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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO ESTUDO DOS ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS EM OBRAS DE CONSTRUÇÃO DE POSTOS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS GIULIA CAVICCHINI BRAGA 2018 ESTUDO DOS ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS EM OBRAS DE CONSTRUÇÃO DE POSTOS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS GIULIA CAVICCHINI BRAGA Projeto de Graduação apresentado ao curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Engenheiro. Orientador: Prof. Jorge dos Santos RIO DE JANEIRO Setembro de 2018 ESTUDO DOS ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS EM OBRAS DE CONSTRUÇÃO DE POSTOS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS Giulia Cavicchini Braga PROJETO DE GRADUAÇÃO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ENGENHEIRO CIVIL. Examinado por: ______________________________________________ Prof. Jorge dos Santos, D.Sc., Orientador ______________________________________________ Profª. Alessandra Conde de Freitas, D.Sc. ______________________________________________ Profª. Amanda Pereira Vieira, M.Sc. ______________________________________________ Profª. Isabeth Mello, M.Sc. ______________________________________________ Prof. Oscar A. M. Reale, D.Sc. ______________________________________________ Profª. Vivian Karla C. B. L. Machado Balthar, D.Sc. ______________________________________________ Prof. Wilson Wanderley da Silva RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL Setembro de 2018 Braga, Giulia Cavicchini Estudo dos impactos ambientais no setor de abastecimento de combustíveis de empresa de transporte rodoviário e das obras de recuperação para implantação das ações corretivas/ Giulia Cavicchini Braga – Rio de Janeiro: UFRJ/Escola Politécnica, 2018. xiii, 117 p.:il.; 29,7 cm. Orientador: Jorge dos Santos Projeto de Graduação – UFRJ/ Escola Politécnica/ Curso de Engenharia Civil, 2018. Referências Bibliográficas: p. 109-115 1.Introdução 2.Aspectos e Impactos Ambientais na Construção Civil 3.Aspectos e Impactos Ambientais no setor de Abastecimento de Combustível 4.Estudo de Caso 5. Conclusão 6. Referências Bibliográficas I. Santos, Jorge dos; II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola Politécnica, Curso de Engenharia Civil. III. Estudo da metodologia de fiscalização de obras em tanques de armazenamento de combustíveis. “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar, Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” Madre Teresa de Calcutá Dedico este trabalho a minha mãe e a minha avó, Maria Inês Cavichini e Guiomar Cavichini. Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/ UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Engenheiro Civil. ESTUDO DOS ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS EM OBRAS DE CONSTRUÇÃO DE POSTOS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS Giulia Cavicchini Braga Setembro de 2018 Orientador: Jorge dos Santos Diante de um cenário de desenvolvimento e de mudanças na consciência ecológica, os órgãos governamentais e a sociedade estão cada vez mais exigindo atitudes conscientes no que se refere ao meio ambiente por parte das indústrias, comércio e prestadores de serviços. As atividades de abastecimento e armazenamento de combustível, podem causar alguns impactos bastante nocivos ao meio ambiente tais como: contaminação do solo, de aquíferos e contaminação humana através do contato direto com os combustíveis tóxicos. Esse trabalho avalia alguns impactos ambientais causados pelo setor de abastecimento de combustíveis de empresas de transporte rodoviário e apresenta iniciativas a serem tomadas para mitigar os problemas encontrados. Usando conceitos de gestão ambiental, é feito um estudo sobre os impactos causados ao meio ambiente pelo vazamento de tanques de armazenamento de óleo diesel e pela obra de recuperação em uma garagem de ônibus sediada na cidade do Rio de Janeiro. Palavras-chave: Impactos Ambientais; Combustíveis; Gestão Ambiental; Obras de Recuperação. Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Engineer. STUDY OF ENVIRONMENTAL ASPECTS AND IMPACTS IN CONSTRUCTION WORKS OF FUEL SUPPLY POSTS Giulia Cavicchini Braga September 2018 Adviser: Jorge dos Santos Faced with a scenario of development and changes in ecological awareness, government agencies and society are increasingly demanding environmentally conscious attitudes from industries, commerce and service providers. Fuel supply and storage activities can cause some very harmful impacts to the environment such as: contamination of soil, aquifers and human contamination through direct contact with toxic fuels. This paper assesses some environmental impacts caused by the fuel supply sector of road transport companies and presents initiatives to be taken to mitigate the problems encountered. Using environmental management concepts, a study is made of the impacts caused to the environment by the leakage of diesel storage tanks and the recovery work in a bus garage located in the city of Rio de Janeiro. Keywords: Environmental Impacts; Fuels; Environmental management; Recovery Works. LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 2.1 - IMPACTO AMBIENTAL (FONTE: SIMONETTI, 2010) ................................................................................ 18 FIGURA 2.2 - SURGIMENTO DOS GRUPOS DE PESQUISAS AMBIENTAS NA USP. (FONTE: UEHARA ET AL., 2010) .................... 21 FIGURA 2.3 - VISTA AÉREA DO CTR – GERICINÓ (FONTE: PMGIRS) ............................................................................ 28 FIGURA 2.4 - IMPACTOS AMBIENTAIS DA CADEIA DA CC (FONTE: ROTH E GARCIAS, 2009) ............................................. 31 FIGURA 2.5 - DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA PARA EXTRAÇÃO DE MADEIRA (FONTE: ROTH E GARCIAS, 2009) .................. 32 FIGURA 2.6 - MARGEM SOFRENDO DESMATAMENTO E EROSÃO NA EXTRAÇÃO DE AREIA (FONTE: INPE, 2007)..................... 34 FIGURA 2.7 - PROCESSO EXTRATIVO DE MATÉRIAS-PRIMAS DO CIMENTO (FONTE: LARUCCIA, 2014) .................................. 34 FIGURA 2.8 - PRODUÇÃO DE CIMENTO NO BRASIL (FONTE: SNIC, 2006) ..................................................................... 35 FIGURA 2.9 - EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUDA DA INDÚSTRIA DO CIMENTO (FONTE: ADAPTADO DO WBCSD, 2002)... 36 FIGURA 2.10 - DISTRIBUIÇÃO DE EMISSÕES ANUAIS DE CO2 DA INDÚSTRIA DO CIMENTO NOS ANOS 1990 (FONTE: VAN OSS E PADOVANI, 2002) .................................................................................................................................... 36 FIGURA 2.11 - IMPACTOS AMBIENTAIS DA INDÚSTRIA DO CIMENTO (FONTE: MARIA BEATRIZ MAURY, 2007) ..................... 38 FIGURA 2.12 - CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE RESÍDUOS (FONTE: NBR 10.004 - ABNT, 2004) ........................... 42 FIGURA 2.13 - ESPELHO D'ÁGUA DA HIDRELÉTRICA DE ITAIPU (FONTE: WIKIPÉDIA, 2018) ............................................... 45 FIGURA 2.14 - PONTE RIO-NITERÓI (FONTE: SOS MARICA, 2018) .............................................................................46 FIGURA 2.15 - BASE METÁLICA DA PONTE RIO-NITERÓI (FONTE: PORTAL PUC-RIO DIGITAL) ............................................ 47 FIGURA 3.1 - CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS EM 2016 (MIL BARRIS/DIA) FONTE: ANP,2017 ............................................ 48 FIGURA 3.2 - CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS NO SETOR DO TRANSPORTE (MIL TONELADAS) FONTE: ANP, 2017 .................... 49 FIGURA 3.3 - VARIAÇÃO DE VENDAS DE COMBUSTÍVEIS E PIB (FONTE: ANP, 2017) ....................................................... 49 FIGURA 3.4 - CADEIA DO MERCADO DE COMBUSTÍVEIS (FONTE: CADE, 2018) .............................................................. 50 FIGURA 3.5 - CONSUMO DE COMBUSTÍVEL NO BRASIL POR PRODUTO (FONTE: ANP) ...................................................... 51 FIGURA 3.6 - VARIAÇÃO LÍQUIDA DO QUANTITATIVO DE AGENTES 2015/2106 (FONTE: ANP) ......................................... 52 FIGURA 3.7 - ESQUEMA DE UM PR (FONTE: LORENZETT ET AL., 2010) ........................................................................ 53 FIGURA 3.8 - CONTAMINAÇÃO DO MEIO AMBIENTE EM POSTOS DE COMBUSTÍVEL (FONTE: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS PARA O MERCADO DE COMBUSTÍVEIS E CONVENIÊNCIA – ABIEPS, 2009) . 55 FIGURA 3.9 - CAMINHO POTENCIAIS DO VAZAMENTO DE COMBUSTÍVEL (FONTE: ABIEPS, 2009) ..................................... 57 FIGURA 3.10 - TIPOS DE POSTOS DE COMBUSTÍVEIS (FONTE: ABIEPS, 2016) ............................................................... 61 FIGURA 3.11 - LICENÇAS E SUAS FUNÇÕES (FONTE: ABIEPS, 2016)............................................................................ 62 FIGURA 3.12 - FORMULÁRIO DE CONTROLE DE ESTOQUE (FONTE: NBR 13787 - ABNT, 2013) ....................................... 64 FIGURA 3.13 - LISTA DE VERIFICAÇÃO (FONTE: NBR - ABNT, 14606) ........................................................................ 66 FIGURA 3.14 - DEMONSTRAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA (FONTE: SINDICOMBUSTÍVEIS – DF) ..... 68 FIGURA 3.15 - BOMBAS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEL (FONTE: ABIEPS, 2016) ................................................ 69 FIGURA 3.16 - VÁLVULAS DE RETENÇÃO DE COMBUSTÍVEL (FONTE: ABIEPS, 2016) ....................................................... 69 FIGURA 3.17 - DESCARGA SELADA (FONTE: ABIEPS, 2016) ...................................................................................... 70 FIGURA 3.18 - CANALETAS DA BACIA DE CONTENÇÃO EM UMA PISTA DE ABASTECIMENTO (FONTE: ABIEPS, 2016) ............. 71 FIGURA 3.19 - DOCUMENTOS PARA AC (FONTE: ANP 42) ........................................................................................ 74 FIGURA 3.20 - NÚMERO DE ACIDENTES AMBIENTAIS EM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS (FONTE: ABIEPS, 2016) ..................... 75 FIGURA 3.21 - CAUSAS DOS ACIDENTES EM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS EM SP (FONTE: CETESB) ........................................ 76 FIGURA 3.22 - INCÊNDIO NOS TANQUES DA ULTRAPAR (FONTE: REPORTAGEM G1) ........................................................ 78 FIGURA 3.23 - VISIBILIDADE DA FUMAÇA NAS CIDADES VIZINHAS AO INCÊNDIO ULTRACARGO (FONTE: REPORTAGEM G1) ...... 78 FIGURA 4.1 - LOCALIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES DA UNIDADE FRANÇA LTDA (FONTE: GOOGLE MAPS) ................................ 80 FIGURA 4.2 - INSTALAÇÕES DA UNIDADE EM ESTUDO (FONTE: ADAPTAÇÃO DE PLANTA FORNECIDA PELO ESTABELECIMENTO) .. 81 FIGURA 4.3 - PLANTA DA ÁREA DE ABASTECIMENTO E ARMAZENAMENTO (FONTE: AUTORIA PRÓPRIA) ............................... 82 FIGURA 4.4 - ISOLAMENTO DA ÁREA DE ABASTECIMENTO ........................................................................................... 83 FIGURA 4.5 - INÍCIO DA ESCAVAÇÃO COM DEMOLIÇÃO ............................................................................................... 84 FIGURA 4.6 - CARREGAMENTO E DESTINAÇÃO DO CONCRETO DEMOLIDO ...................................................................... 84 FIGURA 4.7 - ÁREA DE ARMAZENAMENTO DO SOLO IMPACTADO ................................................................................. 84 FIGURA 4.8 - INÍCIO DE REMOÇÃO DO SOLO ............................................................................................................. 85 FIGURA 4.9 - REMOÇÃO DE 2 M DE SOLO CONTAMINADO .......................................................................................... 85 FIGURA 4.10 - SOLO IMPACTADO PARA DESCARTE COMO RESÍDUO CLASSE 1 .................................................................. 85 FIGURA 4.11 - CAVA NIVELADA ............................................................................................................................. 86 FIGURA 4.12 - DESCARREGAMENTO E ESPALHAMENTO DO PÓ DE BRITA ........................................................................ 86 FIGURA 4.13 - FINALIZAÇÃO DO NIVELAMENTO DO PÓ DE PEDRA ................................................................................. 87 FIGURA 4.14 - PROCESSO DE COMPACTAÇÃO FINALIZADO .......................................................................................... 87 FIGURA 4.15 - CARREGAMENTO DO SOLO IMPACTADO .............................................................................................. 87 FIGURA 4.16 - ÁREA DE INTERMEDIAÇÃO LIMPA ....................................................................................................... 88 FIGURA 4.17 - MODELO DE PLANILHA DE LEVANTAMENTO DE IMPACTOS AMBIENTAIS ..................................................... 88 FIGURA 4.18 – ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE CONSTRUÇÃO DA CAVA ................................................ 90 FIGURA 4.19 - ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE RECONSTITUIÇÃO DA CAVA (FONTE: AUTORIA PRÓPRIA) ..... 90 FIGURA 4.20 – RELEVÂNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE CONSTRUÇÃO DA CAVA ......................................... 93 FIGURA 4.21 - RELEVÂNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE RECONSTITUIÇÃO DA CAVA ..................................... 93 FIGURA 4.22 – GRAU DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE CONSTRUÇÃO DA CAVA .................................................. 95 FIGURA 4.23 – GRAU DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE RECONSTITUIÇÃO DA CAVA ............................................. 95 FIGURA 4.24 – IMPORTÂNCIA DA INCIDÊNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE CONSTRUÇÃO DA CAVA .................. 97 FIGURA 4.25 – IMPORTÂNCIA DA INCIDÊNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE RECONSTITUIÇÃO DA CAVA ............. 97 FIGURA 4.26 - SIGNIFICÂNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE CONSTRUÇÃO DA CAVA ..................................... 100 FIGURA 4.27- SIGNIFICÂNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DA ETAPA DE RECONSTITUIÇÃO DA CAVA ................................. 100 FIGURA 4.28 - MEDIÇÃO DE VOC (FONTE: FORNECIDO PELA DIA CONSTRUTORA LTDA, 2017) ...................................... 101 FIGURA 4.29 - CERTIFICADO DE CALIBRAÇÃO (FONTE: FORNECIDO PELA DIA CONSTRUTORA LTDA, 20 ............................. 102 FIGURA 4.30 - RELATÓRIO DE RECEBIMENTO DE AMOSTRAS ..................................................................................... 103 FIGURA 4.31 - MTR DO SOLO CONTAMINADO (FONTE: FORNECIDO PELA DIA CONSTRUTORA LTDA, 2017) ...................... 105 FIGURA 4.32 - MTR DO CONCRETO ARMADO ........................................................................................................ 105 LISTA DE QUADROS QUADRO 2.1 - IMPACTOS AMBIENTAIS ................................................................................................................... 18 QUADRO 2.2 - CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS .......................................................................................... 19 QUADRO 2.3 - CLASSIFICAÇÃO DO DANO AMBIENTAL ............................................................................................... 19 QUADRO 2.4 - EXEMPLOS DE ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS DA CONSTRUÇÃO CIVIL ...............................................22 QUADRO 2.5 - ESTRUTURA SISNAMA .................................................................................................................. 24 QUADRO 2.6 - OBJETIVOS DA RUMO ..................................................................................................................... 37 QUADRO 2.7 - ÁREAS DO PLANO DE AÇÃO DA RUMO ............................................................................................... 39 QUADRO 2.8 - CLASSIFICAÇÃO DOS RCD (FONTE: ADAPTADO DA CONAMA) .............................................................. 43 QUADRO 3.1 - CLASSIFICAÇÃO DOS GASTOS RELACIONADOS ÀS MEDIDAS DE GESTÃO AMBIENTAL (FONTE: ADAPTADO DE GODOY ET AL. 2013) ........................................................................................................................................... 56 QUADRO 4.1 - ASPECTOS E SEUS RESPECTIVOS IMPACTOS AMBIENTAIS ......................................................................... 89 QUADRO 4.2 - CLASSIFICAÇÃO DOS ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS ........................................................................ 91 QUADRO 4.3 - AVALIAÇÃO DA SEVERIDADE DO IMPACTO AMBIENTAL ........................................................................... 91 QUADRO 4.4 - MÉTODO DE CÁLCULO DA RELEVÂNCIA DO IMPACTO AMBIENTAL ............................................................. 92 QUADRO 4.5 - MATRIZ DE CÁLCULO 1 DO GRAU DO IMPACTO AMBIENTAL..................................................................... 94 QUADRO 4.6 – MATRIZ DE CÁLCULO 2 DO GRAU DO IMPACTO AMBIENTAL .................................................................... 94 QUADRO 4.7 - ANÁLISE DA IMPORTÂNCIA DA INCIDÊNCIA DO IMPACTO AMBIENTAL ........................................................ 96 QUADRO 4.8 - MATRIZ DE ANÁLISE DA SIGNIFICÂNCIA DO IMPACTO AMBIENTAL ............................................................. 98 QUADRO 4.9 - CONTROLES A SEREM IMPLEMENTADOS DE ACORDO COM A SIGNIFICÂNCIA DO IMPACTO AMBIENTAL .............. 98 LISTA DE TABELAS TABELA 2.1 – RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS DA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO ............................................... 41 TABELA 3.1 - QUANTITATIVO DOS PRINCIPAIS AGENTES DE ABASTECIMENTO EM 2016 .................................................... 50 TABELA 4.1 - RESULTADOS DE VOCS NA SONDAGEM REALIZADA EM MAIO DE 2017 ..................................................... 102 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABIEPS - Associação Brasileira das Empresas de Equip. e Serv. para o Mercado de Comb. e Convêniencia ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. ACGIH - American Conference of Governmental Industrial Hygienists ANP – Agência Nacional do Petróleo. API - Petroleum Institute ASME - American Society of Mechanical Engineers BTEX – Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e Xilenos CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica COMLURB - Companhia Municipal de Limpeza Urbana CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente CSI – Iniciativa para Sustentabilidade do Cimento DENATRAN - Departamento Nacional de Trânsito DOU – Diário Oficial da União EIA – Estudo de Impacto Ambiental EPI´s – Equipamento de Proteção Individual GLP – Gás Liquefeito de Petróleo GNV – Gás Natural Veicular INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia IOLM - International Organization of Legal Metrology IPEM - Instituto Estadual de Pesos e Medidas ISO - International Organization for Standardization (Organização Internacional para Padronização) LO – Licença Operacional LP – Licença Prévia NBR – Norma Brasileira OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico PGRCC – Plano de gerencimaneto dos Resíduos da Construção Civil PIB – Produto Interno Bruto PMGIRS - Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos PNRS - Política Nacional de Resíduos Sólidos Ppm – Partículas por Minuto PVC - Policloreto de vinila RCC – Resíduos da Construção Civil RCD – Resíduos de Construção e Demolição SISNAMA – Sistema Nacional do Meio Ambiente SMAC - Secretaria Municipal de Meio Ambiente SNIC - Sindicato Nacional da Indústria do Cimento TRR – Transportador Revendedor Retalhista WBCSD - World Business Council for Sustainable Development SUMÁRIO LISTA DE ILUSTRAÇÕES ...................................................................................................................... 9 LISTA DE QUADROS............................................................................................................................. 11 LISTA DE TABELAS .............................................................................................................................. 12 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ............................................................................................. 13 SUMÁRIO ................................................................................................................................................. 15 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 13 1.1 A IMPORTÂNCIA DO TEMA EM ESTUDO ............................................................................................................. 13 1.2 OBJETIVOS .................................................................................................................................................. 14 1.3 JUSTIFICATIVA .............................................................................................................................................. 15 1.4 METODOLOGIA ............................................................................................................................................ 15 1.5 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA ........................................................................................................................ 15 2 ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS NA CONSTRUÇÃO CIVIL ................................ 17 2.1 CONCEITOS ................................................................................................................................................. 17 2.1.1 Aspectos Ambientais ............................................................................................ 17 2.1.2 Impactos Ambientais ............................................................................................ 17 2.1.3 Gestão Ambiental ................................................................................................. 21 2.2 LEGISLAÇÕES APLICÁVEIS ............................................................................................................................... 23 2.2.1 Aspectos Gerais .................................................................................................... 23 2.2.2 Lei Federal ............................................................................................................ 24 2.2.3 CONAMA n° 307/2002 ........................................................................................ 25 2.2.4 Lei Estadual do Rio de Janeiro ............................................................................. 27 2.2.5 Lei Municipal do Rio de Janeiro .......................................................................... 27 2.3 ASPECTOS HISTÓRICOS DA GESTÃO AMBIENTAL ................................................................................................. 29 2.4 PECULIARIDADES DA CONSTRUÇÃO CIVIL .......................................................................................................... 31 2.4.1 A Extração de Matéria-Prima ............................................................................... 32 2.4.2 A Produção dos Materiais e o Processo Construtivo ............................................35 2.4.3 A Geração de Resíduos......................................................................................... 40 2.5 OBRAS BRASILEIRAS HISTÓRICAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SEUS IMPACTOS AMBIENTAIS.............................................. 44 3 ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS NO SETOR DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS ..................................................................................................................................... 48 3.1 O SETOR DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEL ................................................................................................ 48 3.2 PECULIARIDADES DOS POSTOS DE COMBUSTÍVEIS ............................................................................................... 52 3.3 LEGISLAÇÕES APLICÁVEIS ............................................................................................................................... 58 3.3.1 Lei Nº 9.605 – Lei Dos Crimes Ambientais ......................................................... 58 3.3.2 Lei Nº 9.433 – Política Nacional De Recursos Hídricos ...................................... 59 3.3.3 Conama Nº 273 – Licenciamento Ambiental ....................................................... 60 3.4 NORMAS TÉCNICAS ...................................................................................................................................... 63 3.4.1 Associação Brasileira De Normas Técnicas (ABNT) .......................................... 63 3.4.2 Agência Nacional Do Petróleo, Gás Natural E Biocombustíveis (ANP) ............. 71 3.5 IMPACTOS AMBIENTAIS HISTÓRICOS DECORRENTES DO SETOR DE ABASTECIMENTO .................................................. 74 4 ESTUDO DE CASO ....................................................................................................................... 79 4.1 A EMPRESA ................................................................................................................................................. 79 4.2 AS INSTALAÇÕES .......................................................................................................................................... 79 4.3 A OBRA DE RECUPERAÇÃO AMBIENTAL ............................................................................................................ 82 4.4 OS IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS .............................................................................................................. 88 4.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO ESTUDO DE CASO .................................................................................................. 106 5 CONCLUSÃO ............................................................................................................................... 107 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 108 13 1 INTRODUÇÃO 1.1 A IMPORTÂNCIA DO TEMA EM ESTUDO Cada vez mais a população vem se conscientizando da importância de medidas ambientalmente responsáveis, dos malefícios de utilização de recursos naturais esgotáveis sem compensações, de como a saúde e bem-estar das pessoas estão ligados diretamente a qualidade do ar que respiram e da água que bebem, por exemplo. Essa conscientização fez com que a sociedade se tornasse mais exigente em relação as empresas e suas formas de gestão, surgindo assim o termo gestão ambiental. A gestão ambiental nada mais é do que uma soma de medidas que permitem reduzir e controlar os impactos ambientais de uma atividade ou empreendimento ao meio ambiente. De acordo com o Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA (1986), impacto ambiental é qualquer alteração do meio ambiente causada por atividades humanas que afetam a saúde, a segurança e bem-estar da população e a qualidade dos recursos ambientais. A gasolina e óleo diesel são misturas complexas de mais de 200 hidrocarbonetos, obtidos da destilação e craqueamento do petróleo. A gasolina é constituída por hidrocarbonetos mais leves (cadeias com 5 a 12 átomos de carbono) enquanto o óleo diesel contém uma proporção maior de hidrocarbonetos um pouco mais pesados (6 a 22 átomos de carbono). Dos hidrocarbonetos constituintes da gasolina e do óleo diesel os que causam maior preocupação são os compostos aromáticos, principalmente o benzeno, o tolueno, o Etilbenzeno e os xilenos por serem eles os mais solúveis e os mais tóxicos entre os demais. Esses compostos (comumente denominados BTEX - Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e Xilenos) são poderosos depressores do sistema nervoso central humano, apresentando toxicidade crônica, mesmo em pequenas concentrações (da ordem de ppb – parte por bilhão) e são extremamente prejudiciais ao meio ambiente, podendo inviabilizar a exploração de aquíferos por eles contaminados e ocasionar consequências no ciclo hidrológico de uma região. Tendo em vista a periculosidade de contaminação ambiental por meio de combustíveis, a partir da década de 80 as questões ambientais começaram a ter destaque para o setor de abastecimento, surgindo normas e leis para reger uma gestão ambiental das atividades de abastecimento e armazenamento de combustíveis exercidas por exemplo tanto 14 nos Postos Revendedores Varejistas quanto nos Postos de Abastecimento (instalação que possui atividade de armazenamento e abastecimento de combustíveis cujos produtos sejam destinados exclusivamente ao uso do detentor das instalações, como por exemplo, garagens de ônibus). Ambos, representam empreendimentos potencialmente poluidores por conta de suas atividades de armazenamento de combustível, troca de óleo, abastecimento, etc. Um outro setor que causa grandes impactos ambientais é o setor da construção civil. As consequências ao meio ambiente se iniciam no processo de extração de matéria prima para a produção de matérias como cimento, areia, pedras, blocos cerâmicos e etc, que é feita, em sua maioria, de forma inconsciente ambientalmente por conta do baixo valor agregado dos produtos. A produção dos materiais também é grande poluente, como por exemplo a indústria do cimento, é responsável por aproximadamente 3% das emissões mundiais de gases de efeito estufa e por aproximadamente 5% das emissões de CO2. Durante a etapa de execução da obra alguns impactos como interferência e mudança do meio físico de seu entorno (obras de barragens podem levar a degradação e inundação de milhões de hectares), consumo elevado de água para a execução das etapas de concretagem, por exemplo, geração de resíduos de demolição (concreto, ferros, vidros, etc) e até mesmo a disposição de forma incorreta desses resíduos (alguns deles podem ser tóxicos como as tintas e óleos solventes). No decorrer da existência do canteiro de obra, alguns impactos na vizinhança também podem ser observados como ruídos e mudanças nas vias de transito de automóveis. Nesse contexto, o setor da construção civil se viu obrigado a apostar em medidas de gestão ambiental para atender as exigências da sociedade, ao surgimento de normas e a evolução da legislação ambiental brasileira, que tem como objetivo, a preservação do meio ambiente e responsabilização dos principais geradores de impactos. 1.2 OBJETIVOS A presente monografia possui como objetivo identificar e analisar os aspectos e os impactos ambientais causados por falhas do setor de abastecimento de combustíveis em postos de abastecimento (empresa de transporte), assim como pelas suas respectivas obras de recuperação para implementação das ações corretivas. 15 1.3 JUSTIFICATIVA O contexto econômico atual caracteriza-se por uma rígida postura dos clientes, voltada à expectativa de interagir com organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional no mercado, e que atuem de forma ecologicamente responsável. (TACHIZAWA apud HEUSER, 2007). Diante da complexidade encontrada na discussão desustentabilidade no setor de abastecimento de combustíveis e da construção civil, releva-se a importância de um estudo sobre os impactos ambientais decorrentes de falha no setor de abastecimento (postos de combustível) e das etapas das suas respectivas obras de remediação, visando controlar e mitigar os impactos finais. 1.4 METODOLOGIA Foram realizadas consultas a monografias, dissertações, teses, artigos técnicos específicos, normas técnicas, leis e livros, afim de identificar conceitos ligados a aspectos e impactos ambientais causados pelo setor de abastecimento de combustíveis e pelo setor da construção civil. Essa fundamentação teórica teve como base principal buscas virtuais. Foi feito um estudo para identificação dos aspectos e impactos ambientais em uma obra de recuperação de um posto de abastecimento (garagem de ônibus de transporte de passageiros) por conta de um vazamento de combustível. O estudo avalia na prática a aplicação da fundamentação teórica com base nos dados disponibilizados pela empresa de consultoria ambiental, a qual realizou a obra. As conclusões e observações analisadas no estudo de caso são válidas apenas para a empresa e o empreendimento em estudo, pois o sistema de gestão ambiental é único para cada organização e os impactos ambientais dependem do meio em que estão ocorrendo não perdendo de vista a diversidade e a função social do mesmo. 1.5 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA No primeiro capítulo observa-se a introdução da monografia, contendo o tema de estudo com sua devida importância descrita, os objetivos deste trabalho, a motivação do 16 estudo, a metodologia adotada para o desenvolvimento do trabalho e a estrutura da monografia. No segundo capítulo foi realizado um levantamento bibliográfico com a contextualização sobre aspectos e impactos ambientais na construção civil contendo conceitos, legislações aplicáveis aspectos históricos da gestão ambiental, peculiaridades da construção civil e obras históricas e seus respectivos impactos ambientais. No terceiro capítulo também é apresentado um levantamento bibliográfico, porém este é sobre aspectos e impactos ambientais no setor de abastecimento de combustível contendo um panorama geral do setor de abastecimento de combustíveis no Brasil, peculiaridades dos postos de combustíveis, legislações e normas aplicáveis e os impactos ambientais históricos do setor. O quarto capítulo, é destinado a um estudo de caso com os dados de uma obra de recuperação em uma garagem de ônibus (PA). A empresa e a instalação é descrita de forma detalhada. Foram usados todos os conceitos discutidos nos capítulos 2 e 3 para a compreensão dos impactos ambientais causados pelo vazamento de combustível e pela obra. No quinto capítulo é dedicado a conclusão acerca das questões levantadas e discutidas nesta monografia. 17 2 ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS NA CONSTRUÇÃO CIVIL 2.1 CONCEITOS 2.1.1 Aspectos Ambientais "O aspecto ambiental é o elemento das atividades ou produtos ou serviços de uma organização que pode interagir com o meio ambiente” Norma Brasileira (NBR) ISO 14001 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT, 2015), o qual tem o poder de gerar um impacto ambiental significativo. Para Rios (2014), os aspectos ambientais são as causas controláveis pela organização como, por exemplo, certos processos de produção ou produtos. Ainda segundo a NBR ISO 14001 (ABNT, 2015): “NOTA 1 - Um aspecto ambiental pode causar impacto(s) ambiental(is). Um aspecto ambiental significativo é aquele que tem ou pode ter um ou mais impactos ambientais significativos. NOTA 2 - Aspectos ambientais significativos são determinados pela organização, aplicando um ou mais critérios.” De acordo com Santos (2005), são exemplos de aspectos ambientais as emissões de gases, resíduos sólidos gerados, matéria prima consumida, efluentes e combustível consumido. Na construção civil, pode-se exemplificar com a atividade de execução de formas de madeira para uma obra de muro de contenção de encostas. Alguns aspectos gerados por essa atividade são: o consumo de recursos naturais (a madeira); o consumo de energia elétrica e a geração de resíduos (serragem e pedaços de madeira). 2.1.2 Impactos Ambientais Segundo o Artigo 1° da Resolução CONAMA, de 23 de janeiro de 1986, considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio 18 ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam os seguintes itens indicados no Quadro 2.1: Quadro 2.1 - Impactos Ambientais I A saúde, a segurança e o bem-estar da população; II As atividades sociais e econômicas; III A biota; IV As condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V A qualidade dos recursos ambientais Fonte: CONAMA Para Santos (2005), “São considerados impactos ambientais os resultados da interação dos aspectos ambientais com o meio ambiente”. Já Simonetti (2010), define o impacto ambiental como a variação de um parâmetro no ambiente, em função da ação humana como ilustrado na Figura 2.1. Em outras palavras, são os efeitos no meio ambiente causados isoladamente ou não, por exemplo, na forma contaminação do lençol freático, poluição do solo, da atmosfera ou existência de riscos. Figura 2.1 - Impacto Ambiental (Fonte: Simonetti, 2010) Para possibilitar a avaliação do potencial de contribuição e a dimensão do dano ambiental em um ambiente na ocorrência de impactos, as características dos recursos naturais podem ser classificadas segundo Kaskantzis (2010) como apontado no Quadro 2.2: 19 Quadro 2.2 - Classificação dos Recursos Naturais Classificação Conceituação a) Escala Representa a magnitude do efeito sobre o recurso natural em função do espaço e do tempo, sendo dimensionada em macro (em km), meso (em ha) e micro (em m). Para exemplificar, no que diz a respeito à escala, o impacto do derramamento de óleo em um rio será maior do que o mesmo derramamento no terreno de uma indústria. b) Elasticidade Representa a capacidade do recurso natural de se recuperar após a ocorrência de impacto ambiental (renovação). A ocorrência de derramamento de óleo em um rio tem impacto ambiental menor do que o mesmo derramamento de óleo em uma lagoa. O rio em função das correntezas tem renovabilidade maior do que a lagoa com águas paradas. c) Complexidade Representa o grau de causas que o meio gera e a incidência de consequências que afetam o meio. O impacto ambiental de um vazamento de produto químico de uma indústria localizada as margens do rio Paraíba do Sul têm complexidade maior que o mesmo vazamento em uma lagoa. Neste caso, ao contrário da elasticidade (renovação) a complexidade do impacto é maior por conta das causas que o meio pode gerar ao longo do rio. d) Componente chave Representa os elementos dominantes de um ecossistema e seus efeitos nos demais elementos dependentes que habitam o mesmo ecossistema. Quando um impacto ambiental destrói uma determinada espécie outras que dependem da mesma tendem também a desaparecer pela destruição da sua condição de subsistência. e) Representatividade Representa a singularidade do elemento afetado pelo impacto ambiental e a sua influência no meio em que está inserido ou no momento em que ocorre o impacto ambiental. Fonte: Kaskantzis, 2010. Leite (2012) estabelece os critérios descritos na Quadro 2.3 para a classificação do dano ambiental e consequentemente para a determinação do potencial ecológico de contribuição para o equilíbrio ambiental. Quadro 2.3 - Classificação do Dano Ambiental Levando em consideração Significados Espécie de dano 1) A amplitude do bem 1) Conceitos restrito, amplo a) Dano ecológico puro 20 protegido e parcial do bem ambiental (restrito);b) Dano ambiental(amplo); c) Dano ambiental individual ou reflexo (parcial). 2) A reparabilidade e o interesse envolvido 2) Obrigação de reparar diretamente ao interessado ou indiretamente ao bem ambiental protegido. Relativamente ao interesse do proprietário do bem, ou concernente ao interesse difuso da coletividade na proteção do bem ambiental. a) Dano de reparabilidade direta; b) Dano de reparabilidade indireta. 3) A extensão do dano 3) Considerando lesividade verificada no bem ambiental a) Dano ambiental patrimonial; b) Dano ambiental extrapatrimonial ou moral 4) Os interesses objetivados 4) Considerando os interesses objetivados na tutela jurisdicional pretendida. a) Dano ambiental de interesse da coletividade; b) Dano ambiental de interesse subjetivo fundamental; c) Dano ambiental de interesse individual. Fonte: Leite, 2012. No contexto da construção civil, segundo Spadotto et al. (2011): “Algumas obras podem causar impactos que influenciam o ecossistema podendo alterá-lo drasticamente ou até provocar sua extinção, por meio de inundação de grandes áreas, corte de vegetações, impermeabilização do solo e a sua fase de construção que acaba gerando ruídos, resíduos, etc. Os impactos, além de ambientais, também influenciam o meio social, econômico e visual. Como pode valorizar uma área, pode também desvalorizar, mediante poluição visual, sonora, sombreamento de área que necessita de insolação, empecilho para a ventilação, entre outros.” Os impactos ambientais causados pelo setor da construção podem ser observados em todas as etapas da sua cadeia produtiva, tendo início na extração de matéria-prima onde ocorre grande degradação ambiental, seguindo pela elaboração de materiais de construção como, por exemplo, emissão de CO2 na produção de cimento e na etapa de execução onde ocorre a geração de resíduos como entulhos de demolições e pontas de ferro utilizados na montagem das armaduras para concreto armado. Todas essas peculiaridades do setor da construção são melhor explicados no item 2.4. 21 2.1.3 Gestão Ambiental De acordo com Valle (2002), a Gestão Ambiental consiste em um conjunto de medidas e procedimentos bem definidos que, se adequadamente aplicados, permitem reduzir e controlar os impactos produzidos por um empreendimento ao meio ambiente. Para Uerhara et al. (2010), a gestão ambiental ocupa-se dos aspectos “políticos”, “Administrar conflitos e compreender como os humanos interagem com o ambiente e entre eles mesmos traduzem o núcleo da gestão ambiental que, à diferença da Ciência Ambiental, é amplamente situada nas Ciências Sociais.”. Em outras palavras, ela visa ordenar as atividades humanas de forma a utilizar de maneira racional os recursos naturais, visando a sustentabilidade Após a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992 (ECO 92), que segundo Raynaut, Lana e Zanoni (2000), “[...]foi uma expressão da importância que o tema já tinha assumido para a classe política brasileira, bem como um incentivo para uma mobilização ainda maior dos interesses públicos e privados nesse domínio.” e a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Rio+10) realizada em 2002 com objetivo principal de discutir soluções propostas pela Agenda 21, cada vez mais a sociedade passou a exigir das indústrias cuidados na preservação dos recursos naturais e o respeito ao Código Florestal, que impõe regras mais rígidas no uso da terra. Uehara et al. (2010) mostra na Figura 2.2 o crescimento no surgimento dos grupos de pesquisa e eventos ambientais na Universidade de São Paulo após 1992 como exemplificação da conscientização da população em relação a importância da Gestão Ambiental. Figura 2.2 - Surgimento dos grupos de pesquisas ambientas na USP. (Fonte: Uehara et al., 2010) 22 A existência de um Sistema de Gestão Ambiental em uma empresa geralmente conduz a melhoria em desempenho ambiental e em custos diretos (diminuição do desperdício de matérias-primas e de recursos cada vez mais escassos, como água e energia) e indiretos (representados por sanções e indenizações relacionadas a danos ao meio ambiente ou à saúde de funcionários e da população). “Quando metas e objetivos são estabelecidos dentro do sistema administrativo, e pessoas e organização são avaliadas por completo para verificar se esses objetivos e metas foram alcançados, o resultado é uma melhoria” (HARRINGTON, 2001). De acordo com Novis (2014), a ISO 14001 é a única norma do conjunto ISO 14000 que certifica ambientalmente uma organização. Ela tem como propósito prover às organizações os elementos de um Sistema de Gestão Ambiental competente, susceptível a integração com os demais objetivos da organização e com capacidade de ser aplicado a todos os tipos e partes de organizações, independente e suas condições geográficas, culturais e sociais. A ISO 14004 especifica os princípios e elementos integrantes de um Sistema de Gestão Ambiental, mas é destinada somente para uso interno na organização, servindo como guia para a implementação da Gestão Ambiental, sem aguardar por certificação. Segundo a ABNT NBR ISO 14004 (ABNT, 2004), existe um processo de avaliação para determinar a significância dos aspectos e impactos ambientais (conceitos abordados anteriormente nos tópicos 2.1.1 e 2.1.2) que deve conter as etapas de Seleção de uma atividade, produto ou serviço; Identificação de aspectos ambientais; Identificação de impactos ambientais e Avaliação da importância dos impactos. No Quadro 2.4, estão exemplificados possíveis aspectos e impactos oriundos de algumas atividades comuns na construção civil. Quadro 2.4 - Exemplos de Aspectos e Impactos Ambientais da Construção Civil Atividade, produto ou serviço Aspecto Impacto Atividade - Manuseio de materiais perigosos Possibilidade de vazamento para o meio ambiente Contaminação do solo ou da água Produto - Projeto de edificação comercial Uso de matérias-primas esgotáveis (água, metais, plásticos) Esgotamento de recursos naturais Serviços - Operação de caminhões de transporte Emissões de gases pelo escapamento Contaminação do ar Fonte: Autoria própria. 23 A ISO 14004, complementa a ISO 14001 e, assim como ela, existem outras normais complementares: ISO 14020 do grupo de normas que lidam com selos ambientais; ISO 14031que é basicamente um guia para avaliar o desempenho ambiental; ISO 14040 que conduz análises do ciclo de vida de produtos e serviços (a qual será abordada no tópico 2.1.4); ISO 14063 que trata de comunicação ambiental por parte das empresas; ISO 14064 que auxilia na contabilização e verificação de emissões de gases de efeito estufa para suportar projetos de redução de emissões; ISO 14065 a qual complementa a ISO 14064 especificando os requisitos para certificar ou reconhecer instituições que farão validação ou verificação da norma ISO 14064 ou outras especificações importantes. 2.2 LEGISLAÇÕES APLICÁVEIS 2.2.1 Aspectos Gerais A preocupação com o meio ambiente acompanha os principais movimentos políticos no mundo. A legislação ambiental brasileira, antes da atual Constituição, era regida pela Política Nacional do Meio Ambiente, instituída em 31 de agosto de 1981 pela Lei 6.938 que, entretanto, demorou cinco anos para produzir um primeiro efeito normativo, a Resolução nº 01 do CONAMA de 05.01.86. Nessa Resolução foi definido Impacto Ambiental e a necessidade de se ter um Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) para qualquer tipo de licenciamento, obra ou intervenção no meio ambiente. Já no início dos anos 90 houve um processo preparatório da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a RIO 92, na qual foi aprofundado a questão do Desenvolvimento Sustentável, resultando na “Agenda 21” que seguiu com um despertar sobrea sociedade (SANTOS, 2015). Seguindo o exemplo dos outros países, o Brasil vem evoluindo em sua legislação ambiental com o objetivo de preservação do meio ambiente e responsabilização dos principais geradores. Este ítem 2.2 mostra a evolução da legislação ambiental brasileira a níveis federal, estadual e municipal tomando como referência o estado e o município do Rio de Janeiro. 24 2.2.2 Lei Federal A lei federal nº 6.938/81, nomeado como Política Nacional do Meio Ambiente, busca a preservação, melhora e recuperação do Meio Ambiente Nacional. De acordo com Rodrigues (2018), ela foi o marco inicial que cuidou do meio ambiente como um direito próprio e autônomo. “Antes disso, a proteção do meio ambiente era feita de modo mediato, indireto e reflexo, na medida em que ocorria apenas quando se prestava tutela a outros direitos, tais como o direito de vizinhança, propriedade, regras urbanas de ocupação do solo, etc.". Para alcançar o objetivo de melhora do meio ambiente, segundo Santos (2015), essa lei instituiu o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), que representa o conjunto de órgãos, entidades e normas de todos os entes federativos da União, estados, Distrito Federal e municípios, responsáveis pela gestão ambiental. O SISNAMA, cuja estrutura é disposta no Quadro 2.5, estabelece princípios e conceitos fundamentais para a proteção ambiental, bem como objetivos e instrumentos até então inexistentes na legislação pátria. Quadro 2.5 - Estrutura SISNAMA Estrutura do SISNAMA Órgão superior: O Conselho de Governo Órgão consultivo O Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA Órgão central: O Ministério do Meio Ambiente - MMA Órgão executor: O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação ambiental; Órgãos Locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições; Fonte: SISNAMA A partir da Lei 12.305, foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Nela, a responsabilidade pela gestão dos Resíduos de Construção e Demolição (RCD) 25 estendeu-se aos Municípios e ao Distrito Federal, visando a reciclagem de lixo e o correto manejo dos produtos usados com alto potencial de contaminação. De acordo com Santos (2015), nesta lei está inclusa a criação da logística reversa para determinados materiais como agrotóxicos, pilhas, baterias, eletroeletrônicos, pneus, lâmpadas e óleos lubrificantes. Além de estimular de que cidadãos separem o lixo doméstico nas cidades onde existe coleta seletiva, a lei prevê subsídios da União para catadores de lixo e a indústria da reciclagem. Também está contemplada nesta lei, a proibição da criação de lixões onde os resíduos são despejados a céu aberto assim como moradia e criação de animais nesses locais. 2.2.3 CONAMA n° 307/2002 Em 1986, segundo Santos (2015), na Resolução n° 001 da CONAMA é definido Impacto Ambiental e a necessidade de se ter um Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) para qualquer tipo de licenciamento, obra ou intervenção no meio ambiente. Por causa do crescente aumento de RCD e os impactos causados no meio-ambiente, o CONAMA formulou a Resolução nº 307 (CONAMA, 2002), que responsabiliza os geradores de resíduos pela destinação final dos mesmos. “Sua vigência começou a partir de julho de 2002, e estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, disciplinando as ações necessárias de forma a minimizar os impactos ambientais.” (GONÇALVES, 2016). No Art. 2º, temos a definição de resíduos da construção civil segundo a Resolução 307: Resíduos da construção civil: são os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha. Além de diretrizes, ela estabelece que os geradores devam ter como objetivo prioritário a não geração de resíduos e, como secundário, devem buscar reduzi-lo, reutilizá-lo, reciclá-lo e cuidar para que a destinação final seja correta, uma vez que não é possível sua 26 disposição em aterros domiciliares, área de “bota fora”, em encostas, corpos d’agua, lotes vagos e em áreas protegidas por Lei. A responsabilidade pelo entulho gerado é do gerador, sendo a Prefeitura corresponsável por pequenas quantidades, geralmente menos que 50 kg ou 100 lts. (LARUCCIA, 2014) A Resolução 307 também determina que o instrumento para a gestão dos resíduos da construção civil, o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, seja elaborado pelos municípios e pelo Distrito Federal e este plano deve conter diretrizes, técnicas e procedimentos para o Programa de Gerenciamento e Projetos de Resíduos da Construção Civil, e define formas de disposição dos resíduos segundo sua classificação. Segundo a Resolução nº 448 (CONAMA, 2012), que é uma alteração da resolução 307/02, a elaboração de um plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos deve contemplar: a) A situação dos resíduos sólidos gerados, contendo a origem, o volume, a caracterização e as formas de destinação e disposição final; b) Identificação das áreas favoráveis para disposição final ambientalmente adequada; c) Possíveis soluções compartilhadas com outro município; d) Identificação dos geradores sujeitos ao plano de gerenciamento específico; e) Procedimentos operacionais e especificações a serem adotadas nos serviços públicos do manejo de resíduos sólidos; f) Indicadores de desempenho operacional do manejo sólidos; g) Regras para o transporte e de outras etapas do gerenciamento dos resíduos sólidos; h) Programas e ações de capacitação técnica, voltados para sua implementação e operacionalização; i) Programas e ações de educação ambiental que promovam a não geração, a redução, a reutilização e a reciclagem de resíduos sólidos; j) Metas de redução, reutilização, coleta seletiva e reciclagem, entre outras, com vistas a reduzir a quantidade de rejeitos encaminhados para disposição final ambientalmente adequada; 27 2.2.4 Lei Estadual do Rio de Janeiro A Resolução 307/02 da CONAMA, é reforçada pela lei n°4.191 de 30 de setembro de 2003 no Estado do Rio de Janeiro. Essa lei considera que qualquer atividade geradora de resíduos deve obedecer a todas as obrigatoriedades contidas na legislação, portanto, ela não contempla apenas o setor da construção civil. Segundo o Art. 8°: “As atividades geradoras de resíduos sólidos e executores, de qualquer natureza, são responsáveis pelo seu acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento, disposição final, pelo passivo ambiental oriundo da desativação de sua fonte geradora, bem como pela recuperação de áreas degradadas.” Os instrumentos da Política Estadual de Resíduos Sólidos são estabelecidos e, dentre eles, estão as auditorias ambientais, os programas de incentivo à adoção de sistemas de gestão ambiental pelas empresas e a certificação ambiental de produtos e serviços. Nela, o Estado reforça que Caso contrário, as responsáveis estão sujeitas a penalidades previstas que vão desde multas simples, perda de crédito, embargo de obras e cassação de licença ambiental. “Art. 18 - Constitui infração, para efeito desta Lei, toda ação ou omissão que importe a inobservância de preceitos nela estabelecidos e na desobediênciaa determinações dos regulamentos ou normas dela decorrentes. Parágrafo único - O descumprimento das determinações a que se refere o caput deste artigo sujeitará os infratores às penas de advertência por escrito, multa simples, multa diária, interdição e demais penalidades previstas na Lei Estadual nº 3467Controle de Leis, de 14 de dezembro de 2000, independentemente de outras sanções administrativas.” (LEI N°4.191, 2003). 2.2.5 Lei Municipal do Rio de Janeiro No contexto Municipal do Rio de Janeiro, é respeitado o decreto n°42605 de 25 de novembro de 2016 que institui o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos - PMGIRS da Cidade do Rio de Janeiro (2017-2020). Ele considera a determinação da Lei Federal nº 12.305, de 02 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecendo em seus arts. 18 e 55 que a elaboração do PMGIRS é condição para os 28 municípios terem acesso a recursos da União destinados à limpeza urbana e ao manejo de resíduos sólidos; Conforme o PMGIRS (2017-2020), podemos observar número significativo dos resíduos da construção civil no Município do Rio de Janeiro destinados a Gericinó vide Figura 2.3: “93,2 % do fluxo de resíduos sólidos gerados na cidade é destinado ao ctr-rio, em Seropédica, após passar pelas estações de transferência de resíduos - Etrs. Para o ctr-gericinó são destinados 6,3% do fluxo, que são os resíduos da construção civil e o restante 0,5% compreende o fluxo da coleta seletiva.” Figura 2.3 - Vista aérea do CTR – Gericinó (Fonte: PMGIRS) O PMGIRS define que para maiores quantidades de Resíduos da Construção Civil - RCC de responsabilidade do gerador, enquadrado como gerador de lixo extraordinário (Grande Gerador de RCC é aquele que gera volume superior a 2 m³/semana de acordo com o inciso VII, art. 3º do Decreto Municipal nº 27.078/2006), a COMLURB (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) disponibiliza em seu site a “relação de empresas credenciadas para a coleta e o transporte” e a SMAC (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) disponibiliza em seu site a “listagem de empresas licenciadas para o beneficiamento ou destinação final ambientalmente adequada de RCC”. Para a remoção de RCC de pequenas obras residenciais, desde que os resíduos estejam acondicionados em sacos plásticos de 20 litros, pode ser solicitado o apoio do município no recolhimento de até 150 sacos a cada 10 dias, através do Serviço de Remoção Gratuita da COMLURB. A recente Resolução SMAC nº 604/2015 estabelece que os Planos de Gerenciamento de RCC – PGRCC deverão ser elaborados de forma a privilegiar as alternativas de 29 reaproveitamento e de reciclagem de RCC na própria obra ou em unidades de beneficiamento devidamente licenciadas. Cabe registrar que o licenciamento ambiental municipal vem exigindo o atendimento à legislação em vigor, com o reaproveitamento dos diferentes resíduos de demolição e construção, diretamente nos próprios locais de geração ou indiretamente em outras obras licenciadas. As obras sob responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto da Cidade do Rio de Janeiro – CDURP é exemplo de expressivo reaproveitamento de RCC. Decreto Municipal nº 33.971, de 13.06.2011, dispõe sobre a obrigatoriedade da utilização de agregados reciclados, oriundos de resíduos da construção civil - RCC em obras e serviços de engenharia realizados pelo Município do Rio de Janeiro e dá outras providências e revoga os artigos 35 e 36 do Decreto nº 27.078, de 27.09.2006. 2.3 ASPECTOS HISTÓRICOS DA GESTÃO AMBIENTAL Segundo Novis (2014), até a década de 50, a natureza não era considerada como foco principal em qualquer discussão que abordasse a atividade humana e suas relações com o meio. “Acreditava-se que a natureza existia para ser compreendida, explorada e catalogada, desde que utilizada em benefício da humanidade. Por outro lado, o avanço da tecnologia no pós-guerra, dava sinais que não existiriam problemas que não pudessem ser resolvidos.” Nos anos 70, o início dos movimentos sociais representou um marco na humanidade e em particular para a formação de uma consciência da importância da preservação fundamentada nos princípios do equilíbrio com a natureza. A palavra ecologia passa a ser um termo muito utilizado (SCHENINI et al, 2004). Havia uma divisão bem clara entre pessoas ditas ecologistas (defensores da natureza) e pessoas que pregavam a exploração irrestrita do meio ambiente. Porém com surgimento recente do termo “desenvolvimento sustentável”, ocorreu consequentemente o aparecimento de profissionais com um perfil que seria um meio termo, ou seja, profissionais com visão ambientalista que agregam esse conhecimento à exploração dos recursos naturais, tornando-a mais racional. De acordo com Roth e Garci (2009), nos anos 70 houve o início da implementação de medidas para atenuar os impactos ambientais procedentes das atividades do setor da construção civil nos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento 30 Econômico - OCDE. Primeiramente foram desenvolvidas ações para a economia de energia, para o enfrentamento da crise do petróleo e para o desenvolvimento da eficiência energética do setor. Nos anos 80, por conta da escassez de áreas para a disposição final de resíduos sólidos no setor da construção civil na Europa, a reciclagem e a minimização de resíduos passaram a ser motivo de foco especial nesse setor e diversas políticas públicas foram introduzidas com este objetivo. Santos (2015) relata que no final dos anos 80 e início dos anos 90 houve um processo preparatório da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a RIO 92, na qual foi aprofundado a questão do Desenvolvimento Sustentável. Nesse evento foi feito o documento intitulado de “Agenda 21”, que resultou de um despertar sobre a consciência ambiental, a importância da conservação da natureza para o bem-estar da sociedade. O documento alvidrava que a sociedade assumisse uma atitude ética entre a conservação ambiental e o desenvolvimento. Evidenciava a forma desperdiçadora com que até então eram tratados os recursos naturais e propunha uma sociedade justa e economicamente responsável, produtora e produto do desenvolvimento sustentável. Em março de 1993 instalou-se o ISO/TC-207, comitê técnico com a função de elaborar uma série de normas, batizadas de série ISO 14.000. No Brasil, segundo Schenini et al. (2004), a inexistência de uma consciência ecológica na indústria da construção civil resultou em danos ambientais irreparáveis, que foram agravados pelo maciço processo de migração ocorrido na segunda metade do século passado, que ocasionou uma enorme demanda por novas habitações. Atualmente, o modelo de construção civil praticado no Brasil, em toda a sua cadeia de produção, ocasiona vários prejuízos ambientais, pois, além de utilizar, amplamente, matéria- prima não renovável da natureza e consumir elevadas quantidades de energia, tanto na extração quanto no transporte e processamento dos insumos, é também perdulário no uso dos materiais e considerado grande fonte geradora de resíduos dentro da sociedade. Tais impactos acabam provocando a formação de áreas degradadas que ocorrem em três etapas do processo construtivo: na aquisição de materiais, considerando a retirada de matéria-prima natural e o fabrico de produtos, na etapa de execução das obras civis, propriamente dita, e na fase de disposição final dos resíduos gerados pela construção. 31 2.4 PECULIARIDADES DA CONSTRUÇÃO CIVIL Segundo Barreto (2005), a construção civil é uma indústria que produz grandes impactos ambientais, desde a extração das matérias-primas necessárias à produção de materiais, que tem como consequência imediata o esgotamento de recursos, passando pela execução dos serviços nos canteiros de obra até a destinação final dada aos resíduosgerados, ocasionando grandes alterações na paisagem urbana, acompanhada de áreas degradadas como esquematizado na Figura 2.4 (ROTH E GARCIAS, 2009). No entanto, outros impactos ambientais podem ser identificados, tais como: emissão de gases poluentes e gasto de energia, seja durante a extração, fabricação ou transporte do recurso; contaminação da água por lavagem de matéria prima extraída e por processos industriais; consumo de energia e água, entre outros insumos, para manter a produção (SANTOS, 2015). Figura 2.4 - Impactos Ambientais da Cadeia da CC (Fonte: Roth e Garcias, 2009) Segundo Lima (1999), a construção de edificações, em especial, é o setor que apresenta maiores atrasos devido à falta de qualidade dos serviços e por apresentar grande quantidade de retrabalho, perdas, baixa produtividade e enorme resistência a mudanças. O que provoca estes fatos é uma falta de fiscalização das sequências das atividades, a mão de obra intensa e desqualificada, a falta de definição de atividades, a resistência a mudanças e produção não planejada por parte dos responsáveis. 32 2.4.1 A Extração de Matéria-Prima Segundo Mesquita (2012), no Brasil, a construção civil é responsável por cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Mas, mesmo sendo um setor que contribui positivamente para o desenvolvimento do país, ele também gera muitos problemas. De acordo com John, Oliveira e Lima (2007), “a construção de edificações consome até 75% dos recursos extraídos da natureza, com o agravante que a maior parte destes recursos não é renovável”. Estima-se que 220 milhões de toneladas de agregados naturais são consumidos apenas na produção de concreto e argamassa no Brasil e cerca de 2/3 da madeira natural extraída é para uso dessa atividade, sendo que a grande maioria das florestas não são manejadas de maneira adequada causando desmatamentos em massa. Para Roth e Garcias (2009), a formação de áreas degradadas tem início já na fase de extração de recursos naturais: “A retirada de matéria-prima pode resultar na extinção e escassez de fontes e jazidas, alterações na flora e fauna do entorno destes locais de exploração, reconfiguração das superfícies topográficas, aceleração do processo erosivo, modificações de cursos d´água, interceptação do lençol freático, aumento da emissão de gases e partículas em suspensão no ar, aumento de ruídos e propagações de vibrações no solo, tudo isto resultando em áreas degradadas” A exploração, que pode ser realizada de inúmeras maneiras, tendo em vista técnicas primitivas e menos complexas até as modernas e tecnologicamente superiores, traz consigo fatores que levam à perda de qualidade ambiental da área explorada como pode-se observar na Figura 2.5 em uma área degradada pelo processo de extração de madeira. Figura 2.5 - Desmatamento na Amazônia para extração de madeira (Fonte: Roth e Garcias, 2009) 33 A lei 9605/98, que entre outras providencias “dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente”, em seu artigo 55: “Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem deixa de recuperar a área pesquisada ou explorada, nos termos da autorização, permissão, licença, concessão ou determinação do órgão competente.” De acordo com a constituição federal de 88, artigo 225, parágrafo 2º: “Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei”. E ainda, conforme instituído pelo Decreto Federal 97.632, de 1989, em seu artigo primeiro: “Os empreendimentos que se destinam à exploração dos recursos minerais deverão, quando da apresentação do Estudo de Impacto Ambiental - EIA e do Relatório de Impacto Ambiental - RIMA, submeter à aprovação do órgão ambiental competente, plano de recuperação de áreas degradas.” A diminuição das jazidas disponíveis para o atendimento das demandas das principais regiões do país, em especial no Sul e Sudeste, vem sendo fruto da mineração de materiais de uso imediato na construção civil, como areia, brita e argila, associada a outras formas de uso e ocupação do solo. Segundo John (2000), em São Paulo, por exemplo, o esgotamento das reservas próximas da capital faz com que a areia natural já esteja sendo transportada de distâncias superiores a 100 km, resultando em significativo aumento no consumo de energia e geração de poluição. De acordo com o portal Ambiente Brasil (2007), o volume das áreas degradadas depende do tipo de mineração, da quantidade de materiais retirados e dos rejeitos produzidos. Na Figura 2.6 observa-se um local de extração de areia causando desmatamento da margem e assoreamento na área. Quando se trata dos recursos minerais, o setor minerário é um dos maiores usuários de energia, o que contribui para a poluição do ar e o aquecimento global (Brasil, 2007). 34 Figura 2.6 - Margem sofrendo desmatamento e erosão na extração de areia (Fonte: Inpe, 2007) O cimento tem como principais matérias-primas o calcário e a argila. A Figura 2.7 mostra as fases do processo do processo extrativo dessas matérias. Nas minas de calcário, o processo se inicia na extração da rocha que pode ser realizada a céu aberto ou de maneira subterrânea. Segundo Laruccia (2014), “No Brasil, a lavra a céu aberto é mais comumente encontrada, e o desmonte da rocha é realizado por meio de explosivos.” Os explosivos são dispostos em locais predeterminados por estudos geológicos existentes da área levando em consideração a quantidade de rocha e a granulometria desejadas planejando a qualidade do produto final e o aproveitamento adequado da jazida. Figura 2.7 - Processo extrativo de matérias-primas do cimento (Fonte: Laruccia, 2014) 35 2.4.2 A Produção dos Materiais e o Processo Construtivo A fase de fabricação de materiais de construção também provoca impactos negativos. A indústria do cimento é responsável por aproximadamente 3% das emissões mundiais de gases de efeito estufa e por aproximadamente 5% das emissões de CO2 e, no Brasil, é responsável pela geração de mais de 6% do total de CO2 gerado. A figura 2.8 demonstra a evolução da produção de cimento no Brasil de acordo com Sindicato Nacional da Indústria do Cimento - SNIC (2006). Figura 2.8 - Produção de cimento no Brasil (Fonte: SNIC, 2006) De acordo com Maury e Blumenschein (2012), a queima de combustíveis fósseis contabiliza cerca de 54%, o desmatamento por queimadas 9% e outros emissores de gases de efeito estufa 14,8%. Nas emissões específicas da indústria do cimento, aproximadamente 50% referem-se ao processo produtivo, cerca de 5% ao transporte, 5% ao uso da eletricidade e os outros 40% ao processo de clinquerização (World Business Council for Sustainable Development - WBCSD, 2002), como mostra a Figura 2.9. 36 Figura 2.9 - Emissões de gases de efeito estuda da indústria do cimento (Fonte: Adaptado do WBCSD, 2002) A Figura 2.10 traça a distribuição mundial do potencial de emissões anual de CO2 pela indústria de cimento nos anos 1990 segundo Van Oss e Padovani (2002). Sem dúvida, o maior potencial de emissões está na Ásia, China, Japão e Índia. No Brasil, o potencial de emissão é considerado mediano. Figura 2.10 - Distribuição de emissões anuais de CO2 da indústria do cimento nos anos 1990 (Fonte: Van Oss e Padovani, 2002) Pode-se observar na Figura 2.11 os impactos gerados no decorrer do processo produtivo do cimento, mostrando seus aspectos sociais e ambientais resumidos por Maria Beatriz Maury, 2007. Segundo Maury e Blumenschein (2012), aindústria do cimento ciente de todas as questões ambientais apontadas em âmbito mundial, em 1999, lançou a Iniciativa para a Sustentabilidade do Cimento (CSI), onde dez importantes empresas de cimento, em conjunto 37 com o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), se uniram com o intuito de investir na sustentabilidade para o setor. Esta iniciativa desenvolveu um programa de investigação e de consulta das partes interessadas (stakeholders), que culminou com a publicação, em março de 2002, do relatório independente do Batelle Memorial Institute, denominado de Rumo a uma Indústria Cimenteira Sustentável (Toward a Sustainable Cement Industry), entre outros estudos e documentos sobre a sustentabilidade da indústria cimenteira. “O relatório Rumo a uma Indústria Cimenteira Sustentável (WBCSD, 2002) apresenta recomendações chave destinadas a promover uma evolução da indústria pela via do desenvolvimento sustentável nomeadamente nas áreas da proteção climática, produtividade dos recursos, redução das emissões de gases poluentes, bem-estar dos colaboradores, gestão ambiental, desenvolvimento regional, integração industrial, inovação e cooperação industrial." (MAURY E BLUMENSCHEIN, 2012) Os objetivos da Iniciativa para a Sustentabilidade do Cimento são apresentados no Quadro2.7: Quadro 2.6 - Objetivos da Rumo 1 Avaliar o que significa o desenvolvimento sustentável para a indústria cimenteira; 2 Identificar e promover ações suscetíveis de serem levadas a cabo pelas empresas, individualmente ou em grupo, as quais acelerem o processo de desenvolvimento sustentável; 3 Criar uma estrutura operacional que permita a participação de outras empresas do setor; 4 Criar uma estrutura operacional que estimule o envolvimento de stakeholders. Fonte: Maury e Blumenschein, 2012 38 Figura 2.11 - Impactos ambientais da indústria do cimento (Fonte: Maria Beatriz Maury, 2007) 39 De acordo com a Iniciativa para a Sustentabilidade do Cimento (WBCSD, 2002), seis áreas chave formam a base do Plano de Ação que estabelece o programa de trabalho da Rumo a uma Indústria Cimenteira Sustentável conforme o Quadro2.7. A sexta área de intervenção trata de processos empresariais internos que incidem transversalmente nas outras cinco áreas. Quadro 2.7 - Áreas do Plano de Ação da Rumo 1 Proteção climática; 2 Combustíveis e matérias-primas; 3 Saúde e segurança dos colaboradores; 4 Redução de emissões. 5 Impactos a nível local. 6 Processos empresariais internos. Fonte: Maury e Blumenschein, 2012 Na etapa de execução das obras de construção civil vários impactos também são provocados, como os consequentes da perda de materiais, os referentes à interferência no entorno da obra e nos meios biótico, físico e antrópico do local da edificação (ROTH E GARCIAS, 2009). Segundo a Seplan (2007), nesta fase o ar é afetado pelas partículas em suspensão, pelos ruídos e gases emitidos por máquinas, veículos e equipamentos; o solo e subsolo são atingidos pela retirada de vegetação, cortes e escavações do terreno, aterros e terraplanagem; e as águas são contaminadas pelo lixo, dejetos humanos e petróleo utilizado na operação de máquinas. Durante a etapa de construção, apesar da água não ser considerada propriamente como um material de construção, o seu consumo atinge níveis consideráveis. Para a confecção de um metro cúbico de concreto, segundo Santos (2005), se gasta em média de 160 a 200 litros e, na compactação de um metro cúbico de aterro, podem ser consumidos até 300 litros de água. Algumas etapas como teste de impermeabilização, teste de instalações hidráulicas, limpeza dos apartamentos em fase final de entrega e até mesmo durante o processo de cura do concreto onde as peças ou laje são molhadas para não ocorrer rachaduras, ocorrem picos de gastos com o consumo da água nas construções. A construção civil aparece como uma das atividades que mais interferem no ciclo da água, seja diretamente, em obras de infraestrutura, como barragens e transposições, ou indiretamente, criando superfícies impermeáveis que alteram o escoamento superficial e a 40 drenagem. Outro forte agravante são os resíduos de tintas e solventes que são descartados sem tratamento em locais inapropriados e acabam percolando e contaminando os lençóis freáticos. O canteiro de obra provisório é um outro fator peculiar da construção civil. Nele, ocorre a formação de uma área degradada sazonal, ou seja, seu período de existência é o mesmo do período da construção. No decorrer da sua existência, ele causa impactos no transito ao entorno devida a movimentação de caminhões com cargas pesadas, depreciação de imóveis vizinhos pelo excesso de ruídos, partículas e gases no ar e alterações que causam impacto visual pela depreciação da região. 2.4.3 A Geração de Resíduos Um outro problema ambiental gerado pelo ramo da construção civil são os Resíduos de Construção e Demolição (RCD). Esse não se restringe apenas a tijolos quebrados, argamassa desperdiçada, ferragens e madeiras como muitos consideram. Eles começam a ser gerados já no processo preparatório do terreno (pré-obra) em decorrência de corte de terra, remoção de vegetação e árvores e demolições de construções já existentes no local. Estes resíduos, quando dispostos de maneira inadequada em lixões, áreas próximas a rios e córregos, em vias públicas e até mesmo em aterros controlados, trazem problemas à saúde e ao meio ambiente, provocando o surgimento de vários pontos de áreas degradadas espalhados pelos centros urbanos (ROTH e GARCIA, 2009). No Brasil, a geração de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) foi estimada em 65 milhões de toneladas por ano. Estimativas revelam que no Brasil são gerados de 230 a 760 Kg/hab por ano que corresponde de 41 a 70% da massa de lixo urbano do país (PINTO apud JOHN, 2001). Esses números geram custos para a coleta, transporte e deposição destes resíduos, pois a construção civil usa, em sua maioria, materiais não renováveis. Conforme apresentado por Laruccia (2014) e tomando como exemplo a Região Metropolitana de São Paulo, cerca de 4,8 milhões toneladas de RCD são gerados, correspondendo à cerca de 70% da massa dos Resíduos Sólidos Urbanos. Estudos realizados em diversas cidades da região metropolitana de São Paulo, têm apontado os seguintes números, vide Tabela 2.1. 41 Tabela 2.1 – Resíduos Sólidos Urbanos da Região Metropolitana de São Paulo Município Fonte Geração Diária em ton. Participação em Relação aos Resíduos Sólidos Urbanos São Paulo I&T - 2003 17.240 55% Guarulhos I&T - 2001 1.308 50% Diadema I&T - 2001 458 57% Campinas I&T - 1996 1.800 64% Piracicaba I&T - 2001 620 67% São José dos Campos I&T - 1995 733 67% Ribeirão Preto I&T - 1995 1.043 70% Jundiaí I&T - 1997 712 62% São José do Rio Preto I&T - 1997 687 58% Santo André I&T - 1997 1.013 54% Fonte: Laruccia, 2014 Pinto (2005) constatou que cerca de 75% dos Resíduos de Construção Civil (RCC) dos municípios vêm de obras informais. Se os resíduos forem dispostos de maneira incorreta por conta da inexistência ou falta de eficiência das políticas públicas, juntamente com a falta de compromisso dos geradores, algumas resultantes consideradas são: “...a degradação das áreas de manancial e de proteção permanente; a proliferação de agentes transmissores de doenças; o assoreamento de rios e córregos; a obstrução dos sistemas de drenagem, tais como “piscinões”, galerias, sarjetas; a ocupação de vias e logradouros públicos por resíduos, com prejuízo à circulação de pessoas e veículos; a degradação da paisagem urbana; além da existência e acúmulo de resíduos que podem gerar risco por sua periculosidade.” (ROTH E GARCIAS, 2009). Para um melhor controle dos RCD, em 2002 entrou em vigor a resolução 307 do Conselho Nacionaldo Meio Ambiente (CONAMA), que estabelece critérios e diretrizes para procedimentos de gestão de resíduos da construção civil, e em 2010 a Lei nº 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituindo a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos e tornando obrigatória a criação de Planos 42 Integrados de Gerenciamento dos Resíduos nos municípios, incluindo a questão dos resíduos de construção civil e demolição. (GOLÇALVES, 2016) A norma NBR 10.004 (ABNT, 2004), classifica os resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para que possam ser gerenciados adequadamente como mostra a Figura 2.12. Segundo ela, “a classificação de resíduos envolve a identificação do processo ou atividade que lhes deu origem e de seus constituintes e características e a comparação destes constituintes com listagens de resíduos e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido.” Figura 2.12 - Caracterização e classificação de resíduos (Fonte: NBR 10.004 - ABNT, 2004) 43 Os resíduos da construção civil são classificados na classe II b – Inertes pela norma NBR 10.004 (ABNT, 2004), e são definidos como: “Quaisquer resíduos que, quando amostrados de forma representativa, submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme teste de solubilização, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se os padrões de aspecto, cor, turbidez e sabor. Como exemplo destes materiais, podem-se citar rochas, tijolos, vidros e certos plásticos e borrachas que não são decompostos prontamente.” NBR 10.004 (ABNT, 2004). Porém, a resolução nº 307 (CONAMA, 2002) e a Lei 12.305 (BRASIL, 2010), definem os RCD como materiais provenientes de construções, reformas, reparos, demolições e escavações ou preparação de terrenos de obras de construção civil, denominados como entulhos de obras. A gestão dos RCD deve ser de responsabilidade do município e do setor gerador. Para saber a disposição final dos resíduos, bem como o gerenciamento do mesmo, é preciso saber a sua classificação. De acordo com as resoluções nº 432 e nº 448 (CONAMA, 2011 e 2012), os RCD são classificados da seguinte forma: Quadro 2.8 - Classificação dos RCD (Fonte: Adaptado da CONAMA) Classe A São os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, componentes cerâmicos, argamassa e concreto. Deposição: deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados, ou encaminhados aterros de resíduos onde possam ser reservados para utilização futura; Classe B São os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como: plásticos, papel/papelão, metais, vidros, madeiras e gessos. Deposição: deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamentos temporários, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura. Classe C São os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação. Deposição: deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com normas técnicas específicas; 44 Classe D São os resíduos perigosos como tintas, solventes, óleos ou aqueles contaminados ou prejudiciais à saúde. Deposição: deverão ser armazenados, transportados, e destinados em conformidade com normas técnicas. Com o adensamento urbano das grandes cidades metrópoles já existem diversas soluções para a valorização dos entulhos da construção civil. Equipamentos portáteis podem ser levados nas obras, triturando os entulhos selecionados, gerando agregados para serem utilizados em concretos não estruturais (FERREIRA, 2012). Na cidade do Rio de Janeiro, o Centro de Tratamento de Resíduos CTR-Rio, em Seropédica, inaugurado em 20 de abril de 2011 com uma área de 220 hectares, recebe os resíduos gerados no município. No decorrer de 2014, esta unidade recebeu, em média, 9.227 toneladas de lixo por dia do município do Rio de Janeiro, sendo desse total 857 t/dia são resíduos da construção civil. 2.5 OBRAS BRASILEIRAS HISTÓRICAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SEUS IMPACTOS AMBIENTAIS Segundo Spadotto et al. (2011) “algumas obras podem causar impactos que influenciam o ecossistema podendo alterá-lo drasticamente ou até provocar sua extinção, por meio de inundação de grandes áreas, corte de vegetações, impermeabilização do solo e a sua fase de construção que acaba gerando ruídos, resíduos, etc.” Além de ambientais, os impactos também influenciam no meio social, econômico e visual. Uma obra de suma importância para o Brasil na década de 70 foi a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Com inícios das obras em 1975 e inauguração em 1982, essa hidrelétrica é considerada a segunda maior do mundo em potência instalada (14.000MW), perdendo apenas para a Três Gargantas da China (22.400MW). Para a construção de Itaipu foi necessária a modificação de todo o conjunto do patrimônio natural do rio Paraná para a construção do canal de desvio (foi consumido cerca de 50 milhões de toneladas de rocha e terra para formar o desvio), da barragem (a quantidade de concreto usado para construir a barragem seria suficiente para construir 210 estádios do tamanho do Maracanã) e do reservatório de 1.350km² em uma extensão de 170 km ao longo do rio. O ferro e o aço utilizados permitiriam a construção de 380 Torres Eiffel e o volume de escavação de terra e rocha em Itaipu é 8,5 vezes maior que o do Eurotúnel. 45 De acordo com os dados da Itaipu (1994), a implantação da hidrelétrica trouxe para esta região um grande prejuízo ambiental, com o alagamento de aproximadamente 1.500 km² de florestas e terras agriculturáveis. Houve então a desapropriação de 42.444 pessoas, das quais 38.440 eram trabalhadores do campo, o que gerou inúmeros problemas sociais. Parte dessas famílias viviam às margens do Rio Paraná e foram desalojadas, a fim de abrir caminho para a represa. Algumas se refugiaram nas cidades vizinhas e outras famílias vieram, eventualmente, a ser membros de um dos maiores movimentos sociais do Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O espelho d'água da usina, o qual podemos observar na Figura 2.13, alagou diversas propriedades de moradores do extremo oeste do Estado do Paraná. As indenizações foram suficientes para que os agricultores comprassem novas terras no Brasil. Sendo as terras no Paraguai mais baratas, milhares emigraram para esse país, criando o fenômeno social dos brasiguaios - brasileiros e seus familiares que residem em terras paraguaias na fronteira com o Brasil. Figura 2.13 - Espelho d'água da hidrelétrica de Itaipu (Fonte: Wikipédia, 2018) A cidade de Foz do Iguaçu, que se encontra nas redondezas do reservatório, também sofreu um grande impacto devido a construção de Itaipu. A cidade recebeu uma população de aproximadamente 40.000 operários com suas respectivas famílias, vinda de vários estados do país para a construção da hidrelétrica. Aliado à vinda desses operários, novas estradas, hospitais, escolas, condomínios residenciais, estabelecimentos comerciais, mudança de hábitos e costumes diferentes da população local. Foz não estava devidamente preparada para 46 receber tamanha demanda de uma vez só, era uma cidade com cerca de 20.000 habitantes e em dez anos a população aumentou para 101.447 habitantes. Como uma das medidas ambientalmente preventivas, semanas antes do preenchimento do reservatório, foi realizada uma operação de salvamento dos animais selvagens, denominada Mymba kuera (que em guarani quer dizer "pega-bicho"). Equipes de voluntários conseguiram capturar mais de 4.500 bichos, entre macacos, lagartos, porcos-espinhos, roedores, aranhas, tartarugase diversas espécies. Esses animais foram levados para as regiões vizinhas protegidas da água. Outra obra de considerável impacto socioambiental foi a construção da Ponte Rio- Niterói (oficialmente chamada de Presidente Costa e Silva) que teve seu projeto iniciado em 1875. Essa obra teve o objetivo de interligar os municípios de Niterói e Rio de Janeiro pela Baía de Guanabara sem a necessidade de percorrer 100 Km terrestres como mostra a Figura 2.14. Figura 2.14 - Ponte Rio-Niterói (Fonte: SOS Marica, 2018) O projeto foi idealizado por Mário Andreazza, então Ministro de Transporte, e assinado pelo presidente Costa e Silva no ano de 1968. As obras tiveram início em 1969, onde foi feita uma estrutura de aço para apoiar a de concreto e o asfalto (Figura 2.15), que veio em blocos da Inglaterra. A ponte ficou pronta em 1974 medindo 72m de altura e 13.290m de comprimento. 47 Figura 2.15 - Base metálica da ponte Rio-Niterói (Fonte: Portal Puc-Rio Digital) Para imaginar a quantidade de material usado, se pegássemos todo o concreto da Ponte, daria para fazer oito estádios do Maracanã. E, se as vigas de ferro fossem alinhadas, dariam a volta na Terra. A etapa mais complexa, foram os 9 quilômetros erguidos sobre o mar, o que exigiu a perfuração do subsolo oceânico na busca por um terreno rochoso que aguentasse a estrutura da ponte. Além do longo trecho sobre a água, vários quilômetros de rampas e viadutos de acesso precisaram ser feitos para integrar a ponte ao sistema de tráfego local. Com isso, a extensão total da obra chegou aos 13 quilômetros. Alguns dos inúmeros impactos causados pela obra dessa ponte foram: desmatamento para a construção dos alojamentos dos operários; Aumento de ruído na área e afugentamento da fauna terrestre e aquática; Dano da paisagem visual para o homem; Poluição do ar para o transporte dos materiais e peças; Morte de operários durante as concretagens. 48 3 ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS NO SETOR DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEIS 3.1 O SETOR DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEL Segundo o Panorama do Abastecimento de Combustíveis da Agência Nacional do Petróleo - ANP (2017), o Brasil, com uma população estimada de 206 milhões de habitantes e um território de 8,5 milhões de km², figurou como sétimo maior consumidor de combustíveis e derivados do mundo em 2016, chegando a 3 milhões de barris/dia. Regionalmente, o País representou 43,3% do total consumido das Américas do Sul e Central (Figura 3.1). Em 2017, ele ocupou o terceiro lugar com o consumo de combustíveis no setor de transporte, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos como mostra a Figura 3.2. Figura 3.1 - Consumo de combustíveis em 2016 (mil barris/dia) Fonte: ANP,2017 49 Figura 3.2 - Consumo de combustíveis no setor do transporte (mil toneladas) Fonte: ANP, 2017 Segundo o Departamento Nacional de Trânsito - DENATRAN (2016), existem 91.178.065 veículos no Brasil o que nos mostra uma estatística de um veículo a cada duas pessoas e, ainda devemos considerar, as pessoas que não possuem veículo próprio e fazem uso do transporte público para se locomoverem. Na Figura 3.3, verifica-se por dados da ANP (2017) “...que as vendas de combustíveis cresceram em 10 anos cerca de 49,4%, enquanto o PIB cresceu 21,8%. Isto representa um crescimento de 3,7% ao ano para as vendas de combustíveis e crescimento de 1,2% em relação ao PIB.” Em resumo, podemos certificar que o crescimento do mercado de combustíveis é maior que o dobro do PIB brasileiro, o que salienta a importância desse mercado para o país. Figura 3.3 - Variação de vendas de combustíveis e PIB (Fonte: ANP, 2017) 50 De acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE (2018), a cadeia de combustíveis automotivos no Brasil é complexa e formada segundo a Figura 3.4. Os agentes do setor de abastecimento de combustíveis e derivados podem ser divididos nas seguintes classificações: (a) fornecedores, que incluem produtores de derivados, de biocombustíveis, de lubrificantes, importadores e exportadores de petróleo e derivados; (b) distribuidores de combustíveis líquidos, de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), de solventes, de asfaltos e de combustíveis de aviação; (c) revendedores, varejistas de combustíveis líquidos, de GLP, de aviação, transportador-revendedor- retalhista (TRR); (d) pontos de abastecimento para consumidores. Figura 3.4 - Cadeia do mercado de combustíveis (Fonte: CADE, 2018) Para um entendimento numérico do mercado, a Tabela 3.1 ilustra o quantitativo do setor em 2016. Tabela 3.1 - Quantitativo dos principais agentes de abastecimento em 2016 Fornecedores N Refinarias de Petróleo 18 Usinas de Etanol 383 Importadores e Exportadores de Petróleo e Derivados 379 Produtores de Biodiesel 49 Distribuidores Distribuidores de Combustíveis Líquidos 164 51 Distribuidores de GLP 20 Distribuidores de Combustíveis de Aviação 6 Revendedores Revendedores Varejistas de Combustíveis Líquidos 41.689 Consumidores Pontos de Abastecimento (Instalações) 16.343 Fonte: CADE, 2018 Esse trabalho tem como foco principal o setor de revendedores varejista (os postos de combustíveis revendedores - PR) e os consumidores (pontos de combustíveis de abastecimento – PA) que abrangem todas as empresas transportadoras, de cargas ou pessoas, com tanque próprio. Em sua maioria, essas empresas fazem a gestão de frota de caminhões ou ônibus, os quais são abastecidos por diesel que é o combustível de maior consumo no Brasil segundo a ANP (2017) na Figura 3.5. Figura 3.5 - Consumo de combustível no Brasil por produto (Fonte: ANP) Esse setor, por seu funcionamento ter como insumo básico o combustível (segunda maior despesa das empresas, ficando atrás apenas da folha de pagamento), possuem instalações de pontos de abastecimento de combustível em seus próprios estabelecimentos. Comprando das distribuidoras e armazenando o combustível, a gestão do abastecimento de frotas facilita e, basicamente, passam a exercer a mesma operação de um posto de combustível convencional porem, sem o abastecimento de combustível para terceiros e sim para sua própria frota. 52 Visto essa particularidade operacional, esses estabelecimentos comerciais devem seguir normas e especificações rigorosas (que serão aprofundadas em tópicos a frente), assim como os postos de combustíveis, pelo grau de periculosidade do manejo de combustíveis para o meio ambiente e para a população. A figura 3.6 mostra o aumento no setor Consumidores em 2.935 para os Pontos de Abastecimento e de +795 para os revendedores varejistas entre 2015 e 2016. Figura 3.6 - Variação líquida do quantitativo de agentes 2015/2106 (Fonte: ANP) 3.2 PECULIARIDADES DOS POSTOS DE COMBUSTÍVEIS Como podem ser observados na Figura 3.7, os postos de combustíveis possuem basicamente as seguintes instalações: a unidade de abastecimento de veículos (bomba de gasolina), os tanques de combustíveis (geralmente enterrados), os pontos de descarga de combustíveis, onde os caminhões tanques fazem o reabastecimento dos postos, o tanque para recolhimento e guarda de óleo lubrificante usado (geralmente enterrados), as tubulações enterradas que comunicam o ponto de descarga com o reservatório e este com as bombas de abastecimento, as edificações para escritório e arquivo morto, a loja de conveniência, o centro de lubrificação e o centro de lavagem, a unidade de filtragem de diesel, o sistema de drenagens oleosas e fluviais e os equipamentos de proteção e controle de derrames e vazamentos de combustíveis, bem como de segurança quanto a incêndios e explosões. Para os PA, podemos considerar o mesmo esquema de instalação, desconsiderando apenas a loja de conveniência (LORENZETT ET AL., 2010) 53 Figura 3.7 - Esquemade um PR (Fonte: Lorenzett et al., 2010) Para Santos (2005), as atividades mais frequentes em um posto de combustíveis (PR e PA) são as seguintes: a) Recebimento de produto, via caminhões-tanques de combustíveis: os caminhões podem ser desde truck a bi trem, dependendo do espaço para manobra no local de abastecimento; b) Armazenamento dos combustíveis em tanques enterrados ou aéreos (comuns em PA): esses tanques geralmente possuem mais de 30 mil litros cada, podem ser bi compartimentados para armazenarem mais de um tipo de combustível e são feitos de chapa de aço-carbono, onde se utiliza duas paredes desse material para evitar corrosão e vazamento. Os tanques tem vida útil de 20 anos; c) Abastecimento dos veículos: para seu desenvolvimento, são utilizadas as chamadas bombas de abastecimento eletrônicas que contabilizam o volume de combustível. Elas geralmente possuem em seus bicos, um sensor que aciona quando da presença de calor excessivo ou do contato com o combustível, quando o tanque encontra-se cheio, impedindo assim o derrame de combustível e também possíveis explosões. Contam ainda, com um sistema interno que impede a volta de combustível para a bomba, impedindo, em caso de incêndio, 54 que o fogo atinja maiores proporções, reduzindo a probabilidade de explosões. É comum o uso de uma flanela para realizar o abastecimento, com a qual o responsável deve limpar o bico da bomba quando retira do veículo no término do abastecimento, para evitar gotejamento de combustível tanto no veículo como no piso do estabelecimento. A pista de abastecimento deve ser toda cercada por canaletas direcionadas a caixa separadora, evitando assim contaminação do solo no caso de vazamentos; d) Lavagens de veículos: o local de lavagem deve ser todo cercado por canaletas, que conduzem a água da lavagem diretamente para uma caixa separadora, onde os resíduos químicos são separados da água. Alguns postos constroem reservatório de captação de água de chuva para reaproveitamento dessa água na lavagem dos veículos. e) Troca de óleo lubrificante dos motores dos veículos: geralmente a condução do óleo queimado, proveniente da atividade de troca de óleo, é realizada através de tubulações, sendo, portanto, encaminhado do local de troca até o tanque reservatório de forma canalizada, como manda a legislação. Este local, onde são realizadas tais atividades, deve ficar dentro de um perímetro maior, todo cercado pelas mesmas canaletas encontradas na área de lavagem, que irá conduzir os resíduos líquidos a já mencionada caixa separadora, ao passo que os resíduos sólidos e as embalagens de lubrificantes deverão ser armazenados e passar, de preferência, pelo processo de logística reversa; f) Operação de loja / escritórios / almoxarifado / oficinas. Uma peculiaridade interessante dos PR, ainda conforme Santos (2005), é que o ramo de postos revendedores pode ser dividido em duas categorias: a de postos cidade e a de postos estrada, em função das atividades neles desenvolvidas. O primeiro é mais voltado para atender às necessidades da população urbana, enquanto o segundo seria mais voltado a atender às necessidades dos viajantes e dos caminhoneiros. Isso implica diretamente na disposição do estabelecimento, pois enquanto o primeiro localiza-se em perímetro urbano e possui estruturas menores, o segundo concentra-se geralmente junto às estradas e possui uma estrutura relativamente maior em função até da disponibilização de estacionamentos para que os caminhoneiros possam pernoitar. Já os PA possuem uma gama de categorias: empresas de ônibus urbano municipal, que variam desde de garagens pequenas a muito grandes e se concentram geralmente nos bairros de periferia; empresas de ônibus intermunicipais que 55 possuem suas garagens geralmente próximas a rodovias; empresas de transporte de passageiros por frete que geralmente possuem garagens menores; empresas transportadoras de cargas que geralmente encontram-se em rodovias por conta da facilidade da localização com a rota; empresas varejistas que possuem sua frota própria de entregas de mercadorias. As empresas, perante uma população que clama por sustentabilidade, estão tentando se adequar, principalmente no que diz respeito à questão dos resíduos e efluentes gerados por suas atividades. Nesse sentido, as empresas atuantes no segmento de abastecimento de combustíveis, se comprometem com essa questão, para garantir a continuidade de seus negócios empresariais, tendo a gestão de resíduos como uma ferramenta para obtenção do sucesso no caminho a sustentabilidade, através de seus mecanismos para o controle, preservação e recuperação ambiental. (REVISTA GESTÃO AMBIENTAL V.06, 2010) O segmento empresarial de postos de combustíveis vem investindo em proteção ambiental e tentando se adequar de forma a tornar essa atividade menos agressiva ao meio ambiente. A Figura 3.8, nos mostra alguns itens que podem causar contaminação ao meio ambiente. Figura 3.8 - Contaminação do meio ambiente em postos de combustível (Fonte: Associação Brasileira das Empresas de Equipamentos e Serviços para o Mercado de Combustíveis e Conveniência – ABIEPS, 2009) De acordo com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes – FECOMBUSTÍVEIS, a questão ambiental ganha cada vez mais importância no dia a dia dos postos revendedores, que precisam atender às exigências da Resolução do CONAMA nº. 273 e de legislações estaduais específicas. Dessa forma, não estão apenas evitando multas e outras 56 punições, mas também fazendo sua parte na preservação do meio ambiente e evitando gastos futuros com problemas de passivo ambiental. As medidas de gestão ambiental adotadas são basicamente medidas de controle e prevenção ambiental, e em geral estão intimamente relacionadas às atividades desenvolvidas no posto de combustível. Godoy et al. (2013) classifica os gastos relacionados às medidas de gestão ambiental em um PA ou PR (Quadro 3.1), os quais devem ser vistas como gastos preventivos. Quadro 3.1 - Classificação dos gastos relacionados às medidas de gestão ambiental (Fonte: adaptado de Godoy et al. 2013) No Brasil, é relativamente recente o conceito de áreas contaminadas. A contaminação do solo envolve riscos à saúde pública e aos ecossistemas. Observa-se, com muita preocupação, o setor petrolífero, principalmente por vazamentos de tanques de armazenamento subterrâneos em postos de combustíveis. No ano de 2010, foram listadas 439 áreas contaminadas no Estado de Minas Gerais, das quais 80% estavam relacionadas com as atividades de postos de abastecimento e em São Paulo, os dados mostram que os vazamentos em postos de combustíveis (Figura 3.9) foram responsáveis por cerca de 80% dos casos de áreas contaminadas. Na Figura 3.10 podemos observar o crescimento do número de áreas contaminadas em São Paulo por postos de combustíveis. (BRITO E VASCONCELOS, 2012) 57 Figura 3.9 - Caminho potenciais do vazamento de combustível (Fonte: ABIEPS, 2009) Um grupo de poluentes altamente preocupantes e presentes nos derivados de petróleo são os hidrocarbonetos monoaromáticos, tais como benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos, conhecidos como BTEX. São excessivamente tóxicos e seus constituintes têm maior solubilidade em água, portanto, são os poluentes com maior potencial de contaminar o lençol freático (MARIANO, 2006). A presença dos hidrocarbonetos aromáticos no ambiente é um perigo tanto para a saúde pública quanto para o ecossistema, devido a sua toxicidade (Tiburtius, 2004). Os compostos BTEX são classificados como poluentes ambientais primários, pois são substâncias depressoras do sistema nervoso central, mutagênicas e carcinogênicas (Baird, 2002). Os efluentes líquidos gerados nas atividades dos postos são usualmente tratados em uma caixa separadora de água e óleo e, nesse tratamento,são removidos da água os resíduos de combustíveis e lubrificantes, restando no final do processo uma água barrenta, imprópria para reutilização, que é lançada no esgoto comum. Os resíduos retirados da água compõem uma espécie de lodo tóxico, que é recolhido por uma empresa especializada, que fará a correta disposição final desse resíduo. Com relação aos vapores tóxicos, por falta de legislação que regulamente e até por falta de tecnologias específicas, os gases emitidos pelos suspiros dos tanques reservatórios de combustível são geralmente liberados diretamente na atmosfera, sem que haja o devido tratamento. As flanelas e estopas contaminadas, assim como os filtros usados são regularmente armazenados pelo posto para serem recolhidos, posteriormente, por empresa especializada, que fará a correta disposição final desse resíduo. Já as embalagens de lubrificantes são 58 armazenadas para posterior coleta pelo fabricante do produto, para que se possa proceder a reciclagem desses materiais. (LORENZETT ET AL., 2010) Estes processos de gestão ambiental fazem parte da administração global de toda e qualquer empresa, que prima, um mínimo possível, pelo equilíbrio ambiental. Assim, o processo de excelência na gestão de resíduos, torna-se mais completo a partir do desenvolvimento de medidas de gestão ambiental que conduzem a qualidade do meio ambiente, proporcionando maior qualidade da gestão organizacional. 3.3 LEGISLAÇÕES APLICÁVEIS 3.3.1 Lei Nº 9.605 – Lei Dos Crimes Ambientais O mundo convive hoje com a possibilidade de uma grande modificação geoclimática e nunca houve tantas informações sobre o que gera a degradação e sobre a necessidade da conservação ambiental. Por isso, a decisão de agredir o meio ambiente é ainda mais séria e deve ser punida com maior rigor. Aquele que, deliberadamente, atua em interesse próprio, contra a natureza, ou, melhor dizendo, contra a própria humanidade, é muito mais responsável pelos seus atos do que há dez anos atrás. A lei n° 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. É importante conhecê-la desde antes da construção do posto de combustível ou estabelecimento de consumo e considerá-la sempre, mesmo após a entrada em operação. Alguns atos como causar poluição em níveis que possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora e destruição significativa da biodiversidade; Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes, ou promover construção em solo não edificável, podem levar sanções de detenção ou multa. “Art. 73. Alterar o aspecto ou estrutura de edificação ou local especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial, em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, artístico, 59 histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a concedida: Multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais).” Conforme o artigo 64, armazenar ou usar produtos ou substância tóxica, perigosas à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou em seus regulamentos, pode levar a uma multa de R$ 500,00 a R$ 2.000.000,00. E, conforme o artigo 81, “deixar de apresentar relatórios ou informações ambientais nos prazos exigidos pela legislação ou, quando aplicável, naquele determinado pela autoridade ambiental: Multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais).” 3.3.2 Lei Nº 9.433 – Política Nacional De Recursos Hídricos A lei n° 9.433 de 8 de janeiro de 1997, institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Postos de combustíveis (PA ou PR) que fazem uso de poço artesiano, como fonte alternativa de água, devem estar afinados com esta lei visto a toxidade dos combustíveis manuseados e estocados no local. A lei, no artigo 1º, elenca os principais fundamentos da Política Nacional. Ali há a compreensão de que a água é um bem público (não pode ser controlada por particulares) e recurso natural limitado, dotado de valor econômico, mas que deve priorizar o consumo humano e de animais, em especial em situações de escassez. A água deve ser gerida de forma a proporcionar usos múltiplos (abastecimento, energia, irrigação, indústria) e sustentáveis, e esta gestão deve se dar de forma descentralizada, com participação de usuários, da sociedade civil e do governo. Um dos objetivos da Política Nacional é assegurar, à atual e às futuras gerações, a necessária disponibilidade de água em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos. Ela constitui como infração das normas de utilização de recursos hídricos, superficiais ou subterrâneos, utilizar recursos hídricos para qualquer finalidade, sem a respectiva outorga de direito de uso; Iniciar a implantação de empreendimento relacionado a utilização de recursos hídricos, que implique alterações no regime, quantidade ou qualidade dos mesmos, sem autorização dos órgãos ou entidades competentes; Perfurar poços para extração de água subterrânea ou operá-los sem a devida autorização; Fraudar as medições dos volumes de água 60 utilizados ou declarar valores diferentes dos medidos; Dificultar a ação fiscalizadora das autoridades competentes no exercício de suas funções. Segundo o artigo 12, estão sujeitos a outorga pelo Poder Público os direitos dos seguintes usos de recursos hídricos: “I - derivação ou captação de parcela da água existente em um corpo de água para consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo produtivo; II - extração de água de aquífero subterrâneo para consumo final ou insumo de processo produtivo; III - lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final;” (LEI N° 9.433, 19917) 3.3.3 Conama Nº 273 – Licenciamento Ambiental Segundo Brito e Vasconcelos (2012), a resolução Conama nº 237/1997 dispõe sobre a revisão e complementação dos procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento ambiental. O art. 1º desta resolução define que empreendimentos e atividades consideradas efetivas ou potencialmente poluidoras necessitam de licença decretada pelo órgão ambiental competente para a instalação, ampliação e a operação. Devido ao intenso potencial poluidor de postos de combustíveis, foi criada em 2000, a Resolução nº 273 do Conama, que dispõe especificamente sobre a instalação e operação de postos de combustíveis, que são identificados na Figura 3.7 e classificados como: “I - Posto Revendedor-PR: Instalação onde se exerça a atividade de revenda varejista de combustíveis líquidos derivados de petróleo, álcool combustível e outros combustíveis automotivos, dispondo de equipamentos e sistemas para armazenamento de combustíveis automotivos e equipamentos medidores. II - Posto de Abastecimento-PA: Instalação que possua equipamentos e sistemas para o armazenamento de combustível automotivo... para o abastecimento de equipamentos móveis, veículos automotores; e cujos produtos sejam destinados exclusivamente ao uso do detentor das instalações ...” (CONAMA, 2000) 61 Figura 3.10 - Tipos de postos de combustíveis (Fonte: ABIEPS, 2016) A Resolução nº 273/2000 considera que toda instalação e sistemas de armazenamento de derivados de petróleo e outros combustíveis, configuram-se como empreendimentos potencialmente ou parcialmente poluidores egeradores de acidentes ambientais. Para tal, considera que os vazamentos de derivados de petróleo e outros combustíveis podem causar contaminação de corpos d'água subterrâneos e superficiais, do solo e do ar; considera os riscos de incêndio e explosões, decorrentes desses vazamentos; considera que a ocorrência de vazamentos vem aumentando significativamente nos últimos anos em decorrência da manutenção inadequada e da obsolescência do sistema; e considera a insuficiência e ineficácia de capacidade de resposta frente a essas ocorrências. Devido a tais considerações, o art. 1º define que a localização, construção, instalação e operação de postos de combustíveis (PA e PR), dependerão de prévio licenciamento do órgão ambiental competente, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis. E ainda, define que todos os projetos de construção, modificação e ampliação dos empreendimentos deverão ser realizados segundas as normas técnicas da ABNT. De acordo com Medeiros et al (2004), os órgãos ambientais estaduais, através da resolução 273, fazem uma série de exigências quanto aos documentos necessários para o funcionamento, equipamentos específicos destinados ao armazenamento e a distribuição de combustíveis automotivos e suas conformidades quanto ao Sistema Brasileiro de Certificação e licenças ambientais. O licenciamento representa uma etapa inicial de normalização ambiental para um empreendimento, é um processo decisório definido pelo órgão competente. A concessão de licenças ambientais denota que a empresa atuará de acordo com os preceitos de controle e proteção do meio ambiente, minimizando os impactos ambientais, e protegendo a saúde e o bem-estar da população. Assim, o licenciamento pode ser entendido como a grande salvaguarda da qualidade e da conservação ambiental. “Art. 4º O órgão ambiental exigirá as seguintes licenças ambientais: I - Licença Prévia-LP: concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento aprovando sua localização e concepção... viabilidade 62 ambiental... ; II - Licença de Instalação-LI: autoriza a instalação do empreendimento com as especificações constantes dos planos... aprovados, incluindo medidas de controle ambiental... ; III - Licença de Operação -LO: autoriza a operação da atividade, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores...” (CONAMA, 2000) O esquema da Figura 3.11 demostra de forma resumida quais são as três licenças descritas pela Conama no parágrafo anterior e quais são suas respectivas funções. Figura 3.11 - Licenças e suas funções (Fonte: ABIEPS, 2016) Segundo o Art. 8º, em caso de acidentes ou vazamentos que representem situações de perigo ao meio ambiente ou a pessoas, os responsáveis pelo estabelecimento, pelos equipamentos, pelos sistemas e os fornecedores de combustível que abastecem, responderão solidariamente, pela adoção de medidas para controle da situação emergencial, e para o saneamento das áreas impactadas, de acordo com as exigências formuladas pelo órgão ambiental licenciador. As ações de mitigação destes impactos são: comunicação ao órgão ambiental local para inspeção, contratação de empresa especializada para a descontaminação das águas subterrâneas quando as mesmas apresentarem índices altos de contaminação por hidrocarbonetos e na maioria das vezes pagamentos de multas devido ao impacto ambiental causado, remoção dos tanques subterrâneos que apresentaram vazamento, entre outras medidas. (MEDEIROS ET AL, 2004). Portanto, é de fundamental importância que os proprietários dos postos de distribuição de combustíveis sigam as normas ambientais, visto que, os impactos causados são extremamente nocivos ao meio ambiente e a população como um todo. Os custos associados com a remediação são altos, podendo até fechar estabelecimentos. 63 3.4 NORMAS TÉCNICAS 3.4.1 Associação Brasileira De Normas Técnicas (ABNT) As NBR da ABNT que dispõe sobre a gestão de resíduos gerados pela atividade de posto de abastecimento de combustível são: NBR 12235 (ABNT, 1992) e NBR 10004 (ABNT, 2004), a primeira normatiza a forma de armazenamento dos resíduos gerados na atividade e a segunda dispõe sobre as embalagens de produtos consideradas como resíduos perigosos e sua obrigatoriedade de devolução ao fornecedor destes produtos. De acordo com a NBR 10004 (ABNT, 2004), os resíduos dos postos de serviços são definidos como classe I que são os resíduos perigosos e, portanto, necessitam de cuidados especiais quanto ao seu armazenamento e destinação de forma a evitar potenciais impactos ambientais. Para o armazenamento é recomendado o uso e EPI´s (Equipamentos de proteção individual), tais como: luvas de Policloreto de vinila (PVC), para o manuseio de resíduos e calçado com solado de borracha, sem a presença de pregos ou partes metálicas e quanto aos recipientes para armazenamentos devem ser tomados alguns cuidados como: os recipientes deverão ser metálicos e com tampas e permanecer sempre tampados, não poderão apresentar furos ou qualquer possibilidades de vazamentos, resíduos diferentes não podem ser misturados e entre outros. No posto deve haver uma área específica para armazenagem e com algumas exigências: o piso deve ser cimentado, ao redor dos recipientes deve ter uma mureta de forma a conter qualquer vazamento que possa ocorrer, instalações elétricas específicas a prova de explosão, acesso exclusivos de pessoas autorizadas, entre outros. Já as NBR da ABNT que dispõe sobre o armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis pela atividade de posto de abastecimento são, dentre algumas, a NBR 13787 (ABNT, 1997) e NBR 14606 (ABNT, 2013). A primeira normatiza a forma de controle de estoque dos tanques de armazenamento de combustível (SASC) e a segunda dispõe sobre entrada em espaço confinado de tanques subterrâneos e em tanques de superfície para limpeza, reparos e inspeção. A ABNT NBR 13787 (ABNT, 2013) é a norma que trata exclusivamente do controle de estoque através de medição do volume de combustível do tanque (com régua ou qualquer outro equipamento de medição calibrado) e tabela de arqueação do tanque. Este controle fornecerá subsídios para avaliação de perdas e vazamentos, evitando assim possíveis impactos ambientais. 64 Segundo a NBR 13787 (ABNT, 2013), toda régua usada nas medições deve possuir um certificado de aferição do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). Obrigatoriamente, a escala inicia pelo zero, é legível, em relevo e com marcações em metros, centímetros e milímetros. Já o tanque, deve possuir tabela de arqueação própria, fornecida pelo fabricante, ou elaborada por técnico. Esta precisa ser adequada à sua geometria e permitir a conversão direta da medida obtida com a régua em volume de combustível existente no tanque. Neste caso, na tabela devem constar o nome, a assinatura e o número do CREA do referido técnico. Para efetuar as medições com régua, ainda é necessário uso de pasta de combustível (Pasta que, em contato com o combustível em estado líquido, identifica a sua presença com a mudança de cor.), pasta de água (Pasta que, em contato com a água em estado líquido, identifica a sua presença com a mudança de cor.) e formulário específico conforme Figura 3.12. Figura 3.12 - Formulário de controle de estoque (Fonte: NBR 13787 - ABNT, 2013) Durante o procedimento de medição, o combustível armazenado não pode ser movimentado, isto é, as unidades abastecedoras ligadas ao tanque não podem operar. É 65 recomendado que a medição do tanque seja executada no início e no fim do dia. Havendo variação entre o fechamento anterior e a abertura inicial, verificar a causa da diferença de volume do combustível. Para facilitar a leitura, espalhar uma fina camada de pasta de combustível sobre a faixa da régua onde espera-se encontrar onível do combustível. Na medição de tanque com óleo diesel ou com gasolina, para identificar a presença de água, usar pasta de água na extremidade da régua que toca o fundo do tanque. A régua deve ser introduzida perpendicular e lentamente pelo tubo de carga do tanque, tocando o fundo de forma suave. Assim que tocar o fundo, retirar rapidamente para que a marcação obtida não seja alterada, devido às oscilações da superfície do combustível. Ao ser verificada a altura do nível de combustível, é necessário somar a altura da chapa de desgaste à leitura de régua. Ainda conforme a NBR 13787 (ABNT, 2013), o tanque precisa ser medido antes e depois do recebimento do combustível e remenda-se aguardar o tempo suficiente para que o combustível se estabilize no interior do tanque. Para um melhor acompanhamento, fazer as análises contínuas das “variações diárias” e “acumuladas no mês”, de cada tanque ou sistema sendo, a análise das variações diárias, a diferença entre o “estoque físico” e o “estoque contábil final” representada pela seguinte equação: 𝐸𝑐𝑓 = 𝐸𝑐 ± 𝐴𝑗 ∆𝐸 = 𝐸𝑓 − 𝐸𝑐𝑓 Ecf é o estoque contábil final; Ec é o estoque contábil; Aj é o ajuste; ∆E é a variação diária de estoque; Ef é o estoque físico. A medição do nível de combustível deve ser feita a mesma hora, preferencialmente no início do dia, ou na mudança dos turnos, quando o posto de serviço operar em regime de 24 horas. As variações diárias de estoque serão usadas nas avaliações da estanqueidade do SASC. Importante ressaltar que o método utilizado para o controle é em função dos equipamentos adotados e que variações acumuladas de estoque acima de 0,6% devem ser investigadas. Caso não seja identificada a causa, recomenda-se executar o ensaio de estanqueidade no SASC. A ABNT NBR 14606 (ABNT, 2013) normatiza a entrada em espaço confinado em tanques subterrâneos e em tanques de superfície para limpezas, serviços de inspeção ou obras. Segundo essa norma, para preparo de abertura do tanque, deve ser criada uma área de segurança em torno da região de acesso ao tanque de no mínimo 7 metros de raio, tomando-se como centro os bocais do tanque. Essa área precisa ser isolada por fita e suportes, placas de advertência ostensivas a intervalos regulares de modo visível em todas as direções 66 informando a proibição de produzir chama ou centelha, de fumar e de acesso a pessoas não autorizadas. Importante destacar a necessidade de, em intervalos regulares, dispor de dois extintores de incêndio de pó químico de 12 kg e, dentro da área de segurança, enquanto houver a possibilidade de presença de vapores inflamáveis o sistema elétrico deve estar desligado e os equipamentos desconectados de seus cabos de alimentação. Todos os equipamentos elétricos devem ter etiquetas de advertência (não ligar o equipamento) nas suas chaves elétricas, exceto os adequados para áreas classificadas e que serão utilizados no serviço. Enquanto o tanque estiver aberto, não devem ser permitidas: a) A presença de produto na fase líquida em seu interior; b) A descarga de combustível em qualquer tanque no posto de serviço. A lista de verificação conforme Figura 3.13, lista os principais itens a serem atendidos conforme especificado na norma. Figura 3.13 - Lista de verificação (Fonte: NBR - ABNT, 14606) Ainda conforme a NBR 14606 (ABNT, 2013), para esvaziar o tanque, o combustível deve ser recolhido por meio de bomba apropriada, de modo que no interior do tanque não restem mais que 5 litros, aproximadamente. Em seguida, é necessário retirar o restante do 67 combustível. Pode ser utilizado ar, água no estado líquido ou vapor. No caso de utilizar água no estado líquido, deve-se ter o máximo cuidado para que o combustível não extravase o tanque. O descarte da água contaminada deve ser aprovado pelo órgão ambiental local. Durante toda a operação é obrigatório o monitoramento da presença de gases ou vapores inflamáveis (explosividade) na área de segurança. No momento de abertura do tanque (abertura da boca-de-visita), a NBR 14606 (ABNT, 2000) destaca a obrigatoriedade de desconectar tomadas, linha e demais equipamentos, e abrir a tampa do tubo de descarga. Através destas aberturas deve ser processada a desgaseificação do tanque. O tanque deve ser considerado liberado para trabalho a frio, quando a medição da atmosfera no seu interior tiver uma concentração de vapores inflamáveis igual ou inferior a 10% do limite inferior de explosividade (LIE). A abertura da boca-de-visita somente pode ser feita após o tanque estar desgaseificado. Após a abertura insuflar ar com uma vazão mínima de 0,5 m³/s, mantendo esta insuflação permanente até a conclusão dos serviços no interior do tanque. Monitorar a explosividade e a concentração de O2, garantindo no mínimo 19,5% em volume, até a conclusão dos serviços. Importante frisar que a entrada no interior do tanque para execução de qualquer serviço deve ser restrita a uma pessoa, sendo obrigatório a presença de outra (vigia) na parte externa, acompanhando o serviço. A NBR 15594-3 (ABNT, 2009) é de grande importância para os postos de combustíveis estabelecendo os procedimentos mínimos de uma manutenção segura e ambientalmente adequada. Para efeito desta norma, aplicam-se termos como Manutenção Operacional, Manutenção Técnica, Manutenção Preventiva e Manutenção Corretiva. É na manutenção operacional é que o processo de manutenção de um posto tem início. Essa manutenção deverá ser com rotinas e frequência que assegura que os equipamentos e áreas, que compõem sua operação, estejam limpos e adequadamente inspecionados para a identificar toda necessidade de manutenção técnica, que deve ser acionada sempre que necessário. A manutenção operacional independe de capacidade técnica especializada, devendo ser realizada pela própria equipe técnica do posto devidamente treinada. A manutenção técnica é realizada através de profissionais especializados e objetivando garantir o restabelecimento da operação de forma segura e ambientalmente correta. A manutenção preventiva é realizada com periodicidade previamente definida e atendendo a esta parte da NBR 15594 (ABNT, 2007) e as orientações dos fabricantes dos respectivos equipamentos, objetivando garantir uma operação contínua, segura e ambientalmente correta conforme mostra Figura 3.14. Por fim, temos a manutenção corretiva que são serviços e reparos necessários ao perfeito funcionamento dos equipamentos em período intermediário à 68 manutenção preventiva. Esta manutenção é aplicável quando da paralisação do equipamento ou quando da necessidade de reparos em virtude de danos provocados por acidentes, atos de vandalismo ou intempéries. Esses serviços são realizados por profissionais especializados. Figura 3.14 - Demonstração de procedimentos de manutenção preventiva (Fonte: Sindicombustíveis – DF) De acordo com a NBR 15594-3 (ABNT, 2007), os equipamentos que devem sofrer inspeção e manutenção obrigatória para garantir o funcionamento seguro do posto são: a) Bicos, mangueiras, válvulas de segurança, filtros transparentes e visores de fluxo: Estes equipamentos devem ser verificados diariamente quanto a possíveis vazamentos, funcionamento e deformações, devendo ser solicitado a manutenção técnica caso seja identificado algumas dessas anormalidades. b) Unidade abastecedora conforme Figura 3.15: Para as unidades abastecedoras temos as verificações e/ou manutenções exteriores e interiores. A exterior destina-se, diariamente, verificar visualmente os teclados, vidros, iluminação, densímetros e selos nos lacres, assim como semanalmente deve-se aferir com a medida padrão aprovada pelo INMETRO. Havendo divergências na aferição paralisar a operação da unidade abastecedora e chamar a assistência técnica. A interior visa, diariamente, verificar visualmente possíveis vazamentos e componentes danificadose, havendo qualquer irregularidade, é necessário solicitar a assistência técnica. 69 Figura 3.15 - Bombas de abastecimento de combustível (Fonte: ABIEPS, 2016) c) Tanques: Constantemente verificar a presença de água (drenando sempre que isso ocorrer), possíveis vazamentos visuais, limpeza, conservação, deformações das câmaras de contenção e sinalização da identificação de produto, devendo ser solicitado a manutenção técnica caso seja identificado algumas dessas anormalidades. Importante frisar que no caso de suspeita de vazamento no SASC, deve ser solicitado ensaio de estanqueidade a ser executado por empresa especializada e sempre que for necessário a transferência de combustíveis entre tanques, esse serviço deve ser realizado por empresa especializada. d) Válvulas de retenção (Figura 3.16): A finalidade da válvula de retenção é manter a linha de sucção da unidade abastecedora ou de filtragem preenchida com produto. Indícios de vazamentos ou problemas nas válvulas podem ser constatados através fluxo inconstante indicando presença de ar ou constantes descarregamentos nas linhas de sucção, pois na ocorrência de perda de estanqueidade da linha, o produto retorna ao tanque evitando o vazamento de produto ao meio ambiente em caso de vazamentos. Deve-se verificar constantemente a saída do respiro observando se existe algum objeto obstruindo a saída dos gases durante a descarga do auto tanque, uma descarga lenta pode ser indicio de respiro obstruído. Figura 3.16 - Válvulas de retenção de combustível (Fonte: ABIEPS, 2016) 70 e) Câmaras de contenção (tanques/bombas/filtros): É necessária a verificação constantemente do interior das câmaras mantendo limpas da presença de água ou produto, da integridade (quebras, trincas, rachaduras ou empenamentos) do corpo, das tampas das câmaras de contenção e da tampa do dispositivo de descarga selada (dispositivo utilizado para selar o bocal do engate da mangueira de descarga no tanque de combustível conforme Figura 3.17). Figura 3.17 - Descarga selada (Fonte: ABIEPS, 2016) f) Filtros de diesel: Em especial para o diesel, deve verificar se ocorre funcionamento sem que haja abastecimento, pois é um indicio de vazamento na linha de produto. Verificar a integridade dos selos de lacres (filtro e eliminador de ar) e da caixa a prova de explosão (se necessário, solicitar técnico credenciado pelo Instituto Estadual de Pesos e Medidas – IPEM e INMETRO para o reparo). Verificar possíveis vazamentos na bomba de engrenagem e o perfeito funcionamento do manômetro. É obrigatória a troca de todos os elementos filtrantes sempre que o manômetro de controle indicar pressão acima da recomendada ou de acordo com o especificado pelo fabricante ou a cada 50.000 litros de diesel filtrado. Verificar se há resíduos no interior da caixa filtrante e efetuar a limpeza completa sempre que for feita a drenagem do reservatório. g) Coletores de água / canaletas periféricas (Figura 3.18): a norma estabelece realizar limpeza constante do ralos, canaletas e caixas de passagem, retirando todos os detritos que possam provocar obstrução do sistema. 71 Figura 3.18 - Canaletas da bacia de contenção em uma pista de abastecimento (Fonte: ABIEPS, 2016) h) Separador de água e óleo – SAO (Caixa separadora): Semanalmente é necessário realizar a limpeza e manter limpo o pré-filtro/caixa de areia da presença de resíduos sólidos, mantendo nível interno de água da SAO. Verificar o nível de óleo no interior da caixa separadora e, se necessário, fazer a remoção do óleo separado para reservatório adequado. Bimestralmente, a norma recomenda verificar a integridade (trincas, rachaduras, quebras) do corpo e dos componentes internos da SAO e de seus periféricos. 3.4.2 Agência Nacional Do Petróleo, Gás Natural E Biocombustíveis (ANP) A ANP é o órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural e a dos bicombustíveis no Brasil. Foram publicadas por ela diversas resoluções que regulamentam os estabelecimentos de postos de combustíveis (PA e PR). Dentre essas normas, destaco as Resoluções ANP 41 (2013), ANP 42 (2011) e ANP12 (2007). Desde que cumpridas todas as etapas legais, a ANP emite o Certificado Da Agencia Nacional De Petróleo que permite os postos atuarem. A ANP 12 (2007), considerando a necessidade de estabelecer critérios técnicos para a operação e a desativação de instalações de armazenamento e abastecimento de combustíveis, em face da periculosidade desses produtos e considerando a necessidade de compatibilização da regulamentação do setor de combustíveis com diretrizes ambientais, estabelece a regulamentação para operação e desativação das instalações de Ponto de Abastecimento e os requisitos necessários à sua autorização. Conforme o Art. 3º, “O funcionamento da instalação 72 do Ponto de Abastecimento depende de autorização de operação na ANP, a ser efetivada mediante o preenchimento e aprovação pela ANP da Ficha Cadastral de instalação de PA.” “Art. 6º O projeto das instalações para construção ou ampliação da Instalação de Ponto de Abastecimento deverá obedecer às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, às de segurança das instalações, ao código de postura municipal, às do corpo de bombeiros e às exigências do órgão ambiental competente. Art. 7º A construção das Instalações do Ponto de Abastecimento deverá obedecer, rigorosamente, às especificações do projeto aprovado pelos órgãos competentes.” (ANP 12, 2007) Resolução ANP 41 (2013), regulamenta a atividade de revenda de combustíveis, definindo como é feito o requerimento para o exercício da atividade junto à ANP, assim como as regras para aquisição e comercialização dos combustíveis. Nessa norma também estão relacionados os dispositivos legais a serem observados pelos postos de combustíveis automotivos que, conforme Art. 4° “compreende etanol hidratado combustível; etanol hidratado combustível Premium; gasolina comum tipo C; gasolina Premium tipo C; óleo diesel B S500; óleo diesel B S10; óleo diesel marítimo A; ou gás natural veicular (GNV).” De acordo com o Art. 10°, a ANP outorgará a autorização para o exercício da atividade de revenda varejista de combustíveis automotivos para cada estabelecimento da pessoa jurídica requerente que atender às exigências estabelecidas na Resolução 41, publicando-a no Diário Oficial da União (DOU). Art. 22° expões como, umas das obrigações do revendedor varejista, fornecer combustível automotivo somente por intermédio de equipamento medidor, denominado bomba medidora para combustíveis líquidos, aferido e certificado pelo Inmetro ou por pessoa jurídica por ele credenciada; manter em perfeito estado de funcionamento e conservação os equipamentos medidores e tanques de armazenamento de sua propriedade, bem como os de terceiros cuja manutenção seja de sua responsabilidade; notificar o distribuidor de combustíveis proprietário de bomba medidora e tanques de armazenamento, quando houver necessidade de manutenção dos mesmos; identificar em cada bomba medidora de combustível de forma destacada, visível e de fácil identificação para o consumidor, o combustível comercializado, podendo ser utilizada, adicionalmente, a marca comercial ou nome fantasia do produto. Ainda conforme a ANP 41, estão sujeitos a penalidade aqueles que operarem bombas de abastecimento por meio de dispositivos remotos que possibilitem a alteração de volume de 73 produtos adquiridos por consumidor e operar instalações por meio de dispositivo que induza a erro o agente de fiscalização quanto à qualidade do combustível. A Resolução ANP 42 (2011) estabelece os requisitos necessários à concessão de autorizações de construção e de operação de instalação de combustíveis líquidos automotivos, bem como à alteração de titularidade da autorização e à homologação decontratos de cessão de espaço ou de carregamento rodoviário. “§ 2º Deverão ser observadas, além do disposto nesta Resolução e nas legislações vigentes no âmbito federal, estadual e municipal, as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), as normas do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), as normas da International Organization of Standardization (ISO), as recomendações da International Organization of Legal Metrology (IOLM), da American Society of Mechanical Engineers (ASME), do American Petroleum Institute (API) e demais normas que se fizerem necessárias para a análise dos pedidos de autorização de construção ou de operação.”(ANP 42, 2011) O Art. 4º cita que a Autorização de Construção deverá ser requerida nos casos de construção de nova instalação, alteração da capacidade de armazenamento de instalação existente, alteração do arranjo físico de instalação que afete a área de armazenamento, carregamento ou descarregamento de produtos ou transferência de titularidade. O Anexo 1 da ANP 42, dispõe dos documentos necessários para a Autorização de Construção (AC) conforme Figura 3.19. 74 Figura 3.19 - Documentos para AC (Fonte: ANP 42) 3.5 IMPACTOS AMBIENTAIS HISTÓRICOS DECORRENTES DO SETOR DE ABASTECIMENTO Os acidentes mais comuns ligados aos postos de combustíveis podem ser divididos em três classificações: a) Contato direto / vazamento de gases: a contaminação humana pode ocorrer pela via dermal, via respiratória e via oral. De acordo com o portal Brasil Postos (2015), os funcionários de postos de serviços que trabalham em contato com os combustíveis, formam um grupo de risco devido a algumas características dos produtos, ou seja, estão susceptíveis a adquirir doenças na pele (dermatites) e conforme a natureza de alguns componentes serem classificados como carcinogênicos podem causar modificações citogenéticas e levá-los a câncer e leucemia. b) Vazamentos / Derrames: os impactos ambientais que as atividades dos postos de serviços podem ocasionar é a contaminação do solo através de derramamentos de combustíveis e mais grave quando ocorrem vazamentos dos 75 tanques de armazenamento de combustível enterrados no solo, que dependendo da gravidade e da característica do solo podem atingir os lençóis freáticos ocasionando a contaminação da vizinhança através dos poços, que na maioria das vezes são usados como fonte da abastecimento de água das pessoas. c) Incêndio: um dos impactos ambientais causados pelas atividades dos postos de distribuição de combustíveis são os efeitos causados pelos incêndios, que quando ocorrem são bastante prejudiciais aos funcionários, clientes, proprietários, e vizinhança e podem causar vítimas fatais. Diante destes perigos, alguns cuidados devem ser tomados no manuseio dos produtos de petróleo, visando evitar incêndios e riscos às pessoas. Através da Figura 3.20 nota-se a evolução do número de acidentes em postos de combustíveis ao longo de 10 anos e como as normas e leis ambientais ajudaram a diminuir esse número. Figura 3.20 - Número de acidentes ambientais em postos de combustíveis (Fonte: ABIEPS, 2016) Na Figura 3.21, demonstra as principais causas dos acidentes em postos de combustíveis no estado de São Paulo segundo a Cetesb. Essas, variam entre derramamentos durante operações de carga e descarga, transbordamento, vazamento no sistema (corrosão dos tanques / tubulações subterrâneas), falhas estruturais, instalações inadequadas, etc. 76 Figura 3.21 - Causas dos acidentes em postos de combustíveis em SP (Fonte: Cetesb) As consequências a saúde humana dos vazamentos de combustíveis em postos estão associadas a danos graves. A principal exposição humana ocorre na volatilização de vários compostos presentes nos combustíveis, principalmente gasolina e óleo diesel que podem ser inalados. A American Conference of Governmental Industrial Hygienists – ACGIH estabelece o valor de TLV – TWA (Média Ponderada pelo Tempo) para gasolina de 300 partículas por minuto (ppm) para se evitar irritação do trato respiratório superior e ocular e como limite de exposição de curta duração (STEL) 500 ppm para se evitar depressão do sistema nervoso central (Fernícola et al, 2001). Um estudo com voluntários, expostos por 30 minutos às concentrações de cerca de 200, 500 e 1000 ppm (~ 600, 1500 e 3000 mg/m3) de vapores de gasolina no ar, demonstrou somente irritação aos olhos (UNEP, 2003) que é um efeito, em geral, temporário. Nos casos atendidos pela equipe de emergência da CETESB, em que houve a liberação de vapores de gasolina ou de óleo diesel para o interior de residências, pelo sistema hidráulico, ou fissuras no piso e ainda poços freáticos, entre outros, os sintomas relatados pela população foram de dores de cabeça, irritação nos olhos e nas vias aéreas superiores. Uma investigação de possíveis focos de contaminação e análise da qualidade da água ingerida pela população, principalmente a oriunda de poços, é necessário em casos de acidentes. Caso se constate a contaminação da água, deve-se impedir o seu consumo. Nesses casos, a atuação deve envolver o setor saúde, ou por meio da vigilância sanitária, ou da vigilância em saúde ambiental. (GOUVEIA E NARDOCCI, 2007) 77 Um dos primeiros acidentes ambientais de vazamento de combustível que marcou o Brasil foi em Vila Socó (atual Vila São José), Cubatão. Por volta das 22h30 do dia 24/02/1984 moradores perceberam o vazamento de gasolina em um dos oleodutos da Petrobrás que ligava a Refinaria Presidente Bernardes ao Terminal de Alemoa. A tubulação passava em região alagadiça, em frente à vila constituída por palafitas. Na noite do dia 24, um operador alinhou inadequadamente e iniciou a transferência de gasolina para uma tubulação (falha operacional) que se encontrava fechada, gerando sobre pressão e ruptura da mesma, espalhando cerca de 700 mil litros de gasolina pelo mangue. Muitos moradores visando conseguir algum dinheiro com a venda de combustível, coletaram e armazenaram parte do produto vazado em suas residências. Com a movimentação das marés o produto inflamável espalhou-se pela região alagada e cerca de 2 horas após o vazamento, aconteceu a ignição seguida de incêndio. O fogo se alastrou por toda a área alagadiça superficialmente coberta pela gasolina, incendiando as palafitas. O número oficial de mortos é de 93, porém algumas fontes citam um número extraoficial superior a 500 vítimas fatais (baseado no número de alunos que deixou de comparecer à escola e a morte de famílias inteiras sem que ninguém reclamasse os corpos), dezenas de feridos e a destruição parcial da vila. Em 2000, cerca de 4 milhões de litros de óleo cru vazaram por duas horas da Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), em Araucária (PR), causando um dos maiores acidentes ambientais envolvendo a Petrobras. A maior parte do óleo vazou durante 2 horas sem a percepção da empresa e percorreu um trajeto de 2.800 metros dentro da área da refinaria chegando ao rio Barigui e, em seguida, ao rio Iguaçu. A causa do incidente foi inicialmente humana, onde um operador que estava sozinho no turno não abriu uma válvula que permitia a entrada do produto nos tanques, mas observa-se falhas operacionais preventivas de acidentes no processo. A Petrobras foi condenada pela Justiça Federal a pagar cerca de R$600 milhões de indenização, R$ 168 milhões ao Ibama e a recuperar toda a área atingida pelo vazamento e monitorar a qualidade do ar, água e solo no entorno. Em 2015 um incêndio nos tanques da Ultracargo (maior empresa brasileira de armazenagem de granéis líquidos, operando principalmente com estocagem de produtos químicos, petroquímicos, biocombustíveis e óleo vegetal) no terminal de Santos começou por volta das 10h do dia 2 de abril e foi extinguido no dia 9 de abril de 2015.A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) multou a empresa em R$ 22,5 milhões pelo incêndio e a Prefeitura de Santos aplicou multa de R$ 2,8 milhões. No início do incêndio, a temperatura chegou a 800°C e foi necessária ajuda do Governo Federal e importação de produtos de combate às chamas para cessa-las. O local onde ocorreu o incêndio abrigava 175 78 tanques de capacidade de até 10 mil m³, cada um, em uma área de 183.871 m². Desses 175, 6 foram atingidos com capacidade de 6 milhões de litros cada (Figura 3.22). Figura 3.22 - Incêndio nos tanques da Ultrapar (Fonte: Reportagem G1) Das consequências e impactos ambientais desse acidente podemos enfatizar o ferimento leve de 15 pessoas por meio de inalação de fumaça (que puderem ser vistas de cinco cidades próximas conforme Figura 3.23), mais de 8,5 toneladas de peixes morreram por contaminação do canal do estuário de Santos que causou queda de oxigenação e temperatura elevada da água e, também, chuva ácida. A causa do acidente foi mecânica, onde válvulas ligadas a uma bomba estavam fechadas, causando um excesso de pressão e explosão. Figura 3.23 - Visibilidade da fumaça nas cidades vizinhas ao incêndio Ultracargo (Fonte: Reportagem G1) Em 2017, houve um acidente de menor dimensão em Governador Valadares (MG). Conforme o relato do administrador, um cliente, ao manobrar seu veículo, teria colidido com um equipamento que realizava o procedimento de retirada do combustível da bomba. Por conta da batida, o óleo diesel vazou e atingiu a rede pluvial por meio de um bueiro. Não houveram vítimas mas ocorreu a interrupção da captação de água na cidade por prevenção. 79 4 ESTUDO DE CASO De forma a aplicar toda a teoria vista até então nos capítulos anteriores, foi feito um estudo de caso em uma obra de remediação ambiental realizada no terreno de uma empresa de ônibus interestadual situada no Rio de Janeiro. Por razões de sigilo e ética profissional, foi adotado o nome fantasia Dia Construtora Ltda, para a empresa que prestou a consultoria ambiental e obras de remediação, e o nome Transportes FRANÇA Ltda para a empresa de ônibus em questão. 4.1 A EMPRESA A empresa Transportes FRANÇA Ltda é uma empresa do ramo de transporte rodoviário de passageiros do Brasil fundada em 1950 com sede na cidade de Juiz de Fora, MG. Sua área de atuação compreende os estados de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. A empresa transporta mensalmente cerca de 120 mil passageiros, interligando os seus estados de atuação, emprega diretamente 450 pessoas e possui uma frota de 134 ônibus, que percorre mensalmente cerca de 1,25 milhão de quilômetros. 4.2 AS INSTALAÇÕES Dentre as muitas unidades da Transportes FRANÇA Ltda, o foco desse estudo é uma unidade (garagem de ônibus) situada na cidade do Rio de Janeiro no bairro de Curicica como mostra a localização da Figura 4.1. 80 Figura 4.1 - Localização das instalações da unidade FRANÇA Ltda (Fonte: Google Maps) O empreendimento possui área total de aproximadamente 15.000 m². Na unidade, é feito o estacionamento, abastecimento e gestão da sua frota de ônibus, sendo o combustível usado o óleo diesel. A unidade apresenta as seguintes áreas e serviços para a frota: a) Área de abastecimento e armazenagem de combustível; b) Área de estacionamento e circulação dos ônibus; c) Oficina para troca de óleo, troca de pneus, consertos e manutenções mecânicas; d) Área de lavagem dos veículos; e) Cabine de pintura para manutenção da aparência visual dos veículos; f) Prédio da administração e portaria. 81 Os efluentes gerados nas operações realizadas na pista de abastecimento, área de tancagem, lavagem e troca de óleos são direcionados pelas canaletas (delimitam as bacias de contenção) para a caixa separadora de água e óleo (CSAO), que é limpa periodicamente. O sistema de abastecimento é composto por 03 tanques aéreos de armazenamento de combustíveis, sendo 02 plenos com capacidade de 30 m³ (diesel S10) e 01 tanque pleno com capacidade de 30 m³ (diesel S500) conforme mostra a Figura 4.2 com a planta arquitetônica da unidade. Figura 4.2 - Instalações da unidade em estudo (Fonte: Adaptação de planta fornecida pelo estabelecimento) A Figura 4.3 ilustra a disposição da área de abastecimento e armazenamento de forma detalhada para uma melhor compreensão dessa atividade, que é a de foco principal do estudo. 82 Figura 4.3 - Planta da área de abastecimento e armazenamento (Fonte: Autoria própria) 4.3 A OBRA DE RECUPERAÇÃO AMBIENTAL O incidente de vazamento de um dos três tanques de armazenamento de combustível da unidade, por conta da oxidação da chapa de aço externa, ocasionou em vazamento de cerca de 10.000 L de óleo diesel, extravasando a capacidade de contenção da caixa de separação e contaminando o solo no entorno da bacia de contenção. Decorrente o acontecimento, o trabalho desenvolvido em campo teve como principal objetivo a escavação para remoção do solo contaminado no perímetro do dique de contenção que comportava os três tanques aéreos de armazenamento de diesel, a verificação das características da cava e impactos ambientais do acidente por meio da retirada de amostras de solo, a segregação do material removido através do critério de presença ou ausência de VOCs (Compostos Orgânicos Voláteis) medidas em campo e a recomposição da cava para que pudesse abrigar acomodação dos novos tanques a serem instalados. As normas e legislação aplicadas para cada etapa do trabalho desenvolvido estão contidas nos tópicos 2.2 e 3.3 desse trabalho. Cabe ressaltar que o acompanhamento do 83 processo de escavação, fornece a oportunidade de avaliar a área potencialmente passível de contaminação, considerando as dimensões da escavação e volume de solo movimentado. Os trabalhos de campo foram realizados no período de 30 de maio a 02 de junho de 2017. A atividade de escavação foi executada por uma empresa de terraplanagem. A Dia Construtora Ltda ficou responsável pelo transporte e destinação do solo contaminado segregado e pela formulação do relatório técnico de impacto ambiental. Durante a obra, foram removidos 170 m³ de solo até a profundidade de 2,5 metros. O volume de solo contaminado segregado para destinação foi disposto em uma pilha (90 m³), devidamente coberto com lona para destinação cujo transporte ocorreu no dia 02 de junho de 2018. O critério utilizado para segregação do material foi definido pela presença na medição de VOCs (Compostos Orgânicos Voláteis) onde, havendo nulidade, foi devolvido a cava e leitura de presença direcionado a descarte como resíduo classe I. Conforme as figuras seguintes, podemos observar o passo a passo desenvolvido na obra de remediação ambiental. A Figura 4.4 mostra o isolamento do entorno área de abastecimento, conforme normas de segurança, antes do início das obras; A Figura 4.5 mostra o início da escavação do concreto da bacia de contenção, na pista de abastecimento, por meio de escavadeiras; A Figura 4.6 ilustra o carregamento e destinação dos resíduos de demolição do concreto; A Figura 4.7 indica a área de armazenamento do solo escavado impactado com isolamento por lona e cones para evitar o contato com outras partes; As Figuras 4.8 e 4.9 exibem o processo de remoção do solo contaminado com escavadeira que seguiram por 2 metros de profundidade em toda a área; Por fim do primeiro processo, a Figura 4.10 indica o solo contaminado separado para descarte como resíduo classe 1 em local isolado. Figura 4.4 - Isolamento da área de abastecimento (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 84 Figura 4.5 - Início da escavação com demolição (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) Figura 4.6 - Carregamento e destinação do concreto demolido (Fonte: Fornecido pela DiaConstrutora Ltda, 2017) Figura 4.7 - Área de armazenamento do solo impactado (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 85 Figura 4.8 - Início de remoção do solo (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) Figura 4.9 - Remoção de 2 m de solo contaminado (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) Figura 4.10 - Solo impactado para descarte como resíduo classe 1 (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 86 No dia 31 de maio de 2017, foi realizada a recomposição da cava com parte de solo não contaminado (leitura de VOCs apurada em campo igual a zero) e o restante com material inerte (pó de pedra). Na Figura 4.11, a imagem da cava nivelada pronta para iniciar a compactação do solo do 2° metro é indicada; A Figura 4.12 mostra o 2° metro já compactado e o derramamento e espalhamento do pó de pedra para iniciar a compactação do 1° metro; A Figura 4.13 exibi a finalização do espalhamento e nivelamento do pó de pedra na superfície do terreno e a Figura 4.14 evidencia o processo de compactação finalizado; A Figura 4.15 mostra o início do carregamento de 4 caminhões com o solo contaminado para despejo em local específico conforme as normas de segurança; Na Figura 4.16 observa-se a área da obra já limpa e sendo organizada para volta da operação de abastecimento. Figura 4.11 - Cava nivelada (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) Figura 4.12 - Descarregamento e espalhamento do pó de brita (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 87 Figura 4.13 - Finalização do nivelamento do pó de pedra (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) Figura 4.14 - Processo de compactação finalizado (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) Figura 4.15 - Carregamento do solo impactado (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 88 Figura 4.16 - Área de intermediação limpa (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 4.4 OS IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS A NBR ISO 14001 (ABNT, 2015), citada no tópico 2.1, não estabelece metodologia específica para a identificação de aspectos e impactos ambientais decorrentes de uma obra. Portando, no presente estudo de caso, foi adotado o modelo de planilha de levantamento ilustrado pela Figura 4.17. O Anexo I mostra de forma geral o resultado dos impactos causados pela obra de recuperação, citada no tópico 4.3, na etapa de remoção do solo e o Anexo II na etapa de recomposição da cava, mas os resultados dos Anexos serão demonstrados em cada etapa. Figura 4.17 - Modelo de planilha de levantamento de impactos ambientais Fonte: Santos, 2017. Foi feito um levantamento das atividades exercidas durante a obra de recuperação e utilizado como base para a identificação dos aspectos e impactos ambientais a listagem 89 apresentada na Quadro 4.1. A Figura 4.18 mostra os aspectos e impactos da etapa de escavação da cava e a Figura 4.19 da etapa de reconstituição da cava. Quadro 4.1 - Aspectos e seus respectivos impactos ambientais Fonte: Santos, 2017. ASPECTOS IMPACTOS Consumo de água Redução de recursos naturais Consumo de combustíveis Redução de recursos naturais Consumo de energia elétrica Redução de recursos naturais Consumo de papel Redução de recursos naturais Emissões atmosféricas Alteração da qualidade do ar Emissão de fumaça preta Poluição atmosférica Geração de efluentes líquidos Alteração / contaminação do solo Alteração / contaminação da água Geração de efluentes líquidos sanitários Contaminação do solo Contaminação da água Vazamento de óleo Contaminação do solo Contaminação da água Geração de resíduos sólidos não perigosos (plástico, papel, etc.) Sobrecarga de aterros Descarte de resíduos perigosos (contaminados com óleo e/ou demais produtos químicos). Sobrecarga de aterros industriais. Contaminação do solo. Contaminação da água. Emissão de ruído Poluição sonora Geração de resíduos sólidos (matéria orgânica). Proliferação de vetores de doenças. Sobrecarga de aterros industriais. Contaminação do solo. Contaminação da água. Descarte de resíduos perigosos (baterias, pilhas, toners, cartuchos de impressoras, lâmpadas fluorescentes, embalagens contaminadas) Contaminação de solo. Contaminação da água. Sobrecarga de aterros industriais. Consumo de madeira. Esgotamento de recursos naturais. Descarte de resíduos perigosos (latas de tinta e solventes, pincéis usados, estopas) Sobrecarga de aterro industrial. Contaminação do solo. Contaminação da água. Vibrações e ruídos Poluição sonora. Abalo de construções. Fuga de fauna nativa. Supressão de vegetação nativa Perda de vegetação e de habitats Degradação do ecossistema natural Desequilíbrio ecológico pela indução de novas espécies Interferência na estabilidade geotécnica de taludes Processos erosivos. Assoreamento de drenagem e cursos de água. Perda de solo. Emissão de poeira. Poluição atmosférica. Acúmulo de água parada. Proliferação de vetores de doenças. 90 Movimentação de terra / rocha. Erosão e assoreamentos. Processos erosivos. Assoreamento de drenagem e cursos de água. Perda de solo. Incêndio / explosão. Poluição atmosférica. Figura 4.18 – Aspectos e Impactos Ambientais da etapa de construção da cava (Fonte: Autoria própria) Figura 4.19 - Aspectos e Impactos Ambientais da etapa de reconstituição da cava (Fonte: Autoria própria) 91 Para preenchimento dos itens de Incidência, Frequência, Probabilidade e Abrangência, foram considerados os itens descritos no Quadro 4.2 e para o cálculo da Severidade foi considerado o tipo de impacto e a descrição da classe apresentadas no Quadro 4.3. Quadro 4.2 - Classificação dos aspectos e impactos ambientais Fonte: Santos, 2017. Item Classificação Descrição Incidência Direta (D) O aspecto está associado às atividades executadas pela CONSTRUTORA XYZ. Indireta (I) O aspecto está associado às atividades executadas por fornecedores/prestadores que atuam no canteiro de obras ou nas instalações da CONSTRUTORA XYZ. Frequência 1 Baixa frequência na ocorrência do impacto. Ocorreu uma vez ou nunca ocorreu. 2 Média frequência na ocorrência do impacto. Ocorre de uma a três vezes ao ano. 3 Alta frequência na ocorrência do impacto. Ocorre frequentemente. Acima de três vezes no ano. Probabilidade 1 Baixa probabilidade de ocorrer o impacto. 2 Média probabilidade de ocorrer o impacto. 3 Alta probabilidade de ocorrer o impacto. Abrangência 1 Pequena: o impacto é restrito ao setor no qual a atividade é desenvolvida. 2 Média: o impacto é restrito a área da CONSTRUTORA XYZ (escritórios, obras, oficina, depósitos e usina). 3 Grande: o impacto extrapola a área da CONSTRUTORA XYZ (afeta a área de influência e as partes interessadas). Quadro 4.3 - Avaliação da severidade do impacto ambiental Fonte: Santos, 2017. AVALIAÇÃO DA SEVERIDADE Tipo de Impacto Grau Descrição Contaminação do solo. 3 (alta) Resíduos classificados como perigosos. 2 (média) Resíduos classificados como não perigosos (podendo equivaler a não inerte). 1 (baixa) Resíduos classificados como não perigosos (inertes). Contaminação 3 (alta) Presença de metais e/ou óleos e graxas ou efluentes que precisam passar por tratamento. 92 da água. 2 (média) Efluente intermediário entre os classificados como alta e baixa. 1 (baixa) Águas passíveis de descarte sem passar por tratamento. Contaminação da atmosfera. 3 (alta) Emissões que dependem de algum sistema de tratamento por conter elevado teor de material particulado/SOx ou emissões em grande quantidade e que contêm elementos altamente prejudiciais ao meio ambiente 2 (média) Emissões que já passam por sistemas de tratamento e que contêm teor moderadode material particulado/SOx ou emissões em quantidade moderada e que contêm elementos prejudiciais ao meio ambiente. 1 (baixa) Emissões que passam por sistemas de tratamento e/ou contêm baixo teor de material particulado/SOx ou emissões em qualquer quantidade e que contêm elementos não prejudiciais ao meio ambiente ou emissões em pequena quantidade e que contêm elementos levemente prejudiciais ao meio ambiente Ruído. 3 (alta) Ruído de nível presumivelmente elevado, percebido inclusive fora das instalações da empresa. 2 (média) Ruído de nível presumivelmente médio, percebido dentro da empresa, porém em outras áreas além da geradora. 1 (baixa) Ruído presumivelmente baixo, percebido somente na área geradora. Esgotamento de recursos naturais. 3 (alta) Consumo elevado de recursos e/ou que estão vinculados aos objetivos e metas ambientais. (Ex: Aqueles que dependem de quantificação ou liberação pelo orgão ambiental) 2 (média) Consumo moderado de recursos 1 (baixa) Consumo baixo de recursos.(Quantidades consideradas pequenas ou ocorrem de forma isolada em algum processo) O cálculo da relevância foi obtido através da soma dos graus atribuídos para a frequência, probabilidade, abrangência e severidade conforme ilustra o Quadro 4.5. Quadro 4.4 - Método de cálculo da relevância do impacto ambiental Fonte: Santos, 2017. Cálculo da Relevância Somatório Sigla Classificação 11 ou 12 MR Muito Relevante 7, 8, 9 ou 10 R Relevante 4, 5 e 6 NR Não Relevante Os resultados obtidos para obtenção do cálculo da relevância são ilustrados nas Figuras 4.20 e Figura 4.21. 93 Figura 4.20 – Relevância dos Impactos Ambientais da etapa de construção da cava (Fonte: Autoria própria) Figura 4.21 - Relevância dos Impactos Ambientais da etapa de reconstituição da cava (Fonte: Autoria própria) 94 Para o cálculo do grau do impacto ambiental foi feito um cruzamento da frequência com a probabilidade mediante a utilização da matriz a seguir apresentada no Quadro 4.5. Quadro 4.5 - Matriz de cálculo 1 do grau do impacto ambiental Fonte: Santos, 2017. Frequência Probabilidade 1 2 3 1 FxP = 2 FxP = 3 FxP = 4 2 FxP = 2 FxP = 4 FxP = 6 3 FxP = 3 FxP = 6 FxP = 9 Com o resultado do cruzamento da matriz Frequência x Probabilidade foi realizado o cruzamento da frequência/probabilidade com a severidade, mediante a aplicação da matriz apresentada pelo Quadro 4.7. Quadro 4.6 – Matriz de cálculo 2 do grau do impacto ambiental Fonte: Santos, 2017. Frequência / Probabilidade Severidade 1 2 3 2 GI = 3 (trivial = T) GI = 4 (trivial = T) GI = 5 (moderado = M) 3 GI = 4 (trivial = T) GI = 5 (moderado = M) GI = 6 (moderado = M) 4 GI = 5 (moderado= M) GI = 6 (moderado= M) GI = 7 (substancial = S) 5 GI = 6 (moderado = m) GI = 7 (substancial = S) GI = 8 (substancial = S) 6 GI = 7 (substancial = S) GI = 8 (substancial = S) GI = 9 (intolerável = I) Os resultados obtidos para o grau de cada impacto da etapa de construção da cava são apresentados na Figura 4.22 e para a etapa de reconstituição na Figura 4.23. 95 Figura 4.22 – Grau dos Impactos Ambientais da etapa de construção da cava (Fonte: Autoria própria) Figura 4.23 – Grau dos Impactos Ambientais da etapa de reconstituição da cava (Fonte: Autoria própria) 96 Para a análise da importância da incidência foi considerado o Quadro 4.7 a partir das respostas das seguintes perguntas: a) Há incidência direta? b) O grau do impacto ambiental resultou em moderado, substancial ou intolerável? c) Há legislação ou outros requisitos aplicados (regulamentos ambientais municipais, estaduais, federais e internacionais e/ou normas técnicas associadas, além de licenças e autorizações)? d) Há demandas das partes interessadas (reclamações, carta ou declaração de princípios ou outras exigências de organismos não governamentais)? e) Há na Política Ambiental referência ao impacto na forma de declaração de princípios sobre sistemas de gestão? Quadro 4.7 - Análise da importância da incidência do impacto ambiental Fonte: Santos, 2017. Importância da Incidência Análise (NI) Não importante Se apenas um for sim. (I) Importante Se pelo menos duas das respostas forem sim. (MI) Muito Importante Se todas as respostas forem sim. A Figura 4.24 ilustra as importâncias de cada impacto da etapa de construção da cava e a Figura 4.25 da etapa de restituição da cava. 97 Figura 4.24 – Importância da Incidência dos Impactos Ambientais da etapa de construção da cava (Fonte: Autoria própria) Figura 4.25 – Importância da Incidência dos Impactos Ambientais da etapa de reconstituição da cava (Fonte: Autoria própria) Para investigação da significância do impacto ambiental, foi utilizada a matriz ilustrada no Quadro 4.8 que considera como filtro o cruzamento do grau do impacto com a importância da incidência. 98 Quadro 4.8 - Matriz de análise da significância do impacto ambiental Fonte: Santos, 2017. Grau do Impacto Importância da Incidência Não Importante Importante Muito Importante Trivial (NS) Não Significante (NS) Não Significante (MS) Moderadamente Significante Moderado (MS) Moderadamente Significante (MS) Moderadamente Significante (S) Significante Substancial (S) Significante (S) Significante (S) Significante Intolerável (SS) Substancialmente Significante (SS) Substancialmente Significante (SS) Substancialmente Significante Após o término da análise da significância para cada aspecto e impacto ambiental, foi considerado o Quadro 4.9 para as conclusões dos controles a serem implementados e suas respectivas observações. Quadro 4.9 - Controles a serem implementados de acordo com a significância do impacto ambiental Fonte: Santos, 2017. Significância Controles a serem implantados Observações NS – Não Significante Não são requeridos controles operacionais. Devem ser feitas considerações sobre uma solução de custo mais eficaz ou melhorias que não imponham uma carga de custos adicionais. É requerido monitoramento para assegurar que os controles são mantidos. Porém caso existam controles operacionais que contribuam para manter estes aspectos como não significativos, os mesmos devem ser citados na coluna “Comentários/Controles” da planilha. Para os impactos com situação operacional de emergência, se as situações de emergência puderem ser controladas com recursos da própria área, podem ser previstas ações/medidas mitigadoras em procedimentos específicos, caso contrário as mesmas deverão ser incluídas no plano de atendimento a emergências. 99 MS – Moderadamente Significante Impacto ambiental que foi reduzido ou se encontra a um nível que pode ser suportado pela empresa, porém são requeridas medidas de controle, tais como procedimentos operacionais, monitoramento e medição, ordem de serviço, procedimentos para atendimento às emergências. Os critérios operacionais devem ser definidos em procedimentos escritos. Para perigos com situação operacional de emergência, devem ser previstas, obrigatoriamente, ações/medidas mitigadoras em um plano de atendimento a emergência. S - Significante Impacto que foi reduzido ou se encontra a um nível que pode ser suportado pela empresa, porém são requeridas medidas de controle. Os impactos devem ser anualmente analisados para verificar a necessidade de ações complementares com a finalidade de melhorar as condições do local de trabalho a serem controladas no sistema. É obrigatório o estabelecimento de controles operacionais. Devem ser feitos esforços para reduzir o impacto e os riscos emergenciais. As ações de controle podem requerer investimentoscom custos de prevenção significativos. As medidas para a redução do risco devem ser implementadas dentro de um período definido (planos de ação). Para perigos com situação operacional de emergência, devem ser previstas, obrigatoriamente, ações/medidas mitigadoras em um plano de atendimento a emergência. SS – Substancialmente Significante. A atividade não deve ser iniciada ou continuada até que o aspecto/impacto tenha sido reduzido. Se não é possível reduzir o impacto, o trabalho tem que permanecer proibido de ser executado. Estes aspectos/impactos ambientais devem ser consideradas “Inaceitáveis”, devendo ser tomadas medidas preventivas ou tomadas providências urgentes para redução da significância do aspecto/impacto ambiental. Tais ações devem estar incluídas em planos de ação específicos, no plano de atendimento a emergência e ser indicadas na coluna “Comentários/Controles” da planilha. 100 A Figura 4.26 e a Figura 4.27 mostram os resultados encontrados para cada impacto da obra de recuperação do solo. Figura 4.26 - Significância dos Impactos Ambientais da etapa de construção da cava (Fonte: Autoria própria) Figura 4.27- Significância dos Impactos Ambientais da etapa de reconstituição da cava (Fonte: Autoria própria) 101 Para análise dos impactos ambientais decorrentes do vazamento de combustível, foi feito um relatório técnico pela Dia Construtora Ltda que apresenta as informações referentes ao processo de avaliação ambiental conduzido durante a obra de remediação com remoção do solo contaminado no perímetro que comportava os tanques aéreos de armazenamento de diesel. Durante a escavação, amostras de solo foram retiradas, no qual efetuou-se a medição de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs) para confirmar a presença ou não de vapores “in situ”. As medições foram realizadas conforme exibe a Figura 4.28, com o equipamento da marca “Gastech” modelo “Innova-SV”, com exclusão da via gás metano, cujo certificado de calibração do equipamento é apresentado na Figura 4.29. O Thermogastech usa um sensor catalítico de compensação que oxida o gás no ar e libera calor. A resistência do filamentode platina aumenta proporcionalmente ao calor da oxidação. É um método confiável e de baixo custo para detecção de presença de gases, além disso o sensor é indicado para monitoramento geral de gases e vapores combustíveis. A Tabela 4.1 apresenta as concentrações máximas de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs), medidas em cada metro da escavação realizada no dia 31 de maio de 2017. Foram constatadas concentrações de vapores orgânicos nas medições das amostras de solo retiradas. Figura 4.28 - Medição de VOC (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 102 Figura 4.29 - Certificado de calibração (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 20 Tabela 4.1 - Resultados de VOCs na sondagem realizada em maio de 2017 Ponto VOCs (ppm) 1,0m VOCs (ppm) 2,0m P1 0 - P2 - 220 P3 0 - P4 - 140 P5 20 - P6 - 380 P7 0 - P8 - 200 P9 0 320 P10 - - P11 60 160 P12 - De acordo com as instruções ABNT pertinentes, as amostras de solo retiradas e avaliadas foram divididas em duas alíquotas: a) Alíquota 01: acondicionada em saco plástico impermeável auto selante, com volume de um litro, a qual foi homogeneizada manualmente e posteriormente 103 agitada, mantida em repouso e revolvida novamente, para então ser submetida a medição de VOCs por meio de equipamento detector de gases “Gastech” (Innova - SV); b) Alíquota 02: acondicionada em frasco de vidro de boca larga com tampa de teflon devidamente identificado, a qual foi mantida sob refrigeração a 4°C ± 2 e, posteriormente, enviada ao laboratório para análises químicas dos parâmetros BTEX, PAHs e TPH. No dia 31 de maio de 2017, foram retiradas 06 (seis) amostras denominadas TQ01, TQ02, TQ03 (apresentaram leitura de VOCs), AT_NC01, AT_NC02 e AT_NC03 (indicaram nulidade de VOCs) para análises químicas dos parâmetros BTEX, PAHs e TPH. A Figura 4.30, ilustra o formulário do sistema de qualidade para recebimento das amostras de solo, indicando se as amostras foram recebidas conforme descrito pelas normas para não ocorrer distorção dos resultados. Figura 4.30 - Relatório de recebimento de amostras (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 104 O acompanhamento para avaliação ambiental ficou sob responsabilidade da Dia Construtora Ltda (medições em campo, amostragem de solo, segregação do material impactado e elaboração de relatório). Não foi verificada a ocorrência de nenhum fato atípico que pudesse prejudicar os serviços. Como resultados das atividades desenvolvidas na área do imóvel, observou-se os seguintes impactos ambientais: a) Houve afloramento do lençol freático na cava aberta cujos efluentes foram direcionados a caixa separadora do empreendimento; b) Verificou-se a presença de produto adsorvido no solo. Para conhecimento, os resultados das análises químicas foram comparados aos seguintes valores de referência: a) Valores Orientadores de Intervenção para Solo e Água Subterrânea no Estado de São Paulo, estabelecidos pela CETESB (artigo 1º da Decisão de Diretoria nº 256/2016, de 22 de novembro de 2016), para os parâmetros BTEX e PAHs; b) Decisão da Diretoria nº 010-2006-C de 26 de janeiro de 2006, estabelecida pela CETESB para o parâmetro TPH; c) Valores Orientadores da Resolução CONAMA 420/2009 e Norma Operacional do INEA (NOP 06 – 10/05/2013) para os parâmetros BTEX, PAHs e TPH; Com resultado, foi detectada concentração superior ao valor limite estabelecido pela legislação vigente para o parâmetro TPH (1.000 mg/Kg) e para leitura VOCs em 03 amostras. O solo da região dessas amostras, foi segregado para descarte como resíduo classe I. Na Figura 4.31 observa-se o Manifesto de Transporte de Resíduos - MTR (obrigatório por lei) para transporte do solo descartado até a empresa de reciclagem Recitec. A Figura 4.32 mostra o MTR do concreto demolido na área de abastecimento para escavação da cava. Alguns dados foram sublinhados por motivo de ética profissional. 105 Figura 4.31 - MTR do solo contaminado (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) Figura 4.32 - MTR do concreto armado (Fonte: Fornecido pela Dia Construtora Ltda, 2017) 106 Já o solo das amostras que não apresentaram leitura de VOCs, retornaram a cava (esses tiveram os dados emitidos pelo laboratório com inferioridade aos valores limites de intervenção para todas as SQIs analisadas). Essas informações mostram a eficiência do procedimento adotado, determinando que os materiais segregados para destinação como resíduo classe I e retorno a cava foram corretamente separados e proporcionaram condição de melhora no cenário ambiental, aliado ao descarte do volume de material realmente necessário. 4.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO ESTUDO DE CASO As informações apresentadas pelo Relatório Técnico da Dia Construtora Ltda comprovam que houve uma preocupação ambiental em regularização do local, após o vazamento de diesel, perante as normas técnicas, leis e resoluções CONAMA citadas nos tópicos 2.2 e 3.3. Pelas análises químicas realizadas no solo escavado, conclui-se que houve poluição de um total de 90m³. Esse volume foi classificado como resíduo classe I conforme a NBR 10.004 (ABNT, 2004), devidamente isolado e destinado à uma empresa de reciclagem que possui licença para recebimento de resíduos perigosos. As Figuras 4.31 e 4.32, demonstram as MTR dos resíduos da obra, conforme solicitado pela CONAMA, para o monitoramento da forma de transporte e controle da destinação final dos mesmos. Observa-se a preocupação com o gerenciamento de resíduos e mitigação do impacto ambiental final, conforme a Resolução 307 da CONAMA, a partir da medida de reaproveitamentodo solo não contaminado na recomposição da cava. Pela profundidade da mancha de contaminação no solo, comprovada pelos testes toxicológicos, a empresa constatou que não houve contaminação do lençol freático. Para realização dos testes, os equipamentos foram devidamente aferidos, conforme solicitado pelas NBR, atestando a obtenção de resultados verídicos. A Figura 4.29 mostra o certificado de calibração do aparelho de medição de VOCs como exemplo. Os resultados obtidos no Anexo I e no Anexo II mostram que, a maioria dos impactos ambientais gerados pelas etapas da obra de remediação, foram Não Significantes. Portanto, para essa classificação, é requerido monitoramento dos aspectos, para assegurar que os controles foram mantidos. O monitoramento foi atendido conforme exposto pelos dados do Relatório Técnico citados no tópico 4.4. 107 5 CONCLUSÃO A apresentação do panorama geral do setor da construção civil e do setor de abastecimento de combustível, demostra a importância do crescimento de ambos para a economia do país. A análise preliminar dos possíveis aspectos e impactos ambientais que podem ser causados pelos dois setores, mostra que, em suas ocorrências, contribuem de forma significativa para alterações do meio ambiente provando assim a importância de medidas mitigadoras e preventivas. Mesmo após uma conscientização ambiental dos setores na década de 80 no Brasil, a adoção de estratégias sustentáveis vem sendo absorvidas aos poucos pelas empresas. Através desse trabalho pode-se concluir que o posto de abastecimento em estudo cumpre a legislação aplicável à atividade de armazenamento e abastecimento de combustíveis, uma vez que possui todas as licenças e alvarás necessários (Licença Ambiental, Autorização da ANP, Alvará de Corpo de Bombeiros), além de possuir os planos, programas e procedimentos estabelecidos pelas Normas Regulamentadoras aplicáveis. Também se conclui que os impactos de maior significância identificados decorrentes do vazamento de combustível, tiveram ações de controle implementadas. Esse fato mostra que o posto de abastecimento encontra-se bem instalado e a obra de remediação foi realizada conforme as normas e leis vigentes, pois não foi avaliado nenhum aspecto com classificação Substancialmente Significante. Mesmos com a inexistência de aspectos e impactos Substancialmente Significantes, podemos concluir que há uma real necessidade de elaboração do controle da emissão de ruídos e das emissões atmosféricas, que foram impactos classificados com magnitude Significante. Esses não foram devidamente analisados por falta do fornecimento de dados pela DIA Construtora Ltda. O fato da omissão de controle desses impactos leva a conclusão da falha do plano de gestão ambiental da obra de recuperação. Como sugestão de melhoria da gestão ambiental para próximas obras de recuperação, a construtora poderia elaborar relatórios das emissões de gases poluentes decorrentes do uso das máquinas à combustão nos canteiros e dos meios de transporte utilizados para transportar matérias-primas e resíduos gerados. Para o monitoramento de ruídos e vibrações, a construtora poderia instalar sismógrafos com objetivo de mensurar os níveis de velocidade de vibração de partícula e de pressão acústica que estariam chegando às estruturas localizadas no entorno da área onde se realizam as obras e verificar se tais níveis estão dentro dos limites preconizados pela NBR 9653 (ABNT, 2005). 108 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA ______. Presidência Da República, Casa Civil, Lei n° 9.433, de 08 de janeiro de 1997. Brasília. 1997. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9433.htm Acesso em 05 set. 2018 ______. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Rio de Janeiro. 1986. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html>. Acesso em 05 set. 2018 ______. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Nº 448, de 19 de janeiro de 2012. Rio de Janeiro. 2012. Disponível em: <http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=672>. 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Consumo de energia. Redução de recursos naturais. D 1 1 1 1 4 NR T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de consumo. Consumo de combustíveis Redução de recursos naturais. D 2 1 3 2 8 R T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de consumo. Emissões atmosféricas Alteração da qualidade do ar. D 2 3 3 1 9 R S I S Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de emissões. Verificar a necessidade de ações complementares com a finalidade de melhorar as condições do local. Descarte de resíduos perigosos (resíduos contaminados com óleo e/ou demais produtos químicos; embalagens contaminadas) Contaminação de solo e águas e/ou sobrecarga de aterro industrial. D 1 3 3 3 10 R S MI S Observar diretrizes do Plano de Gerenciamento de Resíduos. Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de geração. Verificar a necessidade de ações complementares com a finalidade de melhorar as condições do transporte ou local de despejo. Descarte de sucata metálica. Sobrecarga de aterro. D 1 1 3 1 6 NR T NI NS Observar diretrizes do Plano de Gerenciamento de Resíduos. Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de geração. Emissão de poeira. Poluição atmosférica. D 2 2 3 1 8 R M I MS Monitoramento e medição do indicador específico e atendimento a meta de redução de geração. Geração de resíduos sólidos não perigos (plástico, etc) Sobrecarga de aterros. D 2 1 3 1 7 R T NI NS Observar diretrizes do Plano de Gerenciamento de Resíduos. Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de geração. Movimentação de terra / rocha. Erosão e assoreamentos. Assoreamento de drenagem e cursos de água. Perda de solo. D 1 1 1 1 4 NR T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de consumo e reaproveitamento do solo. Vibrações e ruídos Perda de vegetação e de habitats Degradação do ecossistema natural D 2 1 3 3 9 R M I MS Realizar o monitoramento de áreas verdes próximas a obra e realizar relatório de impactos á vizinhança com fotos comparativas do antes e depois. Emissão de fumaça preta Poluição atmosférica D 2 2 3 2 9 R M I MS Realizar o monitoramento de todos os veículos e equipamentos à óleo diesel. Simbologia: (Incidência: D=direta ou I=indireta); (Freqüência: 1=baixa ou 2=média ou 3=alta); (Probabilidade: 1=baixa ou 2=média ou 3=alta); (abrangência: 1=pequena ou 2=média ou nde); (severidade: 1=baixa; 2=média ou 3=alta); (Relevância=incidência+freqüência+probabilidade+abrangência) Elaborado por: Giulia Braga Aprovado por: 14 ANEXO II Etapa da Obra/Serviço Recomposição da cava IDENTIFICAÇÃO In c id ê n c ia F r e q u ê n c ia ( a ) P r o b a b il id a d e (b ) A b r a n g ê n ci a ( c ) S e v er id a d e (d ) a + b + c + d R e le v â n c ia G ra u d o im p a c to Im p o r tâ n ci a d a in c id ê n c ia S ig n if ic â n ci a COMENTÁRIOS/CO NTROLES Atividade/Tarefa Aspectos Impactos Uso de máquina para nivelamento do fundo da cava; Uso da escavadeira para descarregamento e espalhamento do pó de brita Nivelamento do pó de pedra com uso de máquina; Compactação da cava nivelada; Limpeza de área de intermediação; Consumo de água Redução dos recursos naturais D 1 1 1 1 4 NR T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de consumo. Consumo de combustível Redução dos recursos naturais D 1 1 1 1 4 NR T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de consumo. Consumo de energia elétrica Redução dos recursos naturais D 1 1 1 1 4 NR T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de consumo. Emissões atmosféricas Alteração da qualidade do ar D 1 2 3 1 7 R T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de consumo. Emissão de ruído Poluição sonora D 1 3 3 3 10 R S I S Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de emissão. Verificar a necessidade de ações complementares com a finalidade de melhorar as condições do local. Emissão de poeira. Poluição atmosférica. D 1 2 3 1 7 R T NI NS Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de consumo. Movimentação de terra / rocha. Erosão e assoreamentos. Perda de solo. D 1 2 1 2 6 NR M NI MS Monitorar o indicador específico e o atendimento a meta de redução de consumo e reaproveitamento do solo. Simbologia: (Incidência: D=direta ou I=indireta); (Freqüência: 1=baixa ou 2=média ou 3=alta); (Probabilidade: 1=baixa ou 2=média ou 3=alta); (abrangência: 1=pequena ou 2=média ou 3=grande); (severidade: 1=baixa; 2=média ou 3=alta); (Relevância=incidência+freqüência+probabilidade+abrangência) Elaborado por: Giulia Braga Aprovado por: