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gente criando o futuro
EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES
ÉTNICO-RACIAIS
Organizadora Glória Freitas
EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES
ÉTNICO-RACIAIS
Organizadora Glória Freitas
Educação das Relações Étnico-Raciais
GRUPO SER EDUCACIONAL 
C
M
Y
CM
MY
CY
CMY
K
SUMÁRIO
UNIDADE 01
Explicando a diversidade cultural como característica da 
nossa formação humana e nacional 12
Explicando a diversidade cultural como característica da 
nossa formação humana e nacional: conceito de diversidade 
cultural 12
Explicando a diversidade cultural como característica da nossa 
formação humana e nacional e a presença dela na escola 21
Reconhecendo o discurso pedagógico da diversidade 27
Entendendo a introdução a educação étnico-racial 40
Entendendo a introdução a educação étnico-racial: conceitos 
de etnia e raça 40
Entendendo a introdução a educação étnico-racial na realidade 
brasileira 42
Analisando os fundamentos legais para a educação das 
relações étnico-raciais 46
UNIDADE 02
Reconhecendo o contato com a realidade de outro: 
histórias, culturas e sociedades africanas (literatura, arte, 
língua e cultura africanas e afro-brasileiras) 60
Reconhecendo o contato com a realidade de outro e o conceito 
de alteridade 60
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 6ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 6 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Reconhecendo o contato com a realidade de outro: histórias, 
culturas e sociedades africanas (literatura, arte, língua e 
cultura africanas e afro-brasileiras) 69
Definindo o outro: o negro na sociedade brasileira, as relações 
raciais, contribuições da matriz africana nas artes brasileiras 
e a resistência negra no Brasil 76
Relembrando o contato com a realidade do outro: histórias, 
culturas e sociedades ameríndias e os diversos povos indígenas 
do Brasil: culturas indígenas no Brasil. (literatura, arte, língua 
e cultura indígenas brasileiras) 87
Nomeando o outro: os povos indígenas na sociedade brasileira, 
as relações raciais, contribuições dos povos indígenas nas artes 
brasileiras e resistência indígena no Brasil 95
UNIDADE 03
Refletindo sobre a diversidade cultural e sobre o respeito 
às diferenças 108
Refletindo sobre a diversidade cultural e sobre o respeito às 
diferenças: questões iniciais e essências sobre diversidade e 
diferenças nas práticas pedagógicas 108
Refletindo sobre a diversidade cultural e sobre às diferenças, nas 
práticas pedagógicas: diferenças ambiental-ecológica, étnico-
racial, de gêneros, faixas geracionais, classes sociais, religiões, 
necessidades especiais, escolhas sexuais, entre outras 112
Aplicando a diversidade cultural brasileira na prática 
docente 122
Aplicando a diversidade cultural brasileira na prática docente: 
histórias, pensamentos e conquistas 122
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 7ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 7 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Aplicando a diversidade cultural brasileira na prática docente: 
refletindo sobre o futuro do respeito às diferenças 132
Desenvolvendo uma prática pedagógica que contemple o 
outro e suas semelhanças e diferenças 138
Avaliando a necessidade de repensar o papel do educador 
diante da diversidade cultural 146
UNIDADE 04
Reconhecendo a escola como espaço privilegiado de encontro 
das diferenças 154
Desenvolvendo metodologia de ensino em educação das 
relações étnico-raciais 162
Desenvolvendo metodologia de ensino em educação das 
relações étnico-raciais: questões conceituais 162
Desenvolvendo metodologia de ensino em educação das 
relações étnico-raciais, na busca de reflexivas e criativas 
práticas 166
Produzindo uma educação voltada às relações étnico-
raciais 173
Planejando currículo e práxis pedagógica voltados a 
diversidade cultural e etnicorracial: questões iniciais sobre 
currículo e práxis pedagógica 180
Planejando currículo e práxis pedagógica voltados a diversidade 
cultural e etnicorracial: recomendações curriculares legais 
brasileiras 184
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 8ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 8 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais 9
UNIDADE
01
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 9ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 9 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais10
Olá! Você estudará nesta unidade acerca da diversidade 
cultural como característica da nossa formação humana e 
nacional e o discurso pedagógico da diversidade, especialmente 
no ambiente escolar. Além disso, veremos sobre a educação 
a partir dos conceitos de etnia e raça, sobretudo na realidade 
brasileira. E ainda, analisaremos os fundamentos legais da 
educação das relações étnico-raciais. Preparado(a)? Ao longo 
deste estudo você vai mergulhar neste universo!
INTRODUÇÃO
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 10ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 10 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais 11
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo 
é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
OBJETIVOS
1 Entender a diversidade cultural como característica da nossa formação humana e nacional;
2 Reconhecer o discurso pedagógico da diversidade;
3 Compreender os conceitos básicos da educação étnico-racial;
4 Analisar os fundamentos legais para a educação das relações étnico-raciais.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo 
ao conhecimento? Ao trabalho!
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 11ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 11 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais12
Explicando a diversidade cultural como 
característica da nossa formação humana 
e nacional
Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer a 
diversidade cultural como característica da nossa formação 
humana e nacional e o Discurso Pedagógico da Diversidade, o 
conceito de Diversidade Cultural e a presença da Diversidade 
Cultural na escola. Conseguirá explicar a Diversidade Cultural 
como Característica da nossa Formação Humana e Nacional. 
Será capaz de reconhecer o Discurso Pedagógico da Diversi-
dade e entender a introdução a Educação Étnico-Racial. Por fim, 
será capaz de analisar os Fundamentos Legais para a Educação 
das Relações Étnico-Raciais. Isto será fundamental para o 
exercício de sua profissão. Isto será fundamental para a sua 
compreensão sobre a Diversidade Cultural como Característica 
da nossa Formação Humana e Nacional e o Discurso Pedagógico 
da Diversidade. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então vamos lá. Avante!
OBJETIVO
Explicando a diversidade cultural como 
característica da nossa formação humana 
e nacional: conceito de diversidade 
cultural
Vamos começar explicando a Diversidade Cultural como 
Característica da nossa Formação Humana e Nacional, e isso requer 
a busca do conceito de Diversidade Cultural para conseguirmos 
melhor explicá-la. Você já conhece a expressão Diversidade 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 12ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 12 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais 13
Cultural? Em algum momento de sua formação estudantil já leu 
ou ouviu que a Diversidade Cultural seria algo relevante na nossa 
formação humana e na formaçãodo Povo Brasileiro? Já ouviu 
alguém falando sobre a importância de os futuros educadores 
reconhecerem as diversidades culturais que aparecem dentro de 
sala de aula? E ouviu professores falando sobre isso?
Estas e outras indagações levam a uma questão inicial 
e que precisará ser respondida: afinal, qual é o significado de 
Diversidade Cultural? Diversidade pode significar variedade, 
diferença e multiplicidade. A diferença é qualidade do que é 
diferente; o que distingue uma coisa de outra, a falta de igualdade 
ou de semelhança (ABRAMOVICH, 2006, p. 12).
Diversidade Cultural remete ao termo cultura. Cultura está 
relacionada a todo aquele complexo que inclui o conhecimento, 
a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos 
e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, 
como também por fazer parte de uma sociedade da qual é 
membro. Em 1871, cultura foi definida por Edward Burnett 
Tylor, na sua obra “Acultura primitiva”, é todo o complexo de 
conhecimentos, artes, moral, crenças, costumes, leis, costumes, 
capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem, como membro e 
dentro da sociedade (TYLOR, 1871). 
Entendemos que cultura não pode ser pensada de forma 
singular. O mais certo é dizer culturas, sempre no plural, 
lembrando que são mutantes, ou seja, mudam os valores, leis, 
práticas. São múltiplas as crenças e variadas às práticas. Como 
são diversificadas as instituições, dentre das diferentes formações 
sociais! Na realidade, é verdadeiro afirmar que dentro de uma 
sociedade, como a brasileira, por exemplo, caracterizada por 
ser, como qualquer outra, temporal e histórica, que aconteçam 
muitas transformações culturais (CHAUÍ, 1995).
Claro que os futuros professores necessitarão de reflexões 
sobre a definição de cultura. Ou seriam definições? O que é 
inegável é que você pertence a uma cultura local, situada em uma 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 13ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 13 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais14
determinada região do Brasil, e na região em que você vive existem 
distintos grupos sociais. Existem no Brasil minorias étnicas como 
os Povos Indígenas ou Povos Originários do Brasil. E existe uma 
cultura universal e que é patrimônio da humanidade. 
A cultura é um processo de humanização que imprime 
significados da vida social. Em sociedades plurais, como a 
sociedade brasileira, convivem diferentes matrizes culturais, 
diferentes idiomas culturais. Cada uma das culturas consigna uma 
visão de mundo, um quadro próprio de referência, seus próprios 
modos de pensar, de conhecer, de sentir, de fazer, de ser. Assim 
é comum que cada cultura desenvolva seus próprios sistemas de 
classificação, capaz de organizar o real, em conformidade com 
a sua própria lógica simbólica. Sendo assim as distintas culturas 
carregam suas dessemelhanças. Não são mesmo iguais, são 
diversas, são diferentes. Pensando na nossa realidade brasileira, 
a nossa diversidade cultural é resultante da sociedade plural que 
somos de norte ao sul desse imenso país.
Figura 1 
Fonte: freepik
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 14ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 14 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais 15
Como querer afirmar que somos sujeitos submetidos a 
uma cultura única e indivisível, chamada Cultura Nacional 
Brasileira? Como somos pertencentes a esta sociedade plural, 
decorrente disso surge esta vastidão de diversidades culturais, 
neste país chamado Brasil. O que não quer dizer que tudo é 
pacífico, integrado e ocorra em uma perfeita união entre tantas 
diversidades culturais. Algo impede uma maior comunicação 
entre nossas diversidades culturais. 
Diante disso, o que dificulta e impede é o fato de estarmos 
imersos na ideia etnocêntrica de que algumas diversidades 
culturais são superiores ou melhores que outras. O que impede que 
sejamos capazes de reconhecer e respeitar as alteridades, aquilo 
que o outro é e representa diferente de si. E isso causa exclusões 
ou desrespeitos às outras diversidades culturais. Ou seja:
Embora se intercomuniquem, essa comunicabilidade é 
regida pelo ordenamento social de natureza etnocêntrica 
que estrutura as relações de alteridade em nossa sociedade. 
Os mecanismos de integração, assimilação, disjunção 
e troca, na medida em que orientados etnocentrica- 
mente, configuram uma dinâmica assimétrica, exclu-
dente. (BANDEIRA, 2003, p. 143)
Diversidade cultural pode ser conceituada como a 
representação, dentro de um sistema social, de pessoas afiliadas 
aos grupos distintamente diferentes, do ponto de vista de 
significado cultural (HANASHIRO; CARVALHO, 2005). 
Trazendo a luz à discussão das diversificadas expressões 
culturais, entre diferentes grupos, majoritários ou minoritários. 
Outra forma de conceituar Diversidade Cultural, levando em 
conta a ideia de Identidade Cultural (o que se relaciona com as 
certezas que temos de pertencimento a uma determinada cultura), 
é afirmar que se trata de um conjunto imenso de pessoas, que 
não partilham das mesmas identidades grupais, suas identidades 
enquanto pertencentes a grupos são distintas e bem delimitadas, 
mesmo que vivam no mesmo sistema social.
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 15ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 15 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais16
O autor completa que, a diversidade cultural englobaria os 
mais diversos grupamentos humanos, percorrendo um caminho 
que passa por raça e por gênero, dando conta de abarcar a idade, 
história pessoal e corporativa, formação educacional, função 
e personalidade. Inclui, também, estilo de vida, preferência 
sexual, origem geográfica.
Além disso, existem conceituações que diferenciam dimen- 
sões primárias, definidas como diferenças humanas imutáveis, 
tais como idade, etnia, gênero, raça, orientação sexual e habili-
dades físicas; e diferenças secundárias mutáveis: como formação 
educacional, localização geográ-fica e experiência de trabalho.
Nas nossas ações sociais e culturais demonstramos que 
cada um de nós passa por um processo de produção da iden-
tidade e de diferença. E isso nos diferencia uns dos outros. E 
que precisam ser respeitados socialmente e no âmbito das 
instituições que frequentamos, principalmente na escola. Os que 
trabalham na escola devem ir além da tolerância, do respeito às 
diferenças, com relação a identidade e diferença de cada aluno, 
e isso começa por procurar entender como são produzidas as 
identidades culturais.
A diversidade biológica pode ser um produto da 
natureza; o mesmo não se pode dizer da diversidade 
cultural. A diversidade cultural não é, nunca, um 
ponto de origem: ela é, em vez disso, o ponto 
final de um processo conduzido por operações de 
diferenciação. Uma política pedagógica e curricular 
da identidade e da diferença tem a obrigação de ir 
além das benevolentes declarações de boa vontade 
para com a diferença. Ela tem que colocar no seu 
centro uma teoria que permita não simplesmente 
reconhecer e celebrar a diferença e a identidade, 
mas questioná-las. (SILVA,2000, p. 100)
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 16ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 16 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais 17
É interessante começar a busca pelos significados da 
expressão Diversidade Cultural, destacando o cuidado e diferen-
ciando-a do senso comum, daquilo que costumamos ouvir e de 
opiniões pessoais. Diversidade Cultural não é fazer a defesa de 
que o nosso país, o Brasil, é pluriétnico (formadopor muitas etnias 
diferentes, tanto autóctones (nativas) ou que vieram de outros 
continentes como o africano, europeu e asiático, e é pluricultural 
(diferentes culturas estão presentes na nossa realidade).
Não devemos confundir diversidade cultural com uma polí-
tica universalista, de maneira a contemplar o todo, todas as formas 
culturais, todas as culturas, como se pudessem ser dialogadas, 
trocadas (ABRAMOVICH; RODRIGUES; CRUZ, 2011, p. 94). 
Passando uma impressão errônea que a diversidade cultural seria o 
campo esvaziado da diferença, ou seja, a diversidade cultural acaba 
por abolir diferenças profundas e intensas das pessoas e de seus 
grupos sociais de pertencimento. Isso não é verdade!
A diversidade Cultural precisa ser diferenciada das expli-
cações que aniquilem as desigualdades. Já que as desigualdades 
são reais e expressas em muitos modos, inclusive pelas mani-
festações culturais de distintos grupos sociais. 
Há desigualdades irreconciliáveis, seja de poder, seja 
das classes sociais, mas isto é obscurecido. Portanto, há 
muitas maneiras de esvaziar aquilo que são diferenças 
que é o contrário da construção identitária, pois cabe 
às diferenças: borrá-las. Em relação à diversidade 
supõe-se que a troca se realiza entre homens livres e 
iguais, o que sabemos não existe.(ABRAMOVICH; 
RODRIGUES; CRUZ, 2011, p. 94)
O instigante tema diversidade cultural convoca a um 
posicionamento crítico e político, solicitando um novo olhar. E 
é mais ampliado que consiga abarcar os seus múltiplos recortes. 
Diante de uma realidade cultural e racialmente miscigenada, 
como é o caso da sociedade brasileira, essa tarefa torna-se ainda 
mais desafiadora.
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 17ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 17 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais18
Ao falar em diversidade cultural, entram em cena partes 
consideráveis da população brasileira: negros, índios, mulheres, 
homossexuais e pessoas com deficiência, ganham visibilidades 
às lutas que estes grupos travaram, ao longo da história do 
Brasil, batalhas para garantir às suas diversidades e o clamor 
por políticas públicas que sejam capazes de atender os seus 
anseios. É interessante ressaltar que alguns sujeitos e grupos vão 
à luta para garantir suas visibilidades e em busca de políticas 
públicas afirmativas, como os Povos Indígenas Brasileiros e os 
Afrodescendentes. É perceptível que:
[...] imigração, gênero, sexualidade, raça, etnia, religião 
e língua são os principais fatores que desencadearam um 
processo de mobilização e discussão sobre a diversidade, 
sendo que em vários contextos esses fatores estão inter-
relacionados ou interseccionados. (ABRAMOVICH; 
RODRIGUES; CRUZ, 2011, p. 87)
É possível entender diversidade cultural como sendo 
as diferenças construídas culturalmente, tornando-se, então, 
empiricamente observáveis; e ainda podemos entender como 
diversidade cultural as diferenças também construídas ao longo 
do processo histórico, nas relações sociais e nas relações de 
poder. Muitas vezes, os grupos humanos tornam o outro diferente 
para fazê-lo inimigo, para dominá-lo.
Gomes (2003) fala que, tratar da diversidade cultural 
vai além de reconhecer o outro, saber da existência dele com 
e na sua diferença. Constituem pensar a relação entre o Eu e 
o Outro. Eis o encantamento em discutir sobre a diversidade. 
Ao considerarmos o outro, o diferente, não deixamos de focar a 
atenção sobre o nosso grupo, a nossa história, o nosso povo. Ou 
seja, falamos o tempo inteiro em semelhanças e diferenças.
Diversidade cultural vai além do ato de analisar um com-
portamento individual. E ainda exige uma discussão política, em 
razão de a diversidade cultural tratar das relações estabelecidas 
entre os grupos humanos, e por isso mesmo não está fora das 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 18ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 18 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais 19
relações de poder. Ela diz respeito aos padrões e aos valores que 
regulam essas relações (GOMES, 2003, p. 72).
Ao relacionar a discussão da diversidade cultural inseridas 
nas atividades escolares é necessário impedir que ele seja pensado 
como um tema transversal. Muito mais do que um tema ou um 
conteúdo a ser incluído no currículo, a diversidade cultural é um 
componente do humano. Ela é constituinte da nossa formação 
humana. Somos sujeitos sociais, históricos, culturais e, por isso, 
mesmo diferentes (GOMES, 2003, p. 73).
Quando a educação se volta para a garantia da diversidade 
cultural, realiza um direito das crianças. E, ainda, faz das 
diferenças um trunfo, explorá-las na sua riqueza, possibilitar a 
troca, proceder como grupo, entender que o acontecer humano 
é feito de avanços e limites. O que significa abrir conexões 
entre tantos elementos distintos da vasta cultura brasileira. Em 
uma busca intensa pelo novo e capaz de incentivar as vidas dos 
educandos, devendo levar os educadores a buscar a adoção de 
práticas pedagógicas, sociais e políticas em que as diferenças 
sejam entendidas como parte de nossa vivência e não como algo 
exótico e nem como desvio ou desvantagem.
A diversidade é uma mistura de pessoas, detentoras de 
identidades distintas, mas interagindo em um só sistema social. 
Nesses sistemas, coexistem grupos de maioria e de minoria. Os 
grupos de maioria são os grupos cujos membros historicamente 
obtiveram vantagens em termos de recursos econômicos e de 
poder em relação aos outros.
Ao falar diversidade cultural aparece à necessidade de 
saber o que queremos dizer com a palavra Diversidade e com 
a palavra Cultura, e, posteriormente será possível chegar a um 
significado para a expressão Diversidade Cultural.
A diversidade cultural é a riqueza da humanidade. 
Para cumprir sua tarefa humanista, a escola precisa 
mostrar aos alunos que existem outras culturas além 
da sua. Por isso, a escola tem que ser local, como 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 19ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 19 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais20
ponto de partida, mas tem que ser internacional e 
intercultural, como ponto de chegada. Autonomia 
da escola não significa isolamento, fechamento 
numa cultura particular. Escola autônoma significa 
escola curiosa, ousada, buscando dialogar com todas 
as culturas e concepções de mundo. Pluralismo 
não significa ecletismo, um conjunto amorfo de 
retalhos culturais. Significa sobretudo diálogo com 
todas as culturas, a partir de uma cultura que se 
abre as demais. (GADOTTI, 1992, p. 23)
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à 
seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: Educação 
para a Diversidade: uma prática a ser construída na Educação 
Básica (Silva, 2007), acessível pelo link: https://bit.ly/2MDZSVR. 
(Acesso em 19/12/2019).
SAIBA MAIS
Figura 2: Cerimônia de encerramento da nona edição dos Jogos dos Povos Indígenas (Olinda PE)
Fonte: Wikimedia Commons
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 20ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 20 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais 21
Explicando a diversidade cultural como 
característica da nossa formação humana 
e nacional e a presença dela na escola.
Você já é capaz de explicar a diversidade cultural como 
característica da nossa formação humana e nacional e conceituar 
diversidade cultural? Agora, você vai será desafiado a conseguir 
explicar a diversidade cultural como característica da nossa 
formação humana e nacional, e refletir sobre a presençadela na 
escola.
As reflexões e publicações sobre temas como diversidade 
cultural, na sua relação com as minorias, impôs como um tema 
proeminente, em países da América do Norte - Canadá e Estados 
Unidos. Desde a década de 60, os movimentos políticos a favor 
da integração racial levaram à promulgação de leis visando à 
igualdade de oportunidades de educação e ao emprego para 
todos (FLEURY, 2000, p.19).
Zelosos dos seus importantes papéis, os educadores 
deverão agir para integrar as diversidades culturais que coexistam 
dentro da escola e da sala de aula, instaurando um respeito as 
alteridades, aos outros e aos alunos.
Levando em consideração os discursos simbólicos que 
consigam justificar as relações de alteridade, o formato 
e a maneira como esses discursos se reproduzem ou de 
como enfatizam determinados fragmentos temáticos, 
oportunos em dada situação, momento ou contexto 
particular, sempre transformando a diferença em 
desigualdade (BANDEIRA, 2003, p. 143)
Estar em uma escola, aprendendo ou lecionando, representa 
momentos significativos para ter contato e adquirir elementos 
importantes da cultura universal. Bem como é uma oportunidade de 
aprender a lidar com as diferenças locais, regionais, de cada grupo 
social, raciais, de gênero e convivendo com as minorias étnicas.
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A diversidade étnico-cultural nos mostra que os 
sujeitos sociais, sendo históricos, são, também, 
culturais. Essa constatação indica que é necessário 
repensar, rompendo com as práticas seletivas, 
fragmentadas, corporativistas, sexistas e racistas. 
(GOMES e GONÇALVES e SILVA, 2006, p. 25)
Dentro desta perspectiva, cabe ao educador, ao deparar-se 
com as diversas manifestações culturais populares ou culturas 
da cidadania, agir respeitando-as e dando-lhes vozes, dentro da 
escola. Cultura popular seria, na perspectiva de Paulo Freire, 
tomada de consciência da realidade nacional, para produzir 
transformações e criar formas de relações sociais e políticas; 
significa consciência de direitos, possibilidade de criar novos 
direitos e capacidade de defendê-los contra o autoritarismo, a 
violência (simbólica ou não) e o arbítrio.
Interessará, certamente, a cada futuro educador, usar seu 
tempo na universidade, para preparar e consolidar, um modo 
adequado e consistente para o exercício do magistério, focado na 
realidade de que os alunos trazem múltiplas expressões de distintas 
culturas, implicando a necessidade de a educação ser multicultural, 
pluralista (não são homogêneos mesmos os alunos, como não 
somos homogêneos os brasileiros). E, as futuras ações didáticas 
deverão ser focadas no respeito à cultura de cada aluno, portanto, 
democrática. Cada educador deverá estar disposto a instaurar 
a equidade e o respeito mútuo, superando preconceitos de toda 
espécie, principalmente os preconceitos de raça e de pobreza.
O que significa que o professor deverá ter respeito aos 
direitos dos alunos e que ninguém poderá deixar de matriculado 
e de permanecer na escola por qualquer tipo de preconceito. 
Neste sentido, os estudantes universitários que estão almejando 
os exercícios do magistério deverão aprender sobre a importância 
da renovação dos conteúdos culturais escolares, fazendo dialogar 
com a educação regular (aquela que acontece nas salas de aula), 
com os conteúdos aprendidos no âmbito da educação não-formal, 
firmando compromissos com uma educação para a equidade.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 23
Figura 3
Fonte: freepik
Isso acontece quando se leva a sério a diferença cultural. 
O respeito aos direitos humanos é fator para a democracia e, 
justamente, democracia e direitos humanos não se constituíram, 
a não ser muito recentemente e com exceções, em conteúdos 
nodais da escola brasileira.
É preciso experimentar uma educação multicultural, 
focada no que é universal e ao mesmo tempo é específico de um 
povo. Toda escola deve abrir os horizontes de seus alunos para 
a compreensão de outras culturas, de outras linguagens e modos 
de pensar, num mundo cada vez mais próximo, procurando 
construir uma sociedade pluralista e interdependente.
As crianças chegam às escolas e carregam suas condições 
sociais próprias e relacionadas aos grupos sociais que pertencem. 
É necessário perceber que elas não são apenas portadoras 
de especialidades biopsicológicas. Os educadores precisam 
entender que a infância é uma construção social. Infância é 
distinta de imaturidade biológica, não é natural nem universal 
e aparece como componente estrutural de muitas sociedades 
(ROCHA; COSTA, 2014, p.85). 
Por isso, é importante verificar as relações sociais em que 
as crianças estão inseridas, ao mesmo tempo em que devem 
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Educação das Relações Étnico-Raciais24
ser vistas como participantes do mundo social e produtores de 
culturas diversas. Devem ser vistas como ativas na construção e 
determinação das suas próprias vidas, das vidas dos que cercam 
e das sociedades onde vivem. Crianças não são sujeitos passivos 
das estruturas.
As crianças interagem com muitos subgrupos etários e 
não ficam estáticos nas suas capacidades de ação, de expressar 
sentimentos e pensamentos, de movimentar-se com autonomia. 
É importante lembrar que as crianças são constituídas como seres 
sociais, e assim sendo disseminam-se pelos diversos modos de 
estratificação social: a classe social, a etnia a que pertencem, 
a raça, o gênero, a região do globo onde vivem. Os diferentes 
espaços estruturais diferenciam profundamente as crianças. 
(SARMENTO, 2005, p. 370)
Vamos a um exemplo prático, ao comparar um menino 
europeu, na faixa etária entre 6 e 12 anos, pertencente a etnia 
dominante europeia e de raça branca, com família submetida 
as condições econômicas favoráveis e possuindo maiores 
possibilidades de viver com saúde, que tem acesso e permanência 
escolar garantidos, com seus direitos de brincar, ser alimentado 
suficientemente, portar boas roupas, ter brinquedos, viver em 
uma boa casa e ter horas de lazer favorecidas, em comparação 
com uma menina da América do Sul, na Índia ou África, vinda das 
classes populares e mais empobrecidas sul-americanas, indianas 
ou africanas, é imprescindível entender que a diversidade social 
e cultural distingue este menino europeu destas meninas que 
vivem em condições econômicas precárias, em seus distintos 
continentes. Isso significa que são bastante menores, neste caso, 
as possibilidades de estudar, brincar e aceder a bens de consumo, 
e muito maiores as possibilidades de estar doente e de ter sobre 
os ombros as responsabilidades e os encargos domésticos.
As crianças demandam tratamentos que levem em conta a 
diversidade que as tornam os sujeitos que são. Não é justo que o 
educador, na sala de aula, as veja parcialmente. É imperativo que 
os professores façam distinções efetivas, conceituais, semânticas 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 25
(processos de referenciação e significação próprias das crianças 
sobre a infância e suas diversidades culturais, sintáticas (relativas 
às regras de articulação entre os elementos simbólicos) e 
morfológicas (referentes a especificaçãodas formas que adotam 
os elementos característicos das culturas da infância).
Desta forma, cabe ao professor entender que a criança 
enquanto um sujeito concreto que integra essa categoria 
geracional e que, na sua existência, para além da pertença a um 
grupo etário próprio, é sempre um ator social que pertence a 
uma classe social, a um gênero etc. Assim, cada criança deverá 
ser tratada como um sujeito que vive mergulhado à sua própria 
diversidade cultural, e que poderá até coincidir em alguns 
elementos com as culturas de seus professores, mas difere em 
muitos pontos e precisará ser respeitada no seu direito a sua 
específica diversidade cultural. 
Junto com seus pares, com as crianças que compartilham 
o seu cotidiano, a escola deverá não coibir a apropriação, 
reinvenção e a reprodução que elas produzem juntas, colaborando 
para conseguir lidar com experiências contraproducentes, ao 
mesmo tempo em que se estabelecem fronteiras de inclusão e 
exclusão (de gênero, de subgrupos etários, de status), que estão 
fortemente implicados nos processos de identificação social. 
Caberá aos que planejam as rotinas educativas:
[...] construir novos espaços educativos que 
reinventem a escola pública como a casa das crianças, 
reencontrando a sua vocação primordial, isto é, o lugar 
onde as crianças se constituem, pela ação cultural, 
em seres ditados do direito de participação cidadã no 
espaço coletivo. (SARMENTO, 2002, p. 16)
É necessário levar em conta a criança enquanto portadora 
de diversidade cultural, e a responsabilidade do educador como 
quem sustenta, com bastante respeito, lugares de convivências 
criativas.
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Deve-se deixá-las livres como atores sociais, nas 
diversidades culturais e nas alteridades delas. Cada criança deve 
ser reconhecida como Outro e reconhecer as demais naquilo que 
elas carregam como Outro também, com os adultos. As condições 
culturais e sociais são heterogêneas, mas incidem perante uma 
condição infantil comum: a de uma geração desprovida de 
condições autônomas de sobrevivência e de crescimento e que 
está sob o controle da geração adulta.
Os conteúdos e as formas presentes nas culturas infantis 
são interdependentes das culturas das sociedades onde vivem, 
sendo afetadas pelas mais diversas relações de classe, de gênero 
e de proveniência étnica, que impedem definitivamente a fixação 
num sistema coerente único dos modos de significação e ação 
infantil. As crianças precisam ser reconhecidas como produtores 
de cultura própria à sua geração. 
E são estas culturas da infância que exprimem as contradições 
que visualizam na sociedade em que habitam. A escola e a família são 
espaços que oferecem interações diversas e o contato com culturas 
dirigidas pelos adultos (pais e professores) e culturas construídas 
nesses encontros entre as crianças. Os adultos costumam oferecer 
produtos de suas culturas às crianças. Passam às novas gerações 
suas decisões arbitrárias ao selecionarem ou recusarem alguns 
valores e saberes. Isso acontece com os pais, com os educadores 
e é perceptível no 
conjunto de dispositivos culturais produzidos para as 
crianças, com uma orientação do mercado, configuradora 
da indústria cultural para a infância (literatura infantil, 
jogos e brinquedos, cinema, bandas-desenhadas, 
jogos vídeo e informativos, sites e outros dispositivos 
da Internet, serviços variados – de férias, de tempos 
livres, de comemoração de aniversário, de festas, etc.). 
(SARMENTO, 2002, p. 5) 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 27
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo até aqui, vamos resumir tudo o que 
vimos. Você deve ter aprendido, até este momento, a explicar 
a Diversidade Cultural como Característica da nossa Formação 
Humana e Nacional, o conceito de Diversidade Cultural e a 
presença da Diversidade Cultural na escola.
Reconhecendo o discurso pedagógico da 
diversidade
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: Multiculturalismo e 
educação: em defesa da diversidade cultural (Silva, 2007), acessível 
pelo link: https://bit.ly/2BHZHq5 (Acesso em 19/12/2019).
SAIBA MAIS
Reconhecendo o discurso pedagógico da diversidade é necessário 
para você entender as responsabilidades e adesões da escola e dos 
educadores sobre a importância de promover a diversidade nas 
atividades educativas. Você percorrerá pela história do discurso 
pedagógico hegemônico, desde a idade moderna, e posteriormente 
entenderá sua diferenciação com o discurso pedagógico da 
diversidade.
OBJETIVO
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Educação das Relações Étnico-Raciais28
O Discurso Pedagógico revela aquilo acontece nas relações 
entre os professores e os alunos, dos detalhes mais insignificantes 
aos mais essenciais. Trata nas formas como a escola pretende 
modificar as mentes, os modos de agir e de pensar das novas 
gerações a favor da Diversidade. 
É inegável que as nossas indissociáveis e interdependentes 
identidades e diferenças, são geradas a partir da nossa condição 
de sujeitos ou asujeitados à linguagem, no âmbito de um 
específico dentro discurso. Isso deve inspirar os educadores a 
examinar, minuciosamente, seus modos de produção, onde e 
quando foram produzidas, através do discurso.
A maioria das escolas costumam operar a favor da 
normalização e este movimento, no interior das salas de 
aulas parece estar produzindo mais expurgo da norma do que 
identidades encaixadas na ordem. Quer dizer, há cada vez mais 
‘estranhos’ do que ‘normais’. Na medida em que os professores 
tentam domar as identidades dos seus alunos mais proliferam 
as diferenças. Indagando se não existiria uma possibilidade 
pedagógica para lidar com a diferença sem excluí-la, Costa (2008) 
defende que seria indispensável desessencializar as identidades 
e historicizá-las, mostrar e problematizar as identidades em sua 
face construída, produzida nas injunções políticas do poder no 
interior das sociedades e das culturas.
O pensamento de Michel Foucault vai ajudar você a entender 
sobre os discursos e sobre as práticas atreladas a eles. Este autor 
francês entendia que os discursos são poderosos, agem, vigiam 
e controlam os sujeitos. É bem difícil escapar de tanta vigilância 
e das recorrentes punições nas instituições, dos rótulos que vão 
sendo pregados na testa dos que não respeitam as normas, a partir 
da saída da Idade Média, na Idade moderna. São
os discursos eles mesmos que exercem seu próprio 
controle; procedimentos que funcionam, sobretudo, a 
título de princípios de classificação, de ordenação, de 
distribuição, como se tratasse desta vez, de submeter 
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outra dimensão do discurso: a do acontecimento e 
do acaso. (FOUCAULT, 2002 p. 21)
Historicamente, a partir da modernidade, a escola passa a agir 
de um modo diferenciado das práticas medievais. Foucault bem 
mais tarde estudou este momento histórico (século XX). Estudou 
os colégios da Era Moderna, seus disciplinamentos, vigilâncias e 
punições, respaldadaspelo discurso hegemônico moderno, com 
seus objetivos de controlar e moldar a subjetivação dos sujeitos na 
modernidade, focando na formação do aluno, filho dos burgueses 
e cristãos. Tal discurso carregava seus mecanismos de poder, 
controle e disciplinamento, que eram vistos como inquestionáveis 
e posteriormente naturalizados como regras infalíveis em nome 
da racionalidade, para educar as novas gerações.
Interessou a Foucault estudar sobre a história das construções 
sociais impostas sobre os alunos, bem como os saberes e poderes 
que os discursos pedagógicos veiculam. Suas pesquisas sobre 
este importante momento da história da educação revelaram o 
aluno, na modernidade, asujeitado ao discurso pedagógico e seus 
métodos, mostrando seu poder dentro dos colégios. E tal poder é 
conhecido como poder disciplinar:
O poder disciplinar é, com efeito, um poder que, 
em vez de se apropriar e de retirar, tem como 
função maior ‘adestrar’; ou sem dúvida adestrar 
para retirar e se apropriar ainda mais e melhor. (...) 
A disciplina ‘fabrica’ indivíduos; ela é a técnica 
específica de um poder que toma os indivíduos ao 
mesmo tempo como objetos e como instrumentos 
de seu exercício. Não é um poder triunfante que, a 
partir de seu próprio excesso, pode-se fiar em seu 
superpoderio; é um poder modesto, desconfiado, 
que funciona a modo de uma economia calculada, 
mas permanente (FOUCAULT, 1981, p.153)
Foucault (1981) contribuiu para o entendimento de que 
foram elaborados, a partir da modernidade, métodos capazes de 
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realizar o controle meticuloso das operações do corpo, sujeitando-o 
nas suas forças, tornando-o dócil e útil. Estes métodos operados 
para conseguir tal asujeitamento é denominado ‘disciplinas’. Tais 
processos disciplinares ou disciplinamentos levariam tempos 
para serem operados nos conventos, oficinas e exércitos e foram 
expandindo seus domínios, passando a serem fórmulas gerais de 
dominação dos sujeitos, no decorrer XVII e XVIII. Diferenciados 
dos tempos e dos modos da escravidão, na antiguidade e nos 
tempos medievais, a modernidade traz novidades, pois não 
fundamentam numa relação de apropriação dos corpos; é até a 
elegância da disciplina dispensar essa relação custosa e violenta 
obtendo efeitos de utilidade pelo menos igualmente grandes.
O que fabricaria a disciplina? Foucault responde que fabrica 
indivíduos, a disciplina é uma técnica própria e relacionada a 
um poder, que coisifica os sujeitos, transformando-os em objetos 
e instrumentos de seu funcionamento. Não age pelo excesso e 
confiante no seu imenso poder, representa um poder módico, 
acanhado, funcionando a modo de uma economia calculada, mas 
permanente. Humildes modalidades, procedimentos menores, 
se os comprarmos aos rituais majestosos da soberania ou aos 
grandes aparelhos do Estado.
Vieram das descobertas das ciências modernas, como da 
Medicina e alguns eficazes modelos de normatização, como por 
exemplo, as ortopedizações empregadas para endireitar o corpo, 
transportado para disciplinar as mentes dos alunos, nos colégios. 
Avançou a pedagogização do conhecimento e o disciplinamento, 
tantos nos corpos como nas mentes dos alunos. Não parando 
nunca mais e permanece atual na estrutura escolar e nos discursos 
pedagógicos, normatizando os sujeitos, professores ou alunos.
Normatizou-se primeiro a produção dos canhões e dos 
fuzis, em meados do século XVIII, a fim de assegurar 
a utilização por qualquer soldado de qualquer oficina, 
etc. depois de ter normatizado os canhões, a França 
normatizou seus professores. As primeiras Escolas 
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Normais destinadas a dar a todos os professores 
o mesmo tipo de formação e, por conseguinte, o 
mesmo nível de qualificação, apareceram em torno 
de 1775, antes de sua institucionalização em 1790 
ou 1791. A França normatizou seus canhões e seus 
professores, a Alemanha normatizou seus médicos. 
(FOUCAULT, 1982, p. 83)
Foucault (2002) comenta que em todas as sociedades 
ocorrem produção de discurso, que é, simultaneamente, controlada, 
selecionada, organizada e redistribuída por certo número de 
procedimentos que têm por função conjurar seus poderes e perigos, 
dominar seu acontecimento aleatório, esquivar sua pesada e temível 
materialidade. Um dos procedimentos é a exclusão, outro deles é a 
interdição. Em alguns casos, em lugares e instâncias mais sombrias 
das sociedades, o discurso nem é neutro e tão pouco transparente, a 
política e a sexualidade são alguns destes lugares.
Os educadores deveriam saber e refletir sobre suas práticas, 
as inter-relações contidas nelas, os modos como são operados 
os objetivos de homogeneizar as diversidades, as diferenças, as 
identidades, contendo os diferentes, os irreverentes, os criativos, 
os que possuem modos distintos dos seus próprios, das suas 
famílias e da sua classe social. E aprender com eles!
Foucault aponta que ainda que 
o discurso seja aparentemente bem pouca coisa, 
as interdições que o atingem revelam logo, 
rapidamente, sua ligação com o desejo e o poder. 
Nisso não há nada espantoso, visto que o discurso – 
como a psicanálise nos mostra – não é simplesmente 
aquilo que manifesta (ou oculta) o desejo; e visto 
que – isto a história não cessa de nos ensinar – o 
discurso não é simplesmente aquilo que traduz as 
lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo por 
que, pelo que se luta, o poder do qual nós queremos 
apoderar. (FOUCAULT, 2002, p. 10)
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Educação das Relações Étnico-Raciais32
Portanto, nada aniquilará nos educandos os seus desejos de 
serem ouvidos em suas subjetividades, nos seus anseios e nas suas 
manifestações culturais que lhes foram fazendo sentidos nas suas 
jornadas pelas suas existências. Assim, tradicionalmente, o espaço 
escolar é o lugar da disputa entre o discurso pedagógico hegemônico 
(dentro da cabeça dos professores desde a modernidade aos dias 
atuais) e os interesses, desejos e ideias das novas gerações. 
É necessário, na contemporaneidade tentar fazer um esforço 
para ouvir as outras vozes silenciadas dos alunos, procedentes de 
suas quebradas, de seus guetos, de suas comunidades, das suas 
casas e de suas famílias. Invadindo a escola com estes outros 
cantos, outras danças, dissonantes, mas reais.
Figura 4: Crianças e Dança dos Caboclinhos no Carnaval do Brasil
Fonte: Wikimedia Commons
Foucault reflete que para os gregos (século VI) o discurso 
era pronunciado pelo sujeito que tinha direito a ele, em 
conformidade com algum ritual próprio à época. O discurso 
tinha a capacidade de profetizar o futuro, com a adesão dos 
indivíduos. Depois tudo mudou, na passagem da Antiguidade 
Clássica para o início da Idade Média. A verdade se deslocou 
do ato ritualizado, eficaz e justo, de enunciação, para o próprio 
enunciado: para seu sentido, sua forma, seu objeto, sua relação e 
suas referências. (FOUCAULT, 2002, p. 13)
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Educação das Relações Étnico-Raciais 33
Já na chegada à modernidade (lá pelos séculos XVI e 
XVII), Foucault aponta que
apareceu uma vontade de saber que, antecipando-
se a seus conteúdos atuais, desenhava planos deobjetos possíveis, observáveis, mensuráveis, 
classificáveis, uma vontade de saber que impunha 
ao sujeito cognoscente (e de certa forma antes de 
qualquer experiência) certa posição, certo olhar e 
certa função (ver, em vez de ler, verificar, em vez 
de comentar); uma vontade de saber que prescrevia 
(e de certo modo mais geral do que qualquer 
instrumento determinado) o nível técnico do qual 
deveriam investir-se os conhecimentos para serem 
verificáveis e úteis. (FOUCAULT, 2002, p. 16/17)
E a pedagogia estará presente com suas práticas, agindo em 
nome deste sistema moderno e excludente. Serve para reforçar 
e conduzir este projeto de verdade da modernidade, a serviço 
da realização dos procedimentos de controle e de delimitação 
próprios ao discurso pedagógico hegemônico. Isso desfavorece, 
até os dias atuais, que outros discursos não hegemônicos possam 
chegar à escola e democraticamente oferecer suas contribuições, 
aproximando os alunos que se sentem desmotivados por 
discursos outros, distanciados de suas vidas e seus anseios. A 
escola precisa pensar nisso! Rever seus métodos, renovar suas 
intenções e oxigenar velhas práticas.
E Foucault esclarece o modo de procedimento de um 
discurso, oposta ao lugar do aluno como sujeito capaz de fazer 
comentários sobre o que leu, estando longe de um projeto 
de leitor autônomo e capaz de falar com propriedade e com 
liberdade sobre temas propostos na sala de aula.
A organização das disciplinas se opõe tanto ao 
princípio do comentário como ao do autor. Ao 
do autor, visto que uma disciplina se define por 
um domínio de objetos, um conjunto de métodos, 
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Educação das Relações Étnico-Raciais34
um corpus de proposições verdadeiras, um 
jogo de regras e de definições, de técnicas e de 
instrumentos: tudo isso constitui uma espécie de 
sistema anônimo à disposição de quem quer ou 
pode-se servir dele, sem que seu sentido ou sua 
validade estejam ligados a quem sucedeu ser seu 
inventor (FOUCAULT, 2002, p. 30)
A criação de um autor, suas palavras próprias são 
apropriadas por um determinado discurso que coloca a produção 
dele no anonimato. E este princípio da disciplina que desvaloriza 
a autoria dos que produziram os livros ou textos, desvalorizando 
até mesmo o desejo dos alunos de serem autores, criadores de 
novos textos, este princípio da disciplina
se opõe também ao do comentário: em uma 
disciplina, diferentemente do comentário, o que é 
suposto no ponto de partida, não é um sentido que 
precisa ser redescoberto, nem uma identidade que 
deve ser repetida; é aquilo que é requerido para a 
construção de novos enunciados. (FOUCAULT, 
2002, p. 30)
Assim, nem é solicitado ao aluno que aprenda a comentar 
a própria realidade, o que leu e até o que escreveu. As leituras 
que possam fazer do mundo não são necessárias. Só interessa 
mesmo é que o discurso hegemônico exercido e seus modos de 
agir possam ser apreendidos. 
Foucault fala em biopoder, uma etapa nova e posterior ao 
século XVIII. A diferença é que o biopoder se diferencia do poder 
disciplinar e técnica de adestrar o homem-corpo, punindo-o e 
vigiando constantemente. Parece para agir no campo do homem-
espécie. O biopoder vai operar como uma novidade, uma nova 
tecnologia de poder, distinta do poder disciplinar, mas não o 
descartará, fará uma fusão com ela. Sendo assim preservada e 
operando seus resultados nas instituições modernas ocidentais 
até hoje. Foucault esclarece que 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 34ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 34 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
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a disciplina tenta reger a multiplicidade dos homens 
na medida em que essa multiplicidade pode e 
deve redundar em corpos individuais que devem 
ser vigiados, treinados, utilizados, eventualmente 
punidos. E, depois, a nova tecnologia que se instala 
se dirige à multiplicidade dos homens, não na medida 
em que eles se resumem em corpos, mas na medida 
em que ela forma, ao contrário, uma massa global, 
afetada por processos de conjunto que são próprios da 
vida, que são processos como o nascimento, a morte, 
a produção, a doença etc.(FOUCAULT, 1999, p. 291)
Como vencer as determinações deixadas pelo discurso 
pedagógico hegemônico, nascido na modernidade, com todas as suas 
consequências nas mais simples ou complexas atividades escolares, 
para incorporar à diversidade cultural, a multiculturalidade, as 
marcas presentes nas nossas manifestações culturais e trazer um 
novo e progressista discurso pedagógico aberto às diferenças, 
capaz de conduzir ações afirmativas às minorias desprivilegiadas, 
no decorrer de mais de 500 anos de exclusão? 
O que travariam a passagem desses discursos pedagógicos 
hegemônicos e tradicionais para os inovadores Discursos 
Pedagógicos da Diversidade? As mudanças têm sido então, 
quase sempre, a burocratização do outro, sua inclusão curricular 
e, assim, a sua banalização, seu único dia no calendário, seu 
folclore, seu detalhado exotismo.
Muitos olhares para as diferenças das crianças ficaram 
do lado de fora do foco e das discussões dos educadores. E 
permanecem sem querer ver.
Se, em algum momento da nossa pergunta sobre 
educação, tínhamos nos esquecidos do outro, agora 
detestamos sua lembrança, maldizemos a hora 
de sua existência e da sua experiência, corremos 
desesperados a aumentar o número de alunos e de 
cadeiras nas aulas, mudamos as capas dos livros que 
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já publicamos há muito tempo, re-uniformizamos o 
outro sob a sombra de novas terminologias. Novas 
terminologias sem sujeitos. (SKLIAR, 2003, p.40)
A escola brasileira repete um discurso de inspiração dos 
princípios que movimentaram o pensamento sobre a educação e 
a escola republicana francesa, de que deve ser única e igual para 
todos, e desta forma, oculta e mantém uma ética de indiferença 
em relação às diferenças. Ou seja, há uma indiferença ao outro 
como fundamento da escola. O que levaria a uma visão de 
homogeneização diante de sujeitos heterogêneos (diferentes). 
Impondo, dentro da escola um saber, de uma racionalidade, de 
uma estética, de um sujeito epistêmico único, legitimado como 
hegemônico como parâmetro único de medida, de conhecimento, 
de aprendizagem e de formação.
São impostos parâmetros universais e abolidas as diferenças, 
que tornam desiguais em iguais, atingindo e trazendo para todos 
a mesma medida e avaliação, resultando em classificar o ‘outro’ 
como inferior, incivilizado, fracassado, repetente, bárbaro etc.
Um Discurso Pedagógico da Diversidade impõe diferenças 
e modos novos de ver o diferente, propõe-se a tolerância a alguns 
coletivos: as classes populares, os negros, os homossexuais, mas 
ainda os vemos como aqueles que não sabem inferiores, e que 
necessitarão da adesão e empenho de cada educador, diante de 
uma realidade que aponta justamente para o contrário, para a 
exclusão e a indiferença com as diferenças.
Na busca de outro discurso pedagógico é necessário 
superar a marca pesada que ficou na escolha brasileira a 
favor da escola tradicional, impedindo novas metodologias, 
concepções progressistas, organizações disciplinares inovadoras 
e inspiradas em concepções epistemológicas progressistas, 
criando possibilidades de ampla autonomia e participação dos 
educandos. Fazendo a aposta por uma escola como comunidade 
participativa, refletindo sobre o fato de a escola defender 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 37
a participação - autonomia, mas comporta-se de modo 
autoritário e com contradições: instituição igualitária 
que reproduz desigualdade social; instituição 
respeitadora das diferenças e tolerante, mas que 
provoca atitudes discriminatórias; instituição que 
proclama a aprendizagem crítica e criativa, mas usa 
métodos memorísticos e meios verbais; instituição 
democrática, mas que usa hábitos autoritários que 
limitam a participação. (Martins, 2006, p. 79)
Na busca de uma nova pedagogia, já não mais voltada 
aos discursos hegemônicos, surgidos desde a Era Moderna, 
construtores das escolas tradicionais, ultrapassando-os e apoiando-
se no Discurso Pedagógico da Diversidade é preciso estar aberto 
para construir novas mentalidades, para além de falar apenas 
por falar. O discurso das diversidades permite entender como 
podemos compreender as distintas diferenças, desde a análise 
da realidade sociopolítica e sociocultural (multiculturalidade, 
interculturalidade).
Isso significa estar aberto às diversidades, alteridades e 
diferenças, em fazer encontros interculturais (entre culturas 
diferentes), abrindo espaços de expressão multiculturais (entre 
muitas culturas em diálogo). Querendo constituir bons encontros 
com as várias diversidades culturais trazidas pelos educandos, 
ouvi-los falar sobre estes mundos outros, em suas expressões 
diversas daquelas mais familiares aos educadores e que impliquem 
em novas aprendizagens para os educadores.
O Discurso Pedagógico da Diversidade destaca a concepção 
humanista da igualdade, do valor e da afirmação das diferenças 
na diversidade cultural, de gênero/sexo, de capacidades e da 
relação entre diferença-semelhança, pluralidade e identidade. Isso 
demandará o acolhimento dos direitos à diferença, o conhecimento 
das histórias e das culturas dos diferentes agrupamentos sociais, 
que são os formadores, as matrizes do Povo Brasileiro, no antes 
e no depois da colonização portuguesa, a abertura às estéticas 
oriundas das diversidades culturais brasileiras.
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Educação das Relações Étnico-Raciais38
É uma grande mudança de concepção e que estará apoiada 
em novas tendências educativas. Estão subjacentes a estas 
apreciações várias tendências educativas, fruto da diversidade 
dos discursos na sua análise às realidades concretas educativas 
(MARTINS, 2006, p. 84).
Martins defende que na diversidade de discursos 
pedagógicos, os indicativos à necessidade de uma educação 
especial para determinados coletivos ou grupos com deficiências 
ou necessidades de aceder ao currículo, às diferenças linguísticas, 
as metodologias adequadas a cada contexto etc.
O que pode ser apontado para o futuro da educação, em 
uma perspectiva alimentada por um discurso pedagógico da 
diversidade é que poderá caminhar para ‘muitos e diversos 
espaços’, enquadrando-se no sentido de que cada vez mais 
o indivíduo realiza a sua aprendizagem ou aprendizagens em 
espaços diversificados.
O Discurso Pedagógico da Diversidade poderá oferecer 
novas perspectivas. As respostas educativas (enfoques) dessas 
pedagogias inovadoras emergentes falam menos de igualdade 
e mais de liberdade, de qualidade e competências para o 
desempenho profissional (MARTINS, 2006, p. 89). Dando vozes 
aos que costumam ser obrigados a não argumentar com as suas 
próprias diversidades culturais ou seus modos de expressão, 
trazendo-lhes novos capitais culturais, novos conhecimentos, 
acesso amplo as produções culturais da humanidade. 
Os discursos são a favor do acesso à cultura e à 
educação das classes mais desfavorecidas, da 
democratização escolar, do desencadear de novos 
métodos e estratégias e conteúdo, da compreensão 
crítica da realidade, da educação social e cívica 
(cidadania), investigação-ação e resolução de 
problemas, de novos instrumentos metodológicos, 
novos reportórios de técnicas, do desenvolvimento 
de materiais de ensino específicos (‘Humanities 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 39
Project’ de Stenhouse), de novos modelos de 
ensino e de formação de professores, novos 
espaços de aprendizagem, da educação integral, 
racional e científica formadora da conduta moral, 
das cidades educativas e comunidades de vida, da 
construção do conhecimento e do desenvolvimento 
da inteligência e criatividade, de novos tipos de 
aprendizagem, de experiências na comunidade, 
etc. (MARTINS, 2006, p. 89)
O discurso pedagógico da diversidade com seus olhares, 
linguagens e abordagens, diversidades de ideias, temáticas, 
perspectivas, enfoques e tendências devem abrir espaço para 
novas e melhores práticas educativas.
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: Multiculturalismo e 
educação:em defesa da diversidade cultural (Silva, 2007), acessível 
pelo link: https://bit.ly/2BHZHq5 (Acesso em 19/12/2019).
SAIBA MAIS
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo 
o que vimos. Você deve ter aprendido que para reconhecer o 
Discurso Pedagógico da Diversidade é necessário entender 
as responsabilidades e adesões da escola e dos educadores 
sobre a importância de promover a diversidade, nas atividades 
educativas. Você percorreu pela história do Discurso Pedagógico 
Hegemônico, desde a Idade Moderna, e posteriormente foi capaz 
de entender sua diferenciação com o Discurso Pedagógico da 
Diversidade.
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 39ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 39 03/02/2021 17:27:4503/02/2021 17:27:45
Educação das Relações Étnico-Raciais40
Entendendo a introdução a educação 
étnico-racial
Você será capaz de entender, de um modo introdutório, a 
Educação Étnico-Racial. Isso facilitará a sua futura inserção em 
sala de aula, desenvolvendo suas atividades educadoras para as 
diversidades das crianças.
OBJETIVO
Entendendo a introdução a educação 
étnico-racial: conceitos de etnia e raça
Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial, 
buscando conceitos de Etnia e Raça é importante para diferenciar 
e perceber a dessemelhança entre os conceitos de Etnia e Raça.
O fato é que a preocupação com uma Educação Étnico-
Racial traz o desafio de pensar em propostas curriculares que 
não neguem as nossas verdades étnico-raciais, bastante fáceis 
de serem conhecidas, através de saberes históricos, sociais, 
antropológicos, bastante reveladores das nossas realidades 
Étnico-Raciais brasileiras. Isso significa ter elementos suficientes 
para realizar um consistente combate ao racismo e as discri-
minações originalmente étnico-raciais.
É necessário que a escola e os educadores estejam 
dispostos a conhecer ideias que fortaleçam, dentro dela e 
nestes professores, sendo veiculadas aos alunos, para que os 
conhecimentos novos operem a favor do desenvolvimento de 
valores, atitudes e posturas capazes de educar cidadãos que 
tenham orgulho de seus pertencimentos étnico-raciais. Sejam 
os descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes 
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Educação das RelaçõesÉtnico-Raciais 41
de europeus, de asiáticos – para interagirem na construção de 
uma nação democrática, em que todos, igualmente, tenham 
seus direitos garantidos (BRASIL, 2004, p.02), bem como suas 
identidades valorizadas.
O termo Raça perpassa por uma conotação política, usado 
em demasia no Brasil, nas relações sociais brasileiras, com 
objetivos de informar como determinadas características físicas, 
como cor de pele, tipo de cabelo, entre outras, influenciam, 
interferem e até mesmo determinam o destino e o lugar social dos 
sujeitos no interior da sociedade brasileira. E, posteriormente, as 
populações negras brasileiras, no âmbito de suas organizações 
e lutas político-sociais, foram capazes de ressignificar o termo 
Raça, passando a utilizá-lo com um sentido político e de 
valorização do legado deixado pelos africanos.
E o termo Étnico, que aparece na expressão étnico-racial, 
é usada para delimitar as verdadeiras, reais e tensas relações 
relacionadas as nossas diferenças, na cor da pele e traços 
fisionômicos o são também devido à raiz cultural plantada na 
ancestralidade africana, que difere em visão de mundo, valores e 
princípios das de origem indígena, europeia e asiática. O termo 
étnico, então, está associado e é imprescindível para delimitar 
que um dado sujeito pode até a mesma cor da pele que seu 
colega de sala de aula, terem os dois o mesmo tipo de cabelo e 
semelhantes traços sociais e culturais que os diferenciem, sendo 
estes dois educandos pertencentes as etnias diferentes. 
Grupos étnicos são agrupamentos de pessoas, portadoras 
de determinadas características marcantes de suas culturas, 
carregando suas diferenças ancestrais, linguísticas, de valores, 
de hábitos alimentares, costumes e manifestações culturais. E já 
Raça representa uma construção social usada para caracterizar 
os diferentes sujeitos, montada em particularidades relacionadas 
a cor da pele ou marcas físicas. O termo raça é sociológico e 
não biológico. E podemos afirmar que todos pertencemos a raça 
humana. Tal espécie humana teria surgido por volta de 350 mil 
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Educação das Relações Étnico-Raciais42
anos atrás, no leste do continente africano. Sendo assim, somos 
ancestralmente todos africanos.
Entendendo a introdução a educação 
étnico-racial na realidade brasileira
Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial na 
Realidade Brasileira será possível conhecer mais sobre nossas 
diversidades Étnico-Raciais e culturais. Em um país fortemente 
marcado pela diversidade, desde os primórdios, nos tempos em 
que os Povos Originários chamavam o nosso Pais e a região da 
América do Sul, pelo nome de Pindorama, que significa terra 
livre dos males, segundo os habitantes originários, os povos 
tupis e guaranis. E, ainda, a região da América era chamada de 
Abya Yala, em língua do Povo Indígena Kuna significando a 
‘TerraViva’ ou ‘Terra em florescimento’.
Posteriormente, já nos tempos da colonização portuguesa, 
entre os primeiros estrangeiros que se tornaram moradores do 
Brasil e vieram de Portugal, constavam pessoas, como Jerônimo de 
Albuquerque (conhecido como o Adão Pernambucano), cunhado 
do administrador da Capitânia de Pernambuco, sendo que Jerônimo 
e a sua irmã traziam as marcas das suas ancestralidades rramita-
muculmana, muçulmana-semita, negra pré-saaraniana e aqui no 
Brasil chegaram na condição de representantedo rei de Portugal. 
Encontrando aqui no Brasil a filha do Cacique Arcoverde Tabajara 
(do tronco linguístico Tupy), com quem teve vários filhos que 
foram registrados e fizeram história, como também seus inúmeros 
descendentes. (LIMA, 2013)
Mas, nem tudo foi semelhante e pacífico ao encontro 
inaugural deste casal por volta do ano 1534. O Brasil contava 
com milhões de habitantes indígenas que foram mortos, por não 
aceitar a condição de escravização. O Antropólogo brasileiro 
e Ex-Ministro da Educação, Darcy Ribeiro, considera que no 
processo de Formação do Povo Brasileiro, destacam-se conflitos 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 43
intensos entre índios, negros e brancos. Pode‐se afirmar, mesmo, 
que vivemos praticamente em estado de guerra latente, que, por 
vezes, e com frequência, se torna cruento, sangrento.
Entendendo a introdução a Educação Étnico-Racial, com o 
objetivo de exercer o magistério, em um país fortemente marcado 
por uma história intensa de dificuldades entre seus grupos Étnico-
Raciais, na relação difícil de contatos entre diferentes etnias 
(Inter étnicos) é necessário desvelar os preconceitos, revelar 
as impropriedades das falsas narrativas e entender as verdades 
profundas e que não podem ser caladas, dentro das escolas:
Conflitos Interétnicos existiram desde sempre, 
opondo as tribos indígenas umas às outras. Mas isto 
se dava sem maiores consequências, porque nenhuma 
delas tinha possibilidade de impor sua hegemonia 
às demais. A situação muda completamente quando 
entra nesse conflito um novo tipo de contendor, de 
caráter irreconciliável, que é o dominador europeu e 
os novos grupos humanos que ele vai aglutinando, 
avassalando e configurando como uma macro etnia 
expan-sionista (RIBEIRO, 1995, p.168).
Posteriormente, chegaram africanos na condição indigna 
de escravizados em grande número, proibidos de falar a própria 
língua, confessarem a própria religião e obrigado a trabalhar em 
condições absolutamente terríveis, martirizados ou supliciados 
perversamente. 
Diante disso, as consequências da colonização portuguesa 
e católica sobre as populações indígenas, africanas e afro-
brasileiras foram cruéis e todas as Políticas Públicas Afirmativas, 
de reparação, oferecidas aos povos afro-brasileiros e indígenas, 
são mínimas diante da monstruosa ação governamental, seja nos 
tempos coloniais, imperiais ou republicanos sobre estes povos e 
seus descendentes.
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 43ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 43 03/02/2021 17:27:4603/02/2021 17:27:46
Educação das Relações Étnico-Raciais44
Figura 5: Congada, Dança Brasileira nos Tempos Colônias
Fonte: Wikimedia Commons
E foram produtoras de práticas racistas e preconceituosas, 
capazes de construir e reiteradamente repetidas a partir de 
preconceitos, frutos da ignorância que grupos étnicos tidos 
como superiores têm acerca da história das organizações e modo 
de vida daqueles considerados inferiores.
Um dos efeitos foi, e continua sendo, as intensas 
demonstrações de ódio, de preconceito que circulam pela 
sociedade brasileira, incluindo os espaços educacionais e 
atingindo as práticas pedagógicas, por estarem dentro da cabeça 
de muitos professores, presentes nos discursos e até nos livros, 
criou um cenário em que 
o preconceito incutido na cabeça do professor 
e sua incapacidade em lidar profissionalmente 
com a diversidade, somando-se ao conteúdo 
preconceituoso dos livros e materiais didáticos 
e às relações preconceituosas entre os alunos de 
diferentes ascendências étnico-raciais, sociais e 
outras, desestimulam o aluno negro e prejudicam 
seu aprendizado. (MUNANGA, 2005: 16)
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 44ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 44 03/02/2021 17:27:4603/02/2021 17:27:46
Educação das Relações Étnico-Raciais 45
Uma experiência de Educação Étnico-Racial necessitará 
trazer à sala de aula a diversidade de linguagens representativas 
na nossa formação étnico-racial brasileira, em toda a suacompletude, para que os mais diversos sujeitos se sintam 
subjetivamente e culturalmente contemplados, com direito à 
livre e autoral expressão suas diferenças étnico-raciais, com a 
riqueza de suas manifestações distintas.
Lembrando e considerando, na sala de aula,
que a questão do negro e a questão do índio, 
embora do ponto de vista da tradição histórica 
assimilacionista e do processo hegemônico de 
integração social apresentem muitos pontos em 
comum, também mostram profundas diferenças 
do ponto de vista do modo predominante de 
inserção na sociedade de classe, das regulações, 
da ‘fabricação’ das identidades, da natureza dos 
processos de subordinação e dos mecanismos com 
que são operados, tanto no interior dos grupos 
como externamente (BANDEIRA, 2003, p. 143)
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: Conceitos de gênero, 
etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na educação 
escolar (Silva, 2007), acessível pelo link: http://bit.ly/35gA60Q. 
(Acesso em 04/07/2017).
SAIBA MAIS
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo 
o que vimos. Você deve ter aprendido a entender, de um modo 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 45ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 45 03/02/2021 17:27:4603/02/2021 17:27:46
Educação das Relações Étnico-Raciais46
introdutório, a Educação Étnico-Racial. Isso facilitará a sua 
futura inserção em sala de aula, desenvolvendo suas atividades 
educadoras. Entendendo, agora, tanto os conceitos de Raça e 
Etnia, bem como aspectos importantes sobre a Educação Étnico-
Racial, na Realidade Brasileira
Analisando os fundamentos legais para a 
educação das relações étnico-raciais.
Ao analisar os Fundamentos Legais para a Educação das 
Relações Étnico-Raciais, você terá parâmetros para cumprir e 
propor Projetos Políticos Pedagógicos, currículos, metodologias 
e práticas educativas.
OBJETIVO
As lutas populares pela redemocratização, conduzidas 
pelo povo brasileiro (indígenas, povo negro organizado em 
movimentos, povos do campo e lideranças comunitárias), foram 
intensas antes e depois da promulgação da Constituição de 
1988. Eram esperadas, no conjunto de tantas reivindicações, 
que ocorreriam reais mudanças na educação das relações étnico-
raciais brasileira. 
O fruto das lutas está na redação e explicitação de que a 
Educação é um direito de todos, no artigo 205, da Constituição 
da República Federativa do Brasil de 1988. Definindo-a como 
direito de todos e dever do Estado e da família, a ser incentivada 
e promovida com colaboração de toda a sociedade, dirigindo 
o desenvolvimento pleno da pessoa, preparo para exercer 
plenamente a cidadania e a qualificação para o trabalho.
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 46ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 46 03/02/2021 17:27:4603/02/2021 17:27:46
Educação das Relações Étnico-Raciais 47
Neste momento histórico quem seriam as crianças 
aleijadas do seu acesso e permanência na escola? Quem seriam 
os reprovados, ano após ano? Eram aqueles que evadiam da 
escola por ter recebido um acento entre os que fracassaram nela, 
muitas vezes sendo o 1.º membro de famílias pobres e negras a 
frequentar uma escola. Tratados como inaptos, imputados por 
diagnósticos que os desabilitavam para a aprendizagem, para 
aprender a ler, escrever e os empurravam ou para uma sala 
especial ou para fora da escola, com eles iam todos os sonhos de 
muitas gerações de seus antecedentes. 
A Constituição Federal, a constituição da redemocratização 
e cidadã, lhes dá os direitos constitucionais de acesso e 
permanência, com muito o que ser feito, para mudar a realidade 
dentro das escolas, garantindo-lhes o direito à educação, e com 
a concretização deste direito fundamental, ter respaldados a 
sua identidade cultural (e de seus familiares), a promoção, a 
tolerância e o respeito com relação às suas diferenças étnico-
raciais (BRASIL, 1988).
O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8,069/1990) 
foi promulgado 1990, e estava relacionado às diretrizes 
internacionais constituídas pela Convenção dos Direitos da 
Criança, da ONU, em 1989. Representou grande mobilização 
de pais, professores e comunidades. No artigo 5º é garantido 
o direito as crianças ou adolescentes brasileiras de não serem 
atingidos por nenhuma forma de discriminação, exploração, 
negligência, crueldade, exploração, violência e opressão, com 
punições a qualquer atentado, tanto por ação como por omissão, 
dos seus direitos fundamentais. Outro elemento significativo 
para a garantia da Educação Étnico-Racial, no artigo 16 desta 
importante e valorosa lei, respaldando o direito à liberdade, 
participando da vida familiar e comunitária, sem nenhum tipo de 
discriminação, entre elas configuram as discriminações étnico-
raciais (BRASL, 1990).
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 47ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 47 03/02/2021 17:27:4603/02/2021 17:27:46
Educação das Relações Étnico-Raciais48
Um pouco mais adiante, na nossa história, os parâmetros 
curriculares nacionais/PCN’s (BRASIL,1997) são diretrizes 
curriculares, organizadas pelo Governo Federal para orientar as 
práticas educativas de todas as disciplinas curriculares, da rede 
pública, onde frequentam os estudantes mais empobrecidos, e 
podia ser adotada, sem obrigatoriedade, pela rede privada de 
ensino brasileira.
A temática da diversidade étnico-racial apareceu 
tornou-se como um tema transversal curricular, ponto 
de ser contemplado em qualquer disciplina. Logo de 
início o documento afirma que a educação deve ser 
voltada para a cidadania, os vários termos como Ética, 
Meio Ambiente, Saúde, Orientação Sexual, Trabalho 
e Consumo e Pluralidade Cultural são tratados como 
temas a serem incorporados, seguindo uma conexão 
entre a realidade social dos estudantes e saberes teóricos, 
aos campos gerais do currículo. (ABRAMOVICH; 
RODRIGUES; CRUZ, 2011, p. 90)
Já o Parecer 017/2001 de 2001, do Conselho Nacional de 
Educação, vai afirmar a conscientização do direito de constituição 
de identidade própria e o dever do reconhecimento da identidade 
do outro, ambos engajados como o direito à igualdade e ao respeito 
às diferenças, afirmando oportunidades diferenciadas (o que quer 
dizer o direito a equidade), tantas quantas forem necessárias, com 
vistas à busca da igualdade. O princípio da equidade reconhece a 
diferença e a necessidade de haver condições diferenciadas para o 
processo educacional. (BRASIL, 200, p. 11)
Diante das históricas e complexas disparidades e discriminações 
que prejudicavam a escolarização da população negra brasileira, o 
CNE – Conselho Nacional de Educação, com seu papel mediador 
entre o Estado, os sistemas de ensino do Brasil resolve ouvir os 
antigos e inaudíveis apelos e mobilizações do movimento negro 
brasileiro para que a escola passasse a ser palco e contemplasse a 
diversidade social e étnico-racial afro-brasileira. 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 48ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 48 03/02/2021 17:27:4603/02/2021 17:27:46
Educação das Relações Étnico-Raciais 49
Na atualidade, o preconceito e a discriminação 
baseada em critérios étnico-raciais estão entre 
os principais motivadores da evasão escolar das 
pessoas negras. A escola como uma instituição 
que reproduz as estruturas da sociedade também 
reproduz o racismo, como ideologia e como prática 
de relações sociais que inviabiliza e imobiliza as 
pessoas, inferiorizando-as e desqualificando-as 
emfunção da sua raça ou cor. Buscando contribuir 
com a desconstrução desse processo, em 2003 é 
promulgada a Lei Federal nº 10.639 que institui 
a obrigatoriedade do ensino da história e cultura 
afro-brasileira e africana (AGUIAR, 2009, p. 12)
Isso foi materializado com as Diretrizes Curriculares 
Nacionais para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e 
Africana (BRASIL, 2004). O Conselho Nacional de Educação 
(CNE) interpretou as determinações da Lei 10.639/ 2003(BRASIL, 
2003) que introduziu na Lei 9394/1996 das Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional (BRASIL, 1996), a obrigatoriedade do ensino 
de história e cultura Afro-Brasileira e Africana.
As políticas inclusivas são aquelas voltadas para 
a redução das desigualdades sociais, promovendo 
a universalização de direitos civis, políticos e 
sociais, estabelecendo a igualdade de fato. As 
políticas públicas includentes não são formuladas 
como um benefício para um grupo em detrimento 
de outro, mas sim para combater as discriminações 
que impedem o acesso aos direitos sociais, em 
igualdade de condições, por parte de grupos 
considerados em vulnerabilidade, por terem uma 
história marcada pela exclusão e por desigualdades 
de condições(NUNES, 2014, p. 11)
Tais DCNs para a Educação das Relações Étnicos-
Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira 
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Educação das Relações Étnico-Raciais50
e Africana vão declarar que: Reconhecimento implica justiça e 
iguais direitos sociais, civis, culturais e econômicos, bem como 
valorização da diversidade daquilo que distingue os negros dos 
outros grupos que compõem a população brasileira.(BRASIL, 
2003, p. 5). Exigindo mudanças significativas que perpassam os 
discursos, raciocínios, lógicas, gestos, posturas, modo de tratar 
as pessoas negras.(BRASIL, 2003, p. 5)
Determinando o conhecimento da história e cultura afro-
brasileira e africana, para produzir o efeito de 
desconstruir o mito da democracia racial na sociedade 
brasileira; mito este que difunde crença de que, se 
os negros não atingem os mesmos patamares que os 
não negros, é por falta de competência ou interesse, 
desconsiderando as desigualdades seculares que a 
estrutura social hierárquica cria com prejuízos para 
o negro. (BRASIL, 2003, p. 5)
Estas novas determinações colocaram, no núcleo de novos 
posicionamentos, ordenamentos e recomendações, a educação das 
relações étnico-raciais. Deste modo, conformou uma nova política 
curricular que passou a atingir no âmago do convívio, trocas e 
confrontos em que têm se educado os brasileiros de diferentes 
origens étnico-raciais, particularmente descendentes de africanos 
e de europeus, com nítidas desvantagens para os primeiros.
Figura 6: Pintura da Festa de Nossa Senhora do Rosário, Padroeira dos negros 
no Brasil, feita pelo artistaalemão Rugendas, em visita ao Brasil, no Século XIX
Fonte: Wikimedia Commons
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Educação das Relações Étnico-Raciais 51
Os Povos Indígenas, os povos autóctones ou originários 
do Brasil, foram às lutas por seus direitos, nos tempos da 
redemocratização e que culminaram com as lutas por uma nova 
constituição. Esta imensa dívida social do Estado Brasileiro 
com seus povos originários começa a ser equacionado com a 
Constituição de 1988. (BRASIL, 1988)
É importante ressaltar que a constituição permite ao 
cidadão, seus direitos à educação bilíngue (já que são falantes da 
língua materna, pertencente ao seu povo e da Língua Portuguesa), 
ao acesso aos conhecimentos universais, sem que isso despreze 
tais línguas e seus milenares saberes tradicionais. Com relação a 
isso, o artigo 210 assegurou o direito de empregar suas línguas 
maternas, bem como seus processos de aprendizagem.
Assim, a escola passa a ser, por força deste preceito 
constitucional, uma ferramenta de valorização e sistematização 
de seus mais diversos saberes e múltiplas práticas tradicionais, 
e também o espaço de permanência, de acesso e da obtenção de 
conhecimentos universais, caminhando junto com a obrigatória 
valorização dos conhecimentos étnicos, já que existem diversos 
povos indígenas no Brasil, falantes de dessemelhantes línguas e 
que possuem culturas distintas.
Além da Constituição de 1988, anos depois para aqueles 
que já esperavam por quase 500 anos, a Lei de Diretrizes de 
Bases da educação Nacional/LBB 9394/96 (BRASIL, 1996) 
passou a reconhecer legalmente as diferenças e peculiaridades do 
diversos Povos Indígenas habitantes do vasto território nacional. 
No seu artigo 78, é garantindo-lhes, aos povos indígenas, 
todos o direito, e apoios que se fizerem necessários, a recuperar 
suas memórias históricas, a reafirmar suas identidades étnicas 
e a obter a valorização de suas línguas maternas e suas 
específicas ciências, com a garantia do acesso às informações, 
dos conhecimentos técnicos e científicos da nossa sociedade 
nacional, além e do que for relativo as demais sociedades 
indígenas e não-índias.(BRASIL, 1988)
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Educação das Relações Étnico-Raciais52
Já Plano Nacional de Educação/PNE de 2001 
(BRASIL, 2001) instituiu objetivos e metas especificas para o 
desenvolvimento da educação escolar indígena diferenciada, 
que deverá ser intercultural, bilíngue (em língua materna 
indígena e na Língua Português do Brasil), com garantia de 
qualidade. Isso levou a criação de Cursos de Formação Superior 
para professores indígenas e que funcionavam nas férias das 
universidades públicas brasileiras. 
Assim, muitos professores indígenas formam e atuam nas 
suas aldeias espalhadas pelo Brasil. Uma vitória inigualável 
para conseguir os objetivos firmados nestes marcos legais tão 
significativos, focados na diversidade dos povos indígenas e nas 
suas mais diversas tradições culturais específicas, caminhando 
na concretude da especificidade que é o ensino para crianças 
indígenas, com seus direitos a diferença, a interculturalidade 
(conviver entre culturas diferenças) e da manutenção de suas 
diversidades linguística, pois longe estão os tempos coloniais 
em que eram proibidos de falar a língua materna e obrigados a 
falar a mesma língua do rei de Portugal, além das suas culturas e 
histórias tão diversificadas.
Existe um longo caminho ainda para ser realizado entre 
indígenas e não indígenas na busca de um diálogo respeitoso 
e tolerante com relação aos povos indígenas e suas diferenças. 
Os não indígenas precisarão aprender a valorizar e preservar 
todas as diversas culturas indígenas, reconhecendo os povos 
indígenas, seus direitos ao acesso e permanência a todos os 
níveis de escolaridade, respeitando as suas histórias e culturas.
Como já citado, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional/LDB (9.394/96) (BRASIL, 1966), foi adicionada a Lei 
10.639/2003 (BRASIL,2003), promovendo o ensino da História 
e Cultura Afro-brasileira. 
Essa alteração foi regulamentada com a aprovação 
do Parecer nº. 03/2004 do Conselho Nacional de 
Educação, que estabeleceu Diretrizes Curriculares 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 53
Nacionais para a Educação das Relações 
Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura 
Afro-Brasileira e Africana, e da Resolução, nº. 1, de 
17 de junhode 2004. O Parecer CNE/ CP nº. 03, 
de 10 de março de 2004, indicou conteúdos a serem 
incluídos e também as necessárias modificações nos 
currículos escolares, enquanto a Resolução CNE/CP 
nº.1 detalhou os direitos e as obrigações dos entes 
federados frente à implementação da Lei 10.639/03. 
(NUNES, 2014, p. 10)
Anos depois, foi necessário ampliar tal dispositivo legal, 
contemplando os nossos povos originários, os indígenas brasileiros, 
com a promulgação da Lei 11.645/2008. (BRASIL, 2008)
Estas duas modificações provocadas na LDB trouxeram 
as lutas conjuntas dos povos afro-brasileiros e indígenas em 
prol do combate mútuo ao racismo, que sofrem os negros e os 
indígenas desde os tempos da colonização brasileira, já passados 
120 anos da proclamação da República e do fim da escravidão. 
São os ecos das lutas contra a discriminação as diversidades 
étnica-culturais de indígenas e negros, configurando também em 
uma luta contra os desrespeitos aos direitos à educação das duas 
importantes matrizes da formação do povo brasileiro (indígena 
e afro-brasileira).
A LEI Nº 11.645, data de10 de março de 2008, modificou 
o artigo 26 da LDB (BRASIL, 1996), dando o seguinte novo 
texto: Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino 
médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da 
história e cultura afro-brasileira e indígena. (BRASIL, 2008)
Esclarecendo que o conteúdo programático terá que incluir 
diversos aspectos da história e da cultura que 
caracterizam a formação da população brasileira, 
a partir desses dois grupos étnicos, tais como o 
estudo da história da África e dos africanos, a 
luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, 
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Educação das Relações Étnico-Raciais54
a cultura negra e indígena brasileira e o negro 
e o índio na formação da sociedade nacional, 
resgatando as suas contribuições nas áreas social, 
econômica e política, pertinentes à história do 
Brasil. (BRASIL, 2008, p.01)
Fica esclarecido nesta modificação ao texto original da 
LDB (BRASIL, 1996) que os conteúdos alusivos à história e 
cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão 
ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial 
nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileira. 
(BRASIL, 2008, p.01)
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação 
Escolar Indígena, publicada em junho de 2012, garante, como 
princípios da especificidade da Educação Escolar Indígena, os 
esforços no bilinguismo e multilinguíssimo, da organização 
comunitária e da interculturalidade fundamentem os projetos 
educativos das comunidades indígenas, valorizando suas línguas 
e conhecimentos tradicionais. (BRASIL, 2012a, p. 3)
Isso implica em trazer para a escola algo já existente, desde 
bem antes da colonização portuguesa, a coexistência de mais 
de uma língua falada por crianças e adultos, os modos distintos 
de organização comunitária dos diferentes povos indígenas e os 
conhecimentos tradicionais que são veiculados pela oralidade. 
Levando em conta as dimensões biopsicossociais, culturais, 
cosmológicas, afetivas, cognitivas, linguísticas.
Diante disso, exigiu-se a formação de professores 
indígenas, para assegurar um ensino e pedagogias harmônicos 
com as formas próprias destes povos produzirem conhecimentos. 
Bem como a relevância da pesquisa e da elaboração de materiais 
didáticos adequados para trazer a qualidade sociocultural, que 
permita aos povos indígenas, nos termos preconizados pela 
LDB, a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação 
de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e 
ciências.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 55
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação 
Escolar Quilombola, publicada em novembro de 2012 
(BRASIL, 2012b), tocam na Educação Escolar Quilombola, a 
ser oferecida as crianças, adolescentes e jovens quilombolas, 
remanescentes de antigos grupamentos de populações africanas 
e afro-brasileiras que se organizaram, ao longo da cruel história 
da escravidão brasileira em comunidades rurais para resistir e 
viver nas suas lutas pela liberdade. Tais diretrizes demandam a 
organização do ensino, a ser ministrado nas escolas, baseando-
se na memória coletiva e línguas reminiscentes, bem como em 
marcos civilizatórios, práticas culturais, acervos e repertórios 
orais, festejos, usos, tradições e demais elementos que 
conformam o patrimônio cultural das comunidades quilombolas 
de todo o país. (BRASIL, 2012, p. 26)
Tais diretrizes para a escola quilombola e para os povos 
quilombolas espalhados pelo país requerem o ensino, currículo 
e o projeto político-pedagógico em constante diálogo com 
a realidade dos povos quilombolas. Estas, demandam que a 
Educação Escolar Quilombola contemple ao longo das suas etapas 
e modalidades: a cultura, as tradições, a oralidade, a memória, a 
ancestralidade, o mundo do trabalho, o etnodesenvolvimento, a 
estética, as lutas pela terra e pelo território. Isso significa trazer 
para o cotidiano das crianças quilombolas, na escola, a presença 
constante de inúmeros saberes que estão presentes e agem na 
vida social de todos os povos quilombolas brasileiro.
Já a Base Nacional Comum Curricular/BNCC (BRASIL, 
2018), trata da necessidade de pensar os planejamentos 
curriculares focando na equidade e na reversão da histórica 
situação de exclusão histórica de grupos como os povos indígenas 
originários e as populações das comunidades remanescentes de 
quilombos e demais afrodescendentes – e as pessoas que não 
puderam estudar ou completar sua escolaridade na idade própria. 
(BRASIL, 2018, p. 15/16)
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Educação das Relações Étnico-Raciais56
Na nossa BNCC (BRASIL, 2018), a Educação Escolar 
Indígena, para acontecer nas escolas localizadas dentro das Terras 
Indígenas, deverá garantir competências específicas baseadas 
nos princípios da coletividade, reciprocidade, integralidade, 
espiritualidade e alteridade indígena, a serem desenvolvidas a 
partir de suas culturas tradicionais reconhecidas nos currículos 
dos sistemas de ensino e propostas pedagógicas.
Isso significa assegurar uma educação intercultural, 
considerando nas ações educativas o respeito e a presença, em 
sala de aula, das cosmologias (visões de mundo) dos vários 
povos indígenas brasileiros, das suas lógicas, dos seus valores e 
seus princípios pedagógicos. 
A BNCC (BRASIL, 2018) recomenda que as propostas 
pedagógicas considerem a existência de atividades educativas 
que envolvam a abordagem de temas contemporâneos que 
afetam a vida humana em escala local, regional e global, 
preferencialmente de forma transversal e integradora. (BRASIL, 
2018, p. 17). Configuram entre estes temas, entre outros, 
a educação em direitos humanos, amparada no Decreto nº 
7.037/2009, Parecer CNE/CP nº 8/2012 e Resolução CNE/CP 
nº 1/201221). E a educação das relações étnico-raciais e ensino 
de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena (Leis 
nº 10.639/2003 e 11.645/2008, Parecer CNE/CP nº 3/2004 e 
Resolução CNE/CP nº 1/200422). (BRASIL, 2018, p. 19/20)
Todos os Fundamentos Legais para a Educação das 
Relações Étnico-Raciais construídos no Brasil, desde os tempos 
da redemocratização, são frutos de lutas intensas do povo 
brasileiro, negro e indígena. Devem e podem estar presentes 
aos currículos de governos e escolas. Precisarão constar nos 
cotidianosdas atividades escolares. E assim sendo, demandam 
a formação de educadores conscientes de tais legislações, que 
as respeitem e as cumpram, na exatidão em que elas formam 
escritas. Movidos por sentimentos de respeito e adesão históricos 
e culturais e de cumplicidade coma tais histórias e as culturas 
dos Povos Indígenas e afro-brasileiros do nosso país.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 57
UNIDADE
02
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Educação das Relações Étnico-Raciais58
Caro aluno, pensar a educação na perspectiva da das 
relações raciais é estar comprometido com um projeto de 
sociedade, de homem e de mundo que contemplem todas as 
pessoas, buscando a igualdade de oportunidades, consideradas 
as diferenças e necessidades específicas necessárias. Considerar 
que muitas desigualdades e exclusões que se constituíram 
historicamente, só poderão ser mudadas e ressignificadas com 
ações específicas, alterando o curso da história. Você estudará 
na Unidade 2 – O Contato com o Outro: Histórias, Culturas e 
Sociedades Africanas, Afro-brasileiras e Povos Indígenas do 
Brasil. Reconhecendo o contato com a realidade de outro, definir 
o Outro e nomear o Outro. Preparado? Ao longo desta unidade 
letiva você vai mergulhar neste universo!
INTRODUÇÃO
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Educação das Relações Étnico-Raciais 59
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. O Contato com 
o Outro: Histórias, Culturas e Sociedades Africanas, Afro-
brasileiras e Povos Indígenas do Brasil. Nosso objetivo é 
auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
OBJETIVOS
1 Reconhecer o contato com a realidade de outro: Histórias, culturas e Sociedades Africanas (Literatura, Arte, língua e Cultura Africanas e Afro-brasileiras).
2 Definir o Outro: O Negro na Sociedade Brasileira, as Relações Raciais, Contribuições da Matriz Africana nas Artes Brasileiras e Resistência Negra no Brasil.
3 Entender o Contato com a Realidade do Outro: Histórias, culturas e Sociedades Ameríndias e os diversos Povos Indígenas do Brasil: Culturas Indígenas no Brasil. (Literatura, Arte, língua e Cultura Indígenas Brasileiras). 
4 Compreender o Outro: Os Povos Indígenas na Sociedade Brasileira, as Relações Raciais, Contribuições dos Povos Indígenas nas Artes Brasileiras e Resistência Indígena no Brasil.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo 
ao conhecimento? Ao trabalho!
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Educação das Relações Étnico-Raciais60
Reconhecendo o contato com a realidade 
de outro: histórias, culturas e sociedades 
africanas (literatura, arte, língua e cultura 
africanas e afro-brasileiras)
Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer o 
contato com a realidade de outro: histórias, culturas e sociedades 
africanas (literatura, arte, língua e cultura africanas e afro-
brasileiras), bem como você será capaz de definir o outro: o 
negro na sociedade brasileira, as relações raciais, contribuições 
da matriz africana nas artes brasileiras e resistência negra no 
brasil. em seguida, você será capaz de relembrar o contato com 
a realidade do outro: histórias, culturas e sociedades ameríndias 
e os diversos povos indígenas do Brasil: culturas indígenas no 
brasil. (literatura, arte, língua e cultura indígenas brasileiras).Por 
último, você será capaz nomear o Outro: Os Povos Indígenas 
na Sociedade Brasileira, as Relações Raciais, Contribuições dos 
Povos Indígenas nas Artes Brasileiras e Resistência Indígena no 
Brasil. E então? Motivado para desenvolver esta competência? 
Então vamos lá. Avante!
OBJETIVO
Reconhecendo o contato com a realidade 
de outro e o conceito de alteridade
Você reconhecerá o contato com a realidade do outro: 
histórias, culturas e sociedades africanas (literatura, arte, língua 
e cultura africanas e afro-brasileiras), constituirá um percurso 
afirmativo para o entendimento de nossa sociedade profundamente 
marcada pela presença da matriz africana e afro-brasileira.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 61
Ao reconhecer este contato, você já afirma o quão diferente 
e dispare é com relação a sua realidade. E fica uma indagação: 
Como você estabelece suas relações com o Outro, sendo você 
alguém que recebe sentidos da sua realidade social, e, ao mesmo 
tempo produz sentidos? Reflita quais são as relações que você 
costuma estabelecer com o outro, aquele sujeito bem distinto de 
você. E como a cultura que você pertence vê o entendimento do 
outro? É difícil? O certo é que muitas pessoas reclamam, e não 
são incomuns, as dificuldades de lidar com a existência do outro. 
Que tipos de dificuldades são essas?
Dificuldades essas que abrangem a compreensão 
que se tem do que se denomina como outro, a gama 
de especificidades das relações que estabelecemos 
com o outro (por vezes, ausente ou negado em sua 
condição de sujeito) e o conjunto de ideias, noções 
e significados subjacentes à percepção imediata que 
temos do outro. (SANTOS, 1999, p. 375)
Você já tem conhecimento de que a nossa realidade 
brasileira é constituída por inúmeros grupos formados por 
diferentes culturas? Saiba que não são todos os grupos submetidos 
às mesmas relações de poder. Devem ser respeitados, mesmo que 
intensamente desiguais da cultura em que você cresceu e vive. 
Estas matrizes de formação do povo brasileiro foram fazendo seus 
encontros, com muitos conflitos, estabelecendo relações desiguais 
de poder e situados em três momentos da história do Brasil - a 
colonização, a construção do Brasil nação e a República.
Isso estruturou no Brasil um processo de construção das 
representações da alteridade tentando apreender a dinâmica do 
desejo e do medo da diferença que estão na base da construção 
do outro e de si mesmo. Significando que as nossas diferenças 
foram dificultando contatos entre as nossas alteridades e 
estabelecendo e aprofundando hostilidades. 
Para um melhor entendimento, é importante lembrar que 
alteridade é aquela posição, circunstância ou ainda a qualidade 
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Educação das Relações Étnico-Raciais62
que é constituída por meio de relações de diferenças, de contrastes 
e de distinções. “Alteridade é produto de duplo processo de 
construção e de exclusão social que, indissoluvelmente ligados 
como os dois lados de uma folha, mantêm sua unidade por meio 
de um sistema de representações”. (JODELET, 1999, p. 47) É 
bom lembrar que a alteridade só pode ser analisada tendo como 
pano de fundo as condições que estruturam as relações sociais, 
em um contexto plural.
Devemos ficar atentos, na sala de aula, sobre as injustas 
repre-sentações que alimentamos entre os alunos ou nos calamos 
às elas. Elas podem ser produtoras de exclusões sociais. E no caso 
particular das escolas, podem produzir evasões das crianças. As 
nossas dificuldadesde conviver com as diferenças, as alteridades, 
aquilo que o outro é diferente de mim, pode e deve ser entendido a 
partir das necessidades coletivas de tão distintos sujeitos que somos, 
nós os brasileiros, entre nós mesmos. E devem ser solucionadas!
É necessário que cada professor reflita sobre o seu papel 
social e procure distinguir a alteridade de fora (aquilo que é distante, 
é exótico como determinadas comidas de alguns povos em relação 
aos outros povos de outras culturas). E aquela outra, a alteridade 
de dentro (aquelas diferenças que surgem dentro de uma mesma 
cultura ou grupo social).
A alteridade anda junto com a noção de ipseidade que é aquele 
caráter que perpetra com que o indivíduo seja ele mesmo e distinto 
de todos os outros; remetendo a uma distinção antropologicamente 
originária e fundamental – a distinção entre o mesmo e o outro. 
Estabelecendo, assim, uma relação de identidade em cada indivíduo.
Desde crianças estamos construindo uma noção de alteridade, 
apoiados no outro, assim fomos elaborando as nossas identidades, 
assentadas em relações intersubjetivas. E é a intersubjetividade que 
consente a existência do ato significante, ao mesmo tempo em que, 
de outro lado, previne o totalitarismo de interpretações simbólicas 
que se propõem únicas, ou capazes de exaurir o objeto com a versão 
que propõem. Você precisa aceitar a diferença do ‘outro’.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 63
É necessário ficar atento as adversidades trazidas pelo 
individualismo, que ainda que traga responsabilidade, autonomia 
e liberdade, reduz a vida social ao isolamento, solidão, discórdia 
e angústia. Considera-se que uma saída apreciável poderá ser a 
compreensão da ética da alteridade em aliança com o lazer. Já que 
a ética da alteridade é ferramenta para transmutar e transgredir 
todas as amarras impostas pela sociedade, da moral estabelecida 
e das culturas fechadas em si mesmas. Isso acontecerá pelo fato 
de a Ética da Alteridade consentir na entrada em mundos ‘outros’, 
e dos ‘outros’, com suas distintas belezas poéticas, abrindo-se a 
encontrar novos modos de viver e novas narrativas, encantando-
se com elas ou pelo menos aprendendo a respeitá-las.
O que deve ser evitado na escola, nas ações educativas 
com os tão distintos educandos é pensar que:
o outro não significa ou pouco significa para nós. Pois 
ele não faz parte de nós, é um estranho, um alienígena. 
Ele é o índio, o negro, a mulher, o excluído. Eu 
o explico, eu o domino, eu o exploro. E mais: sou 
eu que decido quando há dominação, quando há 
compreensão, quando há exploração. (GUARESCHI, 
1999, p. 159-160)
E, já outro autor, Moreira (1982) considera que a ética 
da alteridade é a ilimitada responsabilidade que cada um de 
nós possui com relação à vida do ‘outro’, permitindo que as 
nossas diferenças possam dialogar. Porém, é necessário abrir 
as conexões para permitir que o contato com o outro não seja 
praticado com a destituição da singularidade, da identidade, 
da verdade e de tudo o que o ‘outro’ é com relação as minhas 
diferenças. O que é necessário evitar é isso: Eu convido-o, eu 
dou-lhe as boas-vindas ao meu lar, sob a condição de que você 
se adapte às leis e normas do meu território, de acordo com a 
minha linguagem, tradição, memória etc.
Os educadores deverão fugir de tendências que se apoiam 
em representações do Povo Brasileiro, e suas matrizes africana, 
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afro-brasileira e indígena, montadas em depreciá-los e deturpar 
suas diferenças. Rompendo com antigas visões, datadas por 
discursos racistas, voltados para a supremacia branca em um país 
profundamente tocado pelas marcas destas matrizes, juntamente 
com a matriz europeia, nem toda ela 100% branca. É interessante 
refletir, aprender e rebater racismos e preconceitos.
As sucessivas gerações formadas por uma pedagogia 
higienizada produziram o indivíduo urbano de nosso 
tempo. Indivíduo física e sexualmente obcecado 
pelo seu corpo; moral e sentimentalmente centrado 
em sua dor e seu prazer; socialmente racista e 
burguês em suas crenças e condutas; finalmente 
politicamente convicto de que a disciplina regressiva 
de sua vida depende a grandeza e o progresso do 
Estado brasileiro. (COSTA, 1983, p. 214)
As relações sociais nos influenciam, em conjunto com 
a nossa vontade de conhecer o mundo, ao mesmo tempo em 
que nos reconhecemos. Lidar com as diferenças envolvem 
desejo. Nosso desejo é que vai definir os modos como a nossa 
sociedade opera com a intrigada rede de relações humanas, que 
permite tanto a construção dos saberes como dos sentidos, eles 
próprios são atividades cruciais para sustentar a formação de 
identidades, sentimentos de pertença e o sentido de comunidade. 
Isso acontece ao Ego (eu) e ao Alter (outro). 
Duveen (1998) defende que o mundo em que as novas 
gerações acessam é articulado ao redor de diferenças e valorizações 
delas, agindo para estruturar e influenciar as representações 
que eles tenham da realidade e dou ‘outro’. Tais representações 
sobre como perceber a realidade e o ‘outro’ aparecem antes da 
consolidação de suas identidades, tais identidades são apoiadas 
em tais representações. A identidade seria uma luta para conseguir 
reconhecimento e necessita da construção da alteridade. Então 
funcionaria assim: A identidade da criança e seu eu, é entendida 
como diferenciação do ‘outro’, representa a construção da 
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diferença. Sendo que a relação com o outro acontece por coação 
(forçada, hierarquizada, um é superior ao outro) ou pela cooperação 
(construção coletiva, interação, a diferença é vista como produtiva 
para a criança) (DUVEEN, 1998). Por tudo isso é necessário:
Olhar o rosto do outro e ter o rosto do outro como 
referência significa cuidar e considerar o alter (outro) 
como diferente do mesmo. Daí o termo Alteridade. 
Cuidar do outro, ter infinita responsabilidade para 
com o outro, é fugir da pretensão do ‘mesmo’ e abrir-
se para a revelação do outro, para a manifestação 
do outro, para a expressão do outro e, portanto, 
escapar das redes de dominação. É, igualmente, 
aceitar o diferente e ir ao encontro dele. E ter como 
princípio ético o encontro com aquele que não sou 
eu, em uma situação sempre de liberdade e diálogo. 
(MOREIRA; JUNIOR,2018, p.29)
Veja, dependendo do contexto em que você está inserido 
vai surgir uma demanda relacionada à sua identidade. O que não 
significa que você vá realizar tal esperada demanda. Você poderá 
agir, em suas tarefas cotidianas, afirmando-a ou contrariando-a. 
Isso significa que os rituais sociais, presentes na sociedade, 
servem para reatualizar uma identidade pressuposta, ou seja, 
já inscrita no contexto em que você vive. Assim, acontece nas 
festas. E que solicita que você aceite as prescrições das condutas 
corretas, reproduzindo as ações determinadas no seio da sua 
realidade social.
O que acontece é que, aparentemente, a identidade de 
uma pessoa pode parecer tão intrínseca, tão grudada a pele 
da pessoa que nem existem outras formas de identificação, a 
posição de mim (o eu ser-posto) me identifica, discriminando-
me como dotado de certos atributos que me dão uma identidade 
considerada formalmente como atemporal. Mas não é assim tão 
natural! A identidade é cultural e social.
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Quando você está inserido nas suas relações sociais com o 
‘outro’, o que ocorre é que você se representa, e tal representação 
adota um sentido tríplice: 1) Você se representa 2) ao se representar, 
exerce papéis relacionados aos condicionamentos (por exemplo, 
você é vizinha dos seus vizinhos, e tal representação costuma 
ocultar outros elementos que constituem a sua totalidade) e 3) à 
medida que você se representa, repõe a sua identidade pressuposta 
(implícita a você).
Sendo assim, sua identidade é constituída por muitas 
representações que você faz de si mesmo, que repomos daquelas 
representações que nos são esperados e pelas representações dos 
papéis a que estamos determinados. A identidade nunca é estática, 
sempre ocorrendo no seu próprio processo de produção. Funciona 
assim: Ser não estático é! Ser é Estar Sendo! Enfim, identidade é 
movimento. Identidade é metamorfose. E sermos um e outro para 
que cheguemos a ser um, numa infindável transformação.
Todo educador deve ficar atento a necessária tarefa de 
apreender os diversos patamares que se estabelecem 
nas relações com o outro, os diferentes graus de 
proximidade desse outro numa realidade social. 
Aquele que não é o mesmo que ‘nós’ pode ser apenas 
diferente, mas próximo, ou constituir-se como um 
alter em ‘sua forma mais extrema e alienante’ como 
é no caso do racismo e, certamente, de todas as 
formas de exclusão social. (SANTOS, 1999, p. 377)
Os Educadores devem sempre estar atentos a relação entre 
o ego (eu) e o alter (outro) e que demanda que tais educadores 
fiquem atentos e sejam receptivos as dessemelhantes formas de 
sociabilidades fora da escola, de dentro da escola, entendendo e 
permitindo as diversidades de manifestações culturais, respeitando as 
sociedades em que os educadores vivem e partindo destas realidades 
para conduzir seus aprendizados. Respeitem as diferenças! Já que 
são as pertenças grupais que sustentam os processos simbólicos 
e materiais responsáveis pela construção da alteridade. Disso 
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decorre a necessidade de se estudar a alteridade sempre levando 
em consideração os níveis interpessoais e intergrupais. (SANTOS, 
1999, p. 376)
Tais construções de diferenças, que não devem ser 
menosprezadas, foram elaboradas, historicamente, têm como 
alicerce projetos políticos, econômicos, sociais e culturais. 
Muitas vezes, interagimos ou nos negamos a interagir com o 
outro, a partir das representações errôneas que temos sobre eles. 
Perdemos bons encontros!
Estas representações vieram de visões hegemônicas, 
produzidas pelos colonizadores, irreais, injustas, racistas e que 
precisam ser evitadas pelos educadores. A construção da alteridade 
e do mesmo se move ao compasso das conjunturas históricas. 
Somos histórica e culturalmente constituídos. Submetidos e 
submetemos as novas gerações a um trabalho cognitivo e afetivo 
constante de construção e reconstrução das representações 
expressando relações de poder desiguais, conflitos de interesse e 
valores vigentes a cada época.
Cada educador, no seu cotidiano dentro da escola, precisa 
refletir sobre a necessidade de reconhecimento do outro como 
um ser de desejos, de projetos e perspectivas próprias. “O 
outro não se esgota no conjunto de significados construídos 
pelo eu”.(SANTOS, 1999, p. 378) Isso significa que por mais 
que um educador seja autoritário, só veja o mundo pela sua 
própria perspectiva, expressando-se sob os olhos de sua própria 
realidade social, classe social e as representações historicamente 
construídas, repletas de preconceitos, nada impedira que o alter 
(outro) seja ele próprio, realize sua própria resistência. Isso 
fica evidente quando se trata de definir o contato com o Outro, 
percorrendo as Histórias, Culturas e Sociedades Africanas, Afro-
brasileiras, Ameríndias e os Povos Indígenas do Brasil.
Não podemos contestar que a inserção predominante do negro 
na sociedade de classe se deu primordialmente como trabalhador 
analfabeto, estigmatizado pelo legado da escravidão, com pouca 
ou nenhuma qualificação. Isso criou uma representação dos negros 
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brasileiros repletas de preconceitos. Há uma exceção historicamente 
comprovada, configurada por outro modo de inserção dos negros, 
como pertencentes a comunidades negras rurais que, na transição 
do trabalho escravo para o trabalho livre, estranharam o modelo e 
contestatoriamente procederam a sua inserção como grupo social e 
culturalmente diferenciado. Já com relação aos indígenas, a inserção 
do índio, nesta mesma sociedade de classe aconteceu de um modo 
diferente. Os modos de inserção dos diversos Povos Indígenas 
foram como grupo etnicamente diferenciado, de fora para dentro 
e/ou de dentro para fora. A inserção de índios como trabalhadores, 
embora ocorrendo, não se constituiu em tendência vultosa.
Aos ‘outros’, distanciados dos seus modos de viver, sentir, 
pensar, comer, dançar, amar, além do seu estranhamento com 
tantas diferenças, não poderão ser oferecidos o racismo em suas 
mais diferentes (todas dolorosas) demonstrações. O racismo é 
uma forma de etnocentrismo, todavia, associado mais diretamente 
à visão biologizada do evolucionismo social. O etnocentrismo e 
o racismo desumanizam, inferiorizam (BANDEIRA, 2003, p. 
144). É bastante descabido produzir expressões de racismo em 
sala de aula ou permitir que as crianças o façam.
Nenhuma explicação etnocêntrica, ou seja, que tenta 
produzir um sentido de verdade para algo inverídico, afirmando 
que um povo é superior a outro. Já que não é! Não configura 
verdade científica qualquer supremacia racial!
O racismo comporta, porém, uma dimensão 
sutil de repulsão que o etnocentrismo generalista 
necessariamente não comporta. Embora o termo 
étnico índio assim como o termo negro tenham sido 
socialmente cunhados para apagar diferenças entre 
os diversos povos americanos e africanos, tornando-
os um classificador de fração de classe, o índio 
concreto é de modo geral associado a uma etnia 
particular, sua pertença a um povo é reconhecida. 
(BANDEIRA, 2003, p. 144)
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Então, no contato com os ‘outros’ é necessário conhecê-
los em tudo o que são de verdade. Foram povos africanos de 
países diferentes, culturas distintas e línguas diferenciadas que 
aportaram, forçadamente aqui, naqueles navios. Foram e são 
Povos Originários diversificados em línguas, em suas culturas 
que foram reduzidos a denominação ‘índios’ pelo fato de algum 
colonizador julgar que havia chegado à Índia, ao chegar às 
terras brasileiras. É necessário ir em busca do reconhecimento 
da diferença étnica, potente o suficiente para permitir o 
verdadeiro reconhecimento de pertencimento cultural de um 
determinado povo. O termo caboclo se aproxima do ponto vista 
social, cultural e político do termo negro. Ambos desenraizam, 
despojam e subtraem dos atores sociais concretos tradições, 
valores e práticas de suas culturas ancestrais.
Reconhecendo o contato com a realidade 
de outro: histórias, culturas e sociedades 
africanas (literatura, arte, língua e cultura 
africanase afro-brasileiras)
Você reconhecerá, ao final da leitura, o contato com a 
realidade de outro: histórias, culturas e sociedades africanas, 
bem como a literatura, arte, língua e cultura africanas e afro-
brasileiras. tal contato com tão vasta contribuição desta matriz 
formadora do povo brasileiro será um mergulho necessário e 
salutar na sua formação docente.
É importante refletir que nas políticas educacionais voltadas 
para realizar integração democrática das diversidades, algumas 
deverão contemplar problemas comuns à questão do negro e à 
questão do índio, outras deverão contemplar especificidades 
próprias de cada grupo. Isso será decisivo para a formação de novas 
mentalidades, assentadas na realidade étnico-cultural brasileira 
e com um efeito reparador às contribuições do negro africano 
(vindos de diversas realidades e regiões do continente africano). 
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As práticas e os valores culturais dos negros foram incorporados 
como produção nacional popular, reduzindo a diversidade dos 
afro-brasileiros à diferença racial, socialmente estigmatizada.
É inegável a herança africana está em suas marcas firmes e 
vivas nos modos de sentir, pensar, sonhar e agir de certas nações 
do hemisfério ocidental(SILVERIO, 2013, p.7). Isso é perceptível 
nos Estados Unidos, Brasil, Caribe, entre outras partes em que se 
deu a diáspora africana, lugares onde os africanos vieram viver 
e permaneceram escravizados. É certo afirmar que tais marcas 
culturais africanas influenciaram as culturas de países como o 
Brasil e fundamentaram fortemente as identidades culturais que 
circulam por este país, pós-chegada do colonizador português.
O século XX foi marcado pela busca de significação 
histórica desta grande influência cultural das culturas africanas, 
entendidas através da história africana. Passou a ser um erro 
histórico narrar a nossa história com olhos voltados aos nossos 
preconceitos, frutos do etnocentrismo, não dedicando espaço a 
história verdadeira destes encontros entre a África e o Brasil.
Diante disso, a história da áfrica comprova que o continente 
africano foi o berço de inúmeras civilizações. A Civilização 
Egípcia, alguns esquecem, estava no continente africano. Fora isso, 
existiram pungentes Impérios. Foram abafados, pelos ocidentais, 
que os africanos criaram inúmeras, complexas e originais formas de 
governo. Algumas eram fundamentadas em uma ordem genealógica 
(clãs e linhagens). Atualmente, coexistem governos republicanos 
e clãs como no Reino de Ghana, difíceis de compreensão para 
os nossos fracassados modelos coloniais e imperiais. E existiram 
formatos governamentais avançados, anterior a chegada dos 
europeus para agir na perversa colonização e escravização dos povos 
africanos, eram os exemplares e notáveis processos iniciativos 
(com a existência de classes de idade), montados através de chefias, 
organizados por diversificadas unidades políticas.
Ganha destaque o Império de poderoso de Aukar ou 
Império de Ghana (século IV)(MELO; BRAGA, 2010). Seus 
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poderes foram contidos somente por volta do ano 1011 (século 
XII) pelos Povos Bérberes (chamados de Bárbaros por não 
se submeterem aso comandos de outros povos). Tais povos, 
os Almorávidas, irão até a Península Ibérica. Já no século IV 
a.C existiam grandes chefias, Estados tradicionais, entre elas 
configurava a primeira dinastia de Gana. Já as escavações 
comprovam a existência de uma arte cerâmica de Nok (Nigéria), 
entre os séculos V a.C. ao II século d.C., demonstrando o seu 
apogeu e complexidade (SALUM,1999).
Assim, os importantes impérios de Gana e Mali, entre 
outros existiram lá na África ocidental, no exato momento da 
Idade Média europeia (que vai acabar no século XV). Outros 
reinos localizados para os lados oriental e central africanos 
(como os Lunda e Luba) realizaram entre eles suas disputas 
entre os séculos XVI e XIX, com seus poderes análogos aos 
estados monárquicos ou imperiais.
Além disso, o reino do kongo desenvolveu suas táticas 
e relacionamentos externos desde o século XIII. Esta ideia de 
que a colonização falsamente difundiu e que descobriu um 
‘outro’ mundo selvagem, onde só viviam tribos em guerra, 
nômades, subdesenvolvidos são construções a serviço dos 
interesses europeus na região africana. História semelhante é 
sempre recontada com relação aos povos ameríndios, os povos 
originários e que já viviam na América antes dos europeus 
aportarem aqui. Dizer que tais povos não tinham suas histórias 
para contar são injustas mentiras.
A África tradicional, anterior aos processos de colonização 
europeia e a vinda de povos africanos ao Brasil, era diversificada 
e inde-pendente, carregando suas distinções sociais, econômicas 
e culturais, pelo vasto território. No bojo do projeto capitalista, 
organizado pelos países que colonizaram, forçadamente, a 
África, estava um projeto de desqualificar seus saberes, suas 
ciências, seus conhecimentos, suas culturas e suas línguas. E 
difundindo narrativas que os qualificam como lugares inóspitos, 
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tórridos, improdutivos, repletos de povos vivendo como 
bárbaros, sem cultura, sem história própria e incivilizados. Isso 
tudo foi alimentado pelo discurso do etnocentrismo, do século 
XIX. É necessário, pois, ver de que História e de que Civilização 
se trata. Isso tudo a favor de um projeto imperialista, liberal e 
colonial, para fazer engrenar o capitalismo, montados nas ideias 
veiculadas na Era Moderna, no século XVI, com as grandes 
invenções e as grandes navegações.
Os Povos Africanos que vieram viver no Brasil Colônia, 
na condição de escravizados, eram de diversas origens. Uma 
parte deles vieram da África Ocidental. Eram povos sudaneses 
e/ou iorubas (nagôs, ketus, egbás); gegês (ewês, fons); 
fantiashanti (genericamente conhecidos como mina); povos 
islamizados (mandingas, haussas, peuls). (SILVÉRIO, 2013, 
p. 13). O autor afirma ainda que, outros povos africanos que 
vieram para o Brasil eram originários da África Central, foram 
os Povos Bantos, eram os bakongos, mbundo, ovimbundos, 
bawoyo, wili (isto é, congos, angolas, benguelas, cabindas e 
loangos). Também vieram ao Brasil, africanos provenientes da 
África Oriental, eram chamados de moçambiques.
Eles chegaram, foram instalados nesta condição de 
escravizados e foram imprimindo as suas marcas culturais, 
constituindo a gênese das culturas negras brasileiras, apesar da 
destituição ampla subjetiva e social impostas pela escravização. 
Não eram estrangeiros fugindo de alguma calamidade, guerra ou 
fome. Eram pessoas obrigadas a sair de suas casas, dos seus países, 
abandonarem suas línguas, na condição degradante de escravizados.
Os povos sudaneses e/ou iorubas deixaram suas marcas 
culturais e influenciaram a história a partir da Bahia, pelo Norte 
e Nordeste do Brasil. Eram suas características:
o culto aos orixás, a realização de cerimônias de 
iniciação, a prática de ritos mágicos, música e dança/
rituais, a elaboração de esculturas em madeira, 
em metais e outros trabalhos manuais como, por 
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exemplo, instrumentos musicais. A cultura iorubana 
é apontada ainda como fonte de influência ao nosso 
léxico. (SILVÉRIO, 2013, p. 13)
Foram mais de quatro milhões de negro-africanos para 
alguns estudiosos e para outros eram mais ainda, que chegaram 
no Brasil, ao longo de bem mais de três séculos consecutivos. 
No decorrer do século XVI, a Bahia configurava o maior núcleo 
português. Havia trinta e tantos engenhos, movidos por 3 ou 4 mil 
escravos negros e 8 mil índios. Nessa proporção, o componente 
negro‐africano iria aumentar cada vez mais. 
Já os Povos Africanos Bantos, foram instalados nos estados 
do Rio de Janeiro e Minas Gerais e eles ficaram notabilizados 
pelo fato de uma das suas línguas, quimbundo ser incorporada 
ao nosso português do Brasil. E ainda por festas: coroação dos 
reis, danças que emulam a caça e a guerra (carnaval), festas 
do boi, folclore;esculturas em madeira, confecção de objetos 
domésticos etc.
Além destes aspectos culturais e linguísticos apontados 
acima, ressaltando o fato de sermos o povo brasileiro que somos, 
carregando elementos constitutivos de tais culturas africanas, 
os africanos que vieram morar no Brasil, nos longos e terríveis 
tempos da Colonização Portuguesa, tiveram seus protagonismos 
na dimensão sociopolítica, e não religiosa e messiânica, das 
revoltas do século XIX. Outro aspecto importante das novas 
pesquisas é a identificação da forte presença de afro-brasileiros 
nesses movimentos.
Os descendentes destes africanos e nascidos no Brasil 
comprovam que juntos aos escravizados não fugiram das lutas em 
prol das necessárias e justas mudanças sociais na história do Brasil. 
Seus descendentes, os afrodescendentes, os afro-brasileiros, 
o povo negro brasileiro organizado em seus movimentos 
prosseguem nas lutas. Além disso, é inegável que os africanos e 
seus descendentes desenvolveram no Brasil forte farmacopeia, 
com seus fazeres e saberes tradicionais, junto à manipulação de 
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plantas medicinais e condimentares em comunidades quilombolas 
e/ou afro-brasileiras como um patrimônio cultural, ehoje se avalia 
seu uso, e importância, na atenção básica à saúde.
Destacaram-se na literatura algumas importantes mulheres 
negras, entre os séculos XIX e XXI. Maria Firmina dos Reis, 
maranhense, nasceu em 1825, com diversas publicações, entre 
elas o romance Úrsula. Era abolicionista e escreveu o livro 
A Escrava, em que reforça postura antiescravista da personagem 
Maria. E foi compositora do hino da abolição da Escravatura.
HINO À LIBERDADE DOS ESCRAVOS
Autoria de Maria Firmina dos Reis
Salve Pátria do Progresso!
Salve! Salve Deus a Igualdade!
Salve! Salve o Sol que raiou hoje,
Difundindo a Liberdade!
Quebrou-se enfim a cadeia
Da nefanda Escravidão!
Aqueles que antes oprimias,
Hoje terás como irmão!
Carolina Maria de Jesus nasceu em 1914 e morreu em 1977, 
afirmava que nos momentos em que passava fome, em vez de 
xingar alguém, preferia escrever. Lá na favela do Canindé, na zona 
norte de São Paulo, onde era catadora e costumava narrar sobre 
sua realidade em papéis encontrados no lixo. Até que publicou o 
seu livro Quarto de Despejo – Diário de uma favelada, em 1960, 
com narrativas sobre as discriminações que as mulheres negras, 
empobrecidas e faveladas passavam. Ainda foram lançadas outras 
obras dela: Casa de Alvenaria, Pedaços de fome e Provérbios. 
Além de obras póstumas: Diário de Bitita (1977), Um Brasil 
para Brasileiros (1982), Meu Estranho Diário (1996), Antologia 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 75
Pessoal (1996), Onde Estaes Felicidade (2014), Meu sonho é 
escrever – Contos inéditos e outros escritos (2018).
Entre tantas outras escritoras negras de ontem e hoje, 
ressalta-se Conceição Evaristo, Doutora em literatura. Ela 
começou a publicar poemas em 1990 e continua ativa. Ela nasceu 
em uma favela na capital mineira. Escreveu a obra Olhos d’Água 
(2014), Ponciá Vicêncio (2003) e o Becos da Memória (2006), 
Poemas da Recordação e Outros Movimentos (2008). Nesta 
obra mais recente, Olhos D’água, Conceição Evaristo apresenta 
narrativas, em 15 contos entrelaçados, com histórias de mulheres 
e homens negros e as lutas deles com diversos tipos de violência 
e depreciação sofridos na sociedade. (EVARISTO,2016).
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à 
seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: Conceição 
Evaristo – Encontros de Interrogação (2015). Depoimento 
gravado durante o evento Escritora-Leitora, em maio de 2015, no 
Itaú Cultural, em São Paulo/SP. No link: https://bit.ly/2UpdI2t
SAIBA MAIS
Com as suas leituras, até este momento, você reconhecerá 
o contato com a realidade de outro: Histórias, culturas e 
Sociedades Africanas (Literatura, Arte, língua e Cultura 
Africanas e Afro-brasileiras). Na primeira parte, será possível 
reconhecer o contato com a realidade de outro e o conceito 
de alteridade para conseguir entender o ‘outro’ africano, em 
suas diferenças. E na parte final, você será capaz de reconhecer 
o contato com a realidade de outro, através das Histórias, 
culturas e Sociedades Africanas (Literatura, Arte, língua e 
Cultura Africanas e Afro-brasileiras).
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Figura 1: Carolina de Jesus autografa seu livro Quarto de Despejo em 1960
Fonte: wikipedia commons
Definindo o outro: o negro na sociedade 
brasileira, as relações raciais, 
contribuições da matriz africana nas 
artes brasileiras e a resistência negra no 
Brasil
Definindo o Outro, os negros na sociedade brasileira, nas relações 
raciais, nas contribuições da matriz africana nas artes brasileiras 
e na resistência negra no Brasil, virão muitos elementos para 
você definir o papel do negro no Brasil, dos tempos coloniais 
aos dias atuais.
OBJETIVO
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Educação das Relações Étnico-Raciais 77
É inegável o papel gigantesco que os africanos e os afro-
brasileiros trouxeram e trazem para a formação do povo brasileiro, 
nas nossas história e cultura. Tratando da história do Brasil, a 
população negra, seja em condição de escravizado, chegando ao 
Brasil, tendo partindo do continente africano e sendo provenientes 
de vários países, passando por longos períodos sob a condição 
indigna de escravizados, lutando pela libertação. Ou seja, a 
história de seus descendentes na mesma condição, escravizado 
ou libertos, empreendendo as suas lutas por liberdade e direitos, 
batalhas diárias até hoje. Lutaram e lutam pelo reconhecimento 
de seus direitos, negados pelo longo período em que durou a 
escravidão no Brasil.
A África, no período colonial brasileiro, possuía inúmeras 
línguas, como ainda continuam existindo. Comparados aos 
indígenas brasileiros, os autóctones, os que já habitavam aqui, 
anteriores a chegada dos portugueses, pode-se até entender que os 
africanos seriam mais homogêneos no plano da cultura, os africanos 
variavam também largamente nessa esfera. Tudo isso fazia com 
que a uniformidade racial não correspondesse a uma unidade 
linguístico‐cultural. Eram diversas as culturas dos africanos!
Os africanos constituíam uma consolidadadiversidade 
linguística e cultural. Rapidamente os poderes locais e os que 
manipulavam o tráfico de escravizados consideraram útil aos fins 
mercantis e para evitar planos de fugas, impedirem a concentração de 
escravos oriundos de uma mesma etnia, nas mesmas propriedades, 
e até nos mesmos navios negreiros, impediu a formação de núcleos 
solidários que retivessem o patrimônio cultural africano.
Sendo que a condição de escravizados não os calou 
completamente, ainda que fossem todos obrigados a falar a língua 
do rei de Portugal, conseguiram influenciar com suas línguas, 
sendo sujeitos participantes da criação e diferenciação do nosso 
português brasileiro. É possível perceber que falamos uma língua 
com muitas diferenciações do português falado em Portugal, 
Português do Brasil. Os africanos trouxeram novas palavras. 
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Educação das Relações Étnico-Raciais78
Aquelas vozes submergidas no inconsciente 
iconográfico dessa gente trazida em cativeiro se fazem 
perceptíveis na pronúncia rica em vogais da nossa 
fala (ri.ti.mo, pi.néu, a.di.vo.ga.do), na nossa sintaxe 
(tendência a não marcar o plural do substantivo no 
sintagma nominal (os menino(s), as casa(s)), na dupla 
negação (não quero não),no emprego preferencial 
pela próclise (eu lhe disse, me dê), mas se revelam de 
maneira inequívoca nas centenas de palavras que foram 
e ainda são apropriadas como linguístico do português 
do Brasil a enriquecerem o imaginário simbólico da 
língua portuguesa.(CASTRO, 2011, p.01)
Tais palavras recebidas dos africanos são faladas 
demasiadamente, nos nossos cotidianos, configurando marcas 
lexicais que portam elementos culturais africanos, repartidos 
com a sociedade brasileira e que transitam,
no âmbito da recreação (samba, capoeira, forró, 
lundu, maculelê), dos instrumentos musicais 
(berimbau, cuíca, agogô, timbau), da culinária 
(mocotó, moqueca, mungunzá, canjica), da 
religiosidade (candomblé, macumba, umbanda), das 
poéticas orais (os tutus dos acalantos, o tindolelê das 
cantigas de roda), das doenças (caxumba, tunga), da 
flora (dendê, maxixe, jiló, andu, moranga), da fauna 
(camundongo, minhoca, caçote, marimbondo), 
dos usos e costumes (cochilo, muamba, catimba), 
dos ornamentos (miçanga, balangandã), das 
vestes (tanga, sunga, canga), da habitação (cafofo, 
moquiço), da família (caçula, babá), do corpo 
humano (bunda, corcunda, banguela, capenga), dos 
objetos fabricados (caçamba, tipóia, moringa), das 
relações pessoais de carinho (xodó, dengo, cafuné), 
dos insultos (sacana, xibungo, lelé), do mando 
(bamba, capanga), do comércio (quitanda, bufunfa, 
muamba, maracutaia). (CASTRO, 2011, p. 01)
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Educação das Relações Étnico-Raciais 79
Trazido ao Brasil forçado, construindo o país, sendo que 
a luta mais árdua do negro africano e de seus descendentes 
brasileiros foi, ainda é, a conquista de um lugar e de um papel de 
participante legítimo na sociedade nacional. Teve que aprender a 
língua falada no brasil. Dominou-a, não só a refez, emprestando 
singularidade ao português do Brasil, mas também possibilitou 
sua difusão por todo o território, uma vez que nas outras áreas se 
falava principalmente a língua dos índios, o tupi‐guarani.
Um número imenso de africanos foi, forçadamente, trazido 
ao Brasil. Calculo que o Brasil, no seu fazimento, gastou cerca 
de 12 milhões de negros, desgastados como a principal força 
de trabalho de tudo o que se produziu aqui e de tudo que aqui 
se edificou. Não permaneceram sem resistência ao sistema 
colonizador e escravagista que os oprimiu por séculos. Ao fim do 
período colonial, constituía uma das maiores massas negras do 
mundo moderno. Sua abolição, a mais tardia da história, foi a causa 
principal da queda do Império e da proclamação da República.
Esta mercantilização dos corpos dos africanos, pelos países 
da diáspora africana encontrou muitas resistências e insurreições. 
Na década de 1570, na Bahia, surgiram os focos 
iniciais de resistência de escravizados. Estes 
criaram o primeiro quilombo de que se tem notícia, 
que foi destruído em 1575. Neste período, os 
engenhos espalhados pelo Brasil contavam com 
cerca de 15 mil escravizados. Alguns estudos 
mostram que no final desse século começou a se 
formar o maior e mais organizado quilombo que 
se conhece, Palmares. (MELO; Braga, 2010, p. 65)
Neste Quilombo de Palmares viveram entre 20 a 50 mil 
pessoas, sua organização era através de um sistema político 
próprio, calcado na tradição dos povos africanos. “Apoiava-se 
numa economia de subsistência baseada na caça, na pesca, na 
agricultura e no artesanato”. (MELO; BRAGA, 2010, p. 65) 
O grande nome, figura heroica e exemplo de liderança 
e resistência foi Zumbi dos Palmares, foi a liderança do mais 
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Educação das Relações Étnico-Raciais80
famoso quilombo da história do Brasil, o Quilombo dos Palmares, 
notabilizado como um dos capitais nomes da resistência negra 
contra escravidão. O dia 20 de novembro tornou-se o Dia 
Nacional da Consciência Negra em sua homenagem, pois nessa 
data ele foi morto por seus captores. 
Diferenciando-se de seus precursores, Zumbi não almejava 
negociatas suspeitas com os brancos. Ele substituiu a estratégia 
de defesa passiva por outra ofensiva, organizando ataques-
surpresa a engenhos, libertando escravizados e apoderando-se de 
armas, munição e suprimentos. Somente em 1695 é que Zumbi 
foi atacado e morto. Sua cabeça foi cortada e exposta em praça 
pública para que cessassem os boatos de que ele era indestrutível.
Caso você não conheça esta história de resistência negra 
no Brasil, você poderá desconfiar da existência de tantas lutas, 
do longo processo de resistência contra os governos coloniais 
brasileiros. Isso acontece pelo fato das histórias dos africanos 
e afro-brasileiros serem desconhecidas. Eram e são poucos os 
autores que têm retratado a história de participação efetiva dos 
escravizados africanos no processo de formação do povo brasileiro 
e da real herança cultural que nos deixaram.
Serem reconhecidos nas suas histórias e culturas africanas e 
afro-brasileiras configurou campos de lutas dos afro-brasileiros, 
do povo negro brasileiro em seus combates, nos movimentos 
negros. Isso foi trazendo avanços, como marcos legais que 
traziam esta possibilidade e exigência para dentro das escolas, 
de suas histórias e culturas (lei 10.639/2003 e 11. 11.645/2008).
Como frutos deste processo intenso de reinvindicações 
dos movimentos organizados dos negros brasileiros, foi possível 
realizar uma revisão histórica com relação à contribuição negro-
africana em todos os aspectos da vida social, cultural, política 
e econômica na sociedade brasileira). Isso configurou uma 
oportunidade ímpar na história da educação brasileira! As crianças 
afro-brasileiras, bem como qualquer outra criança, começaram a 
contar com professores mais bem preparados para tratar de temas 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 81
como as culturas africanas, nas atividades escolares. Isso começou 
a fornecer referências identitárias positivas aos descendentes dos 
negros africanos e que vivem no Brasil.
Hoje já existem comprovações cientificas de que a 
raçahumana surgiu na África. Isso quer dizer que somos 
originalmente africanos. Todos os seres humanos. Voltando os 
olhos para a História da África, é interessante perceber que na 
cultura africana tudo é ‘História’. 
A grande História da vida compreende a História da 
terra e das Águas (geografia) a História dos vegetais 
(botânica e farmacopéia), a História dos ‘Filhos do seio 
da Terra’ (mineralogia e metais,) a História dos astros 
(astronomia, astrologia), a História das águas, e assim 
por diante. [...] Por exemplo, o mesmo velho conhecerá 
não apenas a ciência das plantas (as propriedades boas e 
más de cada planta), mas também ‘as ciências da terra’ 
(as propriedades agrícolas ou medicinais dos diferentes 
tipos de solo), a ciência das águas, astronomia, 
cosmogonia, psicologia, etc. (BÂ, 1982, p. 195)
Tais ciências africanas, profundamente ligadas a vida, com 
os seus conhecimentos abertos a uma utilização prática. E, ainda, 
as ciências ‘iniciatórias’ ou ocultas, tão distanciadas do público 
desconhecedor das antigas tradições africanas, bastante vinculadas 
e integradas a vida trata-se sempre, para a África tradicional, de 
uma ciência eminentemente prática que consiste em saber como 
entrar em relação apropriada com as forças que sustentam o 
mundo visível, e que podem ser colocadas a serviço da vida. 
Quanto ao negro brasileiro na Sociedade Brasileira, 
as Relações Raciais tensas e preconceituosas que necessitou 
combater, bem como as contribuições desta Matriz Africana 
e afro-brasileira nas Artes Brasileiras e Resistência Negra no 
Brasil foram inúmeras e precisam ser conhecidas pelas crianças 
nas escolas.
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Educação das Relações Étnico-Raciais82
As famílias negras no Brasil colonial, imperial e 
republicano souberam e sabem das consequências de tão longo 
tempo de construção de papéis que carregam pelas futuras 
gerações de brasileiros as mais cruéis discriminações. 
Ser negro é enfrentar uma história de quase 
quinhentos anos de resistência à dor, ao sofrimento 
físico e moral, à sensação de não existir, a prática 
de ainda não pertencer a uma sociedade na qual 
consagrou tudo o que possuía, oferecendo ainda hoje 
o resto de si mesmo. Ser negro não pode ser resumido 
a um ‘estado de espírito’, a ‘alma branca ou negra’, 
a aspectos de comportamento que determinados 
brancos elegeram como sendo de negro e assim 
adotá-los como seus.(NASCIMENTO; 1974a, p.76).
Maria Beatriz Nascimento, mulher negra e nordestina, 
historiadora, poetisa, militou ativamente nos movimentos pelos 
direitos humanos de mulheres e negros. Foi assassinada em 1995, 
quando cursava o seu mestrado, em decorrência do apoio que 
prestou a uma amiga que estava sofrendo com uma relação abusiva 
por parte do companheiro desta amiga. Foi ele quem a assassinou. 
Beatriz Nascimento deixou grande contribuição com suas 
escritas e publicações. Foi roteirista, sendo que a produção de 
sua autoria mais reconhecida é o filme e documentário Ôri 
(1989), em que é documentado a trajetória dos movimentos 
negros brasileiros entre 1977 e 1988. Nesta produção é possível 
entender sobre a corporeidade do negro, as injustas vidas dos 
africanos escravizados e dos afrodescendentes brasileiros, bem 
como o foco na situação desigual, de inferioridade e injusta das 
mulheres negras no Brasil.
Beatriz Nascimento entendia que na história tradicional do 
povo negro subsistem ainda resquícios das sociedades africanas, 
além de uma cultura forjada no Brasil, e que esta cultura tramada 
em um processo de dominação, é perniciosa e bastante difícil, e que 
mantém o grupo no lugar onde o poder dominante acha que deve 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 83
estar. Isto é o que eu chamo de ‘Cultura da Discriminação’. Ela 
defendia que era necessário ir além da discussão e da visualização 
do processo de dominação de uma cultura sobre a outra (da cultura 
do dominador colonizador a cultura negra). Recomendando que os 
negros brasileiros deveriam procurar os elementos dentro de nossa 
cultura que estão provocando essa mesma subordinação? Até que 
ponto a cultura do branco nos domina e até que ponto a nossa própria 
cultura também está interagindo nesse processo de dominação?
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à 
seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Vídeo: Trecho 
curto do Filme Ôri, com roteiro de Maria Beatriz Nascimento e 
dirigido pela cineasta Raquel Gerber. Disponível no link: https://
bit.ly/37nnNCx
SAIBA MAIS
Sobre o Negro na Sociedade Brasileira, as Relações Raciais, 
as contribuições da Matriz Africana e a Resistência Negra, Beatriz 
Nascimento questionava os conteúdos ideologicamente dominantes, 
preconceituosos, racistas, repassados, etnocêntricos, quando são 
falados ou escritos termos como aceitação, integração e igualdade. 
Ela considerava que era bem difícil estudar a discriminação racial, 
usando estes três termos para analisar a história do negro brasileiro, 
em uma sociedade racista, com elemento de análise teórica
impregnado de uma cultura em todos os sentidos 
branca e europeizada se faz necessário perguntar-se 
a si próprio se determinados termos correspondem 
à sua perspectiva, se não são somente reflexos 
do preconceito, repetidos automaticamente sem 
nenhuma preocupação crítica. Ou seja, se não estamos 
somente repetindo os conceitos do dominador sem 
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Educação das Relações Étnico-Raciais84
nos perguntarmos se isto corresponde ou não à nossa 
visão das coisas, se estes conceitos são uma prática, 
e caso fossem uma prática se isto é satisfatório 
para o negro. Somos aceitos por quem? Para quê? 
O que muda ser aceito? O que é ser igual? A quem 
ser igual? É possível ser igual? Para que ser igual? 
(NASCIMENTO, 1974a, p.68)
Os últimos anos do século XX aos dias atuais serão decisivos 
para a construção de novos conhecimentos sobre o Negro na 
Sociedade Brasileira as Relações Raciais, contribuições da Matriz 
Africana e Resistência Negra, tanto dentro das universidades como 
fora, na produção acadêmica e as artes em geral, na literatura em 
geral, no cinema, surgiram e continuam a surgir muitos teóricos, 
estudiosos e pensadores. Os apelos de Beatriz Nascimento fizeram 
seus ecos e trouxeram seus resultados.
A todo o momento o preconceito racial é demonstrado 
diante de nós, é sentido. Porém, como se reveste de uma 
certa tolerância, nem sempre é possível percebermos 
até onde a intenção de nos humilhar existiu. De 
certa forma, algumas destas manifestações já foram 
incorporadas como parte nossa. Quando, entretanto, a 
agressão aflora, manifesta-se uma violência incontida 
por parte do branco, e mesmo nestas ocasiões 
‘pensamos duas vezes’! antes de reagir, pois, como 
expus acima, no nosso ‘ego histórico’ as mistificações 
agiram a contento. (NASCIMENTO, 1974b, p. 42)
Ressalta-se o importante e pioneiro papel desempenhado, 
na 1.ª metade do século XX, pelo escritor, teatrólogo, ativista, 
militante, Abdias do Nascimento, organizador em 1938 do 
inovador I Congresso Afro-Brasileiro (já passados 50 anos da 
decretação do fim da escravidão no Brasil). Abdias do Nascimento 
criou, em 1944, o extraordinário Teatro Experimental do Negro 
(TEN) para denunciar o preconceito e a discriminação e dar 
vozes aos talentos negros. Essa demanda continua sendo atual. 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 85
Abdias Nascimento narra os seus propósitos com o TEN: 
Nosso Teatro seria um laboratório de experimentação 
cultural e artística, cujo trabalho, ação e produção 
explícita e claramente enfrentavam a supremacia 
cultural elitista-arianizante das classes dominantes. O 
TEN existiu como um desmascaramento sistemático 
da hipocrisia racial que permeia a nação. Havia 
e continua vigente uma fi losofi a de relações de 
raças nos fundamentos da sociedade brasileira; 
paradoxalmente, o nome dessa fi losofi a é ‘democracia 
racial’. ‘Democracia racial’ que é um mero disfarce 
que as classes branco/brancóides utilizam como 
estratagema, sob o qual permanecem desfrutando ad 
aeternum.(NASCIMENTO, 1980, p. 68)
Em 1988, a constituição federal vai criminalizar a 
discriminação racial e surgiu a Fundação Cultural Palmares, 
junto ao Ministério da Cultura, realizando extenso e consistente 
trabalho em prol das artes e culturas negras, junto aos afro-
brasileiros (MELO; BRAGA, 2010).
Figura 2: Escultura da Cultura Nok, datada entre o século V a.C 
ao século IV d.C., Nigéria (mais de 2500 anos atrás)
Fonte: wikipedia commons 
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Educação das Relações Étnico-Raciais86
As duas primeiras décadas, do nosso atual século XXI, 
foram vigorosas nas participações e protagonismos dos Negros 
na Sociedade Brasileira, movidos por muitas mobilizações e por 
resultados configurados em marcos legais e políticas Públicas 
dos governos. As Relações Raciais foram debatidas, e, foram 
oferecidas inúmeras contribuições da Matriz Africana, dos 
afros descendentes, dos afro-brasileiros nas Artes Brasileiras. A 
Resistência Negra no Brasil prossegue forte e com seus resultados, 
apesar das históricas consequências do longo escravismo. Existem 
muitas conquistas por alcançar! Em 2003 foi criada a SEPPIR 
(Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial) 
criando um lugar de destino de muitas reinvindicações históricas.
Um pouco adiante surgiu o Estatuto da Igualdade racial 
(2009). As comunidades quilombolas começaram a receber maior 
apoio e serem certificadas pela Fundação Cultural Palmares, em 
diversos estados brasileiros. Sendo que no ano de 2007 mais 
de 1000 delas foram certificadas (MELO, BRAGA, 2010). As 
culturas dos afro-brasileiros são valorizadas.
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à 
seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: As relações 
étnico-raciais no Brasil contemporâneo a partir da perspectiva da 
Diáspora Africana. Disponível no link: https://bit.ly/3haSuPQ
SAIBA MAIS
Ao final da sua leitura, você será capaz de definir o Outro, 
os negros na Sociedade Brasileira, nas Relações Raciais, nas 
Contribuições da Matriz Africana nas Artes Brasileiras e na 
Resistência Negra no Brasil, terá visto muitos elementos para 
você definir o papel do negro, no Brasil, dos tempos coloniais 
aos dias atuais. 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 87
Relembrando o contato com a 
realidade do outro: histórias, culturas 
e sociedades ameríndias e os diversos 
povos indígenas do Brasil: culturas 
indígenas no Brasil. (literatura, arte, 
língua e cultura indígenas brasileiras)
Relembrando o contato com a realidade do outro: histórias, culturas 
e sociedades ameríndias e os diversos povos indígenas do Brasil: 
culturas indígenas no Brasil. (literatura, arte, língua e cultura 
indígenas brasileiras), tudo isso fará com você conheça para não 
mais esquecer a contribuição das nossas matrizes indígenas do 
Brasil e como se encontram hoje.
OBJETIVO
Conhecer a realidade do ‘Outro’, do sujeito indígena, na 
história do Brasil, requer conhecer para não esquecer! E para 
aproximar de um universo que poderá ser visto como tão distante, 
ou pelo fato de a Amazônia estar longe geograficamente de muitas 
outras regiões do Brasil ou por julgar que os tempos dos indígenas 
já passaram. A falta do contato com a história das diversas culturas 
indígenas que viveram e vivem nas Américas e no Brasil fazem 
falta aos professores, e, consequentemente aos alunos.
Os grupos indígenas que aqui já viviam no litoral brasileiro, 
e viram chegar os primeiros portugueses eram sobretudo povos 
indígenas de tronco tupi que, havendo se instalado uns séculos 
antes, ainda estavam desalojando antigos ocupantes oriundos de 
outras matrizes culturais. Somavam, talvez, 1 milhão de índios, 
divididos em dezenas de grupos. Tais grupos indígenas estavam 
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Educação das Relações Étnico-Raciais88
organizados, um por um, compreendendo um conglomerado de 
várias aldeias de trezentos a 2 mil habitantes. Não confundir 
com todos os povos indígenas que viviam no Brasil do século 
XVI, época da chegada dos colonizadores. 
Esta soma que representa uma vultosa presença 
populacional indígena é somente dos povos que falavam a língua 
Tupy, esta língua que deixou tantos nomes que repetimos sem nem 
mesmo nos damos conta dela. E, ressaltando que só a contagem 
dos povos de língua Tupy no litoral tinha à mesma população 
que Portugal na mesma época. “Apesar da unidade linguística 
e cultural que permite classificá‐los numa sómacroetnia, oposta 
globalmente aos outros povos designados pelos portugueses 
como tapuias (ou inimigos)”. (RIBEIRO, 1995, p. 32).
O fato é que jamais os grupamentos Tupy conseguiram 
unificar‐se numa organização política que lhes permitisse atuar 
conjugadamente. Isso demonstra o equívoco histórico e cultural 
da expressão os índios brasileiros ou os indígenas brasileiros. A 
diversidade étnico-cultural é histórica e isso já se dava antes da 
chegada do colonizador. 
Os povos tupy, na escala da evolução cultural, faziam neste 
momento da chegada dos portugueses e por conta própria a sua 
revolução agrícola, ultrapassando assim a condição paleolítica. 
É faziam por um caminho próprio, juntamente com outros povos 
da floresta tropical que haviam domesticado diversas plantas, 
retirando‐as da condição selvagem para a de mantimento de seus 
roçados. Um exemplo extraordinário é a mandioca, porque se 
tratava de uma planta venenosa a qual eles deviam, não apenas 
cultivar, mas também tratar adequadamente para extrair‐lhe o 
ácido cianídrico, tornando‐a comestível.(RIBEIRO, 1995, p. 31)
Aquelas representações preconceituosas medonhas e racistas 
feitas sobre os índios brasileiros, vestidos como os mesmos trajes, 
falando um português que levam aos risos, são injustas diante 
da diversidade étnico-linguística e cultural, expressa de muitos 
modos, com tradições distintas, quando se fala sobre a história e a 
cultura indígena, no Brasil.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 89
Com um novo inimigo morando no Brasil, o português 
colonizador, só foi possível aos Povos Tupy conseguiram estruturar 
efêmeras confederações regionais que logo desapareceram. A mais 
importante delas, conhecida como Confederação dos Tamoios, foi 
ensejada pela aliança com os franceses (RIBEIRO, 1995, p. 33), na 
baía de Guanabara. Além dos Povos Tamoios, reuniu, entre 1563 
a 1567,os Povos Tupinambá, no Rio de Janeiro e os Povos Carijó 
no planalto paulista, apoiados pelos Povos Goitacá e pelos Povos 
Aimoré da Serra do Mar, que não eram de língua Tupy, e sim de 
Língua jê (um outro trono linguístico que persiste ainda hoje no 
Brasil, em estados como Mato Grosso, Tocantins e na Região Sul 
do Maranhão). Neste momento estavam opostos aos portugueses 
e aos povos indígenas que os apoiavam. E os portugueses, entre 
eles os padres jesuítas manipulam seus defensores:
Nessa guerra inverossímil da Reforma versus a 
Contra‐Reforma, dos calvinistas contra os jesuítas, 
em que tanto os franceses como os portugueses 
combatiam com exércitos indígenas de milhares 
de guerreiros ‐ 4557, segundo Léry; 12 mil nos 
dois lados na batalha final do Rio de Janeiro, 
em 1567, segundo cálculos de Carlos A. Dias 
(1981) ‐, jogava‐se o destino da colonização. E 
eles nem sabiam por que lutavam, simplesmente 
eram atiçados pelos europeus, explorando sua 
agressividade recíproca. Os Tamoios venceram 
diversas batalhas, destruíram a capitania do Espírito 
Santo e ameaçaram seriamente a de São Paulo. 
Mas foram, afinal, vencidos pelas tropas indígenas 
aliciadas pelos jesuítas. (RIBEIRO, 1995, p. 33)
Aqueles que invadiram as terras foram os colonizadores. É 
interessante que os professores entendam as reais histórias para 
conseguir produzir verdade iras narrativas aos seus alunos. Os 
portugueses, no século XVI, eram muito diferentes dos diversos 
povos indígenas brasileiros. Os povos indígenas que viviam 
no Brasil eram todos eles estruturados em tribos autônomas, 
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Educação das Relações Étnico-Raciais90
autárquicas e não estratificadas em classes, o enxame de 
invasores era a presença local avançada de uma vasta e vetusta 
civilização urbana e classista. (RIBEIRO, 1995, p. 37) Este 
‘outro’, o português, europeu era o atraso, o vinculado aos 
sistemas de governo não democráticos, opressores e racistas, 
não respeitavam outras religiosidades, culturas e costumes. 
Estes portugueses desconheciam a tolerância a diversidade 
étnico-cultural em que viviam os povos indígenas brasileiros. 
Além de estabelecerem conflito e aprofundar alguns já 
existentes, entre os distintos povos indígenas que aqui viviam, 
trouxeram a obrigatoriedade de todos seguirem a língua do rei 
de Portugal, bem como sua religião, mexendo profundamente 
nas diversas culturas, línguas, cosmologias e religiosidade de 
tantos e distintos povos.
Outro agente poderoso de tal projeto colonizador era o 
padre jesuíta que desconhecia culturas e religiosidades próprias 
dos povos que encontrou aqui no Brasil, a partir do século 
XVI. Era a Igreja católica, com seu braço repressivo, o Santo 
Ofício. Ouvindo denúncias e calúnias na busca de heresias e 
bestialidades, julgava, condenava, encarcerava e até queimava 
vivos os mais ousados.(RIBEIRO, 1995, p. 37) Isso havia sido 
arquitetado ainda no século XV, anterior a chegada de qualquer 
português ao Brasil, e prossegue firme, nestes tempos em que 
vivemos, no século XXI, com outros projetos evangelistas. Veja 
o que escreveu o papa em 1954:
Não sem grande alegria chegou ao nosso 
conhecimento que nosso dileto filho infante D. 
Henrique, incendiado no ardor da fé e zelo da 
salvação das almas, se esforça por fazer conhecer 
e venerar em todo o orbe o nome gloriosíssimo 
de Deus, reduzindo à sua fé não só os sarracenos, 
inimigos dela, como também quaisquer outros 
infiéis.(Papa Nicolau V, 1454, p. 01)
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Educação das Relações Étnico-Raciais 91
Isso atingirá os modos de produção artística no Brasil 
colonial. Gandon (1997) explicou que:
os jesuítas procuraram adaptar a arte europeia ao 
contexto cultural dos índios brasileiros. Escrevendo 
em 1585, o padre Anchieta relatava que numa das três 
missões de índios cristãos livres, situadas na costa 
norte da Bahia - Espírito Santo, São João e Santo 
Antonio - os padres ensinavam os índios a cantar, 
e tem seu coro de canto e flautas para suas festas, 
e fazem suas danças à portuguesa com tamboris e 
violas, com muita graça, como se fossem meninos 
portugueses, e quando fazem estas danças põem uns 
diademas na cabeça de penas de pássaros de várias 
cores, e desta sorte fazem também os arcos, empenam 
e pintam o corpo. Desde o século XVI, os jesuítas 
se serviam também dos autos -forma teatral de uma 
trama popular, com cantos e danças - como elemento 
eficaz da catequese. É bastante provável que, desde 
então, personagens representativos dos indígenas 
figurassem nestas peças, encenadas sobretudo no 
ciclo natalino.(GANDON, 1997, p. 156/157)
Isso trouxe uma popularização de tais autos, para eles 
afluíram as populares danças dramáticas, apresentadas nas 
portas das igrejas coloniais brasileiras. Anos mais tarde, os 
africanos chegaram e novos elementos foram embutidos, dentro 
das manifestações artísticas populares do Brasil.
Algumas pessoas, nesta altura da história do Brasil, em 
pleno século XXI expressam seus preconceitos com relação 
a este outro, o indígena. Odeiam, sem sequer conhecerem. 
Movidos por algum motivo relacionado ao tom da pele, etnia, 
ao fato de alguns povos estarem empobrecidos, de não apreciar 
qualquer outra estética diferente da sua própria classe social, 
da sua própria cidade ou identificações étnicas, ou por falarem 
línguas que não são aquelas deixadas pelos colonizadores.
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Educação das Relações Étnico-Raciais92
Diante das diferenças entre os brasileiros não-indígenas 
para reconhecer os ‘outros’, para conhecer aqueles desconhecidos 
brasileiros indígenas, é necessário cuidar das informações. 
Gersem Baniwa é indígena brasileiro, pertence ao Povo Baniwa, 
do Alto do Rio Negro, é antropólogo, trabalhou no Ministério da 
Educação, e atua como Assessor Técnico do Fórum de Educação 
e Saúde Indígena do Amazonas – FOREEIA. Ele professor doutor 
adjunto da Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Com ele 
é possível você aprender sobre a realidade de um povo indígena 
do Brasil. Mas é importante relativizar que tais conhecimentos 
são apenas do povo Baniwa. Cada povo indígena, ontem e hoje, 
vai ter seus saberes culturais distintos. 
Gersem Baniwa esclarece que estes ‘outros’, os povos 
indígenas, não ficam felizes ao serem: 
enquadrados pelas lógicas academicistas que 
alimentam e sustentam os processos de reprodução 
do capitalismo individualista, que tem gerado uma 
sociedade cada vez mais em retorno à civilização 
da barbárie e da selvageria, por meio da violência, 
da exploração econômica desumana, do império da 
lei do mais rico e dos que tem poder político à base 
de democracias das elites econômicas e políticas. 
Os povos indígenas gostariam de compartilhar com 
o mundo, a partir da universidade, seus saberes, 
seus valores comunitários, suas cosmologias, suas 
visões de mundo e seus modos de ser, de viver e 
de estar no mundo, onde o bem viver coletivo é a 
prioridade(BANIWA,2012, p. 3)
Indagado sobre a sua cultura e a sua história e de seu Povo 
Indígena Baniwa, como um sujeito que faz parte de um grupo 
que lida com o conhecimento em que se ensina o que se vive, 
Gersem Baniwa esclarece que entre os Baniwa uma lição que se 
aprender cedo, com os pais e antepassados é que só se ensina o 
que se vive. Ensinar é viver. Tais ensinamentos advêm da antiga 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 93
filosofia da vida cósmica do povo Baniwa, que sempre evitou 
separar teoria e prática, observação e vivência.
Neste século XXI, é possível ler a literatura feita por 
alguns indígenas publicada. Ressalta-se a presença de um 
escritor do Povo Munduruku, que vivem no estado do Pará, 
na Amazônia, autor das seguintes obras: Histórias de índio, 
coisas de índio e As serpentes que roubaram a noite. Ele foi 
laureado pela UNESCO, com uma Menção honrosa no Prêmio 
Literatura para crianças e Jovens na questão da tolerância, com 
a obra Meu avô Apolinário. Conheça um trecho da obra:
E foi ouvindo as histórias que meu avô contava 
que percebi o que os povos tradicionais podiam 
oferecer à cidade. […] E isso me dá um álibi 
para usar as narrativas míticas para falar às 
pessoas com a mesma paixão com que o velho 
falava comigo. Acho que foi assim que surgiu em 
mim o interesse de narrar histórias para ajudar 
as pessoas a olharem para dentro de si mesmas, 
compreenderem sua própria história e aceitá-la 
amorosamente (MUNDURUKU, 2009, p. 14-16)
Outros renomados indígenas escritores são David 
Kopenawa, do Povo Indígena Yanomami, com livro publicado. 
Ailton Krenak, do povo Krenak, de Minas Gerais, militante no 
Movimento Indígena Brasileiro, também já publicou. Outro 
escritor indígena é Carlos Haki’y, da liderança importante do 
tuxawa Crispim de Leão, importante liderança do Povo Sateré, 
Guerra da Cabanagem. Do Povo Indígena Potiguar, da paraíba, 
destaca-se a escritora Eliane Potiguar, vivendo e publicando no 
Rio de Janeiro, escreveu o livro Autora Metade cara, metade 
máscara. O Povo Indígena conta com um escritor destacada e 
conhecido é Olívio Jekupé, com diversos livros escritos. Ele é 
da aldeia Kurukutu, em São Paulo. Tal vigorosa e rica literatura 
precisa chegar às escolas e ser do conhecimento das crianças e 
adolescentes. 
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Educação das Relações Étnico-Raciais94
Figura 3: Guerrilhas de Rugendas
Fonte: wikipedia commons
Apostando em que na vida trata-se de experimentar o 
mundo, tanto materialmente, como cognitivamente, afetivamente 
e espiritualmente. Assim, a pedagogia Baniwa busca educar 
através da observação, da experimentação e dos exemplos. Os 
adultos ensinam as crianças Baniwa a observar, experimentar e 
seguir todos os bons exemplos. Isso é viver.
Já vão longe os tempos coloniais e persistem as visões 
equivocadas sobre os povos indígenas que sobreviveram aos 
500 anos de colonização em processo até hoje. Esta é a opinião 
do movimento indígena brasileiro em seus documentos em que 
denunciam as situações de desrespeitos aos marcos legais que os 
colocaram, nas primeiras décadas do século XXI, em situações 
reparadoras dos mais cruéis tratamentos do estado brasileiro, a 
partir de abril de 1500.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 95
Ao final desta leitura, você será capaz de reconhecer contos 
de fadas renovados. Sendo capaz de distingui-los dos contos 
tradicionais, por estar esclarecido para você que os contos de 
fadas renovados narram histórias, com elementos dos contos 
tradicionais, renovando-os.
Nomeando o outro: os povos indígenas 
na sociedade brasileira, as relações 
raciais, contribuições dos povos 
indígenas nas artes brasileiras e 
resistência indígena no Brasil
Nomeando o outro, os povos indígenas na sociedade 
brasileira, as relações raciais, contribuições dos povos indígenas 
nas artes brasileiras e resistência indígena no brasil, trará uma 
nova e verdadeira visão sobre a gigantesca contribuição indígena 
à história e cultura brasileiras.
Naquele fatídico momento da chegada dos portugueses, 
os povos tupy, que viviam ali no litoral apreenderam aquela 
chegada do europeu como um acontecimento espantoso, só 
assimilável em sua visão mítica do mundo. Seriam gente de seu 
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à 
seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: Conheça os 
Povos Indígenas Brasileiros. No site é possível visualizar os nomes 
de todos, na opção ‘mostrar todos’. Ou, ainda, navegar pelo site 
com duas outras opções: Por estado (Unidade da Federação) ou 
por família linguística, lendo sobre os diversos povos indígenas 
do Brasil. Disponível no link: https://bit.ly/2zdLfoU
SAIBA MAIS
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 95ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 95 03/02/2021 17:27:4703/02/2021 17:27:47
Educação das Relações Étnico-Raciais96
deus sol, o criador ‐ Maíra ‐, que vinha milagrosamente sobre as 
ondas do mar grosso. 
Este ser sobrenatural Maíra ou Mahyra. Ele é a personagem 
central de um equívoco que data de cinco séculos: no século 
XVI, os jesuítas procuraram descobrir uma entidade sobrenatural 
que pudesse ser comparada ao Deus cristão a fim de facilitar 
a catequese. Representeando um dos primeiros equívocos dos 
portugueses com relação as cosmologias indígenas, as suas 
culturas e religiosidades, O Padre Manoel de Nóbrega teria 
escolhido usar a representatividade de Maíra e de outros deuses 
aos seus propósitos evangelizadores e colonizadores.
E tudo indica que foi Nóbrega quem fez a escolha: 
‘Esta gentilidade nenhuma coisa adora, nem conhece 
Deus, somente aos trovões chamam de Tupane; que é 
como quem diz coisa divina. E assim nós não temos 
outro vocábulo mais conveniente para os trazer ao 
conhecimento de Deus, que chamar-lhe Pai Tupane’. 
Não há dúvida que a adoção dessa palavra, com esse 
sentido, constituiu em mais uma dificuldade para as 
missões jesuíticas.(LARAIA, 2005, p.11)
Chegando na costa brasileira, descendendo das embarcações, 
foram pensados como seus deuses e com bondade. Só poderiam 
estar chegando da morada dos deuses e dos ancestrais. Utilizamos 
a palavra ‘céu’ para indicar o local onde vivem as almas dos 
antepassados e o herói mítico e principal ancestral, Mahyra. Povos 
Indígenas como os Suruís e os Assurinis declararam que estaria 
localizado em uma região por cima das nuvens. 
Os Povos Originários tentaram explicar aqueles povos que 
chegaram com suas cosmologias. Dando-lhes um lugar entre os 
seus mais sagrados e cultuados seres espirituais. Com o tempo 
será possível entender que não eram deuses os portugueses. E nem 
viriam de uma Terra sem Males, não tendo, ainda as melhores 
intenções com relação aos povos que encontraram. Ainda não 
sabiam o que os esperavam, diante dos planos dos colonizadores 
com relação aos verdadeiros donos da terra, os povos indígenas. 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 97
Não havia como interpretar seus desígnios, tanto podiam ser 
ferozes como pacíficos, espoliadores ou dadores. 
Os povos indígenas entendiam, à primeira vista, como 
eles próprios se comportavam e eram. Assim, estes estrangeiros 
só poderiam ser boas pessoas, pensaram os povos que viviam 
no litoral. Assim, pensavam estes ameríndios, parte dos 
povos originários da América, além de muitos outros povos. 
Mesmo porque, no seu mundo, mais belo era dar que receber. 
Ali, ninguém jamais espoliara ninguém e a pessoa alguma se 
negava louvor por sua bravura e criatividade. Era ainda uma 
Terra sem males e sem governos tiranos, com hospitalidade.
Além disso,julgavam os povos indígenas tupy que viviam 
no litoral, que os portugueses ao sair do mar, eram apenas feios, 
fétidos e infectos. Não havia como negá‐lo. É certo que, depois 
do banho e da comida, melhoraram de aspecto e de modos. Tais 
povos indígenas não entenderam, ainda, as razões que levavam 
os portugueses a agirem com tanta aflição. Tanta ganância com 
as toras de Pau-Brasil que apressadamente recolhiam.
Não agiam de modo nenhum com a semelhança marca 
destes povos originários, na base do dom e contra dom, não 
buscavam nas relações com os povos indígenas reciprocidades 
e correntes contínuas de doações. Deste modo agiam e ainda 
agem muitos povos indígenas brasileiros. Eles não precificavam 
(colocavam preços) nos objetos que doavam aos portugueses. 
Os valores seriam implícitos aos objetos e ações. Isso era e é 
oposto a nascente e atuante economia do mercado qualificada 
por trocas diretas, daqueles bens e de serviços. 
Por que se afanavam tanto em seus fazimentos? Por 
que acumulavam tudo, gostando mais de tomar e 
reter do que de dar, intercambiar? Sua sofreguidão 
seria inverossímil se não fosse tão visível no 
empenho de juntar toras de pau vermelho, como se 
estivessem condenados, para sobreviver, a alcançá-
las e embarcá‐las incansavelmente?(RIBEIRO, 
1995, p. 45)
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Educação das Relações Étnico-Raciais98
500 anos de colonização não apagou aquilo que o 
antropólogo Mauss (2003) chamou de Economia do Dom, 
descrevendo em sua escrita sobre as pesquisas em sociedades 
primitivas, em comunidades antigas e indígenas no mundo.
Assim, a cultura trazida pelos portugueses poderia operou 
bem mais males que bênçãos. Os anos que se seguiram foram 
de resistências contra todas as táticas dos colonizadores para 
apoderar-se de suas terras, trazendo suas próprias leis e criando 
uma visão imposta, unificadora, injusta, cruel, mentirosa, 
desapropriadora, enquanto produziam explicações irreais sobre 
os nodos de viver, dos mais diversos povos indígenas.
Os anos passaram e os Povos Indígenas que escaparam 
deste grande projeto colonizador europeu, iniciado no século 
XVI, não aniquila-ram totalmente as suas integradas culturas e 
permanecem vivas, nas distintas Culturas Indígenas, no Brasil 
atual. As culturas andam de braços dados com as cosmologias 
diferenciadas do ‘outro’ descendente do colonizador e de ‘outros’ 
povos indígenas. 
Cada povo indígena apresenta seus próprios modos 
culturais e suas epistemologias, cosmologias, modos de produzir 
e repassar conhecimentos. Um exemplo disso foi dado por um 
destes povos, que vive na Bahia. O Povo Pataxó esclarece que até 
mesmo a matemática, uma ciência tão exata, tão ocidentalmente 
posta, está vinculada a relação como eles percebem o mundo, as 
visões de mundo dos Pataxós. É possível aprender com o mundo 
a matemática, assim somar, a operação da adição funciona:
Eu vou te dizer. Por exemplo, quando o cipó se abraça 
a uma árvore, ele está fazendo a adição do amor. E 
isso quer dizer que ele se abraçou para fazer um só 
corpo. A árvore e o cipó se abraçaram para se tornar 
em um só corpo. Quer dizer que um pertence a dois e 
dois pertence a um. Formaram um corpo só, fizeram a 
adição do amor. E fizeram isso para sobreviver um ao 
outro. Tem planta que precisa da outra para sobreviver. 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 99
Então isso é matemática. E também a matemática faz 
igualar tudo na natureza. O amor da Natureza iguala 
tudo. Quer dizer que se tem um amor na Natureza, 
sempre vai ter espaço para mais uma planta que vier. 
Vamos dizer que dá uma fruteira aqui e ali amadurece 
as frutas e uma paca vai lá e come uma fruta, lá 
adiante ela deixa o caroço. Lá nasce. Pode, tá cheio, 
mais ali sempre vai haver ali a Natureza, ela tá com 
o coração dela aberto. A Natureza tem o coração de 
mãe, sempre na casa dela, sempre cabe o lugar para 
mais um. Isso é matemática e isso é valor(ROCHA; 
D’URÇO 2008, p. 1)
Os povos indígenas, ontem e hoje, dançam para comemorar 
atos, ocorrências e fatos relativos às vidas e as mais diversas 
tradições, que não são únicas, mas particulares, indistintas 
para os vários Povos Indígenas brasileiros. Existem danças 
para a preparação da guerra e ao regressar de batalhas, para 
comemoração algum cacique, as safras, do amadurecer das frutas, 
por ótimas pescarias e para festejar a puberdade das meninas, ou 
para homenagear seus mortos e ancestrais. 
É possível dançar para afastar as doenças, as epidemias 
e muitos flagelos. Tais linguagens dos corpos indígenas, em 
movimentos nas suas danças, suas organizações estéticas, desde 
as pinturas corporais (usando uma fruta chamada jenipapo ou o 
urucum, na região tocantina maranhense, que também serve para 
colorir a comida) às ricas coreografias, passando pelos belos 
cantos em suas línguas, tudo está integrado às suas religiosidades 
e ritualísticas indígenas.
As danças que persistem e existem ainda hoje foram furtos 
das resistências as perseguições inúmeras. Não existia uma 
compreensão por outro parâmetro que não fossem a vida dos 
brancos, suas festas, sua religiosidade e seus modos de festejar. 
Um Inglês visitando o Brasil em 1810 teriam observado os 
indígenas dançando e afirmou, que eles eram cristãos embora se 
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Educação das Relações Étnico-Raciais100
diga que alguns deles conservam em segredo seus ritos bárbaros, 
prestando adoração ao maracáe praticando todas as cerimônias 
de sua religião, se posso usar essa palavra.
E espantavam bastante aos Governantes e párocos. O 
Governador da Província de Pernambuco em 1827foi incumbido 
pelo imperador a fazer um levantamento sobre a índole, costumes 
e inclinações dos índios. Ele se chamava José Carlos Mayrink da 
Silva Ferrão e realizou a sua escrita, afirmando: 
Nos domingos e dias santos aparecem alguns no 
templo; que trejeitos, porém não fazem, quando 
assistem ao Santo sacrifício! Ignoram tudo o que é 
pureza religiosa, sabem sofrivelmente a arte dos 
hipócritas: no mesmo dia, porém, ou no outro adoram 
os seus ídolos, bebem, dançam segundo o rito de sua 
estulta (tola) religião.(NAUD, 1971, p. 331)
As danças resistiram! E educam as novas gerações sobre 
suas culturas e histórias. Assim, as mais diversificadas Culturas 
Indígenas existentes, coexistentes, em diálogos, são provas vivas 
da pluralidade cultural, no Brasil atual, colocam as festividades 
como modos de educação, nestes momentos comemorativos, 
em que celebram coletivamente, como por exemplo, a Festa do 
Moqueado, para celebrar a menarca (1.ª menstruação) de meninas 
(como o povo Guajajara lá no sul do Maranhão) são passados 
valores poderosos deste povo para suas próximas gerações. 
Aquelas meninas serão as futuras mães e responsáveis pelas novas 
gerações e pelo repasse e manutenção das suas culturas aos filhos. 
Ou a tradicional festividade dos povos indígenas do Xingu. É a 
dança do kuarup, nome de uma árvore sagrada, e ao mesmo tempo 
do ritual anual de respeito aos mortos, em Mato Grosso.
Nas festas, motivadas por fatos distintos, que os 
diversificados povos indígenas e suas culturas atuais, apoiadas 
em suas ancestralidades escrevem
suas memórias, seus valores, seus códigos de regras, 
suas crenças, suas angústias pelo árduo trabalho, 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 101
suas esperanças e fantasias. Os ingredientes que 
compõem a festa popular são também textos por 
meio dos quais a gente simples manifesta tudo aquilo 
que lhe toca mais profunda e intensamente. (...). 
Consequentemente, podemos pensar a festa como 
uma grande escola, na qual se aprende, antes de outras 
tantas coisas, como a vida em sociedade acontece - 
seus valores, seus conflitos e suas possibilidades de 
interação e sociabilidade. (PESSOA, 2007, p. 4-5)
Tais festividades que contam com a participação de todos 
os que vivem em cada território indígena, pelo extenso Brasil, 
são apoiados em mitos, as verdades em formas de narrativas 
que cada povo indígena mantém e comemora, repassando-os as 
novas gerações.
Herdamos dos nossos povos indígenas o gosto intenso de 
festejar. Os povos indígenas são marcados por suas inúmeras 
festividades indígenas. E que eram e são lugares de aprendizagem, 
marcando todos os seus contingentes populacionais e cada um 
singularmente com os seus valores, as suas normas, as suas 
tradições; ao mesmo tempo em que se transforma sempre num 
grande balcão, numa grande demonstração das inovações, das 
mudanças, das novas descobertas, das novas concepções.
Toda a vitalidade festiva da cultura popular brasileira 
dos autos natalinos ao carnaval, da Festa do Boi na Amazônia, 
passando pelo Bumba Meu Boi no Maranhão às quadrilhas 
juninas, são as marcas culturais de matrizes como as indígenas. 
Quem vai à festa tem a possibilidade de aprender que o que se 
sabe ainda não é tudo para se continuar a viver e a reproduzir as 
condições de sobrevivência.
São oportunidades de novas aprendizagens e devem ser 
vivenciadas nas escolas. Nos bailes pastoris, encenados ainda hoje 
em vários pontos do litoral norte da Bahia como partes dos festejos 
natalinos, caboclos e africanos aparecem, geralmente, entre os 
personagens. São dramatizações populares brasileiras encenadas 
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Educação das Relações Étnico-Raciais102
e apreciadas por muitas partes do Brasil. As matrizes fundadoras 
do povo brasileiro, indígena (chamada de cabocla por alguns), 
são representadas em diversas encenações cantadas e dançadas. 
Em muitos casos, os indígenas e os negros aparecem repletos de 
estereótipos. Mas resistiram com suas culturas e histórias.
Assim, é possível ver que na Bahia, aparece personagem 
africano, falando mal o português, comparável aos africanos 
escravizados, ao chegarem ao Brasil, encarnando o estereótipo 
de uma imagem preconceituosa do negro, porém inverte 
constantemente o seu papel de ridículo, ridicularizando, ao 
mesmo tempo, os senhores e senhoras de escravos e denunciando 
aspectos da escravidão.
Aprendendo também que o novo é nossa herança cultural, 
em constante processo de reconstrução, geração a geração, 
graças aos legados ancestrais do povo brasileiro, indígena e 
afro-brasileiro, conservados pela cultura popular tradicional, 
incansável em se refazer, sem fechar os olhos para os legados dos 
nossos povos originários. Talvez isso explique a grandiosidade 
das nossas festas populares, por todo o país e o ano todo, 
reunindo gerações diferentes em torno do ensinar e o aprender 
para preservá-las e sempre atualizá-las:
A festa popular é o grande e fecundo momento a nos 
ensinar que a arte de viver e de compreender a vida 
que nos envolve está na perfeita integração entre 
o velho e o novo. Sem o novo, paramos no tempo. 
Mas sem o velho nos apresentamos ao presente e 
ao futuro de mãos vazias. (PESSOA, 2005, p. 30)
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Educação das Relações Étnico-Raciais 103
Figura 4: Povos Indígenas do Brasil na Época do Descobrimento
Fonte: wikipedia commons
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à 
seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Vídeo: Conheça 
mais sobre os Povos Indígenas Brasileiros, neste vídeo com a 
liderança indígena, escritor e xamã (liderança indígena), Davi 
Kopenawa – Seminário Arte, Cultura e Educação na América 
Latina (2018). Disponível no link: https://bit.ly/3h8CZI4
SAIBA MAIS
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Educação das Relações Étnico-Raciais104
Ao término deste capítulo você é capaz de reconhecer o contato 
com a realidade de outro: histórias, culturas e sociedades africanas 
(literatura, arte, língua e cultura africanas e afro-brasileiras). bem 
como, você já é capaz de definir o outro: o negro na sociedade 
brasileira, as relações raciais, contribuições da matriz africana 
nas artes brasileiras e resistência negra no brasil. em seguida, 
você leu e já é capaz de relembrar o contato com a realidade do 
outro: histórias, culturas e sociedades ameríndias e os diversos 
povos indígenas do brasil: culturas indígenas no brasil. (literatura, 
arte, língua e cultura indígenas brasileiras). por último, você leu 
e já é capaz nomear o outro: os povos indígenas na sociedade 
brasileira, as relações raciais, contribuições dos povos indígenas 
nas artes brasileiras e resistência indígena no brasil.
RESUMINDO
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Educação das Relações Étnico-Raciais 105
UNIDADE
03
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Educação das Relações Étnico-Raciais106
A diversidade é inerente ao ser humano e é uma importante 
discussão a ser considerada no trabalho escolar. Nesse sentido, 
é necessário discutir inovações nas ações pedagógicas para que 
a escola pare de reproduzir sujeitos fragmentados e assuma uma 
proposta pluricultural para melhor atender as necessidades dos 
sujeitos e da sociedade que ele está inserido. Você estudará na 
Unidade 3 sobre a Prática Pedagógica que contemple o Outro em 
suas semelhanças e diferenças, levando em conta a Diversidade 
Cultural. Preparado? Ao longo deste estudo você vai mergulhar 
neste universo!
INTRODUÇÃO
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Educação das Relações Étnico-Raciais 107
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo 
é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
OBJETIVOS
1 Refletir sobre a Diversidade Cultural e sobre o respeito às diferenças ambiental ecológica, étnico-racial, de gêneros, faixas geracionais, classes sociais, religiões, necessidades especiais, escolhas sexuais, entre outras.
2 Entender a Diversidade Cultural Brasileira na Prática Docente.
3 Desenvolver uma Prática Pedagógica que contemple o Outro e suas Semelhanças e Diferenças.
4 Compreender a Necessidade de Repensar o Papel do Educador diante da Diversidade Cultural.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo 
ao conhecimento? Ao trabalho!
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Educação das Relações Étnico-Raciais108
Refletindo sobre a diversidade cultural e 
sobre o respeito às diferenças
Ao término deste capítulo você será capaz de compreender o 
desenvolvimento de uma Prática Pedagógica que contemple 
o Outro em suas semelhanças e diferenças, levando em conta 
a Diversidade Cultural. Inicialmente você irá refletir sobre a 
Diversidade Cultural e sobre o respeito às relevantes diferenças, 
como as diferenças ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros, 
entre as faixas geracionais, classes sociais, religiões, necessidades 
especiais, escolhas sexuais, entre outras. Em seguida, você 
pensará sobre a necessária tarefa de aplicar a Diversidade Cultural 
Brasileira na Prática Docente, percorrendo Histórias, pensamentos, 
conquistas e refletindo sobre o futuro do respeito às diferenças. 
Ainda refletindo sobre a prática pedagógica, você focará em 
reflexões sobre como desenvolver uma Prática Pedagógica 
que contemple o Outro e suas Semelhanças e Diferenças. E, 
por fim, você vai avaliar a necessidade de repensar o papel do 
Educador diante da Diversidade Cultural. E então? Motivado para 
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
OBJETIVO
Refletindo sobre a diversidade cultural e 
sobre o respeito às diferenças: questões 
iniciais e essências sobre diversidade e 
diferenças nas práticas pedagógicas.
Refletindo sobre a Diversidade Cultural e sobre o respeito 
às diferenças, você tomará contato com as questões iniciais e 
essências sobre diversidade e diferenças, e, tais aprendizagens 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 109
farão enorme diferença nas suas futuras práticas pedagógicas, 
além de fornecer elementos para refletir sobre erros de algumas 
atuais práticas pedagógicas que não levam em conta nem as 
diversidades culturais e nem as diferenças entre as pessoas.
Você vai começar esta leitura com uma reflexão sobre a 
Diversidade Cultural e sobre o respeito às diferenças, tomando 
consciência de questões iniciais e essências sobre diversidade 
e diferenças, dentro das (e nas) práticas pedagógicas. Isso 
significa que você vai refletir sobre a Diversidade Cultural e as 
Diferenças, juntas e dentro das escolas. A Diversidade Cultural 
precisa ser vista como a expressão de opostos.
Sobre este tema é possível afirmar que a Diversidade Cultural 
é diversa,
[...] ou seja, não se constitui como um mosaico 
harmônico, mas um conjunto de opostos, divergentes 
e contraditórios. A Diversidade Cultural é cultural 
e não natural, ou seja, resulta das trocas entre 
sujeitos, grupos sociais e instituições a partir de 
suas diferenças, mas também de suas desigualdades, 
tensões e conflitos.(BARROS, 2008, p. 18)
E, é possível ainda afirmar que a Diversidade Cultural 
surge como uma resposta a algo que já era uma indagação, 
além de significar a procura decidida de um sujeito, e não 
exclusivamente uma constatação antropológica. É o resultado 
de uma construção deliberada, e não apenas um pressuposto, 
um ponto de partida. Um projeto, e não apenas um inventário 
(BARROS, 2008, p. 19).
Na busca de entender pelo ponto de vista cultural, o que 
é a diversidade, os caminhos poderão levar ao entendimento da 
diversidade como a construção ao mesmo tempo histórica, cultural 
e social das diferenças. Algo é incontestável: A Diversidade 
Cultural se realiza no humano, ao longo da História. E é nesse 
contexto que as relações raciais se configuram, constroem e 
reconstroem.
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Educação das Relações Étnico-Raciais110
E o que afirmar sobre as diferenças? Existe um encontro 
entre o tema da diversidade cultural e das diferenças. E ficará 
evidente que por mais que cada comunidade seja distinta da outra, 
e que seus membros compartilhem idênticos ou semelhantes atos, 
festas, comemorações e modos de sentir e pensar, cada um de seus 
membros aprenderá socialmente a pertencer a uma determinada 
diversidade cultural, e, assim, carregar suas diferenças. 
As mais novas gerações aprendem de mãos dadas com as 
mais antigas, seus mestres e com os legados deixados pelos seus 
antepassados, chamados de ancestrais. E como estas pessoas, em 
seus grupos, com as suas diversidades culturais, agem nas e com 
as diferenças?
O Antropólogo Claude Lévi-Strauss, já em 1950, naquele 
cenário posterior aos horrores da 2.ª grande guerra, no discurso 
sobre Raça e História, para a UNESCO, já havia proposto 
três principais marcações conceituais para a compreensão e 
atuação com a diversidade cultural. Lévi-Strauss afirmou com 
relação a diversidade cultural que era imprescindível que ela 
fosse realizada de tais formas a permitir diálogos generosos 
entre as distintas diversidades culturais (KAUARK; BARROS; 
TORREÃO;MIGUEZ, 2015). 
Segundo o entendimento do importante estudioso francês e 
que morou em São Paulo, na juventude, deu aulas na Universidade 
de São Paulo e visitou alguns dos nossos povos indígenas, no 
Brasil, ele considerou que era importante uma reflexão sobre a 
compreensão da inexistência de uma relação de causa e efeito 
entre as diferenças culturais e as diferenças no plano biológico. 
O que isso quer dizer? Que não podemos acreditar em inatismo 
de nossas diferenças que são culturais. As nossas diferenças 
biológicas nem as causam e nem produzem efeitos sobre elas. As 
diferenças não se limitam a biologia. 
Existe desde 2007 uma convenção que trata da garantia 
da soberania, relacionada ao respeito às políticas culturais. É 
a Convenção da Unesco sobre a Proteção e a Promoção da 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 111
Diversidade das Expressões Culturais. E que em sua história vem 
sendo utilizada como um instrumento para pressionar diversos 
governos, na busca da construção e manutenção de poderosas 
políticas públicas, capazes de promover e proteger a diversidade 
cultural. E neste documento da UNESCO, a diversidade cultural é 
vista como um valor universal, repassando uma ideia que os bens 
e serviços culturais possuem valores e sentidos que demandam 
tratamentos diferenciados, incidindo sobre os nossos direitos a 
diversidade cultural.
Quando um Governo, Técnicos Educacionais de uma 
Secretária Estadual ou Municipal de Educação, seus conscientes 
coordenadores pedagógicos, e ainda, os seus professores reflexivos 
tomam a iniciativa de cumprir as legislações relacionadas à 
educação e que zelam pela existência de um planejamento de 
atividades educacionais, que levem em conta a diversidade 
cultural e as diferenças, é necessário louvar todos estes esforços! 
O fato é que as existências das legislações, nas instâncias federal, 
estadual e municipal não determinam que as práticas pedagógicas 
sejam profundamente tocadas e focadas, na Diversidade Cultural 
e no respeito às diferenças.
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à 
seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Vídeo - Brasil: DNA 
África.Trata da origem dos afrodescendentes e a importância 
dos africanos na construção do Brasil. O projeto está baseado 
em três eixos: o histórico, o cultural e o científico. Acessível 
pelo link: https://bit.ly/2Yd9Xyn. (Acesso em 04/01/2020).
SAIBA MAIS
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Educação das Relações Étnico-Raciais112
Refletindo sobre a diversidade cultural 
e sobre às diferenças, nas práticas 
pedagógicas: diferenças ambiental-
ecológica, étnico-racial, de gêneros, faixas 
geracionais, classes sociais, religiões, 
necessidades especiais, escolhas sexuais, 
entre outras.
Refletindo sobre a Diversidade Cultural e sobre às diferenças, nas 
práticas pedagógicas faz-se necessário lançar mão de reflexões 
sobre as diferenças ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros, 
faixas geracionais, classes sociais, religiões, necessidades especiais, 
escolhas sexuais, entre outras.
OBJETIVO
É necessário comemorar tais práticas pedagógicas e tais 
políticas públicas que as amparam, bem como os legisladores que 
constituíram estes relevantes marcos legais. É importante que as 
políticas educacionais de integração democrática das diversidades, 
contemplem problemas comuns à questão do negro e à questão do 
índio, outras deverão contemplar especificidades próprias de cada 
grupo. E, que, ainda, nossas políticas educacionais oportunizem 
uma educação de cultura, através de campanhas massivas e 
intensivas de ‘fabricação’ contra-hegemônica de identidades de 
negros e índios como atores sociais partícipes do processo de 
construção do País. 
E isso é possível acontecer se existirem, no seio da 
sociedade, políticas Públicas inúmeras e potentes, não somente 
as políticas públicas educacionais, mas também as políticas 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 113
afirmativas ostensivas de presença negra e presença índia nas 
mídias, de assunção às esferas decisórias, de cotas de vagas em 
escolas e, no caso dos negros, de quotas de empregos nas diversas 
atividades econômicas.
Assim, antes de pensar nas Práticas pedagógicas é necessário 
a luta ou a preservação, a depender do momento histórico que 
passa o país, de algumas políticas educacionais, que contemple as 
especificidades das populações afro-brasileiras e das populações 
indígenas. No caso das populações indígenas, a questão do 
bilinguismo continua sendo uma questão crucial. Isso significa 
manter a língua materna!
Não podemos falar em contemplar a diversidade cultural e 
as diferenças étnico-raciais brasileiras, sem pensar em manter as 
línguas maternas indígenas. Muitos povos indígenas conservam sua 
língua, mas a tendência de perda é cada vez mais acentuada. Isso 
para falar em um único seguimento de nossas diferenças, no recorte 
étnico-racial, com foco nas línguas. Mas existem muitos outros!
Gersem dos Santos Luciano (2006), Gersem Baniwa, indígena 
brasileiro, do Povo Indígena Baniwa, da Amazônia Brasileira, 
Doutor em Antropologia, é escritor e professor universitário. Deu 
e continua dando grande contribuição ao nosso país nos tempos em 
que atuou como Conselheiro no Conselho Nacional de Educação 
(2006/2008 e 2016 a 2020). É possível aprender com Gersem 
Baniwa sobre diversidade cultural e diferença étnico-racial indígena, 
ou mais apropriadamente diferenças.
Gersem Luciano, do Povo Indígena Baniwa (2008), fala 
sobre ser falante de outras línguas, em um país que a maioria só 
fala uma única língua, o português do Brasil. Declarando que 
os povos indígenas enfrentam a imposição de padrões, que vão 
da alimentação à língua. Somos obrigados a aprender e a falar 
uma outra língua, muitas vezes abdicando de nossas línguas, de 
nossas tradições e assim por diante (LUCIANO, 2008, p. 69).
Neste sentido, refletir sobre as diferenças e as diversidades 
culturais visíveis e coexistindo com as intenções educativas 
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Educação das Relações Étnico-Raciais114
dos professores, passam por mudanças nas mentalidades dos 
educadores e pela instauração de novas posturas, tolerantes as 
diferenças dos alunos. E, caminhar um pouco mais além, saindo 
da leve aceitação, desta aparente situação de tolerância para 
uma convivência mais partilhada da diversidade. Porque uma 
coisa é tolerar alguém; outra coisa é conseguir compartilhar 
modos de pensar, valores, conhecimentos e assim por diante.
As diferenças indígenas são representativas das diferentes 
culturas dos povos que habitam e constituem o nosso país: olhar 
a diferença não como um problema, mas como um valor, um 
enriquecimento da sociedade brasileira (um patrimônio nacional).
Tratando das diferenças indígenas, Luciano (2006) defende que 
a escola, que foi exaustivamente usada como um dos fundamentais 
instrumentos durante a história do contato para descaracterizar 
e destruir as culturas indígenas, possa vir a ser um instrumental 
decisivo na reconstrução e na afirmação das identidades e dos projetos 
coletivos de vida. Como distinguir os Povos Indígenas e suas grandes 
diferenças? 
São povos que representam culturas, línguas, 
conhecimentos e crenças únicas, e sua contribuição 
ao patrimônio mundial – na arte, na música, nas 
tecnologias, nas medicinas e em outras riquezas 
culturais – é incalculável. Eles configuram uma 
enorme diversidade cultural, uma vez que vivem 
em espaços geográficos, sociais e políticos 
sumamente diferentes. (LUCIANO, 2006, p. 47)
O escritor e indígena Gersem Luciano explica que a 
diversidade cultural de cada povo indígena, bem como a história 
de cada um deles e os contextos e que vivem desenvolvem 
dificuldades para reduzi-los ou enquadrá-los com uma só definição. 
Talvez exista no imaginário popular, fruto do preconceito de que 
índio é tudo igual, servindo para diminuir o valor e a riqueza da 
diversidade cultural dos povos nativos e originários da América 
continental (LUCIANO, 2006, p. 40).
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Educação das Relações Étnico-Raciais 115
Este autor, Gersem Luciano, do Povo Indígena Baniwa, 
reflete sobre a realidade brasileira, com relação a diversidade 
cultural. 
Isso explica a diversidade cultural e a diferença de uma 
das matrizes do povo brasileiro, que são os Povos Indígenas, 
além da necessidade de ouvir deles mesmos sobre eles mesmos 
e suas diversidades e diferenças. A seguinte definição deles pode 
ser até uma lição que podemos usar para definir a diversidade 
dos alunos: Eles mesmos, em geral, não aceitam as tentativas 
exteriores de retratá-los e defendem como um princípio 
fundamental o direito de se auto definirem.
Somente depois da promulgação da Constituição Cidadã, 
de 1988, é que um novo tempo foi instituído no Brasil, com 
relação as garantias e respeitos as diversidades culturais 
indígenas. Assim, inicia-se o terceiro período, do Indigenismo 
Governamental Contemporâneo – pós 1988 (LUCIANO, 1988). 
Sendo que o fato acentuado de tal período teria sido, segundo 
Luciano, a superação teórico-jurídica do princípio da tutela 
dos povos indígenas por parte do Estado brasileiro (entendida 
como incapacidade indígena) e o reconhecimento da diversidade 
cultural e da organização política dos índio.
Os Povos Indígenas são sujeitos com direitos às diferenças. 
Mas nem sempre isso é perceptível. Apesar de existirem 223 
povos indígenas no Brasil. Estes 223 diferentes povos não são 
idênticos, são povos diferentes um do outro. Por que é diferente? 
Porque cada povo tem sua língua própria, têm suas tradições 
próprias, sua mitologia própria, sua cosmologia própria, que se 
distinguem das demais.
Já desde a largada dos portugueses e espanhóis dos portos 
europeus, os planos não constituíam o respeito as diferenças e 
nem muito menos à diversidade cultural. O projetopassava pela 
unificação e domínio. Constitui-se um:
[...]projeto ambicioso de dominação cultural, 
econômica, política e militar do mundo, ou seja, 
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Educação das Relações Étnico-Raciais116
um projeto político dos europeus, que os povos 
indígenas não conheciam e não podiam adivinhar 
qual fosse. Eles não eram capazes de entender a 
lógica das disputas territoriais como parte de um 
projeto político civilizatório, de caráter mundial 
e centralizador, uma vez que só conheciam as 
experiências dos conflitos territoriais intertribais 
e interlocais.(LUCIANO, 2006, p. 17)
O que aponta ainda, em pleno século XXI, com relação 
aos povos indígenas, é que toda a história da colonização e até os 
dias atuais, persiste uma danosa prática histórica, que permanece 
agindo para manter a invisibilidade e o preconceito, contestando 
até os direitos dessas coletividades indígenas. 
Com relação a Diversidade Cultural, as diferenças e os 
afrodescendentes, o povo negro brasileiros, os descendentes 
dos africanos que viveram no Brasil na condição indigna de 
escravizados, é impossível tocar nas suas singularidades sem 
tratar das relações racistas produzidas no Brasil, nas quais o povo 
negro foi duramente atingido em suas diferenças e identidades.
Este racismo foi sendo alimentado pela reafirmação da 
ambi-guidade do ser e não-ser, insistentemente presente nas 
mentes dos que tratam desta questão, ou seja, da imprecisão de 
alguns quando tratam sobre a realidade de racismo que o povo 
negro vive, no Brasil, entre outros povos do Brasil que estão 
imersos na nossa realidade de pluralidade étnica.
Não há como falar sobre a participação do povo 
negro no Brasil, a sua presença no complexo leque 
da Diversidade Cultural brasileira, as diversas 
formas por meio das quais esse grupo étnico-racial 
constrói sua identidade sem considerar o contexto 
do racismo na sociedade brasileira. (GOMES, 
2008, p. 135)
Isso levará você a reflexão sobre as desigualdades que 
enfrentam os afrodescendentes no Brasil, neste imenso país 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 117
construído com os esforços de seus ancestrais. O fato é que, a 
população negra do Brasil, precisa lidar com suas diversidades 
culturais, com suas diferenças, e com a persistência do racismo, 
a não-integração ou integração marginal do negro na nossa 
sociedade, a cidadania precária e subalterna que permeia a vida 
e a conquista dos direitos. São desigualdades históricas que 
caminham lado a lado com a desigualdade socioeconômica, 
mas cada uma tem a sua forma de operar na cultura, na política, 
na educação, nos contextos das relações de poder, na vida dos 
sujeitos sociais.
Algumas pessoas, não negras ou não identificadas com 
as lutas em prol de igualdades de oportunidades, de parcela 
significativa do povo negro e empobrecido, costumam maldizer 
as políticas afirmativas, como as políticas de cotas raciais das 
universidades. Um dado estatístico, revelado por pesquisas do 
IPEA, no fim do século XX, determina reflexões: No ano de 
1999, 98% deles não tinham ingressado na Universidade. 
Isso demanda um olhar mais apurado. Com as políticas 
de Cotas nas Universidades Públicas brasileiras, o quadro foi 
amenizado, passando a ser de 12,8% a presença de jovens negros 
(pretos e pardos), na faixa etária entre 18 e 24 anos, entre os que 
são estudantes matriculados em instituições de ensino superior 
no Brasil. Pode representar um número ainda ínfimo, mas 
mudanças ocorreram, graças às políticas afirmativas de cotas.
A presença de estudantes negros, na totalidade da 
população brasileira, foi ampliada de negros nas universidades, 
segundo dados do ano de 2015, do Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE). Isso comprova que a presença 
nula mudou com a política de cotas, mas poderá melhor ainda 
mais. É significativo revelar que, em 2018, no Brasil mais de 
19 milhões de pessoas se declaram pretas, segundo dados de 
2019, divulgados pelo IBGE. Somando aos não declarados 
representam grande contingente populacional.
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Educação das Relações Étnico-Raciais118
É necessário refletir sobre os dados todos acima. Eles 
revelam que é necessário investimento em políticas Públicas 
educacionais que tragam um contingente cada vez maior de 
crianças, adolescentes e jovens negros para dentro das escolas, nos 
mais diversos níveis da Educação Básica e para a Universidade. 
Muitos avanços aconteceram e gigantescos passos precisarão 
ser dados para superar todos estes séculos de desigualdade. O 
país desafia com seus quadros acentuados de desigualdades, de 
desníveis e com as suas precariedades nas políticas educacionais 
de caráter universal. 
Elas não conseguem atingir de forma igualitária 
alguns grupos específicos da nossa população. 
Essa situação desvela uma das falácias do mito da 
democracia racial brasileiro, ou seja, a crença de 
que negros e brancos encontram-se em situação de 
harmonia e igualdade no Brasil. Que harmonia? 
Que igualdade? O que os dados estão dizendo? 
(GOMES, 2008, p. 137)
Sendo assim é muito importante garantir as necessárias 
e justas mudanças educacionais e epistemológicas, ou seja, 
operando nas formas como construímos o conhecimento, ou 
que práticas educativas fazemos para as crianças construírem, 
e serem suficientemente capazes de entender, considerar e 
afirmar, dentro das instituições educacionais, que as ações dos 
negros como sujeitos políticos ao longo da História poderá ser 
dar visibilidade às práticas culturais, políticas, educacionais e 
organizativas do segmento negro da população brasileira.
Refletindo sobre a Diversidade Cultural e sobre às diferenças, 
nas práticas pedagógicas, com os olhos nas diferenças étnico-raciais, 
do Povo Negro Brasileiro, focando sobre a situação de gênero, 
pensando na mulher negra professora, e nos negros que enfrentam 
suas diferenças relacionadas as faixas geracionais, ligando com 
as realidades de suas classes sociais, e não discriminando aqueles 
negros que são de religiões afrodescendentes ou religiões de matriz 
africana, é necessário promover seus direitos todos a diversidade 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 119
cultural e suas diferenças. A escola brasileira precisará avançar na 
sua intolerância com as diferenças religiosas. As crianças sofrem 
e ainda são obrigadas a assistir aulas que desconhecem seus cultos 
sagrados:
[...] Mais do que ‘tolerância religiosa’, o que se 
reivindica é o reconhecimento, a aceitação e o respeito 
da diversidade religiosa brasileira. As religiões de matriz 
africana têm sofrido muitas pressões e discriminações. 
No entanto, a organização dos praticantes dos cultos 
afro-brasileiros tem ampliado e alcançado algumas 
vitórias políticas em diferentes lugares do País.
(GOMES, 2008, p. 143).
Sobre as relações entre a diversidade cultural e as diferenças 
ambiental-ecológica, apontando como uma estratégia para tempos 
difíceis de acentuadas mudanças climáticas, aquecimento global 
com relevantes danos para a população mundial, com perspectivas 
de agravamento nas próximas décadas, segundo dados de cientistas 
do clima, são necessárias reflexões. Qual seriao papel das práticas 
pedagógicas, nas escolas brasileiras?
O mundo já vê estarrecido episódios que demandam novas 
significações e novos contatos com a preservação ambiental-
ecológica, em uma aliança com a diversidade cultural e as 
diferenças dos diversos povos que habitam o território brasileiro 
e que necessitam da terra para produzir, além de alimentos, suas 
diversidades culturais. É o caso de indígenas, quilombolas e demais 
pessoas e comunidades tradicionais que vivem no Campo.
Recentemente chamaram a atenção nos lamentáveis episódios 
de rompimentos de barragens em Minas Gerais (2019), os danos 
graves às vidas das comunidades ribeirinhas, pescadores e povos 
indígenas de Minas Gerais. Pensando no mundo todo são diversos 
episódios como incêndios e mudanças drásticas no clima que criam 
a categoria de desabrigados ambientais. Isso demanda reflexões 
significativas pela preservação dos nossos ecossistemas, entre eles 
a Amazônia, onde habitam muitos dos nossos povos indígenas.
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 119ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 119 03/02/2021 17:27:4803/02/2021 17:27:48
Educação das Relações Étnico-Raciais120
A nossa diversidade cultural e o nosso pluralismo cultural 
prova que não somos idênticos, ou seja, não somos iguais, somos 
diferentes, carregamos diferenças, que aparecem em diversos 
formatos, nos longos séculos de luta contra os projetos de 
unificação, propostos pelos colonizadores da nossa América e de 
nosso Brasil. Já os colonizadores portugueses não eram únicos, 
carregavam suas diferenças. Os povos indígenas eram e são 
diversos. E os africanos eram idênticos, somente, na condição 
indigna de escravização. 
É evidente que Governos Federal, Estadual e Municipal, 
as legislações eficazes e Políticas Públicas de Educação serão 
necessárias e devem ser mantidas, a escola sozinha não pode 
realizar tão imprescindíveis tarefas. 
Já neste século foi proposto pelo Governo Federal, 
o Programa Brasil Plural. Foi praticado pela Secretaria da 
Identidade e da Diversidade Cultural, através do Ministério da 
Cultura, em 2004. É interessante analisar os pontos escolhidos 
para focar em tal programa, figuravam: a valorização da 
diversidade das expressões culturais nacionais e regionais, o 
fortalecimento da democracia, com igualdade de gênero, raça e 
etnia e a cidadania com transparência, diálogo social e garantia 
dos direitos humanos. Bem como a garantia de apoio, promoção e 
intercâmbio aos grupos e redes de produtores culturais, manterem 
suas diversificadas manifestações culturais, salvaguardando as 
qualidades identitárias (de identidade, de diferença) por gênero, 
orientação sexual, grupos etários, étnicos e da cultura popular. 
Além de promover a identificação, preservação e 
valorização dos patrimônios culturais brasileiros, assegurando sua 
integridade, permanência, sustentabilidade e diversidade. Algo a 
ser pensado na escola é uma condição de diferença e de portador 
de diversidade cultural da criança ou do jovem com deficiência! 
As legislações avançaram! Os educadores precisam entender e 
garantir a perfeita inclusão das pessoas com deficiência.Toda uma 
legislação recente os salvaguarda na escola!
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Educação das Relações Étnico-Raciais 121
Todos estes elementos devem ser levados em consideração 
para a realização de práticas pedagógicas que levem em conta a 
diversidade cultural e as diferenças ambiental-ecológica, étnico-
racial, de gêneros, faixas geracionais, classes sociais, religiões, 
necessidades especiais (Crianças, adolescentes, jovens e adultos 
com defi ciência), escolhas sexuais, entre outras.
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: Vídeo - Darcy Ribeiro narra 
no seu livro o Povo Brasileiro, a matriz indígena. Acessível pelo 
link: https://bit.ly/3hhhzsm. E a matriz afrodescendente. Acessível 
pelo link: https://bit.ly/2AeHZtZ. (Acesso em 04/01/2020).
SAIBA MAIS
Figura 1: Brasileiros
Fonte: Wikimedia Commons
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 121ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 121 03/02/2021 17:27:4803/02/2021 17:27:48
Educação das Relações Étnico-Raciais122
Você foi capaz de refletir sobre o sobre a Diversidade Cultural 
e sobre o respeito às relevantes diferenças, inicialmente focando 
nas questões iniciais e essências sobre diversidade e diferenças, 
nas práticas pedagógicas. Por fim, você foi capaz de refletir sobre 
Diversidade Cultural e sobre cada uma das seguintes diferenças, 
a saber, ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros, entre as 
faixas geracionais, classes sociais, religiões, necessidades especiais 
(pessoas com deficiências), escolhas sexuais, entre outras.
Aplicando a diversidade cultural 
brasileira na prática docente
Você será capaz de aplicar a diversidade cultural brasileira na 
prática docente, você vai entrar nas especificidades das práticas 
docentes, nos saberes e fazeres docentes, sob o foco da presença 
da diversidade cultural brasileira, levado pela indagação e como 
promovê-la, no cotidiano escolar.
OBJETIVO
Aplicando a diversidade cultural brasileira 
na prática docente: histórias, pensamentos 
e conquistas.
Quando você refletir sobre a relação entre Diversidade 
Cultural, diferença e prática pedagógica, dentro das escolas, 
procure pensar que as nossas diferenças e aquelas que aprendemos 
nas nossas casas, e vemos desde pequenos, no contato com 
as nossas comunidades, não devem ser naturalizados, nem 
romantizados e muito menos vistos como ingênuos. 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 122ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 122 03/02/2021 17:27:4803/02/2021 17:27:48
Educação das Relações Étnico-Raciais 123
Não devemos aceitar que eles sejam sentidos ou teorizados 
como algo que compense os maus tratos e todo o longo processo 
de escravização do povo africano ou de desapropriação dos 
povos indígenas, duas das nossas importantes matrizes, imersas 
nas nossas culturas e em nossa diversidade cultural, demandando 
respeito aos seus direitos e visibilidade.
E muito menos devemos amenizar as hibridizações 
contemporâneas (algumas misturas que acabam por desqualificar 
e anular as marcas constituintes de nossas culturas e de 
pertencimento dos povos negros e indígenas brasileiros. Permitir 
isso impede perspectivas e atitudes mais efetivas de proteção, 
promoção e articulação, dos legados de nossos ancestrais negros, 
indígenas e europeus. Cada um destes agrupamentos trouxe 
contribuições singulares e que devem ser preservadas. 
É necessário admitir inicialmente que somente o desvendar 
desta necessidade, movida por sentimentos que caminham 
pela trilha de uma reparação histórica de tantos silenciamentos 
diante de toda a diversidade cultural brasileira e com as 
nossas mais distintas diferenças não vão mover rapidamente 
a engrenagem que ficou parada e está enferrujada. É preciso ir 
bem além da boa vontade, em sala de aula, e estabelecer um 
caminho, mesmo que seja longo para desconstruir velhas:
[...] práticas geradas por estruturas de dominação 
colonial de longo prazo, de produção da 
desigualdade a partir das diferenças socioculturais, 
estas consideradas como signo de inferioridade. 
Tal enunciação prescritiva da busca de ‘novas 
posturas’ mal disfarça o exercício da violência 
(adocicada que seja), única caução de uma 
‘verdade’ também única e totalitária. É preciso ir 
bem mais adiante.(LIMA, 2006, p. 13)
Isso fará você retornar a uma questão: o que as escolas 
e suas práticaspedagógicas devem e podem fazer pela nossa 
diversidade cultural, aliada às nossas diferenças, agindo de uma 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 123ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 123 03/02/2021 17:27:4803/02/2021 17:27:48
Educação das Relações Étnico-Raciais124
maneira que não anulem e jamais destruam as nossas diferenças? 
E a resposta possível é a defesa evidente que existe uma grande 
necessidade de educar para a diversidade ou de uma educação 
para a diversidade entendida menos como uma atitude de 
respeito passivo e mais como uma forma de estar no mundo, em 
que a articulação das diferenças se configura como pré-requisito 
ao desenvolvimento humano.
Há uma alternativa já antiga e conhecida pelos Povos 
Indígenas do Brasil. É uma possibilidade de Educação diferenciada, 
que não esconde nem nossas diversidades culturais e nem as 
nossas diferenças. É a Educação intercultural focada em trazer os 
diversos elementos de várias culturas, tais conhecimentos, valores 
e tradições, que se articulam e se integram nas práticas cotidianas 
das pessoas, para o campo das políticas de divulgação e de 
valorização da Diversidade Cultural e para o dia-a-dia das pessoas, 
bem como das instituições escolares e das nossas sociedades, mas 
nem sempre bem utilizadas. É bom destacar que a interculturalidade 
não é inverter a relação desigual de discriminado a discriminador, 
mas uma superação de qualquer forma de simetria nas relações 
culturais entre indivíduos e sociedades.
Existem pessoas que desconhecem a nossa diversidade 
cultural brasileira e, ainda, ignoram e discriminam as nossas mais 
distintas diferenças, diferenças ambiental-ecológica, étnico-
racial, de gêneros, faixas geracionais, classes sociais, religiões, 
necessidades especiais, escolhas sexuais, entre tantas outras.Já 
educadores precisarão conhecê-las e respeitá-las muito bem!
A realidade social brasileira e nos demais Estados 
contemporâneos está vinculada às diferenças socioculturais? 
Como podemos fazer com que as escolas sejam espaços de 
aprender com as diferenças socioculturais e todas as demais 
diferenças que brotem dentro das escolas? Como fazer um 
cenário pedagógico que permitam dialogar com as diferenças 
e as diversidades culturais já existentes, dentro das escolas? 
Como começar este caminho? Como vencer os preconceitos e 
dissipar tanto racismo? 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 124ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 124 03/02/2021 17:27:4803/02/2021 17:27:48
Educação das Relações Étnico-Raciais 125
Sempre que uma realidade educacional inspira e respira demo- 
craticamente práticas pedagógicas inclusivas, com respeito às 
diferenças e as diversidade cultural, não se pode dizer apenas 
que cumprem as legislações. Agem e são justos com a nossa 
história, ou mais precisamente as nossas histórias e culturas dos 
diversos povos, nossas intensas matrizes do povo brasileiro.
O Brasil não é ou não multicultural? É diverso? É sempre 
bom refletir que:
[...] a multicultura brasileira reflete a rica 
pluralidade que se manifesta na miscigenação de 
seu povo, na cor da pele, nos costumes, na culinária, 
vestimentas, folclore, comportamento etc. Todavia 
(e infelizmente) se reflete também nas relações de 
poder e nas desigualdades entre os privilegiados e 
os outros – as denominadas de forma depreciativa 
‘minorias’.(FERREIRA, 2015, p. 306)
Refletindo sobre a questão da Diversidade Cultural, 
das diferenças, das identidades nas salas de aula, é possível 
afirmar palavras que remetem à atualíssimas reflexões sobre 
estes temas que você está estudando agora, diferenciando-as de 
formas antigas, ultrapassadas e superadas.
Depois de fazer suas considerações sobre os cenários 
desoladores em que alojaram as nossas diversidades culturais 
no Brasil, ao longo da nossa história, desde a chegada dos 
portugueses, escondendo-as, assim como se fosse possível 
àquilo recalcado, ocultado, não ser perceptível, este projeto 
nacional de homogeneização (assim como se fosse fácil misturar 
óleo e água), tal projeto de embranquecimento e destituição das 
nossas diversidades e diferenças foi chegando às escolas, aos 
alunos, montadas dentro das cabeças dos professores, presentes 
aos currículos, mantidas como mentiras que parecem verdades 
nos nosso livros didáticos. E com quais finalidades?
Para que os futuros professores, não indígenas e que 
desconhecem a diversidade cultural e as diferenças dos povos 
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Educação das Relações Étnico-Raciais126
indígenas, possam falar deles com propriedades e sem preconceitos? 
Servirá para os que são muito pouco ou pouco conhecedores da 
diversidade linguística, dos modos de vida e das visões de mundo 
de povos de histórias tão distintas como os que habitam o Brasil 
e que compõem um patrimônio humano inigualável. E para que 
possamos construir uma escola aberta às diferenças e a diversidade 
cultural que tenha por princípio elementar o respeito à diferença, o 
cultivo da diversidade, a polifonia de tradições e opiniões e que se 
paute pela tolerância, como tantos preconizam no presente.
Com tais mentiras que pareciam verdades foram surgindo 
explicações, que caracterizavam as nossas diferenças como 
nulas e parecíamos menos complexos do que somos, menos 
diversificados culturalmente do que somos, menos diferentes 
étnico-racialmente do que somos. Foram mentindo sobre nós 
e estas mentiras pareciam verdades de tanto serem repetidas. 
Então, uma tarefa surgiu como preponderante. Era necessário 
tocar as mentes das pessoas para ver as invisibilidades, diante 
de nossa diversidade cultural.
Estes desafios exteriores à sala de aula, são, concomitan-
temente, desafios para dentro das salas de aula, relacionados aos 
temas da diversidade cultural e das diferenças, que estão fora e 
dentro da escola.
O que podemos almejar como reconhecimento de nossas 
diferenças? E quando falamos em diferenças designamos 
as individuais e as coletivas. Queremos ver reconhecidas as 
nossas diferenças coletivas e individuais como uma condição de 
cidadania quando as identidades diversas são reconhecidas como 
direitos civis e políticos, consequentemente absorvidos pelos 
sistemas políticos e jurídicos no âmbito do Estado Nacional. 
Não devemos agir nas escolas, com relação aos modos 
diferentes de alguns agrupamentos com relação à educação, 
como educam seus filhos, com os mesmos parâmetros de análise 
equivocada dos colonizadores portugueses. Eles achavam que 
somente as diferenças deles eram boas, válidas e certas. E que 
somente os seus métodos para educar eram os mais acertados.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 127
A Educação é um direito social e um processo de 
desenvolvimento humano, que demanda Políticas Públicas de 
Educação. Já nos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), 
a educação escolar corresponde a um espaço sociocultural e 
institucional responsável pelo trato pedagógico do conhecimento 
e da cultura. Historicamente, esta universalização do direito à 
educação foi tardia no Brasil, mesmo depois da Proclamação 
da República. O que necessariamente deve ser comemorado 
como fruto das lutas populares e que resultaram nos avanços 
dos marcos legais da educação Nacional, a partir de 1988, com 
a nova Constituição Federal, carinhosa e esperançosamente 
chamada de Constituição Cidadã. Não ocorreu sem lutas!
O Grande abolicionista, pensador e escritor negrobrasileiro, Luiz Gama nasceu em 1830, sua mãe Luiza Mahin era 
africana e estava na condição de escravizada, Luiz Gama nasceu 
livre, e posteriormente foi vendido pelo próprio pai, quando 
tinha dez anos. Nunca teve um diploma universitário. Atuou nos 
tribunais e conseguiu com seus esforços libertar mais de 500 
pessoas negras, em condição de escravizados. Hábil leitor, ele ia 
atrás das leis escravistas brasileiras, no século XIX, conseguindo 
examinar saídas para a libertação de muitas pessoas, antes do 
fim da escravidão, no Brasil.
Em uma carta de importante valor histórico, datada de 1880, 
um pouco antes da assinatura do fim da escravidão no Brasil, 
declarou:
[...] Em 1847, contava eu 17 anos, quando para a 
casa do sr. Cardoso, veio morar, como hóspede, 
para estudar humanidades, tendo deixado a cidade 
de Campinas, onde morava, o menino Antônio 
Rodrigues do Prado Júnior, hoje doutor em direito, 
ex-magistrado de elevados méritos, e residente 
em Mogi-Guassu, onde é fazendeiro.
Fizemos amizade íntima, de irmãos diletos, e ele 
começou a ensinar-me as primeiras letras.
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Educação das Relações Étnico-Raciais128
Em 1848, sabendo eu ler e contar alguma cousa, 
e tendo obtido ardilosa e secretamente provas 
inconcussas de minha liberdade, retirei-me, fugindo, 
da casa do alferes Antônio Pereira Cardoso, que 
aliás votava-me a maior estima, e fui assentar praça.
(MOURA; MOURA, 2004, p. 170) 
No tempo em que serviu no exército, como praça, ele narra 
que se fez copista (fazia cópias); escreveu para o escritório de um 
escrivão tornando-se amigo dele. Ordenança dele, narrando que 
por meu caráter, por minha atividade e por meu comportamento, 
conquistei a sua estima e a sua proteção; e as boas lições de 
letras e de civismo, que conservo com orgulho. Sem o direito 
universal a educação, tendo nascido livre, sendo filho de uma 
africana escravizada, os dois eram lideranças da resistência 
negra, a mãe e ele, Luiz Gama aprendeu a ler e as tarefas ligadas 
a um exercício intelectual e unido as letras, graças aos amigos 
que foi fazendo pela vida. Sua vida é exemplar da falta que as 
políticas públicas podem fazer! 
Lá pelo ano de 1856, ainda longe estava à abolição, após 
ter servido no cargo de escrivão diante de muitas autoridades 
policiais, conta fui nomeado amanuense da Secretaria de Polícia, 
onde servi até 1868, época em que ‘por turbulento e sedicioso’ fui 
demitido a ‘bem do serviço público’, pelos conservadores, que 
então haviam subido ao poder. (MOURA; MOURA, 2004, p.170). 
Assim, por pura perseguição política e não por algum grave 
delito no exercício de sua profissão. “Desde que me fiz soldado, 
comecei a ser homem; porque até os 10 anos fui criança; dos 
10 aos 18, fui soldado. Fiz versos; escrevi para muitos jornais; 
colaborei em outros literários e políticos, e redigi alguns”.
(MOURA; MOURA, 2004, p. 170). Um renovado intelectual 
brasileiro, do século XIX, Luiz Gama lutou muito pelos direitos 
dos afrodescendentes.
Uma escola pública que aplicasse a Diversidade Cultural 
Brasileira na Prática Docente, fez falta à vida do menino 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 128ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 128 03/02/2021 17:27:4803/02/2021 17:27:48
Educação das Relações Étnico-Raciais 129
Luiz Gama, lá no século XIX! O fato é que no decorrer das 
últimas décadas o século XX e das duas primeiras décadas 
do século XXI, a sociedade civil organizada e os Governos 
Federal, Estaduais e Municipais brasileiros organizaram 
pujante conjunto de marcos legais e de políticas públicas, 
focadas nas diferenças étnico-raciais e na diversidade cultural 
brasileira. Para que as escolas e as práticas docentes possam 
ser inclusivas e não ocultar ou insultar as nossas diferenças 
e nossas diversidades culturais, serão necessárias mudanças 
íntimas (na subjetividade de cada educador) e também externas 
ou sociais nos currículos, nas metodologias, na avaliação e 
na relação com a comunidade em seu entorno, na formação 
docente, entre tantas outras questões. 
No caso das práticas pedagógicas é necessário se debruçar 
sobre todas as ausências como, por exemplo, a ausência do negro 
no livro didático, a ausência de mulheres negras na política, a 
ausência dos negros nos cargos de poder, entre outros, são formas 
de exclusão e de não-existência ativamente. Estas ausências 
do povo negro, com sua diversidade cultural e suas diferenças 
foram, perversamente, produzidas, dentro da realidade brasileira 
e nos contextos histórico, político, cultural e educacional. Ou 
seja, elas foram produzidas conquanto tais. Essas ausências 
também podem ser encontradas no campo epistemológico, 
como, por exemplo, na própria produção do conhecimento.
Quanto à questão da diversidade cultural dos povos 
indígenas, a Constituição Federal de 1988 representou um 
divisor de águas de um processo longo de exclusão das 
diversidades culturais e diferenças entre os mais de 200 povos 
indígenas brasileiros. Isso operou uma ruptura com um modelo 
excludente, já existente desde o início da República brasileira 
(1889), baseada em uma política extremamente etnocida (voltada 
a exterminar os povos indígenas), repressiva e genocida. 
O que operava era uma política determinada de negação 
e de banimento dessa Diversidade Cultural. Passamos mais de 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 129ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 129 03/02/2021 17:27:4803/02/2021 17:27:48
Educação das Relações Étnico-Raciais130
quatro séculos em que a política oficial dos dirigentes, seja no 
período colonial ou pós-colonial, distinguia negativamente essas 
pessoas e grupos, física e culturalmente.
Uma primeira iniciativa neste sentido foram os Parâmetros 
Curriculares Nacional (1997), diversidade cultural figura entre 
os temas transversais. De lá para cá, as demandas para a escola 
que levem em conta a diversidade cultural e a diferença de cada 
povo indígena passa por vê-la, a escola, como um ‘contexto’:
[...] um lugar onde a relação entre os conhecimentos 
tradicionais e os novos conhecimentos científicos 
e tecnológicos deverão articular-se de forma 
equilibrada, além de ser uma possibilidade de 
informação a respeito da sociedade nacional, 
facilitando o ‘diálogo intercultural’ e a construção 
de relações igualitárias – fundamentadas no respeito, 
no reconhecimento e na valori-zação das diferenças 
culturais – entre os povos indígenas, a sociedade 
civil e o Estado. (LUCIANO, 2006, p. 148)
Os Parâmetros curriculares Nacionais/PCN’s representaram 
apenas um ponta pé em uma história de silenciamentos e 
exclusões as matrizes dos povos brasileiros. Pois nem existe 
uma só cultura, existem diversas culturas e elas se encontram 
dentro da escola. Além da escola e o currículo dela assumirem 
que as crianças representam muitas culturas diferentes, é preciso 
ir além. É necessário reconhecer a cultura docente, do aluno e da 
comunidade, a presença da cultura escolar, mas não questiona o 
lugar que a diversidade de culturas ocupa na escola. Mais do que 
múltiplas, as culturas diferem entre si.
Refletindo sobre a aplicação da Diversidade Cultural 
e das diferenças, nas práticas pedagógicas, com os olhos nas 
diferenças étnico-raciais, do Povo Negro Brasileiro, discutindo 
as questões de gênero, pensando na exclusão da mulher negra 
ou do homossexual de qualquer etnia, e nos desafios geracionais 
dos negros, na velhice da população negra, ou nos desafios dos 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 131
adultos e idosos que vão aprender a escrever e ler, nas salas de 
Educação de Jovens e adultos, entendendo o desejo do jovem 
negro de chegar na universidade, entendendo-os de dentro de 
suas realidades sociais e classes sociais, e não perseguindo os 
negros que são de religiões afrodescendentes ou religiões de 
matriz africana, muitos avanços precisarão acontecer nas escolas.
E isso configurou campos de lutas antigas dos negros, 
nos seus debates sobre a diversidade cultural, no campo 
minado das desigualdades brasileiras, a ponto de transformar e 
re-semantizar suas reivindicações, hoje, em políticas de ações 
afirmativas. Faz-se necessário compreender o caráter radical e 
emancipatório de tais políticas.
Refletir sobre as aplicações da diversidade nas práticas 
peda-gógicas para o povo negro é se deparar com:
[...] um conjunto de políticas públicas e privadas 
de caráter compulsório, facultativo ou voluntário, 
concebidas com vistas ao combate à discriminação 
racial, de gênero e de origem nacional, bem como 
para corrigir os efeitos presentes da discriminação 
praticada no passado, tendo por objetivo a 
concretização do ideal de efetiva igualdade de 
acesso a bens fundamentais como educação e 
emprego. (GOMES, 2001, p. 40)
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: As Dimensões da 
Diversidade Cultural Brasileira. Acessível pelo link: https://bit.
ly/3dNJ5eE. Acesso em 04/01/2020).
SAIBA MAIS
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Educação das Relações Étnico-Raciais132
Figura 2: Encontro Afro-latino em Salvador
Fonte: Wikimedia Commons
Aplicando a diversidade cultural brasileira 
na prática docente: refletindo sobre o 
futuro do respeito às diferenças.
Aplicando a diversidade cultural brasileira na prática 
docente, você poderá perceber as conquistas das lutas e o que 
poderá ser fruto no futuro. E o que mudou e com ainda poderá 
mudar para ser mais justo? Já existem muitas iniciativas e muitas 
outras precisarão continuar sendo aplicadas. E que avancemos 
com políticas Públicas Educacionais e com práticas inclusivas!
Diferentes daquelas políticas antidiscriminatórias, que 
atendem a criança, o jovem, a mulher, o homem, o idoso, ou ainda 
o membro de uma comunidade de Religião de Matriz Africana, 
baseadas em lei de conteúdo meramente proibitivo, que se 
singularizam por oferecerem às respectivas vítimas tão somente 
instrumentos jurídicos de caráter reparatório e de intervenção, tão 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 133
recorrentes na televisão e nos jornais, de fatos tão devastadores, 
racistas, intolerantes e que acabam na frente de um delegado de 
polícia, com o simples pagamento de uma fiança.
Ir além é preciso! O que a escola deverá buscar, conquistar 
e efetivar são as ações afirmativas. E o que são ações afirmativas? 
As ações afirmativas 
[...]têm natureza multifacetária e visam evitar 
que a discrimi-nação se verifique nas formas 
usualmente conhecidas – isto é, formalmente, por 
meio de normas de aplicação geral ou específica, 
ou através de mecanismos informais, difusos, 
estruturais, enraizados nas práticas culturais e no 
imaginário coletivo. (Gomes 2001, p. 41)
A questão a ser considerada é se as Práticas Pedagógicas 
também foram transformadas essencialmente. O que é 
necessário refletir é se as práticas Pedagógicas aplicam a 
Diversidade Cultural Brasileira, e isso faz sentido nas práticas 
dos educadores de crianças, adolescentes e jovens que chegam 
na escola, fora da faixa etária determinada para cursar os seus 
primeiros anos escolares, sem os discriminar por suas diferenças 
e levando em conta as suas diversidades culturais? As práticas 
Pedagógicas que se intitulam como iguais para todos seriam 
ou não mais ou menos discriminatórias? Segundo Gomes 
acabariam por ser mais discriminatórias. Essa afirmação pode 
parecer paradoxal, mas, dependendo do discurso e da prática 
desenvolvida, pode-se incorrer no erro da homogeneização em 
detrimento do reconhecimento das diferenças.
É fundamental entender que a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação/LDBEN Nacional determina um cenário de garantias 
legais para aplicar a diversidade cultura, nas práticas docentes. 
Caso professor queira? Caso ele não tenha nenhuma oposição a 
esta lei? Não! É um marco legal a ser respeitado!
O fato é que já escorridos tantos anos, desde a homologação 
da LDBEN (BRASL, 1996), apresenta-se um desacerto entre a 
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Educação das Relações Étnico-Raciais134
lei e as práticas docentes. Muitos educadores continuam sem 
entender que as diversidades culturais, em sala de aula, dependem 
da boa vontade deles. E isso implica em abandonar práticas 
docentes retrógradas, conservadoras e centradas nas construções 
de cultura e de diversidade que permeiam o grupamento social 
ao qual determinados educadores pertencem, que parece anular 
as necessidades de emancipação, e de oferecer experiências 
educativas que impulsionem os alunos para o futuro, passando 
pelos legados dos seus antepassados. As matrizes indígena e 
negra é de todos nós!
O professor deve aplicar a Diversidade Cultural Brasileira 
na Prática Docente, a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais, 
de iniciativas do Conselho Nacional de Educação/CNE e do 
Ministério da Educação/MEC, para promover a Educação das 
Relações Étnico-Raciais, que poderá acontecer em iniciativas, 
firmadas em marcos legais, como no Ensino de História e Cultura 
Afro-Brasileira, Africana e indígena, apoiados em princípios como 
Socialização e visibilidade da cultura negro-africana e indígena. 
Passando, inicialmente, pela sensibilização dos professores 
para a importância de aplicar a diversidade cultural brasileira, que 
envolve a Formação de professores com vistas à sensibilização 
e à construção de estratégias para melhor equacionar questões 
ligadas ao combate às discriminações racial e de gênero e à 
homofobia. Ainda que tais diversidades não sejam familiares aos 
educadores, mas é bom lembrar que são reais aos diversificados 
alunos que encontram pelo caminho.
Aplicando a diversidade cultural brasileira na prática 
docente, vai demandar a construção de material didático-
pedagógico que contemple a diversidade étnico-racial na escola. 
Perpassando pela importante valorização de diversificados 
saberes, construídas no âmbito da diversi-dade cultural dos povos 
que constituíram o povo brasileiro. O que passa pela Valorização 
das identidades presentes nas escolas, sem deixar de lado esse 
esforço nos momentos de festas e comemorações. Isso significa 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 134ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 134 03/02/2021 17:27:4803/02/2021 17:27:48
Educação das Relações Étnico-Raciais 135
abrir a escola para a vida comunitária, onde podem estar muitos 
grupos diversificados e artísticos que dançam ou encenam 
elementos constitutivos da nossa memória oral brasileira, 
chamados por alguns como folclóricas, parte integrante da nossa 
vibrante diversidade cultural tradicional. Isso traz elementos 
suficientes para compor um cotidiano escolar com pesquisa, 
aprendizagem e envolvimento das crianças.
Aos que pretendem aplicar a diversidadecultural na 
prática docente na educação Infantil, em que currículos, bases 
e parâmetros curriculares já focam no Cuidar e Educar, é 
necessário planejar e ao mesmo tempo questionar as escolhas 
pautadas em padrões dominantes que reforçam os preconceitos e 
os estereótipos. Isso vai exigir que sejam elencados, construídos 
ou recuperados princípios para os cuidados embasados em 
valores éticos, nos quais atitudes racistas e preconceituosas não 
podem ser admitidas. Nessa direção, a observação atenciosa 
de suas próprias, o que requer um desejo e um cuidado em 
promover práticas e atitudes podem permitir às educadoras rever 
suas posturas e readequá-las em dimensões não-racistas.
É interessante que o educador infantil, embutido na 
tarefa de aplicar a diversidade cultural na sua ação docente, 
que ele queira aprender sobre as construções epistemológicas 
dos diversos grupamentos que formaram o povo brasileiro 
(destacando duas matrizes bem importantes, o negro e o 
indígena). Como eles definem o processo de aprender? Como 
os grupos de manifestações da cultura popular tradicional 
costumam ensinar aos seus novos membros dos grupos? Que 
metodologias estão contidas nelas? E aprender com eles! É 
bom lembrar que para aprender é necessário que alguém mais 
experiente, em geral mais velho, se disponha a demonstrar, a 
acompanhar a realização de tarefas, sem interferir, a aprovar o 
resultado ou a exigir que seja refeita.
Talvez seja necessário, no combate aos racismos e 
preconceitos, trazer as manifestações da diversidade cultural 
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Educação das Relações Étnico-Raciais136
daqueles que são atingidos por vitimizações, sejam por 
preconceitos étnico-raciais, ou outros relacionados a origem 
e até ao fato de viver em uma família incomum aos modelos 
burgueses, como grande parte das crianças brasileiras, que vivem 
em uma sociedade ainda submetida a um acentuado machismo, 
com maioria de votantes mulheres e grande número delas são 
as chefes de família. Bem como as famílias que surgem em 
casamentos entre pessoas do mesmo sexo. É necessário vencer 
os preconceitos embutidos em sua postura, linguagem e prática 
escolar; reestruturar seu envolvimento e se comprometer com 
a perspectiva multicultural da educação. O professor, atento 
às diferenças, deverá buscar na história e na cultura de cada 
criança e poderá responder suas indagações sobre como agir. É 
necessário que o professor entenda e aceite as diversidades!
Na recente e homologada Base Nacional Comum Curricular/
BNCC (2018), configura como uma das Competências da 
Educação Básica (para Educação Infantil, Ensino Fundamental 
e Ensino Médio):
[...] Valorizar a diversidade de saberes e vivências 
culturais e apropriar-se de conhecimentos e 
experiências que lhe possibilitem entender as relações 
próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas 
alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de 
vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e 
responsabilidade (BRASIL, 2018, p. 09).
Na Educação Infantil, a BNCC recomenda que a escola 
precisa conhecer e trabalhar com as culturas plurais, dialogando 
com a riqueza/diversidade cultural das famílias e da comunidade. 
Já no Ensino Fundamental, a BNCC recomenda uma atenção 
mútua, imbricada à questão dos multiletramentos, essa proposta 
considera, como uma de suas premissas, a diversidade cultural. A 
BNCC ressalta sobre a temática da diversidade cultural o fato de 
mais de 250 línguas são faladas no país. Indígenas, de imigração, 
de sinais, crioulas e afro-brasileiras, além do português e de suas 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 137
variedades. Esse patrimônio cultural e linguístico é desconhecido 
por grande parte da população brasileira. E, ainda, indica para 
considerar a temática diversidade cultural, abrangendo formas e 
produções de expressão várias e distintas, a literatura infantil e 
juvenil, o cânone, o culto, o popular, a cultura de massa, a cultura 
das mídias, as culturas juvenis etc., de forma a garantir ampliação 
de repertório, além de interação e trato com o diferente.
Do 1.º ao 5.º ano do Ensino Fundamental, no ensino da 
Língua Portuguesa, a BNCC (BRADIL, 2018) recomenda, no 
Campo Artístico-Literário, vinculado a leitura, a fruição e produção 
de textos literários e artísticos, uma atenção a textos que bem 
representem a diversidade cultural e linguística, que favoreçam 
experiências estéticas. Alguns gêneros deste campo: lendas, mitos, 
fábulas, contos, crônicas, canção, poemas, poemas visuais, cordéis, 
quadrinhos, tirinhas, charge/cartum, dentre outros.
Configurando ainda, no Ensino da Geografia no 4.º ano, o 
tema Território e diversidade cultural, e no 5.º ano, Diferenças 
étnico-raciais e étnico-culturais e desigualdades sociais. Na 
área de Ciências Humanas, no Ensino Fundamental configura 
a valorização e temas como os direitos humanos, respeito ao 
ambiente e à coletividade, fortalecendo os valores sociais, tais como 
a solidariedade, a participação e o protagonismo voltados para o 
bem comum; e, sobretudo, a preocupação com as desigualdades 
sociais. Sendo assim a atuação do pedagogo, nas escolas, fará 
obrigatoriamente encontros com o tema da diversidade cultural.
E, configura como competência específica de Ciências 
Humanas para todo o Ensino Fundamental, refletir sobre 
atividades que façam o aluno compreender a si e ao outro como 
identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença 
em uma sociedade plural e promover os direitos humanos. 
Assim, esta última e as demais demandas da BNCC 
(BRASIL, 2018) configuram um foco em aplicar a Diversidade 
Cultural Brasileira na Prática Docente, aberta a aplicação da 
diversidade cultural nas escolas. Isso não se deu por simples 
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Educação das Relações Étnico-Raciais138
decisão dos seus elaboradores, foi fruto de lutas constantes 
da sociedade civil organizada, dos povos negros, indígenas, 
que vivem nos campos e nas comunidades mais empobrecidas 
e historicamente excluídas dos antigos currículos, desde a 
colonização até a república. O futuro é a diversidade cultural, 
assim como já era o nosso silenciado passado para a grande 
maioria da população brasileira. Sendo assim ser contemplada!
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso às seguintes 
fontes de consulta e aprofundamento: Artigo: Educação, diferença, 
diversidade e desigualdade (páginas 13 a 15). Acessível pelo link: 
https://bit.ly/2UjXis8. Vídeo: A Invenção do Brasil genética, técnica 
e simbólica continua. Acessível pelo link: https://bit.ly/2AUZfEr
SAIBA MAIS
Você foi capaz de focar sobre a aplicação da Diversidade 
Cultural na Prática pedagógica, propiciando importantes 
aprendizagens de como conciliar as Diversidades Culturais 
Brasileiras em sala de aula, não discriminando-as, e promovendo-
as. Neste percurso foi possível percorrer algumas Histórias, 
pensamentos e conquistas. Conquistando, assim, um futuro de 
respeito às diferenças.
Desenvolvendo uma prática pedagógica 
que contemple o outro e suas 
semelhanças e diferenças
Desenvolvendo uma Prática Pedagógica que contemple 
o Outro e suas Semelhanças e Diferenças, isso significa lidar 
com o singular e as singularidades, com aquilo que é ou nos 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 138ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais- Aberto - SER.indb 138 03/02/2021 17:27:4803/02/2021 17:27:48
Educação das Relações Étnico-Raciais 139
parece ser intraduzível (sem tradução para nossos sentimentos 
e pensamentos).
E, também, com aquilo que toca na nossa capacidade e na 
capacidade do Outro de diferir, no direito de diferir, bem como a 
expressão do universal, de uma ética e de um conjunto de direitos 
humanos. Simul-taneamente uma coisa e outra, é nessa tensão de 
opostos que sua realidade se revela rica, dinâmica e desafiadora. 
E diferir (em português) é originada da palavra difere, 
que podemos traduzir como ‘dispensar’ e ainda ‘Ser diferente’. 
Sendo assim está a se tratar sobre a diferença. Bem como do 
nosso direito de sermos diferentes uns dos outros. E de sermos 
divergentes um do outro e de possuirmos opiniões diversas. 
E mais: somos desafiados pela própria experiência 
humana a aprender a conviver com as diferenças. 
O nosso grande desafio está em desenvolver uma 
postura ética de não hierarquizar as diferenças e 
entender que nenhum grupo humano e social é 
melhor ou pior do que outro. Na realidade, somos 
diferentes. (GOMES, p.22)
A história brasileira é uma luta constante de tais grupos 
para terem suas diversidades culturais e diferenças respeitadas, 
em espaços como a escola, a educação nacional é excludente às 
diferenças e a diversidade cultural desde a chegada dos primeiros 
jesuítas.
Pensar na diversidade cultural, no respeito as diferenças, 
com a responsabilidade de desenvolver uma Prática Pedagógica 
que contemple o Outro e suas Semelhanças e Diferenças 
demanda o reconhecimento das diferenças é, acima de tudo, 
uma condição para o diálogo, e, portanto, para a construção de 
uma união mais ampla de pessoas diferentes.
Pensar em como desenvolver uma Prática Pedagógica que 
contemple o Outro e suas Semelhanças e Diferenças é assegurar 
que o educador seja visto como o Sujeito do processo educacional, 
e concomitantemente, seja visto como o aprendiz da temática e 
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Educação das Relações Étnico-Raciais140
mediador entre o/a aluno/a e o objeto da aprendizagem, no caso, 
os conteúdos da história e cultura afro-brasileira e africana, bem 
como a educação das relações étnico-raciais, bem como estudar 
a história e cultura indígena e dos povos europeus e asiáticos que 
vieram viver no Brasil, a partir do século XVI.
As práticas pedagógicas devem ser desenvolvidas, 
objetivando que os educandos sejam capazes de sentir e entender 
o outro, naquilo que ele é diferente ou semelhante a ele mesmo. 
O que se deve querer é o diálogo salutar entre as diferenças e as 
semelhanças, nunca deverá ser a indiferença com a dessemelhança 
do outro. Nem a zombaria, escárnio e discriminação em sala de 
aula. A escola deverá ser o lugar dos diálogos das diferenças!
As buscas devem ser centradas em desenvolver Práticas 
Peda-gógicas que contemple o Outro e suas Semelhanças e 
Diferenças, modificando-os neste contato, em sala de aula, 
fazendo-os melhores pessoas com as suas semelhanças e 
diferenças, que nunca podem ser vistas como muros que separam 
as pessoas. O importante é desenvolver Práticas Pedagógicas 
que não coloquem nenhum aluno na situação de invisibilidade 
ou escárnio, por qualquer tipo de diferença que habite em sua 
subjetividade, interioridade e exterioridade, e que promovam e:
[...] reverenciem o princípio da integração, 
reconhecendo a importância de se conviver e aprender 
com as diferenças, promovendo atividades em que 
as trocas sejam privilegiadas e estimuladas. Que 
reconheçam a interdependência entre corpo, emoção 
e cognição no ato de aprender. Que privilegiem a ação 
em grupo, com propostas de trabalho vivenciadas 
coletivamente (docentes e discentes), levando em 
conta a singularidade individual. Que rompam com 
a visão compartimentada dos conteúdos escolares. 
(BRASIL, 2006, p. 68)
Isso deverá acontecer no âmbito das mais diversas 
práticas escolares. Haverá sempre algo a aprender com as 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 141
dessemelhanças do outro e a ensinar com as nossas diferenças. 
E, sempre é possível descobrir semelhanças por sermos todos 
membros de uma só raça, a raça humana.
Desenvolvendo uma Prática Pedagógica que contemple 
o Outro e suas Semelhanças e Diferenças, nem sempre foi 
fácil no Brasil e continua representando um campo tremendo 
de lutas contra estereótipos, contra preconceitos e contra o 
desconhecimento da maioria da população brasileira sobre a real 
formação do povo brasileiro. Por isso, desde a redemocratização, 
nas últimas décadas do século XX muitos agrupamentos 
travaram suas grandes batalhas, entre eles negros, indígenas 
e homossexuais. Esta história de mobilização afetou a sala de 
aula, tornado a escola como espaço de inclusão e repensar de 
nossas intolerâncias e preconceitos.
O que foi conquistado até o fim das duas primeiras 
décadas do século XXI apontam para o repensar dos currículos 
e a necessidade de repensar as formações docentes iniciais e 
continuadas, além de transformar o cotidiano da sala de aula, 
nas suas práticas pedagógicas que precisarão ser intensamente 
inclusivas, na sociedade movida pela diversidade cultural que 
é o Brasil. Foi necessário redescobrir os sujeitos e valorizá-los.
Um bom caminho para repensar as propostas 
curriculares para infância, adolescência, juventude 
e vida adulta poderá ser uma orientação que tenha 
como foco os sujeitos da educação. A grande 
questão é: como o conhecimento escolar poderá 
contribuir para o pleno desenvolvimento humano 
dos sujeitos? Não se trata de negar a importância 
do conhecimento escolar, mas de abolir o equívoco 
histórico da escola e da educação de ter como foco 
prioritariamente os ‘conteúdos’ e não os sujeitos 
do processo educativo.(GOMES, 2007, p. 33)
Desenvolver uma Prática Pedagógica que contemple 
o Outro e suas Semelhanças e Diferenças, demandou que a 
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Educação das Relações Étnico-Raciais142
diversidade cultural brasileira indagasse os currículos, escolas, 
professores e suas práticas sobre muitas questões. Entre elas 
configurou o ordenamento temporal. Existem realidades 
distantes das grandes cidades em que eventos significativos 
de uma cultura mobilizam forças coletivas e a presença das 
crianças na escola precisa ser equacionada em tais ocasiões. 
São festividades dos povos indígenas ou dos quilombolas, entre 
outros povos que vivem no campo. São tempos de colheitas no 
campo! Repensar ordenamentos temporais garante o direito de 
todos à educação. As pesquisas educacionais mostram que a 
rigidez desse ordenamento é uma das causas do abandono escolar 
de coletivos sociais considerados como mais vulneráveis.
Além disso, esta prática pedagógica exigiu que além do 
currículo, escola, lógicas, organização espacial e temporal, 
também mudassem as pessoas todas que fazem a escola: 
Professores, diretores, coordenadores, alunos, funcionários e a 
relação com os mais varados grupos que estão localizados no 
entorno da escola e que são significativos em aprendizagem 
sobre as semelhanças e diferenças dos povos brasileiros. São 
frutos da inter-relação entre escola, sociedade e cultura e, mais 
precisamente, da relação entre escola e movimentos sociais.
Isso não se faz somente nas festas mais significativas do 
povo brasileiro e assumidas pelos mais diversos grupos, muitas 
vezes localizados tão próximosda escola e desconhecidos dentro 
dela. Mas também nas festas! Trazê-los para apresentações 
dentro da escola, entrevistá-los com os alunos, promovê-los 
em muitas ocasiões e escrever suas histórias representam tomar 
posições contra as diversas formas de dominação, exclusão e 
discriminação. É entender a educação como um direito social e 
o respeito à diversidade no interior de um campo político.
É necessário levar em conta que as Práticas Pedagógicas 
não devem impedir o diálogo com o desconhecido outro, em 
suas Semelhanças e nas Diferenças. Muitas vezes o aluno vive 
em uma família muito distinta da família de seus colegas e 
da professora. Existem crianças com diversidade de credos 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 143
religiosos, de comportamentos e de filosofias de vida. Diferentes 
arranjos familiares e afetivos são cada vez mais presentes. 
Situações que, por não sabermos lidar, acabam causando 
angústias e incompreensões. 
Isso precisa levar para adiante do impasse e ser revertido 
por práticas inclusivas e que estabeleçam o diálogo entre as 
diferenças e semelhanças. O salutar exercício da escuta e da 
tolerância do ‘outro’ é um aprendizado que nunca acaba, mas, para 
começar, precisamos nos dispor a ouvir antes de emitir nossos 
julgamentos, antes de rotular, classificar e ter um pouco mais de 
cautela antes de afirmar que algo é errado ou certo, conveniente 
ou inapropriado. Em muitas ocasiões, será necessário que o 
professor abra mão de suas certezas e ideais de criança, jovem e 
adulto, para ver somente outros tipos de configurações familiares 
e modos singulares de vestir, de arrumar o cabelo, de coloridas 
roupas, de cultos e de vinculações culturais tão distintas daquela 
professora e que merecem ser respeitadas. 
Um aluno que se comporta de uma maneira diferente é 
somente um ser que demanda um tratamento na condição de 
igualdade diante dos outros, ou seja, uma igualdade que se 
orienta pelo direito de ser diferente (diverso), e não desigual. E 
isso remete a que não se confunda diversidade com desigualdade, 
já que a primeira diz respeito à qualidade de organizar-se de 
forma particular, e a segunda, às mazelas produzidas por uma 
sociedade desigual. 
É importante garantir que os encontros entre as nossas 
diferenças e semelhanças, nas horas das práticas Pedagógicas, 
possam contribuir para que cada criança solidifique as suas 
identidades, não que elas sejam inaudíveis, ou sejam caladas. A 
identidade se constrói dentro do próprio grupo e se faz a partir de 
uma relação de alteridade. Ou seja, ela necessita do ‘outro’ para 
poder se definir, é como se identifica um perfil identitário: pelos 
opostos. Isso configura a necessidade da criação e atividades, no 
cotidiano escolar que mostrem as identidades mais diferenciadas 
que compõem a escola, de um modo festivo, comemorativo e 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 143ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 143 03/02/2021 17:27:4803/02/2021 17:27:48
Educação das Relações Étnico-Raciais144
vistos todos com respeito e a consideração que eles trazem nas 
suas construções. Uma boa tarefa é catalogar as diferenças, nos 
seus modos de comer, festejar, existir e resistir.
Algo bem importante é não alimentar dualismos, dos bons 
contra os maus, do bem contra o mal, nas práticas pedagógicas, 
que devem dialogar comas diferenças e semelhanças, lutando 
contra uma concepção das relações de gênero em que o polo 
masculino sempre detém o poder e o feminino é desprovido de 
poder – daí a necessidade de ‘fortalecer’ ou de ‘dar poder’ às 
mulheres(LOURO, 2003, p. 115). É preciso ter consciência que 
os casos de feminicídio vem aumentando no Brasil. No final da 
década passada, no 1.º semestre de 2019 aumentou em 44%, no 
estado de São Paulo, segundo dados amplamente divulgados 
pela imprensa. Os anos de escolaridade poderão ser positivos na 
construção de convivência pacífica e construtiva com as nossas 
diferenças múltiplas sejam de gênero, étnica, de origem e outras.
As meninas e mulheres representam já uma considerável 
maioria nas escolas. A grande maioria das professoras da Educação 
infantil e Ensino Fundamental são mulheres. Isso deverá ser mais 
um elemento motivador de um cuidado para não impor discursos 
retrógrados, sexistas, machistas e que discriminam as meninas, 
dentro das práticas pedagógicas.
Outro fator relevante é não criar práticas pedagógicas que 
discriminem os homossexuais e bissexuais (reconhecidamente 
vitimados pela homofobia). As desigualdades só poderão ser 
percebidas – e desestabilizadas e subvertidas – na medida em que 
estivermos atentas/os para suas formas de produção e reprodução.
Desenvolvendo uma Prática Pedagógica que contemple o 
Outro e suas Semelhanças e Diferenças, requer que os educadores 
e as educadoras inventem e solicitem a participação das meninas 
e dos meninos para que apareçam:
[...] formas novas de dividir os grupos para os jogos 
ou para os trabalhos; promovendo discussões sobre 
as representações encontradas nos livros didáticos 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 145
ou nos jornais, revistas e filmes consumidos pelas/os 
estudantes; produzindo novos textos, não-sexistas e não-
racistas; investigando os grupos e os sujeitos ausentes 
nos relatos da História oficial, nos textos literários, 
nos ‘modelos’ familiares; acolhendo no interior da 
sala de aula as culturas juvenis, especialmente em 
suas construções sobre gênero, sexualidade, etnia, etc. 
Aparentemente circunscritas ou limitadas a práticas 
escolares particulares, essas ações podem contribuir para 
perturbar certezas, para ensinar a crítica e a autocrítica 
(um dos legados mais significativos do feminismo), para 
desalojar as hierarquias.(LOURO, 2003, p. 124)
Aos educadores e educadoras caberá o desafio de fazer com 
que as diferenças geracionais entre eles e as crianças, adolescentes, 
matriculados nas instâncias da Educação Básica, e ainda aqueles, 
jovens que estão matriculados na Educação de Jovens e Adultos, não 
sejam empecilhos para um diálogo saudável, respeitoso e construtivo, 
entre as antigas e as contemporâneas formas, entre os diferentes 
modos de pesar das gerações dos professores e professoras e das 
novas gerações sobre os significados antigos e as novas construções, 
mais contemporâneas, trazendo novas concepções sobre gênero, 
sexualidade e etnia. É relevante lembrar que as crianças e adolescentes 
com deficiências precisarão ser atendidos em suas diferenças e com 
intenções e práticas inclusivas, nunca com exclusões.
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso às 
seguintes fontes de consulta e aprofundamento: Artigo: Módulo 
IV: Relações Étnico-Raciais | Unidade III | Texto I | Escola sem 
cor, num país de diferentes raças e etnias.Acessível pelo link: 
https://bit.ly/3f0ODTm.
SAIBA MAIS
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Educação das Relações Étnico-Raciais146
Figura 3: Congada em Silvanópolis, Minas Gerais 
Fonte: Wikimedia Commons
Você foi capaz de refl etir sobre como desenvolver uma 
Prática Pedagógica que contemple o Outro e suas Semelhanças 
e Diferenças, levando em conta e abrigando em sala de aula 
as diversifi cadas culturas infantis, adolescentes e juvenis, bem 
como suas novas formas e próprias as suas gerações de signifi car 
e construirnovas e contemporâneas concepções sobre gênero, 
sexualidade, etnia
Avaliando a necessidade de repensar o 
papel do educador diante da diversidade 
cultural
Avaliando a necessidade de repensar o papel do educador 
diante da diversidade cultural, você será capaz de refl etir sobre 
as mudanças necessárias na fi gura do educador e da educadora 
para que a educação como uma prática de diversidade cultural 
aconteça plenamente.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 147
O ponto de largada, na reflexão sobre as mudanças 
necessárias no Papel do Educador, diante da Diversidade Cultural 
e promovendo-a em sala de aula, passa pela própria formação 
inicial e pelas formações posteriores da saída deste educador da 
universidade e de suas vivências em sala de aula.
A formação de professores/as para a diversidade 
não significa a criação de uma ‘consciência da 
diversidade, antes, ela resulta na propiciação 
de espaços, discussões e vivências em que se 
compreenda a estreita relação entre a diversidade 
étnico-cultural, a subjetividade e a inserção social 
do professor e da professora, os quais, por sua 
vez, se prepararão para conhecer essa mesma 
relação na vida de seus alunos e alunas.(GOMES 
e GONÇALVES e SILVA,2003, p. 28)
Avaliando a necessidade de repensar o papel do educador, 
diante do seu compromisso necessário com a Diversidade 
Cultural dentro da escola e em sala de aula, é necessário pensar 
na formação deste profissional que a legislação afirma como 
o responsável pelos primeiros anos da chegada das crianças 
nas escolas, na Educação Infantil e na 1.ª parte do Ensino 
Fundamental. O que devemos almejar é que a formação dos 
futuros pedagogos contemple e faça emergir melhores e mais 
conscientes educadores e que sejam capazes de examinar e 
refletir sobre suas práticas, desejosos de modificá-las. E possam 
fazer esforços para conscientizar seus educandos sobre a 
diversidade cultural presente na sociedade brasileira, além de 
criar oportunidades para que sejam questionadas as relações de 
poder entrelaçadas, dentro da construção de tal diversidade.
Será muito importante que a formação inicial dos 
professores já propicie uma sólida formação relativa ao papel 
do educador, diante do seu compromisso necessário com a 
Diversidade Cultural. Isso já adiantará o processo e impedirá 
novos esforços e inovadoras avaliações sobre a Necessidade de 
Repensar o Papel do Educador diante da Diversidade Cultural.
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Educação das Relações Étnico-Raciais148
Todos os que fazem a escola precisam compreender, 
principalmente as professoras e os professores, que as crianças e 
suas famílias não representam um todo harmônico, chamado povo 
brasileiro. As histórias e as culturas das diferentes matrizes que 
formaram o povo brasileiro contestam tal pensamento ingênuo. Tais 
descendentes destas matrizes chegam às escolas e são nomeados 
como alunos. Eles estão em busca de alguém para ensiná-los, ou 
seja, oferecerem signos. Com eles chegam as evidências de que 
somos todos diversificados culturalmente, etnicamente e somos 
marcados por nossas reais diferenças de gênero. 
A escola e seus professores precisarão agir com as melhores 
práticas pedagógicas política, suficientemente capazes de operar em 
prol das diferenças, da cidadania de todos, com projetos democratas, 
republicanos e emancipatórios. Sempre que houver a necessidade 
de repensar o papel das educadoras e dos educadores, diante da 
Diversidade Cultural, àqueles e àquelas que já atuam nas escolas, 
as formações continuadas deverão dar conta, exemplarmente. Cada 
educador e cada educadora precisam ter clareza da dimensão de 
seus papéis de agentes da educação em uma sociedade diversificada, 
multicultural e com todos os desafios.
Na Formação Docente e nas suas futuras práticas não 
poderão faltar temas como a importância das desigualdades 
étnico-raciais e reflexões sobre uma mentira que parece verdade, 
aquela falsa e propagada ideia de que o Brasil é o paraíso 
democracia racial. Sendo necessário discutir as relações raciais, 
para além de denominarem-nas como problemas particulares de 
negros e índios.
Não são vitimizações exacerbadas como alguns, preconcei-
tuosamente, rebatem-nos. Existem e causam danos antigos e 
socialmente construídos, uma delas é a histórica mania do brasileiro 
de embranquecer sua história e seus ancestrais. Insistindo em um 
parente português e branco. Os antepassados negros e indígenas 
são ocultos ou desconhecidos. Hoje existe um recurso poderoso 
ofertado pela ciência, que são os testes de DNA. 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 149
Na Formação Docente e nas suas futuras práticas não 
poderão carecer temas como as histórias, as culturas, os conflitos, 
as formas de luta e as resistências do povo negro e dos povos 
indígenas, importantes matrizes do povo brasileiro. Bem como a 
inclusão do corte étnico-racial nas leituras, nas análises da realidade 
e nas experiências concretas. E, ainda, do corte étnico-racial (da 
presença da discussão étnico-racial) nas releituras e nas reanálises 
dos materiais didáticos e da literatura utilizados na sua escola.
Cada educador precisa ter clareza do impacto do racismo 
e suas combinações com outras formas de discriminação no 
currículo escolar, abrindo-se a ouvir o outro caso não seja nem 
negra ou julgue que não tenha antepassados negros e nem indígena, 
ou tenha certeza vaga de algum ascendente indígena ou negra. 
Ele deve estar preparado para criar Estratégias de combate 
a atitudes preconceituosas e discriminatórias na sociedade e no 
espaço escolar, tendo clareza de que deve estar preparado para 
constituir um perfeito e consistente Plano de ação para inclusão do 
tema étnico-racial no espaço escolar (CEPESC;SPM, 2009, p. 248).
Os educadores e as educadoras devem abster-se de negar 
a oportunidade de ouvir e aprender sobre diversidade cultural, 
educando-se contra o ódio e a repulsa aos diferentes, aos ‘outros’ 
tão distintos quanto humanos, tal qual eles são. Todos são humanos, 
demasiadamente humanos! Sempre haverá algo humano a ouvir, e 
aprender ou entender, com as pessoas que fazem parte de diversos 
movimentos, como feministas, movimento LGBT, Movimento 
Negro e das organizações dos povos indígenas, entre outros. 
Assim, existirá sempre, novos e importantes saberes 
que eles poderão ensinar aos professores e professoras, serão 
encontradas semelhanças e possibilidades de dialogar com as 
diferenças. Os Professores podem aprender sobre conhecimentos 
significativos aos seus alunos, diferentes deles e com quem terão 
que dialogar sobre suas diferenças e suas diversidades culturais, 
com temas como combate ao machismo, ao homofobismo, 
ao racismo e ao etnocentrismo, sensibilizar mais pessoas, 
educadores/as, a fim de que engrossem o bloco dos que lutam 
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Educação das Relações Étnico-Raciais150
por políticas públicas na medida certa, nas cores, nos desejos, 
afi nal todos devem lutar para que o mundo seja melhor, mais 
justo e mais inclusivo, com a diversidade cultural atuando para 
juntar os diferentes e as diferenças.
Avaliando a Necessidade de Repensar o Papel do Educador 
diante daDiversidade Cultural é necessário entender que serão 
os professores que operarão as mudanças educativas necessárias 
em suas práticas, tornando-as inclusivas. É evidente que as 
mudanças não se fazem apenas através da reação ao que está 
dado, ao ‘currículo oculto’, mas também pela proposição de 
novos currículos. Fica a esperança de que juntos/as possamos 
fazer a escola que sonhamos. Juntos e acreditando!
Nada será possível se as velhas e ultrapassadas práticas 
docentes impedirem os professores e as professoras de ouvirem 
seus alunos e seus desejos de aprender, dissociados as cores 
diferentes e reais das suas peles, as verdadeiras histórias e culturas 
de seus antepassados, comemorando o viver com as suas danças 
favoritas e diversifi cadas, que devem coexistir na escola, sendo 
respeitados (mas que tolerados) nas suas distintas religiões de 
origem africana ou indígena, respeitadas as diversidades de gênero 
e de sexualidade, nos seus modos impares de amar, sentir, pensar, 
agir e aprender. Seremos todos mais felizes. Vale muito a aposta! 
Figura 4
Fonte: Wikimedia Commons
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Educação das Relações Étnico-Raciais 151
UNIDADE
04
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Educação das Relações Étnico-Raciais152
Nas últimas décadas, o tema diversidade tem trazido muitas 
discussões em torno da educação de modo intenso. Profissionais de 
ensino e acadêmicos têm se manifestado a favor de uma educação 
voltada para a promoção dos direitos humanos, vislumbrando um 
ensino plural e democrático, buscando minimizar as diferenças 
existentes na nossa sociedade. Diante disso, você estudará na 
Unidade 4 sobre novas Metodologia de Ensino, Currículo e Práxis 
Pedagógica, na Educação das Relações Étnico-Raciais, na escola 
e no Encontro de Diferenças. Preparado? Ao longo deste estudo 
você vai mergulhar neste universo!
INTRODUÇÃO
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Educação das Relações Étnico-Raciais 153
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo 
é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
OBJETIVOS
1 Reconhecer a Escola como Espaço Privilegiado de Encontro das Diferenças;
2 Desenvolver Metodologia de Ensino em Educação para as Relações Étnico-Raciais;
3 Compreender sobre uma Educação voltada às Relações Étnico-Raciais; 
4 Planejar Currículo e Práxis Pedagógicas voltadas a Diversidade Cultural e Étnico-racial.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo 
ao conhecimento? Ao trabalho!
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Educação das Relações Étnico-Raciais154
Reconhecendo a escola como espaço 
privilegiado de encontro das diferenças
Ao término deste capítulo você será capaz compreender como 
desenvolver metodologia de ensino, currículo e práxis pedagógica, 
para a educação voltada às relações étnico-raciais, no espaço 
privilegiado de encontro de diferenças, a escola. Inicialmente, 
você irá reconhecer a escola como espaço privilegiado de 
encontro das diferenças. Em seguida, você compreenderá como 
desenvolver metodologia de ensino, em educação para as relações 
étnico-raciais. Posteriormente, você irá verificar como produzir 
uma educação voltada às relações étnico-raciais. E, por último, 
entenderá sobre planejar currículo e práxis pedagógicas voltadas 
a diversidade cultural e étnico-racial. E então? Motivado para 
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
OBJETIVO
Nem sempre as nossas diferenças foram objeto de análise, 
ao refletir sobre a escola. Escola e as diferenças dos povos 
africanos e indígenas foram palcos de desencontros, no Brasil. 
Ao longo do período de colonização portuguesa, as diferenças 
foram anuladas, desrespeitadas, vigiadas, punidas, apagadas 
e tomaram um formato de invisibilidade, dentro das escolas, 
bem como em todos os espaços socialmente compartilhados 
entre os colonizadores, diferentes povos indígenas e africanos 
e seus descendentes.
Quando resolveu empreender suas reformas, o marquês de 
Pombal, no século XVIII, prometeu liberdade e igualdade aos 
povos indígenas e não surgiram grandes novidades com relação aos 
tratamentos anteriores, desde o século XVI. Eles passaram a ser 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 155
vistos como vassalos (súditos do rei de Portugal) por motivação 
geopolítica e econômica, mas isso não lhes garantia um status muito 
superior ao dos vadios, vagabundos, ciganos, elementos inferiores e 
transgressores da sociedade sobre os quais se queira impor controle 
e vigilância. Assim, eram tempos hostis à diferença. 
No lugar de serem designados nas suas igualdades eram 
chamados de miseráveis, como pobres de bens, de capacidade 
intelectual e de costumes morais, por isso deveriam ter tratamento 
jurídico diferenciado, não lhe sendo imputada a responsabilidade 
por seus atos (LOPES, 2005, p.96/97), por compaixão e piedade 
por serem rudes e pobres, tanto quanto as viúvas e os órfãos. 
Com igualdades em moldes tão desfavoráveis a eles e impostos 
pelos colonizadores, o que falar dos direitos às diferenças, no 
século XVIII?
Neste século XVIII, um Diretório dos Índios, localizado 
no Rio Grande do Norte, no nordeste brasileiro, determinava, 
vigiava, punia e premiava, como em todo o Brasil, conforme o 
comportamento adequado ou desviante do que era esperado para 
súditos do rei. Sem nenhuma tolerância à diferença!
Tal pedagogia estava vinculada, como persistem 
algumas práticas pedagógicas ainda hoje, em vigiar e punir os 
diferentes para ficarem de acordo com as normas. Já aos bem 
conformados, coniventes e que aceitavam um modo de vida 
definido como ‘civilizado’ são recompensados com privilégios 
e posições honoríficas. Aprendendo com a história, cada 
professor terá nos tempos atuais, neste século XXI, reconhecer 
que este modelo colonizador não se assemelha com qualquer 
proposta de Escola como Espaço Privilegiado de Encontro das 
Diferenças. É o contrário! 
Para tal Diretório de índios, do século XVIII, o importante 
era diferenciar os indígenas em relação uns aos outros, segundo 
seu comportamento, os ‘bons’ e os ‘maus’; distinguir valores 
e potencialidades individuais a serem incentivadas e utilizadas 
para o ‘bem-comum’. Todos eram coagidos a aceitarem e 
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Educação das Relações Étnico-Raciais156
submeterem ao modelo cultural luso-brasileiro; e definir os 
limites das diferenças que, afinal os qualifica de anormais e 
os exclui dos demais vassalos. Hoje, a educação pode ser um 
Espaço Privilegiado de Encontro das Diferenças. Basta que o 
professor o entenda assim e o queira! Existem marcos legais que 
respaldam isso!
Neste século XVIII, a ciência decidiu na Europa, que 
a cor da pele deveria ser acatada como um critério capital e 
determinante entre as chamadas diferenças entre raças. De 
lá para cá, nossa espécie,a humana, dividiu-se em três raças 
estagnas, povoando até hoje a cabeça dos que são racistas, tanto 
no imaginário coletivo como nas ciências escritas por ideias 
racistas. As raças seriam branca, negra e amarela. E cor da pele 
é um critério impreciso. Já que somente 1% de nossos genes 
estariam relacionados à transmissão da nossa cor da pele, dos 
nossos olhos e nossos cabelos. 
Os cientistas naturalistas entre os séculos XVIII até 
XIX não caminharam a favor de uma classificação voltada as 
características físicas, e que seria facilmente abandonada com 
o passar dos tempos. Infelizmente, desde o início, eles se deram 
o direito de hierarquizar, isto é, de estabelecer uma escala de 
valores entre as chamadas raças. Com teses deterministas e 
naturalistas sobre raça, implicando em inferiorizar alguns 
grupamentos humanos, impondo a superioridade aos europeus. 
Assim era a classificação racial proposta pelo cientista Lineu 
no século XVIII, escoltada por uma escala de valores que 
insinua uma hierarquização errônea e discriminatória entre 
raças e continentes. Isso tudo acabou! Hoje, século XXI, já 
não mais se diferenciam as pessoas por raça!
Lineu definiu que os povos indígenas da América, os 
Ameríndios, chamados de americanos, eram moreno, colérico, 
cabeçudo, amante da liberdade, governado pelo hábito, tem corpo 
pintado (MUNANGA, 2004, p. 25-26). Uma descrição bastante 
preconceituosa, errônea e a serviço do racismo. Nada tolerante à 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 157
diferença. Anulando todas as diferenças que cada povo indígena 
da América constituía na época e continua a constituir. Já o povo 
asiático era amarelo, melancólico, governado pela opinião e 
pelos preconceitos, usa roupas largas. 
Quanto ao povo africano composto de muitas etnias, 
eram e são diferentes povos, distintas culturas e línguas, foram 
significados assim: 
[...] negro, flegmático, astucioso, preguiçoso, 
negligente, governado pela vontade de seus 
chefes (despotismo), unta o corpo com óleo ou 
gordura, sua mulher tem vulva pendente e quando 
amamenta seus seios se tornam moles e alongados.
(MUNANGA, 2004, p. 26)
Já o colonizador europeu, parte dele e dos que vieram para 
o Brasil são nitidamente descendentes dos povos árabes, vindo do 
norte da África seriam bem significados em suas diferenças coma 
definição a seguir de Europeu como o branco? O colonizador 
europeu é o europeu: branco, sanguíneo, musculoso, engenhoso, 
inventivo, governado pelas leis, usa roupas apertadas. Todos 
estes estereótipos construíram práticas racistas persistentes e 
que ainda seguem até entre educadores. 
Evidentemente que estas não são as diferenças nítidas, 
certas e aceitáveis no século XXI. E nem serão em nome delas 
que a Escola se fez e continuará tentando se fazer como Espaço 
Privilegiado de Encontro das Diferenças. A produção histórica 
destes discursos científicos ou dos governos coloniais foram 
desastrosas para os povos originários dos continentes africanos, 
asiáticos e americanos, em nome do projeto de poder econômico 
e político europeu danoso, injusto e cruel. 
A difusão de teorias racistas e muitos outros fatores 
produziram, certamente, a decretação da morte simbólica da 
diferença. O despedaçamento dos pertencimentos simbólicos 
que os povos africanos e indígenas constituíam no decorrer da 
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Educação das Relações Étnico-Raciais158
colonização traz a demanda atual de serem vistos como diferentes 
pejorativamente. As diferenças dos Povos Originários eram claras 
para eles como os seus rios transparentes, e tais diferenças não 
agradavam ao projeto colonizador europeu. A escola, ao falar das 
diferenças, deverá evitar tais refutadas e racistas teorias. Buscando 
elementos que constituam as culturas das matrizes que formaram 
o povo brasileiro, evitando estigmatizar os povos indígenas, 
africanos e afrodescendentes, usando a raça como forma de 
significá-los. Ao contrário não estará aberta aos diferentes.
A escola brasileira surge neste cenário colonizador, racista 
e contra as diferenças. Elevará o europeu, visto como o branco, 
ainda que pese na história de Portugal e Espanha a longa presença 
de povos árabes e vindo no norte africano. Tal projeto perverso 
colonizador não permitiu nenhuma visão que apontasse alguma 
igualdade entre o europeu e os povos indígenas e africanos. Tal 
projeto produziu desigualdades, ausência de direitos, racismo 
e um distanciamento da Escola como Espaço Privilegiado de 
Encontro das Diferenças aos povos indígenas e africanos, como 
aos seus descendentes. E produziu certezas sobre racismo, raças 
e sobre superioridades, qualificando-as em comparação aos 
detentores do poder, nem indígenas e nem negros.
A crença na existência de raças naturalmente 
hierarquizadas pela relação intrínseca entre o físico 
e o moral, o físico e o intelecto, o físico e o cultural. 
O racista cria a raça no sentido sociológico, ou seja, 
a raça no imaginário do racista não é exclusivamente 
um grupo definido pelos traços físicos. A raça na 
cabeça dele é um grupo social com traços culturais, 
linguísticos, religiosos, etc. que ele considera 
naturalmente inferiores ao grupo ao qual ele 
pertence. De outro modo, o racismo é essa tendência 
que consiste em considerar que as características 
intelectuais e morais de um dado grupo são 
consequências diretas de suas características físicas 
ou biológicas (MUNANGA, 2004, p. 24) 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 159
Figura 1: Museu Afro-Brasileiro, Salvador
Fonte: wikimedia commons
É somente na reta fi nal do século XX, nos tempos favoráveis 
a redemocratização e a participação popular, que resultou na atual 
constituição federal, promulgada em 1988, que as diferenças começam 
a suscitar debates dentro das universidades, nas formações docentes 
e na literatura da área de educação com maiores repercussões nas leis 
em geral, nas políticas públicas e no repensar de leis que estivessem 
relacionadas à educação. Antes disso o cenário aos diferentes, 
aos inaptos, aos que não apresentavam bons resultados escolares 
era vê-los como incapazes e portadores de défi cits e problemas de 
aprendizagem. Ninguém estava tão preocupado nas escolas em 
estabelecer debates sobre as nossas gritantes desigualdades sociais e 
educacionais, bem como repensar as atitudes diante das diferenças. 
Uma iniciativa de pesquisa pioneira, ainda no século XX, foi 
desenvolvido por Maria Helena de Souza Patto (USP), pesquisadora 
e questionadora dos abusos, nos usos dentro das escolas em vincular 
às diferenças, todas as difi culdades de aprendizagem das crianças 
empobrecidas e tratá-las como prováveis défi cits de inteligência. 
Nestes atos vinculavam o não aprender à capacidade intelectual, 
tentando provar que se não aprendiam era por alguma determinação 
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Educação das Relações Étnico-Raciais160
hereditária e genética. A culpa seria somente da criança moradora 
da periferia, em cidades dormitórios, próximas de São Paulo, filha 
de nordestinos semialfabetizados, afrodescendentes? 
Uma tendência era salvaguardar a escola de qualquer 
responsabilidade pelo fracasso escolar. E vincular apreocupação 
com as diferenças individuais e seus determinantes, com a detecção 
científica dos normais e anormais, dos aptos e inaptos, só poderia 
ocorrer no âmbito da ideologia de igualdade de oportunidades como 
característica distintiva das sociedades de classes. Não é a mesma 
lógica que anima hoje a discussão sobre a diferença, nas décadas 
seguintes, na virada do século XX e nas decisivas duas primeiras 
décadas do século XXI. Antes disso era uma utopia reconhecer a 
Escola como Espaço Privilegiado de Encontro das Diferenças.
O que os educadores e pesquisadores sensíveis às classes 
sociais mais desfavorecidas lamentavam eram as formas rudes 
de produção do fracasso escolar, resultando em sucessivas 
reprovações, em cenários de horripilantes cotidianos, dentro 
das escolas, onde os alunos eram discriminados, tratados com 
grosseria pelos professores, a avaliação é feita sem os professores 
conhecerem a subjetividade dos alunos, os pais desprotegidos 
de capital cultural não entendem porque a reprovação acontece. 
Eventos apavorantes, da década de 1980. E podemos indagar 
tudo isso passou? As diferenças são respeitadas?
Reconhecendo a Escola como Espaço Privilegiado de 
Encontro das Diferenças, em pleno século XXI, no Brasil, significa 
afirmar que as diferenças das crianças não são mais silenciadas? A 
reflexão deverá incluir a identidade. Já que é necessário entender 
que identidade e diferença são inseparáveis, dependendo uma da 
outra, e compõem o eixo das principais discussões da atualidade 
preocupadas com justiça e igualdade. Isso inverteu completamente 
o exame das diferenças! Coexistindo juntas e interdependentes, 
identidade e diferença são produzidas nas tramas da linguagem e 
da cultura, resultando de atos de fala, de enunciados linguísticos 
que as instituem. Imaginem a responsabilidade da escola como 
Espaço Privilegiado de Encontro das Diferenças!
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Educação das Relações Étnico-Raciais 161
Estamos perto ou ainda teremos muito a caminhar na busca do 
reconhecimento da Escola como Espaço Privilegiado de Encontro 
das Diferenças? O cotidiano das práticas pedagógicas precisa refletir 
mais sobre as diferenças? Quais diferenças? Quais as diferenças 
suportadas pelos professores? Qual é o limite em que serão aceitos? 
Qual o ponto em que serão enquadrados a abrir mão de suas 
diferenças? Quando tempo levará até serem chamados a abandonar 
suas diferenças? Como transformar este cenário complicado? A 
realidade é que as instituições escolares estão repletas de rotulados, 
maltratados, perseguidos, vigiados, punidos e taxados como:
[...] jovens sujeitos fora da ordem, que não se adaptam, 
não obedecem, não estudam, não se comportam 
adequadamente e não aprendem as lições da escola 
no local e no tempo designados para isso. Desatentos, 
desordeiros, agressivos, vândalos, preguiçosos, 
desinteressados, violentos, belicosos são alguns dos 
adjetivos empregados para descrevê-los como corpos 
e almas fora de controle, como alunos-problema, e 
definir seu estatuto num certo tipo de cartografia das 
margens (COSTA, 2015, p. 494)
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: Vídeo – Seminário Juventude 
Negra: Preconceito e Morte - Prefº. Dr. Kabengele Munanga, da 
USP. Fala sobre racismo, construção do preconceito, papel da 
ciência, na História e o mito da democracia racial. Acessível pelo 
link https://bit.ly/2MHQCju (Acesso em 09/01/2020).
SAIBA MAIS
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que 
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Educação das Relações Étnico-Raciais162
vimos. Você deve ter aprendido, até este momento, a reconhecer 
a Escola como Espaço Privilegiado de Encontro das Diferenças, 
e isso favorecerá as suas reflexões como realmente agir na escola 
para que prevaleça este lugar de Encontro das Diferenças.
Desenvolvendo metodologia de ensino 
em educação das relações étnico-raciais
Você será capaz de compreender sobre como é o desenvolvimento 
de metodologias de ensino, em educação das relações étnico-raciais, 
compreendendo as construções de metodologias apropriadas às 
experiências educativas e que sejam capazes de promover as relações 
étnico-raciais. Você estudará este tema em dois diferentes momentos, 
nas questões conceituais sobre metodologia de ensino e a educação 
das relações étnico-raciais, e, ainda na busca de reflexivas e criativas 
práticas metodológicas voltadas às relações étnico-raciais.
OBJETIVO
Desenvolvendo metodologia de ensino 
em educação das relações étnico-raciais: 
questões conceituais
Desenvolvendo Metodologia de Ensino, em educação das 
Relações Étnico-Raciais, você será capaz de entender as constru-
ções de metodologias apropriadas as experiências educativas 
que promovem as Relações Étnico-Raciais, inicialmente você 
refletirá sobre questões conceituais sobre metodologia de ensino e 
a Educação das Relações Étnico-Raciais.
Criar uma metodologia de Ensino, em educação das Relações 
Étnico-Raciais representa estar apoiados em uma anterior preparação 
dos educadores para entender temas relativos à nossa diversidade 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 163
étnico-racial e as necessárias ações por uma educação antirracista. 
As metodologias devem ser preparadas para serem vivenciadas, em 
sala de aula, nos seguintes passos: a prática inicial dos conteúdos, 
seguida da problematização com tais conteúdos, com uma posterior 
instrumentalização com os saberes adquiridos, uma movimentação 
para chegar à catarse e virar uma prática social final. Então estas são 
as etapas necessárias a seguir!
A Prática inicial dos conteúdos é a preparação, uma 
mobilização do aluno, uma primeira leitura da realidade, um contato 
inicial com o tema a ser estudado. Isso poderá ser planejado com 
uma conversa, uma música, a leitura de um conto ou mito, uma 
notícia publicada em algum jornal, livro, revista, uma discussão 
sobre um tema, uma frase pronunciada por algum aluno, um jogo 
ou uma brincadeira, um blog publicado por outros alunos de uma 
outra escola e outras inúmeras possibilidades.
A etapa seguinte será a problematização dos conteúdos com 
a finalidade de selecionar as principais interrogações levantadas na 
prática social.Essas questões em consonância com os objetivos de 
ensino, orientam todo o trabalho a ser desenvolvido pelo professor 
e pelos alunos. Isso significa um necessário e consistente diálogo 
para fazer chegar em sala de aula as construções sociais sobre o 
tema da educação das relações étnica-raciais. E dialogar é lidar 
com diferenças e identidades dos outros!
Já a instrumentalização com os saberes adquiridos é aquele 
intenso momento em que as crianças tocaram nos conteúdos, 
aprendendo novos saberes sobre as relações étnica-raciais. É o caminho 
através do qual o conteúdo sistematizado é posto à disposição dos 
alunos para que assimilem e o recriem e, ao incorporá-lo, transformem-
no em instrumento de construção pessoal e profissional. Aprendendo 
novas verdades! Neste significativo momento é necessário pensar 
em escolhas metodológicas que não sejam enfadonhas, movidas 
por percursos repetitivos, pouco criativos, desanimadas e sem a 
participação ativa dos alunos.
É sempre bom lembrar que os professores não sãonativos 
digitais, mas seus alunos possuem mais habilidades e competências 
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Educação das Relações Étnico-Raciais164
com a pesquisa no universo digital, já disponível em smartphones 
e que possibilitam pesquisas na internet, em consistentes sites. 
A escolha metodológica poderá ser inspirada em metodologias 
ativas, que antecipem no aluno a possibilidade de ir atrás de 
saberes para trazer para este momento de instrumentalização.
Uma grande especialista em metodologias ativas, Moran 
define metodologias como diretrizes que orientam os processos 
de ensino e aprendizagem, que se concretizam em estratégias, 
abordagens e técnicas concretas, específicas e diferenciadas 
(MORAN, 2018, p.4). E as Metodologias Ativas, apropriadas aos 
tempos da Era Digital que vivem as crianças e os adolescentes, 
dão ênfase ao papel de protagonista do aluno, ao seu envolvimento 
direto, participativo e reflexivo em todas as etapas do processo. 
Isso significa dar protagonismo aos educandos, fazê-los 
partici-pantes ativos nas conduções metodológicas e não meros 
ouvintes e decoradores de conteúdo. É importante dialogar com 
eles e inseri-los em conteúdos digitais salutares para a educação 
das relações étnico-raciais. Sozinhos poderão perder-se nos 
emaranhados da rede mundial de computadores e correndo o 
risco de embrenhar-se em sites suspeitos, racistas, divulgando 
verdades que parecem mentiras sobre raça, etnia e os povos 
formadores do nosso Brasil. 
Tais metodologias ativas podem ser usadas com os Estudos 
de Casos, ou seja, relatos de situações ocorridas no mundo real, 
apresentadas aos estudantes com a finalidade de prepará-los para 
a prática ao mesmo tempo em que se ensina a teoria. E, ainda, com 
o recurso metodológico da Sala Invertida, em que a professora 
produz pequenos vídeos disponibilizados na internet para os 
alunos e que poderão ser vistos em computadores e smartphones 
(celulares), antes da próxima aula, em casa ou no laboratório 
de informática da escola. O que normalmente é feito em sala 
de aula, passa a ser executado em casa e vice-versa. A sala de 
aula passa a ser um espaço para tirar dúvidas e realizar outras 
atividades como as de laboratório e resolução de problemas.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 165
Já a fase da catarse é de síntese, aqueles fabulosos momentos 
em que o educando exterioriza se os conteúdos planejados pelos 
educadores e os processos pensados para a construção do conteúdo 
representaram ou não sentidos. A catarse é aquele exato momento, 
na condução de uma metodologia de ensino para a educação das 
relações étnico-raciais em que o aluno demonstra o quanto se 
aproximou da solução dos problemas anteriormente levantados 
sobre o tema em questão. São as expressões dos próprios 
educandos afirmando se realizou a almejada síntese do cotidiano 
e do científico, do teórico e do prático. E, ainda, a síntese que é a 
superação do sincretismo inicial da realidade social do conteúdo 
trabalhado, expressando se conseguiu chegar ou não ao momento 
em que ele estrutura, em nova forma, seu pensamento.
Estruturou-se novas formas de ver as relações étnico-
raciais, isso significará que repensaram retrógradas e racistas 
concepções, sendo que as metodologias pensadas foram muito 
eficazes. Caso não tenha conseguido, novas e outras metodologias 
devem ser pensadas para facilitar novos entendimentos. 
A etapa seguinte, chamada de prática social final, configura 
o momento da diferença. O educando percebe e poderá expressar 
que já não é o mesmo com relação aos pré-conceitos socialmente 
aprendidos, com relação aos povos indígenas e aos africanos 
e seus descendentes. A criança, o adolescente ou o jovem 
educando, junto ao seu grupo de colegas e ao seu educador 
percebe que adquiriu novas modalidades de compreensão da 
realidade e inovadoras formas de posicionamento, passando a 
pensar diferente sobre as relações étnico-raciais brasileiras, os 
acontecimentos históricos e suas importâncias reais em um país 
tão diversificado do ponto de vista etnicorracial. 
É chegada o momento da ação consciente, na perspectiva 
da transformação social, retornando à prática social inicial, agora 
modificada pela aprendizagem. Assim, inúmeras tarefas podem ser 
construídas dentro da escola, na comunidade com as novas ideias 
sobre as relações étnico-raciais, com práticas reflexivas e criativas.
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Educação das Relações Étnico-Raciais166
Desenvolvendo metodologia de ensino em 
educação das relações étnico-raciais, na 
busca de reflexivas e criativas práticas
Ao pensar em Metodologia de Ensino em educação das 
Relações Étnico-Raciais, para as escolas brasileiras, pensemos 
nas crianças que receberam um legado desses antepassados, a 
cultura que eles receberam de seus ancestrais, valorizando-a. 
A vida real desta criança não poderá ser desconsiderada, se o 
assunto passa por uma escolha metodológica de como educar 
para as relações étnico-raciais, buscando o diálogo entre todos. 
Neste sentido, cada professor é convocado a refletir sobre 
a brasi-lidade das crianças, repletas de marcas culturais africanas 
e indígenas, entre outras:
[...] Professores, fazemos parte de uma população 
culturalmente afro-brasileira, e trabalhamos com 
ela; portanto, apoiar e valorizar a criança negra não 
constitui em mero gesto de bondade, mas preocupação 
com a nossa própria identidade de brasileiros que 
têm raiz africana. Se insistirmos em desconhecê-la, 
se não a assumimos, nos mantemos alienados dentro 
de nossa própria cultura, tentando ser o que nossos 
antepassados poderão ter sido, mas nós já não somos. 
Temos que lutar contra os preconceitos que nos levam 
a desprezar as raízes negras e também as indígenas 
da cultura brasileira, pois, ao desprezar qualquer uma 
delas, desprezamos a nós mesmos. Triste é a situação 
de um povo, triste é a situação de pessoas que não 
admitem como são, e tentam ser, imitando o que não 
são.(Gonçalves e Silva, 1996:175)
Desenvolvendo Metodologia de Ensino em Educação 
das Relações Étnico-Raciais, requer que você esteja com 
disponibilidade para fincar os pés na nossa diversidade cultural e 
étnico-racial, refletindo sobre como vivenciá-la em sala de aula, 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 167
de uma forma envolvente, alegre e adequada a cada etapa da 
Educação Básica em que cada professor esteja atuando. 
Ao pensar em metodologias em uma perspectiva antirracista, 
as escolhas devem ser focadas para propiciar ao educando a gestão 
do ensinar e do aprender, consoante sua identidade e objetivos da 
modalidade, ou seja, ficado na sua atuação, significando que cada 
criança poderá articular os saberes sobre as relações étnico-raciais 
através de atividades e de metodologias que o enxergam assim 
como eles são, nas suas constituições de diversidade cultural e 
étnico-racial, na identidade cultural e étnico-racial que construiu, 
em sua realidade social e nas suas interações. 
Levando em conta a sua realidade familiar, desmascarando 
os pre-conceitos étnico-raciais, enfatizando o respeito pela 
dignidade da pessoa humana, a diversidade cultural, a igualdade 
de direitos e a corresponsabilidadepela vida social, como 
elementos que orientam a seleção de conteúdos e a organização de 
situações de aprendizagem. As escolhas de metodologias deverão 
promovem não apenas o reconhecimento, mas a incorporação de 
atitudes que ressaltem as diferenças de forma que sejam tomadas 
como constituintes de identidade dos sujeitos. A metodologia 
deverá agir em uma perspectiva de transformação das relações 
sociais e das excludentes relações étnico-raciais.
A escolha metodológica mais apropriada à educação 
das relações étnico-raciais deve ser uma aposta em práticas 
antirracistas. E trazer atividades que possam desconstruir olhares 
aprendidos e que ensinaram que negros, brancos e indígenas são 
diferentes, as diferenças são introjetadas em nossa forma de ser 
e ver o outro, na nossa subjetividade, nas relações sociais mais 
amplas. Aprendemos, na cultura e na sociedade, a perceber as 
diferenças, a comparar, a classificar.
O problemático nesta aprendizagem social é a demasiada 
hierarquização das classificações sociais, raciais, de gênero, entre 
outras. O que traz uma demanda na escolha da metodologia a ser 
usada: não permitir que as crianças continuem a tratar os diferentes 
como desiguais. Antes da escolha metodológica e das sucessivas 
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Educação das Relações Étnico-Raciais168
escolhas de atividades reflita bastante. Na perspectiva de escolha 
de uma metodologia em educação das relações étnico-raciais, as 
atividades precisaram ter objetivos relacionados a esclarecer 
[...] que algumas diferenças construídas na cultura e 
nas relações de poder foram, aos poucos, recebendo 
uma interpretação social e política que as enxerga 
como inferioridade. A consequência disso é a 
hierarquização e a naturalização das diferenças, 
bem como a transformação destas em desigualdades 
supostamente naturais. (GOMES, 2005, p. 49)
A escolha da metodologia deverá estar amparada em uma 
atitude do educador de realizar vastas pesquisas e compreender 
mais sobre a história da África e da cultura afro-brasileira e 
aprender a nos orgulhar da marcante, significante e respeitável 
ancestralidade africana no Brasil. Assim como precisamos saber 
sobre a história dos povos originários, nossos povos indígenas, 
presentes ao continente americano, muitos milênios antes da 
chegada dos colonizadores europeus. 
Sendo necessário conhecer as contribuições de todos os povos 
que vieram viver aqui, de forma fundamentada, com leituras 
consistentes. Um exemplar material para realizar este caminho é 
o material da Unesco, traduzido em português, para fundamentar 
sobre o assunto da história da África, a coleção história geral da 
África (Disponível no link: https://bit.ly/3cKs7fO), bem como o 
material organizado pelo Instituto Socioambiental, com detalhadas 
informações sobre os povos indígenas do Brasil (Disponível no 
link: https://bit.ly/2zdLfoU).
SAIBA MAIS
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Educação das Relações Étnico-Raciais 169
Este cuidado, em pesquisar sobre as histórias e as culturas 
dos povos formadores do Povo Brasileiro, é essencial e dará 
um suporte considerável na hora das escolhas metodológicas, 
apurando os olhares e a criticidade diante de algumas publicações 
que veiculam verdades que parecem mentiras. Muitas vezes tais 
mentiras estão contidas em livros didáticos e as pesquisas dos 
professores evitarão a propagação de informações falsas, nos livros 
didáticos sobre os povos africanos, afrodescendentes e indígenas. 
É bem importante ter este cuidado e saber suficientemente sobre 
tais povos!
Os educadores, na perspectiva da procura de uma metodologia 
para a educação das relações étnico-raciais deverão ficar atentos 
aos discursos veiculados nos livros didáticos e paradidáticos, já 
que transmitem estereótipos sobre tais povos, sendo visto como 
fonte só de verdades e são escritos por pessoas humanas, podem 
conter erros, e vale observá-los apuradamente dada as significações 
que carregam. O livro didático carrega sua autoridade, é inegável 
sua utilidade constante, sendo necessário entender que é potente 
para lançar visões distorcidas e cristalizadas da realidade humana 
e social. A identificação da criança com as mensagens dos textos 
concorre para a dissociação da sua identidade individual e social. 
Mesmo que sejam usados devem ser contemporaneidades, com os 
educandos, nos seus eventuais erros.
As escolhas metodológicas devem estar pautadas nas 
realidades que vemos nas ruas, nas comunidades, nas festas 
brasileiras, nas nossas danças populares, em múltiplos festejos 
religiosos ou não que o povo brasileiro cuida muito em preservar 
e valorizar. E este potente conjunto de manifestações poderão 
conceder algumas certezas metodológicas experimentadas já a 
alguns séculos, no Brasil, por tantos brincantes e mestres.
Se nossa sociedade é plural, étnica e culturalmente, 
desde os primórdios de sua invenção pela força 
colonial, só podemos construí-la democraticamente 
respeitando a diversidade do nosso povo, ou seja, 
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Educação das Relações Étnico-Raciais170
as matrizes étnico-raciais que deram ao Brasil atual 
sua feição multicolor composta de índios, negros, 
orientais, brancos e mestiços (MUNANGA, 2008, 17
O caminho metodológico assentado nas artes em gerais e das 
artes populares, nas manifestações da cultura tradicional popular 
brasileira, africana, afrodescendente ou afro-brasileira e indígena, 
regionais, locais e comunitárias farão excelentes contribuições para 
a educação das relações étnica-raciais. Ensinar as manifestações 
artísticas africanas transpõe o caráter técnico, relaciona o conteúdo 
e a forma, situando-as no contexto, englobando os processos 
socioculturais e conferindo-lhes uma significação cultural. 
São inúmeros os vídeos, filmes, documentários e materiais 
fotográficos produzidos a partir das descobertas arqueológicas 
na África e no continente americano e que serão fundamentais 
para conhecer melhor as duas matrizes, negra e indígena. 
Compreendendo-os nos seus aspectos histórico-culturais, tendo 
uma relação com outras áreas do conhecimento como a arquitetura, 
a antropologia, a religião, a história, a etnologia, a crítica de arte, 
entre outras. Isso trará muitos benefícios, além de ricos momentos 
para argumentar, refletir, corrigir injustiças e perceber a riqueza da 
diversidade étnica e as mudanças culturais de um povo.
Quando o educador conhecer melhor as verdadeiras histórias 
e culturas dos povos indígenas e dos africanos e afro-brasileiros, 
já contidas nestas danças, folguedos e manifestações queridas do 
povo brasileiro, inúmeras (como o bumba-meu-boi, auto natalinos, 
festas juninas, carnaval, entre tantas outras), será possível narrar tais 
histórias e culturas verdadeiras em sala de aula. Serão momentos 
incríveis de viagens aos tempos anteriores as colonizações e como 
viviam africanos e povos indígenas, originalmente. 
Isso motivará a construção de um conjunto de atividades, 
baseadas em metodologias apropriadas a educação das relações 
étnico-raciais, como dramatizações de fatos históricos, culturais, 
míticos destes povos. As metodologias serão movimentadas com 
atividades como:
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Educação das RelaçõesÉtnico-Raciais 171
[...] dramatização dos diferentes grupos étnicos que 
contribuíram para a formação do povo brasileiro; 
sensibilização para conhecer as diferentes etnias 
africanas (maneira de vestir, calçar, pentear; como 
carregam os filhos; hábitos; costumes; religiosidade, 
etc.); o aluno conta a história do seu próprio nome, 
sua origem; o aluno será levado a entender porque 
os negros perderam a identidade do nome; o aluno 
será levado a conhecer a história de outros nomes 
significativos para a comunidade negra; desenhando 
o próprio nome; trabalhando plástica e gestualmente 
o próprio nome, etc.; movimentos corporais dos 
mitos e lendas; brincadeiras e jogos de percepção, 
levando a que os alunos se conheçam uns aos outros 
e respeitem suas características fenotípicas.(SILVA, 
2008, p. 130)
Com relação aos jogos é interessante a pesquisa de 
tradicionais jogos africanos e indígenas, como o Mancala, jogado 
em duplas em um tabuleiro de seis orifícios (covas) de cada lado 
contendo quatro sementes ou pequenas pedras em todos esses, 
ou seja, cada jogador inicia com 24 sementes. Bem fácil de 
confeccionar na escola, até com caixas ou estojos de ovos. Neste 
tabuleiro existe um depósito em cada lado, de cada extremidade, 
lá as sementes ficam armazenadas, no depósito ou mancala. Será 
uma interessante maneira de falar da África!
Uma significativa fonte bibliográfica, entre tantas existentes 
é um e-book produzido pelo projeto Ludicidade Africana e Afro-
brasileira (LAAB), criado em 2011, publicado pela Universidade 
Federal do Pará, com o objetivo de capacitar docentes para a 
educação das relações étnico-raciais, com o uso de metodologias 
lúdicas. A ludicidade africana e afro-brasileira significa:
[...] remeter a vivência lúdica alimentada pelos 
conteúdos, valores, histórias, ritmos, enfim, pela 
cultura negra, em suas mais diferentes manifestações. 
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Educação das Relações Étnico-Raciais172
Sejam os fragmentos de cultura dos antigos povos 
africanos, como seus Mancalas e o Senet, sejam as 
expressões musicais contemporâneas, como o Hip 
Hop, que para Ferreira (2004), representa processos 
criativos de ressignificação da diáspora. Sejam as 
alegrias dos dançantes da Roda de Jongo, no Rio 
de Janeiro, sejam os giros e batuques do Samba 
de Cassete em Cametá, na Amazônia paraense 
(CUNHA, 2016, p. 16) 
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso às 
seguintes fontes de consulta e aprofundamento: Vídeo: Aprenda a 
jogar Mancala em árabe NAGAAL que significa ‘mover’. Existem 
muitas variações do mancala pelo mundo. É chamado Wari no 
Sudão, Gâmbia, Senegal e Haiti. No Burkina é conhecido como 
Aware e como Adi, no Benin. Já na Costa do marfim é chamado 
de Baulé. Na Nigéria é chamado de Ayo Olopon. Acessível pelo 
link: https://bit.ly/3dLxk8K (Acesso em 09/01/2020). A outra 
fonte é o E-Book (livro eletrônico) –Brincadeiras Africanas para 
a educação cultural. Acessível pelo link: https://bit.ly/3dKVkbP 
(Acesso em 09/01/2020).
SAIBA MAIS
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que 
vimos. Você deve ter aprendido, até este momento, você conseguiu 
entender como desenvolver Metodologia de Ensino em educação 
para as Relações Étnico-Raciais, inicialmente refletindo sobre 
questões conceituais relativas a este tema e por último refletindo 
sobre a busca de reflexivas e criativas práticas pedagógicas.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 173
Figura 2: Mulheres africanas jogando Mancala
Fonte: wikimedia Commons
Produzindo uma educação voltada às 
relações étnico-raciais
Neste capítulo você refletirá sobre as possibilidades da promoção 
de uma Educação que incorpore as Relações Étnico-Raciais. Isso 
deverá configurar um compromisso para aqueles que pensam e 
produzem a Educação, em qualquer instância, em um país com o 
Brasil, formado por pujante diversidade cultural e étnico-cultural.
OBJETIVO
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Educação das Relações Étnico-Raciais174
No decorrer dos últimos anos do século XX e nas duas 
primeiras décadas do século XXI, a educação brasileira foi motivada 
por muitas legislações, diretrizes curriculares e políticas públicas 
relacionadas à Produção de uma Educação voltada às Relações 
Étnico-Raciais, como nunca tinha sido pensada, programada e 
executada na História da Educação brasileira. 
Realmente aconteceu um empenho governamental, em trazer 
para o campo da educação a discussão, em prol de uma convivência 
social igualitária, nas suas relações Étnico-Racial, contemplando 
considerável parte do povo brasileiro.Isso foi configurado em 
muitas iniciativas de ouvir a voz dos silenciados, das matrizes 
formadoras do Povo Brasileiro, dos movimentos organizados dos 
povos indígenas e negros, de uma séria intenção governamental em 
enfrentar a nossa real desigualdade étnico-racial.
No Relatório das Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educa-ção das Relações Étnico-Raciais, configura o entendimento 
de que a Educação das relações Étnico-Raciais é interdependente 
das políticas públicas do Estado Brasileiro (institucionais e 
pedagógicas), focadas nas aguardadas reparações, além do 
reconhecimento e da valorização da identidade, da cultura e 
da história dos negros brasileiros depende necessariamente de 
condições físicas, materiais, intelectuais e afetivas favoráveis 
para o ensino e para aprendizagens.
Isso significa que produzir uma Educação voltada às 
Relações Étnico-Raciais configura um trabalho colaborativo e 
que envolva todos os que fazer a educação escolar acontecer ou 
ser esquecida. A produção de uma Educação voltada às Relações 
Étnico-Raciais dependeria e continua a depender da:
[..]reeducação das relações entre negros e brancos, o que 
aqui estamos designando como relações étnico-raciais. 
Depende, ainda, de trabalho conjunto, de articulação 
entre processos educativos escolares, políticas públicas, 
movimentos sociais, visto que as mudanças éticas, 
culturais, pedagógicas e políticas nas relações étnico-
raciais não se limitam à escola.(BRASIL, 2004, p.13)
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Educação das Relações Étnico-Raciais 175
Foi criado um Plano Nacional de Implementação das 
Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações 
Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Afrobrasileira 
e Africana, com o objetivo focado na colaboração com todo o 
sistema de ensino e as mais diversas instituições educacionais 
brasileiras, sugerindo reflexões para enfrentar todas as formas 
de preconceito, racismo e discriminação para garantir o direito 
de aprender e a equidade educacional a fim de promover uma 
sociedade mais justa e solidária. 
O Plano Nacional preconizava a formação docente em 
História e Cultura dos Povos Africanos e da Cultura Afro-
brasileira do papel exercido pela diversidade no Brasil, além 
da colaboração com os mais distintos sistemas de ensino, 
com as ações necessárias com vistas à implementação da Lei 
10639/03. Outra frente de ação do plano era o desenvolvimento 
de pesquisas e a produção de materiais didáticos e paradidáticos 
quevalorizem, nacional e regionalmente, a cultura afrobrasileira 
e a diversidade brasileira. (BRASIL, 2009, p. 26) 
A lei 10639/03 é de 2003. Só alguns anos depois é que 
conquistamos a lei 11645/08 e foram incluídas as histórias e 
culturas dos povos indígenas. O Este Plano Nacional, de 2009, 
trata das histórias e culturas dos povos indígenas e africanos. Isso 
explica o fato de você está estudando a Educação das Relações 
Étnico-Raciais neste momento, focando nas histórias e culturas 
dos povos indígenas, africanos e afro-brasileiros.
Isso respondeu a demanda de produzir uma Educação 
voltada às Relações Étnico-Raciais e estabelecer melhores inter-
relações étnicas? Certamente que contribuiu dado o ineditismo 
da situação. O Governo Federal deu um passo ímpar, nunca 
experimentado antes nas longas histórias dolorosas para negros 
e indígenas, nas tensas Relações Étnico-Raciais, no Brasil.
É relevante entender que a educação voltada às Relações 
Étnico-Raciais, como qualquer outra forma ou intenção de educação 
é sempre um ato constante e inacabável. Já na sua especificidade, 
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Educação das Relações Étnico-Raciais176
a educação voltada às Relações Étnico-Raciais passou pela 
construção da superação e posturas racistas, por um modo de viver 
antirracista. Ainda é visível e existente nas ruas, nos casos declarados 
de injúrias raciais e anunciados pelos meios de comunicação, na 
quantidade intensa de jovens pobres e pretos perseguidos e mortos, 
em operações policiais. Estamos longe ou os programas foram 
insuficientes e devem seguir? Significa que a educação voltada às 
Relações Étnico-Raciais precisa estar presente no cotidiano e nas 
atividades oferecidas aos alunos, constantemente, em uma luta que 
já leva mais de 500 anos, de racismo e de discriminação racial. E 
continuará a fazer seus efeitos.
Nas buscas para produzir uma Educação voltada às Relações 
Étnico-Raciais é importante, no dia-a-dia das inter-relações entre 
as crianças, observar aqueles codinomes pejorativos, algumas 
vezes escamoteados de carinhosos ou jocosos, que identificam 
alunos (as) negros(as), sinalizam que, também na vida escolar, 
as crianças negras estão ainda sob o jugo de práticas racistas e 
discriminatórias. E precisam desaparecer!
Melhor será produzir uma Educação voltada às Relações 
Étnico-Raciais que transforme as diferenças étnico-raciais, em 
marcas de uma cultura que seja apresentada não com o deboche, 
mas sim com jogos e cantos de origem africana ou indígenas. 
Perfeito será produzir uma Educação voltada às Relações Étnico-
Raciais, que caminhem além das diferenças dos tons de pele ou dos 
cabelos, focando nas marcas significativas das culturas indígenas 
e afro-brasileiras, abandonando a zombaria com as diferenças 
étnico-raciais, planejando uma vivência construtiva com o 
patrimônio material e imaterial, artístico e cultural, dos povos que 
construíram a Amazônia antes da chegada dos colonizadores e 
com as danças e os folguedos criadas pelos africanos, modificadas 
e reatualizadas pelos afrodescendentes e que todos apreciam. 
Produzir uma Educação voltada às relações étnico-raciais 
passa pelo prévio entendimento dos professores de que não 
existe uma única forma de se estar no mundo,mas múltiplas 
formas que vão tecendo conforme os desafios propostos por 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 177
nós, pelos outros e pela nossa interação com e sobre a natureza. 
Isso abre o caminho para a produção de uma educação voltada às 
Relações Étnico-Raciais que possibilitem encontros pedagógicos 
alegres e reflexivos, conhecendo e se apro-priando das múltiplas 
formas através da recriação, da reinvenção, redescoberta, e que 
nos leve a equacionar o nosso ser e estar no mundo em suas 
múltiplas dimensões.
Além disso, essa produção, passa por uma escuta atenta dos 
sujeitos historicamente excluídos, indígenas e afro-brasileiros, 
suas culturas e histórias reais e dignas. A sociedade democrática 
brasileira ainda tende de forma bastante sistemática a colocar/
situar negros e negras num lugar desigual ante os demais grupos 
étnico-raciais e culturais, construtores da nossa brasilidade. 
O que deixamos de aprender com preconceitos que 
desqualificam os povos indígenas como pessoas que produzem 
uma educação das Relações Étnico-Raciais. E o que podemos 
aprender com eles e que fazem falta para melhorar nossos conflitos 
Inter étnicos? Em suas sociedades, os povos indígenas, lutam para 
que o ensino e a aprendizagem ocorrem no espaço abrangente da 
comunidade e em qualquer tempo. Todos são responsáveis pela 
formação das pessoas, sendo que os mais velhos assumem tarefas 
mais específicas. Assim, novas gerações aprendem com as velhas!
Podemos aprender muito com os saberes indígenas. Os 
grupos que vivem na mesma comunidade em que está localizada 
a escola são ouvidos? Eles são convidados a participar da 
produção de uma educação das Relações Étnico-Raciais? Seus 
grupos artísticos e culturais estão presentes nas comemorações 
do dia da consciência negra ou no dia do índio? Alguma vez 
foram convidados a narrar a história de lutas daquele bairro 
por políticas públicas ou a contar histórias reais. Os poetas do 
bairro visitam a escola? Um pequeno bloco de carnaval antigo 
do bairro é chamado a falar de carnaval, nesta época? 
Até que ponto o educador e sua escola estão abertos e se 
sente preparado para produzir uma Educação das Relações Étnico-
Raciais que leve em conta a revitalização, transmissão e valorização 
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Educação das Relações Étnico-Raciais178
da cultura e identidade do povo, como fazem os povos indígenas 
ao discutir os rumos da educação que oferecem as novas gerações? 
É necessário indagar nas práticas educativas se a comunidade 
é chamada para produzir uma Educação das Relações Étnico-
Raciais, na escola? Existe uma procura pela produção de uma 
Educação Étnico-Racial que caminhe em direção a um conceito 
de ser humano que produz história não a partir de grandes sagas e 
heróis, mas a partir de relações comunitárias vividas e vivenciadas 
pelos grupamentos humanos. Ao produzir uma educação voltada 
para a relação Étnico-Racial é necessária a construção de ambiente 
escolar que favoreça a formação sistemática da comunidade 
sobre a diversidade étnico-racial, a partir da própria comunidade, 
considerando a contribuição que esta pode dar ao currículo escolar. 
Isso demanda um mapeamento das potencialidades artísticas e 
culturais do bairro, da cidade e da comunidade.
Esta produção coletiva de uma educação às relações Étnico-
Raciais passa por encarar a existência do racismo, das desigualdades 
sociais, da histórica exclusão de africanos, de seus descendentes, dos 
povos originários que viram os colonizadores chegarem e de seus 
descendentes, refletindo sobre tais deploráveis práticas, com o intuito 
de vencê-las. Passa, ainda, pela aceitação, convivência e abertura 
para aprender, dentro da escola, com as cosmovisões destes povos, 
formadores do povo brasileiro, nas suas semelhanças e nas suas 
diferenças com aquilo que costumamos chamar de manifestações 
tradicionais e populares, da nossa festiva e criativa cultura popular 
tradicional brasileira. Prima pela necessidade de diálogos entre os 
educadores, seus saberes, os marcos legais que foram construídos no 
Brasil com o intuito de superar o racismo, o preconceito e todas as 
dificuldadesno enfrentamento das relações Interétnicas.
Produzir uma educação das relações étnica-raciais passa por 
evocar a questão racial como um potencial conteúdo multidisciplinar, 
a atravessar várias disciplinas, a trazer elementos significativos aos 
conteúdos curriculares, juntamente com a valorização de todos os 
povos formadores dos povos brasileiros (negro, indígena, árabes, 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 179
europeus, japoneses e tantos outros). Passa pelo questionamento do 
etnocentrismo. Qual a razão que faz com que o português seja visto 
como melhor e mais avançado que o Povo Tupy ou Tupiniquim? 
Conhecendo muito e melhor da história e da cultura dos povos 
indígenas e africanos para respaldar falas mais verdadeiras e 
coerentes, isso abolirá falsas imagens do negro e do indígena 
inconvenientes e que são mentiras que parecem verdades. 
É necessário examinar e refletir sobre o modelo social em 
que a escola está imersa, refletindo sobre mudanças necessárias, 
a partir da análise sobre a realidade. Não podemos falar apenas 
por falar, sem produzir mudanças. Isso requer que seja observado 
se coexistem na escola as 
[...] desigualdades sociais, raciais, culturais 
econômicas e que determinados grupos sociais 
ainda estão submetidos na sociedade brasileira. Do 
mesmo modo, temos nela as possi-bilidades para a 
superação das formas mais variadas de preconceito 
e desigualdade. (PASSOS, 2002, p.21)
Figura 3: Folguedos 
Fonte: wikimedia commons
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Educação das Relações Étnico-Raciais180
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo 
o que vimos. Você deve ter aprendido, até este momento sobre 
como produzir uma Educação das Relações Étnica-Raciais. 
Refletindo sobre tudo o que foi lido deverá estar mais preparado 
para futuras inserções e construções de uma educação antirracista 
e antidiscriminatórias, refletindo sobre o assunto para estar mais 
qualificado a trabalhá-los situações diversas em sala de aula.
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte 
fonte de consulta e aprofundamento: vídeo: Educação para Relações 
Etnicorraciais. Acessível pelo link: https://bit.ly/2XMqeLH (Acesso 
em 09/01/2020).
SAIBA MAIS
Planejando currículo e práxis 
pedagógica voltados a diversidade 
cultural e etnicorracial: questões iniciais 
sobre currículo e práxis pedagógica.
Neste capítulo, você será capaz de repensar e dinamizar 
currículos e práxis pedagógicas, voltadas a Diversidade Cultural 
e Étnico-Racial.
Ao repensar ou planejar novos currículos, aos olhos da 
realidade do povo brasileiro, das matrizes que formaram nossa 
gente, serão necessários empenhos para que sejam voltados a 
nossa Diversidade Étnico-Racial, não esquecendo que currículos 
são produtos de escolhas teóricas e metodológicas, fruto de uma 
seleção. Os currículos nunca são neutros. Expressam disputas 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 181
políticas, consensos, aproximações, esquecimentos, estão em 
permanente reconstrução.
Antes de prosseguir com o foco sobre a diversidade cultural 
e étnico-racial, o que é currículo? para alguns currículos são 
conteúdos e para outros são experiências de aprendizagem. outros 
determinam que currículo é um plano, contendo os objetivos 
educacionais, e para alguns é algo relativo à avaliação, unicamente. 
Faz-se necessário a articulação dos diferentes elementos enfatizados 
em cada uma das concepções apresentadas e, ao mesmo tempo, 
considerar o conhecimento como a matéria prima do currículo. E 
entendendo então o currículo como um grandioso e potente conjunto 
de experiências de conhecimento que os professores oferecem aos 
educandos nas escolas. É fundamentalmente pelo conhecimento 
que se procura atingir as metas definidas para um curso, para uma 
escola ou para um sistema educacional. Sendo assim o currículo é 
muito importante!
É interessante refletir que o currículo é um relevante 
instrumento usado por distintas sociedades tanto para desenvolver 
os processos de conservação, transformação e renovação dos 
conhecimentos historicamente acumulados como para socializar 
as crianças e os jovens segundo valores tidos como desejáveis.
No foco da Diversidade Étnico-Racial interessa pensar o 
currículo como uma sofisticada seleção da cultura, colhendo na 
cultura entre tantas possibilidades de escolha de conhecimentos, 
a partir do ponto de vista de que a cultura é o lugar produtor de 
significados. Assim, é concebido o currículo como uma prática de 
significação que, expressando-se em meio a conflitos e relações 
de poder, contribui para a produção de identidades sociais. 
Quando uma escola faz a escolha de produzir ou repensar 
seus currículos e Práxis Pedagógica para fazê-los viver a 
Diversidade Cultural e Etnicorracial, da nossa sociedade 
brasileira, já está evidenciado que os professores, a equipe de 
coordenação e direção pedagógica estão apostando em conciliar 
as diferenças e as identidades das matrizes formadoras do povo 
ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 181ebook completo impressão - Educação das Relações Étnico-Raciais - Aberto - SER.indb 181 03/02/2021 17:27:4903/02/2021 17:27:49
Educação das Relações Étnico-Raciais182
brasileiro, todas elas, sem nenhuma exceção ou silenciamentos, 
sem nenhum preconceito ou dogmas que qualifiquem que uma 
diversidade cultural é menos válida que a outra para a população 
brasileira e para a educação. O currículo é visto como território 
em que ocorrem disputas culturais, em que se travam lutas entre 
diferentes significados do indivíduo, do mundo e da sociedade, 
no processo de formação de identidades.
Então Planejando Currículo e Práxis Pedagógica voltados 
a Diversidade Cultural e Étnico-racial, reunidos e dispostos a 
construir um espaço para a diferença,você terá que responder 
sobre as identidades que tal novo currículo deverá produzir. 
Identidades em sintonia com padrões dominantes ou identidades 
plurais? Identidades comprometidas com o arranjo social 
existente ou identidades questionadoras e críticas. 
E fica a necessidade de responder a outra indagação: O 
que é Práxis? É a atividade produtora da unidade entre o homem 
e o mundo em que vive, entre a matéria presente ao mundo 
e o espírito humano, entre qualquer teoria e sua respectiva 
prática, entre aquilo que se chama sujeito e aquilo outro que se 
chama objeto. Práxis é esta intrigante atividade produzida pela 
humanidade, socialmente, dentro e na realidade em que vivem as 
pessoas. Práxis é a atividade material do homem que transforma 
o mundo natural e social para fazer dele um mundo humano. 
Práxis é a humanização que oferecemos a realidade, ao 
mundo em que vivemos. Evidentemente que isso está inserido 
na realidade da educação, nas escolas, nos encontros entre 
educadores, seus educandos e os conhecimentos discutidos em sala 
de aula. Assim, os alunos chegam à escola com uma determinada 
concepção de suas diversidades cultural e étnico-raciais e com o 
passar do tempo, e as vivências em sala de aula irão ampliando 
a consciência, superando ingenuidades sobre a diversidade dele 
e dos outros, assumindo posições mais críticas e transcendentes.
A práxis constitui e mantém a humanidade, sendo aatividade concreta pela qual os sujeitos humanos se afirmam 
no mundo, modificando a realidade objetiva e, para poderem 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 183
alterá-la, transformando-se a si mesmos. Na práxis nada ficará 
imóvel e imutável. Sendo que a práxis é a ação capaz, que exige, 
aprofundamento, precisa da reflexão, do autoquestionamento, da 
teoria; e é a teoria que remete à ação, que enfrenta o desafio de 
verificar seus acertos e desacertos, cotejando-os com a prática. 
Assim, práxis demanda a reflexão e a mudança.
O educador Paulo Freire (Freire, 1987) refletiu muito 
sobre o discurso pedagógico, a discussão do fazer educativo 
como uma práxis pedagógica. Seu projeto educativo envolvia a 
humanização, dialogicidade, problematização, conscientização 
e emancipação. Freire afirmava que os humanos são os seres 
da práxis, significando que somos aqueles que realizam, 
continuamente, atos de reflexão e ação, simultaneamente e de 
forma verdadeira para transformar nossa realidade. E a realidade 
que os professores e os alunos enxergam é a inesgotável fonte, 
repleta de conhecimento reflexivo, de novas criações e das 
transformações necessárias e operadas por nós, a humanidade, 
e com a nossa humanidade. Freire (1987) defende que na 
medida em que a humanidade cria história, vai se constituindo 
como formada de seres histórico-sociais.
Assim, Freire (1987) explica que os temas geradores, 
escolhidos para suscitar debates na sala de aula, possuem 
significados sociopolíticos e culturais dos educandos, exigindo 
uma metodologia conscientizadora de tais significados, que 
faz os educandos entenderem seus sentidos, inserindo-os em 
atividades que possibilitem pensar o mundo de um modo crítico. 
As diversidades Cultural e Étnico-Raciais certamente fazem 
parte deste mundo. Assim, Freire afirmou que investigar o tema 
gerador é investigar, repitamos, o pensar dos homens referido 
à realidade, é investigar seu atuar sobre a realidade, que é sua 
práxis. Ou seja, Planejando Currículo e Práxis Pedagógicas 
voltados a Diversidade Cultural e Etnicorracial, o educador 
deverá significar que um Currículo é planejado, vivenciado na 
Práxis Pedagógica, ou seja, no modo como professores e alunos 
atuam sobre a realidade, se o momento já é o da ação, esta se 
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Educação das Relações Étnico-Raciais184
fará autêntica práxis se o saber dela resultante se faz objeto da 
reflexão crítica.
Não será útil um conhecimento que não ajude os alunos a 
refletir, repensar e mudar a realidade de Diversidade Cultural e 
Étnico-racial que vivem. Devem questionar, com o professor, se 
são silenciados ou possuem visibilidade nas suas manifestações 
de Diversidade Cultural e Étnico-racial. Pensando se debocham 
ou valorizam a Diversidade Cultural e Étnico-racial do ‘outro’, 
do diferente, do divergente. E todos juntos poderão refletir sobre, 
e ao mesmo tempo celebrar, com as suas diferenças, identidades, 
diversidades, bem como sobre as lutar contra as desigualdades e 
refletindo como superá-las. 
Planejando currículo e práxis pedagógica 
voltados a diversidade cultural e 
etnicorracial: recomendações curriculares 
legais brasileiras.
Uma questão significativa é refletir sobre o conjunto 
de experiências necessárias ao Planejar Currículo e Práxis 
Pedagógica voltados a Diversidade Cultural e etnicorracial. 
Como isso se deu na história da educação brasileira, a partir da 
promulgação da constituição federal de 1988, sonhada pelos 
grupos e movimentos engajados, de corpo e alma com este tema. 
O passo significativo seguinte foi a promulgação da Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação, em 1996, passando por necessárias 
alterações posteriores, para contemplar justamente estes elementos 
relacionados a Diversidade Cultural e etnicorracial e que 
respaldaram diretrizes curriculares, focadas em tais diversidades 
características da formação do povo brasileiro. 
Já no Artigo 3.º, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação/
LDB, são preconizados os princípios que deverão embasar o 
ensino. Configurando entre outros princípios, a igualdade de 
condições para o acesso e permanência na escola, o relevante 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 185
pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, além 
do respeito à liberdade e apreço à tolerância e, por fim a 
recomendação da consideração com a diversidade etnicorracial. 
Já no Artigo 33 é explicitado uma significativa e 
esclarecedora recomendação aliviadora relativa ao ensino 
religioso, em que é assegurado o respeito à diversidade cultural 
religiosa do Brasil, cabendo esclarecer ainda que em 2017 o 
Supremo Tribunal Federal decidiu que o ensino religioso nas 
escolas públicas brasileiras poderá ter natureza confessional, 
significando que poderá estar vinculado às diversas religiões. 
A seguir, diante dos últimos ajustes na Base Nacional 
Comum Curricular, o Conselho Nacional de Educação/CNE 
deu parecer homo-logado da Base Nacional Comum Curricular 
(BNCC) recomendando: Conhecer os aspectos estruturantes 
das diferentes tradições/movi-mentos religiosos e filosóficos de 
vida, a partir de pressupostos científicos, filosóficos, estéticos e 
éticos. Isso é salutar contra descabidas intolerâncias!
E, ainda recomenda: Compreender, valorizar e respeitar as 
mani-festações religiosas e filosofias de vida, suas experiências 
e saberes, em diferentes tempos, espaços e territórios. Todo este 
histórico sobre o Ensino religioso, as diversas decisões em diferentes 
âmbitos, revela que existe um embate sobre o assunto. E traz a 
reflexão da importante tarefa que os currículos e Práxis Pedagógica 
voltados a Diversidade Cultural e Étnico-racial terão ao se debruçar 
sobre a diversidade religiosa.
O fundamental, levando em conta a Diversidade Cultural e 
Étnico-racial, será preparar debates que incidam na importância do 
respeito as mais diferentes matrizes do povo brasileiro, relacionadas 
aos seus ancestrais, como são os casos das Religiões de Matriz 
Religiosa Africana e as religiosidades dos Povos Indígenas, seus 
pajés,além de suas cosmologias e cultos aos ancestrais.
O Artigo 26 da LDB (BRASIL, 2017a) foi modificado 
para determinar a obrigatoriedade do estudo da história e cultura 
afro-brasileira e indígena (vinculado as duas Leis 10.639/03 
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Educação das Relações Étnico-Raciais186
(2003) e 11.645/08 (2008). Esta modificação traz significativas 
contribuições aos currículos e Práxis Pedagógica voltados a 
Diversidade Cultural e Étnico-racial. Definidos assim:
[...]O conteúdo programático a que se refere este artigo 
incluirá diversos aspectos da história e da cultura que 
caracterizam a formação da população brasileira, a 
partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo 
da história da África e dos africanos, a luta dos negros 
e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e 
indígena brasileira e o negro e o índio na formação da 
sociedade nacional, resgatando as suas contribuições 
nas áreas social, econômica e política, pertinentes à 
história do Brasil.(Brasil, 2017, p. 19)
Planejando Currículo e Práxis Pedagógica voltados a 
Diversidade Cultural e Étnico-racial, as escolasdeverão levar 
em conta, ainda, com relação as modificações neste artigo, com 
as Leis já citadas, Leis 10.639/03 (2003) e 11.645/08 (2008) que 
os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos 
povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo 
o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e 
de literatura e história brasileiras.
Seguidas tais recomendações deste artigo da Lei de 
Diretrizes e Bases da educação Nacional (Brasil, 2017) será 
possível realizar excelentes e coerentes planejamentos de 
Currículo e Práxis Pedagógica voltados a Diversidade Cultural 
e Etnicorracial, respeitadas suas recomendações. 
E, ainda, referente a Edição de livros e de materiais didáticos, 
dedicados aos distintos níveis e modalidades de ensino, surgiu 
como recomendação para cumprir o Artigo 26 da LDB (BRASIL, 
2017 a), abordando o tema da pluralidade cultural e da diversidade 
etnicorracial do povo brasileiro, que fossem observados e corrigidos 
distorções e equívocos em obras já publicadas sobre a história, 
a cultura, a identidade dos afrodescendentes, sob o incentivo e 
supervisão dos programas de difusão de livros educacionais do 
MEC. Isso proporcionou um intenso trabalho!
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Educação das Relações Étnico-Raciais 187
Trata-se do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 
e Programa Nacional de Bibliotecas Escolares (PNBE), do 
Ministério da Educação. Isso propiciou um grande incentivo 
governamental, nos anos seguintes de promulgações de tais leis 
e das modificações na LDB, com o envio para as escolas públicas 
brasileiras de material didático apropriado aos planejamentos de 
Currículo e Práxis Pedagógica voltados a Diversidade Cultural e 
Etnicorracial, cultura e história afro-brasileira e indígena.
Esclarecido que as modificações que a LDB incorporou 
trouxe elementos que faltavam e contribuem para a hora de 
planejar Currículo e Práxis Pedagógica voltados a Diversidade 
Cultural e Étnico-racial, nas escolas, pelo nosso grande e diverso 
país, você vai voltar sua atenção aos resultados imediatos da 
promulgação da LDB em 1996, com relação ao tema Diversidade 
Cultural e Étnico-racial e seus planejamentos na escola.
Voltando um pouco atrás, uma significativa iniciativa foi tratar 
da pluralidade cultural, no fim do século XX, foram os Parâmetros 
Curriculares Nacionais. Configurando entre os objetivos do ensino 
fundamental oportunizar aos alunos atividades que os façam ser 
capazes de valorizar e conhecer a nossa pluralidade, presente no 
patrimônio sociocultural brasileiro e de outros povos, fora do 
Brasil,posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em 
diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia 
ou outras características individuais e sociais.
No texto dos Parâmetros Curriculares Nacionais/PCN’s 
é ressal-tado o fato do Brasil ser pensado como composto por 
diversidade étnica e cultural, plural em sua identidade: é índio, 
afrodescendente, imigrante, é urbano, sertanejo, caiçara, caipira, 
mas coexistirem preconceitos, relações de discriminação e 
exclusão social que impedem muitos brasileiros de ter uma 
vivência plena de sua cidadania.
A proposta dos PCN’s (BRASIL, 1997), recomenda aos 
professores que trabalhem a temática da pluralidade cultural, 
com atividades que possam favorecer, tanto o conhecimento, 
como a valorização das nossas características étnicas e culturais, 
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presentes nos diferentes grupamentos sociais brasileiros, tratando 
das desigualdades socioeconômicas e de reflexões críticas às 
relações sociais discriminatórias e excludentes que permeiam 
a sociedade brasileira, oferecendo ao aluno a possibilidade 
de conhecer o Brasil como um país complexo, multifacetado 
e algumas vezes paradoxal. Um pouco mais de duas décadas 
depois, ainda estamos a dever aos vários grupamentos étnico-
culturais, que os planejamentos de novos Currículos nas escolas, 
signifiquem realmente que a Práxis Pedagógica seja voltada a 
Diversidade Cultural e Étnico-racial. 
Neste momento, as intenções do Ministério da Educação 
estavam voltadas a oferecer parâmetros, ou seja, diretrizes 
ordenadas para nortear os educadores, através da indicação de 
elementos essenciais para cada disciplina e no caso do tema das 
diversidades estariam apresentadas as indicações, não como 
uma disciplina, mas como tema transversal para aparecer nas 
diversas disciplinas (português, matemática, história, etc). 
A intenção que sustentava o tema transversal Pluralidade 
cultural era ser um norteador de temas afins à nossa Diversidade 
Cultural e Étnico-racial, oferecidos aos corpos docentes, as 
equipes de coordenação pedagógica de demais atores dos 
planejamentos de currículos nas escolas pelo vasto país, 
ressaltando a necessária adaptação às particularidades locais.
OS PCN’s asseguram que a realidade brasileira é de 
coexistência da ampla diversidade étnica, linguística e religiosa 
em solo brasileiro, os brasileiros viviam e continuam vivendo 
submersos no plural que se constata, seja no convívio direto, seja 
por outras mediações. E para que tratar da diversidade cultural, 
nos currículos e nas práxis? Para que reconhecer, valorizar, e pôr 
fim superar as discriminações dentro das salas? Segundo o texto 
referente a Pluralidade Cultural, dos PCN’s para atuar sobre 
um dos mecanismos de exclusão – tarefa necessária, ainda que 
insuficiente, para caminhar na direção de uma sociedade mais 
plenamente democrática.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 189
A ideia, pós-constituição de 1988, era que as atividades 
em sala de aula deveriam ser voltadas à cidadania, uma vez que 
tanto a desvalorização cultural – traço bem característico de país 
colonizado – quanto a discriminação são entraves à plenitude da 
cidadania para todos; portanto, para a própria nação. E, ainda, 
refletir sobre uma proposta curricular voltada para a cidadania 
deve preocupar-se necessariamente com as diversidades 
existentes na sociedade, uma das bases concretas em que se 
praticam os preceitos éticos. Os PCN’s deram um passo inicial 
importante na redemocratização.
Quanto aos conteúdos curriculares, nas suas interconexões 
com o tema da diversidade cultural, é recomendado lembrar que 
tantos os aspectos históricos como os geográficos expõem uma 
diversidade regional marcada pela desigualdade, do ponto de vista 
do atendimento pleno dos direitos de cidadania, de valorização 
desigual de práticas culturais. E não seria uma escolha pelas belas 
e festivas demonstrações diversidade cultural somente. Nada de 
submergir e esconder as dificuldades vividas pela diversidade, 
enquanto se dá destaque apenas à sua característica de ser um dos 
potenciais mais férteis, tipicamente brasileiros, levou por muito 
tempo a acreditar que o racismo era uma mazela social que o 
Brasil soube evitar. A discussão extremamente atual de perceber 
que o mito da igualdade racial é uma mentira, juntamente com a 
errada difusão da teoria da integração das raças, tradicionalmente 
divulgada na maioria das escolas de ensino fundamental, deixou 
pouco ou nenhum espaço para que se encarassem as reais 
dificuldades das diferentes etnias no contexto social brasileiro.
Os Povos Indígenas, diante dos avanços conquistados na 
Constituição de 1988, constituíram presentes aos temas, nos PCN’s.Indicando a necessária explicitação, da ampla diversidade, de forma 
a corrigir uma visão deturpada que homogeneíza as sociedades 
indígenas como se fossem de um único grupo, pela justaposição 
aleatória de traços retirados de diversas etnias. O texto aponta 
para a necessidade da valorização dos povos indígenas, através da 
inclusão nos currículos de conteúdos que informem sobre a riqueza 
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Educação das Relações Étnico-Raciais190
de suas culturas e a influência delas sobre a sociedade como um 
todo, quanto pela consolidação das escolas indígenas, levando em 
conta os termos da Constituição, bem como a pedagogia apropriada 
às escolas interculturais indígenas.
Para combater os reducionismos científicos e seus danos 
racistas, o texto sobre Pluralidade Cultural dos PCN’s, recomenda 
levar em conta que a diversidade das sociedades humanas, não deve 
ser esclarecida pela diferença genética, já que é enorme a variação 
dos nossos caracteres genéticos internos de qualquer grupo é muito 
grande, o elemento de real interesse seria a cultura. Os currículos 
em suas conexões com a diversidade deveriam lembrar que divisão 
biológica da nossa espécie humana não implica hierarquia, ainda 
que diferentes visões de mundo expliquem de múltiplas formas a 
diversidade humana. Do ponto de vista de dignidade, de Direitos 
Universais, há uma só humanidade. 
Os currículos deveriam considerar ao planejar conteúdos 
relacionados as línguas, a valorização de diferentes formas de 
linguagem oral e escrita, pelo respeito às manifestações regionais, 
pela possibilidade de contato e integração com a diversidade de 
línguas e de linguagens presentes. Ainda, ressaltando o bilinguismo 
dos povos indígenas, relacionado ao fato de existirem mais de 180 
línguas indígenas faladas no Brasil, em conjunto com o português. 
Tudo isso continua muito válido!
Entre os objetivos gerais de Pluralidade Cultural para 
o Ensino Fundamental, voltados à construção da cidadania, 
em uma sociedade pluriétnica e pluricultural, consta com fins 
no desenvolvimento de capacidades como o conhecimento 
da diversidade do nosso patrimônio étnico-cultural, tendo 
atitude de respeito para com pessoas e grupos que a compõem, 
reconhecendo a diversidade cultural como um direito dos povos 
e dos indivíduos e elemento de fortalecimento da democracia. 
Esta garantia de respeito constitucional não pode ser desprezada.
Os professores, na virada para o século XX, deveriam levar 
em conta como critérios a serem utilizados na seleção dos conteúdos, 
a relevância sociocultural e política, considerando a necessidade 
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Educação das Relações Étnico-Raciais 191
e a importância da atuação da escola em fornecer informações 
básicas que permitam conhecer a ampla diversidade sociocultural 
brasileira. Isso implicaria na divulgação das contribuições dessas 
diferentes culturas presentes em território nacional e eliminar 
conceitos errados, culturalmente disseminados, acerca de povos e 
grupos humanos que constituem o Brasil. 
Todos estes aspectos são profundamente contemporâneos 
e necessários ao pensar em um currículo novo, Planejando 
Currículo e Práxis Pedagógica voltados a Diversidade Cultural 
e Étnico-racial. Tratando da singularidade do Brasil, no real de 
seu feitio, uma população de origem diversificada, portadora de 
culturas que se preservaram em suas especificidades, ao mesmo 
tempo em que se amalgamaram em novas configurações. 
Os PCN’s clamam à valorização das estruturas em comuns 
para todos, dos entrelaçamentos socioculturais que permitem 
valorizar aquilo que é próprio da identidade de cada grupo, e 
aquilo que permite uma construção comum, onde cabe pronunciar 
o pronome ‘nós’(BRASIL, 1997, p. 48). A Pluralidade Cultural, 
dentro dos currículos e dos Parâmetros Curriculares Nacionais, 
trouxe para dentro das discussões sobre currículos e práxis, no 
interior das escolas brasileiras, o objetivo didático, relacionado à 
escolha de conteúdos que sejam capazes de suscitar aproximações 
da noção de igualdade quanto aos direitos, quanto à dignidade e 
que embasem a valorização da diversidade cultural.
Surgiram as Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de 
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, do Conselho 
Nacional de Educação, aprovada em 2004, propondo a 
Consciência Política e Histórica da Diversidade, para conduzir 
com tal princípio à igualdade básica de toda pessoa humana, 
visto como sujeito de direitos, ao reconhecimento de que a 
formação do povo brasileiro deu-se em grupos étnico-raciais 
distintos, que possuem cultura e história próprias, igualmente 
valiosas e que em conjunto constroem, na nação brasileira, sua 
história. Posto isso é necessário o conhecimento e à valorização 
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Educação das Relações Étnico-Raciais192
da história dos povos africanos e da cultura afro-brasileira na 
construção histórica e cultural brasileira. 
Nestes sentidos estas Diretrizes Curriculares Nacionais 
para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino 
de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana contribuem de 
uma forma muito significativa e devem ser levadas em conta ao 
planejar Currículo e Práxis Pedagógica voltados a Diversidade 
Cultural e Étnico-racial, em todas as escolas do Brasil. Nesta 
perspectiva de Consciência Política e Histórica da Diversidade, 
estas Diretrizes propõem inovadoras propostas:
[...]à superação da indiferença, injustiça e 
desqualificação com que os negros, os povos 
indígenas e também as classes populares às quais os 
negros, no geral, pertencem, são comumente tratados; 
- à desconstrução, por meio de questionamentos e 
análises críticas, objetivando eliminar conceitos, 
ideias, comportamentos veiculados pela ideologia 
do branqueamento, pelo mito da democracia racial, 
que tanto mal fazem a negros e brancos; - à busca, 
da parte de pessoas, em particular de professores não 
familiarizados com a análise das relações étnico-
raciais e sociais com o estudo de história e cultura 
afro-brasileira e africana, de informações e subsídios 
que lhes permitam formular concepções não baseadas 
em preconceitos e construir ações respeitosas; - ao 
diálogo, via fundamental para entendimento entre 
diferentes, com a finalidade de negociações, tendo 
em vista objetivos comuns, visando a uma sociedade 
justa. (BRASIL, 2004, p. 19)
Estas relevantes Diretrizes agem em prol do fortalecimento 
de Identidades e de Direitos, indo além do que foi possível com 
os PCN’s, sendo que este princípio, com relação a diversidade, 
deve orientar para a ampliação do acesso a informações sobre 
a diversidade da nação brasileira e sobre a recriação das 
identidades, provocada por relações étnico-raciais.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 193
A partir de toda esta movimentação histórica o que começou 
a ser demandado com novos currículos era a existência efetiva 
de uma pedagogia que respeitasse realmente as diferenças. E 
fosse capaz de lidar com a questão racial como conteúdo inter 
e multidisciplinar durante todo o ano letivo, estabelecendo 
um diálogo permanente entre o tema etnicorracial e os demaisconteúdos trabalhados na escola.
A RESOLUÇÃO Nº 5, do Conselho Nacional de Educação/
CNE, de Junho de 2012 avançou com relação a nossa diversidade 
indígena, definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação Escolar Indígena na Educação Básica (BRASIL, 
2012), atendendo as mobilizações antigas, insistentes e justas dos 
Povos Indígenas do Brasil. E que devem ser levadas a cabo por 
aqueles que Planejam Currículos e Práxis Pedagógicas voltados 
a Diversidade Cultural e Etnicorracial e aquelas oferecidas aos 
povos indígenas pelo país.
Tais diretrizes curriculares devem ser consideradas 
como resultan-tes do que é garantido como direito aos Povos 
Indígenas brasileiros nos seguintes marcos legais: Constituição 
Federal de 1988; Convenção 169 da Organização Internacional 
do Trabalho, promulgada no Brasil por meio do Decreto nº 
5.051/2004, pela Declaração Universal dos Direitos Humanos 
da ONU (1948), Declaração das Nações Unidas sobre os direitos 
dos povos indígenas de 2007 pela nossa atual Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional/LDBEN (Lei 9.394/96). Com 500 
anos de atraso é começada uma nova trilha!
E o que é assegurado é direito a uma educação escolar 
diferenciada para os povos indígenas. Estas Diretrizes Curriculares 
Nacionais estão pautadas pelos princípios da igualdade social, da 
diferença, da especificidade, do bilinguismo e da interculturalidade, 
fundamentos da Educação Escolar Indígena. Isso foi um avanço 
significativo!
Quanto aos objetivos da Educação Escolar Indígena consta 
proporcionar aos indígenas, suas comunidades e povos, tanto a 
recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas 
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Educação das Relações Étnico-Raciais194
identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências, 
quanto o acesso às informações, conhecimentos técnicos, 
científicos e culturais da sociedade nacional e demais sociedades 
indígenas e não-indígenas. Isso é relevante e traz reflexões às 
pessoas que estranham até um indígena usar um celular quanto 
mais chegar ao ENEM! Novos tempos! 
Quanto aos currículos da Educação Básica na Educação 
Escolar Indígena, estas Diretrizes respaldam suas construções 
em perspectiva intercultural, levando em conta devem valores e 
interesses etnopolíticos das comunidades indígenas em relação 
aos seus projetos de sociedade e de escola, definidos nos projetos 
político-pedagógicos. O currículo precisará ser flexível, ajustado 
aos contextos socioculturais de cada comunidade indígena, 
relacionados com os projetos de Educação Escolar Indígena de 
tal comunidade. 
São incentivados, em tal currículo a construção de eixos 
temáticos, projetos de pesquisa, eixos geradores ou matrizes 
conceituais, em que os conteúdos das diversas disciplinas 
podem ser trabalhados numa perspectiva interdisciplinar. E 
deverão ser garantidas condições para que os currículos possam 
ser aportados com os materiais didáticos específicos, escritos na 
língua portuguesa, nas línguas indígenas e bilíngues, que reflitam 
a perspectiva intercultural da educação diferenciada, elaborados 
pelos professores indígenas e seus estudantes e publicados pelos 
respectivos sistemas de ensino.
Isso garante que o currículo e Práxis Pedagógica sejam 
voltados a Diversidade Cultural e Étnico-racial indígena, 
contemplando aspectos comunitários, bilíngues e multilíngues, de 
interculturalidade e diferenciação, e uma necessária flexibilização 
ao organizar os tempos e espaços curriculares, possibilitando a 
inclusão dos importantes saberes e relevantes procedimentos 
culturais construídos por diversas comunidades indígenas, tais 
como línguas indígenas, crenças, memórias, saberes ligados 
à identidade étnica, às suas organizações sociais, às relações 
humanas, às manifestações artísticas, às práticas desportivas.
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Educação das Relações Étnico-Raciais 195
Vale ressaltar que a Meta 7 do Plano Nacional de 
Educação/PNE (válido para acontecer até 2024), contido na Lei 
nº 13.005/2014, recomenda o estabelecimento e a implantação, 
em formato de pacto federativo entre os entes da Federação 
(Governo Federal, Estados e municípios), as mais apropriadas 
diretrizes pedagógicas para a educação básica e a uma base 
nacional comum dos currículos, ressaltados seus direitos e 
objetivos de aprendizagem, bem como o desenvolvimento dos 
educandos, entre o ensino fundamental e médio, respeitada a 
diversidade regional, estadual e local (BRASIL, 2017b, p. 02). 
A diversidade prossegue focada na realidade.
Chegamos a 2.ª década do século XXI com um arcabouço 
legal que possibilitam planejamento de Currículo e Práxis 
Pedagógica voltados à verdadeira e esquecida Diversidade 
Cultural e Étnico-racial brasileira. A Base Nacional Comum 
Curricular/BNCC preconiza, que entre as dez competências 
gerais comuns, indicadas às etapas da Educação Básica, que 
expressam os direitos de aprendizagem dos estudantes, consta 
a valorização da 
[...] diversidade de saberes e vivências culturais e 
apropriar-se de conhecimentos e experiências que 
lhe possibilitem entender as relações próprias do 
mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao 
exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, 
com liberdade, autonomia, consciência crítica e 
responsabilidade. (BRASIL, 2017b, p.27)
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Educação das Relações Étnico-Raciais196
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso 
à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Vídeo: A 
obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira 
e indígena Como e Porque Trabalhar com a Poesia na Sala de 
Aula. Disponível no link: https://bit.ly/37gFsvA. (Acesso em 
09/01/2020). E, ainda: Vídeo:Escola democrática e diversidade, 
com a Prof.ª Dr.ª Mônica Amaral, da USP, acessível pelo link: 
https://bit.ly/2MIAi1T. (Acesso em 09/01/2020).
Figura 4
Fonte: wikimedia commons
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso 
à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Vídeo: A 
obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira 
e indígena Como e Porque Trabalhar com a Poesia na Sala de 
Aula. Disponível no link: https://bit.ly/37gFsvA. (Acesso em 
09/01/2020). E, ainda: Vídeo:Escola democrática e diversidade, 
com a Prof.ª Dr.ª Mônica Amaral, da USP, acessível pelo link: 
https://bit.ly/2MIAi1T. (Acesso em 09/01/2020).
RESUMINDO
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Educação das Relações Étnico-Raciais 197
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