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EXEMPLO PRÁTICO DE UTILIZAÇÃO DAS FERRAMENTAS DA QUALIDADE PARA ANÁLISE E SOLUÇÃO DE PROBLEMAS APRESENTAÇÃO Caro (a) acadêmico (a), que bom estarmos juntos novamente nesta jornada de aprendizagem! Apresentamos a vocês um exemplo de estudo detalhado (porém fictício) dos usos de algumas das ferramentas da qualidade para análise e resolução de problemas do início ao fim. Assim, você conseguirá ver de modo prático como que estas ferramentas são aplicadas na realidade do mercado de trabalho. Bons estudos! EXERCÍCIO A empresa Uniasselvi Usinagem registrou no mês de janeiro de 2019 uma grande alta de problemas de qualidade no produto “ABC” da empresa (FIGURA 1). FIGURA 1 - PRODUTO “ABC” FONTE: Do Autor. O produto “ABC” trata-se de uma peça metálica usinada em torno CNC (Comando Numérico Computadorizado). Antes de iniciar qualquer estudo de investigação de problemas devemos entender como funciona o processo. Para que você acadêmico (a) consiga entender de que tipo de processo estamos falando, iniciaremos este exemplo respondendo a seguinte pergunta: “O que é usinagem? USINAGEM: De acordo com Stoeterau ([20--]) usinagem é uma operação que confere à peça: forma, dimensões ou acabamento superficial, ou ainda uma combinação destes, através da remoção de material sobre forma de cavaco. O cavaco (FIGURA 2) é a porção de material da peça retirada pela ferramenta (para que a peça atinja o formato e as dimensões desejadas) caracterizando-se por apresentar forma irregular. FIGURA 2 – CAVACO DE ALUMÍNIO FONTE: Disponível em: <http://savametais.com.br/cavaco-de- aluminio>. Acesso em: 12 fev. 2019. No caso do exemplo que iremos apresentar, trata-se de uma peça torneada (existem várias outras maneiras de usinar uma peça, mas vamos focar nesta). Segundo a empresa Mazak (2015) o torneamento (FIGURA 3) é o procedimento de usinagem usado para fabricar peças cilíndricas, no qual a ferramenta desempenha um deslocamento linear, enquanto a peça executa um movimento rotacional. Normalmente executado por um torno, o torneamento usina o diâmetro da peça até certa dimensão determinada e dá um suave acabamento. FIGURA 3 - TORNEAMENTO FONTE: Extraído e adaptado de Mazak (2015). Caro (a) acadêmico (a), no nosso exemplo estamos falando de uma peça torneada em um “Torno CNC”, que segundo o site Mundo CNC (2019) é um torno com controle numérico computadorizado construído para produção de peças de revolução ou cilíndrica que possui duas bases as quais são chamadas de barramento sobre as quais correm dois eixos sendo um o eixo X (eixo que determina o diâmetro da peça) e outro o eixo Z (eixo que determina o comprimento da peça). Os tornos CNC são muito usados para usinagem de precisão, pois conseguem garantir peças com tolerâncias bastante apertadas. Segue no link disponibilizado um vídeo de como é o funcionamento de um Torno CNC: https://www.youtube.com/watch?v=4BPeLCYkSeA. Entendendo estes conceitos podemos prosseguir com a resolução de nosso exercício. Sabemos que o produto ABC teve vários registros de “não conformidades” no mês de janeiro, porém, para resolvermos o problema precisamos de dados mais precisos. Para este caso utilizamos os registros de “seleção de peças” tabulados pelo setor de qualidade. Na empresa Uniasselvi Usinagem, todas as vezes em que é detectado um defeito na peça são selecionadas todas as peças do lote fabricado de acordo com a característica (Cota) encontrada fora de especificação. Desta maneira, levantamos todas peças sucateadas (fora de especificação) que tivemos no mês de janeiro a fim de investigar qual característica que originou mais problemas. Para fazer a análise inicial e verificar prioridades para a resolução de problemas, iremos utilizar o “Diagrama de Pareto”. DIAGRAMA DE PARETO O Diagrama de Pareto consiste em uma ferramenta que permite priorizar as ações na resolução de um problema para que o esforço de resolução do mesmo seja mais efetivo. Ou seja, ele identifica onde devo agir https://www.youtube.com/watch?v=4BPeLCYkSeA primeiramente para que meu problema seja solucionado com mais agilidade. Para isso, segue abaixo na FIGURA 4 as cotas do produto ABC que geraram mais problemas de qualidade: FIGURA 4: COTAS A SEREM ANALISADAS DO PRODUTO ABC FONTE: Do Autor. A descrição da característica de cada cota de dimensionamento da peça é a seguinte: COTA A: Diâmetro maior. COTA B: Comprimento do canal. COTA C: Diâmetro do canal. COTA D: Comprimento total da peça. COTA E: Diâmetro menor. Analisando estas cotas foi realizado um levantamento de peças sucateadas com base no defeito que a peça apresentou, segue no QUADRO 1: QUADRO 1 – DEFEITOS REGISTRADOS NO MÊS DE JANEIRO FONTE: Do Autor. A partir do quadro acima conseguimos tabular os dados de forma que possamos melhor organizá-los. Neste novo quadro organizamos os itens considerando o número de peças com defeito na ordem decrescente. Após organizados os dados preenchemos a coluna “Frequência Absoluta”, que são os dados nominais. Segue no QUADRO 2. COTA DEFEITO PEÇAS COM DEFEITO A Diâmetro maior acima do especificado 450 B Mal acabamento do canal 200 C Diâmetro do canal acima do especificado 270 D Comprimento total abaixo do especificado 70 E Diâmetro menor acima 13 QUADRO 2 – FREQUÊNCIA ABSOLUTA FONTE: Do Autor. Agora vamos calcular a “Frequência Acumulada” onde somam-se os valores da frequência absoluta, conforme o QUADRO 3: QUADRO 3 – FREQUÊNCIA ACUMULADA FONTE: Do Autor. Na coluna “% Absoluta” calcula-se a proporção ao lado da frequência absoluta em relação ao total de peças com defeitos (1.003 peças), segue no QUADRO 4: QUADRO 4 - % ABSOLUTA FONTE: Do Autor. Na coluna “% Acumulada” soma-se os valores da “% Absoluta” conforme o QUADRO 5: QUADRO 5 - % ACUMULADA FONTE: Do Autor. COTA FREQUÊNCIA ABSOLUTA A 450 C 270 B 200 D 70 E 13 COTA FREQ. ABSOLUTA CÁLCULO FREQUÊNCIA ACUMULADA A 450 = 450 450 C 270 = 450 + 270 720 B 200 = 720 + 200 920 D 70 = 920 + 70 990 E 13 = 990 + 13 1003 COTA FREQ. ABSOLUTA CÁLCULO % ABSOLUTA A 450 = (450 ÷ 1003) X 100 45% C 270 = (270 ÷ 1003) X 100 27% B 200 = (200 ÷ 1003) X 100 20% D 70 = (70 ÷ 1003) X 100 7% E 13 = (13 ÷ 1003) X 100 1% TOTAL 100% COTA % ABSOLUTA CÁLCULO % ACUMULADA A 45% = 45 45% C 27% = 45+ 27 72% B 20% = 72 + 20 92% D 7% = 92 +7 99% E 1% = 99 + 1 100% O quadro final e que será utilizado para a montagem do gráfico de análise se encontra abaixo no QUADRO 6: QUADRO 6 – QUADRO FINAL PARA ELABORAÇÃO DO DIAGRAMA FONTE: Do Autor. Para a formulação do gráfico utilizamos as informações tabuladas em “Frequência Absoluta” e “% Acumulada”. Segue abaixo o GRÁFICO 1 que representa o diagrama: GRÁFICO 1 – DIAGRAMA DE PARETO FONTE: Do Autor. O gráfico mostra que eliminando o defeito na “Cota A” que é “Diâmetro maior acima do especificado” conseguimos eliminar quase metade dos problemas com a peça, 45%. Vamos supor que não tivéssemos feito este estudo e estivéssemos escolhido a “Cota E” por exemplo, teríamos eliminado somente 1% dos nossos problemas, seria um tempo de estudos e trabalho despendido por um resultado mínimo em proporção aos demais. DIAGRAMA DE ISHIKAWA Conhecendo o principal problema do Produto “ABC” devemos investigar as causas do mesmo. Para isso, deve-se levantar o maior número de causas possíveis através de um brainstorming (metodologiaque procura levantar o maior número de informações através da participação de todos da equipe) e ordená-las no Diagrama de Ishikawa (Também conhecido como diagrama espinha de peixe ou de causa e efeito). COTA FREQ. ABSOLUTA FREQ. ACUMULADA % ABSOLUTA % ACUMULADA A 450 450 45% 45% C 270 720 27% 72% B 200 920 20% 92% D 70 990 7% 99% E 13 1003 1% 100% Seguem as possíveis causas levantadas para o problema de “Diâmetro maior acima do especificado”: 1. Falta de trabalho padronizado para a preparação e ajuste da máquina; 2. Falta de mão de obra qualificada; 3. Manutenção preventiva da máquina em atraso; 4. Desgaste da ferramenta que usina o diâmetro maior; 5. Falta de controle de medição das características da peça; 6. Instrumentos de medição utilizados para acompanhamento de qualidade da peça (Ex.: Micrômetro Digital) com má calibração; 7. Matéria-prima (barra de metal a ser usinada) não está de acordo com a composição química especificada; 8. Excesso de temperatura no ambiente, causando a dilatação do material. Tendo estas informações, temos que organizá-las em nosso diagrama e classificá-las de acordo com cada uma das classes de causas pertencentes, os chamados 6 M’s: método, mão-de-obra, máquina, meio ambiente, material e medição. Segue abaixo na FIGURA 5: FIGURA 5 – DIAGRAMA DE ISHIKAWA FONTE: Do Autor. Levantadas todas as possíveis “causas” do determinado “efeito” é feita uma minuciosa verificação pela equipe através de uma análise crítica, onde descartam-se as causas menos prováveis e identifica-se a causa potencial. Todas as causas devem ser analisas e argumentadas, para o nosso exemplo, segue a análise crítica levantada: Falta de trabalho padronizado para a preparação e ajuste da máquina: a empresa possui procedimento documentado e validado pelo engenheiro responsável pelo desenvolvimento do produto ABC. Falta de mão de obra qualificada: foram verificados nos documentos arquivados no setor de Recursos Humanos que todos os funcionários envolvidos no processo possuem a qualificação necessária para sua função. Manutenção preventiva da máquina em atraso: os documentos do setor de manutenção mostram que as manutenções da máquina estão em dia. Falta de controle de medição das características da peça: procedimento de medição é coerente com as necessidades do processo e os operadores tem total condição de realizá-lo. Instrumentos de medição utilizados para acompanhamento de qualidade da peça (Ex.: Micrômetro Digital) com má calibração: verificado junto ao setor de metrologia que os instrumentos do processo possuem certificados de calibração em dia. Matéria-prima (barra de metal a ser usinada) não está de acordo com a composição química especificada: análise da composição química da barra comprovou que o material está dentro das especificações. Excesso de temperatura no ambiente, causando a dilatação do material: estudo comprovou que a temperatura em que a máquina opera não tem capacidade de dilatar o material. Desgaste da ferramenta que usina o diâmetro maior: FOI CONSTATADA QUE ESTA É A POTENCIAL FONTE DO PROBLEMA. OS 5 PORQUÊS Esta ferramenta permite encontrar a real “causa raiz” do problema através da fonte encontrada. Os seja, iremos investigar a causa raiz que gera o desgaste da ferramenta que usina o diâmetro maior. Sendo assim, lançamos o problema central para a equipe e nos perguntamos: “Por que isso acontece?”, sempre relacionando à causa anterior, até chegarmos na causa raiz do problema que será o foco da ação de correção e prevenção dos trabalhos da equipe. Segue abaixo, no QUADRO 7 a aplicação da ferramenta para nosso exemplo: QUADRO 7 – OS 5 PORQUÊS FONTE: Do Autor. Problema Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? Diâmetro maior com medida acima do especificado. A ferramenta que usina o diâmetro da peça teve desgaste excessivo. Ultrapassou o limite de vida útil da ferramenta. Não há controle de vida útil eficaz da ferramenta, baseada apenas na experiência do operador. Não houveram estudos de vida útil para esta determinada ferramenta do Produto ABC. - Podemos perceber no exemplo acima que na utilização desta ferramenta nem sempre precisamos utilizar de fato os cinco porquês, mas sim a quantidade necessária para alcançar a causa raiz, neste caso foi necessário somente quatro. Sendo assim, conseguimos um avanço muito importante, onde saímos da fonte do problema, que era “desgaste da ferramenta que usina o diâmetro maior” e chegamos na causa raiz de nosso problema, que é: não há estudo de vida útil da ferramenta, ou seja, o uso desenfreado além da vida útil causou um elevado desgaste na ferramenta e, como consequência, houve variação na “Cota A” do produto ABC. Após descoberta a causa raiz do problema temos que agir de modo em que esta causa seja eliminada. Para isso unimos a equipe envolvida e montamos um plano de ação, neste caso utilizaremos a ferramenta para estruturação de plano de ação chamada: 5W2H. PLANO DE AÇÃO – 5W2H O 5W2H é uma ferramenta que possibilita planejar as ações que serão tomadas a fim de eliminar a causa raiz do problema. Ela permite que as ações sejam organizadas de modo em que a ação seja prática, direta e eficiente. Segue abaixo o significa da sigla para que depois entendamos como elaborar este plano de ação. Os “5W” da sigla vêm do inglês: what, why e where, e os “2H” vêm do inglês: how e how much. Cada uma destas palavras sugere uma pergunta, que deve ser respondida conforme descrito no QUADRO 8: QUADRO 8 – 5W2H FONTE: Do Autor. Para o nosso exemplo aplicamos esta ferramenta da seguinte forma, segue no QUADRO 9: Inglês Português Objetivo What? O que? Descrever o que será feito, a ação que será tomada. Why? Por quê? Explicar o motivo da ação ser tomada, o porquê dela ser necessária. Where? Onde? Apontar o local em que será realizada a ação (setor, departamento, máquina...) When? Quando? Indicar quando a ação será realizada, sendo necessário o consenso com os envolvidos. Who? Quem? Definir a pessoa ou as pessoas responsáveis pela ação. How? Como? Explicar o procedimento que será adotado para execução da ação. How much? Quanto custa? Se a ação envolver valores financeiros, deverá ser indicado. QUADRO 9 – UTILIZAÇÃO DA FERRAMENTA 5W2H FONTE: Do Autor. Colocando todas estas ações em prática e acompanhando os resultados de cada etapa temos a finalização de nosso estudo. Caro (a) acadêmico (a), assim concluímos nosso exercício, foi um prazer acompanhá-lo nesta jornada. Qualquer dúvida entre em contato por um de nossos canais de comunicação. Desejo a todos bons estudos! Tutora autora: Dandara Klann What? Why? Where? When? Who? How? How much? O que? Por quê? Onde? Quando? Quem? Como? Quanto custa? Elaborar formulário para controle de vida útil da ferramenta que usina o diâmetro maior. Para que haja um instrumento onde sejam registrados os dados coletados durante o teste de vida útil. Engenharia 14/02/2019 Engenheiro responsável pelo produto ABC. Elaborar um formulário de controle de vida útil que contenha as seguintes informações: produto, operador responsável pelo acompanhamento, analista responsável pelo produto, código da ferramenta estudada e campo para anotar a quantidade de peças produzidas (IMPORTANTE: devem haver 3 campos para acompanhamento de peças produzidas pois serão testadas três ferramentas). OBS: Neste caso, o custo poderia ser calculado baseado no valor da hora do engenheiro estimando quanto tempo ele levaria para realizar esta atividade. Realizar estudo de vida útil Para que os dados sejam coletados e analisados. Fábrica Estudo 1:18/02/2019 Estudo 2: 25/02/2019 Estudo 3: 04/03/2019 Engenheiro responsável pelo produto ABC e preparador de máquina. Registrar no formulário a quantidade de peças que foi produzida com a ferramenta, levando em consideração a avaliação de qualidade da cota (medir a cota a cada 30 minutos), ou seja, registrar a quantidade de peças produzidas com qualidade ÓTIMA e verificar com quantas peças que a ferramenta começa a causar defeito. Calcular o custo com base nas horas despendidas pelo engenheiro e pelo preparador de máquina. Finalização do estudo (Padronização) Para que a vida útil estabelecida seja padronizada . Engenharia 11/03/2019 Engenheiro responsável pelo produto ABC. Verificar a média de peças produzidas pelas três ferramentas utilizadas no teste e estabelecer o padrão de vida útil para a ferramenta. Após estabelecida a vida útil, registrar padrão em uma "Ficha de Controle de Vida Útil" e disponibilizar na fábrica para que seja feito o acompanhamento em todos os lotes de fabricação. Calcular o custo com base nas horas despendidas pelo engenheiro. PLANO DE AÇÃO REFERÊNCIAS MAZAK. Torneamento. 2015. Disponível em: < https://www.mazak.com.br/machines/product/turning/>. Acesso em: 12 fev. 2019. MUNDO CNC. Uma breve explanação sobre torno CNC. 2019. Disponível em: < http://www.mundocnc.com.br/basic11.php>. Acesso em: 12 fev. 2019. STOETERAU, Rodrigo Lima. Fundamentos dos processos de usinagem. [20--]. Disponível em: <http://sites.poli.usp.br/d/pmr2202/arquivos/aulas/PMR2202-AULA%20RS1.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2019.