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A doença hemorroidária ocorre por conta da dilatação do plexo vascular superior ou submucoso, formando grandes emaranhados vasculares, submucosos e subcutâneos, flexíveis com consistência amolecida e forma abaulada. É a doença proctológica mais prevalente, sendo sempre adquirida. Acomete 40% das pessoas acima de 40 anos Fatores predisponentes: hereditariedade, gravidez, obstipação intestinal, esforço evacuatório crônico, diarreia crônica, tumor pélvico, ICC e cirrose hepática • Duas à direita: anterior (ântero-lateral direita) e posterior (póstero- lateral direita) • Uma a esquerda: lateral Isso ocorre porque a doença hemorroidária interna é derivada do plexo hemorroidário superior, descendo duas artérias a direita e duas a esquerda • Internas: derivadas do plexo hemorroidário superior, origem submucoso com drenagem sanguínea do sistema renal superior que drena para o sistema porta • Externas: derivadas do plexo hemorroidário inferior, origem subcutânea com drenagem sanguínea das artérias retais inferior que drenam para a pudenda e posteriormente para a veia cava • Mistas: apresenta ambos os componentes • Grau I: não exterioriza com manobra de esforço • Grau II: exterioriza com manobra de esforço, mas reduz espontaneamente • Grau III: exterioriza com manobra de esforço e a redução depende de manobras digitais • Grau IV: permanentemente exteriorizado • Dificuldade de evacuação • Prolapso anormal do plexo hemorroidário • Hábitos defecatórios errôneos • Predisposição familiar • Constipação intestinal, diarreia crônica, gravidez, hepatopatia, uso abusivo de laxantes Hemorroidas LOCALIZAÇÃO CLASSIFICAÇÃO GRAUS ETIOPATOGENIA • Mecânicos que ficam muito tempo agachado e praticantes de cross fit • Sangramento vermelho vivo em pequena quantidade, geralmente logo após a evacuação • Prolapso • Prurido (a exterioração provoca uma dermatite na pele ao redor) • Exsudação • Desconforto (não é dor!) • Dor somente na presença de complicações • Anamnese • Exame proctológico – inspeção, palpação, toque retal (não identifica hemorroidas internas), anuscopia (suficiente para o diagnóstico), retossigmoidoscopia (feito para excluir outros diagnósticos) Todos os pacientes com doença hemorroidária precisam ter uma conduta clínica, associada ao tratamento cirúrgico • Conduta clínica: tem por objetivo corrigir erros da higiene, corrigir alimentação, corrigir a constipação, corrigir ou investigar a diarreia, corrigir o quadro de dermatite peri-anal, evitar ficar muito tempo sentado no vaso sanitário, evitar segurar a evacuação • Tratamento cirúrgico: reservado para os graus III e IV ou que apresentam muitas crises inflamatórias/muitos sangramentos. Consiste em uma cirurgia de ressecção dos mamilos (cirurgia de Milligan-Morgan) o Complicações – a ferida permanece aberta no pós-operatório, fechando apenas em 40-60 dias, o paciente precisa evacuar dessa forma; pode causar sangramento, infecção e fecaloma (complicações precoces), fissura anal residual e estenose anal (complicações tardias) A fissura anal é uma lesão ulcerada no apoderam, raramente ultrapassa a linha pectínea e a anocutânea. Geralmente é auto-limitada e é mais comum em mulheres • Fator traumático (fezes endurecidas ou sementes) • Fator anatômico (ponto de fraqueza posterior – “espaço de Brick”) • Fator vascular • Sexo feminino • Não envolve fatores familiares, nem profissionais QUADRO CLÍNICO DIAGNÓSTICO TRATAMENTO Fissura anal ETIOPATOGENIA • Posterior (fraqueza da muscular na linha média posterior do ânus com possíveis fatores vasculares e musculares alterados) – ocorre em 85,5% dos casos • Anterior (necessidade de investigar DST, principalmente sífilis) – ocorre em 10,5% dos casos • Ambos – ocorre em 3% dos casos • Lateral (investigar DST, quimioterapia, neoplasia e doença de Crohn) – ocorre em 1% dos casos • Dor intensa • Constipação reacional • Uso abusivo de laxantes • Sangramento anal em pequena quantidade e vermelho vivo • Prurido anal • História clínica • Exame proctológico sob anestesia (xilocaína) • Aguda: apresenta somente o corte, evento único (primeira fissura) • Crônica: possui a tríade fissurária → plicoma sentinela (pele inflamada) + lesão ulcerada + papila hipertrófica • Agudo: primeiramente faz-se o tratamento clínico e, se não resolver, pode-se pensar em tratamento cirúrgico • Crônico: sempre o tratamento é cirúrgico Diagnóstico Tratamento clínico Tratamento cirúrgico Fissura anal aguda Dieta, higiene, sintomáticos, antinflamatórios, pomadas, esfincterotomia química Esfincterotomia lateral: incomum Fissura anal crônica Dieta, higiene, sintomáticos, antinflamatórios, pomadas, esfincterotomia química Ressecção (resseca-se o plicoma, a fissura e a papilite) Esfincterotomia lateral (risco de incontinência) QUADRO CLÍNICO LOCALIZAÇÃO DIAGNÓSTICO CLASSIFICAÇÃO TRATAMENTO É o trauma da desembocadura das glândulas na linha ano-pectínea. Esse trauma se chama papilite ou criptite. Todas as pessoas tem esse trauma, mas nem todos tem infecção da glândula. Quando ocorre infecção, forma-se o abscesso • Origem criptoglandular (80%) • Doenças intestinais • Traumas • Complicações pós-operatórias de cirurgias anorretais • Doenças malignas • Radioterapia • Papilite ou criptite: trauma na cripta anal que causa infecção aguda • Abscesso anorretal: contaminação da glândula anal – pode ser perianais, isquiorretais, submucoso, interesfincterianos ou pelvirretais • Fístula anorretal: após drenagem do abscesso, constitui a fase crônica do abscesso, composto pela área que foi traumatizada e a área que foi drenada + o caminho entre os dois • Gangrena necrotizante: evolução letal • Quadro clínico – dor não relacionada a evacuação (dor o tempo todo), melhora com a evacuação, tumefação/tumoração, febre, calafrios, tenesmo, ausência de flutuação • Exame físico • Exame proctológico sob anestesia • Exames – USG transrretal, TC, RNM (padrão-ouro) • Cirúrgico sempre! • Após drenar o abscesso, cerca de 80% dos casos formam fístulas perianais Fístula perianal: • Trajeto comunicando o canal anal ou o reto ao períneo • Tem origem criptoglandular em 80% dos casos • Muitas vezes o paciente não percebeu o abscesso, mas percebe a fístula • Ocorre saída de secreção hemato-purulenta contínua pelo canal anal. Não tem dor, apenas a presença de orifício e secreção • Regra de Goodsall-Salmon: divide-se o ânus em duas metades. A metade anterior é voltada para a genitália e a metade posterior é voltada para a coluna. Quando o orifício interno de uma fístula esta localizado na metade anterior, o trajeto seria retilíneo até o ânus, encontrando o orifício interno na cripta Processo infecciosos ou abscesso anorretal ETIOLOGIA FISIOPATOLOGIA DIAGNÓSTICO TRATAMENTO anal correspondente. Quando o orifício externo esta localizado na metade posterior, o trajeto faz uma curva e vai encontrar o orifício interno na linha média posterior. Isso só serve para orifícios externos localizados até 3cm da fissura anal • A localização é importante porque vai orientar o tratamento. Quanto maior a fístula, maior o risco do paciente ficar incontinente o Colonoscopia – fundamental em caso de fístula porque a associação com doença intestinal é muito comum (principalmente doença de Crohn) o Manometria anal – principalmente se trauma obstétrico, idoso, doença de Crohn, SIDA e fístula recidivada o USG transrretal – muito mais fácil que no caso do abscesso o RNM – padrão-ouro o Fistulografia – não é mais utilizado Gangrena necrotizante: • Complicação de processo infeccioso anorretal • Possui alta morbimortalidade • Abscesso muito invasivo – atinge gordura, fáscias,podendo entender-se por glúteos, região inguinal, lombar e parede abdominal • Predileção por acometer genitália • Cuidado com pacientes imunodeprimidos • Costuma ter flora mista de gram-negativos e anaeróbios • Possui rápida evolução • Necessária cirurgia de urgência – desbridamento amplo da região • Tratamento sistêmico e local