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Ginástica na Escola Estudo de Caso Professor Dr. Antonio Carlos Monteiro de Miranda Professora Me. Fernanda Soares Nakashima 2 Unicesumar estudo de caso Lana tem 22 anos e acabou de se formar em Educação Física na única faculdade que oferece esse curso em sua cidade. Lana foi atleta de voleibol e sempre gostou muito de esportivos coletivos, como handebol, futebol e basquete. Durante a sua graduação, teve um pouco de dificuldade nas disciplinas expressivas como Rítmica e dança e as disciplinas de ginástica, no entanto, como frequentava monitorias e fazia os trabalhos, acabava conseguindo passar sem exame nessas disciplinas. Com sua recente colação de grau, Lana pretende atuar na área em que se formou e estudou, entretanto, já havia se passado quase dois meses de formada e nada de Lana conseguir seu emprego em alguma escola da cidade. Em uma quinta-feira à tarde, Lana estava em casa arrumando alguns livros e cópias da fa- culdade, quando o telefone tocou; ela atendeu achando que era seu pai, o qual sempre estava viajando e costumava ligar naquele horário. No momento em que Lana atendeu o telefone – para sua surpresa – era a Irmã Janete, coordenadora da Escola Sagrado Coração, local em que Lana tinha deixado o currículo na semana anterior. Lana ficou muito feliz com a ligação e agendou uma entrevista para sex- ta-feira, às 13h30, na sala da coordenação da escola. Às 13h15, Lana já estava lá ansiosa para conversar com a professora Irmã Janete e mostrar sua vontade em atuar como professora de educação física. A entrevista ocorreu tudo bem e Lana foi contratada. Na segunda-feira, quando foi conversar com a professora Sara, que iria embora da cidade e deixaria as turmas para Lana, houve um momento de grande surpre- sa. A professora Sara disse o seguinte: “Bom, Lana, sua primeira aula será a partir da semana que vem, quando inicia o segundo bimestre. De acordo com o planeja- mento da escola, você terá que dar início ao trabalho de ginástica e finalizar com uma coreografia de ginástica com todos os alunos no campo de futebol aqui da escola. Eu já faço isso há muito tempo e todas as famílias esperam por esse dia”. Nesse momento, Lana ficou branca e engoliu seco: entre todas as modalidades e práticas corporais que ela teve na faculdade, ginástica era a que ela menos se iden- tificava. Mesmo assim, ela disse que estava tudo bem e continuaram a conversa. Unicesumar 3 estudo de caso Nessa primeira semana, Lana iria acompanhar a professora Sara para conhecer os estudantes e observar o cotidiano. A professora Sara estava dando o conteúdo de voleibol e Lana se sentiu muito a vontade em ajudar nas aulas e acompanhar as turmas, as quais, na próxima semana, já seriam sua. Lana começou a observar que, mesmo durante as aulas de vôlei, havia alguns alunos que ficavam brincando, fazendo roda e parada de mãos na parede e isso chamou a atenção dela, afinal, esse era o próximo conteúdo que as crianças iriam aprender. Quando Lana chegou em casa ao fim do primeiro dia de acompanhamen- to, já foi buscar os livros e apostilas da graduação que falavam sobre ginástica. Com uma primeira leitura, ela tentou realizar algumas atividades que havia feito no segundo ano de faculdade e, como não lembrava exatamente como era, só dava Lana relembrando alguns equilíbrios e auxílios no chão do seu quarto, enquanto preparava as aulas para a outra semana. A semana passou bem depressa e chegou o dia em que Lana daria início ao seu trabalho com os alunos; ela já sabia o nome de alguns deles e eles já estavam começando a se aproximar. Para iniciar sua aula na quadra, Lana fez atividades de aquecimento, um alongamento e pediu para que Jorge fizesse uma parada de mãos: “Jorge, um dia, na aula, vi você ficando de cabeça para baixo e as pernas para cima, você pode mostrar isso pra gente?” Jorge fez e todos gostaram muito; ela agradeceu a eles e perguntou: “Vocês sabem o nome disso?” Grande parte disse “bananeira”, outros disseram “cabeça para baixo” ou ainda “de ponta de cabeça”… Depois de ouvir os vários nomes, Lana disse: “Isso é uma parada de mãos, que faz parte da ginástica. Quem sabe fazer mais coisas de ginástica?” Foi então que ela começou a ver alguns fazendo roda (estrelinha), outros fazendo uns rolamentos, até que ela disse: “Pessoal, vejam que legal! Vocês já faziam ginástica e nem todos sabiam”. Lana aproveitou essa aula que estavam todos empolgados e trabalhou algumas formas de andar, saltitar e saltar. 4 Unicesumar estudo de caso Todos saíram da aula bastante empolgados, pois não sabiam que podiam fazer tantas coisas diferentes com o corpo. Já na segunda aula, Lana retomou alguns exercícios da aula anterior e ensinou alguns movimentos, como rolamentos para frente e trás, parada de mãos, roda, rodante. Nesse dia, a aula passou tão rápido que quando o sinal bateu, todos disseram “Ahhh, já? Nem vimos o tempo passar.” Foi nesse momento que Lana viu que suas aulas estavam dando certo, principal- mente porque ela percebia que ensinava um movimento aos alunos em um dia e na próxima aula eles já estavam executando-o. No primeiro mês de trabalho, Lana voltou para as acrobacias de solo e as figuras acrobáticas; ela ficou encantada com o avanço que todos os alunos tiveram e até mesmo ela, que antes fugia da ginástica na faculdade, começou a gostar e a se envolver com a modalidade, assistindo aos vídeos e cada vez querendo aprender mais. No início do segundo mês, ela comentou sobre as modalidades competitivas e acabou dando foco para a Ginástica Artística, sua característica e aparelhos e a Ginástica Rítmica, abordando os aparelhos e suas características. Ao falar sobre essas modalidades e explicar que cada uma possui seus aparelhos específicos, Lana jogou a seguinte pergunta para seus alunos: “Será que podemos fazer gi- nástica com aparelhos que não sejam só esses da rítmica ou da acrobática?” Eles pensaram um pouco e grande parte disse que não, alguns ficaram na dúvida e outros disseram que sim, mas não sabiam como fazer. Foi nesse momento que Lana mostrou um vídeo de ginástica para todos, em que os aparelhos eram garrafões de água de 20 litros. Eles ficaram de boca aberta com o tanto de coisa que dava para se fazer com aqueles garrafões, os quais, até aquele momento, só serviam para colocar água. Após esse vídeo, a professora passou mais alguns e retornou a perguntar: “E agora pessoal, podemos fazer ginástica com outros aparelhos que não só os oficiais?” A turma inteira, numa só voz disse que sim, e ela perguntou: “O que acham de montarmos uma coreografia nossa?”. Todos ficaram bastante empolgados e começaram a pensar nos possíveis materiais. Unicesumar 5 estudo de caso Depois de muita discussão, os materiais decididos foram os cotonetes gigan- tes, feitos com um cabo de vassoura e garrafas pet nas pontas. Todos participaram da coleta e construção dos materiais e os ensaios aconteceram, em um primei- ro momento, com as turmas separadas e, posteriormente, foram realizados dois ensaios gerais, com todas as turmas. Assim, no dia 27 de julho, todos os alunos se apresentaram; todos da escola, amigos, pais, professores e alunos gostaram muito do que viram e a professora Lana ainda mais. Agora, ela está trabalhando com jogos e brincadeiras na escola, mas deixou saudade do bimestre que ela tra- balhou ginástica.