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Evolução Histórica da Educação Física no Mundo e no Brasil

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Santa e as Cruzadas, ficando evidentes em dois momentos. O primeiro momento tem-se o período das Cruzadas, que segundo Ramos (1982, p.22), “as cruzadas, que a Igreja posteriormente, organizou durante os séculos XI, XII e XIII, exigia preparação militar, cuja base foi constituída, sem dúvida, pelos exercícios corporais”, Capinussú (2005, p. 54), também reforça dizendo:
 “(…) que os cavaleiros deveriam ser treinados para as Grandes Cruzadas e as Guerras Santas, organizadas pela Igreja… E mais, nos momentos de ócio, o cavaleiro dedicava-se ao xadrez, gamão e outros jogos de mesa popularizados na Europa; saiam a cavalo caçando javalis… dedicavam-se a jogos ginástico e a corrida a pé.” 
É também destaque, os jogos e torneios, caracterizando o segundo momento da utilização das atividades físicas, onde, segundo Oliveira (2006, p.34) “representam a culminância dos exercícios físicos dos cavaleiros e serviam, nos tempos de paz, como preparação para a guerra”.
2.4 Idade Moderna (Séc. XIV ao XVIII):
 ·   O Renascimento;
·   Os pensadores renascentistas.
Renascença: movimento intelectual, estético e social que representou uma reação à decadente estrutura feudal. Representou uma nova concepção do mundo e do homem, havendo um redescobrimento da individualidade, do espírito crítico e da liberdade do ser humano. Período de liberdade da ciência e das artes ressurgindo a cultura física. A Educação Física passa a ser assunto dos intelectuais, numa tentativa de reintegração do físico e do estético e da educação (RAMOS, 1987; MARINHO, 1994). Destacaram-se homens como: 
 
Vitorino Feltre (1378 – 1446) – fundou em 1423 a escola La Giocosa, a qual incluía exercícios físicos no seu programa escolar. 
 
Maffeu Veggio (1407 – 1458) – pedagogo, publicou “Educação da Criança”, em que dizia: - “A criança deve exercitar-se para desenvolver a agilidade e a atividade, a ginástica não deve ser violenta, mas deve afugentar a preguiça do corpo”.
 
Leonardo Da Vinci (1452 – 1519) – escreveu “Estudo dos movimentos dos músculos e articulações”, um dos primeiros tratados de biomecânica. Criou desenhos perfeitos sobre proporções do corpo humano, como Vitruvius.
 
François Rabelais (1453 – 1553) – defendia as atividades naturais e a educação integral (física, social, moral e intelectual). Dava importância à harmonia do homem com a natureza. 
 
Michelangelo (1475-1564) – esculpiu Davi.
 
Andréa Vesalius (1514 – 1564) – deu início ao estudo científico da anatomia, através de estudos de dissecação de cadáveres humanos. Escreveu o primeiro livro de anatomia: De Humani Corporis Fabrica. 
 
Richard Mulcaster (1530 – 1611) – “os exercícios apropriados oferecem grandes benefícios: derrota enfermidades, amplia a inteligência, prolonga a vida e retarda a morte”. Defendia o futebol desde que se evitassem os abusos da época (batalha corpo a corpo), deve ser saudável, social e educativo.
 
François Fénélon (1651-1715) – escreveu “a Educação das jovens”. Exercício físico para aperfeiçoar corpo e espírito. 
 
Friedrich Hoffmann (1660 – 1742) – dedicou a sua vida ao desenvolvimento da educação física, publicou várias obras, uma delas conhecida como “As sete regras da saúde”. 
 
Jean Jacques Rousseau (1712 – 1778) – filósofo francês dizia: “cultivai a inteligência de vossos alunos, mas cultivai, antes de tudo, seu físico; fazei primeiramente vosso aluno são e forte para poder vê-lo inteligente e sábio”. Defendia um currículo onde a ginástica e as outras disciplinas intelectuais tinham o mesmo peso. 
A idade moderna foi responsável pelo renascimento do interesse pela atividade física e pela fundamentação da Educação Física.
 
2.5 Idade Contemporânea (Séc. XIX e XX):
 
Ainda no fim da Idade Moderna e no início da Contemporânea, tivemos a influência de dois renascentistas na sistematização da Educação Física: Basedow (1723-1790), influenciado pelas ideias de Rosseau, fundou na Alemanha (1774), a primeira escola que tinha no currículo a ginástica com o mesmo peso das disciplinas teóricas e Jean Henri Pestalozzi (1746 – 1827) fundador da escola primária popular. O primeiro a chamar a atenção para os elementos principais na execução dos exercícios:” posição e execução perfeita para correção de postura” (RAMOS, 1987; MARINHO, 1994).
 
O crescimento das cidades e a consequente diminuição dos espaços livres limitavam as possibilidades de locais apropriados aos exercícios físicos. Com a Revolução industrial surge a especialização profissional, em que trabalhadores trabalhavam numa mesma posição durante horas aumentando os problemas posturais. O mesmo aconteceu para os jovens, devido à disciplina severa impondo aumento das horas de estudo (RAMOS, 1987; MARINHO, 1994). Com isso, aumenta-se o interesse pela Educação Física, sendo moldada para atender os interesses de cada país ou região, surgindo na Europa quatro correntes doutrinárias responsáveis pela sistematização da Educação Física: alemã, nórdica ou sueca, francesa e inglesa (RAMOS, 1987; MARINHO, 1994).
 
Os Jogos Olímpicos vão ressurgir em Atenas no final do séc. XIX (1896), graças ao filósofo francês barão de Coubertin que além de se interessar por música, poesia, literatura e história, também admirava a prática esportiva e defendia o lema: ”o importante não é vencer, é competir”. Após introduzir o esporte no sistema educacional francês, restaurou os Jogos Olímpicos, pois acreditava que o esporte era mais que um simples benefício físico. Com ele era possível adquirir qualidades morais e culturais, e através do ideal olímpico, a formação do homem ideal (RAMOS, 1982).
 
 
3 - História da Educação Física no Brasil:
3.1 Brasil – Colônia (1500-1822):
 
A história da Educação Física no Brasil começa com os primeiros habitantes de nossa terra: os indígenas. Praticavam: canoagem, lançamentos, mergulhos, natação, danças, corridas, lutas e jogos (jogo de peteca).
 
Com a chegada dos portugueses chegam também ao Brasil os negros africanos, devido à necessidade de mão de obra. Estes dão origem a Capoeira, praticada até os dias de hoje.
 
O remo é citado como a primeira prática esportiva introduzida no Brasil em meados do séc XVI (1566). (RAMOS, 1987; MARINHO, 1994).
3.2. Período Imperial e Período Republicano. (Texto retirado do artigo A CONSTITUIÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL E OS PROCESSOS DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL)
Iniciamos a nossa imersão histórica a partir da transição do período imperial para o início do período republicano, que se deu nas últimas décadas do século XIX. 
No período imperial, haviam pontos paradoxais em relação à gradativa implantação da Educação Física na organização social brasileira. O primeiro aspecto estava relacionado ao fato de que nesta época ainda existia um grande preconceito em relação às atividades físicas, devido ao fato de que estas estavam relacionadas ao trabalho escravo (PAIVA, 2004). 
Conforme Soares (1994), outro fator que merece menção é o de que nas propostas das ginásticas européias, que eram à base da Educação Física brasileira, era dada uma ênfase aos exercícios voltados a mulher, e para a parte conservadora da sociedade brasileira, a aplicação dos princípios ginásticos para as mulheres era considerado imoral. 
Apesar das forças contrárias a instituição da Educação Física, apontaremos na 
seqüência, e com base em alguns autores, pontos fundamentais para que ocorresse a gradativa consolidação de uma nova área do conhecimento e os seus conseqüentes processos para a preparação profissional. 
Conforme Soares (1994) na transição que ocorreu entre o final do período imperial e o início do período republicano, acentuava-se no Brasil a idéia de que o país necessitava adequar-se ao modelo de organização social provindo dos ideais europeus, ou seja, o modelo urbano, industrial e comercial.
Ao mesmo tempo em que o novo ideal de organização social, passa gradativamente a ser o modo de vida urbano, industrial e comercial, problemas relacionados a isto vão surgindo. Gondra (2004) relata o fato de que no Rio Janeiro, na segunda metade do século XIX, ocorria um intenso movimento