gástrico,
refluxo gastroesofágico e esofagite
- Via oral
Efeitos colaterais do antagonistas D2: manifestações extrapiramidais sobre movimento e a liberação
de prolactina aumentada, resultando em galactorreia.
Antagonistas dos receptores 5- HT3
- Receptores 5-HT3 estão presentes em muitos locais críticos envolvidos na emese, incluindo
vago aferente, núcleo do trato solitário (NTS), área postrema.
- Diferenças quanto à estrutura, farmacocinética e afinidade com receptor.
- Usado para náuseas e vômitos pós-operatórios, por radioterapia ou por agentes citotóxicos
(prevençãoe tratamento).
- ONDASETRONA - Vonau Flash®
- DOLASETRONA
- GRANISETRONA
- TROPISETRONA
EXERCÍCIOS DE AULA
A redução da secreção de ácido no sistema digestório é eficiente para combater a dor e a azia,
e pode ser feita com medicamentos de dois grupos:
A. Antagonistas de receptores H1: cimetidina, ranitidina, e inibidores da bomba de prótons:
omeprazol, lansoprazol,
B. Agonistas de receptores H2:, omeprazol, lansoprazol, e inibidores da bomba de prótons:
cimetidina, ranitidina.
C. Agonistas de receptores H2: cimetidina, ranitidina, e inibidores da bomba de prótons:
omeprazol, lansoprazol.
D. Antagonistas de receptores H2: cimetidina, ranitidina, e inibidores da bomba de prótons:
omeprazol, lansoprazol.
E. Agonistas de receptores H1: cimetidina, ranitidina, e estimuladores da bomba de prótons:
omeprazol, lansoprazol.
L.D., 01 ano, feminino, branca, chegou ao pronto-socorro, inconsciente, com desvio conjugado a D,
cianótica, hipertônica, febril 39,5º C. Segundo a mãe, a criança convulsiona sempre que tem febre e
faz uso de carbamazepina em casa. Ela também informa que a criança apresentou tosse não
produtiva por 3 dias. Os sintomas são menos graves durante o dia, embora a criança apresente-se
menos ativa do que o usual e algumas crises de tosse aparece com o início de exercício físico. Ao
exame, apresenta rinorréia, e um ligeiro rubor na garganta e nos tímpanos. A respiração não é
difícil e a criança tem um aspecto geral normal. Os únicos outros sintomas são chiados e roncos
audíveis na auscultação que não são resolvidos com a tosse. A hipótese diagnóstica médica é de
infecção de vias aéreas superiores com presença de inflamação. Além de ceftriaxona e profenide
(AINEs), foram administrados paracetamol para diminuir a temperatura corpórea, juntamente com
ranitidina. Com base no caso clínico acima responda, mencionando o mecanismo de ação e explique
a necessidade da utilização da ranitidina no paciente.
A ranitidina, um antagonista H2, receptor da histamina, sendo um protetor gástrico, foi administrado
devido a efeitos adversos da ceftriaxona e dexametasona, o qual é a irritação gástrica.
FÁRMACOS QUE ATUAM NA SECREÇÃO GÁSTRICA
1 - FÁRMACOS QUE INIBEM A SECREÇÃO ÁCIDA
Ação Vantagens Desvantagens Fármacos
Antagonistas
dos
Receptores H2
Inibe secreção
ácida induzida
pela histamina
(competição
reversível com
receptores H2).
Posologia e
poucos efeitos
colaterais
Cimetidina: diminui
metabolismo de certas
drogas, inibe citocromo
P450. Ginecomastia)
- Ranitidina (1 a g.) Mais
potente/usado.
- Nizatidina (1 a g.)
- Famotidina (1 a g.)
- Cimetidina (2 a g.)
Inibidores da
Bomba de
Prótons
Inibem a
produção de
ácido clorídrico
por inibirem
bombas de
próton. Precisam
ser ativados.
Inibição mais
potente da
secreção,
posologia 1≈
dia, poucos
efeitos
colaterais
Interação com absorção
de outros fármacos
(Cetoconazol, Diazepam,
Varfarina e Fenitoína) e
diminuição de
biodisponibilidade se
ingerido com alimentos.
- Pantoprazol (oral e IV)
- Omeprazol (oral e IV)
- Lansoprazol (oral e IV)
- Rabeprazol (oral)
2 - FÁRMACOS QUE NEUTRALIZAM O ÁCIDO
Ação Vantagens Desvantagens Fármacos
Neutralizam o ácido por
serem bases fracas que
reagem com o ácido
gástrico formando sal e
água.
Alívio mais rápido dos
sintomas (associação)
Alterações intestinais
- Diarreia - Mg
- Constipação - Al
- Alcalose (aumenta pH do
sangue).
- Hidróxido de Magnésio
- Hidróxido de Alumínio
- Bicarbonato de Sódio
3 - FÁRMACOS CITOPROTETORES
Ação Fármacos
Potencializam os mecanismos de
proteção da mucosa.
Proporcionam uma barreira física
sobre a superfície da úlcera.
- Bismuto ( produção de prostaglandinas e tem ação bactericida para
H. pylori)
- Sucralfato (reduz a absorção de outros medicamentos – teofilina,
digoxina, antibiótico da fluroquinolona)
- Prostaglandinas (pode causar diarréia e contrações uterinas)
FÁRMACOS QUE ATUAM NA MOTILIDADE GÁSTRICA
Antagonistas dos
receptores H1
Ciclizina - cinetose
Cinarizina – cinetose, distúrbios vestibulares.
Dimenidrinato (dramin ®) - náuseas, vômitos, cinetose
Prometazina – náuseas na gravidez
Antagonistas
dopaminérgicos (D2)
Metoclopramida / Benzamida - bloqueador dopaminérgico
Domperidona (Motilium®)
manifestações extrapiramidais e galactorreia.
Antagonistas dos
receptores 5- HT3
Ondasetrona - Vonau Flash®
Dolasetrona
Granisetrona
Tropisetrona
náuseas e vômitos pós-operatórios, por radioterapia ou agentes citotóxicos
ANTIBIÓTICOS
Antes de conhecer o funcionamento dos antibiótico é necessário revisar alguns conceitos de
bacteriologia.
Bactérias Gram negativas
- Múltiplas camadas
- Membrana interna
- 1 ou 2 camadas de peptidoglicano - 5-10% da parede celular
- Membrana externa
- Cápsula mais externa
- Espaço periplasmático
- Poros (porinas)
- LPS
Bactérias Gram positivas
- Consiste de 2-3 camadas
- Membrana citoplasmática
- Espessa camada de peptidoglicano (40 camadas) - 50% da parede celular
- Cápsula
Principais bactérias Gram positivas: Staphylococcus, Streptococcus, Enterococcus.
+ Staphylococcus:
- Microbiota: 20-30%
- Patogênico - Celulite, sepse, pneumonia, endocardite, pielonefrite, etc
- MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina)
- Microbiota normal da pele, vias respiratórias e trato gastrintestinal
MRSA ou ORSA (Staphylococcus aureus meticilina ou oxacilina resistentes)
- Em alguns hospitais ultrapassam de 50% dos isolamentos estafilocócicos;
- Resistência: gene mecA (ou SCCmec) que codifica o desenvolvimento de uma nova PBP, a
PBP2a. Esse novo receptor não tem afinidade pelos antibióticos beta lactâmicos.
- Frequentemente, os MRSA adquiridos em hospital (HA MRSA) se mostram resistentes a vários
outros antimicrobianos
- Os glicopeptídeos (vancomicina e teicoplanina), a linezolida e a tigeciclina são a opção
terapêutica nesses casos
VRSA ou GRSA (Staphylococcus aureus vancomicina ou glicopeptídeo resistentes)
- 2002 (EUA): S. aureus com elevada resistência à vancomicina e à teicoplanina conhecidas
como VRSA ou GRSA.- Mecanismo de resistência relacionado ao espessamento da parede celular ou ao
aprisionamento das drogas pela hiperprodução de componentes da parede
- C.difficile , infecção frequente em ambiente hospitalar causada por medicamento.
Antibióticos: contrários a vida
- Médicos chineses (500 A.C.): curativos de terra e lama; bolores para tratar tumores
inflamatórios e feridas infectadas;
- Pasteur: teoria germinal das enfermidades infecciosas;
- 1929- Alexander Fleming e a penicilina: Ação inibitória do Penicillium notatum sobre o
crescimento de estafilococos;
- Final da década de 1930: síntese do Prontosil (sulfonamidas);
- 1941: primeiro uso da penicilina em humanos;
- 1945-1960: Era do antibiótico.
- Antibióticos funcionam por toxicidade seletiva pois atuam em estruturas que não tem em uma
célula humana.
Quimioterapia - Uso de substâncias químicas naturais, semi-sintéticas e sintéticas que inibem
seletivamente microorganismos específicos causadores de doenças infecciosas ou possuem eficácia
no tratamento do câncer;
Antibióticos: Tipos de Efeito
- Bactericidas: agem matando os microorganismos.
- Bacteriostáticos: agem inibindo o crescimento dos microrganismos (nesse caso o
microrganismo é eliminado pelo próprio sistema imune).
BACTERICIDAS BACTERIOSTÁTICOS
Reduzem o número de microrganismos viáveis:
erradicação da infecção depende menos do
hospedeiro
Impedem o crescimento dos microrganismos:
depende mais do hospedeiro sua erradicação
Tratamento mais rápido Tratamento mais lento
Efeito pós-antibiótico", exemplo: penicilina
liga-se irreversivelmente à enzima
Necessária manutenção de concentrações
inibitórias durante todo o tratamento
De escolha nas infecções graves Não ideal para infecções graves
O antibiótico ideal deve possuir:
- Estabilidade: Penicilina G vs Penicilina V
- Solubilidade
- Difusibilidade pelas barreiras: BHE, por exemplo
- Baixa excreção
- Índice terapêutico
- Toxicidade seletiva contra os micro-organismos
Fatores envolvidos na eficácia terapêutica
- Incisão e drenagem de abscessos
- Idade e extensão da infecção
- Bactericidas e bacteriostáticos
- Espectro antibacteriano: prefere-se os de espectro estreito (mais eficazes e menor efeito no
microbiota)
- Via e horário de administração
- Esquema posológico
- Distribuição, metabolismo e excreção
- Fatores relacionados ao paciente:
- genéticos (acetiladores rápidos menores níveis de isoniazida (tuberculostático)
- idade (aminoglicosídeos ototoxicidade idosos)
- gravidez (tetraciclina alteração óssea no feto )
- lactantes (sulfonamidas hemólise lactente)
- presença de alergias (penicilinas)
● Tratamento empírico: largo espectro ou associações
- Escalonamento de Antibióticos
- Diminuir dose assim que possível
- Passar para oral assim que possível
- Alta hospitalar precoce
- Fazer medicação ambulatorial ou domiciliar assim que melhorar.
- Com antibiograma na mão, se possível passar para antibióticos de menor espectro
● Tratamento específico: espectro estreito ou associações
Uso racional de medicamentos - De acordo com a Organização Mundial de Saúde (Nairóbi, Quênia,
1985), entende-se que há uso racional de medicamentos quando pacientes recebem medicamentos
apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais,
por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade
E porque os antimicrobianos? No ambiente hospitalar, a prescrição de antimicrobianos é ampla e
estes fármacos são responsáveis por mais de 30% dos gastos da farmácia
- 25 a 40% dos pacientes hospitalizados utilizam, em algum momento de sua internação, pelo
menos um antimicrobiano.
- Mais de 50% destas prescrições são inadequadas quanto à via de administração, à dose e até
mesmo quanto à indicação do antimicrobiano.
- Antibióticos são usados, de modo geral, por tempo demais. São suficientes 5 dias depois da
queda da temperatura na maioria das vezes. (evitar trocar antibióticos antes de 2/3 dias)
Classificação dos antibióticos
- Classificação química
- Classificação de acordo com o espectro de ação
- Classificação de acordo com o mecanismo de ação
Antibióticos: Classificação Química
- Derivados de Aminoácidos
- Derivados de Açúcares
- Derivados de Acetato e propionatos
- Outros
Derivados de AMINOÁCIDOS
● Monopeptídeos: ciclosserina
● Polipeptídeos: Clássicos polimixinas, tirotricina, bacitracina, capreomicina.
● Anfenicóis (derivados de aminopropanediol): cloranfenicol, tianfenicol.
● Beta-lactâmicos (beta-lactâmicos)
- Penamas (derivados do ácido-6 aminopenicilânico) - penicilinas.
- Carbapenemas - tienamicina, impeném, meropeném, ertapeném.
- Cefemas (derivados do ácido 7-aminocefalosporânico) - cefalosporinas, cefamicinas.
- Inibidores de beta-lactamases - ácido clavulânico, sulbactam, tazobactam.
- Monobactâmicos - aztreonam.
● Glicopeptídeos: vancomicina, teicoplanina, oritavancina, dalbavancina.
● Lipopeptídeos (peptolídeos): daptomicina e equinocandinas (caspofungina)
Derivados de AÇÚCARES
● Macrolídeos: eritromicina, espiramicina, roxitromicina, diritromicina, claritromicina
- Azalidas - azitromicina
- Cetolídeos - telitromicina
● Lincosamidas: lincomicina, clindamicina
● Aminociclitóis (aminoglicosídeos) - estreptomicina, gentamicina, tobramicina, amicacina,
netilmicina, neomicina, paromicina, soframicina, aminosidina, espectinomicina.
● Estreptograminas: quinupristina/dalfopristina
Derivados de ACETATO E PROPIONATOS
● Poliênicos: nistatina, anfotericina B, metil-partricina.
● Aromáticos: Tetraciclinas, gliciclinas (tigeciclina), rifamicinas.
● Esteróides: ácido fusídico
● Derivados do Grisano: griseofulvina
OUTROS
● Fosfomicina
● Variotina
● Mureidomicinas
Antibióticos: Espectro de Ação
- Ativos sobre protozoários: paramomicina, tetraciclinas, anfotericina B
- Ativos sobre fungos: nistatina, anfotericina B, griseofulvina
- Ativos sobre algas: anfotericina B
- Ativos sobre bactérias gram-negativas: polimixinas, aminoglicosídeos
- Ativos sobre bactérias gram-positivas: penicilina G, macrolídeos, bacitracina.
- Ativos sobre bactérias gram positivas e negativas ("amplo espectro"): cloranfenicol,
tetraciclinas, ampicilina, cefalosporinas.
- Ativos sobre micobactérias: rifampicina, estreptomicina, ciclosserina, claritromicina.
- Ativos sobre riquétsias, micoplasmase clamídias: tetraciclinas, cloranfenicol, macrolídeos
- Ativos sobre espiroquetas: penicilinas, eritromicina, tetraciclinas.
Antibióticos: Mecanismo de ação
- Interferência na síntese da parede celular.
- Alterações na permeabilidade da membrana citoplasmática.
- Alterações na síntese proteica.
- Inibição da síntese de ácidos nucleicos.
- Interferência em processos metabólicos
Antibióticos: tipo de ação
Inibidores de parede celular
β-lactâmicos (penicilinas, cefalosporinas,
monobactâmicos e carbapenêmicos)
Glicopeptídeos (vancomicina, teicoplanina)
Bacitracina, fosfomicina.
Inibidores de síntese protéica
Anfenicois (cloranfenicol)
Lincosaminas (lincomicina, clindamicina)
Macrolídeos (azitromicina, claritromicina e
eritromicina)
Aminoglicosídeos (amicacina e gentamicina)
tetraciclina
Inibidores metabólicos Sulfas e trimetoprima
Inibidores da síntese de DNA (fluor) quinolonas, griseofulvina
Atuam na membrana plasmática Polimixinas, Anfotericina B, Nistatina
- Polimixinas: atua na membrana citoplasmática; não atua sobre gram +, pois fica retido na
parede.
Biossíntese de parede celular
Mureína = peptidoglicana
1. síntese de monômeros de mureína
2. polimerização
3. ligação cruzadas dos polímeros de peptidoglicana
Inibidores da parede celular
- Betalactâmicos
Penicilinas
Cefalosporinas
Monobactâmicos
Carbapenêmicos
- Glicopeptídeos (vancomicina e teicoplanina)
- Bacitracina
- Fosfomicina
Podem ser clivados por beta-lactamases, como a penicilinase do S. aureus.
Inibidores das beta-lactamases
- Ácido clavulânico (clavulanato)
- Sulbactam
- Tazobactam
BETALACTÂMICOS
- Inibem a síntese da parede celular via inibição da ligação cruzada dos polímeros de
peptideoglicanas
- RESULTADO: Bactéria com parede defeituosa, sendo hiperosmótica em relação ao exterior,
acaba por sofrer edema e lise (efeito bactericida);
- Possuem toxicidade seletiva máxima (mamíferos não possuem parede celular)
+ Penicilinas
+ Cefalosporinas
+ Monobactâmicos
+ Carbapenêmicos
Obs.: Necessário que a bactéria esteja se multiplicando! Contraindicado o uso concomitante de
inibidores de parede celular e fármacos que bloqueiam o metabolismo bacteriano: INIBIÇÃO DE
EFEITO. Interação importante entre bacteriostáticos e bactericidas.
Betalactâmicos: espectro de ação
Determinado por 2 fatores:
- grau de dificuldade em penetrar a membrana externa e parede celular
- capacidade de ligação às transpeptidases específicas
● Aminopenicilinas (ampicilina e amoxicilina): maior espectro, atravessam facilmente os poros
das gram negativas.
PENICILINA
Penicilina G (benzilpenicilina): o protótipo
- Instável em meio ácido; uso parenteral
- Estreito espectro antibacteriano
- Rápida excreção renal;
- Susceptível à penicilinases 1953: Penicilina-V: penicilinase resistente (v.o.)
Penicilina e Derivados
Nome Genérico Propriedades
Penicilina G Melhor uso parenteral
Penicilina V Penicilinase-resistente
Ampicilina Absorção oral espectro ampliado
Amoxicilina
Absorção oral excelente
Menor ligação a prot. plasm. (20%)
Espectro ampliado
Amoxicilina + clavulanato
Clavulanato inibe beta-lactamases: torna
amoxicilina mais eficaz
OBS: Na presença de bacteriostáticos a amoxicilina não tem efeito pois não tem como impedir a
síntese de parede se a bactéria não está se multiplicando.
Usos Clínicos das Penicilinas
- Infecções ósseas e articulares (p. ex., por Staphylococcus aureus )
- Infecções da pele e dos tecidos moles (p. ex., por Streptococcus pyogenes ou Staphylococcus
aureus )
- Faringite (por Streptococcus pyogenes )
- Otite média (os microrganismos normalmente incluem Streptococcus pyogenes , Haemophilus
influenzae ): amoxicilina;
- Bronquite (infecções variadas comuns)/pneumonia: amoxicilina;
- Gonorreia: amoxicillina (combinada com probenecida);
- Endocardite (p. ex., por Streptococcus viridans ou Enterococcus faecalis ): benzilpenicilina
combinada, por vezes, com um aminoglicosídeo;
- Infecções por Pseudomonas aeruginosa : ticarcilina, piperacilina.
- Betalactâmicos e aminoglicosídeos em infecções por Pseudomonas aeruginosa.
- Blenorragia e sífilis
- Para gestantes com alergia à penicilina: dessensibilização e tratamento com penicilina
benzatina. Na impossibilidade de realizar a dessensibilização: ceftriaxona.
- No entanto, para fins de definição de caso e abordagem terapêutica da sífilis congênita,
considera-se tratamento inadequado da mãe.
Penicilina e Derivados - Efeitos adversos
- As penicilinas situam-se entre os fármacos menos tóxicos conhecidos.
- Efeitos adversos principais: distúrbios gastrintestinais (distúrbio da microbiota)
- Causa mais comum de alergia a drogas (1 a 10% dos pacientes); principalmente Penicilina G
procaína.
As alergias a penicilina podem ser:
- Agudas (choque anafilático; 30 segundos);
- De início imediato (as mais graves: angioedema, broncoconstrição, distúrbios TGI e choque);
- Reações alérgicas tardias (2 ou mais dias depois; 80-90% dos casos). Erupções bolhosas,
língua marrom, estomatite grave com perda da mucosa oral.
CEFALOSPORINAS
- Amplo uso em medicina
- São bactericidas
- Alta toxicidade seletiva: uso em gravidez, lactação e pediatria
- 1-3%: reação alérgica
- Mecanismo: semelhante às penicilinas, inibem a formação da parede bacteriana
- Espectro: varia de acordo com a classificação em cefalosporinas de primeira, segunda,
terceira, quarta ou quinta geração
Classificação - Cinco gerações:
- 1º geração: cefalotina (cefalexina), cefazolina, cefadroxila
+ Não oferece cobertura contra pseudomonas. Nunca utilizar para meningite: não cruza
barreira hematoencefálica.
- 2º geração: cefuroxima, cefoxitina, cefaclor
+ Também não possuem ação contra pseudomonas.
- 3º geração: ceftriaxona, cefotaxima, ceftazidima
- 4º geração: cefepime
- 5º geração: ceftaroline, ceftobiprole
Geração Fármaco Via
Primeira Geração Cefazolina e Cefalexina Via Oral
Segunda Geração Cefuroxima e Cefoxitina Via Oral
Terceira Geração Cefixima e Ceftriaxona Intramuscular e Intravenosa
Quarta Geração Cefepima Intramuscular e Intravenosa
A sensibilidade às bactérias Gram negativas e a resistência à inativação pelas beta-lactamases
aumenta da primeira para a quarta geração.
Usos Clínicos das Cefalosporinas: as cefalosporinas são empregadasno tratamento de infecções
causadas por microorganismos sensíveis a elas. Tal como ocorre com outros antibióticos, os padrões
de sensibilidade variam geograficamente, e o tratamento é, muitas vezes, indicado de forma empírica.
Podem ser tratados muitos tipos de infecções, incluindo;
- septicemia (cefuroxima, cefotaxima)
- pneumonia causada por microrganismos suscetíveis
- meningite (ceftriaxona, cefotaxima)
- infecções do trato biliar
- infecções do trato urinário (especialmente na gravidez ou nos pacientes que não respondem a
outros fármacos)
- sinusite (cefadroxila)
MONOBACTÂMICOS
- Aztreonam
- Resistente à maioria das Beta-lactamases.
- Uso I.V
- Não apresenta necessariamente reação imunológica cruzada com a penicilina e seus
subprodutos.
- Usos: efetivo apenas contra bacilos Gram-negativos aeróbios, como as espécies de
Pseudomonas, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae. Não tem ação contra
organismos Gram-positivos ou anaeróbios.
- Efeitos adversos: semelhantes aos demais betalactâmicos.
CARBAPENÊMICOS
- Imipenem (+cilastatina), meropenem, ertapenem
- Espectro muito amplo de atividade antimicrobiana (gram +, Gram- aeróbios e anaeróbios).
- Reservado para infecções hospitalares graves causadas por bactérias altamente resistentes
- Os efeitos adversos são normalmente semelhantes aos de outros β-lactâmicos, e os mais
frequentes são náuseas e vômitos. Pode ocorrer neurotoxicidade com concentrações
plasmáticas elevadas.
Obs.: Cilastatina bloqueia a degradação de Imipenem no rim.
GLICOPEPTÍDEOS
VANCOMICINA, TEICOPLANINA , ramoplanina, daptomicina, ristocetina, ristomicina, actinoidina.
- Inibe síntese de polímeros de mureína (parede celular); não é um beta lactâmico.
- Usos: tratamento de MRSA (com frequência, nesse caso, é o fármaco de último recurso) e em
outras infecções graves. Também é indicada no tratamento de infecções graves por
Estafilococos em pacientes alérgicos, tanto às penicilinas quanto às cefalosporinas..
- Espectro bacteriano estreito: Estreptococos, Pneumococos, Estafilococos e alguns anaeróbios
(principalmente gram +)
VANCOMICINA
- Efeitos Adversos: febre, erupções cutâneas e flebite no local da injeção.
- Ototoxicidade e nefrotoxicidade e, por vezes, reações de hipersensibilidade.
- Reações anafilactoides, incluindo hipotensão, chiado, dispnéia, urticária ou prurido, choque e
parada cardíaca.
- Infusão rápida: síndrome do “pescoço vermelho”
- Monitorar seus níveis séricos (vancocinemia) para não evoluir para oto - nefrotoxicidade
- DEVE-SE RESTRINGIR SEU USO PARA EVITAR RESISTÊNCIA
- Penetração limitada no SNC. Há aumento de penetração quando ocorre quebra de barreira em
meninges inflamadas.
- Sem absorção VO (usada apenas em casos de efeito local como na colite pseudomembranosa).
FOSFOMICINA
- Bloqueio da síntese de parede e reduz a aderência bacteriana às células uroepiteliais
- Não gera resistência cruzada com outros antibióticos, nem sofre a ação das ß-lactamases.
- Amplo espectro: maioria dos micro-organismos Gram negativos e Gram positivos
responsáveis pelas infecções do trato urinário
A NITROFURANTOÍNA , agente antibacteriano específico do trato urinário, é reduzida por
flavoproteínas bacterianas a intermediários reativos, que inativam proteínas ribossomais e outras
macromoléculas, o que inibe os processos bioquímicos vitais de síntese protéica, metabolismo
aeróbio, síntese de DNA e RNA e síntese da parede celular. Esse amplo mecanismo de ação explica a
ausência de resistência bacteriana adquirida à nitrofurantoína. A CADA SEIS HORAS.
R�UMO ANTIBIÓTICOS INIBIDOR� DA PAREDE CELULAR
BETALACTÂMICOS
PENICILINA
Meningite bacteriana,
infecções em ossos,
articulações, pele, tecidos
moles, garganta, brônquios,
trato urinário e sífilis *.
- Penicilina G
- Penicilina V
- Ampicilina
- Amoxicilina
- Amoxicilina + clavulanato*
CEFALOSPORINA
Bactericidas. Penetram nos
líquidos corporais
(articulações, cavidade pleural
e pericárdica, bile, BHE quando
inflamada, etc). Usada para
septicemia, pneumonia,
infecção trato biliar, ITU,
sinusite, meningite
(ceftriaxona, cefotaxima).
Alta toxicidade seletiva, uso em
gravidez, lactação e pediatria.
- 1º g: cefalotina (cefalexina),
cefazolina, cefadroxila - Não
cruza BHE. (VO)
- 2º g: cefuroxima, cefoxitina,
cefaclor. (VO)
- 3º g: ceftriaxona, cefotaxima,
ceftazidima. (IM e IV)
- 4º g: cefepima. (IM e IV)
- 5º g: ceftaroline, ceftobiprole.
(IM e IV)
MONOBACTÂMICOS
Efetivo apenas contra bacilos
Gram-negativos aeróbios.
Neisseria meningitidis e
Haemophilus influenzae.
- Aztreonam (IV)
Resistente à maioria das
beta-lactamase.
CARBAPENÊMICOS
Espectro muito amplo,
reservado para infecções
hospitalares graves por
bactérias resistentes.
- Imipenem (+cilastatina)
- Meropenem
- Ertapenem
GLICOPEPTÍDEOS
● Fármacos de segunda escolha utilizados para MRSA ou pacientes alérgicos a penicilina e
cefalosporinas. Espectro estreito, age contra bactérias Gram +.
● Vancomicina Ototoxicidade e Nefrotoxicidade! (síndrome do "pescoço vermelho"). Via IV.
● Teicoplanina
FOSFOMICINA
● Droga de primeira escolha para tratamento empírico. Amplamente usada para ITU.
● Não gera resistência cruzada com outros antibióticos, nem sofre a ação das ß-lactamases.
BACITRACINA
TESTES AULA
São antibióticos de uso exclusivo por via parenteral:
- cefalosporinas de 2a geração, como a cefuroxima
- aminopenicilinas, como a oxacilina
- cefalosporinas de 3a geração, como a ceftriaxona
- aminopenicilinas, como a amoxicilina
Analise as frases a seguir a respeito das opções terapêuticas para o tratamento farmacológico da
infecção do trato urinário (ITU): I-A fosfomicina é um betalactâmico, inibidor de síntese de parede;
II- As cefalosporinas de 1a e 2a geração são os fármacos de escolha no caso de ITU em grávidas;
III-A nitrofurantoína possui múltiplos mecanismo de ação e deve ser administrada a cada 6h. É
correto o que ser afirma em:
- Apenas I.
- Apenas II.
- Apenas III.
- Apenas I e II.
- Apenas II e III.
Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas: I-Em casos de infecção por MRSA,uma opção é associar um inibidor de lactamase à penicilina prescrita. PORQUE II-MRSAs são cepas
de Staphylococcus aureus resistentes à meticilina, que é um antibiótico da classe dos
betalactâmicos. À respeito destas asserções, assinale a alternativa correta:
- As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
- As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
- A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
- A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
- As asserções I e II são proposições falsas.
Em relação à vancomicina, escolha a alternativa correta:
- Não deve ser usado em tratamento de MRSA
- Antibiótico de escolha para pacientes idosos
- Glicopeptídeo com espectro estreito para gram negativos
- Oferece risco de ototoxicidade e nefrotoxicidade
Escolha a alternativa correta sobre os betalactâmicos:
- Cefalexina tem maior sensibilidade a gram - que ceftriaxona
- Avaliar a vancocinemia confere segurança ao paciente
- Cefalosporinas possuem toxicidade seletiva: uso em gravidez
- Meropenem e ertapenem são seletivos para gram negativos
É um inibidor de lactamase:
- sulbactam
- teicoplanina
- vancomicina
- ceftriaxona
São bactérias gram positivas
- Pseudomonas aeruginosa e Helicobacter pylori
- Staphylococcus aureus e Escherichia coli
- Clostridium difficile e Salmonella sp
- Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes
ANTIBIÓTICOS ANTIMETABOLITOS
- Podem ser definidos como falsos-substratos.
- Sulfonamidas: primeiro quimioterápico eficaz.
- Década de 1930: Prontosil ® .
- Protótipo dos antimetabólitos, inibem a síntese de ácido fólico no interior da bactéria.
- Divididos em sulfas e trimetoprima.
- Principais fármacos: Sulfametoxazol, Sulfadiazina, Trimetoprima .
SULFONAMIDAS
- São ácidos fracos, com hidrossolubilidade limitada; problema para excreção em urina ácida.
- São em geral bacteriostáticas.
- Antibióticos de amplo espectro, contra gram-positivas e negativas; protozoários e fungos.
- As sulfonamidas têm sido utilizadas em associação com a trimetoprima: sulfametoxazol +
trimetoprima (Cotrimoxazol) Bloqueio sequencial da mesma via biossintética. Ampliar o
espectro de ação. Ação bactericida.
- Sulfadiazina e sulfametoxazol (cotrimoxazol) , sulfassalazina (para colite ulcerosa e doença
de Crohn).
- Prasugrel e acetazolamida (outros usos).
Via de Síntese de Folatos
Bactérias conseguem produzir diidrofolato a partir de PABA. As sulfonamidas são falsos substratos
por serem análogos de PABA, assim reduzem a síntese de folato tendo um efeito bacteriostático.
+ Como a ligação é reversível, o aumento do precursor PABA, como ocorre em locais com pus,
podem antagonizar o efeito antibacteriano.
+ Alguns anestésicos locais (ex: procaína - biotransformados em PABA) também podem ter efeito
antagônico.
COTRIMOXAZOL: V.O ou I.V.
- Infecções do trato urinário, altas e baixas
- Uretrites e prostatites agudas ou crônicas.
- Otite média, sinusite e exacerbação aguda de bronquite crônica como alternativa para
pacientes alérgicos aos ß-lactâmicos.
- Primeira escolha para o tratamento e profilaxia da pneumonia por Pneumocystis jirovecii nos
pacientes portadores de alguma imunodepressão.
SULFADIAZINA: V.O. ou tópica
- Atingem níveis terapêuticos nos líquidos cefalorraquidiano, sinovial, pleural e peritoneal, com
concentração de cerca de 80% da plasmática.
- Atravessam a barreira placentária.
- São metabolizadas pelo fígado e a excreção é renal.
- No tratamento da toxoplasmose, associado a pirimetamina, e como alternativa na malária por
P. falciparum sensível ou resistente à cloroquina.
- A forma tópica da droga é a sulfadiazina prata , indicada comumente na prevenção de
infecções em pacientes queimados .
Sulfonamidas: Efeitos Adversos
- Anormalidades hematológicas (leucopenia, trombocitopenia, agranulocitose, anemia
hemolítica e supressão da medula óssea).
- Reações cutâneas graves , como a dermatite esfoliativa, síndrome de Steven-Johnson e a
necrólise epidérmica tóxica.
- Cristalúria com consequente insuficiência renal pode ocorrer em pacientes hipo
albuminêmicos.
- Hipercalemia reversível tem sido descrita durante o uso parenteral.
- Mais comuns: sintomas digestivos e farmacodermias como erupção morbiliforme e prurido
cutâneo.
- Outras: Febre, cefaleia, tremores, nefrotoxicidade, flebite, vasculite, hipercalemia, doença do
soro e anafilaxia.
Desenvolvimento de Resistência Bacteriana
- Mutação: aumento da síntese de PABA .
- Desenvolvimento de rotas alternativas para o ácido fólico .
- Plasmídeos podem codificar resistência proporcionada por enzimas com pouca afinidade ou
determinar diminuição de permeabilidade da bactéria.
INIBIDOR� DA SÍNT�E DE DNA
- Década de 1960: ácido nalidíxico (subproduto da cloroquina)
- Década de 1980: fluorquinolonas-maior potência, espectro e meia-vida
FLUORQUINOLONAS
- 1ª geração: ácido nalidíxico
- 2ª geração: norfloxacino, ciprofloxacino e ofloxacino
- 3ª geração: levofloxacino, gatifloxacino (hiperglicemia), moxifloxacino
- 4ª geração: gemifloxacino: cerca de 8 a 16 vezes mais potente que gatifloxacina e cerca de 32
vezes mais potente que levofloxacina contra pneumococo.
Mecanismo de Ação:
- Inibem a DNA-girase bacteriana (semelhante à topoisomerase II dos mamíferos / envolvidas
no desenvolvimento do DNA para replicação). Inibição da síntese de ácidos nucléicos.
- As enzimas semelhantes dos mamíferos são várias centenas de vezes menos sensíveis a essas
drogas.
- São agentes bactericidas.
USOS CLÍNICOS
- Trato genito-urinário
- Trato gastrintestinal
- Trato respiratório
- Osteomielites
- Partes moles
- Ação contra micobactérias
- Ciprofloxacino: a mais potente contra Pseudomonas aeruginosa
As quinolonas de terceira geração são conhecidas como quinolonas respiratórias por serem
consideradas boas opções de tratamento para infecções respiratórias altas e pneumonias
adquiridas na comunidade.
Ativos contra Haemophilus influenzae e contra os três principais organismos responsáveis por
pneumonia atípica: C. pneumoniae,Mycoplasma pneumoniae e Legionella pneumophila.
Efeitos Colaterais
- Gastrintestinais: anorexia, náuseas, vômitos e desconforto abdominal.
- SNC: cefaleia. tontura, insônia e alterações do humor. Alucinações, delírios e convulsões são
raras (idosos). Convulsões: associação de quinolonas e teofilina ou AINEs.
- Alergias e reações cutâneas. Reações fototóxicas (evitar exposição excessiva ao sol)
- Artropatias e erosões de cartilagem ocorrem em animais jovens. Prolongamento de QT
(moxifloxacino)
Contra-Indicações: em gravidez, lactação, insuficiência renal e hepática e em pacientes menores
de 17 anos (artropatia em animais jovens).
Alerta - Fluorquinolonas FDA-2016: quinolonas podem estar associadas a eventos adversos sérios
(injúrias em tendões, músculos, articulações, nervos e no sistema nervoso central) e que este risco
suplanta o benefício de seu uso em pacientes com sinusite aguda, exacerbação aguda de bronquite
crônica e infecções urinárias não complicadas, onde outras opções terapêuticas, como os
antibióticos betalactâmicos, estão disponíveis.
Mecanismos de Resistência
- Alteração na enzima DNA girase
- Mutação cromossômica nos genes que são responsáveis pelas enzimas alvo (DNA girase e
topoisomerase IV)
- Alteração da permeabilidade à droga pela membrana celular bacteriana (porinas).
- Bomba de Efluxo (diminuição da permeabilidade da célula ao antimicrobiano).
Antibióticos X Nutrição enteral - sonda: a administração de levofloxacino e dieta enteral pode
acarretar a diminuição da absorção do fármaco. Recomenda-se pausar a dieta enteral 1 hora antes e
1 hora depois da administração. O uso concomitante com corticosteróides pode aumentar o risco de
ruptura de tendão . O levofloxacino pode aumentar os efeitos e a toxicidade da Varfarina.
INIBIDOR� DA SÍNT�E PROTEICA
O ribossoma bacteriano é formado por duas
subunidades a 50S e a 30S. Nessas existe o
Sítio P e o Sítio A.
- Sítio P (peptidil): contém a cadeia
peptídica em crescimento.
- Sítio A (Aminoacil ou Aceptor): local
que se ligam as moléculas de RNAt
que chegam transportando os
aminoácidos.
Obs.: Humanos 60S e 40S.
Tradução Procariótica
Os agentes farmacológicos que inibem a tradução interferem nas atividades do ribossomo
procariótico:
- Aminoglicosídeos: ligam-se ao rRNA na subunidade 30S e permitem a ligação de tRNA
incorretos ao mRNA.
- Tetraciclinas: bloqueiam a ligação do aminoacil-tRNA ao sítio A.
- Cloranfenicol e Lincosamidas: inibem a atividade de peptil transferase da subunidade 50S.
- Espectinomicina, macrolídeos e estreptograminas: inibem a translocação dos peptídeos.
Principais classes dos inibidores de síntese protéica
- Oxazolidinonas
- Macrolídeos (azitromicina, claritromicina e eritromicina)
- Aminoglicosídeos (estreptomicina, gentamicina, amicacina, tobramicina, neomicina)
- Anfenicóis (cloranfenicol)
- Lincosaminas (lincomicina, clindamicina)
- Tetraciclinas
- Rifamicinas
● OXAZOLIDINONAS
Linezolida
- Mecanismo: inibem a síntese proteica das bactérias por meio de um mecanismo inovador: a
inibição da ligação de N-formil-metionina-RNAt ao ribossomo 70S (sem resistência cruzada)
- Espectro: grande variedade de bactérias Gram-positivas, como MRSA, Streptococcus
pneumoniae resistente à penicilina e enterococos resistentes à vancomicina. Alguns
anaeróbios como o Clostridium difficile. Os microrganismos Gram-negativos mais comuns não
são susceptíveis a esse fármaco.
- Uso clínico: deve ser utilizada em infecções graves por patógenos gram-positivos
multirresistentes - bacteriostático. Diversos estudos têm mostrado bons resultados no
tratamento de pneumonia hospitalar. O tratamento tem custo alto.
- Efeitos adversos incluem trombocitopenia, diarreia, náuseas e, raramente, erupções
cutâneas e tonturas.
- ATENÇÃO: A linezolida é um inibidor não seletivo da monoamino-oxidase e é preciso tomar as
devidas precauções.
● MACROLÍDEOS
Os fármacos mais usados são a Claritromicina e Azitromicina, também tem a eritromicina porém
menos usada. São bacteriostáticos ou bactericidas dependendo da dose.
- Mecanismo de ação: inibem a síntese das proteínas bacterianas através do efeito na
translocação ribossômica.
- Mecanismo de resistência: Macrolídeos têm muita resistência!
1. diminuição da permeabilidade da célula ao antimicrobiano.
2. alteração no sítio receptor da porção 50S do ribossoma
3. inativação enzimática.
Eritromicina: 4x/dia
- 1952: isolada de Streptomyces erythraeus
- Amplo espectro de ação ( Gram + , treponemas, mycoplasma , clamídias)
- Inativa contra enterobacteriaceae e Pseudomonas spp..
Claritromicina: 2x/dia
- Altamente ativa contra Gram + (maioria de estreptos e estafilococos); na erradicação de
H.pylori
- Atividade contra gram-negativas semelhante à eritromicina
Azitromicina: 1x/dia Mais usada por causa da posologia (1x/dia) e espectro ampliado!
- Diferença química: Azalídeo
- Espectro ampliado : maior atividade contra gram negativas
- Meia-vida tecidual ampliada – menor dose
Usos Clínicos - alternativa terapêutica em pacientes alérgicos à penicilina, nas seguintes condições:
- infecções do trato respiratório por estreptococos do grupo A ,
- pneumonia por S. pneumoniae ,
- prevenção de endocardite após procedimento odontológico,
- infecções superficiais de pele ( Streptococcus pyogenes ),
- profilaxia de febre reumática (faringite estreptocócica ), e raramente,
São considerados primeira escolha no tratamento de pneumonias por bactérias atípicas
(Mycoplasma pneumoniae, Legionella pneumophila, Chlamydia spp.)
OBS: A claritromicina deve ser usada como bactericida (e não bacteriostática) quando associada com
azitromicina, pelo fato do bacteriostático impedir a replicação, e a azitromicina só vai agir na
replicação.
Diretrizes para Pneumonia Adquirida na Comunidade em Adultos Imunocompetentes - 2009
Ambulatoriais
- Previamente hígidos Macrolídeos ou Beta-lactâmicos (beta-lactâmicos isolados podem
ter uma falha a cada 14 pacientes tratados)
- Doenças associadas Quinolona ou Beta-lactâmicos + Macrolídeos
Internados Não-graves Quinolonaou Beta-lactâmicos + Macrolídeos
Admitidos em UTI
- Sem risco de Pseudomonas sp. Beta-lactâmicos + Quinolona ou Macrolídeos
- Com risco de Pseudomonas sp. Quinolona + Beta-lactâmicos
Efeitos Colaterais
- Mais comuns: cólicas abdominais, náuseas, vômitos e diarreia (em até 1/3 dos pacientes).
- Hepatite colestática acompanhada por febre, dor abdominal, eosinofilia, hiperbilirrubinemia e
elevação de transaminases com o uso de estolato de eritromicina (mais comum em adultos,
principalmente gestante).
- Com azitromicina e claritromicina as alterações são bem mais discretas e em menor
frequência.
- Prolongamento do intervalo QT
- Raramente ocorrem reações alérgicas graves.
● AMINOGLICOSÍDEOS
- A estreptomicina foi o primeiro aminoglicosídeo obtido a partir do fungo Streptomyces griseus
em 1944.
- Cátions polares, baixa absorção por v.o., não atravessa BHE.
- É necessário oxigênio para ocorrer transporte ativo transmembrana (anaerobiose impede
ação).
- Aminoglicosídeo: concentração dependente, uma vez ao dia; efeito pós-antibiótico.
- Bactericidas.
- Principais fármacos: Estreptomicina, Canamicina, Gentamicina, Amicacina, Tobramicina ,
Neomicina , Netilmicina, Paromomicina , Espectinomicina.
Mecanismo de Ação
- Ligam-se à fração 30S dos ribossomos inibindo a síntese protéica ou produzindo proteínas
defeituosas.
- Para atuar, o aminoglicosídeo deve primeiramente ligar-se à superfície da célula bacteriana e
posteriormente deve ser transportado através da parede por um processo dependente de
energia oxidativa.
Mecanismos de resistência (raros)
- Alteração dos sítios de ligação no ribossomo
- Alteração na permeabilidade
- Modificação enzimática da droga
Usos Clínicos
- Amicacina: maior espectro de ação
- Efeito limitado em anaeróbios e gram positivos.
- Comumente associados a betalactâmicos ou glicopeptídeos (efeito sinérgico)
- Grande atividade contra bacilos e cocos gram-negativos aeróbios: Klebsiella spp., Serratia
spp., Enterobacter spp., Citrobacter spp., Haemophilus spp., Acinetobacter spp. e cepas de
Pseudomonas aeruginosa
- Bactérias gram-positivas , entre elas: Staphylococcus aureus, S. epidermidis, Listeria
monocytogenes, Enterococcus faecalis e Nocardia asteroides, além de serem ativas contra
micobactérias .
Obs.: Many different types of infections can be treated successfully with these aminoglycosides;
however, owing to their toxicities, prolonged use should be restricted to the therapy of
life-threatening infections and those for which a less-toxic agent is contraindicated or less effective.
Efeitos Colaterais
- Ototoxicidade: coclear (gentamicina, amicacina) e vestibular (estreptomicina, gentamicina)
- Nefrotoxicidade (túbulo proximal); não produz alteração no volume urinário; pode ser
revertida.
- Bloqueio Neuromuscular/apneia: infusões rápidas ou doses i.p. Em paciente curarizados, com
miastenia, hypocalcemia, outros. Revertido com sais de cálcio.
Devido à rara resistência bacteriana, pouca alergia e baixo custo, uso mantido.
● TETRACICLINAS
Tetraciclina, doxiciclina, limeciclina, minociclina, oxitetraciclina, tigeciclina, demeclociclina.
Mecanismo de Ação - bacteriostáticas: as tetraciclinas entram na célula por difusão, em um
processo dependente de gasto de energia. Ligam-se, de maneira reversível, à porção 30S do
ribossoma, bloqueando a ligação do RNA transportador, impedindo a síntese protéica.
Mecanismo de resistência: principal mecanismo de resistência microbiana é por diminuição da
acumulação da droga no interior da célula. A resistência pode ser cromossômica ou, mais
frequentemente, mediada por plasmídeos ou transposons.
Metabolização e excreção:
- São queladas por cátions: menor absorção; depósito.
- Atravessam a barreira transplacentária e são excretadas no leite materno.
- Todas as tetraciclinas são eliminadas pela urina e fezes, sendo a via renal a mais importante.
- Evitar o uso concomitante com antiácidos e cátions (leite e derivados, alumínio, potássio, ferro)
pois diminui a absorção.
Usos Clínicos
- Apresentam amplo espectro de ação, incluindo bactérias gram-positivas, gram-negativas
aeróbias e anaeróbias, espiroquetas, riquétsias, micoplasma, clamídias e alguns protozoários.
- São alternativas no tratamento de infecções causadas por Mycoplasma pneumoniae
(infecções respiratórias), N. gonorrhoeae, Treponema pallidum e em pacientes com
traqueobronquites e sinusites.
- Primeira linha no tratamento de infecções por Riquétsias, Micoplasmas e Clamídias
- Doxiciclina: ISTs, infecções respiratórias e de tecidos moles causadas por MRSA
Contraindicações: gestantes, lactantes e menores de 8 (12) anos.
Efeitos Colaterais
- Reações alérgicas como: urticárias, exantemas, edema periorbitário e reações anafiláticas;
fotossensibilidade
- Alterações na cor dos dentes em crianças, hipoplasia do esmalte dentário, crescimento ósseo
anormal, principalmente se utilizadas durante a gestação Faz depósito onde tem cálcio.
- Efeitos gastrintestinais mais comuns são: náuseas, vômitos e diarreia;
- Cefaleia, incapacidade de concentração e, em raros casos, hipertensão intracraniana, também
são relatados.
- Agravar azotemia em pacientes com IR
● ANFENICÓIS
Cloranfenicol
- Bacteriostáticos de amplo espectro/bactericidas (altas doses)
- Gram positivas e negativas
- Indicação principal: infecções graves no SNC, epiglotite aguda em crianças e febre tifoide
- Efeitos adversos: alterações hematológicas (anemia aplástica), síndrome do bebê cinzento
(distensão abdominal, emese ocasional, progressiva palidez cianótica, colapso vasomotor
frequentemente acompanhado de respiração irregular e morte)
● LINCOSAMINAS
A lincomicina foi isolada em 1962, a partir do Streptomyces lincolnensis. Posteriormente,
modificações químicas produziram a clindamicina com potência bacteriana aumentada e melhor
absorção oral.
- Lincosaminas ( lincomicina, clindamicina )
- Bacteriostáticos ou bactericidas
- Boa absorção via oral;
- Alta concentração em abscessos (atravessa barreiras);
- Espectro: semelhante à penicilina; também atinge o S. aureus e outro produtores de
penicilinases;
- Reação adversa: amais frequente é a diarreia
- Clindamicina: útil para evitar a síndrome compartimental (causada por Streptococcus
pyogenes). Indicada em infecções causadas por anaeróbios gram-positivos e anaeróbios
gram-negativos.
R�UMO ANTIBIÓTICOS INIBIDOR� DA SÍNT�E PROTEICA
Oxazolidinonas Linezolida: infecções graves por Gram + multirresistentes. Inibe MAO. custo.
Macrolídeos Azitromicina, Claritromicina e Eritromicina (menos usado). Primeira escolha
para pneumonia por bactérias atípicas. Cólica, náusea, diarreia, intervalo QT.
Aminoglicosídeos Estreptomicina, Canamicina, Gentamicina, Amicacina, Neomicina, Netilmicina,
Tobramicina, Paromomicina , Espectinomicina. efeito Gram - algumas + como
micobactéria, e S. aureus. Causa oto e nefrotoxicidade e BNM/apneia. custo.
Anfenicóis Cloranfenicol: Bacteriostáticos/bactericida dose. SNC, epiglotite aguda, febre
tifóide. Alterações hematológicas (anemia aplástica), síndrome do bebê
cinzento
Lincosaminas Lincomicina, Clindamicina. [ ] em abscessos (atravessa barreiras). Diarréia.
Tetraciclinas Tetraciclina, doxiciclina, limeciclina, minociclina, oxitetraciclina, tigeciclina,
demeclociclina. 1º escolha: infecções por Riquétsias, Micoplasmas e Clamídias.
Contraindicado p/ gestante, lactante, 8(12)anos. Alergia, efeito TGI, cor dente.
Rifamicinas Amplo espectro, agente antituberculoso.
Emprego de Antibióticos Durante a Gravidez
Antimicrobiano Toxicidade Fetal Recomendação e Observação
Penicilina Não observada Provavelmente seguro
Cefalosporina Não observada Provavelmente seguro
Aztreonam Não observada Provavelmente seguro
Imipenem/cilastatina e
meropenem
Alguns estudos mostram
toxicidade com
Imipenem/cilastatina
Cautela
Aminoglicosídeos Potencial ototoxicidade Cautela
Antibióticos que podem causar alteração do estado mental:
- Fluorquinolonas.
- Cefalosporinas (cefepima, ceftazidima, cefazolina).
- Penicilina.
- Carbapenêmicos ( imipenem, ertapenem).
+ Alguns fatores de risco podem ser idade, doenças neurológicas pré-existentes e doença renal,
muito relacionado à dose imprópria para clearence. Para as fluorquinolonas só a idade pode
ser fator de risco.
ORIENTAÇÕES SOBRE A RDC N° 20/2011
Para a prescrição de medicamentos antimicrobianos não há modelo de receita específico. A receita
deve ser prescrita de forma legível, sem rasuras, em duas vias e contendo os seguintes dados :
I - identificação do paciente: nome completo, idade e sexo;
II - nome do medicamento ou da substância prescrita sob a forma de denominação Comum Brasileira
(DCB), dose ou concentração, forma farmacêutica, posologia e quantidade (em algarismos arábicos );
(sem limitação no número de medicamentos)
III - identificação do emitente: nome do profissional com sua inscrição no Conselho Regional ou nome
da instituição, endereço completo, telefone, assinatura e marcação gráfica (carimbo); e
IV - data da emissão .
- A receita de antimicrobianos é válida em todo o território nacional, por 10 (dez) dias a contar
da data de sua emissão.
- A receita não poderá conter a prescrição de medicamentos sejam sujeitos a controle
especial. Demais medicamentos podem ser prescritos na mesma receita.
- Para tratamento prolongado a receita poderá ser utilizada para aquisições posteriores dentro
de um período de 90 (noventa) dias a contar da data de sua emissão, porém deverá conter a
indicação de uso contínuo , com a quantidade a ser utilizada para cada 30 (trinta) dias.
R�UMO ANTIBIÓTICOS
Inibidores de
parede celular
● Beta-lactâmicos :
- Penicilinas: penicilina G, V, ampicilina, amoxicilina.
- Cefalosporinas:
+ 1ºg: cefalotina/cefalexina, cefazolina, cefadroxila.
+ 2ºg: cefuroxima, cefoxitina, cefaclor.
+ 3ºg: ceftriaxona, cefotaxima, ceftazidima.
+ 4ºg: cefepima.
+ 5ºg: ceftaroline, ceftobiprole.
- Monobactâmicos: Aztreonam.
- Carbapenêmicos: Imipenem (+cilastatina), meropenem,
ertapenem.
● Glicopeptídeos : vancomicina, teicoplanina.
● Bacitracina.
● Fosfomicina.
Inibidores de
síntese protéica
● Oxazolidinones: Linezolida
● Macrolídeos: Azitromicina, Claritromicina e Eritromicina.
● Aminoglicosídeos: Amicacina e Gentamicina (principais).
● Anfenicóis: Cloranfenicol.
● Lincosaminas: Lincomicina, Clindamicina,
● Tetraciclinas
● Rifamicinas
+ Glicilciclinas: Tigeciclina.
Inibidores
metabólicos
● Sulfonamidas
- Sulfadiazina
- Sulfametoxazol (cotrimoxazol)
● Trimetoprima
Inibidores da
síntese de DNA
● Fluoroquinolonas
- 1ª g: ácido nalidíxico
- 2ª g: norfloxacino, ciprofloxacino e ofloxacino
- 3ª g: levofloxacino, gatifloxacino (hiperglicemia), moxifloxacino
- 4ª g: gemifloxacino
● Nitroimidazólicos: metronidazol.
Membrana
plasmática
Polimixinas, Anfotericina B, Nistatina.
ANTI-INFLAMATÓRIOS
Questões Norteadoras:
- Como ocorre o processo inflamatório e quais são os principais mediadores envolvidos?
- Como é o mecanismo de ação dos AINEs e dos AIEs?
- Quais as principais indicações e contra-indicações dos AINEs e dos AIEs?
- Quais os principais efeitos colaterais dos AINEs e dos AIEs?
INFLAMAÇÃO
Reação complexa/protetora do tecido conjuntivo vascularizado a qualquer estímulo/agressão, seja
ele endógeno ou exógeno. Essa resposta é liberada pelos mediadores químicos e exsudatos.
Inflamação Aguda: Resposta imediata e de curta duração (horas-dias) contra um agente prejudicial.
Exsudação de fluidos e proteínas plasmáticas (edema). Migração de leucócitos e neutrófilos.
Inflamação Crônica: resposta persistente (semanas - meses), com destruição tecidual, aumento do
tecido conjuntivo juntamente com fibrose.
Resposta imunológica inata: Formação de edema e exsudação local rica em mediadores químicos.
Reconhecido pelos macrófagos.
- PAMP: Padrões moleculares associados a patógenos. Agente biológico. São reconhecidos por
um receptor tipo Toll (TLR).
- DAMP: Padrões Moleculares Associados a Danos. Do próprio organismo, e induz os tecidos
agredidos a liberar moléculas que indicam a presença do agente agressor. Ativam a produção
de histamina e prostaglandinas.
Resposta imunológica adaptativa: Ativação de células competentes contra possíveis patógenos na
inflamação.
Resposta Inflamatória Mediador químico
Edema, Rubor e Calor tissular
Histamina, Prostaglandinas, Leucotrienos,
Bradicinina, Fator de AtivaçãoPlaquetária
Lesão Tissular Neutrófilos, Mastócitos, Basófilos
Quimiotaxia Fragmentos do Complemento
Dor Prostaglandinas, Bradicinina
Febre IL-1 e IL-6
Leucocitose FNT- alfa (fator de necrose tumoral) IL-8
Autacóides (auto – remédio) são substâncias naturais do organismo com estrutura química ativada
mediante à estímulos.
Sinais da Inflamação: Dor, Calor, Rubor, Tumor, Perda de função e Processo reativo do tecido diante
de um agente agressor.
Mecanismo de Hiperalgesia
- CGRP: Gene receptor relacionado ao calcitonina
- Prostaglandina: Dor, vasodilatação, febre.
- Bradicinina: Vasodilatadora e permeabilizadora, facilita a migração dos leucócitos.
- Substância P: Facilita os processos inflamatórios (Vômito, ansiedade, dor)
1. Sangramento anóxia
2. Extravasamento de conteúdo celular (K, bradicinina, etc)
3. Migração de mastócitos (histamina e serotonina)
4. Reação do ácido aracdônico prostaglandinas e prostaciclinas
5. Os nociceptores ficam mais excitáveis, inclusive a estímulos inócuos
6. Os nociceptores apresentam reação inflamatória neurogênica : liberam prostaglandinas e sub
P acentuando o processo inflamatório.
A lesão na membrana desencadeia uma resposta imunológica que libera mediadores químicos , que
ativam enzimas , essas degradam os fosfolipídios da membrana (fosfatidilcolina e fosfatidilinositol)
assim liberando Diacilglicerol e Ácidos Graxos que leva ao acúmulo de Ácido Aracdônico .
Ácidos araquidônico ativa as enzimas ciclooxigenase, que são:
- COX 1 expressa de maneira constitutiva na maioria das células (inflamação inicial/leve) –
importante na regulação da homeostase e citoproteção epitelial gástrica.
- COX 2 precisa ser ativada (processo inflamatório tardio e intenso) – importante no processo
inflamatório e constitutivamente no endotélio, cérebro, intestinos, rins, testículos, ovários,
tireóide, pâncreas.
- COX 3 (isoforma da COX-1) – encontrada no cérebro, na medula espinal e coração.
Principais Funções:
● PROSTAGLANDINAS
- Controle da pressão arterial.
- Estimulação da contração da
musculatura lisa.
- Indução da resposta inflamatória.
- Inibição da agregação plaquetária.
● TROMBOXANO
- Mobiliza o cálcio intracelular.
- Promove agregação plaquetária.
- Vasoconstrição.
- Contração do músculo liso.
- Produzido primariamente pelas plaquetas.
● LEUCOTRIENOS
- Estimulação da contração da musculatura lisa.
- Indução da resposta alérgica.
- Indução da resposta inflamatória.
+ Inibidores da síntese de leucotrienos (como a prednisona e a prednisolona) são usados no
tratamento da asma.
Funções Fisiológicas dos Prostanóides
PGE 2 *
- Aumenta muco e bicarbonato TGI
- Vasodilatação
PGD 2
- Vasodilatação
- Inibição da agregação plaquetária
PGF 2 - Contração do útero
PGI 2 *
- Vasodilatação
- Inibição da agregação plaquetária
- Aumento do muco e bicarbonato no TGI
TXA 2
- Agregação plaquetária
- Vasoconstrição
- Broncoconstrição
* Efeito Renal
- PGE e PGI mantém a vasodilatação compensatória na arteríola aferente em resposta à
norepinefrina ou angiotensina II.
- Especialmente em pacientes com comprometimento renal, pacientes idosos, cardiopatas ou
hepatopatas:
Agregação plaquetária:
● TXA2 (tromboxano)
- Produzido pelas plaquetas
- Pró-agregante
● PGI2 (prostaciclina)
- Produzida pelo endotélio
- Antiagregante
Anti-inflamatórios não esteroidais - AIN�
Fármacos que apresentam propriedades analgésicas, antipiréticas e anti-inflamatórias usados no
tratamento dos sintomas da inflamação. Mecanismo de ação: Inibe COX.
Efeito Analgésico
Reduzem a dor causada por lesão tecidual ou por mediadores inflamatórios que atuam em
terminações nervosas (bradicinina, 5-hidroxitriptamina). Essa ação é indireta, no sentido que os
AINEs diminuem a produção de PGs, as quais sensibilizam as terminações nervosas para estes
mediadores indutores de dor . Quem envia o sinal de dor para as vias de nocicepção são os
nociceptores, esses são sensibilizados pelas prostaglandinas, sem essas prostaglandinas os
nociceptores não vão enviar o sinal, assim não propagando o sentimento de dor.
- Uso clínico: bursite, artrite, dor de dente, cefaleia, dores musculares.
Efeito Antipirético
Os AINEs reduzem a febre. A temperatura corporal é controlada por um “termostato” hipotalâmico, o
qual assegura que a produção e a perda de calor estejam equilibradas em torno de um determinado
valor. A febre ocorre quando a IL-1, IL-6, TNF- , produzem no hipotálamo, prostaglandinas do tipo E,
como PGE 2 que aumentam a taxa de disparos dos neurônios, assim interferindo no “termostato”
hipotalâmico alterando aquele valor. Os AINEs atuam pela interrupção da síntese das PGs relevantes .
Ação Anti-Inflamatória
Os AINEs inibem a enzima COX , assim reduzem aqueles aspectos da inflamação em que os produtos
da COX-2 desempenham uma função, especificamente a vasodilatação, a qual, por sua vez, facilita o
aumento da permeabilidade vascular das vênulas pós-capilares. Alguns são potentes
anti-inflamatórios (p. ex., naproxeno, piroxicam, celecoxibe), outros têm atividade mais moderada (p.
ex., ibuprofeno). Alguns apresentam efeito anti-inflamatório apenas discreto (p. ex., paracetamol).
Classificação de AINEs
● AINEs Atipicos
● AINEs Tipicos
- Não seletivos
- Seletivos
AINEs ATÍPICOS
- Ácido acetilsalicílico (AAS)
- Dipirona
- Paracetamol
ÁCIDO ACETILSALICÍLICO (AAS)
- Aine mais prescrito
- Bloqueio irreversível da COX-1 (modifica a enzima)
- Usos clínicos:
+ Dor leve a moderada, cefaléia, mialgia, artralgia.
+ Antiagregante plaquetário (maior uso).
- Efeito anti-inflamatório: interfere na biossíntese de PGs, age em Lipoxinas, inibe a liberação de
LTB4 por neutrófilos. Efeito em doses altas (1g, 4-6h).
- Efeito analgésico: reduz dor de baixa e média intensidade (325 - 650 mg, 4-6 h)
- Efeito antipirético: redução rápida e eficaz.
AAS como Antiagregante Plaquetário
- Utilizado em baixas doses 325 mg
- Utilizado em pacientes que sofrem eventos trombolíticos ( IAM, AVE, TEP ) ou em pacientes com
risco de sofrer trombos ( fibrilação atrial, ataque isquêmico transitório ).- Uso crônico de AAS: para cirurgias, suspender o uso ~10 dias antes do procedimento.
- Atua nas células endoteliais inibindo a síntese de PGI2 e nas plaquetas, inibindo a síntese de
tromboxano e consequentemente diminuindo a agregação plaquetária.
Efeitos Adversos do AAS
- Não recomendado para crianças Síndrome de Reye. A dose máxima para crianças é de
10mg/Kg 4-6h. A Síndrome de Reye corresponde a uma disfunção mitocondrial associada a
encefalopatia e esteatose hepática microvesicular, está associada com infecções virais. O uso
de AAS aumenta o risco de desenvolvimento dessa doença.
- Úlceras e hemorragias gástricas, nefrotoxicidade e lesão hepática.
- Exacerbação da asma (5-10%).
- Alergias.
- Intoxicação (em altas doses – barreira hematoencefálica) Não há antídotos. Somente
controle das convulsões e ressuscitação do paciente caso ocorra parada cardiorrespiratória.
PARACETAMOL (Acetaminofeno)
- Muito utilizado como antipirético (COX-3) e analgésico
- Pouco efeito anti-inflamatório
- Menos efeito em plaquetas e TGI
- Extremamente hepatotóxico (cuidado com a dose Não exceder 4 g/dia)
- Tratamento na intoxicação por paracetamol: Lavagem gástrica com carvão ativado e
N-acetilcisteina.
HEPATOTOXICIDADE: o paracetamol desenvolve lesão hepática através de seu metabólito
intermediário, resultante da biotransformação hepática. Normalmente, este metabólito reage com o
grupamento sulfidril da glutationa e é excretado como mercapturato. Porém, após o uso de altas
doses de paracetamol, ocorre saturação nas reações de conjugação com ácido glicurônico e sulfato,
fazendo com que este metabólito, ao consumir cerca de 70% de glutationa hepática, possa reagir com
as proteínas hepáticas, através de ligação covalente, levando à necrose hepática.
DIPIRONA
- Semelhante ao paracetamol porém sem risco elevado de lesão hepática grave.
- Não costuma ter muitos efeitos adversos, mas pode causar:
+ Hipotermia
+ Agranulocitose (redução de neutrófilos, basófilos, eosinófilos)
+ Aplasia medular (deficiência medular)
AINEs TÍPICOS - NÃO SELETIVOS
- Ácido Acético
+ Diclofenaco
+ Indometacina
+ Etodolaco
- Ácido Propiônico
+ Cetoprofeno
+ Naproxeno
+ Ibuprofeno
+ Flurbiprofeno
- Ácido Enólico
+ Meloxicam
+ Piroxicam
- Não Acídicos
+ Nimesulida
ÁCIDO ACÉTICO
DICLOFENACO INDOMETACINA
Ação COX-1 e COX-2 Mais seletivo para COX-1
Cinética
Cp pico 1-2h
½ vida 2-3h
Cp pico 1-2h
½ vida 2:30h
Doses MAX 150 mg/dia MAX 100 mg/dia
Indicações
Artrite reumatoide
Osteoartrite
Bursite
Pós-operatório
Dismenorreia
DOR - cálculo renal
Artrite reumatoide
GOTA
Doença de Hodgkin
Tocolítico
Efeitos Colaterais
Sangramento e úlceras TGI
Reações alérgicas
Edema
Depressão da função renal
Eventos cardiovasculares
Cefaleia
Neutropenia (Inibe motilidade)
Trombocitopenia
Outros
Mais potente que indometacina e
naproxeno!
Antagoniza
Antagoniza efeitos dos diuréticos
tiazídicos, dos beta-bloqueadores e
inibidores de ECA
ÁCIDO PROPIÔNICO
CETOPROFENO NAPROXENO IBUPROFENO
Cinética
Cp pico 1-2h
½ vida 2h
Cp Pico 1h
½ vida 14h
Cp pico 15-30 min
½ vida 2-4h
Doses
25-75 mg 3-4x/dia MAX 1g/dia (2-4x)
Crianças: 5 mg/Kg,
2x/dia
200-800 mg/dose (3-4x/dia)
Criança: (febre) 5-1mg/kg
cada 6 horas.
AA 20-40 mg/kg/dia (3-4)
Indicações
Artrite reumatoide
Osteoartrite
Bursite
Artrite reumatoide
Osteoartrite
Bursite
GOTA
Dismenorreia
Cefaleia
Febre
Dor Branda
Efeitos Colaterais
Dispepsia
Desconforto Gástrico
(Náuseas, Vômitos)
Dispepsia
Desconforto Gástrico
(Náuseas, Vômitos)
Sonolência
Pirose
Dor epigástrica
Náuseas
Pirose
Grávidas : fechamento
prematuro do ducto arterial
eventos cardiovasculares
Outros Antagoniza Antagoniza efeitos Antagoniza
ÁCIDO ENÓLICO
PIROXICAM MELOXICAM
Cinética
Cp Pico 3-5h
½ vida 45-50h
Cp Pico 5-10 h
½ vida 15-20h
Doses 20 mg/dia 7,5-15mg/dia
Indicações
Artrite reumatóide
Osteoartrite
Espondilite
Dismenorreia
Pós-operatório
GOTA
Osteoartrite
Efeitos Colaterais Sangramento e úlceras TGI Lesões gástricas
Outros
Não deve ser usado como
primeira escolha
10x mais seletivo para COX-2
NÃO ÁCIDOS
NIMESULIDA
Cinética
Cp Pico 1-2h
½ vida 2-5h
Doses 100 mg/2x dia
Indicações
Tratamentos orais
Dismenorréia
Inflamações urológicas
Inflamação trato respiratório superior
Artrite reumatóide
Osteoartrite
Efeitos colaterais Sangramento TGI
Outros
Mais seletivo para COX-2
Inibidor fraco da PGE, inibe função de leucócitos
bom para hipersensibilidade AAS e outros AINEs
Efeitos Adversos dos AINEs não seletivos
● Formação de úlcera péptica: Incidência 20-40%. Atenção redobrada aos pacientes que fazem
uso de AINEs por tempo prolongado.
- Ibuprofeno < diclofenaco < naproxeno < indometacina < piroxicam.
● Rins: Insuficiência Renal Aguda (hemodinamicamente induzida). Uso crônico ou abusivo pode
causar nefropatia analgésica.
● Problemas na agregação plaquetária
● Prolongamento da gravidez
● Vômitos
● Náuseas
● DiarreiaouConstipação
● Dispepsia (dificuldade de digestão)
AINEs TÍPICOS SELETIVOS (COXIBES)
CELECOXIBE
Cinética
Cp Pico 2-4h
½ vida 6-12h
Doses 100 mg/1-2x dia
Indicações
Artrite reumatóide
Osteoartrite
Pós-cirúrgico
Efeitos colaterais
Formação de trombos
Hipertensão
Insuficiência Renal e Cardíaca
(IAM e AVE)
+ Vários fármacos coxibes como o Rofecoxib, Valdecoxib e Lumiracoxib foram retirados do
mercado devido ao alto risco de eventos adversos cardiovasculares, especialmente IAM e AVE.
ATÍPICOS - UTILIZAR: dor leve a moderada com menor interferência na inflamação.
TÍPICOS - NÃO UTILIZAR :
- Trauma
- Infecções
- i.v. pós-cirurgia (opiódes)
- Disfunção renal e hepática
- Úlceras gástricas
- Idosos e gestantes (preferência para AAS)
- Asmáticos hiperreativos
TÍPICOS SELETIVOS - NÃO UTILIZAR :
- Insuficiência cardíaca grave
- Cardiopatias isquêmicas
- Propensão a trombos
Anti-inflamatórios esteroidais - AI� → Glicocorticóides
No corpo humano os hormônios esteróides podem ser produzidos pelas glândulas adrenais, ovários,
testículos ou placenta, esses são estimulados pela adenohipófise (ACTH Adrenais hormônios ).
Os dois principais tipos de hormônios adrenocorticais, são os mineralocorticoides e osglicocorticóides , ambos secretados pelo córtex adrenal. A medula da glândula adrenal produz as
catecolaminas adrenalina e noradrenalina.
Mineralocorticóides: produzidos principalmente na zona glomerulosa, o principal hormônio é a
aldosterona.
- ALDOSTERONA: aumenta a reabsorção de sódio e, simultaneamente, a secreção de potássio,
consequentemente promovendo a absorção de água.
Glicocorticóides: produzidos principalmente na zona fasciculada. Os principais hormônios são o
cortisol e cortisona (interferem com a glicemia).
- CORTISOL: tem função catabólica, no equilíbrio eletrolítico e no metabolismo de carboidratos,
proteínas e lipídeos, além de possuir um potente efeito antiinflamatório. Cortisol em excesso
pode ser um problema pois:
+ Altera a função do sistema imunológico
+ Diminui a síntese de proteína atrofia muscular pela perda de aminoácidos.
+ Aumenta absorção de sódio e água aumenta frequência cardíaca
+ Provoca mobilização de ácidos graxos má distribuição de gordura
+ Reduz reserva de cálcio risco para osteoporose
+ Estimula gliconeogênese hiperglicemia
+ Deprime função tireoidiana
+ Deprime função reprodutiva e síntese de hormônios sexuais
+ Modula a permeabilidade da BHE a diversas substâncias
Cortisol - Ciclo Circadiano: maiores níveis de ACTH e CORTISOL são encontrados nas primeiras horas
do dia, o que influencia na prescrição de corticoides, pois não se pode administrar corticóides no
momento do pico de cortisol pois isso vai aumentar o nível de cortisol no corpo e ativar o feed back
negativo inibindo o eixo HPA (Hipotálamo Adenohipófisis Córtex adrenal = Cortisol).
Glicocorticóides na Inflamação - REDUZ TUDO:
- Diminui Ativação de neutrófilos e macrófagos Redução da transcrição de genes de fatores
de adesão e citocinas.
- Diminui Ativação de células T Transcrição de genes para IL-2.
- Diminui Função dos fibroblastos Menor produção de colágeno, menor cicatrização.
- Diminui Atividade dos osteoblastos osteoporose.
Mecanismo de ação dos glicocorticóides: Inibem fosfolipase A2 e modifica fosfolipase C
membrana não degrada não tem perda tecidual não tem formação de ácido aracdônico.
Efeitos antiinflamatórios da ANEXINA-1 (LIPOCORTINA)
- Inibição direta da PLA2
- Inibição da liberação de ACTH e CRH
- Inibição da expressão de COX-2, IL-6 e iNOS
- Estimulação da liberação de IL-10 – (fator inibidor da síntese de citoquinas)
- Inibição da migração leucocitária
- Indução da apoptose de células inflamatórias
- Eliminação de células e restos apoptóticos
Duração dos fármacos corticóides
CURTA (8-12h) INTERMEDIÁRIA (12-36h) LONGA (36-72h)
Hidrocortisona
Cortisona
Prednisona*
Prednisolona*
6 -Metilprednizolona
Triancinolona
Betametasona
Dexametasona*
Parametasona
- Prednisona: inflamação aguda.
- Prednisolona: inflamação crônica.
- Dexametasona: uso tópico.
OBS.: Terminou com sona/ona é um corticoide.
Alguns usos dos glicocorticóides:
Efeitos Adversos dos GC
- Retarda o crescimento das crianças (interage com parte óssea)
- Osteoporose (balanço de cálcio negativo)
- Aumenta o apetite
- Glaucoma
- Aumento do risco de infecções (age com o sistema imunológico)
- Distúrbios emocionais
- Hipertensão
- Edema periférico
- Hipopotassemia
- Aumento do risco de diabetes
- Distribuição centrípeta da gordura corporal
NÃO PODE USAR EM: pacientes diabéticos, pacientes com osteoporose, problemas imunes, pacientes
com cardiopatias.
A terapia prolongada e/ou com altas doses de corticóides, além dos importantes efeitos colaterais
associados (síndrome de Cushing), pode causar três complicações quando seu uso é interrompido ou
retirado de maneira inadequada: insuficiência adrenal secundária à supressão do eixo
hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), síndrome de retirada ou deprivação dos corticóides e reativação
da doença de base.
FARMACOLOGIA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO
Alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico após a exposição a uma série de agentes,
em indivíduos predispostos geneticamente. É também chamada de reação de hipersensibilidade.
Elementos que podem dar alergia são:
- Pelo de animais.
- Alimentos como camarão.
- Alguns medicamentos.
- Pólen.
Reações alérgicas:
- Lacrimejamento e coceira nos olhos.
- Nariz vermelho e entupido.
- Irritação na pele.
- Asma
Rinite Alérgica
A rinite alérgica consiste em uma inflamação da mucosa nasal mediada por IgE.
1. Contato com partícula alérgica
2. Entrada dessas partículas em vasos linfáticos
3. Reconhecimento das partículas alérgicas pela célula B (com ajuda de célula T)
4. Sintetização de IgE
5. IgE liga-se a mastócitos
6. Novo contato com a partícula alérgica faz com que ocorra a desgranulação dos mastócitos e
liberação de mediadores alérgicos como histamina .
7. Assim ocorre o processo alérgico causando sintomas em diversos sistemas.
Sinais e sintomas da rinite alérgica: obstrução nasal, coriza, espirros, coceira no nariz ou olhos,
alterações do olfato, etc.
Tratamento da Rinite Alérgica - Considerar sintomas nasais, do palato e dos olhos
- Para alívio dos sintomas agudos: Anti-histamínicos, descongestionantes nasais.
- Para tratamento: Anti-histamínicos, cromoglicato, glicocorticóides, antagonistas de
cis-leucotrienos.
HISTAMINA
Produzida por
- Mastócitos, basófilos - reservatório de renovação lenta.
- Células enterocromafins-símiles da mucosa gástrica e neurônios – reservatório de renovação
rápida.
Receptores:
- H1 – células endoteliais e musculares lisas (inflamação e alergias)
- H2 - células parietais da mucosa gástrica (secreção de ácido), músculo cardíaco, mastócitos
- H3 - neurônios histaminérgicos pré-sinápticos no SNC e células ECL no estômago
- H4 - mastócitos, eosinófilos e basófilos (quimiotaxia de mastócitos e produção de leucotrienos)
TECIDO EFEITO DA HISTAMINA MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS RECEPTOR
Pulmões Broncoconstrição Sintomas semelhantes à asma H1
Músculo liso
vascular
Dilatação das vênulas
pós-capilares e arteríolas
terminais. Vasoconstrição.
Eritema H1
Endotélio
vascular
Contração e separação das
células endoteliais
Edema, reação de pápula H1
Nervo
periférico
Sensibilizaçãodas terminações
nervosas aferentes
Prurido, dor H1
Anti-histamínicos H1
O termo anti-histamínicos H1 surge no âmbito de
estudos que provaram que, pelo menos em teoria,
estes podem actuar quer como agonistas inversos,
quer como antagonistas neutros. Isto é, os
receptores H1 coexistem em dois estados de
conformação, conformação inativa e ativa , que
estão em equilíbrio na ausência de histamina ou de
anti-histamínico.
● A histamina atua como agonista para a conformação ativa do receptor H1 e desvia o equilíbrio
para o estado activo do receptor. O grau de deslocação desse equilíbrio dependerá de se
tratar de um agonista completo ou parcial.
● Os anti-histamínicos podem atuar como agonistas inversos ligando-se preferencialmente à
conformação inativa do receptor H1 e assim desviar o equilíbrio para o estado inactivo este
caso o grau de deslocação do equilíbrio depende da natureza do agonista inverso.
Anti-histamínicos H1 - ORAIS
Primeira Geração Segunda Geração
Difenidramina
Hidroxizina
(Dex)Clorfeniramina
Prometazina
Loratadina
Desloratadina
Cetirizina
Fexofenadina
Atravessam a BHE
(não ionizados)
Não atravessam a BHE
(ionizados e ligados a albumina)
Usos
- Diminuem permeabilidade – edema, espirros, rinorréia e prurido.
- Cinetose, náusea e vômito – Dimenidrinato, difenidramina, prometazina.
- Insônia, ansiolítico fraco ou hipnóticos – dimenidrinato, difenidramina, hidroxizina e
prometazina (primeira geração).
- Ineficazes sozinhos para anafilaxia ou edema de glote e asma.
Efeitos colaterais
- SNC – sedação; diminuição da neurotransmissão e do rendimento cognitivo.
- Efeitos anticolinérgicos – midríase, ressecamento dos olhos, xerostomia e retenção urinária
Anti-histamínicos H1 - INTRANASAL
● Azelastina
- Também inibe a liberação de histamina, leucotrienos, PAF, serotonina
- Eficaz para rinorréia, congestão e prurido, mas sem efeito fora do sítio nasal
- Age entre 15-30 min, com 12 h de duração
- Podem causar sedação, tonturas
● Cromoglicato
- Estabiliza membrana de mastócitos – impede liberação de histamina e leucotrienos.
- Suprime ativação e quimiotaxia de neutrófilos, eosinófilos e monócitos nas vias aéreas.
- Inibe reflexo da tosse.
- Usado profilaticamente também na asma pós-exercício
- Administrado via spray nasal
- Meia-via – 45 a 100 min
- Efeitos adversos – sibilos, cefaléia, náuseas
Anti Histamínicos Primeira Geração
Acentuado potencial para produzir sedação Utilizado no tratamento da doença do movimento
Bronfeniramina
Clorfeniramina
Clemastina
Ciproeptadina
Doxilamina
Difenidramina
Hidroxizina
Prometazina
Ciclizina
Difenidramina
Hidroxizina
Prometazina
Anti Histamínicos Segunda Geração
Baixo potencial para produzir sedação Não sedativo
Acrivastina
Cetirizina
Levocetirizine
Desloratadina
Fexofenadina
Loratadina
DESCONGESTIONANTES NASAIS
Agonistas adrenérgicos alfa-1
- Vasoconstrição
- Redução do edema e da congestão nasal
- Melhora ventilação
Fármacos
- Oximetazolina
- Nafazolina
- Fenilefrina
- Pseudoefedrina
- Cloreto de sódio
Efeitos Adversos
- Rinite medicamentosa – uso > 3 a 5 dias
- Queimação, ardência, espirros e ressecamento da mucosa nasal
- Taquicardia
Glicocorticóides Nasais
- Melhoram espirros, prurido, rinorreia e congestão nasal.
Fármacos
- Beclometasona
- Budesonida
- Fluticasona
- Ciclesonida
- Mometasona
- Triancinolona.
Efeitos Adversos
- Podem causar irritação, sangramento nasal.
- Dor de garganta.
- Raramente candidíase.
Efeitos dos Corticóides na Rinite
- Reduz o recrutamento e influxo de células inflamatórias, principalmente mastócitos
- Reduz secreção de leucotrienos, IL-4, IL-5, IL-6, IL-8
- Reduz ativação de plasmócitos e produção de IgE
- Reduz ativação de linfócitos T
ASMA
CASO CLÍNICO: Menina, 7 anos, com queixa de crises de tosse e chiado desde 3 anos de idade. As
crises duram em torno de 5 dias. Geralmente procura o Pronto Socorro, onde recebe de 2 a 3
inalações com brometo de ipratrópio (250 mcg/dose) e bromidrato de fenoterol (0,1 mg/kg/dose),
com melhora. Mãe relata de 2 a 3 crises semelhantes por ano, especialmente entre maio e agosto.
Ficou internada há 6 meses, com quadro de pneumonia lobar na base do pulmão direito, durante uma
semana. A partir de então, passou a levar regularmente ao pediatra para tratamento.
Encontra-se em uso de fluticasona inalatória em dose baixa há 6 meses (400 mcg/dia). Há 2 meses,
tem recebido salbutamol (100 mcg) 2 x por semana para crises de tosse. Há 1 mês, apresentou
quadro de “ resfriado forte” tratado com corticóide oral (12/12 h; 2 mg/kg) e salbutamol por 5 dias.
Mantém tosse noturna em torno de 3x/semana .
Divide o quarto com irmão, com cortinas de tecido, piso laminado. Ambos têm vários bichos de
pelúcia. A família possui um gato de raça não definida.
Asma Brônquica
- Inflamação crônica das vias aéreas.
- Hiperresponsividade e hiperreatividade brônquica.
- Obstrução reversível das vias aéreas.
- Sinais e sintomas: Sibilos, dispnéia, aperto no tórax e tosse (noturna).
- Fatores de risco : histórico familiar, atopia, exposição a alérgenos, infecção do trato
respiratório superior.
Tipos de Asma
- Alérgica
- Não-alérgica
- Tardia
- Relacionada à obesidade
- Relacionada ao ácido acetil-salicílico
Fisiopatologia da Asma
Asma é uma inflamação crônica das vias aéreas (traquéia, brônquios e bronquíolos). Nos
bronquíolos temos o lúmen, a camada mucosa que é composta por células epiteliais e a lâmina
própria e a camada submucosa que é composta pelo músculo liso. As principais células responsáveis
na asma são as células Th2 , estas liberam citocinas e interleucinas, especialmente a IL-5 que recruta
eosinófilos , esses então liberam vários mediadores como leucotrienos, citocinas, prostaglandinas,
entre outros que vão criar uma resposta inflamatória no tecido, levando a broncoconstrição
(espasmo do músculo liso dos brônquios) e hipersecreção de muco , ambas mudanças que causam o
estreitamento das vias aéreas e consequentemente dispneia . A Th2 também ativamastócitos (por
fatores de liberação de histamina e neuropeptídeos), plasmócitos (pela IL-4) e neurônios (pelas
neurotrofinas) que também contribuem com este processo inflamatório. A princípio as mudanças
causadas pela asma, broncoconstrição e hipersecreção de muco, são reversíveis, porém ao longo
dos anos podem surgir lesões irreversíveis como edema, cicatrizes e fibrose, que reduzem o lúmen
da via aérea permanentemente. Para reação asmática aguda o IgE desempenha grande papel. Alguns
pacientes, em menor proporção, têm a asma provocada por neutrófilos e IL-8 ao invés de Th2 e IL-5.
Independente da célula precursora a asma é causada por fatores genéticos, e fatores ambientais .
Alguns gatilhos para asma são poluição do ar, cigarro, poeira, pelo de animais, mofo, e alguns
medicamentos como aspirina e beta-bloqueadores.
Tratamento da Asma: broncodilatadores e anti-inflamatórios
1- Broncodilatadores
- agonistas dos receptores β2 adrenérgicos;
- antagonistas dos receptores muscarínicos; (crises agudas)
- antagonistas dos receptores de cis-LTs; (crise aguda, porém menos eficazes que
glicocorticoides)
- xantinas
SABA: agonistas beta adrenérgicos de curta duração (crises agudas)
LABA: agonistas beta adrenérgicos de longa duração (tratamento profilático)
2- Anti-inflamatórios
- glicocorticóides (primeira opção)
- Imunoterapia - Anti-IgE e anti IL-5
Classificação Clínica da Asma
Leve intermitente
(etapa I)
Leve persistente
(etapa II)
Moderada
persistente
(etapa III)
Grave / Grave
persistente
(etapas IV e V)
Sintomas ≤ 2x/semana
> 2x/semana
< 1x/dia
Sintomas diários
mas não contínuos
Sintomas contínuos
Sintomas
noturnos
≤ 2x/mês > 2x/mês > 1x/semana Frequentes
Atividades Em geral normal
Limitações para
grandes esforços
Prejudiciais Limitações diária
Crises
Ocasionais,breves
com intensidade
variável
Infrequentes
Frequentes.
Exacerbações ≥
2x/semana e que
podem durar dias.
Frequentes-graves
Tratamento para Asma pela Classificação Clínica
Leve intermitente
(etapa I)
TRATAMENTO PREFERENCIAL: Dose baixa de CI + FORM por demanda.
OUTRAS OPÇÕES: CI + SABA por demanda (CI sempre dose baixa com
SABA).
Leve persistente
(etapa II)
TRATAMENTO PREFERENCIAL: Dose baixa de CI diária + SABA por
demanda ou FORM de manutenção e resgate.
OUTRAS OPÇÕES: Montelucaste + SABA por demanda ou dose baixa de CI
sempre que usar SABA.
Moderada persistente
(etapa III)
TRATAMENTO PREFERENCIAL: Dose baixa de CI + (LABA + SABA) por
demanda ou FORM de manutenção e resgate.
OUTRAS OPÇÕES: CI dose média + SABA por demanda ou CI dose baixa
montelucaste + SABA por demanda.
Grave
(etapas IV)
TRATAMENTO PREFERENCIAL: Dose média de CI + LABA + SABA de
resgate ou CI dose média + FORM de manutenção + CI dose baixa +
FORM de resgate.
OUTRAS OPÇÕES: CI dose alta, adicionar tiotrópio ou montelucaste.
Grave persistente
(etapas V)
TRATAMENTO PREFERENCIAL: CI dose alta + LABA, adicionar
tiotrópio.
OUTRAS OPÇÕES: adicionar CO em dose baixa.
- CI: corticoide inalatório
- FORM: fumarato de formoterol
- SABA: agonistas beta adrenérgicos de curta duração (crises agudas)
- LABA: agonistas beta adrenérgicos de longa duração (tratamento profilático)
Glicocorticóides
- Reduzem ativação de LTh2 e induzem sua apoptose.
- Reduzem ativação de linfócitos B e a produção de IgE = reduzem sensibilização e
desgranulação de mastóditos.
- Reduzem a produção de ILs e a ativação de eosinófilos = diminuem lesão epitelial.
- Supra-regulam receptores β2.
Fármacos:
1- Beclometasona (disponível no SUS)
2- Budesonida (1 ou 2 inalações, 1 ou 2 x/dias)
3- Fluticasona (1 ou 2 inalações, 1 ou 2 x/dias)
4- Mometasona
5- Ciclesonida
Efeitos adversos:
- Inalatórios – candidíase orofaríngea, disfonia.
- Sistêmicos – distúrbios do humor, aumento do apetite, alterações glicêmicas em diabéticos e
osteoporose.
Agonistas β2-adrenérgicos
- Efeitos em beta dois, inibe liberação de mediadores em mastócitos; aumentam remoção do
muco, potencializam efeitos dos glicocorticóides.
- Ação curta (SABA): salbutamol, fenoterol, terbutalina (3/5h).
- Ação longa (LABA): formoterol e salmeterol (8/12h).
- Efeitos adversos: tremor, taquicardia, vasodilatação periférica, arritmias.
Administração
Antagonistas dos receptores de cis-LTs
- CisLT: mucosa respiratória e células
inflamatórias infiltrativas.
- Montelucaste
- Zafirlucaste
Mecanismos:
- Reduzem as frequências das
exacerbações.
- Inibem a asma induzida pelo exercício.
- Relaxam as vias aéreas.
- Ação aditiva β2.
- Reduzem a eosinofilia no escarro.
- Alternativa ao uso de corticóides no
tratamento de controle da asma leve.
Efeitos Adversos
- Cefaléia
- Distúrbios gastrintestinais
Farmacocinética
- Administração oral
- Montelucaste – meia-vida 3/6h
(comprimido, granulado)
- Zafirlucaste – meia-vida 10h
(comprimido)
Antagonista Muscarínicos
- Ipratrópio : bloqueio M1 e M3; aumento da depuração mucociliar, mais usado para tosse em
asmáticos.
+ via inalatória, 3/5h, poucos efeitos indesejáveis (distúrbios gastrintestinais e
vasodilatação acentuada)
- Tiotrópio (LAMA): DPOC e asma (etapa V), ação longa.
- Coadjuvantes dos agonistas β2 e corticosteróides e mais utilizado para tosse em asmáticos.
Anti-IgE
- Omalizumabe: eficácia depende de redução de mais de 90% da IgE livre.
- Liga-se com IgE livre e diminui a ligação deste com as células, e a expressão dos receptores de
alta afinidade. Assim diminui a liberação de mediadores e consequentemente reações
alérgicas/inflamatórias, portanto prevenindo exacerbação da asma e diminuindo os sintomas.
Anti-IL-5
- Benralizumabe (18 anos)
- Mepolizumabe (6 anos)
1. Se liga ao receptor de IL-5 (IL-5Rα) impedindo sua ligação e ativação de eosinófilos.
2. Se liga ao receptor FcγRIIIα das células NK induzindo a apoptose dos eosinófilos pela ADCC.
Anticorpos
- Adultos e adolescentes com alergias e asma grave.
- Eficaz em reduzir dependência de corticóides inalatórios e orais.
- Omalizumabe - 1 injeção subcutânea a cada 2-4 semanas; meia-vida – 26 dias.
- Benralizumabe – 1injeção subcutânea a cada 4 semanas nas 3 primeiras doses, depois a
cada 8 semanas; meia-vida – 16 dias
- Mepolizumabe – 1 injeção subcutânea a cada 4 semanas por 32 semanas; meia-vida de 16 a
22 dias
Xantinas
- Teofilina, aminofilina – uso agudo
Mecanismos de ação:
- Inibição de isoenzimas da fosfodiesterase (PDE) com aumento do AMPc e/ou GMPc –
diminuição do tônus muscular brônquico.
- Antagonismo dos receptores de adenosina = Adenosina + ML e mastócitos =
broncoconstrição e desgranulação de mastócitos.
- Liberação de IL-10.
- Indução de apoptose de mastócitos, eosinófilos, macrófagos e neutrófilos.
Administração oral ou parenteral (aminofilina)
- Associadas a β2 adrenérgicos ou anticolinérgicos = broncodilatação adicional; 2ª escolha à β2
adrenérgicos.
Ações e efeitos colaterais:
- Estimulam o SNC: alerta, tremor, nervosismo, interferência no sono, convulsões.
- Estimulam o sistema cardiovascular: Ino e cronotropismo positivo + relaxamento músculo liso
cardiovascular = arritmias
- Dose terapêutica muito próxima da dose tóxica
Classe Efeito Fármacos Ação
Agonistas β2 Broncodilatador
SABA: salbutamol,
fenoterol, terbutalina
LABA: formoterol e
salmeterol
Dilatação musculatura
lisa brônquica
Antagonista
Muscarínico/Colinérgico
Broncodilatador
Ipratrópio
Tiotrópio
Dilatação musculatura
lisa brônquica
Xantinas Broncodilatador
Teofilina
Aminofilina
Diminui tônus vascular
Antagonista de receptor
cis-LT
Broncodilatador/
Anti-inflamatório
Montelucaste
Zafirlucaste
Inibem os leucotrienos
e suas ações
Glicocorticóides Anti-inflamatório
Beclometasona
Budesonida
Fluticasona
Mometasona
Ciclesonida
Efeitos
anti-inflamatórios
Anti-IgE Anti-inflamatório Omalizumabe Anticorpo anti-IgE
Anti-IL-5 Anti-inflamatório
Benralizumabe
Mepolizumabe
Anticorpo anti-IL-5
DPOC
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
- Obstrução persistente das vias aéreas causada pelo enfisema ou pela bronquite crônica.
- Afeta as pequenas vias aéreas e o parênquima pulmonar.
- Fator de risco – tabagismo; poluição ambiental e ocupacional.
- Limitação crônica do fluxo de ar, dispnéia, tosse e aumento da produção de muco.
DPOC x ASMA
Tratamento da DPOC
1. Estabelecer o diagnóstico e avaliar os sintomas.
2. Abandonar o tabagismo e realizar imunização contra influenza.
3. Tratar a obstrução e a inflamação Broncodilatadores, glicocorticóides, roflumilaste.
4. Avaliar a hipóxia Terapia com oxigênio a longo prazo.
5. Programa de reabilitação pulmonar Lobectomia e transplante.
Terapia Farmacológica da DPOC
β2-agonistas:
- Curta duração: salbutamol
- Longa duração (LABA): formoterol, salmeterol, indacaterol
Anticolinérgicos:
- Curta duração: ipratrópio
- Longa duração (LAMA): tiotrópio
Corticóides inalatórios (CI)
- Beclometasona, budesonida, fluticasona
Inibidor da fosfodiesterase-4 (PDE4) - Roflumilaste
- Reduz a inflamação aumentando AMPc intracelular = reduz liberação de mediadores
inflamatórios, expressão de marcadores de superfícies em células e a apoptose.
- Usado também para diminuir exacerbações na bronquite crônica grave.
- Efeitos adversos – náuseas, êmese, diarréia, cefaléia, perda de peso, dor abdominal e
distúrbios do sono.
Diretrizes GOLD (Global Initiative for COPD, 2018)
Grupo do Paciente Primeira escolha Alternativas
GRUPO A
Baixo risco
Poucos sintomas
Anticolinérgico curta duração
ou
β2-agonista curta duração
Quando necessário
LAMA ou
LABA ou
β2-agonista curta duração +
Anticolinérgico curta duração
GRUPO B
Baixo risco
Mais sintomas
LAMA
ou
LABA
LAMA + LABA
GRUPO C
Alto risco
Poucos sintomas
LAMA
ou
LAMA + LABA
CI + LABA
GRUPO D
Alto risco
Mais sintomaS
LAMA + LABA
ou
LAMA + LABA + CI
LABA + CI ou
LABA + CI + roflumilaste ou
LAMA + LABA + CI +
roflumilaste
Outras Abordagens:
- Parar de fumar
- Adesivos de nicotina
- Goma de mascar (nicotina)
- Antidepressivos
TOSSE
Tosse é um reflexo protetor que retira material estranho e secreções dos brônquios e bronquíolos.
- Aguda: < 3 semanas
- Subaguda: entre 3 – 8 semanas
- Crônica: > 8 semanas
- Seca ou Produtiva
Água é o melhor antitussígeno: facilita movimentação do muco sobre a camada de cílios
Chás são bons e muitas vezes tem propriedades anti-inflamatórias
● Sempre que possível tratar a causa subjacente e não a tosse!
Doenças Relacionadas
Pneumonia Tuberculose Refluxo Rinite/sinusite Asma
tosse com
catarro
febre
fraqueza
pontadas no peito
tosse
perda de peso
falta de apetite
sudorese noturna
febre
tosse ao deitar ou
depois de comer
tosse
coceira na
garganta
coriza
nariz entupido
tosse à noite ou
após esforço
físico
chiado no peito
falta de ar
Fármacos para tosse:
- Antitussígenos
- Expectorantes
+ Mucolíticos
+ Fluidificantes
Antitussígenos são indicados nas seguintes situações:
- tosse não produtiva e de curta duração
- doentes sem patologia crônica de base
- que interfira com o sono
- que provoque/agrave irritação brônquica
- que represente risco para o doente
- antes, durante ou após procedimentos diagnósticos ou intervenções terapêuticas no tórax,
brônquios ou pleura
- Após extubação
Fármacos Antitussígenos
- Clobutinol - ação seletiva no centro da tosse
- Dropropizina, Levodropripizina
- Difenidramina/prometazina (anti-histamínico - casos de alergia)
- Dextrometorfano – eleva limiar da tosse
- Codeína – supressor moderado
Fármacos Expectorantes
Facilitam a eliminação do muco das vias aéreas superiores.
1. Mucolíticos - diminuem a viscosidade das secreções
- Acebrofilina (Brondilat®) – broncodilatador, mucolítico e expectorante
- Ambroxol (anabron®, mucosolvan®) Inibe liberação de citocinas (TNF-α, IL-2)
- N-acetilcisteína (fluimicil®)
- Carboximetil-cisteína (mucofan®, mucolit®) Rompem ligações S-S de glicoproteínas.
Podem provocar estomatites e irritação do TGI
2. Fluidificantes
- Aumentando o fluxo das secreções
- Guaifenesina (Xarope vick de guaifenesina®)
- Iodeto de potássio (MM expectorante®, Expec®) . Quase não há provas de sua eficácia
clínica
+ Diabéticos xaropes com açúcar!
DIABETES
Glicose em jejum
(mg/dL)
Glicose 2 horas após
sobrecarga (mg/dL)
HbA1c (%)
Normoglicemia < 100 <140 <5,7
Pré-diabetes ≥ 100 e <126≥140 e <200 ≥5,7 e <6,5
Diabetes ≥126 ≥200 ≥6,5
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), no seu posicionamento oficial de 2009 "Atualização sobre
hemoglobina glicada (A1c) para avaliação do controle glicêmico e para o diagnóstico do Diabetes:
aspectos clínicos e laboratoriais", recomenda como meta de HbA1c:
- 0 a 6 anos: HbA1c entre 7,5 e 8,5%
- 6 a 12 anos: HbA1c < 8,0%
- 13 a 19 anos: HbA1c < 7,5%
A ISPAD (International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes), no seu Clinical Practice
Consensus Guidelines 2009 Compendium, considera HbA1c (hemoglobina glicada):
- ideal (não-diabético) < 6,05
- ótima para DM < 7,5%
- sub-ótima para DM 7,5 a 9%
- alto risco > 9,0%
Síntese de Insulina
A insulina é um peptídeo de 51 aminoácidos, ela é sintetizada no retículo endoplasmático das células
do pâncreas endócrino. Ao ser sintetizada encontra-se como um pré-pró-hormônio, que é clivado
ainda no retículo endoplasmático e passa a ser um pré-hormônio chamado de pré-insulina, esse
então passa para o complexo de golgi onde é clivado novamente e assume sua forma ativa de insulina.
A pré-pró-insulina é uma molécula de pró-insulina com um peptídeo de sinal ligado ao seu
terminal-NA. Insulina é um agente hormonal que tem duas cadeias protéicas que são unidas por um
peptídeo conector chamado peptídeo C . A insulina ligada ao peptídeo C é que consiste na pró-insulina.
Quando ocorre a clivagem da pró-insulina, o peptídeo C e a insulina ativa são secretados. Claramente
a insulina ativa e o peptídeo C são secretados na mesma proporção, já que constituíam uma mesma
molécula. Porém a insulina tem uma meia-vida muito mais curta (5 min) comparada com a do peptídeo
C (30 min). Ou seja o peptídeo C resta na circulação por mais tempo, por isso é um marcador para
secreção de insulina . O peptídeo C é importante para medir se a insulina foi secretada de maneira
endógena (peptídeo C presente/alto) ou se foi aplicada (peptídeo C ausente/baixo).
Secreção de Insulina
1. Aumenta a concentração de ATP, promovendo o fechamento de canais de K.
2. Com o fechamento de canais de K , há despolarização da membrana plasmática, resultando na
abertura de canais de Ca dependentes de voltagem.
3. Ocorre influxo de Ca resulta em exocitose de insulina pelas células β
Incretinas: são uma classe de substâncias produzidas pelo pâncreas e pelos intestinos e que
regulam o metabolismo da glicose. São eles: insulina, glucagon, amilina, GLP-1 (glucagon-like
peptide-1) e GIP (glucose-dependent insulinotropic polypeptide).
Sinalização da Insulina - Processo de transporte de glicose para as células.
A glicose utiliza inúmeros mecanismos para entrar nas células. Isso ocorre com o auxílio de
transportadores de membrana específicos GLUT. Entre os GLUTs o GLUT4, é o principal
transportador para o tecido adiposo, muscular e cardíaco. A inclusão de GLUT4 nas membranas
plasmáticas da maior parte das células é facilitada pela insulina, a qual eleva a taxa de difusão
facilitada de glicose nas células. A insulina funciona nesse mecanismo como a molécula sinalizadora ,
após ser secretada se liga a receptores presentes na superfície celular para desempenhar seu
papel. O receptor de insulina consiste em 4 subunidades: 2 subunidades α fora da célula e 2
subunidades β que se projetam através da membrana para dentro da célula. Passo a passo da
sinalização da insulina:
1. A insulina se liga às subunidades α ;
2. As subunidades β se tornam autofosforiladas ;
3. Isso ativa uma tirosina quinase , levando à fosforilação de outras proteínas como o substrato
do receptor de insulina (IRS );
4. O IRS fosforilado se liga ao fosfatidilinositol (PI) , resultando na ativação do PI 3-quinase ;
5. O PI 3-quinase ativado, ativa outras moléculas, até a ativação de GLUT4 ;
6. Moléculas GLUT4 se deslocam para a superfície celular e facilitam a captação da glicose .
Efeitos Biológicos da Insulina
- Aumenta captação de glicose
- Aumenta síntese de glicogênio
- Aumenta síntese proteica
- Aumenta síntese de lipídeos
- Diminui gliconeogênese
- Diminui Glicogenólise
- Diminui Lipólise
- Altera a expressão gênica
Glucagon
- Sintetizado nas células alfa do pâncreas, é um peptídeo de 29 aminoácidos
- Transporte e circulação: Dissolvido no plasma
- Meia vida: de 4/6 minutos
- Fatores que afetam a liberação: concentração de glicose baixa (<65-70 mg/dL) e
concentração de aminoácidos alta.
- Células/tecidos alvo: principalmente fígado.
- Receptor-alvo/segundo mensageiro: Receptores acoplados a proteínas G ligados a AMPc
- Ação: Aumenta glicose plasmática
+ Gliconeogênese
+ Glicogenólise
+ Lipólise leva a cetogênese no fígado!
- Regulação por retroalimentação: aumento da glicose plasmática inibe a secreção de glucagon
+ Na ausência de insulina aumenta o metabolismo de lipídeos que aumenta os ácidos graxos e
consequentemente os corpos cetônicos cetoacidose diabética.
Fisiopatologia do DM tipo I
Primeiramente ocorre um evento iniciador, como uma exposição a vírus ou toxina que pode disparar
o processo de destruição das células beta em indivíduos com predisposição genética. Durante alguns
anos as células beta são destruídas, resultando em uma diminuição na produção de insulina. Quando
a capacidade secretora de insulina cai abaixo de um limiar, os sintomas do diabetes tipo 1 aparecem
subitamente.
Diabetes mellitus tipo 2 (DM2)
O DM2 corresponde a mais de 90% dos casos. Ele é influenciado por fatores genéticos, idade,
obesidade e resistência periférica à insulina, em vez de processos autoimunes; As alterações
metabólicas são em geral mais leves do que as observadas no DM1 (pacientes com DM2 geralmente
não são cetóticos), mas as consequências clínicas de longo prazo são similares.
A genética, obesidade, estilo de vida sedentário e envelhecimento podem levar a resistência ainsulina que leva a hiperinsulinemia e diminui a tolerância à glicose, o que pode levar a um declínio da
função das células beta e consequentemente instalação de um quadro de diabetes mellitus tipo dois.
+ Níveis mais elevados de insulina são necessários para controlar a glicose sanguínea nos
indivíduos obesos resistentes à insulina.
Diabetes mellitus gestacional (DMG)
- Durante a gestação normal, a resistência à ação da insulina aumenta. Na maioria das
gestações, as células beta pancreáticas são capazes de compensar o aumento da demanda de
insulina, mantendo a normoglicemia;
- Em contrapartida, mulheres que desenvolvem diabetes melito gestacional (DMG) têm déficits
na resposta das células beta, o que causa secreção insuficiente de insulina para compensar o
aumento na demanda do hormônio.
- Fatores de risco podem ser, idade, obesidade, síndrome do ovário policístico, ascendência não
branca, histórico familiar de DM2, DMG prévio, etc.
- Leva a risco de hipoglicemia neonatal.
Dinâmica do tratamento do DM I:
- Insulinoterapia plena + medidas não farmacológicas
Dinâmica do tratamento do DM II:
- Dieta e exercícios
- Antidiabéticos em monoterapia
- Antidiabéticos associados
- Antidiabéticos + insulina
INSULINOTERAPIA
- Ação ultra-rápida: Lispro, Asparte e Glulisina
- Ação curta/rápida : Regular
- Ação intermediária : NPH e lenta
- Ação longa / ultralenta: Glargina e Detemir
Início e duração de ação da insulina humana e dos seus análogos
Exemplos de três esquemas de tratamento que repõe insulina prandial e basal
FÁRMACOS HIPOGLICEMIANTES
Secretagogos de Insulina
(hipoglicemiantes)
Sulfoniluréias (glibenclamida)
Metiglinidas (repaglinida)
Inibidores da DPP IV (vildagliptina)
Incretinomiméticos (liraglutida)
Sensibilizadores de insulina
(anti-hiperglicemiantes)
Biguanidas (metformina)
Tiazolidinedionas (pioglitazona)
Moduladores da absorção
de nutrientes no TGI
Inibidores da alfa-glicosidase intestinal
(acarbose)
Inibidores da SGLT2
(promovem glicosúria)
Dapagliflozina
Empagliflozina
Canagliflozina
Secretagogos de Insulina hipoglicemiantes
SULFONILURÉIAS
- Mecanismo de ação: estimula a secreção de insulina. Imitam o processo fisiológico de
secreção de insulina As sulfonilureias bloqueiam canais para K+ ATP resultando na
despolarização e influxo (entrada) de Ca2+que induz a exocitose da insulina (agem sobre as
células β pancreáticas)
- Fármacos: Glibenclamida, Glimepirida, Glipizida, Gliburida.
- Efeitos Adversos:
- Aumento de massa corporal
- Hipoglicemia
- Arritmias
- Parada Cardíaca
- Glibenclamida: risco aumentado de hipoglicemia (disfunção renal), porém pouco
atravessa a placenta, sendo uma alternativa à insulina em gestantes (pouco usada
porém, usa mais insulina em gestante).
- Glipizida ou glimepirida são mais seguro na disfunção renal
- Usos clínicos: Controle da glicemia de jejum 24h. Alto potencial de redução da HbA1C (2%).
+ Atenção quanto à duração, HbA1C e efeitos colaterais
- Interações:
- AINES, uricosúricos, álcool, IMAO aumentam hipoglicemia
- Glicocorticóides diminuem a ação das sulfoniluréias.
METIGLINIDAS
- Mecanismo de ação: estimula a secreção de insulina. (mesmo mecanismo de ação das
Sulfoniluréia). Ação de início mais rápido e duração mais curta,eficazes reguladores da
glicemia pós-prandial
- Fármacos: Repaglinida, Nateglinida .
- Interações e Efeitos Adversos:
- Hipoglicemia menor risco comparado com as sulfonilureias
- Não devem ser utilizados associadas com as sulfoniluréias pois haverá sobreposição
dos mecanismos, aumentando o risco de hipoglicemia.
OBS.: As metiglinidas tem curta ação com menos efeito hipoglicemiante comparando com as
sulfonilureias.
Sintomas da Hipoglicemia
Hipoglicemia ligeira Hipoglicemia moderada Hipoglicemia grave
fome
palidez
fraqueza
tremores
taquicardia
suor intenso
ansiedade
tonturas visão turva
esquecimento, raciocínio lento
cefaleias
irritabilidade, coro
marcha descoordenada
sonolência
discurso confuso
agressividade
inconsciência
convulsões
coma
INCRETINOMIMÉTICOS
- Mecanismo de ação: agonistas do receptor GLP-1 e análogos do GLP-1 resistentes a
inativação enzimática (GLP: peptídeo 1 tipo glucagon)
- Fármaco: Liraglutida
INIBIDORES DA DPP IV (GLIPTINAS)
- Mecanismo de ação: inibidores da DPP-IV prolongam a ação das incretinas
- Fármacos: Vildagliptina , Saxagliptina Linagliptina, Saxagliptina, Alogliptina
Efeitos Adversos dos Incretinomiméticos e Inibidores da DPP IV
- Pode ocorrer a redução de massa corporal (indicado para pacientes obesos), pois aumenta o
metabolismo de lipídios e induz saciedade.
- Náuseas, êmese, diarreia e constipação.
- Foram associadas à pancreatite.
- Em animais (roedores) induziu tumor na tireoide.
Sensibilizadores de insulina anti-hiperglicemiantes
BIGUANIDAS
- Fármaco: metformina
- Mecanismos de ação são complexos e não totalmente elucidados, porém sabe-se que:
+ Reduz produção hepática de glicose
+ Combate a resistência a insulina,
+ Diminui absorção de glicose intestinal
+ Aumenta captação e utilização de glicose pelo MEE
- Uso clínico: DM tipo 2 (primeira escolha para obesos)
- Efeitos adversos principalmente intolerância gastrintestinal, também pode causar anorexia,
perda de peso, diarréia, acidose láctica (rara, grave)
- Contraindicada em disfunção renal (acidose lática), hepática, pulmonar, cardíaca, no pré e no
pós operatório e em pacientes submetidos a exames de imagem com contraste
- Uso prolongado interfere na absorção da vitamina B12
- Alto potencial de redução da HbA1C (2%)
- Não causa hipoglicemia
- Pode ocorrer a redução de massa corporal (indicado para pacientes obesos), pois estimula a
enzima AMPK, aumentando o metabolismo de lipídios.
- Cinética: T1/2 vida ~ 3h; eliminação inalterada na urina; não se liga a proteínas plasmáticas
TIAZOLIDINEDIONAS (Glitazonas)
- Mecanismo de ação: As TZDs atuam como agonista do receptor PPARγ, este receptor
hormonal nuclear regula transcrição de genes responsivos a insulina. Promovem regulação
nuclear dos genes envolvidos no metabolismo de glicose, lipídeos e na diferenciação deadipócitos (ganho de peso). No tecido adiposo de diabéticos, promovem captura e utilização de
glicose e modulam a síntese de hormônios, lipídeos, citocinas. Pode demorar até 12 semanas
para regularizar glicemia. Eficazes em pacientes altamente resistentes à insulina.
- Fármacos: rosiglitazona (Avandia®); pioglitazona (Actos®) desuso
- Aumenta a sensibilização a insulina no tecido adiposo.
- Potencial intermediário de redução da HBA1C (0,5-1,4%)
- Fármacos de 2 a ou 3 a escolha
- Efeitos adversos:
- Aumento da massa pelo músculo
- Aumento do risco de fraturas
- Aumento do risco de câncer vesical
- Dosagem única por dia para pioglitazona
- Avaliar a função hepática antes de iniciar Evitar em doenças hepáticas ou insuficiência
cardíaca.
Rosiglitazona (Avandia®)
- O registro do medicamento Avandia, rosiglitazona, foi cancelado no Brasil pela Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início do mês de novembro de 2009.
- A Anvisa explicou que a decisão foi tomada depois que a Europa proibiu seu uso e os Estados
Unidos restringem a venda do medicamento.
- Ficou demonstrado que a rosiglitazona aumenta os riscos de infarto, insuficiência cardíaca e
AVC e que seus riscos superam os benefícios.
Pioglitazona (Actos®)
A EMA (European Medicines Agency) informou que a Agência Francesa de Medicamentos decidiu
suspender o uso da pioglitazona no país. A decisão foi tomada após publicação de um estudo que
afirma que pessoas que utilizam esta medicação estão mais sujeitas a ter câncer de bexiga . A EMA
deve revisar os dados disponíveis e recomendar as ações apropriadas na União Europeia.
Moduladores da absorção de nutrientes no TGI
INIBIDORES DA ALFA-GLICOSIDASE INTESTINAL
- Mecanismo de ação: a α-glicosidase é uma enzima que hidrolisa carboidratos em açúcares
simples (glicose) que podem ser absorvidos, desta forma os fármacos inibidores da
α-glicosidase resultando em níveis mais baixos de glicose pós-prandial.
- Fármaco: Acarbose
- Usos clínicos: Recomendado no tratamento de idosos
- Efeitos adversos: Flatulência, diarreia e cólicas intestinais
- Não causam hipoglicemia como monoterapia
- Não interfere na massa corporal
Inibidores do co-transportador sódio-glicose SGLT2
- Mecanismo de ação: cerca de 90% da glicose é reabsorvida no túbulo proximal pelo SGLT2 e
volta para corrente sanguínea. Quando o SGLT2 é inibido reduz a reabsorção de glicose
(promove glicosúria).
- Fármacos: Dapagliflozina, Canagliflozina.
- Pela inibição da reabsorção da glicose pela Dapagliflozina resulta na eliminação de
aproximadamente 70 gramas de excesso de glicose por dia.
Nos cadernos de atenção básica do Ministério da Saúde para tratamento da hiperglicemia na
diabetes mellitus tipo 2 são recomendados os seguintes fármacos: Metformina, Glibenclamida,
Gliclazida e Insulina.
R�UMO FÁRMACOS HIPOGLICEMIANT�
SECRETORES DE INSULINA
Mecanismo de Ação Fármacos Efeitos Adversos
Sulfonilureias Bloqueiam canais de
potássio levando a
liberação da insulina.
Glibenclamida
Glimepirida
Glipizida
Gliburida
Aumento de massa corporal
Hipoglicemia
Arritmias
Parada Cardíaca
Metiglinidas Bloqueiam canais de
potássio levando a
liberação da insulina.
Repaglinida
Nateglinida
Idem que Sulfonilureias (menos
hipoglicemia)
Não devem ser utilizados
associadas com as sulfoniluréias
pois haverá sobreposição dos
mecanismos, aumentando o risco
de hipoglicemia.
Inibidores da DPP IV Inibidores da DPP-IV
prolongam a ação das
incretinas
Vildagliptina
Saxagliptina
Linagliptina
Saxagliptina
Alogliptina
Redução da massa corporal,
náuseas, êmese, diarreia e
constipação.
Incretinomiméticos Agonistas do receptor
GLP-1 e análogos do
GLP-1 resistentes a
inativação enzimática
Liraglutida idem de Inibidores da DPP IV
SENSIBILIZADORES DE INSULINA
Mecanismo de Ação Fármacos Efeitos Adversos
Biguanidas Reduz produção hepática.
Combate a resistência a
insulina. Diminui absorção
intestinal. Aumenta captação
e utilização de glicose pelo
MEE.
Metformina principalmente intolerância
gastrintestinal, também pode
causar anorexia, perda de peso,
diarréia, acidose láctica (rara,
grave) contraindicado em
Disfunção Renal!
Tiazolidinedionas Agonista do receptor PPARγ Rosiglitazona
Pioglitazona
Aumento da massa pelo músculo,
risco de fraturas, risco de câncer
vesical,também infarto IC, AVC
(Rosiglitazona) e câncer de bexiga
(Pioglitazona).
MODULADORES DA ABSORÇÃO DE NUTRIENTES NO TGI
Mecanismo de Ação Fármacos Efeitos Adversos
Inibidores da
Alfa-glicosidase
Intestinal
inibe α-glicosidase que é uma
enzima que hidrolisa
carboidratos em glicose
(níveis mais baixos de glicose
pós-prandial)
Acarbose Flatulência, diarreia e cólicas
intestinais
INIBIDORES DA SGLT2
Mecanismo de Ação Fármacos
Inibe SGLT2 reduzindo a reabsorção de glicose Dapagliflozina
Canagliflozina
FARMACOLOGIA CARDÍACA
Fatores que interferem no débito cardíaco e resistência periférica:
Reflexo Barorreceptor
- O parassimpático baixa a PA, com a acetilcolina que se liga a receptores muscarínicos e
diminui a resistência periférica.
- A queda de PA ativa SN Simpático
- O simpático aumenta a PA, pois libera adrenalina/noradrenalina que atua em alfa 1
aumentando a resistência periférica.
Fármacos que atuam no sistema cardiovascular
- Inibidores da ECA
- Antagonistas de receptores AT1
- Bloqueadores Adrenérgicos
- Bloqueadores de Canais de cálcio
- Diuréticos
- Vasodilatadores Diretos
- Cardiotônicos
- Trombolíticos
- Antiagregantes plaquetários
- Anticoagulantes
- Antilipêmicos
HIPERTENSÃO ARTERIAL
Elevação da pressão arterial sistólica e ou diastólica. (> 140/90 mmHg) . De acordo com a causa pode
ser classificada em:
- Essencial (idiopática ou primária): falha no mecanismo regulador de longo-prazo;
assintomática, podendo haver cefaléia e nictúria; sem evidências de outra patologia.
- Adquirida ou Secundária: (5 a 10% dos casos). Obstrução arterial progressiva. Causada por
outra condição mórbida, podendo ser curada. Ocorre em pacientes abaixo dos 30 ou acima
dos 50 anos de idade. Pode ser causada por estenose da artéria renal, uso de cocaína,doença
aterosclerótica dos vasos sanguíneos renais, distúrbios corticais adrenais, psicogênica,
estresse agudo, apnéia do sono p.ex.).
- PA alta na gestação
A hipertensão arterial é na maioria das vezes multifatorial (influências genéticas + fatores
ambientais). Fatores ambientais podem ser obesidade, estresse, resistência a insulina, sedentarismo
e ingestão de sal.
Identificação de lesões em Órgãos-alvo e DCV
- Hipertrofia do ventrículo esquerdo. (No hipertenso tem um aumento de pré-carga que
aumenta a pós-carga que aumenta o trabalho do VE levando a hipertrofia)
- Angina do peito ou infarto agudo do miocárdio prévio.
- Revascularização miocárdica prévia.
- Insuficiência cardíaca.
- Acidente vascular cerebral.
- Isquemia cerebral transitória.
- Alterações cognitivas ou demência vascular.
- Nefropatia.
- Doença vascular arterial de extremidades.
- Retinopatia hipertensiva.
TERAPIA ANTI-HIPERTENSIVA
- Reduzir a morbidade e mortalidade associadas à PA elevada
- Evitar complicações cardiovasculares
Condutas Não Farmacológicas
- Diminuir o SAL da dieta (<6g/dia)
- Perder de peso
- Exercício regularmente
- Cessação do tabagismo, diminuição do consumo alcoólico
- Diminuição do consumo de gorduras saturadas
- Evitar o estresse
Tratamentos Farmacológicos
A
Fármacos que bloqueiam o sistema renina- A ngiotensina:
- Inibidores da renina.
- Inibidores da EC A .
- Antagonistas AT1.
B
Inibidores do sistema nervoso simpático:
- Antagonistas B eta-adrenérgicos.
- Antagonistas alfa-adrenérgicos periféricos.
- Fármacos de ação central.
C Bloqueadores de canais para C a ++
D
D iuréticos
Vasodilatadores diretos
7 a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial
● Estágio 1 + RCV baixo e moderado
- TNM + Monoterapia (DIU, IECA, BCC, BRS, BB)
- Se não atingir a meta: Aumentar a dose / Associar 2º / Trocar medicação
- Se não atingir a meta novamente: acrescentar outros anti-hipertensivos
● Estágio 1 + RCV Alto ou Estágio 2 e 3
- TNM + Combinações (dois fármacos de classes diferentes em doses baixas)
- Se não atingir meta: Aumentar a dose / Associar 3º / Trocar combinação
- Se não atingir a meta novamente: acrescentar outros anti-hipertensivos
BLOQUEADOR� DO SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA
● Inibidores da ECA
● Antagonistas AT1
● Inibidores da Renina
INIBIDOR DA ECA (IECA)
- Fármacos: captopril, enalapril, lisinopril, benazepril, ramipril.
- Mecanismo: inibe a enzima conversora de angiotensina (Ang I Ang II)
- Afetam vasos de capacitância e de resistência e reduzem a carga cardíaca ( vasodilatação
indireta , artérias e veias)
- Aumenta a eficácia dos diuréticos (deixa de reter sódio e água)
- Aumenta o potássio plasmático (aldosterona secreta potássio)
- Menor hipertrofia miocárdica
SUS: Captopril (duração de 6/10h) e Enalapril (18/24h).
- Excreção predominantemente renal (Todos praticamente tem excreção renal, ou seja, para
paciente com disfunção renal, precisa ajustar a dose)
- Enalapril e outros: pró-fármacos precisa ter um fígado saudável para que ative o fármaco
no metabolismo hepático.
- Captopril: 1h distante das refeições (alimento diminui a biodisponibilidade)
Usos Clínicos
- ANTI-HIPERTENSIVOS (caucasianos, jovens/meia-idade)
- Pós-infarto agudo do miocárdio (especialmente com disfunção ventricular esquerda (reduz
pós carga) diminui trabalho do coração.
- Na ICC
- Reduzem risco de AVE
- Reduzem progressão da nefropatia diabética
- Na doença renal crônica
- Disfunções sistólica ventricular esquerda
Inibidores da ECA/antagonistas AT1: As diretrizes das sociedades Brasileira, Americana e Européia para
tratamento do IAM recomendam que os pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) que apresentam
comprometimento moderado a grave da função cardíaca (inferior a 40% pelo ecocardiograma) devem estar em
uso de tais medicamentos por ocasião da alta hospitalar , exceto se apresentarem contraindicações às duas
medicações. A partir dessas recomendações a Joint Commission International (JCI) adotou a 'Taxa de uso de
inibidor da ECA ou BRA na Alta Hospitalar' como um de seus indicadores de qualidade no tratamento do IAM.
Efeitos Adversos
- Tosse seca (até 40%): provável acúmulo de bradicinina (edema e broncoespasmo);
- Edema angioneurótico: nariz, garganta, boca, glote, laringe, lábios, língua;
+ A ECA impede a inativação da bradicinina, ou seja, acomula bradicinina, que tem função
de vasodilatação (edema) e broncoespasmo (tosse).
- Alterações no paladar (disgeusia);
- Hipotensão (primeira dose)
- Hipercalemia (excesso de potássio)
- Neutropenia, glicosúria, hepatotoxicidade (raros)
Contraindicações
- Gravidez (2º-3º. trimestres: efeitos no feto como hipotensão, insuf. Renal e má-formação)
- AINES
- Não associar com diuréticos poupadores de potássio
- Estenose crítica da artéria renal (IECA diminui filtração)
ANTAGONISTA AT1
- Fármacos: Losartano, ibesartano, candesartano, telmisartano, valsartano.
- Mecanismo de ação: antagonista do receptor AT1. BLOQUEIO INTRADISPONÍVEL.
- Os efeitos conhecidos da Ang II são fundamentalmente mediados pelos receptores AT1.
- A ECA não é única enzima capaz de formar ANG II. Essa seria uma possível vantagem dos
antagonistas dos receptores AT1 de angiotensina II.
AT1 AT2
- Sistema Vascular: constrição
- Miocárdio : aumento contratilidade
- SNC : aumento do efluxo simpático
- Rins: reabsorção sódio
- Supra renal: liberação de aldosterona
- Supra Renal
- SNC
- Tecidos Embrionários
BLOQUEIO INTRADISPONÍVEL
Ações principais: bloqueio das ações da Angiotensina II
- Bloqueio da contração do músculo liso vascular;
- Bloqueio das respostas pressoras;
- Bloqueio da sede, da liberação de ADH;
- Bloqueio da liberação de aldosterona e de catecolaminas adrenais;
Usos Clínico - semelhantes aos IECAs.
- Hipertensão, especialmente em:
+ jovens (renina mais alta)
+ pacientes diabéticos hipertensos
+ hipertensão com hipertrofia de v.e.
- ICC
- Nefropatia diabética
Efeitos adversos: menor propensão para causar tosse ou angioedema (não inibem a ECA, ou seja não
vão causar o acúmulo de bradicinina), hipercalemia presente.
Contra-indicações : gravidez, estenose bilateral da artéria renal, AINES. Nãoassociar com diuréticos
poupadores de potássio.
INIBIDORES DE RENINA
- Fármaco: Enalquireno
- Mecanismo: Reduzem a atividade plasmática da renina
- Efeitos desapontadores em hipertensos.
- Alisquireno (Rasilez®): revisão indica bons resultados.
- Capacidade, em monoterapia, de redução da PA: semelhante aos demais anti-hipertensivos.
- Não existem, contudo, evidências de seus benefícios sobre morbimortalidade.
- Efeitos adversos: Boa tolerabilidade. “Rash” cutâneo, diarreia (especialmente com doses
elevadas), aumento de CPK e tosse são os eventos mais frequentes (<1%)
- Contra-indicações : gravidez
BLOQUEADOR� ADRENÉRGICOS
Antagonistas alfa-adrenérgicos periféricos
- Fármacos: prazosina, doxazosina, terazosina, tansulosina
- Produz inibição da vasoconstrição induzida por catecolaminas.
- Pode ocorrer vasodilatação arteriolar e venosa, com queda da P.A.
- Não são considerados tratamento de primeira escolha.
- Uso na hiperplasia benigna de próstata e disfunção vesical.
- Podem induzir ao aparecimento de tolerância;
- Hipotensão postural e taquicardia são mais evidentes após a primeira dose.
- Incontinência urinária em mulheres
Antagonistas beta-adrenérgicos
- Betabloqueadores não-seletivos: propranolol, nadolol, pindolol, timolol, labetalol
- Betabloqueadores seletivos (cardiosseletivos): atenolol, bisoprolol, metoprolol, esmolol e
nebivolol
+ Labetalol (hipertensão na gravidez) e carvedilol (hipertensão e ICC): anti-alfa e anti-beta
+ Usos: angina, infarto, arritmias, ICC, hipertensão
+ Outros: enxaqueca, ansiedade, glaucoma
Betabloqueadores com ação vasodilatadora - Pode ocorrer por dois mecanismos:
- Antagonismo de receptor alfa-1 periférico: carvedilol e labetalol;
- Produção de óxido nítrico: nebivolol. (betabloqueadores de terceira geração)
+ Efeitos metabólicos (particularmente intolerância à glicose e diabetes) ocorrem com
betabloqueadores sem ação vasodilatadora periférica, principalmente atenolol. Isto
aconteceria devido à vasoconstrição que reduz o aporte de glicose no músculo esquelético.
Daí outra vantagem da vasodilatação
+ A vasodilatação também contribui para menor disfunção sexual
Lipossolubilidade de betabloqueadores:
- Quanto maior a lipossolubilidade de um betabloqueador, maiores os efeitos no sistema
nervoso central, como confusão, pesadelo e letargia.
- Assim, fármacos hidrossolúveis como o atenolol tem menos efeitos colaterais centrais que o
lipossolúvel propranolol.
Efeito rebote
A interrupção abrupta dos betabloqueadores pode causar:
- Arritmias cardíacas
- Agravar a Insuficiência Coronariana
- Infarto do Miocárdio (ocasionalmente)
- Morte súbita (ocasionalmente)
Possíveis causas:
- Cessação dos efeitos protetores dos b-bloqueadores
- Aumento da sensibilidade dos receptores b-adrenérgicos
- Aumento do número de receptores b-adrenérgicos (up-regulation)
- Aumento das catecolaminas circulantes
Retirada dos β -antagonistas deve ser gradual !
Efeitos Colaterais dos antagonistas β-adrenérgicos
- Indução ICC em susceptíveis
- Cansaço, fraqueza
- Tonturas, hipotensão
- Insônia (compostos lipossolúveis)
- Bradicardia ou Bloqueio AV
- Broncoespasmo
- (-) taquicardia induzida pela hipoglicemia
FÁRMACOS DE AÇÃO CENTRAL
- Fármacos: Alfametildopa, clonidina , guanabenzo, moxonidina, rilmenidina, reserpina
- Clonidina: agonista alfa-2 adrenérgico pré-sinápticos existentes em centros de controle
cardiovascular no sistema nervoso central. Isto reduz o tônus simpático e contribui para a
redução da pressão arterial.
- Metildopa: falso substrato; produto gerado tem ação agonista alfa-2 adrenérgico. Útil na
gestação
- Os medicamentos dessa classe, apresentam reações adversas decorrentes da ação central,
como sonolência, sedação, boca seca, fadiga, hipotensão postural e disfunção erétil.
BLOQUEADOR� DE CANAIS DE CÁLCIO
- Também chamados de antagonistas de canais de cálcio
- Mecanismo de ação: Atuam sobre os canais de cálcio do tipo L, impedindo sua abertura e a
entrada de cálcio.
- Ca 2+ no M. Liso vasodilatação PA
- Ca 2+ no Coração menor frequência cardíaca PA
● Nódulo SA
- FC
- demanda de O2
● Ventrículo
- contratilidade
- demanda de O2
● Artérias coronárias
- vasodilatação
- fornecimento de O2
● Arteríolas
- pressão do sangue
- demanda de O2
Há três classes distintas de bloqueadores de canais de cálcio
1. Fenilalquilaminas: verapamil (pref.cardiosseletivo)
2. Diidropiridinas: nifedipina, anlodipina (preferencial M.liso)
3. Benzotiazepina: diltiazem (cardio/m.liso)
Propriedades uso-dependente/voltagem dependente: Bloqueiam com maior eficácia tecidos mais
despolarizados e onde os canais estão mais ativos (frequência-dependente).
Usos clínicos
- Verapamil e Diltiazem: angina, HAS, taquicardia supraventricular paroxística, fibrilação atrial
- Diidropiridinas: HAS, DAC, angina,
Efeitos adversos
- Verapamil e diltiazem podem provocar depressão miocárdica e bloqueio atrioventricular, e
podem agravar a insuficiência cardíaca.
- Obstipação intestinal é observada, particularmente, com verapamil.
- Hipercromia do terço distal das pernas (dermatite ocre) e a hipertrofia gengival podem
ocorrer ocasionalmente. Tais efeitos podem ser dose-dependentes.
DIIDROPIRIDINAS: amlodipino, nifedipino, felodipino, nitrendipino, manidipino, lercanidipino,
levanlodipino, lacidipino, isradipino, nisoldipino, nimodipino.
- O efeito vasodilatador, principalmente das diidropiridinas, se faz, principalmente, sobre os
vasos de resistência, reduzindo a pós-carga.
- A dilatação das coronárias é importante na angina variante.
- Nifedipina (curta), anlodipina (longa)
- Efeitos adversos: edema de tornozelo, rubor facial e cefaleia (diidropiridinas de ação curta),
taquicardia reflexa e hipotensão
DIURÉTICOS
- Fármacos que aumentam a eliminação de sódio e água, por diminuírem a reabsorção de sódio.
- O aumento da diurese é secundária ao aumento da natriurese ( excreção urinária de Na).
- O efeito anti-hipertensivo não está diretamente relacionado às doses utilizadas, porém, os
efeitos colaterais estão.
- Após quatro a seis semanas, o volume circulante praticamente se normaliza e ocorre redução
da resistência vascular periférica (RVP).
- Os tipos de diuréticos são:
● Diuréticos Tiazídicos
● Diuréticosde Alça
● Diuréticos Poupadores de Potássio
DIURÉTICOS TIAZÍDICOS
- Fármacos: clortalidona, hidroclorotiazida, indapamida.
- São diuréticos de controle
- Mecanismo: diminui co-transportador Na + /Cl - no túbulo distal. Aumenta débito urinário,
aumenta excreção de potássio, sódio e cloreto.
- Obs.: efeito hipotensor bloqueado por inibidores da COX
- Usos Clínicos: HIPERTENSÃO (primeira linha)
Efeitos adversos:
- Hipocalemia
- Hiponatremia
- Hipomagnesemia
- Hipercalcemia
- Hiperglicemia (Diminuem a tolerância à glicose: possível redução da secreção de insulina e
alteração no metabolismo de glicose. Hiperglicemia é reduzida quando se administra potássio.)
- Disfunção sexual (mais significativa do que outros anti-hipertensivos)
- Induz aumento de colesterol e triglicerídeos
Secreção de Insulina
- Aumenta a concentração de ATP, promovendo o fechamento de canais de K.
- Com o fechamento de canais de K , ocorre um aumento na concentração de K intracelular e há
despolarização da membrana plasmática, resultando na abertura de canais de Ca
dependentes de voltagem.
- Ocorre influxo de Ca resulta em exocitose de insulina pelas células β
O potássio é essencial para a exocitose da insulina, se este estiver reduzido, a exocitose da
insulina também vai estar reduzida, favorecendo um quadro de hiperglicemia.
DIURÉTICOS DE ALÇA
- Fármacos: furosemida, bumetanida.
- Mecanismo: diminui co-transportador Na/K/Cl na alça ascendente de Henle.
- Possuem alta eficácia , ou seja, com poucas doses já produzem muito efeito, principalmente
comparando com os diuréticos tiazídicos.
- Obs.: o efeito hipotensor é bloqueado por inibidores da COX. Ele é contraindicado em pacientes
sensíveis à sulfa.
- Usos clínicos: diminui edema pulmonar e em doenças cardíacas, hepáticas ou renais.
+ A administração intravenosa de furosemida a pacientes com edema pulmonar causado
por ICC aguda provoca um efeito vasodilatador terapeuticamente útil antes do início do
efeito diurético.
- Efeitos adversos: depleção de volume, alcalose metabólica, hipocalemia, hipocalcemia,
hiperuricemia.
DIURÉTICOS POUPADORES DE POTÁSSIO
Fármacos: espironolactona, eplerenona.
- Mecanismo: bloqueio do receptor de aldosterona, promovendo redução da absorção de Na e
secreção de K.
- São considerados diuréticos fracos
- Usos clínicos: adjuvante de outros diuréticos, diminui edema e ascite na cirrose, no
hiperaldosteronismo, aumenta a sobrevida no ICC, efeitos antiandrogênicos (tratar hirsutismo
e síndrome do ovário policístico)
- Efeitos adversos: acidose metabólica, azotemia, azotemia, hipercalemia, diminuição da libido
(efeitos antiandrogênicos inespecíficos) por isso contraindicado em homens.
Fármacos: triantereno, amilorida.
- Mecanismo: Inibem canais de sódio do epitélio renal.
- Usos clínicos: adjuvante de outros diuréticos, diminuem edema e ascite na ICC.
- Efeitos adversos: hipotensão, edema, tontura, fadiga, diarreia, náusea, hipercalemia, cefaleia.
Usos Clínicos dos Diuréticos
- Deve-se dar preferência aos DIU tiazídicos ou similares (clortalidona, hidroclorotiazida e
indapamida) em doses baixas, pois são mais suaves e com maior tempo de ação .
- Reservar DIU de alça (furosemida e bumetanida) aos casos de insuficiência renal e situações
de edema (IC ou insuficiência renal).
- Os poupadores de potássio (espironolactona e amilorida) são habitualmente utilizados em
associação com os tiazídicos ou DIU de alça.
RESUMO DIURÉTICOS
Tipo Local/Obs Mecanismo Fármacos Uso Clínico Efeitos adversos
Tiazídicos
Túbulo
Distal
* de
controle
Diminui
cotransportador
Na/Cl
Clortalidona
Hidroclorotiazida
Indapamida
Hipertensão
(primeira
linha)
hipocalemia
hiponatremia
hipomagnesemia
hipercalcemia
hiperglicemia
disfunção sexual
DIU de Alça
Alça de
Henle
* alta
eficácia
Diminui
cotransportador
Na/Cl/K
Furosemida
Bumetanida
Diminui
edema
(IC, IR, fígado,
pulmão)
depleção de
volume
alcalose met.
hipocalemia
hipocalcemia
hiperuricemia
Poupadores
de K
Fracos Bloqueio do
receptor de ADH,
reduzindo
absorção de Na
e secreção de K
Espironolactona
Eplerenona
Associação
(diminui
edema na
cirrose e ICC)
Efeitos anti-
androgênicos
acidose met.
azotemia
hipercalemia
diminui libido
contraindicada
para homem
Poupadores
de K
Fracos Inibem canais de
Na do epitélio
renal
Triantereno
Amilorida
Associação
(diminui
edema na
ICC)
hipotensão,
edema. tontura,
fadiga, diarreia,
náuseas,cefaleia,
hipercalemia
VASODILATADOR� DIRETOS
- Fármacos que ativam canais de potássio: minoxidil
- Mecanismo desconhecido: hidralazina
- Bloqueadores de canais de cálcio
- Fármacos que atuam através de nucleotídeos cíclicos, por ativação da ciclase: NO,
nitroprussiato, isossorbida, nitroglicerina.
Minoxidil e Diazóxido
- Mecanismo: induzem abertura de canais de potássio, levando à hiperpolarização da célula,
que inativa (desliga) os canais de cálcio voltagem dependente.
- Ação: relaxamento da musculatura lisa, predominantemente arteriolar e arterial.
- Uso clínico: último recurso no tratamento de hipertensão grave não responsiva a outros
fármacos. Topicamente para tratar calvície.
- Efeitos colaterais: hipertricose, retenção hídrica e taquicardia reflexa.
Hidraliza
- Mecanismo: desconhecido.
- Ação: atua sobre artérias e arteríolas, causando queda da PA e taquicardia reflexa, com
aumento do débito cardíaco. Interfere na liberação do cálcio do retículo sarcoplasmático.
- Usos clínicos: no tratamento de curto prazo da hipertensão na gravidez. Evidências para
tratar IC em pacientes de origem africana. Crise hipertensiva, hipertensão severa.
- Efeito adverso: pode levar ao aparecimento de distúrbio semelhante ao lúpus. Hipotensão,
taquicardia, cefaleia, outros.
NITRATOS ORGÂNICOS
- Fármacos: Nitroglicerina, propatilnitrato, dinitrato de isossorbida, 5-mononitrato de
isossorbida.
- Mecanismo: atuam através de nucleotídeos cíclicos, por ativação da ciclase.
- Ação: relaxamento venoso (predominantemente) e arteriolar (em doses maiores)
- Usos clínicos: angina (prevenção e tratamento) e ICC.
+ “O uso de nitratos na fase aguda do IAM está indicado para controle da doranginosa
persistente, e/ou hipertensão arterial sistêmica e/ou insuficiência cardíaca”
- Efeitos Colaterais: hipotensão postural, cefaleia, taquicardia, rubor facial, tolerância
(exposição prolongada)
Trinitrato de Glicerina SL (sublingual) e outras vias T ½ vida menor
Mono e Dinitrato de Isossorbida VO e SL T ½ vida maior
Nitroprussiato (Nitroferricianeto)
- Potente vasodilatador com discreto efeito fora do sistema vascular.
- Reage com grupos sulfidrila teciduais NO: relaxamento arterial e venoso.
- Uso IV sofre hidrólise em solução (luz), com formação de cianeto: toxicidade.
- O uso prolongado causa acúmulo de tiocianato e toxicidade (fraqueza, náuseas e inibição da
função tireoidiana): uso em curto prazo (máximo de 72h)
- Uso: emergências hipertensivas
CARDIOTÔNICOS
- A-GLICOSÍDEOS CARDÍACOS
- Derivados das folhas da dedaleira (Digitalis lanata), a digoxina é o glicosídeo cardíaco de uso
clínico mais disseminado.
- Inibe canais de Na
Efeitos:
- Efeito inotrópico positivo
- Efeito cronotrópico negativo
- Efeito dromotrópico negativo
- Reduz automaticidade
Efeitos neurohumorais: aumenta tônus vagal, diminui atividade do SN Simpático, normaliza
barorreceptores arteriais, diminui noradrenalina plasmática.
Usos: reduz a frequência ventricular em fibrilação atrial rápida persistente. Tratamento da IC
crônica.
Efeitos colaterais:
- Psiquiátricos: delírio, fadiga, confusão, sonhos anormais.
- Visuais: visão embaçada, amarelada (xantopsia), halos.
- Gastrintestinais: anorexia, diarreia, vômitos, náuseas, dor.
- Respiratórios: aumento da ventilação à hipóxia.
- Cardíacos: arritmias ectópicas, distúrbios de condução, bradicardia sinusal, prolongamento
da condução ou bloqueio AV.
Risco de Toxicidade
- Os efeitos dos glicosídeos cardíacos aumentam caso houver diminuição da [K+] plasmática
- Fármaco se liga à enzima quando houver fosforilação;
- Potássio promove desfosforilação da enzima
- Hipercalemia: reversão dos efeitos tóxicos dos digitálicos
Farmacocinética
- V.O. ou I.V.
- É uma molécula polar. 70% excreção renal (glicoproteína P)
- Grande Vd
- Índice terapêutico estreito (risco de intoxicação) 0,5-2ng/mL. Tóxico > 2,5 ng/mL
- Cerca de 10% da população possui Eubacterium: tolerância
- Ligação à proteínas plasmática: 20-25%
- T ½ vida: 1-3 dias
Intoxicação Digitálica
● Manifestações cardíacas
- Taquicardias supraventriculares paroxísticas e não paroxísticas
- Bradicardia com bloqueio atrioventricular
- Bloqueio sinoatrial
- Taquicardia e fibrilação ventriculares
- Extra-sístoles
● Manifestações extra-cardíacas
- TGI: náuseas, vômitos, e diarreia.
- SNC: cefaleia, astenia muscular, nevralgias (simulando nevralgia do trigêmio),
desorientação, confusão mental e até mesmo delírios e alucinações.
- Visuais: alteração nas percepções de cores (visão amarela), visão dupla, visão branca
(presença de halos brancos em objetos escuros e os objetos em geral são vistos como
congelados.
● Idosos: 20% dos casos: suspeitar no caso de náuseas, hiporexia, vômitos, diarreia,
alucinações visuais (enxerga em faixas verde e amarelas ou vê um halo), confusão mental,
vertigens, insônia.
Tratamento da Intoxicação Digitálica
- Suspender a medicação
- Administração de sais de potássio
- Antiarrítmicos
+ Fenitoína ou Lidocaína
+ Betabloqueadores
- Implante do marcapasso temporário
- Anticorpos antidigoxina
+ fragmentos FAB - Digibind
B - Dobutamina
- Mecanismo: agonista beta-1 seletivo
- Força de contração (inotropismo positivo)
- Uso: aumento da FC em pacientes com bradicardia, parada ou ICC aguda
- Efeitos colaterais: taquiarritmias, hipertensão, angina, dispneia.
DISTÚRBIOS DE COAGULAÇÃO
As classes de fármacos empregadas em distúrbios de coagulação são:
- Antiagregantes plaquetários: AAS, clopidogrel, ticagrelor.
- Anticoagulantes: varfarina, heparina, rivaroxabana, dabigatrana.
- Trombolíticos: estreptoquinase, alteplase, tenecteplase.
ANTIAGREGANTE PLAQUETÁRIOS
- Fármacos: AAS (baixas doses), clopidogrel, prasugrel, ticagrelor.
AAS (baixas doses)
- Mecanismo: atua nas células endoteliais inibindo a síntese de PGI2 e nas plaquetas, inibindo a
síntese de tromboxano e consequentemente diminuindo a agregação plaquetária.
Usos clínicos:
- Na tromboprofilaxia (50-300 mg)
- Indicações agudas (AVC trombótico em evolução, IAM)
- IAM: “No Brasil, recomenda-se o uso de 200 mg (2 comprimidos de 100 mg) de AAS, pois seu
uso precoce reduz o risco de morte em 23% (quando utilizado de forma isolada) e em 42%
(quando associado ao fibrinolítico)”.
Contraindicações:
- Hipersensibilidade
- Crianças com varicela ou outras viroses (risco de Síndrome de Reye)
- Distúrbios hemorrágicos
Efeitos Adversos:
- Sangramento do TGI
- Insuficiência renal
- trombocitopenia
- hepatite
- angioedema
- asma
- Síndrome de Reye
- zumbido
- exantema
CLOPIDOGREL
- Mecanismo: pró-fármaco. Modifica de forma covalente o receptor de ADP das plaquetas,
impedindo sua sinalização e inibindo irreversivelmente a via de ativação de plaquetas
dependente de ADP.
- Usos clínicos: prevenção secundária de eventos ateroscleróticos em IAM, Acidente vascular
encefálico ou doença vascular periférica recentes. Prevenção da trombose do stent
(associado a AAS).
- Efeitos colaterais: infecção do trato respiratório superior, dor no peito, cefaléia, artralgia,
diarréia, rash cutâneo, depressão e outros. Menos efeitos colaterais e mielotoxicidade que a
ticlopidina.
- Contraindicações: distúrbio hemorrágico ativo.
- Associação com omeprazol (inibidor de bomba de prótons) diminui o efeito do clopidogrel e
aumenta o risco de infarto.
ANTICOAGULANTES
- Fármacos: varfarina, heparina, rivaroxabana, dabigatrana.
Usos clínicos
- Prevenção de trombose venosa profunda
- Extensão de trombose venosa profunda estabelecida
- Embolia pulmonar
- Trombose e embolização em pacientes com fibrilação atrial
- Trombose em próteses valvares
- Coagulação em circulação extracorpórea (p. ex., durante hemodiálise)
- Progressão do dano do miocárdio em pacientes com angina instável e durante o tratamento do
infarto do miocárdio com elevação de ST.
- Heparina atendimento imediato (injetável).- Varfarina ou um inibidor direto da trombina ou do Xa tratamento prolongado (v.o.)
VARFARINA
- Mecanismo: antagonista da vitamina K, inibindo redutases envolvidas na síntese de
hidroquinona a partir do epóxido, particularmente a epóxido redutase. A inibição da conversão
cíclica da vitamina K induz a produção e a secreção hepática de proteínas descarboxiladas ou
parcialmente carboxiladas, que apresentam 10 a 40% da atividade biológica normal. O
resultado é um prejuízo na produção de fatores de coagulação (II, VII, IX e X).
- Metabolização hepática
- Meia vida aproximada: 40h
- Aproximadamente 99% é ligada às proteínas plasmáticas
- Usos Clínicos: Trombose venosa, Profilaxia e tratamento da embolia pulmonar, Embolia
sistêmica pós-infarto ou associada à fibrilação atrial.
- Efeitos colaterais principais: Síndrome da embolização de colesterol, Necrose de pele e outros
tecidos, Hemorragia, Hepatite, Dor abdominal, Reação de hipersensibilidade.
- Contra-indicações: Gravidez, Tendência hemorrágica ou discrasias sanguíneas, Aneurismas,
Hemorragias, Pericardite, endocardite, cirurgia ocular, cerebral ou espinal recente,
Hipertensão grave não controlada, Eclâmpsia, pré-eclâmpsia, Anestesia por bloqueio regional
ou lombar.
Considerações sobre a Varfarina
1. É necessário monitorar tempo de protrombina (INR)
2. Várias interações medicamentosas no nível de albumina e de CYP
3. O efeito anticoagulante da varfarina pode ser reduzido por fatores como ganho de peso,
diarreia, vômito, idade menor que 40 anos e consumo excessivo de vitamina K na dieta.
4. A dose da varfarina a ser utilizada é influenciada por fatores genéticos (polimorfismos).
As principais fontes de vitamina K
- Vegetais e óleos, sendo esses os responsáveis pelo aumento da absorção da filoquinona.
- Alimentos folhosos verde-escuros,
- Preparados à base de óleo, oleaginosas e frutas como o kiwi, abacate, uva, ameixa contêm
teores significantes de vitamina K, enquanto que os cereais, grãos, pães e laticínios possuem
teores discretos.
O paciente que faz uso de varfarina não precisa evitar a ingestão destes alimentos, basta ter
sempre a preocupação de não modificar drasticamente o consumo.
RIVAROXABANA
- Mecanismo: inibidor oral direto do fator Xa da cascata de coagulação, que resulta em efeito
anticoagulante. Tem efeito mais consistente e previsível que a varfarina.
Usos clínicos:
- Coadministrado com ácido acetilsalicílico (AAS) isoladamente ou com AAS mais clopidogrel ou
ticlopidina, é indicado para a prevenção de eventos aterotrombóticos em adultos.
- Após uma síndrome coronária aguda (SCA) com biomarcadores cardíacos elevados.
Contra-indicações
- Hipersensibilidade à substância ativa ou excipientes.
- Hemorragia ativa ou risco de hemorragia
- O tratamento concomitante com quaisquer outros anticoagulantes,
- Doença hepática associada a coagulopatia e risco de hemorragia clinicamente relevante,
- Gravidez e amamentação.
Efeitos colaterais:
- Hematológicos e do sistema linfático (anemia, trombocitopenia)
- Imunológicos (Reação alérgica, dermatite alérgica)
- Do Sistema Nervoso (Tonturas, cefaleias, síncope) Hemorragia cerebral e intracraniana
- Afecções oculares
- Cardiopatias, taquicardia, vasculopatias, hipotensão, hematoma
- Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino
- Hemorragia do trato gastrointestinal
- Afecções hepatobiliares, e outros.
DABIGATRANA
Mecanismo de ação: trata-se de um pró-fármaco sem atividade farmacológica, que após absorção é
rapidamente convertido em dabigatrana no plasma e no fígado. É um inibidor direto da trombina,
potente, competitivo, reversível.
PROPRIEDADE VARFARINA RIVAROXABANA DABIGATRANA
Interação com dieta e
álcool
SIM, clinicamente
significante.
Potencial baixo Potencial baixo
Interação
medicamentosa
Várias interações
medicamentosas
significativas
Potente citocromo P450
3A4 e inibidores de
glicoproteína P
aumentam o efeito
anticoagulante. (ex:
ketoconazole,
clarithromycin,
ritonavir)
Inibidores de bomba de
prótons reduzem a
absorção, reduzindo o
efeito. Possível
interação com
inibidores de
glicoproteína P
Ajuste de dose Dose personalizada
para cada paciente,
requer constante
monitoramento do
tempo de protrombina
(INR) e ajuste
De acordo com
indicação clínica
De acordo com
indicação clínica
Monitorização INR a cada 1-2
semanas
Sem rotina de
monitoramento
Sem rotina de
monitoramento
Antídoto Vitamina K Não possui Idarucizumab
HEPARINA
- Fisiologicamente, a heparina é um mucopolissacarídeo armazenado em grânulos secretores
de mastócitos. É considerada o ácido orgânico mais forte do organismo.
- As heparinas comerciais, por sua vez, são divididas em:
- HEPARINA NÃO-FRACIONADA (HNF): uma mistura heterogênea de moléculas compostas por
cadeias de polissacarídeos com peso molecular variando de 3.000 a 30.000 daltons (em média
de 15.000 daltons).
- HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR (HBPM OU LMW-low molecular weight):
Fragmentada: enoxaparina, dalteparina; Pentapeptídeo sintéTIco: fondaparinux.
Mecanismo de ação:
- A antitrombina III é uma importante protease plasmática responsável por inativar a trombina,
além de outros fatores como IXa, Xa, XIa e XIIa.
- A heparina atua como cofator, combinando-se com a antitrombina III ativando-a (acelerando
em até 1000 vezes a ação inibitória da antitrombina III).
- Resultado: inibição de diversos fatores de coagulação (IIa e Xa e, em menor proporção, IXa,
XIa e XIIa) e, portanto, um efeito anticoagulante.
Diferença entre as Heparinas: a diferença da heparina não fracionada das heparinas de baixo peso
molecular está na seletividade da inibição, a HBPM inativa seletivamente o fator XA, enquanto a não
fracionada acaba por inativar trombina, e outros fator.
+ a incidência de trombocitopenia é maior com heparina não fracionada.
HNF HBPM
Inibe trombina (IIa) e Xa Inibe Xa
Altera função plaquetária mediada por trombina
e colágeno
Altera menos
Exige monitoramento de TTPA (tempo de
tromboplastina parcial ativada). Individualização
de dose via intrínseca
Não exige monitoramento. Utilização mais fácil.Não necessita individualizar dose.
Utilizado em insuficiência renal Contraindicado em insuficiência renal
Antídoto: sulfato de protamina forma complexa irreversível com heparina inativando-o.
Efeitos colaterais:
- Hemorragia, trombocitopenia, reações anafilactoides e de hipersensibilidade
- Não fracionadas: prolongamento de tempo de coagulação, ulceração de mucosa e hematoma
- Fracionadas: edema, diarreia, náusea, hematoma, anemia hipocrômica normocítica, confusão,
dor dispneia, febre, irritação local.
Contraindicações: Sangramentos ativos, trombocitopenia induzida por heparina, tendências
hemorrágicas, hipersensibilidades, hipertensão grave, etc.
TROMBOLÍTICOS (fibrinolíticos)
- Fármacos: estreptoquinase, alteplase, tenecteplase, reteplase.
- São fármacos que ativam o plasminogênio em sua transformação para plasmina, a qual tem a
capacidade para degradar a fibrina, o maior componente do trombo. Assim, na verdade, estes
agentes devem ser chamados de agentes fibrinolíticos.
ESTREPTOQUINASE
- Mecanismo de ação : Forma complexo com plasminogênio endógeno, o qual ativado induz a
formação de plasmina. A plasmina formada é uma potente enzima fibrinolítica que dissolve a
matriz da fibrina contida no trombo, e consequentemente resultando em trombólise
(fibrinólise).
Usos Clínicos
- Principal: Infarto Agudo do Miocárdio com elevação ST (o quanto antes melhor)
- Outros usos: Trombose arterial e venosa, embolia pulmonar, oclusão de cateter
Efeitos Colaterais
- Arritmias,
- Síndrome de embolia por colesterol
- Sangramentos
- Hipotensão,
- Febre,
- Calafrios
- Reação anafilactoide
Contraindicações:
- HAS grave não controlada
- Sangramentos internos ativos
- Cirurgias, traumatismos ou AVC há menos de 2 meses
Considerações para ESTREPTOQUINASE
- Por ser uma proteína extraída de culturas de estreptococos, pode desencadear resposta
antigênica após doses repetidas; risco de anafilaxia diante de administração prévia.
- Como as ações trombolíticas são inespecíficas, pode haver fibrinólise sistêmica
ALTEPLASE
- Mecanismo de ação: é um ativador de plasminogênio tecidual recombinante . Sendo mais ativo
sobre o plasminogênio a fibrina do que sobre o plasmático , é considerado "seletivo para o
coágulo".
- Sua ação resulta na conversão de plasminogênio em plasmina, que, por sua vez, promove a
dissolução da fibrina do coágulo.
- Vantagens: pouco antigênico, produz fibrinólise local (liga-se a trombos recém formados)
Usos clínicos
- Após IAM com elevação ST: diminui taxa de mortalidade
- Embolia pulmonar potencialmente fatal
- AVC isquêmico agudo
- Recanalização de artéria coronárias ocluídas;
Contra-indicações:
- AVC hemorrágico recente
- Hipertensão grave não-controlada
- Sangramentos internos ativos
- Cirurgias, traumatismos há menos de 2 meses
- Efeitos Colaterais: quando em doses farmacológicas pode produzir estado lítico sistêmico
(hemorragia), sepse, arritmias, síndrome de embolia por colesterol.
Diretriz para dor Precordial de Isquemia
- Tratamento imediato: oxigênio aspirina , nitroglicerina, morfina.
- ECG com supra ou novo bloqueio de ramo esquerdo: iniciar heparina endovenosa,
betabloqueadores endovenosos, inibidores da glicoproteína IIb/IIa e/ou clopidogrel.
Tratamento Farmacológicos das Dislipidemias
Classificação genotípica:
- Monogênicas: causadas por mutações em um só gene,
- Poligênicas: causadas por associações de múltiplas mutações que isoladamente não seriam
de grande repercussão.
Classificação fenotípica ou bioquímica
- Hipercolesterolemia isolada: elevação isolada do LDL-C (≥ 160 mg/dl);
- Hipertrigliceridemia isolada: elevação isolada dos TGs (≥ 150 mg/dl) que reflete o aumento do
número e/ou do volume de partículas ricas em TG, como VLDL, IDL (intermediary density
lipoprotein) e quilomícrons.
- Hiperlipidemia mista: valores aumentados de LDL-C (≥ 160 mg/dl) e TG (≥ 150 mg/dl).
- HDL-C baixo: redução do HDL-C (homens < 40 mg/ dl e mulheres < 50 mg/dl) isolada ou em
associação a aumento de LDL-C ou de TG.
Ciclo de Transporte de Lipídeos no Plasma
As lipoproteínas participam de três ciclos básicos de transporte de lipídeos no plasma:
1. Ciclo exógeno , no qual as gorduras são absorvidas no intestino e chegam no plasma sob
forma de quilomícrons e após degradação pela lipase lipoprotéica (LPL) ao fígado ou a tecidos
periféricos.
2. Ciclo endógeno: em que as gorduras do fígado se direcionam aos tecidos periféricos: a
lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL) é secretada pelo fígado e por ação da LPL,
transforma-se em lipoproteína de densidade intermediária (IDL) e posteriormente em LDL, a
qual carrega os lipídios, principalmente o colesterol para tecidos periféricos.
3. Transporte reverso do colesterol em que as gorduras principalmente colesterol dos tecidos,
retornam para o fígado. As HDL nascentes captam colesterol não esterificado dos tecidos
periféricos pela ação da lecitina-colesterol aciltransferase (LCAT) formando as HDL maduras,
por meio da CEPT, ocorre também a transferência de ésteres de colesterol da HDL para outras
lipoproteínas, como as VLDL. AGL: ácidos graxos livres, HPL: lipase hepática.
Tratamentos não medicamentosos das dislipidemias: Fundamental para o controle da dislipidemia.
Deve ser contínuo e envolver terapia nutricional e mudança de estilo de vida (perda de peso, atividade
física e cessação do tabagismo).
Tratamentos farmacológicos das dislipidemias:
- Estatinas
- Fibratos
- Ezetimiba
- Outros: resinas de troca, niacina (ácido nicotínico), ácidos graxos ômega-3.
ESTATINAS
- 1976: isoladas a partir de uma colônia de Penicillium citrinum
- 1987: Lovastatina: Aspergillus terreus
- Fármacos: sinvastatina, lovastatina, pravastatina, fluvastatina, atorvastatina, rosuvastatina.
Mecanismo: Inibe a enzima HMG-Coa redutase que é responsável pela conversão de HMG-CoA em
ácido mevalônico e consequentemente na produção de colesterol.
Resultado:
- Diminuição no conteúdo intracelular de colesterol.
- Aumento do número de receptores de LDL nos hepatócitos, que passam a remover com maiorintensidade o VLDL, IDL e LDL da circulação para repor o colesterol intracelular
Pitavastatina mais potente / Rosuvastatina mais eficaz
+ Maioria lipossolúvel, com exceção de rosuvastatina e pitavastatina.
Usos Clínicos
- É considerada a terapia mais validada por estudos clínicos para reduzir a incidência de
eventos cardiovasculares
- Promove redução significativa nos níveis circulantes de LDL-C e TG, além de elevação no
HDL-C, sendo útil particularmente nos casos onde houver hipercolesterolemia .
Interações medicamentosas
CYP-3A4 (membro da família de citocromos P450) é uma enzima do fígado responsável por oxidar
estatina permitindo que elas sejam excretadas. Muitas drogas inibem a CYP34, reduzindo a oxidação
de estatina, resultando em maior biodisponibilidade do fármaco e aumentando sua ação.
Efeitos Colaterais
- Miopatia (a mais comum): de mialgia, com ou sem elevação da creatinoquinase (CK) até a
rabdomiólise (aspecto histopatológico se caracteriza por perda do núcleo e das estrias
musculares do miócito sem a presença de infiltração de células inflamatórias).
- Hepatotoxicidade: a dosagem de transaminases só é aconselhada 6 a 12 semanas após
introdução ou aumento de dose das estatinas. Caso haja alterações significativas superiores a
três vezes o valor de referência, a suspensão temporária das estatinas é aconselhada. A
suspensão definitiva é recomendada apenas em casos com infecção hepática ativa ou
disfunção hepática grave.
- Outros: constipação, dor abdominal, dor cabeça.
Formas Sindrômicas de Acometimento Muscular Causado Pelas Estatinas:
- Miopatia , definida como qualquer desconforto muscular;
- Mialgia , quando a dor muscular não se acompanha de elevação da enzima
creatinofosfoquinase (CPK);
- Miosite , quando os sintomas musculares se associam com aumento da CPK
- Rabdomiólise , quando há importante elevação da CPK (usualmente mais que 50 vezes o limite
superior da normalidade) associada com aumento da creatinina sérica, mioglobinemia,
mioglobinúria e insuficiência renal aguda.
Possíveis mecanismos de miopatias por estatina
- Redução no colesterol pode tornar as membranas musculares instáveis e suscetíveis a lise.
- Redução na síntese de ubiquinona, elemento essencial do transporte elétrico da mitocôndria, o
que leva a uma redução de síntese de ATP
- Pode mascarar desordens musculares como mitocondriopatias e fibromialgias
- Redução de na proteína de ligação ao GTP que pode levar a apoptose
- Aumento da degradação de actina e miosina
- Ativação de fenômeno autoimune que promove lesão muscular
Rabdomiólise: degradação do tecido muscular que libera uma proteína prejudicial no sangue. Essa
ruptura do tecido muscular resulta na liberação de uma proteína (mioglobina) no sangue. A
mioglobina pode danificar os rins.
Estatinas podem levar a miopatias, quando em interação com outros medicamentos ou em suas
doses máximas (40), uma das miopatias mais preocupantes que pode ocorrer é a rabdomiólise que
pode levar a insuficiência renal .
Horário para tomar Sinvastatina: o colesterol é produzido pelo fígado principalmente no período
noturno. A sinvastatina, tem meia vida curta, ou seja, seu efeito no organismo é relativamente curto,
deve ser tomada à noite para que seu pico de ação coincida com o momento em que a produção de
colesterol no organismo é maior. Outros medicamentos que devem ser tomados a noite pelo mesmo
motivo são a lovastatina e a fluvastatina.
FIBRATOS
- Fármacos: Etofibrato, genfibrozila, fenofibrato, ciprofibrato, bezafibrato.
Mecanismo de Ação: o fármaco irá interagir com o receptor ativado pelo proliferador peroxissômico
(PPAR), isótopo alfa, que se localiza principalmente no fígado e tecido adiposo marrom. A ativação do
PPAR-alfa promove:
- Aumento nos níveis circulantes de HDL.
- Aumento da captação e oxidação de ácidos graxos pelas células musculares.
- Aumento da oxidação de ácidos graxos e diminuição na síntese de triglicerídeos nos
hepatócitos.
Usos dos fibratos: no tratamento da hipertrigliceridemia isolada são prioritariamente indicados os
fibratos; produzem redução nos níveis de triglicérides de 30 a 60%, e aumento no HDL- C. Sua ação
sobre o LDL-C é variável.
Efeitos Colaterais
- Dentre os principais estão: distúrbios gastrintestinais, mialgia, astenia, litíase biliar (mais
comum comum com clofibrato), diminuição de libido, erupção cutânea, prurido, cefaléia,
perturbações do sono.
- Casos de rabdomiólise têm sido descritos com o uso da associação de estatinas com
genfibrozila. Recomenda-se, por isso, evitar essa associação.
EZETIMIBA
Mecanismo de Ação: inibe a absorção de colesterol na borda em escova do intestino delgado ,
atuando seletivamente nos receptores Niemann-Pick C1-like protein 1 e inibindo o transporte de
colesterol. A inibição da absorção de colesterol, em grande parte do colesterol biliar, leva à
diminuição dos níveis de colesterol hepático e ao estímulo à síntese de LDL-R com consequente
redução do nível plasmático de LDL-C de 10% a 25%.
Usos da ezetimiba: geralmente é usado em associação com as estatinas no controle de quadros
hipercolesterolêmicos.
+ a ezetimiba deve ser usado em associação às estatinas pois em seu uso isolado pode levar a
um aumento compensatório na produção endógena do colesterol.
Efeitos Adversos:
- Raros. Diarreia, sintomas relacionados ao trato respiratório superior, tosse, dor nas
extremidades, sinusite, artralgia, fadiga.
- Pode haver reações alérgicas (raras).
- Ainda não foi estabelecida segurança quanto ao seu uso na gravidez.
INIBIDORES DA PCK9
- Fármacos: evolocumabe e alirocumabe
- Mecanismo: a PCSK9 é uma protease expressa predominantemente pelo fígado, intestino e
rins, capaz de inibir a reciclagem do LDLR de volta à superfície celular, resultando em menor
número de receptores e aumentodos níveis plasmáticos de LDL. A inibição da PCSK9 bloqueia
a degradação do LDLR, com maior capacidade de clearance da LDL circulante.
Exemplo de Posologia Repatha: caneta aplicadora de doses de 140mg. Utilizada a cada duas
semanas. Alto custo!
Usos clínicos: as diretrizes de 2017 recomendam a utilização somente em pacientes com risco
cardiovascular elevado, em tratamento otimizado com estatinas na maior dose tolerada, associado
ou não à ezetimiba, e que não tenham alcançado as metas de LDL-c ou não HDL-c recomendadas.
Efeitos colaterais: o uso dos inibidores da PCSK9 em geral é seguro e bem tolerado. É descrita a
ocorrência de nasofaringite, náuseas, fadiga e aumento da incidência de reações no local da injeção
(vermelhidão, prurido, edema ou sensibilidade/dor).
RESINA DE TROCA
- Fármacos: colestiramina (única disponível no Brasil), colestipol e colesevelam
- Mecanismo: são sequestradores dos ácidos biliares, ou seja, se ligam aos ácidos biliares no
intestino delgado, reduzindo a absorção intestinal de colesterol. Pode haver aumento
compensatório de colesterol endógeno e de triglicérides plasmáticos.
- Usos clínicos: podem ser usados em associação às estatinas quando a meta de LDL-C não
tiver sido atingida, apesar do uso de estatinas potentes em doses efetivas.
- Efeitos Colaterais: constipação (até 25% dos indivíduos tratados) e aumento dos TGs em
indivíduos com hipertrigliceridemia acentuada (> 400 mg/dl).
- Uso em crianças, gestantes e mulheres amamentando (sem absorção)
NIACINA
- Também conhecida como vitamina B3 ou ácido nicotínico
- Mecanismo: atua em um receptor específico ligado à proteína G (GPR109A) promovendo:
+ Inibição das lipases hormônio-sensíveis nos adipócitos, levando a uma diminuição da
liberação de ácidos graxos livres na circulação.
+ Redução da síntese hepática de TG (por inibir a enzima diacilglicerol aciltransferase-2)
+ Diminuição da secreção de VLDL e LDL.
+ Aumento do HDL.
- Usos: estudos demonstram associação entre o uso de niacina e redução de eventos
coronários e mortalidade total. Mais recentemente, foi demonstrado que niacina combinada
com outros fármacos hipolipemiantes pode atenuar a progressão da aterosclerose coronária.
- Efeitos Colaterais: Menor tolerabilidade com a forma de liberação imediata (rubor e prurido;
náusea, dispepsia, dor abdominal e diarreia. Também pode haver hiperglicemia).
Hepatotoxicidade (liberação lenta). Preferir uso na forma de liberação intermediária, com
melhor perfil de tolerabilidade.
- Usar com precaução em pacientes em uso de anticoagulantes ou inibidores da HMG- CoA
redutase (estatinas) ou se sintomas de miopatia acontecerem (monitorar CPK-creatina
fosfoquinase).
ÁCIDOS GRAXOS ÔMEGA-3
- São ácidos graxos poli-insaturados derivados do óleo de peixes e de certas plantas e nozes.
Possuem ação anti-inflamatória, além de capacidade de remodelar a estrutura de
lipoproteínas e alterar metabolismo lipídico.
- Em altas doses (4 a 10g/dia) reduz os TGs e aumenta discretamente o HDL-C, podendo,
entretanto, aumentar o LDL-C.
- Seus efeitos no perfil lipídico são dose-dependentes e resultam de uma variedade de
mecanismos, entre os quais a diminuição da produção de VLDL e o aumento de seu
catabolismo.
- Recomendação: ácidos graxos ômega 3 em altas doses (4 a 10 g ao dia) podem ser usados
associados a outros hipolipemiantes em portadores de hipertrigliceridemia grave que não
atingiram níveis desejáveis com o tratamento.
R�UMO FÁRMACOS PARA DISLIPIDEMIA (principais)
Classe Fármacos Mecanismo Uso Clínico Efeitos Adversos
ESTATINAS
Sinvastatina
Lovastatina
Pravastatina
Fluvastatina
Atorvastatina
Rosuvastatina
Inibe a enzima
HMG-Coa redutase
(diminui produção
de colesterol)
Hipercolesterolemia
Reduz incidência de
eventos
cardiovasculares
Miopatia/Rabdomiólise(
IR): doses altas ou
associação
Hepatotoxicidade
Constipação, cefaléia,
dor abdominal
FIBRATOS
Etofibrato
Genfibrozila
Fenofibrato
Ciprofibrato
Bezafibrato
Ativa PPAR-alfa
(Aumenta HDL e
diminui síntese de
triacilgliceróis)
Hipertrigliceridemia
isolada
Distúrbios TGI, mialgia,
astenia, litíase biliar,
diminui libido, erupção
cutânea, prurido,
cefaléia, perturbação
do sono. Rabdomiólise
em associação com
estatina.
EZETIMIBA
Ezetimiba Inibe a absorção
de colesterol na
borda em escova
do intestino
delgado.
Associação com
estatinas
(obrigatoriamente
para não causar
efeito
compensatório e
aumentar
colesterol)
RAROS (Diarreia,
sintomas relacionados
ao trato respiratório
superior, tosse, dor nas
extremidades, sinusite,
artralgia, fadiga.
Alergias)
Antineoplásicos
Neoplasias
- As células cancerosas reproduzem-se desenfreadamente e colonizam outros tecidos
- Reproduzem-se desobedecendo aos limites normais da divisão celular
- Invadem e colonizam regiões normalmente destinadas a outras células.
- Uma célula anormal que cresce (aumenta de massa) e prolifera (divide-se) fora de controle
dará origem a um tumor, ou neoplasia literalmente, crescimento novo.
- Células neoplásicas que não se tornam invasivas são consideradas tumores benignos.
- Um tumor é considerado um câncer apenas se for maligno, ou seja, se suas células tiverem
adquirido a capacidade de invadir tecidos adjacentes.
- A carcinogênese (a geração de um câncer) parece ter relação com a mutagênese (produção
de alterações na sequência de DNA), porém uma única mutação não é suficiente para causar
câncer.
- Carcinógenos químicos (que tipicamente causam uma alteração simples localizada na
sequência de nucleotídeos).
- Radiação, como os raios X (que caracteristicamente causam quebras cromossômicas e
translocações).
- Luz ultravioleta (que causa alterações específicas nas bases do DNA).
Tratamento para Neoplasias: Quimioterapia, Cirurgia e Radioterapia.
Quimi�erapia
Objetivo da Quimioterapia
- Citotóxico letal ou uma apoptose nas células cancerosas, impedindo a progressão do tumor.
- Ataque é direcionado contra o DNA ou contra um passo metabólico essencial à multiplicaçãocelular – purinas e pirimidinas, que são os componentes para a síntese de DNA e RNA.
- Infelizmente, a maioria dos fármacos anticâncer disponíveis não reconhece as células
neoplásicas, afetando todos os tipos de células em proliferação – sejam normais ou anormais.
- Assim, praticamente todos os fármacos antitumorais têm uma curva dose-resposta muito
íngreme para os efeitos tóxicos e terapêuticos.
Quimioterapia Neoadjuvante
antes da cirurgia. A quimioterapia é indicada quando a neoplasia é
disseminada e não houver cirurgia possível (paliativa).
Quimioterapia Adjuvante depois do tratamento cirúrgico e da radiação.
Quimioterapia de Manutenção dosagem baixas para auxiliar no prolongamento da remissão.
CICLO CELULAR
A divisão celular para o crescimento e renovação teciduais é alcançado pelo processo de mitose. O
ciclo celular é definido como o intervalo entre duas divisões mitóticas sucessivas que resulta na
produção de duas células filhas.
● Fase M: fase mitótica, a célula se divide.
- Fase G0: estado de repouso (a célula não está se dividindo). É o período imediato após a
formação da célula, nesse período a célula não recebe estímulos para iniciar uma nova
divisão. Fase exclusiva para atividade celular, neurônios permanecem na fase G0.
● Fase G1: síntese de enzimas necessárias para a síntese de DNA.
● Fase S: replicação do DNA
● Fase G2: síntese dos componentes celulares necessários para a mitose.
Controle do Ciclo Celular
- Complexo Cdk4 / Ciclina D:
controlam a progressão e a
conclusão do ciclo celular.
- Genes supressores: reprimem a
proliferação, controlam a
proliferação normal das células.
- Checkpoints são pontos de
parada durante o ciclo celular
onde ocorre análise da
estrutura do material genético.
Se houver algum erro e ele for
detectado, a célula entra em
apoptose (morte programada).
Controle do Ciclo celular pelo gene p53
- No caso de lesão no DNA o gene p53 é ativado, levando à transcrição da proteína p53. O
acúmulo dessa proteína no núcleo da célula inibe o ciclo mitótico no início da fase G1 e ativa a
transcrição de genes de reparo do DNA, impedindo desta forma a propagação do erro genético
para as células filhas. ativa o reparo ou ativa o processo apoptótico.
- A proteína p53 tem sua função supressora de tumor regulada de forma negativa, ou seja,
inativada pelo gene MDM2. Mdm2 leva à repressão da expressão de p53 por três mecanismos.
1. No primeiro, Mdm2 se liga a p53 no seu domínio de transativação e bloqueia sua
capacidade de ativar a transcrição.
2. No segundo, promove a exportação nuclear de p53 para o citoplasma.
3. E no terceiro, Mdm2 serve como uma ligase de ubiquitina que promove a degradação
de p53
- A falha na supressão tumoral pode ser decorrente de um gene p53 mutante ou interrupção na
via de p53, causada por exemplo por uma atividade de MDM2 não regulada.
Mecanismos de quimioterápicos que atuam sobre pontos específicos do ciclo celular:
● Seletividade: células tumorais estão sempre em um dos pontos ativos do ciclo celular. Ou seja
células que não estão se replicando são menos sensíveis.
● Sensibilidade: Células tumorais normalmente apresentam mutações nos pontos de checagem,
o que faz com que elas prossigam o ciclo mesmo apresentando danos/mutações.
● Eficácia: Tumores com alta taxa de proliferação são mais suscetíveis a tratamento citotóxicos.
Pouco ativa em tumores de crescimento lento ou Indolentes.
Classe de Fármacos
- Agentes alquilantes
- Análogos purínicos e pirimidínicos
- Antimetabólicos
- Agentes antimitóticos
- Inibidores da enzima Topoisomerase
Fármacos ciclo-celular-específico: Eficazes contra tumores com altas taxas de crescimento, como os
cânceres hematológicos.
- Antimetabólicos
- Antimicrobianos peptídicos de bleomicina
- Alcalóides da Vinca
- Etoposídeo
Fármacos ciclo-celular-inespecíficos: Eficazes contra tumores com baixa taxa de crescimento, como
os tumores sólidos, bem como contra os tumores com altas taxas de crescimento.
- Alquilantes
- Antimicrobianos
- Cisplatina
- Nitrossoureias
Fase G1 Complexos coordenados de platina
Fase S
Citosina arabinosídeo hidroxiuréia, complexos coordenados de platina, inibidores da
topoisomerase.
Fase G2 6-Mercaptopurina, metotrexato
Fase M Vincristina, vimblastina, paclitaxel
Fase G0
Fármacos inespecíficos - agentes alquilantes nitrossoureias cispatina, antibióticos,
antitumorais, antimetabólicos.
Fármacos Quimioterápicos que afetam RNA e DNA
ALQUILANTES
- Mecanismo de Ação: ligam-se covalentemente ao grupo nucleofílico de vários constituintes
celulares, causando um efeito citotóxico. A alquilação do DNA é provavelmente a reação
citotóxica crucial, que é letal às células tumorais.
- Fármacos: Ciclofosfamida, Ifosfamida , são os principais, também tem o bussulfano,
carmustina, ciclofosfamida, clorambucila, dacarbazina, lomustina, melfalano, e temozolomida.
- Efeitos Adversos: são extremamente citotóxicos. Os alquilantes não diferenciam células em
repouso e células que estão ciclando, mesmo sendo mais tóxico para as que estão em divisão
rápida. Eles são usados em associação com outros fármacos para combater uma ampla
variedade de cânceres linfáticos e sólidos. Além de serem tóxicos, todos são mutagênicos e
carcinogênicos e podem levar a um segundo câncer, como leucemia aguda.
- Mecanismos de Resistência:
+ Mutação na p53 e perda da capacidade de reconhecer danos no DNA.
+ Aumento do mecanismo de reparo do DNA.
+ Diminuição da permeabilidade celular.
+ Detoxificação por aumento de glutationa ou aldeído desidrogenase.
Ciclofosfamida e Ifosfamida
- Mecanismo de ação: A ciclofosfamida é o alquilante mais
comumente usado. Ciclofosfamida e ifosfamida são
biotransformados a intermediários hidroxilados, principalmente
no fígado, pelo sistema CYP450. Esse intermediário é hidrolisado,
formando os compostos ativos, mostarda fosforamida e acroleína.
A reação da mostarda fosforamidacom o DNA é considerada a
etapa citotóxica. O fármaco original e seus metabólitos são
excretados, primariamente, na urina.
- Efeitos adversos: A toxicidade singular de ambos os fármacos é a
cistite hemorrágica, que pode levar à fibrose da bexiga. A
toxicidade vesical é atribuída à acroleína presente na urina, no
caso da ciclofosfamida, e a metabólitos tóxicos, no caso da
ifosfamida. Hidratação adequada, bem como injeção IV de mesna
(2-mercaptoetano sulfonato sódico, que neutraliza os metabólitos
tóxicos, pode minimizar o problema).
Fármaco VIA Efeitos Adversos Interações Monitoramento Observações
Ciclofosfamida
IV
VO
Mielossupressão,
cistite hemorrágica,
N/V/D, alopecia,
amenorreia,
tumores
secundários
Fenobarbital,
fenitoína
(CYP450);
digoxina.
Anticoagulantes
Análise de
urina, HC,
função renal e
hepática
Boa hidratação
para prevenir
toxicidade
vesical (mesna
com dosagens
altas)
Ifosfamida
IV Mielossupressão,
cistite hemorrágica,
N/V,
neurotoxicidade,
alopecia,
amenorreia
Fenobarbital,
fenitoína
(CYP450);
cimetidina,
alopurinol,
varfarina
Análise de
urina;
neurotoxicidad
e
Usar mesna e
hidratação
para prevenir
toxicidade
renal
COMPLEXOS COORDENADOS DE PLATINA
- Mecanismo de ação: se ligam à guanina no DNA, formando ligações cruzadas entre e intra
fitas. A lesão citotóxica resultante inibe as polimerases para replicação, transcrição, reparo
do DNA e síntese do RNA, levando a lise celular Pode ocorrer citotoxicidade em qualquer
estágio do ciclo celular, mas as células são mais vulneráveis à ação desses fármacos nas
fases G1 e S.
- Fármacos: Cisplatina, Carboplatina e Oxaliplatina.
Fármaco VIA Efeitos Adversos Interações Monitoramento Observações
Cisplatina
IV
IP
IA
Neurotoxicidade,
mielossupressão,
ototoxicidade,
N, V, depleção de
eletrólitos,
reações de
infusão,
nefrotoxicidade
Anticonvulsivantes HC, PMC,
eletrólitos,
audição
Necessário
pré- e pós-
-hidratação
agressiva;
alta incidência
de náuseas e
êmese
Carboplatina
IV
IP
IA
Mielossupressão,
N, V, reações de
infusão
Aminoglicosídeos HC Dose calculada
usando
a ASC
Oxaliplatina
IV Neurotoxicidade,
N, V, reações de
infusão,
hepatotoxicidade,
mielossupressão
Varfarina HC, função
neurológica,
função hepática
Neuropatia
periférica
acumulativa e
relacionada
com frio
INIBIDORES DE TOPOISOMERASE
- Mecanismo de ação: Esses fármacos são específicos da fase S e inibem a topoisomerase I
(topotecano, irinotecano, camptotecina) e topoisomerase II (etoposido) essenciais para a
replicação do DNA em células humanas.
+ Topoisomerase I: alivia a tensão do DNA, cortando apenas uma das fitas.
+ Topoisomerase II: Alivia a tensão do DNA, cortando as duas fitas de DNA. Com gasto de
ATP.
- Fármacos: Etoposídeo, Topotecano, Irinotecano , e o camptotecina que não é usado por ser
muito tóxico.
Topotecano
- Inibe topoisomerase I
- Empregado no câncer de ovário metastático
Irinotecano
- Inibe topoisomerase I
- Usado com 5-Fluorouracil e ácido folínico contra o carcinoma
retal ou de colo.
Etoposídeo
- Inibe a topoisomerase II
- O principal uso clínico do etoposídeo é no tratamento do câncer pulmonar e, em combinação
com a bleomicina e a cisplatina, contra o carcinoma testicular.
Fármaco VIA Efeitos Adversos Interações Monitoramento Observações
Irinotecano
IV
Diarreia,
mielossupressão,
Náusea, êmese
Substratos da
CYP3A4
Hemograma
completo,
eletrólitos
Diarreia aguda
e tardia
(ameaça a
sobrevida)
Topotecano
IV
VO
Mielossupressão,
Náusea, êmese
Inibidores da
glicoproteína P
(PO)
Hemograma
completo
Diarreia
comum com VO
Etoposídeo
IV
VO
Mielossupressão,
hipotensão,
alopecia, náusea,
êmese
Hemograma
completo
Pode causar
cânceres
secundários
(leucemia)
ANTIMETABÓLICOS
- Mecanismo de ação: interferem na disponibilidade de precursores normais de nucleotídeos
de purina ou pirimidina, seja por inibirem sua síntese, seja, por competirem com eles na
síntese de DNA e RNA.
- O efeito citotóxico máximo é específico na fase S e é, portanto, ciclo-celular específico.
- Principais fármacos: metotrexato (pemetrexede e pralatrexato), 6-mercaptopurina (6-MP), e
5-fluorouracilo (5-FU).
Metotrexato, pemetrexede e pralatrexato
- São fármacos antifolato.
- O MTX é estruturalmente relacionado ao ácido fólico e atua
como um antagonista dessa vitamina, inibindo a
di-hidrofolato redutase (DHFR), enzima que converte o
ácido fólico na sua forma de coenzima.
- A vitamina ácido fólico tem papel central em uma variedade
de reações metabólicas envolvendo a transferência de
unidades de um carbono e é essencial para a multiplicação
celular.
- O MTX é específico para a fase S do ciclo celular.
- O MTX, em geral combinado com outros fármacos, é eficaz
contra a leucemia linfocítica aguda, o linfoma de Burkitt em
crianças, o câncer de mama, o câncer de bexiga e os
carcinomas de cabeça e pescoço.
- A hidratação adequada é importante nas doses elevadas.
- Baixa penetração no SNC.
- Fármaco inalterado aparece na urina: em doses elevadas,
também é excretado metabólito 7-OH.
5-fluorouracilo (5-FU)
A 5-FU não tem atividade antineoplásica. Ela entra na célula por um sistema de transporte mediado
por carregador e é convertida ao desoxinucleotídeo correspondente, que compete com o
monofosfato de desoxiuridina pela timidilato sintetase, inibindo, assim, a sua ação. A síntese de DNA
diminui devido à falta de timidina, levando ao crescimento celular desequilibrado à “morte por falta
de timidina” das células em divisão rápida.
6-mercaptopurina (6-MP)
- A 6-MP é usada principalmente na manutenção da
remissão da leucemia linfoblástica aguda.
- Mecanismos de ação:
1. Formação de nucleotídeo: O 6-MP precisa entrar
na célula-alvo e ser convertida ao análogo
nucleotídeo, o 6-MP-ribose-fosfato (mais
conhecido como ácido 6-tioinosínico ou TIMP).
2. Inibição da síntese de purina: Inúmeros
processos metabólicos envolvendo a biossíntese
de purina e as interconversões são afetados pelo
análogo do nucleotídeo,o TIMP.
3. Incorporação em ácidos nucleicos: O TIMP é
convertido em monofosfato de tioguanina, que,
após fosforilação a di e trifosfatos, pode ser
incorporado no RNA.
● Os análogos desoxirribonucleotídeos, que também
são formados, são incorporados ao DNA. Isso
resulta em RNA e DNA não funcionais.
Fármaco VIA Efeitos Adversos Interações Monitoramento Observações
Metotrexato
IV
VO
IM
IT
N/V/D;
estomatite,
urticária,alopecia
mielossupressão,
dose alta: lesão
renal. IT: toxic.
neurológica
Omeprazol, ácido
fólico,
varfarina, AINEs,
penicilinas,
cefalosporinas
HC; funções
renal e
hepática; níveis
de metotrexato
(após infusão
de doses altas
Alguns EA
podem ser
evitados ou
revertidos com
administração
de ácido fólico.
Ajustar a dose
na IR
6-mercaptopuri
na (6-MP)
VO N/V/D,
mielossupressão,
anorexia,
hepatotoxicidade
(icterícia)
Varfarina,
alopurinol,
SMZ + TMP
HC; funções
renal
e hepática;
Diminuir a
dosagem de
6-MP em 50 a
75% quando
usado com
alopurinol
para evitar
toxicidade
5-fluorouracilo
(5-FU)
IV
Diarreia,alopecia,
mucosite grave,
mielossupressão
(bolus),“síndrome
mãos-pés”(infusã
o contínua),
vasoespasmo
coronário
Metotrexato
(análogo
antifolato)
Hemograma
completo,
funções renal e
hepática;
diarreia
“Síndrome
mãos-e-pés”/
eritrodisestesia
palmar-plantar
(EPP) é uma
descamação
eritematosa
das palmas e
solas
Mielossupressão: Medula óssea é diminuída, resultando
em menor número de glóbulos vermelhos, glóbulos
brancos e plaquetas.
ANTIMITÓTICOS
- Mecanismo de ação: O feixe mitótico é essencial para a partição por igual do DNA nas duas
células-filhas que são formadas quando uma célula eucariótica se divide. Várias substâncias
derivadas de plantas usadas como fármacos antineoplásicos desorganizam esse processo,
afetando o equilíbrio entre as formas polimerizadas e despolimerizadas dos microtúbulos e
causando citotoxicidade.
- Fármacos: Vincristina, Vimblastina, Vinorelbina, Paclitaxel, Docetaxel.
Vincristina e Vimblastina
- Mecanismo de ação: ligam-se a proteína tubulina, assim bloqueando-a e impossibilitando a
polimerização desta, o que é necessário para a formação de microtúbulos. Assim formam-se
aglutinados paracristalinos consistindo de dímeros de tubulina e alcaloide
- São ciclo-celular específicos e fase-específicos, pois bloqueiam a mitose na metáfase (fase M).
Paclitaxel e Docetaxel
- Mecanismo de ação: promovem a polimerização e a estabilização do polímero em vez de
desmontá-lo, levando ao acúmulo de microtúbulos. Os microtúbulos formados,
excessivamente estáveis, não são funcionais, e não ocorre desagregação dos cromossomos.
Isso resulta na morte da célula. célula fica congelada na metáfase.
- Os dois fármacos são ativos na fase G2/M do ciclo celular
Fármaco VIA Efeitos Adversos Interações Monitoramento Observações
Vincristina
IV Neurotoxicidade,
constipação
Fenitoína,
fenobarbital,
carbamazepina,
antifúngico azóis
HC, função
hepática,
neuropatia
periférica
Vesicantes,
administração IT
pode levar a óbito
Vimblastina
IV Mielossupressão,
neurotoxicidade
nenhuma HC, função
hepática
idem
Vinorelbina IV Granulocitopenia nenhuma idem idem
Paclitaxel
IV Neutropenia,
neurotoxicidade,
alopecia, N/V
Repaglinida,
genfibrozila,
rifampicina
(CYP2C8)
HC, função
hepática,
neuropatia
periférica
Reações de
hipersensibilidade
(dispneia,
urticária,
hipotensão),
requer
pré-medicação
Docetaxel
IV Neutropenia,
neurotoxicidade,
edema, alopecia,
N/V/D
Cetoconazol,
ritonavir
(CYP3A4)
idem idem
Critérios para administração da Quimioterapia
- Perda do peso inferior a 10% do peso corporal anterior ao do início da doença;
- Ausência de contra-indicação clínica para as drogas selecionadas;
- Os pacientes com maior capacidade funcional e sintomas discretos respondem melhor ao
tratamento; e têm uma sobrevida maior do que aqueles com menores capacidades funcionais,
e com sintomas graves.
- Ausência de infecção ou infecção presente, mas sob controle;
- Contagem das células do sangue e dosagem da hemoglobina sérica (os valores exigidos para a
aplicação de quimioterapia em crianças são menores) dentro dos seguintes limites:
Leucócitos > 3.000 a 4.000/mm3
Neutrófilos > 1.500 a 2.000/mm3
Plaquetas > 150.000/mm3
Hemoglobina > 10g/dl
- Dosagens séricas:
Uréia < 50 mg/dl
Creatinina < 1,5 mg/dl
Bilirrubina total < 3 mg/dl
Ácido úrico < 5 mg/dl
Transferases (transaminases) < 50 UI/I
Outros exames que devem ser solicitados:
- Avaliação cardiológica (função cardíaca) de pacientes que receberão adriamicina.
- Avaliação da depuração da creatinina, em casos de quimioterapia com metotrexato em doses
altas ou cisplatina.
HORMÔNIOS ESTEROIDES E SEUS ANTAGONISTAS
Os tumores sensíveis aos hormônios esteróides, podem ser:
● Hormônio-responsivos (o tumor regride pelo tratamento com um hormônio específico);
● Hormônio-dependentes (o tumor regride com a remoção do estímulo hormonal);
● Ambos
A remoção do estímulo hormonal de tumores hormônio-dependentes pode ser feita por cirurgia (p.
ex., no caso de orquiectomia – remoção cirúrgica de um ou ambos os testículos – para pacientes com
câncer de próstata avançado) ou por fármacos (p. ex., no câncer de mama, para o qual é usado
tratamento com o antiestrogênio tamoxifeno para evitar a estimulação estrogênica das células
cancerosas mamárias). Para que o hormônio esteroide influencie a célula, ela precisa ter receptores
intracelulares (citosólicos) específicos para esse hormônio.
- Principais Fármacos: Prednisona, tamoxifeno.
ANTIMICROBIANOS
- Mecanismo de ação: Os antimicrobianos antineoplásicos devem sua ação citotóxica
principalmente às suas interações com DNA, levando à desorganização d sua função. Além de
se intercalar, a propriedade de inibir as topoisomerases (I e II) e produzir radicais livres
também tem participação significativa no efeito citotóxico.
- Principal fármaco: Bleomicina, Doxorrubicina, Daunorrubicina, Doxorrubicina lipossomal,
Epirrubicina, Idarrubicina.
Bleomicina
- Mecanismo de ação: O complexo DNA-bleomicina-Fe 2+ parece sofrer oxidação à
bleomicina-Fe 3+. Os elétrons liberadosreagem com o oxigênio para formar radicais superóxido
ou hidroxilas, que, por sua vez, atacam as ligações fosfodiéster do DNA, resultando em quebra
das fitas e aberrações cromossomais.
- Causa cisão do DNA por um processo oxidativo.
- A bleomicina é ciclo-celular específica e faz as células se acumularem na fase G2.
- Ela é usada principalmente no tratamento de câncer nos testículos e de linfomas de Hodgkin.
Antibióticos Antitumorais: Doxorrubicina, Daunorrubicina.
- Formação de ligações com os grupos fosfolipídeos (carregados negativamente) da membrana
celular, alterando sua fluidez, assim como o transporte de íons.
- Promoveriam a formação do radical livre do oxigênio, através de um processo redutor
enzimático.
- Formação de ligações interfilamentares com o DNA, o que leva a bloqueio da síntese do DNA e
RNA e diminuição da atividade da topoisomerase II, promovendo a ruptura dos filamentos da
macromolécula (DNA).
ANTICORPOS MONOCLONAIS
Os anticorpos monoclonais tornaram-se uma área ativa no desenvolvimento de fármacos anticâncer
e outras doenças não neoplásicas, pois são direcionados contra alvos específicos e, com frequência,
têm poucos efeitos adversos. Eles são criados a partir dos linfócitos B (de camundongos ou hamsters
imunizados) fundidos a células tumorais linfócitos B “imortais”. As células híbridas resultantes podem
ser clonadas individualmente, e cada clone produz anticorpos direcionados contra um único tipo
antigênico. A tecnologia recombinante levou à criação de anticorpos “humanizados”, que evitam os
problemas imunológicos anteriormente observados depois da administração de anticorpos de
camundongos (murinos). Quanto menos humanizados menor o risco de resposta do organismo.
- Fármacos: trastuzumabe, rituximabe, bevacizumabe e cetuximabe.
Trastuzumabe
- Se liga no receptor HER2 (fator de crescimento das células mamárias), impedindo a
proliferação celular.
- Reações adversas: Hipotensão, febre e calafrios e alterações cardiovasculares.
Cetuximabe
- Reconhece o anticorpo que te como antígeno o receptor do fator de crescimento epidérmico
EGRF.
- Aplicável à terapia de câncer de intestino (cólon, reto), cabeça e pescoço.
- Efeitos colaterais: Irritações cutânea e diarréia.
Rituximabe
- Anticorpo que reconhece o antígeno CD20. CD20 participa do processo de ativação para o
início e a diferenciação do ciclo celular.
- Expresso na superfície de tumores de linfócitos B.
- Utilizado para o tratamento de Linfomas de células B, Leucemia linfocítica crônica, Artrite
reumatoide.
- Reações adversas: Broncoespasmo, Hipotensão e reação anafilática.
Protocolo ABVD - Padrão Ouro para tratamento do Linfoma de Hodgkin
1. Doxorrubicina: interação com a enzima Topoisomerase II, além de geração de radicais livres
dentro da célula.
2. Bleomicina: DNA-bleomicina-Fe2+ parece sofrer oxidação à bleomicina-Fe3+.
3. Vinblastina: bloqueia a possibilidade de a tubulina polimerizar para formar microtúbulos
4. Dacarzabina: Inibição da síntese de DNA pela ação como um análogo de purina. Ação como um
agente alquilante.
REAÇÕES ADVERSAS
- Mucosite;
- Alopécia;
- Cistite;
- Esterilidade;
- Mialgia;
- Neuropatia;
- Fibrose pulmonar;
- Cardiotoxidade;
- Insuficiência renal.
Antineoplásicos: Apesar da ampla utilização clínica dos agentes quimioterápicos antineoplásicos,
especialmente os agentes alquilantes, que conseguem muitas vezes controlar o crescimento tumoral
e até prolongar a vida dos pacientes em vários anos, os oncologistas afirmam que a melhor ajuda
para combater o câncer não é o tratamento antineoplásico, mas o diagnóstico precoce e,
principalmente, a sua prevenção. Quím. Nova vol.28 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2005
Antiviral
Replicação Viral
1. Adsorção
2. Penetração
3. Desnudamento
4. Replicação do material genético
5. Montagem/maturação
6. Liberação
Características dos Antivirais
- Devem penetrar nas células infectadas
- Precisam interromper a replicação viral sem afetar significativamente o metabolismo celular
do hospedeiro
- A chave é a seletividade para proteínas e enzimas exclusivas dos vírus
- Também podem impedir a penetração dos vírus
- Para reduzir o aparecimento de resistência algumas drogas podem ser combinadas
Vacinas
- Produção de anticorpos que tornam o organismo imune ou, ao menos, mais resistente ao
vírus.
- Principal método de combate às viroses.
- Vírus atenuados, inativados ou recombinantes (produz antígeno mas incapaz de replicar),
vacina de subunidade recombinante (ex: antígeno expresso em E. coli)
- Embora valiosas, as vacinas não funcionam para infecções em curso, imunossuprimidos (HIV,
quimioterapia e transplantados) e vírus de rápida mutação gênica (ex: HIV e gripe).
● Tríplice Viral: Rubéola e Sarampo, causam manchas vermelhas, conjuntivite e fotofobia.
Caxumba leva a inchaço e dores locais.
● Catapora (varicela): manchas vermelhas e intensa coceira.
● Poliomielite: febre, diarreia, dor de cabeça e flacidez muscular.
● Hepatite A e B: náuseas no fígado, dor no estômago, vômitos, febre e morte por problemas
cardíacos e renais.
● Raiva humana: dificuldade de ingerir líquidos e alimentos, espasmos.
● Varíola: manchas que evoluem para vesículas (erradicada)
● HPV: verrugas genitais que podem ou não evoluir para câncer
● Faltam vacinas para Hepatite C, Herpes e HIV.
● Gripe (parcial/sazonal)
● Dengue (Dengvaxia Sanofi-Pasteur)
HERP�VÍRUS
- Herpes simples 1 e 2, Varicela zoster, Epstein Barr vírus, Citomegalovírus, HHV.
- Vírus envelopado de DNA fita dupla
- Umas das infecções virais mais comuns, podendo ser grave em neonatos e imunossuprimidos.
- Pode se manter latente por tempo indeterminado.
Antivirais para Herpes
Inibidores da DNA polimerase
- São estruturas parecidas com o nucleosídeo guanosina
- Fármacos: Aciclovir, Penciclovir, Ganciclovir
- Mecanismo de ação: A enzima timidina quinase viral não percebe que falta metade do anel da
ribose na estrutura do aciclovir e fosforila o falso nucleosídeo, posteriomentea célula
hospedeira continua a fosforilação. Este nucleotídeo defeituoso é então incorporado ao DNA
pela DNA polimerase viral gerando uma fita incompleta causando uma interrupção da cadeia.
A enzima timidina quinase humana percebe que o aciclovir não é um nucleosídeo completo e
não inicia a fosforilação, portanto o aciclovir é inativo para as células não infectadas.
Aciclovir e Valaciclovir
- Resistência: mutações nas enzimas virais timidina quinase ou na DNA polimerase
- Toxicidade Náusea, diarréia, prurido, dor de cabeça (raro insuficiência renal ou
neurotoxicidade)
- Farmacocinética: Administração VO, IV ou tópica. Biodisponibilidade VO do aciclovir é de
apenas 10-30% já do valaciclovir é de 40-70%. Pacientes com insuficiência renal devem sofrer
ajuste (redução) de dose
- Indicação: HSV, varicela e herpes zoster. Não indicado para CMV. Não oferece cura, apenas
profilaxia e controle de infecção, principalmente em pacientes imunocomprometidos (HIV+).
Penciclovir, Famciclovir (pró-fármaco)
- Perfil semelhante ao do aciclovir.
- Apenas para administração tópica de lesões
Ganciclovir, Valganciclovir (pró-fármaco)
- Perfil semelhante ao do aciclovir.
- Pode causar mielossupressão, por isso é usado principalmente para CMV.
Cidofovir
- Análogo da citidina. Promove interrupção de cadeia de DNA
- Usado para HSV resistente à aciclovir; contra CMV, poxvírus, papilomavirus, adenovírus e HIV
- Efeito colateral: nefrotoxicidade (proteinúria, glicosúria, acidose).
- Uso IV ou tópico.
Foscarnet
- Inibidor reversível da DNA polimerase viral pois bloqueia o sítio de ligação
- Usado para CMV resistente à ganciclovir, ou HSV resistente à aciclovir
- Efeito colateral: nefrotoxicidade (necrose tubular, glomerulopatia, nefrite)
- Uso IV. Não sofre metabolismo e é excretado intacto via renal.
INFLUENZA
- Vários surtos de Influenza A: 1918 “gripe espanhola” ; anos 50 “gripe asiática”H2N2; anos 60
“gripe de Hong Kong H3N2; 2009 “gripe suína” H1N1
- Endêmicos hoje: H1N1, H1N2, H3N2.
- Antivirais: Inibidores do desnudamento e inibidores da liberação.
Inibidores do desnudamento
- Mecanismo de ação: Inibição do canal iônico viral M2. Este canal permite a passagem de íons
H+, acidificando o nucleocapsídeo e liberando as proteínas e o RNA viral no citoplasma.
- Fármacos: Amantadina e Rimantadina
- Administração VO, porém pouco usada atualmente
- Amantadina: T1/2 12-18 h; Rimantadina: T1/2 24-36 h.
- Toxicidade : Nervosismo, insônia, perda da concentração, náuseas. Doses altas podem causar
convulsões, delírios, alucinações
- Indicação : Profilaxia e tratamento de Influenza A (não tem ação sobre Influenza B). Também
têm indicação para Parkinson.
- Resistência: Todos os vírus da epidemia de 2009 eram resistentes.
Inibidores da neuraminidase
- Mecanismo de ação: o vírus é liberado da célula hospedeira por brotamento quando quebra a
ligação entre a neuraminidase viral e o ácido siálico da célula hospedeira. O oseltamivir e o
zanamivir inibem neuraminidase viral e impedem essa quebra.
- Fármacos: Oseltamivir e Zanamivir.
Oseltamivir
- Pró-fármaco
- Farmacocinética: Absorvido VO (biodisponibilidade 80%). T1/2 6-10 h. Eliminação renal do
metabolito ativo do oseltamivir
- Toxicidade: Náusea, desconforto abdominal (leves)
- Resistência: Mutação da neuramidase viral
Zanamivir
- Farmacocinética: Uso via nasal do pó; T1/2 2- 5 h
- Toxicidade: Causa irritação das vias aéreas superiores. Não deve ser usado em asmáticos.
HEPATITE C
- Vírus envelopado de RNA
- Possui 6 genótipos, sendo os do tipo 1, 2, 3 mais prevalentes no Brasil (64 %, 4 % e 30 %)
- Estima-se que no Brasil 2 milhões de pessoas sejam portadores crônicos de Hepatite C
- O tratamento era reservado a pacientes com doença avançada ou manifestações
extra-hepáticas, porém com os novos antivirais com taxas de cura acima de 90% e pouco
efeitos adversos foi ampliado para qualquer estágio da doença
- Tratamentos fornecidos pelo Ministério da Saúde
Sofosbuvir – analógo nucleosídeo
Daclatasvir, Ombitasvir – Inibidores da proteína 5A (NS5A)
Simeprevir, Paritaprevir, Ritonavir – inibidores de protease
Dasabuvir – Inibidor (não nucleotídeo) da RNA polimerase
IFN-alfa + Ribavirina – citocina e inibidor da RNA polimerase
- Todos muito caros, entretanto mais baratos que um transplante de fígado.
- Usados em combinação para evitar o aparecimento de resistência.
Terminados em “previr” = inibidor de protease; “buvir”= análogos ou não de nucleotídeos; “”asvir” =
inibidor da proteína 5A
Sofosbuvir
- Análogo do nucleotídeo uracila (inibe a polimerase viral por causar término da cadeia)
- Usado em combinação com ribavirina, interferon peguilado, simeprevir,ledipasvir, daclatasvir,
ou velpatasvir.
- Cura até 97% dos casos
- Usado via oral, tem t1/2 de 27 h. Tratamento dura 12 semanas
- Efeitos colaterais: fadiga, cefaléia, náusea, insônia
- Tratamento pode chegar a custar US$84.000,00 nos EUA
Dasabuvir
- Inibidor não nucleotídeo da RNA polimerase
- Usado em combinação com parataprevir, ombitasvir e ritonavir
- Usado v.o. por 12 semanas junto às refeições para melhorar a absorção
- Efeitos colaterais: fadiga, náusea
Daclatasvir, Ombitasvir
- Inibidor da proteína viral NS5A que promove a transcrição viral
- Usado em combinação do sofosbuvir, ribavirina e interferon
- O aparecimento de resistência é muito rápido quando usado como monoterapia Uso via oral,
por 12 semanas
- Efeitos colaterais: fadiga, cefaléia, náusea
- É metabolizado pela CYP3A4 e não deve ser usado com indutores desta enzima ou ajustes de
dose devem ser feitos.
Simeprevir, Paritaprevir
- Inibidores da protease viral NS3/4A, impedindo a maturação viral
- Usado em combinação do sofosbuvir ou ribavirina e interferon peguilado
- Cura até 90%
- Usado também para HIV/AIDS
- Usado v.o. por 12 semanas. A dose é dependente da condição hepática e renal do paciente (tem
cirrose ou não).
- É um substrato da CYP3A4, e a associação com inibidores ou indutores dessa enzima é
contra-indicada: fenobarbital,fenitoína, claritromicina, etc.
- Efeitos colaterais: fadiga, cefaléia, prurido, rash cutâneo, fotossensibilidad
Ribavirina
- Inibidor (nucleosídeo) da RNA polimerase e da transcrição – análogo da guanosina
- Em monoterapia tem efeito mínimo, porém combinado com IFN peguilado com outros tem
ótima resposta (40 a 90 %)
- Administração v.o. 2x/dia
- Efeito adverso: anemia hemolítica dose-dependente
- Também usada para Influenza, VSR, rinovírus, caxumba, sarampo.
Interferon-alfa
- É uma citocinas produzida por macrófagos
- Promove mudanças celulares que ativam um estado “antiviral” contribuindo para a resistência
aos vírus
- Associado a Ribavirina
- IM ou SC. T1/2 3-8 h, entretanto o efeito é duradouro. Quando associado à PEG
(Polietilenoglicol) a t1/2 aumenta para 50 h
- Efeitos colaterais: (limitantes de tratamento)
+ Influenza-like: febre, calafrios, cefaléia, mialgia, náusea, vômitos
+ Depressão, pensamentos suicidas, confusão, sonolência
+ Mielossupressão (trombocitopenia, granulocitopenia)
+ Hipotensão, taquicardia
+ Aumento de enzimas hepáticas, aumento de triglicérides, proteinúria
+ Alopécia
+ Hipertensão pulmonar
- Efeitos “antivirais” do Interferon-alfa
1. Inibição da síntese de proteínas virais
2. Indução de RNAse que degradam o RNA viral
3. Inibição da maturação e liberação viral
- Outros efeitos do Interferon-alfa
+ Imunomodulação
Aumento da expressão de MHC I e II
Estimulação de linfócitos
+ Anti-proliferativo
Mielossupressão
HIV
É um retrovírus que infecta células com receptores CD4 + CCR5/CXCR4
Programa IST-AIDS
- O MS fornece tratamento gratuito com qualquer medicação anti-HIV disponível no mercado
para portadores do vírus
- Como o vírus promove integração do seu DNA ao da célula hospedeira e pode permanecer
inativo por anos (> 20 a) o tratamento é para a vida toda
- O tratamento usa obrigatoriamente terapias combinadas de no mínimo três fármacos
diferentes: No Brasil, o início do tratamento de um adulto: lamivudina + tenofovir + dolutegravir
- Evidências mostram que o uso de 4 ou mais fármacos não aumentam a eficácia do tratamento,
mas evitam (retardam) o aparecimento de resistência. A principal causa de resistência é a não
adesão do paciente ao tratamento.
Terapia HIV
- Devido a disponibilidade de um grande número de tratamentos eficientes, a ênfase hoje é
encontrar terapias toleráveis, convenientes e seguras no longo prazo.
- Tentativas de promover o aumento dos linfócitos T do hospedeiro não surtiram efeito clínico
- O início e escolha da terapia é determinado pela contagem de LT na circulação. CD4 ≤ 350
células/mm3
- A falha do tratamento = aumento da carga viral (previamente indetectável) mesmo em uso de
alguma terapia antiviral.
+ Neste caso é indicada a troca de todos os fármacos do tratamento.
+ Não deve ser feita a simples adição de outro fármaco ao tratamento
Efeito colateral: importante do uso crônico da terapia combinada de antirretrovirais (TARV) é a
síndrome metabólica (10-40% dos pacientes)
• Resistência à insulina
• Hiperlipidemia
• Lipodistrofia
• A troca da medicação não altera esses efeitos
Os objetivos da terapia são inibir a replicação do vírus e a transmissão da doença
1. Receptor chamariz – CD4 solúvel
2. Inibidores da adsorção - Maraviroque
3. Inibidores da fusão (gp41) – Enfuvirtida
4. Inibidores da transcriptase reversa nucleosídeos e não-nucleosídeos – Zidovudina;
Nevirapina
5. Inibidores da integrase – Raltegravir
6. Inibidores da protease – Lopinavir
Receptores chamariz: Receptores solúveis que se ligam ao vírus impedindo a adsorção
- CD4 solúvel que se liga ao gp120 do HIV, prevenindo a ligação deste ao receptor CD4 do
linfócito auxiliar
Inibidores da adsorção
- Maraviroque: bloqueia o correceptor CCR5 importante para a ligação do gp120 do HIV ao
LTCD4
- Administração v.o., 2x/dia
- Não funciona se forem cepas que utilizam o CXCR4 como correceptor
Inibidores da penetração ou fusão
- Após ligação gp120+CD4+CCR5 vírus expõe a gp41 que medeia a fusão
- Enfuvirtida: se liga às glicoproteinas gp41 do HIV e inibe a fusão virús-célula
+ Administração subcutânea cada 12 h – reações dolorosas no local e até nódulos
subcutâneos
+ Mutações na gp41 reduzem suscetibilidade do fármaco em até 100x
Inibidores da transcriptase reversa (TR)
● Inibidores nucleosídicos/nucleotídicos (INTR)
- Zidovudina (AZT), Lamivudina (3TC), Abacavir (ABC), Tenofovir (TDF)
- Análogos da purina – competem com os nucleotídeos endógenos pela síntese do DNA
pró-viral feita pela transcriptase reversa = término da cadeia
- Precisam ser fosforilados, o que fixa o fármaco dentro da célula = [ ] intracelular > [ ]
plasmática
- Não inibe a DNA polimerase do hospedeiro, mas pode acontecer com a mitocondrial =
efeitos colaterais:
+ Anemia, granulocitopenia, miopatia, neuropatia periférica, pancreatite, acidose
láctica, lipodistrofia
● Inibidores não nucleosídicos (INTR)
- Efavirenz (EFZ), Nevirapina (NVP), Etravirina (ETZ) – v.o.
- Se ligam de forma alostérica a TR, inativando-a
- São muito eficientes na inibição da replicação viral (>100x)
- Não agem nas polimerase do hospedeiro, por isso apresentam mínimos efeitos
colaterais.
- São substratos da CYP3A4, e podem promover a indução ou inibição desta enzima,
portanto interações medicamentosas devem ser consideradas
- Nunca devem ser usados como terapia única, pois o aparecimento de resistência já
acontece após uma única dose.
- Podem causar exantemas, sonhos vívidos, alucinações
Inibidores de integrase (INI)
- Raltegravir (RAL), Elvitegravir (EVG), Dolutegravir (DTG)
- Formam um complexo com a enzima e impedem a fusão entre o DNA viral e o DNA do
hospedeiro
- Interrompe o ciclo de vida do vírus = seu DNA não pode ser integrado ao DNA da célula
hospedeira.
- Não existe integrase na célula hospedeira
- Portanto os efeitos colaterais são mínimo (Cefaléia, náuseas e fadiga).
- São absorvidos via oral. Não são indutores ou inibidoresde CYPs, portanto interações
medicamentosas não são importantes.
- Podem promover o aparecimento de resistência
Inibidores de protease (IP)
- Atazanavir, Darunavir, Fosamprenavir, Lopinavir, Ritonavir, Saquinavir, Tipranavir
- São inibidores competitivos da protease viral que cliva os peptídeos precursores das
proteínas virais essenciais para maturação
- São potentes inibidores da replicação viral (100-1000x)
- As aspartil proteases do hospedeiro não são significativamente inibidas por estes inibidores.
- Portanto os efeitos colaterais são mínimos: náusea, vômito e diarréia
- Uso prolongado associado com síndrome metabólica = resistência à insulina e lipodistrofia
- É comum a associação de uma dose subclínica de ritonavir com outros inibidores de protease
para aumentar a biodisponibilidade oral e a meia vida dos demais fármacos
- São todos substratos e inibidores da CYP3A4 - interações medicamentosas podem gerar
toxicidades importantes
- Aparecimento de resistência é rápido, porém não tão rápido quanto os INTR
ANTIVIRAIS
1. Anticorpos neutralizante: Se ligam a proteínas do capsídeo ou envelope impedindo a adsorção
e neutralizando os vírus
- IgEV (endovenosa) para Hepatites B e A, citomegalovírus, varicela- zoster, raiva e
sincicial respiratório
- IgHN (humana normal – sarampo, rubéola e hepatite
- IgIM (intramuscular) – vírus sincicial respiratório
2. Receptores chamariz: Receptores solúveis que se ligam ao vírus impedindo a adsorção
- CD4 solúvel que se liga ao gp120 do HIV, prevenindo a ligação deste ao receptor CD4 do
linfócito auxiliar
3. Inibidores da adsorção
- Maraviroque: bloqueia o co-receptor CCR5 importante para a ligação do gp120 do HI
- Ibalizumabe: anticorpo monoclonal que se liga ao CD4 e impede a ligação do HIV
4. Inibidores da penetração ou fusão
- Enfuvirtida: se liga às glicoproteinas gp41 do HIV e inibe a fusão virús- célula
5. Inibidores do desnudamento
- Amantadina e Rimantadina bloqueiam o canal de íons M2 por onde passam H+
necessários para o desnudamento do vírus. Usado para tratar Influenza
6. Inibidores da DNA polimerase: são análogos à guanosina. Eles são fosforilados pela timidina
cinase viral e pela célula hospedeira e depois incorporados aos ácidos nucléicos virais que
são reconhecidos como “estranhos” pela polimerase viral, que interrompe sua ação
- Aciclovir, ganciclovir, penciclovir – Herpes vírus
7. A. Inibidores da transcriptase reversa: análogos ou não de nucleotídeos e nucleosídeos que
quando fosforilados competem com os nucleotídeos naturais e interrompem a conversão do
RNA viral em DNA pró-viral.
- Zidovudina (AZT), abacavir, tenofovir, lamivudina
7. B. . Inibidores da integrase: liga-se a enzima integrase e evita que o DNA proviral integre no
genoma do hospedeiro
- Raltegravir
8. e 9. Inibidores da RNA polimerase e da transcrição.
- Ribavirina – Hepatite C, VSR, Influenza, rinovírus, caxumba, sarampo
10. Inibidores da tradução.
- IFN-a induz estado antiviral em células infectadas e vizinhas. Usado para HBV, HCV, HPV e
HHV-8
11. Inibidores das proteases (maturação). Impedem que as poliproteínas recem traduzidas do
HIV sejam clivadas pelas proteaes em proteínas estruturais funcionais, impedindo os vírions de
se tornarem maduros e infecciosos
- Ritonavir, atazanavir, saquinavir
12. Inibidores da liberação: Inibem a neuraminidase do Influenza A e B, importante para a
liberação dos vírions recém-formados
- Oseltamivir, zanamivir