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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTUDO DOS ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS EM OBRAS DE 
CONSTRUÇÃO DE POSTOS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
GIULIA CAVICCHINI BRAGA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2018 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTUDO DOS ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS EM OBRAS DE 
CONSTRUÇÃO DE POSTOS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS 
 
 
 
GIULIA CAVICCHINI BRAGA 
 
 
 
 
Projeto de Graduação apresentado ao curso de 
Engenharia Civil da Escola Politécnica, 
Universidade Federal do Rio de Janeiro, como 
parte dos requisitos necessários à obtenção do 
título de Engenheiro. 
 
Orientador: Prof. Jorge dos Santos 
 
 
 
 
 
 
RIO DE JANEIRO 
Setembro de 2018 
 
 
ESTUDO DOS ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS EM OBRAS DE 
CONSTRUÇÃO DE POSTOS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS 
 
Giulia Cavicchini Braga 
 
PROJETO DE GRADUAÇÃO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE 
ENGENHARIA CIVIL DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO 
RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO 
DO GRAU DE ENGENHEIRO CIVIL. 
 
Examinado por: 
 
 
 
______________________________________________ 
Prof. Jorge dos Santos, D.Sc., Orientador 
 
 
______________________________________________ 
Profª. Alessandra Conde de Freitas, D.Sc. 
 
 
______________________________________________ 
Profª. Amanda Pereira Vieira, M.Sc. 
 
 
______________________________________________ 
Profª. Isabeth Mello, M.Sc. 
 
 
______________________________________________ 
Prof. Oscar A. M. Reale, D.Sc. 
 
 
______________________________________________ 
Profª. Vivian Karla C. B. L. Machado 
Balthar, D.Sc. 
 
 
______________________________________________ 
Prof. Wilson Wanderley da Silva 
 
 
RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL 
Setembro de 2018 
 
 
 
 
 
 
Braga, Giulia Cavicchini 
 Estudo dos impactos ambientais no setor de abastecimento 
de combustíveis de empresa de transporte rodoviário e das 
obras de recuperação para implantação das ações corretivas/ 
Giulia Cavicchini Braga – Rio de Janeiro: UFRJ/Escola 
Politécnica, 2018. 
 xiii, 117 p.:il.; 29,7 cm. 
 Orientador: Jorge dos Santos 
 Projeto de Graduação – UFRJ/ Escola Politécnica/ Curso de 
Engenharia Civil, 2018. 
 Referências Bibliográficas: p. 109-115 
 1.Introdução 2.Aspectos e Impactos Ambientais na 
Construção Civil 3.Aspectos e Impactos Ambientais no setor 
de Abastecimento de Combustível 4.Estudo de Caso 5. 
Conclusão 6. Referências Bibliográficas 
 I. Santos, Jorge dos; II. Universidade Federal do Rio de 
Janeiro, Escola Politécnica, Curso de Engenharia Civil. III. 
Estudo da metodologia de fiscalização de obras em tanques de 
armazenamento de combustíveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos 
não é senão uma gota de água no mar, 
Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” 
Madre Teresa de Calcutá 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho a minha mãe e a minha avó, 
 Maria Inês Cavichini e Guiomar Cavichini. 
 
 
Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/ UFRJ como parte dos 
requisitos necessários para a obtenção do grau de Engenheiro Civil. 
 
 
ESTUDO DOS ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS EM OBRAS DE 
CONSTRUÇÃO DE POSTOS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS 
 
 
Giulia Cavicchini Braga 
 
Setembro de 2018 
 
Orientador: Jorge dos Santos 
 
Diante de um cenário de desenvolvimento e de mudanças na consciência ecológica, os 
órgãos governamentais e a sociedade estão cada vez mais exigindo atitudes conscientes 
no que se refere ao meio ambiente por parte das indústrias, comércio e prestadores de 
serviços. 
As atividades de abastecimento e armazenamento de combustível, podem causar alguns 
impactos bastante nocivos ao meio ambiente tais como: contaminação do solo, de 
aquíferos e contaminação humana através do contato direto com os combustíveis tóxicos. 
Esse trabalho avalia alguns impactos ambientais causados pelo setor de abastecimento de 
combustíveis de empresas de transporte rodoviário e apresenta iniciativas a serem 
tomadas para mitigar os problemas encontrados. 
Usando conceitos de gestão ambiental, é feito um estudo sobre os impactos causados ao 
meio ambiente pelo vazamento de tanques de armazenamento de óleo diesel e pela obra 
de recuperação em uma garagem de ônibus sediada na cidade do Rio de Janeiro. 
 
 
 
Palavras-chave: Impactos Ambientais; Combustíveis; Gestão Ambiental; Obras de 
Recuperação. 
 
 
 
Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial fulfillment 
of the requirements for the degree of Engineer. 
 
STUDY OF ENVIRONMENTAL ASPECTS AND IMPACTS IN CONSTRUCTION 
WORKS OF FUEL SUPPLY POSTS 
 
 
Giulia Cavicchini Braga 
 
September 2018 
 
 
Adviser: Jorge dos Santos 
 
 
Faced with a scenario of development and changes in ecological awareness, government 
agencies and society are increasingly demanding environmentally conscious attitudes 
from industries, commerce and service providers. 
Fuel supply and storage activities can cause some very harmful impacts to the 
environment such as: contamination of soil, aquifers and human contamination through 
direct contact with toxic fuels. 
This paper assesses some environmental impacts caused by the fuel supply sector of road 
transport companies and presents initiatives to be taken to mitigate the problems 
encountered. Using environmental management concepts, a study is made of the impacts 
caused to the environment by the leakage of diesel storage tanks and the recovery work in 
a bus garage located in the city of Rio de Janeiro. 
 
 
 
 
 
Keywords: Environmental Impacts; Fuels; Environmental management; Recovery Works. 
 
 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
FIGURA 2.1 - IMPACTO AMBIENTAL (FONTE: SIMONETTI, 2010) ................................................................................ 18 
FIGURA 2.2 - SURGIMENTO DOS GRUPOS DE PESQUISAS AMBIENTAS NA USP. (FONTE: UEHARA ET AL., 2010) .................... 21 
FIGURA 2.3 - VISTA AÉREA DO CTR – GERICINÓ (FONTE: PMGIRS) ............................................................................ 28 
FIGURA 2.4 - IMPACTOS AMBIENTAIS DA CADEIA DA CC (FONTE: ROTH E GARCIAS, 2009) ............................................. 31 
FIGURA 2.5 - DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA PARA EXTRAÇÃO DE MADEIRA (FONTE: ROTH E GARCIAS, 2009) .................. 32 
FIGURA 2.6 - MARGEM SOFRENDO DESMATAMENTO E EROSÃO NA EXTRAÇÃO DE AREIA (FONTE: INPE, 2007)..................... 34 
FIGURA 2.7 - PROCESSO EXTRATIVO DE MATÉRIAS-PRIMAS DO CIMENTO (FONTE: LARUCCIA, 2014) .................................. 34 
FIGURA 2.8 - PRODUÇÃO DE CIMENTO NO BRASIL (FONTE: SNIC, 2006) ..................................................................... 35 
FIGURA 2.9 - EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUDA DA INDÚSTRIA DO CIMENTO (FONTE: ADAPTADO DO WBCSD, 2002)... 36 
FIGURA 2.10 - DISTRIBUIÇÃO DE EMISSÕES ANUAIS DE CO2 DA INDÚSTRIA DO CIMENTO NOS ANOS 1990 (FONTE: VAN OSS E 
PADOVANI, 2002) .................................................................................................................................... 36 
FIGURA 2.11 - IMPACTOS AMBIENTAIS DA INDÚSTRIA DO CIMENTO (FONTE: MARIA BEATRIZ MAURY, 2007) ..................... 38 
FIGURA 2.12 - CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE RESÍDUOS (FONTE: NBR 10.004 - ABNT, 2004) ........................... 42 
FIGURA 2.13 - ESPELHO D'ÁGUA DA HIDRELÉTRICA DE ITAIPU (FONTE: WIKIPÉDIA, 2018) ............................................... 45 
FIGURA 2.14 - PONTE RIO-NITERÓI (FONTE: SOS MARICA, 2018) .............................................................................46 
FIGURA 2.15 - BASE METÁLICA DA PONTE RIO-NITERÓI (FONTE: PORTAL PUC-RIO DIGITAL) ............................................ 47 
FIGURA 3.1 - CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS EM 2016 (MIL BARRIS/DIA) FONTE: ANP,2017 ............................................ 48 
FIGURA 3.2 - CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS NO SETOR DO TRANSPORTE (MIL TONELADAS) FONTE: ANP, 2017 .................... 49 
FIGURA 3.3 - VARIAÇÃO DE VENDAS DE COMBUSTÍVEIS E PIB (FONTE: ANP, 2017) ....................................................... 49 
FIGURA 3.4 - CADEIA DO MERCADO DE COMBUSTÍVEIS (FONTE: CADE, 2018) .............................................................. 50 
FIGURA 3.5 - CONSUMO DE COMBUSTÍVEL NO BRASIL POR PRODUTO (FONTE: ANP) ...................................................... 51 
FIGURA 3.6 - VARIAÇÃO LÍQUIDA DO QUANTITATIVO DE AGENTES 2015/2106 (FONTE: ANP) ......................................... 52 
FIGURA 3.7 - ESQUEMA DE UM PR (FONTE: LORENZETT ET AL., 2010) ........................................................................ 53 
FIGURA 3.8 - CONTAMINAÇÃO DO MEIO AMBIENTE EM POSTOS DE COMBUSTÍVEL (FONTE: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS 
EMPRESAS DE EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS PARA O MERCADO DE COMBUSTÍVEIS E CONVENIÊNCIA – ABIEPS, 2009) . 55 
FIGURA 3.9 - CAMINHO POTENCIAIS DO VAZAMENTO DE COMBUSTÍVEL (FONTE: ABIEPS, 2009) ..................................... 57 
FIGURA 3.10 - TIPOS DE POSTOS DE COMBUSTÍVEIS (FONTE: ABIEPS, 2016) ............................................................... 61 
FIGURA 3.11 - LICENÇAS E SUAS FUNÇÕES (FONTE: ABIEPS, 2016)............................................................................ 62 
FIGURA 3.12 - FORMULÁRIO DE CONTROLE DE ESTOQUE (FONTE: NBR 13787 - ABNT, 2013) ....................................... 64 
FIGURA 3.13 - LISTA DE VERIFICAÇÃO (FONTE: NBR - ABNT, 14606) ........................................................................ 66 
FIGURA 3.14 - DEMONSTRAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA (FONTE: SINDICOMBUSTÍVEIS – DF) ..... 68 
FIGURA 3.15 - BOMBAS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEL (FONTE: ABIEPS, 2016) ................................................ 69 
FIGURA 3.16 - VÁLVULAS DE RETENÇÃO DE COMBUSTÍVEL (FONTE: ABIEPS, 2016) ....................................................... 69 
FIGURA 3.17 - DESCARGA SELADA (FONTE: ABIEPS, 2016) ...................................................................................... 70 
FIGURA 3.18 - CANALETAS DA BACIA DE CONTENÇÃO EM UMA PISTA DE ABASTECIMENTO (FONTE: ABIEPS, 2016) ............. 71 
FIGURA 3.19 - DOCUMENTOS PARA AC (FONTE: ANP 42) ........................................................................................ 74 
 
 
FIGURA 3.20 - NÚMERO DE ACIDENTES AMBIENTAIS EM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS (FONTE: ABIEPS, 2016) ..................... 75 
FIGURA 3.21 - CAUSAS DOS ACIDENTES EM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS EM SP (FONTE: CETESB) ........................................ 76 
FIGURA 3.22 - INCÊNDIO NOS TANQUES DA ULTRAPAR (FONTE: REPORTAGEM G1) ........................................................ 78 
FIGURA 3.23 - VISIBILIDADE DA FUMAÇA NAS CIDADES VIZINHAS AO INCÊNDIO ULTRACARGO (FONTE: REPORTAGEM G1) ...... 78 
FIGURA 4.1 - LOCALIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES DA UNIDADE FRANÇA LTDA (FONTE: GOOGLE MAPS) ................................ 80 
FIGURA 4.2 - INSTALAÇÕES DA UNIDADE EM ESTUDO (FONTE: ADAPTAÇÃO DE PLANTA FORNECIDA PELO ESTABELECIMENTO) .. 81 
FIGURA 4.3 - PLANTA DA ÁREA DE ABASTECIMENTO E ARMAZENAMENTO (FONTE: AUTORIA PRÓPRIA) ............................... 82 
FIGURA 4.4 - ISOLAMENTO DA ÁREA DE ABASTECIMENTO ........................................................................................... 83 
FIGURA 4.5 - INÍCIO DA ESCAVAÇÃO COM DEMOLIÇÃO ............................................................................................... 84 
FIGURA 4.6 - CARREGAMENTO E DESTINAÇÃO DO CONCRETO DEMOLIDO ...................................................................... 84 
FIGURA 4.7 - ÁREA DE ARMAZENAMENTO DO SOLO IMPACTADO ................................................................................. 84 
FIGURA 4.8 - INÍCIO DE REMOÇÃO DO SOLO ............................................................................................................. 85 
FIGURA 4.9 - REMOÇÃO DE 2 M DE SOLO CONTAMINADO .......................................................................................... 85 
FIGURA 4.10 - SOLO IMPACTADO PARA DESCARTE COMO RESÍDUO CLASSE 1 .................................................................. 85 
FIGURA 4.11 - CAVA NIVELADA ............................................................................................................................. 86 
FIGURA 4.12 - DESCARREGAMENTO E ESPALHAMENTO DO PÓ DE BRITA ........................................................................ 86 
FIGURA 4.13 - FINALIZAÇÃO DO NIVELAMENTO DO PÓ DE PEDRA ................................................................................. 87 
FIGURA 4.14 - PROCESSO DE COMPACTAÇÃO FINALIZADO .......................................................................................... 87 
FIGURA 4.15 - CARREGAMENTO DO SOLO IMPACTADO .............................................................................................. 87 
FIGURA 4.16 - ÁREA DE INTERMEDIAÇÃO LIMPA ....................................................................................................... 88 
FIGURA 4.17 - MODELO DE PLANILHA DE LEVANTAMENTO DE IMPACTOS AMBIENTAIS ..................................................... 88 
FIGURA 4.18 – ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE CONSTRUÇÃO DA CAVA ................................................ 90 
FIGURA 4.19 - ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE RECONSTITUIÇÃO DA CAVA (FONTE: AUTORIA PRÓPRIA) ..... 90 
FIGURA 4.20 – RELEVÂNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE CONSTRUÇÃO DA CAVA ......................................... 93 
FIGURA 4.21 - RELEVÂNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE RECONSTITUIÇÃO DA CAVA ..................................... 93 
FIGURA 4.22 – GRAU DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE CONSTRUÇÃO DA CAVA .................................................. 95 
FIGURA 4.23 – GRAU DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE RECONSTITUIÇÃO DA CAVA ............................................. 95 
FIGURA 4.24 – IMPORTÂNCIA DA INCIDÊNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE CONSTRUÇÃO DA CAVA .................. 97 
FIGURA 4.25 – IMPORTÂNCIA DA INCIDÊNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE RECONSTITUIÇÃO DA CAVA ............. 97 
FIGURA 4.26 - SIGNIFICÂNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE CONSTRUÇÃO DA CAVA ..................................... 100 
FIGURA 4.27- SIGNIFICÂNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE RECONSTITUIÇÃO DA CAVA ................................. 100 
FIGURA 4.28 - MEDIÇÃO DE VOC (FONTE: FORNECIDO PELA DIA CONSTRUTORA LTDA, 2017) ...................................... 101 
FIGURA 4.29 - CERTIFICADO DE CALIBRAÇÃO (FONTE: FORNECIDO PELA DIA CONSTRUTORA LTDA, 20 ............................. 102 
FIGURA 4.30 - RELATÓRIO DE RECEBIMENTO DE AMOSTRAS ..................................................................................... 103 
FIGURA 4.31 - MTR DO SOLO CONTAMINADO (FONTE: FORNECIDO PELA DIA CONSTRUTORA LTDA, 2017) ...................... 105 
FIGURA 4.32 - MTR DO CONCRETO ARMADO ........................................................................................................ 105 
 
 
 
 
LISTA DE QUADROS 
QUADRO 2.1 - IMPACTOS AMBIENTAIS ................................................................................................................... 18 
QUADRO 2.2 - CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS .......................................................................................... 19 
QUADRO 2.3 - CLASSIFICAÇÃO DO DANO AMBIENTAL ............................................................................................... 19 
QUADRO 2.4 - EXEMPLOS DE ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS DA CONSTRUÇÃO CIVIL ...............................................22 
QUADRO 2.5 - ESTRUTURA SISNAMA .................................................................................................................. 24 
QUADRO 2.6 - OBJETIVOS DA RUMO ..................................................................................................................... 37 
QUADRO 2.7 - ÁREAS DO PLANO DE AÇÃO DA RUMO ............................................................................................... 39 
QUADRO 2.8 - CLASSIFICAÇÃO DOS RCD (FONTE: ADAPTADO DA CONAMA) .............................................................. 43 
QUADRO 3.1 - CLASSIFICAÇÃO DOS GASTOS RELACIONADOS ÀS MEDIDAS DE GESTÃO AMBIENTAL (FONTE: ADAPTADO DE GODOY 
ET AL. 2013) ........................................................................................................................................... 56 
QUADRO 4.1 - ASPECTOS E SEUS RESPECTIVOS IMPACTOS AMBIENTAIS ......................................................................... 89 
QUADRO 4.2 - CLASSIFICAÇÃO DOS ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS ........................................................................ 91 
QUADRO 4.3 - AVALIAÇÃO DA SEVERIDADE DO IMPACTO AMBIENTAL ........................................................................... 91 
QUADRO 4.4 - MÉTODO DE CÁLCULO DA RELEVÂNCIA DO IMPACTO AMBIENTAL ............................................................. 92 
QUADRO 4.5 - MATRIZ DE CÁLCULO 1 DO GRAU DO IMPACTO AMBIENTAL..................................................................... 94 
QUADRO 4.6 – MATRIZ DE CÁLCULO 2 DO GRAU DO IMPACTO AMBIENTAL .................................................................... 94 
QUADRO 4.7 - ANÁLISE DA IMPORTÂNCIA DA INCIDÊNCIA DO IMPACTO AMBIENTAL ........................................................ 96 
QUADRO 4.8 - MATRIZ DE ANÁLISE DA SIGNIFICÂNCIA DO IMPACTO AMBIENTAL ............................................................. 98 
QUADRO 4.9 - CONTROLES A SEREM IMPLEMENTADOS DE ACORDO COM A SIGNIFICÂNCIA DO IMPACTO AMBIENTAL .............. 98 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
TABELA 2.1 – RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS DA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO ............................................... 41 
TABELA 3.1 - QUANTITATIVO DOS PRINCIPAIS AGENTES DE ABASTECIMENTO EM 2016 .................................................... 50 
TABELA 4.1 - RESULTADOS DE VOCS NA SONDAGEM REALIZADA EM MAIO DE 2017 ..................................................... 102 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
ABIEPS - Associação Brasileira das Empresas de Equip. e Serv. para o Mercado 
de Comb. e Convêniencia 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. 
ACGIH - American Conference of Governmental Industrial Hygienists 
ANP – Agência Nacional do Petróleo. 
API - Petroleum Institute 
ASME - American Society of Mechanical Engineers 
BTEX – Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e Xilenos 
CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica 
COMLURB - Companhia Municipal de Limpeza Urbana 
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente 
CSI – Iniciativa para Sustentabilidade do Cimento 
DENATRAN - Departamento Nacional de Trânsito 
DOU – Diário Oficial da União 
EIA – Estudo de Impacto Ambiental 
EPI´s – Equipamento de Proteção Individual 
GLP – Gás Liquefeito de Petróleo 
GNV – Gás Natural Veicular 
INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia 
IOLM - International Organization of Legal Metrology 
IPEM - Instituto Estadual de Pesos e Medidas 
ISO - International Organization for Standardization (Organização Internacional 
para Padronização) 
LO – Licença Operacional 
LP – Licença Prévia 
NBR – Norma Brasileira 
OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico 
PGRCC – Plano de gerencimaneto dos Resíduos da Construção Civil 
PIB – Produto Interno Bruto 
PMGIRS - Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos 
 
 
PNRS - Política Nacional de Resíduos Sólidos 
Ppm – Partículas por Minuto 
PVC - Policloreto de vinila 
RCC – Resíduos da Construção Civil 
RCD – Resíduos de Construção e Demolição 
SISNAMA – Sistema Nacional do Meio Ambiente 
SMAC - Secretaria Municipal de Meio Ambiente 
SNIC - Sindicato Nacional da Indústria do Cimento 
TRR – Transportador Revendedor Retalhista 
WBCSD - World Business Council for Sustainable Development 
 
 
 
SUMÁRIO 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES ...................................................................................................................... 9 
LISTA DE QUADROS............................................................................................................................. 11 
LISTA DE TABELAS .............................................................................................................................. 12 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ............................................................................................. 13 
SUMÁRIO ................................................................................................................................................. 15 
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 13 
1.1 A IMPORTÂNCIA DO TEMA EM ESTUDO ............................................................................................................. 13 
1.2 OBJETIVOS .................................................................................................................................................. 14 
1.3 JUSTIFICATIVA .............................................................................................................................................. 15 
1.4 METODOLOGIA ............................................................................................................................................ 15 
1.5 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA ........................................................................................................................ 15 
2 ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS NA CONSTRUÇÃO CIVIL ................................ 17 
2.1 CONCEITOS ................................................................................................................................................. 17 
2.1.1 Aspectos Ambientais ............................................................................................ 17 
2.1.2 Impactos Ambientais ............................................................................................ 17 
2.1.3 Gestão Ambiental ................................................................................................. 21 
2.2 LEGISLAÇÕES APLICÁVEIS ............................................................................................................................... 23 
2.2.1 Aspectos Gerais .................................................................................................... 23 
2.2.2 Lei Federal ............................................................................................................ 24 
2.2.3 CONAMA n° 307/2002 ........................................................................................ 25 
2.2.4 Lei Estadual do Rio de Janeiro ............................................................................. 27 
2.2.5 Lei Municipal do Rio de Janeiro .......................................................................... 27 
2.3 ASPECTOS HISTÓRICOS DA GESTÃO AMBIENTAL ................................................................................................. 29 
2.4 PECULIARIDADES DA CONSTRUÇÃO CIVIL .......................................................................................................... 31 
2.4.1 A Extração de Matéria-Prima ............................................................................... 32 
2.4.2 A Produção dos Materiais e o Processo Construtivo ............................................35 
2.4.3 A Geração de Resíduos......................................................................................... 40 
2.5 OBRAS BRASILEIRAS HISTÓRICAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SEUS IMPACTOS AMBIENTAIS.............................................. 44 
3 ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS NO SETOR DE ABASTECIMENTO DE 
COMBUSTÍVEIS ..................................................................................................................................... 48 
3.1 O SETOR DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEL ................................................................................................ 48 
3.2 PECULIARIDADES DOS POSTOS DE COMBUSTÍVEIS ............................................................................................... 52 
3.3 LEGISLAÇÕES APLICÁVEIS ............................................................................................................................... 58 
3.3.1 Lei Nº 9.605 – Lei Dos Crimes Ambientais ......................................................... 58 
 
 
3.3.2 Lei Nº 9.433 – Política Nacional De Recursos Hídricos ...................................... 59 
3.3.3 Conama Nº 273 – Licenciamento Ambiental ....................................................... 60 
3.4 NORMAS TÉCNICAS ...................................................................................................................................... 63 
3.4.1 Associação Brasileira De Normas Técnicas (ABNT) .......................................... 63 
3.4.2 Agência Nacional Do Petróleo, Gás Natural E Biocombustíveis (ANP) ............. 71 
3.5 IMPACTOS AMBIENTAIS HISTÓRICOS DECORRENTES DO SETOR DE ABASTECIMENTO .................................................. 74 
4 ESTUDO DE CASO ....................................................................................................................... 79 
4.1 A EMPRESA ................................................................................................................................................. 79 
4.2 AS INSTALAÇÕES .......................................................................................................................................... 79 
4.3 A OBRA DE RECUPERAÇÃO AMBIENTAL ............................................................................................................ 82 
4.4 OS IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS .............................................................................................................. 88 
4.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO ESTUDO DE CASO .................................................................................................. 106 
5 CONCLUSÃO ............................................................................................................................... 107 
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 108 
 
 
 
 
13 
 
1 INTRODUÇÃO 
1.1 A IMPORTÂNCIA DO TEMA EM ESTUDO 
Cada vez mais a população vem se conscientizando da importância de medidas 
ambientalmente responsáveis, dos malefícios de utilização de recursos naturais esgotáveis 
sem compensações, de como a saúde e bem-estar das pessoas estão ligados diretamente a 
qualidade do ar que respiram e da água que bebem, por exemplo. Essa conscientização fez 
com que a sociedade se tornasse mais exigente em relação as empresas e suas formas de 
gestão, surgindo assim o termo gestão ambiental. 
A gestão ambiental nada mais é do que uma soma de medidas que permitem reduzir e 
controlar os impactos ambientais de uma atividade ou empreendimento ao meio ambiente. De 
acordo com o Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA (1986), impacto ambiental 
é qualquer alteração do meio ambiente causada por atividades humanas que afetam a saúde, a 
segurança e bem-estar da população e a qualidade dos recursos ambientais. 
A gasolina e óleo diesel são misturas complexas de mais de 200 hidrocarbonetos, 
obtidos da destilação e craqueamento do petróleo. A gasolina é constituída por 
hidrocarbonetos mais leves (cadeias com 5 a 12 átomos de carbono) enquanto o óleo diesel 
contém uma proporção maior de hidrocarbonetos um pouco mais pesados (6 a 22 átomos de 
carbono). Dos hidrocarbonetos constituintes da gasolina e do óleo diesel os que causam maior 
preocupação são os compostos aromáticos, principalmente o benzeno, o tolueno, o 
Etilbenzeno e os xilenos por serem eles os mais solúveis e os mais tóxicos entre os demais. 
Esses compostos (comumente denominados BTEX - Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e 
Xilenos) são poderosos depressores do sistema nervoso central humano, apresentando 
toxicidade crônica, mesmo em pequenas concentrações (da ordem de ppb – parte por bilhão) e 
são extremamente prejudiciais ao meio ambiente, podendo inviabilizar a exploração de 
aquíferos por eles contaminados e ocasionar consequências no ciclo hidrológico de uma 
região. 
Tendo em vista a periculosidade de contaminação ambiental por meio de 
combustíveis, a partir da década de 80 as questões ambientais começaram a ter destaque para 
o setor de abastecimento, surgindo normas e leis para reger uma gestão ambiental das 
atividades de abastecimento e armazenamento de combustíveis exercidas por exemplo tanto 
14 
 
nos Postos Revendedores Varejistas quanto nos Postos de Abastecimento (instalação que 
possui atividade de armazenamento e abastecimento de combustíveis cujos produtos sejam 
destinados exclusivamente ao uso do detentor das instalações, como por exemplo, garagens de 
ônibus). Ambos, representam empreendimentos potencialmente poluidores por conta de suas 
atividades de armazenamento de combustível, troca de óleo, abastecimento, etc. 
Um outro setor que causa grandes impactos ambientais é o setor da construção civil. 
As consequências ao meio ambiente se iniciam no processo de extração de matéria prima para 
a produção de matérias como cimento, areia, pedras, blocos cerâmicos e etc, que é feita, em 
sua maioria, de forma inconsciente ambientalmente por conta do baixo valor agregado dos 
produtos. A produção dos materiais também é grande poluente, como por exemplo a indústria 
do cimento, é responsável por aproximadamente 3% das emissões mundiais de gases de efeito 
estufa e por aproximadamente 5% das emissões de CO2. 
Durante a etapa de execução da obra alguns impactos como interferência e mudança 
do meio físico de seu entorno (obras de barragens podem levar a degradação e inundação de 
milhões de hectares), consumo elevado de água para a execução das etapas de concretagem, 
por exemplo, geração de resíduos de demolição (concreto, ferros, vidros, etc) e até mesmo a 
disposição de forma incorreta desses resíduos (alguns deles podem ser tóxicos como as tintas 
e óleos solventes). No decorrer da existência do canteiro de obra, alguns impactos na 
vizinhança também podem ser observados como ruídos e mudanças nas vias de transito de 
automóveis. 
Nesse contexto, o setor da construção civil se viu obrigado a apostar em medidas de 
gestão ambiental para atender as exigências da sociedade, ao surgimento de normas e a 
evolução da legislação ambiental brasileira, que tem como objetivo, a preservação do meio 
ambiente e responsabilização dos principais geradores de impactos. 
1.2 OBJETIVOS 
A presente monografia possui como objetivo identificar e analisar os aspectos e os 
impactos ambientais causados por falhas do setor de abastecimento de combustíveis em 
postos de abastecimento (empresa de transporte), assim como pelas suas respectivas obras de 
recuperação para implementação das ações corretivas. 
15 
 
1.3 JUSTIFICATIVA 
O contexto econômico atual caracteriza-se por uma rígida postura dos clientes, voltada 
à expectativa de interagir com organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional 
no mercado, e que atuem de forma ecologicamente responsável. (TACHIZAWA apud 
HEUSER, 2007). 
Diante da complexidade encontrada na discussão desustentabilidade no setor de 
abastecimento de combustíveis e da construção civil, releva-se a importância de um estudo 
sobre os impactos ambientais decorrentes de falha no setor de abastecimento (postos de 
combustível) e das etapas das suas respectivas obras de remediação, visando controlar e 
mitigar os impactos finais. 
1.4 METODOLOGIA 
Foram realizadas consultas a monografias, dissertações, teses, artigos técnicos 
específicos, normas técnicas, leis e livros, afim de identificar conceitos ligados a aspectos e 
impactos ambientais causados pelo setor de abastecimento de combustíveis e pelo setor da 
construção civil. Essa fundamentação teórica teve como base principal buscas virtuais. 
Foi feito um estudo para identificação dos aspectos e impactos ambientais em uma 
obra de recuperação de um posto de abastecimento (garagem de ônibus de transporte de 
passageiros) por conta de um vazamento de combustível. O estudo avalia na prática a 
aplicação da fundamentação teórica com base nos dados disponibilizados pela empresa de 
consultoria ambiental, a qual realizou a obra. 
As conclusões e observações analisadas no estudo de caso são válidas apenas para a 
empresa e o empreendimento em estudo, pois o sistema de gestão ambiental é único para cada 
organização e os impactos ambientais dependem do meio em que estão ocorrendo não 
perdendo de vista a diversidade e a função social do mesmo. 
 
1.5 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA 
No primeiro capítulo observa-se a introdução da monografia, contendo o tema de 
estudo com sua devida importância descrita, os objetivos deste trabalho, a motivação do 
16 
 
estudo, a metodologia adotada para o desenvolvimento do trabalho e a estrutura da 
monografia. 
No segundo capítulo foi realizado um levantamento bibliográfico com a 
contextualização sobre aspectos e impactos ambientais na construção civil contendo 
conceitos, legislações aplicáveis aspectos históricos da gestão ambiental, peculiaridades da 
construção civil e obras históricas e seus respectivos impactos ambientais. 
No terceiro capítulo também é apresentado um levantamento bibliográfico, porém este 
é sobre aspectos e impactos ambientais no setor de abastecimento de combustível contendo 
um panorama geral do setor de abastecimento de combustíveis no Brasil, peculiaridades dos 
postos de combustíveis, legislações e normas aplicáveis e os impactos ambientais históricos 
do setor. 
O quarto capítulo, é destinado a um estudo de caso com os dados de uma obra de 
recuperação em uma garagem de ônibus (PA). A empresa e a instalação é descrita de forma 
detalhada. Foram usados todos os conceitos discutidos nos capítulos 2 e 3 para a compreensão 
dos impactos ambientais causados pelo vazamento de combustível e pela obra. 
No quinto capítulo é dedicado a conclusão acerca das questões levantadas e discutidas 
nesta monografia. 
 
17 
 
 
2 ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS NA CONSTRUÇÃO CIVIL 
2.1 CONCEITOS 
2.1.1 Aspectos Ambientais 
 "O aspecto ambiental é o elemento das atividades ou produtos ou serviços de uma 
organização que pode interagir com o meio ambiente” Norma Brasileira (NBR) ISO 14001 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT, 2015), o qual tem o 
poder de gerar um impacto ambiental significativo. Para Rios (2014), os aspectos ambientais 
são as causas controláveis pela organização como, por exemplo, certos processos de produção 
ou produtos. Ainda segundo a NBR ISO 14001 (ABNT, 2015): 
 
“NOTA 1 - Um aspecto ambiental pode causar impacto(s) 
ambiental(is). Um aspecto ambiental significativo é aquele que tem ou 
pode ter um ou mais impactos ambientais significativos. 
NOTA 2 - Aspectos ambientais significativos são determinados pela 
organização, aplicando um ou mais critérios.” 
 
 De acordo com Santos (2005), são exemplos de aspectos ambientais as emissões de 
gases, resíduos sólidos gerados, matéria prima consumida, efluentes e combustível 
consumido. 
 Na construção civil, pode-se exemplificar com a atividade de execução de formas de 
madeira para uma obra de muro de contenção de encostas. Alguns aspectos gerados por essa 
atividade são: o consumo de recursos naturais (a madeira); o consumo de energia elétrica e a 
geração de resíduos (serragem e pedaços de madeira). 
2.1.2 Impactos Ambientais 
 Segundo o Artigo 1° da Resolução CONAMA, de 23 de janeiro de 1986, considera-se 
impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio 
18 
 
ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades 
humanas que, direta ou indiretamente, afetam os seguintes itens indicados no Quadro 2.1: 
 
Quadro 2.1 - Impactos Ambientais 
 
I A saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
II As atividades sociais e econômicas; 
III A biota; 
IV As condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; 
V A qualidade dos recursos ambientais 
 
Fonte: CONAMA 
 
 Para Santos (2005), “São considerados impactos ambientais os resultados da interação 
dos aspectos ambientais com o meio ambiente”. 
Já Simonetti (2010), define o impacto ambiental como a variação de um parâmetro no 
ambiente, em função da ação humana como ilustrado na Figura 2.1. Em outras palavras, são 
os efeitos no meio ambiente causados isoladamente ou não, por exemplo, na forma 
contaminação do lençol freático, poluição do solo, da atmosfera ou existência de riscos. 
 
 
Figura 2.1 - Impacto Ambiental (Fonte: Simonetti, 2010) 
 
Para possibilitar a avaliação do potencial de contribuição e a dimensão do dano 
ambiental em um ambiente na ocorrência de impactos, as características dos recursos naturais 
podem ser classificadas segundo Kaskantzis (2010) como apontado no Quadro 2.2: 
19 
 
 
Quadro 2.2 - Classificação dos Recursos Naturais 
 
Classificação Conceituação 
a) Escala 
Representa a magnitude do efeito sobre o recurso natural em 
função do espaço e do tempo, sendo dimensionada em macro (em 
km), meso (em ha) e micro (em m). Para exemplificar, no que diz a 
respeito à escala, o impacto do derramamento de óleo em um rio 
será maior do que o mesmo derramamento no terreno de uma 
indústria. 
b) Elasticidade 
Representa a capacidade do recurso natural de se recuperar após a 
ocorrência de impacto ambiental (renovação). A ocorrência de 
derramamento de óleo em um rio tem impacto ambiental menor do 
que o mesmo derramamento de óleo em uma lagoa. O rio em 
função das correntezas tem renovabilidade maior do que a lagoa 
com águas paradas. 
c) Complexidade 
Representa o grau de causas que o meio gera e a incidência de 
consequências que afetam o meio. O impacto ambiental de um 
vazamento de produto químico de uma indústria localizada as 
margens do rio Paraíba do Sul têm complexidade maior que o 
mesmo vazamento em uma lagoa. Neste caso, ao contrário da 
elasticidade (renovação) a complexidade do impacto é maior por 
conta das causas que o meio pode gerar ao longo do rio. 
d) Componente chave 
Representa os elementos dominantes de um ecossistema e seus 
efeitos nos demais elementos dependentes que habitam o mesmo 
ecossistema. Quando um impacto ambiental destrói uma 
determinada espécie outras que dependem da mesma tendem 
também a desaparecer pela destruição da sua condição de 
subsistência. 
e) Representatividade 
Representa a singularidade do elemento afetado pelo impacto 
ambiental e a sua influência no meio em que está inserido ou no 
momento em que ocorre o impacto ambiental. 
 
Fonte: Kaskantzis, 2010. 
 
Leite (2012) estabelece os critérios descritos na Quadro 2.3 para a classificação do 
dano ambiental e consequentemente para a determinação do potencial ecológico de 
contribuição para o equilíbrio ambiental. 
 
Quadro 2.3 - Classificação do Dano Ambiental 
 
Levando em consideração Significados Espécie de dano 
1) A amplitude do bem 1) Conceitos restrito, amplo a) Dano ecológico puro 
20 
 
protegido e parcial do bem ambiental (restrito);b) Dano ambiental(amplo); 
c) Dano ambiental individual 
ou reflexo (parcial). 
2) A reparabilidade e o 
interesse envolvido 
2) Obrigação de reparar 
diretamente ao interessado 
ou indiretamente ao bem 
ambiental protegido. 
Relativamente ao interesse 
do proprietário do bem, ou 
concernente ao interesse 
difuso da coletividade na 
proteção do bem ambiental. 
a) Dano de reparabilidade 
direta; 
b) Dano de reparabilidade 
indireta. 
3) A extensão do dano 
3) Considerando lesividade 
verificada no bem ambiental 
a) Dano ambiental 
patrimonial; 
b) Dano ambiental 
extrapatrimonial ou moral 
4) Os interesses objetivados 
4) Considerando os 
interesses objetivados na 
tutela jurisdicional 
pretendida. 
a) Dano ambiental de 
interesse da coletividade; 
b) Dano ambiental de 
interesse subjetivo 
fundamental; 
c) Dano ambiental de 
interesse individual. 
Fonte: Leite, 2012. 
 
No contexto da construção civil, segundo Spadotto et al. (2011): 
 “Algumas obras podem causar impactos que influenciam o 
ecossistema podendo alterá-lo drasticamente ou até provocar sua 
extinção, por meio de inundação de grandes áreas, corte de 
vegetações, impermeabilização do solo e a sua fase de construção que 
acaba gerando ruídos, resíduos, etc. 
Os impactos, além de ambientais, também influenciam o meio social, 
econômico e visual. Como pode valorizar uma área, pode também 
desvalorizar, mediante poluição visual, sonora, sombreamento de área 
que necessita de insolação, empecilho para a ventilação, entre outros.” 
 
Os impactos ambientais causados pelo setor da construção podem ser observados em 
todas as etapas da sua cadeia produtiva, tendo início na extração de matéria-prima onde ocorre 
grande degradação ambiental, seguindo pela elaboração de materiais de construção como, por 
exemplo, emissão de CO2 na produção de cimento e na etapa de execução onde ocorre a 
geração de resíduos como entulhos de demolições e pontas de ferro utilizados na montagem 
das armaduras para concreto armado. Todas essas peculiaridades do setor da construção são 
melhor explicados no item 2.4. 
21 
 
2.1.3 Gestão Ambiental 
De acordo com Valle (2002), a Gestão Ambiental consiste em um conjunto de 
medidas e procedimentos bem definidos que, se adequadamente aplicados, permitem reduzir e 
controlar os impactos produzidos por um empreendimento ao meio ambiente. Para Uerhara et 
al. (2010), a gestão ambiental ocupa-se dos aspectos “políticos”, “Administrar conflitos e 
compreender como os humanos interagem com o ambiente e entre eles mesmos traduzem o 
núcleo da gestão ambiental que, à diferença da Ciência Ambiental, é amplamente situada nas 
Ciências Sociais.”. Em outras palavras, ela visa ordenar as atividades humanas de forma a 
utilizar de maneira racional os recursos naturais, visando a sustentabilidade 
Após a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento em 
1992 (ECO 92), que segundo Raynaut, Lana e Zanoni (2000), “[...]foi uma expressão da 
importância que o tema já tinha assumido para a classe política brasileira, bem como um 
incentivo para uma mobilização ainda maior dos interesses públicos e privados nesse 
domínio.” e a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento 
Sustentável (Rio+10) realizada em 2002 com objetivo principal de discutir soluções propostas 
pela Agenda 21, cada vez mais a sociedade passou a exigir das indústrias cuidados na 
preservação dos recursos naturais e o respeito ao Código Florestal, que impõe regras mais 
rígidas no uso da terra. 
Uehara et al. (2010) mostra na Figura 2.2 o crescimento no surgimento dos grupos de 
pesquisa e eventos ambientais na Universidade de São Paulo após 1992 como exemplificação 
da conscientização da população em relação a importância da Gestão Ambiental. 
 
 
Figura 2.2 - Surgimento dos grupos de pesquisas ambientas na USP. (Fonte: Uehara et al., 2010) 
22 
 
 
A existência de um Sistema de Gestão Ambiental em uma empresa geralmente conduz 
a melhoria em desempenho ambiental e em custos diretos (diminuição do desperdício de 
matérias-primas e de recursos cada vez mais escassos, como água e energia) e indiretos 
(representados por sanções e indenizações relacionadas a danos ao meio ambiente ou à saúde 
de funcionários e da população). “Quando metas e objetivos são estabelecidos dentro do 
sistema administrativo, e pessoas e organização são avaliadas por completo para verificar se 
esses objetivos e metas foram alcançados, o resultado é uma melhoria” (HARRINGTON, 
2001). 
De acordo com Novis (2014), a ISO 14001 é a única norma do conjunto ISO 14000 
que certifica ambientalmente uma organização. Ela tem como propósito prover às 
organizações os elementos de um Sistema de Gestão Ambiental competente, susceptível a 
integração com os demais objetivos da organização e com capacidade de ser aplicado a todos 
os tipos e partes de organizações, independente e suas condições geográficas, culturais e 
sociais. A ISO 14004 especifica os princípios e elementos integrantes de um Sistema de 
Gestão Ambiental, mas é destinada somente para uso interno na organização, servindo como 
guia para a implementação da Gestão Ambiental, sem aguardar por certificação. 
Segundo a ABNT NBR ISO 14004 (ABNT, 2004), existe um processo de avaliação 
para determinar a significância dos aspectos e impactos ambientais (conceitos abordados 
anteriormente nos tópicos 2.1.1 e 2.1.2) que deve conter as etapas de Seleção de uma 
atividade, produto ou serviço; Identificação de aspectos ambientais; Identificação de impactos 
ambientais e Avaliação da importância dos impactos. No Quadro 2.4, estão exemplificados 
possíveis aspectos e impactos oriundos de algumas atividades comuns na construção civil. 
 
Quadro 2.4 - Exemplos de Aspectos e Impactos Ambientais da Construção Civil 
 
Atividade, produto ou serviço Aspecto Impacto 
Atividade - Manuseio de materiais 
perigosos 
Possibilidade de vazamento 
para o meio ambiente 
Contaminação do solo 
ou da água 
Produto - Projeto de edificação 
comercial 
Uso de matérias-primas 
esgotáveis (água, metais, 
plásticos) 
Esgotamento de 
recursos naturais 
Serviços - Operação de caminhões 
de transporte 
Emissões de gases pelo 
escapamento 
Contaminação do ar 
Fonte: Autoria própria. 
 
23 
 
A ISO 14004, complementa a ISO 14001 e, assim como ela, existem outras normais 
complementares: ISO 14020 do grupo de normas que lidam com selos ambientais; ISO 
14031que é basicamente um guia para avaliar o desempenho ambiental; ISO 14040 que 
conduz análises do ciclo de vida de produtos e serviços (a qual será abordada no tópico 2.1.4); 
ISO 14063 que trata de comunicação ambiental por parte das empresas; ISO 14064 que 
auxilia na contabilização e verificação de emissões de gases de efeito estufa para suportar 
projetos de redução de emissões; ISO 14065 a qual complementa a ISO 14064 especificando 
os requisitos para certificar ou reconhecer instituições que farão validação ou verificação da 
norma ISO 14064 ou outras especificações importantes. 
2.2 LEGISLAÇÕES APLICÁVEIS 
2.2.1 Aspectos Gerais 
A preocupação com o meio ambiente acompanha os principais movimentos políticos 
no mundo. A legislação ambiental brasileira, antes da atual Constituição, era regida pela 
Política Nacional do Meio Ambiente, instituída em 31 de agosto de 1981 pela Lei 6.938 que, 
entretanto, demorou cinco anos para produzir um primeiro efeito normativo, a Resolução nº 
01 do CONAMA de 05.01.86. Nessa Resolução foi definido Impacto Ambiental e a 
necessidade de se ter um Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) para qualquer tipo de 
licenciamento, obra ou intervenção no meio ambiente. 
Já no início dos anos 90 houve um processo preparatório da Conferência das Nações 
Unidas sobre o Meio Ambiente, a RIO 92, na qual foi aprofundado a questão do 
Desenvolvimento Sustentável, resultando na “Agenda 21” que seguiu com um despertar sobrea sociedade (SANTOS, 2015). 
Seguindo o exemplo dos outros países, o Brasil vem evoluindo em sua legislação 
ambiental com o objetivo de preservação do meio ambiente e responsabilização dos principais 
geradores. Este ítem 2.2 mostra a evolução da legislação ambiental brasileira a níveis federal, 
estadual e municipal tomando como referência o estado e o município do Rio de Janeiro. 
24 
 
2.2.2 Lei Federal 
A lei federal nº 6.938/81, nomeado como Política Nacional do Meio Ambiente, busca 
a preservação, melhora e recuperação do Meio Ambiente Nacional. De acordo com Rodrigues 
(2018), ela foi o marco inicial que cuidou do meio ambiente como um direito próprio e 
autônomo. “Antes disso, a proteção do meio ambiente era feita de modo mediato, indireto e 
reflexo, na medida em que ocorria apenas quando se prestava tutela a outros direitos, tais 
como o direito de vizinhança, propriedade, regras urbanas de ocupação do solo, etc.". 
Para alcançar o objetivo de melhora do meio ambiente, segundo Santos (2015), essa 
lei instituiu o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), que representa o conjunto de 
órgãos, entidades e normas de todos os entes federativos da União, estados, Distrito Federal e 
municípios, responsáveis pela gestão ambiental. O SISNAMA, cuja estrutura é disposta no 
Quadro 2.5, estabelece princípios e conceitos fundamentais para a proteção ambiental, bem 
como objetivos e instrumentos até então inexistentes na legislação pátria. 
 
Quadro 2.5 - Estrutura SISNAMA 
 
Estrutura do SISNAMA 
Órgão superior: O Conselho de Governo 
Órgão consultivo 
O Conselho Nacional do Meio Ambiente - 
CONAMA 
Órgão central: O Ministério do Meio Ambiente - MMA 
Órgão executor: 
 O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e 
dos Recursos Naturais Renováveis - 
IBAMA 
Órgãos Seccionais: 
os órgãos ou entidades estaduais 
responsáveis pela execução de programas, 
projetos e pelo controle e fiscalização de 
atividades capazes de provocar a 
degradação ambiental; 
Órgãos Locais: 
os órgãos ou entidades municipais, 
responsáveis pelo controle e fiscalização 
dessas atividades, nas suas respectivas 
jurisdições; 
 
Fonte: SISNAMA 
 
A partir da Lei 12.305, foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). 
Nela, a responsabilidade pela gestão dos Resíduos de Construção e Demolição (RCD) 
25 
 
estendeu-se aos Municípios e ao Distrito Federal, visando a reciclagem de lixo e o correto 
manejo dos produtos usados com alto potencial de contaminação. 
De acordo com Santos (2015), nesta lei está inclusa a criação da logística reversa para 
determinados materiais como agrotóxicos, pilhas, baterias, eletroeletrônicos, pneus, lâmpadas 
e óleos lubrificantes. Além de estimular de que cidadãos separem o lixo doméstico nas 
cidades onde existe coleta seletiva, a lei prevê subsídios da União para catadores de lixo e a 
indústria da reciclagem. Também está contemplada nesta lei, a proibição da criação de lixões 
onde os resíduos são despejados a céu aberto assim como moradia e criação de animais nesses 
locais. 
2.2.3 CONAMA n° 307/2002 
Em 1986, segundo Santos (2015), na Resolução n° 001 da CONAMA é definido 
Impacto Ambiental e a necessidade de se ter um Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) 
para qualquer tipo de licenciamento, obra ou intervenção no meio ambiente. 
Por causa do crescente aumento de RCD e os impactos causados no meio-ambiente, o 
CONAMA formulou a Resolução nº 307 (CONAMA, 2002), que responsabiliza os geradores 
de resíduos pela destinação final dos mesmos. “Sua vigência começou a partir de julho de 
2002, e estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da 
construção civil, disciplinando as ações necessárias de forma a minimizar os impactos 
ambientais.” (GONÇALVES, 2016). 
No Art. 2º, temos a definição de resíduos da construção civil segundo a Resolução 
307: 
 
Resíduos da construção civil: são os provenientes de construções, 
reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os 
resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: 
tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, 
resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, 
gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação 
elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou 
metralha. 
 
Além de diretrizes, ela estabelece que os geradores devam ter como objetivo 
prioritário a não geração de resíduos e, como secundário, devem buscar reduzi-lo, reutilizá-lo, 
reciclá-lo e cuidar para que a destinação final seja correta, uma vez que não é possível sua 
26 
 
disposição em aterros domiciliares, área de “bota fora”, em encostas, corpos d’agua, lotes 
vagos e em áreas protegidas por Lei. A responsabilidade pelo entulho gerado é do gerador, 
sendo a Prefeitura corresponsável por pequenas quantidades, geralmente menos que 50 kg ou 
100 lts. (LARUCCIA, 2014) 
A Resolução 307 também determina que o instrumento para a gestão dos resíduos da 
construção civil, o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, seja 
elaborado pelos municípios e pelo Distrito Federal e este plano deve conter diretrizes, técnicas 
e procedimentos para o Programa de Gerenciamento e Projetos de Resíduos da Construção 
Civil, e define formas de disposição dos resíduos segundo sua classificação. 
Segundo a Resolução nº 448 (CONAMA, 2012), que é uma alteração da resolução 
307/02, a elaboração de um plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos deve 
contemplar: 
 
a) A situação dos resíduos sólidos gerados, contendo a origem, o volume, a 
caracterização e as formas de destinação e disposição final; 
b) Identificação das áreas favoráveis para disposição final ambientalmente adequada; 
c) Possíveis soluções compartilhadas com outro município; 
d) Identificação dos geradores sujeitos ao plano de gerenciamento específico; 
e) Procedimentos operacionais e especificações a serem adotadas nos serviços 
públicos do manejo de resíduos sólidos; 
f) Indicadores de desempenho operacional do manejo sólidos; 
g) Regras para o transporte e de outras etapas do gerenciamento dos resíduos sólidos; 
h) Programas e ações de capacitação técnica, voltados para sua implementação e 
operacionalização; 
i) Programas e ações de educação ambiental que promovam a não geração, a 
redução, a reutilização e a reciclagem de resíduos sólidos; 
j) Metas de redução, reutilização, coleta seletiva e reciclagem, entre outras, com 
vistas a reduzir a quantidade de rejeitos encaminhados para disposição final 
ambientalmente adequada; 
27 
 
2.2.4 Lei Estadual do Rio de Janeiro 
A Resolução 307/02 da CONAMA, é reforçada pela lei n°4.191 de 30 de setembro de 
2003 no Estado do Rio de Janeiro. Essa lei considera que qualquer atividade geradora de 
resíduos deve obedecer a todas as obrigatoriedades contidas na legislação, portanto, ela não 
contempla apenas o setor da construção civil. 
Segundo o Art. 8°: 
“As atividades geradoras de resíduos sólidos e executores, de qualquer 
natureza, são responsáveis pelo seu acondicionamento, 
armazenamento, coleta, transporte, tratamento, disposição final, pelo 
passivo ambiental oriundo da desativação de sua fonte geradora, bem 
como pela recuperação de áreas degradadas.” 
 
 Os instrumentos da Política Estadual de Resíduos Sólidos são estabelecidos e, 
dentre eles, estão as auditorias ambientais, os programas de incentivo à adoção de sistemas de 
gestão ambiental pelas empresas e a certificação ambiental de produtos e serviços. 
Nela, o Estado reforça que Caso contrário, as responsáveis estão sujeitas a penalidades 
previstas que vão desde multas simples, perda de crédito, embargo de obras e cassação de 
licença ambiental. 
“Art. 18 - Constitui infração, para efeito desta Lei, toda ação ou 
omissão que importe a inobservância de preceitos nela estabelecidos e 
na desobediênciaa determinações dos regulamentos ou normas dela 
decorrentes. 
 
Parágrafo único - O descumprimento das determinações a que se 
refere o caput deste artigo sujeitará os infratores às penas de 
advertência por escrito, multa simples, multa diária, interdição e 
demais penalidades previstas na Lei Estadual nº 3467Controle de Leis, 
de 14 de dezembro de 2000, independentemente de outras sanções 
administrativas.” (LEI N°4.191, 2003). 
2.2.5 Lei Municipal do Rio de Janeiro 
No contexto Municipal do Rio de Janeiro, é respeitado o decreto n°42605 de 25 de 
novembro de 2016 que institui o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos - 
PMGIRS da Cidade do Rio de Janeiro (2017-2020). Ele considera a determinação da Lei 
Federal nº 12.305, de 02 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos 
Sólidos, estabelecendo em seus arts. 18 e 55 que a elaboração do PMGIRS é condição para os 
28 
 
municípios terem acesso a recursos da União destinados à limpeza urbana e ao manejo de 
resíduos sólidos; 
Conforme o PMGIRS (2017-2020), podemos observar número significativo dos 
resíduos da construção civil no Município do Rio de Janeiro destinados a Gericinó vide 
Figura 2.3: 
“93,2 % do fluxo de resíduos sólidos gerados na cidade é destinado ao 
ctr-rio, em Seropédica, após passar pelas estações de transferência de 
resíduos - Etrs. Para o ctr-gericinó são destinados 6,3% do fluxo, que 
são os resíduos da construção civil e o restante 0,5% compreende o 
fluxo da coleta seletiva.” 
 
 
 
Figura 2.3 - Vista aérea do CTR – Gericinó (Fonte: PMGIRS) 
 
O PMGIRS define que para maiores quantidades de Resíduos da Construção Civil -
RCC de responsabilidade do gerador, enquadrado como gerador de lixo extraordinário 
(Grande Gerador de RCC é aquele que gera volume superior a 2 m³/semana de acordo com o 
inciso VII, art. 3º do Decreto Municipal nº 27.078/2006), a COMLURB (Companhia 
Municipal de Limpeza Urbana) disponibiliza em seu site a “relação de empresas credenciadas 
para a coleta e o transporte” e a SMAC (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) 
disponibiliza em seu site a “listagem de empresas licenciadas para o beneficiamento ou 
destinação final ambientalmente adequada de RCC”. 
Para a remoção de RCC de pequenas obras residenciais, desde que os resíduos estejam 
acondicionados em sacos plásticos de 20 litros, pode ser solicitado o apoio do município no 
recolhimento de até 150 sacos a cada 10 dias, através do Serviço de Remoção Gratuita da 
COMLURB. 
A recente Resolução SMAC nº 604/2015 estabelece que os Planos de Gerenciamento 
de RCC – PGRCC deverão ser elaborados de forma a privilegiar as alternativas de 
29 
 
reaproveitamento e de reciclagem de RCC na própria obra ou em unidades de beneficiamento 
devidamente licenciadas. 
Cabe registrar que o licenciamento ambiental municipal vem exigindo o atendimento à 
legislação em vigor, com o reaproveitamento dos diferentes resíduos de demolição e 
construção, diretamente nos próprios locais de geração ou indiretamente em outras obras 
licenciadas. As obras sob responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Urbano da 
Região do Porto da Cidade do Rio de Janeiro – CDURP é exemplo de expressivo 
reaproveitamento de RCC. 
Decreto Municipal nº 33.971, de 13.06.2011, dispõe sobre a obrigatoriedade da 
utilização de agregados reciclados, oriundos de resíduos da construção civil - RCC em obras e 
serviços de engenharia realizados pelo Município do Rio de Janeiro e dá outras providências e 
revoga os artigos 35 e 36 do Decreto nº 27.078, de 27.09.2006. 
2.3 ASPECTOS HISTÓRICOS DA GESTÃO AMBIENTAL 
Segundo Novis (2014), até a década de 50, a natureza não era considerada como foco 
principal em qualquer discussão que abordasse a atividade humana e suas relações com o 
meio. “Acreditava-se que a natureza existia para ser compreendida, explorada e catalogada, 
desde que utilizada em benefício da humanidade. Por outro lado, o avanço da tecnologia no 
pós-guerra, dava sinais que não existiriam problemas que não pudessem ser resolvidos.” 
Nos anos 70, o início dos movimentos sociais representou um marco na humanidade e 
em particular para a formação de uma consciência da importância da preservação 
fundamentada nos princípios do equilíbrio com a natureza. A palavra ecologia passa a ser um 
termo muito utilizado (SCHENINI et al, 2004). 
Havia uma divisão bem clara entre pessoas ditas ecologistas (defensores da natureza) e 
pessoas que pregavam a exploração irrestrita do meio ambiente. Porém com surgimento 
recente do termo “desenvolvimento sustentável”, ocorreu consequentemente o aparecimento 
de profissionais com um perfil que seria um meio termo, ou seja, profissionais com visão 
ambientalista que agregam esse conhecimento à exploração dos recursos naturais, tornando-a 
mais racional. 
De acordo com Roth e Garci (2009), nos anos 70 houve o início da implementação de 
medidas para atenuar os impactos ambientais procedentes das atividades do setor da 
construção civil nos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento 
30 
 
Econômico - OCDE. Primeiramente foram desenvolvidas ações para a economia de energia, 
para o enfrentamento da crise do petróleo e para o desenvolvimento da eficiência energética 
do setor. 
Nos anos 80, por conta da escassez de áreas para a disposição final de resíduos sólidos 
no setor da construção civil na Europa, a reciclagem e a minimização de resíduos passaram a 
ser motivo de foco especial nesse setor e diversas políticas públicas foram introduzidas com 
este objetivo. 
Santos (2015) relata que no final dos anos 80 e início dos anos 90 houve um processo 
preparatório da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a RIO 92, na qual foi 
aprofundado a questão do Desenvolvimento Sustentável. Nesse evento foi feito o documento 
intitulado de “Agenda 21”, que resultou de um despertar sobre a consciência ambiental, a 
importância da conservação da natureza para o bem-estar da sociedade. 
O documento alvidrava que a sociedade assumisse uma atitude ética entre a 
conservação ambiental e o desenvolvimento. Evidenciava a forma desperdiçadora com que 
até então eram tratados os recursos naturais e propunha uma sociedade justa e 
economicamente responsável, produtora e produto do desenvolvimento sustentável. Em 
março de 1993 instalou-se o ISO/TC-207, comitê técnico com a função de elaborar uma série 
de normas, batizadas de série ISO 14.000. 
No Brasil, segundo Schenini et al. (2004), a inexistência de uma consciência ecológica 
na indústria da construção civil resultou em danos ambientais irreparáveis, que foram 
agravados pelo maciço processo de migração ocorrido na segunda metade do século passado, 
que ocasionou uma enorme demanda por novas habitações. 
Atualmente, o modelo de construção civil praticado no Brasil, em toda a sua cadeia de 
produção, ocasiona vários prejuízos ambientais, pois, além de utilizar, amplamente, matéria-
prima não renovável da natureza e consumir elevadas quantidades de energia, tanto na 
extração quanto no transporte e processamento dos insumos, é também perdulário no uso dos 
materiais e considerado grande fonte geradora de resíduos dentro da sociedade. Tais impactos 
acabam provocando a formação de áreas degradadas que ocorrem em três etapas do processo 
construtivo: na aquisição de materiais, considerando a retirada de matéria-prima natural e o 
fabrico de produtos, na etapa de execução das obras civis, propriamente dita, e na fase de 
disposição final dos resíduos gerados pela construção. 
31 
 
2.4 PECULIARIDADES DA CONSTRUÇÃO CIVIL 
Segundo Barreto (2005), a construção civil é uma indústria que produz grandes 
impactos ambientais, desde a extração das matérias-primas necessárias à produção de 
materiais, que tem como consequência imediata o esgotamento de recursos, passando pela 
execução dos serviços nos canteiros de obra até a destinação final dada aos resíduosgerados, 
ocasionando grandes alterações na paisagem urbana, acompanhada de áreas degradadas como 
esquematizado na Figura 2.4 (ROTH E GARCIAS, 2009). 
No entanto, outros impactos ambientais podem ser identificados, tais como: emissão 
de gases poluentes e gasto de energia, seja durante a extração, fabricação ou transporte do 
recurso; contaminação da água por lavagem de matéria prima extraída e por processos 
industriais; consumo de energia e água, entre outros insumos, para manter a produção 
(SANTOS, 2015). 
 
 
Figura 2.4 - Impactos Ambientais da Cadeia da CC (Fonte: Roth e Garcias, 2009) 
 
Segundo Lima (1999), a construção de edificações, em especial, é o setor que apresenta 
maiores atrasos devido à falta de qualidade dos serviços e por apresentar grande quantidade 
de retrabalho, perdas, baixa produtividade e enorme resistência a mudanças. O que provoca 
estes fatos é uma falta de fiscalização das sequências das atividades, a mão de obra intensa e 
desqualificada, a falta de definição de atividades, a resistência a mudanças e produção não 
planejada por parte dos responsáveis. 
32 
 
2.4.1 A Extração de Matéria-Prima 
 Segundo Mesquita (2012), no Brasil, a construção civil é responsável por cerca de 
14% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Mas, mesmo sendo um setor que contribui 
positivamente para o desenvolvimento do país, ele também gera muitos problemas. 
De acordo com John, Oliveira e Lima (2007), “a construção de edificações consome 
até 75% dos recursos extraídos da natureza, com o agravante que a maior parte destes 
recursos não é renovável”. Estima-se que 220 milhões de toneladas de agregados naturais são 
consumidos apenas na produção de concreto e argamassa no Brasil e cerca de 2/3 da madeira 
natural extraída é para uso dessa atividade, sendo que a grande maioria das florestas não são 
manejadas de maneira adequada causando desmatamentos em massa. 
Para Roth e Garcias (2009), a formação de áreas degradadas tem início já na fase de 
extração de recursos naturais: 
 
“A retirada de matéria-prima pode resultar na extinção e escassez de 
fontes e jazidas, alterações na flora e fauna do entorno destes locais de 
exploração, reconfiguração das superfícies topográficas, aceleração do 
processo erosivo, modificações de cursos d´água, interceptação do 
lençol freático, aumento da emissão de gases e partículas em 
suspensão no ar, aumento de ruídos e propagações de vibrações no 
solo, tudo isto resultando em áreas degradadas” 
 
A exploração, que pode ser realizada de inúmeras maneiras, tendo em vista técnicas 
primitivas e menos complexas até as modernas e tecnologicamente superiores, traz consigo 
fatores que levam à perda de qualidade ambiental da área explorada como pode-se observar 
na Figura 2.5 em uma área degradada pelo processo de extração de madeira. 
 
 
Figura 2.5 - Desmatamento na Amazônia para extração de madeira (Fonte: Roth e Garcias, 2009) 
 
33 
 
 A lei 9605/98, que entre outras providencias “dispõe sobre as sanções penais e 
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente”, em seu artigo 
55: 
 
“Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a 
competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em 
desacordo com a obtida: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e 
multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem deixa de 
recuperar a área pesquisada ou explorada, nos termos da autorização, 
permissão, licença, concessão ou determinação do órgão competente.” 
 
De acordo com a constituição federal de 88, artigo 225, parágrafo 2º: “Aquele que 
explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo 
com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei”. 
E ainda, conforme instituído pelo Decreto Federal 97.632, de 1989, em seu artigo 
primeiro: “Os empreendimentos que se destinam à exploração dos recursos minerais deverão, 
quando da apresentação do Estudo de Impacto Ambiental - EIA e do Relatório de Impacto 
Ambiental - RIMA, submeter à aprovação do órgão ambiental competente, plano de 
recuperação de áreas degradas.” 
A diminuição das jazidas disponíveis para o atendimento das demandas das principais 
regiões do país, em especial no Sul e Sudeste, vem sendo fruto da mineração de materiais de 
uso imediato na construção civil, como areia, brita e argila, associada a outras formas de uso e 
ocupação do solo. Segundo John (2000), em São Paulo, por exemplo, o esgotamento das 
reservas próximas da capital faz com que a areia natural já esteja sendo transportada de 
distâncias superiores a 100 km, resultando em significativo aumento no consumo de energia e 
geração de poluição. 
De acordo com o portal Ambiente Brasil (2007), o volume das áreas degradadas 
depende do tipo de mineração, da quantidade de materiais retirados e dos rejeitos produzidos. 
Na Figura 2.6 observa-se um local de extração de areia causando desmatamento da margem e 
assoreamento na área. Quando se trata dos recursos minerais, o setor minerário é um dos 
maiores usuários de energia, o que contribui para a poluição do ar e o aquecimento global 
(Brasil, 2007). 
34 
 
 
Figura 2.6 - Margem sofrendo desmatamento e erosão na extração de areia (Fonte: Inpe, 2007) 
 
O cimento tem como principais matérias-primas o calcário e a argila. A Figura 2.7 
mostra as fases do processo do processo extrativo dessas matérias. Nas minas de calcário, o 
processo se inicia na extração da rocha que pode ser realizada a céu aberto ou de maneira 
subterrânea. Segundo Laruccia (2014), “No Brasil, a lavra a céu aberto é mais comumente 
encontrada, e o desmonte da rocha é realizado por meio de explosivos.” Os explosivos são 
dispostos em locais predeterminados por estudos geológicos existentes da área levando em 
consideração a quantidade de rocha e a granulometria desejadas planejando a qualidade do 
produto final e o aproveitamento adequado da jazida. 
 
 
Figura 2.7 - Processo extrativo de matérias-primas do cimento (Fonte: Laruccia, 2014) 
35 
 
2.4.2 A Produção dos Materiais e o Processo Construtivo 
A fase de fabricação de materiais de construção também provoca impactos negativos. 
A indústria do cimento é responsável por aproximadamente 3% das emissões mundiais de 
gases de efeito estufa e por aproximadamente 5% das emissões de CO2 e, no Brasil, é 
responsável pela geração de mais de 6% do total de CO2 gerado. A figura 2.8 demonstra a 
evolução da produção de cimento no Brasil de acordo com Sindicato Nacional da Indústria do 
Cimento - SNIC (2006). 
 
 
Figura 2.8 - Produção de cimento no Brasil (Fonte: SNIC, 2006) 
 
De acordo com Maury e Blumenschein (2012), a queima de combustíveis fósseis 
contabiliza cerca de 54%, o desmatamento por queimadas 9% e outros emissores de gases de 
efeito estufa 14,8%. Nas emissões específicas da indústria do cimento, aproximadamente 50% 
referem-se ao processo produtivo, cerca de 5% ao transporte, 5% ao uso da eletricidade e os 
outros 40% ao processo de clinquerização (World Business Council for Sustainable 
Development - WBCSD, 2002), como mostra a Figura 2.9. 
 
36 
 
 
Figura 2.9 - Emissões de gases de efeito estuda da indústria do cimento (Fonte: Adaptado do WBCSD, 2002) 
 
A Figura 2.10 traça a distribuição mundial do potencial de emissões anual de CO2 
pela indústria de cimento nos anos 1990 segundo Van Oss e Padovani (2002). Sem dúvida, o 
maior potencial de emissões está na Ásia, China, Japão e Índia. No Brasil, o potencial de 
emissão é considerado mediano. 
 
Figura 2.10 - Distribuição de emissões anuais de CO2 da indústria do cimento nos anos 1990 (Fonte: Van Oss e 
Padovani, 2002) 
 
 
 
 Pode-se observar na Figura 2.11 os impactos gerados no decorrer do processo 
produtivo do cimento, mostrando seus aspectos sociais e ambientais resumidos por Maria 
Beatriz Maury, 2007. 
Segundo Maury e Blumenschein (2012), aindústria do cimento ciente de todas as 
questões ambientais apontadas em âmbito mundial, em 1999, lançou a Iniciativa para a 
Sustentabilidade do Cimento (CSI), onde dez importantes empresas de cimento, em conjunto 
37 
 
com o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), se uniram com o 
intuito de investir na sustentabilidade para o setor. Esta iniciativa desenvolveu um programa 
de investigação e de consulta das partes interessadas (stakeholders), que culminou com a 
publicação, em março de 2002, do relatório independente do Batelle Memorial Institute, 
denominado de Rumo a uma Indústria Cimenteira Sustentável (Toward a Sustainable Cement 
Industry), entre outros estudos e documentos sobre a sustentabilidade da indústria cimenteira. 
 
 “O relatório Rumo a uma Indústria Cimenteira Sustentável (WBCSD, 
2002) apresenta recomendações chave destinadas a promover uma 
evolução da indústria pela via do desenvolvimento sustentável 
nomeadamente nas áreas da proteção climática, produtividade dos 
recursos, redução das emissões de gases poluentes, bem-estar dos 
colaboradores, gestão ambiental, desenvolvimento regional, 
integração industrial, inovação e cooperação industrial." (MAURY E 
BLUMENSCHEIN, 2012) 
 
Os objetivos da Iniciativa para a Sustentabilidade do Cimento são apresentados no 
Quadro2.7: 
Quadro 2.6 - Objetivos da Rumo 
 
1 
Avaliar o que significa o desenvolvimento sustentável para a 
indústria cimenteira; 
2 
Identificar e promover ações suscetíveis de serem levadas a cabo 
pelas empresas, individualmente ou em grupo, as quais acelerem 
o processo de desenvolvimento sustentável; 
3 
Criar uma estrutura operacional que permita a participação de 
outras empresas do setor; 
4 
Criar uma estrutura operacional que estimule o envolvimento de 
stakeholders. 
Fonte: Maury e Blumenschein, 2012 
38 
 
 
 
Figura 2.11 - Impactos ambientais da indústria do cimento (Fonte: Maria Beatriz Maury, 2007) 
 
39 
 
De acordo com a Iniciativa para a Sustentabilidade do Cimento (WBCSD, 2002), seis 
áreas chave formam a base do Plano de Ação que estabelece o programa de trabalho da Rumo 
a uma Indústria Cimenteira Sustentável conforme o Quadro2.7. A sexta área de intervenção 
trata de processos empresariais internos que incidem transversalmente nas outras cinco áreas. 
 
Quadro 2.7 - Áreas do Plano de Ação da Rumo 
 
1 Proteção climática; 
2 Combustíveis e matérias-primas; 
3 
Saúde e segurança dos 
colaboradores; 
4 Redução de emissões. 
5 Impactos a nível local. 
6 Processos empresariais internos. 
Fonte: Maury e Blumenschein, 2012 
 
Na etapa de execução das obras de construção civil vários impactos também são 
provocados, como os consequentes da perda de materiais, os referentes à interferência no 
entorno da obra e nos meios biótico, físico e antrópico do local da edificação (ROTH E 
GARCIAS, 2009). Segundo a Seplan (2007), nesta fase o ar é afetado pelas partículas em 
suspensão, pelos ruídos e gases emitidos por máquinas, veículos e equipamentos; o solo e 
subsolo são atingidos pela retirada de vegetação, cortes e escavações do terreno, aterros e 
terraplanagem; e as águas são contaminadas pelo lixo, dejetos humanos e petróleo utilizado na 
operação de máquinas. 
Durante a etapa de construção, apesar da água não ser considerada propriamente como 
um material de construção, o seu consumo atinge níveis consideráveis. Para a confecção de 
um metro cúbico de concreto, segundo Santos (2005), se gasta em média de 160 a 200 litros e, 
na compactação de um metro cúbico de aterro, podem ser consumidos até 300 litros de água. 
Algumas etapas como teste de impermeabilização, teste de instalações hidráulicas, limpeza 
dos apartamentos em fase final de entrega e até mesmo durante o processo de cura do 
concreto onde as peças ou laje são molhadas para não ocorrer rachaduras, ocorrem picos de 
gastos com o consumo da água nas construções. 
A construção civil aparece como uma das atividades que mais interferem no ciclo da 
água, seja diretamente, em obras de infraestrutura, como barragens e transposições, ou 
indiretamente, criando superfícies impermeáveis que alteram o escoamento superficial e a 
40 
 
drenagem. Outro forte agravante são os resíduos de tintas e solventes que são descartados sem 
tratamento em locais inapropriados e acabam percolando e contaminando os lençóis freáticos. 
O canteiro de obra provisório é um outro fator peculiar da construção civil. Nele, 
ocorre a formação de uma área degradada sazonal, ou seja, seu período de existência é o 
mesmo do período da construção. No decorrer da sua existência, ele causa impactos no 
transito ao entorno devida a movimentação de caminhões com cargas pesadas, depreciação de 
imóveis vizinhos pelo excesso de ruídos, partículas e gases no ar e alterações que causam 
impacto visual pela depreciação da região. 
2.4.3 A Geração de Resíduos 
Um outro problema ambiental gerado pelo ramo da construção civil são os Resíduos 
de Construção e Demolição (RCD). Esse não se restringe apenas a tijolos quebrados, 
argamassa desperdiçada, ferragens e madeiras como muitos consideram. Eles começam a ser 
gerados já no processo preparatório do terreno (pré-obra) em decorrência de corte de terra, 
remoção de vegetação e árvores e demolições de construções já existentes no local. 
Estes resíduos, quando dispostos de maneira inadequada em lixões, áreas próximas a 
rios e córregos, em vias públicas e até mesmo em aterros controlados, trazem problemas à 
saúde e ao meio ambiente, provocando o surgimento de vários pontos de áreas degradadas 
espalhados pelos centros urbanos (ROTH e GARCIA, 2009). 
No Brasil, a geração de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) foi estimada em 
65 milhões de toneladas por ano. Estimativas revelam que no Brasil são gerados de 230 a 760 
Kg/hab por ano que corresponde de 41 a 70% da massa de lixo urbano do país (PINTO apud 
JOHN, 2001). Esses números geram custos para a coleta, transporte e deposição destes 
resíduos, pois a construção civil usa, em sua maioria, materiais não renováveis. 
Conforme apresentado por Laruccia (2014) e tomando como exemplo a Região 
Metropolitana de São Paulo, cerca de 4,8 milhões toneladas de RCD são gerados, 
correspondendo à cerca de 70% da massa dos Resíduos Sólidos Urbanos. Estudos realizados 
em diversas cidades da região metropolitana de São Paulo, têm apontado os seguintes 
números, vide Tabela 2.1. 
 
 
 
41 
 
Tabela 2.1 – Resíduos Sólidos Urbanos da Região Metropolitana de São Paulo 
 
Município Fonte 
Geração 
Diária em 
ton. 
Participação em 
Relação aos Resíduos 
Sólidos Urbanos 
São Paulo 
I&T -
2003 17.240 55% 
Guarulhos 
I&T -
2001 1.308 50% 
Diadema 
I&T -
2001 458 57% 
Campinas 
I&T -
1996 1.800 64% 
Piracicaba 
I&T -
2001 620 67% 
São José dos Campos 
I&T -
1995 733 67% 
Ribeirão Preto 
I&T -
1995 1.043 70% 
Jundiaí 
I&T -
1997 712 62% 
São José do Rio Preto 
I&T -
1997 687 58% 
Santo André 
I&T -
1997 1.013 54% 
Fonte: Laruccia, 2014 
 
Pinto (2005) constatou que cerca de 75% dos Resíduos de Construção Civil (RCC) dos 
municípios vêm de obras informais. Se os resíduos forem dispostos de maneira incorreta por 
conta da inexistência ou falta de eficiência das políticas públicas, juntamente com a falta de 
compromisso dos geradores, algumas resultantes consideradas são: 
“...a degradação das áreas de manancial e de proteção permanente; a 
proliferação de agentes transmissores de doenças; o assoreamento de 
rios e córregos; a obstrução dos sistemas de drenagem, tais como 
“piscinões”, galerias, sarjetas; a ocupação de vias e logradouros 
públicos por resíduos, com prejuízo à circulação de pessoas e 
veículos; a degradação da paisagem urbana; além da existência e 
acúmulo de resíduos que podem gerar risco por sua periculosidade.” 
(ROTH E GARCIAS, 2009). 
 
Para um melhor controle dos RCD, em 2002 entrou em vigor a resolução 307 do 
Conselho Nacionaldo Meio Ambiente (CONAMA), que estabelece critérios e diretrizes para 
procedimentos de gestão de resíduos da construção civil, e em 2010 a Lei nº 12.305, que 
institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituindo a responsabilidade 
compartilhada dos geradores de resíduos e tornando obrigatória a criação de Planos 
42 
 
Integrados de Gerenciamento dos Resíduos nos municípios, incluindo a questão dos resíduos 
de construção civil e demolição. (GOLÇALVES, 2016) 
A norma NBR 10.004 (ABNT, 2004), classifica os resíduos sólidos quanto aos seus 
riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para que possam ser gerenciados 
adequadamente como mostra a Figura 2.12. Segundo ela, “a classificação de resíduos envolve 
a identificação do processo ou atividade que lhes deu origem e de seus constituintes e 
características e a comparação destes constituintes com listagens de resíduos e substâncias 
cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido.” 
 
Figura 2.12 - Caracterização e classificação de resíduos (Fonte: NBR 10.004 - ABNT, 2004) 
 
43 
 
Os resíduos da construção civil são classificados na classe II b – Inertes pela norma 
NBR 10.004 (ABNT, 2004), e são definidos como: 
“Quaisquer resíduos que, quando amostrados de forma representativa, 
submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou 
deionizada, à temperatura ambiente, conforme teste de solubilização, 
não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados em 
concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, 
excetuando-se os padrões de aspecto, cor, turbidez e sabor. Como 
exemplo destes materiais, podem-se citar rochas, tijolos, vidros e 
certos plásticos e borrachas que não são decompostos prontamente.” 
NBR 10.004 (ABNT, 2004). 
 
Porém, a resolução nº 307 (CONAMA, 2002) e a Lei 12.305 (BRASIL, 2010), 
definem os RCD como materiais provenientes de construções, reformas, reparos, demolições 
e escavações ou preparação de terrenos de obras de construção civil, denominados como 
entulhos de obras. 
A gestão dos RCD deve ser de responsabilidade do município e do setor gerador. Para 
saber a disposição final dos resíduos, bem como o gerenciamento do mesmo, é preciso saber a 
sua classificação. De acordo com as resoluções nº 432 e nº 448 (CONAMA, 2011 e 2012), os 
RCD são classificados da seguinte forma: 
 
Quadro 2.8 - Classificação dos RCD (Fonte: Adaptado da CONAMA) 
 
Classe A 
São os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, 
componentes cerâmicos, argamassa e concreto. Deposição: 
deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados, 
ou encaminhados aterros de resíduos onde possam ser 
reservados para utilização futura; 
Classe B 
São os resíduos recicláveis para outras destinações, tais 
como: plásticos, papel/papelão, metais, vidros, madeiras e 
gessos. Deposição: deverão ser reutilizados, reciclados ou 
encaminhados a áreas de armazenamentos temporários, sendo 
dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem 
futura. 
Classe C 
São os resíduos para os quais não foram desenvolvidas 
tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que 
permitam a sua reciclagem/recuperação. Deposição: deverão 
ser armazenados, transportados e destinados em 
conformidade com normas técnicas específicas; 
44 
 
Classe D 
São os resíduos perigosos como tintas, solventes, óleos ou 
aqueles contaminados ou prejudiciais à saúde. Deposição: 
deverão ser armazenados, transportados, e destinados em 
conformidade com normas técnicas. 
 
 
Com o adensamento urbano das grandes cidades metrópoles já existem diversas 
soluções para a valorização dos entulhos da construção civil. Equipamentos portáteis podem 
ser levados nas obras, triturando os entulhos selecionados, gerando agregados para serem 
utilizados em concretos não estruturais (FERREIRA, 2012). 
Na cidade do Rio de Janeiro, o Centro de Tratamento de Resíduos CTR-Rio, em 
Seropédica, inaugurado em 20 de abril de 2011 com uma área de 220 hectares, recebe os 
resíduos gerados no município. No decorrer de 2014, esta unidade recebeu, em média, 9.227 
toneladas de lixo por dia do município do Rio de Janeiro, sendo desse total 857 t/dia são 
resíduos da construção civil. 
2.5 OBRAS BRASILEIRAS HISTÓRICAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SEUS 
IMPACTOS AMBIENTAIS 
Segundo Spadotto et al. (2011) “algumas obras podem causar impactos que 
influenciam o ecossistema podendo alterá-lo drasticamente ou até provocar sua extinção, por 
meio de inundação de grandes áreas, corte de vegetações, impermeabilização do solo e a sua 
fase de construção que acaba gerando ruídos, resíduos, etc.” Além de ambientais, os impactos 
também influenciam no meio social, econômico e visual. 
Uma obra de suma importância para o Brasil na década de 70 foi a construção da 
Usina Hidrelétrica de Itaipu. Com inícios das obras em 1975 e inauguração em 1982, essa 
hidrelétrica é considerada a segunda maior do mundo em potência instalada (14.000MW), 
perdendo apenas para a Três Gargantas da China (22.400MW). 
Para a construção de Itaipu foi necessária a modificação de todo o conjunto do 
patrimônio natural do rio Paraná para a construção do canal de desvio (foi consumido cerca de 
50 milhões de toneladas de rocha e terra para formar o desvio), da barragem (a quantidade de 
concreto usado para construir a barragem seria suficiente para construir 210 estádios do 
tamanho do Maracanã) e do reservatório de 1.350km² em uma extensão de 170 km ao longo 
do rio. O ferro e o aço utilizados permitiriam a construção de 380 Torres Eiffel e o volume de 
escavação de terra e rocha em Itaipu é 8,5 vezes maior que o do Eurotúnel. 
45 
 
De acordo com os dados da Itaipu (1994), a implantação da hidrelétrica trouxe para 
esta região um grande prejuízo ambiental, com o alagamento de aproximadamente 1.500 km² 
de florestas e terras agriculturáveis. Houve então a desapropriação de 42.444 pessoas, das 
quais 38.440 eram trabalhadores do campo, o que gerou inúmeros problemas sociais. Parte 
dessas famílias viviam às margens do Rio Paraná e foram desalojadas, a fim de abrir caminho 
para a represa. Algumas se refugiaram nas cidades vizinhas e outras famílias vieram, 
eventualmente, a ser membros de um dos maiores movimentos sociais do Brasil, o 
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. 
O espelho d'água da usina, o qual podemos observar na Figura 2.13, alagou diversas 
propriedades de moradores do extremo oeste do Estado do Paraná. As indenizações foram 
suficientes para que os agricultores comprassem novas terras no Brasil. Sendo as terras no 
Paraguai mais baratas, milhares emigraram para esse país, criando o fenômeno social dos 
brasiguaios - brasileiros e seus familiares que residem em terras paraguaias na fronteira com o 
Brasil. 
 
Figura 2.13 - Espelho d'água da hidrelétrica de Itaipu (Fonte: Wikipédia, 2018) 
 
A cidade de Foz do Iguaçu, que se encontra nas redondezas do reservatório, também 
sofreu um grande impacto devido a construção de Itaipu. A cidade recebeu uma população de 
aproximadamente 40.000 operários com suas respectivas famílias, vinda de vários estados do 
país para a construção da hidrelétrica. Aliado à vinda desses operários, novas estradas, 
hospitais, escolas, condomínios residenciais, estabelecimentos comerciais, mudança de 
hábitos e costumes diferentes da população local. Foz não estava devidamente preparada para 
46 
 
receber tamanha demanda de uma vez só, era uma cidade com cerca de 20.000 habitantes e 
em dez anos a população aumentou para 101.447 habitantes. 
Como uma das medidas ambientalmente preventivas, semanas antes do preenchimento 
do reservatório, foi realizada uma operação de salvamento dos animais selvagens, 
denominada Mymba kuera (que em guarani quer dizer "pega-bicho"). Equipes de voluntários 
conseguiram capturar mais de 4.500 bichos, entre macacos, lagartos, porcos-espinhos, 
roedores, aranhas, tartarugase diversas espécies. Esses animais foram levados para as regiões 
vizinhas protegidas da água. 
Outra obra de considerável impacto socioambiental foi a construção da Ponte Rio-
Niterói (oficialmente chamada de Presidente Costa e Silva) que teve seu projeto iniciado em 
1875. Essa obra teve o objetivo de interligar os municípios de Niterói e Rio de Janeiro pela 
Baía de Guanabara sem a necessidade de percorrer 100 Km terrestres como mostra a Figura 
2.14. 
 
 
Figura 2.14 - Ponte Rio-Niterói (Fonte: SOS Marica, 2018) 
 
O projeto foi idealizado por Mário Andreazza, então Ministro de Transporte, e 
assinado pelo presidente Costa e Silva no ano de 1968. As obras tiveram início em 1969, onde 
foi feita uma estrutura de aço para apoiar a de concreto e o asfalto (Figura 2.15), que veio em 
blocos da Inglaterra. A ponte ficou pronta em 1974 medindo 72m de altura e 13.290m de 
comprimento. 
47 
 
 
Figura 2.15 - Base metálica da ponte Rio-Niterói (Fonte: Portal Puc-Rio Digital) 
 
Para imaginar a quantidade de material usado, se pegássemos todo o concreto da 
Ponte, daria para fazer oito estádios do Maracanã. E, se as vigas de ferro fossem alinhadas, 
dariam a volta na Terra. A etapa mais complexa, foram os 9 quilômetros erguidos sobre o 
mar, o que exigiu a perfuração do subsolo oceânico na busca por um terreno rochoso que 
aguentasse a estrutura da ponte. Além do longo trecho sobre a água, vários quilômetros de 
rampas e viadutos de acesso precisaram ser feitos para integrar a ponte ao sistema de tráfego 
local. Com isso, a extensão total da obra chegou aos 13 quilômetros. 
Alguns dos inúmeros impactos causados pela obra dessa ponte foram: desmatamento 
para a construção dos alojamentos dos operários; Aumento de ruído na área e afugentamento 
da fauna terrestre e aquática; Dano da paisagem visual para o homem; Poluição do ar para o 
transporte dos materiais e peças; Morte de operários durante as concretagens. 
 
48 
 
3 ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS NO SETOR DE ABASTECIMENTO 
DE COMBUSTÍVEIS 
3.1 O SETOR DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEL 
 Segundo o Panorama do Abastecimento de Combustíveis da Agência Nacional do 
Petróleo - ANP (2017), o Brasil, com uma população estimada de 206 milhões de habitantes e 
um território de 8,5 milhões de km², figurou como sétimo maior consumidor de combustíveis 
e derivados do mundo em 2016, chegando a 3 milhões de barris/dia. Regionalmente, o País 
representou 43,3% do total consumido das Américas do Sul e Central (Figura 3.1). Em 2017, 
ele ocupou o terceiro lugar com o consumo de combustíveis no setor de transporte, ficando 
atrás apenas da China e dos Estados Unidos como mostra a Figura 3.2. 
 
 
Figura 3.1 - Consumo de combustíveis em 2016 (mil barris/dia) Fonte: ANP,2017 
 
49 
 
 
 
Figura 3.2 - Consumo de combustíveis no setor do transporte (mil toneladas) Fonte: ANP, 2017 
 
 Segundo o Departamento Nacional de Trânsito - DENATRAN (2016), existem 
91.178.065 veículos no Brasil o que nos mostra uma estatística de um veículo a cada duas 
pessoas e, ainda devemos considerar, as pessoas que não possuem veículo próprio e fazem 
uso do transporte público para se locomoverem. 
 Na Figura 3.3, verifica-se por dados da ANP (2017) “...que as vendas de combustíveis 
cresceram em 10 anos cerca de 49,4%, enquanto o PIB cresceu 21,8%. Isto representa um 
crescimento de 3,7% ao ano para as vendas de combustíveis e crescimento de 1,2% em 
relação ao PIB.” Em resumo, podemos certificar que o crescimento do mercado de 
combustíveis é maior que o dobro do PIB brasileiro, o que salienta a importância desse 
mercado para o país. 
 
Figura 3.3 - Variação de vendas de combustíveis e PIB (Fonte: ANP, 2017) 
 
50 
 
 De acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE (2018), a 
cadeia de combustíveis automotivos no Brasil é complexa e formada segundo a Figura 3.4. Os 
agentes do setor de abastecimento de combustíveis e derivados podem ser divididos nas 
seguintes classificações: 
 (a) fornecedores, que incluem produtores de derivados, de biocombustíveis, de 
lubrificantes, importadores e exportadores de petróleo e derivados; 
 (b) distribuidores de combustíveis líquidos, de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), de 
solventes, de asfaltos e de combustíveis de aviação; 
 (c) revendedores, varejistas de combustíveis líquidos, de GLP, de aviação, 
transportador-revendedor- retalhista (TRR); 
 (d) pontos de abastecimento para consumidores. 
 
 
Figura 3.4 - Cadeia do mercado de combustíveis (Fonte: CADE, 2018) 
 
Para um entendimento numérico do mercado, a Tabela 3.1 ilustra o quantitativo do 
setor em 2016. 
Tabela 3.1 - Quantitativo dos principais agentes de abastecimento em 2016 
 
Fornecedores N 
Refinarias de Petróleo 18 
Usinas de Etanol 383 
Importadores e Exportadores de Petróleo e Derivados 379 
Produtores de Biodiesel 49 
 
Distribuidores 
Distribuidores de Combustíveis Líquidos 164 
51 
 
Distribuidores de GLP 20 
Distribuidores de Combustíveis de Aviação 6 
 
Revendedores 
Revendedores Varejistas de Combustíveis Líquidos 41.689 
 
Consumidores 
Pontos de Abastecimento (Instalações) 16.343 
 
Fonte: CADE, 2018 
 
 Esse trabalho tem como foco principal o setor de revendedores varejista (os 
postos de combustíveis revendedores - PR) e os consumidores (pontos de combustíveis de 
abastecimento – PA) que abrangem todas as empresas transportadoras, de cargas ou pessoas, 
com tanque próprio. Em sua maioria, essas empresas fazem a gestão de frota de caminhões ou 
ônibus, os quais são abastecidos por diesel que é o combustível de maior consumo no Brasil 
segundo a ANP (2017) na Figura 3.5. 
 
 
Figura 3.5 - Consumo de combustível no Brasil por produto (Fonte: ANP) 
 
 Esse setor, por seu funcionamento ter como insumo básico o combustível (segunda 
maior despesa das empresas, ficando atrás apenas da folha de pagamento), possuem 
instalações de pontos de abastecimento de combustível em seus próprios estabelecimentos. 
Comprando das distribuidoras e armazenando o combustível, a gestão do abastecimento de 
frotas facilita e, basicamente, passam a exercer a mesma operação de um posto de 
combustível convencional porem, sem o abastecimento de combustível para terceiros e sim 
para sua própria frota. 
52 
 
 Visto essa particularidade operacional, esses estabelecimentos comerciais devem 
seguir normas e especificações rigorosas (que serão aprofundadas em tópicos a frente), assim 
como os postos de combustíveis, pelo grau de periculosidade do manejo de combustíveis para 
o meio ambiente e para a população. A figura 3.6 mostra o aumento no setor Consumidores 
em 2.935 para os Pontos de Abastecimento e de +795 para os revendedores varejistas entre 
2015 e 2016. 
 
 
Figura 3.6 - Variação líquida do quantitativo de agentes 2015/2106 (Fonte: ANP) 
3.2 PECULIARIDADES DOS POSTOS DE COMBUSTÍVEIS 
Como podem ser observados na Figura 3.7, os postos de combustíveis possuem 
basicamente as seguintes instalações: a unidade de abastecimento de veículos (bomba de 
gasolina), os tanques de combustíveis (geralmente enterrados), os pontos de descarga de 
combustíveis, onde os caminhões tanques fazem o reabastecimento dos postos, o tanque para 
recolhimento e guarda de óleo lubrificante usado (geralmente enterrados), as tubulações 
enterradas que comunicam o ponto de descarga com o reservatório e este com as bombas de 
abastecimento, as edificações para escritório e arquivo morto, a loja de conveniência, o centro 
de lubrificação e o centro de lavagem, a unidade de filtragem de diesel, o sistema de 
drenagens oleosas e fluviais e os equipamentos de proteção e controle de derrames e 
vazamentos de combustíveis, bem como de segurança quanto a incêndios e explosões. Para os 
PA, podemos considerar o mesmo esquema de instalação, desconsiderando apenas a loja de 
conveniência (LORENZETT ET AL., 2010) 
53 
 
 
 
Figura 3.7 - Esquemade um PR (Fonte: Lorenzett et al., 2010) 
 
Para Santos (2005), as atividades mais frequentes em um posto de combustíveis (PR e 
PA) são as seguintes: 
a) Recebimento de produto, via caminhões-tanques de combustíveis: os 
caminhões podem ser desde truck a bi trem, dependendo do espaço para 
manobra no local de abastecimento; 
b) Armazenamento dos combustíveis em tanques enterrados ou aéreos (comuns 
em PA): esses tanques geralmente possuem mais de 30 mil litros cada, podem 
ser bi compartimentados para armazenarem mais de um tipo de combustível e 
são feitos de chapa de aço-carbono, onde se utiliza duas paredes desse material 
para evitar corrosão e vazamento. Os tanques tem vida útil de 20 anos; 
c) Abastecimento dos veículos: para seu desenvolvimento, são utilizadas as 
chamadas bombas de abastecimento eletrônicas que contabilizam o volume de 
combustível. Elas geralmente possuem em seus bicos, um sensor que aciona 
quando da presença de calor excessivo ou do contato com o combustível, 
quando o tanque encontra-se cheio, impedindo assim o derrame de combustível 
e também possíveis explosões. Contam ainda, com um sistema interno que 
impede a volta de combustível para a bomba, impedindo, em caso de incêndio, 
54 
 
que o fogo atinja maiores proporções, reduzindo a probabilidade de explosões. 
É comum o uso de uma flanela para realizar o abastecimento, com a qual o 
responsável deve limpar o bico da bomba quando retira do veículo no término 
do abastecimento, para evitar gotejamento de combustível tanto no veículo 
como no piso do estabelecimento. A pista de abastecimento deve ser toda 
cercada por canaletas direcionadas a caixa separadora, evitando assim 
contaminação do solo no caso de vazamentos; 
d) Lavagens de veículos: o local de lavagem deve ser todo cercado por canaletas, 
que conduzem a água da lavagem diretamente para uma caixa separadora, onde 
os resíduos químicos são separados da água. Alguns postos constroem 
reservatório de captação de água de chuva para reaproveitamento dessa água na 
lavagem dos veículos. 
e) Troca de óleo lubrificante dos motores dos veículos: geralmente a condução do 
óleo queimado, proveniente da atividade de troca de óleo, é realizada através 
de tubulações, sendo, portanto, encaminhado do local de troca até o tanque 
reservatório de forma canalizada, como manda a legislação. Este local, onde 
são realizadas tais atividades, deve ficar dentro de um perímetro maior, todo 
cercado pelas mesmas canaletas encontradas na área de lavagem, que irá 
conduzir os resíduos líquidos a já mencionada caixa separadora, ao passo que 
os resíduos sólidos e as embalagens de lubrificantes deverão ser armazenados e 
passar, de preferência, pelo processo de logística reversa; 
f) Operação de loja / escritórios / almoxarifado / oficinas. 
 
Uma peculiaridade interessante dos PR, ainda conforme Santos (2005), é que o ramo 
de postos revendedores pode ser dividido em duas categorias: a de postos cidade e a de postos 
estrada, em função das atividades neles desenvolvidas. O primeiro é mais voltado para atender 
às necessidades da população urbana, enquanto o segundo seria mais voltado a atender às 
necessidades dos viajantes e dos caminhoneiros. Isso implica diretamente na disposição do 
estabelecimento, pois enquanto o primeiro localiza-se em perímetro urbano e possui estruturas 
menores, o segundo concentra-se geralmente junto às estradas e possui uma estrutura 
relativamente maior em função até da disponibilização de estacionamentos para que os 
caminhoneiros possam pernoitar. Já os PA possuem uma gama de categorias: empresas de 
ônibus urbano municipal, que variam desde de garagens pequenas a muito grandes e se 
concentram geralmente nos bairros de periferia; empresas de ônibus intermunicipais que 
55 
 
possuem suas garagens geralmente próximas a rodovias; empresas de transporte de 
passageiros por frete que geralmente possuem garagens menores; empresas transportadoras de 
cargas que geralmente encontram-se em rodovias por conta da facilidade da localização com a 
rota; empresas varejistas que possuem sua frota própria de entregas de mercadorias. 
As empresas, perante uma população que clama por sustentabilidade, estão tentando se 
adequar, principalmente no que diz respeito à questão dos resíduos e efluentes gerados por 
suas atividades. Nesse sentido, as empresas atuantes no segmento de abastecimento de 
combustíveis, se comprometem com essa questão, para garantir a continuidade de seus 
negócios empresariais, tendo a gestão de resíduos como uma ferramenta para obtenção do 
sucesso no caminho a sustentabilidade, através de seus mecanismos para o controle, 
preservação e recuperação ambiental. (REVISTA GESTÃO AMBIENTAL V.06, 2010) 
O segmento empresarial de postos de combustíveis vem investindo em proteção 
ambiental e tentando se adequar de forma a tornar essa atividade menos agressiva ao meio 
ambiente. A Figura 3.8, nos mostra alguns itens que podem causar contaminação ao meio 
ambiente. 
 
Figura 3.8 - Contaminação do meio ambiente em postos de combustível (Fonte: Associação Brasileira das 
Empresas de Equipamentos e Serviços para o Mercado de Combustíveis e Conveniência – ABIEPS, 2009) 
 
 
De acordo com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes – 
FECOMBUSTÍVEIS, a questão ambiental ganha cada vez mais importância no dia a dia dos 
postos revendedores, que precisam atender às exigências da Resolução do CONAMA nº. 273 
e de legislações estaduais específicas. Dessa forma, não estão apenas evitando multas e outras 
56 
 
punições, mas também fazendo sua parte na preservação do meio ambiente e evitando gastos 
futuros com problemas de passivo ambiental. 
As medidas de gestão ambiental adotadas são basicamente medidas de controle e 
prevenção ambiental, e em geral estão intimamente relacionadas às atividades desenvolvidas 
no posto de combustível. Godoy et al. (2013) classifica os gastos relacionados às medidas de 
gestão ambiental em um PA ou PR (Quadro 3.1), os quais devem ser vistas como gastos 
preventivos. 
 
Quadro 3.1 - Classificação dos gastos relacionados às medidas de gestão ambiental (Fonte: adaptado de Godoy et 
al. 2013) 
 
 
 
No Brasil, é relativamente recente o conceito de áreas contaminadas. A contaminação 
do solo envolve riscos à saúde pública e aos ecossistemas. Observa-se, com muita 
preocupação, o setor petrolífero, principalmente por vazamentos de tanques de 
armazenamento subterrâneos em postos de combustíveis. No ano de 2010, foram listadas 439 
áreas contaminadas no Estado de Minas Gerais, das quais 80% estavam relacionadas com as 
atividades de postos de abastecimento e em São Paulo, os dados mostram que os vazamentos 
em postos de combustíveis (Figura 3.9) foram responsáveis por cerca de 80% dos casos de 
áreas contaminadas. Na Figura 3.10 podemos observar o crescimento do número de áreas 
contaminadas em São Paulo por postos de combustíveis. (BRITO E VASCONCELOS, 2012) 
57 
 
 
Figura 3.9 - Caminho potenciais do vazamento de combustível (Fonte: ABIEPS, 2009) 
 
Um grupo de poluentes altamente preocupantes e presentes nos derivados de petróleo 
são os hidrocarbonetos monoaromáticos, tais como benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos, 
conhecidos como BTEX. São excessivamente tóxicos e seus constituintes têm maior 
solubilidade em água, portanto, são os poluentes com maior potencial de contaminar o lençol 
freático (MARIANO, 2006). A presença dos hidrocarbonetos aromáticos no ambiente é um 
perigo tanto para a saúde pública quanto para o ecossistema, devido a sua toxicidade 
(Tiburtius, 2004). Os compostos BTEX são classificados como poluentes ambientais 
primários, pois são substâncias depressoras do sistema nervoso central, mutagênicas e 
carcinogênicas (Baird, 2002). Os efluentes líquidos gerados nas atividades dos postos são 
usualmente tratados em uma caixa separadora de água e óleo e, nesse tratamento,são 
removidos da água os resíduos de combustíveis e lubrificantes, restando no final do processo 
uma água barrenta, imprópria para reutilização, que é lançada no esgoto comum. Os resíduos 
retirados da água compõem uma espécie de lodo tóxico, que é recolhido por uma empresa 
especializada, que fará a correta disposição final desse resíduo. 
Com relação aos vapores tóxicos, por falta de legislação que regulamente e até por 
falta de tecnologias específicas, os gases emitidos pelos suspiros dos tanques reservatórios de 
combustível são geralmente liberados diretamente na atmosfera, sem que haja o devido 
tratamento. 
As flanelas e estopas contaminadas, assim como os filtros usados são regularmente 
armazenados pelo posto para serem recolhidos, posteriormente, por empresa especializada, 
que fará a correta disposição final desse resíduo. Já as embalagens de lubrificantes são 
58 
 
armazenadas para posterior coleta pelo fabricante do produto, para que se possa proceder a 
reciclagem desses materiais. (LORENZETT ET AL., 2010) 
Estes processos de gestão ambiental fazem parte da administração global de toda e 
qualquer empresa, que prima, um mínimo possível, pelo equilíbrio ambiental. Assim, o 
processo de excelência na gestão de resíduos, torna-se mais completo a partir do 
desenvolvimento de medidas de gestão ambiental que conduzem a qualidade do meio 
ambiente, proporcionando maior qualidade da gestão organizacional. 
 
3.3 LEGISLAÇÕES APLICÁVEIS 
3.3.1 Lei Nº 9.605 – Lei Dos Crimes Ambientais 
O mundo convive hoje com a possibilidade de uma grande modificação geoclimática e 
nunca houve tantas informações sobre o que gera a degradação e sobre a necessidade da 
conservação ambiental. Por isso, a decisão de agredir o meio ambiente é ainda mais séria e 
deve ser punida com maior rigor. Aquele que, deliberadamente, atua em interesse próprio, 
contra a natureza, ou, melhor dizendo, contra a própria humanidade, é muito mais responsável 
pelos seus atos do que há dez anos atrás. 
A lei n° 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, dispõe sobre as sanções penais e 
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras 
providências. É importante conhecê-la desde antes da construção do posto de combustível ou 
estabelecimento de consumo e considerá-la sempre, mesmo após a entrada em operação. 
Alguns atos como causar poluição em níveis que possam resultar em danos à saúde 
humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora e 
destruição significativa da biodiversidade; Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer 
funcionar estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou 
autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e 
regulamentares pertinentes, ou promover construção em solo não edificável, podem levar 
sanções de detenção ou multa. 
 
 “Art. 73. Alterar o aspecto ou estrutura de edificação ou local 
especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial, 
em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, artístico, 
59 
 
histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou 
monumental, sem autorização da autoridade competente ou em 
desacordo com a concedida: Multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a 
R$ 200.000,00 (duzentos mil reais).” 
 
Conforme o artigo 64, armazenar ou usar produtos ou substância tóxica, perigosas à 
saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou 
em seus regulamentos, pode levar a uma multa de R$ 500,00 a R$ 2.000.000,00. E, conforme 
o artigo 81, “deixar de apresentar relatórios ou informações ambientais nos prazos exigidos 
pela legislação ou, quando aplicável, naquele determinado pela autoridade ambiental: Multa 
de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais).” 
3.3.2 Lei Nº 9.433 – Política Nacional De Recursos Hídricos 
A lei n° 9.433 de 8 de janeiro de 1997, institui a Política Nacional de Recursos 
Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Postos de 
combustíveis (PA ou PR) que fazem uso de poço artesiano, como fonte alternativa de água, 
devem estar afinados com esta lei visto a toxidade dos combustíveis manuseados e estocados 
no local. 
A lei, no artigo 1º, elenca os principais fundamentos da Política Nacional. Ali há a 
compreensão de que a água é um bem público (não pode ser controlada por particulares) e 
recurso natural limitado, dotado de valor econômico, mas que deve priorizar o consumo 
humano e de animais, em especial em situações de escassez. A água deve ser gerida de forma 
a proporcionar usos múltiplos (abastecimento, energia, irrigação, indústria) e sustentáveis, e 
esta gestão deve se dar de forma descentralizada, com participação de usuários, da sociedade 
civil e do governo. 
Um dos objetivos da Política Nacional é assegurar, à atual e às futuras gerações, a 
necessária disponibilidade de água em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos. 
Ela constitui como infração das normas de utilização de recursos hídricos, superficiais ou 
subterrâneos, utilizar recursos hídricos para qualquer finalidade, sem a respectiva outorga de 
direito de uso; Iniciar a implantação de empreendimento relacionado a utilização de recursos 
hídricos, que implique alterações no regime, quantidade ou qualidade dos mesmos, sem 
autorização dos órgãos ou entidades competentes; Perfurar poços para extração de água 
subterrânea ou operá-los sem a devida autorização; Fraudar as medições dos volumes de água 
60 
 
utilizados ou declarar valores diferentes dos medidos; Dificultar a ação fiscalizadora das 
autoridades competentes no exercício de suas funções. 
Segundo o artigo 12, estão sujeitos a outorga pelo Poder Público os direitos dos 
seguintes usos de recursos hídricos: 
 
“I - derivação ou captação de parcela da água existente em um corpo 
de água para consumo final, inclusive abastecimento público, ou 
insumo de processo produtivo; II - extração de água de aquífero 
subterrâneo para consumo final ou insumo de processo produtivo; III - 
lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos 
ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou 
disposição final;” (LEI N° 9.433, 19917) 
 
3.3.3 Conama Nº 273 – Licenciamento Ambiental 
Segundo Brito e Vasconcelos (2012), a resolução Conama nº 237/1997 dispõe sobre a 
revisão e complementação dos procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento 
ambiental. O art. 1º desta resolução define que empreendimentos e atividades consideradas 
efetivas ou potencialmente poluidoras necessitam de licença decretada pelo órgão ambiental 
competente para a instalação, ampliação e a operação. Devido ao intenso potencial poluidor 
de postos de combustíveis, foi criada em 2000, a Resolução nº 273 do Conama, que dispõe 
especificamente sobre a instalação e operação de postos de combustíveis, que são 
identificados na Figura 3.7 e classificados como: 
“I - Posto Revendedor-PR: Instalação onde se exerça a atividade de 
revenda varejista de combustíveis líquidos derivados de petróleo, 
álcool combustível e outros combustíveis automotivos, dispondo de 
equipamentos e sistemas para armazenamento de combustíveis 
automotivos e equipamentos medidores. 
 
II - Posto de Abastecimento-PA: Instalação que possua equipamentos 
e sistemas para o armazenamento de combustível automotivo... para o 
abastecimento de equipamentos móveis, veículos automotores; e cujos 
produtos sejam destinados exclusivamente ao uso do detentor das 
instalações ...” (CONAMA, 2000) 
61 
 
 
Figura 3.10 - Tipos de postos de combustíveis (Fonte: ABIEPS, 2016) 
 
A Resolução nº 273/2000 considera que toda instalação e sistemas de armazenamento 
de derivados de petróleo e outros combustíveis, configuram-se como empreendimentos 
potencialmente ou parcialmente poluidores egeradores de acidentes ambientais. Para tal, 
considera que os vazamentos de derivados de petróleo e outros combustíveis podem causar 
contaminação de corpos d'água subterrâneos e superficiais, do solo e do ar; considera os 
riscos de incêndio e explosões, decorrentes desses vazamentos; considera que a ocorrência de 
vazamentos vem aumentando significativamente nos últimos anos em decorrência da 
manutenção inadequada e da obsolescência do sistema; e considera a insuficiência e ineficácia 
de capacidade de resposta frente a essas ocorrências. 
Devido a tais considerações, o art. 1º define que a localização, construção, instalação e 
operação de postos de combustíveis (PA e PR), dependerão de prévio licenciamento do órgão 
ambiental competente, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis. E ainda, define 
que todos os projetos de construção, modificação e ampliação dos empreendimentos deverão 
ser realizados segundas as normas técnicas da ABNT. 
De acordo com Medeiros et al (2004), os órgãos ambientais estaduais, através da 
resolução 273, fazem uma série de exigências quanto aos documentos necessários para o 
funcionamento, equipamentos específicos destinados ao armazenamento e a distribuição de 
combustíveis automotivos e suas conformidades quanto ao Sistema Brasileiro de Certificação 
e licenças ambientais. O licenciamento representa uma etapa inicial de normalização 
ambiental para um empreendimento, é um processo decisório definido pelo órgão competente. 
A concessão de licenças ambientais denota que a empresa atuará de acordo com os preceitos 
de controle e proteção do meio ambiente, minimizando os impactos ambientais, e protegendo 
a saúde e o bem-estar da população. Assim, o licenciamento pode ser entendido como a 
grande salvaguarda da qualidade e da conservação ambiental. 
 
“Art. 4º O órgão ambiental exigirá as seguintes licenças ambientais: I 
- Licença Prévia-LP: concedida na fase preliminar do planejamento do 
empreendimento aprovando sua localização e concepção... viabilidade 
62 
 
ambiental... ; II - Licença de Instalação-LI: autoriza a instalação do 
empreendimento com as especificações constantes dos planos... 
aprovados, incluindo medidas de controle ambiental... ; III - Licença 
de Operação -LO: autoriza a operação da atividade, após a verificação 
do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores...” 
(CONAMA, 2000) 
 
O esquema da Figura 3.11 demostra de forma resumida quais são as três licenças 
descritas pela Conama no parágrafo anterior e quais são suas respectivas funções. 
 
 
Figura 3.11 - Licenças e suas funções (Fonte: ABIEPS, 2016) 
 
 
Segundo o Art. 8º, em caso de acidentes ou vazamentos que representem situações de 
perigo ao meio ambiente ou a pessoas, os responsáveis pelo estabelecimento, pelos 
equipamentos, pelos sistemas e os fornecedores de combustível que abastecem, responderão 
solidariamente, pela adoção de medidas para controle da situação emergencial, e para o 
saneamento das áreas impactadas, de acordo com as exigências formuladas pelo órgão 
ambiental licenciador. 
As ações de mitigação destes impactos são: comunicação ao órgão ambiental local 
para inspeção, contratação de empresa especializada para a descontaminação das águas 
subterrâneas quando as mesmas apresentarem índices altos de contaminação por 
hidrocarbonetos e na maioria das vezes pagamentos de multas devido ao impacto ambiental 
causado, remoção dos tanques subterrâneos que apresentaram vazamento, entre outras 
medidas. (MEDEIROS ET AL, 2004). 
Portanto, é de fundamental importância que os proprietários dos postos de distribuição 
de combustíveis sigam as normas ambientais, visto que, os impactos causados são 
extremamente nocivos ao meio ambiente e a população como um todo. Os custos associados 
com a remediação são altos, podendo até fechar estabelecimentos. 
63 
 
3.4 NORMAS TÉCNICAS 
3.4.1 Associação Brasileira De Normas Técnicas (ABNT) 
As NBR da ABNT que dispõe sobre a gestão de resíduos gerados pela atividade de 
posto de abastecimento de combustível são: NBR 12235 (ABNT, 1992) e NBR 10004 
(ABNT, 2004), a primeira normatiza a forma de armazenamento dos resíduos gerados na 
atividade e a segunda dispõe sobre as embalagens de produtos consideradas como resíduos 
perigosos e sua obrigatoriedade de devolução ao fornecedor destes produtos. 
De acordo com a NBR 10004 (ABNT, 2004), os resíduos dos postos de serviços são 
definidos como classe I que são os resíduos perigosos e, portanto, necessitam de cuidados 
especiais quanto ao seu armazenamento e destinação de forma a evitar potenciais impactos 
ambientais. Para o armazenamento é recomendado o uso e EPI´s (Equipamentos de proteção 
individual), tais como: luvas de Policloreto de vinila (PVC), para o manuseio de resíduos e 
calçado com solado de borracha, sem a presença de pregos ou partes metálicas e quanto aos 
recipientes para armazenamentos devem ser tomados alguns cuidados como: os recipientes 
deverão ser metálicos e com tampas e permanecer sempre tampados, não poderão apresentar 
furos ou qualquer possibilidades de vazamentos, resíduos diferentes não podem ser 
misturados e entre outros. No posto deve haver uma área específica para armazenagem e com 
algumas exigências: o piso deve ser cimentado, ao redor dos recipientes deve ter uma mureta 
de forma a conter qualquer vazamento que possa ocorrer, instalações elétricas específicas a 
prova de explosão, acesso exclusivos de pessoas autorizadas, entre outros. 
Já as NBR da ABNT que dispõe sobre o armazenamento de líquidos inflamáveis e 
combustíveis pela atividade de posto de abastecimento são, dentre algumas, a NBR 13787 
(ABNT, 1997) e NBR 14606 (ABNT, 2013). A primeira normatiza a forma de controle de 
estoque dos tanques de armazenamento de combustível (SASC) e a segunda dispõe sobre 
entrada em espaço confinado de tanques subterrâneos e em tanques de superfície para 
limpeza, reparos e inspeção. 
A ABNT NBR 13787 (ABNT, 2013) é a norma que trata exclusivamente do controle 
de estoque através de medição do volume de combustível do tanque (com régua ou qualquer 
outro equipamento de medição calibrado) e tabela de arqueação do tanque. Este controle 
fornecerá subsídios para avaliação de perdas e vazamentos, evitando assim possíveis impactos 
ambientais. 
64 
 
Segundo a NBR 13787 (ABNT, 2013), toda régua usada nas medições deve possuir 
um certificado de aferição do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade 
Industrial (INMETRO). Obrigatoriamente, a escala inicia pelo zero, é legível, em relevo e 
com marcações em metros, centímetros e milímetros. Já o tanque, deve possuir tabela de 
arqueação própria, fornecida pelo fabricante, ou elaborada por técnico. Esta precisa ser 
adequada à sua geometria e permitir a conversão direta da medida obtida com a régua em 
volume de combustível existente no tanque. Neste caso, na tabela devem constar o nome, a 
assinatura e o número do CREA do referido técnico. Para efetuar as medições com régua, 
ainda é necessário uso de pasta de combustível (Pasta que, em contato com o combustível em 
estado líquido, identifica a sua presença com a mudança de cor.), pasta de água (Pasta que, em 
contato com a água em estado líquido, identifica a sua presença com a mudança de cor.) e 
formulário específico conforme Figura 3.12. 
 
Figura 3.12 - Formulário de controle de estoque (Fonte: NBR 13787 - ABNT, 2013) 
 
Durante o procedimento de medição, o combustível armazenado não pode ser 
movimentado, isto é, as unidades abastecedoras ligadas ao tanque não podem operar. É 
65 
 
recomendado que a medição do tanque seja executada no início e no fim do dia. Havendo 
variação entre o fechamento anterior e a abertura inicial, verificar a causa da diferença de 
volume do combustível. Para facilitar a leitura, espalhar uma fina camada de pasta de 
combustível sobre a faixa da régua onde espera-se encontrar onível do combustível. Na 
medição de tanque com óleo diesel ou com gasolina, para identificar a presença de água, usar 
pasta de água na extremidade da régua que toca o fundo do tanque. A régua deve ser 
introduzida perpendicular e lentamente pelo tubo de carga do tanque, tocando o fundo de 
forma suave. Assim que tocar o fundo, retirar rapidamente para que a marcação obtida não 
seja alterada, devido às oscilações da superfície do combustível. Ao ser verificada a altura do 
nível de combustível, é necessário somar a altura da chapa de desgaste à leitura de régua. 
Ainda conforme a NBR 13787 (ABNT, 2013), o tanque precisa ser medido antes e 
depois do recebimento do combustível e remenda-se aguardar o tempo suficiente para que o 
combustível se estabilize no interior do tanque. Para um melhor acompanhamento, fazer as 
análises contínuas das “variações diárias” e “acumuladas no mês”, de cada tanque ou sistema 
sendo, a análise das variações diárias, a diferença entre o “estoque físico” e o “estoque 
contábil final” representada pela seguinte equação: 
𝐸𝑐𝑓 = 𝐸𝑐 ± 𝐴𝑗 ∆𝐸 = 𝐸𝑓 − 𝐸𝑐𝑓 
Ecf é o estoque contábil final; Ec é o estoque contábil; 
Aj é o ajuste; 
∆E é a variação diária de estoque; 
Ef é o estoque físico. 
A medição do nível de combustível deve ser feita a mesma hora, preferencialmente no 
início do dia, ou na mudança dos turnos, quando o posto de serviço operar em regime de 24 
horas. As variações diárias de estoque serão usadas nas avaliações da estanqueidade do 
SASC. Importante ressaltar que o método utilizado para o controle é em função dos 
equipamentos adotados e que variações acumuladas de estoque acima de 0,6% devem ser 
investigadas. Caso não seja identificada a causa, recomenda-se executar o ensaio de 
estanqueidade no SASC. 
A ABNT NBR 14606 (ABNT, 2013) normatiza a entrada em espaço confinado em 
tanques subterrâneos e em tanques de superfície para limpezas, serviços de inspeção ou obras. 
Segundo essa norma, para preparo de abertura do tanque, deve ser criada uma área de 
segurança em torno da região de acesso ao tanque de no mínimo 7 metros de raio, tomando-se 
como centro os bocais do tanque. Essa área precisa ser isolada por fita e suportes, placas de 
advertência ostensivas a intervalos regulares de modo visível em todas as direções 
66 
 
informando a proibição de produzir chama ou centelha, de fumar e de acesso a pessoas não 
autorizadas. Importante destacar a necessidade de, em intervalos regulares, dispor de dois 
extintores de incêndio de pó químico de 12 kg e, dentro da área de segurança, enquanto 
houver a possibilidade de presença de vapores inflamáveis o sistema elétrico deve estar 
desligado e os equipamentos desconectados de seus cabos de alimentação. Todos os 
equipamentos elétricos devem ter etiquetas de advertência (não ligar o equipamento) nas suas 
chaves elétricas, exceto os adequados para áreas classificadas e que serão utilizados no 
serviço. Enquanto o tanque estiver aberto, não devem ser permitidas: 
a) A presença de produto na fase líquida em seu interior; 
b) A descarga de combustível em qualquer tanque no posto de serviço. 
A lista de verificação conforme Figura 3.13, lista os principais itens a serem atendidos 
conforme especificado na norma. 
 
Figura 3.13 - Lista de verificação (Fonte: NBR - ABNT, 14606) 
 
Ainda conforme a NBR 14606 (ABNT, 2013), para esvaziar o tanque, o combustível 
deve ser recolhido por meio de bomba apropriada, de modo que no interior do tanque não 
restem mais que 5 litros, aproximadamente. Em seguida, é necessário retirar o restante do 
67 
 
combustível. Pode ser utilizado ar, água no estado líquido ou vapor. No caso de utilizar água 
no estado líquido, deve-se ter o máximo cuidado para que o combustível não extravase o 
tanque. O descarte da água contaminada deve ser aprovado pelo órgão ambiental local. 
Durante toda a operação é obrigatório o monitoramento da presença de gases ou vapores 
inflamáveis (explosividade) na área de segurança. 
No momento de abertura do tanque (abertura da boca-de-visita), a NBR 14606 (ABNT, 2000) 
destaca a obrigatoriedade de desconectar tomadas, linha e demais equipamentos, e abrir a 
tampa do tubo de descarga. Através destas aberturas deve ser processada a desgaseificação do 
tanque. O tanque deve ser considerado liberado para trabalho a frio, quando a medição da 
atmosfera no seu interior tiver uma concentração de vapores inflamáveis igual ou inferior a 
10% do limite inferior de explosividade (LIE). A abertura da boca-de-visita somente pode ser 
feita após o tanque estar desgaseificado. Após a abertura insuflar ar com uma vazão mínima 
de 0,5 m³/s, mantendo esta insuflação permanente até a conclusão dos serviços no interior do 
tanque. Monitorar a explosividade e a concentração de O2, garantindo no mínimo 19,5% em 
volume, até a conclusão dos serviços. Importante frisar que a entrada no interior do tanque 
para execução de qualquer serviço deve ser restrita a uma pessoa, sendo obrigatório a 
presença de outra (vigia) na parte externa, acompanhando o serviço. 
A NBR 15594-3 (ABNT, 2009) é de grande importância para os postos de 
combustíveis estabelecendo os procedimentos mínimos de uma manutenção segura e 
ambientalmente adequada. Para efeito desta norma, aplicam-se termos como Manutenção 
Operacional, Manutenção Técnica, Manutenção Preventiva e Manutenção Corretiva. 
É na manutenção operacional é que o processo de manutenção de um posto tem início. 
Essa manutenção deverá ser com rotinas e frequência que assegura que os equipamentos e 
áreas, que compõem sua operação, estejam limpos e adequadamente inspecionados para a 
identificar toda necessidade de manutenção técnica, que deve ser acionada sempre que 
necessário. A manutenção operacional independe de capacidade técnica especializada, 
devendo ser realizada pela própria equipe técnica do posto devidamente treinada. A 
manutenção técnica é realizada através de profissionais especializados e objetivando garantir 
o restabelecimento da operação de forma segura e ambientalmente correta. A manutenção 
preventiva é realizada com periodicidade previamente definida e atendendo a esta parte da 
NBR 15594 (ABNT, 2007) e as orientações dos fabricantes dos respectivos equipamentos, 
objetivando garantir uma operação contínua, segura e ambientalmente correta conforme 
mostra Figura 3.14. Por fim, temos a manutenção corretiva que são serviços e reparos 
necessários ao perfeito funcionamento dos equipamentos em período intermediário à 
68 
 
manutenção preventiva. Esta manutenção é aplicável quando da paralisação do equipamento 
ou quando da necessidade de reparos em virtude de danos provocados por acidentes, atos de 
vandalismo ou intempéries. Esses serviços são realizados por profissionais especializados. 
 
 
Figura 3.14 - Demonstração de procedimentos de manutenção preventiva (Fonte: Sindicombustíveis – DF) 
 
De acordo com a NBR 15594-3 (ABNT, 2007), os equipamentos que devem sofrer 
inspeção e manutenção obrigatória para garantir o funcionamento seguro do posto são: 
a) Bicos, mangueiras, válvulas de segurança, filtros transparentes e visores de fluxo: 
Estes equipamentos devem ser verificados diariamente quanto a possíveis vazamentos, 
funcionamento e deformações, devendo ser solicitado a manutenção técnica caso seja 
identificado algumas dessas anormalidades. 
b) Unidade abastecedora conforme Figura 3.15: Para as unidades abastecedoras temos as 
verificações e/ou manutenções exteriores e interiores. A exterior destina-se, 
diariamente, verificar visualmente os teclados, vidros, iluminação, densímetros e selos 
nos lacres, assim como semanalmente deve-se aferir com a medida padrão aprovada 
pelo INMETRO. Havendo divergências na aferição paralisar a operação da unidade 
abastecedora e chamar a assistência técnica. A interior visa, diariamente, verificar 
visualmente possíveis vazamentos e componentes danificadose, havendo qualquer 
irregularidade, é necessário solicitar a assistência técnica. 
 
69 
 
 
Figura 3.15 - Bombas de abastecimento de combustível (Fonte: ABIEPS, 2016) 
 
c) Tanques: Constantemente verificar a presença de água (drenando sempre que isso 
ocorrer), possíveis vazamentos visuais, limpeza, conservação, deformações das 
câmaras de contenção e sinalização da identificação de produto, devendo ser solicitado 
a manutenção técnica caso seja identificado algumas dessas anormalidades. 
Importante frisar que no caso de suspeita de vazamento no SASC, deve ser solicitado 
ensaio de estanqueidade a ser executado por empresa especializada e sempre que for 
necessário a transferência de combustíveis entre tanques, esse serviço deve ser 
realizado por empresa especializada. 
d) Válvulas de retenção (Figura 3.16): A finalidade da válvula de retenção é manter a 
linha de sucção da unidade abastecedora ou de filtragem preenchida com produto. 
Indícios de vazamentos ou problemas nas válvulas podem ser constatados através 
fluxo inconstante indicando presença de ar ou constantes descarregamentos nas linhas 
de sucção, pois na ocorrência de perda de estanqueidade da linha, o produto retorna ao 
tanque evitando o vazamento de produto ao meio ambiente em caso de vazamentos. 
Deve-se verificar constantemente a saída do respiro observando se existe algum objeto 
obstruindo a saída dos gases durante a descarga do auto tanque, uma descarga lenta 
pode ser indicio de respiro obstruído. 
 
 
Figura 3.16 - Válvulas de retenção de combustível (Fonte: ABIEPS, 2016) 
 
70 
 
e) Câmaras de contenção (tanques/bombas/filtros): É necessária a verificação 
constantemente do interior das câmaras mantendo limpas da presença de água ou 
produto, da integridade (quebras, trincas, rachaduras ou empenamentos) do corpo, das 
tampas das câmaras de contenção e da tampa do dispositivo de descarga selada 
(dispositivo utilizado para selar o bocal do engate da mangueira de descarga no tanque 
de combustível conforme Figura 3.17). 
 
Figura 3.17 - Descarga selada (Fonte: ABIEPS, 2016) 
 
f) Filtros de diesel: Em especial para o diesel, deve verificar se ocorre funcionamento 
sem que haja abastecimento, pois é um indicio de vazamento na linha de produto. 
Verificar a integridade dos selos de lacres (filtro e eliminador de ar) e da caixa a prova 
de explosão (se necessário, solicitar técnico credenciado pelo Instituto Estadual de 
Pesos e Medidas – IPEM e INMETRO para o reparo). Verificar possíveis vazamentos 
na bomba de engrenagem e o perfeito funcionamento do manômetro. É obrigatória a 
troca de todos os elementos filtrantes sempre que o manômetro de controle indicar 
pressão acima da recomendada ou de acordo com o especificado pelo fabricante ou a 
cada 50.000 litros de diesel filtrado. Verificar se há resíduos no interior da caixa 
filtrante e efetuar a limpeza completa sempre que for feita a drenagem do reservatório. 
g) Coletores de água / canaletas periféricas (Figura 3.18): a norma estabelece realizar 
limpeza constante do ralos, canaletas e caixas de passagem, retirando todos os detritos 
que possam provocar obstrução do sistema. 
71 
 
 
Figura 3.18 - Canaletas da bacia de contenção em uma pista de abastecimento (Fonte: ABIEPS, 2016) 
 
h) Separador de água e óleo – SAO (Caixa separadora): Semanalmente é necessário 
realizar a limpeza e manter limpo o pré-filtro/caixa de areia da presença de resíduos 
sólidos, mantendo nível interno de água da SAO. Verificar o nível de óleo no interior 
da caixa separadora e, se necessário, fazer a remoção do óleo separado para 
reservatório adequado. Bimestralmente, a norma recomenda verificar a integridade 
(trincas, rachaduras, quebras) do corpo e dos componentes internos da SAO e de seus 
periféricos. 
3.4.2 Agência Nacional Do Petróleo, Gás Natural E Biocombustíveis (ANP) 
A ANP é o órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás 
natural e a dos bicombustíveis no Brasil. Foram publicadas por ela diversas resoluções que 
regulamentam os estabelecimentos de postos de combustíveis (PA e PR). Dentre essas 
normas, destaco as Resoluções ANP 41 (2013), ANP 42 (2011) e ANP12 (2007). Desde que 
cumpridas todas as etapas legais, a ANP emite o Certificado Da Agencia Nacional De 
Petróleo que permite os postos atuarem. 
A ANP 12 (2007), considerando a necessidade de estabelecer critérios técnicos para a 
operação e a desativação de instalações de armazenamento e abastecimento de combustíveis, 
em face da periculosidade desses produtos e considerando a necessidade de compatibilização 
da regulamentação do setor de combustíveis com diretrizes ambientais, estabelece a 
regulamentação para operação e desativação das instalações de Ponto de Abastecimento e os 
requisitos necessários à sua autorização. Conforme o Art. 3º, “O funcionamento da instalação 
72 
 
do Ponto de Abastecimento depende de autorização de operação na ANP, a ser efetivada 
mediante o preenchimento e aprovação pela ANP da Ficha Cadastral de instalação de PA.” 
 
“Art. 6º O projeto das instalações para construção ou ampliação da 
Instalação de Ponto de Abastecimento deverá obedecer às normas da 
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, às de segurança 
das instalações, ao código de postura municipal, às do corpo de 
bombeiros e às exigências do órgão ambiental competente. 
Art. 7º A construção das Instalações do Ponto de Abastecimento 
deverá obedecer, rigorosamente, às especificações do projeto 
aprovado pelos órgãos competentes.” (ANP 12, 2007) 
 
Resolução ANP 41 (2013), regulamenta a atividade de revenda de combustíveis, 
definindo como é feito o requerimento para o exercício da atividade junto à ANP, assim como 
as regras para aquisição e comercialização dos combustíveis. Nessa norma também estão 
relacionados os dispositivos legais a serem observados pelos postos de combustíveis 
automotivos que, conforme Art. 4° “compreende etanol hidratado combustível; etanol 
hidratado combustível Premium; gasolina comum tipo C; gasolina Premium tipo C; óleo 
diesel B S500; óleo diesel B S10; óleo diesel marítimo A; ou gás natural veicular (GNV).” 
De acordo com o Art. 10°, a ANP outorgará a autorização para o exercício da atividade 
de revenda varejista de combustíveis automotivos para cada estabelecimento da pessoa 
jurídica requerente que atender às exigências estabelecidas na Resolução 41, publicando-a no 
Diário Oficial da União (DOU). 
Art. 22° expões como, umas das obrigações do revendedor varejista, fornecer 
combustível automotivo somente por intermédio de equipamento medidor, denominado 
bomba medidora para combustíveis líquidos, aferido e certificado pelo Inmetro ou por pessoa 
jurídica por ele credenciada; manter em perfeito estado de funcionamento e conservação os 
equipamentos medidores e tanques de armazenamento de sua propriedade, bem como os de 
terceiros cuja manutenção seja de sua responsabilidade; notificar o distribuidor de 
combustíveis proprietário de bomba medidora e tanques de armazenamento, quando houver 
necessidade de manutenção dos mesmos; identificar em cada bomba medidora de combustível 
de forma destacada, visível e de fácil identificação para o consumidor, o combustível 
comercializado, podendo ser utilizada, adicionalmente, a marca comercial ou nome fantasia 
do produto. 
Ainda conforme a ANP 41, estão sujeitos a penalidade aqueles que operarem bombas de 
abastecimento por meio de dispositivos remotos que possibilitem a alteração de volume de 
73 
 
produtos adquiridos por consumidor e operar instalações por meio de dispositivo que induza a 
erro o agente de fiscalização quanto à qualidade do combustível. 
A Resolução ANP 42 (2011) estabelece os requisitos necessários à concessão de 
autorizações de construção e de operação de instalação de combustíveis líquidos automotivos, 
bem como à alteração de titularidade da autorização e à homologação decontratos de cessão 
de espaço ou de carregamento rodoviário. 
 
“§ 2º Deverão ser observadas, além do disposto nesta Resolução e nas 
legislações vigentes no âmbito federal, estadual e municipal, as 
normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), as 
normas do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e 
Qualidade Industrial (INMETRO), as normas da International 
Organization of Standardization (ISO), as recomendações da 
International Organization of Legal Metrology (IOLM), da American 
Society of Mechanical Engineers (ASME), do American Petroleum 
Institute (API) e demais normas que se fizerem necessárias para a 
análise dos pedidos de autorização de construção ou de 
operação.”(ANP 42, 2011) 
 
O Art. 4º cita que a Autorização de Construção deverá ser requerida nos casos de 
construção de nova instalação, alteração da capacidade de armazenamento de instalação 
existente, alteração do arranjo físico de instalação que afete a área de armazenamento, 
carregamento ou descarregamento de produtos ou transferência de titularidade. 
O Anexo 1 da ANP 42, dispõe dos documentos necessários para a Autorização de 
Construção (AC) conforme Figura 3.19. 
 
74 
 
 
Figura 3.19 - Documentos para AC (Fonte: ANP 42) 
3.5 IMPACTOS AMBIENTAIS HISTÓRICOS DECORRENTES DO SETOR DE 
ABASTECIMENTO 
Os acidentes mais comuns ligados aos postos de combustíveis podem ser divididos em 
três classificações: 
a) Contato direto / vazamento de gases: a contaminação humana pode ocorrer 
pela via dermal, via respiratória e via oral. De acordo com o portal Brasil 
Postos (2015), os funcionários de postos de serviços que trabalham em contato 
com os combustíveis, formam um grupo de risco devido a algumas 
características dos produtos, ou seja, estão susceptíveis a adquirir doenças na 
pele (dermatites) e conforme a natureza de alguns componentes serem 
classificados como carcinogênicos podem causar modificações citogenéticas e 
levá-los a câncer e leucemia. 
b) Vazamentos / Derrames: os impactos ambientais que as atividades dos postos 
de serviços podem ocasionar é a contaminação do solo através de 
derramamentos de combustíveis e mais grave quando ocorrem vazamentos dos 
75 
 
tanques de armazenamento de combustível enterrados no solo, que dependendo 
da gravidade e da característica do solo podem atingir os lençóis freáticos 
ocasionando a contaminação da vizinhança através dos poços, que na maioria 
das vezes são usados como fonte da abastecimento de água das pessoas. 
c) Incêndio: um dos impactos ambientais causados pelas atividades dos postos de 
distribuição de combustíveis são os efeitos causados pelos incêndios, que 
quando ocorrem são bastante prejudiciais aos funcionários, clientes, 
proprietários, e vizinhança e podem causar vítimas fatais. Diante destes 
perigos, alguns cuidados devem ser tomados no manuseio dos produtos de 
petróleo, visando evitar incêndios e riscos às pessoas. 
 
Através da Figura 3.20 nota-se a evolução do número de acidentes em postos de 
combustíveis ao longo de 10 anos e como as normas e leis ambientais ajudaram a diminuir 
esse número. 
 
 
Figura 3.20 - Número de acidentes ambientais em postos de combustíveis (Fonte: ABIEPS, 2016) 
 
Na Figura 3.21, demonstra as principais causas dos acidentes em postos de 
combustíveis no estado de São Paulo segundo a Cetesb. Essas, variam entre derramamentos 
durante operações de carga e descarga, transbordamento, vazamento no sistema (corrosão dos 
tanques / tubulações subterrâneas), falhas estruturais, instalações inadequadas, etc. 
76 
 
 
 
Figura 3.21 - Causas dos acidentes em postos de combustíveis em SP (Fonte: Cetesb) 
 
As consequências a saúde humana dos vazamentos de combustíveis em postos estão 
associadas a danos graves. A principal exposição humana ocorre na volatilização de vários 
compostos presentes nos combustíveis, principalmente gasolina e óleo diesel que podem ser 
inalados. A American Conference of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH estabelece 
o valor de TLV – TWA (Média Ponderada pelo Tempo) para gasolina de 300 partículas por 
minuto (ppm) para se evitar irritação do trato respiratório superior e ocular e como limite de 
exposição de curta duração (STEL) 500 ppm para se evitar depressão do sistema nervoso 
central (Fernícola et al, 2001). 
Um estudo com voluntários, expostos por 30 minutos às concentrações de cerca de 
200, 500 e 1000 ppm (~ 600, 1500 e 3000 mg/m3) de vapores de gasolina no ar, demonstrou 
somente irritação aos olhos (UNEP, 2003) que é um efeito, em geral, temporário. Nos casos 
atendidos pela equipe de emergência da CETESB, em que houve a liberação de vapores de 
gasolina ou de óleo diesel para o interior de residências, pelo sistema hidráulico, ou fissuras 
no piso e ainda poços freáticos, entre outros, os sintomas relatados pela população foram de 
dores de cabeça, irritação nos olhos e nas vias aéreas superiores. 
Uma investigação de possíveis focos de contaminação e análise da qualidade da água 
ingerida pela população, principalmente a oriunda de poços, é necessário em casos de 
acidentes. Caso se constate a contaminação da água, deve-se impedir o seu consumo. Nesses 
casos, a atuação deve envolver o setor saúde, ou por meio da vigilância sanitária, ou da 
vigilância em saúde ambiental. (GOUVEIA E NARDOCCI, 2007) 
77 
 
Um dos primeiros acidentes ambientais de vazamento de combustível que marcou o 
Brasil foi em Vila Socó (atual Vila São José), Cubatão. Por volta das 22h30 do dia 
24/02/1984 moradores perceberam o vazamento de gasolina em um dos oleodutos da 
Petrobrás que ligava a Refinaria Presidente Bernardes ao Terminal de Alemoa. A tubulação 
passava em região alagadiça, em frente à vila constituída por palafitas. Na noite do dia 24, um 
operador alinhou inadequadamente e iniciou a transferência de gasolina para uma tubulação 
(falha operacional) que se encontrava fechada, gerando sobre pressão e ruptura da mesma, 
espalhando cerca de 700 mil litros de gasolina pelo mangue. Muitos moradores visando 
conseguir algum dinheiro com a venda de combustível, coletaram e armazenaram parte do 
produto vazado em suas residências. Com a movimentação das marés o produto inflamável 
espalhou-se pela região alagada e cerca de 2 horas após o vazamento, aconteceu a ignição 
seguida de incêndio. O fogo se alastrou por toda a área alagadiça superficialmente coberta 
pela gasolina, incendiando as palafitas. O número oficial de mortos é de 93, porém algumas 
fontes citam um número extraoficial superior a 500 vítimas fatais (baseado no número de 
alunos que deixou de comparecer à escola e a morte de famílias inteiras sem que ninguém 
reclamasse os corpos), dezenas de feridos e a destruição parcial da vila. 
Em 2000, cerca de 4 milhões de litros de óleo cru vazaram por duas horas da Repar 
(Refinaria Presidente Getúlio Vargas), em Araucária (PR), causando um dos maiores 
acidentes ambientais envolvendo a Petrobras. A maior parte do óleo vazou durante 2 horas 
sem a percepção da empresa e percorreu um trajeto de 2.800 metros dentro da área da 
refinaria chegando ao rio Barigui e, em seguida, ao rio Iguaçu. A causa do incidente foi 
inicialmente humana, onde um operador que estava sozinho no turno não abriu uma válvula 
que permitia a entrada do produto nos tanques, mas observa-se falhas operacionais 
preventivas de acidentes no processo. A Petrobras foi condenada pela Justiça Federal a pagar 
cerca de R$600 milhões de indenização, R$ 168 milhões ao Ibama e a recuperar toda a área 
atingida pelo vazamento e monitorar a qualidade do ar, água e solo no entorno. 
Em 2015 um incêndio nos tanques da Ultracargo (maior empresa brasileira de 
armazenagem de granéis líquidos, operando principalmente com estocagem de produtos 
químicos, petroquímicos, biocombustíveis e óleo vegetal) no terminal de Santos começou por 
volta das 10h do dia 2 de abril e foi extinguido no dia 9 de abril de 2015.A Companhia 
Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) multou a empresa em R$ 22,5 milhões pelo 
incêndio e a Prefeitura de Santos aplicou multa de R$ 2,8 milhões. No início do incêndio, a 
temperatura chegou a 800°C e foi necessária ajuda do Governo Federal e importação de 
produtos de combate às chamas para cessa-las. O local onde ocorreu o incêndio abrigava 175 
78 
 
tanques de capacidade de até 10 mil m³, cada um, em uma área de 183.871 m². Desses 175, 6 
foram atingidos com capacidade de 6 milhões de litros cada (Figura 3.22). 
 
 
Figura 3.22 - Incêndio nos tanques da Ultrapar (Fonte: Reportagem G1) 
 
Das consequências e impactos ambientais desse acidente podemos enfatizar o 
ferimento leve de 15 pessoas por meio de inalação de fumaça (que puderem ser vistas de 
cinco cidades próximas conforme Figura 3.23), mais de 8,5 toneladas de peixes morreram por 
contaminação do canal do estuário de Santos que causou queda de oxigenação e temperatura 
elevada da água e, também, chuva ácida. A causa do acidente foi mecânica, onde válvulas 
ligadas a uma bomba estavam fechadas, causando um excesso de pressão e explosão. 
 
 
Figura 3.23 - Visibilidade da fumaça nas cidades vizinhas ao incêndio Ultracargo (Fonte: Reportagem G1) 
 
Em 2017, houve um acidente de menor dimensão em Governador Valadares (MG). 
Conforme o relato do administrador, um cliente, ao manobrar seu veículo, teria colidido com 
um equipamento que realizava o procedimento de retirada do combustível da bomba. Por 
conta da batida, o óleo diesel vazou e atingiu a rede pluvial por meio de um bueiro. Não 
houveram vítimas mas ocorreu a interrupção da captação de água na cidade por prevenção. 
79 
 
4 ESTUDO DE CASO 
De forma a aplicar toda a teoria vista até então nos capítulos anteriores, foi feito um 
estudo de caso em uma obra de remediação ambiental realizada no terreno de uma empresa de 
ônibus interestadual situada no Rio de Janeiro. Por razões de sigilo e ética profissional, foi 
adotado o nome fantasia Dia Construtora Ltda, para a empresa que prestou a consultoria 
ambiental e obras de remediação, e o nome Transportes FRANÇA Ltda para a empresa de 
ônibus em questão. 
4.1 A EMPRESA 
A empresa Transportes FRANÇA Ltda é uma empresa do ramo de transporte rodoviário 
de passageiros do Brasil fundada em 1950 com sede na cidade de Juiz de Fora, MG. Sua área 
de atuação compreende os estados de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São 
Paulo e Distrito Federal. 
A empresa transporta mensalmente cerca de 120 mil passageiros, interligando os seus 
estados de atuação, emprega diretamente 450 pessoas e possui uma frota de 134 ônibus, que 
percorre mensalmente cerca de 1,25 milhão de quilômetros. 
4.2 AS INSTALAÇÕES 
Dentre as muitas unidades da Transportes FRANÇA Ltda, o foco desse estudo é uma 
unidade (garagem de ônibus) situada na cidade do Rio de Janeiro no bairro de Curicica como 
mostra a localização da Figura 4.1. 
80 
 
 
Figura 4.1 - Localização das instalações da unidade FRANÇA Ltda (Fonte: Google Maps) 
 
O empreendimento possui área total de aproximadamente 15.000 m². Na unidade, é 
feito o estacionamento, abastecimento e gestão da sua frota de ônibus, sendo o combustível 
usado o óleo diesel. A unidade apresenta as seguintes áreas e serviços para a frota: 
a) Área de abastecimento e armazenagem de combustível; 
b) Área de estacionamento e circulação dos ônibus; 
c) Oficina para troca de óleo, troca de pneus, consertos e manutenções mecânicas; 
d) Área de lavagem dos veículos; 
e) Cabine de pintura para manutenção da aparência visual dos veículos; 
f) Prédio da administração e portaria. 
81 
 
Os efluentes gerados nas operações realizadas na pista de abastecimento, área de 
tancagem, lavagem e troca de óleos são direcionados pelas canaletas (delimitam as bacias de 
contenção) para a caixa separadora de água e óleo (CSAO), que é limpa periodicamente. O 
sistema de abastecimento é composto por 03 tanques aéreos de armazenamento de 
combustíveis, sendo 02 plenos com capacidade de 30 m³ (diesel S10) e 01 tanque pleno com 
capacidade de 30 m³ (diesel S500) conforme mostra a Figura 4.2 com a planta arquitetônica 
da unidade. 
 
 
Figura 4.2 - Instalações da unidade em estudo (Fonte: Adaptação de planta fornecida pelo estabelecimento) 
 
A Figura 4.3 ilustra a disposição da área de abastecimento e armazenamento de forma 
detalhada para uma melhor compreensão dessa atividade, que é a de foco principal do estudo. 
82 
 
 
Figura 4.3 - Planta da área de abastecimento e armazenamento (Fonte: Autoria própria) 
 
4.3 A OBRA DE RECUPERAÇÃO AMBIENTAL 
O incidente de vazamento de um dos três tanques de armazenamento de combustível 
da unidade, por conta da oxidação da chapa de aço externa, ocasionou em vazamento de cerca 
de 10.000 L de óleo diesel, extravasando a capacidade de contenção da caixa de separação e 
contaminando o solo no entorno da bacia de contenção. 
Decorrente o acontecimento, o trabalho desenvolvido em campo teve como principal 
objetivo a escavação para remoção do solo contaminado no perímetro do dique de contenção 
que comportava os três tanques aéreos de armazenamento de diesel, a verificação das 
características da cava e impactos ambientais do acidente por meio da retirada de amostras de 
solo, a segregação do material removido através do critério de presença ou ausência de VOCs 
(Compostos Orgânicos Voláteis) medidas em campo e a recomposição da cava para que 
pudesse abrigar acomodação dos novos tanques a serem instalados. 
As normas e legislação aplicadas para cada etapa do trabalho desenvolvido estão 
contidas nos tópicos 2.2 e 3.3 desse trabalho. Cabe ressaltar que o acompanhamento do 
83 
 
processo de escavação, fornece a oportunidade de avaliar a área potencialmente passível de 
contaminação, considerando as dimensões da escavação e volume de solo movimentado. 
Os trabalhos de campo foram realizados no período de 30 de maio a 02 de junho de 
2017. A atividade de escavação foi executada por uma empresa de terraplanagem. A Dia 
Construtora Ltda ficou responsável pelo transporte e destinação do solo contaminado 
segregado e pela formulação do relatório técnico de impacto ambiental. 
Durante a obra, foram removidos 170 m³ de solo até a profundidade de 2,5 metros. O 
volume de solo contaminado segregado para destinação foi disposto em uma pilha (90 m³), 
devidamente coberto com lona para destinação cujo transporte ocorreu no dia 02 de junho de 
2018. O critério utilizado para segregação do material foi definido pela presença na medição 
de VOCs (Compostos Orgânicos Voláteis) onde, havendo nulidade, foi devolvido a cava e 
leitura de presença direcionado a descarte como resíduo classe I. 
Conforme as figuras seguintes, podemos observar o passo a passo desenvolvido na 
obra de remediação ambiental. A Figura 4.4 mostra o isolamento do entorno área de 
abastecimento, conforme normas de segurança, antes do início das obras; A Figura 4.5 mostra 
o início da escavação do concreto da bacia de contenção, na pista de abastecimento, por meio 
de escavadeiras; A Figura 4.6 ilustra o carregamento e destinação dos resíduos de demolição 
do concreto; A Figura 4.7 indica a área de armazenamento do solo escavado impactado com 
isolamento por lona e cones para evitar o contato com outras partes; As Figuras 4.8 e 4.9 
exibem o processo de remoção do solo contaminado com escavadeira que seguiram por 2 
metros de profundidade em toda a área; Por fim do primeiro processo, a Figura 4.10 indica o 
solo contaminado separado para descarte como resíduo classe 1 em local isolado. 
 
 
Figura 4.4 - Isolamento da área de abastecimento 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
84 
 
 
 
Figura 4.5 - Início da escavação com demolição 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
 
Figura 4.6 - Carregamento e destinação do concreto demolido 
(Fonte: Fornecido pela DiaConstrutora Ltda, 2017) 
 
 
Figura 4.7 - Área de armazenamento do solo impactado 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
85 
 
 
Figura 4.8 - Início de remoção do solo 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
 
Figura 4.9 - Remoção de 2 m de solo contaminado 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
 
Figura 4.10 - Solo impactado para descarte como resíduo classe 1 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
 
 
 
 
86 
 
No dia 31 de maio de 2017, foi realizada a recomposição da cava com parte de solo 
não contaminado (leitura de VOCs apurada em campo igual a zero) e o restante com material 
inerte (pó de pedra). Na Figura 4.11, a imagem da cava nivelada pronta para iniciar a 
compactação do solo do 2° metro é indicada; A Figura 4.12 mostra o 2° metro já compactado 
e o derramamento e espalhamento do pó de pedra para iniciar a compactação do 1° metro; A 
Figura 4.13 exibi a finalização do espalhamento e nivelamento do pó de pedra na superfície 
do terreno e a Figura 4.14 evidencia o processo de compactação finalizado; A Figura 4.15 
mostra o início do carregamento de 4 caminhões com o solo contaminado para despejo em 
local específico conforme as normas de segurança; Na Figura 4.16 observa-se a área da obra 
já limpa e sendo organizada para volta da operação de abastecimento. 
 
 
Figura 4.11 - Cava nivelada 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
 
 
Figura 4.12 - Descarregamento e espalhamento do pó de brita 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
 
87 
 
 
Figura 4.13 - Finalização do nivelamento do pó de pedra 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
 
 
Figura 4.14 - Processo de compactação finalizado 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
 
Figura 4.15 - Carregamento do solo impactado 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
88 
 
 
Figura 4.16 - Área de intermediação limpa 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
4.4 OS IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS 
A NBR ISO 14001 (ABNT, 2015), citada no tópico 2.1, não estabelece metodologia 
específica para a identificação de aspectos e impactos ambientais decorrentes de uma obra. 
Portando, no presente estudo de caso, foi adotado o modelo de planilha de levantamento 
ilustrado pela Figura 4.17. O Anexo I mostra de forma geral o resultado dos impactos 
causados pela obra de recuperação, citada no tópico 4.3, na etapa de remoção do solo e o 
Anexo II na etapa de recomposição da cava, mas os resultados dos Anexos serão 
demonstrados em cada etapa. 
 
 
Figura 4.17 - Modelo de planilha de levantamento de impactos ambientais 
Fonte: Santos, 2017. 
 
Foi feito um levantamento das atividades exercidas durante a obra de recuperação e 
utilizado como base para a identificação dos aspectos e impactos ambientais a listagem 
89 
 
apresentada na Quadro 4.1. A Figura 4.18 mostra os aspectos e impactos da etapa de 
escavação da cava e a Figura 4.19 da etapa de reconstituição da cava. 
 
Quadro 4.1 - Aspectos e seus respectivos impactos ambientais 
Fonte: Santos, 2017. 
 
ASPECTOS IMPACTOS 
Consumo de água Redução de recursos naturais 
Consumo de combustíveis Redução de recursos naturais 
Consumo de energia elétrica Redução de recursos naturais 
Consumo de papel Redução de recursos naturais 
Emissões atmosféricas Alteração da qualidade do ar 
Emissão de fumaça preta Poluição atmosférica 
Geração de efluentes líquidos Alteração / contaminação do solo 
Alteração / contaminação da água 
Geração de efluentes líquidos sanitários Contaminação do solo 
Contaminação da água 
Vazamento de óleo Contaminação do solo 
Contaminação da água 
Geração de resíduos sólidos não perigosos (plástico, papel, 
etc.) 
Sobrecarga de aterros 
Descarte de resíduos perigosos (contaminados com óleo 
e/ou demais produtos químicos). 
Sobrecarga de aterros industriais. 
Contaminação do solo. 
Contaminação da água. 
Emissão de ruído Poluição sonora 
Geração de resíduos sólidos (matéria orgânica). 
Proliferação de vetores de doenças. 
Sobrecarga de aterros industriais. 
Contaminação do solo. 
Contaminação da água. 
Descarte de resíduos perigosos (baterias, pilhas, toners, 
cartuchos de impressoras, lâmpadas fluorescentes, 
embalagens contaminadas) 
Contaminação de solo. 
Contaminação da água. 
Sobrecarga de aterros industriais. 
Consumo de madeira. Esgotamento de recursos naturais. 
Descarte de resíduos perigosos (latas de tinta e solventes, 
pincéis usados, estopas) 
Sobrecarga de aterro industrial. 
Contaminação do solo. 
Contaminação da água. 
Vibrações e ruídos 
Poluição sonora. 
Abalo de construções. 
Fuga de fauna nativa. 
Supressão de vegetação nativa 
Perda de vegetação e de habitats 
Degradação do ecossistema natural 
Desequilíbrio ecológico pela indução de novas 
espécies 
Interferência na estabilidade geotécnica de taludes 
Processos erosivos. 
Assoreamento de drenagem e cursos de água. 
Perda de solo. 
Emissão de poeira. Poluição atmosférica. 
Acúmulo de água parada. Proliferação de vetores de doenças. 
90 
 
Movimentação de terra / rocha. 
Erosão e assoreamentos. 
Processos erosivos. 
Assoreamento de drenagem e cursos de água. 
Perda de solo. 
Incêndio / explosão. Poluição atmosférica. 
 
 
Figura 4.18 – Aspectos e Impactos Ambientais da etapa de construção da cava 
(Fonte: Autoria própria) 
 
 
Figura 4.19 - Aspectos e Impactos Ambientais da etapa de reconstituição da cava (Fonte: Autoria própria) 
91 
 
Para preenchimento dos itens de Incidência, Frequência, Probabilidade e Abrangência, 
foram considerados os itens descritos no Quadro 4.2 e para o cálculo da Severidade foi 
considerado o tipo de impacto e a descrição da classe apresentadas no Quadro 4.3. 
 
Quadro 4.2 - Classificação dos aspectos e impactos ambientais 
Fonte: Santos, 2017. 
 
Item Classificação Descrição 
Incidência 
Direta (D) O aspecto está associado às atividades executadas 
pela CONSTRUTORA XYZ. 
Indireta (I) 
O aspecto está associado às atividades executadas 
por fornecedores/prestadores que atuam no canteiro 
de obras ou nas instalações da CONSTRUTORA 
XYZ. 
Frequência 
1 Baixa frequência na ocorrência do impacto. 
Ocorreu uma vez ou nunca ocorreu. 
2 Média frequência na ocorrência do impacto. Ocorre 
de uma a três vezes ao ano. 
3 Alta frequência na ocorrência do impacto. Ocorre 
frequentemente. Acima de três vezes no ano. 
Probabilidade 
1 Baixa probabilidade de ocorrer o impacto. 
2 Média probabilidade de ocorrer o impacto. 
3 Alta probabilidade de ocorrer o impacto. 
Abrangência 
1 Pequena: o impacto é restrito ao setor no qual a 
atividade é desenvolvida. 
2 
Média: o impacto é restrito a área da 
CONSTRUTORA XYZ (escritórios, obras, oficina, 
depósitos e usina). 
3 
Grande: o impacto extrapola a área da 
CONSTRUTORA XYZ (afeta a área de influência 
e as partes interessadas). 
 
 
Quadro 4.3 - Avaliação da severidade do impacto ambiental 
Fonte: Santos, 2017. 
 
AVALIAÇÃO DA SEVERIDADE 
Tipo de 
Impacto 
Grau Descrição 
Contaminação 
do solo. 
3 (alta) 
Resíduos classificados como perigosos. 
2 (média) Resíduos classificados como não perigosos (podendo equivaler a não 
inerte). 
1 (baixa) 
Resíduos classificados como não perigosos (inertes). 
Contaminação 3 (alta) Presença de metais e/ou óleos e graxas ou efluentes que precisam 
passar por tratamento. 
92 
 
da água. 2 (média) 
Efluente intermediário entre os classificados como alta e baixa. 
1 (baixa) 
Águas passíveis de descarte sem passar por tratamento. 
Contaminação 
da atmosfera. 
3 (alta) 
Emissões que dependem de algum sistema de tratamento por conter 
elevado teor de material particulado/SOx ou emissões em grande 
quantidade e que contêm elementos altamente prejudiciais ao meio 
ambiente 
2 (média) 
Emissões que já passam por sistemas de tratamento e que contêm 
teor moderadode material particulado/SOx ou emissões em 
quantidade moderada e que contêm elementos prejudiciais ao meio 
ambiente. 
1 (baixa) 
Emissões que passam por sistemas de tratamento e/ou contêm baixo 
teor de material particulado/SOx ou emissões em qualquer 
quantidade e que contêm elementos não prejudiciais ao meio 
ambiente ou emissões em pequena quantidade e que contêm 
elementos levemente prejudiciais ao meio ambiente 
Ruído. 
3 (alta) Ruído de nível presumivelmente elevado, percebido inclusive fora 
das instalações da empresa. 
2 (média) Ruído de nível presumivelmente médio, percebido dentro da 
empresa, porém em outras áreas além da geradora. 
1 (baixa) 
Ruído presumivelmente baixo, percebido somente na área geradora. 
Esgotamento 
de recursos 
naturais. 
3 (alta) 
Consumo elevado de recursos e/ou que estão vinculados aos 
objetivos e metas ambientais. (Ex: Aqueles que dependem de 
quantificação ou liberação pelo orgão ambiental) 
2 (média) 
Consumo moderado de recursos 
1 (baixa) Consumo baixo de recursos.(Quantidades consideradas pequenas ou 
ocorrem de forma isolada em algum processo) 
 
O cálculo da relevância foi obtido através da soma dos graus atribuídos para a 
frequência, probabilidade, abrangência e severidade conforme ilustra o Quadro 4.5. 
 
Quadro 4.4 - Método de cálculo da relevância do impacto ambiental 
Fonte: Santos, 2017. 
 
Cálculo da Relevância 
Somatório Sigla Classificação 
11 ou 12 MR Muito Relevante 
7, 8, 9 ou 10 R Relevante 
4, 5 e 6 NR Não Relevante 
 
Os resultados obtidos para obtenção do cálculo da relevância são ilustrados nas 
Figuras 4.20 e Figura 4.21. 
 
93 
 
 
Figura 4.20 – Relevância dos Impactos Ambientais da etapa de construção da cava 
(Fonte: Autoria própria) 
 
 
Figura 4.21 - Relevância dos Impactos Ambientais da etapa de reconstituição da cava 
(Fonte: Autoria própria) 
 
94 
 
Para o cálculo do grau do impacto ambiental foi feito um cruzamento da frequência 
com a probabilidade mediante a utilização da matriz a seguir apresentada no Quadro 4.5. 
 
Quadro 4.5 - Matriz de cálculo 1 do grau do impacto ambiental 
Fonte: Santos, 2017. 
 
Frequência 
Probabilidade 
1 2 3 
1 FxP = 2 FxP = 3 FxP = 4 
2 FxP = 2 FxP = 4 FxP = 6 
3 FxP = 3 FxP = 6 FxP = 9 
 
Com o resultado do cruzamento da matriz Frequência x Probabilidade foi realizado o 
cruzamento da frequência/probabilidade com a severidade, mediante a aplicação da matriz 
apresentada pelo Quadro 4.7. 
Quadro 4.6 – Matriz de cálculo 2 do grau do impacto ambiental 
Fonte: Santos, 2017. 
 
Frequência / 
Probabilidade 
Severidade 
1 2 3 
2 
GI = 3 
(trivial = T) 
GI = 4 
(trivial = T) 
GI = 5 
(moderado = M) 
3 
GI = 4 
(trivial = T) 
GI = 5 
(moderado = M) 
GI = 6 
(moderado = M) 
4 
GI = 5 
(moderado= M) 
GI = 6 
(moderado= M) 
GI = 7 
(substancial = S) 
5 
GI = 6 
(moderado = m) 
GI = 7 
(substancial = S) 
GI = 8 
(substancial = S) 
6 
GI = 7 
(substancial = S) 
GI = 8 
(substancial = S) 
GI = 9 
(intolerável = I) 
 
 
Os resultados obtidos para o grau de cada impacto da etapa de construção da cava são 
apresentados na Figura 4.22 e para a etapa de reconstituição na Figura 4.23. 
 
95 
 
 
Figura 4.22 – Grau dos Impactos Ambientais da etapa de construção da cava 
(Fonte: Autoria própria) 
 
 
 
Figura 4.23 – Grau dos Impactos Ambientais da etapa de reconstituição da cava 
(Fonte: Autoria própria) 
 
 
96 
 
Para a análise da importância da incidência foi considerado o Quadro 4.7 a partir das 
respostas das seguintes perguntas: 
a) Há incidência direta? 
b) O grau do impacto ambiental resultou em moderado, substancial ou intolerável? 
c) Há legislação ou outros requisitos aplicados (regulamentos ambientais municipais, 
estaduais, federais e internacionais e/ou normas técnicas associadas, além de licenças e 
autorizações)? 
d) Há demandas das partes interessadas (reclamações, carta ou declaração de 
princípios ou outras exigências de organismos não governamentais)? 
e) Há na Política Ambiental referência ao impacto na forma de declaração de 
princípios sobre sistemas de gestão? 
 
Quadro 4.7 - Análise da importância da incidência do impacto ambiental 
Fonte: Santos, 2017. 
 
Importância da Incidência Análise 
(NI) Não importante Se apenas um for sim. 
(I) Importante 
Se pelo menos duas das 
respostas forem sim. 
(MI) Muito Importante Se todas as respostas forem sim. 
 
A Figura 4.24 ilustra as importâncias de cada impacto da etapa de construção da cava 
e a Figura 4.25 da etapa de restituição da cava. 
 
97 
 
 
Figura 4.24 – Importância da Incidência dos Impactos Ambientais da etapa de construção da cava 
(Fonte: Autoria própria) 
 
 
 
Figura 4.25 – Importância da Incidência dos Impactos Ambientais da etapa de reconstituição da cava 
(Fonte: Autoria própria) 
 
Para investigação da significância do impacto ambiental, foi utilizada a matriz 
ilustrada no Quadro 4.8 que considera como filtro o cruzamento do grau do impacto com a 
importância da incidência. 
98 
 
Quadro 4.8 - Matriz de análise da significância do impacto ambiental 
Fonte: Santos, 2017. 
 
Grau do 
Impacto 
Importância da Incidência 
Não Importante Importante 
Muito 
Importante 
Trivial 
(NS) Não 
Significante 
(NS) Não 
Significante 
(MS) 
Moderadamente 
Significante 
Moderado 
(MS) 
Moderadamente 
Significante 
(MS) 
Moderadamente 
Significante 
(S) Significante 
Substancial (S) Significante (S) Significante (S) Significante 
Intolerável 
(SS) 
Substancialmente 
Significante 
(SS) 
Substancialmente 
Significante 
(SS) 
Substancialmente 
Significante 
 
Após o término da análise da significância para cada aspecto e impacto ambiental, foi 
considerado o Quadro 4.9 para as conclusões dos controles a serem implementados e suas 
respectivas observações. 
 
Quadro 4.9 - Controles a serem implementados de acordo com a significância do impacto ambiental 
Fonte: Santos, 2017. 
 
Significância Controles a serem implantados Observações 
NS – Não 
Significante 
Não são requeridos controles 
operacionais. Devem ser feitas 
considerações sobre uma solução de custo 
mais eficaz ou melhorias que não 
imponham uma carga de custos adicionais. 
É requerido monitoramento para assegurar 
que os controles são mantidos. Porém caso 
existam controles operacionais que 
contribuam para manter estes aspectos 
como não significativos, os mesmos 
devem ser citados na coluna 
“Comentários/Controles” da planilha. 
Para os impactos com situação 
operacional de emergência, se as 
situações de emergência puderem 
ser controladas com recursos da 
própria área, podem ser previstas 
ações/medidas mitigadoras em 
procedimentos específicos, caso 
contrário as mesmas deverão ser 
incluídas no plano de atendimento a 
emergências. 
99 
 
MS – 
Moderadamente 
Significante 
Impacto ambiental que foi reduzido ou se 
encontra a um nível que pode ser 
suportado pela empresa, porém são 
requeridas medidas de controle, tais como 
procedimentos operacionais, 
monitoramento e medição, ordem de 
serviço, procedimentos para atendimento 
às emergências. Os critérios operacionais 
devem ser definidos em procedimentos 
escritos. 
Para perigos com situação 
operacional de emergência, devem 
ser previstas, obrigatoriamente, 
ações/medidas mitigadoras em um 
plano de atendimento a emergência. 
S - Significante 
Impacto que foi reduzido ou se encontra a 
um nível que pode ser suportado pela 
empresa, porém são requeridas medidas de 
controle. Os impactos devem ser 
anualmente analisados para verificar a 
necessidade de ações complementares 
com a finalidade de melhorar as condições 
do local de trabalho a serem controladas 
no sistema. 
 
 
É obrigatório o estabelecimento de 
controles operacionais. Devem ser 
feitos esforços para reduzir o 
impacto e os riscos emergenciais. 
As ações de controle podem 
requerer investimentoscom custos 
de prevenção significativos. As 
medidas para a redução do risco 
devem ser implementadas dentro de 
um período definido (planos de 
ação). 
Para perigos com situação 
operacional de emergência, devem 
ser previstas, obrigatoriamente, 
ações/medidas mitigadoras em um 
plano de atendimento a emergência. 
SS – 
Substancialmente 
Significante. 
A atividade não deve ser iniciada ou 
continuada até que o aspecto/impacto 
tenha sido reduzido. Se não é possível 
reduzir o impacto, o trabalho tem que 
permanecer proibido de ser executado. 
Estes aspectos/impactos ambientais 
devem ser consideradas 
“Inaceitáveis”, devendo ser tomadas 
medidas preventivas ou tomadas 
providências urgentes para redução 
da significância do aspecto/impacto 
ambiental. Tais ações devem estar 
incluídas em planos de ação 
específicos, no plano de 
atendimento a emergência e ser 
indicadas na coluna 
“Comentários/Controles” da 
planilha. 
 
100 
 
A Figura 4.26 e a Figura 4.27 mostram os resultados encontrados para cada impacto da 
obra de recuperação do solo. 
 
 
Figura 4.26 - Significância dos Impactos Ambientais da etapa de construção da cava 
(Fonte: Autoria própria) 
 
 
 
Figura 4.27- Significância dos Impactos Ambientais da etapa de reconstituição da cava 
(Fonte: Autoria própria) 
 
101 
 
Para análise dos impactos ambientais decorrentes do vazamento de combustível, foi 
feito um relatório técnico pela Dia Construtora Ltda que apresenta as informações referentes 
ao processo de avaliação ambiental conduzido durante a obra de remediação com remoção do 
solo contaminado no perímetro que comportava os tanques aéreos de armazenamento de 
diesel. 
Durante a escavação, amostras de solo foram retiradas, no qual efetuou-se a medição 
de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs) para confirmar a presença ou não de vapores “in 
situ”. As medições foram realizadas conforme exibe a Figura 4.28, com o equipamento da 
marca “Gastech” modelo “Innova-SV”, com exclusão da via gás metano, cujo certificado de 
calibração do equipamento é apresentado na Figura 4.29. 
O Thermogastech usa um sensor catalítico de compensação que oxida o gás no ar e 
libera calor. A resistência do filamentode platina aumenta proporcionalmente ao calor da 
oxidação. É um método confiável e de baixo custo para detecção de presença de gases, além 
disso o sensor é indicado para monitoramento geral de gases e vapores combustíveis. A 
Tabela 4.1 apresenta as concentrações máximas de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs), 
medidas em cada metro da escavação realizada no dia 31 de maio de 2017. Foram constatadas 
concentrações de vapores orgânicos nas medições das amostras de solo retiradas. 
 
 
Figura 4.28 - Medição de VOC (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
102 
 
 
Figura 4.29 - Certificado de calibração (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 20 
 
Tabela 4.1 - Resultados de VOCs na sondagem realizada em maio de 2017 
 
Ponto 
VOCs (ppm) 
1,0m 
VOCs (ppm) 
2,0m 
P1 0 - 
P2 - 220 
P3 0 - 
P4 - 140 
P5 20 - 
P6 - 380 
P7 0 - 
P8 - 200 
P9 0 320 
P10 - - 
P11 60 160 
P12 - 
 
De acordo com as instruções ABNT pertinentes, as amostras de solo retiradas e 
avaliadas foram divididas em duas alíquotas: 
a) Alíquota 01: acondicionada em saco plástico impermeável auto selante, com 
volume de um litro, a qual foi homogeneizada manualmente e posteriormente 
103 
 
agitada, mantida em repouso e revolvida novamente, para então ser submetida 
a medição de VOCs por meio de equipamento detector de gases “Gastech” 
(Innova - SV); 
b) Alíquota 02: acondicionada em frasco de vidro de boca larga com tampa de 
teflon devidamente identificado, a qual foi mantida sob refrigeração a 4°C ± 2 
e, posteriormente, enviada ao laboratório para análises químicas dos 
parâmetros BTEX, PAHs e TPH. 
 
No dia 31 de maio de 2017, foram retiradas 06 (seis) amostras denominadas TQ01, 
TQ02, TQ03 (apresentaram leitura de VOCs), AT_NC01, AT_NC02 e AT_NC03 (indicaram 
nulidade de VOCs) para análises químicas dos parâmetros BTEX, PAHs e TPH. A Figura 
4.30, ilustra o formulário do sistema de qualidade para recebimento das amostras de solo, 
indicando se as amostras foram recebidas conforme descrito pelas normas para não ocorrer 
distorção dos resultados. 
 
Figura 4.30 - Relatório de recebimento de amostras 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
104 
 
O acompanhamento para avaliação ambiental ficou sob responsabilidade da Dia 
Construtora Ltda (medições em campo, amostragem de solo, segregação do material 
impactado e elaboração de relatório). Não foi verificada a ocorrência de nenhum fato atípico 
que pudesse prejudicar os serviços. Como resultados das atividades desenvolvidas na área do 
imóvel, observou-se os seguintes impactos ambientais: 
 
a) Houve afloramento do lençol freático na cava aberta cujos efluentes foram 
direcionados a caixa separadora do empreendimento; 
b) Verificou-se a presença de produto adsorvido no solo. 
 
Para conhecimento, os resultados das análises químicas foram comparados aos 
seguintes valores de referência: 
a) Valores Orientadores de Intervenção para Solo e Água Subterrânea no Estado 
de São Paulo, estabelecidos pela CETESB (artigo 1º da Decisão de Diretoria nº 
256/2016, de 22 de novembro de 2016), para os parâmetros BTEX e PAHs; 
b) Decisão da Diretoria nº 010-2006-C de 26 de janeiro de 2006, estabelecida pela 
CETESB para o parâmetro TPH; 
c) Valores Orientadores da Resolução CONAMA 420/2009 e Norma Operacional 
do INEA (NOP 06 – 10/05/2013) para os parâmetros BTEX, PAHs e TPH; 
 
Com resultado, foi detectada concentração superior ao valor limite estabelecido pela 
legislação vigente para o parâmetro TPH (1.000 mg/Kg) e para leitura VOCs em 03 amostras. 
O solo da região dessas amostras, foi segregado para descarte como resíduo classe I. Na 
Figura 4.31 observa-se o Manifesto de Transporte de Resíduos - MTR (obrigatório por lei) 
para transporte do solo descartado até a empresa de reciclagem Recitec. A Figura 4.32 mostra 
o MTR do concreto demolido na área de abastecimento para escavação da cava. Alguns dados 
foram sublinhados por motivo de ética profissional. 
 
105 
 
 
Figura 4.31 - MTR do solo contaminado (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
 
 
 
Figura 4.32 - MTR do concreto armado 
(Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 
 
106 
 
Já o solo das amostras que não apresentaram leitura de VOCs, retornaram a cava (esses 
tiveram os dados emitidos pelo laboratório com inferioridade aos valores limites de 
intervenção para todas as SQIs analisadas). Essas informações mostram a eficiência do 
procedimento adotado, determinando que os materiais segregados para destinação como 
resíduo classe I e retorno a cava foram corretamente separados e proporcionaram condição de 
melhora no cenário ambiental, aliado ao descarte do volume de material realmente necessário. 
4.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO ESTUDO DE CASO 
As informações apresentadas pelo Relatório Técnico da Dia Construtora Ltda 
comprovam que houve uma preocupação ambiental em regularização do local, após o 
vazamento de diesel, perante as normas técnicas, leis e resoluções CONAMA citadas nos 
tópicos 2.2 e 3.3. 
Pelas análises químicas realizadas no solo escavado, conclui-se que houve poluição de 
um total de 90m³. Esse volume foi classificado como resíduo classe I conforme a NBR 10.004 
(ABNT, 2004), devidamente isolado e destinado à uma empresa de reciclagem que possui 
licença para recebimento de resíduos perigosos. As Figuras 4.31 e 4.32, demonstram as MTR 
dos resíduos da obra, conforme solicitado pela CONAMA, para o monitoramento da forma de 
transporte e controle da destinação final dos mesmos. 
Observa-se a preocupação com o gerenciamento de resíduos e mitigação do impacto 
ambiental final, conforme a Resolução 307 da CONAMA, a partir da medida de 
reaproveitamentodo solo não contaminado na recomposição da cava. Pela profundidade da 
mancha de contaminação no solo, comprovada pelos testes toxicológicos, a empresa constatou 
que não houve contaminação do lençol freático. 
Para realização dos testes, os equipamentos foram devidamente aferidos, conforme 
solicitado pelas NBR, atestando a obtenção de resultados verídicos. A Figura 4.29 mostra o 
certificado de calibração do aparelho de medição de VOCs como exemplo. 
Os resultados obtidos no Anexo I e no Anexo II mostram que, a maioria dos impactos 
ambientais gerados pelas etapas da obra de remediação, foram Não Significantes. Portanto, 
para essa classificação, é requerido monitoramento dos aspectos, para assegurar que os 
controles foram mantidos. O monitoramento foi atendido conforme exposto pelos dados do 
Relatório Técnico citados no tópico 4.4. 
 
107 
 
5 CONCLUSÃO 
A apresentação do panorama geral do setor da construção civil e do setor de 
abastecimento de combustível, demostra a importância do crescimento de ambos para a 
economia do país. A análise preliminar dos possíveis aspectos e impactos ambientais que 
podem ser causados pelos dois setores, mostra que, em suas ocorrências, contribuem de forma 
significativa para alterações do meio ambiente provando assim a importância de medidas 
mitigadoras e preventivas. Mesmo após uma conscientização ambiental dos setores na década 
de 80 no Brasil, a adoção de estratégias sustentáveis vem sendo absorvidas aos poucos pelas 
empresas. 
Através desse trabalho pode-se concluir que o posto de abastecimento em estudo 
cumpre a legislação aplicável à atividade de armazenamento e abastecimento de 
combustíveis, uma vez que possui todas as licenças e alvarás necessários (Licença Ambiental, 
Autorização da ANP, Alvará de Corpo de Bombeiros), além de possuir os planos, programas 
e procedimentos estabelecidos pelas Normas Regulamentadoras aplicáveis. 
Também se conclui que os impactos de maior significância identificados decorrentes 
do vazamento de combustível, tiveram ações de controle implementadas. Esse fato mostra que 
o posto de abastecimento encontra-se bem instalado e a obra de remediação foi realizada 
conforme as normas e leis vigentes, pois não foi avaliado nenhum aspecto com classificação 
Substancialmente Significante. 
Mesmos com a inexistência de aspectos e impactos Substancialmente Significantes, 
podemos concluir que há uma real necessidade de elaboração do controle da emissão de 
ruídos e das emissões atmosféricas, que foram impactos classificados com magnitude 
Significante. Esses não foram devidamente analisados por falta do fornecimento de dados pela 
DIA Construtora Ltda. O fato da omissão de controle desses impactos leva a conclusão da 
falha do plano de gestão ambiental da obra de recuperação. 
Como sugestão de melhoria da gestão ambiental para próximas obras de recuperação, 
a construtora poderia elaborar relatórios das emissões de gases poluentes decorrentes do uso 
das máquinas à combustão nos canteiros e dos meios de transporte utilizados para transportar 
matérias-primas e resíduos gerados. Para o monitoramento de ruídos e vibrações, a 
construtora poderia instalar sismógrafos com objetivo de mensurar os níveis de velocidade de 
vibração de partícula e de pressão acústica que estariam chegando às estruturas localizadas no 
entorno da área onde se realizam as obras e verificar se tais níveis estão dentro dos limites 
preconizados pela NBR 9653 (ABNT, 2005). 
108 
 
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http://snic.org.br/assets/pdf/relatorio_anual/rel_anual_2006.pdf
http://www.snic.org.br/
http://mitpress.mit.edu/JIE
http://mitpress.mit.edu/JIE
115 
ANEXO I 
Etapa da Obra/Serviço Remoção do solo contaminado 
 
IDENTIFICAÇÃO 
In
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F
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COMENTÁRIOS/CONTROLES 
Atividade/Tarefa Aspectos Impactos 
Isolamento da área 
contaminada com lonas 
plásticas, cones e telas; 
Uso de martelo elétrico 
demolidor para início da 
demolição da laje em concreto 
da área de abastecimento; 
Uso de escavadeira hidráulica 
para retirada de resíduos da 
demolição; 
Separação dos resíduos de 
concreto da demolição e 
carregamento de caminhões 
para destinação de local 
autorizado para reciclagem; 
Isolamento de área com lona 
para recebimento do solo 
contaminado escavado; 
Uso de escavadeira para 
remoção do 1° metro de solo; 
Uso de escavadeira para 
remoção do 2° metro de solo; 
Isolamento do solo 
contaminado para descarte 
com lonas e sinalizações; 
Carregamento dos caminhões 
com solo contaminado; 
Transporte do solo para local 
de descarte. 
Consumo de energia. Redução de recursos naturais. D 1 1 1 1 4 NR T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a 
meta de redução de consumo. 
Consumo de combustíveis Redução de recursos naturais. D 2 1 3 2 8 R T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a 
meta de redução de consumo. 
Emissões atmosféricas Alteração da qualidade do ar. D 2 3 3 1 9 R S I S Monitorar o indicador específico e o atendimento a 
meta de redução de emissões. Verificar a necessidade 
de ações complementares com a finalidade de 
melhorar as condições do local. 
Descarte de resíduos perigosos 
(resíduos contaminados com óleo 
e/ou demais produtos químicos; 
embalagens contaminadas) 
Contaminação de solo e águas e/ou 
sobrecarga de aterro industrial. 
D 1 3 3 3 10 R S MI S Observar diretrizes do Plano de Gerenciamento de 
Resíduos. Monitorar o indicador específico e o 
atendimento a meta de redução de geração. Verificar a 
necessidade de ações complementares com a 
finalidade de melhorar as condições do transporte ou 
local de despejo. 
Descarte de sucata metálica. Sobrecarga de aterro. D 1 1 3 1 6 NR T NI NS Observar diretrizes do Plano de Gerenciamento de 
Resíduos. Monitorar o indicador específico e o 
atendimento a meta de redução de geração. 
Emissão de poeira. Poluição atmosférica. D 2 2 3 1 8 R M I MS Monitoramento e medição do indicador específico e 
atendimento a meta de redução de geração. 
Geração de resíduos sólidos não 
perigos (plástico, etc) 
Sobrecarga de aterros. D 2 1 3 1 7 R T NI NS Observar diretrizes do Plano de Gerenciamento de 
Resíduos. Monitorar o indicador específico e o 
atendimento a meta de redução de geração. 
Movimentação de terra / rocha. Erosão e assoreamentos. 
Assoreamento de drenagem e cursos 
de água. Perda de solo. 
D 1 1 1 1 4 NR T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a 
meta de redução de consumo e reaproveitamento do 
solo. 
Vibrações e ruídos Perda de vegetação e de habitats 
Degradação do ecossistema natural 
D 2 1 3 3 9 R M I MS Realizar o monitoramento de áreas verdes próximas a 
obra e realizar relatório de impactos á vizinhança com 
fotos comparativas do antes e depois. 
Emissão de fumaça preta Poluição atmosférica D 2 2 3 2 9 R M I MS Realizar o monitoramento de todos os veículos e 
equipamentos à óleo diesel. 
Simbologia: (Incidência: D=direta ou I=indireta); (Freqüência: 1=baixa ou 2=média ou 3=alta); (Probabilidade: 1=baixa ou 2=média ou 3=alta); (abrangência: 1=pequena ou 2=média ou nde); (severidade: 
1=baixa; 2=média ou 3=alta); (Relevância=incidência+freqüência+probabilidade+abrangência) 
 
Elaborado por: Giulia Braga Aprovado por: 
 
14 
 
ANEXO II 
Etapa da Obra/Serviço Recomposição da cava 
 
IDENTIFICAÇÃO 
In
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COMENTÁRIOS/CO
NTROLES Atividade/Tarefa Aspectos Impactos 
Uso de máquina para nivelamento 
do fundo da cava; 
Uso da escavadeira para 
descarregamento e espalhamento 
do pó de brita 
Nivelamento do pó de pedra com 
uso de máquina; 
Compactação da cava nivelada; 
Limpeza de área de intermediação; 
Consumo de água Redução dos recursos naturais D 1 1 1 1 4 NR T NI NS Monitorar o indicador 
específico e o atendimento a 
meta de redução de consumo. 
Consumo de combustível Redução dos recursos naturais D 1 1 1 1 4 NR T NI NS Monitorar o indicador 
específico e o atendimento a 
meta de redução de consumo. 
Consumo de energia elétrica Redução dos recursos naturais D 1 1 1 1 4 NR T NI NS Monitorar o indicador 
específico e o atendimento a 
meta de redução de consumo. 
Emissões atmosféricas Alteração da qualidade do ar D 1 2 3 1 7 R T NI NS Monitorar o indicador 
específico e o atendimento a 
meta de redução de consumo. 
Emissão de ruído Poluição sonora D 1 3 3 3 10 R S I S Monitorar o indicador 
específico e o atendimento a 
meta de redução de emissão. 
Verificar a necessidade de 
ações complementares com a 
finalidade de melhorar as 
condições do local. 
Emissão de poeira. 
Poluição atmosférica. D 1 2 3 1 7 R T NI NS Monitorar o indicador 
específico e o atendimento a 
meta de redução de consumo. 
Movimentação de terra / rocha. 
Erosão e assoreamentos. 
Perda de solo. 
D 1 2 1 2 6 NR M NI MS Monitorar o indicador 
específico e o atendimento a 
meta de redução de consumo e 
reaproveitamento do solo. 
Simbologia: (Incidência: D=direta ou I=indireta); (Freqüência: 1=baixa ou 2=média ou 3=alta); (Probabilidade: 1=baixa ou 2=média ou 3=alta); (abrangência: 1=pequena ou 2=média ou 3=grande); (severidade: 1=baixa; 
2=média ou 3=alta); (Relevância=incidência+freqüência+probabilidade+abrangência) 
 
Elaborado por: Giulia Braga Aprovado por:

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