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Ação Rescisória Trabalhista uma análise de jurisprudências e do instrumento de revisão judicial

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Ação Rescisória Trabalhista: uma análise de jurisprudências e 
do instrumento de revisão judicial 
 
A ação rescisória trabalhista, também conhecida pela abreviação AR, é um 
importante instrumento processual que permite a revisão de decisões judiciais 
transitadas em julgado no âmbito da Justiça do Trabalho. Trata-se de um 
mecanismo processual excepcional que busca corrigir eventuais equívocos, 
fraudes ou vícios que possam comprometer a justiça e a segurança jurídica no 
campo das relações laborais. 
A legislação processual trabalhista prevê a ação rescisória como uma forma de 
revisão de decisões finais que já se encontram em caráter definitivo, ou seja, não 
passíveis de recurso ordinário. Sua importância é fundamental para garantir a 
efetividade do Direito do Trabalho, permitindo a correção de possíveis erros ou 
injustiças que possam ter ocorrido em decisões anteriores. 
É válido ressaltar que, conforme destacado por Francisco Rossal1, a ação 
rescisória não pode ser considerada um recurso, uma vez que não preenche as 
três características fundamentais para ser assim classificada. Essas 
características incluem a análise de erros na aplicação do direito (error in 
judicando) e erros no procedimento (error in procedendo), a interposição na 
mesma relação processual e a capacidade de postergar a formação da coisa 
julgada. Dessa forma, a principal peculiaridade da ação rescisória é o fato de ser 
proposta após o trânsito em julgado da decisão. 
É importante destacar que a admissibilidade da ação rescisória ocorre apenas 
em situações específicas, em conformidade com as disposições do Código de 
Processo Civil (CPC). Essa possibilidade está prevista no artigo 836 da 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de acordo com esse dispositivo, os 
órgãos da Justiça do Trabalho são vedados de conhecer questões já decididas, 
com exceção dos casos expressamente previstos na legislação trabalhista e da 
própria ação rescisória. Além disso, o ajuizamento da ação rescisória requer o 
depósito prévio de 20% do valor da causa, salvo quando comprovada a 
miserabilidade jurídica do autor. 
Quanto a propositura da ação rescisória, o artigo 967 do CPC estabelece os 
indivíduos legitimados para ingressar com esse requerimento. São eles: aquele 
que foi parte no processo original ou seu sucessor, seja de forma universal ou 
singular; o terceiro juridicamente interessado; o Ministério Público quando a 
decisão rescindenda é o efeito de simulação ou de colusão das partes, a fim de 
fraudar a lei ou se não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatória a 
 
1 Desembargador Federal do Trabalho – TRT 4º Região e escritor do artigo A ação rescisória 
no processo do trabalho e novo CPC. 
intervenção; e aquele que não foi ouvido no processo em que era obrigatória a 
intervenção. 
Sabendo-se quais são os sujeitos legitimados para propor a ação objeto de 
estudo, deve-se atentar as hipóteses taxativas. O artigo 966 do CPC estabelece 
as situações em que a decisão pode ser rescindida, ou seja, são situações 
específicas que autorizam a propositura da ação rescisória, segue transcrito 
abaixo a referida norma e decisões de diversos tribunais quanto ao tema: 
Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser 
rescindida quando: 
I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, 
concussão ou corrupção do juiz; 
II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente 
incompetente; 
III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento 
da parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as 
partes, a fim de fraudar a lei; 
IV - ofender a coisa julgada; 
V - violar manifestamente norma jurídica; 
VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em 
processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação 
rescisória; 
VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova 
nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, 
capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável; 
VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos. 
 
Discorrendo brevemente do artigo exposto acima, o inciso V refere-se violação 
clara da norma jurídica que ocorre somente quando a interpretação adotada na 
decisão não apresenta o mínimo de razoabilidade. Se a norma for interpretada 
de maneira razoável, não se pode afirmar que a decisão viola explicitamente o 
teor literal da disposição legal. Apenas uma interpretação contrária ao 
entendimento consolidado nos tribunais permite a rescisão da decisão. Segue 
transcrito abaixo decisão com fundamentação na norma supramencionada: 
AÇÃO RESCISÓRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS 
SUCUMBENCIAIS. BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA. 
ADI XXXXX/DF. 1. A teor do artigo 966, inciso V, do CPC, a 
decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser 
rescindida quando "violar manifestamente norma jurídica" 
e, na situação ora examinada, a sentença de origem ancorou-se 
em norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal 
Federal, no julgamento da ADI XXXXX/DF, na data de 
20.10.2021, qual seja, o § 4º do artigo 791-A da CLT. 2. Observe-
se, ainda, que, apesar de ter havido recurso ordinário, o qual foi 
apreciado pela Quarta Turma Julgadora desta Corte Regional, 
em 23.09.2021, somente a parte reclamada lançou mão desse 
expediente, não havendo qualquer discussão quanto ao tema 
em debate. Assim, revela-se escorreito o pedido de rescisão da 
sentença, e não do acórdão, tendo ela transitado em julgado, no 
aspecto, na data de 06.08.2021 (oito dias após a sua ciência, o 
que ocorreu em 26.07.2021). 3. Por conseguinte, outro 
caminho não há senão o de julgar procedente a presente 
ação rescisória, para rescindir o capítulo da sentença 
proferida na reclamação trabalhista tombada sob o nº 
XXXXX-23.2021.5.06.0251, na parte em que condenou o 
reclamante ao pagamento de honorários advocatícios 
sucumbenciais, mesmo sendo beneficiário da justiça gratuita. 
(Processo: AR - XXXXX-71.2021.5.06.0000, Redator: Ana 
Claudia Petruccelli de Lima, Data de julgamento: 22/03/2022, 2ª 
Seção Especializada em Dissídio Individual, Data da assinatura: 
22/03/2022) (TRT-6 - AR: XXXXX20215060000, Data de 
Julgamento: 22/03/2022, 2ª Seção Especializada em Dissídio 
Individual, Data de Publicação: 22/03/2022) 
 
Quanto ao inciso VIII, o conceito de "erro de fato" diz respeito a um equívoco na 
análise ou compreensão das evidências apresentadas no processo. Nesse 
sentido, o erro de fato que justifica a ação rescisória ocorre quando a decisão 
considera um fato inexistente nos autos ou negligencia um fato incontestável 
presente nos autos, e esse fato, por si só, tem a capacidade de modificar o 
resultado do julgamento. 
AÇÃO RESCISÓRIA. ERRO DE FATO. O conceito de erro de 
fato deve ser compreendido como um equívoco de 
apreciação ou de percepção das provas trazidas aos autos 
do processo. Desse modo, o erro de fato que autoriza a ação 
rescisória é o que se verifica quando a decisão leva em 
consideração fato inexistente nos autos ou desconsidera 
fato inconteste nos autos, e que isto seja, por si só, capaz 
de modificar o resultado do julgamento. Acolho o pedido, e 
julgo procedente a presente ação rescisória para rescindir a 
decisão subjacente e proferir novo julgamento, conforme 
disposto no art. 974 do CPC. (TRT-3 - AR: XXXXX20195030000 
MG XXXXX-87.2019.5.03.0000, Relator: Vicente de Paula M. 
Junior, Data de Julgamento: 15/09/2021, 2a Secao de Dissidios 
Individuais, Data de Publicação: 15/09/2021.) 
 
Além do mais, salienta-se que o requerimento de uma reanalise dos fatos pode 
acarretar a improcedência da ação, uma vez que não se trata da interpretação 
da norma em si, mas da interpretação dos fatos que são fundamentais para a 
aplicação da lei, não se enquadra no conceito de violação clara da norma 
jurídica. Conforme súmula 410 do Tribunal Superior do Trabalho: 
Súmula 410 do TST: “A ação rescisória calcada em violação 
de lei não admite reexame de fatos e provas do processo 
que originoua decisão rescindenda.” 
 
Bem como, entendimento/decisão transcrito abaixo do desembargador Plauto 
Carneiro Porto do Tribunal Regional do Trabalho Ceará 7º Região: 
AÇÃO RESCISÓRIA. VIOLAÇÃO MANIFESTA À NORMA 
JURÍDICA. ART. 966, V, DO CPC. NÃO CONFIGURAÇÃO. 
MATÉRIA CONTROVERTIDA NOS TRIBUNAIS. 
REAPRECIAÇÃO DE FATOS. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE 
DE RESCISÓRIA. SÚMULA 410 DO TST. A violação manifesta 
à norma jurídica só se configura quando a interpretação 
sustentada na decisão não se reveste do mínimo de 
razoabilidade. Se a norma é interpretada de maneira razoável, 
não se pode afirmar que a decisão afronta a literalidade de 
disposição legal. Somente interpretação oposta ao 
entendimento pacífico nos tribunais autoriza o corte rescisório 
com base no art. 966, V, do CPC (Súmula 83, TST). Ademais, 
a questão envolve análise das circunstâncias fáticas do 
caso, técnica vedada em sede de ação rescisória, por não 
se inserir no conceito de manifesta violação à norma 
jurídica. Afinal, o que está em jogo, nesse caso, não é a 
interpretação da norma, mas a interpretação dos fatos que 
servem de pressuposto à aplicação da lei. A inviabilidade de 
reapreciar fatos por meio de ação rescisória é corroborada 
pela súmula 410 do TST. Ação Rescisória julgada 
improcedente. (TRT-7 - AR: XXXXX20215070000 CE, Relator: 
PLAUTO CARNEIRO PORTO, Tribunal Pleno, Data de 
Publicação: 31/01/2022) 
 
Além disso, é importante observar o disposto no artigo 975 do CPC, que 
estabelece o prazo para o exercício do direito de propor ação rescisória. Esse 
prazo é de dois anos a partir do trânsito em julgado da última decisão proferida 
no processo. No entanto, caso o prazo original expire durante férias forenses, 
recesso, feriados ou dias em que não haja expediente forense, ele será 
prorrogado até o primeiro dia útil subsequente. No caso em que a ação rescisória 
é fundamentada no inciso VII do artigo 966, o prazo inicial é contado a partir da 
descoberta de nova prova, desde que dentro do prazo máximo de cinco anos 
contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. 
Nos casos de simulação ou conluio entre as partes, o prazo para terceiros 
prejudicados e para o Ministério Público, que não tenha intervindo no processo, 
começa a contar a partir do momento em que tomam ciência da simulação ou 
conluio. É importante ressaltar que esse prazo é decadencial, ou seja, após o 
seu término, o direito de propor a ação rescisória é extinto. 
Destaca-se que a ação rescisória segue os mesmos requisitos da petição inicial, 
ou seja, deve ser elaborada de acordo com o disposto nos artigos 319, 320 e 
968 do CPC. 
Pois bem. Quanto à competência para julgar a ação trabalhista abordada neste 
trabalho, logicamente não deverá recair sobre o juiz de primeiro grau, pois esse 
não terá competência para rescindir suas próprias sentenças, tal competência 
deverá recair sobre os Tribunais Regionais do Trabalho (TRT) ou o Tribunal 
Superior do Trabalho (TST). Essa previsão está presente no artigo 2º da Lei 
7.701/88 e no artigo 678 da CLT, que tratam explicitamente das competências 
dos TRT. É importante ressaltar que, nos casos em que a matéria discutida na 
ação rescisória envolver questões constitucionais, divergências jurisprudenciais 
ou a necessidade de uniformização da jurisprudência trabalhista, a competência 
ideal é atribuída ao TST. 
Ato continuo. A súmula 249 do Supremo Tribunal Federal (STF) destaca a 
competência desse órgão para julgar a ação rescisória, mesmo que não tenha 
examinado o recurso extraordinário ou tenha rejeitado o agravo, contanto que 
tenha analisado a controvérsia envolvendo a matéria federal. Quando a questão 
federal abordada no recurso extraordinário ou no agravo de instrumento for 
diferente daquela levantada no pedido rescisório, a competência para a ação 
rescisória não recai sobre o STF. 
Em conclusão, a ação rescisória trabalhista desempenha um papel crucial na 
revisão de decisões judiciais definitivas que violaram o devido processo legal e 
não cumpriram os requisitos de validade. No entanto, sua admissibilidade está 
limitada a situações específicas e requer fundamentação clara. 
 
Referências: 
Bitencourt, Guilherme. Ação rescisória trabalhista: tudo o que você precisa 
saber sobre o assunto. Disponível em: https://www.mutuus.net/blog/acao-
rescisoria-trabalhista/ 
Fachini, Thiago. Saiba tudo sobre ação rescisória trabalhista. Disponível em: 
https://www.projuris.com.br/blog/saiba-tudo-sobre-acao-rescisoria-trabalhista/ 
Nilton. Você sabe o que é a ação rescisória trabalhista para a justiça do 
trabalho? Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/voce-sabe-o-que-
e-a-acao-rescisoria-trabalhista-para-a-justica-do-
trabalho/1309387868#:~:text=A%20a%C3%A7%C3%A3o%20rescis%C3%B3ri
a%2C%20comumente%20abreviada,qual%20n%C3%A3o%20se%20possa%2
0recorrer. 
Rossal, Francisco. A ação rescisória no processo do trabalho e novo CPC. 
Disponível em: 
https://juslaboris.tst.jus.br/bitstream/handle/20.500.12178/125110/2018_araujo_
francisco_acao_rescisoria.pdf?sequence=1&isAllowed=y 
Ação rescisória procedente, artigo 966 inciso V. Disponível em: 
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/trt-6/1435933743 
Ação rescisória procedente, artigo 966 inciso VIII. Disponível em: 
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/trt-3/1281656309/inteiro-teor-
1281656451

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