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1 Universidade Paulista – UNIP Curso: Psicologia - Campus: Marquês Disciplina: Psicodiagnóstico Orientador: Anna Silvia Rosal de Rosal Data: 24/08/2026 Aluno(a): Juliana Ferreira Cintra RA: G7579A8 TURMA: PS8R13 Livro: A Nossa Casa: Uma Sessão Estruturada na Terapia de Famílias com Crianças ESTÁGIO EM PSICODIAGNÓSTICO Relatório Critico O texto “A Nossa Casa: Uma Sessão Estruturada na Terapia de Famílias com Crianças”, de Tânia Almeida, faz parte do livro Papai, Mamãe, Você... E eu? Conversações Terapêuticas em Famílias com Crianças, organizado por Helena Maffei Cruz. A autora apresenta uma proposta de trabalho terapêutico com famílias que inclui a criança de forma ativa no processo, utilizando principalmente o desenho, a brincadeira e a construção conjunta como formas de comunicação. A técnica começou a ser desenvolvida ainda na década de 1980 e foi sendo modificada ao longo do tempo, acompanhando também as mudanças teóricas da Terapia Familiar. Uma das coisas que mais me chamou atenção durante a leitura foi justamente a forma como a criança deixa de ser vista apenas como “a pessoa que apresenta o problema” e passa a ser compreendida dentro de todo o contexto familiar. Muitas vezes, principalmente quando falamos de atendimento infantil, existe uma tendência de olhar somente para o comportamento da criança: ela está agressiva, não obedece, está apresentando dificuldades escolares, está ansiosa ou possui algum outro sintoma. O texto traz um olhar diferente, mostrando que aquele comportamento também pode estar relacionado com a forma como essa família se organiza, se comunica e estabelece seus vínculos. A proposta de “A Nossa Casa” acontece através de uma atividade em que os integrantes da família participam da construção de um desenho em conjunto. Apesar de parecer uma atividade simples, existe muita informação sendo apresentada naquele momento. O terapeuta consegue observar quem toma iniciativa, quem participa menos, quem tenta controlar a atividade, como são tomadas as decisões, como os membros da família se comunicam e até mesmo de que maneira ocupam aquele espaço. Depois da construção, a família conversa sobre o desenho e cria uma história relacionada ao que foi produzido. Eu achei essa proposta muito interessante porque demonstra como o brincar também é uma forma de comunicação, principalmente para a criança. Nem sempre ela vai conseguir chegar em uma sessão e explicar verbalmente aquilo que sente, o que está acontecendo dentro de casa ou como percebe os seus familiares. Às vezes, através de um desenho, de uma brincadeira ou até da maneira como se posiciona durante uma atividade, ela consegue demonstrar questões que provavelmente seriam muito mais difíceis de colocar em palavras. O texto mostra justamente o jogo como um objeto metafórico e como uma possibilidade de facilitar a comunicação entre crianças e adultos. Outro ponto que considero muito importante é a discussão sobre o sintoma. Dentro da perspectiva apresentada, ele não deve ser analisado isoladamente, como se pertencesse somente ao indivíduo. A família é entendida como um sistema em constante interação e transformação. Dessa maneira, um comportamento considerado problemático pode também comunicar alguma coisa sobre as relações familiares e sobre aquele contexto. Para mim, essa visão faz bastante sentido dentro da Psicologia porque amplia nosso olhar e evita colocar toda a responsabilidade sobre a criança. Os casos apresentados no texto deixam isso ainda mais claro. Em situações envolvendo crianças consideradas agressivas ou “aprontadoras”, por exemplo, o trabalho possibilitou perceber elementos das relações familiares que iam além daquele comportamento apresentado inicialmente. Isso reforça uma reflexão que tive durante a leitura: até que ponto aquilo que os adultos nomeiam como um problema da criança realmente pertence somente a ela? Muitas vezes, quando começamos a olhar para as relações, percebemos que aquele sintoma também possui uma história e acontece dentro de determinado ambiente. Também gostei bastante da discussão sobre o lugar do terapeuta. O profissional não aparece como alguém que está acima da família e possui todas as respostas, mas como alguém que participa da construção de novos significados junto com ela. O texto mostra uma mudança daquele terapeuta considerado “especialista”, responsável por dizer o que estava certo ou errado, para uma postura mais colaborativa, em que terapeuta e família constroem possibilidades conjuntamente. Para mim, esse posicionamento também torna o processo terapêutico mais humanizado, porque reconhece que cada família possui sua própria história e sua maneira de enxergar o mundo. Ao mesmo tempo, acredito que a técnica precisa ser utilizada com cuidado. Apesar de ser estruturada, não vejo como algo que possa simplesmente ser aplicado da mesma maneira em todas as famílias. Cada contexto possui características próprias, e nem toda criança ou família necessariamente vai se sentir confortável desenhando ou participando dessa atividade. O próprio terapeuta precisa estar atento para não interpretar cada elemento do desenho como se tivesse um significado fechado ou pronto. Acredito que o mais importante seja observar o processo, a interação entre os participantes e principalmente aquilo que a própria família atribui de significado à experiência. Outro ponto que senti falta foi de um aprofundamento maior nos casos apresentados. Os exemplos ajudam bastante a visualizar a aplicação da técnica, mas fiquei com vontade de compreender melhor o processo dessas famílias depois das intervenções, principalmente para observar como essas mudanças foram acontecendo ao longo dos atendimentos. Ainda assim, os relatos conseguem cumprir a função de mostrar como a atividade pode abrir espaço para conversas que talvez não surgissem espontaneamente durante uma sessão tradicional. De forma geral, considero a leitura muito interessante principalmente por mostrar que trabalhar com crianças também significa, muitas vezes, olhar para a família e para as relações construídas naquele ambiente. Para mim, o principal aprendizado do texto foi entender que nem sempre precisamos procurar rapidamente uma explicação individual para um sintoma. Antes disso, precisamos compreender onde aquela criança está inserida, como ela se relaciona, como é ouvida e qual espaço ocupa naquela família. Como estudante de Psicologia, essa leitura me fez pensar ainda mais sobre a importância de não chegarmos ao atendimento com respostas prontas. O terapeuta precisa observar, ouvir e estar aberto para construir novas possibilidades junto com aquelas pessoas. A proposta de A Nossa Casa demonstra isso de uma maneira simples, mas ao mesmo tempo muito rica: através de uma brincadeira e de um desenho, é possível abrir espaço para que uma família consiga falar sobre si mesma, enxergar suas relações por outro ângulo e, principalmente, construir novas formas de se relacionar. REFERÊNCIAS: ALMEIDA, Tânia. A Nossa Casa: uma sessão estruturada na terapia de famílias com crianças. In: CRUZ, Helena Maffei (org.). Papai, mamãe, você... e eu?: conversações terapêuticas em famílias com crianças. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000. p. 55-72.