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Giovanna Nina – Medicina Unicamp LX 1 Agonistas adrenérgicos Sinônimos: • Drogas simpatomiméticas • Drogas adrenominéticas • Agonistas de adrenoceptores Classificação dos simpatomiméticos: Se dividem em 3 classes: • Os agentes de ação direta (que seletivamente ativam alfa 1, alfa 2, beta 1, beta 2 ou beta 3) • Agentes de ação indireta (anfetaminas, inibidores de MAO/NET) *NET que responde ao término de ação rápida das catecolaminas = “permite liberação de NA no terminal simpático” • Agentes de ação mista (Efedrina) Agonistas de adrenoceptores alfa 1 Fenilefrina: agonista alfa 1 • Quase que totalmente idêntica a adrenalina, só não tem uma hidroxila na posição 4 do anel • Como não tem essa hidroxila = ligação menos eficiente = menos potente • Mas justamente por não ter essa hidroxila = menos metabolizada = permanece mais tempo • Se é agonista alfa 1, é usada majoritariamente como vasoconstritor! • Também é usada como agente midriático (uso tópico): tem o músculo radial da íris, que é rico em alfa 1 = quando coloca, o olho abre = pupila dilata, isso é midríase = então para exame de fundo de olho, ver o nervo óptico (tem outros agentes midriáticos que são mais usados do que fenilefrina). • Descongestionante nasal (uso tópico e oral): sempre tem fenilefrina + anestésico (paracetamol) + anti histamínico (naldecon, coristina D = são fenilefrina) Metaraminol: • Uso intravenoso • Indicado para estados hipotensivos associados à raquianestesia (já que se é agonista seletivo alfa-1 adrenérgico irá causar vasoconstrição), a hemorragias, a reações medicamentosas e ao choque cardiocirculatório • Usada para aumento da RVP e da PA Derivados imidazólicos (uso tópico) • Oximetazolina • Nafazolina • Nenhuma dessas sofre ação da MAO e COMT então efeito duradouro • Descongestionantes típicos, vasoconstrição prolongada, potencial em causar hipóxia da mucosa nasal, hiperemia reativa, rinite medicamentosa • Automedicação • Tem que tomar cuidado com crianças = gera alteração hemodinâmica. Giovanna Nina – Medicina Unicamp LX 2 Agonistas de adrenoceptores beta Isoproterenol (protótipo) • Em geral, as drogas agonistas beta não tem ação nenhuma em alfas • (vimos sobre ele na aula de farmacologia das catecolaminas) • Dobutamina (agonista preferencial beta 1) • Agonista preferencial beta 1 (preferencial, não seletivo! Percebeu que quando em concentrações elevadas de dobutamina, ela pode sim ativar alfa 1! Mesmo que seja mais potente em beta 1) • Logo, ação direta em adrenoceptores alfa 1 e beta 2 • 10x mais potente em beta, em relação aos demais adrenoceptores (mas para ser considerado beta seletivo tinha que ser 300x) • Pensando que beta 1 é mais miocárdio, essa droga é usada mais quando a pessoa tem insuficiência cardíaca, porque essa droga aumenta inotropismo (ela não tem um resultado muito grande em cronotropismo, então não usa muito em bradicardia) • Uso rotineiro em UTI • Aumenta débito cardíaco (lembrando que DC = Força X frequência; inotropismo positivo = aumento da força de contração cardíaca) • Usado em indivíduos em sepse = porque tem insuficiência cardíaca EXERCÍCIO 1: Resolução: Um paciente com DC baixo que toma propranolol (beta bloqueador não seletivo) tomou dobutamina = não vai aumentar o DC porque a dobutamina não vai conseguir se ligar a beta 1, já que os receptores beta tão bloqueados, o DC não vai ser alterado. Mas a RVP vai aumentar, porque como dobutamina não se liga a beta 1, vai se ligar a alfa 1 (alternativa C). Agonistas seletivos B2-adrenérgicos: • Os broncodilatadores mais potentes (principalmente em casos de asma e DPOC) • Uso principalmente por inalação (para agir direto no pulmão, para não vazar para circulação sistêmica) Giovanna Nina – Medicina Unicamp LX 3 • Associação com corticoide inalado (o pilar terapêutico da asma é broncodilatador + anti- inflamatório (corticoide) • São divididos em 3 classes: (o que diferencia é a duração da broncodilatação, e não a potência em si): • Ação curta (SABA): fenoterol, salbutamol, terbutalina, procaterol • Ação prolongada (LABA): formoterol, salmeterol • Ação ultralonga (VLABA): indacaterol, olodaterol, vilanterol • Efeitos adversos: ativação do adrenoceptor Beta 2 extrapulmonar: • Quando usado por via inalatória tem efeitos adversos bem mais discretos (taquicardia, arritmias, tremores) • Quando usado por via oral: taquicardia (porque ativa beta 1 e beta 2 cardíacos + soma à taquicardia reflexa porque beta 2 já estava causando vasodilatação), sobredose pode gerar taquiarritmias, tremores (porque estimula beta 2 na musculatura esquelética) Mirabegrona (agonista seletivo beta 3 adrenérgico): • Usado para tratamento da síndrome da bexiga hiperativa e incontinência urinária (aumenta a capacidade da bexiga) Efedrina (agonista de ação mista) Giovanna Nina – Medicina Unicamp LX 4 Anfetamina (agente de ação indireta) • Molécula sem hidroxila nos anéis aromáticos: não é metabolizada pela COMT, além disso lipofílica = consegue atravessar a barreira hematoencefálica, então tem mais efeitos no sistema nervoso central “efeito estimulante central” • Foram desenvolvidas como efedrina, mas hoje são drogas diferentes • Capacidade de desenvolver dependência física e tolerância • Efeitos simpatomiméticos periféricos na maioria dos órgãos • Em uso clínico: ritalina (para tratamento de TDAH), anorexígenos (hoje acho que proibidos) • Uso recreativo (metanfetamina, ecstasy) Giovanna Nina – Medicina Unicamp LX 5 Antagonistas adrenérgicos (alfa 1) Vamos focar nos antagonistas alfa 1 adrenérgicos • O alfa 1 está densamente localizado nos leitos vasculares (arteriais, venosos etc) • Quando alfa 1 é ativado, quer pelas catecolaminas endógenas (tanto A quando NA tem alta afinidade por alfa1) ou por exógenas (como fenilefrina) = vasoconstrição, elevando a RVP • Então antagonista alfa 1 = utilizado para diminuição da RVP, ou seja, usados em especial como anti-hipertensivos (hoje sabemos que existem medicamentos melhores, mas ainda muito utilizados) • Também usado como tratamento para HPB (hiperplasia benigna da próstata) • Os 3 antagonistas alfa 1 mais usados: • Prazosina • Doxazosina • Terazosina • Antes desses 3 usaram muito o fenoxbenzamina e fentolamina • Esses 2 são antagonistas duplo, não são seletivo o alfa1, eles bloqueiam alfa 1 e alfa 2, o que não é interessante para apenas hipertensão • Fentolamina ainda é usado para disfunção erétil • Tansulosina é pouco usado, inclusive é estranho se ver sendo usado para hipertensão • Tem grau de seletividade para subtipo 1 A dentre as alfas 1 EXPERIMENTO: • Voce aplicou a fenilefrina (que é agonista alfa 1) = faz pico de hipertensão, já que alfa 1 é vasoconstritor • Depois coloquei um bloqueio alfa 1 adrenérgico = então vai bloquear e aí a pressão abaixa de volta • Deixa de fazer vasoconstrição • Mas depois, se eu colocar fenilefrina novamente = não vai acontecer nada com a pressão, porque to com o bloqueador o mesmo experimento com noradrenalina: • Faz pico de pressão (NA se liga aos receptores alfa 1, vasoconstrição), mas volta mais rápido, tanto por ser metabolizada, mas principalmente por NET que recapta • Depois coloca bloqueador alfa • Então não vai elevar a RVP • Mas o beta 1 cardíaco está livre: então quando aplicar NA, o débito cardíaco vai elevar = se elevar o débito cardíaco, então a pressão vai aumentar (mesmo que não aumente a RVP) • Mas obviamente esse pico de pressão é menor do que o anterior O mesmo experimento com adrenalina:• Também faz pico de pressão (vasoconstrição pelos receptores alfa 1) • Coloca bloqueador com alfa Giovanna Nina – Medicina Unicamp LX 6 • Um detalhe da adrenalina: afinidade com beta 2, o que a noradrenalina não tinha • Então alfa 1 está bloqueada, então o que o adrenalina ve na sua frente é alfa 2 e beta 2 • Alfa 2 = vai elevar débito cardíaco (que é o que a noradrenalina fazia) • Beta 2 = vai fazer vasodilatação • No caso, os efeitos no leito vascular predominam: a vasodilatação predomina = pode acontecer então de ter queda na pressão = hipotensão Quais os usos dos antagonistas alfa 1 adrenérgicos? • Para tratamento da hipertensão arterial • Tratamento da hiperplasia benigna da próstata • Tratamento do neuroblastoma / feocromocitoma • Hiperreflexia autonômica em indivíduos com lesão medular (descarga em massa de catecolaminas) • Vimos os 3 mais usados • Prazosina = quase exclusivamente anti- hipertensiva • Antagonista reversível e seletivo para adrenoceptores alfa 1 (passa um tempo e para de bloquear, não é irreversível) • Mas não discrimina os subtipos: bloqueia igualmente alfa 1 A, 1B, 1D • Inibição da vasoconstrição pelas catecolaminas endógenas • Queda da RVP • Portanto, queda de pressão arterial • Lembrando que não interfere em frequência cardíaca (quem faz isso é beta 1) • Mas se o antagonista acabar gerando uma vasodilatação exagerada = ao nível do coração, pode gerar uma taquicardia reflexa (era o caso das 2 drogas antigamente utilizadas). Se for um paciente idoso e cardiopata é ruim. Também pode dar hipotensão postural leve. • Bloqueiam seletivamente alfa 1, deixando beta 2 livre para dilatar o quanto for o caso, então não devem interferir na vasodilatação • As outras 2 para hipertensão + hiperplasia prostática: • Prazosina, cloridrato • Minipress = nome comercial • Para hipertensão primária • Meia vida de 2 a 6 hrs = ruim, porque aí tem que tomar 3x ao dia (se idoso = ruim) • Eventualmente pode gerar hipotensão postural ou ortostática (quando levanta = o idoso acorda de noite para ir ao banheiro, gera hipotensão, cai, quebra bacia) • Tem estudos que diz que prazosina melhora o perfil lipídico, mas não é uma droga usada para isso, só é conveniente se o paciente tem colesterol alto, diabetes • Pode ser utilizado isoladamente ou combinado com outras drogas • as 3 tem o duplo anel benzênico • vimos que os últimos 2 são usados para HBP ou HPB Giovanna Nina – Medicina Unicamp LX 7 • no homem mais velho é uma hiperplasia que acontece normalmente, benigna • o normal é a próstata não fazer pressão sobre a uretra, então elimina a urina fácil • mas o que acontece com o homem: próstata começa a crescer com a idade, então começa a pressionar a uretra, impedindo o homem de eliminar facilmente a urina, essa obstrução crônica gera os “sintomas do trato urinário inferior”, diminui o calibre da uretra, dificultando a passagem de urina • jato urinário fraco • demora para iniciar a micção • necessidade frequente de urinar a noite, acorda a noite inteira • presença de sangue na urina, pelo esforço de urinar • urgência de urinar, vontade repentina • pode dar infecção urinária • então a HBP é consequência de 2 fatores: • aumento da massa prostática (fazendo compressão na uretra) • a próstata tem muito músculo liso = se aumentou de tamanho = maior área com receptores para alfa 1 • inicialmente o médico vai recomendar inibidores 5-alfaredutase (efeito final lento, demora uns 6 meses para ver se melhora, é a enzima que converte testosterona em DII acho). E depois o antagonista alfa 1. Pode usar a monoterapia (1 dos 2 medicamentos) ou os 2 combinados • se não funcionar = precisa fazer ressecção prostática cirúrgica (RTU = ressenção transuretral da próstata) • muitas vezes gera ejaculação retrógrada (joga para dentro do corpo) • Terazosina • derivada da prazosina • também não é específico para subtipos, bloqueia igualmente alfa 1A, 1B, 1D • meia vida de 12h (melhor que prasozina) • 18h de duração de efeito = vai precisar tomar 1X ao dia • Também usada para hipertensão + HPB • Alguns estudos mostram que reduzem o componente dinâmico da HPB. Mas outros mostram que a droga inibe a proliferação celular e induz a apoptose das musculatura lisa (ou seja, impacto da droga no componente da massa no HPB, porém tudo isso foi estudo in vitro, não no humano) • Doxazosina • Também bloqueiam igualmente os três subtipos • meia vida de 20hrs • duração de efeito de 36hrs, certamente apenas 1X ao dia • cardura = nome comercial • também para hipertensão arterial e HPB • Tansulosina • Família de drogas que bloqueia seletivamente subtipo alfa 1 A (o que está em grande quantidade no tecido prostático!) • Então droga usada essencialmente para tratar HPB • Não é usada como anti-hipertensivo!! Não tem muito efeito na pressão • Farmacocinética ruim = a meia vida é só de 5 a 10 hrs Giovanna Nina – Medicina Unicamp LX 8 Por bloquear esse subtipo = pode causar distúrbio de ejaculação, em especial ejaculação retrógrada (em vez do esperma ser ejaculado para fora, ele volta para a bexiga urinária) Agonistas adrenérgicos (alfa 2) • Clonidina • Foi muito usada, reduz pressão, mas não deveria ser usada mais • Foi desenhada como descongestionante nasal, para pingar, por efeito vasoconstrição que tem • Mas viu que a pessoa ficava com hipotensão, bradicardia e sonolento = viu que ela tinha um efeito central • Então passo a usar com anti-hipertensivo, foi muito usado para isso, mas hoje não mais • Chegou a ser usada para glaucoma, para reduzir pressão no globo ocular • Metildopa • Anti-hipertensivo de ação predominantemente central • É uma pró-droga (ela é transformada biologicamente) • Quando a droga chega nos neurônios simpáticos do SNC, a enzima que transformava DOPA em Dopamina (na via das catecolaminas) reconhece a droga e transforma alfa-metildopa em alfa-metil- dopamina. Se antes a dopamina virava noradrenalina, agora então, a alfa-metil- dopamina vira alfa-metil-noradrenalina. A alfa-metil-noradrenalina então causa efeito anti-hipertensivo • Como se incorporada à via • Ainda tem inconclusões, mas acredita que a alfa-metil-noradrenalina é anti- hipertensiva por ser agonista alfa 2, tendo influência no organismo inteiro, mas em especial em nível de SNC • Usada para tratamento da hipertensão gestacional • Por que se usa uma droga tão antiga se hoje temos anti-hipertensivos melhores? • Porque o tempo de uso mostrou que ela não acarreta risco nem para mãe nem para o feto = diminui risco de aborto, ausência de efeitos adversos para feto • O fato de ser droga muito antiga permitiu observar isso • Claro que se não estiver sendo efetiva, aí usa outras drogas • Efeitos colaterais: sedação transitória, boca seca, bradicardia, anemia (mas nenhum efeito significante suficiente para a mãe parar de usar na gestação) Giovanna Nina – Medicina Unicamp LX 9 • Apraclonidina e brimonidina • São derivados da clonidina usado para glaucoma, mas não é a primeira opção de tratamento • Glaucoma é pressão intraarterial, precisa ser tratado para não evoluir para cegueira! • Apraclonidina: uso tópico não sai para cair no sangue. Mas a brimonidina sai do local sim, e aí pode afetar a pressão arterial, ir para SNC, mas se isso tá sendo efetivo para glaucoma não é suficiente para interromper o tratamento • A 1 não atravessa a barreira hematoencefálica mas a 2 sim (apesar de que pouco atravessa) RESUMO DO USO CLÍNICO DE AGONISTAS E ANTAGONISTAS SIMPÁTICOS: