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PERÍCIA 
CONTÁBIL I
Aline Alves dos Santos
Mediação e arbitragem: 
fundamentação legal
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 De� nir a perícia arbitral prevista na legislação aplicável.
 Identi� car a aplicação da convenção de arbitragem.
 Reconhecer a diferença entre a mediação e a arbitragem conforme
a legislação.
Introdução
Você conhece as diferenças existentes entre os processos de mediação e 
arbitragem? A mediação corresponde a um método de solução de litígios 
em que um terceiro neutro e imparcial auxilia as partes interessadas. Esse 
terceiro incentiva a comunicação para que as partes reflitam e tenham um 
entendimento sobre o conflito. Assim, elas mesmas solucionam o caso 
em questão. Já na arbitragem, quem analisa e decide sobre o litígio é o 
árbitro. Ele declara sua sentença e a impõe às partes envolvidas.
Neste texto, você vai estudar a execução da convenção de arbitragem 
e seus efeitos. Também vai aprender sobre a legislação que prevê a arbi-
tragem e sobre a diferença entre os processos de mediação e arbitragem.
O que prevê a legislação sobre a prática da 
perícia arbitral?
A arbitragem representa um processo que possui todas as garantias do pro-
cedimento judicial. Ela tem o intuito de fazer com que as partes envolvidas 
se sujeitem a juízes particulares indicados por elas mesmas para solucionar 
um confl ito específi co.
A arbitragem poderá ser utilizada pela administração pública direta e indireta a 
fim de reduzir situações de conflitos relacionados a direitos patrimoniais dispo-
níveis. Isso está definido na Lei nº 13.129/15 (BRASIL, 2015), por meio do artigo 1º, 
parágrafo 1º.
A prática da arbitragem visa à utilização de árbitros em vez de juízes, 
prevenindo assim ações judiciais. Na prática, a legislação consolidou o que 
já estava sendo aplicado pelos profissionais, trazendo, dessa forma, maior 
segurança para as partes envolvidas no conflito.
A legislação prevê que qualquer pessoa poderá ser árbitro e atuar como 
um. Isso desde que tenha capacidade, conhecimento e inspire confiança nas 
partes envolvidas. Você pode averiguar esses aspectos mediante a Lei nº 
9.307/96 (BRASIL, 1996), artigo 13, que posteriormente foi alterada pela Lei 
nº 13.129/15 (BRASIL, 2015).
O árbitro, na sua atuação, poderá emitir a carta arbitral, conforme a Lei 
nº 13.129/15, artigo 22-C (BRASIL, 2015):
Art. 22-C. O árbitro ou o tribunal arbitral poderá expedir carta arbitral para 
que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, 
na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro.
Parágrafo único. No cumprimento da carta arbitral será observado o 
segredo de justiça, desde que comprovada a confidencialidade estipulada 
na arbitragem.
Instaurada a arbitragem, é necessário explicar a questão apresentada na 
convenção de arbitragem, elaborada com as partes envolvidas e fixada por 
todos. Assim, o árbitro passará a pertencer e participar da convenção de 
arbitragem.
A convenção de arbitragem, de acordo com a Lei nº 9.307/96 (BRASIL, 
1996), artigo 3º, representa um gênero. Ou seja, ela envolve preferências ou 
escolhas. Já o compromisso arbitral e a cláusula compromissória se referem 
a circunstâncias ou espécies. A convenção de arbitragem corresponde à fonte 
ordinária do direito processual arbitral. Esta é designada à resolução particular, 
também denominada de privada, dos litígios. Além disso, a fonte possui como 
base a independência da escolha pelas partes.
Mediação e arbitragem: fundamentação legal258
A prática da convenção de arbitragem
A arbitragem apresentou novidades para solucionar confl itos. Ela é embasada 
na Lei n° 9.307/96, que foi posteriormente modifi cada pela Lei nº 13.129/15. A 
arbitragem é vista como um dos processos mais relevantes dentro dos meios 
da legislação com o intuito de solucionar situações em que exista discórdia.
A arbitragem, democrática e fidedigna, pode substituir um processo judicial. 
Isso pois possui capacidade e qualificação. Além disso, tem por finalidade 
resolver situações de conflitos patrimoniais vinculados à área de atuação do 
profissional de contabilidade. Sendo assim, é necessário estender o conheci-
mento da classe contábil a fim de conseguir exercer atividade de perito nas 
soluções de controvérsias decorrentes de relações contratuais nacionais ou 
internacionais.
Por meio da Lei nº 9.307/96 (BRASIL, 1996), alterada pela Lei nº 13.129/15 
(BRASIL, 2015), você pode averiguar sobre o acordo na arbitragem e os re-
flexos gerados. Estes podem ser verificados no artigo 3º da mesma legislação 
(BRASIL, 1996):
Capítulo II
Da Convenção de Arbitragem e seus Efeitos
 Art. 3º As partes interessadas podem submeter a solução de seus lití-
gios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem, assim entendida 
a cláusula compromissória e o compromisso arbitral.
 Art. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as 
partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os 
litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato.
 § 1º A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, po-
dendo estar inserta no próprio contrato ou em documento apartado 
que a ele se refira.
 § 2º Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia
se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar, 
expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito em docu-
mento anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto especialmente 
para essa cláusula.
 Na ocorrência de não haver um acordo precedente referente ao método de 
aplicação da arbitragem, a parte interessada revelará à outra parte seu intuito de 
iniciar o processo de arbitragem. Deve fazer isso pelos meios de comunicação 
usuais, podendo ser pelo método tradicional – como correio – ou de forma 
259Mediação e arbitragem: fundamentação legal
eletrônica. Também deve haver constatação de recebimento, intimando a parte 
para fixar compromisso arbitral.
Se a parte intimada não comparecer, ou comparecer e se recusar a fixar 
contrato ou compromisso arbitral, a outra parte envolvida terá o direito de 
propor o que prevê o artigo 7º da Lei nº 9.307/96 (BRASIL, 1996):
Art. 7º Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à 
instituição da arbitragem, poderá a parte interessada requerer a citação da 
outra parte para comparecer em juízo a fim de lavrar-se o compromisso, 
designando o juiz audiência especial para tal fim.
 § 1º O autor indicará, com precisão, o objeto da arbitragem, instruindo
o pedido com o documento que contiver a cláusula compromissória.
 § 2º Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, previamente, a
conciliação acerca do litígio. Não obtendo sucesso, tentará o juiz conduzir 
as partes à celebração, de comum acordo, do compromisso arbitral.
 § 3º Não concordando as partes sobre os termos do compromisso,
decidirá o juiz, após ouvir o réu, sobre seu conteúdo, na própria audi-
ência ou no prazo de dez dias, respeitadas as disposições da cláusula 
compromissória e atendendo ao disposto nos arts. 10 e 21, § 2º, desta Lei.
 § 4º Se a cláusula compromissória nada dispuser sobre a nomeação
de árbitros, caberá ao juiz, ouvidas as partes, estatuir a respeito, podendo 
nomear árbitro único para a solução do litígio.
 § 5º A ausência do autor, sem justo motivo, à audiência designada para 
a lavratura do compromisso arbitral, importará a extinção do processo 
sem julgamento de mérito.
 § 6º Não comparecendo o réu à audiência, caberá ao juiz, ouvido o autor,
estatuir a respeito do conteúdo do compromisso, nomeando árbitro único.
 § 7º A sentença que julgar procedente o pedido valerá como com-
promisso arbitral.
Diferença entre mediação e arbitragem
Mediação
A mediação está relacionada à técnica de solução de confl itos intermediados 
por terceiros, além de ser um processo. O processo tem por fi nalidade resolver 
de modo tranquilo os problemas existentes. Ele deve preservaras relações de 
confi ança e responsabilidades que ligam as partes.
Mediação e arbitragem: fundamentação legal260
Todas as pessoas podem ser agrupadas em cinco níveis, como uma pirâmide. 
É possível, por exemplo, envolver suas necessidades fisiológicas básicas, de 
segurança, sociais, de autoestima e de autorrealização. As necessidades básicas 
se referem a atitudes simples que as pessoas precisam satisfazer, como comer, 
beber água, entre outras.
A ação de uma pessoa a fim de satisfazer suas necessidades poderá en-
contrar barreiras. Ou seja, interesses de outras pessoas podem ser contrários 
à satisfação dessas necessidades, o que provavelmente ocasionará conflitos.
O mediador tem como função buscar, por intermédio de técnicas específicas, 
uma alteração comportamental. Essa alteração deve auxiliar os envolvidos a 
analisar e a reagir ao conflito de forma mais rápida.
O processo de mediação desenvolve uma comunicação que será a base para esclarecer 
casos. Ele também pode melhorar a relação entre as partes envolvidas.
A mediação corresponde a um processo transdisciplinar. Ou seja, está 
designada a aproximar as partes envolvidas na solução do conflito e levá-las 
a perceber no litígio a possibilidade de resolver seus problemas. Isso se dá 
por meio da comunicação, com ideias criativas que preservem a relação entre 
ambas.
Uma das finalidades da mediação é descobrir os interesses que normal-
mente são escondidos pelas partes envolvidas, ou seja, que não são claros. 
Os métodos da mediação permitem averiguar os reais interesses e orientam à 
identificação diferenciada. Nesse sentido, se entende que um fato é o conflito 
processado e outro é o conflito real.
A mediação permite o conhecimento absoluto sobre o que gerou o conflito. 
Também possibilita a solução do mesmo, preservando sempre a relação entre 
os litigantes.
Arbitragem
A arbitragem corresponde a uma técnica usada na solução de confl itos 
por meio da intervenção de uma ou mais pessoas. Estas são designadas e 
possuem poderes de uma convenção privada. Defi nem, assim, sem qualquer 
261Mediação e arbitragem: fundamentação legal
intervenção do Estado, a melhor decisão designada a assumir efi cácia de 
sentença judicial.
A arbitragem é formada mediante a vontade das partes envolvidas em um 
acordo chamado de convenção de arbitragem. Ou seja, se refere ao compromisso 
arbitral ou cláusula compromissória, conforme a Lei nº 9.307/96 (BRASIL, 
1996), artigo 3º (alterada pela Lei nº 13.129/15). O árbitro ou o tribunal arbitral 
eleito pelas partes envolvidas redigirá a sentença que terá o mesmo valor de 
um título executivo judicial. Nela, não haverá qualquer recurso, com exceção 
dos embargos de declaração.
A arbitragem corresponde ao último método de resolução extrajudicial de conflitos. 
A decisão tomada pelo árbitro é executada com base nos mesmos termos que teria 
um juiz de tribunal.
Mediação versus arbitragem
Ambos os processos, mediação e arbitragem, às vezes são tratados como se 
fossem similares na resolução de confl itos. No entanto, são métodos bem dife-
rentes, fundamentados em argumentos quase opostos e perspectivas distintas.
A mediação pode ser solucionada em poucas semanas ou mesmo em dias. 
Porém, na arbitragem é utilizado um grande período de tempo. Isso ocorre 
devido à necessidade de produzir provas para o árbitro. Posterior às provas, 
o árbitro precisa de tempo para decidir sobre o conflito. Ele necessita, para
chegar a tal decisão, realizar leituras e estudar o que foi verificado. Isso com
base nas leis e também em casos similares. Depois, pode enfim analisar e
declarar a sentença.
No processo de mediação, quem decide sobre o conflito em questão são as próprias 
partes envolvidas. O foco está na resolução da questão.
Mediação e arbitragem: fundamentação legal262
Uma diferença relevante entre os dois procedimentos é que a mediação 
se refere a um auxílio que direciona as partes envolvidas a chegarem a um 
acordo. Já o processo de arbitragem tem como resultado o laudo arbitral. Ou 
seja, origina uma decisão tomada pelo árbitro do processo, que é obrigatória 
às partes envolvidas.
Desse modo, é relevante que na mediação as partes tenham real interesse 
em solucionar o problema em questão de forma afetuosa e amigável. O papel 
do mediador nesse processo é assessorar para que os interessados alcancem 
esse caminho e solucionem o conflito.
No processo de arbitragem, não existe mais a comunicação entre as partes. Desse 
modo, não há o diálogo. Portanto, é preciso que um terceiro direcione as ações que 
devem ser realizadas ou não.
Outra diferença relevante entre os dois processos é que a mediação pode 
ter início em qualquer instante. No entanto, a arbitragem só poderá ocorrer 
se tiver sido prevista em contrato inicial. Você deve saber também que o 
mediador poderá ser demandado antes, durante e depois de um processo 
arbitral ou judicial.
263Mediação e arbitragem: fundamentação legal
Mediação e arbitragem: fundamentação legal264
BRASIL. Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996. Brasília, DF, 1996. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9307.htm>. Acesso em: 16 jul. 2017.
BRASIL. Lei nº 13.129, de 26 de maio de 2015. Brasília, DF, 2015. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13129.htm>. Acesso em: 
16 jul. 2017.
Leituras recomendadas
BACELLAR, R. P. Mediação e arbitragem. São Paulo: Saraiva, 2012.
BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Brasília, DF, 2015. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art1046>. Acesso 
em: 22 jul. 2017.
CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO RIO GRANDE DO SUL. Mediação e 
arbitragem: a decisã o por especialistas da contabilidade. Porto Alegre: CRCRS, 2005. 
Disponível em: <http://www.crcrs.org.br/arquivos/livros/livro_arbitragem.PDF>. 
Acesso em: 15 jul. 2017.
HENRIQUE, M. R.; SOARES, W. A. Perícia, avaliação e arbitragem. Curitiba: InterSaberes, 
2015.
MOURA, R. Perícia contábil: judicial e extrajudicial. 4. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 
2017.
ORNELAS, M. M. G. Perícia contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
SÁ, A. L. de. Perícia contábil. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
SOUSA, S. H. M.; GRANDE, C. G. Perícias na prática. Curitiba: Juruá, 2010.

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