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AMILOIDOSE Um grupo de condições de etiologia diversificada, nas quais a deposição extracelular de proteínas fibrilares insolúveis (amiloide) em diversos órgãos e tecidos compromete sua função normal. SISTEMA(S) ACOMETIDO(S) Renal/Urológico — predileção para deposição renal de proteína amiloide A órgãos como fígado, baço, adrenais, pâncreas, árvore traqueobrônquica e trato gastrintestinal podem ser acometidos. SINAIS CLÍNICOS • Dependem dos órgãos acometidos, da quantidade de amiloide e da reação dos órgãos envolvidos aos depósitos de amiloide. Achados Anamnésicos • Na maioria dos casos (75%), não há um histórico claro de distúrbio predisponente.• Anorexia, letargia, poliúria e polidipsia, perda de peso, vômito e diarreia (incomum). • Ascite e edema periférico em animais com síndrome nefrótica. • Os cães da raça Shar-pei chinês podem ter um histórico prévio de tumefação articular e febre alta episódicas, que desaparecem espontaneamente em alguns dias. • Os cães da raça Beagle com poliartrite juvenil podem exibir histórico de febre e dor no pescoço (cervicalgia), que persistem por 3-7 dias. • Os gatos das raças Oriental de pelo curto e Siamês podem se apresentar com hemorragia hepática espontânea, que leva ao colapso agudo e hemo Achados do Exame Físico • Relacionados com insuficiência renal — ulceração bucal, emaciação, vômito e desidratação; os rins se encontram pequenos, firmes e irregulares nos gatos acometidos; podem estar pequenos, normais ou levemente aumentados de volume nos cães acometidos. • Sinais de síndrome nefrótica (ascite e edema subcutâneo).• Relacionados com o processo patológico primário inflamatório ou neoplásico. • Fenômenos tromboembólicos — os sinais variam com a localização do trombo; os pacientes podem desenvolver tromboembolia pulmonar (dispneia) ou tromboembolia arterial ilíaca ou femoral (paresia caudal). • Os caes da raça Shar-pei chinês e os gatos das raças Oriental e Siamês podem apresentar sinais de hepatopatia (icterícia, caquexia e ruptura hepática espontânea com hemorragia intraperitoneal). CAUSAS • Em 30-50% dos cães com amiloidose reativa, podem-se constatar condições inflamatórias crônicas infecciosas e não infecciosas, além de neoplasia. • Inflamações crônicas — micoses sistêmicas (ex., blastomicose e coccidioidomicose), infecções bacterianas crônicas (osteomielite, broncopneumonia, pleurite, esteatite, piometra, pielonefrite, dermatite supurativa crônica, artrite supurativa crônica, peritonite crônica, nocardiose e estomatite crônica), infecções parasitárias (dirofilariose, leishmaniose e hepatozoonose) e doencas imunomediadas (lúpus eritematoso sistêmico). • Neoplasias (linfoma, plasmocitoma, mieloma múltiplo, tumores mamários e tumores testiculares). • Familiares (Shar-pei chinês, Foxhound inglês e Beagle; gatos das raças Abissínio, Siamês e Oriental de pelo curto). • Outras — hematopoiese cíclica em Collie de pelagem cinza, poliartrite juvenil em Beagle. HEMOGRAMA/BIOQUÍMICA/URINÁLISE • Em alguns cães e gatos com insuficiência renal induzida por amiloide, verifica-se uma anemia arregenerativa. • Cães — podem-se observar hipercolesterolemia, azotemia, hipoalbuminemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia e acidose metabólica.• Hipercolesterolemia — comum em gatos com distúrbios renais, mas não prediz com segurança a presença de glomerulopatia.• Hipoproteinemia — mais comum do que a hiperproteinemia em cães com amiloidose; a hiperglobulinemia é comum em gatos. • Proteinúria — com sedimento inativo é comum em cães; leve ou ausente em animais com amiloidose medular sem envolvimento glomerular.• Em alguns pacientes, observam-se cilindros hialinos, granulares e céreos, além de isostenúria.• Proteinúria — mensurar a relação de proteína:creatinina urinárias para estimar a gravidade. Achados Radiográficos Abdominais • Rins pequenos nos gatos acometidos; normais ou aumentados de volume nos cães acometidos. Achados Ultrassonográficos Abdominais • Os rins costumam aparecer hiperecoicos e pequenos nos gatos acometidos. Pequenos, normais ou aumentados de volume nos cães acometidos. MÉTODOS DIAGNÓSTICOS É necessária a realização de biopsia renal para diferenciar os quadros de amiloidose e glomerulonefrite. Nos cães não pertencentes a raça Shar-pei chinês, a amiloidose corresponde a uma glomerulopatia e a biopsia do córtex renal possibilita a obtenção do diagnóstico. Em grande parte dos gatos domésticos, em alguns gatos da raça Abissínio e em determinados cães da raça Shar- pei chines, pode ocorrer a amiloidose medular sem envolvimento glomerular; para a formulação do diagnóstico, é imprescindível obter amostra de tecido medular dos rins. MEDICAMENTO(S) DE ESCOLHA • Os pacientes com síndrome tromboembólica e síndrome nefrótica causada pela amiloidose glomerular costumam apresentar uma concentração plasmática baixa de antitrombina; assim, a heparina é relativamente ineficaz. Para cães com glomerulopatia, sugere-se a administração do ácido acetilsalicílico (0,5 mg/kg VO a cada 12 h); essa dosagem baixa é tão eficiente para evitar a agregação plaquetária quanto a dose de 10 mg/kg VO a cada 24 h. • DMSO — pode ajudar os pacientes a dissolver as fibrilas de amiloide e diminuir a concentração sérica da proteína amiloide. A sérica, além de reduzir a inflamação e a fibrose intersticiais nos rins acometidos; pode causar opacificação do cristalino em cães. Em caso de administração intravenosa do DMSO não diluído, podem ocorrer inflamação perivascular e trombose local. A aplicação subcutânea de DMSO não diluído pode ser dolorosa. Os autores têm utilizado o DMSO a 90% na diluição de 1:4 com água esterilizada, em uma dose de 90 mg/kg SC três vezes por semana nos cães. Ainda é controverso se o tratamento com o DMSO beneficia ou não os cães com amiloidose renal. • Metilsulfonilmetano — é um metabólito ativo do DMSO que pode ser administrado por via oral. Esse metabólito foi usado de forma empírica em cães com amiloidose, mas não há provas de que ele seja benéfico em animais dessa espécie com amiloidose renal. • Colchicina — diminui a liberação da proteína amiloide A sérica pelos hepatócitos e estabiliza a função renal em pacientes com síndrome nefrótica, mas sem insuficiência renal manifesta; não há indícios de benefícios, uma vez que o paciente desenvolve insuficiência renal; pode causar vômito, diarreia e neutropenia idiossincrática nos cães. A colchicina (0,01-0,04 mg/kg VO a cada 24 h) é utilizada em cães da raça Shar-pei chinês com febre ou poliartrite episódicas antes do desenvolvimento de insuficiência renal. EVOLUÇÃO ESPERADA E PROGNÓSTICO A amiloidose é uma doença progressiva, que costuma estar avançada no momento do diagnóstico. O prognóstico exibirá uma melhora se a doença imunológica, inflamatória ou neoplásica subjacente for detectada e tratada com êxito. Em um único estudo, a sobrevida de cães com amiloidose glomerular variou de 3 a 20 meses; alguns cães podem ter uma vida mais longa. Em gatos com insuficiência renal decorrente da amiloidose sobrevivem <1 ano. Os gatos levemente acometidos podem não desenvolver a insuficiência renal e exibir uma expectativa de vida quase normal. REFERENCIAS DiBartola SP. Renal amyloidosis. In: Osborne CA, Low D, Finco DR, eds., Canine and Feline Urology, 2nd ed. Philadelphia: Saunders, 1995, pp. 400-415.