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MATERIAL DE DIREITO DO TRABALHO- RESOLUÇÃO DE QUESTÕES 1. Tereza iniciou o contrato de trabalho, na função de secretária, na empresa Boa Viagem Turismo Ltda. em 12 de jan. de 2017, sendo que, no período aquisitivo de férias, faltou sem justificativa 2 vezes e, justificadamente, 4 vezes. Nesse caso, é correto afirmar que: a) o termo final do período aquisitivo de férias da empregada é 12 de jan. de 2018, e ela terá direito a 30 dias corridos de descanso. b) o termo final do período aquisitivo de férias da empregada é 11 de jan. de 2018, e ela terá direito a 24 dias corridos de descanso. c) o termo final do período aquisitivo de férias da empregada é 12 de jan. de 2018, e ela terá direito a 24 dias corridos de descanso. d) o termo final do período aquisitivo de férias da empregada é 11 de jan. de 2018, e ela terá direito a 30 dias corridos de descanso. Comentário: CLT Art. 129 - Todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um período de férias, sem prejuízo da remuneração. Art. 130 - Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: I- 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes; II - 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14 (quatorze) faltas; III - 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a 23 (vinte e três) faltas; IV - 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e quatro) a 32 (trinta e duas) faltas. 2. Conforme disposição da Lei 13.467/2017, o tempo destinado à troca de roupa ou uniforme deve ser computado como período extraordinário no que exceder a jornada normal de trabalho? a) Não, porque a troca não pode ser imposta pelo empregador. b) Não, porque em nenhuma hipótese caracteriza tempo à disposição do empregador. c) Sim, se houver obrigatoriedade de realizar a troca na empresa. d) Sim, se houver obrigatoriedade de uniforme. Comentário: CLT Art. 4º - Considera-se como de serviço efetivo o período em que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial expressamente consignada. § 2o Por não se considerar tempo à disposição do empregador, não será computado como período extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o limite de cinco minutos previsto no § 1o do art. 58 desta Consolidação, quando o empregado, por escolha própria, buscar proteção pessoal, em caso de insegurança nas vias públicas ou más condições climáticas, bem como adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exercer atividades particulares, entre outras: VIII - troca de roupa ou uniforme, quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na empresa. 3. Segundo a vigente legislação trabalhista, sobre a responsabilidade trabalhista, em razão da caracterização de grupo econômico, é CORRETO afirmar a) Sendo caracterizada a relação de emprego em face de uma empresa, as demais empresas integrantes do mesmo grupo econômico são subsidiariamente responsáveis. b) Não pode ser caracterizado grupo econômico se cada empresa integrante mantém sua autonomia. c) Caracterizando grupo econômico, as empresas que o integrem são consideradas solidariamente responsáveis pelas obrigações trabalhistas. d) A identidade de sócios entre empresas caracteriza grupo econômico. Comentário: Art. 2º - Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2o Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego. 4 - Célio e Paulo eram funcionários da sociedade empresária Minério Ltda. e trabalhavam no município do Rio de Janeiro. Por necessidade de serviço, eles foram deslocados para trabalhar em outros municípios. Célio continuou morando no mesmo lugar, porque o município em que passou a laborar era contíguo ao Rio de Janeiro. Paulo, no entanto, mudou-se definitivamente, com toda a família, para o município em que passou a trabalhar, distante 350 km do Rio de Janeiro. Dois anos depois, ambos foram dispensados. A sociedade empresária nada pagou aos funcionários quando das transferências de locais de trabalho, salvo a despesa com a mudança de Paulo. Ambos ajuizaram ações trabalhistas. A partir da hipótese sugerida, assinale a afirmativa correta. a) Célio e Paulo não têm direito ao adicional de transferência. b) Apenas Paulo tem direito ao adicional de transferência. c) Apenas Célio tem direito ao adicional de transferência. d) Ambos têm direito ao adicional de transferência. Comentários: Art. 468 - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. Art. 469 - Ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio . § 1º - Não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de confiança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço. 5 - Maria, empregada de uma panificadora, adotou uma criança em idade de alfabetização. Quando da adoção, obteve a informação de que faria jus à licença-maternidade, daí decorrente. Em conversa com seu empregador, Maria foi informada que não desfrutava do mencionado benefício. Na dúvida a empregada requereu a licença-maternidade junto ao INSS. Diante do caso apresentado, assinale a afirmativa correta. a)A duração da licença-maternidade de Maria tem variação de acordo com a idade da criança adotada. b) Maria não tem direito à licença-maternidade, pois se trata de adoção e a legislação não prevê essa hipótese. c) Maria tem direito à licença-maternidade de 120 dias, sem prejuízo do emprego e do salário, independentemente da idade da criança adotoda. d) Maria tem direito a duas semanas de licença-maternidade correspondentes ao período de adaptação necessário na adoção. Comentário: Art. 392-A. À empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança ou adolescente será concedida licença-maternidade nos termos do art. 392 desta Lei. 6. Um aprendiz de marcenaria procura um advogado para se inteirar sobre o FGTS que vem sendo depositado mensalmente pelo empregador na sua conta vinculada junto à CEF, na razão de 2% do salário, e cujo valor é descontado juntamente com o INSS. Com relação ao desconto do FGTS, assinale a afirmativa correta. a) O FGTS deveria ser depositado na ordem de 8% e não poderia ser descontado. b) A empresa, por se tratar de aprendiz, somente poderia descontar metade do FGTS depositado. c) A empresa está equivocada em relação ao desconto, pois o FGTS é obrigação do empregador. d) A conduta da empresa é regular, tanto em relação ao percentual quanto ao desconto. Comentário: LEI Nº 8.036, DE 11 DE MAIO DE 1990. Lei Art. 15. Para os fins previstos nesta lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8 (oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da CLT e a gratificação de Natal a que se refere a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as modificações da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965.§ 7o Os contratos de aprendizagem terão a alíquota a que se refere o caput deste artigo reduzida para dois por cento. 7. Lino trabalha como diagramador na sociedade empresária XYZ Ltda., localizada em um grande centro urbano, e recebe do empregador, além do salário, moradia e plano de assistência odontológica, graciosamente. Sobre o caso narrado, de acordo com a CLT, assinale a afirmativa correta. A) Ambos os benefícios serão incorporados ao salário de Lino. B) Somente o benefício da habitação será integrado ao salário de Lino. C) Nenhum dos benefícios será incorporado ao salário de Lino. D) Somente o benefício do plano de assistência odontológica será integrado ao salário de Lino. Comentários: O enunciado trata da remuneração, mais especificamente do salário in natura, disciplinado no artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho. Art. 458, CLT. A) Incorreta a assertiva “A”, pois, conforme dispõe o §2º acima transcrito, a assistência odontológica não será considerada salário. B) Correto A letra “B”, por sua vez, está correta. Segundo o artigo 458, §2º, da CLT, a assistência médica, hospitalar e odontológica não será considerada salário. Desta feita, apenas a habitação será integrada. C) Errado Incorreta a alternativa “C”, pois, como exposto, a habitação integrará o salário, em respeito ao dispositivo mencionado. D) Errado Por fim, incorreta a letra “D”, já que vai de encontro ao §2º exaustivamente mencionado, o qual prevê expressamente que a assistência odontológica não será considerada salário. Gabarito: 8. Pedro é empregado da sociedade empresária X e, em determinado mês, recebeu diárias na ordem de 70% do seu salário, sem ter prestado qualquer conta ao empregador. De acordo com a CLT e o entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. A) A diária, na hipótese retratada, terá natureza salarial na totalidade. B) A diária terá natureza indenizatória porque visa ressarcir gastos realizados pelo empregado. C) Somente o que ultrapassar 50% do salário terá natureza salarial, logo, 20%, na hipótese. D) A lei determina que metade da diária paga tenha natureza salarial e metade, indenizatória. Comentários: Questão desatualizada. Após a Reforma Trabalhista: Art. 457, CLT. Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. §2º. As importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílioalimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. As diárias para viagem compreendem a parcela recebida em razão das despesas gastas pelo empregado em viagens. Antes da Reforma, se as diárias excediam a 50% do salário do empregado, havia presunção de fraude, e neste caso teria natureza salarial. Com as modificações trazidas pela Reforma, as diárias são sempre consideradas parcelas sem natureza salarial, inexistindo percentual máximo para a alteração da sua natureza jurídica. 9. Na convenção coletiva de determinada categoria, ficou estipulado que o adicional de periculosidade seria pago na razão de 15% sobre o salário-base, pois, comprovadamente, os trabalhadores permaneciam em situação de risco durante metade da jornada cumprida. Sobre a cláusula em questão, assinale a afirmativa correta. A) A cláusula não é válida, pois se trata de norma de ordem pública. B) A validade da cláusula depende de homologação judicial. C) A cláusula é válida, porque a Constituição da República garante eficácia aos acordos e às convenções coletivas. D) A legalidade da cláusula será avaliada pelo juiz, porque a Lei e o TST são silentes a respeito. Comentários: O enunciado cuida da validade de cláusula constante em convenção coletiva de trabalho, acerca do adicional de periculosidade. O aluno deve ter em mente, portanto, o teor da Súmula 364 do Tribunal Superior do Trabalho. Súmula 364/TST ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. EXPOSIÇÃO EVENTUAL, PERMANENTE E INTERMITENTE (inserido o item II) - Res. 209/2016, DEJT divulgado em 01, 02 e 03.06.2016 I - Tem direito ao adicional de periculosidade o empregado exposto permanentemente ou que, de forma intermitente, sujeita-se a condições de risco. Indevido, apenas, quando o contato dá-se de forma eventual, assim considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se por tempo extremamente reduzido. (ex-Ojs da SBDI-1 nºs 05 - inserida em 14.03.1994 - e 280 - DJ 11.08.2003) II - Não é válida a cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho fixando o adicional de periculosidade em percentual inferior ao estabelecido em lei e proporcional ao tempo de exposição ao risco, pois tal parcela constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantida por norma de ordem pública (arts. 7º, XXII e XXIII, da CF e 193, §1º, da CLT). A) Correto De pronto, a alternativa “A” está correta, pois, consoante o enunciado sumular acima transcrito, tal cláusula contratual é inválida por representar ofensa à norma de ordem pública. B) Errado Inadequada a redação da assertiva “B”, pois, como dito acima, ainda que homologada, a cláusula contratual prevendo percentual inferior de adicional de periculosidade é inválida. C) Errado Igualmente incorreta a alternativa “C”, pois, ainda que a Constituição Federal assegure a eficácia das negociações coletivas, a hipótese narrada é incabível, pois trata-se de norma de ordem pública. D) Errado Por fim, equivocada a letra “D”, já que há súmula do TST disciplinando o tema expressamente, não havendo que se falar em omissão. Gabarito: A. Fonte de conhecimento jurídico: Jurisprudência. 10- Suely trabalha na casa de Rogério como cuidadora de seu pai, pessoa de idade avançada e enferma, comparecendo de segunda a sexta-feira, das 8:00 às 17:00 h, com intervalo de uma hora para refeição. De acordo com o caso narrado e a legislação de regência, assinale a afirmativa correta. A) O controle escrito não é necessário, porque menos de 10 empregados trabalham na residência de Rogério. B) A lei de regência prevê que as partes podem acertar, por escrito, a isenção de marcação da jornada normal, assinalando apenas a eventual hora extra. C) A Lei é omissa a respeito, daí por que a existência de controle deve ser acertado entre as partes envolvidas no momento da contratação. D) Rogério deve, por força de Lei, manter controle escrito dos horários de entrada e saída da empregada doméstica Comentários: Cuida-se de questão relacionada ao controle de jornada do trabalhador doméstico. Isto posto, o aluno deve ter em mente o artigo 12 da Lei Complementar nº 150/15. Art. 12, LC nº 150/15. É obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico por qualquer meio manual, mecânico ou eletrônico, desde que idôneo. A) Errado Incorreta a letra “A”, pois cuida-se de relação de trabalho doméstico, não havendo que se falar em número mínimo de funcionários para obrigatoriedade do controle de horário. B) Errado Igualmente incorreta a assertiva “B”, pois a lei de regência não estipula tal possibilidade de convenção, devendo-se necessariamente realizar o registro. C) Errado Também incorreta a alternativa “C”, já que a Lei Complementar nº 150/15 traz regramento expresso do tema, não havendo que se falar em omissão. D) Correto Por fim, resta como correta a letra “D”. Assim, o empregador deve manter o registro da jornada por qualquer meio idôneo, em conformidade com o artigo 12 da LC nº 150/15. Gabarito: D. Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca.