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Texto sobre a caixa lúdica, instrumento de psicodiagnóstico que apresenta bases teóricas (Winnicott), objetivos (avaliar função simbólica, afetividade e aprendizagens), procedimento em três momentos (enquadramento, observação, avaliação), aplicação até 9 anos e lista de materiais não figurativos.

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CAIXA LÚDICA
CAIXA LÚDICA
 A caixa lúdica é um instrumento de trabalho bastante 
utilizado para identificar a maneira como o sujeito se 
relaciona com os objetos e a forma como ele aprende, 
podendo facilitar o psicodiagnóstico. Sabe-se da 
importância de usar o lúdico como recurso terapêutico. 
 Winnicott retrata o jogo como um recurso integrante no ato 
de aprender, ele afirma que “brincar é algo além de 
imaginar e desejar, brincar é o fazer”. (WINNICOTT, 1975 p. 
28)
 Brincar é um meio importante e real de acessar o 
inconsciente, bem como de perceber o desenvolvimento da 
criança, pois a criança compreende o mundo à sua volta, 
aprende regras, testa habilidades, aprende a ganhar e 
perder, desenvolve a linguagem e as habilidades motoras 
através da brincadeira.
CAIXA LÚDICA
 É importante frisar que o brincar e o jogar não se resumem 
apenas a formas de divertimento e de prazer para a 
criança, mas são meios privilegiados dela expressar os 
seus sentimentos e elaborar situações conflitantes 
utilizando desta linguagem simbólica.
 Chamada de “a hora do jogo” ou “sessão lúdica”, esse 
modelo de trabalho utiliza-se da caixa lúdica para fazer 
percepções sobre a criança onde são avaliados os 
seguintes aspectos: a inter-relação que a criança 
estabelece com o desconhecido e o tipo de obstáculo que 
emerge dessa relação, aspectos relacionados à função 
semiótica da criança, por meio de símbolos onde podemos 
verificar o nível dos processos acomodativos e 
assimilativos e uma leitura dos conteúdos manifestados 
pela criança em relação aos aspectos afetivo-emocionais, 
relacionando-os com a aprendizagem.
CAIXA LÚDICA
 A hora do jogo pode ser dividida em três momentos 
em que o terapeuta deve estar atento para fazer as 
análises: o enquadramento, a observação e a 
avaliação. 
 Deve-se ficar atento ao modo de brincar, como a 
criança escolhe os materiais, estrutura a brincadeira, 
se faz cálculos, se faz brincadeiras criativas, se faz 
distinção dos brinquedos, se repete situações 
convencionais, se permanece concentrada, se 
constrói, reconstrói, se socializa, se representa 
papeis, se resolve situações problemáticas, se seus 
movimentos são firmes, se pede ajuda, além de outros 
aspectos.
CAIXA LÚDICA
 As dificuldades de aprendizagem podem se dar pela 
maneira como essa criança “aprendeu a aprender”, 
pois muitas vezes os pais não permitem que o filho 
passe por todas as etapas do seu desenvolvimento, ou 
não os incentivam positivamente, ou ainda exigem 
organização demais pensando que podem contribuir 
para a sua maturidade. 
 Conforme Winnicott (1997 p. 80): “é brincando e 
somente brincando que o indivíduo, criança ou adulto 
é capaz de ser criativo e usar completamente sua 
personalidade”.
CAIXA LÚDICA
 A partir disso, observa-se que a importância do 
brincar vai além do entendimento de diversão para a 
criança, pois evidencia-se a maneira como esse 
sujeito criou seus esquemas de aprendizagem e seus 
recursos para entender os desafios. 
 A maneira como a criança brinca com a caixa lúdica 
proporciona uma visão de como este sujeito se 
relaciona com a sua aprendizagem, o que nos auxilia 
no processo de psicodiagnóstico, porque enquanto ela 
está brincando, ela se expressa e comunica a sua 
realidade interior.
CAIXA LÚDICA
 Através dela é possível observar a dinâmica da 
aprendizagem, compreender os processos cognitivos, 
modelos de aprendizagem e as relações vinculares, sendo 
ainda uma ferramenta de intervenção capaz de desenvolver 
a percepção, ação, integração, interação, e a autonomia do 
sujeito.
 Verificar na criança a inter-relação que ela estabelece com 
o desconhecido e o tipo de obstáculo que emerge dessa 
relação;
 Possibilitar uma leitura dos aspectos relacionados à função 
semiótica da criança (ou função simbólica consiste na 
representação de um “significado” qualquer para o 
mundo que o rodeia), por meio de símbolos e verificar o 
nível dos processos acomodativos e assimilativos;
 Fazer uma leitura dos conteúdos manifestos pela criança 
em relação aos aspectos afetivo-emocionais.
CAIXA LÚDICA
 Pode-se aplicar a técnica denominada a Hora do Jogo, 
até a idade de 9 anos. 
 Para jogar é necessário ter um espaço transicional, 
um espaço de confiança, de criatividade.
 Na hora do jogo são utilizados materiais 
preponderantemente não figurativos.
 Colocam-se dentro de uma caixa, com tampa 
separável, elementos com as seguintes 
características: para desenhar, recortar, pegar, 
costurar, olhar, ler, escrever, caixas de diferentes 
tamanhos, para modelar, para juntar.
CAIXA LÚDICA
 Colocam-se diferentes elementos com mesmo fim, 
cola, durex, grampeador, furador, possibilitando o 
desdobramento se assim o sujeito quiser. 
 Os papéis devem ser variados, tanto na forma como 
na cor e tipo.
 Podem ser colocados blocos de construção e folhas 
impressas prontas (de modo a verificar a liberdade ou 
a submissão), lápis de cor, lápis preto, borracha.
 Os materiais não precisam ser novos, mas devem ter 
uma boa conservação.
 A caixa deve ser de fácil acesso e cômoda, estando 
ela no chão ou na mesa.
CAIXA LÚDICA
 O que se diz à criança é o seguinte:
 “Aqui está uma caixa com muitas coisas e você pode 
brincar com tudo o que quiser. Um pouco antes de 
terminar, eu vou te avisar.”
 Geralmente procura-se fazer uma sessão de 50 a 60 
minutos de duração para a administração dessa técnica.
 Com o auxílio dos dados observados durante a técnica, o 
terapeuta deve analisar as respostas tanto verbais como 
gráficas do sujeito, tentando levantar hipóteses da 
significação do aprender para ele, a mobilidade inter-
relacionada com inteligência e desejo, a construção do 
símbolo, tentar observar as modalidades de aprendizagem 
que aparecem, ver a capacidade do sujeito para criar, 
imaginar, refletir, argumentar etc.
CAIXA LÚDICA
Há alguns momentos da Hora do Jogo que devem ser 
destacados para facilitar a análise do examinador, como 
o inventário, a organização e a integração.
 No inventário, a criança classifica os materiais, seja 
por mera manipulação, seja experimentando o 
funcionamento, ou seja, olhando dentro da caixa, 
favorecendo as possibilidades de ação.
 O momento seguinte é o da organização, dedicado à 
postulação de um jogo.
 O material passa a ser utilizado para uma ação, uma 
organização simbólica.
 Nessa fase, a criança combina, ajusta os materiais na 
busca de um fim antecipado, aceitando e descartando 
possibilidades.
CAIXA LÚDICA
 O próximo momento será o da integração, a 
aprendizagem propriamente dita, quando o sujeito 
incorpora o que fez aos seus esquemas anteriores, 
jogando, brincando com sua confecção.
 É o momento em que dá sentido à sua criação.
 Possivelmente, sujeitos com problemas podem 
apresentar dificuldades em alguma dessas etapas.
 O uso de jogos também é sugerido como recurso, 
considerando que o sujeito através deles pode 
manifestar, sem mecanismos de defesas, os desejos 
contidos em seu inconsciente.
CAIXA LÚDICA
 Além do mais, os jogos representam situações-
problemas a serem resolvidos, pois envolvem regras, 
apresentam desafios e possibilitam observar como o 
sujeito age frente a eles, qual sua estrutura de 
pensamento, como reage diante de dificuldades. 
 O foco de atenção é a reação do sujeito diante das 
tarefas, considerando resistências e bloqueios, 
lapsos, hesitações, repetição, sentimentos de 
angústia.
CAIXA LÚDICA
 DICAS: 
 Podemos trabalhar a Hora do Jogo com crianças até 
os 09 anos, após esta idade, eles preferem jogos de 
regras;
 A participação do terapeuta neste momento deve 
seguir a vontade da criança; quando a criança não 
consegue se apropriar dos objetos (caixa) podemos 
ajudá-la a inventariar o seu conteúdo;
 Pergunta-se: O que você pode fazer com isso tudo?
 Importante observar como a criança brinca e em 
casos extremos, em que condiçõesela é capaz de 
brincar;
CAIXA LÚDICA
 O objetivo de tal técnica é conhecer a realidade da 
criança a partir do seu brincar livre e espontâneo, já 
que a atividade lúdica é considerada uma forma de 
expressão das crianças, como de conflitos, desejos, 
fantasias etc. 
 Ou seja, a compreensão do mundo infantil é bastante 
complexa, então são necessários recursos 
apropriados para que haja uma compreensão mais 
eficiente desse mundo. 
 Assim, a Hora do Jogo Diagnóstica é um meio que 
facilita a comunicação das crianças, sobretudo 
porque o brincar é universal, pois está presente em 
todas as culturas (embora haja variações de uma 
cultura para outra).
CAIXA LÚDICA
 Além disso, é importante dar à criança as instruções 
de forma breve e compreensível. 
 Diga que ela pode utilizar o material que quiser 
enquanto você a observa para conhecê-la durante o 
tempo da seção no consultório. 
 Nosso papel é passivo como observador, mas ativo 
como terapeuta. 
 E claro, deve-se estabelecer limites quando 
necessário. 
 A sala não deve ser muito pequena, nem ter muitos 
móveis para não limitar o espaço da criança, e se as 
paredes e piso forem laváveis, melhor ainda.
CAIXA LÚDICA
 Os brinquedos e elementos devem estar a disposição na 
mesa ou outro lugar acessível, sem obedecer a uma 
sequência de agrupamento, porque assim o pequeno 
paciente ordena tudo de acordo com suas próprias variáveis. 
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CAIXA LÚDICA
CAIXA LÚDICA
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 Dados importantes para se 
observar:
 Capacidade de inventário; 
classificação do conteúdo da caixa;
 Organização, construção da 
sequência;
 Integração, esquema de 
assimilação (falar, utilizar todos os 
materiais)

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