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Esse material é para uso único e exclusivo de pessoas que assinaram o drive! Proibida a sua comercialização e compartilhamento com terceiros 1 Esther Andrade | Turma 85 | Saúde da criança e do adolescente I EXAME FÍSICO PEDIÁTRICO Pediatra → experiência profissional conseguida aos anos de prática mais conhecimento médico mais autocrítica frequente permitem realizar um bom exame físico. POR A MÃO NA CRIANCA É FUNDAMENTAL!! Não existe exame físico sem o toque. Além disso, é importante tirar a roupa da criança para avaliar presença de lesões ou cicatrizes (crianças maiores é bom deixar de calcinha ou cueca), além de lavar as mãos sempre. Possíveis dificuldades: Não cooperação - pré-escolar não ajuda e até atrapalha. Choro – nessa situação, faz-se a ausculta no período de inspiração entre um som de choro e outro. No entanto, se a criança estiver chorando muito é difícil para a palpação abdominal. Cócegas – as crianças tendem a sentir muitas cócegas, por isso, utiliza-se do método em que põe a sua mão sobre a mão da criança para realizar a palpação grosseira. OBS.: Bom fazer avaliar a FC e FR quando a criança ainda está mais calma no consultório. Dicas: Cada criança tem seu jeito, e isso varia de acordo com a idade. Converse com a criança durante o exame Não peça autorização para a criança, pois se ela disser não você não poderá realizar o exame porque se fizer, isso quebra a confiança que ela poderia ter em você. O ideal é avisar: vou escutar seu coração, vou ouvir sua respiração... Iniciar exame no colo dos pais Avaliar os sinais vitais inicialmente (choro pode alterar). Ordem do exame (para as crianças não existe ordem crânio caudal, mas é bom tentar seguir um cronograma próprio para não se perder. ECTOSCOPIA / SOMATOSCOPIA / EXAME FÍSICO Importante sempre falar para os pais que cada criança nasce e evolui de uma forma, pois há sempre a comparação de seu filho com o filho dos outros. Não é porque um é mais magro ou o outro é mais gordinho que isso significa doença. O importante é estar na curva de crescimento e estar saudável. MEDIÇÕES HABITUAIS Peso e altura: medidas fundamentais para os indicadores de saúde. Uma criança fora do peso e fora da altura ideal é uma criança doente, tanto para mais quanto para menos. PC (perímetro cefálico) / PT (perímetro torácico) / PA (perímetro abdominal): até os 2-3 anos de idade. Entretanto, os perímetros torácicos e abdominais não são mais tão usados. Temperatura Pressão arterial Frequência cardíaca Frequência respiratória ASPECTOS GERAIS ( INSPEÇÃO) E DADOS VITAIS INSPEÇÃO Nível de consciência: LOTE (lúcido e orientado no tempo e espaço). Avaliar se ela está ativa e reativa. Hipoativa (dormindo) mas reativa. Hipoativa mas hiporeativa gravidade Estado geral É fundamental avaliar o estado geral, pois ele é decisivo para verificar qual a melhor conduta a ser feita. Realizar essa investigação com os pais. Ver se a criança está: bom estado geral, regular estado geral e mau estado geral (crise convulsiva, desidratado, febre alta... são situações emergências) OBS.: Existe prostração? Criança com febre é uma criança prostrada. Sem febre e prostrada, é doença e é urgente. Atitude: agitação ou irritabilidade intensa, atípica ou típica (adaptação a Esse material é para uso único e exclusivo de pessoas que assinaram o drive! Proibida a sua comercialização e compartilhamento com terceiros 2 Esther Andrade | Turma 85 | Saúde da criança e do adolescente I uma circunstância ou dor: antálgicas, cócoras (cardiopatias na criança) / contratuais – opistótono), dificuldade respiratória. Fácies: atípica ou típica, atópica, adenoidina, sindrômica, cushingoide, renal (cara de lua cheia), paralisia facial, olhar de sol poente (hidrocefalia. É um sinal oftalmológico em que os olhos se apresentam dirigidos para baixo, deixando a esclera bem visível), lúpica, estado psíquico/emocional (expressão de dor, ansiedade, depressão, medo, pavor, tristeza) Musculatura: ausência congênita, aumento do volume muscular e atrofia muscular Marcha: claudicação (criança que manca). Cuidado com a criança pequena (elas podem burlar quando mancam). Marcha anormal causada por dor, lesões do SNC, lesões cerebelares, fraqueza muscular ou defeitos estruturais. Nutrição/hidratação: quanto menor, mais rápido fica desidratado. - Avaliar se está desnutrido, sobrepeso, obeso. - Olhos/choro (hipotonia de globos oculares = “fundos”, lágrimas), - Na boca, avaliar se está produzindo muita ou pouca saliva e se está tendo sede intensa. - Sinal da prega (com os dedos polegar e indicador faz-se uma prega na pele da criança e observa-se quanto tempo demora para voltar à posição normal) - Fontanelas. - Na criança com frauda, melhor sinal de desidratação é a frauda que demora para trocar. Cor/ pele e mucosa: Normocorada x hipocorada - Anemia ferropriva é a mais comum no Brasil, por alimentação errada e por verminoses. Anictérico x ictérico - Crianças mais velhas = graduação de + a 4+ pode pedir bilirrubina direta. - RNs = zonas de KRAMER Acianótica ou cianótica - Central (ao redor da boca) ou periférica (nas extremidades) Coloração: icterícia, carotenemia, cianose, mancha mongólica etc.). Tumorações Lesões e cicatrizes (pistas de maus tratos. Normalmente as lesões estão no bumbum, que é o local mais coberto) Alterações localizadas cutâneas e de fâneros (edema, piodermites e erupções cutâneas). IDENTIF ICAR SINAIS E S INTOMAS GERAIS DE PER IGO [PROVA!! ] Prostração (mesmo sem febre) Agitação/irritabilidade intensa Recusa alimentar/sucção débil Vômitos Convulsão Cianose/palidez intensa Apnéia Hipotonia/hipertonia Esforço respiratório Hipertermia/hipotermia Diarréia com sangue Desidratação Secreção purulenta no ouvido Doente há mais de 7 dias Febre persistente a mais de 3 dias (caso ela não seja muito alta, se for, no primeiro dia já é sinal de perigo) OBS.: PARA A PROVA Caso clínico com alguns sintomas desses e pedir qual é o grau e perigo. TEMPERATURA Aferir antes ou após a conclusão do exame físico. Existem 3 sítios de aferição: axila ou virilha, cavidade oral e ânus. É considerada febre quando é a partir de 37,80C (axilar) → sintoma/ “sinal de alerta”. O RN pode apresentar temperatura axilar de 330C a 360C, estabilizando após a primeira semana de vida. Em caso de urgência, as crianças até 28 dias voltam para a unidade a qual nasceram. Crianças podem ter elevação de temperatura após refeições, brincadeiras agitadas, à tarde ou quando excitadas. Grandes variações de temperatura sugerem: sepse, doenças hepáticas ou Esse material é para uso único e exclusivo de pessoas que assinaram o drive! Proibida a sua comercialização e compartilhamento com terceiros 3 Esther Andrade | Turma 85 | Saúde da criança e do adolescente I renais, tumores, artrite reumatoide, doença de Hodgkin e leucemia. Elevações baixas persistentes da temperatura são comuns na febre reumática, outras doenças vasculares do colágeno e outros distúrbios. OBS.: Se trata a febre para ela não cair mais no estado geral. Uma criança com febre não se alimenta, não dorme direito. Elevações da temperatura acima de 400C (axilar), especialmente se a taxa de elevação for rápida, eventualmente acompanha se haverá uma crise convulsiva em crianças pequenas sem qualquer outra evidencia de distúrbios convulsivos. Hipotermia: <350C (<320C crítica à fatal, 270C = fatal) A hipotermia pode ser causada por resfriado, choque, sobretudo em lactentes. Entretanto, uma temperatura corporal normal ou baixa é comum a despeito de infecções devastadoras. Normal:360C - 37,50C Febre: 37,80C - 39,50C Febre alta: 39,50C - 410C Hipertermia: 410C ou mais PRESSÃO ARTERIAL: Varia de acordo com: sexo, idade e altura, além do momento da criança (esperar que ela fique mais calma para aferir a PA) Quando começar a aferir a PA? Em qualquer idade. No entanto, é ideal repetir mais frequentemente quando houver história familiar de hipertensos, obesos e dislipidêmicos. Em qualquer idade, ficar atento à: cefaleia, tontura, epistaxe, alterações visuais, convulsão, deficiência de crescimento. Manguito: tem que ter 2/3 do tamanho do braço (borracha deve circundar o braço cobrindo 40% o perímetro médio entre olecrano e o acrômio) Sítios de aferições: Cubital; Poplítea e Pediosa. Técnica: Criança sentada, em repouso (por 2-3 minutos) com o braço direito em repouso. Estetoscópio sob o manguito, repetindo a aferição de 2 a 3x em diferentes ocasiões/momentos. OBS.: Não vai pedir valores de hipertensão em prova!! Hipertensão arterial: É normal até 120x80 Níveis abaixo de 120x80 podem ser normais a critério médico. Valores iguais ou superiores a 140x90, são considerados hipertensão para todo mundo. HA é uma doença crônico-degenerativa que acarreta alto risco cardiovascular. Primária (essencial): geralmente assintomática, predisposição genética (hipertensão essencial familiar), obesidade Secundária: doença parenquimatosa renal ou renovascular (Tu de Wilms ou nefroblastoma = Tu de rins), glomerulonefrites, estenose da art. renal única ou ambas, insuficiência renal crônica, traumatismo renal etc), uso de drogas (vaso construtoras oral ou nasal, corticoide, anticoncepcionais, supressores de apetite, cocaína, etc.), hiperaldosteronismo e hipopotassemia, feocromocitoma (Tu de glândulas adrenais) OBS.: Toda criança com hipertensão precisa avaliar a função renal. MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS PESO Medida que expressa a dimensão de massa ou volume corporal, constituído tanto pelo tecido adiposo como pela massa magra. O peso pode sofrer modificação rápida e intensa em intervalos curtos de tempo, expressando assim alterações no estado nutricional. Indicador de grande valor do estado nutricional, evidencia a presença de um problema antes da altura. Importante é uma curva ponderal. Em crianças maiores, a perda de peso maior ou igual a 10% pode indicar malignidade (adenomegalia). Por isso é importante pesquisar outros sintomas e sinais. Perda ponderal aguda: doença aguda, desidratação ou desnutrição. Perda ponderal crônica: estados patológicos crônicos (alimentação impropria, diarreia, fibrose cística ou outros distúrbios gastrointestinais, problemas emocionais, afecções renais, Esse material é para uso único e exclusivo de pessoas que assinaram o drive! Proibida a sua comercialização e compartilhamento com terceiros 4 Esther Andrade | Turma 85 | Saúde da criança e do adolescente I cardíacas ou do tecido conjuntivo e outras. Ganho ponderal rápido: hiper- hidratação ou edema, doenças endócrinas como hideradrenalismo ou hipotireoidismo estão associadas a obesidade. Quando pesar? Rotineiramente, uma vez por mês durante o primeiro semestre e vida. Uma vez a cada 3 meses durante o segundo semestre. Duas vezes por ano nos 3 anos seguintes e, depois, uma vez ao ano. IMC = Índice de massa corporal. Ferramenta da OMS para detectar casos de obesidade ou desnutrição. IMC = peso (kg) / altura2 m2 Exemplo: criança de 4 anos. Peso 16 kg e altura 97 cm 16/9,4 (97 x 97 = 9,4)= 1,7. Por isso, é importante ter cuidado ao calcular o IMC de criança pequena (pré- escolares) Média para crianças de 4 anos: Peso: 12.7 kg a 21.3 kg Média 15,5 kg Altura: 94,9 cm a 111,7 cm Média 100,3 cm IMC CLASSIFICAÇÃO Menos que 18,5 Magreza Entre 18 e 24,9 Normal Entre 25 e 29,9 Sobrepeso/ obesidade I Entre 30 e 39,5 Obesidade II Maior que 40 Obesidade III Como pesar? Até 15 kg, balança eletrônica ou mecânica (de bebe), acima de 15 kg, balança tipo plataforma eletrônica ou mecânica (adulto) ESTATURA O crescimento normal da criança é o maior sinal de que tudo vai indo bem com sua saúde. É mais fiel que o peso para detectar anormalidades. É menos prática e menos sensível, com aparecimento das alterações mais tardiamente em relação ao peso. Deve ser aferido até os 18 anos, intervalo de 4 meses para menores 3 anos e de 6 meses para os maiores de 3 anos. Influências no crescimento: Até 2 anos = predomínio dos fatores ambientais. 2 aos 4 anos = equilíbrio entre influência ambiental e hereditariedade. > 4 anos = predomínio da hereditariedade (especialmente na puberdade). Embora a estatura não seja estritamente hereditária, pais altos tendem a ter filhos mais altos do que os pais baixos. OBS.: A estatura refere-se ao comprimento deitado e a altura, o comprimento em pé. Como medir? Até 4 anos de idade, o comprimento deverá ser medido com a criança deitada (régua antropométrica). Crianças maiores 4 anos, utiliza-se a régua graduada fixada na parede (escala métrica) ou da balança mecânica. Alvo estatural Predição da estatura (em cm) da criança quando adulta, com base na altura dos seus pais. Crianças com 2 anos a altura dobra. Exemplo: 90 cm (2 anos) 180 cm (1,80 m) aos 21 anos. Sexo feminino: estatura da mãe (cm) + (estatura do pai – 13 cm) / 2 Sexo masculino: estatura do pai (cm) + (estatura da mãe + 13 cm) /2 Esta fórmula permite obter estatura alvo que corresponde ao percentil 50 para o casal (5 cm para mais ou menos). Exemplo: - Menina: (mãe: 1,60 e pai: 1,73) => 160 +(173-13) /12 = 160 + 160 = 320/2 = 160 cm + ou – 5 cm (1,55 a 1,65 m) Crescimento constante dos 3 aos 12 anos: 6 a 6,5 cm /ano Dos 3 aos 12 anos: E = (n - 3) x 6 + 95 N = idade em anos; 95 = altura em 3 anos; 6cm/ano = crescimento constante nessa faixa etária Repleção: 0 a 2 nos (especialmente 0-9 meses) e no início da puberdade (pré- puberdade) ocorre predomínio do peso sobre a altura (criança gordinha: mais engorda do que cresce). Aspecto “gorducho” do pré-púbere. Nos meninos há um acumulo de gordura na região imediatamente abaixo do púbis, queixa de Esse material é para uso único e exclusivo de pessoas que assinaram o drive! Proibida a sua comercialização e compartilhamento com terceiros 5 Esther Andrade | Turma 85 | Saúde da criança e do adolescente I hipogonadismo (que nem sempre é real). A depressão da gordura evidencia um falus normal. Estirão: após 5 anos o crescimento é constante de 5 a 6 cm/ano durante 2 a 5 anos. Estirão ou surto da puberdade: “criança espigada”. Plenamente instalada, com predomínio da estatura sobre o peso: 10- 11 anos para meninas (velocidade máxima de comprimento das meninas é atingida cerca de 4 meses após o início da menarca) e 12-13 anos para meninos (velocidade máxima de comprimento ocorre por cerca de 2 anos) AVALIAÇÃO DE ÓRGÃOS E SISTEMAS CADEIAS GANGLIONARES Tamanho: normais < 1cm diâmetro. - Crianças com 1 mês ou mais, em qualquer região tem que ser < 1 cm, se epitrocleares é < 0,5 cm e na região inguinal < 1,5. - Gânglios linfáticos no pescoço de crianças são benignos e só preocupantes quando > 1,5 cm. > 2 cm tem risco de malignidade Gânglio de doença maligna não dói. Se dói, é doença infecciosa. Consistência fibroelástica Mobilidade: movem-se livremente no espaço subcutâneo. Coalescência (aderência) - livres Sensibilidade dolorosa indica aumento rápido e recente da cápsula que recobre o linfonodo. Não dá para diferenciar entre uma causa infecciosa e não infecciosa. OBS.: Qualquer gânglio em crianças deve ser investigado. Localização: OBS.: Linfadenopatia periférica é muito comumem pediatria. Em lactentes é normal encontrar linfonodos retroauriculares e occiptal. Crianças > 2 anos de idade é normal encontrar linfonodos na região cervical e inguinais. Incomuns nas regiões epitrocleares e supraclaviculares em qualquer faixa etária. Localizados = causas locais e provável caráter benigno e autolimitado. Linfadenopatia generalizada = secundária a processos e doenças sistêmicas (podem também apresentar linfadenopatia localizada = ex: linfoma agressivo) EXAME SEGMENTAR: INSPEÇÃO, PALPAÇÃO, PERCUSSÃO E AUSCULTA CABEÇA Forma, simetria, PC, fontanelas, implantação de cabelos. 1º mês de vida: criança posição decúbito dorsal → cabeça dorsalmente (existe uma queda de cabelos nessa área. 3 meses: cabeça estável quando o examinador o segura em posição ereta. Se houver incapacidade de sustentar cabeça, isso traduz um precário desenvolvimento motor. Maneio de cabeça é normal ou instabilidade emocional, retardo mental ou espasmos. Avaliar a presença de hipertonia/hipotonia. Fontanelas → importante saber que as fontanelas são importantes para passagem do canal na hora do parto e também (principalmente) para possibilitar o crescimento do encéfalo. A criança possui um total de 6 fontanelas. Formato macrocefalia pode ser normal, microcéfalo não é normal (por falta do desenvolvimento do encéfalo). Cabelos: normalmente apresentam textura lisa e fina. No RN os cabelos são substituídos a partir dos 3 meses de idade. Esse material é para uso único e exclusivo de pessoas que assinaram o drive! Proibida a sua comercialização e compartilhamento com terceiros 6 Esther Andrade | Turma 85 | Saúde da criança e do adolescente I Alopecia Pode ser apenas uma característica familiar, mas também está atrelada a uma possível displasia ectodérmica ou hipertireoidismo. Alopecia areata tinha outras infecções de couro cabeludo. Pode acontecer na acrodinia (intoxicação de mercúrio), em doenças do colágeno e da tireóide, por deficiência de ferro ou biotina. OBS.: Em lactentes, esse atrito com áreas localizadas ocorre pelo fato dele permanecer por um longo tempo deitado na mesma posição. Couro cabeludo descamação e crosta no RN (dermatite seborreica ou eczema), infecções, linfonodos ou nódulos subcutâneos (infestação por piolho), principalmente ao redor do occipício. OBS.: Quando é observada uma queda de cabelo em crianças maiores, isso pode estar ligado a falta de mobilidade. OLHOS Consulta oftalmológica de rotina → 1a perto dos 3-6m de idade. O que fazer? Avaliar a dilatação pupilar, testar acuidade visual, pressão ocular e realizar exames de grau caso necessário. O primeiro teste oftalmológico é feito na maternidade → avaliar o teste de catarata congênita. É o mais importante órgão sensorial, é a janela do cérebro, sendo de suma importância seu acompanhamento desde os 3 meses. Avaliar o estado das pupilas, da conjuntiva e descrever as características da secreção ocular, se houver. AVALIAÇÃO DA VISÃO: Crianças muito pequenas: observa-se o seu interesse em uma lanterna ou objeto brilhante e a resposta pupilar a luz. RN vê apenas luz, respondendo com fechamento palpebral, não tem fixação, não segue, não tem seguimento visual. 1 mês de idade, vê objetos menores. 2 meses de idade vê contornos aproximados (objetos mais nítidos a um palmo/20 cm do rosto do bebê), fixação do olhar nos objetos é mais demorada e segue dedos em movimentos. 3 meses acompanhamento dos olhos. 6 meses, focaliza por curtos períodos. RNs ao nascerem percebem as formas, o problema é a memória de visão, onde eles não conseguem reter a informação e cada evento é percebido como um novo. Estrabismo fisiológico até os 6 meses de idade. Estudos clínicos sugerem ser máximo o desenvolvimento visual no 1º ano de vida, principalmente entre 3 e 4 meses de idade. Maturação que chega à visão do adulto entre 4 e 7 anos de idade. Acuidade visual (capacidade de enxergar) erros de refração Miopia: não vê de longe nitidamente = mal aproveitamento escolar, desatenção, alteração de conduta. Hipermetropia: enxerga bem para longe e perto, mas a focalização dos objetos requer esforço da musculatura intra- ocular = cefaléia frontal, ardor nos olhos, falta de atenção. Astigmatismo: não tem nitidez = desconforto visual e borramento da visão. Ambliopia: diminuição da acuidade visual. É fundamental realizar a avaliação desde o nascimento e durante o 1º ano de vida e a seguir, no 3º e 4º ano de idade. O estrabismo persistente leva a ambliopia. Doenças Comuns das Pálpebras: Blefarite: Seborréia, crostas, “caspa” ou casquinhas nos cílios → uso de pomada de corticoide para melhorar. Hordéolo: abscesso das glândulas (”pérola amarela”) que rodeiam o folículo piloso, a margem palpebral. É uma inflamação do folículo piloso. Calázio: cisto de material gorduroso por obstrução das glândulas palpebrais, uma elevação na face interna da pálpebra, indolor) → normalmente tem que drenar. Esse material é para uso único e exclusivo de pessoas que assinaram o drive! Proibida a sua comercialização e compartilhamento com terceiros 7 Esther Andrade | Turma 85 | Saúde da criança e do adolescente I Não é infeccioso, é uma obstrução gordurosa. Blefaroptose: queda da pálpebra superior, geralmente unilateral. Epicanto: dobra da pele em semilua decrescente que recobre o ângulo interno do olho, tipicamente unilateral. Comum na Síndrome de Down. Doenças das Vias Lacrimais Dacrioestenose: obstrução da glândula lacrimal. A mãe tem que drenar para desobstruir. Conjuntivites: processo inflamatório da conjuntiva. Causa hiperemia, prurido, dor, ardência... ORELHAS Avaliar deformidades, implantações (implantações baixas são comuns em síndromes genéticas). Para ver a altura da implantação da orelha, quando vai se medir o perímetro cefálico da criança, coloca-se a fita métrica na altura dos olhos e em torno da cabeça, a implantação que não fala a favor de alguma síndrome tem que tampar parte da orelha. Dimple pré-auricular: pequeno seio, orifício ou depressão logo em frente a orelha, pode acompanhar-se de uma tumefação no interior do canal, representando o remanescente da primeira fenda branquial. OBS.: Em casos de perfuração timpânica, quando é traumática ela se regenera. Otite média: inflamação no ouvido interno que causa hiperemia, com efusão e opacidade do tímpano. Sinais inflamatórios: corrimento, membrana timpânica, Febre sem razão óbvia na infância: otite NARIZ Crianças menores, avaliar: Forma Permeabilidade das narinas Presença de secreções ou corpos estranhos Crianças maiores, avaliar: Rinoscopia anterior: cor e brilho das mucosas Presença e aspecto das secreções ou corpos estranhos. Perguntar se a criança apresenta: Dificuldade de respirar, secreção, hemorragia, odor, atresia de coanas (se o recém-nascido tem essa obstrução nasal, assim que ele fecha a boca ele fica cianótico pois ainda não consegue respirar pela boca), epistaxe, rinite e coriza. OBS.: Em crianças com rinite, o interior da narina fica pálida, não tem pelinhos, sanguinolenta e não tem brilho nenhum. CAVIDADE ORAL Avaliar: Se a criança permanece com a boca fechada enquanto está em repouso, ocultando a cavidade bucal durante a vigília e sono. Em que momento ela fica de boca aberta (estados emocionais ou atenção em qualquer assunto). É preocupante quando não está relacionada a esses fatores, pois pode ser paralisia cerebral, permeabilidade nasal, fazendo uso do respirador bucal (vegetações adenoides, rinite alérgica, sinusite, atresia de coanas). Lábios: queilite ou estomatite angular Inflamação e pequenasfissuras em um ou ambos os cantos da boca, causada por acumulo de saliva depositada nos cantos da boca..(boqueira /queilose) Dentes: atraso na dentição = raquitismo, hipotireoidismo, hipopituitarismo ou síndrome de Down) Abóbada palatina (céu da boca) e Bochechas (mucosa jugal) Pérolas de Ebstein: cistos de consistência esbranquiçadas presentes na mucosa do palato duro do RN. Enantemas: Erupção vermelha nas mucosas da cavidade oral. Esse material é para uso único e exclusivo de pessoas que assinaram o drive! Proibida a sua comercialização e compartilhamento com terceiros 8 Esther Andrade | Turma 85 | Saúde da criança e do adolescente I Candidíase oral: sinal de abuso infantil. Língua: língua geográfica, língua em framboesa (escarlatina), língua pálida e lisa. Garganta: faringe, amígdalas e úvula OBS.: Indicação de cirurgia para retirada a amigdala mais de 6 amigdalites por ano. A amigdalite bacteriana é mais purulenta, causa adenomegalia, prostração... A viral é mais benigna, podendo ter febre, mas principalmente dor de garganta e aumento no tamanho da amigdala. Saliva: produção mínima até 3 ou 4 meses de idade, quando aumenta com rapidez. Ptialismo: produção exagerada de saliva, levando a sialorréia normal dos 4 meses até o fim do 1º ano de idade, quando o lactente aprende a deglutir o excesso. Distúrbios neurovegetativos, náuseas/vômitos, estomatites, faringites, encefalites, ação de certos medicamentos (mercúrio), paralisias cerebrais e atresia de esôfago podem causar ptialismo. Xerostomia ou Aptialismo: boca seca febre, desidratação e algumas síndromes. PESCOÇO Inspeção, palpação, mobilidade (ativa/passiva), palpação da tireóide. Realizar o exame físico com o paciente em decúbito dorsal ou sentado. Avaliar: Volume e forma, mobilidade e a tireóide. Gânglios linfáticos em crianças são benignos! São preocupantes se maiores que 1,5 cm. OBS.: Patologias de tireoide são mais comuns em meninas. TÓRAX Inspeção, palpação, percussão, ausculta (o ideal é abraçar a mãe). Inspeção: visualizar a presença de abaulamentos, assimetrias, arcabouço costal, mamilos extranumerários. Padrão respiratório: inspeção dinâmica frequência, ritmo e amplitude. Expansibilidade pulmonar, frêmito tóraco-vocal, ausculta da voz ou do choro, murmúrio vesicular e ruídos adventícios. Tiragem subcostal deve ser sempre valorizada. MV na criança é fisiologicamente mais rude. Frequência Respiratória (contar sempre em 1 minuto completo) Eupneia; Bradipnéia; Taquipnéia; Apneia. PROVA!!! Com quadro clínico. RN: 40–60 irpm LACTENTE: 25–40 irpm PRÉ – ESCOLAR: 20–30 irpm ESCOLAR: 18–20 irpm ADOLESCENTE: 20 irpm Aparelho Cardiovascular: ictus cordis (localização e intensidade). Ausculta cardíaca: Determinar FC, ritmo e intensidade das bulhas cardíacas, presença de outros ruídos (atrito ou sopro). Sopros são indicadores de doenças cardiovasculares ou coração normal. 50% ou mais das crianças de 3 a 4 anos podem apresentar sopro com um coração estruturalmente normal = sopro inocente (Still), sistólico, normalmente não se irradia, 3+ (qualquer idade, 2 a 7 anos) Eucardia; Bradicardia; Taquicardia. PROVA!!! Com quadro clínico. RN: 100 a 160 bpm 1º ano: 120 ± 140 bpm 2º ano: 110 ± 130 bpm 3 a 5 anos: 100 ± 120 bpm 6 a 11 anos: 90 ± 120 bpm Palpação de pulsos radiais, femorais e estalidos: em lactentes e crianças pequenas palpar pulso braquial ou femoral. O pulso carotídeo é mais difícil por conta do pequeno acúmulo de gorura na criança. Pressão arterial: Esse material é para uso único e exclusivo de pessoas que assinaram o drive! Proibida a sua comercialização e compartilhamento com terceiros 9 Esther Andrade | Turma 85 | Saúde da criança e do adolescente I PAS = 2 x idade + 80 / PAD = 2/3 sistólica 2 aos 14 anos Pulsos arteriais (coarctação de aorta) É feito com 2 a 3 dedos, de modo comparativo (intensidade, ritmo e simetria), sendo os mais verificados os pulsos: radiais, femorais e pediosos. ABDOME Inspeção, palpação, percussão e ausculta. RN e Lactente fígado é palpado a 2/3 cm do RCD. Baço palpável em 14% dos lactentes e em 7% das crianças entre 2 e 7 anos. OBS.: Rim e pâncreas não é normal palpar. Região inguinal: Avaliar: linfonodomegalias, hérnias e pulsos femorais. A hérnia em meninas pode ser que saia o ovário. Mas em geral, o que sai é a alça intestinal. SISTEMA GENITO – UR INÁRIO Meninos: Aspecto e tamanho de pênis e bolsa escrotal. Exposição da glande fimose Localização do orifício uretral (normal, epispádia, hipospádia) Palpação de testículos criptorquidia (tópicos, retráteis), presença de tumorações (hérnias) ou líquidos (hidrocele) Pênis maior que a bolsa escrotal → pode ser que tenha hiperplasia adrenal congênita. Meninas: Pedir para a criança ficar em posição de rã com a ajuda da mãe. Inspeção da vulva Presença de pilificação ou tumoração e hérnias. Presença de: - Secreções (vulvovaginites) origem gonocócica, fúngica, bacteriana, oxiuríase (pela irritação direta e prurido), corpo estranho - Sangue traumatismo local, corpo estranho, puberdade precoce, neoplasias etc Sinéquia de pequenos lábios, hímen imperfurado (criptoquirreia) Prurido → DM, moniliasee, parasitose Leucorréia seroso ou mucoso (fisiológico), purulento, amarelo esverdeado, fétido (vulvovaginites) ou leitosa (candidíase). Dor Irritação vulvar Hérnia inguinal Permeabilidade do processo vaginal (processo peritoniovaginal) com conteúdo intrabdominal (alças e/ou ovário) realizando uma protrusão dentro deste. É mais comum em meninos (4:1 a 10:1). Em 1-2% dos RNs a termo, sendo mais comum no PMT. Lado dir (60%); esq (25%) ou bilateral (15%) QC: massa inguinal ou escrotal, firme, hipersensível, evidente, acentuada pelo choro ou manobra de Valsalva. Transiluminação (hérnia (-) / hidrocele (+) persistência do conduto peritoniovaginal com passagem do líquido peritoneal) Complicações: Irredutibilidade Hérnia encarcerada estrangulada dor, choro contínuo, vômitos, edema, eritema, hematoquezia, febre e evidência de obstrução intestinal. Diagnóstico é feito pelo ultrassom em casos de dúvida quanto a presença de torção. Torção testicular Torção do cordão espermático, resultando em perfusão diminuída e isquemia dos testículos. QC: edema, dor, dor abdominal inferior, náuseas e vômitos e testículos vermelhos, edemaciados, doloridos, elevação dos testículos, hidrocele. Diagnóstico: Ultrassom com doppler (para avaliar fluxo arterial) CD: correção cirúrgica se for realizada até 8 horas após o início da sintomatologia, leva a 90% de recuperação. Se passar dessa hora, perde o testículo. EXAME DE REGIÃO ANAL Esse material é para uso único e exclusivo de pessoas que assinaram o drive! Proibida a sua comercialização e compartilhamento com terceiros 10 Esther Andrade | Turma 85 | Saúde da criança e do adolescente I Avaliar: Imperfuração anal Pregueamento de esfíncter Presença de: malformações, fissuras, outras lesões Presença de sangramentos e secreções Prurido anal Prolapso retal APARELHO OSTEOARTICULAR Avaliar: Na parte superior do membro: músculo esternocleidomastóideo, clavículas, gradil costal, coluna vertebral e articulações. Realizar a manobra de triagem para displasia do quadril Região sacrococcígea fosseta (dimple sacrococcígeo), seio pilonidal, tumorações. Dor do crescimento - Dor recorrente nos membros ou dor benigna noturna dos membros na infância. - Dor intermitente, com aparecimento noturno (final da tarde ou início da noite), acordam chorando. - 1x semana ao longo de 01 ano, 5% dor diariamente, 45% semanalmente e 35% mensalmente.- Comum na fase pré-escolar (3 a 12 anos, com pico por volta dos 8 anos): 5 a 15 a 40% da população infantil; sem diferença entre meninos e meninas - Dia com muitas atividades físicas que impedem a musculatura de relaxar (fadiga), estresse por causa de brigas, frio, associação com hipermobilidade, pés planos, geno valgo e escoliose. - Dor sem sinais flogisticos, sem claudicação nem outros sinais e ou sintomas, bom estado geral; curto período de duração (regride espontaneamente) - Dor difusa, membro inferior (panturrilhas), fossa poplítea, nas coxas e virilha (80% de bilateralidade), pode simultaneamente acometer braços e causar cefaléia. - Melhora com massagens, bolsa de água morna, tranquilizar a criança, exercícios de alongamento (fisioterapia) e natação. ATENÇÃO!!! Lembrar que a dor de crescimento é um diagnóstico de exclusão! Investigar quando os sinais de alarme forem: - Dor unilateral - Períodos manhã e tarde - Dor mais localizada com claudicação - Duração mais prolongada interferido nas atividades diárias - Associada a sinais flogísticos e com sintomas sistêmicos.