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A Língua Brasileira de Sinais (Libras), com a 
aprovação da Lei n.º 10.436, é reconhecida 
como forma de comunicação e expressão 
da comunidade surda brasileira desde 2002. 
Composta por fonologia, morfologia e 
sintaxe espacial próprias, a Libras se 
configura como uma língua viso-espacial. 
Assim como outras línguas, seu 
aprendizado é favorecido quando a criança 
surda é exposta ao seu uso o mais cedo 
possível, por meio das experiências visuais, 
vai se constituindo como membro da 
comunidade surda. Porém, além da Libras, 
a comunidade surda possui outros 
elementos que, por meio de experiências 
visuais, proporcionam momentos de lazer e 
diversão, como piadas, histórias, jogos 
esportivos, encontros e outros. 
 Hoje, ainda são muitos os desafios 
encontrados pelas pessoas que fazem uso 
da língua de sinais, visto que, a maioria da 
população não domina. Dessa forma, as 
pessoas com surdez precisam buscar 
diferentes recursos para se comunicar, 
usando, muitas vezes, a escrita do 
português ou até mesmo a mímica para que 
sejam entendidas pelos ouvintes ou para 
que possam compreender o que querem 
lhes dizer. 
 Vamos reconhecer que a pessoa surda se 
constitui e interage com o mundo por meio 
da experiência visual, descrever a 
experiência visual dos surdos, a partir de 
uma perspectiva sociocultural e linguística, 
e identificar a influência da linguagem viso-
espacial no desenvolvimento cognitivo da 
criança surda. 
 Viver no mundo do som é comum para a 
maioria das pessoas que são ouvintes, mas 
como será para aquelas que não escutam 
nada ou escutam pouco, ou seja, para as 
pessoas com surdez? Nascer e viver no 
silêncio faz com que essa população 
precise recorrer a diferentes meios e formas 
de compreender o que está ao seu redor, 
fazendo uso, assim, da visão para 
atividades como prestigiar uma música, ver 
televisão, assistir a um filme no cinema, 
dentre tantas outras situações, nas quais se 
depende do som para compreender o que 
acontece. 
 No infográfico abaixo, vamos ver alguns 
exemplos de situações em que a 
comunidade surda se diferencia da 
comunidade ouvinte. 
A Prática de Libras 
 
 As experiências visuais são parte integrante 
da formação cognitiva e da identidade das 
pessoas com surdez. Na maioria das vezes, 
é por meio delas, que se dá a interação com 
o mundo. O processo de aquisição de língua, 
a comunicação e as relações que se 
estabelecem, também são permeadas pelas 
experiências visuais. 
 A comunidade surda se constitui de 
diferentes artefatos culturais, a língua de 
sinais é apenas um deles. São peças 
teatrais, piadas, jogos esportivos, encontros 
e tantos outros momentos de trocas que 
integram. 
 Aprender a Libras por vezes pode ser difícil 
e até mesmo cansativo, com os sinais, as 
regras e possibilidades de expressão que a 
língua apresenta. Assim, ao usar diferentes 
metodologias de ensino que foquem 
naquilo que o aluno vivenciará ao longo de 
sua vida tende a ser uma boa opção para o 
professor. 
 O método de experiência é uma ferramenta 
que transforma esses momentos de 
aprendizado em algo significativo e 
prazeroso para a criança e até mesmo para 
o adulto. Partindo de situações e momentos 
que acontecem no seu dia a dia, o aluno 
interage e vai compreendendo os aspectos 
que envolvem a Libras. 
 Sabe-se que a Língua Brasileira de Sinais é 
utilizada de forma espaço-visual, ou seja, 
por meio das mãos as mensagens são 
transmitidas e por meio dos olhos elas são 
recebidas. Oferecer possibilidades e 
situações em que a língua esteja em 
evidência, favorecem o desenvolvimento da 
pessoa com surdez. 
 Para a criança isso se torna fundamental, 
por o contato com experiências visuais 
auxilia no seu desenvolvimento. Dessa 
forma, trabalhando um assunto ou tema e 
apresentando diferentes recursos visuais 
que possam colaborar no processo de 
aquisição da linguagem e da língua, a 
criança vivenciará o uso das Libras. 
 
Exercícios 
01. Ser surdo é uma questão de vida, uma 
forma de ver e interagir com o mundo. As 
experiências visuais que constituem a 
pessoa com surdez partem de uma cultura 
surda, de uma forma diferente de ser, de se 
expressar, de conhecer o mundo. Pensando 
a partir de uma perspectiva sociocultural e 
linguística pode-se afirmar que: 
a. A surdez é uma experiência visual que traz à 
pessoa com surdez a possibilidade de 
constituir sua subjetividade por meio de 
experiências visuais e cognitivo-linguísticas 
diversas, mediadas por formas alternativas 
de comunicação simbólica, que encontra na 
língua de sinais, seu principal meio de 
concretização. 
A surdez não é uma realidade homogênea, cada ser 
humano é único, mesmo compartilhado a mesma 
língua de sinais, sua identidade se constitui a partir 
das suas experiências socioculturais ao longo da 
vida. Os membros da comunidade surda 
costumam priorizar o uso da língua de sinais como 
língua natural e, culturalmente, tem momentos 
organizados. A surdez pode trazer consequências 
negativas ao sujeito, caso não haja estímulo, seja 
pela língua de sinais, seja pela língua oral (quando 
escolhida pela família). Não quer dizer que as 
pessoas vão se desenvolver de uma forma 
diferente usando a leitura labial, nem que isso 
possibilita participar de qualquer situação cultural 
pelo uso da visão. Portanto, pode-se dizer que a 
surdez é uma experiência visual, que traz à pessoa 
com surdez a possibilidade de constituir sua 
subjetividade por meio de experiências visuais e 
cognitivo-linguísticas diversas, mediadas por 
formas alternativas de comunicação simbólica, 
que encontra na língua de sinais, seu principal meio 
de concretização. 
b. A surdez é uma realidade homogênea e 
cada sujeito se parece, pelo fato de usar a 
mesma língua de sinais como forma de 
comunicação, sua identidade se constitui 
por compartilhar das mesmas experiências 
socioculturais ao longo de sua vida. 
c. A surdez prioriza o uso da língua de sinais 
como língua natural e única, culturalmente, 
tem momentos organizados e próprios das 
pessoas que fazem parte dessa 
comunidade surda. 
d. A surdez se caracteriza pela diminuição da 
capacidade de percepção normal dos sons, 
trazendo ao indivíduo uma série de 
consequências ao seu desenvolvimento, 
principalmente no que diz respeito ao 
aprendizado da língua de sinais, sua língua 
natural. 
e. A surdez possibilita que as pessoas de 
desenvolvem de uma forma diferente, 
usando a leitura labial como forma de 
comunicação e possibilita participar de 
qualquer situação cultural por meio da sua 
visão. 
 
02. Durante um momento de comunicação 
entre pessoas surdas e ouvintes, quais são 
os aspectos fundamentais a serem 
observados, para que haja a correta 
compreensão de todas as informações, 
principalmente por serem visuais? 
a. Faz-se necessário cuidar que a luz seja bem 
fraca no ambiente, pois ela não influência na 
comunicação dos surdos. 
b. É preciso atentar às expressões faciais e 
corporais, ao uso de roupas e acessórios 
que não atrapalhem a compreensão por 
parte do surdo. 
Os aspectos que devem ser levados em 
consideração durante uma situação 
comunicacional são: um ambiente com 
luminosidade suficiente, para ver com clareza os 
sinais e expressões faciais; o uso das expressões 
faciais e corporais; um olhar especial às roupas e 
acessórios utilizados durante esse momento, pois 
podem atrapalhar e tirar a atenção do surdo; 
enquanto sinalizar, o ouvinte deve direcionar o 
olhar para o surdo; quanto menos distratores 
tiverem durante a comunicação, melhor será para 
o surdo; embora a língua seja a mesma, por vezes, 
é preciso ajustar detalhes individuais para que a 
comunicação aconteça da melhor forma possível. 
c. Durante uma conversa com um surdo, o 
ouvinte pode sinalizar para o surdo e olhar 
para os ouvintes. 
d. O surdo precisa se adaptar às condições doespaço, seja permanecendo em pé ou 
sentado e tendo objetos ou pessoas que 
possam atrapalhar sua visão. 
e. Todo surdo se comunica da mesma forma, 
não sendo necessários ajustes visuais para 
que aconteça da melhor maneira. 
 
03. Pensar na surdez, a partir de uma 
perspectiva sociocultural e linguística, 
proporciona ao ouvinte algumas 
experiências comunicacionais que não são 
habituais e tão perceptivas nas línguas 
orais. Pode-se pensar nas experiências 
visuais que o uso da Libras proporciona. 
Pensando nisso, o que precisa ser levado 
em conta, principalmente por ouvintes que 
usam a língua de sinais como sua segunda 
língua, mas também por surdos? 
a. Os ouvintes não precisam se preocupar 
com as expressões faciais e corporais, pois 
elas não fazem tanto sentido na 
composição da informação e não agregam 
em nada aos surdos. 
b. Os surdos, normalmente, não buscam a 
compreensão das informações por meio 
das expressões faciais e corporais do 
ouvinte. Elas são tidas apenas como um 
complemento na comunicação. 
c. Na língua de sinais, diferente das línguas 
orais, a entonação de vez não é perceptível, 
pois não existem recursos que possam 
passar esses aspectos para o surdo. 
d. Tanto surdos, quanto ouvintes, devem se 
posicionar de forma que as mãos e 
expressões faciais possam ser 
compreendidas, principalmente por elas 
serem elementos fundamentais da Libras. 
As expressões faciais e corporais são parte 
integrante e fundamental da língua de sinais, elas 
complementam e dão sentido aos sinais, também 
apresentam a entonação que é usada por quem 
fala; para dar sentido à sinalização, o ouvinte 
precisa buscar o uso de diferentes recursos 
disponíveis, como se movimentar quando for 
preciso e alterar as expressões faciais. 
e. A compreensão da Libras se dá, de uma 
melhor forma, quando o ouvinte sinaliza de 
forma robotizada, ou seja, permanece 
parado no mesmo lugar sem se 
movimentar, sem usar expressões. 
 
04. Pense na cena: a família ouvinte, de uma 
criança surda, busca por auxílio na escola 
para que possa contribuir no processo de 
aquisição de língua, pois eles não dominam 
a Libras. O que o professor deveria fazer 
com essa família? 
a. Explicar que a língua de sinais vai ser 
aprendida pela criança com o passar dos 
anos, que eles não precisam usar em casa e 
é dever da escola ensinar tanto à criança 
quando à família. 
b. Oferecer folhas com a escrita de palavras 
que possam ser utilizadas em casa, assim, 
a criança vai aprendendo a oralizar desde 
muito cedo e não terá problemas para se 
comunicar ao longo de sua vida. 
c. Indicar filmes e livros que mostrem a 
importância de ensinar a leitura labial e a 
oralização por parte da criança, pois como a 
maioria das pessoas não conhece a língua 
de sinais, ela nem precisa aprender. 
d. Falar sobre os aspectos negativos que o 
contato com a comunidade surda pode 
trazer à criança, principalmente por 
conhecer seus aspectos culturais. 
e. Mostrar à família os benefícios que um 
curso de Libras poderia trazer para a 
comunicação em casa; os pais aprendendo 
os sinais, podem usar com a criança e 
estimulá-la. 
O professor deveria explicar que a língua de sinais 
é aprendida ao longo da vida da criança; porém, é 
preciso que ela esteja em ambientes nos quais 
essa língua seja utilizada; que a família precisa 
buscar por cursos de Libras, a fim de aprender e 
usar em casa com a criança; que é importante 
participar da comunidade surda, pois esse 
contanto favorece as aprendizagens e a 
compreensão de aspectos culturais. 
 
05. Ao organizar um momento de atividade 
dirigida com filme, o professor precisa estar 
atento a alguns aspectos, quando tiver um 
aluno surdo em sala de aula. Lembrando 
que o surdo se constitui de experiências 
visuais, são a partir delas que a 
compreensão acontece de uma melhor 
forma. Quais aspectos precisam ser 
observados? 
a. Apagar a luz e deixar o intérprete bem na 
frente do aluno, para que possa 
compreender a mensagem. 
b. Verificar a possibilidade de apagar a luz e 
também o melhor posicionamento para o 
intérprete ficar, pensando na compreensão 
do todo, por parte do aluno. 
Durante o momento de filme, é necessário fazer 
combinações prévias com o aluno, sobre o melhor 
local de posicionamento do intérprete, também 
quanto a luz do ambiente. A combinação intérprete 
e legenda não é aconselhável, pois a grande 
dificuldade do surdo é fazer a leitura em português; 
a presença do profissional é justamente para 
facilitar a compreensão na sua língua materna. 
Numa situação de filme, o intérprete é o 
responsável por traduzir todas as falas e reações 
orais dos personagens, ele é quem passará as 
emoções ao surdo, seja por meio das falas ou por 
meio dos sons que são usados para isso. 
c. Colocar a legenda no filme e deixar que o 
aluno leia e assista sem nenhuma 
intervenção de professor ou intérprete. 
d. Usar tanto a legenda (mesmo com áudio em 
português), quanto o intérprete, para que o 
aluno tenha mais informações sobre o 
filme. 
e. Deixar o aluno apenas assistir aos 
movimentos que acontecem no filme e 
fazer a leitura labial dos personagens que 
vão interagindo nas cenas. 
 
 
Desafio 
 A língua de sinais é, predominantemente, 
visual; os sinais são compostos por meio 
de: configuração de mãos (CM); movimento 
(M); locação (L); ponto de articulação (PA) e 
expressões não-normais (ENM). Nesta 
última, entram expressões faciais e 
corporais. Todos esses elementos 
proporcionam o aprendizado e 
desenvolvimento da Libras. 
 Um menino surdo de 7 anos de idade, filho 
de pais ouvintes que não usam Libras, está 
frequentando o 1º ano do ensino 
fundamental de uma escola regular. Na sala 
de aula, além da professora titular da turma, 
o menino tem auxílio de uma professora de 
apoio. Porém, nenhuma das duas 
professoras tem o conhecimento e fluência 
da língua de sinais, elas estão buscando 
aprender. 
 Infelizmente, essa situação é muito comum 
nas escolas; então, você pode se deparar 
com esse cenário em algum momento da 
sua atuação profissional. 
 Lembre-se: a alfabetização da criança 
precisa se dar por meio do português 
escrito e da língua de sinais. Como forma de 
expressão e recepção de informações. 
 Quais elementos devem ser usados nos 
recursos, para auxiliar no processo de 
alfabetização desse aluno, levando em 
consideração a influência da linguagem 
viso-espacial no desenvolvimento cognitivo 
da criança surda? 
Os elementos que podem ser utilizados são 
baseados na visão: vídeos, fotos, imagens, 
gravuras, desenhos, peças teatrais, mímicas, 
gestos; se possível sempre associado à língua de 
sinais, que pode ser obtida em alguns recursos 
prontos ou em dicionários. Fazendo uso da escrita 
do português e do sinal de Libras.

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