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Resumão - Habilidades Médicas VIII

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Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Cardiologia 
Definições 
As crises hipertensivas são definidas por PA > 180/120 mmHg, podendo ainda ser dividida em emergência hipertensiva quando há risco 
iminente de morte e lesão em órgãos-alvo, e em urgência hipertensiva, na qual não há risco de morte imediato, devido à ausência de injúria 
orgânica aguda. 
O principal diagnóstico diferencial dessas condições é a pseudocrise hipertensiva, quadro no qual há aumento da PA como 
consequência de estresse emocional, ansiedade ou dor. 
 
Principais apresentações 
nas emergências 
hipertensivas 
(as abordadas em sala estão 
sublinhadas) 
Acidente vascular encefálico: presença de sinais neurológicos focais ou cefaleia de início súbito e intenso, sendo confirmado por achados 
tomográficos. 
Encefalopatia hipertensiva: caracterizada por cefaleia e sinais típicos de edema cerebral, porém há melhora do quadro com o controle 
pressórico. 
Edema agudo de pulmão: marcada por dispneia aguda e severa, associada à agitação e ansiedade. Podem ser solicitados radiografia de 
tórax, D-dímero e dosagem de BNP (> 500 sugere origem cardiogênica-hipertensiva). 
Eclâmpsia: pico pressórico acentuado associado a convulsões e alterações do nível de consciência. O parto deve ser feito com urgência após 
a estabilização clínica. 
Crise do feocromocitoma; resulta da liberação excessiva de catecolaminas, cursando com taquicardia e vasoconstricção severas. 
Nefroesclerose hipertensiva maligna: tem como manifestações características o papiledema (ou outros sinais de retinopatia grave), 
falência renal e sintomas neurológicos. 
Síndrome coronariana aguda: marcada por dor torácica anginosa, sendo confirmada por eletrocardiograma sugestivo e pela dosagem de 
marcadores de necrose (troponina, CK-MB). 
Dissecção aguda de aorta: apresenta dor cortante em tórax ou abdome, além de diferença de PA > 20 mmHg entre os MMSS e possível 
compressão do pericárdio ou tamponamento cardíaco, sendo melhor detectada pelo ecocardiograma. 
Manejo de Urgências 
Hipertensivas 
Deve ser iniciado após observação do paciente em um ambiente calmo (descartar pseudocrises), com uso de anti-hipertensivos orais de 
meia-vida curta (ex.: captopril 25 a 50 mg ou clonidina 0,1 a 0,2 mg), tendo como alvo PA < 160/100 mmHg em 24-48h. 
Tratamento das 
Emergências 
Hipertensivas 
O paciente deve ser internado em UTI para assegurar monitorização invasiva. As medicações de escolha são anti-hipertensivos parenterais, 
sendo as primeiras escolhas o nitroprussiato de sódio (0,25 a 10 µg/kg/min em infusão contínua, EXCETO EM CASO DE SCA, pois pode causar 
roubo de fluxo) e a nitroglicerina (medicação preferencial no IAM, administrada na dose de 5 a 100 µg/min, em bomba de infusão), cujo 
efeito vasodilatador é arteriovenoso e venoso, respectivamente. 
ATENÇÃO: a eclâmpsia é a única indicação clínica para o uso de hidralazina nas emergências hipertensivas, devendo ser associada 
ao sulfato de magnésio para o tratamento das convulsões. Na pré-eclâmpsia, a droga usada como segunda escolha é a 
alfametildopa 
Outras medicações, como a furosemida e o verapamil/diltiazem, podem ter indicação direcionada a certos quadros clínicos, como o edema 
agudo de pulmão e a dissecção aguda de aorta, respectivamente. 
O objetivo do tratamento é a redução ≤ 25% da PA na 1ª hora, seguida por PA < 160/100 em 2 a 6 horas e normalização pressórica (PA < 
135/85 mmHg) em 24 a 48h. 
Algumas condições podem necessitar de ajustes no controle da pressão arterial, como a dissecção aguda de aorta (redução da PAS 
para 100-120 mmHg em 20 minutos) e o AVE (garantir PA ≤ 185/110 mmHg para iniciar a trombólise). 
CRISES HIPERTENSIVAS 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Neurologia 
 
1 - Nível de Consciência 
(pontua automaticamente 2 em 
1b e 1c se estiver em coma) 
1a – Nível de consciência: avaliado por meio de perguntas gerais que verifiquem o estado de alerta do paciente, sendo avaliado em 0 
(indivíduo alerta, que responde espontaneamente), 1 (sonolento, porém responde com estímulos leves), 2 (torporoso, mas reage a estímulos 
dolorosos) ou 3 (paciente comatoso) – É O ÚNICO ITEM QUE PODE SER REAVALIADO AO LONGO DO TESTE 
1b – Estado de consciência: verifica a acuidade das respostas a comandos simples (idade e mês corrente), pontuada como 0 (duas respostas 
corretas), 1 (apenas uma resposta correta) ou 2 (nenhuma resposta correta) 
1c – Comandos de 1 etapa: o paciente é orientado a abrir e fechar os olhos e as mãos, com os mesmos parâmetros de pontuação do item 1b 
2 – Melhor olhar 
conjugado 
Avalia o movimento horizontal dos olhos (função dos nervos cranianos III e VI), solicitando ao paciente que acompanhe o dedo do 
examinador. A pontuação pode ser 0 (sem alterações), 1 (paralisia parcial, sendo possível vencer a linha média), e 2 (desvio do olhar conjugado, 
incapaz de vencer a linha média). 
ATENÇÃO: indivíduos afásicos devem ser testados por meio do reflexo oculocefálico (“olhos de boneca”) 
 
3 – Campo visual 
Determina perdas do campo visual ao avaliar se o paciente consegue identificar, com sua visão periférica, o número de dedos mostrado 
pelo examinador em cada um dos quadrantes (indivíduos afásicos devem ser abordados por meio de ameaça visual). A pontuação pode ser 
0 (normal), 1 (hemianopsia parcial, com perda da visão em apenas um quadrante), 2 (hemianopsia completa) ou 3 (cegueira total). 
ATENÇÃO: se o paciente insistir em olhar para os dedos do examinador, sua pontuação deve ser 1 
ATENÇÃO²: na presença de afasia, é possível realizar essa análise por meio de ameaça visual (espera-se piscamento em resposta) 
4 – Paralisia facial 
(paciente em coma pontua 3) 
Investiga lesões periféricas ou centrais nos nervos da face ao observar o rosto do paciente ao sorrir, fechar fortemente os olhos e erguer 
as sobrancelhas. O resultado é pontuado como 0 (sem paralisia), 1 (assimetria leve ou apagamento do sulco nasolabial), 2 (paralisia parcial, 
acometendo andar inferior da face) ou 3 (paralisia completa, afetando a porção superior do rosto). 
5 – Motor (braços) 
(paciente em coma pontua 4) 
Consiste na avaliação bilateral da força do membro superior, que deve se manter esticado a 90º (paciente sentado) ou 45º (paciente deitado) 
por 10s. A pontuação, individual para cada membro, pode ser 0 (sem queda), 1 (desnível em < 10s, mas sem tocar a cama), 2 (o membro cai 
antes de 10s, mas há esforço contra a gravidade), 3 (membro despenca, mas há movimento proximal) ou 4 (ausência de movimento). 
ATENÇÃO: só será atribuído o marcador “não testável” em caso de amputação ou fusão articular 
6 – Motor (pernas) 
(paciente em coma pontua 4) 
De modo semelhante ao item 5, avalia a força dos membros inferiores, medida pela capacidade de manter elevação de 30º por 5s. A 
pontuação segue os mesmos parâmetros do item anterior. 
7 – Ataxia 
(paciente em coma pontua 0) 
Verifica a presença de lesões cerebelares por meio dos testes índex-nariz e calcanhar-joelho. Pode ser atribuída pontuação 0 (ataxia 
ausente), 1 (presente em um membro) ou 2 (presente em dois membros). 
ATENÇÃO: a avaliação tende a ser mais permissiva (“na dúvida, pontua zero”), sendo a “ataxia real” marcada por tremores ou 
impossibilidade de realizar os movimentos 
8 – Sensibilidade 
(paciente em coma pontua 2) 
Avalia a integridade de vias sensoriais ao investigar a simetria e intensidade da percepção de estímulos feitos com uma agulha no rosto, 
braços (NÃO FAZER NAS MÃOS) e pernas. A pontuação pode ser 0 (normal), 1 (déficit leve a moderado, com assimetria da intensidade 
percebida) ou 2 (perda severa ou total da sensibilidade, não sendo possível identificar o toque em um ou mais segmentos) 
 
9 – Melhor linguagem 
(estado comatoso pontua 3) 
Determina a capacidade de articulação e entendimento de palavras em três tarefas: narrar os acontecimentos de uma cena, ler frases 
(substituída pela identificação de objetos pelo toque em pacientes analfabetos) e nomear figuras. A pontuação pode ariar entre0 (sem 
alterações), 1 (afasia leve-moderada, sendo possível adivinhar algumas palavras), 2 (afasia grave, com grande dificuldade de comunicação 
por parte do examinador) ou 3 (reservada para o mutismo global). 
10 – Disartria 
(estado comatoso pontua 2) 
Consiste na avaliação detalhada de articular fonemas, mensurada pela repetição de palavras com sonoridade marcante. É pontuada como 
0 (fala perfeitamente clara), 1 (arrasta algumas sílabas) ou 2 (disartria grave, com sons quase incompreensíveis) 
11 – Desatenção/Extinção Investiga lesões no hemisfério direito que afetem a percepção sensorial de um hemisfério do corpo, partindo da realização de estímulos 
táteis e visuais, uni e/ou bilateralmente. Pode ser pontuado como 0 (normal), 1 (extinção parcial, em uma modalidade) ou 2 (desatenção 
profunda em mais de um modo de avaliação, não reconhece a mão ou se orienta apenas para um lado do espaço) 
APLICAÇÃO DA ESCALA NHISS 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
 
 
 
 
 
Avaliação primária 
Após o parto, a vitalidade do RN é estabelecida com base na escala de APGAR que avalia, dentre outros fatores, a presença de 
choro/respiração, tônus muscular adequado (flexão) e frequência cardíaca. 
 
De acordo com essa estratificação, determina-se a conduta para o clampeamento do cordão umbilical, a saber: 
Boa vitalidade: realizar o clampeamento tardio do cordão, após ao menos 1 minuto, levando o RN para cuidados no colo da mãe; 
Má vitalidade (sem choro/respiração, flacidez OU circulação placentária não intacta – descolamento de placenta, placenta prévia, 
etc.): realizar clampeamento imediato, conduzindo o RN para avaliação na mesa de reanimação neonatal 
 
ATENÇÃO: em caso de RN < 37 semanas ou > 42 semanas, a avaliação deve ser feita na mesa de reanimação, independentemente da 
vitalidade. 
 
 
 
 
 
 
Conduta na mesa de 
reanimação 
As primeiras intervenções não invasivas têm o objetivo de estimular reações do bebê, por meio do aquecimento (campos aquecidos, 
lâmpada como fonte de calor), posicionamento da cabeça (leve extensão mediada por coxim), aspiração de vias aéreas (só se necessário, 
boca, depois narinas) e secagem/troca dos campos. Todos esses processos devem ser feitos em 30 segundos. 
 
O efeito dessas estratégias é verificado por meio da avaliação de frequência cardíaca e respiratória. Caso os parâmetros estejam normais 
(FC > 100 bpm e respiração regular), os cuidados de rotina devem ser retomados. No entanto, na presença de FC < 100 bpm e/ou respiração 
irregular, recomenda-se iniciar, no PRIMEIRO MINUTO DE VIDA (Golden minute) VPP com ar ambiente (FiO2 inicial de 21%, aumentando de 
30 em 20%) por 30 segundos, monitorizando a saturação no MSD (alvo de 70-80% até o 5º minuto, prosseguindo para 80-90% em 10 min, e 
85-95% após esse intervalo) e instalando 3 eletrodos para monitorização cardíaca. 
Se a FC permanecer abaixo de 100 bpm após essa intervenção, é necessário reavaliar a técnica de ventilação (ajuste da máscara, 
permeabilidade das vias aéreas) e, se não houver melhora, considerar a intubação orotraqueal (ou máscara laríngea, quando disponível), 
momento a partir do qual a meta de frequência cardíaca passa a 60 bpm. 
ATENÇÃO: a hérnia diafragmática é a ÚNICA INDICAÇÃO para realização imediata de IOT na reanimação neonatal. 
 
Na ausência de melhora, iniciar ciclos de compressão e ventilação por 60 segundos (terço inferior do esterno com os dois polegares, 
ventilando a 100% em relação 3:1). Se após DOIS CICLOS COMPLETOS com correção de técnica a FC não alcançar a meta, utilizar epinefrina 
na veia umbilical (0,1 ml de diluição 1:10.000 de epinefrina em soro fisiológico, numa proporção de 1:9 ml) a cada 3-5 minutos ou por via 
traqueal (ÚNICA administração, em dose de 0,5-1 ml/kg), associada a soro fisiológico (10 ml/kg) na necessidade de expansão volêmica. 
 
 
REANIMAÇÃO NEONATAL 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Avaliação da 
Desidratação 
Os principais fatores de risco para quadros de maior gravidade são idade < 2 meses, vômitos/diarreia persistentes, percepção inadequada 
do estado de hidratação e doenças crônicas, como o diabetes melitus. 
A avaliação do estado de desidratação se baseia em diversos parâmetros, como nível de consciência, aspecto dos olhos (normais, fundos 
ou encovados), presença de lágrimas, umidade da boca/língua, sede (normal, intensa ou reduzida) sinal da prega, características do pulso 
(cheio, rápido ou fino), e tempo de enchimento capilar (testado em palmas ou plantas, deve ser < 3 segundos, porém na desidratação grave 
pode ser > 5s). 
ATENÇÃO: a porcentagem de peso perdido é o melhor indicador de desidratação, sendo que valores < 5% sugerem quadros leves, 
e perdas > 10% indicam desidratação grave. 
De acordo com a identificação e gravidade dos sinais supracitados, é possível caracterizar o paciente como não desidratado (plano 
terapêutico A), desidratação leve (plano de tratamento B) ou desidratação grave (plano terapêutico C). 
 
 
 
 
 
Planos Terapêuticos na 
Desidratação 
Plano A – Tratamento domiciliar: recomenda-se consumo de água, suco ou soros de reidratação oral (SRO) às perdas (50 a 100 ml/vez em 
< 1 ano, 100 a 200 ml/vez entre 1 e 10 anos, e a quantidade que aceitar após os 10 anos), mantendo a dieta habitual. Em lactentes que fazem 
aleitamento materno exclusivo, NÃO é necessário usar SRO 
Plano B – Reidratação oral em serviços de saúde: oferecer 50 a 100 ml/kg de SRO em 4 a 6h, com a criança em jejum (exceto para 
aleitamento). Se após esse período não houver mudança, fazer gastróclise (sonda nasogástrica) e, em caso de piora, conduzir como plano C 
Plano C – Reidratação parenteral: divide-se em fase de expansão (se < 5 anos, 20 ml/kg SF 0,9% IV em 30min, repetindo 3x se necessário, e 
para > 5 anos, iniciar com 30 ml/kg de SF 0,9% em 30 min, seguido por 70 ml/kg de ringer lactato em 2h30), fase de manutenção (proporção 
4:1 de SG 5% e SF 0,9% com 1000 ml/kg + 50 ml/kg se o paciente tem entre 10-20 kg ou 1500 ml/kg + 20 ml/kg se > 20 kg) e reposição 
(combinação 1:1 de SG 5% e SF 0,9% inicialmente com 50 ml/kg/dia, associado a 2 ml de KCl 10% [ou 1 ml de KCl 19,1%] a cada 100 ml de solução) 
DESIDRATAÇÃO E QUEIMADURAS 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Classificação e Extensão 
das Queimaduras 
As queimaduras podem ser causadas por fogo, agentes químicos ou corrente elétrica, podendo ser divididas de acordo com a 
profundidade e intensidade do acometimento, em: 
1º grau: afeta a epiderme e é dolorosa, mas não causa bolhas ou cicatrizes) 
2º grau: estende-se para a derme, sendo muito dolorosa e associada a bolhas, que podem ou não formar cicatrizes 
3º grau: comprometimento da hipoderme, sendo menos dolorosa, com presença de focos de necrose. 
O cálculo da superfície corporal queimada (SCQ) é feito por meio da regra de Wallace, ou “regra dos nove”, que segmenta o corpo em 
segmentos cujo valor é proporcional ao tamanho em relação à estatura. São consideradas como grandes queimadas as crianças com SCQ 
> 10%. 
ATENÇÃO: crianças < 3 anos devem ser tratadas como grandes queimados, sendo encaminhadas para centros de tratamento 
específicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Manejo de Queimaduras 
O tratamento inicial de um paciente queimado deve seguir o mesmo protocolo do atendimento ao politraumatizado (ABCDE), com 
avaliação de queimadura de vias aéreas, inalação de fumaça ou desconforto respiratório (recomendações para intubação orotraqueal), 
monitoramento da diurese (idealmente > 1 ml/kg/h), dosagem de enzimas musculares e monitorização cardíaca (se queimadura elétrica), 
realização da Escala de coma de Glasgow, e exposição de todo o corpo em busca de lesões secundárias. 
 
A reposição volêmica nesses indivíduos dependerá do cálculo da SCQ, a saber: 
SCQ < 10% em crianças: assegurar hidratação oral conforme demanda 
SCQ ≥ 10% em crianças: garantir acesso venoso calibroso (ou intraósseo) e iniciar hidratação venosa, que se divideem fases: 
Reparação: se baseia na fórmula de Parkland modificada (𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 = 2 ∗ 𝑝𝑒𝑠𝑜 ∗ 𝑆𝐶𝑄), considerando 50% como máximo para a 
SQC, utilizando o ringer lactato aquecido (ou outro cristaloide) como solução preferencial 
Manutenção: em crianças de até 10kg, administrar 100 ml/kg da solução, progredindo para 1000 ml + 50 ml/kg que exceda 
10kg ou 1500 ml + 20 ml/kg em pacientes com mais de 20kg 
ATENÇÃO: o volume total da reposição volêmica deve ser dividido com ½ da reposição e 1/3 da manutenção nas primeiras 8 horas (sempre 
considerar infusões pré-hospitalares), com o restante sendo infundido nas 16 horas seguintes. 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Urologia 
 
Hiperplasia Prostática 
Benigna 
A HPB é um aumento benigno do volume prostático, decorrente da atividade excessiva de DHT, um metabólito da testosterona que 
promove a síntese de fatores de crescimento direcionados à glândula. Os principais fatores de risco são a idade avançada e o histórico 
familiar. O quadro clínico típico é marcado por sensação de urgência urinária, jato miccional fraco e estreito, incontinência, polaciúria e 
noctúria, que explicam a ocorrência de dano ao sistema excretor na ausência de intervenções. Seu diagnóstico é feito por meio do toque 
retal (próstata fibroelástica com aumento simétrico) e da avaliação da função renal. 
O tratamento pode ser expectante (se paciente assintomático ou com sintomas leves), medicamentoso (uso de BLOQUEADORES ALFA-1-
ADRENÉRGCOS e/ou INIBIDORES DA 5-α-REDUTASE) ou cirúrgico (ressecção transuretral ou prostatectomia total), em quadros refratários 
ou de complicações persistentes. 
ATENÇÃO: o uso de terapia combinada (associação de medicamentos) é indicado se PSA > 2 ou grande volume prostático (> 40g) 
com sintomas obstrutivos importantes 
 
Câncer De Próstata 
Apresenta como fatores de risco a idade, histórico familiar (a HPB NÃO AUMENTA o risco de CA de próstata), obesidade, tabagismo e etnia 
negra. Os pacientes costumam ser assintomáticos (indicação de controle anual se PSA > 4, avaliando o percentual de elevação desse 
marcador), mas quando presentes, os sintomas são hematúria/hemospermia, jato miccional fraco, incontinência, disfunção erétil, 
urgência e incontinência urinária, e dor óssea. 
O diagnóstico requer biópsia de próstata (avaliação anatomopatológica conforme o escore de Gleason) para confirmação dos achados 
sugeridos no toque retal e na dosagem de PSA, além de USG trans-abdominal e ressonância magnética com contraste. 
O rastreamento, por sua vez, é feito por meio da associação PSA+toque retal, indicada a todos os homens de 50 a 75 anos (início aos 45 se 
houver fator de risco). 
ATENÇÃO: NÃO EXISTE PREVENÇÃO para o câncer de próstata! 
O tratamento é definido conforme o estadiamento do paciente: 
Baixo risco: recomenda-se o tratamento local com remoção parcial ou radioterapia da próstata, além do acompanhamento com os 
exames supracitados. 
Intermediário e alto risco: realização de prostatectomia radical ou radioterapia. 
Estágio metastático: uso de hormonioterapia para bloqueio androgênico (castração química) 
Prostatite 
É um quadro inflamatório de caráter crônico e assintomático bastante comum em adultos, causado frequentemente por uretrites e ontato 
sexual desprotegido. É marcado por ardência ao ejacular, dor perineal, corrimento, disúria, polaciúria, dor perineal e prurido. Na fase aguda, 
também pode haver febre e queda do estado geral. 
O tratamento é feito com uso de Ciprofloxacino ou actinolona por 21 dias. 
Uretrite 
Descreve a inflamação/infecção da uretra, geralmente como consequência de ISTs (N. gonorrhea e Candida trachomatis). Seus sintomas 
mais frequentes são secreção uretral (clara na clamídia e purulenta se for gonorreia) e disúria. 
A confirmação do diagnóstico só é feita após a realização de PCR, cultura e teste de coloração de Gram. O tratamento deve ser direcionado 
ao agente etiológico, com azitromicina em dose única (se candidíase), ou ceftriaxona IM em dose única (1ª escolha para a gonorreia). Na 
presença de resistência ao antimicrobiano, podem ser administrados, respectivamente, doxiciclina e quinolona. 
Úlceras Genitais 
Sífilis: IST marcada por úlcera indolor com fundo limpo, sendo diagnosticada pela presença de VDRL e anticorpos específicos (podem 
demorar para positivar). O tratamento é feito com penicilina Benzatina 1,2 milhões UI em cada glúteo. 
Herpes: tem como principal característica a presença de dor em queimação ou ardência no local das lesões, geralmente pequenas vesículas 
agrupadas. O manejo pode ser feito com aciclovir (VO, 400mg a cada 8h, por 7 dias). 
ATENÇÃO: o rastreamento de ISTs deve contar com testes para HIV 1 e 2, HTLV 1 e 2, Ag-HbS (antígeno da hepatite B, solicitando 
também o anticorpo Anti-HbS para verificar imunidade), VDRL e anti-HCV (antígeno para hepatite C). 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Priapismo 
Caracteriza-se como ereção persistente e geralmente dolorosa na ausência de estímulo sexual, que pode culminar em fibrose do tecido 
local. 
Priapismo isquêmico (veno-oclusivo ou de baixo fluxo): é mais grave, sendo comum em pacientes com anemia falciforme. O pênis se mostra 
mais rígido e arroxeado, com grande presença de CO2 no sangue drenado. 
Priapismo não isquêmico (arterial, ou de alto fluxo): a criação de shunts arteriovenosos, comum em traumas perineais, torna o quadro 
menos urgente (circulação parcialmente mantida). A rigidez é menos intensa, e a coloração é normal. 
O tratamento do quadro é feito inicialmente com a drenagem e lavagem do corpo cavernoso, podendo ser necessária intervenção cirúrgica 
para formação de uma fístula (não isquêmico) ou de um shunt (isquêmico). 
Trauma De Uretra 
Pode acometer tanto a uretra anterior (queda à cavaleiro) quanto a uretra posterior (fratura de pelve). Após a estabilização, o manejo deve 
ser feito com reconstrução precoce, de modo a evitar a formação de cordões fibrosos. 
Nesses casos, a sondagem vesical deve ser realizada delicadamente, convertendo o procedimento para uma cistostomia em caso de 
resistência. 
Fratura Peniana 
Representa o fenômeno de ruptura da túnica albugínea secundária a um trauma contuso sofrido durante a ereção (geralmente durante o 
sexo vaginal). 
O quadro clínico típico se inicia com um estalido audível, seguido por dor e edema intenso (pênis em berinjela), perda da ereção e 
surgimento de hematoma no local. Apesar de o diagnóstico ser clínico, a USG e a ressonância magnética podem ser usadas em caso de 
dúvidas. 
O tratamento deve ser realizado com reparo cirúrgico aberto, atentando-se a possíveis lesões na uretra. 
Escroto Agudo 
Quadro de dor e aumento do volume testicular, decorrente principalmente de torção testicular (mais grave) e infecções, como a 
orquiepididimite (inflamação dolorosa do testículo e epidídimo + sintomas sistêmicos). 
O diagnóstico é feito por meio de testes semiológicos, como o sinal de Prehn (melhora da dor ao erguer a bolsa afetada, observada em 
quadros infecciosos) e o reflexo cremastérico (ausência de elevação escrotal na torção). 
O manejo do escroto agudo traumático deve ser feito em ATÉ 6 HORAS, com o intuito de preservar a função do testículo afetado. A 
intervenção cirúrgica requer fixação de ambos os testículos à bolsa, para prevenir recidivas. 
No caso do tratamento da orquiepididimite, recomenda-se o uso de ceftriaxona ou quinolonas, garantindo cobertura para gonococos. 
Cólica Nefrética/Ureteral 
É uma manifestação característica de obstruções do trato urinário, marcada por dor lombar de altíssima intensidade, assim como disúria, 
hematúria, náuseas, vômitos e dor testicular. 
O diagnóstico tem a tomografia como padrão-ouro (substituída por ressonância magnética em gestantes), porém também pode se valer 
da ultrassonografia (apresenta sinais de hidronefrose), radiografia (pode não detectar os cálculos), exames laboratoriais e urografia 
excretora, ainda que pouco usada. 
Esse quadro pode ser manejado com terapiaexpulsiva se o cálculo for < 5mm (espera-se eliminação em até 72h), fazendo uso de analgésicos 
e alfa-bloqueadores (se necessário, para relaxar a musculatura lisa), e aumentando a hidratação. 
ATENÇÃO: o paciente deve ser reavaliado depois de 7 dias para verificar se houve a excreção completa dos cálculos. 
Trauma Renal 
Lesões da cápsula, córtex (mais afetado, com comprometimento geralmente leve), medula e/ou sistema coletor dos rins causadas por 
traumas penetrantes/contusos, de alta energia. 
O extravasamento de urina para a cavidade abdominopélvicas é uma complicação importante associada a lesões extensas de 
estruturas nobres renais. 
É importante suspeitar desse tipo de quadro na presença de hematúria franca e na fratura de costelas inferiores (risco de perfuração). O 
paciente pode também cursar com hematomas nos flancos e injúrias a outros órgãos, como fígado e baço. 
A tomografia confirma o diagnóstico em cientes estáveis, porém, na presença de instabilidade, recomenda-se abordagem cirúrgica direta, 
reservando a nefrectomia para casos de lesão extensa e de difícil reparo. 
 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Cirurgia Vascular 
Trauma Vascular 
As lesões vasculares podem ser classificadas, de acordo com o mecanismo do trauma, em contusas (presença de hematoma intramural 
capaz de formar um pseudoaneurisma – sangue extravasa, mas é contido pelos tecidos), por tração (há perda do contorno do lúmen, porém 
sem lesão externa), por punção (também associada a falsos aneurismas), por transecção (retração das bordas do vaso, gerando isquemia 
na extremidade do tecido), lesões tangenciais (destruição da parede lateral do vaso, com sangramento ativo, que pode criar 
pseudoaneurisma, e hematoma pulsátil), e fístulas arteriovenosas. 
A avaliação diagnóstica deve seguir o mnemônico ABCDE do trauma, seguido pela identificação de sinais que definem a conduta, a saber: 
Sinais maiores (1 já sugere EXPLORAÇÃO CIRÚRGICA): sangramento ativo, hematoma expansivo e pulsátil, sopro/frêmitos, ausência 
de pulso distal, sinais de isquemia e “6 Ps” (pain, pulseless, paralisia, palidez, parestesia e poiquilotermia) 
Sinais menores (a presença de 2 orienta realização de ANGIOTOMOGRAFIA, DUPLEX SCAN ou USG DOPPLER): hematoma pequeno 
e estável, lesões do trajeto vascular, histórico de hemorragia prévia, diminuição ou assimetria de pulso, hipotensão persistente 
O principal objetivo terapêutico é o controle do sangramento, que, quando visível, pode ser feito por compressão externa ou, se refratário, 
com um torniquete (mantido por NO MÁXIMO 1h), também indicado em quadros de amputação traumática. A reposição volêmica com 
cristaloides deve ser realizada até o controle da hemorragia. Pacientes instáveis devem ser submetidos a correção por cirurgia vascular. 
Lesões Vasculares 
Cervicais 
Têm como principal alvo a carótida, devendo ser avaliada com ANGIOTOMOGRAFIA em pacientes que apresentem hemorragia nasal, oral 
ou no pescoço, além de déficits neurológicos focais, e sopro cervical em pacientes < 50 anos. Deve ser suspeitada na presença de fratura de 
C1-C3, fratura facial grave, hiperflexão, extensão ou rotação da cervical e em sintomas com padrão de lesão axonal difusa. 
Perfurante: pode causar lesões associadas nos sistemas aerodigestivo, neurológico e endócrino, em função da anatomia complexa. A 
conduta primária é a compressão (digital ou por sonda de Foley) e a garantia de via aérea definitiva, sendo indicada a realização imediata 
de uma ANGIOTOMOGRAFIA. A abordagem dependerá da área acometida, dividindo a cervical em zona I (fúrcula esternal à cartilagem 
cricoide), zona II (cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula), que normalmente requer cirurgia imediata, e zona III (espaço entre o ângulo 
da mandíbula e a base do crânio). 
O manejo cirúrgico pode ser feito por ligadura (artéria carótida externa e veia jugular interna) ou reparo (carótidas comum e 
interna). Traumas extensos requerem a realização de um shunt de alívio em até 2h, devendo ser substituído, posteriormente, por 
um stent. 
 
 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Contuso: a abordagem por angiotomografia (ou ARTERIOGRAFIA, na presença de exame inconclusivo) determina a extensão do 
acometimento em grau I (irregularidade ou dissecção < 25% do lúmen), grau II (dissecção ou hematoma intramural > 25% ou alterações 
luminais), grau III (pseudoaneurisma), grau IV (oclusão) e grau V (transecção com extravasamento livre). 
A conduta conservadora (anticoagulação plena com HNF ou antiplaquetários associados a exames de imagem seriados em 24h, 7 dias e 1 
mês) é indicada para os graus I-IV. A embolização é direcionada ao grau V, enquanto o uso de stent é reservado para FALHA TERAPÊUTICA. 
 
Lesões Vasculares 
Torácicas 
São quadros de grande gravidade e mortalidade elevada motivados por desaceleração brusca vertical ou horizontal, tendo como principal 
alvo a aorta torácica, especificamente no ligamento arterial, ponto de maior ancoragem no arco aórtico (seguido pela veia inominada). 
A radiografia de tórax pode levantar suspeitas para esse tipo de lesão, sendo confirmadas, em pacientes estáveis, com a realização de uma 
arteriografia (padrão-ouro). 
O manejo cirúrgico do trauma consiste na realização de sutura primária ou ressecção com interposição de enxerto arterial (tem sido 
substituída por abordagens endovasculares menos invasivas, como os stents intra-aórticos). Podem ser administrados nitroprussiato de 
sódio ou betabloqueadores para o controle da pressão arterial, diminuindo o risco de ruptura do hematoma. 
Lesões Vasculares 
Abdominais 
As lesões são classificadas conforme sua localização, que pode implicar na difícil resolução cirúrgica do quadro, a saber: 
Zona 1: abrange estruturas pancreáticas e VASOS CENTRAIS, como a aorta abdominal e a veia cava inferior, explorados com a 
manobra de Kocher (rotação visceral medial direita), com acesso pelo ligamento gastroepiploico 
Zona 2: compreende os rins, baço e cólon retroperitoneal, onde podem haver hematomas pulsáteis, explorados pelas manobras de 
Mattox (rotação visceral medial esquerda, expondo toda a aorta) e Cattel-Brassach (extensão da manobra de Kocher para visualizar 
o retroperitôneo) 
Zona 3: compreender à pelve, onde podem se localizar lesões tamponadas que NÃO DEVM SER ABORDADAS CIRURGICAMENTE 
(risco de sangramento), mas sim com arteriografias seriadas 
O reparo cirúrgico do vaso deve ser feito por meio de rafia simples ou do uso de enxerto vascular, sendo indicada a sutura do retroperitônio 
sobre a área abordada, isolando-a do contato com vísceras. 
Lesões Vasculares em 
Extremidades 
Geralmente acometem vasos de menor calibre após traumas contusos ou penetrantes. A principal preocupação é a preservação do 
membro, que pode ser inviável na presença de fraturas e lesão extensa de partes moles (a AMPUTAÇÃO é indicada se houver > 6h do trauma, 
ausência de fluxo no Doppler, arreflexia e edema duro). 
A definição da conduta de revascularização é feita por meio da identificação de sinais de lesão vascular: 
Sinais maiores (presença de 1 sugere maior chance de lesão com indicação de CIRURGIA): ausência de pulsos distais, hemorragia 
ativa e pulsátil, hematoma de rápida expansão, 6 P’s de isquemia (pain, pulseless, paralisia, palidez, parestesia e poiquilotermia) ou 
sopro/frêmito no local afetado 
Sinais menores (a partir de 2 achados, realizam-se EXAMES COMPLEMENTARES (USG Doppler, angiotomografia ou angiografia), 
enquanto um sinal isolado indica < 3% de chance de lesão): histórico de hemorragia significativa, assimetria de pulsos, tempo de 
enchimento capilar reduzido, lesão de nervo adjacente, trauma no trajeto da artéria, hematoma não-pulsátil 
A conduta inicial deve ser imediata, com compressão digital direta (ou torniquete, em situações específicas), além de infusão controlada 
de cristaloides (manter PAS entre 80-90 mmHg até o controle da hemorragia) e transfusão de hemácias e plasma concentrado (2:1). Se o 
trauma ocorreua < 3 horas, administrar ácido tranexâmico. 
Com a estabilização do quadro, pode-se optar pelo reparo cirúrgico (anastomose boca-boca, interposição de safena) ou por procedimentos 
endovasculares, precedidos por antibioticoprofilaxia (cefalosporinas de 1ª geração ou 3ª geração + aminoglicosídeos se houver 
contaminação) e profilaxia para tétano. 
ATENÇÃO: Nem sempre uma artéria pode ser ligada, pois ela serve como base para ramificações que irrigam as extremidades, 
aumentando o risco de isquemias. 
A síndrome compartimental é uma complicação importante, ocorrendo entre 4 e 6 horas após a cirurgia, marcada principalmente pela 
presença de dor desproporcional e refratária, e edema. O tratamento é feito com fasciotomia, evitando o surgimento de isquemia e 
necrose. 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
 
Aneurismas Arteriais 
O aneurisma é definido como a dilatação focal e permanente de 50% ou mais do diâmetro proximal de uma artéria (geralmente Aorta), se 
desenvolvendo de modo insidioso, com enfraquecimento gradual das camadas arteriais. 
A presença de dilatações < 50% é denominada ectasia, ao passo que acometimentos difusos, comprometendo múltiplas estruturas, 
são denominados como arteriomegalia. 
As etiologias mais prevalentes são inflamações crônicas, infecções (aneurisma micótico), traumas, doenças do tecido conjuntivo (alteram a 
deposição de colágeno), processos degenerativos por aterosclerose (PRINCIPAL CAUSA, com perda de fibrina). 
Como fatores de risco, destacam-se a carga tabágica, histórico familiar, idade > 60 anos, sexo masculino e obesidade. Por outro lado, o 
diabetes melitus, o sexo feminino e a etnia negra são considerados FATORES PROTETORES para esses eventos 
ATENÇÃO: os aspectos mais associados ao ROMPIMENTO desses aneurismas são o grande tamanho, o TABAGISMO, sexo FEMININO, 
quadros sintomáticos, morfologia SACULAR, HAS, e ocrescimento acelerado do aneurisma 
O quadro clínico normalmente é assintomático, porém também pode haver compressão de estruturas vizinhas, causando disfagia e/ou 
dispneia. A presença de dor abdominal súbita é um indício de ruptura do aneurisma. 
A classificação dos aneurismas pode ser feita com base em critérios anatômicos (fusiforme, mais comum, ou sacular) ou em função da 
topografia relativa às artérias renais, dividindo-se em justarenal, pararenal, transrenal e infrarenal (mais frequente). 
ATENÇÃO: a dissecção é uma doença própria, marcada por criação de falsa luz no vaso + ISQUEMIA 
O diagnóstico desse quadro se dá por meio da associação entre exame físico (aneurisma palpável) e a detecção de dilatação > 3 cm (homens) 
ou > 2,5 cm (mulheres) na USG com Doppler, angiotomografia (padrão-ouro, revelando trajeto tortuoso) ou ressonância magnética (se 
contraindicada TC, porém pode superestimar o tamanho do lúmen). 
ATENÇÃO: é indicado rastreamento para aneurismas em homens de 65 a 75 anos que sejam tabagistas ou apresentem histórico 
familiar. Mesmo com esses comemorativos, NÃO HÁ INDICAÇÃO PARA MULHERES 
A determinação do segmento clínico se baseia no risco de ruptura por ano daquele aneurisma (determinado por seu diâmetro), variando 
de retorno a cada 5 anos (se diâmetro < 2,9 mm) para acompanhamento em 6 meses (lesões de 4,5 a 5,4 mm). Ressalta-se a indicação 
IMEDIATA de cirurgia para aneurismas > 5,5mm (5 mm no sexo feminino) ou que apresentem velocidade de crescimento > 1cm em 1 ano. 
O tratamento pode ser clínico (cessação do tabagismo, controle da pressão arterial, USG abdominal seriada), ou cirúrgico (colocação de 
uma prótese para retornar o fluxo de sangue pelo lúmen). 
ATENÇÃO: as principais complicações da intervenção cirúrgica são infecções na prótese, isquemias (pode causar paralisia se afetar 
a medula), impotência sexual, migração ou vazamento da prótese (na abordagem endovascular) insuficiência renal 
(especialmente se o manejo for aberto), IAM e AVE 
Aneurisma de poplítea (lentificação do fluxo sanguíneo, favorecendo trombose): geralmente é bilateral, devendo ser tratado com cirurgia 
se > 2 cm ou > 1,5 cm + trombos. 
Aneurisma de artéria esplênica: é o único tipo de aneurisma MAIS COMUM EM MULHERES (ainda assim tem baixa incidência, no geral), 
cujo tratamento deve preceder a gestação, devido ao aumento do risco de rotura. 
Trombose Venosa 
Profunda 
Condição marcada pela deposição de trombos no leito vascular periférico, tendo como principais fatores de risco a idade avançada, 
imobilização (pós-operatório, fraturas, pacientes acamados), histórico prévio de tromboembolismo venoso, câncer, varizes, obesidade, 
gravidez/puerpério e uso de estrogênios. 
ATENÇÃO: a formação de um trombo é decorrente da tríade de Virchow (lesão endotelial, estase venosa e hipercoagulabilidade) 
A TVP pode ser distal (trombos restritos às veias profundas da panturrilha, menos prováveis de causar lesão central) ou proximal 
(acometimento das veias poplítea, femoral ou ilíaca, podendo causar TEP). 
O quadro clínico é tipicamente marcado por dor, calor, eritema e edema nos MMII, porém depende do grau de oclusão e da presença de 
circulação colateral no segmento afetado. Ao exame físico, alguns achados comuns são o sinal de Homans (dor na panturrilha com a flexão 
do pé), alterações na coloração da perna e empastamento das panturrilhas. 
O diagnóstico é feito com base nos critérios de Wells (probabilidade pré-teste) e no D-dímero (solicitado na triagem devido ao elevado valor 
preditivo negativo (se < 500 µg/l DESCARTA TVP). A USG Doppler é útil em pacientes debilitados e na avaliação no setor de emergência, 
sendo possível solicitar angiotomografia para verificar acometimento proximal. 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
 
O tratamento deve ser iniciado ao suspeitar de TVP, não sendo necessário aguardar o resultado (ajusta posteriormente) por meio do uso de 
anticoagulantes parenterais, preferencialmente HBPM, como a enoxaparina 1 mg/kg por via subcutânea, 2x/dia (máximo de 200 mg/dia) 
até atingir RNI ENTRE 2 E 3. A rivaroxabana (inibidor do fator X) também é uma boa alternativa, visto que não é necessário dosar o RNI. O 
uso de heparina não-fracionada IV requer controle pela dosagem do TTPa. 
ATENÇÃO: em caso de contraindicações absolutas (AVCi ou TCE nos últimos 3 meses, lesões vasculares cerebrais conhecidas, 
suspeita de disseção de aorta, hipotensão refratária, neoplasia intracraniana primária) ou relativas (AVCi nos últimos 6 meses, 
gravidez, idade > 75 anos, úlcera péptica ativa, cirurgias grandes nos últimos 3 meses, RNI < 1,7em uso de anticoagulantes, doença 
hepática avançada, pericardite) à anticoagulação, recomenda-se a utilização de filtro de veia cava, uma “peneira” que impede a 
ascensão de trombos. 
Tromboembolismo 
Pulmonar 
Descreve a migração de um êmbolo (trombo, gordura ou bolhas de ar) para as artérias pulmonares, geralmente associado a uma 
complicação da TVP. As manifestações clínicas são dispneia, dor torácica, taquicardia e taquipneia. 
O diagnóstico da TEP é mediado por meio de critérios de Wells + D-dímero (mesma finalidade descrita na TVP), radiografia de tórax, 
gasometria arterial, ECG e ecocardiograma, podendo ser confirmado com a angiotomografia (mais usada em pacientes estáveis), 
arteriografia (PADRÃO-OURO), cintilografia pulmonar (avalia relação ventilação-perfusão) ou ela visualização de TV em USG com Doppler 
de MMII. 
 
O tratamento é feito com trombólise (rTpa ou tenecteplase para ALTO RISCO ou instabilidade) ou anticoagulação com enoxaparina 
(quadros menos graves) e, na presença de contraindicações (já descritas para TVP), seguir com inserção de filtro de veia cava. 
A prevenção de TEP em pacientes com TVP ou risco de trombose é feita com HBPM 40 mg/dia, por 7 dias, dando alta ao paciente quando 
houver duas medições de RNI na faixa terapêutica (manter dosagens seriadas), seguindo com anticoagulantes orais por 3 a 6 meses. 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
 
Pâncreas Anular 
É uma malformação congênita rara marcada pelo surgimento de uma faixade tecido pancreático que envolve (total ou parcialmente) a 
segunda porção duodenal, implicando em diferentes níveis de obstrução. 
A sintomatologia, no período antenatal conta com sinal da dupla bolha e polidrâmnio, ao passo que, após o parto, a intensidade doo quadro 
clínico depende do grau de estenose provocado pelo anel, geralmente cursando com distensão epigástrica (com escavação do restante do 
abdome), vômitos biliosos e grande volume de líquido gástrico (> 20 ml) durante o teste de patência com a sonda nasogástrica. 
O diagnóstico pode ser feito por meio da radiografia (capaz de identificar o sinal da dupla bolha e gás em andar inferior nos quadros de 
semioclusão) e de estudos contrastados, que revelam opacificação apenas de estômago e duodeno, com peristalse reversa e falhas no 
enchimento dessa região. 
ATENÇÃO: as atresias jejuno-ileais podem ser descartadas pois causasm múltiplas bolhas na radiografia, sugerindo dilatação de 
toda a porção superior do abdome 
O tratamento é feito por meio de um “bypass" em diamond ring, sendo que o RN deve deixar o centro cirúrgico com sondas nasogástrica 
(aspiração e descompressão do estômago) e nasoenteral (suporte nutricional) 
ATENÇÃO: na maioria dos casos a diferenciação entre pâncreas anular e atresia duodenal só é realizada durante o procedimento 
cirúrgico 
Apendicite Retrocecal 
Descreve uma apresentação atípica da apendicite na qual o apêndice se situa atrás do ceco, o que faz com que não ocorra rigidez da parede 
abdominal, mas sim dor à flexão da coxa sobre a pelve (sinal do Psoas positivo). Outra peculiaridade desse quadro é que ele pode não 
apresentar repercussão sistêmica (leucocitose surge sem desvio à esquerda). 
O quadro clínico, no entanto, tende a seguir o padrão usual, com dor abdominal migratória (periumbilical para FID), febre, vômitos e queda 
do apetite, podendo também ocorrer diarreia. 
ATENÇÃO: o risco de complicações pela apendicite é maior em crianças < 7 anos, devido à ausência do omento, que seria responsável 
por conter a inflamação 
O diagnóstico é eminentemente clínico, porém pode ser amparado por exames laboratoriais (possíveis alterações no sumário de urina e 
leucograma), radiografia (alça sentinela, níveis hidroaéreos ou massa em FID), ultrassonografia ou tomografia. 
O tratamento cirúrgico deve ser precedido por antibioticoprofilaxia para Gram-negativos anaeróbios (cefazolina, inicialmente, depois 
substituído por cefalosporina de 3ª geração + metronidazol) e esvaziamento da bexiga + urocultura (pode usar a manobra de Credê). 
Como há ampla movimentação retrovesical, a passagem de uma sonda de demora é bem indicada para o pós-operatório imediato 
Obstrução por Corpo 
Estranho 
São eventos muito frequentes entre os 6 meses e 6 anos de vida, geralmente por ingestão acidental (ainda que possa ser intencional em 
crianças com transtornos psiquiátricos). Os principais focos de impactação são o esôfago (área de estreitamento natural) e o ramo 
brônquico direito (risco de aspiração). 
Os sintomas geralmente são odinofagia, disfagia, sensação de corpo estranho, sialorreia, vômitos e compressão de vias aéreas, porém as 
COMPLICAÇÕES possíveis envolvem perfuração tecidual, obstrução intestinal, hemorragias e a formação de abcessos. 
O primeiro exame de imagem a ser solicitado é a radiografia (cervical a abdome em PA e perfil), permitindo a identificação do objeto e a 
localização dele, além de avaliar a presença de pneumoperitônio/pneumomediastino. 
ATENÇÃO: a diferenciação entre pilha (duplo contorno) e moeda é de grande importância, pois a primeira deve ser removida por 
via endoscópica imediatamente (em unidade avançada), devido ao risco de corrosão 
Na maioria dos pacientes, se o objeto ultrapassou os pontos de estreitamento naturais (esôfago e piloro) e não há sinais de perfuração, a 
conduta é expectante, aguardando a eliminação pelas fezes (pode seriar radiografia em 3-5 dias). 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Trauma de Bexiga 
É um achado comum em traumas fechados (ex.: acidentes automobilísticos), geralmente associada a quadros de fratura da bacia, visto 
que essa região ainda é pouco desenvolvida, fornecendo menor proteção aos órgãos abdominopélvicos (lesões intraperitoneais). 
É importante suspeitar desse quadro em crianças com abdome tenso e doloroso, dor lombar, hematúria ou ausência de diurese após o 
evento (refluxo para a cavidade abdominal). 
O diagnóstico é confirmado por meio da cistografia (estudo contrastado via sonda)., ainda que possa ser identificado precocemente pela 
USG fast, radiografia ou tomografia. 
O tratamento, por sua vez, se dá com a sutura por planos e cistostomia, mas na presença de lesões extraperitoneais (perfuração por 
fragmentos ósseos), o cateterismo vesical pode ser realizado, uma vez que não há acometimento do tecido interno da bexiga. 
Teratoma Ovariano 
Tipo raro de tumor que apresenta características dos 3 folhetos embrionários, podendo apresentar múltiplos tipos de tecido. Dividem-se 
em imaturos, formações malignas, sólidas e unilaterais, ou maduros, que se apresentam com aspecto benigno. 
ATENÇÃO: o tratamento de teratomas imaturos se dá com quimioterapia, enquanto os maduros podem ser retirados por 
abordagem cirúrgica. 
A tumoração resulta da calcificação ovariana, o que pode causar distensão abdominal, simulando quadro de gravidez (hipótese corroborada 
pela possibilidade de secreção de β-HCG). O principal marcador tumoral encontrado nessas pacientes é a alfafetoproteína. 
 
 
 
 
 
 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
 
Sondagem Nasogástrica 
Consiste na passagem de uma sonda de Levine (4 orifícios) do nariz ao estômago, sendo indicada para lavagem ou descompressão 
gástrica, administração de medicações, coleta de material para exames, e em RN < 34 semanas com dificuldade de alimentação oral. 
As contraindicações de maior destaque são fratura de base de crânio, aneurisma de arco aórtico, neoplasias infiltrativas do 
esôfago e esofagite por ingesta de soda cáustica. 
Os materiais necessários são a sonda nasogástrica (10-20F, sendo nº 16 para adultos e nº 6 a 8 para crianças), gaze/compressa, bolsa coletora, 
luvas de procedimento, xilocaína gel a 2%, seringas de 20 ml, esparadrapo, estetoscópio. 
O procedimento é precedido pela coleta do termo de consentimento, seguida pelas seguintes etapas: 
1. Higiene das mãos (antes do contato com o paciente); 
2. Comunicação com o paciente, apresentando o procedimento; 
3. Higiene das mãos (agora para iniciar a preparação); 
4. Conferir os materiais da bandeja e preparar o esparadrapo para fixação (H); 
5. Medir a sonda (lóbulo da orelha à ponta do nariz, depois até o apêndice xifoide), marcando-a com esparadrapo; 
6. Escolher e higienizar a narina (perguntar sobre desvio de septo ou outras alterações); 
7. Lubrificar a sonda com xilocaína; 
8. Colocar o paciente na posição de Fowler (cabeceira a 45-90°); 
9. Passar a sonda, solicitando que o paciente faça movimentos de deglutição ou aproxime o queixo do tronco; 
10. Confirmar o posicionamento com aspiração de 20 ml de conteúdo gástrico, injetando o mesmo volume de ar e auscultar a região 
(presença de borborigmos); 
11. Fixar a sonda em região nasal; 
12. Finalizar o procedimento (tirar EPIs, higienizar as mãos e registrar em prontuário). 
Sondagem Nasoenteral 
É o procedimento de passagem de uma sonda de borracha com ponta de tungstênio do nariz ao duodeno/jejuno, utilizada para assegurar 
nutrição e hidratação na impossibilidade de alimentação por via oral. As contraindicações são as mesmas observadas na sondagem 
nasogástrica, associada à presença de obstrução intestinal. 
Os materiais necessários são a sonda nasoenteral (10-20F, sendo nº 16 para adultos e nº 6-8 para crianças, sendo que o primeiro NÃO TEM 
FIO GUIA), gaze/compressa, luvas de procedimento, xilocaína gel a 2%, seringas de 20 ml, água destilada, esparadrapo, estetoscópio. 
Assim como no tópico anterior, é necessário obter consentimento antesdo início da sondagem, que apresenta como etapas: 
1. Higiene das mãos (antes do contato com o paciente); 
2. Comunicação com o paciente, apresentando o procedimento; 
3. Higiene das mãos (agora para iniciar a preparação); 
4. Conferir os materiais da bandeja e preparar o esparadrapo para fixação (H); 
5. Medir a sonda (lóbulo da orelha à ponta do nariz, depois até 4 CM APÓS O APÊNDICE XIFOIDE), marcando-a com esparadrapo; 
6. Escolher e higienizar a narina (perguntar sobre desvio de septo ou outras alterações); 
7. Lubrificar a sonda com ÁGUA DESTILADA (também passa xilocaína por fora); 
8. Colocar o paciente na posição de Fowler (cabeceira a 45-90°); 
9. Passar a sonda, solicitando que o paciente faça movimentos de deglutição ou aproxime o queixo do tronco; 
10. Confirmar o posicionamento com ausculta e radiografia imediata (NÃO INICIA ALIMENTAÇÃO ATÉ CONFIRMAR O LOCAL); 
11. Fixar a sonda em região nasal; 
12. Finalizar o procedimento (tirar EPIs, higienizar as mãos e registrar em prontuário). 
As principais complicações desse tipo de sondagem são a necrose da asa do nariz, formação de nó no catéter e dificuldades durante a 
remoção (tentar pela cavidade oral). 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Sondagem Vesical de 
Alívio 
Consiste na passagem de uma sonda de Nelaton (2 orifícios) para o esvaziamento imediato e completo da bexiga, indicada em quadros de 
retenção urinária aguda, ou para a obtenção de amostra de urina estéril para exames laboratoriais. 
Os materiais necessários são a sonda de alívio (nº 14-16), kit de sondagem, luvas estéreis, campo fenestrado, lidocaína gel 2%, seringa de 10 
ml, solução degermante e cuba para coleta. 
Com a obtenção do consentimento, inicia-se o passo-a-passo: 
1. Higiene das mãos (antes do contato com o paciente); 
2. Comunicação com o paciente e apresentação do procedimento; 
3. Higiene das mãos (para iniciar a preparação); 
4. Organização dos materiais na bandeja; 
5. Calçar luvas estéreis; 
6. Lubrificar a sonda com lidocaína; 
7. Realizar a antissepsia da região genital e infundir anestésico na uretra masculina; 
8. Inserir a sonda, verificando a posição pelo retorno de urina; 
9. Com a interrupção do fluxo, remover a sonda; 
10. Retirar os EPIs, higienizar as mãos e registrar o procedimento no prontuário. 
Sondagem Vesical de 
Demora 
Faz uso da sonda de Foley (catéter de silicone com balão) em quadros nos quais é necessário garantir drenagem contínua de urina, com 
descompressão gradual da bexiga (ex.: disfunções vesicais, período pós-operatório), além de permitir o monitoramento do débito urinário. 
Sua principal particularidade é a presença de um balonete que deve ser insuflado com água destilada (NÃO USAR SF 0,9%, POIS 
PODE CRISTALIZAR) para posicionar adequadamente o catéter. 
Os materiais necessários são a sonda de demora (nº 14-20 para adultos e nº 8-12 em crianças), kit de sondagem, seringas de 10 ml, agulha de 
aspiração, água destilada, luvas estéreis, campo fenestrado, lidocaína gel 2%, solução degermante e bolsa coletora. 
O procedimento é bem semelhante à sondagem de alívio, também requerendo consentimento do paciente. As etapas seguintes são: 
1. Higiene das mãos (antes do contato com o paciente); 
2. Comunicação com o paciente e apresentação do procedimento; 
3. Higiene das mãos (para iniciar a preparação); 
4. Organização dos materiais na bandeja; 
5. Calçar luvas estéreis; 
6. Testar o balonete com infusão de água destilada (desinsuflar em seguida) e acoplar a sonda a bolsa coletora; 
7. Lubrificar a sonda com lidocaína; 
8. Realizar a antissepsia da região genital e infundir anestésico na uretra masculina; 
9. Inserir a sonda e insuflar o balonete (pode tracionar até obter resistência), verificando a posição pelo retorno de urina; 
10. Fixar a bolsa coletora na face interna da coxa (ou deixar pendurada abaixo do nível do paciente, para estimular o fluxo); 
11. Retirar os EPIs, higienizar as mãos e registrar o procedimento no prontuário. 
Gastrostomia 
Promove a criação de um acesso à luz do estômago por meio da parede abdominal em quadros nos quais é necessário manter a via 
alternativa de alimentação por mais de um mês (alto risco de complicações com a permanência da sonda enteral) em decorrência de disfagia 
persistente. 
Caso haja mudança no comprimento externo da sonda, é necessário desinsuflar o balão e remover o catéter (pode ter ido para o duodeno), 
verificando sua integridade para inseri-lo novamente. 
As principais COMPLICAÇÕES associadas à gastrostomia são o falso trajeto, obstrução intestinal, infecções e peritonite. 
Remoção de Lipomas 
(pequenas cirurgias) 
Assim como qualquer outro ato cirúrgico, é necessário colher o termo de consentimento e informar o paciente sobre os possíveis riscos 
associados, como hematomas, infecções, abcessos, recorrência (lipoma), e formação de cicatrizes hipertróficas ou queloides. 
Os materiais necessários são a lidocaína, gaze, esparadrapo, seringa, agulhas de aspiração e injeção, fio de nylon inabsorvível (normalmente 
são feitos pontos simples), e caixa cirúrgica pequena (1 pinça anatômica, 1 porta-agulha, 1 tesoura reta, 1 estojo de inox). 
Após o término do procedimento, o paciente deve ser orientado a não molhar o curativo por 2 dias e a retornar para retirada dos pontos 
em 7-15 dias (depende do local suturado). 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Cirurgia Geral 
Doença do Refluxo 
Gastroesofágico 
Descreve o retorno do conteúdo gástrico pelo esfíncter esofágico inferior, considerado patológico quando é recorrente e persistente. Pode 
ser causada por relaxamento do EEI, gastroparesia (hipotonia da musculatura lisa) ou hérnia de hiato (pouco reforço por parte da 
musculatura diafragmática). Os principais fatores de risco para o desenvolvimento dessa condição são a obesidade, gestação, tabagismo e 
o uso de medicamentos. 
Os sintomas dividem-se em típicos (prose, regurgitação), devendo estar presentes ao menos 2x/semana após as refeições, e atípicos 
(irritação da garganta, rouquidão, tosse crônica, broncoespasmo). 
Para o diagnóstico, é possível realizar apenas prova terapêutica (redução dos sintomas após 4 semanas de IBP em dose plena e medidas 
comportamentais anti-refluxo) para confirmação em pacientes < 40 anos, ou se valer de exames como a endoscopia digestiva alta 
(identifica lesões secundárias à DRGE, estratificadas pela classificação de Los Angeles), pHmetria de 24h (identifica as características do 
refluxo conforme o índice de De Meester) ou a esofagografia baritada (identifica hérnias de hiato). 
ATENÇÃO: as hérnias de hiato são classificadas em hérnias por deslizamento, por rolamento, mistas ou gigantes (catástrofe) 
O tratamento pode ser feito por abordagem farmacológica (quadros não complicados, com boa adesão) ou cirúrgica (PRECEDIDA POR 
MANOMETRIA), indicada na presença de hérnia hiatal > 5cm, mulheres pós-menopausa (IBP afeta absorção de cálcio), pHmetria alterada 
mesmo com manejo otimizado ou intolerância aos medicamentos. 
Os objetivos da cirurgia são a correção das hérnias e a criação de válvulas esofagogástricas, o que pode ser alcançado pela 
Fundoplicatura de Nissen (360°), na qual o fundo gástrico abraça todo o esôfago, ou a Fundoplicatura posterior de Lind (parcial, 
180-270º), escolhida em situações de motilidade esofágica alterada, de modo a reduzir o risco de acalasia. O envolvimento do fundo 
gástrico pode ser anterior (técnica de Dor) ou posterior (técnica de Toupet) 
Acalásia 
(megaesôfago) 
É um distúrbio motor do esôfago associado ao comprometimento do plexo de Auerbach (mioentérico submucoso), observado 
predominantemente antes dos 40 anos, seja por causas idiopáticas ou como complicação da Doença de Chagas (necessário realizar ELISA 
ou reação de Machado-Guerreiro). 
O quadro clínico consiste em disfagia de condução (para sólidos e líquidos), regurgitação, tosse crônica, perda de peso, halitose, 
hipertrofia de parótida (saliva mais para “empurrar” o alimento) e dor retroesternal. 
Para o diagnóstico,além das sorologias, recomenda-se a realização de EREED, classificando a extensão do megaesôfago conforme os 
critérios de Mascarenhas (graus I a IV). A manometria é considerada o padrão-ouro, visto que determina a pressão esofágica. 
O tratamento pode ser medicamentoso (nitritos, bloqueadores de canal de cálcio ou toxina botulínica), indicado para quadros 
oligossintomáticos e sem complicações, ou cirúrgico, cuja abordagem depende da classificação do acometimento: 
Grau I: dilatação ou cardiomiotomia de Heller, que deve ser seguida por Fundoplicatura de Lind (parcial) para prevenir DRGE; 
Graus II e III: contam com a cardiomiotomia como primeira escolha, seguida por dilatação; 
Grau IV: esofagectomia. 
Hemorragia Digestiva 
Alta 
Definida como sangramento intraluminal no TGI que ocorre ACIMA do ângulo de Treitz, manifesto sob a forma de hematêmese ou melena, 
e acompanhados por descoramento de mucosas e palidez. Sua causa pode ser varicosa (derivada de hepatopatias) ou não varicosa 
(resultante de doença ulcerosa péptica ou infecção por H. pylori). 
ATENÇÃO: a identificação do local do sangramento é feita por meio de endoscopia digestiva alta, porém o paciente só deve ser 
encaminhado após estabilização clínica (esse procedimento também pode ser TERAPÊUTICO, realizando a ligadura ou esclerose de 
varizes) 
O manejo inicial deve ser feito por meio da passagem de uma sonda de Sengstaken-Blakemore, dispositivo balonado que deve ser utilizado 
por NO MÁXIMO 24 HORAS, devido ao risco de ruptura esofágica. 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Hemorragia Digestiva 
Baixa 
Caracterizada por sangramento intraluminal no TGI ABAIXO do ângulo de Treitz (transição entre duodeno e jejuno), exteriorizada sob a 
forma de enterorragia (sangue vivo em grande volume, associado a dor abdominal) ou hematoquezia (sangramento vivo misturado às 
fezes). 
A abordagem inicial ao paciente com HDB deve se basear na estabilização clínica do quadro (MOV + reposição volêmica), seguida 
pela realização de endoscopia digestiva alta (importante para descartar HDA maciça) e colonoscopia. 
As hemorroidas são causas frequentes de hematoquezia ou sangramento oculto, de forma que o exame proctológico é obrigatório para 
todo paciente com HDB. Essas lesões são classificadas em graus, podendo ser internas (grau 1, visualizada somente na anuscopia), 
prolapsadas com retorno espontâneo (grau II), prolapsadas com retorno dependente de redução manual (grau III, exteriorizada pela 
evacuação/esforço), ou prolapsadas irredutíveis (grau IV), sendo essas últimas mais graves, devido ao risco de estrangulamento. 
Além de sangramentos hemorroidários, a HDB pode ser causada por fissuras ou fístulas anais. 
O tratamento das hemorroidas pode ser feito com o uso de pomadas (pouco efetivas) ou pesa resolução cirúrgica, com retirada, ligadura 
ou escleroterapia dos vasos afetados. 
Doença Diverticular dos 
Cólons 
A doença diverticular compreende a presença de divertículos (diverticulose) associada a dor abdominal. Esse quadro pode evoluir para a 
diverticulite, condição aguda na qual há inflamação de uma ou mais dessas formações. 
Os principais grupos afetados são idosos, indivíduos com histórico de constipação abdominal, e pessoas com dieta pobre em fibras 
e rica em gordura/proteína animal. 
Os pacientes normalmente são assintomáticos, porém pode haver desconforto em baixo ventre e mudanças do hábito intestinal, além 
de sangramento digestivo baixo. 
Com a diverticulite, os sintomas tornam-se sistêmicos, com febre, defesa abdominal à descompressão, dor em quadrande inferior 
esquerdo e leucocitose ao hemograma. 
O diagnóstico se dá por meio de tomografia contrastada de abdome e pelve, exame no qual é possível detectar espessamento das paredes 
do sigmoide, além de abcessos ou coleções intra-abdominais em caso de perfuração diverticular. 
O tratamento da DIVERTICULITE é definido conforme a estratificação do quadro pela classificação de HInchey, podendo ser mediado por 
antibioticoterapia (Ciprofloxacino + metronidazol ou outros esquemas com espectro para bastonetes Gram-negativos anaeróbios) por 7 a 
10 dias, ou retossigmoidectomia a Hartmann (ressecção com colostomia terminal mantida por 2 a 3 meses e sepultamento do coto retal). 
No caso da DOENÇA DIVERTICULAR, são suficientes modificações na dieta, incorporando fibras, e o aumento na ingesta hídrica 
 
 
 
 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Anestesiologia 
Anestesia Local 
Agem por meio do bloqueio de canais de sódio, afetando a despolarização de neurônios e, consequentemente, impedindo a condução de 
impulsos. São representados por duas classes principais: 
Aminoésteres (pastilhas de benzocaína, procaína ou tetracaína): mais associados a reações alérgicas, são metabolizados pelo 
pâncreas 
Aminoammidas: são compostos metabolizados pelo fígado, com menor tendência a causar alergia. A lidocaína (4 mg/kg) é um 
anestésico de rápido início de ação (“bateu, pegou”) e efeito breve, ao passo que a bupivacaína (2 mg/kg) apresenta efeito mais 
duradouro, porém com início lento. 
As aminoamidas podem ser combinadas a VASODILATADORES para PROLONGAR o efeito anestésico, porém é necessário aumentar a 
dose administrada (7 mg/kg para lidocaína e 3 mg/kg para a bupivacaína). 
ATENÇÃO: são contraindicações para o uso dessa associação AHS descompensada, AVC, pré-eclâmpsia, hipertireoidismo (mesmo 
que compensado) e coronariopatias. Também não é recomendado utilizar vasodilatadores em extremidades ou áreas de 
circulação terminal (dedos, ponta do nariz, pênis) 
Há risco de complicações com o uso de anestésicos locais, como a contração uterina (mediada por altas doses de lidocaína), 
sedação/sonolência, arritmias e depressão respiratória (potencial evolução para PCR). 
ATENÇÃO: os sinais de toxicidade são dificuldade visual, gosto metálico, confusão mental, alterações na fala, convulsões e alterações 
respiratórias 
NÃO HÁ MEDICAÇÃO DE RESGATE em caso de superdosagem ou complicações, logo a conduta é interromper a droga, pedir ajuda e 
monitorizar o paciente, intervindo como necessário (ex.: anticonvulsivantes, medidas de SBV). 
Bloqueio 
Impede, por meio dos mesmos medicamentos anestésicos usados na anestesia local, a transmissão da dor, podendo ser divididos em 
bloqueios regionais (infiltração em troncos nervosos) ou bloqueios neuroaxiais (ou espinhais, que têm como alvo a medula espinhal). Nesse 
último grupo, ainda é possível identificar duas possibilidades de acesso: 
Epidural (também chamada de extradural ou peridural): a punção é interrompida ANTES DA DURA-MÁTER (na prática, quando há 
perda de resistência), implicando em efeito de início lento e duração prolongada (em faixa), com MANUTENÇÃO DA SENSIBILIDADE 
AO TOQUE. Pode provocar hipotensão, retenção urinária, hematomas e infecções. 
Raquianestesia (ou anestesia raquidiana): a agulha ULTRAPASSA A DÚRA-MÁTER (na prática, evidenciada pelo refluxo de líquor). 
Apresenta início rápido e efeito breve (tende a se depositar caudalmente), o que pode ser remediado pela inserção de um CATÉTER 
PARA INFUSÃO PROLONGADA. Além disso, ao contrário da epidural, implica em PERDA DA SENSIBILIDADE AO TOQUE. Essa 
modalidade também permite associação com opioides para aumentar a analgesia pós-operatória. A principal complicação é a 
cefaleia pós-punção (gotejamento do líquor), podendo também causar retenção urinária. 
As contraindicações à realização desse tipo de anestesia são infecções no sítio de unção, uso de anticoagulantes, coagulopatias e 
hemorragia. 
Anestesia Geral 
Tem como finalidade inibir a percepção de dor, tendo como objetivos garantir ansiólise (“tranquilizar”), sedação (deprimir funções 
neurovegetativas), analgesia, relaxamento muscular e, ao final do procedimento cirúrgico, a reversão de todas essas alterações. 
Pode se apresentar sob forma inalatória (óxido nitroso, sevoflurano), intravenosa, balanceada (IV + inalatória, diminuindo a dose de 
medicação parenteral) ou geral combinada (associaçãoda técnica balanceada com bloqueios regionais, de modo a diminuir a dor no pós-
operatório de cirurgias extensas). 
O processo de administração da anestesia geral se divide em fases: 
Pré-indução: uso de benzodiazepínicos para ansiólise; 
Indução: administração de propofol (ou outros sedativos NÃO OPIOIDES em infusão contínua), morfina/fentanil para analgesia, e 
pancurônio/succinilcolina para o bloqueio neuromuscular; 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Manutenção: garantir a continuidade de efeito dos medicamentos da fase de indução durante todo o procedimento cirúrgico, além 
de manter a homeostase com administração de outras medicações conforme necessário; 
Despertar: período de recuperação da consciência, com interrupção do efeito anestésico, que PRECEDE A EXTUBAÇÃO. 
A reversão anestésica é feita com a suspensão das drogas sedativas, podendo optar por aguardar o término da ação dos bloqueadores 
neuromusculares ou pela administração de antagonistas (NEOSTIGMINA + ATROPINA). A extubação só pode ocorrer após esse processo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
Q 
10 Passos da Cirurgia 
Segura 
1. Certificar-se de que é o paciente certo e o sítio cirúrgico certo (atentar para LATERALIDADE); 
2. Proteger o paciente da dor, minimizando riscos da anestesia; 
3. Reconhecer e se preparar para perda da via aérea ou piora da função respiratória; 
4. Reconhecer e se preparar para grandes perdas sanguíneas (reservar se a expectativa é de SANGRAMENTO > 500 ml); 
5. Evitar reações alérgicas sabidamente conhecidas e não induzir reações adversas; 
6. Minimizar o risco de infecções do sítio cirúrgico; 
7. Impedir a retenção de compressas ou equipamentos na ferida cirúrgica; 
8. Garantir armazenamento e identificação adequada de espécimes cirúrgicos (descrever o MOTIVO DA BIÓPSIA); 
9. Comunicação efetiva por parte da equipe; 
10. Estabelecer vigilância constante sobre os resultados cirúrgicos. 
Conceitos Importantes 
em Cirurgia Segura 
EFEITO adverso: impacto prejudicial ao paciente que pode ou não se relacionar com a doença de base (ex.: constipação intestinal com o uso 
de morfina) 
EVENTO adverso: desfecho negativo que se dá durante ou após uma intervenção, não sendo decorrente da doença de base (ex.: dissociação 
após indução anestésica com cetamina) 
REAÇÃO adversa: situação na qual doses terapêuticas de um medicamento pioram o quadro do paciente (ex.: desenvolvimento de 
tolerância com uso frequente de ATB) 
Efeito COLATERAL: fenômeno secundário a uma medicação que pode ser positivo ou negativo, dependendo as circunstâncias do paciente 
(ex.: anti-histamínico dar sono) 
Dano: comprometimento estrutural, funcional, psicológico ou social infligido ao paciente 
Incidente: fenômeno que causou (ou poderia causar) dano desnecessário ao paciente 
Risco: probabilidade de um incidente acontecer 
Near miss: incidente que não atingiu o paciente 
Lista de Verificação de 
Segurança Cirúrgica 
Consiste numa série de itens verificados antes da indução anestésica (paciente, anestesista e cirurgião), antes de iniciar a cirurgia 
(anestesista, cirurgião e equipe de enfermagem) e antes do paciente deixar a sala de cirurgia (anestesista, cirurgião e enfermagem). 
Os principais pontos de atenção são: 
 Funcionamento do equipamento anestésico e do oxímetro de pulso; 
 Risco de via aérea difícil (conforme classificação de Mallampati); 
 Risco de perda sanguínea > 500 ml (ou 7 ml/kg em crianças); 
 Necessidade de exames de imagem; 
 Contagem de compressas e agulhas (comparar número de equipamentos na mesa do instrumentador com o que havia antes); 
 Discussão de cuidados pós-operatórios. 
Classificação de Feridas 
As feridas podem ser classificadas conforme seu grau de contaminação, em limpa (cicatrização por 1ª intenção, sem inflamação, não envolve 
vísceras ocas, há baixo risco de infecção), limpa-contaminada (abertura controlada de vísceras, com fechamento de 1ª intenção, mas houve 
quebra de técnica asséptica), contaminada (inflamação aparente com saída não controlada de secreção, feridas traumáticas) e infectada 
(saída de secreção purulenta, mau odor, piora dos sinais flogísticos, mudança no aspecto da lesão e manchas avermelhadas perilesionais). 
Antibioticoprofilaxia 
A antibioticoPROFILAXIA é indicada para procedimentos cirúrgicos contaminados ou potencialmente contaminados (vísceras, próteses) e 
para indivíduos de alto risco (idosos, diabéticos e pacientes desnutridos), sendo utilizadas cefalosporinas de 1ª (cefazolina) e 2ª geração 
(cefuroxima), sendo administrada em ATÉ 1 HORA ANTES da incisão, geralmente na fase de indução anestésica – SE HOUVER ALERGIA, 
OPTAR POR CLINDAMICINA! 
ATENÇÃO: antibioticoTERAPIA é feita com cefalosporinas de 3ª geração (cefalexina) 
TÓPICOS EM CIRURGIA SEGURA 
Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII 
 
Indicações e 
Complicações 
A IOT tem como objetivo estabelecer uma via aérea definitiva, sendo recomendada em situações onde há impossibilidade/dificuldade de 
garantir permeabilidade à passagem de ar, como em procedimentos cirúrgicos, pacientes com escore GCS < 8, insuficiência respiratória 
aguda grave e refratária, instabilidade hemodinâmica grave, alterações no balanço O2/CO2 ou antecipação de piora em pacientes com 
desconforto respiratório. 
ATENÇÃO: A ÚNICA CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA para a intubação é a presença de lesão na traqueia (optar por via aérea 
cirúrgica) 
Como possíveis complicações, destacam-se intubação esofágica não detectada, vômitos e aspiração, pneumonia e traumas orais. 
 
7 P’s da Intubação 
Orotraqueal 
 
Preparação: etapa de avaliação da via aérea (mobilidade cervical, obesidade, obstruções), monitorização do paciente, checagem de 
materiais e preparo de drogas e acesso venoso, procedimentos que devem ser feitos em menos de 5 segundos 
ATENÇÃO: a avaliação das vias aéreas é feita por meio da classificação de Mallampati, que determina a visibilidade da orofaringe 
pela cavidade oral. Quanto MAIOR a pontuação (varia de 1 a 4), mais difícil a intubação, sendo importante solicitar o kit de via aérea 
difícil (fio-guia, máscara laríngea e videolaringoscópio) e antecipar possíveis complicações 
 
Pré-oxigenação: promover FiO2 de 100% por 3 a 5 minutos, garantindo maior período em apneia antes que a SatO2 caia para < 90% 
Pré-tratamento: somente se houver indicação clínica (emergências hipertensivas ou HIC), administra-se fentanil (1-3 µg/kg) e lidocaína (1,5 
mg/kg) 3 minutos antes da intubação 
ATENÇÃO: se a saturação cair abaixo de 85%, retirar o tubo (se durante o procedimento) e fornecer O2 até saturar 
Paralisia: uso de drogas hipnóticas (1/2 ampola de cetamina ou etomidato 0,3 mg/kg) para induzir sedação, seguidas por administração de 
bloqueadores neuromusculares (succinilcolina 1-2 mg/ml) 
Posicionamento: o paciente deve estar em decúbito dorsal, com um coxim occiptal e hiperextensão cervical (se não houver 
contraindicação), enquanto o profissional fica atrás da cabeça do paciente, alinhado de forma a ter melhor visualização da orofaringe 
Posicionamento do tubo com confirmação: o LARINGOSCÓPIO (lâmina curva em adultos e reta em crianças) é segurado com a MÃO NÃO 
DOMINANTE (tubo na outra mão), inserido de forma a tracionar a língua para a esquerda. A seguir, é feita movimentação PARA CIMA E PARA 
A FRENTE até que se visualizem as cordas vocais, momento no qual é feita a introdução do tubo (até a marca de 22cm). Retira-se o fio-guia 
e insufla o cuff, iniciando ventilação com o ambu para VERIFICAR POSICIONAMENTO COM A AUSCULTA DE ÁPICES E BASES 
PULMONARES, além do epigástrio 
ATENÇÃO: a confirmação de intubação correta também pode ser feito pelo CAPNÓGRAFO, que indica valores entre 35-45mmHg 
Pós-intubação: o tubo é fixado, e o paciente, encaminhado para radiografia de tórax, de forma a identificar mal posicionamento ou 
complicações do procedimento. É necessário também iniciar a ventilação mecânica com monitorização constante (importante deido ao 
risco de hipotensão)Júlia Figueirêdo – HABILIDADES MÉDICAS VIII

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