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Antipsicóticos PSICOSE → É uma síndrome, conjunto de sintomas no qual a capacidade mental, resposta afetiva, a capacidade de reconhecer a realidade, de se comunicar e de se relacionar com outras pessoas estão prejudicados → Presença de delírios e alucinações • DELÍRIOS: Falsas interpretações de percepções e experiências, crença errada mantida com grande convicção • ALUCINAÇÕES: Modalidade sensorial (auditiva, visual, olfativa, gustatória e tátil) Transtornos nos quais a psicose é acha característica definidora → Esquizofrenia → Transtorno psicótico induzido por drogas (anfetaminas) → Transtorno psicótico breve (delírios) Transtornos nos quais a psicose é acha característica associada → Mania (elevação anormal do humor- euforia) → Depressão: com componente maníaco (devem ser administrados antidepressivos + antipsicóticos) → Transtornos cognitivos → Demência de Alzheimer → Primeiro episódio em adolescentes ou adultos jovens – não é doença de idosos → Afeta em torno de 1% da população → 25 a 50% dos esquizofrênicos tentam suicídio → Expectativa de vida 30 anos mais curta → Incidência possui um caráter genético → Causa desconhecida → Doença crônica → Demência precoce → Controlável pois existe tratamento, porém não tem cura Objetivos terapêuticos • Controlar sintomas associados • Abolir sintomas psicóticos • Prevenção de surtos • Tratar sintomas negativos Critério diagnóstico para a esquizofrenia → Segundo o DSM-IV • Deve durar, no mínimo, seis meses ou mais • Nesse período, deve ocorrer pelo menos um mês de delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento desorganizado ou catatônico (paralisação) Sintomas → Sintomas positivos: excesso das funções normais (excesso atividade dopaminérgica) • Delírios, alucinações, exageros na fala, na comunicação, comportamento e agitação → Sintomas negativos: redução das funções normais (redução atividade dopaminérgica) • Pobreza de relacionamento, passividade, atenção prejudicada, problemas na produção do pensamento e ausência de prazer (anedonia), ausência de desejo (abulia), embotamento afetivo • Sintomas Cognitivos: distúrbios de pensamento e uso estranho da linguagem • Sintomas Agressivos: problemas no controle de impulsos (abusos verbais, físicos e ataques à outros indivíduos, automutilação e suicídio) • Sintomas Depressivos e Ansiosos: culpa, tensão, irritabilidade e preocupação Causas da esquizofrenia → Base biológica permanece desconhecida → Mas é comprovado que o neurotransmissor dopamina é papel-chave → Serotonina também pode contribuir para a doença • Tirosina: obtida na dieta • L-DOPA: precursor para dopamina • A dopamina é armazenada em uma vesícula através de um transportador vesicular • MAC: degrada dopamina • Receptores dopaminérgicos ou autorreceptores 4 VIAS DOPAMINÉRGICAS ESSENCIAIS Via dopaminérgica nigroestriatal → Nasce no tronco e se projeta da substância negra para os gânglios da base e estriado (controla funções motoras e movimento) → Diminuição da dopamina: transtornos de movimentos, como rigidez, tremor, lentidão, falta de movimentos ou movimentos retorcidos (efeitos colateraisextrapiramidais) → Sintomas do parkinson (extrapiramidais) Via dopaminérgica mesolímbica → Via alterada na esquizofrenia → Nasce na área tegumental ventral do tronco (ATV) e se projeta no sistema límbico (nucleus accumbens) → Sistema límbico: comportamento emocional, alucinações, delírios e distúrbios do pensamento, relacionada a sensações prazerosas, euforia de drogas de abuso → Aumento da dopamina: sintomas positivos psicóticos Via dopaminérgica mesocortical → Via alterada na esquizofrenia → Nasce na ATV e se projeta para 2 áreas: Dorsolateral (DLPFC) e Ventromedial (VMPFC) → Baixa da dopamina: sintomas negativos (ausência de prazer, ausência de desejo) e cognitivos, atenção prejudicada Via dopaminérgica tuberoinfundibular → Não está alterada na esquizofrenia → Nasce no hipotálamo e faz projeções para a hipófise anterior e controla a secreção de prolactina → Dopamina faz controle inibitório da prolactina → Hiperprolactinemia: Funcionamento anormal (↓ níveis Dopamina – ↑ níveis de prolactina): secreções de mama (galactorreia), menstruações irregulares, ginecomastia e disfunção sexual Fármacos Antipsicóticos → Desenvolvido na década de 1950: Clorpromazina – Efeitos Antipsicóticos → Ocorrência de Neurolepsia: lentificação ou ausência de movimentos motores, ausência emocional e indiferença afetiva neurolépticos → Antagonistas dopaminérgicos Hipótese dopaminérgica mesolímbica para sintomas positivos esquizofrenia • Importante papel no comportamento emocional, alucinações, delírios e distúrbios do pensamento • Aumento de dopamina no nucleus accumbens • Hiperatividade mesolimbica: sintomas positivos na esquizofrenia ANTIPSICÓTICOS TÍPICOS AINDA EM USO: → CLORPROMAZINA (Amplictil®) • 25 mg/3 a 4 vezes ao dia (1600 mg/dia) • Psicoses agudos, ou no controle de psicoses de longa evolução. → FLUFENAZINA (Flufenan®) • 2,5 a 10mg/3x/dia • Controle das desordens psicóticas, monitoramento da esquizofrenia, estados maníacos e outras psicoses → HALOPERIDOL (Haldol®) • 0,5 a 2 mg, 2 a 3 x/dia Manutenção: 1 e 15mg/dia • Delírios e alucinações na esquizofrenia aguda e crônica → PIMOZIDA (Orap®)• 2 a 4 mg/dia (20mg) • Alivia distúrbios que afetam pensamentos, sentimentos ou comportamento. → SULPIRIDA (Dogmatil®) • 400 a 600mg, 2x/dia (1200mg) • Doenças mentais e no tratamento da esquizofrenia → TIORIDAZINA (Melleril®) • 100 a 600mg/dia (800mg) • Esquizofrenia crônica ou exacerbações agudas não responsivas ao tratamento com outros fármacos MECANISMO DE AÇÃO DOS ANTIPSICÓTICOS CONVENCIONAIS → Neurolépticos: Bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2 Estimulação via dopaminérgica na esquizofrenia não tratada Via Mesolímbica → Se há o excesso de dopamina na região mesolímbica → sintomas positivos → Fármacos bloqueiam os receptores no nucleus accumbens → dopamina não se liga → não modula sua resposta → queda da dopamina → A desvantagem é que como há receptores D2 por todo corpo, ele iria se ligar em todos → mais efeitos colaterais Via Mesocortical → Essa área já não possui dopamina → sintomas negativos → fármaco ainda bloqueia os receptores → diminui mais ainda a quantidade de dopamina → Aumento dos sintomas negativos Via Nigroestriatal → Fármaco antagonista D2 → bloqueia o estriado → corpo entende que não tem dopamina (fármaco bloqueando) → Automaticamente, não vão ser controlado os movimentos (precisam de dopamina) → Sintomas extrapiramidais (tremor, rigidez, ausência de movimento, etc) → Parkinson medicamentoso Via Tuberoinfundibular → Dopamina faz um controle inibitório da prolactina → fármaco bloqueia o receptor D2 → perde o controle da dopamina sob a prolactina → aumenta prolactina (hiperprolactinemia) Mecanismo de ação dos Antipsicóticos Convencionais EFEITOS ADVERSOS → Sintomas extrapiramidais • Acatisia: impossibilidade de estar parado (inquietação, ansiedade, agitação) • Tremor • Rigidez • Parkinson Farmacológico • Distonia Aguda: contração que afeta de modo regular um ou vários músculos TRATAMENTO → Ajuste da dose → Fármacos anticolinérgicos como a Benzotropina ou Biperideno → Uso de benzodiazepínicos como o Clonazepam – sedação → Fármacos anticolinérgicos como a Benzotropina ou Biperideno – bloqueio de acetilcolina (obrigatoriamente prescrito junto com esse tipo de fármaco) • Falta de dopamina no estriado → perda do controle dos movimento • Fisiologicamente, há um balanço da dopamina sobre a acetilcolina (regulação do movimento) • Dopamina inibe a liberação de acetilcolina (muita dopamina = pouca acetilcolina) • A dopamina se liga em receptores D2 presentes no interneurônio colinérgico → inibe a liberação de acetilcolina. • Uso do antipsicótico, bloqueia receptores D2 e aumenta a liberação de acetilcolina no estriado, prejudicial para o movimento (agrava transtornos de movimento) • O médico sabendo disso, prescreve o anticolinérgico que bloqueará os receptores no estriado Outros efeitos colaterais FARMACOCINÉTICA → Via Oral (tratamento crônico) e Intra Muscular (agudamente psicóticos) → Altamente lipofílico (hidrossolúvel) → Efeitos biológicos de doses únicas persistem por pelo menos 24h (dosagem 1x/dia) → Liga-se altamente as proteínas plasmáticas (albumina) que segura o fármaco no sangue, por isso a ação/biodisponibilidade alta → Extenso metabolismo pela CYP (fase I) e glicuronidação (fase II) → Excretados na urina como metabólito inativo → Não são inibidores importantes das enzimas CYP – não vão influenciar em outros fármacos, porém são influenciados → Exceções: Clorpromazina e Tioridazina inibem a CYP2D6 → Meia vida plasmática de vários AP é alterada por indução ou inibição de CYP hepática O QUE TORNA UM ANTIPSICÓTICO ATÍPICO? → A dúvida farmacológica aqui é o que fazer quando se deseja diminuir a DA na via mesolímbica para tratar sintomas + e simultaneamente aumentar a DA da via mesocortical para tratar os sintomas negativos e cognitivos, deixando ainda inalterada a via nigroestriatal e tuberoinfundibular para evitar efeitos colaterais Antipsicóticos Atípicos → Bloqueio simultâneo de receptores dopaminérgicos D2 e serotoninérgicos 5-HT2A → Baixos índices de sintomas extrapiramidais e eficácia nos sintomas negativos → Melhora nos sintomas positivos CLOZAPINA (Leponex®) - Dose inicial: 12,5 mg, 2x/1 dia 25mg, 2x/2 dia 50mg - Até 300mg/dia OLANZAPINA (Zyprexa®) - 5 e 20 mg, Esquizofrenia 15 mg, Mania (ou episódios mistos) associada a transtorno bipolar RISPERIDONA (Risperdal®) - A dose inicial recomendada é de 2 mg/dia, até 4mg QUETIAPINA (Seroquel®) - Dose inicial: 50mg/dia - Manutenção: 400 a 800 mg/dia. - Tratamento da esquizofrenia: monoterapia ou adjuvante nos episódios de mania associados ao TB, episódios de depressão associados ao TB, manutenção do TB (episódios maníaco, misto ou depressivo) em combinação com os estabilizadores de humor lítio e monoterapia na manutenção no TB ZIPRASIDONA (Geodon®) - Tratamento de esquizofrenia e TB - A dose inicial recomendada é de 40 mg duas vezes ao dia (160mg) ARIPIPRAZOL (Abilify®) - Tratamento de esquizofrenia e TB 10 mg/dia ou 15 mg/dia uma vez ao dia, 15 mg, 1vez ao dia monoterapia ou como terapia adjuntiva com lítio no TB RECEPTORES SEROTONINÉRGICA → Receptores 5HT1A e 5HT2A têm ações opostas na regulação da liberação de DA: • Quando a serotonina se liga no receptor 5HT2A é um freio dopaminérgico • Quando a serotonina se liga no receptor 5HT1A é um acelerador dopaminérgico → Observaram que a serotonina modulava a liberação de dopamina → receptor de serotonina está no neurônio de dopamina. → Receptores serotoninérgicos presentes no neurônio dopaminérgico = heteroreceptores (regula liberação de outro neurotransmissor) • Região Mesocortical: ↓ Dopamina • Região Mesolímbica: ↑ Dopamina – a preocupação era o aumento da dopamina na região mesocortical → Receptor 5HT2A é um freio dopaminérgico: Diminui liberação de dopamina e estimulaliberação de glutamato. • Quando a serotonina entrava no receptor 5HT2A em um neurônio dopaminérgico diminuía a dopamina. Teoria Serotoninérgica da Esquizofrenia - → Neurônio nasce no núcleo dorsal da rafe e projeta-se para o córtex (região mesocortical) → libera serotonina que interage com os receptores 5HT2A e inibe a liberação de dopamina (inibe receptor) → Administração de antipsicótico atípico (antagonista 5HT2A) → bloqueio serotoninérgico e dopaminérgico → antagonismo serotoninérgico reverte o antagonismo dopaminérgico → aumento da dopamina → Necessidade de diminuir a dopamina na região mesolímbica: melhorar os sintomas positivos → Quando há pouca dopamina liberada na região mesocortical → sintomas negativos. → Quando há muita dopamina liberada na região mesolímbica → sintomas positivos. → Região Mesocortical: Nos neurônios dopaminérgicos a serotonina se liga e diminui a dopamina → prejudicial (pois já tem pouca). O fármaco bloqueia o receptor de serotonina e aumenta dopamina → abolição dos sintomas negativos → Região mesolímbica: Nos neurônios glutamatérgicos a serotonina se liga e aumenta glutamato (excitatório) → estimula neurônios dopaminérgicos e aumenta dopamina → prejudicial. O fármaco bloqueia o receptor de serotonina, diminui glutamato e dopamina → melhora dos sintomas positivos Como antipsicótico atípico pode melhorar sintomas positivos? → Antagonista de R 5HT2A + R 5HT2A → aumenta liberação de DA e diminui a liberação de glutamato → 5-HT → liga R5HT2A → diminui a liberação de dopamina → Antagonista de R5HT2A → aumenta a liberação de dopamina → Fármaco: aumenta a liberação dopamina mesocortical → melhora sintomas negativos → 5-HT → liga R5HT2A neurônio glutamato → aumenta liberação de glutamato → Antagonista de R5HT2A → diminui a liberação glutamato → Diminui a estimulação da via dopamina para via mesolímbica → diminui dopamina → melhora sintomas positivos → 5-HT → liga R5HT2A → diminui a liberação de dopamina → Antagonista de R5HT2A → aumenta a liberação de dopamina → Aumenta a liberação dopamina nigroestriatal → melhora sintomas SEP → Dopamina tem controle negativo sobre prolactina, ou seja, ↑Dopamina ↓Prolactina → Serotonina tem controle positivo sobre a prolactina, ou seja, ↑ 5HT + R5HT2A ↑Prolactina → Fármaco antipsicótico típico bloqueia D2 → diminui a ação da dopamina e aumenta a prolactina – efeitos colaterais → Fármaco antipsicótico atípico bloqueia 5HT2A: diminui a liberação de prolactina