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1 CONCEITO Grupo de doenças metabólicas, com etiologias diversas, caracterizada por hiperglicemia, que resulta de uma secreção deficiente de insulina pela célula beta e/ou resistência periférica à ação da insulina. CLASSIFICAÇÃO I. Diabetes tipo 1 DM1a → autoimune. DM1b → idiopática. A DM1 é representante de cerca de 15% dos casos de DM, sendo dividida em 1a e 1b. Na DM1a, o indivíduo apresenta anticorpos positivos, como IAA, ICA e Anti-GAD. Na DM1b o individuo não tem anticorpos positivos. II. Diabetes tipo 2 III. LADA IV. Diabetes Flatbush ou DM2 com tendência à cetose V. MODY → diabetes por defeitos monogênicos VI. Defeitos genéticos na ação da insulina: • Diabetes lipoatrófico • Resistência insulínica tipo A • Leprechaunismo • Síndrome de Rabson-Mendehall VII. Doenças no pâncreas exócrino: • Pancreatite • Trauma • Neoplasia • Hemocromatose • Fibrose cística • Pancreatopatia fibrocalculosa VIII. Induzida por medicamentos ou produtos químicos: • Glicocorticoides O glicocorticoide é um hormônio contrarregulador (outros exemplos são: glucagon, GH, adrenalina, noradrenalina), ou seja, aumenta a glicose. O glicocorticoide diminui a passagem do GLUT-4, diminuindo a passagem do glicose, principalmente Pós- prandial. • Tiazídicos Hidroclorotiazida, Indapamida e clortalidona. • Inibidores de protease • Pentamidina Diminui a secreção de insulina pela célula Beta. • Ácido nicotínico • Agonistas B-adrenérgicos Fenoterol, Formoterol, Salbutamol e salmeterol. • Diazóxido Tratamento do insulinoma. Ação apoptótica da célula beta. • Estatinas Estatinas de alta potência – meia vida longa – atorvastatina (40mg) e rosuvastatina* (20mg) Estatinas de baixa potência – meia-vida curta. Administrar após o jantar – sinvastatina e Pitavastatina*. Quanto maior a potência da estatina, maior seu poder diabetogênico. Importante lembrar que se o paciente tem necessidade da medicação, ela dever ser feita, e os possíveis efeitos colaterais são tratados com medicação. • L-asparaginase • Ciclosporina A • Alfa-interferon • Fenitoína Anticonvulsivante pode gerar aumento na resistência insulínica. • Vacor • Hormônios tireoidianos • Antipsicóticos atípicos Quetiapina, olanzapina. IX. Diabetes pós transplante X. Endocrinopatias: • Síndrome de Cushing Aumento do cortisol. • Acromegalia Aumento do GH. • Glucagonoma • Hipertireoidismo • Somatostatinoma • Aldosteronoma Tumor produtor de aldosterona localizado na adrenal. • Feocromocitoma Produtor de catecolaminas – adrenalina e noradrenalina. DIABETES MELLITUS – CONCEITOS E CLASSIFICAÇÃO 2 PATOGÊNESE 90% dos casos de DM1 são imunomediados, então temos um paciente com pré-disposição genética e que passa por um desencadeante ambiental, em que geralmente são infecções, como: COVID, citomegalovírus, rubéola congênita... A partir disso, através de uma resposta imunomediada, via TCD4, CD8, há uma apoptose da célula Beta. Conforme o indivíduo vai seguindo a apoptose, ele vai passando pelo estágio de pré- diabetes até o início clínico. Sabendo disso, o tratamento do paciente com DM1 é a insulina, levando em consideração que não há a sua produção. Na clínica, são dosados anticorpos contra a célula beta, são eles: • ICA – anticorpo anticitoplasma das ilhotas • IAA – anticorpos anti-insulina • Anti-GAD – anticorpo antidescarboxilase do ácido glutâmico o Anti-IA2 – anticorpo antitirosina fostatase associada ao insulinoma o Anti-ZnT8 – anticorpo antiproteina transportadora-8 de zinco IMPORTANTE: Desses, o ICA, IAA e Anti-GAD são os mais utilizados na prática clínica e o Anti-GAD é o anticorpo que permanece mais tempo na corrente sanguínea e que mais positiva. IMPORTANTE: Caso o paciente já tenha entrado em contato com insulina, o IAA pode ser falso positivo, então não dosar. FATORES SUPOSTAMENTE ENVOLVIDOS NA PATOGÊNESE DO DM1 I. Genéticos: o Genes HLA (cromossomo 6) o Gene da insulina (cromossomo 11) o Gene do CTLA-4 (cromossomo 2) o PTPN22 (mais associado ao diabetes neonatal) II. Ambientais: o Infecções virais – enteroviroses, rubéola congênita, outros vírus, como COVID e CMV. o Fatores ambientais, como exposição precoce ao leite de vaca e ao trigo. o Deficiência de vitamina D – visto apenas em um estudo observacional. o Alterações na microbiota intestinal. LADA – LATENT AUTOIMMUNE DIABETES OF ADULTS É a forma mais comum de DM autoimune. Os pacientes com LADA podem compartilhar aspectos genéticos do DM1 e DM2. O LADA se manifesta geralmente entre 30-50 anos. Seu principal diagnóstico diferencial é a DM2. Como distinguir? Presença de Anti-GAD e ICA, além de valores baixos de peptídeo C. Prevalência entre paciente classificados com DM2 é de 4 a 14%. Esse tipo de indivíduo é aquele que tem as células beta sendo destruídas de forma mais branda. Geralmente há a confusão de que é DM2, é feito o tratamento para DM2 e por um período da certo, mas evolui necessitando de insulinoterapia. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA LADA o Idade de diagnóstico > 30 anos o Anticorpos positivos o Ausência de necessidade de insulina por pelo menos 6 meses após o diagnóstico PEPTÍDEO C O peptídeo C avalia a capacidade secretória do pâncreas, sendo secretado na circulação porta em DIABETES MELLITUS – DIABETES DO TIPO 1 3 concentrações equimolares com a insulina, ambos originados da clivagem da proinsulina Os pontos de corte para uma boa secreção de peptídeo C são: ➢ > 0,9 ng/ml no basal. ➢ > 1,8 ng/ml pós-glucagon. Valores inferiores confirmam o diagnóstico de DM1. Ademais, a SBD dita que em caso de dúvida diagnóstica quanto a classificação, deve-se adotar: ➢ < 0,6 ng/ml → DM1 tipo B ➢ > 0,6 ng/ml → Considerar DM 2 ou MODY A dosagem do peptídeo C deve ser efetuada com o diabetes razoavelmente controlado, na ausência de hipoglicemias ou glicemias acima de 200 mg/dl. Deve ser realizada de preferência, fora do jejum, em qualquer horário do dia. MODY É uma DM familiar com surgimento precoce e transmissão autossômica dominante, associado a defeitos na secreção de insulina. Tipicamente se manifesta na infância, adolescência ou em adultos jovens <25 anos. São conhecidos 14 subtipos de MODY, secundários a mutações em 14 diferentes genes. Os MODY 1, 2 e 3 tem prevalência de cerca de 85% dos casos. IMPORTANTE: o MODY 2 é responsável por uma leve hiperglicemia e não necessita ser tratado com insulinoterapia, mas sim com secretagogos. Sua idade de manifestação é na infância, o defeito primário atinge pâncreas e fígado e em geral não tem risco de dano cardiovascular. QUANDO SUSPEITAR DE MODY? o Quadro de hiperglicemia em pacientes <25 anos. o DM surgindo na família antes dos 25 anos em 2 ou 3 gerações. o Autoanticorpos negativos. o PPC > 0,6 mg/dl após 5 anos do diagnóstico. DIABETES GESTACIONAL A diabetes gestacional é qualquer grau de intolerância à glicose, com surgimento durante a gravidez. É a complicação clínica mais comum na gravidez Em geral, surgem entre a 24ª e 28ª semanas de gestação, pelo pico do hormônio lactogênio placentário, que causa hiperglicemia. A DM gestacional implica em elevado risco para complicações maternas e fetais. 4 GLUCAGONOMA O Glucagonoma é um tumor produtor de glucagon que pode culminar no desenvolvimento da DM. Suas 3 características principais são: • Hiperglicemia • Anemia • Eritema necrolítico migratório A diabetes mellitus tipo 2 decorre de defeitos metabólicos, dentre os principais temos: Resistência periférica à insulina no músculo e tecido adiposo. Secreção de insulina diminuída. Aumento da produção hepática de glicose. PATOGÊNESE Em relação ao mecanismo fisiopatológico da DM, a condição está centrada principalmentena resistência à ação da insulina nos músculos e fígado, além da alteração na secreção de insulina através das células beta das ilhas pancreáticas de Langerhans. A evolução da doença pode levar à apoptose das células beta e lipotoxicidade e ACANTOSE NIGRICANS A acantose nigricans é um sinal clássico no paciente com resistência insulínica. Isso ocorre pois na resistência insulínica há um aumento nos queratinócitos, aumentando a produção de colágeno. glicotoxicidade sobre as células restantes, além da resistência delas à ação do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1). Adicionalmente a DM também leva ao aumento do glucagon e da sensibilidade hepática a ele, gerando produção maior de glicose. Pode ser observado também mecanismo renal através da maior reabsorção de glicose pelos cotransportadores tipo 2 de sódio-glicose (SGLT2), levando ao aumento do limiar renal de glicose, o que contribui para a hiperglicemia. O processo inflamatório subclínico que a DM deflagra associado à resistência vascular contra a ação vasodilatadora da insulina compromete a distribuição da glicose pelo organismo, além de interferir na resposta à insulina em tecidos e órgãos. DIABETES MELLITUS – DIABETES DO TIPO 2 5 Também é verificada resistência à ação inibidora do apetite exercida pela leptina, insulina, GLP-1, peptídeo YY, amilina, além do aumento da serotonina e redução da dopamina no sistema nervoso central (SNC), que acabam levando ao consumo exagerado de alimentos, gerando aumento de peso e gordura corporal, contribuindo ainda mais para a resistência insulínica. OCTETO DE DEFRONZO Para a visualização da fisiopatologia da DM2, foi desenvolvido o Octeto de DeFronzo, que demonstra de forma simples os diversos mecanismos que contribuem para a hiperglicemia do paciente diabético: Para a ativação das vias insulínicas, o meio fisiológico é o da tirosina quinase. No indivíduo com DM, a via da serina é a ativada e isso tem repercussões maléficas. Tirosina quinase → O receptor de insulina pertence a uma família de receptores de fatores de crescimento que têm atividade tirosina quinase intrínseca. Após a ligação da insulina o receptor sofre autofosforilação em múltiplos resíduos de tirosina. Isto resulta na ativação da quinase do receptor e consequente fosforilação em tirosina de um a família de substratos do receptor de insulina (IRS). De forma similar a outros fatores de crescimento, a insulina usa fosforilação e interações proteína-proteína como ferramentas essenciais para transmitir o sinal. Estas interações proteína- proteína são fundamentais para transmitir o sinal do receptor em direção ao efeito celular final, tais como translocação de vesículas contendo transportadores de glicose (GLUT4) do pool intracelular para a membrana plasmática, ativação da síntese de glicogênio e de proteínas, e transcrição de genes específicos. Serina → O receptor de insulina, além de ser fosforilado em tirosina, também pode ser fosforilado em serina, o que atenua a transmissão do sinal através da diminuição da capacidade do receptor em se fosforilar em tirosina após estímulo com insulina. Essas fosforilações inibitórias causam feedback negativo na sinalização insulínica e podem provocar resistência à insulina. Estudos recentes indicam que a resistência à insulina induzida pela obesidade pode ser decorrente da ativação sequencial da proteína quinase C (PKC) e da quinase inibidora do fator nuclear kB (IKkB), entretanto os detalhes dessa via de sinalização ainda não são claros. DIFERENÇAS ENTRE DM1 E DM2 A 1ª coluna remete o DM1e a 2ª o DM2. DM TIPO 2 COM TENDÊNCIA À CETOSE – DIABETES FLATBUSH Maior prevalência em negros, hispânicos e obesos na apresentação inicial sem fator precipitante. Evoluem de modo atípico, e dentro de poucos meses a insulinoterapia pode ser interrompida, e os pacientes tratados com hipoglicemiantes orais ou apenas MEV. Os indivíduos tem a pesquisa dos autoanticorpos negativa, porém antígenos HLA classe II DRB 1*04 podem estar presentes. 6 Para confirmação diagnóstica, o indivíduo deve apresentar: Glicemia ao acaso (aferição por sangue venoso sem jejum) MAIOR OU IGUAL à 200 mg/dl + sintomas clássicos de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, polifagia e perda ponderal) obrigatoriamente. Ou Deve apresentar DOIS dos resultados abaixo: • Hemoglobina glicada (HbA1C/ A1C) → maior ou igual a 6,5%. • Glicemia de jejum (GJ) → maior ou igual a 126 mg/dl. (08-12h de jejum, média de 10h). • Teste oral de tolerância à glicose – TOTG → maior ou igual a 200 mg/dl. Em casos de 1 resultado para diabetes e outro não, o teste deve ser repetido (pode ser o mesmo teste. Ex. GJ de 128 e HbA1C de 5,6%, apenas a GJ fala a favor de DM e ela pode ser dosada novamente, se na segunda dosagem, GJ for de 130, por exemplo, o diagnóstico de diabetes mellitus é confirmado). PARA DIAGNÓSTICO DE PRÉ-DIABETES • GJ – Entre 100 e 125 mg/dl. • TOTG – Entre 140 e 199 mg/dl. • HbA1C – Entre 5,7 e 6,4%. HEMOGLOBINA GLICADA E SEUS DESFECHOS NO DM Sabe-se que a hemoglobina glicada tem grande parte nos desfechos do DM e de suas complicações crônicas, principalmente as microvasculares. Sabe-se que quanto maior a hemoglobina glicada, maior a glicemia média do paciente, segundo o american diabetes association. Sabe-se também, que quanto maior a hemoglobina glicada, maiores as chances de desenvolver retinopatia, neuropatia, nefropatia e microalbuminúria. Os desfechos macrovasculares também estão associados ao nível de hemoglobina glicada, onde quanto maior for, maiores as chances de doença cardiovascular e doença cardíaca isquêmica. INTERPRETANDO A HEMOGLOBINA GLICADA Em alguns casos, a hemoglobina glicada pode ser falso elevada ou falso baixada. FALSA ELEVAÇÃO DE HBA1C • Insuficiência renal crônica • Hipertrigliceridemia • Álcool • Esplenectomia • Deficiência de ferro • Toxicidade por chumbo • Toxicidade por opiáceos FALSA DIMINUIÇÃO DE HBAIC • Condições que diminuam a meia-vida das hemácias – anemia hemolítica, esferocitose, eliptocitose, lise desencadeada por deficiência de G6PD. • Perda de sangue • Transfusão de sangue recente • Gravidez ou parto recente • Altas doses de vitamina C ou E • Hemoglobinopatias • Hemoglobina F • Dapsona A QUEM DEVEMOS SOLICITAR TESTES PARA RASTREAR DM2 IMPORTANTE: O teste para a paciente com SOP é o TOTG. A repetição dos exames de rastreio deve ter um intervalo de 3 anos. Intervalos mais curtos devem ser adotados em casos de ganho de peso acelerado ou mudança nos fatores de risco. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO DIABETES MELLITUS 7 No paciente pré-diabético o intervalo é de 1 ano entre exames de rastreio. METAS LABORATORIAIS PARA O DM 2 • HbA1C – menor do que 7% em adultos e entre 7,5 e 8,5% em idosos. • Glicemia jejum/pré-prandial – entre 80- 130mg/dl. • Glicemia pós-prandial – abaixo de 180mg/dl. O paciente tem hipoglicemia leve quando a glicemia está entre 55 e 69. O paciente tem hipoglicemia grave quando a glicemia está de 54 ou menos. A diabetes tipo 2 infantil é mais rara, mas quando acontece, trás mais risco para doenças cardiovasculares. O TRATAMENTO PARA DM2 CONSISTE EM: Redução da resistência insulínica: sensibilizadores • Metformina • Glitazonas Melhora na secreção insulínica: • Sulfoniureias • Inibidores da DPP-4 • Análogos do GLP-1 Aumento da glicosúria: • Inibidores do SGLT-2 Reposição de insulina: • Insulinas METFORMINA MECANISMO DE AÇÃO • Diminui a gliconeogênese e glicogenólise hepática. • Aumenta a captação e utilização da glicose intestinal, fazendo com que parte não precise ir ao sangue. • Aumenta secreção de GLP1• Aumenta a captação de glicose no músculo e tecido adiposo, além de diminuir a lipólise nos adipócitos. INFORMAÇÕES Sua dose vai de 500 mg – 2550mg, porém, a melhor dose em potência e menos efeitos adversos é de 2000mg. Os nomes comerciais mais comuns são: Glifage, Glifage XR. O uso do Glifage XR está associado a menos efeitos adversos. EFEITOS ADVERSOS, CONTRAINDICAÇÕES E RISCOS Os principais efeitos adversos são no TGI, como diarreia, náuseas e epigastralgia. Pode causar deficiência de B12 – dosar anualmente pós 4 anos. Seu principal risco é a acidose lática, que ocorre raramente. É contraindicada para pacientes com insuficiência renal ou hepática grave. Obs. Em monoterapia não produz hipoglicemia. COMO TOMAR 1ª semana → 1cp pós almoço + 1cp pós jantar. TRATAMENTO DO DIABETES MELLITUS TIPO 2 8 2ª semana → 1cp pós almoço + 2cp pós jantar. 3ª em diante → 2cp pós almoço + 2cp pós jantar. RESULTADOS Reduz a GJ em 60-70mg/dl. Reduz HbA1C em 1,5-2% Suas vantagens são: • Reduzir eventos cardiovasculares. • Prevenir a progressão DM2. • Melhora perfil lipídico. Tem influência neutra sobre o peso. MANEJO DA METFORMINA NA DOENÇA RENAL CRÔNICA Deve ser avaliado o clearence pela TFG do paciente e partir disso, alterar ou não o tratamento. Dita-se que: • Quando a TFG é de 45-60 – usar 2000mg. • Quando a TFG é de 30-45 – usar 1000mg - - 50%. • Quando a TFG é de <30 – seu uso não é recomendado. OUTRAS UTILIZAÇÕES • Pré-diabetes • DM Gestacional • SOP GLITAZONAS MECANISMO DE AÇÃO Diminuição da gliconeogênese e glicogenólise hepática. Ativação da PPAR, modificando a expressão/transcrição gênica → diminuindo lipólise, AGL, TNF-alfa, Leptina. Aumenta GLUT 1 e 4. As tiazolidinedionas tem um mecanismo de ação mais demorado (1 semana) por sua ação nuclear. INFORMAÇÕES Medicamentos: Pioglitazona – posologia: 15, 30 ou 45mg. 1x/dia. Nomes comerciais: Gliozac, Piotaz, Pioglit, Actos, Stanglit. Sua ação é o aumento da sensibilidade insulínica no músculo, adipócito e hepatócito. RESULTADOS Reduz a GJ em 35-65 ml/dl. Reduz a HbA1C em 0,5-1,4%. Suas vantagens são a prevenção do DM2, redução do espessamento mediointimal carotídeo, melhora no perfil lipídico, redução dos triglicérides, redução da gordura hepática e rara hipoglicemia. Seu uso aumenta o peso. EFEITOS COLATERAIS, CONTRAINDICAÇÕES E RISCOS Ganho de peso, retenção hídrica, maior risco de IC em pacientes propensos, risco de fraturas em idosos são alguns efeitos adversos. Contraindicado para pacientes com IC classes III e IV, gestantes e ALT 2,5x acima do valor da normalidade. Seu risco é de causar falência hepática. Sua dose inicial: Monoterapia: rosiglitazona 4mg 1x/dia, Pioglitazona 15-30mg 1x/dia, com alimento. OUTRAS UTILIZAÇÕES • Pré-diabetes • Esteatose hepática INIBIDORES DA ALFA-GLICOSIDADE Atua inibindo a enzima do TGI alfa-glicosidade, levando o retardo na absorção de carboidratos. Reduz GJ em 20-30. Reduz HbA1C em 0,5-0,8% Tem como vantagens a redução de eventos CV, prevenção de M2, redução do espessamento mediointimal carotídeo e melhora do perfil lipídico. Causa redução do peso. Seus efeitos colaterais são: flatulência, meteorismo e diarreia. 9 É contraindicado para pacientes com DII, doenças de má absorção intestinal e DRC grave. SULFONIURÉIAS MECANISMO DE AÇÃO São secretagogos, aumentando a secreção de insulina pela maior permeabilidade a entrada de cálcio na célula. As Sulfoniureias agem em receptores SUR. SUR 1 → Presente no pâncreas (célula B) → a glicazida e a glimeperida tem especificidade por esse receptor, causando menos hipoglicemia. SUR 2 → Músculo cardíaco. SUR 3 → Músculo liso. GLICAZIDA: Apresentação de 30 e 60mg. Fazer devagar até atingir a meta de 7%. Dose: 30 – 60 – 90 → a dose máxima é de 120mg, porém a potência se iguala a de 90mg e tem mais efeitos adversos, então usar 90 como máxima. Tem menor efeito hipoglicemiante, juntamente com a glimeperida. AJUSTE PARA FUNÇÃO RENAL NN → Não necessário. NR → Não recomendado. INFORMAÇÕES As Sulfoniureias aumentam o peso e podem causar hipoglicemia. São contraindicadas em casos de TFG<30ml/min, insuficiência hepática, DM insulino-necessitado, infecções graves e gestação. GLINIDAS MECANISMO DE AÇÃO Se liga ao receptor SUR na célula B e provoca despolarização, levando à liberação de insulina. INFORMAÇÕES Nome comercial e posologia: Repaglinida – prandin, posprand. → 0,5 – 16mg/dia – 3x/dia. Nateglinida – starlix. → 120-360mg/dia – 3x/dia. RESULTADOS Reduz GJ em 20-30ml/dl. Reduz HbA1C em 1,0-1,5%. Reduz espessamento mediointimal carotídeo – repaglinida. Reduz variabilidade de glicose pós-prandial. Tem flexibilidade na dose. Pode aumentar o peso e causar hipoglicemia. Contraindicado na gestação. É uma boa droga para idosos com hiperglicemia pós-prandial. INIBIDORES DO SGLT2 / GLIFOZINAS MECANISMO DE AÇÃO Impedem a absorção de glicose no túbulo proximal por meio da inibição do receptor SGLT2, levando à glicosúria. NOME COMERCIAL E POSOLOGIA Dapaglifozina – Forxiga → 5-10mg/1x/dia Empaglifozina – Jardiance → 10-25mg/1x/dia 10 Canaglifozina – Invokana → 100-300mg /1x/dia RESULTADOS Reduz GJ em 30mg/dl. Reduz HbA1C em 0,5-1,0%. VANTAGENS • Boa tolerabilidade • Não causa hipoglicemia • Baixa o peso, circunferência abdominal e PA. • Baixa a mortalidade cardiovascular • Menores internações por ICC – dapaglifozina. • Tem efeito renoprotetor. DESVANTAGENS • Custo elevado • Infecções geniturinárias • Maior risco de cetoacidose diabética – CAD euglicêmico • Maior risco de amputações – canaglifozina • Maior risco de fraturas – canaglifozina • Aumenta LDL-c • Amento transitório de creatinina COMO UTILIZAR 1. Monoterapia 2. Em associação com: • Metformina • Pioglitazona • Sulfoniureias • Inibidor DPP4 ou análogo GLP1 • Combinação dupla ou tríplice (incluindo insulina). LIMITAÇÕES PELA FUNÇÃO RENAL Dapaglifozina – TFG <25ML/MIN Canaglifozina – TFG <45 ML/MIN Empaglifozina – TFG <30ML/MIN É recomendado o tratamento em pacientes com DRC e DM2, desde que apresentem TFG estimada (TFGe) >= 20ml/min Quantos as doses dos iSGLT2 EM PACIENTES COM DRC, as diretrizes trazem as seguintes recomendações: Dapaglifozina – 10mg/dia Empaglifozina – 10mg/dia – com possibilidade de aumentar para 25mg/dia se necessário melhor controle glicêmico. Canaglifozina – 100mg/dia – a dose de 300mg/dia não é recomendada para pacientes com DRC. INCRETINICOMIMÉTICOS – IDPP-IV E AGLP-1 Agonistas do receptor de GLP-1 Inibidores da DPP4 Ação curta: • Liraglutida – tem no BR. Ação longa: • Exenatida semanal • Dulaglutida • Albiglutida • Semaglutida • Vildagliptina • Sitagliptina • Saxagliptina • Linagliptina • Aligliptina • Amorigliptina • Gemigliptina MECANISMO DE AÇÃO Os inibidores da DPP4 aumentam o GLP-1, que assim inibe secreção de glucagon, retarda o esvaziamento gástrico, regenera células b- pancreáticas e melhora a tolerância à glicose. Assim, os medicamentos aumentam o tempo de meia-vida do GLP-1. Obs. A linagliptina é bom para pacientes em diálise pela sua eliminação biliar. RESULTADOS Reduz GJ em 20mg/dl. Reduz HbA1C em 0,6-0,8%. Aumenta a massa de células beta em modelos animais. Tem segurança e tolerabilidade, além de raramente causar hipoglicemia. Tem influência neutra sobre o peso EFEITOS ADVERSOS E CONTRAINDICAÇÕES • Angioedema e urticária 11 • Probabilidade de pancreatite aguda • Aumento das internações por IC – saxa e alogliptina? • Contraindicado para paciente com hipersensibilidade aos componentes do medicamento. AJUSTES DE ACORDO COM A FUNÇÃO RENALANÁLOGOS DO GLP-1 MECANISMO DE AÇÃO Ele reduz a secreção de glucagon pelas células alfa pancreáticas e, consequentemente, a gliconeogênese hepática, além de estimular a excreção de insulina pelas células beta, contribuindo no controle da glicemia. Concomitantemente, retarda o esvaziamento gástrico e diminui o apetite. LIRAGLUTIDA – SAXENDA/VICTOZA Doses: • 0,6mg – 1ª semana • 1,2mg – 2ª semana • 1,8mg – 3ª semana • 2,4mg – 4ª semana • 3mg – 5ª semana em diante. Victoza – liraglutida com dose máxima de até 1,8mg/dia, Sazenda – liraglutida com dose máxima de até 3mg/dia. Doses acima de 1,8mg mantém o benefício da perda de peso sem influência na redução da Hba1c. Resultados: ➢ Redução de desfechos CV ➢ Redução de morte CV ➢ Redução de desfechos renais ➢ Redução de IM, AVC SEMAGLUTIDA – OZEMPIC Doses: • 0,25mg/ 1ª a 4ª semana – 1x/semana • 0,5mg/semana • 1,0mg/semana caso HbA1C ainda esteja fora da meta AJUSTE PELA FUNÇÃO RENAL VANTAGENS • Reduz GJ em 30mg/dl e HbA1C em 0,8-1,5% • Reduz peso corporal • Reduz eventos cardiovasculares em pacientes com DCV aterosclerótica • Reduz variabilidade da glicose pós-prandial • Redução discreta na PA sistólica • Redução de triglicérides pós prandiais – semaglutida oral • Raramente causa hipoglicemia • Redução de albuminúria EFEITOS ADVERSOS • Náuseas, vômitos e diarreia 12 • Hipoglicemia quando associado a secretagogos • Aumento discreto da frequência cardíaca • Pancreatite aguda rara observada em uso de GLP-1-RA injetáveis Contraindicado para: • Hipersensibilidade • Carcinoma medular de tireoide • Pancreatite • Uso simultâneo de inibidores da DPP4 • TFG<15 ml/min CONDUTA TERAPÊUTICA NO DIABETES TIPO 2 Descrição Fármacos AD1 Agentes com benefício demonstrado em redução de desfechos CV e/ou mortalidade CV e/ou hospitalização por IC e/ou desfechos renais em pessoas com diabetes em prevenção secundária. Inibidores da SGLT-2: • Canaglifozina • Dapaglifozina • Empaglifozina Agonistas do receptor do GLP-1: • Liraglutida • Semaglutida • Dulaglutida AD Agentes com efeito hipoglicemiante com segurança cardiovascular demonstrada. Sulfoniureias: • Glimeperida • Glicazida MR • Pioglitazona Inibidores da DPP4: • Vildagliptina • Sitagliptina • Saxagliptina • Linagliptina • Alogliptina TERAPIA BASEADA EM INSULINA Insulinas, análogos de insulina e combinações fixas de análogos de insulina com agonistas do receptor do GLP-1 COMO TRATAR O DM2 SEM COMPLICAÇÕES CARDIOVASCULARES OU RENAIS NOTAS IMPORTANTES A CONSIDERAR • Em adultos não gestantes com diagnóstico recente de DM2, sem doença cardiovascular ou renal, assintomáticos, onde a HbA1c é > 9,0%, a TERAPIA DUPLA com metformina associada à INSULINA deve SER CONSIDERADA para melhorar o controle glicêmico. • Em adultos com DM2 sintomáticos (poliúria, polidipsia, perda de peso) e que apresentam HbA1c > 9% ou glicemia de jejum ≥ 250 mg/dl, a terapia à base de insulina é RECOMENDADA para melhorar o controle glicêmico, mesmo que de forma transitória. • Em adultos com DM2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, é RECOMENDADO o uso de um inibidor do SGLT2 ou agonistas do receptor GLP-1 (com benefício cardiovascular comprovado), associado à metformina, independentemente dos níveis de HbA1c, para reduzir eventos cardiovasculares. DOENÇA CARDIOVASCULAR ATEROSCLERÓTICA É definida como: • Síndrome coronariana aguda – IAM e/ou angina instável. • Angina estável ou IAM prévio. • AVC trombótico ou isquêmico transitório. • Revascularização de coronária, carótidas, artérias renais ou artérias periféricas. • Insuficiência vascular periférica ou amputação de extremidades. • Doença aterosclerótica severa com estenose maior que 50% em qualquer território vascular. TRATAMENTO DO PACIENTE COM DCV + DM 13 TRATAMENTO DOENÇA RENAL + DM MANEJO DO TRATAMENTO DM2 + DRC 14 O pré-diabetes é uma condição de elevado risco para o desenvolvimento de DM2. • Cerca de 25% dos pacientes progridem para DM2 • 50% permanecem como estão • 25% revertem para a normalidade Em um período observacional de 3 a 5 anos: HbA1C GJ Curva Glicêmica PRÉ- DIABETES 5,7-6,4% 100- 125ml/dl 140- 199ml/dl. FATORES QUE DETERMINAM PROGRESSÃO • História familiar de DM2 • Sobrepeso e obesidade • Síndrome metabólica • DCV prévia • História de DM gestacional • Uso crônico de drogas antipsicóticas • Valores elevados de HbA1C e GJ NOTAS IMPORTANTES A CONSIDERAR • A modificação do estilo de vida, incluindo redução do peso com dieta saudável e aumento da atividade física, é RECOMENDADA para a prevenção do diabetes tipo 2 para todas as pessoas com pré-diabetes. • O uso da metformina, associado a medidas de estilo de vida, DEVE SER CONSIDERADO na prevenção do DM2 em adultos com pré- DM nas seguintes situações: idade menor que 60 anos, obesos com IMC acima de 35 kg/m2, mulheres com história de diabetes gestacional, na presença de síndrome metabólica, com hipertensão ou quando a glicemia de jejum for maior que 110 mg/dL. • Medicações eficazes na prevenção de DM2 no pré-diabetes, porém ainda sem análise de custo-efetividade, PODEM SER CONSIDERADAS, de acordo com os seus respectivos riscos, custos e efeitos adversos. o ACARBOSE o LIRAGLUTIDA o PIOGLITAZONA o ORLISTATE QUANDO É INDICADO TRATAMENTO • TOTG >= 173mg/dl • HbA1C >= 6% METFORMINA & PRÉ-DIABETES 2 • Perda de 7-10% do peso + atividade física por pelo menos 150 minutos semanais • Diversos tipos de dietas já foram demonstrados em reduzir o risco de progressão para DM. Uma avaliação individual é recomendada. • O foco deve ser a perda de peso. • O risco de progressão para DM é de 5-10% ao ano. • O risco pode ter uma variação individual importante • Em idosos >70 anos o risco cai para 8-9% após 6 anos. • O risco de reversão para normoglicemia é similar a despeito do tratamento. • Essa condição está associada a maior risco CV. • Tratamento farmacológico pode ser aventado. • A metformina na dose de 850mg 2x/dia é a que mais é evidenciada, sobretudo em pacientes jovens - <45 anos, IMC > 35 e em mulheres com histórico de DM gestacional. • Monitorização anual no mínimo é a recomendação. PRÉ-DIABETES