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Evolução Histórica da Educação Física no Mundo e no Brasil

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Evolução Histórica da Educação Física no Mundo
2.1 - Civilizações primitivas
Desde os primórdios da civilização, assim que o homem se pôs de pé, sempre necessitou da ação dos movimentos corporais. Segundo Ramos (1982, p.16), “o homem primitivo, tinha sua vida cotidiana assinalada, sobretudo, por duas grandes preocupações – atacar e defender-se”.
Analisando as ações naturais do homem primitivo, podemos dizer que se tratava de um autêntico programa de atividade física com exercícios naturais, pois, durante a maior parte da sua existência, “condenado a uma situação de nomadismo e seminomadismo, o homem dependia de sua força, velocidade e resistência para sobreviver” (OLIVEIRA, 2006, p.13). As ações como nadar, correr, trepar, arremessar, saltar, empurrar, puxar, foi facilitado cada vez mais pelo aprimoramento dos sentidos, das habilidades motoras e da força, assinalando assim, a sobrevivência do homem primitivo através da aquisição de um verdadeiro repertório psicomotor. Segundo Oliveira (2006, p.13), a supremacia do homem primitivo:
 “No reino animal deveu-se, no plano psicomotor, ao domínio de um gesto que lhe era próprio: foi capaz de atirar objetos. Provavelmente por ser o único que possuía o polegar, desenvolveu a preensão, por oposição daquele dedo aos demais. Isso facilitou, inclusive, o aperfeiçoamento da habilidade de lançar.” 
Esse vasto repertório motor além de garantir a sua sobrevivência (na caça, na pesca, na fuga, nas guerras, nas lutas), também era bastante útil na diversão, na ludicidade e na dança. Diante desse cenário: 
“… as atividades físicas das sociedades pré-históricas – dentro dos aspectos natural, utilitário, guerreiro, ritual e recreativo – objetivavam a luta pela vida, os ritos e cultos, a preparação guerreira, as ações competitivas e as práticas recreativas.” (RAMOS, 1982, p. 17).
 
A dança inclusive, era uma atividade física de bastante expressividade e significado para o homem primitivo: 
“A dança primitiva podia ter características eminentemente lúdicas como também um caráter ritualístico, onde havia demonstração de alegria pela caça e pesca feliz ou a dramatização de qualquer evento que merecesse destaque, como os nascimentos e funerais (OLIVEIRA, 2006, p.14).”
2.2 Idade Antiga (Civilizações Orientais e Civilizações Ocidentais)
Alguns povos conseguem alcançar uma etapa de mudança com aspectos de civilização, porém ainda com muitas características do mundo primitivo. Esse período é chamado de Antiguidade Oriental que posteriormente, com um estágio civilizatório mais avançado, dá-se origem a Antiguidade Ocidental. O que se observava era a civilização ocidental recebendo inúmeras influencias da civilização oriental. A civilização oriental por sua vez, tinha como objetivo a preparação para a vida, como aponta Ramos (1982, p.18), ”na Pérsia, Índia, China, Japão e outros povos, em contraste com a prática do mundo ocidental, excepcionalmente, as atividades físicas serviam mais como meio ritual ou de preparação para a vida”. As principais contribuições do oriente foram as artes marciais, a natação e o remo, o que revelou beleza e grandeza, como evidencia Ramos (1982, p.17): 
“No campo das atividades físicas, exemplificando somente com quatro povos – o hindu, o chinês, o japonês e o persa – encontramos a validade de nossa afirmação, através, respectivamente, do Ioga, do “Cong Fou”, do “Jiu-Jitsu”, e do “Pólo”. (…) A luta livre, o boxe, a esgrima com bastão, disputando primazia com a natação e o remo, foram, talvez os desportos de maior aceitação.”
2.2.2.1Grécia
No universo da civilização ocidental, faz-se necessário destacar a Grécia, com as cidades Atenas e Esparta, que referia-se a atividade física como instrumento de formação moral e espiritual, ou seja, “tem o grande mérito de não divorciar a Educação Física da intelectual e da espiritual” (OLIVEIRA, 2006, p.21). A exercitação do corpo constituía: 
“Meio para a formação do espírito e da moral. Platão, filósofo genial, referindo-se à ginástica, afirmava que ela unia aos cuidados do corpo o aperfeiçoamento do pensamento elevado, honesto e justo. (RAMOS, 1982, p.19).”
2.2.2.2.Roma
Também se faz necessário destacar Roma, que segundo Ramos (1982, p.21): 
“No primeiro período, tempo da monarquia, o exercício físico, de influência etrusca, visava somente à preparação militar… No segundo período, tempo dos cônsules e do início das grandes conquistas, mais se acentuou a predominância guerreira, mas da Grécia, do tempo do esplendor, foram retiradas algumas receitas de prática higiênica e desportiva. No terceiro período, tempo do Império, por conseguinte de glória e de decadência, mantiveram-se as práticas anteriores até certa época, para passarem, pouco a pouco, a absoluto abandono, salvo quanto aos espetáculos circense, tão cruéis e sanguinários como os combates de gladiadores…”
 Os romanos também se interessaram pelos jogos baseados nos jogos olímpicos da Grécia, mas tudo não passava de uma preparação militar, como reforça Ramos (1982, p.21), “com o tempo, os romanos, inspirados nos Jogos Gregos, procuraram criar os seus, sem o brilho dos helênicos, devido à mentalidade do povo, orientando-os para os adestramentos militares”. Segundo Oliveira (2006, p. 31):
 
“Os romanos, já sob a influência grega, também edificaram os seus estádios. Estes, que foram o principal cenário dos Jogos Olímpicos, não desfrutaram a mesma grandeza em terras romanas. Na verdade foram conhecidos juntamente com a introdução do esporte helênico em Roma (186 a.C.) estavam destinados ás competições atléticas e ás lutas. Os romanos copiaram, porém, um modelo já decadente, sendo levados a uma prática deformada.” 
 
2.3 - Idade Média (Séc. IV à XV):
·   O feudalismo;
·   A Igreja e o culto ao corpo;
·   Os esportes coletivos e individuais;
·   A cavalaria, os torneios e as justas;
 
Surgimento do feudalismo com a quebra do poder real de Roma. Feudalismo – sistema político-social-econômico do séc IX, em que o direito de governar era dado a quem possuísse terras. 
A perda de visibilidade e importância dos exercícios que prosseguiu com a queda do Império Romano continuou de maneira acentuada na Idade Média.  O que se vê na Idade Média é a Atividade Física sendo utilizada como preparação militar. Segundo Oliveira (2006, p.34), “a Educação Física, apesar de não merecer um destaque especial, recebeu uma atenção cuidadosa na preparação dos cavaleiros”.  
A igreja foi a única instituição que resistiu e fortificou-se, mesmo após as invasões bárbaras na alta idade média (conhecida como idade das trevas). Sua rápida propagação é compreendida quando percebemos que o cristianismo era um refúgio para os pobres e escravos, pois encontravam nela a fraternidade e a igualdade. Segundo Marinho (1994), o homem afogado em crenças e dogmas religiosos só era encorajado à conquista da vida celestial. Considerava pecado o culto ao corpo, dedicando-se exclusivamente ao espiritual. Havia um descaso pelas coisas do corpo para salvação da alma (RAMOS, 1987; MARINHO, 1994).
 
A educação física deixa de evoluir como ciência, mas a prática de atividade física continua. O esporte medieval preferiu as atividades coletivas, como por exemplo, os jogos com bola. Dentre eles encontramos o soule, um violento esporte jogado com mãos e pés e que foi o ancestral do futebol e do rugby. Um esporte individual que se propagou significativamente foi a luta. A nobreza praticava as justas (cavaleiros com armaduras e munidos de lança tentam derrubar o adversário), jogo de paume (jogo da palma, antepassado do tênis) e os torneios (justas disputadas por duas equipes) (RAMOS, 1987; MARINHO, 1994). A cavalaria era apoiada pela igreja, e tinha como ideal defendê-la. Defendia também a pátria, as mulheres os fracos e oprimidos. O jovem desde pequeno recebe um preparo físico (luta, natação, arremessos, levantamento de peso), moral (boas maneiras, conhecimentos de leis) e espiritual (práticas religiosas) para se tornar um cavalheiro (RAMOS, 1987; MARINHO, 1994).
O cavaleiro deveria ser treinado para a Guerra