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NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO NA GESTAÇÃO RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS Necessidades aumentadas - Crescimento e desenvolvimento fetal - Adequado ganho de peso gestacional - Desenvolvimento da placenta e tecidos maternos - Atendimento às demandas metabólicas aumentadas FATORES QUE DETERMINAM CUSTO ENERGÉTICO DA GESTAÇÃO - FAO/OMS (2004) 1) manutenção do estado nutricional 2) distribuição normal de macronutrientes 3) adequação de micronutrientes COM SUPLEMENTAÇAO 4) Probióticos: determinação da microbiota da mãe e filho (também no parto normal e amamentação) OBJETIVOS DO ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL NA GESTAÇÃO ESTIMATIVA DAS NECESSIDADES ENERGÉTICAS DA GESTANTE Referencial teórico da OMS (1998) ESTIMATIVA DAS NECESSIDADES NUTRICIONAIS Deve-se considerar o estado nutricional pré-gestacional Trimestre de gestação Avaliação do estado nutricional (Ministério da saúde, 2014): -IMC para a idade gestacional -Classificação segundo critérios de Atalah (BP, A, S, O) ESTIMATIVAS ENERGÉTICAS NAS GESTANTES TMB = uso do peso pré-gestacional - IMC adequado. Gestantes BP = utilizar um peso desejável ou adequado (normalização do estado nutricional) Para estimar um peso adequado, recomenda-se utilizar o peso teórico obtido por meio de um IMC igual a 21 kg/m2 Gestantes com sobrepeso ou obesidade, utilizar o peso pré-gestacional, evitando-se, dessa forma, perda de peso no período. Estimativas energéticas nas gestantes (IOM, 2004) EER Gestante = EER não grávidas + adicional de energia gasto durante a gravidez + energia de depósito Para a seleção do NAF na equação preditiva deve-se considerar o estado nutricional da gestante Elevada síntese proteica durante a gravidez = oferta adequada de proteína = necessidade determinada pela quantidade mínima de proteína suficiente para atender à demanda de síntese e impedir perdas corporais (OMS, 1998). Ingestão aumentada com a finalidade de contribuir para o crescimento fetal, placentário e dos tecidos maternos. O armazenamento de proteína durante a gestação ocorre próximo de 925 g, sendo que 60% são destinados para o feto e a placenta, e 40% para tecidos maternos, como mamas e útero (Kalhan, 2000). Para a estimativa da oferta de proteínas e de aminoácidos essenciais deve-se utilizar o peso pré-gestacional (PPG) ou opeso desejável A ingestão energética durante a gestação deve promover ganho ponderal adequado. A restrição energética nesse período pode resultar em lipólise, com produção excessiva de corpos cetônicos, o que pode representar um risco para o desenvolvimento fetal. E tanto o retardo do crescimento intrauterino (resultante do estado nutricional nade quado da gestante e/ou ganho insuficiente de peso durante a gestação) quanto a macrossomia (resultante do excesso de peso durante a gestação) podem aumentar o risco de obesidade, hipertensão e síndrome metabólica na vida adulta (WHO, 2003). RECOMENDAÇÕES DE MACRONUTRIENTES WHO/FAO (2003): Proteínas: 10 a 15% do VET Lipídeos: 15 a 30% do VET Carboidratos: 55 a 75% do VET ESTIMATIVAS PROTEICAS ESTIMATIVAS PROTEICAS LIPÍDEOS 30% do valor energético total da dieta Ênfase à gordura poli-insaturada, em especial, aos alimentos-fonte de ácidos graxos ômega 6 (ácido linoleico) e ômega 3 (ácido alfalinolênico) - importância para o funcionamento do sistema uteroplacentário, desenvolvimento do sistema nervoso e da retina fetal. Ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (AGPICL) – ácido docosaexaenoico (DHA) e araquidônico (AA) -essenciais para o desenvolvimento neurológico e para a função visual da criança. Consumo: mínimo 200 mg/dia de DHA -quantidade que garante o depósito adequado de DHA no cérebro e em tecidos do recém-nascido durante os períodos de desenvolvimento (Vitolo, 2008). Recomendação gestantes – (DRI) 1,1 g/dia. Principais fontes dietéticas: peixes, linhaça (semente) e óleos vegetais. Recomendação baseada em aspecto qualitativo e quantitativo – os ácidos graxos são os que mais sofrem influência da ingestão materna, e são determinados pela fonte energética e pelo tipo de gordura ingerida no leite humano. Porém, a quantidade de gordura no leite materno não sofre influência da dieta ou do estado nutricional materno (Vitolo, 2008). Avaliar individualmente a necessidade do acréscimo de alimentos-fonte de ácidos graxos poli--insaturados, principalmente ômega 3, bem como o uso de suplementos dietéticos. CARBOIDRATOS Orientar a preferência dos do tipo complexos Preferir alimentos com baixo e médio índice glicêmico Restringir até 10% da ingestão dos simples Fibras: 20 a 30g/dia Água: 1000mL a cada 1000kcal/dia. SUPLEMENTAÇÃO DE MICRONUTRIENTES RECOMENDAÇÕES DE VITAMINAS E MINERAIS Os micronutrientes são importantes para a manutenção da saúde e para o desenvolvimento fetal saudável. O consumo adequado de vitaminas e minerais está associado a desfechos gestacionais favoráveis. Novas células são produzidas diariamente em ritmo acelerado conforme a gravidez progride. O volume sanguíneo da mãe se expande, havendo uma hemodiluiçãona concentração dos nutrientes que o compõem. Nesse processo de intenso crescimento, todos os micronutrientes são importantes, mas, para os minerais cálcio e ferro, e vitaminas como folato e vitamina A em especial, deve-se redobrar a atenção em razão de suas funções na síntese de novas células. Os valores de ingestão recomendados correspondem às DRI propostas pelo IOM FERRO Considerar perdas no parto - principalmente durante o parto do tipo cesariana. A estimativa para a oferta de ferro para gestantes leva em consideração as perdas basais, o ferro depositado no feto e tecidos relacionados, e o ferro utilizado para a expansão da massa de hemoglobina. A recomendação é de 27 mg de ferro/dia, e estima-se que o limite máximo de absorção seja de 25% nos segundo e terceiro trimestres (IOM, 2000). Programa Nacional de Suplementação com ferro do Ministério da Saúde (2005): - Prevenção: 60 mg de ferro elementar/dia (300 mg de sulfato ferroso equivale a uma drágea) para todas as gestantes a partir da 20ª semana de gestação - Tratamento: 120 mg a 240 mg de ferro, dependendo do nível de anemia constatado. A ingestão deve ser feita 30 minutos antes de uma refeição principal. As principais fontes dietéticas de ferro são fígado, carnes em geral, além de leguminosas, verduras, principalmente verde-escuras, e algumas frutas cítricas. Combinar alimentos- -fonte de ácido ascórbico (vitamina C) para aumentar a absorção de ferro não heme. CÁLCIO Formação de ossos e dentes, contração muscular, transmissão de impulsos nervosos e coagulação sanguínea. Deficiência: prejuízos no crescimento e desenvolvimento fetal, menor densidade mineral óssea no recém-nascido, maior risco de hipertensão para a mãe, contrações e parto prematuro. A maior deposição de cálcio no esqueleto fetal (aproximadamente 25 a 30 g) ocorre, principalmente, no terceiro trimestre. O feto depende dessas reservas maternas Próximo ao quinto mês gestacional ocorre expressivo aumento da sua absorção intestinal, em torno de duas vezes maior, se comparado ao início da gestação (de 27 para 54%). Suprimento inadequado: pode resultar em perda da massa óssea da mãe, baixos teores de cálcio materno e alterações do desenvolvimento ósseo da criança (Silvestre, 2007). Recomendações: -Gestantes adolescentes: 1.300 mg/dia -Gestantes adultas: 1.000 mg/dia Fontes: alimentos do grupo do leite -3 a 4 porções/dia. Feijões, vegetais verde-escuros, sardinha e ostras fornecem cálcio, porém com menor biodisponibilidade. Adicionalmente, o uso de alimentos fortificados é uma alternativa para suprir as necessidades desse período. FOLATO Papel fundamental no processo de multiplicação celular Interfere no aumento dos eritrócitos, no alargamento do útero e no crescimento da placenta e do feto (Scholl e Johnson, 2000). Requisito para o crescimento normal na fase reprodutiva (gestação e lactação) e na formação de anticorpos e atua como coenzima na síntese de purinas, pirimidinas e ácido nucleico (DNA e RNA), e é vital para a divisãocelular e síntese proteica. Sua deficiência pode ocasionar alterações na síntese de DNA e alterações cromossômicas (Ramakrishnan, Manjrekar e Rivera, 1999) Deficiência de folato em gestante pode ocorrer devido ao aumento da demanada. E também por dieta inadequada, hemodiluição fisiológica gestacional e influências hormonais (Santos e Pereira, 2007). Ingestão inadequada: concentração de folato sérico nos eritrócitos maternos diminui, e pode ocorrer anemia megaloblástica. Recomendação: 400 μgde folato diariamente em mulheres, proveniente de suplementos, alimentos fortificados ou ambos, em adição ao consumo de uma dieta rica em folato, para reduzir a ocorrênciadedefeitos do tubo neural (DTN) (Vieira, Ambrósio e Japur, 2007) DTN: crítico -17 a 30 dias de gestação -anencefalia e espinha bífida. Anencefalia: parte superior do tubo neural não consegue se fechar e o cérebro não aparece ou não se desenvolve – geralmente aborto espontâneo ou morte logo após o nascimento. Espinha bífida: fechamento incompleto da medula espinhal e de seu envoltório ósseo, e é acompanhada por graus variados de paralisia, dependendo da extensão do dano na medula espinhal FONTES: vísceras, carnes, verduras com folhas verde-escuras (espinafre, aspargo e brócolis), leguminosas (ervilhas, feijão e lentilha), laranja e gema de ovo. É importante considerar que a cocção provoca importantes perdas de folato e, por essa razão, é importante recomendar o equilíbrio entre a ingestão de alimentos na sua forma natural (frutas) e verduras cruas. VITAMINA A Preservação e ao funcionamento, crescimento e desenvolvimento normal dos tecidos, Papel fundamental na visão, na reprodução, no desenvolvimento fetal, na função imune, na regulação da proliferação e diferenciação celular, manutenção do tecido esquelético e na manutenção da placenta. O reconhecimento de que a vitamina A está relacionada à maior mortalidade infantil é um forte argumento para melhorar o nível da vitamina A da mãe como uma estratégia de sobrevivência da criança (OMS, 2001). Ingestão excessiva ou deficiente de vitamina A tem sido relacionada a defeitos congênitos (incluindo cérebro, olho, ouvido, trato geniturinário, coração e sistema vascular, dependendo de qual sistema está em fase de diferenciação no momento da exposição). Também tem sido relatada sua associação com abortos espontâneos, parto prematuro, sepse puerperal, estresse oxidativo e aumento das taxas de morbimortalidade materna e de lactentes nos primeiros meses de vida (OMS, 2001). Recomendação: -gestante de 14 a 18 anos é de 750 μgde RAE/dia -gestante de 19 a 50 anos: 770 μg/dia de RAE/dia As principais fontes de vitamina A são: gema de ovo, fígado, verduras verde-escuras e legumes e frutas alaranjadas. PRINCIPAIS ORIENTAÇÕES PARA GESTANTES - Adequar a oferta energética de acordo com o período gestacional e ao estado nutricional da gestante e optar por escolhas alimentares que contemplem a energia necessária concomitante à oferta dos nutrientes essenciais ao período gestacional. - Fracionar a alimentação em 5 ou 6 refeições ao dia, com o objetivo de evitar períodos longos de jejum e garantir níveis glicêmicos constantes, além de proporcionar melhor aproveitamento dos nutrientes. - Na queixa de náusea e azia, comuns no início da gestação, fracionar as refeições a cada 2 horas, evitando grandes volumes, além de evitar a ingestão de líquidos com as refeições, optar por alimentos secos, como torradas e biscoitos simples, no período em que esses sintomas são mais intensos e evitar alimentos gordurosos e excessivamente condimentados. - Para prevenir náuseas e vômitos, evitar beber água em jejum, sucos de frutas ácidas, além de café e chá. - Ingerir de 6 a 8 copos de água/dia. - Consumir alimentos do grupo do leite, queijo e iogurtes pelo menos 3x/dia. Preferencialmente, optar por leite integral, e utilizar o desnatado apenas em condições especiais. - Ingerir alimentos-fonte de vitamina C nas refeições principais para facilitar a absorção de ferro. - Evitar os alimentos fonte de cálcio na refeição que contenha alimentos- - fonte de ferro. - Planejar cardápios estimulando a substituição de alimentos refinados por integrais, substituindo a metade dos cereais refinados por integrais. - Aumentar a ingestão de verduras, legumes e frutas e incluir pelo menos um vegetal amarelo alaranjado e uma fruta cítrica/dia. - Elaborar cardápios selecionando alimentos como vísceras, carnes, verduras com folhas verde-escuras (espinafre, aspargo e brócolis), vegetais amarelo alaranjados (manga, cenoura, abóbora, mamão), leguminosas (ervilhas, feijão e lentilha), laranja e gema de ovo, para garantir a oferta de ácido fólico, ferro e vitamina A. - Ingerir peixes pelo menos 2x/semana (mercúrio?) - Priorizar o preparo de alimentos refogados, assados, cozidos e grelhados, e desencorajar a ingestão de doces, sal e açúcar, frituras, alimentos gordurosos e ricos em gordura saturada, colesterol e tentar eliminar as gorduras trans da alimentação. - Limitar o consumo de cafeína (refrigerante, café, chás). O consumo deve ser inferior a 300 mg/dia. - Evitar o uso de adoçantes de forma excessiva. - Evitar dietas restritivas (menor que 1.800 kcal) e uso de medicamentos o anticoncepcionais sem supervisão médica, no caso de nutriz.