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MARCELLE ALVES BORBA NEGROMONTE DE MACÊDO MARIA JOSÉ PEREIRA VILAR Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesquelético UNIDADE 2 - Propedêutica Radiológica Básica do Sistema Musculoesquelético 2Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Olá, seja bem-vindo à segunda unidade do Módulo Avaliação Básica por Imagem das doenças do sistema musculoesquelético. Nesta unidade, aprenderemos alguns conceitos básicos de anatomia e propedêutica aplicados ao exame radiográfico. Leia as aulas da unidade e, em seguida, responda às questões autoavaliativas disponibilizadas sobre a temática abordada. Fique atento ao comentário de cada questão, para fortalecer o seu aprendizado. Bons estudos! 3Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Aula 1 - Sistematização da leitura da radiografia Ao avaliar uma radiografia de uma articulação ou da coluna, devemos ter em mente como se apre- sentam as estruturas anatômicas no exame. Os exames devem conter, no mínimo, duas incidências de avaliação em planos distintos para possibilitar a localização das estruturas. As incidências básicas de avaliação da coluna e das arti- culações são frente ou anteroposterior (AP) e perfil. Veja imagens a seguir. Figura 1 - Radiografia do joelho direito em AP. Fonte: Autoria própria. Figura 2 - Radiografia do joelho direito em Perfil. Fonte: Autoria própria. D D 4Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Figura 3 - Radiografia da coluna lombar em AP. Fonte: Autoria própria. Figura 4 - Radiografia da coluna lombar em Perfil. Fonte: Autoria própria. Na avaliação das mãos e dos pés, a incidência perfil é substituída pela oblíqua para diminuir a sobreposição dos dedos (Figura 5). A depender da suspeita clínica, podem ser necessárias inci- dências adicionais. 5Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Figura 5 - Radiografias do pé em AP e oblíqua. Fonte: Autoria própria. Devemos lembrar inicialmente que, na incidência de frente (AP), o exame é avaliado de forma invertida, como se o paciente estivesse na nossa frente. Os filmes radiográficos devem conter um marcador de identificação do lado direito do paciente, para prevenir trocas de lado na avaliação (Figura 6). Figura 6 - Radiografia do cotovelo direito de frente. Observe o marcador para indicar o lado direito da imagem. Fonte: Autoria própria. A sistematização da leitura de cada radiografia é primordial, porque evita que alterações menos evidentes passem despercebidas. Não existe uma regra para a ordem das estruturas a serem examinadas, porém a repetição de uma sequência é importante. Você pode, por exemplo, realizar a avaliação das estruturas das mais internas para as mais externas ou vice-versa, o que lhe ajuda a não esquecer de observar nenhum segmento. D 6Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Na avaliação articular, imagens do lado contralateral podem trazer mais informações, principal- mente quando se comparam lados sintomático e assintomático. - Lembre sempre seu paciente de trazer os exames anteriores nas consultas e quando for realizar estudos de imagem! - Exames anteriores do mesmo segmento ou de estruturas correlatas melho- ram a confiança diagnóstica na detecção de achados sutis. - A comparação das imagens permite avaliar a progressão ou regressão de lesões (só o relatório médico não permite a avaliação adequada). Figura 7 - Radiografia da bacia demonstrando importância da comparação entre os lados sintomático e assintomático. Fonte: https://radiopaedia.org/cases/29563/studies/30066 Nessa radiografia de frente da bacia (Figura 7), você pode observar a perda da esfericidade na porção superior da face articular da cabeça femoral esquerda associada à alteração da textura óssea subcondral, caracterizada por áreas de aumento da transparência (mais cinzentas-líticas), circundadas por um contorno geográfico de maior densidade (branco-esclerótico). O conjunto dos achados é compatível com necrose avascular da cabeça femoral esquerda. D Para melhor explicação, acesse o vídeo abaixo, disponível em nossa plataforma: VÍDEO 5 - RADIOGRAFIA DA BACIA DEMONSTRANDO IMPORTÂNCIA DA COMPARAÇÃO ENTRE OS LADOS SINTOMÁTICO E ASSINTOMÁTICO. 7Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Aula 2 - Principais achados radiológicos na avaliação do sistema musculoesquelético Você já teve dúvidas ao avaliar as radiografias de articulações dos seus pacientes? Nesta aula, você vai aprender a identificar os principais achados de imagem nas radiografias do sistema musculoesquelético, bem como entender o significado dos termos utilizados nos laudos radiológicos que você recebe no consultório. Redução do espaço articular Indica dano à cartilagem com perda da espessura desta e serve como marcador do grau de aco- metimento articular. Figura 8 - Redução do espaço articular. Fonte: Autoria própria. Nessa radiografia de frente (AP) do joelho esquerdo (Figura 8), observe o espaço articular entre o fêmur e a tíbia. Veja que a porção medial da interlinha articular apresenta uma redução na sua altura. Alterações na densidade óssea Aumento da densidade (esclerose) indica remodelamento ósseo, secundário à sobrecarga mecâ- nica, sendo comum na doença degenerativa articular (osteoartrose). 8Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Figura 9 - Aumento da densidade óssea (esclerose). Fonte: Autoria própria. Voltemos à radiografia do joelho do caso anterior. Observe que o osso subcondral no comparti- mento medial apresenta um aumento da sua densidade, apresentando-se mais branco em rela- ção ao osso adjacente, o que chamamos de esclerose. Isso ocorre em resposta à redução da interlinha articular. Redução da densidade (osteopenia) está relacionada ao desuso articular ou à reabsorção óssea por artropatia inflamatória. Figura 10 - Radiografia de frente (AP) da mão -Redução da densidade óssea (osteopenia). Fonte: Autoria própria. Veja essa radiografia de frente (AP) da mão. Observe a redução da densidade óssea (o osso fica mais cinza em relação ao adjacente) nas epífises das articulações metacarpofalangeanas e inter- falangeanas do quarto e do quinto dedos. Nessas articulações é possível observar também redu- ção simétrica do espaço articular e erosões ósseas marginais. O conjunto dos achados sugere artropatia inflamatória. 9Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Proliferação óssea Caracteriza-se pela neoformação óssea em resposta a um insulto, a forma mais comum é a for- mação de osteófitos marginais nas articulações, relacionados à doença articular degenerativa. Quando a proliferação óssea se apresenta na coluna de forma mais delicada, mais fina, é denomi- nada de sindesmófito, achado geralmente associado a um grupo de doenças inflamatórias cha- mado de Espondiloartrites, cujo protótipo é a espondilite anquilosante. Figura 11 - Proliferação óssea- Osteófitos. Fonte: Autoria própria. Voltemos àquela radiografia do joelho do caso anterior. Voltemos àquela radiografia do joelho esquerdo do caso anterior. Observe a proliferação óssea na margem dos côndilos femoral e tibial no compartimento medial,compatível com osteófitos. A asso- ciação da redução do espaço articular e a presença dos osteófitos no compartimento medial sugere doença degenerativa articular (osteoartrose ou osteoartrite, que significam a mesma coisa). Esses mesmos achados são caracterizados em outras articulações e nos diversos segmentos da coluna. . Figura 12 - Radiografias em AP da coluna lombar. A- Proliferação óssea do tipo sindesmófito. B- Estudo normal para comparação. Fonte: Autoria própria. A B 10Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Na figura 12, observe a proliferação óssea linear formando pontes ósseas entre os corpos ver- tebrais, caracterizando múltiplos sindesmófitos. Compare com uma radiografia normal e veja a diferença. Esse aspecto é conhecido como “coluna em bambu”, representa um estágio avançado de espondilite anquilosante. Você conhece a espondilite anquilosante? A espondilite anquilosante é uma patologia do grupo das artropatias inflama- tórias, que se caracteriza pelo acometimento das articulações da coluna e sacroilíacas e das grandes articulações, como quadris, ombros e entre outras. A causa é desconhecida e nota-se uma predisposição de acometimento em pacientes portadores de um determinado marcador genético, o HLA- B27. A doença afeta em geral adultos jovens, entre 20 e 40 anos, e acomete três vezes mais os homens que as mulheres. A suspeição clínica desta doença é muito relevante, pois os achados radiográficos são tardios. Atualmente, a ressonân- cia magnética da coluna tem possibilitado um diagnóstico mais precoce, quan- do a instituição do tratamento precoce e adequado pode retardar ou estacionar progressão da doença, mantendo a mobilidade articular e permitindo a manu- tenção de uma postura ereta. Observe na imagem abaixo, a presença de sindesmófitos formando pontes entre os corpos vertebrais e promovendo anquilose (fusão) das articulações interfacetárias. Figura 13 - Espondilite anquilosante. Fonte: Autoria própria. 11Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Radiografias em AP e Perfil da coluna (imagens superiores) de um paciente com espondilite anquilosante. Observe a presença de sindesmófitos formando pontes entre os corpos vertebrais e promovendo anquilose (fusão) das articu- lações interfacetárias. Figura 14 - Radiografias em Perfil com flexão e extensão da coluna evidenciando a redução da mobilidade do paciente. Fonte: Autoria própria. Infelizmente, o diagnóstico nesta fase tardia tem pouco impacto para o pacien- te, pois a instituição do tratamento nesse momento não reverterá as sequelas da doença. Erosões Destruição da superfície articular por reação inflamatória ou infecciosa intra-articular, mais comu- mente encontradas nas margens articulares, em que se observa tecido ósseo não revestido por cartilagem. Figura 15 - Figura 15 - Radiografia de frente (AP) da mão. Fonte: Autoria própria. Voltemos àquela radiografia de frente (AP) da mão. Observe as erosões ósseas nas margens das articulações metacarpofalangeanas e interfalangeanas do quarto e quinto dedos e inter- falangeana do polegar, caracterizadas por pequenas áreas radioluscentes (setas). Os achados 12Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético radiográficos da figura 15, caracterizados por redução simétrica dos espaços articulares, redução da densidade óssea (osteopenia) periarticular e erosões marginais sugerem uma artropatia inflamatória. Calcificações periarticulares e intrarticulares Deposição de material cálcico nas partes moles, como cartilagens (condrocalcinose), tendões, ligamentos, etc., relacionada a distúrbios metabólicos, como nas doenças de depósito de micro- cristais. Figura 16 - Condrocalcionose. Fonte: Autoria própria. Radiografia do joelho esquerdo de frente (AP) evidenciando calcificações no espaço articular entre o fêmur e a tíbia nas porções medial e lateral, na topografia dos meniscos, que são fibrocartila- gens. A deposição de cálcio em topografia de cartilagens é chamada de condrocalcinose. A tendinopatia relacionada ao depósito de microcristais no ombro é uma patologia frequente. Podemos observar a presença das calcificações com formato ovalado nos tecidos periarticulares, mais comumente nos tendões do manguito rotador ou na bursa subacromial-subdeltoidea. Nas figuras 17 e 18, observamos como se apresentam as calficicações no estudo radiográfico e na ressonância magnética do ombro. 13Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Figura 17 - Calcificações periarticulares. Fonte: Autoria própria. Radiografia do ombro direito de frente (AP) evidenciando calcificações na topografia periarticular, possivelmente na bursa subacromial-subdeltoidea. Figura 18 - Ressonância magnética do ombro direito. Corte coronal em ponderação T1(A) e Corte axial em ponderação T2 com saturação da gordura (B). Calcificações caracterizadas como áreas ovaladas de baixo sinal na topografia da bursa subacromial-subdeltoida. Fonte: Autoria própria. Pronto! Finalizamos por aqui esta aula. Agora você está familiarizado com os achados radiológi- cos que podem ser encontrados nos exames solicitados. Coloque em prática seus conhecimentos e, caso tenha alguma dúvida, reveja os conteúdos! A B 14Avaliação básica por imagem das doenças do sistema musculoesqueléticoConhecendo os principais métodos de imagem para avaliação do sistema musculoesquelético Referências BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de radiologia: diagnóstico por imagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. FERNANDES, J. L.; VIANA, S. L. Diagnóstico por imagem em reumatologia. Rio de Janeiro: Gua- nabara Koogan, 2007.