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A CRIANÇA E A HOSPITALIZAÇÃO

Texto sobre criança e hospitalização: trata do desafio da psicologia hospitalar, histórico da pediatria, fases do desenvolvimento e fatores que influenciam reações emocionais à doença e internação (medo, regressão, culpa, ansiedade, depressão, negação, solidão).

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A CRIANÇA E A HOSPITALIZAÇÃO
De acordo com Angerami - Camon (2001), o desafio da psicologia hospitalar é minimizar o sofrimento provocado pela hospitalização, pela doença e sua consequente desestabilização emocional, tanto do paciente como de seus familiares. Mas quando se trata de uma criança o desafio, é ainda maior, pois diferente do adulto, o impacto da criança internada no hospital é maior, pois as crianças têm dificuldades para assimilar esta situação, apresentando medo, angústia e ansiedade, fantasias muitas vezes são causadas pela falta de informação adequada, falta de prognóstico ou de tratamento (ANGERAMI-CAMON, 1984). Isso, porque o hospital é um ambiente totalmente desconhecido para ela e muitas vezes ameaçam o comportamento espontâneo da vida diária.
Segundo De Conti (1996), a primeira enfermaria para criança foi criada no século XIX e seu ambiente era bastante próximo do ambiente doméstico, e contava com a presença dos pais. Todavia a preocupação com o perigo da transmissão de doenças infecciosas levou a necessidade de isolar as crianças portadoras de enfermidades contagiosas, separar as enfermeiras que cuidavam desses pacientes, esterilizar suas roupas, utensílios e outros cuidados de assepsia. No início do século XX surgiram os hospitais modernos, cuja concepção arquitetônica atendia a dominante preocupação com a infecção inter e intra-hospitalar.
O final do século XIX é às vezes reconhecido como a época negra da pediatria, e a primeira metade de século XX, o despontar da melhoria da assistência às crianças (WHALEY e WONG, 1999).
Já no Brasil, em termos de serviços de saúde, datam de 1920 as primeiras preocupações com o atendimento à criança aos serviços de higiene infantil. Nesta época, também é regulamentada a licença à gestação, à puérpera, à proibição do trabalho fabril para menores de doze anos e à necessidade de atender as crianças com risco de mortalidade infantil.
AS FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO E O ADOECER
A criança, enquanto ser em desenvolvimento sempre foi objeto de estudos.
O desenvolvimento infantil deve ser enfocado em abordagem integrativa onde em condições normais, a criança desenvolve-se como um “todo integrado”, sob a influência de múltiplos fatores. Nessa medida, o desenvolvimento da criança só pode ser compreendido se considerar as relações interpessoais e as experiências vividas que contextualizam a evolução das potencialidades individuais.
Então, se estão centradas na infância as mais importantes inscrições da vida emocional de um indivíduo, a vivência de uma doença e consequente necessidade de hospitalização, claramente prejudicam o desenvolvimento normal.
Cada criança que fica doente tem uma reação psicológica à sua doença. Algumas reações são gerais, outras são específicas da doença. As reações gerais dependem de diversos fatores, entre eles: 
· Os estágios evolutivos da criança (seus níveis de desenvolvimento cognitivo e emocional e a capacidade adaptativa prévia), 
· O grau de sofrimento e mutilação e o significado que a doença tem para a criança e os pais, 
· A relação pai-filho e a resposta da criança à reação dos pais, 
· A reação psicológica da criança aos procedimentos médicos e cirúrgicos, separações, hospitalização e 
· A interferência resultante nas funções físicas, psicológicas e sociais. As reações específicas dependem, em parte, da natureza e severidade da doença” (Lewis e Volkmar, 1993:265).
Portanto, essa vivência intensa de crise acontece, principalmente, pela ocorrência, na criança, de dissociação entre o psíquico e o somático e por atingir um ser que ainda não possui estrutura egóica suficiente para o enfrentamento da situação. A criança vivencia a experiência da doença e hospitalização com uma intensidade emocional muito significativa, devido a frágil distinção entre o mundo externo e interno, associado ao fato de sua vida psíquica ser composta de fantasias, portanto pouco acessível ao princípio de realidade.
	De acordo com autor Ajuri guerra e Marcelli (1991) afirmam que a vivência da doença remete a criança a movimentos psicoafetivos diversos, citarei alguns:
· A regressão quase sempre acompanha a doença: retorno a uma relação de cuidados corporais e de dependência como aquela do lactente;
· A morte ou a angústia de morte, aparece nos comportamentos, nos sonhos, nas brincadeiras.
Vários efeitos psicológicos podem ser citados como consequência da situação de doença e hospitalização:
· Negação da doença
· Revolta
· Culpa e sensação de punição
· Ansiedade
· Depressão
· Projeção
· Solidão
· Distúrbios neuróticos
Porém, as reações de culpa e sensação de punição, ansiedade e depressão, acrescidas de distúrbios neuróticos, podem ser destacadas como causadoras de intenso descontrole emocional à criança doente e hospitalizada. É evidente, portanto que bebês, crianças e adolescentes internados necessitam de serviços de saúde mental. 
As reações à doença e hospitalização são interdependentes a alguns fatores e apresenta, são eles:
· Nível de desenvolvimento cognitivo e emocional
· Capacidade adaptativa prévia
· Grau de sofrimento e mutilação
· Significado da doença para criança e pais
· Relações pais-filhos
· Interferências nas funções físicas e psicossociais
· Experiências vividas na internação
· Atitudes da equipe
· Rotinas hospitalares
· Duração da hospitalização
· Tipo de internação
· Natureza da doença
E os efeitos da hospitalização nas diferentes fases de desenvolvimento da criança, também evidenciam como está se defronta à situação de doença, tornando o desenvolvimento infantil comprometido pelas vivências que a criança doente se vê obrigada a enfrentar.
ASSISTÊNCIA PSICOLÓGICA EM PEDIATRIA
A criança enquanto ser em desenvolvimento sempre foi objeto de estudos, principalmente porque é na infância que o ser terá realizado as primeiras e fundamentais inscrições em seu psiquismo, sendo estas elementos primordiais para o crescimento saudável.
Na infância as mais importantes inscrições da vida emocional de um indivíduo, a vivência de uma doença e consequente necessidade de hospitalização, claramente prejudicam o desenvolvimento normal da criança. A doença constitui a tensão generalizada mais comum na infância, pela ocorrência de dissociação entre o psíquico e o somático e, por atingir um ser que ainda não possui estrutura egóica suficiente para o enfrentamento da situação.
Nesse sentido, a criança vivencia a experiência da doença e hospitalização com uma intensidade emocional muito significativa, devido a frágil distinção entre o mundo externo e interno e pela vida psíquica infantil ser composta de fantasias, muitas vezes, pouco acessíveis ao princípio de realidade.
 A situação de doença e necessidade de hospitalização na infância, provocam repercussões psicossociais importantes e intensas na vida da criança.
(ZIONI GOMES e ADORNO, 1990).
Fonte: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-hospitalar/a-crianca-e-o-processo-de-hospitalizacao © Psicologado.com
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