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BACTERIOLOGIA 
CLÍNICA 
César Henrique Yokomizo 
Hemocultura
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Listar as principais bactérias responsáveis pela sepse.
 � Avaliar a metodologia e os aspectos essenciais de uma hemocultura.
 � Diferenciar os métodos automatizados para diagnóstico por 
hemocultura.
Introdução
O sangue, que tem papel central na sepse, serve como via propagadora 
da resposta inflamatória frente à infecção patogênica. Hemocultura é, 
portanto, o método diagnóstico mais eficiente para identificar a presença 
de microrganismos no sangue. 
A hemocultura foi incorporada à tecnologia diagnóstica pela automa-
tização do método de cultura do sangue, entregando, dessa forma, resul-
tados com maior velocidade e precisão. As metodologias de hemocultura 
oferecem vantagens e desvantagens, as quais devem ser consideradas 
no momento de decidir qual metodologia utilizar.
Neste capítulo, você vai compreender o que é sepse e choque séptico, 
como eles ocorrem e quais são os agentes etiológicos mais comuns 
responsáveis pela sepse. Além disso, você irá conhecer, ao longo deste 
capítulo, o método semiautomatizado.
Sepse e choque séptico
O sangue é classificado como um tecido líquido e coloidal que é composto por 
diversos tipos celulares que se encontram suspensos no plasma, sua matriz 
extracelular. O sangue faz parte do sistema vascular e circula por todo o 
organismo. Em indivíduos sadios, o sangue é estéril, ou seja, não é possível 
identificar, nele, microrganismos potencialmente patogênicos.
A sepse, também conhecida como infecção generalizada, pode ser classi-
ficada como uma síndrome patológica complexa e potencialmente fatal. Ela 
ocorre em decorrência de uma resposta inflamatória sistêmica e exacerbada 
que se inicia frente a uma infecção, sendo as bactérias os agentes etiológicos 
mais frequentes nessa infecção inicial. 
Inflamação sistêmica é a forma que o organismo utiliza para combater 
o microrganismo patogênico. Como resposta, o sistema imunológico libera 
diversos mediadores químicos, que são transportados pelo sangue e causam 
a expansão da inflamação para diversas regiões do organismo, levando à 
disfunção e/ou falência de vários órgãos. A disfunção ou falência se deve, em 
geral, à queda da pressão arterial, à oxigenação celular e tecidual deficitária e 
a complicações relacionadas à coagulação sanguínea (BROOKS et al., 2014).
A fonte original da infecção mais comum são os pulmões, como nos casos 
de pneumonia, por exemplo, no entanto, essa infecção também pode se originar: 
 � nos rins ou na bexiga, por infecções urinárias;
 � no abdome, em decorrência de apendicite, peritonite ou infecções no 
fígado; 
 � na pele, devido a feridas, celulites ou aberturas realizadas para intro-
dução de cateteres; 
 � no Sistema Nervoso Central, decorrência por exemplo de meningites 
bacterianas.
Os sintomas mais comumente associados à sepse são: febre intensa, cala-
frios, falta de ar, suor intenso, desorientação, dor intensa, taquicardia e falta 
de ar.
A sepse pode ser classificada em três níveis distintos, tendo como critério 
o seu grau de evolução.
 � Sepse grau inicial: a infecção já causou a resposta inflamatória no 
sangue e o paciente apresenta, no mínimo, mais de dois sintomas ine-
rentes à sepse.
 � Sepse grave: grau de evolução em que a infecção já extravazou dos 
vasos sanguíneos, comprometendo o funcionamento de um ou mais 
órgãos do corpo.
 � Choque séptico: grau mais avançado e grave da sepse, no qual há uma 
queda abrupta na pressão arterial, que já não pode mais ser controlada 
ou restabelecida por medicação via intravenosa (IV), fato que ocasiona 
a falência de órgãos e eventualmente a morte do paciente.
Hemocultura2
O choque séptico é o grau de evolução da sepse com maior taxa de morta-
lidade (Figura 1), pois o paciente apresenta diversos sintomas em decorrência 
da pressão arterial muito baixa, como hipotermia nas extremidades do corpo 
(braços e pernas), calafrios, dificuldade para respirar e baixa taxa de produ-
ção de urina. Devido à baixa oxigenação do cérebro, há confusão mental e 
desorientação. Medidas emergenciais, nessa situação, incluem utilização de 
oxigênio suplementar, injeção de fluidos IV (p.ex., soro), antibioticoterapia 
e medicamentos para restabelecer a pressão arterial. A mortalidade de pa-
cientes que chegam ao grau de choque séptico está entre 30 e 40% dos casos, 
taxa extremamente elevada que denota a gravidade da sepse (GUAREZE; 
BORDIGNON, 2016).
Figura 1. Etapas da sepse. 
Fonte: Adaptada de Designua/Shutterstock.com.
2. Bactéria na 
corrente sanguínea
3. Saída
dos vasos 
sanguíneos
4. Disfunção 
dos órgãosMorte
1. Origens da 
infecção
3Hemocultura
Alguns parâmetros clínicos e laboratoriais, além de confirmarem e iden-
tificarem o agente etiológico no sangue, podem ser usados como referência 
para diagnosticar a sepse: 
 � temperatura corporal superior a 38°C ou inferior a 36°C;
 � frequência cardíaca superior a 90 batimentos por minuto;
 � frequência respiratória acima de 20/minuto ou PaCO2 (pressão parcial 
de gás carbônico) < 32 mmHg;
 � número de leucócitos sanguíneos > 12.000/µL ou < 4000/µL ou ainda 
> 10% de bastonetes + metamielócitos.
Os bastonetes são neutrófilos imaturos pertencentes à série branca do 
sangue. O fato de estarem em baixa quantidade pode indicar baixa produção 
de neutrófilos ou, até mesmo, a destruição dessas células, por outro lado, 
quando estão em alta quantidade, é possível que haja infecção bacteriana 
aguda. Os metamielócitos também são glóbulos brancos imaturos granulócitos 
que representam um estágio posterior ao dos mielócitos, e sua quantificação 
serve como indicativo de infecção. 
Os focos primários de infecção mais comuns que podem levar à sepse são 
(GUAREZE; BORDIGNON, 2016):
 � dispositivos intravasculares (19%);
 � trato geniturinário (17%);
 � trato respiratório (12%);
 � intestino e peritônio (5%);
 � pele (5%);
 � trato biliar (4%);
 � abscesso intra-abdominal (3%);
 � outros sítios (8%);
 � sítios desconhecidos (27%).
Hemocultura4
Agentes etiológicos na sepse
Diversos focos iniciais, infectados por vários agentes etiológicos, podem 
disparar a resposta inflamatória que resultará na sepse. Esses agentes são, 
em sua maioria, bactérias, como a S. pneumoniae, que infecta os pulmões 
causando pneumonia. A S. pneumoniae é, certamente, o agente etiológico 
mais frequente associado à sepse. As bactérias mais comuns e seus respectivos 
focos primários em pacientes não hospitalizados estão listados no Quadro 1.
Fonte: Adaptado de Levinson (2016).
Foco infeccioso primário Principais bactérias
Pele Staphylococcus aureus
Streptococcus pyogenes
Clostridium perfringens
Pulmão Streptococcus pneumoniae
Staphylococcus aureus
Haemophilus influenzae
Enterobactérias
Vias urinárias Escherichia coli
Intestino/abdome Enterobactérias
Anaeróbios — bacilos gram-negativos
Enterococcus faecalis
Meninge Neisseria meningitidis
Streptococcus pneumoniae
Haemophilus influenzae
Quadro 1. Principais agentes etiológicos relacionados à sepse e seus locais de infecção 
primários em pacientes não hospitalizados
Crianças são um grupo de risco suscetível à sepse, devido ao fato de que 
seu sistema imunológico ainda não está completamente maduro, assim como os 
pacientes hospitalizados, por ficarem expostos a diferentes patógenos. Nesses 
dois casos, os agentes etiológicos mais comuns são mostrados no Quadro 2 
(LEVINSON, 2016).
5Hemocultura
Fonte: Adaptado de Levinson (2016).
Paciente Principais bactérias
Crianças Streptococcus agalactiae
Haemophilus influenzae
Neisseria meningitidis
Staphylococcus aureus
Salmonella spp.
Pacientes hospitalizados Staphylococcus aureus
Klebsiella pneumoniae e 
outras enterobactérias
Pseudomonas aeruginosa
Acinetobacter baumannii
Enterococcus spp.
Quadro 2. Principais agentes etiológicos relacionados à sepse e seus locais de infecção 
primários em crianças e pacientes hospitalizadosO risco de contrair infecções que podem promover a sepse é reduzido drasticamente 
se estes princípios básicos forem obedecidos:
 � seguir corretamente o cronograma de vacinação das crianças;
 � não se automedicar e/ou usar antibióticos indiscriminadamente;
 � lavar as mãos frequentemente utilizando água e sabão;
 � ter em mente que a febre em crianças pode ser um sintoma inicial;
 � realizar o tratamento prescrito pelo médico respeitando os prazos.
Metodologia e aspectos da hemocultura
O diagnóstico de infecções sanguíneas é imprescindível para atingir o sucesso 
nos tratamentos. Ele depende de uma avaliação clínico-laboratorial acurada e 
criteriosa que seja capaz de identificar e tratar corretamente o patógeno que 
originou a infecção. O sangue circulante, em indivíduos sadios, normalmente 
se encontra estéril. Embora alguns microrganismos que compõem a microbiota 
respiratória ou gastrintestinal possam atingir o sangue, estes são rapidamente 
eliminados pelo sistema reticuloendotelial. 
Hemocultura6
Nos indivíduos portadores de doenças infecciosas, o microrganismo pa-
togênico, em geral bactérias ou fungos, pode cair na corrente sanguínea e 
expandir a infecção para diferentes órgãos e tecidos. Casos em que a invasão 
da corrente sanguínea ocorre sem grandes complicações são nomeados como 
bacteremia, diferentemente de infecções mais graves, como a sepse, na qual os 
microrganismos se propagam no sangue e induzem uma resposta inflamatória 
sistêmica (BROOKS et al., 2014). 
A hemocultura, metodologia que emprega a cultura de uma amostra de 
sangue em meios específicos, representa uma das ferramentas diagnósticas 
mais utilizadas em casos de suspeita de bacteremia ou sepse por ser de fácil 
execução e por fornecer informações altamente relevantes nesses casos. Por 
intermédio da hemocultura, é possível identificar a presença de patógenos 
viáveis no sangue, o que é de grande importância diagnóstica, já que estes 
podem causar sepse e são responsáveis por uma alta taxa de mortalidade. 
A hemocultura se torna mais importante em casos graves, nos quais o 
paciente apresenta febre persistente, mas sem acusar infecção em outros 
exames microbiológicos. Dos pacientes que chegam ao grau de sepse grave, 
30 a 50% apresentam resultados positivos de hemocultura. 
A coleta de hemoculturas não é realizada em todos os quadros infecciosos. 
Nos casos das infecções bacterianas mais comuns, por exemplo, não é indicada 
a coleta de hemoculturas, pois a positividade dos exames é baixa, gerando 
apenas aumento nos custos do tratamento e nenhum tipo de retorno. Para 
infecções como sinusites, amigdalites, infecções de pele e tecido subcutâneo, 
indica-se o tratamento com administração dos antibióticos descritos na lite-
ratura e empiricamente eficazes contra os agentes etiológicos.
A coleta de sangue para hemocultura é indicada nos seguintes casos: 
 � suspeita de endocardite;
 � suspeita de sepse ou bacteremia;
 � infecções hospitalares (antes ou após a troca de esquema de tratamento 
por antibióticos);
 � febre com origem desconhecida; 
 � infecções em pacientes imunodeprimidos;
 � meningites (em conjunto com a coleta de líquor — líquido cefalorra-
quidiano —, que é mais importante que a hemocultura nesses casos);
 � pneumonias graves.
A solicitação de hemoculturas é sempre realizada pelo médico assistente 
que é responsável pelo paciente. 
7Hemocultura
No vídeo do Conselho Regional de Farmácia do estado do Paraná disponibilizado no 
link a seguir, você poderá assistir à palestra Hemocultura, realizada pela farmacêutica 
Dra. Laura Gogo. O vídeo apresenta diversas informações relevantes sobre hemocultura.
https://qrgo.page.link/xxMks
Procedimentos e técnicas de hemocultura
Os materiais e equipamentos básicos para realizar a coleta do sangue são:
 � seringas hipodérmicas descartáveis estéreis; 
 � gaze estéril; 
 � frascos de coleta para armazenar o sangue;
 � agulhas hipodérmicas descartáveis estéreis e cateteres borboleta;
 � álcool 70% (pode ser iodado ou não);
 � estufa bacteriológica.
Alguns procedimentos são padrão para a rotina de coleta de sangue: 
 � realizar a coleta de sangue antes de iniciar qualquer terapia 
antimicrobiana;
 � deve-se coletar o periférico, que é imediatamente transferido para os 
frascos de hemocultura para evitar/mitigar a contaminação do sangue;
 � manipular as amostras com extrema cautela, pois estão potencialmente 
contaminadas e podem causar graves doenças infectocontagiosas; 
 � para descartar as amostras, estas devem ser primeiramente autoclavadas.
Hemocultura8
Os princípios da técnica são simples: 
 � o frasco de hemocultura contendo amostra de sangue é incubado na 
temperatura de 35 a 37°C por até sete dias (14 dias para casos de suspeita 
de endocardite); 
 � se houver crescimento no frasco, observado pela turvação e pelo au-
mento do volume, o material é repicado em placas de petri que conte-
nham diferentes tipos de meio de cultura, os quais variam de acordo 
com o agente etiológico; 
 � na triagem, identifica-se o agente etiológico e se determina seu perfil 
de acordo com a resposta a antibióticos e outros fármacos.
Alguns dos meios de cultura contidos nos frascos mais utilizados têm a 
composição apresentada a seguir. 
Meio TSB (caldo tríptico de soja, do inglês tryptic soy broth):
 � frascos contendo 9 (pediátrico), 45 ou 90 mL de meio TSB, nos quais 
são inoculados, respectivamente, 1, 5 ou 10 mL de sangue, resultando 
em uma proporção 1:10 de sangue e meio de cultura; 
 � adição de SPS (polianetol sulfonato de sódio) ou EDTA (ácido etileno-
diamino tetra-acético, do inglês ethylenediamine tetraacetic acid), que 
agem como anticoagulantes e inibem as atividades imunogênicas e as 
da enzima lisozima, impedindo, dessa forma, a fagocitose; 
 � CO2 e vácuo para garantir anaerobiose.
Alguns meios podem incluir sacarose, que serve como suporte osmótico, 
impedindo a lise e a dissolução das bactérias. 
Meio BHI (infusão cérebro e coração, do inglês brain heart infusion):
 � frascos com 45 mL de meio BHI, nos quais se inoculam 5 mL de sangue 
(proporção 1:10);
 � adição de SPS, CO2, processo de vácuo e PABA (ácido paraminoben-
zoico) para inibir as sulfonamidas.
9Hemocultura
No link a seguir, você terá acesso a um vídeo curto e didático no qual será demonstrada 
a forma correta de coletar sangue.
https://qrgo.page.link/Dwtw1
A quantidade e o volume das amostras coletadas varia de acordo com a 
idade e o peso do paciente (Quadro 3). Em geral, recomenda-se a coleta de 
duas amostras de hemoculturas, de locais diferentes, podendo chegar a quatro, 
não excedendo essa quantidade por haver aumento desnecessário dos custos 
do tratamento. A definição de amostra equivale a uma punção, que, depois 
de coletada, será dividida em dois frascos para adultos ou um frasco para 
pacientes pediátricos até 13 kg. Essa quantidade de coleta permite isolar o 
agente etiológico com sucesso em mais de 95% dos casos. 
Fonte: Adaptado de Araujo (2012).
Crianças 
até 13 kg
Crianças de 
13 a 36 kg
Crianças > 36 
kg e adultos
Frasco aeróbio 1 a 4 mL 5 mL 5 a 10 mL
Frasco 
anaeróbio
— 5 mL 5 a 10 mL
Volume total/
amostra
1 a 4 mL 10 mL 20 mL
Quadro 3. Volume da coleta de sangue para hemocultura e tipos de frascos
Hemocultura10
Cada punção realizada em adultos é, geralmente, dividida em dois frascos: 
um frasco para hemocultura de agentes aeróbios, como Neisseria spp. ou 
Pseudomonas spp., e um frasco para agentes anaeróbios (enterobactérias ou 
estafilococos, que são anaeróbios facultativos). Nas crianças, esses volumes 
mudam em função do peso e da volemia (quantidade de sangue circulante) 
(Quadro 4).
Fonte: Adaptado de Araujo (2012).
Peso (kg)
Volemia 
(mL)
Volume de sangue 
por amostra (mL)
Volume 
total de 
sangue 
p/ cultura 
(mL)
% da 
volemia
Cultura 
nº 1
Cultura 
nº 2
≤ 1 50 a 99 2 — 2 4
1,1 a 2 100 a 200 2 2 4 4
2 a 12,9 > 200 4 2 6 3
13 a 36 > 800 10 10 20 2,5
> 36 > 2.200 20 a 30 20 a 30 40 a 60 1,8 a 2,7
Quadro4. Volume de coleta de sangue sugerido para crianças e lactentes
O melhor momento para a coleta de hemoculturas é durante o aumento da 
febre ou no pico febril. Nos casos de suspeita de endocardite, em particular, 
indica-se a coleta de três ou mais amostras, porém, se houver suspeita de 
infecção sanguínea ligada ao cateter central, recomenda-se a coleta de duas 
hemoculturas e uma cultura de ponta de cateter. Nos casos em que o médico 
opta pela permanência do cateter, é possível coletar uma amostra de ponta 
de cateter e duas de sangue periférico (GUAREZE; BORDIGNON, 2016). 
Outras recomendações mais genéricas podem ser vistas no Quadro 5. 
11Hemocultura
Fonte: Adaptado de Araujo (2012).
Condição ou síndrome infecciosa Recomendações
Suspeita de bacteriemia ou 
fungemia primária ou secundária 
(endocardite, meningite, 
osteomielite, pneumonia, etc.)
Obter de duas a três amostras, 
uma após a outra, de diferentes 
sítios anatômicos logo após 
o início dos sintomas.
Febre de origem indeterminada 
(p. ex., abscessos ocultos, febre 
tifoide, brucelose ou outra síndrome 
infecciosa não diagnosticada)
Obter de duas a três amostras, uma 
após a outra, de diferentes sítios 
anatômicos, inicialmente. Se negativas 
nas primeiras 24 a 48 h de incubação, 
obter mais duas amostras, uma após a 
outra, de diferentes sítios anatômicos.
Suspeita de bacteriemia ou 
fungemia com hemoculturas 
persistentemente negativas
Considerar métodos alternativos 
de hemoculturas específicos 
para aumentar a recuperação 
de microbactérias, fungos ou 
microrganismos fastidiosos.
Quadro 5. Indicações de coleta de acordo com a suspeita de caso
Para realizar a leitura/diagnóstico da hemocultura manual, segue-se um 
protocolo de sete dias de incubação dos frascos, com agitação/inversão pe-
riódica destes, sendo essa agitação um fator essencial para obter resultados 
positivos. Durante esses sete dias, realizam-se subcultivos em placas e tanto 
os frascos quanto esses subcultivos ficam mantidos a 35 ± 2°C. 
Para o primeiro subcultivo (cultura cega), determina-se que este seja 
realizado depois de 12 a 18 h do início da hemocultura, em uma placa de 
ágar-chocolate com incubação em atmosfera de CO2, e incubado por pelo 
menos 48 h, observando-se diariamente o possível crescimento de UFCs 
(unidades formadoras de colônias). A análise visual dos frascos deve ser 
realizada diariamente, partindo-se das 6 às 12 h do início da hemocultura, 
visando a verificar sinais de hemólise, turbidez, produção de gás ou bolhas e 
crescimento de biofilmes ou grumos, ou seja, qualquer alteração física visível 
no conteúdo do frasco até o sétimo dia de cultura que sinalize a possibilidade 
de positividade. No caso de detecção de alterações, realiza-se um subcultivo 
imediato da amostra e a preparação de uma lâmina para a microscopia a ser 
usada em coloração de Gram (ARAUJO, 2012).
Hemocultura12
O manual disponibilizado no link a seguir, elaborado pelo Ministério da Saúde em 
conjunto com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), fornece diversas 
informações sobre boas práticas em análises clinicas, incluindo a maneira como pro-
ceder em hemoculturas.
https://qrgo.page.link/huoHz
Métodos automatizados de diagnóstico por 
hemocultura
Além do método de hemocultura manual, existem outros métodos que se 
mostram muitas vezes mais eficientes, como os semiautomatizados e os 
automatizados. 
Método de lise-centrifugação 
Esse sistema foi considerado o padrão-ouro para hemoculturas durante muitos 
anos. Ele foi desenvolvido pelos laboratórios Wampole™ (sistema Isolator®) e 
é constituído de tubo a vácuo para sangue pediátrico ou adulto. O tubo contém 
uma substância hemolítica para leucócitos e hemácias, causando, portanto, 
a liberação de microrganismos intracelulares. Depois disso, os tubos são 
centrifugados e é desprezado o sobrenadante. O pellet formado, que possi-
velmente contém o agente etiológico, é então utilizado para semear algum 
meio em placa de cultura, incluindo-se meios para Legionella, micobactérias 
e fungos (ARAUJO, 2012).
13Hemocultura
Método semiautomatizado 
Nos sistemas semiautomatizados, os frascos de cultura são constituídos de 
uma parte para laminocultivo com duas faces, que ficam acoplados à parte 
superior de um recipiente plástico que contém TSB suplementado com ex-
trato de levedura e SPS, sendo possível acrescentar outras substâncias com a 
finalidade de neutralizar agentes antimicrobianos. O laminocultivo contêm 
diversos meios, como ágar Sabouraud, ágar MacConkey e ágar-chocolate. 
Os frascos inferiores que ficam acoplados ao laminocultivo são alocados em 
estufa específica que verte os caldos periodicamente sobre o laminocultivo 
por inversão. 
No frasco, há também um indicador colorimétrico de CO2 que acusa a 
positividade da cultura. Outros exames, como a identificação etiológica, o an-
tibiograma e a bacterioscopia, são realizados retirando colônias desenvolvidas 
diretamente no laminocultivo, sem a necessidade de subcultivo (ARAUJO, 
2012).
Acesse o link a seguir e assista a um vídeo curto e didático que mostra o funcionamento 
de um equipamento de hemocultura semiautomatizado com diversos frascos em 
seu interior.
https://qrgo.page.link/3Sfg7
Método automatizado
A hemocultura automatizada requer um equipamento específico para a in-
cubação e a inversão dos frascos (Figura 2). Existem diversos equipamentos 
automatizados no mercado, e as principais vantagens desse tipo de hemocul-
tura, quando comparada ao método manual, dizem respeito à velocidade de 
obtenção de resultados e à menor necessidade de trabalho laboratorial técnico. 
Hemocultura14
Figura 2. Equipamento automatizado de hemocul-
tura com amostras contidas nos frascos de coleta.
Fonte: Tajang/Shutterstock.com.
Grande parte dos protocolos recomenda cinco dias de incubação, no en-
tanto, os resultados positivos são obtidos, majoritariamente, nas primeiras 
48 h de cultivo.
Na maioria dos equipamentos automatizados, as metodologias têm como 
princípio tecnológico a detecção fluorimétrica ou colorimétrica. Existem 
outras diversas vantagens e benefícios ao usar essa metodologia, tais como:
 � monitoramento contínuo (leituras intervaladas em minutos); 
 � maior sensibilidade e rapidez para detecção da positividade da amostra 
(agitação);
 � possibilidade de criação de um banco de dados contendo informações 
dos patógenos isolados e a sua localização demográfica; 
 � mitigação do risco de contaminação; 
 � amostras negativas não são repicadas; 
 � economia de tempo (resultados mais rápidos) e de insumos; 
 � risco de contaminação durante a manipulação praticamente inexistente; 
15Hemocultura
 � como são usados frascos de plástico, estes são mais leves e oferecem 
menor risco associado a acidentes.
Como principal desvantagem, o custo financeiro da utilização do método 
ainda é alto, muitas vezes sendo mais aconselhável utilizar o método manual. 
Nos laboratórios grandes, que dispõem de recursos financeiros e aplicam as 
metodologias automatizadas, é comum o uso de meios de cultura com resinas 
ou carvão ativado, pois estes causam a inibição da ação de antimicrobianos e 
são extremamente úteis nos casos em que os pacientes já receberam antibio-
ticoterapia prévia à hemocultura.
Em relação aos frascos, os utilizados para cultivos aeróbios precisam ter 
uma área suficiente de volume de ar que permita o crescimento de bactérias 
aeróbias estritas, como, por exemplo, P. aeruginosa e algumas leveduras, 
já os anaeróbios devem ter uma mistura de gases livres que não contenha 
oxigênio, mantendo-se o vácuo durante a coleta. No que diz respeito aos 
meios de cultivo, entre as diversas marcas e variedades, os desempenhos 
são muito semelhantes quanto à identificação dos patógenos mais frequentes 
(GUAREZE; BORDIGNON, 2016). 
ARAUJO, M. R. E. Hemocultura: recomendações de coleta, processamento e interpre-
tação dos resultados. Journal of Infection Control, v. 1, n. 1, p. 8−19, 2012.
BROOKS, F. et al. Microbiologiamédica de Jawetz, Melnick e Adelberg. 26. ed. Porto Alegre: 
AMGH, 2014. (Lange).
GUAREZE, G. M.; BORDIGNON, J. C. Estudo comparativo entre hemocultura automa-
tizada e manual em um laboratório do sudoeste do Paraná, Brasil. Revista RBAC, v. 48, 
n. 3, 2016. Disponível em: http://www.rbac.org.br/artigos/estudo-comparativo-entre-
-hemocultura-automatizada-e-manual-em-um-laboratorio-do-sudoeste-do-parana-
-brasil-48n-3/. Acesso em: 5 out. 2019.
LEVINSON, W. Microbiologia e imunologia médicas. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. 
(Lange).
Hemocultura16
Leituras recomendadas
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de procedimentos básicos em microbiologia clínica 
para o controle de infecção hospitalar. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009. Disponível 
em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_microbio-
logiaclinica_controle_infechospitalar.pdf. Acesso em: 5 out. 2019.
COLETA de hemocultura. 2018. 1 vídeo (3 min). Publicado pelo canal Conhecendo 
Análises Clínicas. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=GaVl7TCYbOs. 
Acesso em: 5 out. 2019.
ESTUFA Hemobac Trifásico ®: Probac do Brasil. 1 vídeo (29 seg). Publicado pelo canal 
ProbacdoBrasil. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=iKoBwPPZqGo. 
Acesso em: 5 out. 2019.
PALESTRA: hemocultura. 2014. 1 vídeo (27 min). Publicado pelo canal Conselho Re-
gional de Farmácia do Estado do Paraná. Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=qkx-yz2W5yE&t=76s. Acesso em: 5 out. 2019.
17Hemocultura

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